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Previdencia Social Rural. Uniformidade - Jurisprudência _ Jusbrasil

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Previdencia Social Rural. Uniformidade em Jurisprudência
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STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 315701 RS 2001/0038241-0
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 10/03/2003
RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. CONTAGEM RECÍPROCA DE TEMPO DE SERVIÇO.
AVERBAÇÃO DE TEMPO DE SERVIÇO PRESTADO EM ATIVIDADE RURAL PARA FINS DE
APOSENTADORIA NO SERVIÇO PÚBLICO. CONTRIBUIÇÃO. NECESSIDADE. 1. "Para efeito de
aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na
administração pública e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os diversos
sistemas de previdência social se compensarão financeiramente, segundo critérios
estabelecidos em lei." (artigo 202 , parágrafo 2º , da Constituição da Republica ). 2. "(...) para
a contagem recíproca corretamente dita, isto é, aquela que soma o tempo de serviço
público ao de atividade privada, não pode ser dispensada a prova de contribuição, pouco
importando diante desse explícito requisito constitucional que de, contribuir, houvesse
sido, no passado, dispensada determinada categoria profissional, assim limitada, bem ou
mal, quanto ao benefício de reciprocidade pela ressalva estatuída na própria Constituição ."
(ADIn nº 1.664/UF, Relator Ministro Octavio Gallotti, in DJ 19/12/97). 3. A contagem do
tempo de serviço prestado na atividade privada, seja ela urbana ou rural, só pode ser
aproveitada para fins de aposentadoria no serviço público, quando houver prova de
contribuição naquele regime previdenciário, inocorrente, na espécie. 4. Recurso conhecido e
provido.
A Jurisprudência apresentada está ordenada por Relevância Mudar ordem para Data
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1674221 SP 2017/0120549-0
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 04/09/2019
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO AO RITO DOS
RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 1.036, § 5o. DO CÓDIGO FUX E DOS
ARTS. 256-E, II, E 256-I DO RISTJ. APOSENTADORIA HÍBRIDA. ART. 48 , §§ 3o . E 4o. DA LEI
8.213 /1991. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DE ISONOMIA A TRABALHADORES RURAIS E
URBANOS. MESCLA DOS PERÍODOS DE TRABALHO URBANO E RURAL. EXERCÍCIO DE
ATIVIDADE RURAL, REMOTO E DESCONTÍNUO, ANTERIOR À LEI 8.213 /1991 A DESPEITO
DO NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. CÔMPUTO DO TEMPO DE SERVIÇO PARA
FINS DE CARÊNCIA. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO LABOR CAMPESINO POR
OCASIÃO DO IMPLEMENTO DO REQUISITO ETÁRIO OU DO REQUERIMENTO
ADMINISTRATIVO. TESE FIXADA EM HARMONIA COM O PARECER MINISTERIAL. RECURSO
PREVIDENCIA SOCIAL RURAL. UNIFORMIDADE 
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https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/7501965
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https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/859485767
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ESPECIAL DA SEGURADA PROVIDO. 1. A análise da lide judicial que envolve a proteção do
Trabalhador Rural exige do julgador sensibilidade, e é necessário lançar um olhar especial a
esses trabalhadores para compreender a especial condição a que estão submetidos nas
lides campesinas. 2. Como leciona a Professora DANIELA MARQUES DE MORAES, é preciso
analisar quem é o outro e em que este outro é importante para os preceitos de direito e de
justiça. Não obstante o outro possivelmente ser aqueles que foi deixado em segundo plano,
identificá-lo pressupõe um cuidado maior. Não se pode limitar a apontar que seja o outro. É
preciso tratar de tema correlatos ao outro, com alteridade, responsabilidade e, então, além
de distinguir o outro, incluí-lo (mas não apenas de modo formal) ao rol dos sujeitos de
direito e dos destinatários da justiça (A Importância do Olhar do Outro para a
Democratização do Acesso à Justiça, Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015, p. 35). 3. A Lei
11.718 /2008, ao incluir a previsão dos §§ 3o . e 4o. no art. 48 da lei 8.213 /1991, abrigou,
como já referido, aqueles Trabalhadores Rurais que passaram a exercer temporária ou
permanentemente períodos em atividade urbana, já que antes da inovação legislativa o
mesmo Segurado se encontrava num paradoxo jurídico de desamparo previdenciário: ao
atingir idade avançada, não podia receber a aposentadoria rural porque exerceu trabalho
urbano e não tinha como desfrutar da aposentadoria urbana em razão de o curto período
laboral não preencher o período de carência (REsp. 1. 407.613/RS, Rel. Min. HERMAN
BENJAMIN, DJe 28.11.2014). 4. A aposentadoria híbrida consagra o princípio constitucional
de uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais,
conferindo proteção àqueles Trabalhadores que migraram, temporária ou definitivamente,
muitas vezes acossados pela penúria, para o meio urbano, em busca de uma vida mais
digna, e não conseguiram implementar os requisitos para a concessão de qualquer
aposentadoria, encontrando-se em situação de extrema vulnerabilidade social. 5. A
inovação legislativa objetivou conferir o máximo aproveitamento e valorização ao labor
rural, ao admitir que o Trabalhador que não preenche os requisitos para concessão de
aposentadoria rural ou aposentadoria urbana por idade possa integrar os períodos de labor
rural com outros períodos contributivos em modalidade diversa de Segurado, para fins de
comprovação da carência de 180 meses para a concessão da aposentadoria híbrida, desde
que cumprido o requisito etário de 65 anos, se homem, e 60 anos, se mulher. 6. Analisando
o tema, esta Corte é uníssona ao reconhecer a possibilidade de soma de lapsos de
atividade rural, ainda que anteriores à edição da Lei 8.213 /1991, sem necessidade de
recolhimento de contribuições ou comprovação de que houve exercício de atividade rural no
período contemporâneo ao requerimento administrativo ou implemento da idade, para fins
de concessão de aposentadoria híbrida, desde que a soma do tempo de serviço urbano ou
rural alcance a carência exigida para a concessão do benefício de aposentadoria por idade.
7. A teste defendida pela Autarquia Previdenciária, de que o Segurado deve comprovar o
exercício de período de atividade rural nos últimos quinze anos que antecedem o
implemento etário, criaria uma nova regra que não encontra qualquer previsão legal. Se
revela, assim, não só contrária à orientação jurisprudencial desta Corte Superior, como
também contraria o objetivo da legislação previdenciária. 8. Não admitir o cômputo do
trabalho rural exercido em período remoto, ainda que o Segurado não tenha retornado à
atividade campesina, tornaria a norma do art. 48 , § 3o. da Lei 8.213 /1991 praticamente
sem efeito, vez que a realidade demonstra que a tendência desses Trabalhadores é o
exercício de atividade rural quando mais jovens, migrando para o atividade urbana com o
avançar da idade. Na verdade, o entendimento contrário, expressa, sobretudo, a velha
posição preconceituosa contra o Trabalhador Rural, máxime se do sexo feminino. 9. É a
partir dessa realidade social experimentada pelos Trabalhadores Rurais que o texto legal
deve ser interpretado, não se podendo admitir que a justiça fique retida entre o rochedo que
o legalismo impõe e o vento que o pensamento renovador sopra. A justiça pode ser cega,
mas os juízes não são. O juiz guia a justiça de forma surpreendente, nos meandros do
processo, e ela sai desse labirinto com a venda retirada dos seus olhos. 10. Nestes termos,
se propõe a fixação da seguinte tese: o tempo de serviço rural, ainda que remoto e
descontínuo, anterior ao advento da Lei 8.213 /1991, pode ser computado para fins da
carência necessária à obtenção da aposentadoria híbrida por idade, ainda que não tenha
sido efetivado o recolhimento das contribuições, nos termos do art. 48 , § 3o. da Lei 8.213
/1991, seja qual for a predominância do labor misto exercido no período de carência ou o
tipo de trabalho exercido no momento do implemento do requisito etário ou do
requerimento administrativo. 11. Recurso Especial da Segurada provido, determinando-se o
retorno dos autos à origem, a fim de que prossiga no julgamento do feito analisandoa
possibilidade de concessão de aposentadoria híbrida.
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1648305 RS 2017/0009005-5
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 26/09/2018
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL DE 2015 . APLICABILIDADE. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. "AUXÍLIO-
ACOMPANHANTE". ADICIONAL DE 25% (VINTE E CINCO POR CENTO) PREVISTO NO ART.
45 DA LEI N. 8.213 /91. NECESSIDADE DE ASSISTÊNCIA PERMANENTE DE TERCEIRO.
COMPROVAÇÃO. EXTENSÃO A OUTRAS ESPÉCIES DE APOSENTADORIA. POSSIBILIDADE.
PRINCÍPIOS DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DA ISONOMIA. GARANTIA DOS
DIREITOS SOCIAIS. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS
COM DEFICIÊNCIA (NOVA IORQUE, 2007). INTERPRETAÇÃO JURISPRUDENCIAL DE
ACORDO COM PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. FATO GERADOR. BENEFÍCIO DE CARÁTER
ASSISTENCIAL, PERSONALÍSSIMO E INTRANSFERÍVEL. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA
FONTE DE CUSTEIO. TESE FIRMADA SOB O RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS.
ART. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015 . RECURSO ESPECIAL DO INSS IMPROVIDO. I -
Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o
regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional
impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015 . II - Cinge-se a
controvérsia à possibilidade de extensão do "auxílio-acompanhante", previsto no art. 45 da
Lei n. 8.213 /91 aos segurados aposentados por invalidez, às demais espécies de
aposentadoria do Regime Geral da Previdência Social - RGPS. III - O "auxílio-acompanhante"
consiste no pagamento do adicional de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o valor do
benefício ao segurado aposentado por invalidez, que necessite de assistência permanente
de terceiro para a realização de suas atividades e cuidados habituais, no intuito de diminuir
o risco social consubstanciado no indispensável amparo ao segurado, podendo, inclusive,
sobrepujar o teto de pagamento dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. IV -
Tal benefício possui caráter assistencial porquanto: a) o fato gerador é a necessidade de
assistência permanente de outra pessoa a qual pode estar presente no momento do
requerimento administrativo da aposentadoria por invalidez ou ser-lhe superveniente; b) sua
concessão pode ter ou não relação com a moléstia que deu causa à concessão do
benefício originário; e c) o pagamento do adicional cessará com a morte do aposentado,
não sendo incorporado ao valor da pensão por morte, circunstância própria dos benefícios
assistenciais que, pela ausência de contribuição, são personalíssimos e, portanto,
intransferíveis aos dependentes. V - A pretensão em análise encontra respaldo nos
princípios da dignidade da pessoa humana e da isonomia, bem como na garantia dos
direitos sociais, contemplados, respectivamente, nos arts. 1º , III , 5º , caput, e 6º , da
Constituição da Republica . VI - O Estado brasileiro é signatário da Convenção Internacional
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de Nova Iorque, de 2007, admitida com
status de emenda constitucional, nos termos do art. 5º , § 3º , da Constituição da Republica
. Promulgada pelo Decreto n. 6.949 /09, a Convenção, em seu art. 1º, ostenta o propósito de
"(...) promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/630477312
humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o
respeito pela sua dignidade inerente", garantindo, ainda, em seus arts. 5º e 28 , tratamento
isonômico e proteção da pessoa com deficiência, inclusive na seara previdenciária. VII - A 1ª
Seção desta Corte, em mais de uma oportunidade, prestigiou os princípios da dignidade da
pessoa humana e da isonomia com vista a iluminar e desvendar a adequada interpretação
de dispositivos legais ( REsp n. 1.355.052/SP , Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de
05.11.2015 e do REsp n. 1.411.258/RS , Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de
21.02.2018, ambos submetidos ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973).
VIII - A aplicação do benefício às demais modalidades de aposentadoria independe da
prévia indicação da fonte de custeio porquanto o "auxílio-acompanhante" não consta no rol
do art. 18 da Lei n. 8.213 /91, o qual elenca os benefícios e serviços devidos aos segurados
do Regime Geral de Previdência Social e seus dependentes. IX - Diante de tal quadro, impõe-
se a extensão do "auxílio- acompanhante" a todos os aposentados que, inválidos,
comprovem a necessidade de ajuda permanente de outra pessoa, independentemente do
fato gerador da aposentadoria. X - Tese jurídica firmada: "Comprovadas a invalidez e a
necessidade de assistência permanente de terceiro, é devido o acréscimo de 25% (vinte e
cinco por cento), previsto no art. 45 da Lei n. 8.213 /91, a todos os aposentados pelo RGPS,
independentemente da modalidade de aposentadoria." XI - Recurso julgado sob a
sistemática dos recursos especiais representativos de controvérsia (art. 1.036 e seguintes
do CPC/2015 e art. 256-N e seguintes do RISTJ). XII - Recurso Especial do INSS improvido.
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1788404 PR 2018/0340826-4
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 04/09/2019
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO AO RITO DOS
RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 1.036, § 5o. DO CÓDIGO FUX E DOS
ARTS. 256-E, II, E 256-I DO RISTJ. APOSENTADORIA HÍBRIDA. ART. 48 , §§ 3o . E 4o. DA LEI
8.213 /1991. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DE ISONOMIA A TRABALHADORES RURAIS E
URBANOS. MESCLA DOS PERÍODOS DE TRABALHO URBANO E RURAL. EXERCÍCIO DE
ATIVIDADE RURAL, REMOTO E DESCONTÍNUO, ANTERIOR À LEI 8.213 /1991 A DESPEITO
DO NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. CÔMPUTO DO TEMPO DE SERVIÇO PARA
FINS DE CARÊNCIA. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO LABOR CAMPESINO POR
OCASIÃO DO IMPLEMENTO DO REQUISITO ETÁRIO OU DO REQUERIMENTO
ADMINISTRATIVO. TESE FIXADA EM HARMONIA COM O PARECER MINISTERIAL. RECURSO
ESPECIAL DO INSS PARCIALMENTE PROVIDO, TÃO SOMENTE, PARA AFASTAR A MULTA
FIXADA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. A análise da lide judicial que envolve a
proteção do Trabalhador Rural exige do julgador sensibilidade, e é necessário lançar um
olhar especial a esses trabalhadores para compreender a especial condição a que estão
submetidos nas lides campesinas. 2. Como leciona a Professora DANIELA MARQUES DE
MORAES, é preciso analisar quem é o outro e em que este outro é importante para os
preceitos de direito e de justiça. Não obstante o outro possivelmente ser aqueles que foi
deixado em segundo plano, identificá-lo pressupõe um cuidado maior. Não se pode limitar a
apontar que seja o outro. É preciso tratar de tema correlatos ao outro, com alteridade,
responsabilidade e, então, além de distinguir o outro, incluí-lo (mas não apenas de modo
formal) ao rol dos sujeitos de direito e dos destinatários da justiça (A Importância do Olhar
do Outro para a Democratização do Acesso à Justiça, Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015, p.
35). 3. A Lei 11.718 /2008, ao incluir a previsão dos §§ 3o . e 4o. no art. 48 da lei 8.213
/1991, abrigou, como já referido, aqueles Trabalhadores Rurais que passaram a exercer
temporária ou permanentemente períodos em atividade urbana, já que antes da inovação
legislativa o mesmo Segurado se encontrava num paradoxo jurídico de desamparo
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/859485760
previdenciário: ao atingir idade avançada, não podia receber a aposentadoria rural porque
exerceu trabalho urbano e não tinha como desfrutar da aposentadoria urbana em razão de o
curto período laboral não preencher o período de carência (REsp. 1. 407.613/RS, Rel. Min.
HERMAN BENJAMIN, DJe 28.11.2014). 4. A aposentadoria híbrida consagra o princípio
constitucional de uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações
urbanas e rurais, conferindo proteção àqueles Trabalhadores que migraram, temporária ou
definitivamente, muitasvezes acossados pela penúria, para o meio urbano, em busca de
uma vida mais digna, e não conseguiram implementar os requisitos para a concessão de
qualquer aposentadoria, encontrando-se em situação de extrema vulnerabilidade social. 5. A
inovação legislativa objetivou conferir o máximo aproveitamento e valorização ao labor
rural, ao admitir que o Trabalhador que não preenche os requisitos para concessão de
aposentadoria rural ou aposentadoria urbana por idade possa integrar os períodos de labor
rural com outros períodos contributivos em modalidade diversa de Segurado, para fins de
comprovação da carência de 180 meses para a concessão da aposentadoria híbrida, desde
que cumprido o requisito etário de 65 anos, se homem, e 60 anos, se mulher. 6. Analisando
o tema, esta Corte é uníssona ao reconhecer a possibilidade de soma de lapsos de
atividade rural, ainda que anteriores à edição da Lei 8.213 /1991, sem necessidade de
recolhimento de contribuições ou comprovação de que houve exercício de atividade rural no
período contemporâneo ao requerimento administrativo ou implemento da idade, para fins
de concessão de aposentadoria híbrida, desde que a soma do tempo de serviço urbano ou
rural alcance a carência exigida para a concessão do benefício de aposentadoria por idade.
7. A teste defendida pela Autarquia Previdenciária, de que o Segurado deve comprovar o
exercício de período de atividade rural nos últimos quinze anos que antecedem o
implemento etário, criaria uma nova regra que não encontra qualquer previsão legal. Se
revela, assim, não só contrária à orientação jurisprudencial desta Corte Superior, como
também contraria o objetivo da legislação previdenciária. 8. Não admitir o cômputo do
trabalho rural exercido em período remoto, ainda que o Segurado não tenha retornado à
atividade campesina, tornaria a norma do art. 48 , § 3o. da Lei 8.213 /1991 praticamente
sem efeito, vez que a realidade demonstra que a tendência desses Trabalhadores é o
exercício de atividade rural quando mais jovens, migrando para o atividade urbana com o
avançar da idade. Na verdade, o entendimento contrário, expressa, sobretudo, a velha
posição preconceituosa contra o Trabalhador Rural, máxime se do sexo feminino. 9. É a
partir dessa realidade social experimentada pelos Trabalhadores Rurais que o texto legal
deve ser interpretado, não se podendo admitir que a justiça fique retida entre o rochedo que
o legalismo impõe e o vento que o pensamento renovador sopra. A justiça pode ser cega,
mas os juízes não são. O juiz guia a justiça de forma surpreendente, nos meandros do
processo, e ela sai desse labirinto com a venda retirada dos seus olhos. 10. Nestes termos,
se propõe a fixação da seguinte tese: o tempo de serviço rural, ainda que remoto e
descontínuo, anterior ao advento da Lei 8.213 /1991, pode ser computado para fins da
carência necessária à obtenção da aposentadoria híbrida por idade, ainda que não tenha
sido efetivado o recolhimento das contribuições, nos termos do art. 48 , § 3o. da Lei 8.213
/1991, seja qual for a predominância do labor misto exercido no período de carência ou o
tipo de trabalho exercido no momento do implemento do requisito etário ou do
requerimento administrativo. 11. É firme a orientação desta Corte ao afirmar que os
Embargos de Declaração opostos com notório propósito de prequestionamento não têm
caráter protelatório, não havendo que se falar, assim, em majoração da verba honorária. 12.
Recurso Especial do INSS provido, tão somente, para afastar a majoração de honorários
fixada no julgamento dos Embargos de Declaração.
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1354908 SP 2012/0247219-3
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 10/02/2016
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/861661324
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA
CONTROVÉRSIA. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE
RURAL NO PERÍODO IMEDIATAMENTE ANTERIOR AO REQUERIMENTO. REGRA DE
TRANSIÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 143 DA LEI 8.213 /1991. REQUISITOS QUE DEVEM SER
PREENCHIDOS DE FORMA CONCOMITANTE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Tese
delimitada em sede de representativo da controvérsia, sob a exegese do artigo 55 , § 3º
combinado com o artigo 143 da Lei 8.213 /1991, no sentido de que o segurado especial tem
que estar laborando no campo, quando completar a idade mínima para se aposentar por
idade rural, momento em que poderá requerer seu benefício. Se, ao alcançar a faixa etária
exigida no artigo 48 , § 1º , da Lei 8.213 /1991, o segurado especial deixar de exercer
atividade rural, sem ter atendido a regra transitória da carência, não fará jus à aposentadoria
por idade rural pelo descumprimento de um dos dois únicos critérios legalmente previstos
para a aquisição do direito. Ressalvada a hipótese do direito adquirido em que o segurado
especial preencheu ambos os requisitos de forma concomitante, mas não requereu o
benefício. 2. Recurso especial do INSS conhecido e provido, invertendo-se o ônus da
sucumbência. Observância do art. 543-C do Código de Processo Civil .
TRF-4 - APELAÇÃO CIVEL: AC 50037739120204049999
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 17/02/2023
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA. TEMPO RURAL E URBANO.
PERÍODO RAZOÁVEL IMEDIATAMENTE ANTERIOR AO IMPLEMENTO DA IDADE OU DER.
CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. 1. A aposentadoria por idade híbrida é uma
subespécie da aposentadoria por idade rural. A partir da vigência da Lei n. 11.718 /2008,
com o acréscimo do § 3º no art. 48 da Lei 8.213 /1991, ao trabalhador rural que tenha
desempenhado atividade urbana por período inferior à carência para concessão de
aposentadoria por idade urbana, foi permitido o cômputo para fins de carência tanto das
contribuições vertidas em atividade urbana quanto do período em que exerceu atividades
rurais sem contribuições diretas ao sistema. 2. A aposentadoria por idade híbrida, de que
trata o § 3º do art. 48 da Lei 8.213 /1991, é devida também ao segurado que tenha exercido,
por último, em período imediatamente anterior ao implemento da idade ou requerimento
administrativo, atividade urbana, rural ou ambas. 3. Conforme a tese fixada no julgamento
do Tema 1007 do STJ, "O tempo de serviço rural, ainda que remoto e descontínuo, anterior
ao advento da Lei 8.213 /1991, pode ser computado para fins da carência necessária à
obtenção da aposentadoria híbrida por idade, ainda que não tenha sido efetivado o
recolhimento das contribuições, nos termos do art. 48 , § 3o. da Lei 8.213 /1991, seja qual
for a predominância do labor misto exercido no período de carência ou o tipo de trabalho
exercido no momento do implemento do requisito etário ou do requerimento administrativo."
4. A carência da aposentadoria por idade híbrida submete-se à regra do § 2º do art. 48 da
Lei 8.213 /1991, exigindo que no período imediatamente anterior ao implemento do
requisito etário ou requerimento administrativo o segurado tenha exercido atividade urbana,
rural ou rural e urbana, em período razoável. 5. A presença de parcas contribuições urbanas
não é suficiente para a concessão da aposentadoria por idade híbrida. 6. A autora não conta
com tempo rural ou urbano suficiente no período de carência para que pudesse computar o
tempo rural remoto para fins de concessão da aposentadoria por idade híbrida. 7. O tempo
rural reconhecido deve ser averbado para fins previdenciários, exceto carência.
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/trf-4/1766519354
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1682671 SP 2017/0165485-0
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 11/05/2018
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE MATÉRIA
CONSTITUCIONAL PELO AMICUS CURIAE. DESCABIMENTO. USURPAÇÃO DA
COMPETÊNCIA DO STF. CONTAGEM RECÍPROCA. SERVIDOR PÚBLICO. TRABALHO
RURÍCOLA PRESTADO EM PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N. 8.213 /1991. DIREITO
À EXPEDIÇÃO DE CERTIDÃO. CABIMENTO. CÔMPUTO DO TEMPO PARA CONTAGEM
RECÍPROCA. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTODAS CONTRIBUIÇÕES NA FORMA PREVISTA
PELO ART. 96 , IV , DA LEI N. 8.213 /1991. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO
PARCIALMENTE. RECURSO JULGADO SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 1.036 E SEGUINTES DO
CPC/2015 , C/C O ART. 256-N E SEGUINTES DO REGIMENTO INTERNO DO STJ. 1. Na
situação em exame, os dispositivos legais cuja aplicação é questionada nos cinco recursos
especiais, com a tramitação que se dá pela sistemática dos repetitivos ( REsp 1.676.865/RS
, REsp 1.682.671/SP, REsp 1.682.672/SP , REsp 1.682.678/SP e o REsp 1.682.682/SP ),
terão sua resolução efetivada em conjunto. 2. A discussão trazida aos autos pelo amicus
curiae não pode ser conhecida na parte em que pleiteia o exame de matéria constitucional,
sob pena de, assim procedendo, esta Corte usurpar a competência do STF. 3. Reconhecido
o tempo de serviço rural, não pode o Instituto Nacional do Seguro Social se recusar a
cumprir seu dever de expedir a certidão de tempo de serviço. O direito à certidão
simplesmente atesta a ocorrência de um fato, seja decorrente de um processo judicial
(justificação judicial), seja por força de justificação de tempo de serviço efetivada na via
administrativa, sendo questão diversa o efeito que essa certidão terá para a esfera jurídica
do segurado. 4. Na forma da jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça,
"nas hipóteses em que o servidor público busca a contagem de tempo de serviço prestado
como trabalhador rural para fins de contagem recíproca, é preciso recolher as contribuições
previdenciárias pertinentes que se buscam averbar, em razão do disposto nos arts. 94 e 96 ,
IV , da Lei 8.213 /1991" ( REsp 1.579.060/SP , Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda
Turma, julgado em 23/2/2016, DJe 30/5/2016). 5. Descabe falar em contradição do art. 96,
IV, com o disposto pelo art. 55 , § 2º , da mesma Lei n. 8.213 /1991, uma vez que se trata de
coisas absolutamente diversas: o art. 96, IV, se reporta às regras relativas à contagem
recíproca de tempo de serviço, que se dá no concernente a regimes diferenciados de
aposentadoria; o art. 55 se refere às regras em si para concessão de aposentadoria por
tempo de serviço dentro do mesmo regime, ou seja, o Regime Geral da Previdência Social.
6. É descabido o argumento trazido pelo amicus curiae de que a previsão contida no art. 15 ,
I e II , da Lei Complementar n. 11 /1971, quando já previa a obrigatoriedade de contribuição
previdenciária, desfaz a premissa de que o tempo de serviço rurícola, anterior à vigência da
Lei n. 8.213 /1991, não seria contributivo. É que a contribuição prevista no citado dispositivo
legal se reporta a uma das fontes de custeio da Previdência Social, cuja origem decorre das
contribuições previdenciárias de patrocinadores, que não os próprios segurados. Ora,
acolher tal argumento significaria dizer que, quanto aos demais benefícios do RGPS, por
existirem outras fontes de custeio (inclusive receitas derivadas de concursos de
prognósticos), o sistema já seria contributivo em si, independentemente das contribuições
obrigatórias por parte dos segurados. 7. Não se há de falar em discriminação entre o
servidor público e o segurado vinculado ao Regime Geral de Previdência Social, porque,
para aquele primeiro, exige-se, quanto ao tempo de serviço rurícola anterior a 1991, o
recolhimento das contribuições previdenciárias, o que não é exigido para o segundo. É que
se trata de regimes diferentes e, no caso do segurado urbano e o rurícola, nada obstante as
diferenças de tratamento quanto à carência e requisitos para obtenção dos benefícios,
ambos se encontram vinculados ao mesmo Regime Geral da Previdência Social, o que não
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/576979827
ocorre para o servidor estatutário. 8. Tese jurídica firmada: O segurado que tenha provado o
desempenho de serviço rurícola, em período anterior à vigência da Lei n. 8.213 /1991,
embora faça jus à expedição de certidão nesse sentido para mera averbação nos seus
assentamentos, somente tem direito ao cômputo do aludido tempo rural no respectivo
órgão público empregador para contagem recíproca no regime estatutário se, junto com a
certidão de tempo de serviço rural, acostar o comprovante de pagamento das respectivas
contribuições previdenciárias, na forma da indenização calculada conforme o dispositivo do
art. 96 , IV , da Lei n. 8.213 /1991. 9. No caso, o aresto prolatado pelo eg. Tribunal de origem
está desconforme, em parte, com o posicionamento desta Corte Superior, razão pela qual
deve ser reformado, parcialmente, para afastar o reconhecimento da isenção de pagamento
das contribuições previdenciárias para efeito de contagem recíproca do tempo de serviço
rurícola anterior à vigência da Lei n. 8.213 /1991, mantendo-se, no mais, o aresto recorrido.
10. Recurso especial conhecido e provido parcialmente. 11. Recurso julgado sob a
sistemática do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e art. 256-N e seguintes do Regimento
Interno deste STJ.
STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL: AgRg no AREsp
327119 PB 2013/0107806-9
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 18/06/2015
PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. COMPROVAÇÃO DO EXERCÍCIO DO LABOR RURAL
PELO PERÍODO DE CARÊNCIA. IMPLEMENTO DO REQUISITO ETÁRIO. BENEFÍCIO DEVIDO.
AGRAVO REGIMENTAL DO INSS DESPROVIDO. 1. A Lei 8.213 /91 dispõe em seu art. 143
que será devida a aposentadoria por idade ao Trabalhador Rural que completar 60 anos de
idade, se homem, e 55 anos de idade, se mulher, desde que comprove o exercício de
atividade rural, ainda que de forma descontínua, em número de meses idêntico ao período
de carência. 2. No caso dos autos, conforme analisado pelo Tribunal de origem, o autor tem
direito a receber o benefício da aposentadoria por idade, tendo em vista que os documentos
juntados aos autos acrescidos pela prova testemunhal são suficientes para demonstrar o
exercício de atividade rural. 3. Ademais, ressalte-se que os registros no CNIS do autor não
afastam, por si só, o direito ao benefício, uma vez que a lei exige o exercício de atividade
rural em período integral ou descontínuo, conforme preceituam os arts. 48 , §§ 1o . e 2o. da
Lei 8.213 /91, e se referem a vínculos empregatício em curto espaço de tempo. 4. Agravo
Regimental do INSS desprovido.
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1682671 SP 2017/0165485-0
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 25/04/2018
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE MATÉRIA
CONSTITUCIONAL PELO AMICUS CURIAE. DESCABIMENTO. USURPAÇÃO DA
COMPETÊNCIA DO STF. CONTAGEM RECÍPROCA. SERVIDOR PÚBLICO. TRABALHO
RURÍCOLA PRESTADO EM PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N. 8.213 /1991. DIREITO
À EXPEDIÇÃO DE CERTIDÃO. CABIMENTO. CÔMPUTO DO TEMPO PARA CONTAGEM
RECÍPROCA. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NA FORMA PREVISTA
PELO ART. 96 , IV , DA LEI N. 8.213 /1991. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO
PARCIALMENTE. RECURSO JULGADO SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 1.036 E SEGUINTES DO
CPC/2015 , C/C O ART. 256-N E SEGUINTES DO REGIMENTO INTERNO DO STJ. 1. Na
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/199989083
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https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/2106314400
situação em exame, os dispositivos legais cuja aplicação é questionada nos cinco recursos
especiais, com a tramitação que se dá pela sistemática dos repetitivos ( REsp 1.676.865/RS
, REsp 1.682.671/SP , REsp 1.682.672/SP , REsp 1.682.678/SP e o REsp 1.682.682/SP ),
terão sua resolução efetivada em conjunto. 2. A discussão trazida aos autos pelo amicus
curiae não pode ser conhecida na parte em que pleiteia o exame de matéria constitucional,
sob pena de, assim procedendo, esta Corte usurpar a competência do STF. 3. Reconhecido
o tempo de serviço rural, não pode o Instituto Nacional do Seguro Social se recusar a
cumprir seu dever de expedir a certidão de tempo de serviço. O direito à certidão
simplesmente atesta a ocorrência de umfato, seja decorrente de um processo judicial
(justificação judicial), seja por força de justificação de tempo de serviço efetivada na via
administrativa, sendo questão diversa o efeito que essa certidão terá para a esfera jurídica
do segurado. 4. Na forma da jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça,
"nas hipóteses em que o servidor público busca a contagem de tempo de serviço prestado
como trabalhador rural para fins de contagem recíproca, é preciso recolher as contribuições
previdenciárias pertinentes que se buscam averbar, em razão do disposto nos arts. 94 e 96 ,
IV , da Lei 8.213 /1991" ( REsp 1.579.060/SP , Rel. Ministro Herman Benjamin , Segunda
Turma, julgado em 23/2/2016, DJe 30/5/2016). 5. Descabe falar em contradição do art. 96,
IV, com o disposto pelo art. 55 , § 2º , da mesma Lei n. 8.213 /1991, uma vez que se trata de
coisas absolutamente diversas: o art. 96, IV, se reporta às regras relativas à contagem
recíproca de tempo de serviço, que se dá no concernente a regimes diferenciados de
aposentadoria; o art. 55 se refere às regras em si para concessão de aposentadoria por
tempo de serviço dentro do mesmo regime, ou seja, o Regime Geral da Previdência Social.
6. É descabido o argumento trazido pelo amicus curiae de que a previsão contida no art. 15 ,
I e II , da Lei Complementar n. 11 /1971, quando já previa a obrigatoriedade de contribuição
previdenciária, desfaz a premissa de que o tempo de serviço rurícola, anterior à vigência da
Lei n. 8.213 /1991, não seria contributivo. É que a contribuição prevista no citado dispositivo
legal se reporta a uma das fontes de custeio da Previdência Social, cuja origem decorre das
contribuições previdenciárias de patrocinadores, que não os próprios segurados. Ora,
acolher tal argumento significaria dizer que, quanto aos demais benefícios do RGPS, por
existirem outras fontes de custeio (inclusive receitas derivadas de concursos de
prognósticos), o sistema já seria contributivo em si, independentemente das contribuições
obrigatórias por parte dos segurados. 7. Não se há de falar em discriminação entre o
servidor público e o segurado vinculado ao Regime Geral de Previdência Social, porque,
para aquele primeiro, exige-se, quanto ao tempo de serviço rurícola anterior a 1991, o
recolhimento das contribuições previdenciárias, o que não é exigido para o segundo. É que
se trata de regimes diferentes e, no caso do segurado urbano e o rurícola, nada obstante as
diferenças de tratamento quanto à carência e requisitos para obtenção dos benefícios,
ambos se encontram vinculados ao mesmo Regime Geral da Previdência Social, o que não
ocorre para o servidor estatutário. 8. Tese jurídica firmada: O segurado que tenha provado o
desempenho de serviço rurícola, em período anterior à vigência da Lei n. 8.213 /1991,
embora faça jus à expedição de certidão nesse sentido para mera averbação nos seus
assentamentos, somente tem direito ao cômputo do aludido tempo rural no respectivo
órgão público empregador para contagem recíproca no regime estatutário se, junto com a
certidão de tempo de serviço rural, acostar o comprovante de pagamento das respectivas
contribuições previdenciárias, na forma da indenização calculada conforme o dispositivo do
art. 96 , IV , da Lei n. 8.213 /1991.9. No caso, o aresto prolatado pelo eg. Tribunal de origem
está desconforme, em parte, com o posicionamento desta Corte Superior, razão pela qual
deve ser reformado, parcialmente, para afastar o reconhecimento da isenção de pagamento
das contribuições previdenciárias para efeito de contagem recíproca do tempo de serviço
rurícola anterior à vigência da Lei n. 8.213 /1991, mantendo-se, no mais, o aresto
recorrido.10. Recurso especial conhecido e provido parcialmente.11. Recurso julgado sob a
sistemática do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e art. 256-N e seguintes do Regimento
Interno deste STJ.
STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1676865 RS 2017/0143698-5
Jurisprudência • Acórdão • Data de publicação: 03/05/2018
Recurso Repetitivo Decisão de mérito
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE MATÉRIA
CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF. CONTAGEM
RECÍPROCA. SERVIDOR PÚBLICO. TRABALHO RURÍCOLA PRESTADO EM PERÍODO
ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N. 8.213 /1991. DIREITO À EXPEDIÇÃO DE CERTIDÃO.
CABIMENTO. CÔMPUTO DO TEMPO PARA CONTAGEM RECÍPROCA. EXIGÊNCIA DE
RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NA FORMA PREVISTA PELO ART. 96 , IV , DA LEI N.
8.213 /1991. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO, EM PARTE, E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. RECURSO JULGADO SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 1.036 E SEGUINTES DO
CPC/2015 , C/C ART. 256-N E SEGUINTES DO REGIMENTO INTERNO DO STJ. 1. Na situação
em exame, os dispositivos legais cuja aplicação é questionada nos cinco recursos
especiais, com a tramitação que se dá pela sistemática dos repetitivos (REsp 1.676.865/RS,
REsp 1.682.671/SP , REsp 1.682.672/SP , REsp 1.682.678/SP e o REsp 1.682.682/SP ), terão
sua resolução efetivada em conjunto. 2. A insurgência não pode ser conhecida na parte em
que pleiteia o exame de matéria constitucional, sob pena de, assim procedendo, esta Corte
usurpar a competência do STF. 3. Reconhecido o tempo de serviço rural, não pode o
Instituto Nacional do Seguro Social se recusar a cumprir seu dever de expedir a certidão de
tempo de serviço. O direito à certidão simplesmente atesta a ocorrência de um fato, seja
decorrente de um processo judicial (justificação judicial), seja por força de justificação de
tempo de serviço efetivada na via administrativa, sendo questão diversa o efeito que essa
certidão terá para a esfera jurídica do segurado. 4. Na forma da jurisprudência consolidada
deste STJ, "nas hipóteses em que o servidor público busca a contagem de tempo de serviço
prestado como trabalhador rural para fins de contagem recíproca, é preciso recolher as
contribuições previdenciárias pertinentes que se buscam averbar, em razão do disposto nos
arts. 94 e 96 , IV , da Lei 8.213 /1991" ( REsp 1.579.060/SP , Rel. Ministro Herman Benjamin,
Segunda Turma, julgado em 23/2/2016, DJe 30/5/2016). 5. Descabe falar em contradição
do art. 96, IV, com o disposto pelo art. 55 , § 2º , da mesma Lei n. 8.213 /1991, uma vez que
se trata de coisas absolutamente diversas: o art. 96, IV, se reporta às regras relativas à
contagem recíproca de tempo de serviço, que se dá no concernente a regimes diferenciados
de aposentadoria; o art. 55 se refere às regras em si para concessão de aposentadoria por
tempo de serviço dentro do mesmo regime, ou seja, o Regime Geral da Previdência Social.
6. É descabido o argumento trazido pelo amicus curiae de que a previsão contida no art. 15 ,
I e II , da Lei Complementar n. 11 /1971, quando já previa a obrigatoriedade de contribuição
previdenciária, desfaz a premissa de que o tempo de serviço rurícola, anterior à vigência da
Lei n. 8.213 /1991, não seria contributivo. É que a contribuição prevista no citado dispositivo
legal se reporta a uma das fontes de custeio da Previdência Social, cuja origem decorre das
contribuições previdenciárias de patrocinadores, que não os próprios segurados. Ora,
acolher tal argumento significaria dizer que, quanto aos demais benefícios do RGPS, por
existirem outras fontes de custeio (inclusive receitas derivadas de concursos de
prognósticos), o sistema já seria contributivo em si, independentemente das contribuições
obrigatórias por parte dos segurados. 7. Não se há de falar em discriminação entre o
servidor público e o segurado vinculado ao Regime Geral de Previdência Social, porque,
para aquele primeiro, exige-se, quanto ao tempo de serviço rurícola anterior a 1991, o
recolhimento das contribuições previdenciárias, o que não é exigido para o segundo. É que
se trata de regimes diferentes e, no caso do segurado urbano e o rurícola, nada obstante as
diferenças de tratamento quanto à carência e requisitos para obtenção dos benefícios,
ambos se encontram vinculados ao mesmo Regime Geral da Previdência Social, o que não
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/574250702ocorre para o servidor estatutário. 8. Tese jurídica firmada: O segurado que tenha provado o
desempenho de serviço rurícola, em período anterior à vigência da Lei n. 8.213 /1991,
embora faça jus à expedição de certidão nesse sentido para mera averbação nos seus
assentamentos, somente tem direito ao cômputo do aludido tempo rural junto ao respectivo
órgão público empregador para contagem recíproca no regime estatutário se, junto com a
certidão de tempo de serviço rural, acostar o comprovante de pagamento das respectivas
contribuições previdenciárias, na forma da indenização calculada conforme o dispositivo do
art. 96 , IV , da Lei n. 8.213 /1991. 9. No caso, o aresto prolatado pelo eg. Tribunal de origem
está em conformidade com o posicionamento desta Corte Superior. 10. Recurso especial
conhecido, em parte, e, nessa extensão, não provido. 11. Recurso julgado sob a sistemática
do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e art. 256-N e seguintes do Regimento Interno deste
STJ.
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