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Rua Junqueira Freire, 133 - Nazaré Tel.: 71 3322-7926 / 0317 www.inssjt.com.br inssjt@inssjt.com.br SUMÁRIO NOÇÕES GERAIS DE ANATOMIA .............................................................................................................. 5 NOÇÕES GERAIS DE CITOLOGIA ............................................................................................................. 9 DEFINIÇÃO E FUNÇÕES PRINCIPAIS DO SANGUE HUMANO..................................................................... 11 SANGUE ............................................................................................................................................... 12 SISTEMA VASCULAR ............................................................................................................................ 15 CORAÇÃO............................................................................................................................................. 18 NOÇÕES GERAIS DE HISTOLOGIA ......................................................................................................... 22 SISTEMA TEGUMENTAR ........................................................................................................................ 26 SISTEMA ESQUELÉTICO (ESQUELETO) .................................................................................................. 28 ARTICULAÇÕES .................................................................................................................................... 38 SISTEMA MUSCULAR ............................................................................................................................ 40 SISTEMA LINFÁTICO.............................................................................................................................. 45 SISTEMA RESPIRATÓRIO ....................................................................................................................... 47 SISTEMA DIGESTÓRIO ........................................................................................................................... 52 SISTEMA URINÁRIO ............................................................................................................................... 56 SISTEMA REPRODUTOR ........................................................................................................................ 59 SISTEMA ENDÓCRINO ........................................................................................................................... 63 SISTEMA NERVOSO .............................................................................................................................. 70 FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 5 NOÇÕES GERAIS DE ANATOMIA Conceitos: Anatomia: é o estudo da estrutura de um organismo e das relações entre suas partes. O termo anatomia é derivado do grego e significa “através de” e “cortar”. Está largamente baseada na dissecção do corpo. Fisiologia Humana: estudo das funções do corpo VARIAÇÃO ANATÔMICA E ANOMALIAS O padrão anatômico normal é aquele que é mais comumente observado entre os indivíduos, no entanto existem diferenças anatômicas entre os indivíduos que são as variações anatômicas e as anomalias. 1. Variações Anatômicas: são diferenças anatômicas que não prejudicam a função; existem alguns fatores que promovem essas variações como: a) Idade: durante as fases da vida humana ocorrem mudanças para se atingir o aperfeiçoamento do organismo humano, sendo assim a evolução ocorre da seguinte forma: ovo – embrião – feto - recém-nascido – infante – púbere – adulto – senil. b) Sexo: existem diferenças entre a anatomia masculina e a feminina c) Etnia: há diferenças anatômicas existentes entre as etnias branca, indígena, negra e amarela como, por exemplo, a pigmentação da pele. d) Biótipo: existem diferenças anatômicas de acordo com o tipo constitucional do indivíduo 2. Anomalias: São diferenças anatômicas que prejudicam a função de alguns órgãos. Podem ser congênitas ou adquiridas. - Congênitas: são aquelas que se apresentam no momento do nascimento, podendo ocorrer durante a vida intrauterina ou durante o parto. - Adquiridas: são aquelas que surgem no decorrer da vida do individuo, ou seja, depois do seu nascimento, podendo ser causadas por doenças ou acidentes. DIVISÃO DO CORPO HUMANO O corpo humano está dividido em: cabeça, pescoço, tronco e membros (superiores e inferiores). Cabeça: é dividida em crânio e face. Pescoço: une a cabeça ao tronco e sua parte inferior é chamada de raiz. Tronco: está dividido em tórax, abdome e pelve (parte inferior do abdome). No tórax encontramos a caixa torácica; no abdome situa-se a cavidade abdomino- pélvica. As cavidades torácicas e abdomino-pélvica são separadas por um músculo chamado de Diafragma. Membros: cada membro vai possuir uma parte que o fixa no tronco e outra livre: - Superiores (MMSS): em cada um deles a parte fixa é o ombro. A parte livre é composta pelo braço, antebraço e mão. - Inferiores (MMII): em cada um deles a parte fixa é o quadril. A parte livre é composta pela coxa, perna e pé. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 6 OBS DIVISÃO DO TÓRAX A cavidade torácica é dividida em duas regiões laterais e uma região mediana. As duas laterais são chamadas de regiões pleuropulmonares e, entre elas, está a região mediana chamada de Mediastino. Regiões Pleuropulmonares: são aquelas que alojam os pulmões e suas pleuras. Mediastino: se estende da raiz do pescoço até o músculo diafragma, alojando as demais vísceras torácicas. O mediastino é uma região flexível, móvel e pode ser deslocado para cima e para baixo, para frente e para trás. Esse deslocamento pode ocorrer também em situações patológicas. DIVISÃO DO ABDOME O abdome pode ser dividido em regiões e/ou quadrantes; ao se dividir em quadrantes encontra-se 9 quadrantes. Dividindo-se em regiões encontramos 6 regiões. a) Hipocôndrios: regiões de cada lago do epigástrio, abaixo das ultimas costelas. b) Epigástrio: região superior mediana do abdome, abaixo do osso esterno. c) Flancos: regiões laterais de cada lado do mesogástrio. d) Mesogástrio: é a região umbilical, abaixo do epigástrio. e) Fossas ilíacas: são as regiões inguinais de cada lado do hipogástrio. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 7 POSIÇÕES E PLANOS IMAGINÁRIOS 1. Posição Anatômica: é o corpo situado verticalmente, com os pés unidos, os membros superiores estendidos ao lado do corpo, com as palmas das mãos voltadas para frente e os dedos polegares voltados para fora. Essa posição é usada para descrever a topografia dos órgãos e estruturas assim como para descrever os movimentos articulares. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 8 2. Planos Imaginários: são planos que dividem o corpo em partes, é como se cortasse o corpo em determinadas direções, são eles: Plano Sagital: Corta o corpo no sentido antero-posterior; quando passa bem no meio do corpo, sobre a linha sagital mediana, é chamado de sagitalmediano. Plano Frontal ou Coronal: Corta o corpo lateralmente, de orelha a orelha, determinando uma porção anterior e outra posterior. Plano Transversal ou Horizontal: Corta o corpo transversalmente, determinado uma porção superior (cranial) e outra inferior (caudal). 3. Principais Termos de Posição: são aqueles que dão nomes às posições tendo como referencia os planos imaginários: a) Medial: próximo ao plano sagital mediano; b) Lateral: distante do plano sagital mediano; c) Anterior ou Ventral: à frente do plano ventral d) Posterior ou dorsal: atrás do plano frontal; e) Superior ou cranial: acima do plano transversal; f) Inferior ou caudal: abaixo do plano transversal; g) Superficial: próximo à superfície corporal; h) Profundo: distante da superfície corporal i) Externo: distante do centro do corpo; j) Interno: Próximo ao centro do corpo; k) Proximal: próximo do centro do corpo ou raiz do membro l) Distal: distante da raiz do membro FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 9 NOÇÕES GERAIS DE CITOLOGIA A Citologia é a ciência que estuda as células. Estas são estruturas microscópicas que correspondem à menor unidade funcional de um corpo vivo. Elas variam quanto à forma, função, tamanho e tempo de vida. O corpo humano é composto por trilhões de células que, em conjunto, formam os diferentes tipos de tecidos. CLASSIFICAÇÃO das células quanto ao tempo de vida 1- CÉLULAS LÁBEIS – são células de curta duração e, de um modo geral não se reproduzem e são constantemente substituídas devido ao seu curto tempo de vida. Exemplo: as hemácias e os gametas; 2- CÉLULAS ESTÁVEIS – são células de média duração, podendo durar meses ou anos. Quando algumas morrem surgem outras em substituição. Constituem a grande maioria das células do corpo humano. Exemplo: fibras musculares lisas e os diversos tipos de células conjuntivas; 3- CÉLULAS PERMANENTES – são células que se não sofrerem nenhum tipo de dano, acompanham o indivíduo por toda a vida. Atinge um alto grau de especialização e depois de concluída a formação embrionária perde a capacidade de reprodução. Exemplo: neurônios e fibras musculares estriadas. COMPOSIÇÃO CELULAR Todo o conteúdo celular é chamado de protoplasma e as principais substâncias que compõem as células são: água, eletrólitos, proteínas, lipídios e carboidratos. ESTRUTURA FÍSICA ANATÔMICA DA CÉLULA 1- MEMBRANA CELULAR – estrutura formada por proteínas, lipídios e carboidratos e que exerce funções importantes para a manutenção da vida celular: - Proteção e individualização da célula, separando o líquido intracelular do liquido extracelular; - Seleção das substâncias que entram e saem da célula; 2- MEMBRANA NUCLEAR – tem estrutura similar à membrana celular, mas tem uma porosidade maior, sendo essas as principais funções: proteção e individualização do núcleo celular, separando o nucleoplasma do citoplasma, seleção das substâncias que entram e saem do núcleo; 3- CITOPLASMA – composto por uma parte líquida (hialoplasma), grânulos de glicogênio e de secreção, além das organelas citoplasmáticas. Principais organelas citoplasmáticas: ribossomos, retículo endoplasmático liso e rugoso, complexo de golgi, lisossomos, mitocôndrias e núcleo, sendo assim as principais estruturas citoplasmáticas. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 10 FUNÇÕES BÁSICAS DAS PRINCIPAIS ESTRUTURAS CITOPLASMÁTICAS A. Ribossomos – função de sintetizar proteínas; B. Retículo Endoplasmático – síntese de proteínas e lipídios; C. Complexo de Golgi – membranas saculares achatadas e empilhadas que liberam vesículas. Armazena e processa substâncias produzidas pelo retículo, além de sintetizar e secretar carboidratos; D. Lisossomos- são responsáveis pela digestão intracelular; E. Mitocôndrias – organelas filamentosas que têm a função de fazer a respiração da célula, além da produção de energia pela célula em forma de ATP; Núcleo – centro do comando celular, controlando as funções e a reprodução da célula. Comporta o material genético celular DNA e RNA. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 11 DEFINIÇÃO E FUNÇÕES PRINCIPAIS DO SANGUE HUMANO Sangue – tecido fluido, viçoso que circula por dentro dos vasos e executa funções importantes como: Transporte de substâncias no geral; Remoção de metabólitos teciduais; Processo de coagulação; Equilíbrio térmico. Principais composições do sangue: Parte sólida – eritrócitos, hemácias ou glóbulos vermelhos, leucócitos ou glóbulos brancos e plaquetas ou trombócitos; Parte líquida – plasma. O sangue humano é tecido conjuntivo do tipo especial ou tecido hematopoiético, podendo ser classificado como mielóide e linfoide. As células eritrocitárias ou glóbulos vermelhos são responsáveis, através da hemoglobina, por transportar oxigênio para as células que compõem os tecidos, já os leucócitos ou glóbulos brancos atuam na defesa do organismo, contra agentes invasores, especialmente microrganismos bacterianos. Os leucócitos podem ser classificados como células granulocíticas ou agranulocíticas. Os trombócitos são as plaquetas e a função principal delas é atuarem no processo de coagulação sanguínea mediado pela fisiologia homeostática. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 12 OBS SANGUE O sangue é um tecido fluido produzido pela medula óssea dos ossos planos, ilíacos, vértebras e costelas. Um adulto normal apresenta um volume médio de 4 a 6 litros de sangue circulante (volemia). O sangue desempenha várias funções: Transporte de substâncias em geral, inclusive os nutrientes. Transporte de gases, principalmente, oxigênio e gás carbônico. Defesa corporal. Processos de coagulação. Remoção dos metabólitos dos tecidos. Equilíbrio térmico, acidobásico e hidroeletrolítico. I – PLASMA Corresponde a cerca de 55% do volume sanguíneo. Contém água, proteínas e eletrólitos. 1. Água: compõe cerca de 90% do plasma 2. Proteínas: as mais importantes são a albumina, as imunoglobulinas, o fibrinogênio e a protrombina. a) Albumina: atua no transporte de substâncias e impede o extravasamento do plasma para fora dos vasos b) Imunoglobulinas (anticorpos): atuam na imunidade (defesa) corporal. c) Fatores de coagulação: fator I (fibrinogênio), fator II (protrombina), fator III (tromboplastina), fator IV (cálcio), fator V, VI, VII, VIII, IX, X XI, XII d) Fatores inibidores da coagulação: heparina, fibrinosina O plasma sem fibrinogênio é chamado de soro. 3. Eletrólitos: regulam a quantidade de água dentro dos vasos, atuam na contração muscular e na transmissão dos impulsos nervosos. Os principais são: sódio, potássio, cálcio, magnésio e cloro. II – HEMATÓCRITO Corresponde a cerca de 45% do volume sanguíneo e é composto pelas células sanguíneas (eritrócitos, leucócitos e plaquetas). 1. Eritrócitos (hemácias): são os glóbulos vermelhos, ricos em hemoglobina (proteína que se liga ao oxigênio). A função dos eritrócitos é o transporte de oxigênio para os tecidos. Os valores normais das hemácias vão de 4,5 a 6 milhões/mm3. O valornormal da hemoglobina varia de 12 a 16 g/dL de sangue. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 13 2. Leucócitos: são os glóbulos brancos que tem a função de defesa corporal. Seus valores normais vão de 4.500 a 13.500/mm3. Dividem-se em dois grandes grupos: a) Granulócitos são os neutrófilos, basófilos e eosinófilos. - Neutrófilos: fazem fagocitose de microrganismos - Basófilos: atuam nas alergias - Eosinófilos: atuam nas alergias e nas infestações por vermes b) Agranulócitos: são os monócitos e os linfócitos - Monócitos: transformam-se em macrófagos e fazem fagocitose de microrganismos e tecido morto - Linfócitos: produzem anticorpos específicos que defendem o corpo dos elementos estranhos 3. Plaquetas (trombócitos): sua função principal é atuar nos processos de coagulação sanguínea. Seus valores normais vão de 150.000 a 400.000/mm3 III – PROCESSO DE COAGULAÇÃO SANGUÍNEA (HEMOSTASIA) A coagulação sanguínea é a capacidade de o organismo interromper um sangramento. Consiste num processo de várias etapas: 1. Vasoconstrição: contração do vaso sanguíneo rompido para reduzir o sangramento. 2. Agregação plaquetária: união das plaquetas formando um tampão na parede do vaso. 3. Ativação da cascata de coagulação: os fatores de coagulação vão um ativando o outro, até que a tromboplastina (fator III) transforma a protrombina (fator II) em trombina. 4. Formação da fibrina: a trombina transforma o fibrinogênio (fator I) em fibrina. A fibrina se organiza formando uma rede. 5. Deposição da rede de fibrina: a rede de fibrina mantém o tampão de plaquetas na parede do vaso, formando o trombo (coágulo) propriamente dito. - No sangue, também há fatores anticoagulantes, que inibem a coagulação. Os principais são: a heparina (inibe a formação da trombina e sua ação sobre o fibrinogênio) e a fibrinosina (destrói a fibrina). - Em condições normais, há um equilíbrio entre os fatores de coagulação e os anticoagulantes. IV – PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NUMÉRICAS DOS ELEMENTOS DO SANGUE 1. Anemia: redução dos níveis de hemoglobina, podendo vir ou não acompanhada da redução do número de hemácias. Causa distúrbio na oxigenação dos tecidos. 2. Policitemia: aumento do número de hemácias. Torna o sangue mais viscoso, dificultando a sua circulação e facilitando a obstrução dos vasos sanguíneos. 3. Leucopenia: redução do número de leucócitos. Favorece a ocorrência de infecções. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 14 OBS 4. Leucocitose: aumento do número de leucócitos. Pode ser sinal de que há um processo inflamatório, infeccioso ou alérgico no corpo. 5. Trombocitopenia (plaquetopenia): redução do número de plaquetas. Causa um distúrbio na coagulação do sangue, podendo provocar hemorragias. 6. Trombocitose: aumento do número de plaquetas. Facilita a formação de coágulos, podendo obstruir vasos sanguíneos. O ferro é um dos elementos que compõe a molécula de hemoglobina. Por isso, a sua deficiência, provoca um tipo de anemia (anemia ferropriva). V – GRUPOS SANGUÍNEOS O sangue pode ser classificado de acordo com a presença ou não de aglutinogênios (proteínas especiais) nas suas hemácias e de aglutininas (anticorpos) no seu soro. 1. Grupo ABO: classifica o sangue de acordo com a presença ou ausência dos aglutinogênios A e B. a) Tipo A: tem aglutinogênio A nas hemácias e aglutinina anti-B no soro b) Tipo B: tem aglutinogênio B nas hemácias e aglutinina anti-A no soro c) Tipo AB: tem aglutinogênios A e B nas hemácias e não tem aglutininas d) Tipo O: não tem aglutinogênios e tem aglutininas anti-A e anti-B 2. Grupo Rh: classifica o sangue de acordo com a presença ou ausência do aglutinogênio Rh. a) Rh+ : tem aglutinogênio Rh nas hemácias e não tem aglutinina anti-Rh b) Rh-- : não tem aglutinogênio Rh nas hemácias e tem aglutinina anti-Rh FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 15 SISTEMA VASCULAR O sistema vascular é formado por um conjunto de tubos fechados chamados de vasos sanguíneos. Há vasos sanguíneos de variados tamanhos, calibres (grande, médio e pequeno) e tipos. A função principal desse sistema é transportar o sangue para todas as regiões do corpo. I – CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS VASOS SANGUÍNEOS - Vasos de condução: apenas conduzem o sangue de um local do corpo para outro. São as artérias e arteríolas (ramos arteriais menores) e veias e vênulas (ramos venosos menores). - Vasos de nutrição: entram nos tecidos, levando o sangue com nutrientes até as células e removendo os metabólitos. São os capilares e o vasa vasorum (nutrem os vasos). II – GENERALIDADES SOBRE AS ARTÉRIAS São vasos elásticos, resistentes, pulsáteis, que sempre levam sangue do coração para algum outro local do corpo. As artérias podem ser de calibre grande, médio e pequeno e à medida que elas vão se afastando do coração, o calibre vai diminuindo. Suas ramificações menores são chamadas de arteríolas. Normalmente, as artérias são vasos profundos, estando assim mais protegidas. A artéria que comunica uma artéria com outra é chamada de artéria colateral. III – GENERALIDADES SOBRE AS VEIAS São vasos distensíveis, não-pulsáteis, que sempre trazem sangue de algum local do corpo de volta para o coração. As veias podem ser de calibre grande, médio e pequeno, e à medida que elas vão se aproximando do coração, o calibre vai aumentando. Suas ramificações menores são chamadas de vênulas. As veias podem ser profundas ou superficiais. A veia que liga uma veia superficial a uma veia profunda é chamada de veia perfurante. Normalmente, o sistema venoso profundo transporta maior parte do sangue de retorno ao coração (cerca de 80%) enquanto que o sistema venoso superficial transporta uma média de 20% do retorno venoso. A maioria das veias apresenta em seu trajeto válvulas venosas que impedem o refluxo do sangue. OBS: Em média, para cada artéria, há duas veias correspondentes. IV – CIRCUITO DO SANGUE NO SISTEMA VASCULAR ARTÉRIAS ARTERÍOLAS CORAÇÃO CAPILARES DOS TECIDOS VEIAS VÊNULAS FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 16 V – CIRCUITO ARTERIAL – PRINCIPAIS ARTÉRIAS DO CORPO As artérias principais, que saem dos ventrículos são duas: o tronco da artéria pulmonar (sai do ventrículo direito) e a artéria aorta (sai do ventrículo esquerdo). 1. Tronco da Artéria Pulmonar (Tronco Pulmonar): sai do ventrículo direito, levando sangue venoso para os pulmões. Sobe para o lado esquerdo e para trás, passando ao lado da artéria aorta ascendente. Próximo ao arco aórtico, o tronco da artéria pulmonar bifurca-se em dois ramos, formando a artéria pulmonar direita e esquerda que vão para os respectivos pulmões. Cada artéria pulmonar entra pela face medial do pulmão através do hilo pulmonar (raiz do pulmão). Dentro dos pulmões, cada artéria pulmonar ramifica-se em artérias menores (artérias lobares e segmentares), em arteríolas e em capilares que distribuem o sangue por todo o pulmão, onde sofrerá a hematose. 2. Artéria Aorta: sai do ventrículo esquerdo, e ramifica-se por todo o corpo,com exceção dos pulmões, levando sangue arterial para os tecidos. Sobe à direita do tronco da artéria pulmonar, curva-se por cima dele inclinada para a esquerda, e desce por trás do coração. A aorta divide-se em 3 partes principais: aorta ascendente, arco da aorta e aorta descendente (que se subdivide em porção torácica e porção abdominal). a) Aorta Ascendente: dá origem às artérias coronária direita e esquerda, as quais se ramificam e irrigam todo o coração. b) Arco da Aorta: dá origem a três ramos principais que são a artéria braquiocefálica direita, a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda. - Artéria braquiocefálica direita: bifurca-se em artéria carótida comum direita (que sobe, irrigando pescoço e cabeça) e em artéria subclávia direita (que se desloca para o lado direito do tórax, passa por baixo da clavícula direita, em direção ao membro superior direito, onde dará origem às suas artérias). - Artéria carótida comum esquerda: sobe, irrigando pescoço e cabeça juntamente com a artéria carótida comum direita. - Artéria subclávia esquerda: desloca-se para o lado esquerdo do tórax, passa por baixo da clavícula esquerda, em direção ao membro superior esquerdo, onde dará origem às suas artérias. Cada artéria subclávia, ao chegar à axila, é chamada de artéria axilar. Ao passar pela região do braço passa a ser chamada de artéria braquial. Logo abaixo do cotovelo, a artéria braquial divide-se em dois ramos: a artéria radial e a artéria ulnar. Essas duas artérias descem em direção à mão, formando o arco arterial palmar (rede de artérias menores da mão). c) Aorta Descendente: divide-se em duas porções que são a porção torácica e a porção abdominal. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 17 VI – CIRCUITO VENOSO – PRINCIPAIS VEIAS DO CORPO As veias principais, que chegam aos átrios são sete: as 4 veias pulmonares (chegam ao átrio esquerdo), a veia coronária e as veias cavas superior e inferior (chegam ao átrio direito). 1. Veias pulmonares: chegam ao átrio esquerdo trazendo sangue arterial dos pulmões. São quatro veias (de cada pulmão, saem dois). As veias pulmonares saem pela face medial do pulmão através do hilo pulmonar (raiz do pulmão). Essas veias são formadas pela união das veias segmentares dos pulmões que, por sua vez, vieram da união das vênulas e estas vieram dos capilares. 2. Veias cardíacas: chega ao átrio direito trazendo sangue venoso do coração. 3. Veia Cava Superior: chega ao átrio direito, trazendo sangue venoso da cabeça e pescoço, dos membros superiores e da parede torácica. 4. Veias braquiocefálica: são formadas pela união das veias jugulares com as veias subclávias. As veias jugulares drenam o sangue venoso que vem da cabeça e pescoço. As veias subclávias drenam o sangue que vem dos membros superiores. Cada veia subclávia, ao chegar à região da axila, passa a ser chamada de veia axilar. A veia axilar é justamente formada pela união da veia braquial (profunda) com a veia basílica (superficial) que são veias do membro superior. A partir daí, temos dois sistemas venosos em cada membro superior: um profundo e um superficial. - O sistema venoso profundo do membro superior é formado pela veia braquial que se ramifica em veia radial e veia ulnar, as quais são continuações dos arcos venosos palmares. - O sistema venoso superficial do membro superior é formado pela veia cefálica (parte lateral de todo o membro superior), veia basílica (parte medial de todo o membro superior), veia mediana do cotovelo (comunica as veias cefálicas e basílica na região do cotovelo), veia mediana do antebraço e rede venosa dorsal da mão. 5. Veia Cava Inferior: chega ao átrio direito, trazendo sangue venoso do abdome, pelve e membros inferiores. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 18 CORAÇÃO O coração é um órgão oco, predominantemente muscular, que se situa dentro da caixa torácica, na região do mediastino médio, entre os dois pulmões. Tem o formato de um cone. Sua base (parte superior) está voltada para a direita e seu ápice (parte inferior) está voltado para a esquerda. Sua função principal é bombear o sangue recebido para todo o corpo. I – CAMADAS DO CORAÇÃO O coração é envolvido externamente por uma membrana serosa chamada de pericárdio. É formado por três camadas. São elas: Epicárdio: camada externa Miocárdio: camada média é a mais espessa de todas. Compõe o músculo cardíaco propriamente dito Endocárdio: camada interna, que reveste as cavidades do coração. II – ESTRUTURA ANATÔMICA DO CORAÇÃO 1. Cavidades do coração: o coração é composto por 4 cavidades: 2 átrios e 2 ventrículos. - Átrios: são duas cavidades superiores, delgadas, que recebem o sangue que chega ao coração. No átrio direito (AD) desembocam a veia cava superior, a veia cava inferior e a veia coronária. No átrio esquerdo (AE), desembocam as 4 veias pulmonares. - Ventrículos: são duas cavidades inferiores, robustas, que bombeiam o sangue para fora do coração. Do ventrículo direito (VD), sai o tronco da artéria pulmonar. Do ventrículo esquerdo (VE), sai a artéria aorta. OBS: O sangue sempre chega ao coração através de veias e sempre sai do coração através de artérias. 2. Septos: são paredes que separam as cavidades do coração. - Septo atrioventricular: separa os átrios dos ventrículos - Septo interatrial: separa o átrio direito do esquerdo - Septo interventricular: separa o ventrículo direito do esquerdo 3. Valvas ou válvulas atrioventriculares: são lâminas que se situam entre átrios e ventrículos. Abrem-se permitindo que o sangue passe dos átrios para os ventrículos e, posteriormente, fecha-se impedindo que o sangue retorne dos ventrículos para os átrios. - Valva Tricúspide: possui 3 lâminas e situa-se entre o átrio e o ventrículo direito - Valva Bicúspide (Mitral): possui 2 lâminas e situa-se entre o átrio e ventrículo esquerdo FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 19 III – FISIOLOGIA CARDÍACA 1. Ciclo cardíaco: é composto por dois períodos principais que são a diástole e a sístole. A diástole é o relaxamento do miocárdio para receber sangue. A sístole é a contração do miocárdio para impulsionar o sangue. A ordem em que esse ciclo se desenvolve é a seguinte: - Diástole atrial: relaxamento dos átrios que recebem o sangue que chega através das veias cava superior e inferior (átrio direito) e das veias pulmonares (átrio esquerdo). Durante a diástole atrial, as valvas tricúspide e mitral estão fechadas. Mas, no final dela, as valvas se abrem para permitir a passagem do sangue para os ventrículos. - Sístole atrial: contração dos átrios que impulsionam o sangue para dentro dos ventrículos. - Diástole ventricular: relaxamento dos ventrículos que recebem o sangue dos átrios. Essa fase ocorre ao mesmo tempo em que a sístole atrial, ou seja, enquanto os átrios contraem-se, impulsionando o sangue para dentro dos ventrículos, os ventrículos relaxam para receber esse sangue vindo dos átrios. Ao final da diástole ventricular, as valvas tricúspide e mitral se fecham para impedir que o refluxo de sangue para os átrios. - Sístole ventricular: contração dos ventrículos que impulsionam o sangue para a artéria pulmonar (ventrículo direito) e para a artéria aorta (ventrículo esquerdo).FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 20 OBS 2. Sistemas de circulação sanguínea: existem dois sistemas de circulação do sangue que passa pelo coração. Esses dois sistemas normalmente não se comunicam. São eles: - Circulação Pulmonar (Pequena Circulação): nesse sistema, o sangue chega ao lado direito do coração, através da veia cava superior e inferior, e sai dele, através da artéria pulmonar, indo aos pulmões para receber oxigênio e deixar o gás carbônico. Essa troca gasosa é chamada de hematose. Após esta troca de gases, o sangue voltará para o lado esquerdo do coração através das quatro veias pulmonares. Assim, a função da circulação pulmonar é a hematose. - Circulação Sistêmica (Grande Circulação): nesse sistema, o sangue oxigenado chega ao lado esquerdo do coração, através das veias pulmonares, e sai dele, através da artéria aorta, indo para todo o corpo, levando oxigênio e removendo o gás carbônico e os metabólitos dos tecidos. Após esse processo, o sangue já pobre em oxigênio sai dos tecidos, retorna para o lado direito do coração através das veias cava superior e inferior. Sangue Venoso é aquele que é pobre em oxigênio e rico em gás carbônico. Sangue Arterial é aquele que é rico em oxigênio e pobre em gás carbônico. O sangue que passa pelo lado direito do coração é venoso e o sangue que passa pelo lado esquerdo é arterial. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 21 IV – SISTEMA ELÉTRICO DO CORAÇÃO O coração é o único órgão do corpo que não é totalmente dependente do sistema nervoso para realizar a sua função. Isso ocorre porque o coração possui uma propriedade chamada de automatismo, ou seja, ele gera o próprio estímulo para a sua contração. O automatismo cardíaco deve-se à existência de um sistema elétrico no próprio coração, onde os estímulos elétricos são gerados e distribuídos. Os componentes desse sistema são: Nó sinusal ou nó sino-atrial (nó SA): situa-se no átrio direito, próximo à veia cava superior. É o principal gerador dos estímulos elétricos, funcionando com um marca passo natural do coração. É o nó sinusal que gera o número de estímulos elétricos, determinando a frequência de batimentos cardíacos. Feixes de Brachmann: são feixes que conduzem o estímulo elétrico para ambos os átrios. Ao receberem o estímulo, os átrios contraem. Nó atrioventricular (nó AV): situa-se no final do septo interarterial. Recebe parte do estímulo elétrico gerado no nó SA e retarda a passagem desse estímulo para os ventrículos. Isso ocorre porque os ventrículos só podem contrair depois dos átrios. Feixes de Hiss: são ramos do nó AV, levando parte do estímulo elétrico para o ventrículo direito e parte para o ventrículo esquerdo. Fibras de Purkinje (fibras terminais): são ramificações que penetram na massa ventricular, distribuindo o estímulo por todas as regiões dos ventrículos. Frequência cardíaca (FC) é o número de batimentos de coração durante 1 minuto. A FC média normal em adultos jovens varia entre 60 a 100 bpm (batimentos por minuto). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 22 NOÇÕES GERAIS DE HISTOLOGIA A Histologia é a ciência que estuda os tecidos. Um tecido é composto de células que realizam uma função comum e também por uma matriz de substancia intercelular, ou seja, que fica entre as células. TIPOS DE TECIDOS Os diversos órgãos e estruturas do corpo são constituídos de uma variedade de tecidos, e existe semelhança entre eles, dessa forma esses tecidos são classificados em quatro tipos: tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso. 1. TECIDO EPITELIAL O tecido epitelial reveste a superfície externa e interna do corpo humano, sendo, portanto um epitélio de proteção ou de revestimento, além disso, ele também forma glândulas, se constituindo no epitélio glandular ou de secreção. As células do tecido epitelial estão fortemente unidas e praticamente não existe substancia entre as células. É um tecido avascular, ou seja, não possui vasos sanguíneos, recebendo dessa forma os nutrientes por meio da difusão do tecido situado logo abaixo que é o tecido conjuntivo. As funções do tecido epitelial são: Proteção Absorção de substancias Secreção de substancias Percepção sensorial (sentidos) Como foi dito anteriormente, o tecido epitelial pode ser classificado em epitélio de revestimento e epitélio glandular: a) Epitélio de Revestimento – encontramos esse tipo de epitélio em pele, mucosa, serosa e endotélio. - Pele – reveste a superfície externa do corpo (epiderme); - Mucosa – reveste cavidades e canais do corpo que se abre para o exterior do corpo como ocorre no sistema digestivo, respiratório, urinário e genital; - Serosa – reveste a superfície externa de alguns órgãos e a superfície interna das cavidades fechadas do corpo, por exemplo: as pleuras revestem os pulmões e a cavidade torácica; peritônio que reveste a cavidade abdominal e o pericárdio que reveste o coração. - Endotélio - é o tipo de epitélio que reveste o interior dos vasos. b) Epitélio Ganglionar: As células desse tecido são especializadas em produzir e secretar substâncias, formando assim as glândulas. Essas glândulas podem ser classificadas quanto ao local onde a secreção é liberada e quanto ao tipo de secreção produzida. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 23 Classificação quanto ao local de liberação da secreção: Glândulas Exócrinas: são glândulas que possuem ductos que transportam a secreção produzida para seu exterior, seja para a superfície externa do corpo, para o interior de um órgão oco ou de uma cavidade. EX; glândulas sebáceas e sudoríparas. Glândulas Endócrinas: são glândulas que não possuem ductos, liberando a sua secreção diretamente no sangue. As secreções desse tipo de glândula são chamadas de hormônios. EX: glândula Tireóide Glândulas Mistas: são glândulas que apresentam as duas funções, ou seja, uma endócrina e outra exócrina. EX.: pâncreas (secreção endócrina é a insulina e a secreção exócrina é o suco pancreático). 2. TECIDO CONJUNTIVO É constituído por células e fibras imersas em grande quantidade de substância líquida extracelular. É um tecido vascularizado e inervado. Pode ser classificado em: tecido conjuntivo propriamente dito, tecidos especiais (adiposo e hematopoiético) e tecido conjuntivo de sustentação (cartilaginoso e ósseo). Principais funções do tecido Conjuntivo: Ligação entre tecidos e órgãos Sustentação Preenchimento de espaços entre tecidos Transporte de substancias, cicatrização e defesa corporal. Composição do Tecido Conjuntivo: a) Células – são vários tipos de células como os fibroblastos (tecido conjuntivo propriamente dito) e células específicas (tecido conjuntivo especial). b) Fibras – são três tipos principais: - Colágenas: compostas por colágeno, uma proteína branca resistente. São fibras espessas que compõem os ossos, tendões e ligamentos. - Reticulares: compostas por uma proteína chamada de reticulina. São fibras de sustentação, compõem a estrutura interna de alguns órgãos. - Elásticas: compostas por elastina que é uma proteína elástica. Faz parte da pele, grandes vasos. Classificação do Tecido Conjuntivo: Tecido Conjuntivo PropriamenteDito a) Tecido conjuntivo denso (fibroso) – possui poucas células e grande quantidade de fibras colágenas, tornando o tecido mais resistente. Forma as cápsulas que envolvem as vísceras e articulações, forma os tendões. b) Tecido conjuntivo frouxo – possui grande quantidade de células e poucas fibras. c) Tecido elástico – possui poucas células e grande quantidade de fibras elásticas. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 24 Tecido Conjuntivo Especial a) Tecido adiposo: suas células armazenam gordura, são os adipócitos. Localizam-se abaixo da pele podendo ser chamado de subcutâneo, está ligada a hipoderme (3ª camada da pele). Distribui-se preferencialmente no abdome, nádegas, axilas, coxa, palmas das mãos e planta dos pés. As principais funções do tecido adiposo são: Reservatório energético Proteção térmica e mecânica Preenchimento dos espaços vazios Tecido Conjuntivo Hematopoiético Também chamado de tecido reticular, é o tecido responsável pela produção das células do sangue e do sistema linfático. Pode ser classificado em mielóide e linfóide. a) Mielóide: se encontra na medula óssea vermelha que se localiza dentro do canal medular dos ossos. Produz eritrócitos, alguns tipos de leucócitos (neutrófilos, basófilos e eosinófilos) e plaquetas. b) Linfóide: encontra-se nos órgãos linfóides (tonsilas palatinas, baço e timo) e nos diversos linfonodos que estão espalhados pelo corpo. Produz alguns tipos de leucócitos (monócitos e linfócitos). Tecido Conjuntivo de Sustentação São tecidos mais rígidos que servem de apóio para outros tecidos do corpo. São os tecidos cartilaginoso e ósseo. a) Cartilaginoso: é um tecido flexível que não possui vasos nem nervos e com pequena capacidade de regeneração. b) Ósseo: é um tecido rígido que possui vasos e nervos e com boa capacidade de regeneração. 3. TECIDO MUSCULAR É formado por células especializadas chamadas de miócitos ou fibras musculares que possuem uma importante propriedade que é a contratilidade. A contratilidade é a capacidade das fibras musculares se encurtarem produzindo movimento. As fibras musculares podem ser de três tipos: a) Fibra muscular lisa: não possui estrias transversais. Sua contração é lenta e involuntária. Constitui as vísceras, vasos sanguíneos, brônquios e bronquíolos. b) Fibra muscular estriada: possui estrias transversais. Sua contração pode ser lenta ou rápida e é voluntária. Constitui os músculos que estão fixados no esqueleto. c) Fibra muscular estriada cardíaca: possui estrias. Sua contração pode ser lenta ou rápida e é involuntária. Constitui a camada muscular do coração (miocárdio). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 25 OBS 4. TECIDO NERVOSO É formado por células especializadas que são responsáveis por gerar, transmitir e receber estímulos elétricos. Essas células têm capacidade limitada de regeneração e reprodução. Esse tipo celular é composto por dois principais tipos de células: a) Células gliais ou neuroglias: encontradas no sistema nervoso central. Tem a função de sustentar, nutrir e reparar os neurônios. b) Neurônios: são as principais células desse tecido. Captam, processam, armazenam e geram informações em forma de estímulos elétricos. É através desses impulsos elétricos que os neurônios se comunicam com os outros neurônios e comandam as funções de outros tecidos do corpo. A estrutura de um neurônio é a seguinte: - Pericário ou corpo celular: é a parte central do neurônio onde são gerados os estímulos elétricos. - Axônio: é o único prolongamento que sai do corpo celular e conduz os impulsos elétricos para outros neurônios ou outras células. Suas ramificações finais são chamadas de telodendros. - Dendritos: são diversos prolongamentos curtos que captam os impulsos elétricos vindos de outros neurônios. A comunicação entre os neurônios é chamada de sinapse. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 26 SISTEMA TEGUMENTAR O sistema tegumentar é constituído pela pele e seus anexos. Principais Funções do Sistema Tegumentar Revestimento de toda a superfície corporal; Manutenção do equilíbrio da temperatura corporal Absorção de substâncias Excreção de substâncias tóxicas Sensibilidade a dor, as variações de temperatura. Armazenamento de gordura Produção de vitamina D a partir da absorção dos raios ultravioletas do sol Anatomia da pele A pele é o órgão mais extenso do corpo, correspondendo a cerca de 16% do peso corporal total. Apresenta algumas propriedades como o turgor (volume normal) e a elasticidade, que tendem a diminuir com o envelhecimento. A pele reveste toda a superfície do corpo e é composta por duas camadas principais: epiderme e derme. 1. Epiderme: é a camada mais superficial, fina, porosa e é formada por tecido epitelial. Não possuem capilares, recebendo os nutrientes da derme através de difusão, sendo subdividida em cinco camadas. - Córnea: camada mais superficial, rica em queratina; - Lúcida: 2ª camada, fina e brilhante; - Granulosa: 3ª camada, essa camada impede a perda excessiva de água; - Espinhosa: 4ª camada tem prolongamentos semelhantes a espinhos; - Basal: camada mais profunda, responsável pela renovação da epiderme. Nela encontramos os melanócitos 2. Derme: está abaixo da epiderme, mais espessa e flexível, formada por tecido conjuntivo denso. Possui rede de capilares e terminações nervosas. 3. Tecido Subcutâneo ou Hipoderme: é a 3ª camada da pele, encontra-se abaixo da derme. Rica em tecido adiposo, nervos, vasos sanguíneos e vasos linfáticos. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 27 III – ANEXOS DA PELE Os anexos da pele são unhas, pêlos, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas. Unhas: são achatadas, elásticas. Cada unha tem uma parte proximal implantada sob a pele chamada de raiz e uma larga lâmina distal chamada de corpo. As unhas têm função de proteção. Pêlos: são filamentos alongados presentes em quase toda a superfície do corpo. Os pêlos têm função de proteção e ajudam na manutenção da temperatura corporal. Glândulas Sudoríparas: são encontradas em quase todo o corpo e situam-se na derme ou na hipoderme. Sua função é de secretar o suor, onde eliminamos água, sais minerais e toxinas. O suor é produzido pelas glândulas e é transportado por ductos até o meio externo, saindo pelos poros. Nas axilas e genitália, o suor tem um odor mais intenso. A eliminação do suor é chamada de transpiração. A transpiração serve principalmente para manter o equilíbrio térmico e hidroeletrolítico. Glândulas Sebáceas: são encontradas em quase todo o corpo, inclusive no couro cabeludo, localizando-se na derme ou hipoderme. Sua função é a secreção do sebo, uma substância que protege e mantém a oleosidade e elasticidade da pele e pêlos. Na genitália o sebo é produzido e tem um odor característico e é chamado de esmegma. Glândulas ceruminosas: são glândulas sebáceas especiais, existentes no conduto auditivo externo, que secretam o cerume. O cerume protege o ouvido contra a entrada de partículas estranhas e contra a poluição sonora.FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 28 SISTEMA ESQUELÉTICO (ESQUELETO) O sistema esquelético ou esqueleto é constituído por um conjunto de ossos unidos entre si. O esqueleto humano consiste de 206 ossos. Os ossos podem ser agrupados no esqueleto axial e no esqueleto apendicular. Esqueleto Axial: Consiste dos ossos que formam a cabeça, a coluna vertebral e o tórax. Esta porção do esqueleto forma o eixo principal de suporte do corpo e protege o sistema nervoso central e os órgãos do tórax. Esqueleto Apendicular: Inclui os ossos dos membros superiores e inferiores e os ossos pelos quais esses membros se articulam com o esqueleto axial – isto é, cintura escapular e cintura pélvica. Funções do Esqueleto Proteção de órgãos Sustentação e conformação do corpo Local de armazenamento de cálcio e potássio Sistema de alavanca para os músculos desempenharem os movimentos musculares. Apoio para tecidos Síntese do sangue. Tipos de Ossos Quanto à Forma a) Ossos longos: possuem o comprimento mais desenvolvido do que a largura e a espessura. EX: fêmur, úmero, tíbia, rádio, ulna, clavícula. b) Ossos curtos: possuem comprimento, largura e espessura semelhantes, dando ao osso um formato de cubo. EX: ossos do carpo e do tarso. c) Ossos planos ou chatos: são ossos aplanados, de espessura reduzida. EX: ossos do crânio, esterno. d) Ossos pneumáticos ou cavitários: possuem cavidades preenchidas por ar. EX: frontal e etmóide. e) Ossos irregulares: não têm uma forma única, definida. EX: vértebra e ilíaco. Organização Estrutural dos Ossos a) Periósteo: membrana que reveste todo o osso externamente b) Tecido ósseo compacto: tecido liso e resistente. Forma a camada externa dos ossos c) Tecido ósseo esponjoso: tecido poroso e flexível. Forma a parte interna das epífises (extremidades ósseas) e do canal medular. d) Canal medular: canal central do osso que aloja a medula óssea amarela e vermelha e) Endósteo: membrana que reveste o osso internamente, no canal medular. f) Medula óssea vermelha: produz todas as células sanguíneas, exceto os linfócitos. g) Canais de Havers e de Volkmann: os de Havers são longitudinais e os de Volkmann são transversais, ambos atravessam o osso e servem de passagem para vasos e nervos. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 29 ANATOMIA DOS OSSOS LONGOS Os ossos longos são compostos por uma parte central e duas extremidades. A parte central é a diáfise e as extremidades são as epífises. - Diáfise: é o corpo do osso, formando uma camada externa de tecido ósseo compacto. Sua parte interna é composta por tecido ósseo esponjoso e é oca, formando o canal medular. - Epífise: são as duas extremidades dos ossos longos. Cada epífise é formada por uma camada externa, fina de tecido ósseo compacto e a parte interna é formada por tecido ósseo esponjoso. Suas superfícies são revestidas por cartilagem articular. OSSOS DA CABEÇA: formam um total de 28 ossos. A cabeça óssea é composta por 28 ossos, 11 dos quais são pares. Com exceção da mandíbula (maxilar inferior) e três pequenos ossos da cavidade da orelha média. São 8 ossos do crânio, 14 ossos na face e 6 ossículos no ouvido. Os ossos da cabeça de um adulto estão unidos firmemente através de articulações imóveis chamadas de suturas. No RN e ainda por alguns anos, a criança apresenta essas suturas ainda preenchidas por tecido conjuntivo fibroso, tal forma que os ossos são capazes de fazer certos movimentos. Essa flexibilidade permite à cabeça estreitar durante o nascimento por conta dos ossos dessa região recobrir parcialmente uns aos outros quando o feto fica sujeito à pressão do canal do parto. Em alguns pontos de união de duas ou mais suturas há áreas membranosas, fibrosas chamadas de fontanelas. 2. Ossos do Crânio ( 8 ): unem-se formando a caixa craniana que protege o encéfalo. a) Frontal: é um osso ímpar que forma a região ântero-superior do crânio. Forma a fronte (“testa”) e o teto das cavidades orbitárias. Apresenta cavidades internas preenchidas por ar (seios frontais) que se comunica com as fossas nasais. b) Parietais: são dois e formam a maior parte da cavidade craniana. Os parietais se encontram na linha mediana formando a sutura sagital. Eles formam a sutura coronária que atravessa o alto do crânio, onde eles se encontram na linha mediana formando a sutura sagital. Eles formam a sutura coronária que atravessa o alto do crânio, onde eles se encontram com o osso frontal. Na parte posterior se encontra com o occipital formando a sutura lambdóide. No crânio de uma criança nova, encontramos exatamente nas suturas dos parietais a fontanela anterior (frontal ou bregmática), localizada na união das suturas sagital e coronária. A fontanela posterior (occipital ou lambdóide) está localizada na união das suturas sagital e lambdóide. c) Occipital: é um osso ímpar e forma a porção póstero-inferior do crânio e a porção inferior da base da cavidade craniana. Na sua base, encontramos sua característica mais marcante que é o forame magno, por onde passa a medula espinhal. Possui dois côndilos ao lado do forame magno, que se articula com a 1ª vértebra cervical. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 30 d) Etmóide: está situado no meio do assoalho da fossa craniana, onde ele forma a maior parte das paredes da porção superior da cavidade nasal. e) Temporais: formam a parede lateral-superior do crânio. f) Esfenoide: está situado na base do crânio e tem o formato de um morcego de asas abertas. Possui duas asas maiores e duas menores que formam a parede posterior das cavidades orbiculares. 3. Ossos da Face (14): formam a maior parte do esqueleto da face e são: a) Maxilas (2): os ossos maxilares formam a porção central do esqueleto facial. Com exceção da mandíbula, todos os ossos da face se articulam com as maxilas. Cada maxila participa da formação do teto da boca, do assoalho e das paredes laterais da cavidade do nariz, e do assoalho da órbita. Unidos ajudam a formar a arcada dentária superior. b) Zigomáticos (2): são também conhecidos como malares, formam as proeminências da face através das articulações com as maxilas e com os temporais. c) Nasais (2): são dois pequenos ossos que se encontram na linha mediana da face para formar o dorso do nariz. d) Concha nasal (2): formam a parede lateral-inferior da cavidade nasal. e) Vômer (1): situa-se na região mediana do nariz, forma a parte óssea do septo nasal. f) Mandíbula (1): O esqueleto facial é completado pela mandíbula, que forma a maxila inferior. Forma inclusive a arcada dentária inferior. Possui côndilos que se articulam com os temporais formando uma articulação móvel (ATM). g) Palatino (2): unem-se formando uma parte do teto da boca (palato duro). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 31 FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 32 4. Ossículos do Ouvido (6): Comunica-se com os ossos temporais formando o ouvido médio. São ossos que se comunicam entre si e se movimentamao receberem as vibrações sonoras dos tímpanos, transmitindo-se para a cóclea. a. Martelo (2): está ligado ao tímpano b. Bigorna (2): está entre o martelo e o estribo c. Estribo (2): está em contato direto com a cóclea. 5. Ossos do Pescoço: apresenta um osso. O pescoço é formado pela região cervical da coluna vertebral e por um osso chamado de hióide. a) Hioide: tem o formato de “U” e é o único osso do corpo que não se articula com nenhum outro osso, estando suspenso apenas por músculos e ligamentos. Localiza-se na parte anterior do pescoço, logo abaixo da mandíbula e à frente da faringe. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 33 6. Coluna Vertebral: Apresenta um total de 26 ossos. A coluna vertebral é o eixo de sustentação do corpo. É composta por 33 vértebras empilhadas, sendo que em cada região da coluna, as vértebras estão unidas formando apenas um osso em cada uma delas, totalizando dessa forma 26 ossos. Regiões da Coluna vertebral: são cinco regiões que se dividem conforme a região do corpo na qual as vértebras se encontrem. a) Região cervical: 7 vértebras ( C1 a C7). As 1ª e 2ª vértebras cervicais são vértebras especiais chamadas de Atlas (C1) e áxis (C2). b) Região Torácica ou Dorsal: 12 vértebras (T1 a T12). c) Região Lombar: 5 vértebras ( L1 a L5 ). d) Região Sacral: 5 vértebras unidas, formando um único osso chamado sacro ( S1 a S5 ). e) Região Coccígea: 4 vértebras unidas, formando um único osso chamado cóccix. Curvaturas da Coluna Vertebral Quando examinada de perfil, a coluna vertebral é normalmente reta, sem qualquer curvatura. Caso ocorra uma curvatura lombar anterior excessiva, chamamos de lordose. Se a curvatura torácica posterior é excessiva, chamamos de cifose. Mas se ocorrer uma curvatura lateral, fala-se em escoliose. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 34 Funções da Coluna Vertebral A coluna vertebral é o principal eixo de sustentação do corpo, promovendo fixação para a cabeça, tórax e para a cintura pélvica. Ela protege a medula espinhal enquanto dispõem de aberturas entre vértebras adjacentes para a passagem dos nervos espinhais. Características de uma Vértebra Cada vértebra é composta de duas partes principais: corpo e arco vertebral. O corpo é a parte anterior da vértebra, o arco vertebral é a parte posterior. Na extremidade posterior do arco vertebral, há uma proeminência chamada de processo ou apófise espinhosa. Entre o corpo e o arco vertebral, está um orifício, o forame vertebral. A união dos forames vertebrais forma o canal vertebral por onde passa a medula espinhal. OBS: a vértebra Atlas ( C1 ) não possui corpo e a vértebra áxis ( C2 ) possui um “dente” chamado de apófise odontóide através do qual essas duas vértebras se articulam. 7. Caixa Torácica: tem um total de 25 ossos. A caixa torácica protege as vísceras que estão nessa região. É formada pelo esterno, costelas e vértebras da região torácica da coluna vertebral. a) Esterno: é um osso achatado e alongado que forma a porção mediana da parede anterior do tórax. É composto por três partes: manúbrio, corpo e o processo xifoide. O manúbrio se localiza na parte superior e se articula com cada clavícula e suas partes laterais se articulam com as primeiras e segundas costelas. O corpo se articula com as segundas até as sétimas costelas. O processo xifóide não se articula com nenhuma costela. Ele serve como fixação de diversos ligamentos e músculos. b) Costelas: são em 24 e apresentam um formato de arco, estando dispostas aos pares, ou seja, tem-se 12 pares de costelas que formam o contorno do tórax. Na região posterior, as costelas se articulam com as 12 vértebras da região torácica. Na frente, as costelas se articulam com o esterno. Estão assim divididas: - Costelas Verdadeiras: do 1º ao 7° par, se articulam diretamente com o esterno. - Costelas Falsas: do 8° ao 12° par, não se articulam ao esterno. As costelas do 8° ao 10° par se articulam ao esterno através de uma única cartilagem costal. As costelas do 11° e 12° par não se articulam ao esterno, sendo chamadas de costelas flutuantes. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 35 Ossos dos Membros Superiores: formam um total de 64 ossos. O esqueleto do membro superior inclui os ossos da cintura escapular (escápula e clavícula), braço (úmero), antebraço (rádio e ulna) e da mão (ossos do carpo, metacarpianos e falanges). Escápula: são dois ossos, triangulares, que formam a parte posterior da cintura escapular. Articula-se com o úmero no braço. Possui uma extremidade chamada de acrômio que em enfermagem tomamos como referência para sustentar o músculo deltóide e administrar medicações intramusculares. Clavícula: são dois ossos em forma de S que servem como uma alavanca para a escápula. Articula-se com o esterno e com o acrômio. Úmero: É um osso longo, sendo o maior do braço. Articula-se com o rádio e a ulna no antebraço. Rádio: osso longo que se situa na parte lateral do braço, encontra-se lateralmente à ulna. Ulna: osso longo que se situa na parte medial do antebraço. Ossos do Carpo: são ossos curtos que formam o esqueleto da mão, são em 16 ossos. Metacarpianos: ossos que formam o metacarpo que também pertencem ao esqueleto da mão são em 10. Falanges: ossos curtos que formam os quirodáctilos. Elas podem ser proximais, médias e distais, são em 28 e fazem parte do esqueleto da mão. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 36 Ossos dos Membros Inferiores O esqueleto dos membros inferiores constitui da cintura pélvica (ílio, sacro e cóccix), coxa (fêmur), joelho (patela), ossos da perna (tíbia e fíbula) e do pé (ossos do tarso, metatarsianos e falanges). Cintura pélvica: é um osso formado pela união dos ilíacos, sacro e cóccix. - Ilíaco: osso irregular que se divide em três partes (ílio, ísquio e púbis). - Ísquio: parte posterior do ilíaco - Púbis: parte anterior do ílio. Fêmur: são dois, e é o maior osso do corpo. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 37 FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 38 ARTICULAÇÕES Articulação é a união funcional de um ou mais ossos do esqueleto. As principais funções das articulações são: manter a estabilidade dos ossos e movimentação dos segmentos corporais, apesar de algumas delas serem imóveis. I – TIPOS DE ARTICULAÇÕES QUANTO AO MOVIMENTO Em relação ao movimento que realizam, as articulações podem ser classificadas em 3 tipos principais: sinartroses (junturas fibrosas), anfiartroses (junturas cartilaginosas) e diartroses (junturas sinoviais). 1. Sinartroses (junturas fibrosas): nelas, os ossos estão em diretamente unidos. São imóveis. Ex: suturas cranianas e faciais (articulações que unem os ossos do crânio e da face) 2. Anfiartroses (junturas cartilaginosas):nelas, os ossos estão unidos através de uma cartilagem. São semimóveis. Ex: sínfise púbica (articulação que une os ilíacos na região do púbis), articulações intervertebrais. 3. Diartroses (junturas sinoviais): possuem uma estrutura mais complexa (que será apresentada logo adiante). São amplamente móveis e incluem a maioria das articulações do corpo. Ex: ombro, quadril, cotovelo. II – ESTRUTURA DE UMA ARTICULAÇÃO DO TIPO DIARTROSE A articulação do tipo diartrose possui ampla movimentação devido a uma estrutura mais complexa. Os elementos que a compõem são: superfícies articulares, cartilagem articular, cápsula articular, membrana sinovial (sinóvia), ligamentos e músculos. 1. Superfícies articulares: são as extremidades dos ossos que estão em contato. 2. Cartilagem articular: reveste as superfícies articulares, impedindo o atrito direto de um osso com o outro. 3. Cápsula articular: membrana fibrosa que envolve os ossos da articulação externamente. 4. Membrana sinovial (sinóvia): membrana fina que reveste a parte interna da cápsula. Produz o líquido sinovial, que nutre e lubrifica a cartilagem articular. 5. Ligamentos: são feixes de tecido conjuntivo fibroso que ligam os ossos uns aos outros, estabilizando-os fortemente. 6. Músculos: são estruturas que promovem o deslocamento de um osso em relação ao outro. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 39 III – FATORES QUE FACILITAM O MOVIMENTO ARTICULAR Integridade óssea Congruência articular: é o encaixe adequado das superfícies articulares, dá estabilidade à articulação. Lubrificação adequada, diminuindo o atrito e o desgaste da cartilagem. Ação dos músculos agonistas (músculos que realizam o movimento) IV – FATORES QUE LIMITAM O MOVIMENTO ARTICULAR Reforço da cápsula articular Ação dos ligamentos V – PRINCIPAIS MOVIMENTOS ARTICULARES 1. Flexão: aproximação entre os segmentos articulares 2. Extensão: afastamento entre os segmentos articulares 3. Adução: aproximação do segmento em direção à linha mediana do corpo 4. Abdução: afastamento do segmento da linha mediana do corpo 5. Rotação medial ou interna: rotação do segmento articular para dentro 6. Rotação lateral ou externa: rotação do segmento articular para fora 7. Supinação: movimentação da palma da mão ou planta do pé para cima 8. Pronação: movimentação da palma da mão ou planta do pé para baixo 9. Inversão: combinação dos movimentos de adução e supinação 10. Eversão: combinação dos movimentos de abdução e pronação 11. Elevação: deslocamento do segmento articular para cima 12. Depressão: deslocamento do segmento articular para baixo FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 40 SISTEMA MUSCULAR O sistema muscular é formado por um conjunto de massas vermelhas chamadas de músculos. Os músculos são formados por muitos miócitos (fibras musculares). As principais funções dos músculos são: Movimentação do esqueleto, da pele e de outras estruturas corporais (vísceras, esfíncteres). Manutenção da postura corporal Manutenção do equilíbrio térmico I – CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS QUANTO AO TIPO DE FIBRA 1. Músculo liso: suas fibras não apresentam estrias. Sua contração é lenta e regulada pelo sistema nervoso autônomo, portanto, é involuntária. Constitui, principalmente, as vísceras ocas (útero, bexiga, tubo digestivo), os vasos sanguíneos, os brônquios e bronquíolos. 2. Músculo estriado cardíaco: suas fibras são estriadas. Sua contração é variável e involuntária e é controlada parcialmente pelo sistema nervoso autônomo. Constitui a camada muscular do coração (miocárdio). 3. Músculo estriado esquelético: possui estrias transversais. Sua contração pode ser lenta ou rápida, é controlada pelo sistema nervoso somático, portanto, é voluntária. Constitui os músculos que estão fixados no esqueleto. II – PRINCIPAIS PROPRIEDADES DOS MÚSCULOS 1. Excitabilidade: propriedade do músculo em responder a estímulos. Normalmente, os músculos respondem a estímulos elétricos, químicos, térmicos e mecânicos. 2. Contratilidade: propriedade do músculo se encurtar em resposta a um estímulo. Mesmo estando em repouso, todo músculo apresenta certo grau de contração reflexa chamada de tônus muscular. 3. Elasticidade: propriedade do músculo se deformar e voltar a sua condição original. É por essa propriedade que os músculos podem contrair alongar e, depois, relaxar. III – COMPOSIÇÃO MUSCULAR Os músculos são compostos por substâncias importantes para o seu funcionamento adequado. As principais são: água, proteínas, íons e glicogênio. Proteínas: actina e miosina (proteínas responsáveis pela contração muscular) e mioglobina (proteína responsável pelo transporte de oxigênio) Íons: os principais são o cálcio e potássio, importantes para a contração muscular. Glicogênio: polímero da glicose que serve como fonte de energia para a contração muscular FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 41 OBS IV – ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA DE UM MÚSCULO ESQUELÉTICO Sarcômeros: menores unidades funcionais de um músculo. São formados por filamentos de actina e miosina (proteínas contráteis). Miofibrilas: conjunto de sarcômeros. Fibras musculares (miócitos): conjunto de miofibrilas. Cada fibra é envolvida por uma membrana de tecido conjuntivo chamada de endomísio. As fibras de um músculo são inervadas por neurônios motores formando as unidades motoras. Quando o estímulo elétrico chega às unidades motoras, provoca a contração muscular. Fascículos: conjunto de fibras musculares. Cada fascículo é envolvido por uma membrana de tecido conjuntivo chamada de perimísio Músculo propriamente dito: conjunto de fascículos. Cada músculo é envolvido por uma por uma membrana de tecido conjuntivo chamada de epimísio. Os grupos musculares são envolvidos externamente por uma membrana de tecido fibroso chamada de fáscia. V – PARTES DE UM MÚSCULO ESQUELÉTICO Cada músculo esquelético divide-se em ventre e tendões. Ventre: é a parte central do músculo onde estão as fibras. É o ventre que se contrai, provocando o movimento. Tendões: são as extremidades que fixam o músculo nos ossos. Não se contraem, são formados por tecido conjuntivo fibroso, sendo bastante resistentes. VI – TRABALHO MUSCULAR Toda contração muscular gera trabalho e, consequentemente, energia. Cerca de 30% do trabalho muscular é transformado em movimento (energia mecânica). Os 70% restantes do trabalho são transformados em calor (energia térmica). É o calor produzido pelo trabalho muscular e das vísceras que mantém a temperaturacorporal VIII – PRINCIPAIS MÚSCULOS E GRUPOS MUSCULARES 1. Músculos da cabeça: os músculos da cabeça revestem o couro cabeludo, atuam na expressão facial e na mastigação. São eles: - Músculos do couro cabeludo: occipitofrontal e temporoparietal. - Músculos mímicos (expressão facial): são músculos cutâneos, que movimentam a pele. Os principais são: corrugador, orbicular do olho, nasal, risório , orbicular da boca. - Músculos da mastigação: temporal, masseter, pterigóideo e bucinador. 2. Músculos do pescoço: - Esternocleidoccipitomastóideo (ECOM): situa-se na região lateral do pescoço. Faz flexão e rotação da cabeça. - Escalenos: situam-se na parte anterolateral do pescoço. Fazem flexão da cabeça. - Hióideos: situam-se na parte anterior do pescoço. Atuam na deglutição (ato de engolir) FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 42 3. Músculos da parte anterior do tronco: - Peitorais: situam-se na parede anterior do tórax. Fazem a adução do ombro. - Abdominais: os músculos retos abdominais formam a parede anterior do abdome e fazem à flexão do tronco; os músculos oblíquos formam a parede lateral do abdome e fazem a rotação do tronco. 4. Músculos da parte posterior do tronco: - Trapézio: situa-se na parte superior do dorso. Possui três porções (superior, média e inferior). Faz a elevação, adução e depressão da escápula. - Eretores espinhais: situam-se na coluna vertebral. Mantêm a coluna em extensão (ereta). - Grande dorsal: situa-se na parte inferior-lateral do dorso. Faz a extensão do ombro. 5. Músculos da respiração: - Intercostais: situam-se entre as costelas. Expandem a caixa torácica. - Diafragma: situa-se entre o tórax e o abdome, separando essas duas cavidades. Expande a caixa torácica. 6. Músculos dos MMSS: - Deltóide: forma todo o contorno do ombro. Possui três porções (anterior lateral e posterior). Faz a flexão, abdução e extensão do ombro. - Tríceps braquial: situa-se na parte posterior do braço. Faz a extensão do cotovelo - Bíceps braquial: situa-se na parte anterior do braço. Faz a flexão do cotovelo e a supinação do antebraço. - Pronadores: situam-se na parte anterior do antebraço. Fazem a pronação do antebraço. 7. Músculos dos MMII: - Glúteo: situa-se na parte posterior e lateral do quadril. É formado por três músculos: glúteo maior, glúteo menor e glúteo médio. Os glúteos maiores e menor situam-se na parte posterior e fazem a extensão do quadril. O glúteo médio situa-se na parte lateral e faz a abdução do quadril. - Adutores: situam-se na parte medial da coxa. É formado por cinco músculos: adutor magno, adutor curto, adutor longo, pectíneo e grácil. Fazem a adução do quadril. - Quadríceps femoral: situa-se na parte anterior da coxa. É formado por quatro músculos: reto femoral, vasto lateral, vasto intermédio e vasto medial. Fazem à extensão do joelho. - Bíceps femoral: situa-se na parte posterior da coxa. É formado por dois músculos: semi-tendinoso e semi-membranoso. Fazem à flexão do joelho. - Tríceps sural: situa-se na parte posterior da perna. É formado por três músculos: gêmeo externo, sóleo e gêmeo interno. Faz a flexão plantar do tornozelo. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 43 FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 44 FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 45 SISTEMA LINFÁTICO O sistema linfático é um sistema auxiliar de drenagem, ajudando o sistema venoso na remoção dos metabólitos e líquidos teciduais, além de atuar nos processos de defesa do corpo. São formados por uma rede vascular linfática, linfa, nodos linfáticos e órgãos linfóides. I – FUNÇÕES DO SISTEMA LINFÁTICO O sistema linfático realiza basicamente a drenagem de fluidos e substâncias dos tecidos e atua na imunidade corporal. Suas principais funções são: Coletar o excesso de líquido intersticial (líquido que existe entre as células dos tecidos), transportando-o para o sistema venoso. Remover substâncias presentes nos tecidos, as quais não podem ser transportadas pelos capilares sanguíneos, como é o caso das gorduras e das proteínas maiores. Desempenhar função imunológica, destruindo elementos estranhos ao corpo, tais como os microorganismos e células cancerosas. II – REDE VASCULAR LINFÁTICA E LINFA Inclui os capilares linfáticos, os vasos linfáticos e os ductos coletores. 1. Capilares linfáticos: formam uma extensa rede nos espaços intersticiais. São responsáveis por drenar os líquidos e substâncias dos tecidos (proteínas, gorduras e metabólitos), formando a linfa. A linfa é um líquido de coloração clara com composição similar ao plasma, mas com maior teor de gorduras e proteínas e grande quantidade de linfócitos. 2. Vasos linfáticos: são formados a partir da união dos capilares linfáticos. Os vasos linfáticos vão se unindo uns aos outros, aumentando o seu calibre até formarem os ductos coletores. III – NODOS LINFÁTICOS (LINFONODOS) São pequenos gânglios de tecido linfóide interpostos entre os vasos linfáticos que tem duas funções principais: 1ª) filtrar a linfa, eliminando partículas estranhas e 2ª) produzir e armazenar linfócitos (células produtoras de anticorpos, que destroem microorganismos e células cancerosas). Os linfonodos se unem através de cordões linfáticos, formando as cadeias linfáticas. As cadeias linfáticas principais são as cervicais, axilares, torácicas, abdominais e inguinais. Quando um nódulo linfático se inflama, fica intumescido. Esse fenômeno é chamado popularmente de íngua. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 46 IV – ÓRGÃOS LINFOIDES São formados por tecido linfóide e não fazem parte da circulação linfática. Produzem e armazenam monócitos e linfócitos (tipos de células de defesa). Os órgãos linfóides são as adenóides, as tonsilas palatinas, o baço e o timo. 1. Tonsilas Faríngeas (Adenóides): são massas de tecido linfóide que se situam na nasofaringe (parte posterior do nariz). 2. Tonsilas Palatinas (amídalas): são massas de tecido linfóide que se situam nas laterais da orofaringe (parte posterior da boca). 3. Baço: órgão linfóide que se localiza no hipocôndrio esquerdo, estando abaixo do diafragma, atrás do estômago e acima do rim esquerdo. Além de produzir e armazenar células de defesa, o baço possui outras funções: Formação das hemácias durante a vida fetal e logo após o nascimento (no adulto, as hemácias são produzidas pela medula óssea). Destruição das hemácias velhas Reaproveitamento e armazenamento do ferro Formação da hemoglobina a partir do ferro reaproveitado e armazenado. 4. Timo: órgão linfóide que está localizado no mediastino superior. À medida que o indivíduo vai se desenvolvendo, o timo vai diminuindo e perdendo sua importância funcional. Sua única função conhecida é a produção de linfócitos. V – CIRCULAÇÃO LINFÁTICA – CIRCUITO DA LINFA A linfa é recolhida pelos capilares, segue pelos vasos linfáticos, entra nos linfonodos onde é filtrada, sai dos linfonodos por vasos linfáticos, passa para os ductos coletorese desemboca no sistema venoso, juntando-se ao sangue. CAPILARES LINFÁTICOS VASOS LINFÁTICOS LINFONODOS TECIDOS SISTEMA VENOSO DUCTOS COLETORES VASOS LINFÁTICOS FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 47 OBS SISTEMA RESPIRATÓRIO O sistema respiratório consiste em um conjunto de vias aéreas condutoras que comunicam o sistema à atmosfera, até atingir as menores unidades que são os alvéolos pulmonares, onde se estabelece a troca gasosa (hematose) pela superfície de contato que existe entre o ar e o sistema circulatório. I – VIAS AÉREAS As vias aéreas têm a função geral de conduzir o ar até os pulmões. Incluem boca, nariz, faringe, laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos. Podem ser divididas em vias aéreas superiores e vias aéreas inferiores. Vias aéreas superiores: são representadas pela boca, nariz, faringe e laringe. Vias aéreas inferiores: são representadas pela traquéia, brônquios, bronquíolos, alvéolos pulmonares. 1. Nariz: situa-se na parte anterior da face. É formado por duas cavidades por onde o ar entra. Essas cavidades chamam-se fossas nasais e são separadas pelo septo nasal (parede formada de cartilagem e osso). A parte interna das cavidades nasais é revestida por uma mucosa e pêlos. As duas aberturas anteriores do nariz são as narinas e as duas aberturas posteriores são as coanas. As coanas se abrem na nasofaringe. A função do nariz é filtrar, aquecer e umidificar o ar que entra. 2. Faringe: conduto musculomembranoso que se estende do nariz até a laringe. Divide- se em três partes principais: - Nasofaringe (faringe nasal): parte superior da faringe onde estão as tonsilas faríngeas - Orofaringe (faringe oral): parte média da faringe onde estão as tonsilas palatinas - Laringo-faringe (faringe laríngea): parte inferior da faringe. Comunica-se com a laringe e com o esôfago (parte do tubo digestivo). A orofaringe e a laringo-faringe fazem parte dos sistemas respiratório e digestivo. 3. Laringe: conduto cartilaginoso situada na linha antero-mediana do pescoço. Comunica-se com a laringo-faringe através de uma abertura superior chamada de glote onde estão localizadas as cordas vocais. As cordas vocais são responsáveis pela fonação (produção do som). A laringe é formada por nove cartilagens: Epiglote (1): é uma lâmina de cartilagem, em forma de folha, que fica na parte superior da laringe. Durante a deglutição, a epiglote fecha a laringe, protegendo- a da entrada de partículas estranhas. Tiróide (1): é a maior de todas, formando a proeminência laríngea (“pomo de adão”). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 48 Cricóide (1): cartilagem em forma de anel que se situa na parte inferior da laringe. Aritenóides (2): são pequenas e situam-se na parte superior da cricóide, formando o dorso da laringe. Corniculadas (2): são nódulos de cartilagem que se situam nas extremidades das superiores aritenóides. Cuneiformes (2): lâminas de cartilagem que se situam na parte anterior das aritenóides 4. Traqueia: é um tubo membranoso e cartilaginoso, sendo uma continuação da laringe. Situa-se à frente do esôfago. Estende-se da região inferior do pescoço até o nível da 5ª vértebra torácica, onde se bifurca formando os brônquios fontes direito e esquerdo. A região onde a traquéia se bifurca é chamada de Carina. 5. Brônquios e bronquíolos: os brônquios fontes direito e esquerdo são continuações da traquéia. O brônquio fonte direito é mais curto e mais horizontalizado. O brônquio fonte esquerdo é mais longo e mais verticalizado. Cada brônquio fonte penetra na parte medial do pulmão correspondente e se ramifica em brônquios lobares, depois em brônquios segmentares e, finalmente, em bronquíolos. Os bronquíolos se abrem nos alvéolos pulmonares que se enchem de ar. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 49 II – PULMÕES São dois órgãos esponjosos localizados dentro da caixa torácica, de cada lado do coração. São formados por cerca de 300 milhões de alvéolos. Os alvéolos pulmonares são sacos que se enchem de ar, expandindo os pulmões. Os alvéolos possuem uma extensa rede de capilares e é neles que ocorre a troca de gases. Cada pulmão é envolvido externamente por uma membrana chamada de pleura. O espaço existente entre o pulmão e a pleura é o espaço pleural e contém uma pequena quantidade de líquido pleural. A parte superior de cada pulmão é chamada de ápice e a parte inferior é a base. Cada pulmão apresenta na sua parte medial o hilo pulmonar que é o conjunto de brônquio, artéria e veias pulmonares que entram no pulmão. Existem pequenas diferenças entre o pulmão direito e o esquerdo. 1. Pulmão direito: formado por três lobos (lobo superior, lobo médio e lobo inferior). 2. Pulmão esquerdo: é ligeiramente menor que o pulmão direito. Possui uma concavidade na sua parte medial chamada de seio cardíaco, que aloja o coração. É formado por dois lobos (lobo superior e lobo inferior). III – CIRCUITO DO AR NO SISTEMA RESPIRATÓRIO O ar entra pelo nariz, passa pela faringe, desce em direção à laringe, em seguida passa para a traquéia e, a partir daí, entra nos pulmões através dos brônquios fontes. Dentro dos pulmões, o ar passa para os brônquios lombares, em seguida para os brônquios segmentares, depois para os bronquíolos e finalmente chega aos alvéolos. NARIZ FARINGE LARINGE TRAQUÉIA BRÔNQUIOS BRONQUÍOLOS ÁLVEOLOS PULMONARES (PULMÕES) FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 50 FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO Ventilação pulmonar A inspiração, que promove a entrada de ar nos pulmões, dá-se pela contração da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma abaixa e as costelas elevam-se, promovendo o aumento da caixa torácica, com consequente redução da pressão interna (em relação à externa), forçando o ar a entrar nos pulmões. A expiração, que promove a saída de ar dos pulmões, dá-se pelo relaxamento da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma eleva-se e as costelas abaixam o que diminui o volume da caixa torácica, com consequente aumento da pressão interna, forçando o ar a sair dos pulmões. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 51 Transporte de gases respiratórios O transporte de gás oxigênio está a cargo da hemoglobina, proteína presente nas hemácias. Cada molécula de hemoglobina combina-se com quatro moléculas de gás oxigênio, formando a oxi-hemoglobina. Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio do ar difunde-se para os capilares sanguíneos e penetra nas hemácias, onde se combina com a hemoglobina, enquanto o gás carbônico (CO2) é liberado para o ar (processo chamado hematose). Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gás oxigênio dissocia-se da hemoglobina e difunde-se pelo líquido tissular, atingindo as células. A maiorparte do gás carbônico (cerca de 70%) liberado pelas células no líquido tissular penetra nas hemácias e reage com a água, formando o ácido carbônico, que logo se dissocia e dá origem a íons H+ e bicarbonato (HCO3-), difundindo-se para o plasma sanguíneo, onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue. Cerca de 23% do gás carbônico liberado pelos tecidos associam-se à própria hemoglobina, formando a carboemoglobina. O restante dissolve-se no plasma. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 52 SISTEMA DIGESTÓRIO O sistema digestivo tem a função de transformar as moléculas grandes e complexas dos alimentos em moléculas menores, capazes de serem absorvidas e aproveitadas pelo organismo como fonte de energia. Esse sistema é composto pelo tubo digestório e anexos. O tubo digestivo é o local por onde o alimento passa, sofrendo o processo de digestão. Tem, em média, 9 metros de comprimento, é revestido por mucosa em toda a sua extensão e é constituído pelas seguintes estruturas: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso (incluindo reto e ânus). Os anexos são estruturas acessórias que auxiliam no processo de digestão. São eles: os dentes, a língua (que também faz parte do sistema sensorial), as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas. I – DIVISÃO DO TUBO DIGEESTÓRIO O tubo digestivo pode ser dividido em porção superior e inferior. O trato digestivo alto inclui boca, esôfago, estômago e duodeno (porção inicial do intestino delgado). O trato digestivo baixo inclui o jejuno-íleo (parte média e final do intestino delgado) e o intestino grosso (incluindo reto e ânus). II – TUBO DIGESTÓRIO 1. Boca: é à entrada do tubo digestivo. Suas paredes anteriores são os lábios, as paredes laterais são as bochechas, a parede superior é o palato (palato duro anteriormente e palato mole posteriormente). O palato mole é a região superior- posterior da boca e é composta por tecidos moles. No seu meio, há uma massa pendente chamada de úvula palatina. - Função: trituração e insalivação dos alimentos, formando o bolo alimentar. 2. Faringe: a faringe já foi detalhada no sistema respiratório. Possui três partes, mas apenas 2 delas fazem parte do tubo digestivo: a orofaringe e a laringofaringe. - Função: deglutição do bolo alimentar. 3. Esôfago: é um tubo musculomembranoso que mede de 23 a 25 cm de comprimento. Começa no início do pescoço à frente da 6ª vértebra cervical (C6), desce por trás da traquéia, passando pelo mediastino superior, mediastino posterior, atravessa o músculo diafragma e termina no abdome, onde se abre no estômago. - Função: levar o bolo alimentar da faringe ao estômago. 4. Estômago: é um órgão muscular oco que se situa no abdome (no epigástrio e hipocôndrio esquerdo), entre o fígado e o baço. O estômago divide-se em 04 partes principais: a) Cárdia: válvula de entrada do estômago onde o esôfago se abre. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 53 b) Fundo: parte superior do estômago curva-se para a esquerda. Apresenta grande quantidade de glândulas mucosas que produzem o ácido clorídrico (HCl). No fundo, também ficam as bolhas gástricas (ar deglutido) c) Corpo: é parte central do estômago, sendo a maior delas. Curva-se para a direita. d) Piloro: válvula de saída do estômago que se abre no duodeno (início do intestino delgado). - Funções: produzir o suco gástrico a partir do HCl ; absorver parte dos nutrientes. 5. Intestino Delgado: tubo que mede de 4 a 7 m de comprimento. Tem múltiplas dobras chamadas de alças intestinais. O intestino delgado divide-se em 2 partes principais: a) Duodeno: parte inicial, mais curta e mais fixa. Comunica-se com o fígado e com o pâncreas através de um canal chamado de ampola Vater b) Jejuno-íleo: é a parte maior e mais móvel do intestino delgado. O jejuno é a parte média e o íleo é a parte final. O íleo se une com o ceco (parte inicial do intestino grosso). - Funções: produzir o suco entérico; receber as secreções produzidas pelo fígado e pâncreas; absorver nutrientes. 6. Intestino Grosso: tubo que começa no final do íleo e mede cerca de 1,5m de comprimento. Divide-se em três partes principais: a) Ceco: parte inicial do intestino grosso onde está o apêndice vermiforme. b) Cólon: parte maior e mais grossa do intestino grosso. O cólon subdivide-se em quatro partes: Ascendente: começa no ceco e sobe até o fígado, onde faz uma curva para a esquerda chamada de flexura cólica direita. Transverso: atravessa toda a cavidade abdominal do lado direito para o esquerdo até o baço, onde faz uma curva para baixo chamada de flexura cólica esquerda. Descendente: desce passando ao lado do rim esquerdo. Sigmóide: continuação do cólon descendente forma uma alça e faz uma curva para baixo dando origem ao reto. - Funções: absorver a água e outros nutrientes aproveitáveis do processo digestivo; formar as fezes (bolo fecal). As fezes são os restos alimentares não aproveitados pelo corpo. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 54 c) Reto e Ânus: o reto é a porção final do intestino grosso. É um canal que mede cerca de 12 cm de comprimento e possui uma dilatação chamada de ampola retal (onde parte das fezes se acumulam até serem eliminadas). O reto se abre no meio externo através de um orifício chamado ânus. O ânus é formado por anéis musculares (esfíncter anal) que controlam a saída das fezes. - Funções: eliminação das fezes (defecação). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 55 III – ANEXOS 1. Dentes: a arcada dentária adulta é composta por 32 dentes (8 incisivos, 4 caninos, 8 pré-molares e 12 molares). Os incisivos cortam, os caninos rasgam, os pré-molares e molares trituram os alimentos. - Função: mastigação dos alimentos. 2. Língua: é um órgão muscular que se estende do pescoço (osso hióide e epiglote) até a cavidade bucal. - Funções: mastigação e deglutição dos alimentos, além de atuar na fala e na gustação (percepção dos sabores). 3. Glândulas salivares: são glândulas secretoras de saliva. As principais são: parótidas (abaixo e à frente das orelhas), submandibulares (abaixo da mandíbula) e sublinguais (abaixo da língua). A saliva produzida é rica em água e uma enzima (amilase salivar). 4. Fígado: é um órgão glandular, sendo a maior víscera do corpo. Situa-se no hipocôndrio direito e no epigástrio. Divide-se em 4 partes: lobo direito, lobo quadrado, lobo caudado e lobo esquerdo. O fígado produz a bile e ela sai do fígado através de canais chamados de ductos hepáticos. Esses ductos se unem e formam um canal chamado de ducto cístico que leva a bile para ser armazenada na vesícula biliar . Depois, a bile sai da vesícula por outro canal chamado de ducto colédoco. - Funções: secretar a bile; metabolizar e armazenar nutrientes (glicogênio) ; produção de fatores de coagulação (vitamina K) ; desintoxicar o sangue. 5. Pâncreas: é uma glândula mista (faz parte também do sistema endócrino), localizada no epigástrio e hipocôndrio esquerdo. Divide-se em 3 partes principais: cabeça, corpo e cauda. - Função: a função digestiva do pâncreas é produzir o sucopancreático. Este suco sai do pâncreas através de um canal chamado de ducto pancreático. O ducto colédoco e o ducto pancreático se unem formando uma dilatação chamada de ampola de Vater. Essa ampola se abre no duodeno, despejando a bile e o suco pancreático nessa parte do intestino. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 56 OBS SISTEMA URINÁRIO O sistema urinário é responsável pela filtração do sangue (eliminando os metabólitos finais através da urina) e pelo equilíbrio hidroeletrolítico e acidobásico. Na mulher, o sistema urinário é independente do sistema reprodutor enquanto que, no homem, há interligação entre o sistema urinário e reprodutor. I – COMPONENTES DO SISTEMA URINÁRIO O sistema urinário é formado pelos rins, ureteres, bexiga e uretra. 1. Rins: são dois órgãos com formato semelhante a um feijão, que se situam na parte posterior do abdome, na região dos flancos, um de cada lado da coluna vertebral. O rim direito situa-se num nível um pouco mais baixo que o esquerdo por causa do fígado. Na parte medial de cada rim, está o hilo renal que é formado pelo ureter, artéria e veia renal. Cada rim é composto por 3 camadas: cápsula fibrosa (externa), córtex (média) e medula (interna). A estrutura microscópica do rim é formada pelos seguintes elementos: Glomérulo (corpúsculo de Malpighi): é formado pelas arteríolas renais e uma rede de capilares. Cada glomérulo é envolvido por uma cápsula chamada de cápsula de Bowman. Túbulos renais: tubos alongados que começam na cápsula de Bowman e estendem- se até os cálices renais. Cada túbulo renal divide-se em três partes: túbulo contorcido proximal, alça de Henle e túbulo contorcido distal. Os túbulos contorcidos distais se unem formando os túbulos coletores. Os túbulos coletores se unem formando os condutos papilares. A união de cada glomérulo com o túbulo proximal forma o néfron que é a unidade funcional dos rins. Os rins são formados por um milhão de néfrons e é neles que ocorre a filtração do sangue e a produção da urina. Cálices renais: bolsas onde os condutos papilares desembocam. Bacinetes (pelve renal): formados pela união dos cálices renais. - Funções: os rins fazem a hemodiálise (filtração do sangue) e a diurese (produção da urina). Através da urina são eliminadas diversas substâncias inclusive toxinas. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 57 OBS 2. Ureteres: continuação dos bacinetes após terem saído dos rins através dos hilos. Os ureteres são dois tubos longos, formados por músculo liso, que ligam os rins à bexiga. - Função: os ureteres contraem-se, levando a urina produzida pelos rins até a bexiga. 3. Bexiga: órgão muscular oco que se situa no hipogástrio. No homem, a bexiga fica à frente do reto. Na mulher, a bexiga fica à frente e ligeiramente abaixo do útero. O músculo liso da bexiga é chamado de detrusor. - Função: a bexiga armazena a urina até o momento de sua eliminação. A capacidade máxima de reserva da bexiga é de cerca de 1 litro, mas a necessidade de eliminação da urina surge quando a bexiga apresenta um enchimento de cerca de 300 ml. O funcionamento da bexiga é controlado pelo sistema nervoso autônomo: o sistema nervoso simpático estimula o enchimento da bexiga e o sistema nervoso parassimpático estimula o esvaziamento dela. 4. Uretra: é um canal longo que se estende da bexiga até a genitália externa. Abre-se no meio externo através de um orifício chamado meato uretral. A uretra possui anéis musculares chamados esfíncteres que controlam a saída da urina. O esfíncter interno é de contração involuntária, enquanto o externo é de contração voluntária. Existem diferenças anatômicas e funcionais entre a uretra masculina e a feminina, por isso, elas serão descritas separadamente. a) Uretra masculina: estende-se da bexiga até a extremidade final do pênis, medindo de 18 a 20 cm de comprimento. Divide-se em três partes: porção prostática (passa por dentro da próstata), porção membranosa (vai da próstata até a raiz do pênis) e porção esponjosa (é a porção mais longa, passando por dentro do corpo esponjoso do pênis). A uretra masculina comunica-se com a bexiga e com os ductos ejaculatórios - Função: a uretra masculina tem função urinária e reprodutiva, realizando a micção (e eliminação da urina) e a ejaculação (eliminação do esperma). b) Uretra Feminina: é um canal curto, medindo de 3 a 4 cm de comprimento, que começa na bexiga até, passa à frente do canal vaginal e abre-se na vulva (genitália feminina externa) logo abaixo do clitóris. - Função: apenas a micção. As principais diferenças entre a uretra masculina e feminina são: a uretra masculina é mais longa e faz parte de dois sistemas (urinário e reprodutor); a uretra feminina é mais curta e faz parte apenas do sistema urinário. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 58 II – FISIOLOGIA BÁSICA DO SISTEMA URINÁRIO O sangue entra em cada rim através de sua artéria renal correspondente e segue para as arteríolas e capilares dos glomérulos. Nos glomérulos, é realizada a primeira etapa da filtração do sangue, formando a urina primária (composição semelhante ao plasma) na cápsula de Bowman. Em seguida, a urina primária passa os túbulos contorcidos proximais, para a alça de Henle e para os túbulos contorcidos distais. Nessa rede de tubos, ocorre reabsorção de substâncias e água para o sangue dos capilares, transformando a urina primária em urina propriamente dita. O sangue já filtrado passa para as vênulas e sai pela veia real de cada rim. A urina formada passará para os túbulos coletores, daí para os condutos papilares e finalmente chega aos bacinetes. A partir desse ponto, a urina sai dos rins pelos ureteres e é levada até a bexiga onde é armazenada. Quando a bexiga tem cerca de 300 ml de urina, seu músculo detrusor é estimulado pelo sistema nervoso parassimpático, contrai-se e envia a urina em direção à uretra. O esfíncter uretral relaxa e se abre, permitindo a saída da urina. III – CARACTERÍSTICAS DA URINA A urina é um fluido resultante da filtração sanguínea, contendo diversas substâncias tóxicas que foram retiradas do sangue. Seu pH é ácido e sua densidade fica em torno de 1,0. Em média, são produzidos de 1 a 2 litros de urina por dia. A sua composição normal apresenta as seguintes substâncias: Água: compõe cerca de 98% da urina Compostos nitrogenados: creatinina, uréia e ácido úrico. São resíduos do metabolismo das proteínas. Sais (eletrólitos): cloreto de sódio, potássio. Urobilinogênio: pigmento que dá coloração amarelada a urina. Hormônios, resíduos de medicamentos. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 59 SISTEMA REPRODUTOR É responsável pelo processo de reprodução, garantindo a manutenção da espécie humana ao longo do tempo. O sistema reprodutor feminino e masculino apresentam diferenças significativas, por isso serão descritos separadamente. I – SISTEMA REPRODUTOR FEMININO Formado pelos ovários, tubas uterinas, útero, vagina, vulva (genitália externa) e mamas. 1. Ovários: são duas glândulas situadas uma de cada lado do útero, suspensos pelo ligamento largo do útero. Comunica-se com o útero através das tubasuterinas. Os ovários contêm cerca de 400.000 folículos ovarianos e, ao longo da vida, algumas centenas deles serão amadurecidos e transformados em óvulos. - Função: os ovários secretam o óvulo e hormônios sexuais femininos (estrógeno e progesterona) 2. Tubas uterinas: são dois canais musculares que ligam os ovários ao útero. Na sua extremidade ovariana, cada tuba apresenta franjas chamadas de fímbrias. O interior das tubas apresenta cílios que facilitam o movimento do óvulo. - Função: conduzir o óvulo fecundado em direção ao útero 3. Útero: órgão muscular oco situado no hipogástrio atrás e acima da bexiga. É formado por três camadas: perímetro (externa), miométrio (média) e endométrio (interna). Divide-se em duas partes principais: Corpo: parte superior do útero. Sua extremidade superior chama-se fundo. Colo: parte inferior do útero. Apresenta um orifício na sua extremidade inferior chamada de cérvix. A cérvix comunica o útero com a vagina. - Funções: o útero é responsável por abrigar e desenvolver o óvulo fecundado. Ao final da gestação, o útero contrai-se para expulsar o feto no trabalho de parto. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 60 OBS 4. Vagina (canal vaginal): é um tubo muscular que comunica o útero com o meio externo. - Funções: a vagina é o órgão copulador feminino, recebendo o pênis durante o ato sexual. Também é o canal de saída para o feto durante o trabalho de parto normal. 5. Vulva: é a genitália externa. É formada pelas seguintes estruturas: Monte púbico: é uma proeminência formada de tecido adiposo que fica à frente da sínfise púbica. Durante a puberdade, passa a ser recoberto por pêlos. Lábios maiores (grandes lábios): são pregas cutâneas situadas nas regiões laterais externas da vulva. Também são recobertos por pêlos. Lábios menores (pequenos lábios): são pregas cutâneas situadas nas regiões laterais internas da vulva, ficando recobertos pelos lábios maiores. Clitóris: órgão pequeno e arredondado que se situa na união superior dos lábios menores. Possui uma extremidade chamada glande que é recoberta por um tecido chamado de prepúcio. O clitóris é formado por um tecido erétil, responsável por grande parte do prazer sexual feminino. Vestíbulo vaginal: espaço que fica entre os lábios menores, onde fica o meato uretral e o óstio vaginal. Óstio uretral: abertura da uretra para o meio externo. Óstio vaginal: abertura da vagina para o meio externo. Apresenta uma membrana elástica na sua entrada chamada hímen. Períneo: conjunto de tecidos (pele, músculos) que se situa entre a vagina e o ânus. 6. Mamas: são 2 órgãos acessórios do sistema reprodutor, responsáveis pela secreção do leite materno. As mamas são compostas por tecido adiposo e tecido glandular. Situam-se na parede anterior do tórax, uma de cada lado. A estrutura interna da mama é formada por glândulas alveolares (produzem o leite) e um conjunto de ductos (armazenam o leite). A parte mais escura da mama é a aréola. Na parte central da aréola, está uma proeminência chamada de mamilo. O mamilo facilita a sucção durante o aleitamento e é o local de saída do leite materno. Na entrada da vagina, estão as glândulas de Bartholin que produzem uma secreção para a lubrificação vaginal. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 61 II – FISIOLOGIA BÁSICA DA OVULAÇÃO-MENSTRUAÇÃO Na puberdade, alguns hormônios da hipófise começam a estimular o funcionamento dos ovários e eles começam a produzir hormônios sexuais femininos. A partir daí, a cada mês, um folículo ovariano amadurece e se transforma em óvulo, tornando a mulher fértil. O funcionamento do ciclo ovariano ocorre em duas fases: fase proliferativa (estrogênica) e fase secretora (progestacional). 1. Fase proliferativa (estrogênica): o folículo ovariano secreta grande quantidade de estrógeno. O estrógeno provoca o crescimento do endométrio no útero, estimula a hipófise a liberar o hormônio luteinizante (LH). O LH estimula o amadurecimento final do folículo e a liberação do óvulo (ovulação). O folículo rompido se torna amarelado e passa a ser chamado de corpo amarelo. A fase proliferativa dura, em média, 14 dias. 2. Fase secretora (progestacional): o corpo amarelo secreta estrógeno e grande quantidade de progesterona. A progesterona aumenta a irrigação de sangue no útero, preparando-o para receber o óvulo fecundado. Caso não ocorra a fecundação, o corpo amarelo atrofia e o endométrio do útero descama, provocando um sangramento fisiológico chamado de menstruação que dura cerca de 3 a 7 dias. A fase secretora dura, em média, 14 dias. Após esse prazo, o ciclo recomeça outra vez. II – SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO Formado pelos testículos, epidídimos, canais deferentes, vesículas seminais, canais ejaculatórios, uretra, próstata e pênis. 1. Testículos: são duas glândulas situadas na parte inferior do púbis, dentro do saco escrotal. São estruturas sensíveis à temperatura e ao toque. - Funções: a partir da puberdade, os testículos começam a secretar testosterona (hormônio masculino) e espermatozóides. 2. Epidídimos: são duas estruturas tubulares que se situam na parte posterior e superior de cada testículo. - Funções: os epidídimos armazenam e servem como local de amadurecimentos dos espermatozóides. 3. Canais deferentes: são dois tubos que se estendem dos epidídimos até as vesículas seminais. - Função: os canais deferentes conduzem os espermatozóides até a uretra. 4. Vesículas seminais: são duas glândulas que se situam uma de cada lado da bexiga. - Função: as vesículas seminais secretam o líquido seminal para dentro dos canais deferentes. Esse líquido ajuda a movimentação dos espermatozóides. 5. Canais ejaculatórios: são dois tubos, um de cada lado, formados pela união dos canais deferentes com os ductos das vesículas seminais. Os dois ductos ejaculatórios se abrem na uretra. 6. Uretra: a uretra já foi descrita no sistema urinário. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 62 7. Próstata: é uma glândula com o formato de uma castanha, que se situa abaixo da bexiga e à frente do reto. A parte inicial da uretra passa por dentro da próstata. - Função: a próstata secreta o líquido prostático para dentro da uretra. Esse líquido também ajuda a movimentação dos espermatozóides. 8. Pênis: é o órgão copulador do homem e está situado na parte inferior do púbis. O pênis flácido mede cerca de 10 a 12 cm, e o pênis ereto, mede cerca de 14 a 18 cm de comprimento. A estrutura interna do pênis é formada por dois corpos cavernosos (laterais) e 1 corpo esponjoso (central). A uretra passa por dentro do corpo esponjoso. O pênis divide-se em três partes principais: Base: é a parte proximal do pênis Corpo: é o segmento que fica entre a base e a cabeça do pênis Cabeça: é a parte distal do pênis. A parte distal e interna da cabeça do pênis é chamada de glande. A glande é a região mais sensível do pênis e responsável pelo prazer sexual masculino. A glande é recoberta por um tecido chamado de prepúcio. - Função: a função do pênis é o coito (penetração), através do qual ocorre a ejaculação (eliminação do esperma). No sistema urinário, o pênis participa da micção (eliminação da urina). 9. Períneo: conjunto de tecidos (pele, músculos) que se situa entre a base do pênis e o ânus. Dentro da cavidade pélvica, existem duas glândulas, uma de cada lado da uretra,chamadas de glândulas bulbouretrais. Elas produzem um líquido que lubrifica a uretra e elimina resíduos de urina existentes nesse canal. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 63 SISTEMA ENDÓCRINO Dá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam como atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que são lançados na corrente sanguínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ou auxiliando o controle de sua função. Os órgãos que têm sua função controlada e/ou regulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo. Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas corporais. Frequentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente com o sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das funções corporais. As glândulas que atuam no nível de sistema endócrino podem ser classificadas de dois tipos: glândulas endócrinas e glândulas exócrinas e glândulas mistas. Glândulas exócrinas: são aquelas que expelem a sua secreção no meio externo, em uma cavidade ou em um canal. Exemplos: glândulas sudoríparas, sebáceas, salivares, lacrimais, mamárias. Glândulas endócrinas: são aquelas que expelem a sua secreção diretamente no sangue. Suas secreções são chamadas de hormônios. Os hormônios são proteínas especiais que atuam sobre outras glândulas ou sobre outros órgãos e estruturas do corpo. Cada órgão ou estrutura corporal que sofre a ação de determinado hormônio é chamado de órgão-alvo. Exemplos: hipófise, tireóide, paratireóide. Glândulas mistas: são aquelas que apresentam as duas funções (exócrina e endócrina). Exemplos: ovários, testículos, pâncreas. Aqui somente serão estudadas as glândulas endócrinas e as glândulas mistas porque ambas produzem hormônios e interfere no funcionamento de todo o corpo. As principais funções realizadas por essas glândulas e seus hormônios são: Regulação do crescimento e desenvolvimento do corpo do indivíduo Controle da velocidade das reações químicas do organismo Regulação do funcionamento de outras glândulas Regulação do desenvolvimento sexual do indivíduo Influência sobre as funções psíquicas do indivíduo I – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS 1. Hipófise: é uma glândula arredondada que se situa na sela túrcica do osso esfenóide. É a glândula mestra do corpo e está ligada ao hipotálamo (parte do sistema nervoso central). A hipófise divide-se em três partes: lobo anterior, lobo intermediário e lobo posterior. a) Lobo anterior (Adeno-hipófise): é a parte anterior da hipófise. Produz os seguintes hormônios: - Somatotrófico (STH) ou hormônio do crescimento (GH): atua no metabolismo das proteínas, estimulando o desenvolvimento e a multiplicação das células, promovendo o crescimento corporal. Esse hormônio é produzido em maior quantidade na infância e puberdade. http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso1.asp FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 64 OBS - Tireotrófico (TSH): estimula a glândula tireóide. - Adrecorticorticotrófico (ACTH): estimula o córtex das glândulas suprarrenais. - Folículo-estimulante (FSH): estimula o amadurecimento dos folículos ovarianos na mulher e dos espermatozóides no homem. - Luteinizante (LH): estimula as células intersticiais dos testículos e ovários a produzirem seus hormônios, estimula a ovulação e a formação do corpo amarelo na mulher. - Lactogênio ou prolactina (LTH): estimula o desenvolvimento das mamas na mulher e a produção do leite materno O FSH, LH e LTH são chamados de hormônios gonadotróficos porque estimulam a função reprodutiva no indivíduo. Além de exercerem efeitos sobre órgãos não endócrinos, alguns hormônios, produzidos pela hipófise são denominados trópicos (ou tróficos) porque atuam sobre outras glândulas endócrinas, comandando a secreção de outros hormônios. . FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 65 b) Lobo intermediário: é a parte média da hipófise. Produz o seguinte hormônio: - Hormônio estimulante dos melanócitos (MSH): estimula os melanócitos a produzirem a melanina (pigmento que colore pele, pêlos e a íris do olho). c) Neuro-hipófise: é a parte posterior da hipófise. Produz os seguintes hormônios: - Ocitocina: estimula a contração do músculo liso do útero, facilitando a expulsão do feto e da placenta durante o trabalho de parto. - Antidiurético ou vasopressina (ADH): inibe a produção de urina pelos rins e estimula a contração do músculo liso dos vasos sanguíneos, aumentando a pressão arterial. 2. Pineal: é uma glândula fotossensível (é estimulada pela luz) semelhante a uma ervilha que se situa na parede posterior do 3º ventrículo do cérebro. A pineal produz o seguinte hormônio: - Melatonina: regula o ciclo circadiano do corpo (organização das funções fisiológicas durante o ciclo dia-noite) e induz o sono. Sua produção máxima ocorre nos primeiros anos de vida. 3. Tireóide: é uma glândula com o formato de letra H, que se situa na parte anterior do pescoço, logo à frente da traquéia. Divide-se em 3 partes: lobo direito, lobo esquerdo e istmo. O istmo fica entre os dois lobos, ligando um ao outro. A tireóide é estimulada pelo TSH e produz os seguintes hormônios: - Calcitonina: regula o metabolismo do cálcio e é analgésico. Esse hormônio inibe a reabsorção óssea, mantendo o cálcio nos ossos. - Triiodotironina (T3) - Tetraiodotironina ou tiroxina (T4) Os hormônios T3 e T4 regulam o metabolismo do iodo e atuam no controle de todo o metabolismo corporal, regulando a velocidade das reações químicas. 4. Paratireóides: são 4 glândulas que se situam 2 de cada lado da tireóide, sendo 2 superiores e 2 inferiores. A paratireóide é estimulada pela hipocalcemia (baixos níveis de cálcio no sangue) e produz o seguinte hormônio: - Hormônio Paratireóideo (Paratormônio): regula o metabolismo do fósforo e do cálcio. Esse hormônio estimula a reabsorção óssea, fazendo com que o cálcio e o fósforo saiam dos ossos para o sangue. 5. Suprarrenais ou adrenais: são duas glândulas que se situam cada uma na parte superior do rim correspondente. As suprarrenais possuem duas regiões: o córtex e a medula. a) Córtex: é a parte externa da suprarrenal. É estimulada pelo ACTH secretado pela adeno-hipófise. O córtex das suprarrenais produz os seguintes hormônios: - Aldosterona: estimula a reabsorção de sódio e água pelo sangue nos túbulos renais, inibindo a produção da urina e aumentando a pressão arterial. - Cortisona ou cortisol: atua no metabolismo das proteínas e gorduras, aumenta a taxa de glicose no sangue e é antiinflamatório. - Hormônios sexuais (testosterona, estrógeno e progesterona): esses 3 hormônios estimulam o desenvolvimento das características sexuais. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 66 b) Medula: é a parte interna da suprarrenal. É estimulada pelo sistema nervoso simpático. - Adrenalina: aumenta a contratilidade e a frequênciacardíaca, e provoca broncodilatação (dilatação dos brônquios). - Noradrenalina: provoca vasoconstricção (contração do músculo liso dos vasos), aumentando a pressão arterial. II – GLÂNDULAS MISTAS 1. Pâncreas: sua anatomia já foi descrita no sistema digestivo. Aqui será explicada apenas a função hormonal dessa glândula. O pâncreas possui uma parte exócrina e uma parte endócrina. a) Parte exócrina do pâncreas: é formada por estruturas chamadas ácinos. Os ácinos produzem enzimas digestivas que formam o suco pancreático. b) Parte endócrina do pâncreas: é formada por aglomerados de células especiais chamadas de ilhotas de Langherans. Essas ilhotas são formadas por 3 tipos de células: células alfa, célula beta e células delta. Essas células produzem os seguintes hormônios: - Glucagon: é produzido pelas células alfa. Aumenta a glicemia (taxa de glicose do sangue) porque transforma o glicogênio do fígado e as gorduras em glicose. - Insulina: é produzida pelas células beta. Diminui a glicemia porque transforma a glicose em glicogênio no fígado e transporta a glicose do sangue para dentro das células. - Somatostatina: é produzido pelas células delta. Tem diversas funções dentre elas: inibição da liberação de GH, estímulo da produção de anticorpos. - A regulação da produção de glucagon e da insulina é feita pela glicemia. Quando a glicemia está elevada, a insulina é liberada para reduzi-la. Quando a glicemia está baixa, o glucagon é liberado para aumentá-la. - A transformação da glicose em glicogênio é chamada de glicogênese. A transformação de glicogênio em glicose é chamada de glicogenólise. A transformação de gordura em glicose é chamada de gliconeogênese. 2. Testículos: já foram descritos no sistema reprodutor. Sua função exócrina é a secreção de espermatozóides. Aqui será explicada apenas a função endócrina dos testículos que são estimulados pelo FSH e LH e produzem o seguinte hormônio: - Testosterona: estimula a produção dos espermatozóides e o desenvolvimento das características sexuais masculinas. 3. Ovários: já foram descritos no sistema reprodutor. Sua função exócrina é a secreção do óvulo. Aqui será explicada apenas a função endócrina dos ovários que são estimulados pelo FSH e LH e produzem os seguintes hormônios: - Estrógeno: é produzido pelo folículo ovariano. Estimula o crescimento do endométrio no útero e o desenvolvimento das características sexuais femininas - Progesterona: é produzida pelo corpo amarelo. Continua a estimular o crescimento do endométrio. Durante a gravidez, a progesterona inibe as contrações uterinas, inibe a produção do FSH e LH impedindo uma nova ovulação e estimula o desenvolvimento da placenta (órgão que nutre o feto). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 67 Localizado no cérebro diretamente acima da hipófise, o hipotálamo é conhecido por exercer controle sobre ela por meios de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios chamados fatores desencadeadores (ou de liberação), o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 68 O hipotálamo também produz outros fatores de liberação que atuam sobre a adeno- hipófise, estimulando ou inibindo suas secreções. Produz também os hormônios ocitocina e ADH (antidiurético), armazenados e secretados pela neuro-hipófise. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 69 TIREOIDE Localiza-se no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia. Seus dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocidade dos processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo, elevando a taxa metabólica e a geração de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de proteínas, estando relacionados ao crescimento, maturação e desenvolvimento. A calcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentração sanguínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sanguíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 70 SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais. No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células da glia (ou da neuroglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, seja eles internos ou externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. No entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa onda de excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a sua extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se à propriedade de condutibilidade. As funções principais do sistema nervoso são: Coordenar e regular o funcionamento dos diferentes órgãos e sistemas entre si Relacionar o organismo com o meio ambiente Controlar as funções involuntárias dos órgãos (funções viscerais) Controlar as funções voluntárias do organismo (funções somáticas) Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a mensagem nervosa é transmitida. http://www.afh.bio.br/endocrino/endocrino1.asp http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp#neuroglia http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp#neuroglia FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 71 Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo e o citoplasma), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos, que podem ser subdivididos em dendritos e axônios. Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como receptores de estímulos, funcionando, portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axônios são prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. Os axônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. Todos os axônios têm um início(cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e um fim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra em contato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso) para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célula adjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiões terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares. Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal. I – DIVISÃO ANATÔMICA BÁSICA DO SISTEMA NERVOSO Anatomicamente, o sistema nervoso divide-se em 2 porções principais: sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é composto pelo encéfalo (conjunto de estruturas nervosas que fica dentro da caixa craniana) e pela medula espinhal (tronco de tecido nervoso que passa por dentro do canal vertebral). O SNP é composto por gânglios e pelos nervos cranianos, nervos espinhais e nervos periféricos. 1. Sistema Nervoso Central (SNC): é formado pelo encéfalo e medula espinhal. É responsável por receber e processar os estímulos recebidos do corpo e do ambiente, e elaborar respostas a esses estímulos. O SNC é revestido por serosas chamadas de meninges. As meninges são três: Dura-máter: camada externa e espessa, uma parte sua adere à parte interna da caixa craniana. O espaço que fica entre o crânio e a dura-máter é chamado de espaço epidural ou extradural. Aracnóide: camada média fica abaixo da dura-máter e é formada por uma rede de fibras, tendo o aspecto de teia de aranha. O espaço que fica entre a dura- máter e a aracnóide é chamado de espaço subdural. Pia máter: camada interna e fina fica abaixo da aracnóide e adere intimamente ao encéfalo e à medula espinhal. O espaço que fica entre a aracnóide e o tecido nervoso é chamado de espaço subaracnóideo. Nesse espaço, circula o líquor ou líquido cefalorraquidiano que amortece os choques e equilibra as pressões dentro do crânio. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 72 2. Sistema Nervoso Periférico (SNP): é formado por gânglios e pelos nervos cranianos, nervos espinhais e nervos periféricos. É responsável por conduzir os estímulos do corpo ao SNC e do SNC para o corpo. II – SISTEMA NERVOSO CENTRAL – ENCÉFALO E MEDULA ESPINHAL 1. Cérebro ou Telencéfalo: é uma estrutura arredondada que ocupa a maior parte da caixa craniana. Divide-se em duas metades chamadas de hemisférios cerebrais direito e esquerdo. Cada hemisfério cerebral é formado por uma parte medular (parte interna formada por substância branca) e pelo córtex (parte externa formada por substância cinzenta). O hemisfério direito está unido ao hemisfério esquerdo pelo corpo caloso (feixe de substância branca). O córtex cerebral apresenta vários sulcos que o divide em partes chamadas lobos. Cada hemisfério cerebral controla as funções do lado oposto do corpo e é formado pelos seguintes lobos: Lobo frontal: é a parte anterior. Controla a fala, o movimento voluntário, o comportamento e a memória. Lobo parietal: é a parte lateral superior. Responsável pela sensibilidade geral. Lobo temporal: é a parte lateral inferior. Controla a audição, a linguagem e a memória. Lobo occipital: é a parte posterior. Controla a visão. - A substância cinzenta é formada por corpos de neurônios. Já a substância branca é formada pelos axônios dos neurônios e possui essa coloração devido à bainha de mielina que reveste cada axônio. - O hemisfério cerebral direito é responsável pela criatividade, enquanto que o esquerdo é responsável pelo raciocínio lógico. Na parte central da base do cérebro estão situados os gânglios da base. A função desses gânglios é a realização automática e inconsciente de atos motores elaborados e também participação nos reflexos. 2. Diencéfalo: estrutura que se situa entre os hemisférios cerebrais. Suas partes mais importantes são: Tálamos: são duas massas de substância cinzenta que se situam uma de cada lado do 3º ventrículo. Sua função é integrar todos os estímulos da sensibilidade, inclusive os dolorosos e transmiti-los ao córtex cerebral, tornando-os conscientes. Hipotálamo: situa-se abaixo do tálamo e acima da hipófise. Suas funções principais são: regular a temperatura corporal, a sede e a fome, estimular a hipófise a secretar seus hormônios, regulação das emoções e do sistema nervoso autônomo. FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 73 3. Tronco Encefálico: é formado pelo mesencéfalo, ponte e bulbo. No tronco encefálico, também estão à maioria dos núcleos que dão origem aos nervos cranianos. Mesencéfalo: situa-se abaixo dos tálamos. É a parte superior do tronco encefálico. Ponte: situa-se entre o mesencéfalo e o bulbo. Na sua parte posterior, comunica-se com o cerebelo. - Funções: o mesencéfalo e a ponte atuam nos reflexos e integram os estímulos que vêm de todo o corpo, transmitindo-os para o cérebro. Bulbo: situa-se abaixo da ponte e começa no nível da articulação atlanto- occipital. No bulbo, as fibras motoras que vem de cada lado do cérebro cruzam para o lado oposto. Assim, o hemisfério direito controla o lado esquerdo do corpo e o hemisfério esquerdo controla o lado direito. - Funções: controle da respiração e da função cardiocirculatória. 4. Cerebelo: é um órgão que se situa abaixo do lobo occipital do cérebro e atrás do tronco encefálico. Possui dois hemisférios laterais (um direito e um esquerdo) e um lobo médio chamado de vérmis. O cerebelo comunica-se com o tronco encefálico e com o cérebro atuando de forma integrada com eles. - Funções: coordenação motora, manutenção do tônus muscular e do equilíbrio corporal. 5. Medula Espinhal: é a continuação do bulbo. É um tronco de tecido nervoso que se situa dentro do canal vertebral. É formada por uma substância branca (parte externa) e por uma substância cinzenta em forma de letra H (parte interna). Da parte anterior da medula saem às raízes motoras, e da parte posterior da medula saem às raízes sensitivas. - Funções: ligar o encéfalo ao corpo, conduzindo estímulos de um para o outro, e ser responsável pelo arco-reflexo (realização de movimento automático e inconsciente). FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 74 FORTES ESCOLA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE MÓDULO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA 75 III – SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixes chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP). IV – DIVISÃO FUNCIONAL DO SISTEMA NERVOSO 1. Sistema Nervoso Somático ou de vida de relação (SNS): controla as funções conscientes e voluntárias (funções somáticas). 2. Sistema Nervoso Autônomo ou de vida vegetativa (SNA): controla as funções inconscientes e involuntárias da musculatura lisa das vísceras, do coração e das glândulas (funções viscerais). É formado por gânglios (massas de corpos de neurônios), fibras pré-ganglionares (entram nos gânglios) e fibras pós-ganglionares (saem dos gânglios). Os gânglios situam-se ao longo da coluna vertebral, nas cavidades torácica e abdominal próximos aos órgãos que elesinervam. O SNA divide- se em simpático e parassimpático a) Simpático: quando as fibras pré-ganglionares chegam a um gânglio simpático, elas provocam a liberação de um neurotransmissor chamado adrenalina. A adrenalina faz com que o impulso nervoso saia do gânglio pelas fibras pós- ganglionares e estimulam as vísceras inervadas por aquele gânglio. b) Parassimpático: quando as fibras pré-ganglionares chegam a um gânglio parassimpático, elas provocam a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina. A acetilcolina faz com que o impulso nervoso saia do gânglio pelas fibras pós-ganglionares e estimulem as vísceras inervadas por aquele gânglio. O sistema simpático e o parassimpático têm funções opostas mantendo o equilíbrio das funções vitais. As principais funções desses dois sistemas estão descritas abaixo: Sistema Nervoso Autônomo Simpático Parassimpático Neurotransmissor responsável Adrenalina Acetilcolina Pupilas Dilatação (midríase) Contração (miose) Coração Aceleração (taquicardia) Retardo (bradicardia) Vasos Sanguíneos Contração (vasoconstricção) Relaxa (vasodilatação) Brônquios Relaxamento (broncodilatação) Contração (broncoconstricção) Estômago Relaxamento Contração Intestino Relaxamento Contração Bexiga Relaxamento Contração Útero Relaxamento Contração Pênis Relaxamento Provoca ereção