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1 Curso: Farmácia Professor: Dr. Romulo Charles Nascimento Leite Campina Grande – Paraíba 2024.1 Disciplina: Físico Química Aula 01: Unidade 01 2 Dispersões: Soluções, Coloides e Suspensões As dispersões são formulações onde ocorre a união entre duas ou mais espécies químicas, permitindo que uma das substâncias acabe por se distribuir no interior da outra. Podem estar em qualquer dos estados físicos (sólido, líquido ou gasoso). 1 2 2 3 Dispersões Líquidas Refrigerante: uma solução formada por água e diversos outros componentes como açúcar, corante, acidulantes (como o ácido fosfórico), extratos vegetais, aroma artificial, entre outros. Vinho: uma suspensão, pois podem ser encontradas diversas partículas suspensas em seu interior. 4 Dispersões: Soluções, Coloides e Suspensões O tipo de dispersão depende do tamanho e tipo de partícula da fase dispersa e, por conta dessa diferença, poderá dar origem a diferentes formas farmacêuticas fluídicas. 3 4 3 5 Dispersões: Soluções, Coloides e Suspensões Toda dispersão pode ser caracterizada como formada por duas fases: a fase dispersa e a fase dispersante. A fase dispersa: Componente em MENOR proporção, se dispersando no meio. A fase dispersante: Componente em MAIOR proporção, que será a responsável por promover a dispersão dos demais componentes em uma mistura. 6 Dispersões: Soluções, Coloides e Suspensões 5 6 4 7 Misturas: quando 2 ou mais componentes entram em contato uns com os outros, mantendo suas propriedades químicas. Misturas Heterogêneas: Quando podemos identificar os componentes de uma mistura. Os componentes se apresentam em fases distintas. Ex: Água + óleo vegetal. As misturas estão divididas em: Misturas Homogêneas: Quando não é possível identificar os componentes de uma mistura. Os componentes estão na mesma fases. Ex: Água + sal. Misturas Homogêneas Também são Chamadas de Soluções Misturas 8 ■ Solução: mistura homogênea (soluto + solvente). ■ Soluto: componente em menor quantidade. É dissolvido pelo solvente. ■ Solvente: componente em maior quantidade. Dissolvi o soluto. Aquosas: O solvente é água; Geralmente o Solvente Determina o Estado da Solução As soluções estão divididas em: Não Aquosas: O solvente é composto orgânico; Soluções Líquidas Soluções GasosasSoluções Sólidas Soluções 7 8 5 9 SOLUÇÕES são misturas homogêneas de duas ou mais substâncias. SOLUÇÃO = SOLUTO + SOLVENTE menor proporção em geral H2O Exemplos: açúcar em água, ar, ligas metálicas,... Soluções 10 Soluções Verdadeiras As soluções são sistemas homogêneos (ou mistura homogênea) compostos de um ou mais solutos e pelo solvente. 9 10 6 11 Soluções Verdadeiras 12 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade Cada substância ou solução tem sua própria curva de solubilidade, pois esta é dependente, além da temperatura e da polaridade, do tipo de soluto e solvente. 11 12 7 13 Soluções Verdadeiras 14 Soluções Verdadeiras: Solubilidade 13 14 8 15 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade Existem curvas de solubilidade do tipo ascendente, nas quais a solubilidade é aumentada quando há elevação da temperatura e, em contrapartida, as curvas do tipo descendente, em que a solubilidade diminui conforme aumenta a temperatura. 16 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade A curva de solubilidade está intimamente relacionada com a saturação de uma solução. Vejamos: • Solução saturada com corpo de fundo ou supersaturada: nessa solução, a quantidade de soluto está em excesso, portanto não se dissolve totalmente e, sendo assim, por efeito gravitacional, deposita-se no fundo do recipiente. Os pontos de solubilidade estarão acima da curva. • Solução saturada: essa solução possui a quantidade máxima de soluto que pode dissolver e, portanto, se ultrapassar tal quantidade haverá corpo de fundo. Os pontos estarão na curva. • Solução insaturada: nesse caso, a solução ainda não possui a quantidade máxima de soluto que consegue dissolver, ou seja, está abaixo da quantidade determinada de saturação. Os pontos aparecerão abaixo da curva. 15 16 9 17 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade A apresentará maior solubilidade quanto maior for a temperatura em que ela for encontrada. Se observarmos a figura, poderemos tomar alguns valores de coeficiente de solubilidade (CS): Para a T = 20 ºC, CS = 200 g em cada 100 g de água. Para a T = 80 ºC, CS = 350 g por 100 g de água. 18 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade O que podemos concluir diante desse cenário? Bem, teremos algumas condições que deverão interessar em processos de preparo de formulações farmacêuticas ou em situações de rotina laboratorial. Vejamos: • O aquecimento de uma solução aquosa de sacarose sempre a deixará com menor risco de formação de cristais como corpo de fundo. Isto, portanto, poderá garantir uma melhor condição para o preparo de formulações como xaropes. • O resfriamento de uma solução aquosa de sacarose poderá facilitar a cristalização do soluto e, portanto, ser uma condição interessante para um processo de separação física deste soluto. 17 18 10 19 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade Vejamos agora uma solução salina (cloreto de sódio em água). Caso em uma condição de temperatura ambiente, a saturação dessa solução se dá diante da presença de 35,7 g de NaCl (cloreto de sódio) para cada 100 g de água. Para 1 L de água, portanto, seriam necessárias 357 g de NaCl para que se atinja a condição de saturação. 20 Soluções Verdadeiras: Curva de Solubilidade 19 20 11 21 Soluções Verdadeiras: Comportamento Endotérmico e Exotérmico Soluções supersaturadas poderão ter todo o seu conteúdo de corpo de fundo dissolvido diante de alterações de temperatura. Para a grande maioria dos solutos presentes em solução, o comportamento termoquímico esperado é o de endotermia, ou seja, o aumento de T tenderá a aumentar a solubilidade do sal em um dado solvente (exemplo: água). 22 Soluções Verdadeiras: Comportamento Endotérmico e Exotérmico Entretanto, existem casos específicos de comportamento exotérmico em que o aumento da T tende a diminuir a solubilidade do soluto em um dado solvente. 21 22 12 23 Soluções Verdadeiras: Comportamento Endotérmico e Exotérmico Enquanto alguns compostos é um sal com perfil endotérmico de solubilidade (curva de solubilidade ascendente), onde a T tenderá a favorecer sua dissolução, o mesmo resultado não é esperado para outros compostos quando na presença de água, um perfil exotérmico (curva de solubilidade descendente), onde o aumento da T irá diminuir a solubilidade dessa substância. 24 Soluções Verdadeiras: Solubilidade de Sais Hidratados Alguns sais apresentam em sua constituição um determinado nº de moléculas de água agregadas, denominadas águas de cristalização. Exemplo: o cloreto de cálcio hexa- hidratado (CaCl2.6H2O), que, quando dissolvido em água, sofre uma alteração no nº de moléculas de água de cristalização, à medida que aumenta a T. Isso acarreta uma alteração na sua solubilidade, ocasionando a formação de pontos de inflexão na sua CS. A análise dessa condição deve ser vista pelo responsável pela preparação da solução, pois poderá ocasionar variação na condição físico- química da solução resultante. 23 24 13 25 Soluções Verdadeiras: Constante de solubilidade (Ks) Trata-se do parâmetro que permite avaliar a solubilidade de um determinado sal em um solvente apropriado. A Ks apresenta o nível de saturação para a solubilidade de uma substância por 100 gramas de solvente (grama de soluto por 100 g de solvente). Em casos onde se deseja avaliar a solubilidade da substância em água, a constante de solubilidade pode ser interpretada como sendo a quantidade de soluto que satura 100 mililitros de água (considera-se, nesse caso, a densidade da água em seu valor arredondado para 1 g.mL-1). Como exemplo de umaaplicação do conceito de solubilidade e da utilização da curva de solubilidade tem-se a seguinte situação: 26 Interatividade Um analista químico deverá preparar uma solução aquosa de nitrato de potássio (KNO3) na temperatura de 70 ºC. A seguir, tem-se a curva de solubilidade do KNO3em água: Caso esta solução seja preparada a partir da adição de 2,0 g de sal em 50 mLde água, a mesma poderá ser classificada como? 25 26 14 27 Resposta Para uma temperatura de 70 ºC é necessário encontrar a Ks correspondente por meio da análise de sua curva de solubilidade: De acordo com a curva de solubilidade do nitrato de potássio, a Ks para uma T de 70 ºC corresponde a 3,0 g/100 gH2O. Para encontrar a massa de sal que saturaria a solução, é necessário o seguinte cálculo: Sabendo-se que uma solução saturada somente seria obtida com uma massa de 1,50 gramas para a solução preparada (contendo 2,0 g) se obterá um sistema insaturado. 28 Soluções: Produto de Solubilidade 27 28 15 29 Soluções: Produto de Solubilidade 30 Soluções: Produto de Solubilidade 29 30 16 31 Preparo de Soluções 32 Concentração das Soluções: Concentração comum (g.L-1) Um técnico de laboratório deverá preparar uma solução de NaOH (hidróxido de sódio) para realizar uma análise volumétrica. Para tanto, é sabido que o volume total necessário para ser utilizado na análise corresponde a 450 mililitros e que a solução, de acordo com o método, deverá estar na concentração de 2,5 g/L. Qual a massa de NaOH deve ser pesada? 31 32 17 33 Concentração das Soluções: Molaridade (mol.L-1) 34 Concentração das Soluções: Fração Molar (X) Por meio do cálculo da fração molar (X), podemos obter a quantidade de determinado soluto, em mols, em uma determinada solução que contenha diversos solutos diferentes, ou seja, a contribuição em mols que um soluto tem numa solução. Vejamos a fórmula a seguir: 33 34 18 35 Concentração das Soluções: Fração Molar (X) 36 Concentração das Soluções: Molalidade (W) (mol.Kg-1) A molalidade (W) ou concentração molal utiliza o nº de mols do soluto. Ela relaciona o número de mols de um soluto por quilogramas de um solvente – aliás, é uma exceção, pois grande parte das unidades de concentração utiliza a massa ou volume da solução: É possível utilizar uma fórmula de cálculo de molalidade levando em conta, diretamente, a massa de soluto: 35 36 19 37 Concentração das Soluções: Molalidade (W) (mol.Kg-1) 38 Concentração das Soluções: Título O título (τ) é também conhecido como relação em massa, isso porque essa unidade de concentração determina o quanto há de um determinado soluto por unidade de massa de uma solução. Pelo fato de se tratar de uma relação de massas, o título é considerado um número adimensional e, portanto, não apresenta unidade de medida. Essa relação em título poderá ser convertida para um determinado volume de solução desde que se saiba qual o valor da densidade final resultante após o preparo. Podemos calcular o título pela seguinte fórmula: 37 38 20 39 Concentração das Soluções: Título Resolução Como essa solução é formada por dois solutos diferentes (glicose e cloreto de sódio), serão calculados os valores do título de cada um desses solutos. Para tanto: = 40 Concentração das Soluções: Título Resolução Como essa solução é formada por dois solutos diferentes (glicose e cloreto de sódio), serão calculados os valores do título de cada um desses solutos. Para tanto: = 39 40 21 41 Soluções Coloidais • As soluções apresentam como principal característica o fato de se tratar de uma dispersão homogênea, isto é, uma dispersão onde o soluto se dissolve no solvente e se agrega a ele. • As soluções e suspensões são casos de dispersão utilizados na área farmacêutica. • São exemplos desse tipo de dispersão as misturas, em geral líquidas, que avisam no rótulo “agite antes de usar”, o que deve ser feito para que você use a substância na concentração correta e, assim, não ocorram alterações no sabor e na textura e nem mesmo atividade farmacológica, como é o caso dos sucos industrializados e de muitos antibióticos líquidos. 42 Soluções Coloidais • Além das soluções e suspensões, existe um terceiro caso de dispersão bastante utilizado na área farmacêutica: o das substâncias que possuem fase dispersa (componentes de menor concentração) com partículas de tamanho entre 1 e 1.000 nanômetros. • Essas formulações precisam ter suas propriedades físico-químicas analisadas de forma distinta em relação às soluções e suspensões, pois não se encaixam nas características de solução nem de suspensão. • A essas dispersões dá-se o nome de coloides ou soluções coloidais. A denominação coloide pode se referir apenas à partícula coloidal ou ao sistema coloidal como um todo. • Esse sistema disperso nada mais é do que partículas pequenas de um material dispersas em outro e que, diferentemente da suspensão, não precipitam pela ação da gravidade. Consistem em um soluto, que aqui recebe o nome de partículas coloidais ou fase dispersa, o qual é disperso num solvente, que pode ser chamado de meio coloidal, meio disperso ou fase contínua. • O meio de dispersão pode ser sólido, líquido ou gasoso. 41 42 22 43 Soluções Coloidais 44 Coloides 43 44 23 45 Coloides Coloides: Sol São coloides formados quando há a dispersão de um sólido em um meio líquido. Ex: colas e tintas. Há também o sol sólido, em que um composto sólido está disperso num dispersante também sólido. Ex: A maioria das pedras preciosas e os vidros. 46 45 46 24 47 Coloides: Aerossol O meio de dispersão (fase contínua) é um gás, enquanto a fase dispersa pode se encontrar como sólido ou fluido. Temos como exemplos: • fumaça (partículas líquidas ou sólidas dispersas num gás/ar); • desodorantes e purificadores de ar em spray (partículas líquidas num gás comprimido); • neblina (líquido disperso num gás). Em uma estrada, é possível visualizar as partículas líquidas através da luz dos faróis acesos de um carro ao iluminar a neblina (Efeito Tyndall). 48 Coloides: Espuma 47 48 25 49 Coloides: Gel 50 Coloides: Emulsão 49 50 26 51 Classificação e propriedades dos colóides Coloides liofílicos Os colóides liofílicos são substâncias em que os componentes da fase dispersa apresentam afinidade pelo componente da fase contínua (dispersante) e, sendo assim, sua dispersão no meio é espontânea. ● Caso o dispersante seja a água, são denominados colóides hidrófilos. ● Essas partículas coloidais se dispersam com mais facilidade, pois, geralmente, possuem certa semelhança química com o meio de dispersão (fase contínua). ● Por exemplo: ambas possuem em suas moléculas grupos hidroxila (-OH), o qual forma ligações entre os hidrogênios. 52 Classificação e propriedades dos colóides Coloides liofílicos Os colóides liofílicos são substâncias em que os componentes da fase dispersa apresentam afinidade pelo componente da fase contínua (dispersante) e, sendo assim, sua dispersão no meio é espontânea. ● Caso o dispersante seja a água, são denominados colóides hidrófilos. ● Essas partículas coloidais se dispersam com mais facilidade, pois, geralmente, possuem certa semelhança química com o meio de dispersão (fase contínua). ● Por exemplo: ambas possuem em suas moléculas grupos hidroxila (-OH), o qual forma ligações entre os hidrogênios. 51 52 27 53 Coloides Classificação e propriedades dos colóides Os sóis – coloides sólidos dispersos num meio líquido – que não têm a capacidade de se dispersar nesse meio, espontaneamente, são considerados liofóbicos, isto é, possuem aversão ao líquido ao qual serão misturados. 54 Micelas ● Em um meio de dispersão aquoso, as moléculas de um soluto ou os íons de um agente surfactante podem se unir e formar aglomerados que recebem o nome de micelas. ● Trata-se de grupos de moléculas que possuem o tamanho de uma partícula coloidal, na qual as“caudas” hidrofóbicas (parte da molécula que repele a água) das moléculas que formam a micela terão a tendência de se unir umas às outras, formando uma área dentro da micela totalmente repelente à água, ● enquanto as “cabeças” das moléculas, que são hidrofílicas (possuem afinidade pela água), formarão uma película que separará o meio interno da micela do meio externo, o qual é o meio de dispersão aquoso. ● Esse fenômeno permitirá, por exemplo, que partículas de óleo fiquem dispersas em água, pois, mesmo sendo insolúveis nela, estão envoltas e protegidas por uma “película” que tem afinidade pelo meio aquoso. 53 54 28 55 Micelas ● Para solubilizar a água em solventes apolares – que, pelo fato de a água ser polar, são totalmente hidrofóbicos –, formam-se as micelas reversas. ● Nesse caso, as cabeças polares das moléculas unem-se voltadas para o interior da micela, enquanto as caudas hidrofóbicas interagem com o meio externo e, assim, permitem a dispersão da água num solvente orgânico, pois levam a água retida no interior da micela. 56 Micelas ● Em geral, as moléculas de sabão formam micelas para remover a gordura e, assim, realizam uma limpeza mais eficiente quando comparada à água pura. Isso acontece porque a água não se mistura com óleo ou gordura; então, para facilitar processos de limpeza, o sabão torna-se um grande aliado, pois forma micelas que envolvem as partículas de gordura e, assim, conseguem dispersá-las na água e então removê-las mais facilmente. ● As micelas formadas nesse processo possuem a parte polar (ou hidrofílica) em sua parte externa, ou seja, na parte que fica em contato com a água, e, portanto, conseguem caminhar livremente pelo solvente. Enquanto a parte interna da micela é apolar (lipofílica) e nesse local a gordura entrará por afinidade e ficará aprisionada, podendo então percorrer o solvente aquoso junto com a micela. 55 56 29 57 Interatividade 58 Revisão: Formas Farmacêuticas 57 58 30 59 Revisão: Formas Farmacêuticas 60 Solubilidade de Medicamentos ● e a influência que o pH terá sobre a solubilidade desta molécula no dispersante empregado. 59 60 31 61 Solubilidade de Medicamentos ● Existem vários fatores, portanto, que poderão ser considerados como responsáveis pela manutenção da solubilidade ou que poderão causar a precipitação de componentes da formulação. ● Em primeiro lugar, é importante observar que todo medicamento deverá estar disperso molecularmente em caso de utilização e sob qualquer forma que ele se apresente para sua administração no corpo. ● Portanto, a solubilização do medicamento precisa ser considerada um fator preliminar ao da absorção através das membranas biológicas. ● Mesmo assim, fatores poderão ocasionar a precipitação do medicamento no estômago ou no sangue e, nestes casos, deverá ocorrer uma redissolução antes da absorção. 62 REVISÃO: Propriedades Farmacocinéticas 61 62 32 63 Solubilidade de Medicamentos 64 Solubilidade de Medicamentos ● O equilíbrio de solubilidade de um medicamento em um dado meio apresenta grande interesse farmacêutico, pois acabará por determinar a velocidade de dissolução. ● Entende-se, portanto, que tal velocidade de dissolução será vista como aquela na qual o medicamento em seu estado sólido será dissolvido. ● Assim, quanto maior for a solubilidade, maior tenderá a ser a sua velocidade de dissolução para casos que não envolvam reações químicas. ● Somente o fármaco dissolvido nos líquidos do trato gastrintestinal pode ser absorvido, o que requer determinada hidrossolubilidade. ● Entretanto, o fármaco deve apresentar também certa lipossolubilidade para atravessar as membranas biológicas que são de natureza lipoprotéica. 63 64 33 65 Solubilidade x estrutura química Se um fármaco é muito lipofílico, pode: Ser insolúvel em meio aquoso (p.e. fluido gastrointestinal ou plasma). Se ligar muito fortemente às proteínas plasmáticas e assim a concentração plasmática de fármaco livre diminui, o que pode reduzir potência/eficácia. Distribuir para bicamadas lipídicas e ser incapaz de alcançar o meio intracelular. Se o fármaco for muito polar, pode não ser absorvido na parede intestinal devido à falta de solubilidade na membrana. 66 O efeito hidrofóbico 65 66 34 67 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 68 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos Está relacionada a processos envolvidos na dissolução do cristal. Portanto: • molécula do soluto será removida do cristal; • será criada uma cavidade no solvente para esta molécula; • a molécula do soluto será inserida na cavidade recém-formada. Para a inserção da molécula nesta cavidade, entretanto, uma série de contatos solutos-solvente necessitarão estar presentes. Além disso, deve ser levada em consideração a tensão interfacial entre o soluto e o solvente. 67 68 35 69 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● A maioria dos fármacos deve ser analisada como moléculas polares e eletrólitos orgânicos fracos e, portanto, as interações entre soluto e solvente deverão ser avaliadas, separadamente, a partir das interações envolvidas nas partes não polar e polar da molécula. ● Quanto maior for a área de superfície molecular da região hidrofílica em comparação à área de superfície molecular da região hidrofóbica, maior será a solubilidade aquosa. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● A forma dos grupos polares e apolares presentes na molécula irá interferir na solubilidade. ● Destes, podemos destacar a influência que as ramificações na cadeia com grupos hidrofóbicos terão sobre a solubilidade aquosa do medicamento. 70 69 70 36 71 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Através dos exemplos apresentados nas tabelas anteriores é possível concluir que a presença e posição de grupos polares e ramificações terá substancial importância na avaliação da solubilidade do medicamento e em seu ponto de ebulição, mesmo não tendo promovido grande alteração na área de superfície. 72 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 71 72 37 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos A influência de substituintes na solubilidade da água se deve aos diversos efeitos que estes terão em relação às propriedades do soluto, notadamente, sobre a coesão molecular. Também terão interferência sobre os efeitos de interação entre as moléculas do medicamento e aquelas de água. 73 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Como observado, a posição do substituinte na molécula pode influenciar o efeito. ● A possibilidade de ocorrerem interações intramoleculares do tipo ligações de hidrogênio irá, portanto, implicar na solubilidade em água para o medicamento. 74 73 74 38 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 75 ● No evento de análise da substituição do hidrogênio (-H) por grupos de maior hidrofilicidade na estrutura da acetanilida, é possível constatar um aumento na formação de ligações de hidrogênio com as moléculas de água e, com isso, alteração na solubilidade. ● Da mesma forma, caso se promova a substituição por um grupo que tenda à menor formação de ligações de hidrogênio, ela resultará em redução no valor da solubilidade em água. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Hidratação e solvatação podem ser definidas como formas pela qual a molécula de soluto irá interagir com a molécula de água durante o processo de dissolução. ● Ambas serão cruciais para a afinidade que existirá entre o soluto e o solvente e, portanto, com a eficácia do processo de dissolução do medicamento. ● Grupos iônicos e eletrólitos apresentam uma interação extremamente forte com água. ● Entretanto, até mesmo os grupos não polares serão responsáveis por modificações na estrutura da água durante a dissolução. 76 75 76 39 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos● Solvatação é o termo que descreve o processo de ligação do solvente à molécula do soluto. ● Quando o solvente é a molécula de água, este processo pode ser chamado de hidratação. ● A hidratação será distinta mesmo quando moléculas apresentarem estruturas químicas muito próximas entre si. ● Esta diferença se dará por conta da posição do substituinte hidrofílico, por exemplo, -OH. ● Quando os substituintes hidrofílicos se encontram distribuídos igualitariamente na estrutura da molécula existirá maior tendência à hidratação na presença de água. ● Tais grupos hidrofílicos terão compatibilidade superior com a água quando posicionados de maneira equatorial na estrutura da molécula do medicamento. 77 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 78 77 78 40 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 79 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Os íons apresentam grande efeito sobre a solubilidade de outras espécies químicas. ● Isso se deve ao fato de os cátions terem uma forte interação com as moléculas de água, gerando uma forte orientação delas no meio onde estarão dispersas. ● Assim, tais interações poderão promover a retenção de camadas de moléculas de água nos cristais do medicamento. ● Todos os íons presentes no meio terão, portanto, uma camada vizinha de moléculas H2O extremamente ligadas (bastante orientadas pelo íon) e uma camada de água intermediária menos organizada do que a água considerada pura. ● Isto ocorrerá especialmente na presença de íons chamados de destruidores de estruturas (metais alcalinos e haletos, com exceção de Li+ e F-). 80 79 80 41 Revisão 81 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Considerando os fármacos como eletrólitos orgânicos, sua solubilidade será influenciada por fatores como grau de ionização, tamanho molecular, interação de grupos substituintes e propriedades do cristal. ● Para moléculas ácidas (como barbitúricos, AINEs – anti-inflamatórios não esteroidais etc.) a solubilidade será menor em meio ácido. ● Isto se dá, pois as formas não dissociadas serão predominantes e elas não poderão interagir no meio aquoso com a mesma intensidade que as formas dissociadas. 82 81 82 42 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 83 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Para fármacos de caráter básico, como a ranitidina, a solubilidade tenderá a ser maior em meio ácido, pois nesta condição a forma dissociada será predominante em comparação com a não dissociada. 84 83 84 43 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Considere a forma dissociada como aquela na qual se terá a ionização parcial da molécula do medicamento. ● Ela estará sempre em equilíbrio no meio aquoso com a chamada forma não dissociada, que seria a molécula que não sofreu ionização parcial. 85 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● Diversos medicamentos apresentam característica anfotérica e, portanto, acabam demonstrando aspectos ácidos e básicos. ● São exemplos de medicamentos desse tipo: sulfonamidas e tetraciclinas. Eles possuem o equilíbrio de um composto anfotérico: 86 ● Em cada dissociação parcial teremos uma constante de equilíbrio (Ka1 e Ka2) que estará relacionada a condições distintas de pH. Nesta situação, o zwitterion será a forma de menor solubilidade. 85 86 44 87 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 88 87 88 45 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 89 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 90 ● A solubilidade da substância em meio aquoso pode ser fortemente dependente da sua forma salina. ● Assim, enquanto para suspensões tende-se à escolha da forma insolúvel, para formulações injetáveis deve-se optar por aspectos mais solúveis e que, possivelmente, só serão obtidas a partir do uso de contraíons hidrofílicos. ● Um contraíon é o íon que acompanha uma espécie iônica de maneira a manter a neutralidade elétrica. ● Para a escolha da forma salina, deverão ser avaliados efeitos relacionados ao íon presente no meio no qual se dê a dissociação ou absorção do medicamento. ● Como exemplo, temos o efeito de íon comum que poderá ocorrer no estômago, onde se tem elevada concentração de íons cloretos (Cl-). 89 90 46 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 91 ● Para a tetraciclina, sua forma salina será mais solúvel do que a básica do medicamento. ● Apesar de existir maior tendência de solubilização da condição salina dos medicamentos, o pH poderá ser um fator complicador para este efeito. Mantendo-se o exemplo citado da tetraciclina e do cloreto de tetraciclina, caso se avalie a variação do pH, o cloreto de tetraciclina só apresentará solubilidade maior que a forma básica para condições de pH a partir de 2,1. Em valores de pH inferiores, o aspecto básico tenderá a apresentar maior solubilidade, possivelmente, por diferença na cristalinidade observada nesta condição extrema de pH. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 92 ● Existe uma correlação entre solubilidade em água e índices de atividade biológica para uma molécula. ● A solubilidade da molécula de princípio ativo em meio aquoso será inversamente proporcional à sua solubilidade em fases lipídicas biológicas. ● Esta relação implica na verificação de uma forte relação entre a atividade farmacodinâmica e a solubilidade deste princípio ativo. 91 92 47 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 93 ● Outro aspecto importante relacionado à solubilidade do princípio ativo está em seu comportamento farmacocinético no qual moléculas com solubilidade aquosa muito baixa tenderão a se dissolver lentamente no trato gastrointestinal. ● Por conta disso, em muitos casos de medicamentos, a velocidade de dissolução acaba sendo considerada como o fator limitante na fase absortiva da ação deste princípio ativo. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 94 93 94 48 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 95 ● Princípios ativos como digoxina, clorpropamida, indometacina, griseofulvina e esteroides apresentam baixa solubilidade em água e, portanto, podem ter variações em suas propriedades físico-químicas, promovendo também variações nas propriedades biológicas. Diabinese® (clorpropamida) está indicado para uso em associação com uma dieta e exercícios para melhorar o controle da glicemia em adultos com diabetes tipo 2. Indometacina (indometacina) tem se mostrado eficaz no alívio da dor, na redução da febre, do edema, da hiperemia e da hiperestesia da artrite gotosa aguda. Griseofulvina é um antifúngico, que age impedindo a proliferação dos fungos, auxiliando no tratamento de micoses Os esteroides são hormônios produzidos pelo córtex da suprarrenal ou pelas gônadas, sendo responsáveis por diversas funções nos organismos, incluindo controle metabólico e características sexuais. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 96 ● Como exemplo temos o fato de que a toxicidade de alguns fármacos poderá ser fortemente dependente da solubilidade das suas diferentes formas. ● Tais casos ficam ainda mais evidentes em situações comprovadas de polimorfismo para um mesmo tipo de fármaco. 95 96 49 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 97 ● A solubilidade em água pode ainda ser considerada com um guia rápido para avaliar a capacidade de absorção de um fármaco. ● Assim, exemplos como o da digoxina (fármaco utilizado no tratamento de problemas cardíacos e que pertence à classe dos glicosídeos cardiotônicos) poderão ter a forma mais lipossolúvel (e, portanto, com menor solubilidade em água) considerada como a de melhor absorção. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 98 ● O estudo da partição permite discutir a respeito da capacidade de uma molécula orgânica estar presente em duas fases de característicasfísico-químicas distintas. ● Assim, por exemplo, mostra-se possível avaliar a interação desta molécula em meio aquoso (como o sangue) ou em um meio lipídico (como uma biomembrana). ● Diversos processos físico-químicos e biológicos irão depender da mobilidade de uma molécula de uma fase para outra e deve-se levar em conta que as moléculas ativas presentes em uma formulação com mais de uma fase (exemplo: coloides) ou que já estejam presentes no nosso corpo irão migrar de um período para outro com maior ou menor intensidade e proporção de acordo com sua concentração relativa (potencial químico) e de sua afinidade por cada fase. 97 98 50 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos 99 ● Partição é o nome dado para o movimento das moléculas de uma etapa à outra. Como exemplos, temos: ● Partição entre fases aquosas e biofases lipídicas. ● Moléculas com ação de preservação e que estejam presentes em emulsões. Portanto, partição entre fase aquosa e oleosa em um medicamento. ● Partição de antibióticos para o interior de micro-organismos. ● A partição ocorre por conta da capacidade de um soluto ser solúvel em duas fases distintas e terá início a partir do momento que as duas etapas forem colocadas em contato. Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● A distribuição deste soluto (princípio ativo) se dará de forma a atingir-se um equilíbrio e, portanto, nunca ocorrerá a transferência total de um período a outro. ● Ao atingir o equilíbrio na partição, o potencial químico deste soluto será igual para as fases em contato. 100 O octanol é usado como a fase não aquosa (ou lipídica) para se obter dados de partição, quando se compara a lipofilicidade de moléculas. 99 100 51 Fatores que interferem na solubilidade dos medicamentos ● O local de ação de muitas espécies biologicamente ativas é um componente lipídico, tal como a membrana celular. ● Daí, existirá uma forte correlação entre o valor do coeficiente de partição e a atividade biológica. ● O valor de P ou do Log P é, principalmente, encontrado em compostos intimamente relacionados e onde a influência de grupos substituintes na estrutura destas moléculas pode ser examinada. 101 102 Massa Molar x Polaridade 101 102 52 103 Interatividade 104 Bibliografia 103 104 53 Campina Grande – Paraíba 2024.1 romulocharlescorretor@gmail.com romulocharles_corretor https://romulocharlescorretor.com.br/ 105 Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69 Slide 70 Slide 71 Slide 72 Slide 73 Slide 74 Slide 75 Slide 76 Slide 77 Slide 78 Slide 79 Slide 80 Slide 81 Slide 82 Slide 83 Slide 84 Slide 85 Slide 86 Slide 87 Slide 88 Slide 89 Slide 90 Slide 91 Slide 92 Slide 93 Slide 94 Slide 95 Slide 96 Slide 97 Slide 98 Slide 99 Slide 100 Slide 101 Slide 102 Slide 103 Slide 104 Slide 105