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APOSTILA TRIBUTÁRIO

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Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
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QUADRO SINÓTICO 
 
4- Tributos sobre a Propriedade; Transmissão da Propriedade; Renda; 
Consumo; Comércio Exterior e Marcado Financeiro 
 
 
1. Imposto sobre a Renda 
 
1.1. Histórico 
 
O imposto de renda foi instituído no Brasil ex vi do artigo 31 da Lei nº 4.625 de 
31 de dezembro de 1922, que orçou a Receita Geral da República dos Estados 
Unidos do Brasil para o exercício de 1923, embora há trinta anos já existia nos 
orçamentos da União título que tratava da cobrança de tributos que se baseavam 
em rendimentos. 
 
O imposto de Renda é a principal fonte de receita tributária da União, quanto 
aos impostos, possuindo nítida função fiscal. 
 
1.2. Competência Tributária e Sujeito Ativo 
 
O imposto de Renda é de competência da União Federal e está previsto 
atualmente no art. 153 da Constituição Federal de 1988. 
 
“Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: 
 
III – renda e proventos de qualquer natureza.” 
 
1.3. Sujeito Passivo 
 
O contribuinte do imposto sobre renda é a pessoa física ou jurídica, titular de 
renda ou provento de qualquer natureza. 
 
A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda a responsabilidade pela retenção e 
recolhimento do IR, figurando o empregado como contribuinte, e o empregador, 
como responsável (art. 121, parágrafo único, I e II do CTN c/c art. 45, parágrafo 
único do CTN). 
 
A fonte pagadora também pode figurar no polo passivo da relação jurídica na 
situação de responsável pelo recolhimento do tributo. As pessoas jurídicas 
estrangeiras, que funcionam no País, serão igualmente consideradas 
contribuintes. 
 
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1.4. Fato gerador 
 
É a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (decorrente do 
capital, do trabalho ou da conjugação de ambos) e de proventos de qualquer 
natureza, assim entendidos todos os acréscimos não compreendidos no conceito 
de renda. 
 
Imposto de renda de Pessoa Física (IRPF): o fato gerador é a receita 
líquida. 
 
Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ): o fato gerador engloba, além 
das hipóteses tributadas exclusivamente "na fonte", o lucro, sendo de 
periodicidade trimestral. O lucro da pessoa jurídica ou equiparada pode 
ser obtido pelos critérios da apuração real, presumida ou arbitrada. 
 
1.4.1 Hipótese de incidência 
 
O imposto tem como hipótese de sua incidência o acréscimo patrimonial, em 
razão da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda 
decorrente do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, além de 
proventos de qualquer natureza. 
 
 
1.4.2 Definição de Renda e Proventos de Qualquer Natureza 
 
Para Kiyoshi Harada "a disponibilidade econômica consiste no acréscimo 
patrimonial decorrente de uma situação de fato, ocorrendo no instante em que 
se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza esse efeito, 
(art. 116, I, do CTN), ao passo que, a disponibilidade jurídica consiste no 
direito de usar, por qualquer forma, da renda e dos proventos definitivamente 
constituídos nos termos do direito aplicável (art. 116, II do CTN). 
 
A disponibilidade econômica ou jurídica pode variar, em razão: 
 
a) da renda de capital: aluguel, "royalties", recebimentos decorrentes de 
aplicações financeiras, lucros, participação nos lucros, bonificações, 
rendimentos de partes beneficiadas e etc; 
 
b) da renda do trabalho: salário, honorários, pró-labore, comissões e etc; 
 
c) da renda da combinação do capital e do trabalho: pró-labore, lucro e 
etc; 
 
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d) dos proventos de qualquer natureza: são os acréscimos patrimoniais 
não compreendidos no conceito de renda supramencionado – 
aposentadorias, pensões, ganhos em lotéricas, doações, acréscimos 
patrimoniais não justificáveis e etc. 
 
Quanto ao conceito de renda, Hugo de Brito Machado ensina: 
 
"Na expressão do Código, renda é sempre um produto, um resultado, quer do trabalho, 
quer do capital, quer da combinação desses dois fatores. Os demais acréscimos 
patrimoniais que não se comportem no conceito de renda são proventos. 
 
(...) Não há renda, nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial, pois o CTN 
adotou expressamente o conceito de renda com acréscimo. (...) Quando afirmamos que o 
conceito de renda envolve acréscimo patrimonial, como o conceito de proventos também 
envolve acréscimo patrimonial, não queremos dizer que escape à tributação a renda 
consumida. 
 
O que não se admite é a tributação de algo que na verdade em momento algum ingressou 
no patrimônio, implicando incremento no valor líquido deste. Como acréscimo se há de 
entender o que foi auferido, menos parcelas que a lei, expressa ou implicitamente, e sem 
violência à natureza das coisas, admite sejam diminuídas na determinação desse 
acréscimo. (...) A renda se confunde com sua disponibilidade. Pode haver renda, mas esta 
não ser disponível para se titular. O fato gerador do imposto de que se cuida não é renda 
mas a aquisição da disponibilidade da renda, ou dos proventos de qualquer natureza. 
 
Assim, não basta, para ser devedor desse imposto, auferir renda ou proventos. É preciso 
que se tenha adquirido a disponibilidade, que não se configura pelo fato de ter o 
adquirente da renda ação para sua cobrança. Não basta ser credor da renda se esta não 
está disponível, e a disponibilidade pressupõe ausência de obstáculos jurídicos a serem 
removidos". 
 
1.5. Base de cálculo 
 
A base de cálculo do imposto é a soma de fatores algébricos positivos e 
negativos que se engrenam ao patrimônio, conforme se depreende do art. 44 do 
CTN. 
 
É o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou do provento de qualquer 
natureza. Aliás, é bom que se memorize que não existe "renda presumida". 
Presumido ou arbitrado pode ser o montante da renda. Adota-se, no Brasil, um 
critério de aferição de base de cálculo "pelo montante absoluto da renda ou 
provento" (critério global ou unitário), segundo o qual as alíquotas incidem 
sobre o total dos rendimentos, independentemente de sua origem ou razão. 
 
Assim, a incidência ocorre sobre o crédito líquido do contribuinte, ou seja, a 
diferença entre a renda ou provento bruto auferido e os encargos admitidos em 
lei, tais como gastos com dependentes, planos de saúde e etc. Devem-se somar 
todos os rendimentos e lucros de capital da pessoa física e seus dependentes 
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(rendimento bruto) e subtrair os encargos (reais ou presumidos) autorizados 
pela legislação (rendimento liquido). 
 
1.5.1 Conceito de patrimônio 
 
É o conjunto de direitos e obrigações de titularidade de uma pessoa, formado 
pelos seus direitos reais (por exemplo: propriedade), direitos pessoais (por 
exemplo: os direitos de crédito) e os direitos intelectuais (por exemplo: direito 
autoral, de imagem e etc). 
 
1.6. Alíquotas 
 
Segundo o art. 153, §2º, I da CF, o imposto sobre a renda será informado pelos 
critérios da generalidade, universalidade e progressividade. 
 
A generalidade diz respeito à sujeição passiva, indicando a incidência sobre 
todos os contribuintes que praticam o fato descrito na hipótese de incidência da 
exação. 
 
A universalidade, por sua vez, demarca o critério atrelável à base de cálculo do 
gravame, que deve abranger quaisquer rendas e proventos auferidos pelo 
contribuinte, independentemente da denominação da receita ou do rendimento. 
 
Por fim, a progressividade do IR – mesmo que insuficiente, como é sabido – 
prevê a variação positiva da alíquota do imposto à medida que há aumento de 
base de cálculo. 
 
A lei do IR, na busca ideal de uma justificativa fiscal, levou a cabo algumas 
medidas concretas, quais sejam: 
 
i. consideração precisa das condições pessoais dos contribuintes, 
tanto pessoas físicas como jurídicas, e a prudente fixação de um 
"mínimo vital" compatível coma realidade; 
ii. estipulação de um expressivo número de deduções para o IR 
devido, adequando a exigência fiscal do contribuinte; 
iii. estabelecimento de um expressivo grau de progressividade de 
alíquotas, em função da quantidade de renda auferida. 
 
Com as novas medidas trazidas a partir do ano-calendário de 2018, foram 
aplicadas quatro alíquotas ao Imposto de Renda Pessoa Física: 
 
- Até R$ 1.903,98: alíquota zero 
- De R$1.903,99 até R$2.826,65: 7,5% (Parcela Dedução R$142,80) 
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- De R$2.826,66 até R$3.751,05: 15% (Parcela Dedução R$354,80) 
- De R$3.751,06 até R$4.664,68: 22,5% (Parcela Dedução R$636,13) 
- Acima de R$4.664,69: 27,5% (Parcela Dedução R$869,36) 
 
1.7. Notas gerais 
 
Imposto sobre a renda e a tributação internacional: como praxe internacional a 
renda é tributável no país de quem a aufere. Assim, a renda deve ser tributada 
no país onde reside o contribuinte, salvo se estiver em outro país com residência 
fixa ou atividade comercial. 
 
IR e as verbas indenizatórias: as verbas indenizatórias não se sujeitam ao IR, 
devendo o gravame incidir sobre as parcelas que compõem o ganho com o 
timbre de salário. Portanto, o caráter salarial é fundamental. Note o 
entendimento jurisprudencial pertinente: 
 
a) Indenizações Civis Patrimoniais e Morais não incidência de IR: 
Súmula 498 do STJ - Não incide imposto de renda sobre a 
indenização por danos morais. 
 
b) Indenização por Acidente de Trabalho não incidência de 
imposto sobre a renda. 
 
c) Indenização por Despedida (Multa FGTS) e Aviso Prévio 
relativo à Legislação Trabalhista não incidência de imposto 
sobre a renda. 
 
d) PDV: Súmula 215 do STJ: A indenização recebida pela 
adesão à programa de incentivo à demissão voluntária não 
está sujeita à incidência de imposto sobre a renda. 
 
e) Licença Prêmio (Após 05 (cinco) anos de efetivo exercício, o servidor 
terá direito à concessão de 03 (três) meses de licença prêmio por 
assiduidade, com direito à remuneração do cargo efetivo): Súmula 
136 do STJ: O pagamento de licença-prêmio não gozada por 
necessidade de serviço não está sujeito ao imposto de renda. 
 
f) Férias não Gozadas e Pagas (10 dias p/ necessidade de serviço: 
art. 143 da CLT): Súmula 125 do STJ: O pagamento de férias 
não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à 
incidência do Imposto de Renda, como também a parcela de 
férias não gozadas, ainda que sem previsão por necessidade de 
serviço. Embargos de Divergência em RESP nº 515.148 (STJ). 
http://www.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?materia=%27DIREITO%20TRIBUT%C1RIO%27.mat.#TIT30TEMA0
http://www.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?materia=%27DIREITO%20TRIBUT%C1RIO%27.mat.#TIT30TEMA0
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g) As férias proporcionais; 1/3 de férias e as férias e licenças 
prêmios convertidas em pecúnia por força de extinção do 
contrato do trabalho: não incidência de imposto sobre a renda. 
Embargos de Divergência em RESP nº 515.148 (STJ). 
 
h) Súmula 386 do STJ - São isentas de imposto de renda as 
indenizações de férias proporcionais e o respectivo 
adicional. 
 
OBS: IR e o princípio da anterioridade: com o advento da Emenda 
Constitucional nº 42/2003, o IR passou a ser uma exceção ao período de 
anterioridade qualificada ou nonagesimal (art. 150, §1º, in fine,da CF). Portanto, 
o IR deve obedecer à anterioridade anual, sem respeitar o período de 90 dias. 
 
 
2. Imposto Sobre a Propriedade de Veículo Automotor 
 
2.1. Histórico 
O IPVA foi instituído em 1985, sob a égide da CF de 1967, pela Emenda 
Constitucional nº 27/85, que acrescentou o inciso III, ao artigo 23, em 
substituição à antiga Taxa Rodoviária Única – TRU, criada pelo Decreto-Lei nº 
999, de 21 de outubro de 1969. O IPVA é atualmente previsto no art. 155 da 
Constituição Federal de 1988. 
 
“Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: 
III - propriedade de veículos automotores.” 
 
 
2.2. Competência Tributária 
 
Esta competência, por sua vez, encontra-se repartida de forma rígida e exaustiva 
na CF, e quanto ao IPVA fica consignada a competência dos Estados-Membros 
e do Distrito Federal. 
 
2.3. Competência para Legislar 
 
Os Estados e o DF estão legitimados a criarem por meio de Lei Ordinária o 
IPVA, porém com a CF de 88, surgiu uma questão, pois o art. 146, III, exige 
que os impostos sejam regulados por meio de uma Lei Complementar, em razão 
disto, muitos contribuintes foram ao judiciário, mas esta tese foi vencida, 
porque este imposto, já se encontrava regulado pelos Estados e pelo DF, no 
http://www.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?materia=%27DIREITO%20TRIBUT%C1RIO%27.mat.#TIT27TEMA1
http://www.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?materia=%27DIREITO%20TRIBUT%C1RIO%27.mat.#TIT27TEMA1
http://www.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?materia=%27DIREITO%20TRIBUT%C1RIO%27.mat.#TIT27TEMA1
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regime constitucional anterior sendo as legislações específicas recepcionadas 
pela atual CF. 
 
Por outra notoriamente o art. 34 do ADCT autorizou a edição, pelos Estados e 
DF, das leis necessárias à aplicação do sistema tributário nacional nela previsto 
e, ainda, a previsão da competência concorrente previsto no artigo 24 e seu 
§3º, da Constituição Federal, aos Estados e Distrito Federal para legislar 
sobre matéria tributário, pelo menos até a edição da Lei Complementar por 
parte da União Federal. 
 
Nesse sentido, temos o Recurso Extraordinário nº 236.931-8/SP, Relator Min. 
Ilmar Galvão. 
 
2.4. Regra Matriz de Incidência do IPVA. São os elementos essenciais que 
devem constar na criação deste imposto pelas pessoas políticas competentes: 
 
2.4.1. Hipótese de Incidência: Chamado de critério material, porque contém 
dados de ordem objetiva, que diferem um tributo do outro. É o fato descrito na 
norma que uma vez ocorrido no mundo, faz nascer a obrigação de recolher o 
tributo. No que diz respeito ao IPVA, a HI é a propriedade de veículo 
automotor. 
 
Analogia do IPVA com o IPTU no tocante à incidência do imposto também em 
relação ao Domínio Útil e a Posse. 
 
2.4.1.2. Conceito de Domínio Útil: Atribuído ao foreiro no contrato de 
enfiteuse, que diz respeito somente a bens imóveis. Neste caso, por sua própria 
conceituação é inadequado a incidência do IPVA. 
 
2.4.1.3. Conceito de Posse: relação de fato estabelecida entre a pessoa e a coisa. 
Sendo assim, a posse, nos casos de locação, arrendamento, aquisição de 
veículo com reserva de domínio, pode se verificar a possibilidade da exação 
do IPVA, conforme a legislação paulista do IPVA, Lei nº 13.296, de 
13/12/2008, Art. 6º, Inciso XI: 
 
Artigo 6º - São responsáveis pelo pagamento do imposto e acréscimos legais: (...) 
 
XI - o titular do domínio ou o possuidor a qualquer título. 
 
2.4.1.4. Veículos Automotores: Veículo significa transportar coisas ou pessoas, 
de um lugar para outro. 
 
Artigo 1º - Fica estabelecido, por esta lei, o tratamento tributário do Imposto sobre a 
Propriedade de Veículos Automotores - IPVA. 
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Parágrafo único - Considera-se veículo automotor aquele dotado de mecanismo de 
propulsão própria e que sirva para o transporte de pessoas ou coisas ou para a tração 
de veículos utilizados para o transporte de pessoas ou coisas. 
 
Motor: mecanismo que gera movimento, porém não existe uma definição exata, 
apenas o que se exige é que haja movimento produzido por motor. 
 
Estão fora da incidência, os veículos movidos por força animal(carroça) e por 
força natural (barco a remo e vela). 
 
A CF não restringiu a idéia de movimentação terrestre, o que significa tanto 
movimentação pela água e pelo ar. 
 
A presença do motor é o suficiente para a tributação, mesmo que de forma 
auxiliar ou se a embarcação for destinada a competições esportivas. Ex. jet-ski, 
karts. 
 
No entanto, aincidência de IPVA sobre embarcações e aeronaves fica afastada 
por inconstitucionalidade dos incisos II e III do art. 6º da Lei Estadual nº 
6.606/89, A expressão "veículos automotores" do artigo 155, inciso III, da 
Constituição Federal, não inclui aeronaves e nem embarcações, conforme 
decisão reiterada do STF: 
 
EMENTA: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. Não incide Imposto de Propriedade de 
Veículos Automotores (IPVA) sobre embarcações (Art. 155, III, CF/88 e Art. 23, III e § 13, 
CF/67 conforme EC 01/69 e EC 27/85). Precedentes. 3. Recurso extraordinário conhecido e 
provido. (RE 379572, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 
11/04/2007, DJe-018 DIVULG 31-01-2008 PUBLIC 01-02-2008 EMENT VOL-02305-04 
PP-00870) 
 
EMENTA: IPVA - Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (CF, art. 155, III; 
CF 69, art. 23, III e § 13, cf. EC 27/85): campo de incidência que não inclui embarcações e 
aeronaves. (RE 255111, Relator (a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: 
Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 29/05/2002, DJ 13-12-2002 
PP-00060 EMENT VOL-02095-02 PP-00343) 
 
APELAÇÃO. Ação anulatória de débito fiscal - Débito relativo ao não recolhimento de 
IPVA sobre embarcação - Sentença de procedência - Inconstitucionalidade da Lei nº 
6.609/89, declarada pelo STF no RE nº 255.111/SP e reconhecida pela Fazenda do Estado 
na Resolução PGE nº 19/2005. Reexame necessário e recurso voluntário da ré não 
providos.O campo de incidência do IPVA - Imposto sobre Propriedade de Veículos 
Automotores - não inclui embarcações e aeronaves, observada a inconstitucionalidade 
declarada pelo STF dos incisos II e III do art. 6º da Lei Estadual nº 6.606/89 (RE nº 
255.111/SP) APL 9077409552007826 SP 9077409-55.2007.8.26.0000. Relator: Vicente de 
Abreu Amadei. Publicação: 08/06/2011. 
 
IPVA. Aeronaves - Declarada a inconstitucionalidade da lei estadual pelo Egrégio Supremo 
Tribunal Federal inexiste fato gerador do IPVA. Recurso improvido.( TJSP: 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185498/lei-6609-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/185501/lei-do-ipva-do-estado-de-são-paulo-lei-6606-89-são-paulo-sp
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
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29952320058260224 SP Relator(a): Lineu Peinado. Julgamento: 14/12/2010. Órgão 
Julgador: 2ª Câmara de Direito Público. Publicação: 10/01/2011) 
 
2.4.1.5. Veículos Utilitários: aqueles que possuem a autolocomoção como 
elemento acessório, não são veículos automotores propriamente, pois servem 
apenas para otimizar os resultados de sua atuação.Ex: escavadeira, guindaste, 
empilhadeira. 
 
2.4.1.6. Da Ocorrência do Fato Gerador. 
SEÇÃO II 
DO FATO GERADOR 
Artigo 2º - O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores - IPVA, devido 
anualmente, tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor. 
Artigo 3º - Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto: 
I - no dia 1º de janeiro de cada ano, em se tratando de veículo usado; 
II - na data de sua primeira aquisição pelo consumidor, em se tratando de veículo novo; 
III - na data de seu desembaraço aduaneiro, em se tratando de veículo importado 
diretamente do exterior pelo consumidor; 
IV - na data da incorporação do veículo novo ao ativo permanente do fabricante, do 
revendedor ou do importador; 
V - na data em que deixar de ser preenchido requisito que tiver dado causa à imunidade, 
isenção ou dispensa de pagamento; 
VI - na data da arrematação, em se tratando de veículo novo adquirido em leilão; 
VII - na data em que estiver autorizada sua utilização, em se tratando de veículo não 
fabricado em série; 
VIII - na data de saída constante da Nota Fiscal de venda da carroceria, quando já 
acoplada ao chassi do veículo objeto de encarroçamento; 
IX - na data em que o proprietário ou o responsável pelo pagamento do imposto deveria ter 
fornecido os dados necessários à inscrição no Cadastro de Contribuintes do IPVA 
deste Estado, em se tratando de veículo procedente de outro Estado ou do Distrito Federal; 
X - relativamente a veículo de propriedade de empresa locadora: 
a) no dia 1º de janeiro de cada ano, em se tratando de veículo usado já inscrito no Cadastro 
de Contribuintes do IPVA deste Estado; 
b) na data em que vier a ser locado ou colocado à disposição para locação no território deste 
Estado, em se tratando de veículo usado registrado anteriormente em outro Estado; 
c) na data de sua aquisição para integrar a frota destinada à locação neste Estado, em se 
tratando de veículo novo. 
 
Parágrafo único - O disposto no inciso X deste artigo aplica-se às empresas locadoras de 
veículos qualquer que seja o seu domicílio, sem prejuízo da aplicação das disposições dos 
incisos II a IX, no que couber. 
 
2.4.2. Base de Cálculo: Quantifica a HI do tributo. No IPVA é o valor venal do 
veículo, ou o valor de mercado. Não se inclui na base de cálculo, elementos 
acessórios dos veículos, nem certas particularidades do bem. 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
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Artigo 7º - A base de cálculo do imposto é: 
I - na hipótese dos incisos I, V, IX e X, alíneas “a” e “b”, do artigo 3º desta lei, o valor de 
mercado do veículo usado constante da tabela de que trata o § 1º deste artigo; 
II - na hipótese do inciso II e X, alínea “c”, do artigo 3º desta lei, o valor total constante do 
documento fiscal de aquisição do veículo pelo consumidor; 
III - na hipótese do inciso III do artigo 3º desta lei, o valor constante do documento de 
importação, acrescido dos valores dos tributos devidos em razão da importação, ainda que não 
recolhidos pelo importador; 
IV - na hipótese do inciso IV do artigo 3º desta lei: 
a) para o fabricante, o valor médio das operações com veículos do mesmo tipo que tenha 
comercializado no mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; 
b) para o revendedor, o valor da operação de aquisição do veículo, constante do documento 
fiscal de aquisição; 
c) para o importador, o valor a que se refere o inciso III deste artigo. 
V - na hipótese do inciso VI do artigo 3º desta lei, o valor da arrematação, acrescido das 
despesas cobradas ou debitadas do arrematante e dos valores dos tributos incidentes sobre a 
operação, ainda que não recolhidos; 
VI - na hipótese dos incisos VII e VIII do artigo 3º desta lei, a soma dos valores atualizados 
de aquisição de suas partes e peças e outras despesas, também atualizadas, que incorrerem 
na sua montagem. 
§ 1º - Para efeito do disposto no inciso I deste artigo, o Poder Executivo divulgará o valor de 
mercado por meio de tabela, considerando na sua elaboração a marca, o modelo, a espécie e 
o ano de fabricação. 
§ 2º - A tabela a que se refere o § 1º deste artigo, deverá ser divulgada para vigorar no 
exercício seguinte, e na fixação dos valores serão observados os preços médios de mercado 
vigentes no mês de setembro. 
§ 3º - Havendo veículo cujo modelo não tenha sido comercializado no mês de setembro,adotar-se-á o valor de outro do mesmo padrão. 
§ 4º - O Poder Executivo poderá adotar como base de cálculo: 
1 - para o veículo com mais de 10 (dez) anos e até 20 (vinte) anos de fabricação, valor 
equivalente a 90% (noventa por cento) da base de cálculo correspondente à do veículo 
fabricado no ano imediatamente posterior; 
2 - para o veículo com mais de 20 (vinte) anos de fabricação, a mesma base de cálculo do 
veículo com 20 anos de fabricação; 
3 - para os veículos usados referidos nos incisos VII e VIII do artigo 3º desta lei, o valor de 
registro do veículo novo, depreciado à taxa de 10% (dez por cento) em relação à base de 
cálculo utilizada no ano imediatamente anterior. 
§ 5º - O Poder Executivo poderá firmar convênios ou contratar serviços com entidades 
especializadas para a pesquisa dos valores médios de mercado dos veículos usados. 
§ 6º - Para determinação da base de cálculo é irrelevante o estado de conservação do veículo. 
§ 7º - Na falta do documento referido no inciso III deste artigo, será considerado, para a 
fixação da base de cálculo, o valor constante do documento expedido pelo órgão federal 
competente para a cobrança do tributo devido pela importação, acrescido dos demais impostos 
incidentes. 
§ 8º - A atualização de que trata o inciso VI deste artigo far-se-á pela variação da Unidade 
Fiscal do Estado de São Paulo - UFESP, mediante multiplicação do valor constante dos 
documentos de aquisição das partes, peças e despesas de montagem, pelo coeficiente obtido 
com a divisão do valor nominal da UFESP, no mês da data de ocorrência do fato gerador, pelo 
valor da mesma unidade no mês de aquisição das partes, peças e despesas de montagem. 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
11 
§ 9º - Nas situações em que for constatada notória redução nos preços médios de mercado 
vigentes entre o mês de setembro e o mês de dezembro, poderá o Poder Executivo, 
excepcionalmente, autorizar a redução da base de cálculo. 
Artigo 8º - O Poder Executivo poderá arbitrar a base de cálculo: 
I - na impossibilidade de determinação dos valores, nos termos do artigo 7° desta lei; 
II - na verificação de incompatibilidade entre o valor de aquisição do veículo e o valor de 
mercado. 
 
2.4.2.1: Veículos Novos, aquele que é objeto de transferência original do 
fabricante ou vendedor, para o usuário, a base de cálculo, neste caso é o valor 
constante na Nota Fiscal de venda ao consumidor final. 
 
2.4.2.2: Veículos Importados o mesmo critério deve ser adotado, sendo assim 
valor deve se basear no documento de importação acrescidos dos tributos 
aduaneiros ou documento expedido pelo órgão federal competente para a 
cobrança do tributo. 
 
Se o veículo for importado diretamente pelo usuário final, ocorrem duas 
situações: 
 
1 – veículo for regularmente comercializado pelo país, a base de cálculo será a 
constante na tabela. 
 
2 – veículo não for regularmente comercializado no país, a base de cálculo será 
a constante no documento de venda, bem como no documento do desembaraço 
aduaneiro. 
 
 
2.4.2.3: Veículos fora de linha a Fazenda Estadual deve aferir o valor que este 
veículo iria obter no caso de alienação, para se verificar o valor venal, e assim 
determinar a base de cálculo. 
 
2.4.2.4: Nos Veículos Usados a base de cálculo, também é o valor venal médio 
do veículo. 
 
É dever do Poder Executivo Estadual, apurar no mercado os valores médios de 
venda dos diversos veículos, e com isso elaborando uma tabela correspondente. 
 
Nestes casos a base de cálculo IPVA é definida anualmente, por meio de 
decreto, que meramente faz a atualização monetária do o valor venal dos 
veículos, contudo isso não é majoração da base de cálculo, a qual somente 
compete à Lei. 
 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
12 
A correção da tabela não modifica a base de cálculo do IPVA, por isso deve ser 
admitida. 
 
2.4.2.5: Majoração da Base de Cálculo: A Majoração da base de cálculo, cabe 
somente a lei. Nesse sentido, temos o Recurso Especial em Mandado de 
Segurança do Superior Tribunal de Justiça nº 3733-9/RO, Relator Ministro 
Américo Luz. 
 
2.4.3. Alíquota: É um critério de percentagem adotado pelo legislador. O IPVA 
terá suas alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal, podendo, ainda, 
possuir alíquotas diferenciadas em razão do tipo e da utilização do veículo, 
na conformidade do Inciso II, §6º, do Art. 155 da CF c. c. o Art. 9º da Lei nº 
13.296/2008 da Lei Paulista. 
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de 
transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as 
prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
III - propriedade de veículos automotores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, 
de 1993) 
(...) 
§ 6º O imposto previsto no inciso III: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 
19.12.2003) 
I - terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
II - poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e utilização.(Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
 
(OBS 01): Proibição de alíquotas diferençadas entre veículos automotores 
nacionais e importados. Imunidade Tributária contida no Art. 152, da CF de 
1988: 
 
“Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença 
tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou 
destino.” 
 
Decisão de Inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal 
 
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 
TRIBUTÁRIO. IPVA. VEÍCULO IMPORTADO. ALÍQUOTA DIFERENCIADA. 1. Não 
se admite a alíquota diferenciada de IPVA para veículos importados e os de 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
13 
procedência nacional. 2. O tratamento desigual significaria uma nova tributação pelo 
fato gerador da importação. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. 
(RE 367785 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 09/05/2006, 
DJ 02-06-2006 PP-00038 EMENT VOL-02235-05 PP-00956 RTFP v. 14, n. 69, 2006, p. 
301-302 RT v. 95, n. 853, 2006, p. 139-141 RNDJ v. 6, n. 80, 2006, p. 74). 
 
No tocante a progressividade das alíquotas de IPVA, tomando por base a capacidade 
contributiva, resta consignado pelo Supremo Tribunal Federal a interpretação pela expressa 
ressalva aos impostos submetidos a aplicação do respectivo princípio constitucional. 
 
Nesse sentido, o IPVA não pode ter alíquotas progressivas tomando por base o valor 
venal do veículo automotor, somente a lei pode estabelecer alíquotas diferenciadasem 
razão do tipo e utilização do veículo, em consonância com a Emenda Constitucional nº 
42/2003. 
 
Recurso Extraordinário nº 2.955.404 
 
Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão que possui a seguinte 
ementa: 
 
“DIREITO TRIBUTÁRIO. ALÍQUOTAS SELETIVAS OU DIFERENCIADAS PARA O 
IPVA EM FACE DA CF/88: POSSIBILIDADE SOMENTE A PARTIR DA EC Nº 42/03, 
DESDE QUE EDITADA, PELO SUJEITO ATIVO, LEI ADEQUADORA. ADOÇÃO 
DA MENOR ALÍQUOTA, CONSIDERANDO QUE AS DEMAIS SÃO 
CONSTITUCIONALMENTE VEDADAS. 
1. A Constituição Federal de 1988 é clara no sentido de que a diferenciação ou 
seletividade de alíquotas (percentuais que, aplicados sobre a base de cálculo do tributo, 
definirão o montante devido em cada fato gerador) somente era permitida, quando da sua 
promulgação, para dois tributos: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o 
Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de 
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). 
2. A partir da Emenda Constitucional nº 29/00 a permissão de uso de alíquotas seletivas 
ou diferenciadas foi estendida também para o Imposto sobre a Propriedade Predial e 
Territorial Urbana (IPTU) e, a partir da Emenda nº 42/03, também para o Imposto sobre a 
Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A inclusão, no texto constitucional, de 
norma permitindo o uso de alíquotas seletivas ou diferenciadas não exige, por sua vez, a 
edição de 'lei complementar' para torná-la aplicável, que somente é exigida 
constitucionalmente (cf. seu art. 146), para a definição de fatos geradores, bases de cálculo e 
contribuintes, e não para alíquotas. 
3. Para o IPVA, a permissão constitucional de uso de alíquotas seletivas ou 
diferenciadas foi estabelecida em função do tipo e utilização do veículo tributado, 
persistindo contudo a condição (constitucional, cf. art. 150, I) de o ente tributante 
definir legalmente as alíquotas a serem adotadas caso a caso, bem como a 
impossibilidade (também constitucional, cf. seu art. 152) de adoção de tais 
alíquotas seletivas ou diferenciadas em função da procedência ou do destino do 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
14 
veículo. 
4. Uma vez inadmitida a possibilidade constitucional de adoção de alíquotas seletivas ou 
diferenciadas para certos impostos do sistema tributário nacional, nem mesmo o § 3º do art. 
24 da Constituição Federal (segundo o qual, 'inexistindo lei federal sobre normas gerais, os 
Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades') 
autoriza os entes federativos a adotarem as citadas alíquotas, porquanto o citado dispositivo 
os autoriza tão-somente a editar 'normas gerais' ou 'complementares' às essenciais 
previstas na Constituição Federal, como claramente deflui desta (art. 146, inciso III). 
5. Nessas circunstâncias, quando indevidamente adotadas, pelo ente tributante, 
alíquotas seletivas ou diferenciadas, – no caso para o IPVA –, há de se manter como válida a 
menor delas, devendo ser excluídas as demais, tendo em conta que a vedação constitucional 
se estende somente às que dela se afastam” (fl. 180). 
 
Neste RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegou-se, em suma, violação 
aos arts. 24, §3º, 97, 150, II, e 155, III e § 6º, II, da mesma Carta, bem como ao art. 34, 
§§ 3º e 5º do ADCT, ao argumento de que é legítimo aos Estados estabelecer 
alíquotas diferenciadas em razão da utilização do veículo mesmo antes da EC 
42/2003, uma vez que “já havia na Constituição Federal autorização para que a legislação 
estadual assim dispusesse” (fl. 316). 
 
O Subprocurador-Geral da República Wagner de Castro Mathias Netto opinou pelo 
provimento do recurso, ao entendimento de que 
 
“mesmo antes da EC nº 42/03 já era possível a instituição de alíquota diferenciada, uma vez 
que os Estados, em face da ausência de lei complementar federal sobre o tema, têm exercido, 
excepcionalmente e provisoriamente, a competência legislativa plena, com suporte no 
art. 24, § 3º, da Carta Magna e art. 34, § 3º, do ADCT, (...) 
(...) 
Assim, nessa linha de entendimento, forçoso reconhecer a legitimidade do Estado, no 
exercício da competência concorrente, para instituir alíquotas diferenciadas referentes ao 
IPVA, mesmo antes do advento da EC nº 42/03” (fls. 344-345, grifos no original). 
 
A pretensão recursal merece acolhida. 
 
A jurisprudência do STF firmou orientação no sentido de que, mesmo antes da 
EC 42/03 – que incluiu o § 6º, II, ao art. 155 da CF –, já era permitido a instituição 
de alíquotas de IPVA diferenciadas segundo critérios que não levem em conta a 
capacidade contributiva do sujeito passivo, por não ensejar a progressividade do 
tributo. É o que se observa no caso dos autos, em que as alíquotas do imposto 
foram estabelecidas em razão do tipo e da utilização do veículo. 
 
Ressalte-se, ademais, que esta Corte possui entendimento no sentido de que os 
Estados, no exercício da competência definida no art. 24, § 3º, da CF, estão 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
15 
legitimados a editar as normas gerais referentes ao IPVA. 
 
Por oportuno, destaco o julgamento do RE 466.480-AgR/MG, Rel. Min. Eros Grau, 
cuja ementa transcrevo a seguir: 
 
“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPVA. LEI 
ESTADUAL. ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS EM RAZÃO DO TIPO DO VEÍCULO. 
1. Os Estados-membros estão legitimados a ditar as normas gerais referentes ao IPVA, 
no exercício da competência concorrente prevista no artigo 24, § 3º, da Constituição do 
Brasil. 
2. O Supremo possui orientação no sentido de que não há tributo progressivo 
quando as alíquotas são diferenciadas segundo critérios que não levam em 
consideração a capacidade contributiva. 
Agravo regimental a que se nega provimento”. 
 
No mesmo sentido, menciono, ainda, as seguintes decisões, entre outras: RE 
414.259-AgR/MG, Rel. Min. Eros Grau; RE 236.931/SP, Rel. Min. Ilmar Galvão; AI 
487.906-ED/SP, Rel. Min. Carlos Velloso; RE 413.239-AgR/SP, Rel. Min. Nelson 
Jobim; RE 576.137/RS e RE 576.125/MG, Rel. Min. Ayres Britto; RE 630.751/MG, Rel. 
Min. Celso de Mello; RE 396.752/MG, Rel. Min. Cezar Peluso; AI 488.637/SP, Rel. 
Min. Ellen Gracie; AI 436.044/MG, Rel. Min. Dias Toffoli; RE 191.703-AgR/SP, Rel. 
Min. Néri da Silveira; AI 167.777-AgR/SP, Rel. Min. Marco Aurélio. 
 
Isso posto, com base nos precedentes mencionados, conheço do recurso 
extraordinário e dou-lhe provimento (CPC, art. 557, § 1º-A). Honorários a serem 
fixados pelo juízo de origem, nos termos da legislação processual. 
 
Publique-se. 
 
Brasília, 13 de outubro de 2011. 
 
Ministro RICARDO LEWANDOWSKI 
Relator 
 
 
3. Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana 
 
3.1. Competência Tributária: art. 156 da CF, c.c. o art. 32 a 34 do Código 
Tributário Nacional 
 
“Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: 
I - propriedade predial e territorial urbana; 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
16 
§ 1º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, § 4º, inciso II, o 
imposto previsto no inciso I poderá:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 
2000) 
I - ser progressivo em razão do valor do imóvel; e (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
29, de 2000) 
II - ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 29, de 2000)” 
“CTN - SEÇÃO II 
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana 
Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial 
urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por 
natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do 
Município. 
§ 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei 
municipal; observado o requisito mínimo da existência demelhoramentos indicados em 
pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: 
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; 
II - abastecimento de água; 
III - sistema de esgotos sanitários; 
IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; 
V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do 
imóvel considerado. 
§ 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, 
constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à 
indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do 
parágrafo anterior. 
Art. 33. A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel. 
Parágrafo único. Na determinação da base de cálculo, não se considera o valor dos bens 
móveis mantidos, em caráter permanente ou temporário, no imóvel, para efeito de sua 
utilização, exploração, aformoseamento ou comodidade. 
Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou 
o seu possuidor a qualquer título.” 
3.2 Elementos da Regra Matriz de Incidência do IPTU. São os elementos 
essenciais que devem constar na criação deste imposto pelas pessoas políticas 
competentes: 
A incidência do IPTU é sobre o patrimônio imobiliário, mais especificamente 
sobre prédios e terrenos localizados na área urbana. 
“Art. 32 do CTN: O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e 
territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
17 
imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona 
urbana do Município. 
3.2.1 Incidência do IPTU em Sítios de Recreio: 
O Decreto 56.235/2015, consoante o art. 3º, determina como hipótese de 
incidência os imóveis de residência de recreio, ademais, a jurisprudência já 
sedimentou o entendimento de que é possível a incidência do IPTU em sítios 
para fins de recreio em áreas localizadas em zona de expansão urbana, definidas 
por lei municipal, mesmo que tais áreas não possuam os elementos de 
urbanização contidos no artigo 32 do CTN. 
Art. 3º Observados os requisitos do Código Tributário Nacional, considerar-se-ão urbanas, 
para os efeitos deste imposto, as áreas urbanizáveis e as de expansão urbana, a seguir 
enumeradas, destinadas à habitação - inclusive à residencial de recreio - à indústria ou ao 
comércio, ainda que localizadas fora da zona urbana do Município: (...) 
 
AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. IPTU. MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO. 
SÍTIO RECREIO. INCIDÊNCIA. IMÓVEL SITUADO EM ÁREA URBANA 
DESPROVIDA DE MELHORAMENTOS. DESNECESSIDADE.1. A recorrente demonstra 
mero inconformismo em seu agravo regimental que não se mostra capaz de alterar os 
fundamentos da decisão agravada.2. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de 
que é legal a cobrança do IPTU dos sítios de recreio, localizados em zona de expansão 
urbana definida por legislação municipal, nos termos do arts. 32, § 1º, do CTN c/c arts. 14 
do Decreto-lei nº 57/66 e 29 da Lei 5.172/66, mesmo que não contenha os melhoramentos 
previstos no art. 31, § 1º, do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (783794 SP 
2005/0159477-5, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de 
Julgamento: 15/12/2009, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 08/02/2010) 
 
APELAÇÃO - AÇÃO ANULATORIA DE LANÇAMENTO FISCAL C.C. REPETIÇÃO 
DE INDÉBITO - IPTU -IMÓVEL UTILIZADO COM SÍTIO DE RECREIO SITUADO EM 
ÁREA EQUIPARADA A URBANA -EXISTÊNCIA DE MELHORAMENTOSC.C.- 
Desnecessidade:Havendo previsão legal para a cobrança sobre imóvel usado como sítio de 
recreio, situado em área definida como urbana em 2008, correta a exação, independente da 
existência dos melhoramentos previstos no art. 32, § Io, do CTN. Recurso da 
Municipalidade provido, negado o da contribuinte.32§CTN (994093685346 SP , Relator: J. 
Martins, Data de Julgamento: 15/04/2010, 18ª Câmara de Direito Público, Data de 
Publicação: 11/05/2010) 
 
 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA N. 282/STF. 
IPTU. SÍTIO DE RECREIO. LEI MUNICIPAL. ART. 32, §§ 1º E 2º, DO CTN. ALÍNEA B 
DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA N. 280/STF. APLICAÇÃO DA TAXA 
REFERENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.28232§§ 1º2ºCTN2801. Aplica-
se o óbice previsto na Súmula n. 282 do STF na hipótese em que a questão 
infraconstitucional suscitada no recurso especial não foi enfocada no aresto recorrido.2. O 
STJ, ao interpretar o art. 32, § 2º, do CTN, firmou o entendimento de que é legítima a 
cobrança do IPTU sobre sítios de recreio considerados por lei municipal como situados em 
área de expansão urbana, ainda que não dotada dos melhoramentos previstos no art. 32, § 
1º, do CTN. 3. O recurso especial fundado na alínea b do permissivo constitucional não 
prescinde do prévio questionamento da legislação federal. 4. "Por ofensa a direito local não 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
18 
cabe recurso extraordinário" (Súmula n. 280/STF). 5. O STJ pacificou o entendimento de 
que a Taxa Referencial não deve ser usada como índice de atualização monetária, devendo 
ser substituída pelo IPC, seguida do INPC e da Ufir. 6. Recurso especial parcialmente 
conhecido e, nessa parte, provido (185234 SP 1998/0059149-4, Relator: Ministro JOÃO 
OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 07/03/2005, T2 - SEGUNDA TURMA, 
Data de Publicação: DJ 16.05.2005 p. 274) 
 
3.2.2 Aspecto Material: A materialidade do IPTU consiste no estado de ser o 
contribuinte proprietário de um bem imóvel, sendo ele construído (imposto 
predial) ou não (imposto territorial). Conforme visto no artigo supracitado a 
incidência do imposto é sobre a propriedade imobiliária, bem como o domínio 
útil ou a posse do bem imóvel por natureza ou acessão física, nos moldes da lei 
civil. 
Propriedade. A propriedade é, conforme o Código Civil, o direito que alguém 
tem de usar, gozar e dispor de um bem, além de também reinvindicá-lo de quem 
injustamente o possua. 
Código Civil: “Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e 
o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.” 
Domínio útil. É o direito de usufruir de um imóvel, cuja propriedade é atribuída 
ao nu-proprietário que possui apenas o direito de exigir o foro e o laudêmio, 
podendo o primeiro inclusive transferir sua titularidade a terceira pessoa, a 
título gratuito ou oneroso. 
Posse. É o poder de fato sobre a coisa. Possuidor é todo aquele que tem de fato 
o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes ao domínio ou á 
propriedade, sendo assim, é imprescindível relevar o animus do possuidor. 
 
3.2.3 Aspecto Temporal do IPTU: 
 
Caberá ao legislador municipal estipular a data na qual considerar-se-á nascida 
a relação jurídico-tributária. Como regra-geral o fato imponível do IPTU será no 
dia 1º de janeiro de cada exercício financeiro. 
 
3.2.4. Base de Cálculo: 
 
É o valor venal do imóvel, de acordo com o artigo 33 do CTN. 
“Art. 33. A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel. 
Parágrafo único. Na determinação da base de cálculo, não se considera o valor dos bens 
móveis mantidos, em caráter permanente ou temporário, no imóvel, para efeito de sua 
utilização, exploração,aformoseamento ou comodidade.” 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
19 
Entende-se por valor venal do imóvel àquele que o bem alcançaria em 
condições de venda à vista no mercado. 
O valor venal do imóvel como base de cálculo do IPTU respeita o princípio da 
capacidade contributiva, por ser, em verdade, a dimensão do signo de riqueza 
revelado pelo contribuinte. 
Majoração da Base de Cálculo: 
Compete somente à Lei majorar a base de cálculo, entretanto, o Poder 
Executivo poderá, por meio de Decreto, fazer a atualização monetária da base 
de cálculo. Neste contexto, encontra-se o artigo 97 do CTN: 
“Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
 
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 
e 65 
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe 
em torná-lo mais oneroso. 
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a 
atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” 
A jurisprudência também compartilha do mesmo entendimento: 
 
“TRIBUTARIO – IPTU – MAJORACAO DA BASE DE CALCULO POR MEIO DE 
DECRETO EXECUTIVO – IMPOSSIBILIDADE – SUMULA 83/STJ. 
1. O Tribunal de origem, como soberano das circunstancias faticas e probatorias da causa, 
ancorado na analise do laudo pericial, entendeu que, a pretexto de reavaliar o valor venal 
dos imoveis dos apelantes, houve uma indireta majoracao do tributo, por meio de Decreto 
Executivo, que aprova o Mapa de Valores Genericos destinado a apuracao do valor venal de 
imoveis para efeito de lancamento do IPTU/2001. 
2. A jurisprudencia desta Corte ha muito se firmou no sentido de que a majoracao da base de 
calculo do IPTU depende da elaboracao de lei, exceto nos casos de simples atualizacao 
monetaria, o que exceder disso e aumento de carga tributaria e so pode resultar de lei. 
Agravo regimental improvido.” STJ. 2.a Turma. AgRg no REsp 978325/MG. Ministro 
Humberto Martins. DJe 27/04/2009. 
 
 
TRIBUTÁRIO -IPTU -MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO POR MEIO DE 
DECRETO EXECUTIVO -IMPOSSIBILIDADE -SÚMULA 83/STJ.831. O Tribunal de 
origem, como soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, ancorado na 
análise do laudo pericial, entendeu que, a pretexto de reavaliar o valor venal dos imóveis dos 
apelantes, houve uma indireta majoração do tributo, por meio de Decreto Executivo, que 
aprova o Mapa de Valores Genéricos destinado à apuração do valor venal de imóveis para 
efeito de lançamento do IPTU/2001. 2. A jurisprudência desta Corte há muito se firmou no 
sentido de que a majoração da base de cálculo do IPTU depende da elaboração de lei, exceto 
nos casos de simples atualização monetária, o que exceder disso é aumento de carga 
tributária e só pode resultar de lei. Agravo regimental improvido. (978325 MG 
2007/0005251-7, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 
02/04/2009, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 27/04/2009) 
 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
20 
Ação de repetição de indébito. IPTU. Majoração da base de cálculo por decreto do Poder 
Executivo. Impossibilidade. Correção que extrapola os índices de inflação correspondentes. 
Nega-se provimento ao recurso. (990100835351 SP, Relator: Beatriz Braga, Data de 
Julgamento: 02/09/2010, 18ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação: 16/09/2010) 
 
Base de Cálculo do IPTU de Hotel-Residência: 
 
TRIBUTÁRIO - IPTU - APART-HOTEL: CLASSIFICAÇÃO.1. Inexistência de 
legislação no âmbito federal que discipline a incidência do IPTU sobre apart-hotel ou 
sobre unidades do hotel-residência.2. Ilegalidade da mudança de critério classificatório, 
sem legislação específica, por mero arbítrio da Administração, mormente quando 
aumenta a carga tributária.3. Recurso não conhecido (151718 RJ 1997/0073498-6, 
Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 15/06/2000, T2 - 
SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 28.08.2000 p. 66) 
 
TRIBUTÁRIO. IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO. APART-HOTEL. 
O Código Tributário Nacional nem prevê nem proíbe a diferenciação de alíquotas para os 
imóveis residenciais e os imóveis comerciais, nem entre terrenos e imóveis edificados; no 
entanto, as legislações dos municípios têm feito essas distinções, que estão no âmbito de 
sua competência constitucional. Nessa linha, não se expõe a recurso especial o acórdão 
que, fundado no direito local, decide que o apart-hotel está, para os efeitos do Imposto 
Predial e Territorial Urbano, sujeito ao regime instituído para os hotéis. Recurso não 
conhecido. Código Tributário Nacional (196028 RJ 1998/0087122-5, Relator: Ministro 
ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 16/12/1998, T2 - SEGUNDA TURMA, Data 
de Publicação: DJ 01.03.1999 p. 299) 
 
Ainda que pese o entendimento da Jurisprudência, com a Emenda 
Constitucional nº 29, de 2000, o IPTU poderá ter alíquotas diferenciadas 
em razão de seu uso. No caso de definição de base de cálculo diferenciada 
para os hotéis residências em face de seu uso, encontraremos adequação 
constitucional das legislações municipais, que porventura, assim prevejam 
distinção para com os imóveis residenciais, equiparando-os aos imóveis 
comerciais. 
 
3.2.6. Aspecto Espacial: 
Este elemento do IPTU não coincide com o espaço territorial do Município ou 
do Distrito Federal. A norma tributária do IPTU incide tão somente na zona 
urbana do Município que o instituiu, embora tenha eficácia em todo o seu 
território. Para determinar qual seja área urbana deve-se analisar o § 1º e seus 
incisos, do artigo 32 do CTN: 
“§ 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei 
municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados 
em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder 
Público: 
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; 
II - abastecimento de água; 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
21 
III - sistema de esgotos sanitários; 
 IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição 
domiciliar; 
 V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) 
quilômetros do imóvel considerado. 
 § 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão 
urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à 
habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas 
definidas nos termos do parágrafo anterior. 
 
3.2.7 Aspecto Pessoal: 
 
Sujeito ativo: Município ou Distrito Federal 
Sujeito Passivo: proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu 
possuidor a qualquer título. 
 
Art. 34 do CTN: “Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu 
domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.” 
 
Domínio Útil 
 
O titular do domínio útil é aquele que exerce o domínio em face de contrato de 
enfiteuse. Nesse caso, só existe domínio útil quando o proprietário, despojando-
se dos seus direitos de uso, gozo e disposição da coisa, outorga-os a outrem 
(enfiteuta), reservando-se, tão somente, o domínio direto ou iminente. 
 
Pelo contrato de enfiteuse, a propriedade plena se biparte, pelo contrato de 
enfiteuse, onde o enfiteuticador (que tem o domínio direto), outorga ao enfiteuta 
do domínio útil do bem imóvel, pagando a pensão ou foro anual, agindo como 
se dono fosse em relação aos poderes inerentes à propriedade. 
 
Possuidor 
 
Não se trata de qualquer possuidor, mas, sim, somente aquele que se reveste da 
condição de agir como se dono fosse, como todos os direitos inerentes a 
propriedade, a gera por exemplo a posse ad usucapionem. Estão aí incluídos os 
compromissários compradores imitidos na posse e o titular do direito real de 
habitação. 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
22 
Desse conceito escapam da sujeição passiva do IPTU, os locatários,os 
arrendatários e os comodatários de imóveis, pois, estes sujeitos não expressam 
capacidade contributiva de revelar a condição de dono, ainda, que exerçam a 
posse direta do bem imóvel. 
 
Não são sujeitos passivos do IPTU, os que se encontram também na condição 
de usufrutuários do bem imóvel, na previsão do art. 783, do Código Civil. 
 
O Locatário tem a responsabilidade de quitar o débito do IPTU por uma 
convenção contratual com o locador. 
 
Entretanto, O CTN e a Lei não classifica-o como contribuinte do imposto 
responsável pelo adimplemento deste imposto. Ademais, a maioria da doutrina 
sustenta a inadmissibilidade jurídica do locatário do imóvel ser sujeito passivo 
do IPTU. 
 
A situação do locatário não revela conteúdo econômico, nem o leva a ser 
proprietário do imóvel locado. 
 
Neste passo, considera-se também o locatário ilegítimo para insurgir contra o 
recolhimento do imposto perante o Fisco, somente perante o locador. 
 
TRIBUTÁRIO - REPETIÇÃO DO INDÉBITO - IPTU - LOCATÁRIO - 
ILEGITIMIDADE ATIVA - EXTINÇÃO DA AÇÃO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO 
- ARTIGO 267, INCISO VI, DO CPC - SENTENÇA MANTIDA.267VICPCRecurso 
desprovido. (783595720068260000 SP 0078359-57.2006.8.26.0000, Relator: João 
Negrini Filho, Data de Julgamento: 30/08/2011, 16ª Câmara de Direito Público, Data de 
Publicação: 12/09/2011) 
 
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. 
IPTU. LOCATÁRIO. ILEGITIMIDADE.1. O locatário não possui legitimidade ativa 
para propor ação objetivando a restituição de valores referentes ao IPTU.2. Recurso 
especial provido (883724 RJ 2006/0159450-4, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data 
de Julgamento: 19/03/2007, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 
29.03.2007 p. 250) 
 
3.2.8 Alíquota: A função da alíquota é graduar o montante devido, 
proporcionalmente à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação 
tributária. 
O Decreto Municipal Paulista fixa a alíquota do IPTU à razão de 1,0 % sobre o 
valor venal do imóvel, para imóveis utili-zados exclusiva ou 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
23 
predominantemente como residência e à razão de 1,5% sobre o valor venal do 
imóvel, para imóveis construídos com utilização diversa da referida como 
residência 
Progressividade Fiscal da Alíquota: 
A Constituição Federal de 1988 permitiu a progressividade da alíquota do IPTU 
nos seguintes termos: 
 
“Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: 
 
I - propriedade predial e territorial urbana; 
 
§ 1º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, § 4º, inciso II, o 
imposto previsto no inciso I poderá:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 
2000) 
 
I - ser progressivo em razão do valor do imóvel; e (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 29, de 2000) 
 
II - ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel.(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 29, de 2000)” 
 
Segundo Geraldo Ataliba, a Progressividade Fiscal consiste no modo de o 
legislador estruturar os impostos, majorando as alíquotas na medida em que se 
aumenta a base imponível. 
 
Logo, o IPTU será progressivo sempre que suas alíquotas majorarem à medida 
que se acentuar o valor venal do imóvel. 
 
EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. 
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA. IPTU. 
PROGRESSIVIDADE. POSSIBILIDADE DE DISTINÇÃO DE ACORDO COM A 
DESTINAÇÃO DO IMÓVEL. MATÉRIA AUSENTE DA DECISÃO 
RECORRIDA.Ausência de prequestionamento. Questão não ventilada na decisão 
recorrida. Agravo regimental a que se nega provimento. (756724 RJ , Relator: Min. 
JOAQUIM BARBOSA, Data de Julgamento: 15/02/2011, Segunda Turma, Data de 
Publicação: DJe-065 DIVULG 05-04-2011 PUBLIC 06-04-2011 EMENT VOL-02497-
03 PP-00499) 
 
TRIBUTO MUNICIPAL. IPTU. PROGRESSIVIDADE FISCAL. AÇÃO DE 
REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE.Constitucionalidade da 
EC 29/00 que disciplinou a progressividade fiscal no artigo 156, parágrafo 1º da Carta da 
Republica. Admissível majoração das alíquotas de IPTU com base no valor do imóvel. 
Disciplina legal. Sentença mantida. Recurso desprovido.29156parágrafo 1ºCarta da 
Republica (9242924162005826 SP 9242924-16.2005.8.26.0000, Relator: Nogueira 
Diefenthaler, Data de Julgamento: 01/08/2011, 5ª Câmara de Direito Público, Data de 
Publicação: 04/08/2011) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm#art156§1
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
24 
 
APELAÇÃO CÍVEL- Mandado de Segurança - IPTU - Alegação de inaplicabilidade da 
progressividade fiscal aos impostos reais - Cabimento da progressividade do IPTU, a 
partir da EC nº 29/00. Decisão unânime do Órgão Especial deste E. Tribunal nesse 
sentido - Constitucionalidade da Lei Municipal n"13.250/01 - Recurso não 
provido.2913.250 (994061551070 SP , Relator: Arthur Del Guércio, Data de Julgamento: 
05/08/2010, 15ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação: 16/08/2010) 
 
CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE PREDIAL E 
TERRITORIAL URBANA. IPTU. PROGRESSIVIDADE FISCAL. VEDAÇÃO EM 
PERÍODO ANTERIOR À EC 29/2000. PROCESSUAL CIVIL. CONTROLE DE 
CONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. PROCEDIMENTO. AGRAVO 
REGIMENTAL. NEGATIVA DE PROVIMENTO.291. "É inconstitucional a lei 
municipal que tenha estabelecido, antes da Emenda Constitucional 29/2000, alíquotas 
progressivas para o IPTU, salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social 
da propriedade urbana" (Súmula 668/STF). Reiterada aplicação às leis do Município do 
Rio de Janeiro.292. Não há reserva de Plenário (art. 97 da Constituição)à aplicação de 
jurisprudência firmada pelo Pleno ou por ambas as Turmas desta Corte. Ademais, não é 
necessária identidade absoluta para aplicação dos precedentes dos quais resultem a 
declaração de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade. Requer-se, sim, que as 
matérias examinadas sejam equivalentes. Assim, cabe à parte que se entende prejudicada 
discutir a simetria entre as questões fáticas e jurídicas que lhe são peculiares e a 
orientação firmada por esta Corte.97Constituição3. De forma semelhante, não se aplica a 
reserva de Plenário à constante rejeição, por ambas as Turmas desta Corte, de pedido 
para aplicação de efeitos meramente prospectivos à decisão. De qualquer forma, a 
questão não tem relevância constitucional (RE 592.321-RG, rel. Min. Cezar Peluso, DJe 
de 09.10.2009).4. Sob pena de caracterização como simples falácia ad terrorem, compete 
ao ente federado demonstrar com precisão numérica a inviabilização da atividade estatal, 
pretensamente causada pelo dever de reparação de danos reconhecido pelo Judiciário.5. 
Constitui inadmissível apelo à catástrofe a afirmação de que o custo da reparação 
reconhecida pelo Judiciário será distribuído a toda a sociedade, com o aumento da carga 
tributária. Antes de tudo, questão política-legislativa, que deve ser partilhada com os 
cidadãos pelos meios legalmente previstos. Insuficiência para afastar, tão-somente por si, 
direito individual ao ressarcimento de dano tributário. Agravo regimental ao qual se nega 
provimento. (607616 RJ , Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA, Data de Julgamento: 
01/08/2010, Segunda Turma, Data de Publicação: DJe-185 DIVULG 30-09-2010 
PUBLIC 01-10-2010 EMENT VOL-02417-07 PP-01451) 
 
APELAÇÃO CÍVEL- Mandado de Segurança.IPTU do exercício de 2004 -Cabimento da 
progressividade fiscal do IPTU, a partir da EC nº 29/00, que não se confunde com a 
progressividade extrafiscal, relacionada aocumprimento da função social da propriedade 
- Decisão unânime do Órgão Especial deste E. Tribunal -Constitucionalidade da Lei 
Municipal n"13.250/01 - Inexistência de ofensa a princípios constitucionais - Sentença 
mantida - Recurso não provido.29 (994060851977 SP , Relator: Arthur Del Guércio, 
Data de Julgamento: 15/07/2010, 15ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação: 
23/07/2010) 
 
Progressividade Extrafiscal: 
 
No dizer de Geraldo Ataliba, a progressividade extrafiscal objetiva o aumento 
de alíquota sempre que houver finalidades determinadas a serem atingidas, 
independentemente, pois, de qualquer eventual alteração da base de cálculo. 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
25 
 
Esta progressividade deve respeitar pressupostos constitucionais e sempre que 
verificável, poderá ser aplicada concomitantemente com a progressividade 
fiscal. 
 
“Art. 182, da CF/88: A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder 
Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo 
ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- 
estar de seus habitantes. 
 
§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área 
incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo 
urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado 
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: 
 
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;” 
 
A progressividade extrafiscal visa evitar o mal uso da propriedade urbana e o 
cumprimento da função social da propriedade. 
 
Eis o entendimento da jurisprudência ao assunto discutido: 
 
PROGRESSIVIDADE DO IPTU PRESIDENTE PRUDENTE A hipótese discutida nos 
autos encontra-se atrelada ao art. 182, § 4º da CF e, por isso, a exigência de especificação 
no Plano Diretor, situação que difere da progressividade constante na EC 29/00 A adoção 
de alíquotas progressivas do IPTU com caráter extrafiscal ou punitivo somente é possível 
mediante a edição de lei específica que disponha sobre o Plano Diretor do Município, 
observadas as diretrizes gerais traçadas pelo Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/01) 
Ausência de lei específica Lei municipal declarada inconstitucional pelo Órgão Especial 
RECURSO NÃO PROVIDO.182§ 4ºCF29Estatuto da Cidade10.257 
(1690667120068260000 SP 0169066-71.2006.8.26.0000, Relator: José Luiz Germano, 
Data de Julgamento: 16/08/2011, 2ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação: 
17/08/2011) 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPTU. 
PROGRESSIVIDADE EXTRAFISCAL. ARTIGO 182, § 4º, II, DA CONSTITUIÇÃO 
DO BRASIL.182§ 4ºIICONSTITUIÇÃO1. A cobrança do IPTU progressivo para fins 
extrafiscais, hipótese prevista no artigo 182, § 4º, inciso II, da CB/88, somente se tornou 
possível a partir da edição da Lei n. 10.257/01 [Estatuto da Cidade]. Agravo regimental a 
que se nega provimento.182§ 4ºIICB/8810.257 (338589 ES , Relator: Min. EROS 
GRAU, Data de Julgamento: 24/06/2008, Segunda Turma, Data de Publicação: DJe-152 
DIVULG 14-08-2008 PUBLIC 15-08-2008 EMENT VOL-02328-04 PP-00819) 
 
IPTU.Progressividade extrafíscal que depende de plano diretor e de lei específica. 
Inteligência do artigo 182, § 4o, da Constituição Federal. Lei municipal anterior à 
Emenda Constitucional 29/00. Recursos não providos.182§ 4oConstituição Federal29 
(6061285000 SP , Relator: Marcondes Machado, Data de Julgamento: 27/03/2008, 14ª 
Câmara de Direito Público, Data de Publicação: 16/07/2008) 
 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
26 
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL IPTU referente aos exercícios de 1995 a 1997 
Rejeição dos embargos decretada em primeiro grau Certidão de dívida ativa que 
preenche os requisitos estabelecidos nos arts. 2º, § 5º, III, da LEF e 202 do CTN 
Progressividade do IPTU no tempo Inadmissibilidade Progressividade extrafiscal que 
depende de lei específica para área incluída no plano diretor do município, nos termos do 
artigo 182, § 4º, da CF Inexistência de lei federal sobre a matéria Lei municipal nº 
1.000/77, anterior à Emenda Constitucional 29/00 Possibilidade de cobrança do tributo 
sem a parcela progressiva Apelo parcialmente provido.2º§ 5ºIIILEF202CTN182§ 
4ºCF1.00029 (9097066902001826 SP 9097066-90.2001.8.26.0000, Relator: Paulo Dimas 
Mascaretti, Data de Julgamento: 17/08/2011, 8ª Câmara de Direito Público, Data de 
Publicação: 17/08/2011) 
 
 
 
QUADRO SINÓTICO 
 
5-Tributos sobre a Propriedade; Transmissão da Propriedade; Renda; 
Consumo; Comércio Exterior e Marcado Financeiro 
 
 
1. Imposto de Importação 
 
1.1. Hipótese de Incidência e base de Cálculo 
O imposto de importação que incide sobre a entrada de produtos ou mercadorias 
oriundos do estrangeiro em território brasileiro, tem seu regime jurídico 
definido na Constituição Federal de 1988, no Art. 153, Inciso I, bem como, no 
Art. 19, do Código Tributário Nacional, de competência exclusiva da União 
Federal. 
Em caráter de norma secundária temos a aplicação do Regulamento Aduaneiro, 
conaonte o Decreto nº 91.030/1985, que disciplina as atividades aduaneiras no 
Brasil, nos portos, aeroportos e fronteiras. 
O fato gerador do imposto é a entrada real ou ficta do produto estrangeiro no 
território nacional, no início do despacho aduaneiro, cujo momento se 
caracteriza no momento da apresentação ou registro da declaração de 
importação (DI), perante a autoridade aduaneira da Receita Federal do Brasil, 
com o objetivo da liberação da mercadoria entrepostada ou depositada. 
A base de cálculo o imposto de importação é a operação de conversão da moeda 
estrangeira, constante na fatura comercial (in voice), do lugar da expedição da 
mercadoria, à taxa de câmbio vigente no momento da entrada no país da 
mercadoria importada, ou seja, a taxa de câmbio do dia do registro, na 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
27 
repartição competente, da declaração de desembaraço aduaneiro, conforme a 
previsão do Art. 143, do CTN. 
A base de cálculo será, ainda, mensurada pela quantidade da mercadoria 
expressa pela unidade de medida indicada na Tarifa Aduaneira do Brasil, 
quando a alíquota for específica, ou seja, quando a alíquota aplicável prevê 
importâncias fixas, por exemplo, imposto de importação equivalente a tantos 
reais por tonelada ou por comprimento. 
A seu turno, a base de cálculo será mensurada pelo valor aduaneiro expresso na 
mercadoria importada, neste caso, aplica-se alíquota ad valorem, na 
conformidade, do Art. 7º, n. 2. do Decreto nº 92.930/86, do Acordo Geral sobre 
Tarifas Aduaneiras e Comércio – GATT. 
Inclui-se na base de cálculo, os custos de frete e seguro da operação comercial 
relativos a entrega da mercadoria até o porto ou local de destino no Brasil. 
 1.2 Sujeito Ativo e Passivo 
O imposto de importação é de competência exclusiva da União Federal. O 
sujeito passivo do imposto, conforme o Art. 22, do CTN, e Art. 31, do Decreto 
Lei nº 37/66: 
a) O importador, assim considerado como qualquer pessoa física ou jurídica 
que promova a entrada de mercadoria estrangeira, destinada a permanecer 
de forma definitiva no país, ou quem a eles a lei equiparar; 
b) O arrematante de produtos apreendidos ou abandonados; 
c) O destinatário de remessa postal internacional indicado pelo remetente; 
d) O adquirente de mercadorias em entrepostos aduaneiros. 
1.3 Alíquotas 
As alíquotas do imposto de importação pode ser: 
a) Específicas: valor em dinheiro que incide sobre determinada unidade de 
medida prevista em lei, podendo ser relativa à metragem, peso, por 
exemplo, R$20,00, por tonelada do produto importado. 
b) Ad valorem: aplicação de alíquota sobre determinado valor da operação 
aduaneira, por exemplo, 10% incidente sobre R$20.000,00, valor este 
constante na fatura comercial que representa a operação de comércio 
exterior. 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
28 
c)Mista: a combinação das duas modalidades acima. 
OBS: O imposto de importação conforme regime jurídico constitucional não se 
submete ao princípio da legalidade no que tange a manipulação das suas 
alíquotas para mais ou para menos, por meio de Decreto do Presidente da 
República, conforme a previsão do §1º, do Art. 153, da CF, bem como, não 
obedecerá ao princípio da anterioridade tributária qualificada e nonagesimal, ou 
seja, as alterações de alíquotas do referido imposto surtem efeitos imediatos. 
OBS: DRAWBACK: significa o protecionismo a indústria nacional pelo qual o 
produtor, quando exporta produto acabado, será ressarcido do imposto de 
importação incidente sobre a importação dos insumos estrangeiros necessários a 
fabricação daquele produto. 
OBS: DUMPING: significa a utilização de preços abaixo do custo de mercado 
praticado na indústria nacional, em potencial prejuízo às leis do trabalho e 
comerciais do país destinatário das mercadorias. 
OBS: GATT: Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio. O Brasil é signatário do 
referido acordo internacional, desde 1947, que tem por objetivo estabelecer e 
administrar regras para o procedimento em comércio internacional, bem como 
ajudar os governos a reduzir tarifas alfandegárias ou aduaneiras e abolir as 
barreiras comerciais entre as partes contratantes. 
2. Imposto de Exportação 
2.1 Hipótese de incidência e Base de Cálculo 
A hipótese de incidência do imposto de exportação é a saída do território 
nacional para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados, incidindo 
sobre o momento da liberação pela autoridade aduaneira ou a data de embarque 
ou saída constante na Declaração de Exportação para o exterior. 
O conceito de exportação está vinculado a saída de mercadorias nacionalizadas 
para adquirente estabelecido no exterior. 
A seu turno, a base de cálculo corresponde ao preço normal que a mercadoria 
alcançaria ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre 
concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo 
Conselho Monetário Internacional. 
A base de cálculo levará em consideração a quantidade de mercadoria 
exportada, expressa na unidade de medida indicada na tarifa aduaneira do 
Brasil, quando a alíquota for específica. 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
29 
Quando a alíquota for ad valorem, a base de cálculo será a expressão monetária 
do produto exportado, ou seja, o preço normal das mercadorias exportadas. 
OBS: O Imposto de Exportação poderá ter suas alíquotas alteradas sem a 
necessidade de prévia Lei para tanto, em face da previsão do Art, 153, §1º, da 
CF. No mesmo sentido, no tocante a obediência da anterioridade anual e 
nonagesimal, conforme o disposto no Art. 150, §1º, da CF. 
 
3. IOF – Imposto sobre Operações Financeiras 
 
3.1. Competência Tributária 
 
O IOF, imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a 
títulos ou valores mobiliários, também conhecido como imposto sobre 
operações financeiras, é instituído e cobrado pela União Federal, conforme a 
sua competência delineada no Art. 155, Inciso V, da CF, com função 
nitidamente extrafiscal, com o objetivo de controle de política monetária. 
 
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: 
I - importação de produtos estrangeiros; 
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; 
III - renda e proventos de qualquer natureza; 
IV - produtos industrializados; 
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores 
mobiliários; (...) 
 
O IOF tem regime jurídico definido no CTN, entre os Arts. 63 a 67, literis: 
Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e 
seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato 
gerador: 
I - quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do 
montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à 
disposição do interessado; 
II - quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou 
estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do 
interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta 
à disposição por este; 
III - quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do 
documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
30 
IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, 
transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. 
Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e 
reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de 
uma mesma operação de crédito. 
Art. 64. A base de cálculo do imposto é: 
I - quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal 
e os juros; 
II - quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em moeda nacional, 
recebido, entregue ou posto à disposição; 
III - quanto às operações de seguro, o montante do prêmio; 
IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários: 
a) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver; 
b) na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação em Bolsa, como 
determinar a lei; 
c) no pagamento ou resgate, o preço. 
Art. 65. O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, 
alterar as alíquotas ou as bases de cálculo do imposto, a fim de ajustá-lo aos objetivos 
da política monetária. 
Art. 66. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como 
dispuser a lei. 
Art. 67. A receita líquida do imposto destina-se a formação de reservas monetárias, na 
forma da lei. 
 
Temos, ainda, o IOF regulado pelo Decreto nº 6.306/2007, completando-se o 
cabedal de normas regulamentares para a disciplina do imposto. 
 
3.2. Hipótese de Incidência 
 
Conforme conteúdo constitucional, temos quatro possíveis incidências do IOF 
no núcleo material da obrigação tributária do respectivo imposto. 
 
3.2.1. Operações de Crédito 
 
É a operação financeira, que disponibiliza os recursos monetários no presente 
ao tomador do crédito, com o dever de contraprestação de pagamento no futuro, 
Professor Doutor Flávio Galvão 
 
 
31 
tais como, empréstimos bancários a juros; financiamentos; títulos descontados, 
fiança bancária. 
 
Súmula 664, do STF: É inconstitucional o inciso I do art. 1º da Lei n. 
8.033/90, que instituiu a incidência do imposto das operações de crédito, 
câmbio e seguros – IOF, sobre saques efetuados em caderneta de poupança. 
 
Art. 3º, do Decreto nº 6.306/2007: 
Art. 3
o
 O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o 
objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei n
o
 5.172, de 
1966, art. 63, inciso I). 
§ 1
o
 Entende-se ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: 
I - na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da 
obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; 
II - no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, 
contratualmente, a liberação parcelada; 
III - na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em 
conta de depósito; 
IV - na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; 
V - na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto 
ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de 
abertura de crédito; 
VI - na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios 
assemelhados, observado o disposto nos §§ 7
o
 e 10 do art. 7
o
; 
VII - na data do lançamento contábil, em relação às operações

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