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Variação temporal do zooplâncton da Praia de Tramandaí, Rio Grande do Sul, com ênfase em Copepoda

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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(1):18-26, 30 de março de 2009
AVILA
 
et al.
Variação temporal do zooplâncton da Praia de Tramandaí,
 Rio Grande do Sul, com ênfase em Copepoda
Tatiana R. Avila1, Catarina S. Pedrozo2 & José Guilherme F. Bersano3
1. Laboratório de Zooplâncton, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande. Av. Itália Km 8, Campus Carreiros, Rio
Grande, RS, Brasil. (tatioceano@yahoo.com.br)
2. Laboratório de Zooplâncton, Departamento de Ecologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Bento Gonçalves 9500,
prédio 43422, Caixa Postal 15007, 91540-000 Porto Alegre, RS, Brasil. (catarina@ecologia.ufrgs.br)
3. Universidade Federal do Paraná, Centro de Estudos do Mar, Av. Beira Mar s/n, Caixa Postal 50002, 83255-000 Pontal do Paraná, PR,
Brasil. (bersano@ufpr.br)
ABSTRACT. Temporal variation of the zooplankton from Tramandaí Beach, RS, southern Brazil, with emphasis on
Copepoda. The temporal variability of density, species composition, biomass and diversity of the surf zone zooplankton from
Tramandaí Beach, RS, Brazil, was studied between August 2005 and August 2006. Samples were taken forthnightly using a zooplankton
net of 150 cm total length, 50 cm mouth diameter and 300 µm nylon mesh size. Data on clorofila-a, wind direction, longshore current,
salinity, air and water temperature were taken as well. Copepoda presented the highest species diversity, being Temora turbinata (Dana,
1849) the species with higher relative abundance and frequency of occurrence. Other Copepoda species were also numerically important,
such as Acartia tonsa (Dana, 1849), Subeucalanus pileatus (Glesbrecht, 1888) and Ctenocalanus vanus (Glesbrecht, 1888). The
Mysidacea Metamysidopsis elongata atlantica (Bascescu, 1968) presented frequency of 58.33% and relative abundance of 44%. The
peak of mesozooplanktonic biomass (96 mg.m-³) was recorded in September/2005, corresponding to the maximum density value
presented for this species (3,535 org.m-³). Information about zooplankton of this region is scarce and the results of this study will provide
a base for the knowledge about the biological processes occurring in the surf zone of Tramandaí Beach.
KEYWORDS. Surf zone, Tramandaí Beach, Zooplankton, Copepoda, Metamysidopsis elongata atlantica.
RESUMO. Com o objetivo de conhecer a variação temporal da composição, abundância, diversidade e biomassa do zooplâncton da zona
de arrebentação da Praia de Tramandaí, Rio Grande do Sul, amostragens quinzenais foram realizadas entre agosto de 2005 e agosto de
2006. Os arrastos foram efetuados com rede cilindro-cônica com 150 cm de comprimento, 50 cm de diâmetro de boca e malha de 300
μm. Dados de clorofila-a, direção do vento, corrente de deriva litorânea, salinidade, temperatura do ar e da água também foram obtidos.
O grupo dos Copepoda foi responsável pela maior diversidade de espécies, sendo que Temora turbinata (Dana, 1849) apresentou maior
abundância relativa e freqüência de ocorrência. Outras espécies de Copepoda também foram importantes numericamente como Acartia
tonsa (Dana, 1849), Subeucalanus pileatus (Glesbrecht, 1888) e Ctenocalanus vanus (Glesbrecht, 1888). O Mysidacea Metamysidopsis
elongata atlantica (Bascescu, 1968) apresentou freqüência de 58,33% e abundância relativa de 44%, sendo o pico de biomassa de
mesozooplâncton (96 mg.m-³) registrado em setembro de 2005 correspondente ao máximo valor de densidade apresentado pela espécie
(3.535 org.m-³). Informações sobre o zooplâncton desta região são muito escassos e os dados levantados servirão de base para o
conhecimento dos processos biológicos que ocorrem na coluna d’água da Praia de Tramandaí.
PALAVRAS-CHAVE. Zona de arrebentação, Tramandaí, zooplâncton, Copepoda, Metamysidopsis elongata atlantica.
Praias arenosas são ecossistemas presentes nas
linhas de costa de diversos locais no mundo, sendo
utilizadas pelos seres humanos como fonte de renda
através da pesca e para lazer e recreação. Diferenças nas
morfologias da praia e nas zonas de arrebentação são
facilmente identificadas, podendo ser notadas zonas largas
com seqüências de quebras de onda até praias onde existe
apenas uma linha de quebra, ou a ausência da mesma
(MCLACHLAN, 1980; BROWN & MCLACHLAN, 1990).
Estas diferenças estão relacionadas principalmente
com o grau de exposição a ondas à que está submetida
determinada região. Praias mais abrigadas apresentam
pouca energia e menor zona de arrebentação (praias
refletivas) enquanto regiões abertas apresentam alta
energia de ondas e são fortemente trabalhadas pelas
mesmas. Estas regiões comumente possuem um declive
de praia menos acentuado, uma zona de arrebentação
larga e rasa e com grande dissipação de energia (praias
dissipativas). Consequentemente apresentam intensa
formação de correntes de retorno e deriva litorânea
(MCLACHLAN, 1980; BROWN & MCLACHLAN, 1990).
A dinâmica das praias dissipativas permitem a
recirculação da matéria orgânica dentro de seus limites
(MCLACHLAN, 1980) através da decomposição bacteriana
e do reaproveitamento dos nutrientes pelos organismos
do fitoplâncton, afetando de forma positiva o crescimento
do zooplâncton e de outros componentes da fauna praial.
Os organismos zooplanctônicos são os principais
consumidores primários dos oceanos e transferem a
energia fixada pelas algas para os níveis tróficos
superiores. Sendo a zona de arrebentação um local de
criação para algumas espécies, principalmente teleósteos
zooplanctófagos, estes organismos possuem grande
importância no ecossistema como base da cadeia
alimentar das larvas de peixes e crustáceos explorados
comercialmente (LASIAK, 1986; BROWN & MCLACHLAN, 1990).
O zooplâncton marinho é dominado por
copépodes, sendo este o grupo com melhor descrição e
maior conhecimento do Oceano Atlântico Sul
(BOLTOVSKOY, 1999). Nas zonas de arrebentação tendem a
possuir maior diversidade, dividindo com Mysidacea a
abundância em termos de biomassa (BERSANO, 1994).
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As praias da região de Tramandaí, assim como toda
a costa do Rio Grande do Sul, são dominadas pela ação
de ondas e possuem um caráter aberto e exposto
diretamente à ação de ondas de energia média a elevada
(TOMAZELLI & VILLWOCK, 1991). A zona de arrebentação
formada recebe aporte de águas continentais através dos
sangradouros presentes na linha de costa e do estuário
do Rio Tramandaí, considerado um berçário e regulador
dos estoques pesqueiros. Este é formado pelas lagunas
do Armazém, Tramandaí e canal de descarga, recebendo
toda a carga hídrica procedente do sistema de lagunas e
desaguando no mar pelo canal (SOARES, 2002). Além disto,
o padrão de circulação das águas oceânicas na região é
influenciado pela confluência de massas de origens
distintas, sendo a água tropical, transportada pela
Corrente do Brasil, a de maior presença no verão, e as
massas de água subtropical e subantártica, transportadas
pela Corrente das Malvinas, as de maior intensidade
durante o inverno (CIOTTI et al., 1995; SOARES & MÖLLER,
2001; SOUZA et al., 2006).
Considerando que os organismos do zooplâncton
têm sua distribuição de larga escala ligada diretamente
ao movimento das massas de água, as assembléias
zooplanctônicas podem ser modificadas de acordo com a
origem e mistura das águas que predominam numa
determinada região (BOLTOVSKOY, 1999). Em Tramandaí
estas origens são variáveis (SOARES & MÖLLER, 2001;
SOARES, 2002), podendo estes organismos servir de
indicadores desta amplitude de influências (BOLTOVSKOY,
1999). No entanto, informações sobre o zooplâncton desta
região são muito escassos e em função desta carência, o
presente estudo teve como objetivos estudar sua
variação temporal em termos de composição, abundância,
diversidade e biomassa na zona de arrebentação da Praia
de Tramandaí, com ênfase em Copepoda.
MATERIAL E MÉTODOS
Coletas e análises em laboratório. Este estudo foi
desenvolvido em um ponto situadona zona de
arrebentação da Praia de Tramandaí (Fig. 1) próximo a
plataforma de pesca do balneário (30°00’17’’S;
50°07’45’’O), sendo coletada uma amostra
quinzenalmente entre agosto de 2005 e agosto de 2006.
A cada amostragem, a temperatura da água foi
medida com um termômetro de mercúrio e a salinidade
com um refratômetro. Para se determinar a concentração
de clorofila-a no momento da amostragem, coletou-se
água do mar com um recipiente plástico com volume de
1l, o qual foi acondicionado no escuro em uma caixa de
isopor com gelo. Em laboratório, sub-amostras entre 5 e
50 ml (conforme a concentração de algas) foram filtradas
em triplicata em filtros de 0,47 µm (GF 52-C) e levadas ao
congelador. A extração de pigmentos seguiu a
metodologia de PARSONS et al. (1984) e por leitura em um
fluorímetro (Laboratório de Fitoplâncton, FURG). A
direção da corrente de deriva foi obtida com um flutuador
neutro (garrafa plástica preenchida com 50% de água do
mar, amarrada a um cabo de 10 m de comprimento). Os
dados de direção e velocidade do vento à 10 m de altura,
foram cedidos pela estação meteorológica de Tramandaí,
Epagri/Ciram.
Uma rede de plâncton cilindro-cônica com malha
de 300 µm, aro de 0,5 m e 1,5 m de comprimento foi utilizada
para a coleta do zooplâncton. Arrastos horizontais de
superfície com aproximadamente 3 min de duração foram
realizados dentro da zona de arrebentação numa
profundidade em torno de 1,5 m. Um fluxômetro foi
acoplado à boca da rede a fim de se determinar o volume
de água filtrada. Após as coletas todo o material obtido
foi fixado com solução de formaldeído neutralizado com
Tetraborato de Sódio em concentração final de 4%.
A identificação a nível específico e quantificação
dos organismos (ênfase em Copepoda) foram realizadas
sob microscópios estereoscópico e óptico sempre que
necessário, utilizando-se para isto os guias compilados
por BJÖRNBERG (1981), MONTÚ & GOEDEN (1986) e
BRADFORD-GRIEVE et al. (1999).
A biomassa zooplanctônica em peso seco foi
determinada para alíquotas representando 10% do volume
total da amostra, sendo todos os organismos presentes
na alíquota separados dos detritos e pesados em dois
grupos, crustáceos e os chamados “gelatinosos’’
(sifonóforos, hidromedusas, quetógnatos, salpas e
doliolídeos). Cada fração foi concentrada em rede de
malha 45 µm e lavada com água destilada para retirada
Fig. 1. Mapa do litoral do Rio Grande do Sul, indicando o estuário
de Tramandaí, a Praia de Tramandaí e o estuário da Lagoa dos
Patos.
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dos sais dissolvidos e em seguida retida em micro-filtro
de 0,47 µm (GF 52-C) previamente pesados. O material foi
levado à estufa a 60°C (BEERS, 1976) por 20 horas. Após
este período, os filtros permaneceram durante 6 horas em
um dessecador à temperatura ambiente e o material foi
pesado em uma balança de cinco casas para a obtenção
do peso seco (BERSANO, 1994).
Análise dos dados. Densidade de organismos
(org.m-³) e índice de diversidade de Shannon (bits.ind-¹)
e equitabilidade (J) (PIELOU, 1997) foram calculados para
cada unidade amostral para o grupo Copepoda. A
freqüência de ocorrência e abundância relativa foram
determinadas considerando somente as espécies de
copépodes, sendo abundantes aquelas que apresentaram
densidade média maior que a densidade média total (LOBO
& LEIGHTON, 1986). Correlações entre variáveis bióticas
(densidade de cada taxa em cada coleta ou densidade de
cada espécie de copépode em cada coleta) e abióticas
(temperatura da água, direção do vento, velocidade do
vento, direção da corrente e salinidade) foram avaliadas
através da Análise de Correspondência Canônica (ACC).
A ACC foi realizada com diferentes combinações de
taxóns nas variáveis dependentes (somente Crustacea,
somente Crustacea abundantes, somente Copepoda,
somente Copepoda abundantes ou somente as espécies
indicadoras) com as variáveis independentes (clorofila-
a e peso seco de zooplâncton foram utilizados ou
suprimidos nas diferentes combinações). Um teste de
espécies indicadoras (DUFRENE & LEGENDRE, 1997)
utilizando as densidades de organismos foi aplicado
agrupando as unidades amostrais de acordo com as
estações do ano na tentativa de identificar as espécies
características de cada estação. O programa PC-ORD,
Versão 4.10 (MCCUNE & MEFFORD, 1999) foi utilizado para
realizar as análises estatísticas.
RESULTADOS
Variáveis ambientais. Durante o período de um ano
de coleta, a temperatura da água mostrou um padrão de
variação sazonal apresentando média de 18°C com
mínimo de 13°C em setembro e novembro de 2005 e máximo
de 25°C em janeiro e fevereiro de 2006 (Tab. I). A salinidade
esteve acima de 30 em mais de 50% das amostragens,
variando entre 37 em maio e julho de 2006 e 23 em janeiro
do mesmo ano. A direção do vento predominante foi
nordeste (46% e maioria dos registros feitos na primavera
e verão), enquanto os ventos de sudoeste representaram
21% da freqüência, com principais registros no inverno.
A velocidade média do vento foi 3,5 m.s-¹, o valor mínimo
foi 0,01 m.s-¹ e máximo de 7,5 m.s-¹ com direção noroeste.
A corrente de deriva se descolou em direção sul em 54,16%
das amostragens e em direção norte 45,84% (Tab. I).
O valor médio de clorofila-a encontrado foi 38,28
µg.l-¹, com picos acima de 100 µg.l-¹ em maio e junho de 2006
e atingindo 138 µg.l-¹ sob condições de vento sudoeste, em
28 de junho durante um elevado crescimento da microalga
Asterionellopsis sp. (Fig. 2). Em janeiro de 2006 foram
detectadas altas concentrações de diatomáceas cêntricas e
do dinoflagelado Noctiluca, apresentando 90 µg.l-¹ de
clorofila-a. Em dezembro de 2005 foram registrados os
menores valores de clorofila-a (4,21 µg.l-¹ ) (Fig. 2).
A análise de correspondência canônica não
apresentou correlação entre os dados abióticos e a
composição, densidade e freqüência das espécies (p > 0,05).
Zooplâncton. Um total de 81 táxons foram
registrados para o zooplâncton da Praia de Tramandaí.
Sua descrição encontra-se em diferentes níveis de
identificação (Tab. II). O holoplâncton foi composto por
67 táxons, o meroplâncton por 11 estádios larvais e 3 taxa
corresponderam a moluscos e isópodos bentônicos que
podem aparecer na coluna d’água devido a ressuspensão
causada pela ação de ondas. Na análise de densidade
média dos grupos nas 24 amostras, Mysidacea e
Copepoda apresentaram os maiores valores, com 344 e
233 org.m-³ respectivamente, enquanto os outros grupos
apresentaram densidades abaixo de 40 org.m-³ (Fig.3).
Copepoda. A Subclasse Copepoda foi dominante
entre os grupos identificados com 43 táxons, dos quais
28 pertenceram à Ordem Calanoida, 4 à Ordem Cyclopoida,
3 à Ordem Harpacticoida e 8 à Ordem Poecilostomatoida
(Tab. II). A densidade máxima registrada do grupo de
copépodes foi de 1884 org.m-³ no mês de agosto de 2005
Tabela I. Dados ambientais (T (°C), temperatura da água; Sal,
salinidade; Dv, direção do vento; Vv (m.s-¹), velocidade do vento;
Dc, direção da corrente de deriva) de amostragem quinzenal entre
agosto de 2005 e agosto de 2006 na Praia de Tramandaí, RS.
Coletas T (°C) Sal Dv Vv(ms-¹) Dc
23/08/2005 17 32 NE 4,76 N
13/09/2005 13 25 SO 5,03 N
21/09/2005 15 26 NE 3,91 S
04/10/2005 18 30 NE 6,03 N
18/10/2005 20 30 SO 3,75 S
01/11/2005 18 30 SO 0,60 S
16/11/2005 21 31 SE 2,46 S
29/11/2005 13 33 NE 2,60 N
13/12/2005 21 38 NE 3,75 N
26/12/2005 16 36 NE 3,22 S
10/01/2006 25 24 NE 5,16 S
24/01/2006 23 23 NE 5,65 S
21/02/2006 25 29 S 2,21 N
07/03/2006 24 36 0,01 S
21/03/2006 15 26 N 4,93 S
17/04/2006 19 36 O 4,07 N
02/05/2006 16 37 NO 7,47 N
16/05/2006 18 36 NE 4,26 S
30/05/2006 17 34 0,03 N
13/06/2006 16 31 NE 3,48 S
28/06/2006 15 31 SO 1,14 N
13/07/2006 17 34 SO 2,97 S
25/07/2006 18 37 NE 3,13 N
08/08/2006 17 36 N 3,86 S
Fig. 2. Variação temporal da concentração de clorofila-a (μg.l-¹) na
zona de arrebentação da Praia de Tramandaí, RS, no período entre
agosto de 2005 e agosto de 2006.
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e a riqueza média foi oito espécies com máximo de 17 e
mínimo de um. A diversidade ficou em torno de 1,1
bits.ind-¹ com máximo de 1,8 bits.ind-¹, em setembro de
2005 (espécies de maior densidade: Ctenocalanus vanus
(Giesbrecht, 1888), Labidocera fluviatilis (Dahl, 1894) e
Acartia tonsa (Dana, 1849)) e março de 2006 (espécies
de maior densidade: Scolecithrix danae (Lubbock, 1856),
C. vanus, Temora turbinata (Dana, 1849), Oithona
plumifera (Baird, 1843) e Acartia lilljeborgi (Giesbrecht,
1892)) (Fig. 4). O mínimo de zero bits.ind-¹ foi registrado
em maio de 2006, quando somente foi registrado
copepoditos de C. vanus (Fig. 4). A equitabilidade variou
de zero em novembro de 2005 (quando a riqueza foi de
somente uma espécie) a 0,95 em junho de 2006 (Fig. 4).
Do ponto de vista quantitativo os táxons de maior
abundância foram os copépodes A. tonsa, Halicyclops
spp., C. vanus, Subeucalanus pileatus (Giesbrecht, 1888),
T. turbinata, Notodiaptomus incompositus (Brian, 1925)
e Paracalanus quasimodo (Bowman, 1971). Temora
turbinata foi a espécie que apresentou maior freqüência
de ocorrência (71%) e abundância relativa (48,96%), seguida
em freqüência por Pseudodiaptomus richardis (Dahl, 1894)
HOLOPLÂNCTON
Filo Arthropoda
 Subfilo Crustacea
Classe Maxillopoda
 Subclasse Copepoda
 Ordem Calanoida
 Acartia lilljeborgi (Giesbrecht, 1892)
 Acartia tonsa Dana, 1849
 Calanoides carinatus (Kroyer, 1849)
 Calocalanus contractus (Farran, 1926)
 Centropages velificatus (Dana, 1849)
 Centropages sp. – copepodito
 Ctenocalanus vanus (Giesbrecht, 1888)
 Ctenocalanus sp. – copepodito
 Euchaeta marina (Prestandrea, 1833)
 Euchaeta sp. – copepodito
 Labidocera fluviatilis (Dahl, 1894)
 Labidocera sp. – copepodito
 Notodiaptomus incompositus (Brian, 1925)
 Paracalanus aculeatus (Giesbrecht, 1888)
 Paracalanus parvus (Claus, 1863)
 Paracalanus quasimodo (Bowman, 1971)
 Paracalanus sp.
 Paracalanus sp. – copepodito
 Parvocalanus crassirostris (Dahl, 1894)
 Pontellopsis vilosa (Brady, 1883)
 Pseudodiaptomus richardi (Dahl, 1894)
 Scolecithrix danae (Lubbock, 1856)
 Subeucalanus pileatus (Giesbrecht, 1888)
 Temora stylifera (Dana, 1849)
 Temora turbinata (Dana, 1849)
 Temora sp. – copepodito
 Undinula vulgaris (Dana, 1849)
 Copepoditos
 Ordem Cyclopoida
 Halicyclops spp.
 Cyclopoida
 Mesocyclops longisetus (Thiébaud, 1914)
 Oithona plumifera (Baird, 1843)
 Ordem Harpacticoida
 Haparticoida
 Macrosetella gracilis (Dana, 1847)
 Microsetella rosea (Rose, 1933)
 Ordem Poecilostomatoida
 Corycaeus amazonicus (Dahl, 1894)
 Corycaeus giesbrechti (Dahl, 1894)
 Corycaeus latus (Dana, 1849)
 Corycaeus sp.
 Oncaea conifera (Giesbrecht, 1891)
 Oncaea mediterranea (Claus, 1863)
 Oncaea venusta (Phillipi, 1982)
 Sapphirina sp.
Subclasse Branchiopoda
 Ordem Cladocera
 Bosmina huaronensis (Delachaux, 1918)
 Bosmina longirostris (Müller, 1785)
 Bosmina sp.
 Ceriodaphinia cornuta (Sars, 1886)
 Cladocera
Tabela II. Grupos taxonômicos do zooplâncton identificados na zona de arrebentação da Praia de Tramandaí, RS, entre agosto de 2005
e agosto de 2006.
 Daphinia ambigua (Scourfiel,1947)
 Diaphanosoma sp.
 Evadnes nordmanni (Lovén, 1836)
 Moina micrura (Kurz, 1874)
 Moina sp.
 Penilia avirostris (Dana, 1852)
 Pleopis poliphemoides (Leuckart, 1859)
 Podon polyphemoides (Leuckart, 1859)
 Simocephalus sp.
Classe Malacostraca
 Ordem Mysidacea
 Metamysidopsis elongata atlantica (Bascescu, 1968)
Filo Chaetognatha
 Ordem Aphagmophora
 Sagitta tenuis (Conant, 1896)
 Sagitta spp.
Filo Chordata
 Subfilo Urochordata
Classe Thaliacea
 Ordem Salpida
 Thalia democratica (Forskal, 1775)
 Salpida spp.
 Ordem Doliolida
Classe Appendicularia
Filo Cnidaria
 Superclasse Hydrozoa
Classe Hydromedusae
 Classe Siphonophorae
 Ordem Calycophorae
 Ordem Physonectae
MEROPLÂNCTON
Filo Arthropoda
 Subfilo Crustacea
Classe Cirripedia
 Cipris
 Nauplio
Classe Malacostraca
 Decapoda
 Estágio larval
Filo Echinodermata
 Estágio larval
Filo Annelida
Classe Polychaeta
 Estágio larval
Filo Chordata
 Subfilo Vertebrata
Classe Actionopterygii
 Ovos
INDIVÍDUOS BENTÔNICOS
Filo Mollusca
Classe Gatropoda
Classe Bivalvia
Filo Arthropoda
 Subfilo Crustacea
Classe Malacostraca
Superordem Peracarida
 Ordem Isopoda
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(63% e 1,49%), C. vanus (58% e 15,91%), A. tonsa (50% e
9,52%) e Parvocalanus crassirostris (Dahl, 1894) (50% e
0,68%) (Tab. III ).
Acartia tonsa, C. vanus, S. pileatus e T. turbinata
foram responsáveis por 79,92% da abundância relativa
de copépodes (Tab. III). Acartia tonsa teve densidade
média de 22 org.m-³ com valores máximos no verão e pico
de 271 em fevereiro de 2006, enquanto C. vanus e T.
turbinata tiveram sua maior densidade em 28 de agosto
de 2005 com 636 e 825 org.m-³ respectivamente.
Ctenocalanus vanus foi mais freqüente no inverno e T.
turbinata esteve presente quase o ano inteiro, sendo
responsável pelas maiores abundâncias. Subeucalanus
pileatus foi registrado em todas as estações com pico de
densidade de 74 org.m-³ em março e julho de 2006, porém
com maior freqüência no verão. A figura 5 demonstra a
variação de porcentagem representada por cada espécie
ao longo do período amostrado.
Outros zooplanctontes. O misidáceo Metamysidopsis
elongata atlantica (Bascescu, 1968), foi abundante e
freqüente (58,3%) na região de Tramandaí apresentando
a maior densidade registrada para uma única espécie (3.535
org.m-³ em 13/09/2005) com média de 320 org.m-³.
Cladocera apresentou 14 espécies (4 marinhas e 10 de
água doce) (Tab. II) com maior diversidade nos dias 21/
09/2005 e 10/01/2006, quando também foram registrados
copépodes de água doce. Chaetognatha, Salpida,
Doliolida, Appendicularia, Actionopterygii na forma de
ovos e Siphonophorae estiveram presentes
principalmente no verão, com registros de ovos de peixes
ainda na primavera e de Chaetognatha nos meses de
outono. Entre os principais representantes do
meroplâncton foram registrados náuplios e cipris de
Cirripedia e larvas de Decapoda (vários estádios de
desenvolvimento).
Espécies indicadoras. O teste de espécies indicadoras
(DUFRENE & LEGENDRE, 1997) apresentou A. lilljeborgi,
Tabela III. Porcentagem de freqüência observada (FO), densidade
média (DM), densidade máxima (Dmáx), densidade mínima
(Dmín) e abundância relativa (AR%) das espécies de copépodes
coletadas na zona de arrebentação da Praia de Tramandaí, RS no
período de amostragem.
Espécies FO(%) DM Dmáx Dmín AR(%)
Calanoida
Acartia tonsa 50,00 22,20 271,00 2,00 9,50
Acartia lilljeborgi 25,00 1,80 23,00 0,17 0,80
Calanoides carinatus 12,50 0,14 3,10 0,03 0,05
Calocalanus contractus 4,70 0,13 3,00 3,00 0,05
Centropages sp. copepodito 4,70 0,13 3,00 3,00 0,05
Centropages velificatus 25,00 0,30 2,20 0,36 0,12
Clausocalanus furcatus 8,30 0,14 2,00 1,47 0,06
Copepoditos 29,70 1,30 15,60 0,35 0,54
Ctenocalanus sp. copepodito 8,30 0,20 3,80 1,00 0,08
Ctenocalanus vanus 58,30 37,00 636,00 0,70 15,91
Euchaeta marina 4,70 0,08 1,90 1,90 0,03
Euchaeta sp. copepodito 8,30 0,08 1,40 0,66 0,04
Labidocera fluviatilis 29,17 0,80 12,00 0,61 0,30
Labidocera sp. copepodito 16,70 0,60 10,40 1,10 0,30
Notodiaptomus incompositus 25,00 7,40 93,00 1,70 3,19
Paracalanus aculeatus 16,70 0,23 2,20 0,56 0,10
Paracalanus parvus 20,80 2,50 54,00 0,33 1,00
Paracalanus quasimodo 37,50 6,45 141,00 0,60 2,70
Paracalanus sp. 12,50 0,20 3,75 1,22 0,10
Paracalanus sp. copepodito 12,50 0,60 7,13 5,19 0,30
Parvocalanus crassirostris 50,00 1,57 11,25 0,17 0,80
Pontellopsis vilosa 4,20 0,04 1,00 1,00 0,02
Pseudodiaptomus richardi 62,50 3,50 48,00 1,80 1,50
Scolecithrixdanae 37,50 4,00 38,20 1,78 1,80
Subeucalanus pileatus 45,80 13,00 74,20 1,90 5,50
Temora stylifera 8,30 0,20 4,00 0,80 0,09
Temora turbinata 70,80 114,00 825,00 0,50 48,96
Temora sp. copepodito 8,30 1,96 39,00 8,24 0,84
Undinula vulgaris 4,20 0,02 0,40 0,35 0,01
Cyclopoida
Halicyclops spp. 25,00 10,47 195,00 0,60 4,49
Mesocyclops longicetus 8,30 0,30 4,40 1,70 0,10
Oithona plumifera 8,30 0,53 7,40 5,45 0,20
Harpacticoida
Harpacticoida sp. 4,20 0,01 0,80 0,17 0,00
Macrosetella gracilis 8,30 0,08 1,30 0,66 0,04
Microsetella rosea 4,20 0,13 3,00 3,00 0,05
Poecilostomatoida
Corycaeus sp. 4,20 0,05 1,20 1,22 0,02
Corycaeus giesbrechti 8,30 0,08 1,40 0,66 0,04
Corycaeus amazonicus 12,50 0,40 4,40 0,30 0,15
Corycaeus latus 4,20 0,05 1,30 1,30 0,02
Oncaea conifera 4,20 0,05 1,20 1,22 0,02
Oncaea mediterranea 4,20 0,03 0,60 0,60 0,01
Oncaea venusta 12,50 0,17 2,00 0,60 0,07
Sapphirina sp. 4,20 0,06 1,47 1,47 0,03
Fig. 3. Densidade média (org.m-³) de cada grupo taxonômico
registrado na Praia de Tramandaí, RS no período entre agosto de
2005 e agosto de 2006.
Fig. 4. Variação temporal da diversidade de Shannon (H – bits.ind-¹)
e Equitabilidade (E) dos copépodes identificados na Praia de
Tramandaí, RS em cada coleta no período entre agosto de 2005 e
agosto de 2006.
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(1):18-26, 30 de março de 2009
Variação temporal do zooplâncton da Praia de Tramandaí...
Oithona plumifera, Paracalanus aculeatus (Giesbrecht,
1888), Penilia avirostris (Dana, 1852) e a presença de ovos
de peixe como característicos do verão, Corycaeus
amazonicus (Dahl, 1894) do inverno e Bathyporeiapus sp.
e Bosmina longirostris (Müller, 1785) da primavera, não
havendo representantes da estação de outono (Tab. IV).
Biomassa zooplanctônica. Em 13 de setembro de
2005 foi registrado o maior valor de peso seco de
zooplâncton total (96,68 mg.m-³) (Fig. 6). Deste total, apenas
0,17 mg.m-³ corresponderam ao grupo de gelatinosos e a
grande parte da biomassa foi de crustáceos, nesta amostra
majoritariamente representados pela espécie M. elongata
atlantica (pico de densidade de 3.535 org.m-³).
Da mesma forma, ao longo dos meses de coleta a fração
de crustáceos das amostras representou de modo geral o maior
peso da biomassa. A contribuição dos gelatinosos foi mais
freqüente e significativa durante a primavera e verão e a maior
biomassa do grupo foi de 14 mg.m-³ em março de 2006,
apresentando 9 mg.m-³ e 7 mg.m-³ em dezembro de 2005 e janeiro
de 2006 respectivamente (Fig. 6).
DISCUSSÃO
Zooplâncton. As variações na composição do
zooplâncton observadas ao longo do estudo, reforçam
que esta é uma região que recebe contribuições de água
de diferentes origens, como a água tropical, de
característica mais oligotrófica, transportada em direção
sul pela Corrente do Brasil (CAMPOS et al., 1995),
subantártica, subtropical e central do Atlântico Sul,
transportadas para norte pela Corrente das Malvinas
(CM) (PIOLA et al., 1999; CAMPOS et al., 2000) e o aporte
de água doce proveniente do deságüe do rio Tramandaí.
Assim como em outros estudos sobre o zooplâncton
marinho (BJÖRNBERG, 1981; BRADFORD-GRIEVE et al., 1999;
CAVALCANTI & LARRAZABÁL, 2004), o grupo Copepoda foi
responsável pela maior diversidade, representado
principalmente por espécies da Ordem Calanoida.
Copepoda. Assim como em outras regiões marinhas
(BERSANO, 1994; SANT’ANNA & BJÖRNBERG, 2006; STERZA &
FERNANDEZ, 2006; CORNILS, et al., 2007), o Grupo Copepoda
foi dominante em densidade e riqueza.
A diversidade máxima de Copepoda (1,8 bits.ind-¹)
apresentada em nossos resultados para a zona de
arrebentação de Tramandaí é considerada baixa, mas está
de acordo com as previsões de MARGALEF (1995) e
BOLTOVSCOY (1981), de que a diversidade do plâncton é menor
na costa do que nas regiões mais oceânicas e mínimas no
estuário. A riqueza de copépodes encontrada (43 taxóns) foi
superior a encontrada na zona de arrebentação por BERSANO
(1994) (28 taxóns) e próxima à da Baía de Vitória (STERZA &
FERNANDEZ, 2006) (49 taxóns) e Canal de São Sebastião
(SANT’ANNA & BJÖRNBERG, 2006) (53 taxóns), também regiões
costeiras, ficando bem abaixo dos 110 taxóns de Copepoda
registrados em uma região mais afastada da costa no Oceano
Índico (HWANG et al., 2006).
A espécie Temora turbinata foi a mais frequente e
abundante em nosso estudo. A espécie é considerada de
águas oceânicas e costeiras em massas de água tropical
e subtropical na margem oeste do Oceano Atlântico Sul
(BOLTOVSCOY , 1999). Apesar de hoje ser encontrada no
Brasil próximo a estuários em grande abundância (LOPES
& SUÁREZ, 1998; STERZA & FERNANDEZ, 2006), até alguns
anos atrás, não havia registro da espécie em estudos
realizados no litoral sul do Rio Grande do Sul (MONTÚ,
1980; BERSANO,1994). Até meados de 1994, Temora
stilyfera (Dana, 1849) era a principal representante do
gênero nestas latitudes, sendo T. turbinata encontrada
em abundância em águas neotropicais (CHISHOLM & ROFF,
1990a, b). O primeiro registro da espécie no Brasil foi
feito no estuário do rio Vasa-Barris (estado de Sergipe)
por ARAÚJO & MONTÚ (1993) e posteriormente por
MUXAGATA & GLOEDEN (1995) no estuário da Lagoa dos
Patos (RS), sendo considerada espécie invasora destas
regiões.
Fig. 6. Biomassa em peso seco (mg.m-³) do zooplâncton de
Tramandaí, RS. Biomassa de crustáceos (BioCr), biomassa de
gelatinosos (BioGel) e biomassa total (BioTol) no período entre
agosto de 2005 e agosto de 2006.
Fig. 5. Variação temporal da porcentagem relativa das espécies
mais freqüentes e abundantes na Praia de Tramandaí, RS (Temora
turbinata (Dana, 1849), Subeucalanus pileatus (Giesbrecht, 1888),
Ctenocalanus vanus (Giesbrecht, 1888) e Acartia tonsa (Dana,
1849)) no período entre agosto de 2005 e agosto de 2006.
Tabela IV. Espécies do zooplâncton indicadoras (P < 0,05) de cada estação do ano na Praia de Tramandaí, RS, no período entre agosto de
2005 e agosto de 2006.
Verão Outono Inverno Primavera
Acartia lilljeborgi Corycaeus amazonicus Bathyporeiapus sp.
Oithona plumifera Bosmina longirostris
Paracalanus aculeatus
Penilia avirostris
Ovos de peixe
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(1):18-26, 30 de março de 2009
AVILA
 
et al.
Acartia tonsa e Subeucalanus pileatus
apresentaram certa freqüência e abundância ao longo do
ano na Praia de Tramandaí, da mesma forma que foram
freqüentes nas praias do sul do Rio Grande do Sul no
levantamento feito por BERSANO (1994) e podem ser
encontradas em regiões costeiras e estuários desde a
Argentina e ao longo da costa Brasileira (SABATINI &
MARTOS, 2002; BERASATEGUI et al., 2006; STERZA &
FERNANDEZ, 2006). De acordo com suas distribuições
espaciais, A. tonsa foi classificada por MONTÚ (1980) como
eurihalina e euritérmica (o que explica sua ampla
distribuição latitudinal) porém não atingindo grandes
densidades ao se afastar da zona costeira em direção à
plataforma aberta. Subeucalanus pileatus é mais
resistente a este deslocamento perpendicular à costa.
Neste estudo, Ctenocalanus vanus foi o
representante mais importante de águas frias. Esta espécie
tem origem subantártica, sendo geralmente dominante
em zonas de convergência da Corrente Circumpolar
Antártica (BERNARD & FRONEMAN, 2003, 2005). Na margem
oeste do Atlântico Sul, aparece na Argentina com
freqüência e grande abundância sobre a plataforma
continental (SABATINI & MARTOS, 2002; BERASATEGUI et
al., 2006), sendo registrado no Brasil na região de Cabo
frio (VALENTIN et al., 1975; VALENTIN, 1980) em eventos
de ressurgência.
Essa espécie pode também chegar à costa rio-
grandense no inverno, sendo transportada pela CM e
água costeira acompanhando o fluxo norte do Rio da
Prata. Na primavera é possível que sua presença esteja
ligada às ressurgências de quebra de plataforma, já que
na região próxima a Tramandaí esta é mais estreita se
comparada com o litoral sul, permitindo que as águas
ascendentes estendam suas influências até mais próximo
à costa. Os registros de Calanoides carinatus (Kroyer,
1849) na primavera podem também estar associados aos
mesmos eventos.No trabalho de BERASATEGUI et al. (2006), A. tonsa
e C. vanus encontram-se espacialmente separados na
coluna d’água, com a primeira dominando na região do
estuário do Rio da Prata e a segunda na plataforma
continental. Nossos resultados não avaliaram a
distribuição espacial das espécies, mas demonstram uma
tendência à separação temporal com maior freqüência e
maior abundância relativa de C. vanus no inverno -
primavera e A. tonsa com presença mais significativa no
verão, sendo, porém identificada a coexistência entre as
espécies.
Notodiaptomus incompositus e Pseudiaptomus
richardi são espécies de água doce e estuarinas (MONTÚ,
1980; BERASATEGUI et al., 2006; STERZA & FERNANDEZ, 2006)
e foram abundantes e freqüentes no ponto de coleta.
Segundo MONTÚ (1980), P. richardi é mais resistente à
variação de salinidade, o que pode explicar sua presença
em maior freqüência e abundância na zona de
arrebentação de Tramandaí, quando comparado com N.
incompositus. O registro de ambos copépodes
(juntamente com Cladocera) demonstra a forte influência
dos deságües para a fauna da região.
Outros zooplanctôntes. O grupo Mysidacea não
apresentou grande diversidade de espécies, mas foi o
táxon com maior freqüência e abundância registrada
durante o período amostral. A importância de misidáceos
em zonas de arrebentação também foi ressaltada em
trabalhos na zona de arrebentação na África do Sul
(MCLACHLAN, 1990; WOOLDRIDGE 1983). No Brasil, M.
elongata atlantica foi registrada no litoral de Santa
Catarina (RESGALLA, 2001), São Paulo (LOPES et al., 1986;
FRIES & BJÖRNBERG, 1997) e nas praias do sul do Rio Grande
do Sul, onde foi reconhecida como a principal responsável
pelos valores de densidade e biomassa registrados em
Crustacea (BERSANO, 1994).
Os grupos Chaetognatha, Salpida, Doliolida,
Appendicularia, Hidromedusae e Siphonophorae
possuem espécies tanto de águas frias como tropicais
(BRADFORD-GRIEVE et al., 1999), mas neste estudo
apresentaram maior freqüência no verão, assim como os
ovos de Actionopterygii.
A presença de Cladocera esteve relacionada a
salinidades mais baixas, indicando maior influência das
águas estuarinas na costa. O estuário de Tramandaí recebe
parte do esgoto doméstico das cidades de Imbé e
Tramandaí (SOARES, 2002), sendo registrados alguns
níveis de contaminação orgânica no mesmo. Outrossim,
o registro de Bosmina longirostris e Moina micrura
(Kurz, 1874) indicam poluição orgânica na região dos
lagos costeiros próximos ao estuário (PEDROZO & ROCHA,
2005). Como observado nos resultados, alguns valores
de salinidade foram relativamente baixos (23 – 26), fato
que pode estar relacionado com os desagües do rio
Tramandaí e com a dinâmica de circulação local. A
corrente de deriva litorânea atua diretamente na zona de
arrebentação e é gerada pela ação de ondas e ventos,
geralmente adquirindo a direção da forçante do vento
(MCLACHLAN, 1980). A ação desta corrente, explicaria os
dados de salinidade registrados abaixo da média no ponto
de coleta, já que este se localiza ao sul da saída do estuário
e sob condições de ventos do quadrante norte pode
receber águas menos salinas, transportadas pela deriva
litorânea e carreando espécies características de águas
doces.
Entre os organismos do meroplâncton, a presença
em todas as estações do ano das larvas de Decapoda e
os ovos de peixe abundantes durante o verão demonstram
a importância da área de estudo como zona de criação. O
Amphipoda Gamaridea do gênero Bathyporeiapus,
considerado abundante neste estudo, também é
representativo nas praias do sul do Rio Grande do Sul
(BERSANO, 1994). Assim como observado para a Praia do
Cassino (BERSANO, 1994), os náuplios e cipris de Cirripédia
e também larvas de crustáceo Decapoda foram
importantes representantes do meroplâncton.
Biomassa zooplanctônica. Dados elevados de
clorofila-a foram freqüentes durante o período de estudo
e estiveram geralmente relacionados com a presença de
grande concentração de Asterionellopsis sp. ou
diatomáceas cêntricas. É interessante notar que os valores
mínimos encontrados corresponderam aos mais elevados
encontrados por CIOTTI et al. (1995) (4.3 mg.m-³) na saída
do estuário da Lagoa dos Patos. Apesar disto, a biomassa
máxima em peso seco foi relativamente baixa quando
comparada com o valor máximo de 895,2 mg.m-³
encontrado por BERSANO (1994) na zona de arrebentação
da Praia do Cassino, e com as altas concentrações na
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(1):18-26, 30 de março de 2009
Variação temporal do zooplâncton da Praia de Tramandaí...
costa da Patagônia Argentina (que chegou a alcançar
valores em torno de 1200 mg.m-³), com freqüentes valores
acima de 300 mg.m-³ (SABATINI et al., 2001).
Espécies indicadoras. Das espécies indicadoras de
águas mais quentes, Acartia lilljeborgi, Oithona
plumifera e Paracalanus aculeatus representaram a
maior influência das massas da Corrente do Brasil nesta
estação, já que a primeira é mais abundante do que A.
tonsa em águas mais quentes (STERZA & FERNANDEZ, 2006)
e as outras duas são geralmente abundantes no Nordeste
brasileiro (CAVALCANTI & LARRAZABÁL, 2004). O cladócero
Penilia avirostris também classificada aqui como
indicadora de verão foi utilizada por VALENTIN et al. (1975)
junto com C. vanus, como indicadora de eventos de
ressurgência na costa sul do Brasil. Corycaeus
amazonicus apareceu somente em coletas de inverno, ao
contrário de maior freqüência no verão registrada por
BERSANO (1994).
O levantamento da composição, densidade e
biomassa do zooplâncton realizado neste trabalho servirá
de base para um maior entendimento dos processos de
mistura de águas e da capacidade de produção na região
da praia de Tramandaí, Rio Grande do Sul.
Agradecimentos. Os autores agradecem ao Centro de
Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR), em
especial ao Osvaldo Stalhban Machado e Manoel Nunes de Melo
pelo apoio nas coletas; ao técnico do Laboratório de Zooplâncton
da FURG Waldemar José Apolinário Amaral, pela ajuda na análise
das amostras; à Epagri/Ciram pelo fornecimento de dados
metereológicos da estação de Tramandaí; ao Laboratório de
Fitoplâncton da FURG pelo auxílio nas análises de clorofila-a e ao
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e
Científico pela concessão da bolsa de estudos à primeira autora.
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AVILA
 
et al.
Recebido em fevereiro de 2007. Aceito em julho de 2008. ISSN 0073-4721
Artigo disponível em: www.scielo.br/isz
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