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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2

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Ilmo. Sr. Presidente da Comissão Processante instituída pelas Portarias de números [XXX] e [XXX]/[XXX].
Servidor: ANTONIO PACHECO
ANTONIO PACHECO, já qualificado anteriormente, vem por seu procurador abaixo assinado apresentar DEFESA, pelas questões de fato e de direito a seguir aduzidas:
A presente defesa se refere à confecção de alegações finais de defesa no âmbito de um processo administrativo disciplinar, na qualidade de procurador do Acusado ANTONIO PACHECO. Este processo foi instaurado pela Corregedoria da entidade autárquica federal em que o servidor ANTONIO PACHECO está lotado. A acusação se baseia em supostas infrações aos deveres funcionais, conforme consta na ata de encerramento da instrução processual e no termo de citação para apresentação de defesa.
Conforme consta na Ata de Encerramento da Instrução Processual e no Termo de Indiciação, a Comissão responsável pelo processo decidiu indiciar o servidor ANTONIO PACHECO, ocupante do cargo efetivo de Auxiliar de Seguridade Social, pelo cometimento das infrações estatutárias relacionadas aos seguintes fatos:
I – ter utilizado pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares, cometendo a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, e ainda tendo exercido atividades incompatíveis com o exercício do seu cargo e função e com o horário de trabalho.
Penalidades previstas: As penalidades previstas para as infrações mencionadas incluem suspensão, nos termos do artigo 127, II da Lei nº 8112/90, e demissão, nos termos do artigo 127, III da mesma Lei.
Preliminarmente, observamos que a Portaria que determina a instauração do PAD em desfavor do servidor ANTONIO PACHECO não menciona a possibilidade de demissão. Portanto, a possibilidade de aplicação dessa penalidade deve ser afastada.
No mérito, não há provas, sequer indícios, que indiquem o já citado servidor como autor de qualquer ilícito passível de punição. Vejamos.
1. Utilização de Recursos Materiais e Atividades Particulares: Refutamos vigorosamente a alegação de que ANTONIO PACHECO utilizou recursos materiais da repartição para atividades particulares. Não existem provas substanciais que sustentem tal acusação, e nosso cliente nega enfaticamente qualquer envolvimento em condutas inadequadas nesse aspecto.
2. Atribuições Estranhas ao Cargo: Não há fundamentação sólida para afirmar que ANTONIO PACHECO desempenhou atribuições estranhas ao seu cargo de Auxiliar de Seguridade Social. Ele sempre exerceu suas funções de acordo com a descrição de seu cargo e não se envolveu em atividades incompatíveis com suas responsabilidades.
DO DIREITO
Sem parâmetros no Direito Administrativo para análise da imputabilidade no caso em questão, buscamos subsídio no Direito Penal que, segundo o Prof. Francisco de Assis Toledo (in Princípios Básicos de Direito Penal, Saraiva, 2002), é a parte do ordenamento jurídico que, estabelecendo e definindo o fato punível, dispõe sobre quem por ele deva responder, fixando a pena ou medida de segurança cabível.
Tal ramo do Direito traz como um de seus princípios o da humanidade, que aponta o homem como fim (e não como meio) das relações jurídicas, postulando a racionalidade (sentido humano) e a proporcionalidade da pena. Já o Direito Processual Penal, também analisado de forma análoga para o caso em questão, aponta os princípios:
· Da verdade real, segundo o qual o julgador não deve se contentar com as provas levadas aos autos para formar seu convencimento, devendo buscar as peças que retratam a verdade com fidelidade;
· Do favor do réu, que determina que se deve interpretar o benefício sempre a favor do réu (in dubio pro réu);
Ambos os princípios serão violados no presente caso, se porventura forem desprezadas as provas de boa-fé, conduta ilibada e presteza no atendimento às normas regulamentares por parte de ANTONIO PACHECO.
Segundo a teoria da culpabilidade, não há crime se não houver culpa. O Servidor é Acusado de permitir rasuras e aumentos nos quantitativos, pela não observância de normas regulamentares, quando não provas de qualquer conduta dolosa ou culposa neste sentido. Ao contrário, sempre zelou pelo bom andamento das tarefas e responsabilidade no manuseio dos documentos, conforme destacam os depoimentos. Observa-se que não se configura qualquer conduta indevida do Acusado.
Luiz Regis Prado (in Curso de Direito Penal brasileiro, RT, 2001), sobre o Princípio da Culpabilidade, nos ensina que “a culpabilidade deve ser entendida como fundamento e limite de toda pena. Esse princípio diz respeito ao caráter inviolável do respeito à dignidade do ser humano. ” O conteúdo do princípio é a ideia de que não é possível atribuir a alguém a responsabilidade por uma ação ou omissão, sem que esse alguém tenha atuado com dolo ou culpa, o que não restou configurado no presente caso. 
Para que se configure uma conduta como ilícita e, consequentemente, punir o agente é preciso identificar com clareza a intenção na obtenção do resultado, o que inexiste no caso em questão. 
Importante apontar que não se trata de servidor desobediente e que já foi sumária e arbitrariamente punido com a exoneração do cargo em comissão, sem que lhe fosse garantida ampla defesa.
Nosso Código Penal, em seu art. 13, dispõe sobre a Relação de Causalidade, ensinando que “o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa”.
Alguém cometeu um ilícito, mas este alguém com certeza não foi o Processado, como restou demonstrado.
NÃO CONSTA NO PROCEDIMENTO PROVAS DE QUE O SINDICADO TENHA PRATICADO OU SEQUER CONCORRIDO PARA A PRÁTICA DA CONDUTA ILÍCITA QUE LHE É ATRIBUÍDA, MUITO MENOS DE QUE TENHA SE BENEFICIADO DELA.
As provas são fartas sim, no sentido de demonstrar que suas diligências levaram ao fim das irregularidades.
Ainda por analogia, apontamos que o Código de Processo Penal brasileiro determina que:
Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
(...)
IV - não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;
(...)
VI - não existir prova suficiente para a condenação.
É o que será promovida caso a Comissão Processante leve a termo o presente Processo, aplicando sanção a quem não cometeu nenhum ilícito administrativo, mas contrário, sanou todas as irregularidades até então existentes.
DO PEDIDO
Por todo o exposto, considerando a ausência de provas substanciais e a falta de fundamentação sólida para as acusações contra ANTONIO PACHECO, solicitamos à Comissão de Processo Administrativo Disciplinar que conduza uma revisão imparcial e justa das alegações e das provas apresentadas, garantindo os direitos de defesa de ANTONIO PACHECO. Estamos plenamente dispostos a colaborar com a investigação e a prestar quaisquer esclarecimentos adicionais necessários.
Local, data.
Advogado
OAB

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