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Disposição final de resíduos sólidos perigosos


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VANDERSON FERREIRA PACHECO
Climatologia e MeteorologiaClimatologia e MeteorologiaDisposição final de resíduos sólidos perigosos
São Luís
2024
Introdução
a PNRS, Lei nº 12305, prevê duas classificações para os resíduos, considerando a origem e a periculosidade. Segundo o art. 13, inciso II, alínea, resíduos perigosos são aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica.
Como resíduos perigosos, podemos citar os de serviços de saúde, os de construção e demolição, que contêm solventes e tintas, os industriais, que apresentam algumas das características de periculosidade, etc. Além disso, a NBR 10004/2004 traz que a periculosidade de um resíduo está relacionada à característica apresentada por um resíduo em função de suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas, que pode causar riscos à saúde pública e ao meio ambiente (ABNT, 2004)
Já o Decreto nº 7404/2010, que regulamenta a PNRS, considera também como geradores e operadores de resíduos perigosos aquelas atividades que prestam serviços de coleta, transporte, transbordo, armazenamento, tratamento, destinação e disposição final de resíduos ou rejeitos perigosos (BRASIL, 2010b). Além disso, é importante destacar que o gerenciamento dos resíduos perigosos, conforme estabelece o art. 10, da PNRS (BRASIL, 2010a), é de responsabilidade do gerador, sendo obrigatória a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos Perigosos, conforme art. 20. Porém, o poder público municipal deve mencionar, em seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, a identificação dos resíduos sólidos e dos geradores sujeitos a plano de gerenciamento específico, conforme art. 19, inciso IV. Além disso, as empresas operadoras de resíduos perigosos deverão estar licenciadas e, se necessário, o órgão licenciador poderá exigir a contratação de um seguro de responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente ou à saúde pública. 
As empresas operadoras de resíduos perigosos também devem estar registradas no cadastro nacional de operadores de resíduos perigosos junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para o manuseio dos resíduos perigosos, é importante observar as boas práticas previstas para a manipulação de produtos químicos, devendo estar atento à qualificação e ao treinamento dos profissionais envolvidos e ao uso de equipamentos de proteção individual (EPI). 
A manipulação de diferentes tipos de resíduos perigosos, bem como seu acondicionamento temporário e transporte terrestre deve considerar a compatibilidade de suas características físicas, químicas e biológicas, além daqueles referentes à periculosidade, a fim de evitar reações químicas e, consequentemente, possíveis explosões e acidentes. De acordo com a Resolução nº 420 de 2004, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT, 2004), a classificação de um produto perigoso leva em consideração as características físico-químicas para atribuir uma das classes ou subclasses que o regulamento da ANTT propõe. Essa classificação é dada para o manuseio correto do material durante seu transporte, mas, baseados nessa subdivisão, é possível descrever características dos resíduos químicos apenas de acordo com o que está descrito em sua embalagem
Armazenamento de resíduos perigosos 
Descrição da situação-problema 
O armazenamento de resíduos perigosos deve seguir as legislações e normas vigentes, a fim de impedir a contaminação do meio U4 – Tratamento e disposição final dos resíduos sólidos 199 ambiente, evitar acidentes e riscos potenciais às pessoas. Nesse contexto, imagine que você seja profissional de um órgão ambiental estadual e, durante uma fiscalização em uma unidade de armazenamento de resíduos perigosos, deparou-se com resíduos químicos perigosos armazenados em tambores plásticos, em um galpão a céu aberto e sem nenhuma identificação de riscos. Considerando a NBR 12235/19992 sobre armazenamento de resíduos perigosos, quais são as não conformidades encontradas? Quais são os critérios de localização para armazenamento destes resíduos? 
Resolução da situação-problema 
O armazenamento de resíduos sólidos perigosos deve seguir os critérios estabelecidos na NBR 12235/1992. Segundo esta norma, nenhum resíduo perigoso pode ser armazenado sem análise prévia de suas propriedades físicas e químicas, o local de armazenamento deve ter um plano de amostragem de resíduos, além de trazer critérios para a localização, identificação e sinalização do local de armazenamento. 
De acordo com a norma, o local deve permitir a minimização da contaminação ambiental, evitar, ao máximo, a alteração da ecologia da região, estar de acordo com o zoneamento do ambiente, além de ser sinalizado e fechado, a fim de evitar o acesso de pessoas estranhas. Além disso, a norma estabelece que todos os locais de armazenamento de resíduos perigosos devem conter equipamentos de controle de poluição e/ou sistemas de tratamento de poluentes ambientais, de acordo com as características dos resíduos, das condições de armazenamento e da operação do sistema.
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14619: transporte terrestre de produtos perigosos - Incompatibilidade química. Rio de Janeiro, 2003
AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES. NBR 12235: armazenamento de resíduos perigosos. Rio de Janeiro, 1992.
AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES. Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de 2004. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos. (*). Ministério dos Transportes. Disponível em: . Acesso em: 9 abr. 2018
BARROS, R. T. de V. Elementos de gestão de resíduos sólidos. Belo Horizonte: Tessitura, 2012
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