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Micro-organismos endofíticos conceit

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Climatologia e MeteorologiaClimatologia e MeteorologiaMicro-organismos endofíticos
Curso: Engenharia Ambiental e Sanitária
São Luís
2024
INTRODUÇÃO
Diversas definições de endófitos estão descritas na literatura. Originalmente o termo endófito, descrito por De Bary (1866), refere-se a qualquer micro-organismos que vive nos tecidos de plantas, distinguindo-se dos epifíticos que vivem na superfície. Outra definição, proposta por Hallmann et al. (1997), sugere que endófitos podem ser considerados micro-organismos que são isolados de tecidos vegetais desinfetados superficialmente e que não causam aparentemente danos às plantas hospedeiras. Mendes e Azevedo (2007) definiram micro-organismos endofíticos da mesma maneira como outros autores, no entanto, dividiram os endófitos em dois tipos, sendo: tipo I, os que não produzem estruturas externas à planta; e tipo II, os que produzem estruturas externas à planta, como fungos micorrízicos e bactérias simbiontes noduladoras que fixam nitrogênio. 
De modo geral, as plantas possuem uma microbiota endofítica característica importante para sua sanidade e manutenção. A capacidade de sobreviver dentro do vegetal é uma vantagem para os micro-organismos endofíticos já que os mesmos não estão expostos às adversidades ambientais e encontram pouca ou nenhuma competição. Endófitos podem ser encontrados em diferentes órgãos e tecidos vegetais como folhas, ramos, raízes, frutos, sementes e flores (LACAVA; AZEVEDO, 2013). Sua penetração nos vegetais se dá por aberturas naturais ou artificiais, tais como estômatos, ferimentos causados por instrumentos agrícolas, microferimentos nas raízes ocasionados pelo atrito destas com as partículas do solo etc., disseminando de maneira sistêmica ou restrita a diversas partes da planta, habitando de forma ativa o apoplasto, vasos condutores e, em alguns casos, pode ocorrer colonização intracelular (AZEVEDO; ARAÚJO, 2007).
DESENVOLVIMENTO
A classificação de uma bactéria como endolítica é apenas didática, isso porque além das bactérias endolíticas no interior das plantas, existem bactérias patogênicas causadoras de doenças ao hospedeiro e a diferenciação entre endófito e patógeno não é definitiva. Isso ocorre, pois a relação benéfica ou patogênica depende de fatores como as condições ambientais ou do equilíbrio com as outras populações bacterianas. Assim, uma bactéria endofítica pode, dependendo das condições, tornar-se patogênica. Ou ainda, uma epifítica pode entrar na planta, tornando-se endofítica ou patogênica, mas, em geral, as bactérias endofíticas estão em maior densidade em relação a bactérias patogênicas (ROSENBLUETH; MARTÍNEZ-ROMERO, 2006). O mesmo ocorre com a classificação de fungos. Esses podem mudar seu estilo de vida de patogênico para mutualista ou comensal mediante alterações abióticas e bióticas como mudanças na composição de micro-organismos na superfície foliar, ou mudanças na planta hospedeira, alteração na disponibilidade de nutrientes, ferimentos ou senescência como endófito. Didaticamente, os fungos endofíticos podem ser divididos em dois grupos: endófitos clavicipitáceos e endófitos não clavicipitáceos (SIEBER, 2007). Os primeiros compreendem espécies pertencentes à família Clavicipitaceae, que formam simbioses quase que exclusivamente com gramíneas (Poaceae) de clima temperado. Esses fungos são reconhecidos por potencializar o fitness da planta hospedeira pela produção de substâncias alcaloides que inibem a herbivoria por insetos, pela produção de metabólitos que estimulam o crescimento vegetal e por conferirem tolerância à escassez hídrica. Já os fungos endofíticos não clavicipitáceos abrangem espécies filogeneticamente distintas resultando em uma elevada diversidade, o que dificulta discernir suas funções dentro das plantas, embora interações benéficas sejam frequentemente relatadas (RODRIGUEZ et al., 2009). Estes fungos podem promover o crescimento e o aumento da produção vegetal, podem produzir fito-hormônios, conferir tolerância a altas temperaturas e estresse salino, proteger as plantas contra fitopatógenos e induzir a resistência, captar nutrientes minerais como nitrato e fósforo e garantir a sobrevivência e o estabelecimento das plantas em ambientes extremos (AZEVEDO; ARAÚJO, 2007). 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Endófitos podem ser observados diretamente em tecidos de plantas por meio de microscopia óptica, eletrônica ou de fluorescência, ocupando espaços intercelulares e intracelulares, além do interior de tecidos vasculares. Alguns endófitos são facilmente isolados em meios de cultura em condições controladas dos mais diferentes tecidos e órgãos vegetais. Até o presente momento, praticamente todas as espécies vegetais avaliadas revelaram a existência de comunidade endofítica. Normalmente, o isolamento de micro-organismos endofíticos é realizado a partir de raízes, caules, ramos, folhas, mas sementes e estruturas florais como pólen, ovário, anteras e estames também podem ser utilizadas (Figura 1). A superfície dos tecidos vegetais deve ser desinfestada de forma que a microbiota epifítica seja eliminada, mantendo somente a comunidade endofítica (ARAÚJO et al., 2014) (Figura 2). Uma forma de estudo de endófitos não cultivados baseia-se no uso de técnicas de biologia molecular, as quais podem permitir o estudo desses endófitos em seu habitat natural, nos diferentes locais no interior da planta hospedeira, sem a necessidade de cultivo, sendo esse o princípio da metagenômica e outras técnicas descritas em capítulo anterior.
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