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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
CENTRO DE BIOCIÊNCIAS 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOBIOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 EFEITO DO SEXO, FAIXA ETÁRIA E PODER ECONÔMICO NA 
PREFERÊNCIA POR IDADE DE PARCEIROS 
 
 
José Eduardo da Silva Filho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Natal 
2023
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
CENTRO DE BIOCIÊNCIAS 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOBIOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 EFEITO DO SEXO, FAIXA ETÁRIA E PODER ECONÔMICO NA 
PREFERÊNCIA POR IDADE DE PARCEIROS 
 
 
Dissertação de Mestrado apresentada ao 
Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia 
da Universidade Federal do Rio Grande do 
Norte como requisito para obtenção do título de 
Mestre em Psicobiologia. 
Orientador: Prof. Dr. Felipe Nalon Castro 
 
 
 
 
 
 
 
Natal 
2023 
Silva Filho, José Eduardo da.
 Efeito do sexo, faixa etária e poder econômico na preferência
por idade de parceiros / José Eduardo da Silva Filho. - 2023.
 66 f.: il.
 Dissertação ( mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande
do Norte, Centro de Biociências, Programa de Pós-graduação em
Psicobiologia. Natal, RN, 2023.
 Orientador: Prof. Dr. Felipe Nalon Castro.
 1. Preferência romântica - Dissertação. 2. Idade cronológica
- Dissertação. 3. Valor de casalamento - Dissertação. I. Castro,
Felipe Nalon. II. Título.
RN/UF/BSCB CDU 392.6
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Leopoldo Nelson - ­Centro de Biociências - CB
Elaborado por KATIA REJANE DA SILVA - CRB-15/351
 
 
 EFEITO DO SEXO, FAIXA ETÁRIA E PODER ECONÔMICO NA PREFERÊNCIA 
POR IDADE DE PARCEIROS 
 
 
José Eduardo da Silva Filho 
Data da defesa: 28/04/2023 
 
Banca examinadora: 
______________________________ 
Prof. Dr. Wallisen Tadashi Hattori 
Universidade Federal de Uberlândia, MG 
 
_______________________________ 
Profa. Dra. Fívia de Araújo Lopes 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, RN 
 
_______________________________ 
Prof. Dr. Felipe Nalon Castro 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, RN 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
A idade é importante na escolha de um parceiro romântico para acasalamento, pois está associada a 
muitos atributos que contribuem para o valor de acasalamento dos indivíduos. Este estudo 
investigou como o sexo, a idade e o poder econômico podem influenciar nos padrões de preferência 
da idade de um parceiro idealizado e na escolha de parceiros. Participaram do estudo indivíduos 
heterossexuais de ambos os sexos, com idade variando de 12 a 32 anos e pertencentes a diversas 
classes de poder econômico. Esta pesquisa apresenta delineamento quase-experimental, com a 
amostra de 2504 participantes (1560 mulheres) para a análise das preferências, e subamostra de 
1443 participantes (931 mulheres) para a análise das escolhas. Todos os participantes responderam 
questionários fornecendo dados sociodemográficos, indicando a idade mínima, máxima e ideal em 
um parceiro idealizado e responderam um instrumento que avaliou seu poder econômico. Aqueles 
envolvidos em relacionamento amoroso também indicaram a idade de seus parceiros. Modelos 
lineares gerais foram aplicados para investigar o efeito do sexo (feminino e masculino), faixa etária 
(Adolescentes: 12-17 anos; Adultos jovens: 18-23 anos e Adultos: 24-32 anos) e poder econômico 
(A-B1 | Alto, B2-C1 | Intermediário, e C2-DE | Baixo) na diferença entre as idades indicadas e a 
idade dos participantes. De forma geral, vimos que os homens preferem parceiras com menor idade 
mínima, máxima e ideal quando comparados às mulheres. Os homens preferem parceiras cada vez 
mais jovens (idade mínima e ideal) à medida que sua idade aumenta e adolescentes do sexo 
masculino idealizam parceiras mais velhas do que eles. Já as mulheres preferem parceiros mais 
velhos que elas (3,41 anos) e com idade mínima próxima a sua, contudo mulheres adultas aceitam 
parceiros mais novos (idade mínima e máxima). As preferências se manifestaram nas escolhas, uma 
vez que as mulheres apresentam parceiros mais velhos quando comparadas aos homens. O poder 
econômico influenciou tanto as preferências quanto às escolhas. Mulheres adultas com menor poder 
econômico aceitam parceiros com menor idade mínima, enquanto homens adultos com menor poder 
econômico aceitam parceiras com maior idade mínima, este achado pode representar a redução dos 
níveis de exigência em função de menor valor de acasalamento originado pelo baixo poder 
econômico. Verificamos também que adolescentes com maior poder econômico buscam parceiros 
com idade máxima maior, indicando que apresentar elevado poder econômico tornaria adolescentes 
mais exigentes na busca por parceiros. Por fim, verificamos o efeito do poder econômico nas 
escolhas, mulheres adultas com menor poder econômico formaram pares com homens mais novos. 
Concluímos que sexo, idade e poder econômico influenciam as preferências e as escolhas e que o 
poder econômico pode influenciar o valor de acasalamento afetando os níveis de exigência na busca 
por parceiros. Estes achados ampliam a compreensão da importância da condição socioeconômica 
nos relacionamentos. 
 
 
Palavras-chave: Idade Cronológica, Preferência Romântica, Valor de Acasalamento. 
ABSTRACT 
 
Age is important in choosing a mating partner, as it is associated with many attributes that 
contribute to an individual's mating value. This study investigated how sex, age, and economic 
power can influence patterns of age preference for an idealized partner and partner choice. 
Heterosexual individuals of both sexes participated in the study, ranging in age from 12 to 32 years 
and belonging to various economic power classes. This research presents a quasi-experimental 
design with a sample of 2504 participants (1560 women) for preference analysis and a sub-sample 
of 1443 participants (931 women) for choice analysis. All participants completed questionnaires 
providing sociodemographic data, indicating the minimum, maximum, and ideal age for an 
idealized partner, and responded to an instrument that assessed their economic power. Those 
involved in romantic relationships also indicated their partners' ages. General linear models were 
applied to investigate the effect of sex (female and male), age range (12-17 years | Adolescents, 18-
23 years | Young Adults, and 24-32 years | Adults), and economic power (A-B1 | High, B2-C1 | 
Intermediate, and C2-DE | Low) on the difference between the indicated ages and the participants' 
ages. In general, it was observed that men prefer partners with younger minimum, maximum, and 
ideal ages when compared to women. Men prefer increasingly younger partners (minimum and 
ideal age) as their age increases, and adolescent males idealize partners older than themselves. 
Women prefer partners older than themselves (3.41 years) and with a minimum age close to their 
own, but adult women accept younger partners (minimum and maximum age). Preferences were 
manifested in choices, as women have older partners when compared to men. Economic power 
influenced both preferences and choices. Adult women with lower economic power accept partners 
with a younger minimum age, while adult men with lower economic power accept partners with a 
higher minimum age, a finding that may represent a reduction in the level of demand due to lower 
mating value originating from low economic power. It was also found that adolescents with higher 
economic power seek partners with a higher maximum age, indicating that having high economic 
power would make adolescentsmore demanding in seeking partners. Finally, the effect of economic 
power on choices was observed, as adult women with lower economic power formed pairs with 
younger men. It was concluded that sex, age, and economic power influence preferences and 
choices and that economic power can influence mating value by affecting demand levels in seeking 
partners. These findings expand the understanding of the importance of socioeconomic status in 
relationships. 
Keywords: Chronological Age, Romantic Preference, Mating Value.
 
Agradecimentos 
 
Primeiramente, gostaria de agradecer ao meus progenitores, meu pai, José Eduardo da Silva, e 
minha mãe, Maria de Fátima Lopes da Silva, pelo melhor presente que me foi concedido além de 
todo o amor, educação, respeito, alimento e inúmeras outras atribuições de cuidado parental que 
posso citar aqui, o presente que está intrínseco em todos os seres vivos deste planeta, e que permeia 
os seres não vivos também e todas as relações ecológicas e sociais desenvolvidas por inúmeros 
indivíduos de diferentes espécies, incluindo da qual faço parte, Homo sapiens, que é única, assim 
como todas outras também são únicas e igualmente atribuídas de comportamentos que nos fazem 
questionar sobre sua, e nossa própria existência. O presente que tem um início, meio e que precisa 
ter um fim, para que o fluxo natural das coisas precise continuar, obrigado meus progenitores pelo 
dom da vida, e saibam que mesmo quando o presente de vocês tiver chegado ao fim, ou o meu 
primeiro, nunca se sabe, o que vai importar nesse momento derradeiro será tudo que vivemos 
juntos, quaisquer bens materiais serão ínfimos diante do evento que irá pôr fim a nossa existência 
individual, só restará nossas escolhas e consequências ao longo de todo o processo, gratidão por me 
permitir viver tudo isso, estaremos sempre juntos, obrigado por fazerem parte dessa etapa em minha 
vida, amo vocês! 
 
Em seguida, gostaria de agradecer a minha companheira, cujo valor de acasalamento é imensurável 
e inalcançável em minha humilde opinião, com todo respeito ao valor de acasalamento de todas as 
outras mulheres da minha espécie, gratidão pelo amor, cuidado e respeito durante esses quase 4 
anos de convivência, Elayne Suelen dos Santos. Sua persistência, força, empatia, coragem (sim, não 
tente negar), e maestria na arte de conselhos, dicas, broncas e carinhos faz dela uma espécie rara, 
cujo índice de diversidade de shannon alcança níveis jamais vistos, ela é ecóloga e mestra jedi na 
arte do Excel, sabe do que estou falando. Obrigado por fazer parte dessa etapa em minha vida 
também, sem você essa conquista não seria possível, sou medroso muitas vezes e confesso, porém, 
quero estar com você até os últimos dias de minhas trocas gasosas de O2 nos alvéolos pulmonares 
para o sangue e de Co2 do sangue para os alvéolos pulmonares, sempre ao seu lado, sinceramente, te 
amo lindinha! 
 
Parafraseando meu amigo de laboratório e irmão camarada João Lucas em seus agradecimentos de 
sua dissertação, durante uma época de pandemia da Covid-19 e com cortes sucessivos no orçamento 
da educação e pesquisa no país, fui privilegiado, assim como ele e outros colegas de laboratório de 
ter o melhor orientador não apenas do mundo (aqui acaba o crédito a você meu caro amigo João 
Lucas), mas sim da galáxia chamado Felipe Nalon Castro. Seu jeito calmo e sereno, 
metaforicamente e literalmente desde sua forma de caminhar até durante suas explicações nas aulas 
fazem qualquer indivíduo perceber o tempo mais lento, e achar que aquela pessoa não pertence a 
essa dimensão, até quando está estressado sabe ser calmo, é impressionante, mesmo que ele não 
ache isso. Sua dedicação, respeito, organização e amor pelo ensinar também não parecem ser deste 
mundo, mas ele é sim, e que privilégio ser seu orientando, assim como sua ex-orientadora e parceira 
de viagens acadêmicas, a professora Fívia de Araújo Lopes. Obrigado por fazer parte desta etapa 
em minha vida também professor, gratidão pelas orientações, conselhos, dicas, puxões de orelha, 
ultimatos e paciência, peço sinceras desculpas pelos inúmeros estresses e perrengues que o fiz 
passar, não queria isso, além de referência como educador, pesquisador e pessoa, o tenho como um 
amigo e segundo pai, aprendi muito nessa jornada, levarei comigo todos os ensinamentos que me 
passou, também meus acertos e erros. Acredito que a melhor resposta para meus erros foi uma que 
protelei por muito tempo, e que assim como eu, o senhor precisava para me ajudar a cumprirmos 
essa etapa juntos, ler, escrever, escrever e ler mais. E outras questões também é claro, mas esse era 
o que faltava para mover as engrenagens, obrigado mais uma vez por tudo, também o amo! 
 
Obrigado ao LECH (Laboratório de Evolução do Comportamento Humano) por todo o suporte, 
pelas inúmeras vidas que passaram por lá e que tive o privilégio de socializar sobre ciência e a vida 
 
cotidiana, este laboratório é empatia pura, simplesmente assim. Não seria por menos, já que sua 
fundadora, a professora Maria Emília Yamamoto é um exemplo de mulher, pesquisadora, 
educadora e mestra jedi do comportamento no Brasil, tive também o privilégio de ser seu discente 
nas disciplinas da pós-graduação, impecável, melhor definição pra ela. À sua descendente direta, 
professora Fívia de Araújo Lopes, tenho orgulho de dizer que sou parte dos discentes que começou 
nessa área com as saudosas aulas de nossa tia Fívia, na disciplina de Evolução do Comportamento 
Humano durante o período da graduação, a personificação da empatia, sempre solícita com todas as 
pessoas que se interessavam em aprender um pouquinho que seja sobre o comportamento humano e 
seu paralelo com os outros animais. Gratidão eterna para esse combo de conhecimento e amor 
ininterrupto, que continue assim por gerações com mais descendentes férteis. 
 
Obrigado também às pesquisadoras Adrielly Marcela de C. do Nascimento, Anthonieta Looman 
Mafra, Diana Quitéria Cabral Ferreira, Jéssica Janine de Oliveira e os pesquisadores Felipe Nalon 
Castro e Wallisen Tadashi Hattori por terem cedido autorização para uso do banco de dados 
composto de coletas anteriores realizadas em estudos desenvolvidos por todas essas pessoas citadas, 
a ciência é um empreendimento social, por isso, o crédito a quem é devido sempre será necessário, 
gratidão por permitirem que esse trabalho exista. 
 
Obrigado à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) por todo o apoio institucional, 
estrutural, por ser uma das melhores universidades do Brasil e do mundo. A educação pública é um 
patrimônio nacional, deve ser tratada com a maior estima possível, é somente por ela que 
conseguimos montar uma base social sólida, com respeito à constituição, às instituições públicas e 
demais instituições privadas de ensino. Este trabalho é fruto do ensino público, aberto e gratuito, 
não de graça, valorizemos nossos impostos. 
 
Também agradeço aos outros familiares que não citei aqui por motivos de tentar ser mais sucinto 
nessa parte, contudo, gostaria de agradecer à minha prima Mariana Queiroz de Oliveira pela 
amizade sincera de primos ao longo dos anos, pelas inúmeras conversas de 15 minutos que 
passavam de 1 hora fácil, puxões de orelha, carinho e respeito. Para minha irmã, hoje distante em 
terras alemãs, Maria Cristina Lopes A. Cohn, pelo apoio nessa etapa do mestrado, me fazendo 
relembrar tempos de infância mais tranquilos e que ficam com carinho em minhas memórias, 
estimo que também tenha muito sucesso em sua jornada fora do Brasil, gratidão para todos os 
familiares que estiveram comigo nessa etapa me apoiando e dando forças, são meus sinceros votos, 
sempre estarei com vocês. 
 
Aos amigos e amigas, que também por motivos de tentar ser mais sucinto não terei como citá-los 
nominalmente aqui, meu muito obrigado por todos os momentos compartilhados, desde uma 
simples conversa de 5 minutos até um encontroplanejado, partidas de RPG, caminhadas, jogando 
videogame, lanchando dentre outras atividades, vocês também fazem parte dessa jornada. Meu 
muito obrigado, de coração. 
 
Um agradecimento especial ao meu amigo Luan Paulo Dionísio e sua esposa Daniela, os quais nos 
tornamos mais próximos ao longo dos anos por vários motivos, me mostrando que mesmo nas 
grandes adversidades a felicidade só é real quando compartilhada, gratidão por isso, vocês também 
fazem parte dessa jornada. 
 
Por fim, à CAPES e ao CNPq! As agências de fomento que mantêm nossa ciência brasileira viva e 
impulsionam à busca pelo conhecimento científico de qualidade. O presente trabalho foi realizado 
com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Brasil (CNPq) – 
Código do processo de financiamento 160263/2021-2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Luke: 
 - Eu não acredito! 
 Yoda: 
 - É por isso que você fracassa! 
 
 Star Wars, Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980). 
 
 
 Obrigado Luke, Yoda e George Lucas, aprendendo a lição! 
 
 J.E.S.F. 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figura 1 - Padrões de preferência de idade feminina (a) e masculino (b) com intervalo de 
confiança de 95%; a linha horizontal representa a idade dos participantes (linha no valor zero), 
a linha pontilhada indica a diferença de idade mínima, a linha cheia indica a diferença de idade 
ideal e a tracejada indica a diferença de idade máxima. .............…....…..........…….................... 30 
 
Figura 2 - Médias e intervalo de confiança 95% para a idade mínima aceitável em um parceiro 
em função do sexo, faixa etária e grupo de poder econômico para (a) as participantes do sexo 
feminino e (b) os participantes do sexo masculino; a barra cinza escura representa o grupo com 
maior poder econômico, a barra cinza claro representa o grupo com poder econômico 
intermediário e a barra branca representa o grupo com menor poder econômico.……….....…... 32 
 
Figura 3 - Médias e intervalo de confiança 95% para a idade máxima aceitável em um parceiro 
em função da faixa etária e grupo de poder econômico; a barra cinza escura representa o grupo 
com maior poder econômico, a barra cinza claro representa o grupo com poder econômico 
intermediário e a barra branca representa o grupo com menor poder econômico..................…… 33 
 
Figura 4 - Médias e intervalo de confiança 95% para a diferença da idade para o parceiro atual 
em função do sexo, faixa etária e poder econômico para (a) as participantes do sexo feminino e 
(b) os participantes do sexo masculino; a barra cinza escura representa o grupo com maior 
poder econômico, a barra cinza claro representa o grupo com poder econômico intermediário e 
a barra branca representa o grupo com menor poder 
econômico...................................................................................................................................... 34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
 
Tabela 1 - Dados descritivos das amostras utilizadas.……..........................…………...……….. 26 
 
Tabela 2 - Número de participantes por agrupamento para análises de preferência e da idade do 
parceiro ideal........……....................................................................................................….....… 29 
 
Tabela 3 - Modelo Linear Geral em preferências de idade e idade do parceiro atual por sexo, 
faixa etária, poder econômico e interações.....................……....………........................................ 30 
 
Tabela 4 - Resumo das hipóteses, predições e conclusões ….................……............................... 39 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................................12 
1.1 Seleção Sexual e investimento parental...............................................................................12 
1.2 Teorias Evolucionistas das estratégias sexuais..................................................................14 
1.3 Estratégias de acasalamento feminino ..............................................................................16 
1.4 Estratégias de acasalamento masculino..............................................................................17 
1.5 Importância da idade na escolha de parceiros ..................................................................18 
 
2 JUSTIFICATIVA.................................................................................................................22 
 
3 OBJETIVOS........................................................................................................................23 
3.1 Objetivo geral......................................................................................................................23 
3.2 Objetivos específicos............................................................................................................23 
 
4 HIPÓTESES E PREDIÇÕES............................................................................................24 
 
5 MÉTODO.............................................................................................................................26 
5.1 Participantes........................................................................................................................26 
5.2 Procedimentos.....................................................................................................................27 
5.3 Metodologia de análise de dados........................................................................................28 
 
6 RESULTADOS.....................................................................................................................29 
6.1 Preferência por idade...........................................................................................................29 
6.2 Idade do parceiro atual........................................................................................................33 
 
7 DISCUSSÃO..........................................................................................................................35 
 
 REFERÊNCIAS.....................................................................................................................41 
 
 ANEXOS.................................................................................................................................47 
ANEXO A........................................................................................................................47 
ANEXO B........................................................................................................................51 
ANEXO C........................................................................................................................54 
ANEXO D........................................................................................................................56ANEXO E........................................................................................................................57 
ANEXO F........................................................................................................................58 
ANEXO G........................................................................................................................65 4 
6 
 
 
12 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
1.1. Seleção Sexual e investimento parental 
A teoria da seleção sexual proposta por Darwin (1871) explica o surgimento das 
características que fornecem aos organismos atributos relevantes para a reprodução. Diferente da 
teoria da seleção natural, que visa explicar como algumas características foram selecionadas pelo 
ambiente em função da sobrevivência, a teoria da seleção sexual visa explicar, por exemplo, a razão 
pela qual surgiram características sexuais secundárias exageradas como chifres, mandíbulas e cores 
exuberantes, que não poderiam favorecer a sobrevivência de forma clara, inclusive prejudicando-a 
em algumas situações. Contudo, esses atributos foram selecionados pelos parceiros reprodutivos ou 
pelo sucesso na disputa por recursos e favorecem a sinalização de habilidades importantes que 
podem levar ao aumento do desempenho reprodutivo (Nicolini & Waizbort, 2013). 
Ao avaliar parceiros é importante que os sinais emitidos por eles sejam indicadores confiáveis 
de sua aptidão. Segundo Zahavi (1975), o Princípio da Desvantagem demonstra que essa 
sinalização de habilidades pode ser considerada honesta quando o custo para sua produção é 
elevado, impedindo assim que o sinal seja facilmente mimetizado, ocasionando um processo que, ao 
longo das gerações, favoreceria o surgimento de sinais custosos e confiáveis relacionados com a 
reprodução. Em se tratando da seleção sexual, os sinais emitidos são importantes para ocorrência 
dos dois processos que a compõem: a seleção intrassexual e a seleção intersexual. 
Na seleção intrassexual existe a relação ecológica de competição interna dentre indivíduos do 
mesmo sexo (macho-macho ou fêmea-fêmea) por acesso a parceiros do sexo oposto através de 
exibição de suas próprias características envolvendo desde vocalizações, expressões de ataque até o 
próprio conflito físico. Já na seleção intersexual existe a relação ecológica de competição externa 
(seleção) entre os sexos opostos (macho x fêmea), por características preferidas no outro que 
guiarão o processo de escolha de parceiro. De uma forma geral, a seleção sexual se apresenta como 
um processo que atua mais fortemente em quesitos morfológicos nos machos (Janicke et al, 2016). 
Estes dois processos também podem ser encontrados na nossa espécie e surgiram a partir das 
diferenças sexuais no investimento parental. 
O conceito de investimento parental Trivers (1972) caracteriza-se por atividades parentais 
custosas direcionadas para sua prole que aumentam a probabilidade de sobrevivência, mas reduzem 
a probabilidade de os progenitores produzirem mais filhotes no futuro. Exemplos desse 
investimento seriam busca por alimentos, proteção, aprendizagem, auxílio no deslocamento, dentre 
outros. A assimetria sexual no investimento parental é encontrada em diversas espécies, inclusive 
na espécie humana. 
13 
 
Nos humanos, o sexo masculino apresenta baixo investimento parental, pouco custo 
fisiológico/comportamental e sua contribuição pode restringir-se apenas na liberação do material 
gamético para o processo de fecundação (Buss, 1989), não havendo obrigatoriedade de 
investimento e suporte econômico para com a parceira e/ou prole. Por sua vez, o sexo feminino 
apresenta alto investimento parental, muito custo fisiológico/comportamental e não se restringe 
apenas no recebimento do material gamético masculino para junção ao seu próprio. As fases da 
gestação e lactação mudam drasticamente todo o corpo, o padrão psicológico também apresenta 
mudanças, a prole demandará mais recursos como tempo e energia nas fases posteriores ao 
desenvolvimento, com expectativa de diminuição somente na idade adulta (Buunk et al., 2001). 
Apesar do baixo investimento parental masculino, quando comparado ao investimento 
realizado pelas fêmeas, o macho da espécie humana é o que apresenta maior nível de investimento 
parental dentre os grandes primatas. Em função do investimento realizado, os homens também são 
seletivos ao escolher uma parceira romântica para o estabelecimento do vínculo amoroso (Moller & 
Danchin, 2008). Porém, as mulheres ainda apresentam maior seletividade, levando em consideração 
o ambiente como um fator modulador dessas posições de competição e seleção para ambos os 
sexos. 
Além da assimetria do investimento parental que ocorre entre os sexos, a reprodução humana 
também é influenciada por uma complexa rede de variáveis, envolvendo aspectos sociais como 
religião, cultura e economia, dentre outras (Edlund & Sagarin, 2010). É importante destacar que 
existe um mínimo de estabelecimento de papéis na espécie humana, devido às demandas 
fisiológicas, e ambos os sexos podem, dependendo da condição ambiental, exercerem posições de 
competição dentro do seu grupo para atrair parceiros, enquanto outros indivíduos selecionam os que 
sinalizam os atributos mais desejáveis (Geary, 2010; Stewart-Williams & Thomas, 2013). 
De acordo com Noë (2017), as interações reprodutivas formam um mercado de acasalamento 
no qual os indivíduos atuam demonstrando e buscando sinais em outros indivíduos que expressam 
características desejáveis para o acasalamento. A quantidade de indivíduos presentes em uma 
determinada população, entre machos e fêmeas, aptos para a reprodução, densidade populacional, 
taxa de predação, taxas de migração, disponibilidade de recursos, dentre outros fatores, influenciam 
no valor das commodities que cada indivíduo pode oferecer no momento da transação. O pássaro 
Philomachus pugnax é um exemplo dessa dinâmica, conhecido comumente como combatente, 
durante a estação reprodutiva os machos competem entre si apresentando golas de penas e 
plumagem de variadas cores, exibindo-se em arenas distribuídas por todo o território, permitindo 
que as fêmeas avaliem e selecionem qual macho apresenta maior qualidade para o processo de 
acasalamento. Uma dinâmica similar pode ser observada nos humanos. 
14 
 
Na nossa espécie, esses fatores juntamente com variações interculturais influenciam o 
mercado de acasalamento, se refletindo em diferenças comportamentais quanto ao padrão de 
preferência e escolha de seus parceiros por homens e mulheres. Por exemplo, Chaudhary et al. 
(2018) verificaram que homens e mulheres que vivem no Paquistão apresentando um alto valor de 
acasalamento tiveram maior uso de táticas para retenção de parceiro e supressão de competidores, 
alto grau de religiosidade previu um aumento do uso de táticas de retenção de parceiro por homens 
e uma diminuição deste uso por mulheres. Outro estudo que exemplifica essa dinâmica demonstrou 
que as mulheres apresentam maior preferência por faces masculinas em países com maiores índices 
de desenvolvimento humano, maiores índices nacionais de saúde e nas situações em que a prole tem 
maior chance de sobrevivência, gerando assim maior seletividade na escolha do parceiro 
(Marcinkowska et al., 2019). As posições de competição e seleção também são bem conhecidas na 
espécie humana, segundo Muñoz-Reyes et al. (2015), homens no fim da adolescência apresentam 
uma associação positiva entre a capacidade de luta e seu próprio valor de acasalamento, conferindo 
assim maior competitividade entre eles. Esses estudos demonstram como as preferências e escolhas 
estão sujeitas às características biológicas de cada sexo, juntamente com fatores interculturais, 
resultando em avaliações de potenciais parceiros românticos com diferentes valores de 
acasalamento. Para compreender o comportamento reprodutivo humano foram elaboradas teorias 
quedescrevem as estratégias sexuais encontradas na nossa espécie. 
 
1.2 Teorias evolucionistas das estratégias sexuais 
A teoria das estratégias sexuais (Buss & Schmitt, 1993) defende que as pressões seletivas 
exercidas pelo ambiente ao longo da evolução ocorreram de forma distinta para cada um dos sexos 
e levaram à preferência e valorização de diferentes características. Essas características tornaram-se 
importantes na resolução de problemas evolutivos presentes no ambiente ecológico e social dos 
nossos ancestrais, o que levou à seleção de adaptações que foram passadas ao longo das gerações 
na forma de mecanismos psicológicos evoluídos, fomentando estratégias sexuais distintas (Buss, 
2004). Diversos estudos corroboram as previsões formuladas a partir da teoria das estratégias 
sexuais, sejam em pesquisas sobre o mercado de acasalamento (Howie & Pomiankowski, 2018; 
Pawlowski, 2000), características individuais dos sexos como idade (Marcinkowska et al., 2017), e 
escolha de parceiros em humanos (Baran Mandal, 2012; Clarkson et al., 2020). 
De forma abrangente, as estratégias sexuais se manifestam na preferência diferencial por um 
conjunto de características individuais que podem ser encontradas em um(a) possível parceiro(a) 
como altura, cor dos olhos, disponibilidade de recursos, cuidado parental, dentre outras. Podemos 
destacar a idade ou pistas que levem a aferição da idade como indicadores de características ligadas 
à saúde reprodutiva de potenciais parceiros (Bunnk et al., 2001; Kenrick & Keefe, 1992). A teoria 
15 
 
das estratégias sexuais também prevê diferenças nos padrões de preferência para relacionamentos 
de curto e longo prazo. Indivíduos que alocam mais recursos em busca de novos parceiros, sem o 
comprometimento da exclusividade sexual, com pouco investimento em uma prole futura, 
investem em uma relação de curto prazo. Por outro lado, indivíduos que alocam recursos na 
proteção e manutenção de uma relação com um único parceiro, com o comprometimento da 
exclusividade sexual, maior investimento em uma prole futura, investem em uma relação de longo 
prazo. Diferenças nos padrões de preferência para ambos os tipos de relacionamento são 
observados tanto em homens quanto em mulheres. 
Contudo, os critérios de escolha de parceiros não são os mesmos em todas as populações 
humanas, uma vez que fatores como expectativas em função do gênero, poder econômico, faixa 
etária e mudanças culturais ao longo dos últimos 50 anos acabaram provocando mudanças 
substanciais na preferência por algumas características. Um estudo feito na China comparou 1600 
indivíduos chineses contemporâneos com 500 indivíduos chineses que viveram há 25 anos atrás. 
Os resultados encontrados apresentaram mudanças significativas em valores, como a diminuição na 
importância da virgindade e aumento na importância de boas perspectivas financeiras para ambos 
os sexos. Outras características como pistas de fertilidade (juventude e atratividade física), recursos 
(boas perspectivas financeiras e status social) nas diferenças entre os sexos para preferências de 
parceiro romântico se mantiveram inalteradas (Chang et al., 2011). Este estudo demonstra que os 
padrões podem se modificar ao longo do tempo, mas que para algumas caraterísticas eles se 
mantêm. 
Outra proposição que amplia o entendimento sobre as estratégias sexuais é a teoria do 
pluralismo estratégico (Gangestad & Simpson, 2000). Os autores propõem que as estratégias 
sexuais humanas apresentam uma condição mista, afirmando que os dois sexos possuem táticas 
para relacionamentos de curto prazo e longo prazo. Essas estratégias não são excludentes, podem 
ser usadas em diferentes estágios da vida e tratam dos ajustes das preferências em função das 
condições ambientais e preferências do sexo oposto. Contudo, a utilização de uma estratégia 
específica acarreta diferentes custos e benefícios em função do contexto situacional e dos atributos 
que os indivíduos apresentam, por exemplo, um homem apresentando uma estratégia de curto 
prazo pode gerar uma prole maior, aumentando seu sucesso reprodutivo, contudo, existe uma maior 
incerteza quanto à paternidade e sobrevivência da prole. O homem apresentando uma estratégia de 
longo prazo gera uma prole menor, porém, existe uma maior certeza quanto à paternidade e 
sobrevivência da prole. 
A mulher, por sua vez, apresentando uma estratégia de curto prazo pode ter acesso a 
benefícios indiretos como recursos, status, proteção, avaliação de possíveis parceiros para um 
relacionamento de longo prazo, detecção de parceiros com elevados atributos que representam 
16 
 
qualidade genética para sua prole, como boa saúde, constituição física e cognição; contudo, as 
mulheres têm um risco maior para dano à reputação por preconceito em relação à promiscuidade, 
possibilidade de agressão física por parceiros, perda de recursos do parceiro estável, inviabilizando 
assim a sobrevivência da prole. A mulher apresentando uma estratégia de longo prazo pode ter 
acesso a benefícios diretos como recursos, proteção, status, cuidado parental, viabilizando assim a 
sobrevivência da prole, porém, parceiros com elevada qualidade genética e disponibilidade de 
recursos podem não estar disponíveis para relacionamentos de longo prazo. 
Tanto a teoria das estratégias sexuais, quanto a teoria do pluralismo estratégico buscam 
descrever como se dão as interações reprodutivas humanas. A primeira destacando que diferentes 
estratégias sexuais são esperadas em função da assimetria do investimento parental e da duração da 
interação (curto ou longo prazo), e a segunda enfatizando que uma gama de estratégias pode 
coexistir em função de seus custos e benefícios em determinado contexto. Para ambas as teorias, as 
adaptações que influenciam nossas preferências e comportamento sexual surgiram em resposta a 
desafios adaptativos específicos enfrentados por nossos ancestrais. 
 
1.3 Estratégias de acasalamento femininas 
Os desafios adaptativos enfrentados por nossas ancestrais envolveram situações que foram 
importantes para a manutenção da sua própria sobrevivência e da sobrevivência da prole. Podemos 
destacar a seleção de um parceiro que fosse capaz e disposto a investir no relacionamento, que 
pudesse fornecer proteção para ela e sua prole, que demonstrasse bom cuidado parental, e que seja 
socialmente compatível e saudável. 
A fim de solucionar estes desafios, foram selecionados padrões de preferência específicos em 
nossas ancestrais. Atualmente existem evidências de que as mulheres buscam parceiros com maior 
qualidade dos genes e elevado potencial de investimento em recursos, tornando viável assim a 
criação de uma prole com condições adequadas de desenvolvimento. Assim, ao escolher seus 
parceiros, as mulheres precisam avaliar pistas que possam levá-las aos traços importantes para 
garantia do seu sucesso reprodutivo individual (Buss & Shackelford, 2008). Para mulheres 
heterossexuais, pistas que sinalizam cuidado parental futuro com sua prole são importantes, como 
preferências por características que sinalizem investimento parental (Fieder & Huber, 2007), tais 
como bom humor (Buss et al., 2001), inteligência (Prokosch et al., 2009) e status social elevado 
(Souza et al., 2016). Essas características são importantes para os relacionamentos tanto de curto 
prazo, quanto de longo prazo. 
Devido ao elevado investimento parental realizado pelas mulheres, elas tendem a ser mais 
seletivas em suas escolhas quando comparadas aos homens. Pistas que indiquem aptidão física são 
mais preferidas para relacionamentos de curto prazo como estatura (Pawłowski, 2000), rosto 
17 
 
simétrico (Geldart, 2010) e proporção cintura-ombro (Hughes & Gallup Jr., 2003). As mulheres 
podem ter acesso a recursos imediatos nesse tipo de relação que teriam apenas em uma de longo 
prazo, inclusive para investi-los na prole que não seja do parceiro atual, e podem tera expectativa 
dessa relação mudar para de longo prazo com uma nova prole deste casal. Já para relacionamentos 
de longo prazo as mulheres procuram pistas que indiquem orientação familiar e compatibilidade 
social, maior investimento de recursos, status, para viabilização de uma prole com maior qualidade 
genética, cuidado parental e investimento de recursos de forma contínua, garantindo assim seu 
sucesso reprodutivo individual (Geary et al., 2004). 
Atualmente podemos verificar evidências dessas escolhas de parceiros em mulheres, de 
acordo com um estudo feito por Munro et al. (2014) com 1111 mulheres canadenses, de 26 cidades 
do Canadá, foram examinados perfis escritos de possíveis parceiros em sites de namoro on-line. Os 
resultados demonstraram que, em cidades com maior razão sexual de homens em relação a 
mulheres, a atratividade física dos parceiros foi mais valorizada que suas atividades e interesses em 
comum, bem como a idade foi um fator preditor para retenção de recursos, com mulheres mais 
jovens dando maior importância a essa característica. Um estudo realizado por Wilbur e Campbell 
(2010) com 133 mulheres universitárias inglesas, através da análise de perfis de potenciais parceiros 
e preenchimento de uma escala de sociossexualidade, analisou a influência da sociossexualidade 
das mulheres nas preferências para relacionamento de curto prazo, longo prazo e namoro casuais, 
levando em conta características como atratividade e ambição dos potenciais parceiros. Os 
resultados obtidos apontaram que mulheres sociossexualmente irrestritas tiveram uma maior 
preferência por parceiros mais atraentes nos relacionamentos de curto prazo, mulheres 
sociossexualmente irrestritas também tiveram uma maior preferência por parceiros mais atraentes, e 
mais ambiciosos nos relacionamentos de namoro casuais, as mulheres sociossexualmente restritas 
foram menos influenciadas pela atratividade dos parceiros para relacionamentos de curto prazo e 
namoro casuais. Atratividade e ambição influenciaram conjuntamente a desejabilidade por parceiros 
para relacionamentos de longo prazo, sendo essas preferências não moduladas pela 
sociossexualidade das mulheres. 
 
1.4 Estratégias de acasalamento masculinas 
Os desafios adaptativos enfrentados pelos homens para a escolha de parceiras envolveram 
situações que foram importantes para a identificação de uma parceira fértil, e que apresentasse 
pistas que aumentassem a certeza da paternidade. 
De forma geral, os homens buscam parceiras com elevada saúde reprodutiva e fertilidade. As 
estratégias de acasalamento masculinas apontam que homens heterossexuais estão em busca de 
parceiras que apresentam pistas de fertilidade que resultem em uma prole de qualidade. Preferências 
18 
 
são observadas por características de jovialidade (Buss, 1989; Pawlowski, 2000; Russock, 2011); 
assim, os homens levam em consideração atratividade física mais que as mulheres para 
relacionamentos de curto e longo prazo (Bech-Sørensen & Pollet, 2016; Buss & Schmitt, 1993). 
Menor proporção cintura-quadril é um traço que sinaliza nubilidade (Lassek & Gaulin, 2008), e é 
preferida em suas parceiras tanto para relacionamento de curto prazo quanto de longo prazo (Buss, 
1989). Pistas de fidelidade, cuidado parental, compatibilidade social, orientação familiar e 
engajamento sexual em parceiras são preferidas para relacionamento de longo prazo visando a 
garantia da paternidade e cuidado da prole; eles também apresentam maiores níveis de seletividade 
nesse tipo de relacionamento em relação ao de curto prazo (Buss et al., 2001). 
O comportamento reprodutivo atual traz algumas evidências dessas escolhas de parceiras em 
homens. Em estudo feito por Phua et al. (2018) com 404 perfis, de 242 homens e 162 mulheres da 
República Dominicana, foram examinadas preferências por idade em encontros on-line. Os 
resultados demonstraram que existe preferência de idade similar para os gêneros de acordo com a 
literatura, mesmo após o controle da idade. Os homens dominicanos, em média, preferem parceiras 
mais jovens que eles, enquanto as mulheres dominicanas, em média, preferem parceiros mais velhos 
que elas. De acordo com um estudo feito por Xiao e Qian (2020) com 29 indivíduos chineses de 
formação universitária e que estavam em um namoro on-line, 13 homens e 26 mulheres, através de 
um método detalhado de entrevista, foram examinadas preferências educacionais em encontros on-
line e sua importância na seleção de parceiros românticos. Os resultados demonstraram que o nível 
educacional e o prestígio universitário foram os principais fatores de seleção de parceiros 
românticos no namoro on-line. Ambos os sexos consideraram o nível educacional como requisito 
básico para seleção, contudo, apenas os homens indicaram a importância do nível educacional em 
sua parceira romântica para a educação de seus futuros filhos. O prestígio universitário também foi 
importante para ambos os sexos na seleção de parceiros românticos, demonstrando a importância do 
sistema hierárquico do ensino superior da China na formação de casais (Blake e Brooks, 2018). 
 
1.5 Importância da idade na escolha de parceiros 
A idade é uma característica importante na escolha de um parceiro para acasalamento. Todos 
os indivíduos possuem uma idade cronológica e, de uma perspectiva evolutiva, muitos atributos que 
contribuem para o valor de acasalamento do indivíduo variam com a idade. A idade influencia a 
preferência por diversas características, como: virgindade, saúde, idade preferida para casamento, 
idade preferida para um parceiro em função da própria idade, idade preferida para um parceiro em 
função da idade do mesmo, idade para escolha do parceiro, fertilidade, boas perspectivas 
financeiras, preferência por idade do parceiro em novos casamentos, preferências por parceiros de 
19 
 
longo prazo que forneçam recursos e provisões (Conroy-Beam & Buss, 2019). Assim, ao se tratar 
das preferências na nossa espécie, a idade é uma variável de fundamental relevância. 
Como exemplo, o estudo realizado por Souza et al. (2016), teve como objetivo verificar se as 
preferências e escolha de parceiros permaneceram estáveis ou mudaram ao longo do tempo através 
da avaliação de alguns atributos, como virgindade e saúde. Foram comparadas amostras brasileiras 
de 1186 indivíduos coletadas em 2014, com uma amostra de 630 indivíduos de 30 anos atrás 
(1984). A amostra de 2014 demonstrou que a importância atribuída para o atributo virgindade 
correlacionou-se de forma negativa com a idade, indicando que os indivíduos mais velhos 
valorizam menos esse atributo nos seus parceiros em relação aos mais jovens. Nessa mesma 
amostra, o atributo saúde foi mais valorizado no parceiro por indivíduos mais velhos em relação aos 
mais jovens. 
Com relação a preferência por idade, Souza et al. (2016) verificaram ainda, que a amostra de 
1984 demonstrou que no atributo idade preferida para se casar houve diferença entre homens (28,71 
anos) e mulheres (24,63 anos); a amostra de 2014 também demonstrou resultados semelhantes 
quanto à idade preferida para se casar, homens (28,15 anos) e mulheres (24,99 anos). Essas 
diferenças entre os sexos encontradas na preferência da idade para se casar apresentam semelhanças 
com outro estudo realizado na China, no qual foram comparadas amostras de 1600 indivíduos 
contemporâneos de 2008, com uma amostra de 500 indivíduos de 1983 (Chang et al., 2011). O 
atributo preferência por idade de um parceiro nos homens das amostras brasileiras demonstrou 
como resultado preferência por esposas mais jovens, para amostra de 1984 3,22 anos mais jovens e 
para amostra de 2014, 2,38 anos mais jovens, as mulheres das duas amostras preferiram esposos 
mais velhos a elas, para amostra de 1984, sendo 4,01 anos mais velhos, enquanto para amostra de 
2014, 3,59 anos mais velhos. Os atributos de fertilidade e boa aparência foram mais valorizados por 
homensdo que mulheres em ambas as amostras brasileiras, com preferências por esposas mais 
jovens, férteis e de boa aparência apoiam a hipótese psicológica evoluída de que homens dão mais 
ênfase a pistas observáveis de fertilidade. 
Um estudo realizado por Antfolk et al., (2015) com 12.656 finlandeses também apresentou 
este mesmo padrão de preferência do parceiro em função da idade, homens preferindo parceiras 
mais jovens ao longo da vida, sendo que em faixas etárias maiores essa preferência tende a ser 
maior. Mulheres, por sua vez, preferem parceiros de idade similar ou um pouco mais velhos, com 
essas preferências se mantendo ao longo da vida. 
Sohn (2017) demonstrou preferência por parceiras mais jovens e com pistas relacionadas ao 
atributo de fertilidade em uma amostra de 45.528 homens sul-coreanos, jovens ou velhos, 
realizando uma prática de casamento incomum no país, a compra de noivas de países em 
desenvolvimento. Já um estudo feito na Noruega por Grøntvedt e Kennair (2013) com 479 homens, 
20 
 
também demonstrou preferência por parceiras mais jovens e com pistas relacionadas ao atributo de 
fertilidade, e que essa preferência aumentava com a idade, corroborando assim uma tendência 
evoluída dos homens de se sentirem atraídos por mulheres que apresentem pistas de fertilidade, 
mesmo em uma cultura conhecida por seu igualitarismo. 
Também foi evidenciado que os homens reforçam essas preferências por parceiras mais 
jovens e com traços de fertilidade em novos casamentos. Segundo o estudo feito por Fieder e Huber 
(2007), homens que mudaram de parceiras entre o nascimento do primeiro e do último filho, 
apresentam a parceira deste significativamente mais jovem que a anterior. As mulheres também 
mudaram para um parceiro mais jovem, e menos velho que o primeiro parceiro, entre o nascimento 
do primeiro e último filho. Os autores destacam que os padrões de preferência por idade se mantêm 
para homens e mulheres em novos casamentos, e que a mudança para um parceiro(a) mais jovem é 
uma compensação pela perda de fertilidade ao longo da idade, reduzindo o risco de infertilidade do 
casal. 
Um estudo feito em Bangladesh analisou se as diferenças sexuais nas preferências de 
parceiros se mantêm em adolescentes e adultos jovens no país. Os resultados demonstraram que 
essas diferenças continuam presentes em homens e mulheres, como o achado de que as mulheres 
enfatizam mais o apego e a sociabilidade nos seus parceiros quando comparadas aos homens. Um 
efeito relacionado à idade, é o de que homens adultos enfatizam mais o companheirismo e gentiliza 
nas suas parceiras, em comparação aos adolescentes do sexo masculino. Por sua vez, as 
adolescentes apresentam maiores preferências por características como limpeza, refinamento, 
atração mútua-amor, desejo por casa e crianças do que as mulheres adultas. Os achados deste estudo 
apontam que as pessoas precisam realizar alguns trade-offs entre suas preferências, de acordo com a 
idade e algumas variáveis do ambiente social onde vivem, como a religião e o papel de gênero 
definido socialmente (Masoom, 2022). 
Segundo o estudo feito por Walter et al. (2020), as mulheres apresentam preferências por 
parceiros mais velhos e com pistas de boas perspectivas financeiras em diversos países. Neste 
trabalho foi usada uma nova amostra de 14.399 indivíduos de 45 países para a replicação de estudos 
clássicos e análise de vários resultados. Foi encontrado também que, transculturalmente, ambos os 
sexos têm parceiros mais próximos de suas idades quando a igualdade de gênero aumenta, porém, 
as diferenças sexuais se mantêm, com homens preferindo parceiras que apresentam pistas de 
fertilidade, e mulheres preferindo parceiros que apresentam pistas de boas perspectivas financeiras. 
A idade do parceiro foi o principal preditor das preferências encontradas entre os países da amostra. 
As mulheres apresentam, de acordo com a idade, diferenças de preços cobrados para o serviço 
de prostituição, segundo o estudo feito por Prokop et al. (2020), a partir de informações coletadas 
com 2379 prostitutas polonesas de um site polonês que oferece esse serviço. Foram analisadas 
21 
 
características dos anúncios dessas mulheres, e foi encontrado que prostitutas mais jovens cobravam 
maiores valores por hora do que prostitutas mais velhas. O resultado encontrado corrobora outros 
estudos que demonstram a mesma relação entre a idade das prostitutas e seus preços cobrados em 
diversos países (Gertler et al. 2005; Rao et al. 2003; Sohn 2016). O aumento da idade está 
relacionado à menor fertilidade, e piora na saúde em mulheres, assim, sinais de atratividade física 
são mais observáveis em mulheres jovens do que velhas, refletindo as preferências de acasalamento 
masculinas, principalmente para relacionamentos de curto prazo. 
As mulheres também apresentam, de acordo com a idade, preferências por parceiros de longo 
prazo que forneçam recursos e provisões (Gustavsson et al., 2008; Schwarz & Hassebrauck, 2012). 
Existem diferenças em relação aos tipos de recursos preferidos pelas mulheres, em função da idade. 
As mulheres mais jovens preferem parceiros de longo prazo que demonstram pistas de potencial de 
riqueza e suporte emocional, as mulheres mais velhas preferem parceiros de longo prazo que 
demonstram pistas de assistência financeira, recebimento de presentes e ações de serviços que 
sejam úteis no ambiente doméstico e a execução de tarefas tipicamente masculinas, por exemplo, 
consertar um carro. As mulheres mais jovens também apresentam preferências por parceiros que 
demonstram pistas de suporte emocional, provavelmente um sinal de disponibilidade do seu 
parceiro de comprometimento a longo prazo (Hughes & Aung, 2017). 
Todos os resultados encontrados sugerem que a idade pode estar relacionada com outros tipos 
de preferências, e ter impacto na escolha de parceiros. Novos estudos abordando diferentes 
variáveis relacionadas com a faixa etária dos indivíduos e seus parceiros, ambiente social e inclusão 
de públicos diversificados nas amostras podem trazer novos resultados, comparando com os atuais 
encontrados na literatura, refutando-os ou corroborando-os. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
2 JUSTIFICATIVA 
O presente projeto de pesquisa teve como enfoque compreender de uma forma abrangente 
como o sexo, a idade e o poder econômico de uma pessoa podem influenciar na preferência por 
idade na escolha de parceiros românticos. A partir disso, será possível entender melhor quais 
características apresentam uma maior relevância nessas preferências por idade, propiciando assim 
um entendimento mais claro sobre o fenômeno e comparando com os resultados apresentados na 
literatura. O presente projeto permitiu ampliar a discussão acerca do padrão das preferências por 
idade e padrões de escolha, verificando se os padrões refletem ou refutam normas sociais 
preestabelecidas, papéis de gênero e condição socioeconômica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
3 OBJETIVOS 
 
3.1 Objetivo geral 
Investigar o efeito do sexo, idade e poder econômico nos padrões de preferência da idade de 
um parceiro idealizado e na escolha de parceiros em heterossexuais. 
 
3.2 Objetivos específicos 
Objetivo específico 1: Investigar a preferência pela idade mínima aceitável de um parceiro para 
acasalamento de acordo com sexo, faixa etária e poder econômico dos participantes; 
Objetivo específico 2: Investigar a preferência pela idade máxima aceitável de um parceiro para 
acasalamento de acordo com o sexo, faixa etária e poder econômico dos participantes; 
Objetivo específico 3: Investigar a preferência pela idade ideal de um parceiro para acasalamento 
de acordo com o sexo, faixa etária e poder econômico dos participantes; 
Objetivo específico 4: Investigar diferenças entre a idade dos participantes e a idade do parceiro 
romântico atual de acordocom o sexo, faixa etária e poder econômico dos participantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
4. HIPÓTESES E PREDIÇÕES 
 
Hipótese 1: O sexo, faixa etária e poder econômico influenciam a preferência da idade mínima 
aceitável em parceiros para acasalamento 
Predição 1.1: Participantes do sexo masculino apresentam menor idade mínima aceitável 
quando comparados com participantes do sexo feminino. 
Predição 1.2: Participantes de menor faixa etária apresentam menor idade mínima aceitável 
quando comparados a participantes de maior faixa etária. 
Predição 1.3: Participantes do sexo masculino com maior poder econômico apresentam 
menor idade mínima aceitável quando comparados a participantes do sexo masculino com 
menor poder econômico. 
 
Hipótese 2: O sexo, faixa etária e poder econômico influenciam a preferência da idade máxima 
aceitável em parceiros para acasalamento 
Predição 2.1: Participantes do sexo masculino apresentam menor idade máxima aceitável 
quando comparados com participantes do sexo feminino. 
Predição 2.2: Participantes do sexo feminino com maior faixa etária, apresentam maior 
idade máxima aceitável quando comparadas aos demais grupos. 
Predição 2.3: Participantes do sexo masculino com maior poder econômico apresentam 
menor idade máxima aceitável quando comparados a participantes do sexo masculino com 
menor poder econômico. 
 
Hipótese 3: O sexo, faixa etária e poder econômico influenciam os padrões de preferência da idade 
ideal em parceiros para acasalamento 
Predição 3.1: Os participantes do sexo masculino apresentam menor idade ideal, quando 
comparados às participantes do sexo feminino. 
Predição 3.2: Participantes do sexo masculino com menor faixa etária apresentam maior 
idade ideal quando comparados a participantes do sexo masculino com maior faixa etária. 
Predição 3.3: Participantes do sexo masculino com maior poder econômico apresentam 
menor idade ideal quando comparados a participantes do sexo masculino com menor poder 
econômico. 
 
Hipótese 4: O sexo, faixa etária e poder econômico influenciam a diferença de idade entre o 
participante e o parceiro atual de acasalamento. 
25 
 
Predição 4.1: Os participantes do sexo masculino se relacionam com pessoas mais jovens 
que eles, quando comparados às participantes do sexo feminino. 
Predição 4.2: Participantes de menor faixa etária se relacionam com pessoas mais jovens, 
quando comparados a participantes de maior faixa etária. 
Predição 4.3: Participantes do sexo masculino com maior poder econômico se relacionam 
com pessoas mais jovens, quando comparados a participantes do sexo masculino com menor 
poder econômico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
5 MÉTODO 
 
5.1 Participantes 
Participaram da pesquisa um total de 2504 participantes, 1560 mulheres e 944 homens, dos 
quais 1443 indicaram estar envolvidos em um relacionamento romântico. A média de idade total foi 
de 19,85 anos (DP = 3,86). Como critério de inclusão, os participantes deveriam apresentar 
orientação sexual autodeclarada heterossexual e possuir idade entre 12 e 32 anos. As informações 
detalhadas para cada uma das subamostras utilizadas podem ser verificadas na Tabela 1. 
 
Tabela 1 
Dados descritivos das amostras utilizadas. 
 Subamostras Sexo N Idade M(DP) Participantes Local de coleta 
Nascimento, 
2020 
Feminino 16 23,94(3,36) 
Universitários 
 
Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte (UFRN) Masculino 23 24,96(4,43) 
 Total 39 24,54(4,01) 
 
Mafra, 2015 Feminino 443 20,34(3,49) Ensino 
fundamental, 
médio e 
universitários 
 UFRN 
Escolas públicas de ensino 
fundamental e médio, 
Natal/RN. 
 Masculino 388 20,17(3,23) 
 Total 831 20,26(3,37) 
 
Ferreira, 2013 Feminino 190 22,25(3,75) 
Universitários 
 
Universidade Potiguar Masculino 43 22,37(3,71) 
 Total 233 22,27(3,74) 
 
Castro, 2009 Feminino 228 20,93(3,12) 
Universitários 
 
UFRN Masculino 157 20,83(2,84) 
 Total 385 20,89(3,01) 
 
Castro, 2013 Feminino 211 21,20(2,83) 
Universitários 
 UFRN 
Universidade Potiguar 
Centro Universitário Facex 
 Masculino 117 21,97(2,86) 
 Total 328 21,48(2,86) 
 
Oliveira, 2020 Feminino 70 21,80(3,09) 
Universitários 
 
UFRN Masculino 81 22,30(3,76) 
 Total 151 22,07(3,46) 
 
Hattori, 2009 Feminino 402 15,34(1,52) Ensino 
fundamental, 
médio e 
universitários 
 UFRN 
Escolas públicas e privadas de 
ensino fundamental e médio, 
Natal/RN. 
 Masculino 135 15,74(1,68) 
 Total 537 15,44(1,57) 
 
Total Feminino 1560 19,59(3,93) - - 
27 
 
 Masculino 944 20,27(3,71) 
 Total 2504 19,85(3,86) 
 
 
5.2 Procedimentos 
Este estudo utilizou bancos de dados coletados em trabalhos anteriores. Todos os trabalhos 
que compõem o presente estudo foram submetidos e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa 
com Humanos local, sendo eles: (1) “I'ts a date: avaliação das diferenças individuais em um speed-
dating com universitários brasileiros” (Nascimento, 2020), sob o número do parecer 3.078.577 
(CAEE: 76776517.4.0000.5537 - CEP Central/UFRN) (Anexo A); (2) “Realidade ou Ficção? A 
Influência da Autopercepção como Parceiro Romântico e da Autoestima na Escolha e Preferência 
de Parceiros Românticos” (Mafra, 2015), sob o número do parecer 752.270 (CAEE: 
31266514.9.0000.5537 - CEP Central/UFRN) (Anexo B); (3) “Avaliação do Comportamento 
Alimentar e Autoestima de Adultos com Excesso de Peso” (Ferreira, 2013), sob o número do parecer 
443.712 (CAEE: 20199313.0.0000.5296 – CEP UnP) (Anexo C); (4) “Preferências e Escolhas 
Românticas entre Universitários” (Castro, 2009), sob o número do protocolo 165/08 (CEP-HUOL e 
CONEP/MS) (Anexo D); (5) “Percepção do mercado e influência do contexto nas preferências 
Românticas entre Universitários” (Castro, 2013), sob o número do parecer 2.591.983 (CAEE: 
58881116.4.0000.5537 - CEP UFRN/Central) (Anexo F); (6) “A Construção de um 
Relacionamento: Estilos de Apego, Personalidade e Relacionamentos Românticos” (Oliveira, 
2020), sob o número do parecer 2.591.983 (CAEE: 58881116.4.0000.5537 - CEP UFRN/Central) 
(Anexo F); e, “Escolha de Parceiros na Adolescência” (Hattori, 2009), sob o número do parecer 
84.797 (CAEE: 0011.0.051.000-06 - CEP Central/UFRN (Anexo G). 
Em todas as subamostras, os participantes foram voluntários e recrutados através de e-mails, 
anúncios disponibilizados em redes sociais, cartazes e convites em sala de aula. As coletas foram 
realizadas de modo presencial, através da aplicação de questionários de acordo com o interesse de 
cada estudo. Os participantes responderam questionários anônimos e individuais, nos quais 
forneceram informações sociodemográficas, que incluíam sexo, idade e poder econômico, obtido 
por meio do instrumento Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP, 2020). Para cada 
estudo o critério Brasil foi diferente, levando em consideração às condições sociodemográficas 
vigentes no país em cada período de realização dos estudos, ele vem sendo atualizado ao longo dos 
anos, e foi utilizada a versão mais recente na época de coleta dos dados, permitindo uma melhor 
padronização e avaliação das amostras. Para a avaliação dos padrões de preferência pela idade de 
parceiros ideais (preferência ideal) e da idade do parceiro atual (preferência real), foram solicitadas 
para as preferências de parceiros ideias, as indicações da idade máxima (maior idade aceitável para 
28 
 
um parceiro romântico em relação a própria idade), mínima (menor idade aceitável para um 
parceiro romântico em relação a própria idade) e a idade ideal (preferida idade para um parceiro 
romântico), e foi solicitada a preferência pela idade do parceiro atual no caso dos participantes 
envolvidos em relacionamento romântico. 
Para a análise dos dados: (1) osparticipantes foram classificados em função da sua idade em 
três faixas etárias (12-17 anos, 18-23 anos e 24-32 anos); (2) o escore do poder econômico foi 
utilizado para classificar os participantes dentre as classes A-B1, B2-C1 e C2-DE, sendo os 
indivíduos de classe A-B1 aqueles com maior poder econômico, os indivíduos da classe B2-C1 
apresentaram poder econômico intermediário e os indivíduos da classe C2-DE com menor poder 
econômico; (3) foi calculada a diferença entre a idade do participante e dos parceiros idealizados 
(preferência ideal) e do parceiro atual (preferência real). 
 
5.3 Método para análise de dados 
Foram utilizados modelos lineares gerais independentes (GLM) para investigar o efeito do 
sexo (feminino e masculino), faixa etária (12-17 anos, 18-23 anos e 24-32 anos) e poder econômico 
(A-B1, B2-C1, C2-DE) na diferença da idade mínima, máxima e idade ideal em um potencial 
parceiro romântico, e na diferença da idade dos participantes para o parceiro atual para aqueles 
envolvidos em relacionamento romântico. Em todas as análises o nível de significância adotado foi 
de 5%. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
6 Resultados 
Nas análises das preferências dos parceiros ideais foi utilizado o total de 2504 participantes e 
nas análises da preferência pela idade do parceiro real participaram da pesquisa 1443 participantes. 
Para a análise da idade dos parceiros reais foram utilizados apenas os participantes que indicaram 
estar envolvidos em relacionamento romântico no momento da pesquisa. O número de participantes 
nos grupos comparados pode ser obtido na Tabela 2. 
Tabela 2 
Número de participantes por agrupamento para análises de preferência e da idade do parceiro 
ideal. 
 
Amostra 
geral 
(n = 2504) 
Participantes 
com 
relacionamento 
(n = 1443) 
Sexo 
 Feminino 1560 931 
 Masculino 944 512 
 
Faixa etária 
 
12-17 
anos 638 346 
 
18-23 
anos 1463 827 
 
24-32 
anos 403 270 
 
Poder econômico 
 A-B1 728 432 
 B2-C 1262 720 
 C2-DE 514 291 
 
 
6.1 Preferência por idade 
O resultado indica o efeito principal do sexo, da faixa etária, o efeito de interação entre sexo e 
faixa etária para a preferência pela idade mínima em um parceiro ideal (Tabela 3). As mulheres 
indicaram parceiros para acasalamento com idade mínima próxima da idade da mulher. Análises 
post-hoc indicam diferenças entre todas as faixas etárias, sendo que as mulheres mais velhas 
aceitam parceiros com idade mínima menor do que as mais novas (IC95% Limites mínimo | 
máximo: 0,78|1,25Feminino12-17; -0,10|0,22Feminino18-23; -1,32|-0,72Feminino24-32; p < 0,001). Os Homens 
indicam parceiras ideais com idade mínima menor do que eles possuem, além disso os homens vão 
indicando parceiras cada vez mais novas à medida que sua faixa etária aumenta (IC95% Limites 
mínimo | máximo: -1,53|-0,82Masculino12-17; -3,07|-2,66Masculino18-23; -6,81|-6,01Masculino24-32; p < 0,001). 
A comparação entre homens e mulheres mostra que homens aceitam parceiras mais novas do que as 
mulheres em todas as faixas etárias (p < 0,001) (Figura 1). 
30 
 
 
 
a 
 
b 
 
 
Figura 1 
Padrões de preferência de idade feminina (a) e masculina (b). A linha horizontal representa a 
idade dos participantes (linha no valor zero), a linha pontilhada indica a diferença de idade 
mínima, a linha cheia indica a diferença de idade ideal e a tracejada indica a diferença de idade 
máxima (intervalo de confiança de 95%). 
' 
Tabela 3 
Modelo Linear Geral em preferências de idade e idade do parceiro atual por sexo, faixa etária, 
poder econômico e interações 
 F P η² Parcial Poder 
Diferença de idade mínima 
 Sexo 842,46 <0,001 0,25 1,00 
 Faixa etária 235,10 <0,001 0,16 1,00 
 Poder econômico 0,56 0,572 0,00 0,14 
 S × F 48,94 <0,001 0,04 1,00 
 S × P 3,14 0,043 0,00 0,60 
 F × P 2,34 0,053 0,00 0,68 
 S × F × P 7,31 <0,001 0,01 1,00 
 
Diferença de idade máxima 
 Sexo 63,95 <0,001 0,03 1,00 
 Faixa etária 0,67 0,512 0,00 0,16 
 Poder econômico 1,13 0,324 0,00 0,25 
 S × F 6,87 0,001 0,01 0,92 
 S × P 1,68 0,187 0,00 0,35 
 F × P 2,96 0,019 0,00 0,80 
 S × F × P 1,54 0,188 0,00 0,48 
* 
Diferença de idade ideal 
31 
 
 Sexo 637,31 <0,001 0,20 1,00 
 Faixa etária 30,08 <0,001 0,02 1,00 
 Poder econômico 0,79 0,454 0,00 0,19 
 S × F 18,43 <0,001 0,01 1,00 
 S × P 1,47 0,231 0,00 0,31 
 F × P 1,56 0,183 0,00 0,49 
 S × F × P 0,40 0,808 0,00 0,14 
 
Diferença de idade entre os participantes e o parceiro atual 
 Sexo 191,88 <0,001 0,12 1,00 
 Faixa etária 9,16 <0,001 0,01 0,98 
 Poder econômico 2,59 0,075 0,00 0,52 
 S × F 1,61 0,201 0,00 0,34 
 S × P 1,82 0,163 0,00 0,38 
 F × P 1,30 0,268 0,00 0,41 
 S × F × P 3,61 0,006 0,01 0,88 
Nota. S = Sexo, F = Faixa etária e P = Poder econômico. Em relação aos efeitos, para diferença de idade mínima, 
máxima e ideal, N = 2504; df = 1, 2486 para sexo; df = 2, 2486 para faixa etária, poder econômico, S x F e S x P; df = 
4, 2486 para F x P e S x F x P. Para a diferença de idade dos parceiros atuais, N = 1443; df = 1, 1425 para sexo; df = 
2, 1425 para faixa etária, poder econômico, S x F e S x P; df = 4, 1425 para F x P e S x F x P. Foram destacados em 
negrito os resultados das interações com significância a 5%. 
 
 
Também foi encontrado o efeito do poder econômico nos padrões de preferência para as 
preferências pela idade mínima, o que foi evidenciado por meio do efeito de interação entre sexo e 
poder econômico e uma interação de três vias entre sexo, faixa etária e poder econômico (Tabela 3). 
Para investigar este efeito, optamos por detalhar a interação de três vias. O maior efeito pode ser 
observado na faixa etária 24-32 anos (Figura 2). Mulheres nesta faixa etária e com maior poder 
econômico aceitam parceiros com idade mínima semelhante às delas, já as mulheres neste grupo e 
com menor poder econômico aceitam parceiros com idade mínima menor que a delas (parceiros 
mais novos). Homens na faixa etária 24-32 e com menor poder econômico aceitam parceiras com 
idade mínima maior (parceiras mais velhas) do que homens na mesma faixa etária e com maior 
poder econômico. 
 
 
32 
 
a 
 
b 
 
Figura 2 
Médias e intervalo de confiança 95% para a idade mínima aceitável em um parceiro em função do 
sexo, faixa etária e grupo de poder econômico para (a) as participantes do sexo feminino e (b) os 
participantes do sexo masculino; a barra cinza escura representa o grupo com maior poder 
econômico, a barra cinza claro representa o grupo com poder econômico intermediário e a barra 
branca representa o grupo com menor poder econômico. 
 
Foi observado o efeito principal do sexo, o efeito de interação entre sexo e faixa etária, e o 
efeito de interação entre faixa etária e poder econômico na avaliação da preferência pela idade 
máxima em um parceiro idealizado (Tabela 3). As mulheres nos grupos 12-17 anos e 18-23 anos 
indicaram parceiros com idade máxima semelhante (IC95% Limites mínimo | máximo: 
7,53|8,78Feminino12-17; 8,44|9,31Feminino18-23; p = 0,186), mas com valor menor que o grupo de mulheres 
com 24-32 anos (IC95% Limites mínimo | máximo: 9,44|11,04Feminino24-32; p < 0,010). Não foi 
encontrada diferença significativa nos grupos de faixas etárias para a idade máxima aceitável em 
uma parceira para os homens (IC95% Limites mínimo | máximo: 6,01|7,89Masculino12-17; 
6,30|7,37Masculino18-23; 4,78|6,90Masculino24-32; p = 0,305). Na comparação entre homens e mulheres nos 
três grupos de faixas etárias foi encontrado que as mulheres aceitam parceiros com idade máxima 
mais elevada do que dos homens (p = 0,037) (Figura 1). O detalhamento do efeito da faixa etária e 
do poder econômico para a idade máxima preferida indicou que adolescentes com maior poder 
econômico (faixa etáriade 12-17 anos, de ambos os sexos) buscam parceiros com idade máxima 
maior (mais velhos) que os adolescentes com menor poder econômico (Figura 3). 
 
33 
 
 
Figura 3 
Médias e intervalo de confiança 95% para a idade máxima aceitável em um parceiro em função da 
faixa etária e grupo de poder econômico; a barra cinza escura representa o grupo com maior 
poder econômico, a barra cinza claro representa o grupo com poder econômico intermediário e a 
barra branca representa o grupo com menor poder econômico. 
 
Foi observado o efeito principal do sexo, da faixa etária, o efeito de interação entre sexo e 
faixa etária para avaliação da preferência pela idade ideal (Tabela 3). Não foi encontrada diferença 
entre as mulheres de diferentes faixas etárias, a média da preferência feminina da idade foi 3,41 
anos a mais do que a idade da própria mulher (IC95% Limites mínimo | máximo: 3,31|3,88Feminino12-
17; 3,20|3,59Feminino18-23; 2,87|3,59Feminino24-32; p>0,366). Entre os homens foram encontradas 
diferenças entre os três grupos com diferentes faixas etárias. Homens do grupo de menor faixa 
etária (mais jovens) idealizaram parceiras mais velhas do que eles; aqueles com faixa etária 
intermediária idealizaram parceiras com idade próxima a deles; já os mais velhos idealizaram 
parceiras mais novas do que eles (IC95% Limites mínimo | máximo: 0,51|1,36Masculino12-17; -
0,06|0,42Masculino18-23; -2,42|-1,28Masculino24-32; p < 0,007). Por fim, os homens idealizam parceiras 
mais novas que as mulheres nas três faixas etárias, (p < 0,001) (Figura 1). 
 
6.2 Idade do parceiro atual 
Para a diferença de idade do parceiro atual foram observados o efeito principal do sexo, da 
faixa etária e o efeito de interação entre sexo, faixa etária e poder econômico (Tabela 3). Os 
resultados indicam que mulheres apresentam parceiros mais velhos do que os homens (IC95% 
Limites mínimo | máximo: 2,65|3,23Feminino; -1,05|-0,21Masculino); e que pessoas no grupo de faixa 
etária com 12-17 anos formaram casais com parceiros mais velhos do que as pessoas nas demais 
faixas etárias (IC95% Limites mínimo | máximo: 1,46|2,4312-17; p < 0,010), mas não foi observada 
34 
 
diferença entre as faixas etárias de 18-23 e 24-32 anos (IC95% Limites mínimo | máximo: 
0,80|1,3818-23; -0,08|0,9324-32; p = 0,071). A interação entre as variáveis sexo e idade com o poder 
econômico apresenta efeito observado entre as mulheres do grupo de faixa etária de 24-32 anos. 
Neste grupo, mulheres com menor poder econômico possuem parceiros com idade semelhante à 
delas, no entanto aquelas com maior poder econômico apresentam parceiros mais velhos do que 
elas (Figura 4). 
 
 
a 
 
b 
 
 
Figura 4 
Médias e intervalo de confiança 95% para a diferença da idade para o parceiro atual em função do 
sexo, faixa etária e poder econômico para (a) as participantes do sexo feminino e (b) os 
participantes do sexo masculino; a barra cinza escura representa o grupo com maior poder 
econômico, a barra cinza claro representa o grupo com poder econômico intermediário e a barra 
branca representa o grupo com menor poder econômico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
7 DISCUSSÃO 
Este estudo investigou o efeito do sexo, idade e poder econômico nos padrões de preferência 
pela idade de um parceiro idealizado e na escolha de parceiros em heterossexuais. Os resultados 
confirmam parcialmente nossa hipótese 1 de que o sexo, faixa etária e poder econômico 
influenciam a preferência da idade mínima aceitável em parceiros para acasalamento. Foi 
demonstrado que os homens aceitam parceiras com menor idade mínima (mais novas) do que as 
mulheres dentro de cada faixa etária, conforme era esperado pela predição 1.1. Este resultado está 
de acordo com a literatura, já que pistas de fertilidade, elevada saúde reprodutiva e atratividade 
física são importantes para os homens quando escolhem suas parcerias e estão relacionadas com a 
idade da mulher, sendo as mais jovens consideradas mais atraentes (Bech-Sørensen & Pollet, 2016; 
Buss, 1989; Buss & Schmitt 1993; Pawlowski, 2000; Russock, 2011). 
Predizemos que os participantes mais jovens apresentariam menor idade mínima aceitável 
quando comparados aos mais velhos (Predição 1.2), contudo os resultados não apontam para essa 
direção. Observamos que tanto os homens quanto as mulheres mais jovens (todos adolescentes para 
a faixa etária investigada) indicaram idade mínima ideal próxima a sua idade e maior do que as que 
foram indicadas por homens e mulheres mais velhos (adultos jovens e adultos). A preferência dos 
adolescentes do sexo masculino por parceiras relativamente mais velhas pode ser explicada pelo 
aumento na fertilidade das mulheres quando saem da adolescência e ingressam na vida adulta, 
refletindo assim as preferências masculinas por parceiras com maior valor de acasalamento (Phua et 
al., 2018). Já a preferência das adolescentes do sexo feminino por parceiros com idade próxima à 
delas pode ser explicada pela preferência por os homens que já tenham uma posição de status social 
elevado e boas perspectivas financeiras, diferente dos homens mais jovens que estão em busca de 
consolidar sua posição no mercado de acasalamento e em condições desiguais, refletindo assim as 
preferências femininas por parceiros com maior valor de acasalamento (Walter et al., 2020). 
Com relação ao poder econômico foi previsto que homens com maior poder econômico 
apresentariam menor idade mínima aceitável quando comparados a aqueles com menor poder 
econômico (Predição 1.3), esta predição atendeu parcialmente os resultados obtidos, uma vez que 
esta relação foi observada apenas dentre os participantes com maior faixa etária. Os resultados 
sugerem que homens adultos e com maior poder econômico aceitam parceiras com menor idade 
mínima, enquanto aqueles com menor poder econômico aceitam parceiras com idade mínima 
relativamente maior. Aceitar parceiras que são relativamente mais velhas pode ser interpretado 
como uma redução dos níveis de exigência quanto aos atributos das parceiras por parte dos homens 
adultos com menor poder econômico. Status e renda são fatores que influenciam o valor de 
acasalamento (Chaudhary et al., 2018; Lens et al., 2012), e aqueles com maior renda e status 
36 
 
apresentam um maior valor de acasalamento, podendo assim serem mais exigentes nas suas 
preferências por parceiras. 
Um resultado que não havia sido previsto foi que o poder econômico também influenciou as 
preferências femininas nas mulheres adultas (faixa etária 24-32). Dentre as mulheres adultas, 
aquelas com maior poder econômico aceitam parceiros com idade mínima semelhante às delas, 
enquanto as que tem menor poder econômico aceitam com menor idade mínima, ou seja, mais 
novos do que elas. Este resultado pode ser interpretado como uma redução dos níveis de exigência 
por parte das mulheres com menor poder econômico, uma vez que a renda e o status que elas 
possuem influenciam o valor de acasalamento para elas. Mulheres adultas com menor renda 
estariam em posição de competição inferior no mercado de acasalamento (Burtăverde & Ene, 2021; 
Millar et al., 2018; Williams & Sulikowski, 2020). 
Nas avaliações da preferência pela idade máxima idealizada, foi observado o efeito do sexo, 
faixa etária e poder econômico, resultado que confirma parcialmente a hipótese 2. Observamos que 
os homens aceitam parceiras com menor idade máxima quando comparados as mulheres, achado 
que de acordo com a predição 2.1. Como já foi apontado anteriormente, a idade da mulher está 
relacionada a pistas de fertilidade, elevada saúde reprodutiva e atratividade física; contudo, observa-
se um declínio da fertilidade em mulheres que avançam pela vida adulta. Este declínio com o 
avançar da idade resulta na redução da saúde reprodutiva e diminuição de sinais observáveis de 
atratividade física, reduzindo sua competitividade frente mulheres mais jovens e de maior valor 
reprodutivo

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