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Ação de Inconstitucionalidade

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ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE N° 5961 
Requerente: Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica 
Requeridos: Governador e Assembleia Legislativa do Estado do Paraná 
Relator: Ministro Alexandre de Moraes 
Constitucional. Artigos 10 e ]O da Lei nO 14.040/2003 
do Estado do Paraná, que proíbe as concessionárias 
dos serviços de água e luz de efetuar o corte do 
fornecimento, por falta de pagamento. às sextas­
feiras. sábados, domingos, feriados e no último dia 
útil anterior a feriado. Preliminar. Ilegitimidade 
ativa. Mérito. Inconstitucionalidade formal. Os 
Estados não detêm competência para legislar sobre 
os serviços de fornecimento de energia elétrica e de 
água. Precedentes desse Supremo Tribunal Federal. 
Man(festação pelo não conhecimento da ação direta 
e, quanto ao mérito. pela procedência do pedido. 
Egrégio Supremo Tribunal Federal, 
A Advogada-Geral da União, tendo em vista o disposto no artigo 103, 
§ 3°, da Constituição da República, bem como na Lei nO 9.868, de 10 de novembro 
de 1999, vem, respeitosamente, manifestar-se quanto à presente ação direta de 
inconstitucionalidade. 
I - DA AÇÃO DIRETA 
Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, com pedido dl 
medida cautelar, proposta pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia 
Elétrica - ABRADEE, tendo por objeto os artigos 1° e 2° da Lei nO 14.040, de 28 
de abril de 2003, do Estado do Paraná, que dispõem o seguinte: 
I 
Art. 1°. Ficam, as empresas de concessão de serviços públicos de água 
e luz, proibidas de cortar o fornecimento residencial de seus serviços', 
por falta de pagamento de suas respectivas contas, às sextas-feira~, 
sábados, domingos, feriados e no último dia útil anterior a feriado. ' 
Art. 2°. Ao consumidor que tiver suspenso o fornecimento nos dias 
específicos no artigo anterior, fica assegurado o direito de acionar 
juridicamente a empresa concessionária por perdas e danos, além de 
ficar desobrigado do pagamento do débito que originou o referido corte. 
A autora sustenta que as disposições questionadas invadiriam a 
I 
esfera de competência legislativa reservada à União, uma vez que fixariam 
obrigações a serem observadas pelas empresas concessionárias de energia 
elétrica, bem como estabeleceriam hipótese de extinção de dívida. Por essa razão, 
entende que referidas normas ofenderiam o disposto nos artigos 21, inciso XII~ 
alínea "b"; 22, incisos I e IV, e parágrafo único; e 175, caput e parágrafo únicol 
Iincisos I e lI, todos da Constituição Federal!. 
I "Art. 21. Compete à União: 
( ... ) 
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: 
(...) 
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação 
com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;" 
"Ar/. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho: I 
( ...) 
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão; 
( ... ) 
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questt'Jes especificas das 
matérias relacionadas neste artigo." 
"Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão: 
sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. 1 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 2 
Quanto ao serviço de fornecimento de água, aduz tratar-se de assunto 
de interesse local, de modo que "as questões jurídico-contratuais estabelecidas 
entre os poderes concedentes e as empresas concessionárias dos serviços de 
fornecimento de energia elétrica e de água devem ser reguladas, respectivamente, 
por leifederal ou lei municipaf' (fi. 07 da petição inicial). 
Além disso, assevera que os artigos legais impugnados violariam o 
princípio do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão, 
contemplado no artigo 37, inciso XXI, do Texto Constitucional2• 
No que diz respeito à alegada usurpação de competência da União, 
ressalta que o artigo 172, § 5°, da Resolução nO 414, de 09 de setembro de 2010, 
da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL3 dispõe sobre o horário de 
suspensão do fornecimento de energia elétrica, em caso de inadimplemento dos 
deveres contratuais, estabelecendo período diverso do previsto na lei hostilizada. 
Diante disso, considera que a restrição contida na Lei estadual nO 
14.040/2003, consistente em proibir a suspensão do fornecimento de energia 
elétrica às sextas-feiras, sábados, domingos, feriados e no último dia útil anterior 
ao feriado, não encontraria amparo no contrato de concessão, na legislação federal 
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
 
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu
 
contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou
 
permissão:
 
II - os direitos dos usuários;"
 
2 "Art. 37. ( ... )
 
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão
 
contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes,
 
com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
 
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do
 
cumprimento das obrigações."
 
3 "A rt. I 72. (... )
 
§ 5° A distribuidora deve adotar o horário de 8h às 18h, em dias úteis, para a execução da swpens(lo do
 
fornecimento da unidade consumidora."
 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 3 
ou nas normas regulamentares da ANEEL. 
A autora acrescenta que esse Supremo Tribunal Federal, ao julgar a 
Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 3661, teria declarado a 
inconstitucionalidade de diploma legislativo com conteúdo idêntico ao das 
normas ora sob invectiva. 
Em outra linha, argumenta que, por restringirem o período em que o 
corte de energia pode ser realizado, as disposições hostilizadas afetariam o 
equilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado a respeito desse serviço.
I 
Primeiramente, porque haveria maior dispêndio, por parte da concessionária, na 
contratação de corpo técnico para efetuar a referida suspensão; em segundo lugar, 
porque o percentual de inadimplência passível de repasse ao consumidor levaria 
em consideração as regras estabelecidas pela ANEEL. 
Nesse sentido, assevera que "a limitação do poder fiscalizatório da 
concessionária, impedindo-a de realizar cortes em 33% dos dias do ano, terá, 
como consequência, um aumento da inadimplência, seja em quantidade de 
consumidores inadimplentes, seja em dias de inadimplência de cada consumidor'f 
(fi. 19 da petição inicial). 
A autora aduz, igualmente, que a Lei n° 8.987, de 13 de fevereiro de 
1995, seria responsável pela regulamentação do artigo 175 do Textq 
Constitucional, inclusive quanto aos direitos e deveres dos usuários dos serviços 
públicos, bem como que a Lei n° 9.427, de 26 de dezembro de 1996, teria 
instituído a ANEEL, conferindo-lhe poder regulamentar. 
Afirma, ainda, que, mesmo se fosse considerada como norma 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 4 
consumerista, a lei sob invectiva ofenderia, em tal hipótese, o artigo 24, incis6 
VIII e §§ 1° a 3°, da Lei Maior4, na medida em que versaria sobre normas gerais 
de prestação do serviço de energia elétrica. 
Por fim, sustenta que o artigo 2° da Lei estadual n° 14.040/2003 
consagraria hipótese anômala de extinção de dívida, uma vez que desobrigaria do 
pagamento do débito o consumidor afetado por corte realizado de forma 
incompatível com o disposto no artigo 1° desse diploma legal. Assim, referido 
artigo 2° seria formalmente inconstitucional por versar sobre direito civil. 
Com esteionesses argumentos, a requerente pede a concessão de 
medida cautelar para suspender os efeitos dos artigos 1° e 2° da Lei nO 14.040/2003 
do Estado do Paraná. Alternativamente, postula a suspensão, tão somente, da 
expressão "e luz", constante do artigo IOdo referido diploma legal. No mérito, 
pleiteia a confirmação dos pedidos cautelares, com a consequente declaração da 
inconstitucionalidade das normas mencionadas. 
o processo foi distribuído ao Ministro Relator Alexandre de Moraes, 
que, nos termos do rito previsto no artigo 12 da Lei nO 9.868/1999, solicitou 
informações às autoridades requeridas, bem como determinou a oitiva da 
Advogada-Geral da União e da Procuradora-Geral da República. 
Em atendimento à solicitação, a Assembleia Legislativa do Estado 
4 "Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
 
( ...)
 
VIlI - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
 
histórico, turístico e paisagístico;
 
( ...)
 
§ 10 No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
 
§ ]O A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos
 
Estados,
 
§ ]0 Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para
 
atender a suas peculiaridades,"
 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 5 
do Paraná suscitou, preliminarmente, a ilegitimidade ativa da autora, por ausência 
de comprovação de sua abrangência nacional. Quanto ao mérito, sustentou a 
constitucionalidade da Lei nO 14.040/2003. A esse respeito, afirmou que referido 
diploma, além de ter tramitado regularmente naquela Casa Legislativa, disporia 
sobre proteção ao consumidor, matéria que estaria sujeita à competência 
legislativa concorrente. 
De seu turno, o Governador paranaense informou que o projeto 
referente à Lei nO 14.040/2003 fora vetado em virtude do reconhecimento de sua 
inconstitucionalidade formal. Não obstante, referido veto teria sido derrubado 
pela Assembleia Legislativa estadual. 
Na sequência, vieram os autos para manifestação da Advogada-Geral 
da União. 
11 - PRELIMINAR: ILEGITIMIDADE ATIVA DA AUTORA 
Ressalte-se, inicialmente, que a autora não detém legitimidade para 
o ajuizamento da presente ação direta. 
De fato, como se infere do artigo 2° de seu Estatuto Social 
(documento nO 04 do processo eletrônico), a requerente congrega, 
exclusivamente, "empresas concessionárias de distribuição de energia elétrica". 
Dessa forma, verifica-se que a representatividade da autora se limita 
a parcela de categoria econômica, razão pela qual não pode ser caracterizada como 
associação de classe para o fim previsto no artigo 103, inciso IX, da Constituição 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 6 
FederaIS. 
Com efeito, por representar somente as concessionárias d~ 
distribuição de energia elétrica, estão excluídas do quadro social da requerente 
outras empresas do setor elétrico, a exemplo das geradoras e transmissoras de 
energia elétrica. 
A ilegitimidade ativa da Associação Brasileira de Distribuidores de 
Energia Elétrica em razão de sua heterogeneidade já foi reconhecida por esse 
I 
Supremo Tribunal Federal. Confira-se: I 
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITQ 
I 
FUNDAMENTAL. DISPOSITIVOS DO DECRETO 
PRESIDENCIAL 5.597, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2005, QUE 
REGULAMENTA O ACESSO DE CONSUMIDORES LIVRES ÀS 
REDES DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. 
ILEGITIMIDADE ATIVA DA ASSOCIAÇÃO ARGÜENTE. 
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE. 
AUSÊNCIA DE POTENCIALIDADE LESIVA. OFENSA REFLEXA 
À CONSTITUIÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I - A 
composição híbrida da ABRADEE, devido à heterogeneidade nâ 
participação social macula a legitimidade da argüente para agir em sede 
de controle abstrato de constitucionalidade. 11 - Não é parte legítim~ 
para a proposição de argüição de descumprimento de preceit6 
fundamental a associação que congrega mero segmento do ramo 
das entidades das empresas prestadoras de energia elétrica! 
Precedentes. (...) VI - Agravo regimental improvido. i 
(ADPF n° 93 AgR, Relator: Ministro Ricardo Lewandowski, Órgão 
Julgador: Tribunal Pleno, Julgamento em 20/05/2009, Publicação e~ 
07/08/2009; grifou-se). : 
Pelo mesmo motivo, o Ministro Luiz Fux, em decisão monocrática 
proferida no ano corrente, negou conhecimento à Ação Direta de 
Inconstitucionalidade nO 5610 em razão da ilegitimidade ativa da requerente. 
I 
5 "Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: 
( ... ) 
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional." 
ADI nO 5961. ReI. Min. Alexandre de Moraes 
Veja-se: 
Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, com pedido de medida 
cautelar, ajuizada pela Associação Brasileira de Distribuidores de 
Energia Elétrica - ABRADEE, em face da Lei 13.578/2016 do Estado 
da Bahia. Como parâmetro de controle, a requerente indicou os artigos 
21, XII, b; 22, IV, e 175, parágrafo único, I, 11 e 111, da Constituição 
Federal. 
(...) 
Anoto que a demanda foi proposta por entidade assocIativa que 
congrega "empresas concessionárias de distribuição de energia 
elétrica" (artigo 2° do estatuto social) e que tem por objeto, dentre 
outras atribuições, "a representação judicial ou extrajudicial de seus 
associados, para a defesa de seus interesses" (artigo 1°, a, do estatuto 
social). 
Assevere-se que as associações classistas devem comprovar a 
representação das respectivas categorias em sua totalidade, a fim 
de ostentar legitimidade ativa para provocar a jurisdição 
constitucional abstrata desta Corte. Tal condição não foi satisfeita 
na hipótese dos autos, uma vez que a requerente não demonstrou a 
representação da totalidade do "setor elétrico", que também é 
composto pelas empresas geradoras e transmissoras de energia 
elétrica. (...) 
Desse modo, a requerente não se caracteriza como entidade de classe 
de âmbito nacional para os fins do artigo 103, IX, da Constituição 
Federal, bem como do artigo 2° da Lei federal 9.868/1999, de forma que 
não integra o rol exaustivo dos legitimados à propositura das ações de 
controle concentrado de constitucionalidade. 
(...) 
Ex positis, diante da ilegitimidade ativa ad causam da requerente e com 
fundamento no artigo 21, § 1°, do RISTF, NÃO CONHEÇO a ação 
direta de inconstitucionalidade. 
(ADI nO 5610, Relator: Ministro Luiz Fux, Decisão Monocrática, 
Julgamento em 28/02/2018, Publicação em 05/0312018; grifou-se). 
Não merece, pois, conhecimento a presente ação direta. 
Ademais, cumpre registrar que a requerente não logrou demonstrar a 
existência de pertinência temática para impugnar, em sua integralidade, os 
dispositivos de lei objeto da presente ação direta. 
AD! n° 596l. Rei. Mil1. Alexandre de Moraes 8 
Acerca do assunto, esse Supremo Tribunal Federal considera que a 
legitimidade ativa das entidades de classe, no âmbito do controle abstrato de 
constitucionalidade, está condicionada ao preenchimento do requisito da 
pertinência temática, ou seja, da relação de pertinência entre suas atividades 
institucionais e o objeto da ação. Confira-se: 
CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGITIMIDADE ATIVA: 
PERTINÊNCIA TEMÁTICA. I. - A legitimidade ativa da 
confederação sindical, entidade de classe de âmbito nacional, Mesas 
das Assembléias Legislativa e Governadores, para a ação direta de 
inconstitucionalidade, vincula-se ao objeto da ação, pelo que deve 
haver pertinência da norma impugnada com os objetivos do autor da 
ação. 11. - Precedentes do STF: ADIn 305-RN (RTJ 153/428); ADIn 
1.151-MG ("DJ" de 19.05.95); ADIn 1.096-RS ("LEX-JSTF", 
211/54). 111. - Ação direta de inconstitucionalidade não conhecida. 
(ADI n° 1519 MC, Relator: Ministro Carlos Velloso, Órgão 
Julgador: Tribunal Pleno, Julgamento em 06/11/1996, Publicação 
em 13/12/1996).Na espécie, a requerente questiona a validade dos artigos 1° e 2° da 
Lei nO 14.040/2003 do Estado do Paraná, que instituem deveres aplicáveis às 
concessionárias dos serviços públicos de fornecimento de água e de energia 
elétrica. Em outros termos, os dispositivos hostilizados incidem não apenas sobre 
as concessionárias de energia elétrica, mas também sobre as fornecedoras de água, 
as quais não são representadas pela autora. 
Desse modo, evidencia-se a ilegitimidade da requerente para 
instaurar o controle concentrado de constitucionalidade em face da integralidade 
dos dispositivos questionados, em consonância com a jurisprudência dessa 
Suprema Corte. Veja-se: 
ESTATUTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - OAB. 
ARTIGOS 1°, § 2°; 21, PARÁGRAFO Úl'JICO; 22; 23; 24, § 3°; E 78 
DA LEI N. 8.906/1994. INTERVENÇÃO COMO LITISCONSÓRCIO 
PASSIVO DE SUBSECÇÕES DA OAB: INADMISSIBILIDADE. 
ADln° 5961, Rei. Min. Alexandre de Moraes 9 
PERTINÊNCIA TEMÁTICA. ARTIGOS 22, 23 E 78: NÃO­
CONHECIMENTO DA AÇÃO. ART. 1°, § 2°: AUSÊNCIA DE 
OFENSA À CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 21 E SEU 
PARÁGRAFO ÚNICO: INTERPRETAÇÃO CONFORME À 
CONSTITUIÇÃO. ART. 24, § 3°: OFENSA À LIBERDADE 
CONTRATUAL. AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE PARCIALMENTE PROCEDENTE. 
(...) 2. Ilegitimidade ativa da Confederação Nacional da Indústria ­
CNI, por ausência de pertinência temática, relativamente aos 
artigos 22, 23 e 78 da Lei n. 8.906/1994. Ausência de relação entre 
os objetivos institucionais da Autora e do conteúdo normativo dos 
dispositivos legais questionados. (...). 6. Ação direta de 
inconstitucionalidade conhecida em parte e, nessa parte, julgada 
parcialmente procedente para dar interpretação conforme ao art. 21 e 
seu parágrafo único e declarar a inconstitucionalidade do § 3° do art. 
24, todos da Lei n. 8.90611994. 
(ADI n° 1194, Relator: Ministro Maurício Corrêa, Relatora para o 
Acórdão: Ministra Cármen Lúcia, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, 
Julgamento em 20/05/2009, Publicação em 11/09/2009; grifou-se). 
Na mesma linha, confira-se excerto da decisão monocrática proferida 
pelo Ministro Roberto Barroso nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade 
nO 5399, in verbis: 
1. Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade proposta pela 
Associação das Operadoras de Celulares - ACEL, em face da Lei 
15.854, de 02/07/2015, do Estado de São Paulo, que obriga os 
prestadores de serviços contínuos a estender, automaticamente, 
eventuais novas promoções a antigos clientes. (... ) 
7. De início, cumpre registrar que a Associação das Operadoras de 
Celulares - ACEL constitui entidade de abrangência nacional, que 
representa empresas privadas prestadoras do Serviço Móvel 
Celular (SMC) em todo território nacional. Consta do Estatuto Social 
da associação a finalidade de "promover e defender os interesses das 
suas Associadas". Ademais, este STF já reconheceu a legitimidade ativa 
da ACEL, em sede de controle concentrado (ADI 3.846, ReI. Ministro 
Gilmar Mendes). Diante disso, reputo que a requerente possui 
legitimidade para ajuizar ação direta. 
8. Entretanto, conheço apenas parcialmente da ação. Isso porque, 
como bem registraram a Advocacia Geral da União e a 
Procuradoria Geral da República, a requerente pede a declaração 
da inconstitucionalidade de toda a Lei 15.854/2015, quando alguns 
de seus dispositivos se destinam às prestadoras de outros serviços 
de caráter contínuo. Assim, quanto aos serviços de caráter contínuo 
diversos dos serviços de telefonia móvel, deixo de conhecer da ação, 
ADlno 5961. ReI. Mil1. Alexandre de Moraes 10 
por falta de pertinência temática. 
(...) 
11. Diante do exposto, conheço parcialmente da ação, pelos 
fundamentos já aduzidos, e defiro a liminar para suspender a aplicação 
do art. 1°, parágrafo único, 1, da Lei Estadual n° 15.854/2015, apenas 
no que diz respeito aos serviços de telefonia móvel. 
(AOI n° 5399, Relator: Ministro Roberto Barroso, Decisão 
Monocrática, Julgamento em 18/12/2015, Publicação em 01/02/2016; 
grifou-se). 
Feitas essas considerações, conclui-se pela inviabilidade da presente 
ação direta, diante da ilegitimidade ativa ad causam da requerente. Na 
eventualidade de restar superada a alegação anterior, no sentido da 
inadmissibilidade integral da ação, seu conhecimento deve se restringir à 
expressão "e luz", contida no artigo 10 da Lei nO 14.040/2003 do Estado do Paraná. 
lU-MÉRITO 
Conforme relatado, a requerente sustenta que a Lei nO 14.040/2003 
do Estado do Paraná, ao proibir a suspensão de fornecimento de água e luz por 
inadimplemento em determinados dias, seria formalmente inconstitucional, pois 
afrontaria o disposto nos artigos 21, inciso XII, alínea "b"; 22, incisos I e IV, e 
parágrafo único; e 175, caput e parágrafo único, incisos I e 11, da Constituiçã~ 
Republicana. 
A Constituição Federal traça, por meio de seus artigos 21 a 24, o 
sistema de repartição de competências legislativas e administrativas das unidades 
políticas, conformando o núcleo6 do federalismo brasileiro (artigo 10 da Lei 
(, Conforme aponta José Afonso da Silva, "na teoria dofederalismo costuma-se dizer que a repartição de poderes 
autônomos constitui o núcleo do conceito de Estado Federal. 'Poderes', aí, significa a porção de matérias que a 
Constituição distribui entre as entidades autônomas e que passam a compor seu campo de atuação governamental. 
suas áreas de competência". SILVA, José Afonso da. Comentário contextual à Constituição. 6" ed., São Paulo: 
Malheiros, 2009, p. 260. 
ADI n° 5961. ReI. Min. Alexandre de Moraes 11 
Maior7). Amparado no critério da predominância do interesse, o artigo 21, inciso 
XII, alínea "b", do Texto Constitucional dispõe que compete à União explorar os 
serviços e instalações de energia elétrica. Veja-se: 
Art. 21. Compete à União:
 
(...)
 
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou
 
permissão:
 
(...)
 
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento
 
energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se
 
situam os potenciais hidroenergéticos;
 
Por sua vez, o artigo 22, inciso IV, da Carta da República atribui à 
União competência para legislar privativamente sobre energia. Confira-se, por 
oportuno, a redação do referido dispositivo constitucional: 
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
 
(...)
 
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;
 
(grifou-se).
 
Note-se que a atribuição de referida competência à União pela Carta 
Republicana de 1988 não resulta de escolha arbitrária do Constituinte, mas deriva 
da percepção de que somente com um tratamento uniforme é possível a prestação 
do serviço de energia elétrica com qualidade e eficiência. Sobre o tema, Clever 
Campos8 aduz o seguinte: 
o sistema elétrico que proporciona os serviços públicos de energia 
elétrica à sociedade brasileira é interligado. Consiste de uma grande 
malha de redes elétricas que conecta usinas de geração, linhas de 
transmissão e redes de distribuição aos milhões de consumidores de 
norte a sul do país. 
7 "Art. 10 A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do 
Distrito Federal. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem comofzmdamentos:" 
R CAMPOS, Clever M. Introdução ao direito de energia elétrica. São Paulo: ícone, 2001, p. 37 e 42. 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 12 
(...) 
o conceito de sistema interligado nacional visa favorecer a troca de 
energia entre regiões, dos geradores e consumidores de todo o país, 
portanto, a transmissão e a distribuição de energia elétrica, são 
componentes estratégicos do sistema e de altíssimo interesse público. 
No exercício da competência atribuída pelos dispositivos 
constitucionais transcritos anteriormente, a União editou a Lei federal nO 9.427, 
de 26 de dezembro de 1996, que "institui a Agência Nacional de Energia Elétrica 
- ANEEL, disciplina o regime das concessões de serviçospúblicos de energia 
elétrica e dá outras providências". De acordo com o artigo 2° desse diploma legal, 
referida agência "tem porfinalidade regular efiscalizar a produção, transmissão, 
distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as 
políticas e diretrizes do governo federal". 
Para dar cumprimento a tal finalidade, a Lei nO 9.427/1996 conferiu 
poderes normativos à Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, conforme 
se depreende dos incisos I e XIX do seu artigo 3°, in verbis: 
Art. 3° Além das atribuições previstas nos incisos lI, IIl, V, VI, VII, X, 
XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei n° 8.987, de 13 de fevereiro de 
1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e 
observado o disposto no § 1°, compete à ANEEL: 
I - implementar as políticas e diretrizes do governo federal para a 
exploração da energia elétrica e o aproveitamento dos potenciais 
hidráulicos, expedindo os atos regulamentares necessários ao 
cumprimento das normas estabelecidas pela Lei n° 9.074, de 7 de julho 
de 1995; 
(...) 
XIX - regular o serviço concedido, permitido e autorizado e fiscalizar 
permanentemente sua prestação. 
Nesse contexto, a referida agência editou a Resolução Normativa nO 
414, de 09 de setembro de 20109, a qual "estabelece as condições gerais de 
9 Disponível em: <http://www2.aneel.gov.br/cedoclbren2010414.pdl>. Acesso em: 24 jul. 2018. 
AD1 n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 13 
fornecimento de energia elétrica de forma atualizada e consolidada". O diploma 
mencionado disciplina os dias e horários em que pode ocorrer o corte no 
fornecimento desse serviço em razão de inadimplemento. Veja-se: 
Art. 172. A suspensão por inadimplemento, precedida da notificação 
prevista no art. 173, ocorre pelo: 
I - não pagamento da fatura relativa à prestação do serviço público de 
distribuição de energia elétrica; 
II - não pagamento de serviços cobráveis, previstos no art. 102; 
III - descumprimento das obrigações constantes do art. 127; ou 
IV - inadimplemento que determine o desligamento do consumidor 
livre ou especial da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica ­
CCEE, conforme regulamentação específica. 
V - não pagamento de prejuízos causados nas instalações da 
distribuidora, cuja responsabilidade tenha sido imputada ao 
consumidor, desde que vinculados à prestação do serviço público de 
energia elétrica; 
§ 1°Na hipótese dos incisos I a IV, a apresentação da quitação do débito 
à equipe responsável, no momento precedente à suspensão do 
fornecimento, obsta sua efetivação, ainda que se trate de quitação 
intempestiva, ressalvada, nesta hipótese, a cobrança do consumidor 
pelo serviço correspondente à visita técnica. 
§ 2° É vedada a suspensão do fornecimento após o decurso do prazo de 
90 (noventa) dias, contado da data da fatura vencida e não paga, salvo 
comprovado impedimento da sua execução por determinação judicial 
ou outro motivo justificável, ficando suspensa a contagem pelo período 
do impedimento. 
§ 3° Para as unidades consumidoras classificadas nas Subclasses 
Residencial Baixa Renda deve ocorrer com intervalo mínimo de 30 
(trinta) dias entre a data de vencimento da fatura e a data da suspensão 
do fornecimento. 
§ 4° Após a notificação de que trata o art. 173 e, caso não efetue a, 
suspensão do fornecimento, a distribuidora deve incluir em destaque 
nas faturas subsequentes a informação sobre a possibilidade da 
suspensão durante o prazo estabelecido no § 2°. 
§ 5° A distribuidora deve adotar o horário de 8h às 18h, em dias 
úteis, para a execução da suspensão do fornecimento da unidad~ 
consumidora. (Grifou-se). ' 
Como se nota, o período em que é possível suspender o fornecimento 
ADI n° 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 14 
I 
da unidade consumidora em razão de inadimplemento está expressamente 
definido na legislação federal em vigor sobre a matéria, especialmente na 
Resolução Normativa nO 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica -+ 
ANEEL. 
Entretanto, a Lei estadual nO 14.040/2003 ingressa no domínio 
normativo reservado à União para proibir a suspensão do serviço público de 
energia "às sextas-feiras, sábados, domingos, feriados e no último dia útil 
anterior a feriado" (artigo 1°), bem como para dispor que, em caso de 
descumprimento da regra mencionada, o usuário do serviço público fica 
"desobrigado do pagamento do débito que originou o referido corte" (artigo 2°). 
Nesses termos, ao interferirem nas relações jurídico-contratuais 
estabelecidas entre o Poder concedente federal e as empresas concessionárias do 
serviço de energia elétrica, as disposições legais em exame ofendem a 
competência da União para legislar sobre energia elétrica (artigos 21, inciso XII; 
; 
alínea "b"; e 22, inciso IV, da Constituição de 1988), devendo, por esse motivo~ 
ser reconhecida a sua invalidade. Confira-se, a propósito, a jurisprudência desse 
Supremo Tribunal: 
CONSTITUCIONAL. LEI ESTADUAL 12.635/07, DE SÃO PAULO. 
POSTES DE SUSTENTAÇÃO DA REDE ELÉTRICA 
OBRIGAÇÃO DE REMOÇÃO GRATUITA PELAS 
CONCESSIONÁRIAS EM PROVEITO DE CONVENIÊNCIAS 
PESSOAIS DOS PROPRIETÁRIOS DE TERRENOS. ENCARGOS 
EXTRAORDINÁRIOS NÃO PREVISTOS NOS CONTRATOS 
DE CONCESSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. RELEVÂNCIA 
JURÍDICA DA TESE DE USURPAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS 
FEDERAIS PARA DISPOR SOBRE O TEMA.!. Tendo em vista 
(a) a simplicidade da questão de direito sob exame; (b) a exaustividade 
das manifestações aportadas aos autos; e (c) a baixa utilidade da 
conversão do rito inicial adotado para o presente caso, a ação comporta 
julgamento imediato do mérito. Medida sufragada pelo Plenário em 
questão de ordem. 2. As competências para legislar sobre energia 
elétrica e para definir os termos da exploração do serviço de seu 
ADI n° 5961. ReI. Min. Alexandre de Moraes 15' 
fornecimento, inclusive sob regime de concessão, cabem 
privativamente à União, nos termos dos art. 21, XII, "b"; 22, IV e 
175 da Constituição. Precedentes. 3. Ao criar, para as empresas que 
exploram o serviço de fornecimento de energia elétrica no Estado 
de São Paulo, obrigação significativamente onerosa, a ser prestada 
em hipóteses de conteúdo vago ("que estejam causando transtornos ou 
impedimentos") para o proveito de interesses individuais dos 
proprietários de terrenos, o art. 2° da Lei estadual 12.635/07 imiscuiu­
se indevidamente nos termos da relação contratual estabelecida 
entre o poder federal e as concessionárias. 4. Ação direta de 
inconstitucionalidade julgada procedente. 
(AOI n° 4925, Relator: Ministro Teori Zavascki, Órgão Julgador: 
Tribunal Pleno, Julgamento em 12/02/2015, Publicação em 
10/03/2015; grifou-se); 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXPRESSÃq 
"ELETRICIDADE" DO ART. 1° DA LEI FLUMINENSE N. 
4.901/2006. FIXA A OBRIGAÇÃO DAS CONCESSIONÁRIAS 
DE ENERGIA ELÉTRICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
DE INSTALAR MEDIDORES DE CONSUMO DE ENERGIA NA 
PARTE INTERNA DA PROPRIEDADE ONDE SE REALIZA O 
CONSUMO. COMPETÊNCIA DA VNIÃO PARA LEGISLAR 
SOBRE SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA. AFRONTA AOS 
ARTS. 1°, CAPUT, 5°, INC. XXXVI, 21, INC. XII, ALÍNEA B, 22, 
INC. IV, 37, INC. XXI E 175 DA CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. 
(ADI n° 3905, Relatora: Ministra Cármen Lúcia, Órgão Julgador: 
Tribunal Pleno, Julgamento em 17/03/2011, Publicação em 
10/05/2011 ; grifou-se); 
Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a expressão "energia 
elétrica", contida no caput do art. 1° da Lei n° 11.260/2002 do Estado 
de São Paulo, que proíbe o corte de energia elétrica, água e gás 
canalizado por falta de pagamento, sem prévia comunicação ao usuário. 
2. Este Supremo Tribunal Federal possui firme entendimento no 
sentido da impossibilidade de interferência do Estado-membro nas 
relações jurídico-contratuais entre Poder concedente federal e as 
empresas concessionárias, especificamente no que tange a 
alterações das condições estipuladas em contrato de concessão de 
serviços públicos, sob regime federal, mediante a edição de leis 
estaduais.Precedentes. 3. Violação aos arts. 21, XII, b, 22, IV, e 175, 
caput e parágrafo único, incisos I, 11 e 111 da Constituição Federal. 
Inconstitucionalidade. 4. Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada 
procedente. 
(ADI n° 3729, Relator: Ministro Gilmar Mendes, Órgão Julgador: ; 
Tribunal Pleno, Julgamento em 17/09/2007, Publicação em· 
09111/2007; grifou-se). 
ADI nO 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 16 
Assim, nos termos da jurisprudência dessa Suprema Corte, não é 
permitido aos demais entes federados fixar obrigações ou deveres às 
concessionárias de serviço público federal, ainda que sob o pretexto de legislar 
sobre matéria diversa de energia elétrica. 
De modo semelhante, esse Supremo Tribunal Federal já decidiu que 
os Estados-membros carecem de competência para legislar sobre o serviço de 
fornecimento de água. Veja-se: 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI ACREANA 
N. 1.618/2004. REGRAS QUE PROÍBEM O CORTE RESIDENCIAL 
DO FORNECIMENTO DE ÀGUA E ENERGIA ELÉTRICA PELAS 
CONCESSIONÁRIAS POR FALTA DE PAGAMENTO. 
COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE SERVIÇO 
DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPETÊNCIA DO MUNICÍPIO 
PARA LEGISLAR SOBRE SERVIÇO DE FORNECIMENTO DE 
ÀGUA. AFRONTA AOS ARTS. 22, INC. XII, ALÍNEA B, 30, INC. I 
E V E 175 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. AÇÃO 
JULGADA PROCEDENTE. 
(ADI n° 3661, Relatora: Ministra Cármen Lúcia, Órgão Julgador: 
Tribunal Pleno, Julgamento em 17/03/2011, Publicação em 
10/05/2011 ); 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESTADO DE 
SANTA CATARINA. DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA POTÁVELl 
LEI ESTADUAL QUE OBRIGA O SEU FORNECIMENTO POR 
MEIO DE CAMINHÕES-PIPA, POR EMPRESA 
CONCESSIONÁRIA DA QUAL O ESTADO DETÉM O 
CONTROLE ACIONÁRIO. DIPLOMA LEGAL QUE TAMBÉM 
ESTABELECE ISENÇÃO TARIFÁRIA EM FAVOR DO USUÁRIO 
DOS SERVIÇOS. INADMISSIBILIDADE. INVASÃO DA ESFERA 
DE COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS, PELO ESTADO~ 
MEMBRO. INTERFERÊNCIA NAS RELAÇÕES ENTRE O PODER 
CONCEDENTE E A EMPRESA CONCESSIONÁRIA. 
INVIABILIDADE DA ALTERAÇÃO, POR LEI ESTADUAL, DAS 
CONDIÇÕES PREVISTAS NO CONTRATO DE CONCESSÃO DE 
SERVIÇO PÚBLICO LOCAL. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. I 
- Os Estados-membros não podem interferir na esfera das relações 
jurídico-contratuais estabelecidas entre o poder concedente local e 
a empresa concessionária, ainda que esta esteja sob o controle 
acionário daquele. II - Impossibilidade de alteração, por lei estadual; 
das condições que se acham formalmente estipuladas em contrato de 
ADI n° 5961, Rei. Min. Alexandre de Moraes 17 
concessão de distribuição de água. IH - Ofensa aos arts. 30, I, e 175,
 
parágrafo único, da Constituição Federal. IV - Ação direta de
 
inconstitucionalidade julgada procedente.
 
(ADI n° 2340, Relator: Ministro Ricardo Lewandowski, Órgão
 
Julgador: Tribunal Pleno, Julgamento em 06/03/2013, Publicação em
 
10/05/2013; grifou-se).
 
Conclui-se, portanto, pela incompatibilidade dos artigos 1° e 2° da 
Lei n° 14.040/2003 do Estado do Paraná com o Texto Constitucional. 
Cumpre destacar, finalmente, o entendimento consolidado dessa 
Suprema Corte - e reafirmado no julgamento da questão de ordem na Ação Diretc;t 
I 
de Inconstitucionalidade n° 3916, Relator Ministro Eros Grau, Dl de 19.10.2009; 
da medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4843, Relator 
Ministro Celso de Mello, Dl de 03.02.2014; da Ação Direta de 
Inconstitucionalidade n° 351, Relator Ministro Marco Aurélio, Dl de 05.08.2014; 
e da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 119, Relator Ministro Dias Toffoli, 
Dl de 28.03.2014 - no sentido da autonomia da Advogada-Geral da União para 
se contrapor à constitucionalidade das normas submetidas ao seu exame, na 
jurisdição concentrada de constitucionalidade, notadamente quando houver 
precedente no mesmo sentido. 
IV - CONCLUSÃO 
• I
Ante o exposto, a Advogada-Geral da União mamfesta-se; 
preliminarmente, pelo não conhecimento da presente ação direta e, quanto aq 
I 
mérito, pela procedência do pedido principal formulado pela requerente, devendo 
ser declarada a inconstitucionalidade dos artigos 1° e 2° da Lei n° 14.040, de 28 
de abril de 2003, do Estado do Paraná. 
São essas, Excelentíssimo Senhor Relator, as considerações que se 
ADI n° 5961, Rei. Min. Alexandre de Moraes 18 
tem a fazer em face do artigo 103, § 3°, da Constituição Federal, cuja juntada aos 
autos ora se requer, e tendo em vista a orientação fixada na interpretação do 
referido dispositivo nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nO 1616 e 2101, 
Relator Ministro Maurício Corrêa, Dl de 24.08.2001 e 15.10.2001, 
respectivamente, e na questão de ordem na Ação Direta de Inconstitucionalidade 
nO 3916, Relator Ministro Eros Grau, Dl de 19.1 0.2009. 
Brasília, de agosto de 2018. 
GRACE MARIA FE A ES MENDONÇA
 
Advogada- eral da União
 
ISA~1i~~ODE A3......-~D;:::-A--;--­
Advogada da União
 
Secretária-Geral de Contencioso
 
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rJrk$iA HELENA MAItTINS ROCHA PEDROSA 
Advogada da União 
ADI nO 5961, ReI. Min. Alexandre de Moraes 19 
		2018-08-06T15:52:16-0300
	ISADORA MARIA BELEM ROCHA CARTAXO DE ARRUDA:61648639372

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