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Princípios Constitucionais e Habeas Corpus

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Teoria da Constituição
1)Princípio da unidade da Constituição: A Constituição deve ser interpretada em
sua globalidade, como um todo. E as aparentes antinomias devem ser afastadas.
2)Princípio do efeito integrador: Decorre do Princípio da unidade. Na resolução
dos problemas jurídico-constitucionais deve dar-se primazia aos critérios ou pontos
de vista que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade política.
3)Princípio da máxima efetividade: também chamado de princípio da eficácia.
Aponta ao intérprete a busca pelo cumprimento da função social da norma, de
atribuir o sentido que assegura maior eficácia e efetivação das normas
constitucionais.
4)Princípio da Justeza ou da conformidade funcional: O intérprete máximo da
Constituição, no caso brasileiro o STF, ao concretizar a norma constitucional, será
responsável por estabelecer a força normativa da constituição, não podendo alterar
a repartição de funções constitucionalmente estabelecidas pelo Constituinte
Originário.
5) Princípio da concordância prática ou harmonização: Partindo da idéia da
unidade da Constituição, os bens jurídicos constitucionalizados deverão coexistir de
forma harmônica na hipótese de eventual conflito ou concorrência entre eles,
buscando-se evitar o sacrifício (total) de um princípio em relação a outro em choque.
O fundamento da Concordância decorre da inexistência de hierarquia entre
princípios.
6)Princípio da interpretação conforme a Constituição: Diante de normas
plurissignificativas ou polissêmicas ( que possuem mais de uma interpretação),
deve-se preferir a exegese que mais se aproxime da Constituição e, portanto, não
seja contrária ao texto Constitucional.
7) Princípio da força normativa: Os aplicadores da Constituição, ao solucionarem
conflitos, devem conferir a máxima efetividade às normas constitucionais.
8) Princípio da proporcionalidade ou razoabilidade: situação de colisão entre
valores constitucionais. Como parâmetro, devemos destacar a necessidade de
preenchimento de 3 importantes elementos:
- Necessidade: a adoção de medida que possa restringir direitos só se
legitima se indispensável para o caso concreto e se não se puder substituí-la
por outra menos gravosa.
- Adequação: o meio escolhido deve atingir o objetivo perquirido.
- Proporcionalidade em sentido estrito: deve investigar se o ato praticado ,
em termos de realização do objetivo pretendido, supera a restrição a outros
valores constitucionalizados. Podemos falar em máxima efetividade e mínima
restrição.
Remédios Constitucionais
Habeas Corpus
Conceder-se-á ( juiz) Habeas Corpus sempre que ALGUÉM sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua LIBERDADE DE
LOCOMOÇÃO por ilegalidade ou abuso de poder.
Autor da ação: impetrante.
Indivíduo em favor do qual se impetra: paciente.
Autoridade que pratica a ilegalidade ou abuso de poder: autoridade coatora ou
impetrado.
Impetrante
- Brasileiro, estrangeiro, menor ( incapaz)
- Pode ser qualquer pessoa física (em sua própria defesa).
- Em favor de terceiro, podendo ser o MP ( apesar de ser acusador, ele pode
fiscalizar ilegalidade ou abuso de poder).
- Ou mesmo a PJ ( em favor da pessoa física).
O juiz de direito, poderá concedê-lo de ofício.
Paciente
Pessoa Natural- Física
Não pode ser: Pessoa jurídica, Coisa ( liberação de veículo, mercadoria).
Nasce em 1891
→ Não há lide típica ( não há autor e réu)
→Referida ação pode ser formulada sem advogado. Mas no recurso STJ entende
que precisa, STF entende que não.
→ Dispensa formalidade, mas não pode ser verbal.
→ Ação Gratuita
→ Pode ser preventivo quando alguém se achar ameaçado ( a restrição à
locomoção ainda não se consumou). Nesta situação poderá obter um
salvo-conduto, para garantir o direito de ir e vir.
→ Quando a constrição ao direito de locomoção já se consumou, estaremos diante
de Habeas Corpus liberatório ou repressivo.
Requisitos:
1) quando não houver justa causa (motivação legal);
2) prisão por tempo maior que lei permite;
3) prisão ordenada por autoridade que não podia fazê-lo;
4) quando o motivo que autorizava a prisão deixa de existir;
5) falta de liberdade com fiança, quando a lei permite;
6) diante de expressa nulidade no processo; e,
7) quando por algum motivo for extinta a punibilidade do réu.
Habeas Corpus Coletivo
Não previsto em nosso ordenamento Jurídico.
Substituição da prisão preventiva pela domiciliar a todas as mulheres presas,
gestantes, puérperas, ou mães de crianças ou adolescentes deficientes sob sua
guarda. Excetuados os casos de crimes praticados por elas mediante violência ou
grave ameaça, contra seus descendentes.
identificar a autoridade coatora
Se for delegado, o habeas corpus deve ser dirigido ao juiz federal (1ª instância).
Quando a autoridade coatora for juiz de 1ª instância a ordem deve ser dirigida ao
Presidente do Tribunal a que o juiz estiver vinculado.
Quando a autoridade coatora for membro de tribunal, competente para conhecer o habeas
corpus será o Presidente do Supremo Tribunal Federal.
É cabível sim Habeas Corpus contra particular, que é quando o
particular tenta privar a liberdade de um indivíduo por uma
determinada situação, como por exemplo, em caso de um hospital
não permitir a saída de um paciente se não pagar a dívida existente
de uma determinada cirurgia ou consulta, ou seja, está com a sua
liberdade de locomoção ameaçada.
cinco dias
O prazo do recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, em habeas corpus
ou mandado de segurança, é de cinco dias.
ação penal de rito sumaríssimo, com prioridade de julgamento perante os
Tribunais do Poder Judiciário.
Em regra, o instrumento idôneo para atacar a quebra do sigilo bancário é o
mandado de segurança.
Entretanto, existe uma situação em que o STF admite também a impetração
de habeas corpus quando a quebra do sigilo bancário implicar ofensa indireta ou
reflexa ao direito de locomoção.
- Cabe em investigação ou processo.
Autoridade coatora: delegado, juiz, desembargadores, ministros.
Particular: exceção
→Alta médica ( não pagamento UNIMED)
→ Internação Psiquiátrica
→ Justiça do trabalho: em caso análogo a escravidão.
Mandado de segurança
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
Usa-se muito para questionar editais
Natureza da ação residual: princípio da subsidiariedade
Constitucionalizado em 1934.
→ Direito líquido e certo? expresso em norma legal e trazer em si todos os
requisitos e condições de sua aplicação ao impetrante. É um direito determinado. É
aquele de constatação evidente e imediata, não precisa de comprovação futura para
o seu reconhecimento.
O prazo de impetração do mandado de segurança é de 120 dias.
O mandado de segurança pode ser repressivo de ilegalidade ou abuso de poder já
praticado, ou preventivo, quando estivermos diante de ameaça de violação de
direito líquido e certo.
Não será concedido mandado de segurança no caso de:
- Ato contra o qual ainda caiba recurso administrativo com efeito suspensivo;
- Decisão judicial passível de recurso com efeito suspensivo;
- Decisão judicial definitiva. (decisão judicial transitada em julgado).
- Não cabe mandado de segurança contra norma programática ( apenas se for
regulamentada)
Para ingressar com um mandado de segurança é necessária:
- a atuação de um advogado ou defensor público.
- Pessoa física ou jurídica
- Nacional ou estrangeira
- com domicílio ou nato
- MP para defender direitos de determinada coletividade
Paga custas
Mandado de segurança coletivo
Segundo o § 3º do artigo 1º da referida lei, o mandado de segurança coletivo pode
ser utilizado quando o direito violado pertencer a várias pessoas, e qualquer uma
delas pode requerê-lo.
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional; para defenderdireitos
de seus afiliados
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e
em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus
membros ou associados/servidor.
A grande diferença entre o mandado de segurança individual e coletivo ( este ultimo
criado pela constituição de 88) está em seu objeto e na legitimação ativa.
Mandado de injunção
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania;
O mandado de injunção é uma ferramenta para fazer valer os direitos assegurados
pela Constituição e que precisam de uma lei ou norma específica para serem
implementados ou exercidos.
→ Caso a norma regulamentadora não seja elaborada, a solução pode ser dada
pelo Poder Judiciário.
→ Para ingressar com um mandado de injunção na Justiça, é necessária a atuação
de um advogado ou defensor público.
Requisitos para o Mandado de injunção:
- Norma constitucional de eficácia limitada prescrevendo direitos, liberdades
constitucionais e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania.
- Falta de norma regulamentadora, tornando inviável o exercício desses
direitos. ( Omissão do Poder Público).
O mandado de segurança surge para “curar uma doença” denominada síndrome de
inefetividade das normas constitucionais.
Quando a Constituição é promulgada, não têm o condão de produzir todos os
efeitos, precisando de uma lei integrativa infraconstitucional.
teorias
a) posição não concretista, tinha por entendimento a impossibilidade de o
Judiciário assegurar o exercício do direito no caso de omissão normativa,
limitando-se a declarar e reconhecer a mora.
b) posição concretista individual intermediária, em alguns casos o STF fixa um
prazo ao órgão omisso para que elaborasse a norma naquele período.
Decorrido in albis o prazo fixado, o autor passaria a ter o direito pleiteado
(efeito inter partes). Teoria Concretista geral, não restringe apenas ao
impetrante.
Mandado de Injunção coletivo
São legitimados para impetração do MI coletivo:
- MP, quando a tutela requerida for especialmente relevante para defesa
da ordem jurídica, do regime democratico ou dos interesses sociais ou
individuais indisponíveis
- Partido político com representação no Congresso Nacional, para
assegurar os direitos de seus integrantes
- organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa
dos interesses de seus membros ou associados.
- Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente
relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos
direitos individuais e coletivos dos necessitados.
Habeas Data
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo
sigiloso, judicial ou administrativo;
C) para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou
explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência
judicial ou amigável.
Finalidade: garantir que a pessoa física ou jurídica tenha acesso ou promova a
retificação de suas informações, que estejam registradas em banco de dados de
órgão públicos ou instituições similares.
→ Introduzido pela const. 88
→ Não se confunde com o direito de se obter certidões ou informações de interesse
particular, coletivo ou geral.
→ Para ingressar com um habeas data na Justiça, é necessária a atuação de um
advogado ou defensor público.
→ Considera-se de caráter público todo registro ou banco de dados contendo
informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não
sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das
informações.
→ A ação de Habeas Data tem caráter gratuito.
Ação Popular
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência;
Cidadão: brasileiro nato, ou naturalizado.
- Excluem do polo ativo, estrangeiros, apátridas, as pessoas jurídicas.
No Brasil, a primeira menção à ação popular deu-se na
Constituição Imperial de 1824
Prazo: O prazo para propor a ação popular é de cinco anos, contados da data da
publicação do ato lesivo.
Preventivo: A ação popular pode ser proposta de forma preventiva, ou seja, antes
que o dano se concretize. Nesse caso, o objetivo é evitar que o dano ocorra.
Repressivo: A ação popular também pode ser proposta de forma repressiva, ou
seja, após a concretização do dano. Nesse caso, o objetivo é reparar o dano
causado.
2. De acordo com a Constituição Cidadã, a legitimidade para a propositura da Ação
Popular é do cidadão, seja brasileiro nato ou naturalizado e que se encontre no gozo
dos direitos políticos. 3. O Supremo Tribunal Federal possui entendimento sumulado
de que a pessoa jurídica não detém legitimidade para propor ação popular. Súmula
nº 365. 4. No presente caso, a entidade sindical não possui legitimidade para ajuizar
ação popular, pois como sabido, não se enquadra no conceito de cidadão.
Uma ação popular somente é cabível ao se tratar de Direitos Difusos.
Os honorários não precisam ser pagos, exceto em casos em que se comprove a
má-fé do cidadão que a propôs.
Quem possui competência para julgar a ação?
A ação popular deve ser julgado por um juiz de primeiro grau do estado onde o ato
foi feito. No entanto, em caso de conflito entre a união e o estado-membro, a
competência para julgar a ação popular se dá ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Não é possível, por meio de uma ação popular, solicitar avaliação de
inconstitucionalidade de determinada lei.
É necessário advogado para ação popular?
Sim. Quem entra com a ação não é o cidadão comum, mas sim, um advogado ou
uma advogada. Ou seja, é importante que advogados com especialização na área
Cível estejam a par de todas as regras e requisitos para abrir uma ação.
Impetrado
O impetrado é a pessoa ou entidade que praticou o ato lesivo. Pode ser a
administração pública, direta ou indireta, ou qualquer pessoa jurídica ou entidade
pública ou privada.
Alguns exemplos de atos que podem ser objeto de ação popular são:
Ato de improbidade administrativa, como a apropriação de bens públicos;
Ato lesivo ao meio ambiente, como a poluição de um rio;
Ato lesivo ao patrimônio histórico e cultural, como a demolição de um prédio
histórico;
Constituições do Brasil
1824: Brasil Império
Influenciada pela Constituição Americana de 1787 e a Constituição Francesa de 1791
- Primeiro Reinado:
- Constituição Semirrígida
- Outorgada por D. Pedro I
- Monarquia Hereditária
- D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte
- Regime Unitário ( Estado Unitário)- não há autonomia política para as províncias,
elas não poderiam fazer suas próprias leis.
- Regime de Padroado Régio- união entre Estado e Igreja ( religião oficial católica)
- Voto Censitário- dependendo da renda poderia ou não votar
- 4 Poderes ( legislativo, judiciário, executivo, moderador) Não há a tripartição dos
Poderes.
- Duração: 65 anos
Poder Legislativo: Câmara dos Deputados e Senado
Câmara dos Deputados: era eletiva e temporária
Senado: senadores vitalícios,sendo nomeados pelo Imperador
a partir de lista tríplice enviada pelas províncias.
Constituição 1891
REPÚBLICA VELHA
- Primeira Constituição da República ( República Federativa dos Estados Unidos do
Brasil)
- Promulgada
- Assembleia Constituinte
- Criada no governo provisório de Deodoro da Fonseca
- Constituição Rígida com cláusulas pétreas
- Vigorou até 1930 ( 39 anos)
- Relator: Rui Barbosa- Abandono do modelo do parlamentarismo franco-britânico, em proveito do
presidencialismo norte-americano.
- Instituição da forma federativa de Estado e da forma republicana de governo.
- Estado Laico
- Criação do DF, antes era a cidade do RJ
- Organização dos poderes: é extinto o poder moderador e adota a tripartição dos
poderes ( Executivo, Legislativo e Judiciário)
- Fim do Voto Censitário
- Voto aberto: deu origem ao chamado voto de cabresto.
- Só poderiam votar: Homem, maiores de idade( 21 anos), alfabetizados. Excluindo
mulheres, mendigos, analfabetos e religiosos.
Constituição 1934
- Promulgada
- Criada no Governo Provisório de Vargas, após rev. paulista de 1932 (
Revolução Constitucionalista)
- Expansão dos direitos sociais
- Direitos Trabalhistas
- Justiça Eleitoral ( voto secreto, obrigatório e voto feminino, mas mantendo
proibição do voto aos mendigos e analfabetos)
- Instituindo jornada de trabalho de oito horas diárias, repouso semanal e férias
remuneradas;
- mandado de segurança e ação popular.
- Representação interventiva
- Definiu a atuação do Senado Federal no controle difuso
Constituição de 1937
- Polaca - legitimou a ditadura facista
- Outorgada - Getulio Vargas
- Autoritária
- Concentra poderes nas mãos do executivo, enfraquecendo o controle judicial
- Fechamento do poder legislativo
- Propaganda a favor do governo no rádio mediadas pelo dip
- Fim do direito à greve
- Reintrodução da pena de morte
- Estados governados por interventores nomeados por Vargas
Constituição de 1946
- Promulgada
- Democrática
- Harmonia dos três poderes
- Fim da pena de morte
- Controle concentrado de constitucionalidade
Constituição de 1967
- Outorgada
- Atos institucionais
- AI- 4 os militares lançam uma nova Constituição
- Legítima ditadura
- Não haveria mais governadores, mas interventores escolhidos pelo
presidente.
Constituição 1988
- Promulgada
- Constituição cidada
- voto para analfabeto
- josé sarney
- Relator ulisses guimarães

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