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40 MONTAGEM DOS DENTES ARTIFICIAIS Os dentes anteriores assumem uma importância muito grande no que se refere a estética, a fonética, e a parte mecânica (oclusão). Nestas condições, para uma montagem adequada, alguns princípios básicos deverão ser levados em consideração: 1- Linha mediana: Corresponde ao plano sagital do paciente e ela é demarcada no plano de cera no momento da seleção dos dentes artificiais. Divide a face em duas metades iguais, desde que sejam proporcionais. 2- Suporte para os lábios: A fim de que o suporte para os lábios seja satisfatório, os dentes artificiais devem ser montados “exatamente” nos locais que eram ocupados pelos dentes naturais. Ponto importante que deve ser considerado é que o suporte para o lábio é dado não pelo bordo incisal mas pela parte média da face vestibular do dente (A,B,C eD). A Papila incisiva é uma referência bastante significativa para a montagem do incisivo central superior. Quando os dentes naturais anteriores superiores estão presentes, a papila incisiva é localizada ligeiramente atrás dos mesmos. Após as extrações dos dentes anteriores, em consequência do processo de reabsorção óssea, a papila incisiva passa a ocupar uma posição sobre o rebordo, evidenciando dessa maneira, maior reabsorção da parte vestibular do alvéolo dental. Desde que a reabsorção não tenha sido muito grande ela passa a ser referência para o posicionamento dos incisivos centrais A) Dente natural em posição. B) Dente extraído. C) Dente artificial. E) Raiz imaginária POSIÇÃO, ALINHAMENTO E DISPOSIÇÃO DOS DENTES ARTIFICIAIS Segundo SAIZAR, é possível distinguir sob a denominação genérica de alinhamento, três elementos que definem a situação dos dentes ao formarem o arco; elementos que podem variar independentemente uns dos outros e que são chamados de: Posição- É a situação do conjunto de órgãos dentais no espaço, em relação com os lábios, nariz, comissuras e dentes antagonistas. Em outras palavras, é a posição do arco dental relacionado com a fisionomia. Assim, cada dente tem seu lugar reservado 41 (figura 1). Figura 1. Posição do incisivo central. Alinhamento- Refere-se à forma do arco dental que se obtêm após a montagem dos dentes. Ao dispor os dentes, observar o alinhamento, que deve acompanhar a forma do rebordo alveolar. Assim, em um rebordo triangular, por exemplo, os dentes deverão dispor-se de tal forma que resulte em um arco dental triangular quando observar o arco dental superior pela face oclusal (Figura 2). Figura 2. Alinhamento observado pela face oclusal Disposição- Refere-se à situação individual de cada dente na arcada. No estudo da disposição dos dentes devemos analisar inicialmente a questão da sequência de colocação dos dentes para depois estudarmos os problemas de disposição propriamente dita. Assim, observamos na figura 3 que a disposição do canino apresenta seu eixo cervico-oclusal mais inclinado que os demais dentes. Figura 3. Disposição do canino. Existem várias maneiras de iniciarmos a montagem dos dentes artificiais de uma dentadura. Alguns autores recomendam a montagem dos dentes do hemiarco superior e depois do hemiarco inferior do lado correspondente. Posteriormente do 42 hemiarco antagonista desse lado. Outros autores recomendam inicialmente a montagem dos seis dentes superiores e inferiores, estabelecendo o trespasse horizontal e vertical para o caso. Após a prova, na boca do paciente, completa-se a montagem dos dentes posteriores. A técnica a ser descrita aqui, para a montagem dos dentes anteriores superiores, proporciona um arranjo padronizado para as dentaduras. Conhecendo-se a posição, alinhamento e disposição dos dentes, é possível com o tempo e a experiência, tentar estabelecer uma individualização na montagem, fugindo dessa forma de padronização. MONTAGEM DOS DENTES ANTERIORES SUPERIORES INCISIVO CENTRAL SUPERIOR 1- Retira-se do plano superior uma porção de cera correspondente ao tamanho do incisivo central superior, tendo-se como referência a linha mediana inscrita no mesmo. 2- Plastifica-se a cera no espaço deixado e fixa-se o dente, de tal modo que a face mesial do mesmo tangencie a linha mediana (Figura 4). - O incisivo central será colocado de modo a ficar: a) Ligeiramente inclinado para vestibular (vista lateral) b) Bordo incisal descansando exatamente sobre a superfície do plano de orientação inferior. c) Com seu longo eixo na posição vertical (vista frontal). Figura 4. Montagem do Incisivo Central. INCISIVO LATERAL SUPERIOR 1- Retira-se do plano superior uma porção de cera correspondente ao tamanho do dente, tendo-se como referência a face distal do incisivo central superior. 2- Plastifica-se a cera no espaço deixado e fixa-se o dente (Figura 5). - O incisivo lateral será colocado de modo a ficar: a) Colo ligeiramente mais deprimido que o central (+ p/ dentro) 43 b) Bordo incisal ligeiramente mais elevado que o central (ñ toca o plano) c) Seu longo eixo ligeiramente inclinado para mesial. Figura 5. Montagem do Incisivo Lateral 1- Retira-se do plano superior etc... CANINO 2- Plastifica-se a cera no espaço deixado e fixa-se o dente (Figura 6). - O canino será colocado de modo a ficar: a) Vértice da cúspide deverá situar-se ao nível do plano de orientação inferior (tocando-o ou ligeiramente a baixo) b) Visto pela face vestibular, seu longo eixo deverá estar ligeiramente inclinado para mesial c) Visto pela face mesial, o seu longo eixo deverá estar ligeiramente inclinado para a região palatina de tal forma que a porção cervical apareça mais volumosa. Isto caracteriza a bossa canina. d) Olhando-se a prótese pela frente, somente será visível a metade mesial de sua face vestibular. Figura 6. Vista frontal e lateral da montagem do canino. Após a montagem dos seis dentes anteriores teremos a seguinte configuração: 44 MONTAGEM DOS DENTES POSTERIORES SUPERIORES Tal como os dentes anteriores superiores, para a montagem dos dentes posteriores superiores há necessidade de referências para que os dentes possam ser montados no plano de cera convenientemente, para executarem seu trabalho funcionalmente. Assim, dois fatores devem ser considerados, ou sejam: a) Linha principal do esforço mastigatório b) Curva de compensação LINHA PRINCIPAL DO ESFORÇO MASTIGATÓRIO A montagem dos dentes posteriores superiores, deve ser feita de maneira tal que os mesmos fiquem sobre a crista do rebordo alveolar. Para que isto aconteça precisamos traçar uma linha, no modelo inferior, sobre a crista do rebordo ósseo alveolar. Esta linha deve iniciar-se do centro da papila retromolar em direção anterior, abrangendo a maior extensão em linha reta (Figura 7). Figura 7. Traçado para a Linha Principal do esforço Mastigatório. Esta linha traçada no modelo é agora transportada para o plano de cera inferior, com o auxílio de uma régua flexível. Os dentes serão então montados de maneira tal que as cúspides palatinas fiquem exatamente sobre esta linha. Com este artifício, as forças transmitidas pelos dentes posteriores superiores incidirão exatamente sobre a crista do rebordo ósseo alveolar inferior, fazendo com que elas sejam absorvidas sem prejuízo ao osso dando maior estabilidade às próteses quando em função. 45 CURVA DE COMPENSAÇÃO Como o plano de orientação superior foi construído paralelo ao plano Protético, quando o paciente executa o movimento de protrusão os planos perdem contato na região posterior, formando um espaço entre os planos que é chamado de “Fenômeno de Christensen”. Isto ocorre em virtude da inclinação da cavidade articular no sentido de trás pra frente e de cima para baixo. Na construção das dentaduras artificiais devemos sempre evitar que haja formação desteespaço, pois se o mesmo ocorrer, as próteses podem perder a estabilidade e o paciente não conseguir usá-la. Por este motivo, devemos utilizar um artifício que compense este espaço formado. Para tal, os dentes deverão ser dispostos em uma curva no sentido ântero-posterior, chamada de “Curva de compensação” (Figura 8) O mesmo fenômeno ocorre durante os movimentos de lateralidade. Em virtude da inclinação da cavidade articular no sentido lateral (de cima para baixo e de fora para dentro), os planos perdem contato entre si. Assim sendo, não há possibilidade de se conseguir estabilidade para a dentadura. Por este motivo, os dentes são dispostos de maneira tal a compensar este espaço com o fim de prover uma Articulação bilateral balanceada (Figura 8). Figura 8. Curvas de compensação lateral e ântero-posterior Existem dois métodos para o estabelecimento da Curva de Compensação: o Fisiológico e o Mecânico. No método Fisiológico, o próprio paciente individualiza esta curva. Para isto, são abertas canaletas, uma no plano de orientação superior e outra no plano de orientação inferior, e ambas são preenchidas com uma mistura de pó abrasivo. Os planos são levados à boca do paciente e o mesmo executa movimentos de lateralidade e de protrusão. Pelo desgaste dos planos individualizar-se-á, a Curva de compensação. A seguir, os dentes são montados em relação a esta curva estabelecida. No método Mecânico, (adotado pela disciplina), o estabelecimento da Curva de Compensação é dado pela inclinação dos dentes no sentido vestíbulo-palatino e mésio-distal, que se inicia no 1º molar superior. Assim, a técnica para a montagem dos dentes posteriores superiores é a seguinte: 46 PRÉ-MOLARES SUPERIORES Os pré-molares são colocados de modo a ficarem: a) o seu longo eixo na vertical b) as cúspides vestibulares e palatinas tocam o plano inferior c) faces vestibulares ao nível do canino ou ligeiramente para dentro d) cúspides palatinas sobre a linha principal de esforço mastigatório. Figura 9. Montagem dos Pré-molares Superiores. MOLARES SUPERIORES Os molares são colocados de modo a ficarem: a) suas cúspides palatinas deverão incidir sobre a linha principal do esforço mastigatório b) o 1º molar situar-se-á em contato com o plano oclusal inferior, somente por sua cúspide mésio-palatina. Inicia-se aqui a curva de compensação. A cúspide mésio-vestibular distará 0,5 mm aproximadamente do plano oclusal e a disto-vestibular a quase 1 mm. c) O 2º molar acompanha a inclinação do 1º molar, porém suas cúspides vestibulares são mais altas em relação ao plano oclusal inferior. Levantam-se para trás, em direção às cabeças da mandíbula completando a Curva de Compensação. Figura 10. Montagem dos Molares superiores. 47 MONTAGEM DOS DENTES POSTERIORES INFERIORES A ordem de montagem dos dentes inferiores varia segundo os autores. Tamaki inicia pelos incisivos e segue, pela ordem, para posterior. Saizar, e a Disciplina de Prótese Total, depois de concluída a montagem dos dentes superiores, iniciam pelo primeiro molar inferior, já que esse dente, na dentição natural, é considerado (segundo Angle) a chave de oclusão. Marca-se na cera, no plano de orientação inferior, com o articulador fechado, dois traços: um ao nível da cúspide vestibular do segundo pré-molar superior, e outro ao nível da cúspide disto-vestibular do primeiro molar superior, que corresponde ao posicionamento do primeiro molar inferior. Observar, pela foto, que foi removido a metade do plano de cera, para que o menor volume facilite a montagem. Plastifica-se a cera na região compreendida entre os dois traços, prende-se o primeiro molar inferior com cera plastificada, e fecha-se o articulador cuidadosamente, para que a pressão de fechamento faça chegar o molar em oclusão central; observando se a cúspide mésio-vestibular incide no centro das cristas marginais proximais do segundo pré-molar e primeiro molar superior e se a cúspide disto-vestibular do molar inferior incide sob a fossa principal do molar superior (Figura 11). Figura 11. Montagem do primeiro Molar Inferior de ambos os lados Montado o molar de um lado, monta-se o do lado oposto seguindo o mesmo procedimento. Segue-se, agora, o ajuste da mesa incisal. Inicialmente ela é inclinada 48 no sentido sagital, de 0º a 20º dependendo da reabsorção do rebordo. Esta inclinação é determinada pelo profissional e corresponde à inclinação da trajetória incisiva. Para rebordos muito reabsorvidos a inclinação ântero-posterior deverá ser diminuída podendo chegar até 0º (neste caso usamos dentes artificiais sem cúspides ou dentes 0º). As aletas laterais da mesa incisal são levantadas, para compensar a altura da cúspide, se houver, movimentando-se lateralmente o ramo superior do articulador. Leva-se o ramo superior do articulador para a direita, mantendo o contato do dente superior com o dente inferior e inclina-se a aleta esquerda até que o pino guia incisal toque a mesa novamente (Figura 12). Figura 12. Movimentos para o ajuste da Mesa Incisal. Procede-se igualmente para o outro lado (quando a montagem dos dentes inicia-se pelos incisivos a mesa incisal é ajustada, no sentido transversal, pelas vertentes dos caninos). Acertada a mesa nos dois planos voltamos a movimentar o ramo superior do articulador em lateralidade direita, esquerda e, agora, também no sentido de protrusão para verificarmos se os dentes mantêm contato por suas cúspides a fim de se conseguir uma oclusão bilateral balanceada. Na posição de trabalho, as cúspides vestibulares superiores e inferiores tocam-se, ocorrendo o mesmo com a palatina superior e a lingual Inferior. Na posição de balanceio, a cúspide palatina superior deverá tocar a vestibular inferior. Na posição de protrusão as cúspides vestibulares e linguais dos dentes inferiores tocam as cúspides vestibulares e linguais dos dentes superiores ao mesmo tempo, porém mais a frente. Considerada satisfatória a montagem dos primeiros molares inferiores passaremos a montar os segundos molares, e depois, os segundos pré-molares, com o 49 mesmo procedimento, tendo-se o cuidado de movimentar o ramo superior do articulador, sempre após a montagem de cada dente, nas três situações já descritas. Ocorre, às vezes, que para conseguir bom “engrenamento” dos dentes nas suas excursões de lateralidade e protrusão, temos a necessidade de movimentar o dente superior já montado, ou mesmo desgastar com uma broca esférica nº 8 ou 10, determinada vertente de cúspide para conseguir o contato desejado. MONTAGEM DOS DENTES ANTERIORES INFERIORES INCISIVOS CENTRAIS a) face mesial toca a linha mediana b) face vestibular acompanha o contorno do plano de cera c) longo eixo na vertical d) não tocam os incisivos mesiais superiores quando as dentaduras estão em oclusão central (Figura 13) Durante a montagem dos incisivos centrais inferiores realiza-se movimentos protrusivos e laterais, para observar os contatos que devem ocorrer com os incisivos superiores (Figura 14). Figura 13. Montagem dos incisivos centrais inferiores em oclusão. Figura 14. Movimentos protrusivos com contacto nos superiores. 50 INCISIVOS LATERAIS a) face mesial mantem contato com a distal dos centrais b) face vestibular acompanha o contorno do plano de orientação c) longo eixo na vertical d) não tocam os superiores em oclusão central. CANINOS a) face mesial contatando a face distal do lateral b) cúspide localizada na linha do ponto de contato do incisivo lateral e do canino superior c) longo eixo, no sentido mésio-distal, ligeiramente inclinado para mesial e no sentido vestíbulo lingual, perpendicular ao plano oclusal. Figura 15. Montagem dos caninos inferiores PRIMEIROS PRÉ-MOLARESa) em altura não deverá ultrapassar o canto da boca b) longo eixo na vertical c) deverá ser o ultimo dente a ser montado, permitindo assim um ajuste oclusal correto e evitando apinhamento dos dentes anteriores d) quando necessário, devemos desgastar sua face mesial. Figura 16. Montagem dos pré-molares inferiores. MONTAGEM DOS DENTES ARTIFICIAIS POSIÇÃO, ALINHAMENTO E DISPOSIÇÃO DOS DENTES ARTIFICIAIS MONTAGEM DOS DENTES ANTERIORES SUPERIORES INCISIVO CENTRAL SUPERIOR - O incisivo central será colocado de modo a ficar: INCISIVO LATERAL SUPERIOR - O incisivo lateral será colocado de modo a ficar: c) Seu longo eixo ligeiramente inclinado para mesial. CANINO - O canino será colocado de modo a ficar: b) Visto pela face vestibular, seu longo eixo deverá estar ligeiramente inclinado para mesial MONTAGEM DOS DENTES POSTERIORES SUPERIORES a) Linha principal do esforço mastigatório CURVA DE COMPENSAÇÃO Fisiológico e o Mecânico. PRÉ-MOLARES SUPERIORES MOLARES SUPERIORES MONTAGEM DOS DENTES POSTERIORES INFERIORES MONTAGEM DOS DENTES ANTERIORES INFERIORES INCISIVOS CENTRAIS INCISIVOS LATERAIS PRIMEIROS PRÉ-MOLARES