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indústria 4.0

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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TECNOLOGIAS PARA A 
INDÚSTRIA 4.0 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Gabriel Vergara 
 
 
2 
TEMA 1 – REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS 
Para termos um bom norte do ponto em que a tecnologia está e como ela 
se transformou, é de fundamental importância entendermos como se procedeu 
cada uma das revoluções industriais. Observa-se aqui que a tecnologia não segue 
uma função linear. Logo, os saltos tecnológicos são diferenciados para cada uma 
das revoluções industriais, sendo elas, geralmente, ocasionadas por uma 
necessidade. 
1.1 Primeira Revolução Industrial 
A Primeira Revolução Industrial ocorreu em 1760 e representou um grande 
marco na história, que vem a ser a mecanização. Tal necessidade foi ocasionada 
pela escassez de produtos manufaturados artesanalmente, pois já não eram mais 
suficientes produções pontuais. Logo, uma sinergia entre as famílias se fazia 
necessária no intuito de produzir bens e serviços para atender a uma demanda 
crescente. Considerando essa sistemática, as indústrias começaram a 
predominar no mundo bem como a utilização de diferentes fontes de energia. 
O desenvolvimento das máquinas de tecer e fiar teve grande 
representatividade para a referida revolução industrial, mudando a natureza da 
manufatura no sentido de levar a produção de roupas para outro patamar — 
agora, em grande escala. Por sua vez, a invenção da máquina a vapor por James 
Watt, em 1769, não apenas substituiu os navios de madeira movidos pelo vento 
por navios movidos a carvão, mas também provocou uma revolução no transporte 
marítimo, mudando a natureza da economia mundial (Sacomano, 2018). 
Figura 1 – Indústria têxtil 
 
Fonte: Michael Warwick/Shutterstock. 
 
 
3 
Figura 2 – Primeira máquina a vapor 
 
Fonte: Antonia Reeve/Wikimedia Commons. 
Em 1794, o industrial americano Eli Whitney inventou o gim de algodão, 
que tinha por finalidade separar as sementes do respectivo tecido da matéria 
prima, o que ocasionou um novo impulso à revolução industrial em andamento na 
Grã-Bretanha. A referida invenção surgiu de uma necessidade de resolver um 
problema e acabou se transformando em uma matéria-prima utilizada 
extensivamente nas indústrias. 
Como a maioria das invenções da Primeira Revolução Industrial ocorreu na 
Grã-Bretanha, esta se tornou a primeira economia industrial moderna. 
Posteriormente, tais tecnologias se difundiram para a Europa Ocidental e a 
América do Norte, dando origem a economias industriais modernas nessas partes 
do mundo. 
1.2 Segunda Revolução Industrial 
A Segunda Revolução industrial ocorreu entre 1870 e 1914, sendo 
caracterizada por muitos avanços na tecnologia e nas fábricas, o que possibilitou 
produzir mais mercadorias e produtos a serem vendidos. Essa revolução industrial 
foi marcada pelos avanços em massa na agricultura, manufatura e transporte, que 
 
 
4 
começaram na Grã-Bretanha, seguiram para a Europa e América do Norte e, em 
seguida, rapidamente para o restante do mundo. O período da referida revolução 
foi marcado por inúmeras invenções e significativas contribuições em aspecto 
mundial. 
Resgatando o aspecto da utilização de diferentes fontes de energia da 
Primeira Revolução Industrial, uma das principais causas da segunda revolução 
foi devido a recursos naturais e novas fontes de energia. Ressalta-se, ainda, a 
oferta abundante de mão de obra, forte política governamental e as ferrovias que 
revolucionaram o setor de transporte. Tais fatos proporcionaram um padrão de 
vida melhor. Entretanto, originou um aumento de desemprego devido às máquinas 
que assumiam o emprego do ser humano. Apesar desse revés, os custos e preços 
de produção caíram drasticamente e houve um rápido aumento da produtividade, 
o que promovia maior utilização dos recursos naturais, sendo os mais corriqueiros 
carvão, petróleo, ferro e minério. 
Por fim, outro ponto de destaque do referido período foi em relação às 
invenções, tanto proporcionada por americanos como também pelos imigrantes. 
Dá-se destaque à eletricidade, ao telefone e à linha de produção do Ford T. 
Figura 3 – Produção em massa do Ford T 
 
Fonte: Brunt, 2018. 
 
 
 
5 
Figura 4 – Utilização de eletricidade 
 
Fonte: Dorsey, 2018. 
1.3 Terceira Revolução Industrial 
O start da Terceira Revolução Industrial se deu em 1969 com o 
desenvolvimento da Rede de Agências de Projetos de Pesquisa Avançada 
(Arpanet), que consistia numa rede de computação de pacotes antecipada, sendo 
esta a primeira rede a implementar o conjunto de protocolos TCP/IP. Tal fato 
promoveu o desenvolvimento da internet, o que desencadeou a era da 
informação. 
A Primeira Revolução Industrial foi marcada pelo uso de eletrônicos e TI 
(Tecnologia da Informação) para maior automação na produção. A fabricação e a 
automação avançaram consideravelmente graças ao acesso à internet, 
conectividade e energia renovável. 
A Indústria 3.0, termo que faz alusão à referida revolução, introduziu mais 
sistemas automatizados na linha de montagem para executar tarefas humanas, 
ou seja, usar controladores lógicos programáveis (PLC). Embora existissem 
sistemas automatizados, eles ainda contavam com contribuições e intervenções 
humanas. 
Rifkin (2011) descreve cinco pilares que sustentam a Terceira Revolução 
Industrial. São eles: 
1. A mudança para energia renovável; 
 
 
6 
2. Transformação do material de construção em usinas verdes de 
microenergia para coletar energias renováveis no local; 
3. Implantação de hidrogênio e outras tecnologias de armazenamento em 
todos os edifícios e em toda a infraestrutura para armazenar energias 
intermitentes; 
4. Uso da tecnologia da internet para transformar a rede elétrica de todos os 
continentes em uma internet energética, que age exatamente como a 
internet; 
5. Transição da frota de transporte para veículos elétricos plug-in e células de 
combustível. 
Figura 5 – Automação em linha de produção automotiva 
 
Fonte: Jenson/Shutterstock. 
1.4 Quarta Revolução Industrial 
Segundo Sacomano et al. (2018), a Quarta Revolução Industrial, ou 
Indústria 4.0, baseia-se na integração de tecnologias de informação e 
comunicação com o intuito de atingir novo patamares de produtividade, 
flexibilidade, qualidade e gerenciamento, promovendo a oportunidade de novos 
modelos de negócio. 
O start dessa tecnologia parte das seguintes vertentes: avanço exponencial 
da capacidade dos computadores, imensa quantidade de informação digitalizada 
e novas estratégias de inovação (pessoas, pesquisa e tecnologia). Feitas tais 
considerações, como podemos compreender o fundamento básico da indústria 
4.0? 
Citamos anteriormente a era da informação. Já na indústria 4.0, temos a 
era digital ou, ao menos, algo muito próximo a isso em alguns países. Seguindo o 
 
 
7 
processo evolutivo, podemos contemplar um cenário na era digital com uma 
imensa quantidade de informações, tendo como alicerce uma capacidade 
bastante considerável dos computadores modernos. 
Se trouxermos esse contexto para o âmbito industrial, observaremos que o 
CLP monitora e, consequentemente, fornece informações vitais para o correto 
funcionamento do equipamento de interesse. Ao agregarmos um dos pilares da 
indústria 4.0, que vem a ser a Internet das Coisas ou, do inglês, Internet of Things 
(IoT), notaremos a possibilidade de realizar a comunicação entre máquinas. Logo, 
podemos concluir que a estruturação de uma rede inteligente é plenamente viável. 
Após tal reflexão, podemos definir o fundamento básico da indústria 4.0 
como sendo o de conectar máquinas para criar redes inteligentes em toda a 
cadeia de valor, o que se denomina por fábrica inteligente. 
Figura 6 – Pilares da indústria 4.0 
 
Fonte: The Boston Consulting Group. 
A Figura 6 mostra os nove pilares que servem como base para a indústria 
4.0, tendo como base alguns princípios: capacidade deoperação em tempo real, 
virtualização, descentralização, orientação a serviços e modularidade. 
 
 
8 
A aplicação de tais pilares deve ser analisada para todos os portes de 
empresa. Inclusive, existem startups destinadas ao fomento dessas tecnologias. 
Um exemplo prático que pode ser citado é a startup de realidade aumentada 
Magic Leap que, em 2018, recebeu um aporte total de US$ 1 bilhão, sendo um 
dos investidores a própria Google. 
TEMA 2 – HISTÓRIA DA TECNOLOGIA 
As quatro revoluções industriais foram regidas pelo advento da tecnologia, 
sendo que esse tópico é de grande importância para compreender de que forma 
ela influenciou o nosso ecossistema nos mais diversos aspectos. 
2.1 Considerações 
A palavra tecnologia provém de uma junção dos termos tecno — do grego, 
techné, que é saber fazer — e logia — do grego logus, razão. Portanto, tecnologia 
significa a razão do saber fazer (Rodrigues, 2001). Em outras palavras, é o estudo 
da técnica. O estudo da própria atividade do modificar, do transformar, do agir 
(Veraszto, 2004; Simon et al., 2004a). 
Além da compreensão do significado da palavra tecnologia, deve-se buscar 
também assimilar que ela evolui e possui tal importância que se transforma em 
uma prerrogativa para o entendimento da evolução humana. 
Vale ressaltar que a evolução humana ocorre baseada em necessidade, 
problemas ou acontecimentos espontâneos. Relembrando o tema anterior, 
verifica-se que diversas invenções ocorreram mediante necessidade, como pode 
ser observado, por exemplo, na primeira e segunda revolução industrial, seja com 
a mecanização ou com a produção em massa. Tais marcos foram essenciais para 
que a sociedade evoluísse. 
Outro exemplo que proporciona certa clareza vem a ser a construção das 
ferrovias, que representou uma nova era no transporte. Conforme mencionado 
anteriormente, durante as revoluções industriais, houve uma grande busca por 
recursos naturais, bem como a utilização de diferentes fontes de energia. 
Considerando esta última frase, como estaríamos caso o ser humano não tivesse 
se prontificado a sanar tal necessidade? Possivelmente, teríamos grandes 
desafios para gerir a falta ou excesso de recursos naturais, além de não incentivar 
o livre comércio que tanto beneficiou a humanidade. 
 
 
9 
Ainda, o empilhamento das tecnologias já existentes promove a abertura 
de um leque de oportunidades de negócio, o que significa dizer que você, 
colaborador de dada empresa ou ainda empreendedor, deve fazer da tecnologia 
a sua aliada — e, por que não, o seu próprio negócio? 
2.2 Evolução da tecnologia 
A evolução tecnológica é algo recorrente na vida do homem, visto que ela 
é um dos pilares para o desenho de nossa sociedade. Tal evolução abrange desde 
os primórdios até, e principalmente, os dias atuais. Analisando a Figura 7, 
observamos que os primeiros passos da tecnologia foram a produção de energia 
através do sol e a aparição das primeiras ferramentas de pedra, madeira e ossos. 
Hoje, por sua vez, a tecnologia nos traz os computadores quânticos e a 
nanotecnologia. 
Ao se realizar uma análise macro, observa-se que a evolução tecnológica 
nos primórdios atendia às necessidades mais básicas do ser humano, como na 
Pirâmide de Maslow, ao passo que, na atualidade, a grande maioria dos avanços 
abrange o topo da mesma pirâmide. 
Figura 7 – Evolução tecnológica 
 
Algumas invenções que merecem um destaque especial são: máquina a 
vapor, locomotiva, lâmpada incandescente, computador e internet. O primeiro 
destaque mencionado foi inventado no século XVIII, sendo que tais motores ou 
máquinas a vapor eram usados em locomotivas e diversos outros motores. 
 
 
10 
Mesmo depois da chegada dos motores a combustão, no final do século XIX, a 
máquina a vapor não perdeu a utilidade, já que é utilizada ainda nos dias de hoje 
nos reatores nucleares que servem para produzir energia elétrica. Por sua vez, a 
primeira locomotiva foi criada pelo engenheiro inglês Richard Trevithick, no ano 
de 1804. Tal invenção foi essencial para o referido período e representou um salto 
tecnológico no setor de transportes. 
Quanto à lâmpada incandescente, foi inventada em escala comercial por 
Thomas Edison em 1879, utilizando uma haste de carvão (carbono) muito fina 
que, aquecida acima de aproximadamente 900 K, passa a emitir luz. 
Por sua vez, em relação ao computador, existiram alguns modelos prévios, 
mas a história dessa tecnologia somente começou a ganhar forma com o primeiro 
computador digital eletrônico de grande escala: o ENIAC (Electrical Numerical 
Integrator and Calculator). O computador foi criado em fevereiro de 1946 pelos 
cientistas norte-americanos John Presper Eckert e John W. Mauchly, da Electronic 
Control Company. 
Por fim, a internet teve sua primeira versão, a Arpanet, que funcionava 
através de um sistema conhecido como chaveamento de pacotes, que é um 
sistema de transmissão de dados em rede de computadores no qual as 
informações são divididas em pequenos pacotes. Essa invenção foi tão 
significativa que hoje temos o que se denomina por computadores quânticos, 
diferente do computador clássico baseado na arquitetura de Von Neumann. 
2.3 Reflexões a respeito da tecnologia 
Acabamos de verificar diversas invenções, correto? Isso seria o mesmo 
que inovação ou estamos tratando de conceitos diferentes? 
Inovar e inventar possuem conceitos diferentes. Contudo, os termos partem 
do mesmo princípio, que é mudar paradigmas. Inventar, segundo o InMarket 
(2015), é a descoberta de algo novo, ou seja, sem precedentes, podendo esta ser 
relacionada com produtos ou processos. Basicamente, é solucionar um dado 
problema com base em uma ideia que saiu do papel para a prática. 
Por sua vez, inovar é o ato de fazer algo diferente, aproveitando produtos 
ou processos já existentes. Este último ato é o mais comum, visto que se trata de 
transformar ou adaptar alguma coisa conforme necessidade. Entretanto, todas as 
pessoas estão aptas a serem inovadoras ou mesmo inventivas? Ou será que 
nascemos com esta característica? 
 
 
11 
Ter potencial para invenções ou mesmo para inovações parte de algumas 
habilidades esperadas no mercado de trabalho, como ser criativo e resolver 
problemas complexos. Todas as habilidades podem e devem ser desenvolvidas 
para o próprio crescimento profissional numa empresa ou para o desenvolvimento 
de seu próprio negócio. 
Por fim, ao abordarmos sobre tecnologia, outro ponto importante é a 
expressão tecnologia disruptiva. Toda invenção ou inovação pode ser 
considerada disruptiva? Segundo TOTVS (2019), “tecnologia disruptiva é aquela 
que revoluciona, de maneira significativa, a solução que era anteriormente 
utilizada ou simplesmente cria um novo mercado, produto ou serviço”. 
Baseado na definição supracitada, podemos afirmar que nem toda invenção ou 
inovação necessariamente será disruptiva. Logo, devemos ter cuidado ao utilizar 
tal termo. 
TEMA 3 – IMPACTOS DA TECNOLOGIA NA SOCIEDADE 
A tecnologia é uma das vertentes que promove transformações na 
sociedade, sejam elas benéficas ou não. Muito se questiona ainda, por exemplo, 
se a robotização nas indústrias reduzirá as oportunidades de emprego ou 
transformará os cargos em algo alinhado às novas expectativas de mercado. 
3.1 Sociedade 4.0 
Assim como a indústria, a sociedade também sofre impactos da tecnologia. 
Juntamente a outras vertentes, também recebeu o rótulo “4.0”. A sociedade 4.0 
possui uma forte influência das redes sociais e de toda a interatividade que a 
tecnologia proporciona. Ela reduz a necessidade de contato humano e aumenta o 
contato com a máquina, seja por uma maior quantidade de trabalho ou mesmo 
por opções de entretenimento, como a Netflix. Em suma, a sociedade 4.0 possui 
um ecossistema conectado (biológico, físico e digital). 
Em plena Era da Informação e com apelo tecnológico, fica evidente que a 
transformação digital— ou seja, os conceitos da indústria 4.0 além da indústria, 
que contemplam o ecossistema como um todo —, possui como núcleo a 
tecnologia, não se preocupando diretamente com o ser humano. Tal contexto traz 
o desafio se adaptar às novas tecnologias. 
Saiba mais 
 
 
12 
Tal transformação causa de forma indireta alguns problemas de saúde 
específicos, como estresse, depressão e burnout. Leia o artigo da Associação 
Nacional da Medicina do Trabalho sobre as diferenças entre esses problemas de 
saúde. Disponível em: <https://www.anamt.org.br/portal/2019/06/07/entenda-
diferencas-entre-burnout-estresse-e-depressao/>. Acesso em: 18 jan. 2020. 
3.2 Sociedade 5.0 
Após a compreensão de que era necessário um ajuste em relação ao que 
vem sendo proposto, o Japão propôs, em 2016, uma nova forma de se trabalhar 
com as respectivas tecnologias. 
Segundo a The Answer Company Thomson Reuters (2019), a sociedade 
5.0 é uma revolução que promete colocar o mundo a favor das pessoas, 
reposicionando as tecnologias para melhorar a qualidade de vida da humanidade. 
Dessa forma, todas as tecnologias criadas na indústria 4.0 serão usadas para 
melhorar a sociedade, entre elas: Big Data e analytics, robôs autônomos, IoT, 
computação em nuvem e realidade aumentada. A proposta é colocar a tecnologia 
como fonte para a resolução de problemas em diversos setores que são 
considerados os principais pilares dessa transformação: infraestrutura, tecnologia 
financeira, saúde, logística e Inteligência Artificial (IA). 
Ainda segundo a The Answer Company Thomson Reuters (2019), a 
sociedade 5.0 será sustentada por vários pilares conceituais, mas três dos 
principais valores-chave desse modo de vida são qualidade de vida, inclusão e 
sustentabilidade. 
TEMA 4 – INDÚSTRIA 4.0 NO MUNDO 
Segundo Liao et al. (2017), em âmbito mundial, o termo indústria 4.0 foi 
utilizado pela primeira vez na Alemanha, na Feira de Hannover, em 2011. Neste 
mesmo ano, o governo dos Estados Unidos iniciou o AMP (Advanced 
Manufacturing Partnership). Por sua vez, em 2012, Siegfried Dais (Robert Bosch 
GmbH) e Kagermann (acatech) apresentaram um relatório de recomendações 
para o governo federal alemão que, na sequência, instaurou o High-tech Strategy 
Level 2020. 
Seguindo a cronologia, em 2013, a França e o Reino Unido também 
passaram a se atentar ao novo panorama industrial, ao passo que, nos países 
asiáticos, o mesmo ocorreu em 2015. Como movimento continental, a comissão 
 
 
13 
europeia compreendeu, em 2014, o crescimento exponencial da indústria 4.0 e 
estabeleceu um investimento de US$ 80 bilhões até 2020. 
Pela contextualização do presente tema, nota-se que, ao menos, grande 
parte das iniciativas internacionais partiu de políticas governamentais, bem como 
ocorre no setor de energia por meio do incentivo da utilização de fontes 
renováveis, como a energia solar fotovoltaica e a energia eólica. Essa 
conscientização e visão permitem aportes financeiros mais interessantes e 
abertura para iniciativas privadas que auxiliam na fomentação da tecnologia e a 
tornam, por vezes, mais acessíveis. 
Ao retomarmos os nove pilares da indústria 4.0 mostrados na Figura 6, 
construímos uma definição, ou ao menos um norte, de como enquadrar 
determinada indústria perante a caracterização de cada uma das revoluções 
industriais. Levando em conta alguns conceitos básicos ligados à engenharia de 
produção, pode-se fazer a seguinte análise: 
Figura 8 – Enquadramento de características por revolução industrial 
 
A Figura 8 facilita a visualização de que patamar a indústria que você atua 
se encontra no momento. Tratando de aspectos mundiais, uma boa porcentagem 
das indústrias já se encontra classificada como indústria 4.0. 
 
 
 
14 
TEMA 5 – INDÚSTRIA 4.0 NO BRASIL 
No Brasil, como ocorre nos Estados Unidos, o nome mais utilizado para a 
indústria 4.0 é manufatura avançada. O começo dessa tecnologia no Brasil, 
diferente do que ocorreu na Alemanha e em outros países, não tem um início 
exato, visto que ela foi implantada por multinacionais. Uma das pioneiras foi a 
Bosch, que constatou a falta de maturidade da indústria no país, gerando uma 
desmistificação do conceito. 
Saiba mais 
Entenda melhor sobre o posicionamento da Bosch. Disponível em: 
<https://www.baguete.com.br/noticias/20/08/2018/bosch-adapta-industria-4-0-no-
brasil>. Acesso em: 18 jan. 2020. 
A necessidade de desmistificação do conceito de indústria 4.0 promove 
uma diferenciação em relação ao que é praticado nas maiores potências 
mundiais. Logo, é adequado classificar a empresa que esteja em território 
nacional (Brasil) como aquela que utiliza mais ou menos conceitos da indústria 
4.0. Diversos pontos podem ser listados para este quadro atual, sendo um deles 
o próprio aspecto cultural. Para dar um norte, para que uma indústria seja 4.0, as 
parceiras também necessitam ser classificadas da mesma forma, o que muitas 
vezes fica impedido pela questão financeira. 
A primeira ação do governo em relação ao vigente panorama industrial vem 
a ser a Agenda da Indústria 4.0 (2017-2019), que tem as seguintes premissas: 
 Fomentar iniciativas de investimento privado; 
 Propor agenda centrada no industrial/empresário, conectando instrumentos 
de apoio; 
 Testar, avaliar, debater e construir consensos, como a validação de 
projetos-piloto; 
 Equilibrar medidas de apoio para pequenas e médias empresas com 
grandes companhias. 
A expectativa é de que esta medida promova mudanças significativas com 
o objetivo de promover competitividade no mercado mundial e consequente 
melhoria da economia nacional. 
 
 
 
15 
5.2 Estatísticas nacionais focadas em indústria 4.0 
A seguir, serão apresentadas algumas estatísticas que têm por finalidade 
mostrar, por meio de dados numéricos, o atual panorama da indústria nacional. 
Figura 9 – Participação do setor de transformação industrial no PIB (%) entre 1985 
e 2016 
 
Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI). 
Figura 10 – Índice global de inovação – países mais inovadores 
 
Fonte: Universidade Cornell, INSEAD e OMPI, 2017. 
 
 
 
16 
Figura 11 – Índice global de competitividade da manufatura 
 
Fonte: Deloitte e Council on Competitiveness, 2016. 
Figura 12 – Impacto da utilização de conceitos 4.0 
 
 Fonte: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 
5.3 Reflexões a respeito da indústria 4.0 no Brasil 
Conforme estudado no item 5.1, o Brasil apresenta uma desmistificação no 
que concerne ao conceito da indústria 4.0 se comparado às maiores potências 
mundiais. Ainda, o item 5.2 demonstra numericamente o quanto o Brasil precisa 
se aprimorar para se tornar competitivo e alinhado às novas tecnologias. 
Por fim, o Conselho Nacional da Indústria (CNI) afirma que apenas 1,6% das 
indústrias brasileiras utilizam conceitos da indústria 4.0, ao passo que, em uma 
década, esta estatística deva atingir por volta de 21,8%. Embora a estatística 
mostre um aumento considerável, ainda é algo para se atentar, pois 
historicamente se verifica um encurtamento entre os saltos tecnológicos mais 
significativos. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
AGENDA BRASILEIRA PARA A INDÚSTRIA 4.0. Disponível em: 
<http://www.industria40.gov.br/>. Acesso em: 14 dez. 2019. 
BAGUETE. Bosch adapta indústria 4.0 no Brasil. Disponível em: 
<https://www.baguete.com.br/noticias/20/08/2018/bosch-adapta-industria-4-0-no-
brasil>. Acesso em: 14 dez. 2019. 
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Disponível em: 
<http://www.portaldaindustria.com.br/cni/>. Acesso em: 14 dez. 2019. 
EAGLE LABS. Disponível em: <https://labs.uk.barclays/community/the-4th-
industrial-revolution>. Acesso em: 14 dez. 2019. 
INMARKETING. Você sabe a diferença de invenção e inovação? Disponível 
em: <https://www.inmarket.com.br/voce-sabe-a-diferenca-de-invencao-e-
inovacao/>. Acesso em: 14 dez. 2019. 
INTERESTING ENGINEERING. Disponível em: 
<https://interestingengineering.com/how-the-first-and-second-industrial-revolutions-changed-our-world>. Acesso em: 14 dez. 2019. 
SACOMANO, J. B. et al. Indústria 4.0: conceitos e fundamentos. São Paulo: 
Blucher, 2018. 
SILVA, E. et al. Automação & Sociedade: Quarta Revolução Industrial, um olhar 
para o Brasil. Rio de Janeiro: Brasport, 2018. 
VERASZTO, E. V. et al. Tecnologia: buscando uma definição para o conceito. 
Prisma: 2008. 
LIAO, Y. et al. Past, present and future of Industry 4.0: systematic literature review 
and research agenda proposal. International Journal of Production Research, 
2017.

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