Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

244
A maioria dos casos corresponde a cistos funcionais, ou cistos de corpo lúteo, 
que medem entre três e cinco centímetros de diâmetro e costumam desaparecer até a 
16ª semana de gravidez. Raramente cistos funcionais são maiores que 11 centímetros 
de diâmetro.
Entre essas massas ovarianas há duas que devem ser reconhecidas: o luteoma 
da gravidez e o cisto teca-luteínico. Este pode ocorrer quando os níveis de βHCG estão 
muito elevados como na presença de mola, hidropsia fetal e gestações múltiplas. Am-
bas as situações regridem no pós-parto e não devem ser retiradas, salvo na vigência 
de complicações agudas.
Nessa maioria dos casos estão também as neoplasias benignas, sendo 40% de-
las teratoma cístico maduro (cisto dermoide).
O câncer de ovário é o quarto tumor ginecológico em frequência e o primeiro 
em mortalidade. A associação de câncer de ovário e gestação é bastante rara, variando 
de 1/12.000 a 1/47.000 gestações. Geralmente são assintomáticos e são suspeitados 
nos achados incidentais de tumor em exame físico ou na ultrassonografia obstétrica 
de rotina. 
O tumor epitelial de baixo potencial de malignidade é o câncer mais diagnos-
ticado na gravidez.
A gestação não altera o prognóstico do câncer de ovário, porém a presença de 
massa ovariana tem risco de torção e rotura, que ocorrem em 10 a 15% dos casos e 
podem ocasionar aborto ou parto prematuro.
Diagnóstico
O diagnóstico torna-se mais difícil com o avançar da gestação.
Os marcadores tumorais geralmente estão elevados durante a gravidez, por 
isso têm seu uso limitado.
O luteoma da gravidez tem tamanho variável, de microscópico até 20cm de 
diâmetro e pode se apresentar como nódulos circunscritos e múltiplos, e ser bilateral 
em um terço dos casos. Costuma dar manifestações de virilização, havendo aumen-
to dos androgênios circulantes em 25% dos casos. Em situações de dúvida, a biópsia 
poderá esclarecer o diagnóstico.
O cisto teca-luteínico é habitualmente múltiplo e tem paredes delgadas.
Cerca de 70% dos casos de câncer de ovário e gravidez são diagnosticados no 
estágio I. 
Na suspeita de malignidade é indicada a laparotomia, que atende finalidades 
diagnósticas e terapêuticas.
245
Conduta
A evolução dos cistos ovarianos na gestação deve ser acompanhada, pois a 
maioria regride. Se as massas ovarianas persistirem ou aumentarem de volume, de-
vem ser abordadas em torno da 18ª semana de gestação.
Havendo diagnóstico de tumores epiteliais malignos, o manejo consiste no es-
tadiamento cirúrgico adequado. 
Tratamento
No diagnóstico de câncer de ovário avançado no primeiro trimestre da gravi-
dez, a indicação é o tratamento cirúrgico padrão: lavado peritoneal, histerectomia, 
salpingo-ooforectomia, omentectomia e linfadenectomia pélvica e para-aórtica, com 
o feto in situ. Se o diagnóstico for feito antes de 34 semanas de gestação, está indicada 
a realização do lavado peritoneal, salpingo-ooforectomia e omentectomia. Ao atingir 
a 34ª semana, na viabilidade fetal, faz-se o parto cesariano, novo lavado peritoneal, his-
terectomia e linfadenectomia pélvica e para-aórtica. Nos casos do diagnóstico ser feito 
em gestantes com idade gestacional acima de 34 semanas, a gestação deve ser inter-
rompida com cesariana, e na sequência, é realizado o tratamento cirúrgico padrão.
O tumor epitelial de baixo potencial de malignidade no estádio Ia é tratado por 
salpingo-ooforectomia unilateral, omentectomia e linfadenectomia pélvica e para-aórtica.
O disgerminoma, tumor maligno de célula germinativa, dever ser abordado de 
forma conservadora, com a finalidade de preservar a fertilidade da gestante. A con-
duta indicada consiste na retirada do ovário e da trompa comprometidos, além do 
lavado peritoneal. Os tumores de células germinativas, nos estádios Ia e Ib, devem 
receber adjuvância quimioterápica após a salpingo-ooforectomia unilateral, a partir 
do 2° trimestre da gravidez.
Os tumores do cordão estromal (células da granulosa, Sertoli-Leydig) são muito 
raros durante a gestação. O tratamento é cirúrgico, conservador, com retirada do ane-
xo comprometido.
Qualquer massa ovariana, cística ou não, benigna ou não, pode ser causa de 
complicações agudas, tais como torção e rotura, que podem originar abdome agudo, 
que obriga à laparotomia emergencial. 
O prognóstico das gestantes acometidas por câncer de ovário tipo epitelial é 
melhor do que em não grávidas, devido ao fato do diagnóstico da neoplasia ser feito 
mais precocemente.