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FUNDAMENTOS 
DA LÍNGUA 
PORTUGUESA
Asafe Cortina
Funcionamento dos 
mecanismos gramaticais 
na produção textual
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste capítulo, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as mudanças de sentido decorrentes do uso da passividade 
no texto.
 � Conceituar semântica e observar os diferentes tipos de significação 
de palavras e seus impactos no texto.
 � Aplicar a paráfrase e a referenciação como meios de construção do 
texto.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar sobre o funcionamento de alguns me-
canismos gramaticais na produção textual.
Primeiramente, você vai entender dois tipos de vozes utilizadas na 
língua portuguesa: a voz passiva e a voz ativa, de forma que possamos 
entender que seus usos produzem efeitos diferentes e que existem pro-
pósitos e objetivos para cada um.
Logo em seguida, você vai aprender sobre os principais componentes 
da semântica, campo que estuda o significado das palavras e da relação 
de significado entre elas, como sinonímia, antonímia, homonímia, cono-
tação, denotação etc.
Por fim, você vai ler sobre duas formas de composição textual que 
dizem respeito à intertextualidade e à reafirmação de sentido e de infor-
mações: a paráfrase e a referenciação.
A voz passiva e seus efeitos
Na língua portuguesa, existem dois tipos de vozes: a voz ativa e a voz passiva. 
Suas estruturas e usos são reservados para diferentes motivos.
A voz ativa é a considerada canônica ou normal, onde temos sujeito + verbo 
+ objeto/complemento, como, por exemplo: 
Eduarda comprou um carro.
Nesse caso, sabemos claramente quem é o sujeito (Eduarda), qual o verbo 
(comprou) e qual o complemento (um carro). Temos, nesse caso, a voz ativa, 
que é o tipo de voz que mostra um sujeito praticando uma ação. 
Para os fins desta seção, nos limitaremos a categorizar os componentes das orações 
em sujeito, verbo e complemento/objeto, sem especificar os detalhes sintáticos, 
como objeto direto, objeto indireto, adjunto adnominal, complemento nominal, 
complemento verbal etc. 
Vejamos outros exemplos de voz ativa:
Meus avós foram para a praia no verão passado.
Sujeito: Meus avós
Verbo: foram
Objeto/complemento: para a praia no verão passado. 
Estudar línguas estrangeiras colabora para o desenvolvimento 
cognitivo. 
Sujeito: Estudar línguas estrangeiras
Verbo: colabora
Objeto/complemento: para o desenvolvimento cognitivo.
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual2
Entendemos as regras. 
Sujeito: Nós (oculto)
Verbo: entendemos
Objeto/complemento: as regras.
A voz passiva, por sua vez, é o tipo de estrutura cujo foco é alterado. Nesse 
caso, o sujeito não pratica mais a ação, mas sofre a ação feita pelo agente da 
passiva. Observe:
O bolo foi feito por Dirceu.
Sujeito: O bolo
Verbo(s): foi feito
Agente da passiva: Dirceu
Esse prédio foi desenhado por Oscar Niemeyer. 
Sujeito: Esse prédio 
Verbo(s): foi desenhado
Agente da passiva: Oscar Niemeyer
Harry Potter foi escrito por J.K. Rowling.
Sujeito: Harry Potter
Verbo(s): foi escrito
Agente da passiva: J.K. Rowling
Um dos usos da voz passiva diz respeito ao foco (ênfase) pretendido nos 
enunciados. Quando usamos a voz passiva, o foco da oração passa a estar no 
que na voz ativa seria o complemento/objeto, e não mais no que seria o sujeito. 
Por isso, a voz passiva pode ser um recurso utilizado para direcionar a atenção 
para uma determinada informação em detrimento de outra. 
Uma das teorias a respeito de processos cognitivos de leitura defende 
que, em orações e frases, o cérebro do leitor dá maior ênfase (ou até mais 
importância) para elementos que são apresentados antes.
3Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Observe a diferença:
Leonardo da Vinci pintou Monalisa.
Nessa frase, a ênfase maior é dada para o sujeito (Leonardo da Vinci), 
porque temos uma oração na voz ativa. Agora, atente para esta mudança:
Monalisa foi pintada por Leonardo da Vinci.
Nesse caso, quando alteramos a frase da voz ativa para a voz passiva, 
também alteramos o foco da oração, que agora passa a ser Monalisa, e não 
mais Leonardo da Vinci. 
No que diz respeito à estruturação da voz passiva, é importante observar 
que ela pode se manifestar de duas formas:
 � Voz passiva analítica: formada por um verbo auxiliar (normalmente 
o verbo ser) e o particípio do verbo principal. Geralmente, a estrutura 
da voz passiva analítica é: 
Sujeito paciente + verbo auxiliar + verbo principal 
no particípio + preposição + agente da passiva.
Veja os exemplos a seguir.
Sujeito 
paciente
verbo 
auxiliar
particípio preposição
agente da 
passiva
O tema foi enviado pelo professor.
Arroz é cultivado por chineses.
Inglês será ensinado por Davi.
É preciso perceber que é o verbo auxiliar que determinará se a ação está 
no passado, no presente ou no futuro.
 � Voz passiva sintética: formada por um verbo transitivo que se conjuga 
na terceira pessoa do singular ou do plural e a palavra “se”, que é 
denominada de pronome apassivador. A estrutura de uma voz passiva 
sintética é, geralmente:
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual4
Verbo transitivo + pronome apassivador 
“se” + sujeito paciente.
Veja estes exemplos:
Verbo transitivo Pronome apassivador sujeito paciente
Vende- se casa.
Concluiu- se a tarefa.
Espera- se um aumento.
Note que, algumas vezes, temos mais de dois verbos:
Voz ativa (dois verbos: está escrevendo):
David Levittan está escrevendo um livro novo. 
Voz passiva (três verbos: está sendo escrito):
Um novo livro está sendo escrito por David Levittan. 
Um macete para verificar se a voz passiva analítica está corretamente 
estruturada é saber que ela sempre terá um verbo a mais do que a voz ativa; 
ou seja, se temos um verbo na voz ativa, teremos dois verbos na voz passiva 
analítica. Se temos dois verbos na voz ativa, teremos três verbos na voz passiva 
analítica e assim por diante.
O verbo auxiliar mais comum utilizado na voz passiva analítica é o “ser”. 
Contudo, existem outros que também podem ser utilizados, como: estar, ficar etc.
Verbo transitivo é o tipo de verbo que precisa de um complemento para que tenha 
seu sentido completo, podendo ser dividido em:
 � Verbo transitivo direto: quando precisa de um objeto direto.
Joana comprou uma casa.
5Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
No que diz respeito ao uso, a voz passiva pode ser usada para diferentes 
motivos, tais como:
 � Alterar o foco de um enunciado:
Voz ativa: 
Os franceses fizeram a Estátua da Liberdade.
Voz passiva: 
A Estátua da Liberdade foi feita pelos franceses.
 � Quando quem/que faz a ação é desconhecido, irrelevante ou óbvio:
Voz ativa: 
Ladrões roubaram o carro.
Sujeito: Joana
Verbo transitivo direto: comprou
Objeto direto: uma casa.
 � Verbo transitivo indireto: quando precisa de um objeto indireto (com preposição).
Ele concordou com as imposições.
Sujeito: Ele
Verbo transitivo indireto: concordou
Objeto indireto: com as imposições.
 � Verbo transitivo direto e indireto: quando requer um objeto direto e um indireto.
Enviei uma carta ao presidente.
Sujeito: Eu (oculto)
Verbo transitivo direto e indireto: enviei
Objeto direto: uma carta
Objeto indireto: ao presidente.
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual6
Voz passiva: 
O carro foi roubado. 
A voz passiva é bastante comum em textos jornalísticos para cumprir um 
dos propósitos mencionados anteriormente. Veja alguns exemplos nas imagens 
a seguir (Figuras 1 a 3).
Figura 1. Exemplo de notícia jornalística com voz passiva.
Fonte: Nissen (2018).
Figura 2. Exemplo de notícia jornalística com voz passiva.
Fonte: ÔNIBUS... (2018).
7Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Figura 3. Exemplo de notícia jornalística com voz passiva.
Fonte: Silva (2011).
Na Figura 1, lemos a seguinte manchete: “Carro é levado no centro de 
Lajeado”. 
Nesse exemplo, temos um caso de voz passiva que foi utilizada porquequem realizou a ação é bastante óbvio: um ladrão/ladrões. Então, temos:
Sujeito 
paciente
verbo 
auxiliar
particípio preposição
agente da 
passiva
Carro é levado - -
Na Figura 2, também temos um exemplo de voz passiva na oração: “Ônibus 
do CRB é atacado por torcedores da Mancha Negra”.
Nesse caso, contudo, sabemos quem é o agente da passiva (torcedores da 
Mancha Negra), e a voz passiva pode ter sido utilizada por outro motivo: por 
efeitos estilísticos ou para que a atenção maior da frase estivesse no objeto que 
foi atacado, e não em quem atacou. Isso pode ter ocorrido porque o redator 
concluiu que utilizar a voz passiva “ameniza” a culpa do ataque e a notícia 
não se torna tão agressiva para os torcedores da Mancha Negra.
Analisando a estrutura da sentença, temos:
Sujeito paciente verbo 
auxiliar
particípio preposição
agente da passiva
Ônibus do CRB é atacado por torcedores da 
Mancha Negra
Já na Figura 3, também vemos um exemplo de voz passiva no qual podemos 
ver quem é o agente: “Site da Sony no Brasil foi invadido por hackers”.
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual8
Essa frase, contudo, poderia ter o agente omitido, pois se um site foi in-
vadido, certamente foi por hackers. Nota-se que a utilização da voz passiva 
aconteceu para que o foco da notícia seja “Site da Sony no Brasil”. Observe 
a análise da estrutura:
Sujeito 
paciente
verbo 
auxiliar
particípio preposição
agente da 
passiva
Site da Sony 
no Brasil
foi invadido por hackers.
Em suma, a voz passiva é usada para cumprir alguns propósitos, como em 
situações onde o agente da ação é irrelevante ou desconhecido ou quando o 
texto tem por objetivo focar em determinadas partes e não em outras.
Uma das subáreas da linguística trata da análise da complexidade textual a fim de 
simplificar textos para distintos públicos. 
Entre as observações de fatores que tornam um texto complexo, a voz passiva é 
uma das mais frequentes.
Logo, um texto com muitas estruturas na voz passiva é mais difícil de ser entendido 
do que um texto que tenha mais formas na voz ativa.
Semântica: o significado das palavras 
Nesta seção, vamos bicicleta sobre semântica. Certamente, ao ler essa frase, 
você deve ter pensado: “bicicleta”? É possível, ainda, que você tenha culpado o 
autor da seção, a editora, o revisor ou até mesmo o corretor automático pelo erro.
Essa inquietação com a palavra “bicicleta” na primeira frase desta seção 
ocorre porque você, como um falante proficiente de língua portuguesa, sabe 
que o significado de bicicleta é (simploriamente falando) “meio de transporte 
de duas rodas” e que, portanto, ela não se encaixa corretamente na frase. 
Logo, o “não encaixar-se na frase” quer dizer que o significado da palavra 
“bicicleta” não permite que ela seja utilizada naquele enunciado por “não 
combinar” com os outros elementos. 
9Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
No lugar de bicicleta, esperamos palavras como “falar”, “discutir”, “decor-
rer”, “estudar” etc., porque o significado de todas elas possibilita um sentido 
completo para a frase. 
Portanto, não é preciso dizer que o significado das palavras tem um papel 
fundamental nas funções comunicativas e na composição textual, pois é ele 
que possibilita ou elimina o uso das palavras. O significado é estudado por um 
campo da linguística chamado semântica, que pode ser dividido em subáreas 
de acordo com a perspectiva teórica adotada, como em semântica funcional, 
cognitiva, proposicional, de frames etc. 
Cada uma dessas divisões da semântica trabalha com o significado das 
palavras por meio de uma teoria e perspectiva diferentes. Umas acreditam que 
o sentido e o significado das palavras estão no mundo real, outras acreditam 
que o significado só existe pela atribuição de uma palavra que designe o 
conceito, outras acreditam que o significado existe no cérebro dos falantes 
de uma língua e assim por diante.
Contudo, nosso objetivo nesta seção não é diferenciar os tipos de teorias 
semânticas, mas entender que semântica é a área que estuda o significado das 
palavras e as relações de sentido que elas estabelecem umas com as outras. 
Compreender tanto o significado das palavras como a relação que pode 
existir entre elas colabora não só para uma extensão de vocabulário, mas 
também para a adequação textual. Utilizar palavras cujo significado é correto 
para um determinado contexto elimina ambiguidades e torna a comunicação 
mais clara e precisa. 
Para começarmos a entender a importância do significado das palavras, 
é preciso termos noção de alguns conceitos fundamentais da semântica, que 
serão apresentados a seguir. 
Sinonímia e antonímia 
Sinonímia é a possibilidade de palavras apresentarem sentidos semelhantes; 
ou seja, quando podemos utilizar uma palavra no lugar da outra sem que haja 
uma grande alteração de sentido. 
Observe os exemplos:
1. Lívia estava feliz.
2. Lívia estava alegre.
3. Lívia estava contente. 
4. Lívia estava empolgada. 
5. Lívia estava triste. 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual10
As palavras “feliz”, “alegre” e “contente” não alteram, expressivamente, o 
significado da frase. Consideramos, então, que elas são palavras sinônimas. 
Já a palavra “empolgada”, embora em alguns contextos possa exprimir 
a mesma ideia dos exemplos 1, 2 e 3, pode provocar uma sensação e um 
entendimento um pouco diferentes. Nesse caso, pode haver um deslocamento 
de sentidos. Há quem diga que “empolgada” não pode ser vista como um 
sinônimo para “feliz”, e, por outro lado, também há quem defenda que pode. 
Entretanto, no exemplo 5, sabemos que a palavra “triste” não tem o mesmo 
sentido ou significado da palavra “feliz”, não podendo, portanto, ser consi-
derada um sinônimo. 
A respeito de significado de palavras, Saussure (1975) defende que não 
existem sinônimos perfeitos. Para ele, a existência de cada palavra designa 
um conceito diferente, mesmo que o deslocamento entre um significado e 
outro seja mínimo. 
Por exemplo, pense nos números “9,98” e “9,97”. Embora os valores sejam 
bem próximos, a matemática defende que existe um universo infinito de 
números entre eles e, portanto, não são a mesma coisa. 
De maneira parecida, Saussure enxerga que se existe uma nova palavra, 
existe também um novo significado e, portanto, nunca há um sinônimo per-
feito. Existem, sim, palavras que podem ser usadas no lugar de outras como 
sinônimos em determinados contextos, mas para ele duas palavras nunca irão 
designar especificamente o mesmo significado. 
Independente da visão do linguista a respeito de sinônimos perfeitos, é 
preciso entender que são considerados sinônimos as palavras que podem 
assumir a posição de outra em um determinado contexto e expressar uma 
mensagem quase igual à anterior. Com base nisso, podemos concluir que 
sinônimos dependem, também, de contexto. 
Pense na palavra “seco”. Em alguns casos, podemos utilizar essa palavra 
como sinônimo de “desumano” ou “cruel”, como nos exemplos:
Ele é muito seco. 
Ele é muito cruel. 
Ele é muito desumano.
Dessa forma e dentro desse contexto, “seco”, “cruel” e “desumano” fun-
cionam como sinônimos.
Contudo, não podemos afirmar que essas palavras sejam sempre sinônimas 
por si só, caso contrário, poderíamos dizer: 
11Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Derrubei um copo d’água, mas quando minha mãe chegou o chão 
já estava desumano. 
Ele perdeu muito peso nos últimos meses, está muito desumano. 
Nesses contextos, a palavra “desumano” não serve como sinônimo para 
“seco”, porque, no primeiro caso, “seco” seria usado no lugar de “desumano” 
com o sentido oposto de molhado, e no segundo, significaria “magro”. 
Logo, podemos concluir que a sinonímia não existe a priori, ou seja, ela 
não está “embutida” nas palavras, mas é fortemente determinada e induzida 
pelo contexto.
O uso incorreto de sinônimos ocorre quando uma palavra é utilizada em 
lugar de outra sem que ela seja, de fato, sinônimada palavra original. Isso 
geralmente acontece quando redatores tentam deixar o texto mais “rebuscado” 
e procuram palavras mais complexas para substituir aquelas que consideram 
simplórias demais. 
Quando utilizamos ferramentas de edição de texto (como o Word, por 
exemplo), podemos clicar em qualquer palavra e pedir para que o software 
nos indique um sinônimo. O que ocorre, contudo, é que embora o programa 
seja capaz de elencar palavras que possam servir como sinônimas da palavra 
original, ele ignora o contexto na qual aquela palavra está inserida e, por 
consequência, pode nos apresentar sugestões que nem sempre são adequadas. 
Vamos pensar agora em outro exemplo, nas palavras “lar”, “casa” e “apar-
tamento”. Algumas pessoas vão defender que todas elas são sinônimas, outras, 
não. 
A verdade é que a palavra “lar” é apenas um conceito, e não um espaço 
físico. “Lar”, na origem da palavra, indicaria o lugar onde a pessoa se sente 
confortável e que sinta que é pertencente a ele. Já “casa” indica o ambiente 
onde uma pessoa mora, ou seja, um espaço físico.
Acontece que – geralmente – o lugar onde uma pessoa se sente confortável 
e que sente que pertence a ele é sua casa, por isso se estabeleceu uma relação 
de sinonímia entre as duas palavras. 
No inglês, contudo, é preciso tomar um cuidado muito grande na construção 
frasal utilizando as palavras “casa” (house) e “lar” (home). Em português, 
podemos dizer: “Ela estava na sua casa” e “Ela estava no seu lar”, certo? 
Já em inglês, é possível dizer “she was in her house”, mas não é possível 
dizer “she was in her home”. A segunda frase não aceita a preposição “in” (em) 
porque ela, em se tratando de lugares, é usada para falar de espaços físicos, e 
“home” (lar) não é um espaço físico, mas, sim, um conceito. Por isso, a língua 
inglesa diria: “she was home”, sem nenhuma preposição. 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual12
Já as palavras “casa” e “apartamento” também podem apresentar uma 
relação de sinonímia, dependendo do contexto onde são inseridas. Sabemos 
que “casa” e “apartamento” são dois tipos de construções diferentes e, por essa 
razão, concluiríamos que não são sinônimos, mas imagine o seguinte contexto:
João mora em um apartamento. Ele está na casa de seu amigo e lhe diz:
Não quer ir dormir lá em casa hoje?
Nessa situação, a palavra “casa” foi utilizada como sinônimo de apar-
tamento, porque João não se referiu ao tipo de moradia onde vive, mas ao 
conceito de “casa” como “lugar onde eu moro”. 
Esses exemplos nos permitem concluir que sinonímia é uma relação de 
significado entre as palavras onde uma palavra pode assumir o valor da outra 
mantendo um significado bastante próximo e que o efeito de sinônimos é 
direcionado pelo contexto. 
Voltamos, agora, para os exemplos utilizados no início deste tópico, mas 
dessa vez analisando somente dois deles:
Lívia estava feliz.
Lívia estava triste. 
Claramente, sabemos que as palavras “feliz” e “triste” apresentam sentidos 
bem diferentes. Essa relação, portanto, é um exemplo de antonímia, que é a 
capacidade de palavras expressarem valores opostos, por exemplo: esforçado 
x preguiçoso, disposta x cansada, grande x pequeno etc. 
A antonímia é, também, bastante relacionada com o contexto.
Sabemos que o oposto da palavra “quente” é “frio”, certo? Logo, podemos 
assumir que “quente” é antônimo de “frio”, como nas frases: 
O dia estava muito quente.
O dia estava muito frio. 
Existe, entretanto, outro conceito para a palavra “quente”, que pode ser 
usada como uma expressão que significa “muito bonito(a), atraente”, como 
no exemplo:
Thomas fazia academia todos os dias, tinha um corpo perfeito, era 
um cara muito quente. (muito atraente)
13Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Será que nesse exemplo podemos dizer que “frio” é uma palavra antônima 
de “quente”? Será que se disséssemos: “Thomas era um cara muito frio” 
significaria que ele era um cara que não era atraente? Não! 
Portanto, podemos chegar à conclusão que os antônimos também não 
existem por si só, mas que podem ser utilizados e classificados assim de 
acordo com os contextos e as situações de uso. 
Homonímia e paronímia
Outro fenômeno estudado pela semântica é a homonímia, que diz respeito à 
relação de semelhança entre as palavras e que pode ser de três tipos:
1. Palavras homônimas perfeitas: possuem o mesmo som, a mesma 
escrita e significados diferentes. 
Observe os seguintes exemplos:
a. Eu sempre cedo o meu lugar no ônibus para pessoas de mais idade. 
b. Ela sempre chega cedo. 
No caso das frases a e b, as palavras em negrito (cedo) são consideradas 
homônimos perfeitos porque posuem a mesma grafia, o mesmo som e signi-
ficados diferentes.
Atente agora para outros exemplos: 
c. Amanhã começa o horário de verão. 
d. Eu serei um sucesso! Vocês verão!
Da mesma forma como no exemplo anterior, as palavras marcadas em 
negrito são homônimas perfeitas, pois apresentam a mesma escrita e o mesmo 
som, embora tenham significados diferentes. 
Alguns exemplos de palavras homonímias perfeitas são: amo (chefe) x 
amo (amar), apontar (anotar) x apontar (fazer a ponta em um lápis) x apontar 
(indicar com o dedo), arma (de fogo) x arma (armar), casa (residência) x casa 
(casar), como (pronome interrogativo) x como (comer), livre (liberto) x livre 
(livrar), manga (fruta) x manga (da camisa), mato (floresta) x mato (matar). 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual14
2. Palavras homófonas: possuem o mesmo som, mas a escrita e o sig-
nificado são diferentes. Basta lembrar que o radical “fono” é referente 
ao som e que “homo” significa igual. Portanto, som igual.
Veja os exemplos:
a. Hoje estou sem paciência. 
b. Eu gastei cem reais no mercado.
As palavras “sem” e “cem”, embora pronunciadas da mesma forma, apre-
sentam grafias diferentes e um significado diferente, por isso são consideradas 
homófonas.
Observe, agora, mais exemplos:
c. O cesto de roupas já está cheio.
d. O dentista fica no sexto andar. 
Mais uma vez, temos exemplos de palavras homófonas, pois são pronun-
ciadas da mesma forma, mas apresentam grafia e significados diferentes. 
A condição para que duas (ou mais) palavras sejam consideradas homófonas é que, 
embora a grafia e o significado sejam diferentes, elas apresentem o mesmo som, 
independentemente do sotaque do falante.
Na frase acima, a palavra “sexto” e “cesto” podem até ser pronunciadas de modo 
diferente por um falante carioca, por exemplo, uma vez que, geralmente, esse sotaque 
enfatiza o som da letra “x” mais que os demais. 
Entretanto, a classificação como homófonas não está relacionado aos diferentes 
sotaques provenientes de diferentes regiões, mas ao som “canônico das palavras”. 
Alguns exemplos de palavras homófonas são: acento (sinal gráfico) x assento 
(cadeira), caçar (perseguir) x cassar (anular), cinto (acessório) x sinto (sentir), 
concerto (espetáculo) x conserto (consertar, arrumar), houve (haver) x ouve 
(escutar), mau (antônimo de bom) x mal (antônimo de bem), senso (sentido) x 
censo (estatística), trás (contrário de frente) x traz (trazer). 
15Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Um dos problemas provenientes das palavras homófonas é a transcrição 
ortográfica incorreta, que pode ser proveniente da exposição à palavra somente 
na escrita. É bastante comum vermos erros ortográficos que, na verdade, são 
erros de escolha lexical, quando uma palavra foi escolhida em detrimento de 
sua homófona, como escrever, por exemplo: “ele era um mal professor” em 
vez de “ele era um mau professor”. 
3. Palavras homógrafas: possuem a mesma grafia, mas o som e o sig-
nificado são diferentes. Basta lembrar que o radical “graf-” significa 
“escrita” e que homo significa “igual”, logo, mesma grafia. 
Veja os exemplos:
a. Esse gosto de cebola não sai da minha boca. 
b. Eu não gosto de picles. 
As frases acima apresentam palavras consideradas homógrafas, pois são 
escritas da mesmamaneira, mas pronunciadas de formas diferentes e com 
significados diferentes.
Observe mais exemplos: 
c. O jogo foi muito emocionante. 
d. Eu não jogo futebol. 
Novamente, temos um exemplo de homografia, uma vez que a palavra 
“jogo” na primeira frase representa um substantivo e a palavra “jogo” da 
segunda, um verbo. São escritas da mesma forma, pronunciadas de formas 
diferentes e possuem significados diferentes. 
Alguns exemplos de palavras homógrafas são: acerto (oposto de erro) x 
acerto (acertar), acordo (combinação) x acordo (acordar), corte (real) x corte 
(cortar), gelo (água solidificada) x gelo (gelar), governo (políticos) x governo 
(governar), sede (necessidade de beber algo) x sede (matriz). 
Além da homonímia, existe a paronímia, que diz respeito às palavras que 
são escritas de formas idênticas, pronunciadas de forma semelhante, mas que 
apresentam significados diferentes.
Alguns exemplos de paronímia são: absorver x absolver, cavaleiro x cava-
lheiro, cumprimento x comprimento etc. 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual16
É preciso atentar para palavras parônimas no texto, porque, às vezes, é 
possível utilizar uma quando, na verdade, o objetivo era utilizar a outra, como 
no exemplo:
Após a confissão, o juiz absorveu o réu.
Nesse caso, a palavra “absorveu” foi utilizada incorretamente. O sentido 
esperado é o da palavra “absolveu”, de inocentar. Logo, a frase correta seria: 
Após a confissão, o juiz absolveu o réu.
Polissemia e monossemia
Além dos fenômenos supracitados, a semântica se encarrega, também, de 
estudar polissemia e monossemia, sendo que polissemia indica a possibilidade 
de algumas palavras de apresentar múltiplos significados de acordo com o 
contexto nas quais se inserem e monossemia é quando uma palavra apresenta 
apenas um significado.
Observe os seguintes exemplos:
a. A letra dela era muito bonita. 
b. Essa é a terceira letra do alfabeto.
c. Já notou que a letra dessa música é bastante irônica? 
No caso dos exemplos acima, a palavra “letra” apresenta três significados 
diferentes que dependem do contexto na qual estão inseridas. No primeiro 
exemplo, a palavra “letra” indica caligrafia; no segundo, indica o símbolo 
alfabético; e no terceiro, as palavras usadas em uma música. 
É interessante observar que a polissemia é mais comum do que a monosse-
mia, porque a evolução da língua geralmente reaproveita palavras já existentes 
para designar conceitos diferentes. 
Agora, observe estas palavras: “estetoscópio” e “decalitro”. Você consegue 
pensar em mais de um significado para cada uma delas? Certamente não, 
porque elas apresentam apenas um significado. 
17Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Polissemia é um conceito bastante confundido com homonímia. A diferença é que 
a polissemia é a mesma palavra com significados diferentes, enquanto a homonímia 
são duas (ou mais) palavras diferentes que são escritas da mesma forma, pronunciadas 
da mesma forma, mas com significados diferentes. 
As palavras homonímias apresentam origens diferentes, enquanto as palavras po-
lissêmicas possuem a mesma origem. 
A palavra “manga”, por exemplo, é considera homônima, porque temos “manga” 
de fruta e “manga” da parte da camisa. Essas duas palavras são de origens diferentes. 
A primeira provém da palavra malaiala “manga”, enquanto a segunda, da palavra 
latina “manica”. 
As palavras homônimas geralmente passam a estabelecer esse tipo de relação em 
um determinado momento da evolução linguística. O exemplo acima nos mostra duas 
palavras diferentes, “manga” e “manica”, que em um determinado ponto da evolução 
da língua portuguesa convergiram e se tornaram homônimas, embora continuem 
sendo palavras diferentes. 
Já a palavra “gato” pode ser considerada polissêmica, uma vez que pode significar 
tanto o animal quanto uma pessoa bonita. Contudo, essa palavra, originária do latim 
“cattu(m)”, não é considerada homônima, e sim polissêmica, pois é a mesma palavra 
com dois significados distintos.
Denotação e conotação
Outra preocupação ligada à semântica diz respeito à atribuição de sentido às 
palavras, de forma que podemos classifica-lo de duas formas: conotativo e 
denotativo.
Sentido denotativo diz respeito ao significado literal da palavra, ou seja, 
ela é usada em um determinado contexto e construção com o seu sentido real.
Por exemplo: 
O quadro caiu e se quebrou em pedaços. 
Todas as palavras dessa frase são usadas em seu sentido real, ou seja, sem 
nenhuma variação.
O sentido denotativo é geralmente utilizado em textos que cumprem a 
função referencial, uma vez que seu objetivo é transmitir informações da forma 
mais precisa possível, sem gerar ambiguidades ou dúvidas. Portanto, o sentido 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual18
denotativo é aquele utilizado em textos jornalísticos, artigos acadêmicos, 
manuais, memorandos, atas etc. 
Por sua vez, o sentido conotativo é o significado figurado da palavra, ou 
seja, aquele que não é o real e que é usado de forma diferente de acordo com 
a situação, como em metáforas, analogias etc. 
Veja este exemplo:
Meu coração ficou em pedaços quando ele me deixou. 
A palavra “pedaços”, nesse contexto, está sendo usado com um sentido 
conotativo, porque não expressa o significado real da palavra, diferentemente 
do primeiro exemplo (o quadro caiu e se quebrou em pedaços.).
O sentido conotativo é geralmente usado em textos publicitários e literários, 
onde muitos dos sentidos das palavras são usados de forma não literal, a fim 
de causar algum impacto, despertar algum sentimento etc. 
Algumas figuras de linguagem são responsáveis pelo sentido conotativo, 
sendo elas:
 � Metáfora: quando uma palavra é utilizada com um sentido não literal.
Minha cabeça é um mar de ideias. 
 � Metonímia: quando uma parte é utilizada para significar o todo. 
Meu coração precisa de ti. 
 � Sinestesia: quando palavras que indicam sensações são usadas com 
sentido diferente do real.
Joel saboreou a vitória. 
 � Paradoxo: quando uma palavra é utilizada para indicar o oposto.
Ela é uma pobre menina rica. 
 � Eufemismo: quando uma palavra ou expressão é trocada por outra 
para amenizar o sentido.
A avó do Michel bateu as botas. 
19Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
 � Hipérbole: quando uma palavra ou expressão é usada como forma 
de exagero. 
Estou morrendo de dor de cabeça. 
 � Ironia: quando uma palavra é utilizada, propositalmente, com o sentido 
oposto de outra. 
Você desafinou umas oito vezes. Cantou tão bem.
 � Prosopopeia: quando damos um sentido racional a algum objeto 
inanimado. 
Meu coração chorava de tristeza. 
Um macete para lembrar qual dos dois conceitos (denotação ou conotação) apresenta 
o sentido real é o seguinte:
A palavra DEnotação apresenta o sentido DE verdade.
Hiperonímia e hiponímia 
Hiperonímia e hiponímia também são dois conceitos importantes para a 
semântica, pois tratam da relação de categorização das palavras, de forma 
hierárquica. 
Hiperônimos são palavras que podem ser entendidas como “superiores” 
ou “categóricas” e mais abrangentes. Elas representam as características de 
um determinado grupo e transmitem a ideia de um “todo”. 
Já os hipônimos, que são englobados pelos hiperônimos, são palavras 
com sentidos mais restritos e específicos e que permitem uma categorização 
em um grupo maior. 
A palavra “cor”, por exemplo, é uma palavra hiperônima, enquanto “azul”, 
“branco” e “rosa” são palavras hipônimas. 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual20
Observe alguns exemplos de hiperônimos e hipônimos:
Hiperônimo Hipônimo
Cor Azul, verde, preto, branco, marrom etc. 
Animal Gato, cachorro, urso, tigre, leão etc.
Matéria Matemática, história, geografia, química etc.
Aplicativo Facebook, Instagram, Twitter, Waze etc.
Identificar e utilizar corretamente hiperônimos e hipônimos em textos 
é fundamental para a coesão textual e lexical, porque além de umacorreta 
categorização, a utilização dessas duas categorias evita a repetição de palavras 
no texto e proporciona um desenvolvimento de tópicos com uso lexical mais 
amplo. Veja o exemplo abaixo:
O gato é um felino que, em certas partes do mundo, é considerado 
uma manifestação de Deus. Esse animal é um dos pets mais populares.
No parágrafo acima, podemos ver um exemplo de hipônimo (gato) e três 
hiperônimos (felino, animal e pet) que foram utilizados para referenciar “gato” 
sem que a palavra fosse repetida diversas vezes. 
Esse é, portanto, outro uso dos hiperônimos e hipônimos, que podem re-
alizar uma função anafórica e fazer referência a informações já mencionadas 
em um texto de forma mais genérica ou mais específica. 
Formas variantes 
A semântica também se ocupa do estudo e da classificação de formas variantes, 
que são palavras que apresentam mais de uma grafia e todas são consideradas 
corretas, sem nenhuma modificação de sentido.
Nesse campo, existe uma comunicação entre a semântica, a pragmática 
(língua em uso) e a sociolinguística (língua no meio social), porque embora 
existam formas variantes, alguns fatores determinam e apontam certa prefe-
rência por uma forma ou outra. 
Alguns exemplos de formas variantes são: abdome x abdômen, catorze x 
quatorze, cotidiano x quotidiano, loura x loira, nenê x neném, percentual x 
porcentual etc. 
21Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Concluímos, então, que a semântica é a área da linguística responsável 
pela significação, que não dependem das palavras a priori, mas que são in-
fluenciados pelo contexto e pela relação delas com as outras, de forma que o 
sentido possa ser único, múltiplo, variável, literal, figurado etc., de acordo com 
o objetivo das enunciações e dos textos nos quais as palavras são inseridas.
Paráfrase e referenciação 
Em composição textual, temos dois procedimentos bastante comuns: a pará-
frase e a referenciação. 
Paráfrase é, de maneira simplificada, a reestruturação e reescrita de um 
texto já existente. Ou seja, parafrasear é escrever com outras palavras algo que 
já foi dito, de forma que o tema e o conteúdo sejam mantidos, mas a escolha 
lexical seja diferente. 
Existem diversos motivos pelos quais a paráfrase pode ser utilizada: para 
a reafirmação de sentido, como forma de explicar um texto de outra maneira, 
para referenciar uma ideia já estabelecida e dar suporte a uma nova ideia com 
informações já existentes e para defender uma ideia sem plagiar. 
Essa ferramenta é bastante comum em artigos acadêmicos e científicos que, 
para defender e construir as ideias pretendidas, se valem de conhecimentos 
e textos já publicados para a construção do seu, de forma que as ideias refe-
renciadas sejam utilizadas como suporte para a apresentação de novas sem 
que o autor plagie os autores já publicados. Dessa forma, podemos entender 
a paráfrase como uma forma de referência indireta. 
A paráfrase é considerada um tipo de intertextualidade, pois é uma forma 
de relação entre um texto já existente e um novo.
Observe o exemplo abaixo:
Frase original: 
“Ainda hoje, homens esclarecidos confundem a língua com sua ortografia.” 
(SAUSSURE, 1975).
Paráfrase: 
Saussure afirmava que até os dias atuais, as pessoas costumam misturar 
a ideia de que língua e a forma de escrever as palavras (chamado de 
ortografia) são a mesma coisa. 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual22
No exemplo acima, o objetivo do autor da paráfrase é reafirmar um pres-
suposto já existente escrito por um teórico (Saussure) sem utilizar as mesmas 
palavras dele. 
Em artigos acadêmicos, além de contribuir para uma referenciação, a 
paráfrase evita que o texto seja apenas uma cópia e uma lista de citações. 
Veja este outro exemplo:
Frase original: 
“O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração.” (SAINT-
-EXUPÉRY, 1980).
Paráfrase: 
O autor do livro O pequeno príncipe nos dá uma lição bastante importante: 
ele afirma que as coisas importantes na vida são aquelas que não podemos 
ver, mas que podemos sentir. Por isso, ele diz que para enxergarmos bem, 
não temos de usar os olhos, mas o coração.
A paráfrase acima, embora use mais palavras, transmite o mesmo signi-
ficado que a frase original. O propósito do autor da paráfrase é reafirmar a 
ideia estabelecida por Saint-Exupéry e explicá-la de uma forma um pouco mais 
detalhada sem, necessariamente, fazer uma citação direta ao autor do livro. 
Outro recurso bastante utilizado na composição textual é a referenciação, 
que pode ser indireta (como no caso das paráfrases) ou direta, quando o autor 
do novo texto aponta o texto a ser referenciado de forma direta ou usa uma 
citação com aspas e atribuição de composição ao autor original. 
A referenciação cumpre os mesmos propósitos da paráfrase: reafirmar 
um sentido, explicar um texto de outra maneira, referenciar uma ideia já 
estabelecida para dar suporte a uma nova ideia com informações já existentes 
e defender uma ideia sem plagiar. É importante observar que referenciação 
também significa dar os créditos aos autores originais. Além de creditá-los, 
ela contribui para que um leitor possa acessar o material original e ampliar 
seu conhecimento sobre o assunto. 
23Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual
Existem algumas formas de referenciar:
 � Quando o novo texto traz os mesmos princípios estabelecidos por um 
texto original e aponta para a obra que foi utilizada para fundamentar 
aqueles pensamentos, como no exemplo:
Nos estudos da linguística, sabemos que um signo linguístico é com-
posto de duas não dissociáveis: o significante e o significado (SAUSSURE, 
1975).
 � Quando o autor do novo texto utiliza uma citação direta, como em:
De acordo com Saussure (1975), “propomo-nos a conservar o termo 
‘signo’ para designar o total, e a substituir conceito e imagem acústica, 
respectivamente, por significado e significante”.
A forma de referenciar em diferentes gêneros textuais não é algo fixo, mas 
pré-estabelecido por diferentes instituições. No Brasil, por exemplo, existem as 
regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que estabelece 
como os textos devem ser referenciados em diferentes gêneros textuais. 
Para conhecer melhor as normas de referência da ABNT, 
consulte o manual desenvolvido pelo grupo Normas & 
Regras, disponível no link ou código a seguir.
https://goo.gl/mA3iXZ
Concluímos que paráfrase e referenciação são duas ferramentas de com-
posição textual que têm diversos objetivos e que podem ser entendidas como 
formas de intertexto. 
Funcionamento dos mecanismos gramaticais na produção textual2424
NISSEN, N. Carro é levado no Centro de Lajeado: não há suspeitos. O Informativo do 
Vale, Lajeado, 6 jan. 2018. Disponível em: <https://www.informativo.com.br/policia/
carro-e-levado-no-centro-de-lajeado,233546.jhtml>. Acesso em: 26 mar. 2018.
ÔNIBUS do CRB é atacado por torcedores do Mancha Negra ao sair do estágio. 
Cada Minuto, Maceió, 8 mar. 2018. Disponível em: <http://www.cadaminuto.com.br/
noticia/317421/2018/03/08/onibus-do-crb-e-atacado-por-torcedores-da-mancha-
-negra-ao-sair-do-estadio>. Acesso em: 26 mar. 2018.
SAINT-EXUPÉRY, A. O pequeno príncipe: com aquarelas do autor. Rio de Janeiro: Agir, 
1980. 97 p.
SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2012. 312 p.
SILVA, R. Site da Sony no Brasil é invadido por hackers. Tecnoblog, [s.l.], 6 jun. 2011. 
Disponível em: <https://tecnoblog.net/67212/site-da-sony-no-brasil-foi-invadido-
-por-hackers/>. Acesso em: 26 mar. 2018.
Leitura recomendada
CUNHA, C., CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 6. ed. Rio de 
Janeiro: Lexikon, 2013. 762 p.
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