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Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Introdução Os sintomas do trato urinário inferior – do inglês: Lower Urinary Tract Symptoms (LUTS) – compreendem uma gama de condições que podem afetar de forma negativa a qualidade de vida de homens e mulheres e, por isso, devem ser tratados de maneira objetiva e detalhada. ● Sintomas de esvaziamento e armazenamento Epidemiologia das LUTS ● Estudos internacionais→ 60% dos indivíduos >40 anos ● Estudo brasileiro com 5.184 participantes → >40 anos (5 grandes capitais): 75% (69% em homens, 82% em mulheres) LUTSaté metade do tempo; 49% (40% e 58%) LUTS> metade do tempo. ○ Nesse estudo, indivíduos >70 anos→ 92% das mulheres tinham LUTS>metade do tempo, 71% dos homens. ● Sintoma mais presente→ frequência/nictúria. Armazenamento ● Nictúria ● Polaciúria ● Urgência Miccional ● Incontinência Urinária Esvaziamento ● Jato fraco/partido ● Esforço miccional ● Sensação de esvaziamento incompleto ● Hesitação→ demora para iniciar ● Gotejamento pós-miccional Incontinência Urinária É a perda involuntária de urina, clinicamente demonstrável, que determina problema social ou higiênico. Além da uretra, é possível haver extravasamento de urina de outras fontes, como fístulas ou malformações congênitas do trato urinário inferior. Pode se manifestar como um sintoma, sinal ou observação urodinâmica. ● Sintoma: quando relatado pela paciente como qualquer perda involuntária de urina. É uma indicação subjetiva da doença ou alteração em uma condição, estando relacionado ao armazenamento (enchimento vesical), esvaziamento da bexifa (sintomas miccionais) e sintomas pós-miccionais. ● Sinal: quando observado ao exame físico. ● Observações urodinâmicas: realizadas durante o exame urodinâmico. É mais comum em mulheres pelo menor comprimento uretral e maior chance de injúria musculofascial durante a gestação e o parto. Fatores predisponentes: ● Idade – pacientes pós-menopausa ● Multiparidade ● Prolapso uterino ● Cirurgias prévias ● Obesidade ● Aumento da pressão abdominal ● Hipoestrogenismo Ciclo miccional 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA inervação trato urinário inferior Continência urinária ● Músculo detrusor estável ● Colo vesical em posição anatômica (fáscias e músculos) ● Neurotransmissor pós-ganglionar = noradrenalina = receptoresα eβ ○ α = contração esfincteriana = aumenta o tônus ○ β = relaxamento do detrusor = reduz o tônus ● Neurotransmissor pré-ganglionar = acetilcolina ● SN somático = nervos pudendos = controle voluntário da micção ● Uretra com fechamento satisfatório o Esfíncter interno (m. lisa/involuntária) o Plexo vascular da submucosa o Esfíncter externo (fibras de contração lenta e rápida). ● Mecanismo extrínseco = ativo ○ Tecido conjuntivo pélvico subperitoneal e sua fixação à parede pélvica.→Continência estática ○ Músculos levantadores do ânus e sua conexão com o tecido conjuntivo pélvico subperitoneal. → Continência dinâmica ○ Coordenação da contração dos levantadores do ânus nos momentos de aumento súbito da pressão intra-abdominal. ○ Estruturas formam uma rede em torno da uretra, que permanece tensa em vigência de aumentos na pressão intra-abdominal. ○ Quando esta sustentação torna-se deficiente, a incontinência de esforço se desenvolve. ● Mecanismo intrínseco = passivo ○ Inervação autonômica (SNS) e tônus uretral mediado por receptoresα-adrenérgicos. ○ Musculatura estriada da parede uretral ○ Coaptação da mucosa uretral ○ Plexo vascular submucoso da uretra ○ Musculatura lisa da parede uretral e vasos periuretrais ○ Elasticidade da parede uretral. ○ A competência intríseca pode ser afetada por defeitos congênitos do desenvolvimento, fibrose por trauma ou procedimentos cirúrgicos, deficiÇencia de estrogênio e lesão neurológica. Desordens do assoalho pélvico ● Desgaste dos ligamentos → iatrogênica, envelhecimento (turnover de colágeno), parto. ● Desgaste dos músculos → lesão nervosa (iatrogênica ou trauma), parto, envelhecimento, degeneração por outra causa. ● Hipermobilidade uretral (perda do sustentáculo uretral) ● Deficiência intrínseca do esfíncter → enfraquecimento do esfíncter urinário por disfunção muscular entre outras causas Fisiopatologia luts Falha para armazenar: ● Bexiga→ hipercontratilidade ● Saída (infravesical) → perda na ”força” do complexo esfincteriano, permitindo escape. Falha para esvaziar: ● Bexiga→ hipocontratilidade/acontratilidade ● Saída (infravesical) → aumento da resistência (obstrução extrínseca ou tônus aumentado). Epidemiologia ● Prevalência nos idosos: variada na literatura, ± 20% ● Chegar até 50% em idosos institucionalizados ● População >60 anos: 1:3 mulheres; 1:5 homens ● Sua importância não é só pela prevalência, mas pelo impacto na qualidade de vida, podendo produzir isolamento social, baixa autoestima e depressão 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Etiologia: ● Multifatorial → comorbidades extraurinárias + alterações fisiológicas da idade + distúrbios do trato urinário inferior (+ prevalentes no idoso) ● Homens→HPB/bexiga hiperativa ● Mulheres → desordens do assoalho pélvico/bexiga hiperativa Nomenclaturas Incontinência Urinária (IU): qualquer perda involuntária de urina, exceto para crianças, objetivamente demonstrável, causando problema social ou higiênico. Incontinência Urinária de Esforço/Estresse (IUE): é a perda involuntária de urina, que ocorre após exercício físico, riso, tosse ou espirro. É importante notar que a perda urinária só ocorre durante o esforço e, geralmente, em pequenas quantidades, embora suficientes para molhar a roupa. Incontinência Urinária por Urgência: perda involuntária de urina acompanhada ou imediatamente precedida pela sensação de urgência. Incontinência Urinária Mista: é a perda involuntária de urina associada à urgência e aos esforços (exercício, esforço, tosse ou espirro). Sintomas de armazenamento: ● Polaciúria ● Noctúria ● Urgência urinária ● Síndrome da bexiga hiperativa Sintomas sensoriais: ● Sensação vesical: normal, aumentada, reduzida ou ausente Sintomas de esvaziamento: ● Hesitação ● Jato fraco ● Jatco intermitente ● Jato em spray ● Esforço para urinar ou micção sem esforço ● Micção posição dependente ● Disúria Sintomas pós-miccionais: ● Sensação de esvaziamento incompleto ● Gotejamento pós-miccional ● Retenção urinária Efeitos - envelhecimento ● Parece produzir uma hipofunção da bexiga e uretra; ● Reduz sensibilidade vesical e pressão uretral; ● Alterações da motivação, destreza manual, mobilidade, lucidez; ● Redução da capacidade vesical; ● Doenças associadas que aumentam com a idade: diabetes, insuficiência cardíaca, distúrbios da vasopressina, hormônio natriurético, distúrbio do sono; 🚨 Maioria dos casos será de etiologia multifatorial! Efeitos do envelhecimento + comorbidades + distúrbios do trato urinário inferior Classificação Incontinência urinária de esforço ● Perda urinária pela uretra quando a pressão vesical é maior que a uretral, na ausência de contrações do detrusor. ● Queixa urinária mais frequente nos ambulatórios ● Causas: ○ Hipermobilidade do colo vesical ■ Instabilidade do detrusor – idiopática ■ Hiperreflexia do detrusor – doença neurológica (esclerose múltipla, Parkinson, etc). ○ Defeito esfincteriano intrínseco da uretra ○ Teoria integral ■ Se as estruturas que tracionam a porção média e proximal da uretra nas direções superior e anterior – ligamentos pubouretrais, parede vaginal suburetral e os músculos pubococcígeos – são tão eficientes como aquelas que têm ação nas direções posterior e inferior – o restante dos músculos levantadores – e se a uretra proximal e o colo vesical estiverem frouxamente conectados à parede vaginal, haverá um alongamento ou mesmo dobramento da uretra proximal, o que permitirá a continência tanto em repouso como durante o esforço. ■ O enfraquecimento da ação nas direções superior e anterior, que é rotineiramenteencontrado em pacientes com IUE, resultaráem um predomínio da ação em direção inferior que, por conseguinte, impede o fechamento eficaz da uretra. ○ Defeitos do tecido conjuntivo 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Fechamento uretral ineficiente ○ Teoria molecular ● Quadro clínico ○ Perda urinária aos esforços – espirro, tosse, manobra de valsava ○ Prolapsos genitais ○ Alterações anatômicas Hiperatividade do detrusor ● Contrações do detrusor durante o enchimento vesical. ● Idiopática ou neurogênica ● Diagnóstico: estudo urodinâmico ● Diagnósticos diferenciais: infecção urinária, litíase ou tumores vesicais. ● Quadro clínico ○ Urgência urinária ○ Frequência urinária ○ Noctúria ○ Urge-incontinência ○ Perda urinária durante e após o esforço (1/3 dos casos). ● Mista = mistura das duas acima ● Incontinência por transbordamento = pressão intravesical excede a pressão uretral, estando associada à distensão vesical em ausência de atividade do detrusor. Comum em pacientes com lesões neurológicas. ● Miscelânia = lesões uretrovesical, como pólipos, divertículos, cistite intersticial crônica e tumores. Diagnóstico Anamnese ● Idade da paciente ● Raça ● Doenças correlatas: DPOC, diabetes melitus, insuficiência vascular, esclerose múltipla, Parkinson, AVC, trauma raquimedular, obesidade. ● Antecedentes do trato urinário: infecção de repetição, litíase renal, tumores urológicos e cirurgias prévias. ● História obstétrica: nº de gestações, tipos de partos, local de parto, com ou sem assistência médica, peso de nascimento da criança. ● Ginecopatias ● Detalhar os sintomas: apareceimnto, situações em que ocorrem, urgência, frequencia urinária, umidade intima, interferência na qualidade de vida, desejo de tratamento. ● Investigar o uso de medicamentos com influência no trato urinário: benzodiazepínicos (confusão e IU secundária), diuréticos (polaciúria e urgência urinária), bloqueadores dos canais de cálcio (reduzem a contratilidade do detrusor), IECA (podem causar tosse crônica e aumento da pressão abdominal). Exame físico minucioso ● Trofismo genital da paciente ● Presença de prolapso genital ● Sensibilidade dos dermátomos (S2, S3, S4) ● Força e tônus da musculatura dos MMI ● Reflexo anal, bulbocavernoso e patelar ● Distúrbios ginecológicos associados (tumores ● Avaliação da perda urinária pela uretra ● Sinais de hipoestrogenismo ● Toque vaginal Teste da perda urinária ● Instilação de 200 a 300 mL de soro fisiológico seguido da realização de manobras de esforço. ● Observa-se a perda urinária, considerando o momento e o volume da perda. A ausência da perda não descarga incontinência urinária. ● Pouco utilizado na prática clínica. Exames complementares ● EAS/Urinocultura – exames iniciais→ descartar ITU ● Diário miccional – horário das micções, episódios da IU, quantidade de líquido ingerido ● USG colo vesical – IUE maior ou igual a 1 cm (hipermobilidade) ● Cistoscopia – suspeita de SBD, uretrites, cálculos, tumores e divertículos. ● Pad-test ou teste do absorvente: a paciente utiliza absorventes, previamente pesados, durante 24 a 48 horas, sem alterar suas atividades diárias. Posteriormente, os absorventes serão novamentes pesados. Ele é positivo se a pesagem for maior ou igual a 4g. ● Teste do cotonete ou Q-tip-test = introdução de um cotonete embebido em anestésico na uretra até a junção uteroverisal e aobservação do ângulo que forma com a horizontal, tanto na inspeção estática (repouso), quanto na dinêmica (esforço). 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Estudo urodinâmico ● Padrão-ouro ● Presença ou não de contrações inibidas do detrusor ● Pressão de perda uretral ● Fundamental – permite o diagnóstico etiológico da IU ● Cistometria – define a causa da IU ● Video-uodinâmica = melhor exame para IUE, pois permite avaliar o deslocamento do colo vesical e sua abertura e fechamento. ● Pressão de perda uretal < 60 cm H2O = Defeito esfincteriano intrinseco > 90 cm H2O = Hipermobilidade do colo vesical ● Contração não inibida do detrusor na cistometria Tto IUE ● Tratamento conservador: mudança dos hábitos de vida, exercícios perineais, eletroestimulação, cones vaginais, pessários, biofeedback. ● Clínico ou farmacológico: duloxetina, agonistas α-adrenérgicos, reposição estrogênica ● Cirúrgico ○ Colporrafia anterior por via vaginal – Cirurgia de Kelly-Kennedy ○ Suspensões por agulha ○ Colpossuspensão retropúbica de Burch ○ Colpossuspensão retropúbica de Marshall-Marchetti-Krantz ○ Slings: pubovaginais, de uretra média, minislisgs ○ Injeções periuretrais Bexiga hiperativa ● Tratamento conservador: mudança dos hábitos de vida, exercícios perineais, eletroestimulação, cones vaginais, pessários, biofeedback. ● Clínico: anticolinérgicos – cloridrato de oxibutinina, tartarato de tolterodina, agonistas β-3-adrenégicos, succinato de solifenacina, bromidrato de darifenacina, antidepressivos tricíclicos, botox ● Técnicas comportamentais: retreinamento vesical, biofeedback, cinesioterpia com ou sem biofeedback, eletroestimulação, psicoterpia e hipnose. Mista ● Primeiro HD e depois IUE ● Se for fisioterapia pode iniciar os 2 juntos Hiperplasia Prostática Próstata dividida em algumas zonas (de McNeal): ● Transição (contato com a uretra; hiperplasia), ● Periférica (maior incidência de câncer) ● Anterior ● Central. 🚨A zona periférica é separada das demais por uma fina camada de tecido fibroelástico: a cápsula cirúrgica. A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma entidade definida pela proliferação das células do epitélio e do estroma prostático, formando um tecido nodular adenomatoso. ● Aumento no volume da glândula, justificando sinais e sintomas obstrutivos/irritativo. ● Acomete geralmente os homens idosos ● Aumento no número de células epiteliais e estromais na área periuretral da próstata. ● O processo hiperplásico deve ser causado por um desequilíbrio entre morte e proliferação celular, levando a um acúmulo de células. ● O mecanismo molecular da iniciação da HBP permanece incerto, mas a inflamação tem sido considerada como um importante fator etiológico. ● Constitui uma das causas de sintomas do trato urinário inferior (LUTS) em homens idosos. ● HPB histológica x LUTS x obstrução infravesical x próstata aumentada ○ Histológica ■ 50% dos homens com idades entre 51-60 anos, ■ 80% dos homens na nona década de vida. Fatores de risco: ● Envelhecimento ● Testículos funcionantes ● Obesidade - IMC 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA o Estudo Prostate Cancer Prevent Trial: acompanhou por 7 anos homens com IMC 30-34, tiveram 30% maior risco de desenvolver STUI do que aqueles com IMC menor que 25. o ● Síndrome metabólica ● Sedentarismo ● Fatores genéticos. ● Inflamação crônica: elevado consumo de oxigênio ---- estados de hipóxia = neovascularização + fatores crescimento endoteliais. Fisiopatologia: Obstrução uretral = mecânica (estática) ou dinâmica (funcional). ● Estática = o aumento cria uma espécie de válvula que impede o paciente de urinar. ● Dinâmica = a posição prostática dificulta o início da micção. Junto à próstata e do colo vesical existem muitos receptores α1 – quando contraem aumentam o grau de obstrução. ● Sintomas obstrutivos: LUTS de esvaziamento = Low urinary trat simptoms. = Sintomas de esvaziamento de trato urinário inferior. Resposta do músculo detrusor à obstrução ● Resposta inicial mais comum = hipertrofia com posterior redução da complacência = sintomas miccionais irritativos, como urgência, poliaciúria... ● Denervação parassimpática = instabilidade vesical (contrações involuntárias). ● Sintomas irritativos = LUTS de enchimento ● Hipertrofia do detrusor leva à formação de trabéculas na mucosa vesical, as quais podem ser vistas na cistoscopia. – Divertículos vesicais – Obstrução uretral grave e prolongada + fator de risco para infecção urinária e formação de calculos vesicais . Incontinência ● HPB se desenvolve inicialmente na zona de transição periuretral da próstata.● A hiperplasia prostática aumenta a resistência uretral, resultando em alterações compensatórias da função vesical. Quadro clínico ● Sintomas obstrutivos ● Hesitância – tenta urinar e não consegue. ● Esforço miccional. ● Intermitência ● Jato fraco ● Jato afilado ● Gotejamento terminal ● Esvaziamento incompleto (pós miccional). ● Gotejamento pós-miccional. ● Sintomas irritativos – de armazenamento ● Urgência ● Frequência ● Noctúria ● Urgeincontinência ● Incontinência por transbordamento IPSS – Escore Internacional de Sintomas Prostáticos – FUN-WISE ● Avalia = 0 a 5 pontos ● Jato fraco ● Intermitência ● Esforço miccional ● Esvaziamento incompleto ● Urgência ● Frequência ● Noctúria ● Impactos na qualidade de vida = único de 0 a 6 ● Resultados 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Sintomas leves = 0 a 7 pontos. ○ Sintomas moderados = 8 a 19 pontos ○ Sintomas graves = 20 a 35 pontos Complicações ● Retenção urinária aguda – principal e mais temida! – incapacidade abrupta de esvaziamento vesical. ● Pode ser causada por uso de simpaticomimeticos ou anticolinergicos, distensão aguda da bexiga, prostatite infecciosa aguda, calculo vesical ou infarto prostático ● Infecção urinária ● Prostatite ● Litíase vesical – estase local ou impossibilidade de expulsar cálculos migrados dos rins. – Bloqueios abruptos do jato urinário, interrompendo a micção. ● Insuficiência renal pós-renal – obrigatório operar ● Hematúria macroscópica – ruptura de vasos submucosos locais. – Realizar citoscopia e USG renal. ● Falência do detrusor – descompensação vesical – hipertrofia acentuada + deposição de colágeno – aumento da urina residual e dilatação da bexiga. Diagnóstico ● História clínica (IPSS) + diário miccional + toque retal + exames complementares ● Toque retal – descarta câncer – próstata de tamanho aumentado (simétrico), de consistência fibroelastica e com sulco interlobar preservado. ● Exames laboratoriais ● Creatinina ● Urina tipo I = piúria indica infecção, hematúria. ● Citologia urinária (fumantes) ● PSA ○ Glicoproteina próstata-específica = liquefaz o coágulo seminal ○ Eleva-se em qualquer patologia protática inflamatória ou neoplásica. ○ > 60 anos = valor inferior a 4 ng/mL ○ > 1,6 ng/mL = risco de progressão da HPB ○ Preditor da intensidade dos sintomas, retenção urinária aguda e crescimento prostático. ○ HPB – alguns pacientes entre 4-10 ng/mL = zona cinzenta ○ 1 g leva a um aumento de 0,15 no PSA ● USG → espessura da parede vesical/ protusão prostática na bexiga/ tamanho da próstata/ avaliação do resíduo pós-miccional ● Avaliação do trato urinário superior ● Indicada na elevação da creatinina, na suspeita de litíase vesical, hematúria. ● Estima o volume prostático ● Abdominal ou transretal (melhor) ● Resíduo pós-miccional ● Vê litíase, hematúria, motivo do aumento da creatinina ● Cistoscopia – excluir outras causas e não diagnóstico; paciente com hematúria macroscópica e sintomas obstrutivos. ● Estudo urodinâmico ● Suspeita de distúrbio neurológico associado. ● Volume urinado < 150mL ● Qmzx > 15ml/s ● < 50 ou > 80 anos ● RPM > 300 ● Suspeita de BN ● Hidronefrose bilateral ● Tratamento anterior sem sucesso ● Próstata < 30g Diagnóstico diferencial: ● Disfunção vesical – bexiga do idoso – isquemia crônica do detrusor ● Doenças neurológicas: bexiga instável. – Pacientes com afecções do SNC (AVE, cirurgia, Parkinson, tumores, demência) ou da medula espinhal (mielite transversa, trauma, hérnia, tumores...) SNC irritativos exclusivamente. ● Doenças urológicas = infecções urinárias oligossintomáticas, prostatite, cálculos vesicais, cálculos do ureter distal, carcinoma e neoplasias invasivas da bexiga. ● Estenose do colo vesical, doenças obstrutivas da uretra, bexiga neurogênica atônica... Indicações absolutas de abordagem intervencionista na HPB: ● Retenção urinária aguda refratária à tentatva de retirada do cateter vesical ou recidivante. ● ITU de repetição ● Hematúria macroscópica persistente ● Litíase vesical ● Insuficiência renal ● Divertículos vesicais grandes 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Tratamento: ● IPSS de 0 a 7 + pacientes que não querem iniciar tratamento medicamentoso ou intervencionista = observação e acompanhamento anual ● IPSS de 8 a 19 ou impacto na qualidade de vida = terapia farmacológica – deve ter morbidade mínima, boa aceitação pelo paciente e não interferir negativamente em sua qualidade de vida. ● IPSS de 20 a 35 = terapia farmacológica, se não melhora em 6 meses a um ano, manda p cirurgia Não responsivo = IPSS se manteve grave ou reduziu apenas para moderado. Terapia farmacológica: ● Inicial – bloqueadores α-1-adrenérgicos – relaxam a bexiga (colo vesical) e da cápsula prostática – aumento do fluxo miccional ○ Não seletivos (1A e 1B) = terazoxina e doxazocina ○ Urosseletivos (1A) = tansulosina e silodosina ○ Efeitos colaterais = hipotensão, disfunção ejaculatória (ejaculação retrógrada), tonteira, fraqueza, cefaleia e rinite ○ Contraindicações absolutas = insuficiencia renal pós-renal e resíduo vesical elevado, pacientes com história de hipotensão postural ou hipersensibilidade. ○ Contraindicações relativas = doença cerebrovascular, história de síncope e retenção urinária aguda repetida ou infecção urinaria recorrente. ● Inibidores 5αredutase – bloqueia o crescimento da próstata – reduzem tbm o PSA ○ Tipo 1 = próstata e outros tecidos ○ Tipo 2 = próstata, folículo piloso ○ Finasterida = tipo 2 ○ Dutasterida = tipos 1 e 2 ○ Prostata > 40 ml ● Combinada = usa os 2 ○ COMBODART = 0,4mg tansulosina + 0,5 mg dutasterida 🚨 IPSS acima de 20, próstata maior que 40g ou paciente sem resposta ao bloqueadorα ● Inibidores da fosfodiesterase 5 – disfunção erétil ○ Tadalafil ● Antimuscarínicos Tratamento cirúrgico: ● Modalidade mais eficiente para alívio dos sintomas e das complicações da doença. ● Indicação: ○ IPSS moderados a graves sem resposta ao tto clínico ○ História de RUA ○ Infecção urinária de repetição ○ Hematúria recorrente ○ Litíase vesical ○ Lesão do trato urinário superior – hidronefrose, insuficiência renal ○ Retenção urinária aguda ○ Anatomia desfavorável ao tt clínico ○ Refratários aos medicamentos por 12-24 meses ● Qual fazer? ○ > 80g = ressecção transuretral da próstata (RTUp) ■ Raspagem da próstata = alça de ressecção = solução isotônica e não soro fisiológico ■ Síndrome de Absorção Hídrica (síndrome pós-RTU) = hiponatremia dilucional = paciente fica tonto, enjoado, por isso é feita uma raqui = evitada com ressecção de eletrocautério bipolar ou laser e reduzindo o tempo operatório. ■ Baixa incidência de complicações, custos reduzidos e menor tempo de internação. ○ < 80g, complicações locais (litíase, divertículos) = prostatectomia a céu aberto, subtotal ou transvesical ○ Também indicada em cálculos vesicais ou divertículos vesicais ■ Enucleação com laser ■ Embolização ■ Lift ■ Greenlight ● Complicações ○ Sangramento ○ Síndrome pós-prostatectomia (intoxicação hídrica) ○ Anejaculação ○ Constrições/estenoses uretrais ○ Incontinência urinária ○ Intoxicação hídrica ○ Hidronefrose ○ ITU de repetição ○ IRA ○ Disfunções da bexiga 8