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OAB
Capítulo 1
Direito Administrativo
CERS
BOOK
OAB 1º Fase
 
1 
CAPÍTULOS 
Capítulo 1 (você está aqui) – Introdução ao Direito Administrativo: 
Formação, conceito, fontes e sistemas. 
 
Capítulo 2 – Regime Jurídico Administrativo.  
Capítulo 3 – Organização Administrativa.   
Capítulo 4 – Entidades Paraestatais e Terceiro Setor.      
Capítulo 5 – Poderes Administrativos     
Capítulo 6 – Atos Administrativos      
Capítulo 7 – Serviços Públicos. Disposições Doutrinárias Aplicáveis e 
Lei N° 13.460/2017 
       
Capítulo 8 – Direito Regulatório. Regime Jurídico das Concessões e 
Permissões do Serviço Público. Lei n° 8.987/1995 e Disposições 
Doutrinárias Aplicáveis 
       
Capítulo 9 – Licitação e Contratos Administrativos     
Capítulo 10 – Processo Administrativo   
Capítulo 11 – Agentes Públicos     
Capítulo 12 – Responsabilidade civil do Estado.        
Capítulo 13 – Bens Públicos   
Capítulo 14 – Controle da Administração Pública.      
Capítulo 15 – Improbidade Administrativa      
Capítulo 16 – Intervenção do Estado na Propriedade. Prescrição 
Administrativa 
     
 
 
 
2 
SOBRE ESTE CAPÍTULO 
 
No presente capítulo, daremos continuidade ao estudo de assuntos conceituais e 
introdutórios, que possuem baixa incidência em provas de concurso público, mas são igualmente 
importantes ao aprendizado da matéria de Direito Administrativo. 
Mas, antes de começar o estudo, precisamos fazer algumas considerações a respeito da 
apostila de nº 01 do nosso curso, tá? 
Em primeiro turno, Introdução ao Direito Administrativo: Formação, conceito, fontes e 
sistemas não costuma ser cobrado no exame de ordem! 
-Mas prof., por que incluí-lo nas apostilas, então? 
Bom, como é de conhecimento geral, a banca examinadora tende a ser um pouco 
imprevisível, e o nosso objetivo é deixar você preparado para exatamente qualquer coisa que 
aparecer na prova! 
Então, achamos pertinente abranger o máximo de conteúdo possível! 😊 
Dito isso, pontuamos que abordaremos agora a distinção entre Estado, Governo e 
Administração Pública, demonstrando o que significa a função administrativa e quais são as 
outras funções Estatais. Ainda, estudaremos os sistemas de controle tradicionais, bem como a 
interpretação no Direito Administrativo. 
Dessa forma, a matéria abordada costuma ser mais voltada para a doutrina, mas 
indicaremos dispositivos legais ao final do capítulo, bem como jurisprudência dos Tribunais 
Superiores, principalmente acerca do sistema de controle dos atos administrativos e acerca da 
hermenêutica jurídica aplicada ao Direito Administrativo. 
Inclusive, ao final desta apostila, você encontrará questões de outras carreiras, para um 
maior aproveitamento e assimilação de conteúdo, portanto, não deixe de respondê-las, tá? 
 
3 
SUMÁRIO 
DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................................................................................... 4 
Capítulo 1 .................................................................................................................................................. 4 
1. Introdução ao Direito Administrativo .......................................................................................... 4 
1.1 Estado, Governo e Administração Pública ................................................................................................. 4 
1.1.1 Estado ......................................................................................................................................................................... 4 
1.1.1.1 Conceito de Função Administrativa e distinção das demais funções estatais ......................... 5 
1.1.2 Governo ..................................................................................................................................................................... 8 
1.1.3 Administração Pública ......................................................................................................................................... 8 
1.2 Sistemas de controle (francês e americano) .......................................................................................... 10 
1.2.1 Sistema Francês .................................................................................................................................................. 11 
1.2.2 Sistema Inglês ...................................................................................................................................................... 12 
1.3 Interpretação/hermenêutica do Direito Administrativo .................................................................... 14 
QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 18 
QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................... 20 
GABARITO ............................................................................................................................................... 30 
QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 31 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................... 32 
LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 35 
JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................... 36 
MAPA MENTAL ...................................................................................................................................... 40 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 41 
 
 
 
4 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
Capítulo 1 
Neste capítulo, iremos realizar a distinção entre Estado, Governo e Administração 
Pública, demonstrando o que significa a função administrativa e quais são as outras funções 
Estatais. Ainda, estudaremos os sistemas de controle jurisdicional da Administração, bem como 
a interpretação no Direito Administrativo. 
1. Introdução ao Direito Administrativo 
1.1 Estado, Governo e Administração Pública 
Primeiramente, insta salientar que não se confundem os conceitos de Estado, Governo 
e Administração Pública. Tendo isso em mente, vamos fazer a diferenciação para melhor 
entendimento da disciplina de Direito Administrativo. 
1.1.1 Estado 
A definição de Estado pode ser delineada como um povo situado em determinado 
território e sujeito a um governo. Dessa forma, podemos dizer que o povo é o elemento humano 
essencial para qualquer organização, o território é o próprio espaço físico e o governo, por sua 
vez, é a cúpula diretiva do Estado. 
Nesse sentido, Matheus Carvalho define Estado como “uma instituição organizada 
política, social e juridicamente, dotada de personalidade jurídica própria de Direito Público, 
submetida às normas estipuladas pela lei máxima, que, no Brasil, é a Constituição escrita e 
dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna quanto externamente”.1 
 
1 CARVALHO, Matheus. Manual de Direito Administrativo. 4ª ed. Salvador: JusPODIVM, 2017. Pg 33. 
 
5 
Assim, o Estado é uma pessoa jurídica de direito público com direitos e obrigações, 
mas pode atuar tanto no direito público quanto no direito privado, exercendo seus poderes 
sempre em nome do povo. 
Vamos analisar também as espécies de Estado, tendo em vista que ele pode ser liberal, 
social, democrático de direito ou pós social. Assim, vamos facilitar o estudo através da tabelaabaixo: 
ESPÉCIES DE ESTADO 
ESTADO LIBERAL 
É um Estado voltado para a garantia dos direitos de primeira geração, 
que são ligados ao valor da liberdade, propriedade, direitos civis e 
políticos. Assim, evitam a intervenção estatal na ordem econômica e 
social. 
ESTADO SOCIAL 
Por outro lado, o Estado Social surge em resposta às críticas ao Estado 
Liberal, que terminou acarretando muitas desigualdades. Assim, o Estado 
Social surge para garantir os direitos de segunda geração, como 
educação, saúde e outros direitos básicos vinculados ao princípio da 
dignidade da pessoa humana. Desse modo, torna-se um Estado prestador 
de serviços, que possui uma grande máquina estatal e maiores custos 
para se manter. 
ESTADO DEMOCRÁTICO 
DE DIREITO 
É também decorrente da crise do modelo anterior, do Estado Social, que 
gastava mais do que arrecadava e era ineficiente. Portanto, o Estado 
Democrático de Direito busca diminuir a interferência estatal, privatizar 
alguns serviços e criar mecanismos de regulação do mercado para manter 
o equilíbrio. 
 
1.1.1.1 Conceito de Função Administrativa e distinção das 
demais funções estatais 
Primeiramente, insta tratarmos um pouco acerca da organização administrativa do 
país, no intuito de entendermos as funções de cada ente federativo e a disposição das atividades 
típicas de cada poder. Esse estudo depende da compreensão primordial de dois princípios 
constitucionais: o princípio federativo e o princípio da separação dos poderes. 
 
6 
Ao estudarmos sobre funções estatais, o primeiro aspecto constitucional que devemos 
entender é que o Brasil adotou a forma federativa de Estado, ou seja, existe a descentralização 
política do poder entre diferentes níveis de governo: federal, estadual e municipal. 
Esses entes federados possuem autonomia, competências e atribuições próprias, bem 
como se auto-organizam elaborando suas próprias constituições, se autogovernam elegendo 
seus representantes e, por fim, se autoadministram, através da prestação de serviços e receitas 
tributárias próprias. 
Além da divisão do país em entes federados, a separação das funções entre os 
poderes é importante para o conhecimento da dinâmica da organização administrativa. Assim, 
temos o Poder Judiciário, o Legislativo e o Executivo, que exercem funções de maneira típica e, 
de maneira atípica, funções que normalmente são desempenhadas por outros poderes.2 
Nesse sentido, vamos estudar o que seriam as funções típicas e atípicas de cada 
poder: 
 Poder Legislativo: sua função típica é a normativa ou legislativa, ou seja, a 
função de elaborar de normas abstratas e gerais que inovam no ordenamento 
jurídico; lado outro, quando o Senado julga o Presidente da República, o Poder 
Legislativo estará exercendo a função atípica jurisdicional; e quando organiza 
seus serviços internos, exerce a função administrativa. 
 
 Poder Executivo: sua função típica é a administrativa, atuando com respeito 
ao princípio da legalidade; atipicamente, exerce a função legislativa quando o 
Presidente da República edita medida provisória, e exerce função judicante nos 
julgamentos de processos disciplinares contra os agentes públicos. 
 
 Poder Judiciário: sua função típica é jurisdicional, aplicando a lei aos litigantes 
e solucionando os litígios com força de definitividade; por outro lado, exerce 
função normativa quando elabora seu Regimento Interno e exerce a função 
 
2 Vide questão 1 
 
7 
administrativa quando realiza concurso público ou organiza seus serviços e 
concessões de férias, por exemplo. 
 
 
 
 (OBJETIVA – Agente Administrativo (Legislativo – Prefeitura de Carlos Barbosa/RS - 2019) 
De acordo com DI PIETRO, assinalar a alternativa que preenche a lacuna abaixo CORRETAMENTE: 
Existe uma predominância do Poder ___________ no exercício das atribuições políticas, mesmo 
não existindo exclusividade no exercício dessa atribuição. 
A) Judiciário 
B) Legislativo 
C) Hierárquico 
D) Executivo 
 
Gabarito: Letra D. A questão exige do examinando o conhecimento acerca das funções típicas 
e atípicas de cada Poder. Segundo Di Pietro, “existe uma preponderância do Poder Executivo no 
exercício das atribuições políticas; mas não existe exclusividade no exercício dessa atribuição. 
No direito brasileiro, de regime presidencialista e com grande concentração de poderes nas 
mãos do Presidente da República, é justificável a tendência de identificar-se o Governo com o 
Poder Executivo”.3 
 
 
Ante todo o exposto, depreende-se que a função administrativa é uma das três 
funções básicas do Estado, juntamente com a função legislativa e a função jurisdicional. Ainda, 
 
3 DI PIETRO, MARIA SYLVIA ZANELLA. DIREITO ADMINISTRATIVO. 32. ED. REV. ATUAL E AMPL. – RIO DE JANEIRO: FORENSE, 2019. 
 
8 
a função administrativa é ativa, ou seja, independe da provocação do cidadão para ser exercitada 
(diferentemente da função jurisdicional), e subordina-se à lei (diversamente da função 
legislativa). 
Desse modo, podemos definir a função administrativa como infralegal, ativa, 
hierarquizada, primordial para a realização do interesse público. 
Mauro Sérgio dos Santos define esta função como “a atividade subalterna e 
instrumental exercitada pelo Estado (ou por quem lhe faça as vezes), expressiva do poder 
público, realizada sob a lei ou para dar aplicação estritamente vinculada a norma constitucional, 
como atividade emanadora de atos complementares dos atos de produção jurídica primários 
ou originários, sujeita a dupla sindicabilidade jurídica e dirigida à concretização das finalidades 
estabelecidas no sistema do direito positivo"4 
1.1.2 Governo 
Juntamente com povo e território, o governo é um dos elementos formadores do 
Estado. Trata-se do comando diretivo do Estado, que se organiza sob uma ordem jurídica por 
ele posta. Ainda, pode ser definido através do seu aspecto subjetivo ou objetivo. 
Em sentido subjetivo, é a cúpula responsável pela condução das atividades estatais, 
são os órgãos constitucionais e o conjunto de poderes. Já em sentido objetivo ou material, é 
a própria atividade política realizada pelo Estado. 
1.1.3 Administração Pública 
A expressão “Administração Pública” também pode ser empregada no sentido 
objetivo ou subjetivo. 
Assim, no aspecto subjetivo, formal ou orgânico, são os órgãos públicos, pessoas 
jurídicas e agentes públicos que exercem atividade administrativa. Por outro lado, no aspecto 
 
44 SANTOS, Mauro Sérgio dos. Curso de Direito Administrativo. Salvador: JusPodivm, 2016. p. 39 
 
9 
objetivo, material ou funcional, significa a própria atividade administrativa de poder de polícia, 
prestação de serviços públicos, poder de fomento, dentre outras funções.5 
Ademais, o conceito de Administração Pública não pode ser confundido com a 
definição de Governo, já mencionada no tópico anterior. Dito isso, vamos estabelecer as 
distinções? 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GOVERNO 
Compreende os órgãos públicos, 
pessoas jurídicas e agentes públicos que 
integram a estrutura administrativa 
Compreende os órgãos públicos, pessoas 
jurídicas e agentes que integram a 
estrutura constitucional do Estado (Poder 
Executivo, preponderantemente, e Poder 
Legislativo), conduzindo as atividades 
Estatais 
Exercício de poderes administrativos 
(poder de polícia, poder hierárquico, 
poder disciplinar, poder normativo) 
Exercício de poder político (atuação 
estatal). Esses atos de governo provêm 
majoritariamente de autoridades do alto 
escalão do Executivo (Presidente, 
Governador e Prefeito). Ex: alocação de 
recursos orçamentários, planejamento das 
relações políticas, relações internacionais, 
etc.) 
A Administração Pública e suas 
atividades são estudadas pelo Direito 
Administrativo 
OGoverno e seu poder político são 
estudados pelo Direito Constitucional 
A função administrativa é exercida por 
todos os poderes (é função típica do 
Poder Executivo e função atípica dos 
Poderes Legislativo e Judiciário) 
A função política ou função de governo é 
típica do Poder Executivo, mas também 
pertence ao Legislativo6 
 
5 Vide questão 2 
6 Vide questão 3 
 
10 
Assim, podemos dizer que os poderes Executivo e Legislativo são responsáveis pela 
elaboração das políticas públicas, já o Poder Judiciário não possui essa função de governo, 
apesar de possuir a prerrogativa de controlá-la. 
Destaca-se que o Governo (função política) possui agentes em seu comando que 
estabelecem metas e diretrizes, de modo a direcionar a atividade administrativa, podendo 
atuar de maneira relativamente independente e discricionária, a fim de atingir o interesse 
público. Nesse sentido, a função política caracteriza-se por ser uma atividade de planejamento, 
coordenação, direção. 
Por outro lado, a Administração atua de maneira mais neutra e técnica, em 
obediência à lei ou à decisão política de Governo, buscando implementar o que houver sido 
estabelecido, mediante conduta hierarquizada. 
Por todo o exposto, é possível observar que há uma diferença entre os conceitos, mas 
que essa distinção não é rígida. Aliás, essa distinção costumava ser utilizada para alegar a 
impossibilidade do controle judicial sobre os atos políticos, mas isso atualmente está relativizado, 
posto que todo ato pode ser questionado perante o Judiciário. Inclusive, essa tendência vem 
sendo denominada de “judicialização das políticas públicas”. 
Ademais, a Administração Pública será estudada em seus pormenores mais adiante, 
no Capítulo 04. 
1.2 Sistemas de controle (francês e americano) 
Após termos estudado as funções e atuações estatais, importante pontuar que toda 
atividade exercida pelo Estado deve ser controlada pela sociedade, por meio de seus 
representantes, afinal, o administrador público não é titular do interesse coletivo (princípio da 
indisponibilidade do interesse público). 
Por essa razão, surgiram alguns sistemas administrativos ou mecanismos de controle 
que são: o sistema inglês ou sistema de jurisdição única e o sistema francês ou sistema do 
contencioso administrativo. 
 
11 
1.2.1 Sistema Francês 
O sistema francês ou sistema do contencioso administrativo, também chamado de 
sistema da dualidade de jurisdição é aquele em que não se admite o controle judicial dos atos 
da Administração Pública. Os atos praticados pela Administração Pública ficam sujeitos à 
jurisdição especial do contencioso administrativo, formada por tribunais de natureza 
administrativa. 
Nesse sistema as decisões proferidas pelos tribunais de natureza administrativa 
possuem caráter de definitividade, fazendo coisa julgada material, sendo impossível a revisão 
pelo Judiciário. 
Nesse sistema, há uma dualidade de jurisdição. Desse modo, pode-se dizer que estão 
presentes: 
 A jurisdição administrativa - formada pelos tribunais de natureza 
administrativa, com plena jurisdição em matéria administrativa, que, na França 
é representada pelo Conselho de Estado. 
 A jurisdição comum - formada pelos órgãos do Poder Judiciário, com 
competência para resolver os demais litígios que não envolvam a atuação da 
Administração Pública. 
Esse sistema, até os tempos atuais adotado na França, analisa a separação de poderes 
de forma absoluta, não admitindo o controle judicial dos atos da Administração Pública. Nesse 
país, o Conselho de Estado é o responsável por proferir as decisões acerca da atuação pública, 
com caráter de definitividade, ou seja, mediante a formação da chamada coisa julgada material. 
Impossível, portanto, a revisão pelo Poder Judiciário das decisões proferidas por este órgão. 
 
 
12 
1.2.2 Sistema Inglês 
O sistema inglês também designado de sistema da unicidade de jurisdição7, é 
aquele no qual todos os litígios, sejam eles administrativos ou privados, podem ser levados ao 
conhecimento do Poder Judiciário. 
Apenas o Judiciário tem o condão de dizer o direito de forma definitiva e com força 
de coisa julgada material. 
É importante observar que a adoção do sistema de jurisdição única não implica a 
vedação à existência de solução de litígios na esfera administrativa. Ocorre que a decisão 
administrativa não impede que a matéria seja levada à apreciação do Poder Judiciário. 
Neste sentido, frisa-se que a coisa julgada administrativa, nada mais é senão a 
impossibilidade de discussão de determinada matéria no âmbito de processos administrativos. 
O ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema inglês, conforme 
expressamente previsto no texto constitucional em seu art. 5°, XXXV, o princípio da 
inafastabilidade da jurisdição. Portanto, no sistema nacional, o particular pode optar em resolver 
seus conflitos com a administração pública instaurando processos administrativos ou poderá 
recorrer ao judiciário. 
Ressalte-se ainda que a possibilidade de recorrer ao judiciário não depende, via de 
regra, do esgotamento das instâncias administrativas ou de sua utilização inicial. Dessa 
forma, o particular pode propor ação judicial para solução dos seus conflitos, mesmo sem ter 
sido proferida uma decisão definitiva na esfera administrativa ou sem precisar utilizar dessa via 
previamente. Essa regra comporta poucas exceções: 
 Justiça desportiva: dispõe seu art. 217, §1° da CFRB/88 que "o Poder judiciário 
só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após 
esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei”; 
 
7 Vide questão 1 
 
13 
 Ato ou omissão administrativa que contrarie súmula vinculante só pode ser 
alvo de reclamação ao STF depois de esgotadas as vias administrativas (art. 7º, 
§ 1º, da Lei Federal nº 11.417/2006); 
 Mandado de Segurança não é cabível quando caiba recurso administrativo 
com efeito suspensivo; 
 Habeas data: para que se demonstre o interesse de agir no habeas data, 
configura requisito indispensável a prova do anterior indeferimento do pedido 
de informação de dados pessoais ou da omissão da entidade administrativa 
em atendê-lo. Observe que, aqui, basta a existência de um requerimento 
administrativo prévio, sem necessidade de esgotamento de instâncias (Lei 
9.507/1997: art. 8º, parágrafo único); 
 Ações contra o INSS acerca de benefícios previdenciários: para restar 
caracterizado o interesse de agir em ações judiciais contra o INSS, relativas à 
concessão de benefícios previdenciários, é necessário o prévio requerimento 
administrativo do benefício, deixando assente que tal exigência é compatível 
com o art. 5º, XXXV, da CF e não se confunde com o exaurimento das vias 
administrativas, mas requer a sua utilização inicial. 
 
 
(VUNESP – Procurador Jurídico – Prefeitura de Várzea Paulista – SP – 2016) No que concerne 
ao controle judicial dos atos administrativos, é correto afirmar que o Brasil adota o Sistema: 
da Unidade de Jurisdição, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações 
constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação 
popular e ação civil pública. (questão adaptada)8 
 
8 Vide questão 11 
 
14 
Gabarito: Correto. Caro aluno, observe que a questão exigiu do examinando o conhecimento 
acerca do sistema de controle judicial utilizado pelo Brasil. Assim, necessário saber que o Brasil 
adotou o sistema de jurisdição única (sistema inglês), consagrando o denominado princípio da 
inafastabilidade da jurisdição. Assim, ainda que os litígios possam ser solucionados no âmbito 
administrativo, sempre poderá o administrado recorrer ao Poder Judiciário. 
 
 
1.3 Interpretação/hermenêutica do DireitoAdministrativo 
Interpretar é entender e atingir o sentido almejado pela legislação. Hermenêutica 
jurídica, por sua vez, é o ramo que estuda a melhor maneira de alcançar a finalidade almejada 
pelas normas, analisa a melhor interpretação para cada situação. Isso porque o direito não pode 
ser desconectado dos fatos e as disposições abstratas devem ser interpretadas a fim de garantir 
a justiça e a equidade. 
A Filosofia do Direito é a disciplina que estuda os princípios da hermenêutica. Assim, 
a interpretação do Direito Administrativo se sujeita ao conjunto de princípios e regras regidos 
pelo regime de direito público e, também, em alguns casos, às regras do Direito Privado. 
Hely Lopes Meirelles prevê três pressupostos9 aos quais devemos nos atentar para a 
melhor interpretação das normas de Direito Administrativo: 
 O reconhecimento de uma relação jurídica de desigualdade entre a 
Administração e os administrados: trata-se de uma relação vertical, tendo em 
vista que a Administração, como poder público, possui prerrogativas e posição 
de superioridade perante o particular. Este pressuposto decorre do princípio 
da supremacia do interesse público sobre o privado. 
 O reconhecimento de uma presunção de legitimidade dos atos da 
Administração: presume-se que os atos da Administração são verdadeiros e 
legítimos, pois possuem fé pública. No entanto, essa presunção é relativa, 
admitindo prova em contrário. 
 
9 Vide questão 10 
 
15 
 O reconhecimento dos poderes discricionários em favor da Administração: 
a atuação discricionária da Administração é possível quando há conveniência e 
oportunidade para decidir conforme o interesse público. No entanto, apesar da 
margem de liberdade para o juízo da Administração, esse poder é limitado pela 
legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e pelo controle judicial. Ademais, 
esses atos discricionários são previstos em algumas situações: a) quando há 
previsão legal; b) quando a lei não é capaz de descrever todas as formas de 
atuação da Administração; c) quando a lei prevê uma competência, mas não 
discrimina a forma de exercê-la. 
 
Apesar de a hermenêutica jurídica ser estudada com profundidade pela Filosofia do 
Direito, vamos fazer aqui um quadro esquemático para abordar noções quanto às teorias de 
interpretação, quanto à origem e quanto aos métodos de interpretação: 
 
 
16 
 
IN
TE
R
P
R
ET
A
Ç
Ã
O
 D
O
 D
IR
EI
TO
TEORIAS DE INTERPRETAÇÃO
Mens Lesgislatoris (subjetiva): 
busca compreender a vontade do 
legislador
Mens legis (objetiva): busca 
compreender a vontade da lei; essa 
teoria prevalece
ORIGEM DA INTERPRETAÇÃO
Autêntica: pelo próprio legislador
Judicial: pelos órgãos do Poder 
Judiciário
Doutrinária: pelos autores que 
elaboram doutrinas
MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO
Interpretação lógico-gramatical: 
busca compreender o significado 
das palavras da norma
Interpretação histórica: leva em 
consideração o contexto em que a 
norma foi elaborada
Interpretação sistemática: deve-se 
interpretar em conjunto com o 
sistema jurídico, único e harmônico
Interpretação teleológica: 
interpretação deve revelar a 
finalidade da norma
 
17 
Faz-se necessário pontuar, também, que, no momento da interpretação dos 
dispositivos normativos, a Administração Pública deve respeitar o princípio da segurança jurídica, 
os regulamentos já elaborados, as súmulas administrativas e respostas a consultas, que terão 
caráter vinculante, de acordo com o art. 30, caput e parágrafo único, da LINDB. 
Ainda, ocorrerão situações concretas que a Administração Pública não conseguirá 
resolver apenas através da interpretação dos dispositivos legais, tendo em vista que o 
ordenamento jurídico possui lacunas, pois não é possível ao legislador prever e englobar toda 
a complexidade inerente à vida em sociedade. 
Diante desses casos, devem ser utilizados instrumentos de integração do sistema 
jurídico, como a analogia, os costumes e os princípios gerais do Direito, consoante previsto no 
art. 4º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
QUADRO SINÓTICO 
ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
ESTADO 
A definição de Estado pode ser delineada como um povo situado em determinado 
território e sujeito a um governo. 
ESPÉCIES DE ESTADO 
Estado Liberal 
Estado Social 
Estado Democrático de Direito 
FUNÇÕES DO ESTADO 
Função Administrativa 
Função Legislativa 
Função Jurisdicional 
 
 
 
GOVERNO 
Juntamente com povo e território, o governo é um dos elementos do Estado. O 
governo (função política) possui agentes em seu comando que estabelecem metas e 
diretrizes de modo a direcionar a atividade administrativa, atuando de modo 
relativamente independente e discricionário. Nesse sentido, exerce a função política, 
que se caracteriza por ser uma atividade de planejamento, coordenação, direção. 
ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA 
A expressão “Administração Pública” pode ser empregada no sentido objetivo ou 
subjetivo. No aspecto subjetivo, são os órgãos públicos, pessoas jurídicas e agentes 
públicos que exercem atividade administrativa. No aspecto objetivo, significa a própria 
atividade administrativa. Ainda, a Administração atua de maneira mais neutra e 
técnica, mediante conduta hierarquizada, em obediência à lei ou à decisão política de 
Governo. Será mais bem estudada no Capítulo 04. 
SISTEMAS 
FRANCÊS 
O sistema francês ou sistema do contencioso administrativo, também chamado de 
sistema da dualidade de jurisdição, é aquele em que não se admite o controle judicial 
dos atos da Administração Pública. 
INGLÊS 
O sistema inglês também designado de sistema da unicidade de jurisdição, é aquele 
no qual todos os litígios, sejam eles administrativos ou privados, podem ser levados 
ao conhecimento do Poder Judiciário. 
 
19 
INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
TRÊS 
PRESSUPOSTOS 
PREVISTOS POR 
HELY LOPES 
MEIRELLES 
O reconhecimento de uma relação jurídica de desigualdade entre a Administração e 
os administrados 
O reconhecimento de uma presunção de legitimidade dos atos da Administração 
O reconhecimento dos poderes discricionários em favor da Administração 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÕES COMENTADAS 
Prezado aluno, uma vez que não existem muitas questões recentes acerca do tema, 
tornou-se necessário incluir questões de outros concursos, mas não há prejuízo ao 
aprendizado, haja vista que todas possuem comentários extremamente importantes para a 
fixação da matéria. 
Questão 1 
(QUADRIX – Agente Administrativo – CRMV – RN - 2019) Julgue o item a respeito dos 
conceitos de Estado, de governo e de Administração Pública. 
 
A dinâmica da separação dos Poderes no âmbito do Estado pressupõe uma preponderância no 
desempenho de certa função por certo Poder, mas não exclusividade. 
Comentário: 
Gabarito: Certo. O Estado possui três Poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário. O Executivo 
possui a principal função de administrar, o Legislativo de Legislar, e o Judiciário de exercer a 
Jurisdição, porém nenhum dos três poderes possui exclusividade sobre essas funções. 
OBS: Prezado(a) Aluno(a), as questões 1, 2, 4 e 10 não são especificamente voltadas para as 
Carreiras Jurídicas, mas julgamos importantes para a revisão das matérias. Ainda, haja vista não 
termos muitas questões desse tema introdutório, faz-se necessário pesquisar a forma de 
cobrança em um leque maior de provas para concurso público. 
Questão 2 
(QUADRIX – Agente Administrativo – CRMV – RN - 2019) Julgue o item a respeito dos 
conceitos de Estado, de governo e de Administração Pública. 
 
 
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A Administração Pública, em seu sentido subjetivo, contempla o conjunto de agentes, órgãos e 
pessoas jurídicas incumbido das atividades administrativas. 
 
Comentário: 
Gabarito: Certo. 
Sentido subjetivo, formal ou orgânico(estrutura) - Órgãos, Agentes e Entidades; 
Sentido objetivo, material ou funcional (atividades) - Serviços Públicos, Poder de Polícia, 
Fomento, Intervenção. 
Questão 3 
(MPE-SC – Promotor de Justiça - Matutina - 2016) Sinônimo de função de governo para a 
doutrina brasileira, a função administrativa consiste primordialmente na defesa dos interesses 
públicos, atendendo às necessidades da população, inclusive mediante intervenção na economia. 
Comentário: 
Gabarito: Errado. Função administrativa é diferente de função de governo. A função de governo 
engloba as atividades relacionadas a políticas públicas. Já a função administrativa consiste no 
dever do Estado, ou de quem atue em seu nome, em dar cumprimento a comandos normativos 
e realização de fins públicos. 
Questão 4 
(CONSULPLAN - 2019 - TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção) 
Reconhecida a existência de dois sistemas administrativos, quais sejam, francês e inglês, têm-se 
consolidados os moldes de um sistema de unicidade de jurisdição e outro de dualidade de 
jurisdição. No que diz respeito aos sistemas anteriormente mencionados, é correto afirmar que: 
A) O ordenamento jurídico pátrio veda a imposição de acesso a qualquer instância/órgão 
administrativo como pressuposto a pleitos judiciais. 
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/consulplan-2019-tj-mg-titular-de-servicos-de-notas-e-de-registros-remocao
 
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B) O sistema adotado no Brasil é o de dualidade de jurisdição, pelo qual se viabiliza o acesso a 
decisões administrativas não suscetíveis de revisão na esfera judiciária. 
C) Por corolário da unicidade de jurisdição, as decisões proferidas por órgãos administrativos 
fazem coisa julgada desde que alcançada a última instância de referida esfera. 
D) Pelo sistema de unicidade de jurisdição, todas as questões, inclusive de cunho administrativo, 
podem ser apreciadas pelo Judiciário, o que não impede que a própria Administração Pública 
solucione determinadas questões de natureza administrativa. 
Comentário: 
Gabarito: Letra D. 
O Brasil adota a jurisdição una (Sistema de Jurisdição Inglês): exercício da jurisdição reservado 
ao Poder Judiciário, a quem cabe, com exclusividade, aplicar o direito ao caso concreto com 
definitividade, com aptidão de formação de coisa julgada material. Assim, demonstra-se errada 
as alternativas “B” e “C”. 
Ademais, diante da garantia do amplo acesso ao Judiciário, não se pode exigir, em regra, o 
esgotamento da via administrativa para que aquele Poder analise e controle a atuação 
administrativa. Entretanto, temos exceções nas quais é necessário o litígio em via administrativa 
antes do acesso judicial. São estas exceções: (i) Justiça desportiva (art. 217, § 1º, CF/88); (ii) ato 
ou omissão administrativa que contrarie súmula vinculante, para sua submissão ao STF por meio 
da reclamação (art. 7º, §1º, da Lei Federal nº 11.417/2006); (iii) habeas data, que, conforme 
entendimento do Supremo, pressupõe o indeferimento ou a omissão administrativa em atender 
pedido de informações pessoais, (iv) Mandando de Segurança não é cabível quando for cabível 
também recurso administrativo com efeito suspensivo. Assim, está errada a letra “A”. 
Questão 5 
(FMP Concursos - 2014 - TJ-MT - Juiz) Em face da formação histórica do Direito Administrativo 
e do modelo de Estado vigente, é correto afirmar que: 
A) a noção de coisa julgada nas esferas administrativa e judicial tem a mesma dimensão e 
conteúdo. 
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fmp-concursos-2014-tj-mt-juiz
 
23 
B) as decisões proferidas por órgãos públicos de natureza superior não podem ser revistas pelo 
Poder Judiciário 
C) o processo administrativo somente pode ser instaurado mediante provocação do interessado, 
por representação escrita endereçada ao agente competente para a solução da controvérsia. 
D) o regime jurídico juspublicista, no todo ou em parte, somente pode ser aplicado às pessoas 
jurídicas de direito público. 
E) tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a 
Administração Pública, a atividade não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para 
a consecução de seus fins, de natureza pública. 
Comentário: 
Correta Letra E. 
A) Incorreta. Há uma diferença entre "coisa julgada administrativa" e "coisa julgada": a primeira 
não possui um grau de definitividade, ou seja, ainda que encerradas todas as instâncias 
administrativas, o processo poderá ser reapreciado pelo poder judiciário, em razão do Princípio 
da Inafastabilidade do Poder Judiciário, estampado no artigo 5º, XXXV, da CR/88, que decorre 
do sistema inglês que adotamos. 
B) Incorreta. As decisões proferidas por órgãos públicos de natureza superior podem, sim, ser 
revistas pelo Poder Judiciário, com base no Princípio da Inafastabilidade do Poder Judiciário, 
estampado no art. 5º, XXXV, da CRFB/88, que aduz que "a lei não excluirá da apreciação do 
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". 
C) Incorreta. O artigo 5º, da Lei 9.784/99, disciplina que o processo administrativo pode também 
ser iniciado de ofício. 
D) Incorreta. O regime jurídico juspublicista, pode ser aplicado às pessoas jurídicas de direito 
público e de direito privado. 
E) Correta, sendo, portanto, o gabarito da questão. A assertiva traz a definição de Direito 
Administrativo dada por Hely Lopes Meireles, que ressalta, sobretudo, a questão da finalidade, 
 
24 
ou seja, a busca pela consecução dos fins desejados pelo estado, misturada com a definição 
dada por Celso Antônio Bandeira de Mello, que relaciona o Direito Administrativo com a noção 
de função administrativa. 
 
Questão 6 
(VUNESP - 2009 - TJ-SP - Juiz) Compromissos republicanos, liberalismo político e econômico, 
proteção dos direitos individuais e, especialmente, independência da Administração Pública 
foram valores postos pela Revolução Francesa que, sob os influxos da teoria de Montesquieu, 
deram origem ao contencioso administrativo. 
À vista desses parâmetros, pode-se afirmar que 
A) no Brasil, adota-se o sistema da jurisdição única visando dar efetivo cumprimento ao regime 
jurídico-constitucional de proteção e garantia dos direitos individuais contra abuso ou arbítrio 
do Estado. 
B) a instalação do Conselho Nacional de Justiça significa a introdução do contencioso 
administrativo no sistema jurídico-administrativo brasileiro com o efeito de impedir o abuso ou 
arbítrio dos juízes. 
C) os Tribunais de Contas produzem decisões com a qualidade de definitivas, própria do sistema 
do contencioso administrativo. 
D) o sistema do contencioso administrativo é o que melhor atende ao atual conceito de Estado 
Democrático de Direito porque coloca o Estado, no plano jurisdicional judicial, em pé de 
igualdade com o particular. 
Comentário: 
Gabarito: Letra A. 
 
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Letra A: Correta. A alternativa A está correta, sendo, deste modo, o gabarito da questão. Como 
já dito, o Brasil adotou o sistema inglês de jurisdição única ou sistema de controle judicial, no 
qual todos os litígios (administrativos ou particulares) são resolvidos definitivamente no Poder 
Judiciário, com base no princípio da inafastabilidade da jurisdição, previsto no art. 5º, XXXV, da 
CRFB/88. 
Letra B: Incorreta. O Brasil não segue o sistema do contencioso administrativo. O CNJ é órgão 
do Poder Judiciário que tem como função a fiscalização administrativa, financeira e correicional. 
Letra C: Incorreta. Inexiste o sistema do contencioso administrativo no Brasil, visto que seguimos 
o sistema da unidade da jurisdição. A definitividade é relativa, pois existem ressalvas apenas no 
concernente às competências específicas dos Tribunais de Contas, por serem órgão técnicos e 
específicos. O fato de os órgãos administrativos expedirem decisões definitivas, não implica dizer 
que esta decisão não é passível de revisão pelo judiciário, já que aquelas decisões nãofazem 
coisa julgada em sentido próprio. 
Letra D: Incorreta. O sistema uno de jurisdição coloca a Administração em pé de igualdade com 
o particular, tendo em vista que a Administração irá figurar como parte no processo, submetida 
a um juiz que aplicará o direito para decidir o litígio. 
Questão 7 
(FCC - 2014 - MPE-PE - Promotor de Justiça) Em sua formação, o Direito Administrativo 
brasileiro recebeu a influência da experiência doutrinária, legislativa e jurisprudencial de vários 
países, destacando-se especialmente a França, considerada como berço da disciplina. No rol de 
contribuições do Direito Administrativo francês à prática atual do Direito Administrativo no Brasil, 
NÃO é correto incluir 
A) a adoção de teorias publicísticas em matéria de responsabilidade extracontratual das 
entidades estatais. 
B) a adoção do interesse público como eixo da atividade administrativa. 
C) a ideia de exorbitância em relação ao direito comum, aplicável aos particulares. 
 
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D) a teoria do desvio de poder. 
E) o sistema de contencioso administrativo. 
Comentário: 
Gabarito: Letra E. 
A assertiva E é o gabarito da questão e sua justificativa esclarece o erro das demais alternativas. 
Ensina Alexandre Mazza, que o contencioso administrativo se caracteriza pela repartição da 
função jurisdicional entre o Poder Judiciário e tribunais administrativos. Nos países que adotam 
tal sistema, o Poder Judiciário decide as causas comuns, enquanto as demandas que envolvam 
interesse da Administração Pública são julgadas por um conjunto de órgãos administrativos 
encabeçados pelo Conselho de Estado. O modelo do contencioso administrativo não tem 
qualquer paralelo com órgãos e estruturas atualmente existentes no Brasil. É bom lembrar que 
no sistema francês as decisões proferidas pelos tribunais administrativos não podem ser 
submetidas à apreciação pelo Poder Judiciário. É bastante diferente do que ocorre com os 
tribunais administrativos brasileiros, por exemplo, o Conselho de Contribuintes (segunda 
instância administrativa do Fisco). 
No Brasil, as decisões dos tribunais administrativos sempre estão sujeitas a controle judicial. 
Assim, constitui grave erro referir-se a qualquer modalidade de contencioso administrativo em 
nosso país. Aqui, não há dualidade de jurisdição. 
Questão 8 
(CONPASS – Procurador Jurídico – Prefeitura de Serra Negra do Norte – RN – 2013) Sobre 
o Direito Administrativo, marque a alternativa correta: 
A) No Brasil, a Jurisdição é dual havendo previsão de que dois órgãos se manifestem de forma 
definitiva sobre o Direito 
B) São princípios basilares do Direito Administrativo: supremacia do interesse público sobre o 
particular e disponibilidade do interesse público 
 
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C) O Direito Administrativo integra o ramo do Direito Público, cuja principal característica 
encontramos no fato de haver uma igualdade jurídica entre cada uma das partes envolvidas, ou 
seja, a Administração Pública se encontra no mesmo patamar que o particular 
D) Regime jurídico administrativo é o conjunto das regras que buscam atender aos interesses 
públicos 
E) É ramo do direito privado 
Comentário: 
Gabarito: Letra D. 
Letra A: Incorreta. O sistema adotado pelo nosso ordenamento é o sistema de jurisdição una 
ou sistema inglês e não o sistema dual (ou sistema francês). Desse modo, somente o Judiciário 
diz o direito de forma definitiva. 
Letra B: Incorreta. Os princípios basilares do direito administrativo são supremacia do interesse 
público e indisponibilidade do interesse público, ao invés de disponibilidade do interesse 
público, como diz a questão. 
Letra C: Incorreta. A relação entre a Administração Pública e o particular é vertical. Assim, o 
Estado situa-se, quando atuando no interesse público, em posição de superioridade jurídica ante 
ao particular. 
Letra D: Correta. Regime jurídico administrativo é o regime de direito público aplicável aos 
órgãos e entidades que compõem a administração pública, e à atuação dos agentes 
administrativos em geral. 
Letra E: Incorreta. O Direito Administrativo é ramo do direito público. 
Questão 9 
(VUNESP – Procurador Jurídico – Prefeitura de Várzea Paulista – SP – 2016) No que concerne 
ao controle judicial dos atos administrativos, é correto afirmar que o Brasil adota o Sistema: 
 
28 
A) do Contencioso Administrativo, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações 
constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação 
popular e ação civil pública 
B) do Contencioso Administrativo, podendo ser unicamente corretivo e decorrente de ações 
constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação 
popular e ação civil pública 
C) Misto (Contencioso Administrativo e Unidade de Jurisdição), podendo ser preventivo ou 
corretivo e decorrente de ações constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de 
segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública 
D) da Unidade de Jurisdição, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações 
constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação 
popular e ação civil pública 
E) da Unidade de Jurisdição, podendo ser unicamente corretivo e decorrente de ações 
constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação 
popular e ação civil pública 
Comentário: 
Gabarito: Letra D. 
O Brasil adotou o sistema de jurisdição única (sistema inglês), consagrando o denominado 
princípio da inafastabilidade da jurisdição. Assim, ainda que os litígios possam ser solucionados 
no âmbito administrativo, sempre poderá o administrado recorrer ao Poder Judiciário. 
Tendo em vista que adotamos o Sistema da Unidade de Jurisdição, já percebemos que as letras 
A, B e C da questão estão incorretas. Ainda, o controle judicial brasileiro pode ser de natureza 
preventiva ou repressiva, ou seja, pode atuar sobre projeto de lei ou a partir da própria lei já 
elaborada. 
Questão 10 
 
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(INSTITUTO AOCP – Escrivão de Polícia –PC/ES – 2019) Ao tratarmos de Regras de Direito 
Administrativo, é importante considerar que o Direito Administrativo, por ser um ramo do Direito 
Público, não se adequa a todos os princípios da hermenêutica do Direito Privado. Assim, para 
interpretá-lo, é indispensável observar alguns pressupostos diretamente ligados a esse ramo do 
Direito. Dentre esses pressupostos, está a: 
A) igualdade jurídica entre a Administração Pública e os administrados, sem prevalência de 
interesses de um ou de outro 
B) presunção absoluta de legitimidade dos atos da Administração Pública 
C) inviabilidade de discricionariedade na prática rotineira das atividades da Administração 
Pública 
D) necessidade de poderes discricionários para a Administração atender ao interesse público 
E) sobreposição do interesse privado, ou seja, dos administrados, sobre o interesse público 
Comentário: 
Gabarito: Letra D. 
Letra A: Incorreta. Não há igualdade nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os 
administrados, trata-se de uma relação vertical, haja vista as prerrogativas do Poder Público. 
Letra B: Incorreta. A presunção de legitimidade dos atos administrativos é relativa, admitindo 
prova em contrário. 
Letra C: Incorreta. A Administração goza do poder discricionário para atender ao interesse 
público, quando a) há previsão legal; b) a lei não é capaz de descrever todas as formas de 
atuação da Administração; c) a lei prevê uma competência, mas não discrimina a forma de 
exercê-la 
Letra D: Correta. Vide comentário da letra C. 
Letra E: Incorreta. Há sobreposição do direito público sobre o privado e não o contrário. 
 
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GABARITO 
 
Questão 1 - CERTO 
Questão 2 - CERTO 
Questão 3 - ERRADO 
Questão 4 - D 
Questão 5 - E 
Questão 6 - A 
Questão 7 - E 
Questão 8 - D 
Questão 9 - D 
Questão 10 - D 
 
 
 
 
 
31QUESTÃO DESAFIO 
Conceitue o Direito Administrativo, apontando o que o diferencia 
do regime de direito privado. 
Responda em até 5 linhas 
 
32 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO 
Trata-se de ramo do Direito Público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas 
jurídicas administrativas que integram a Administração Pública e os bens de que se utiliza 
para a consecução dos fins públicos. Diferencia-se do direito privado porque este visa a 
consecução de interesse particular. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Órgãos, agentes e bens para consecução de fins públicos 
O Direito Administrativo é um dos ramos do Direito Público, uma vez que rege a 
organização e o exercício de atividades do Estado e se direciona na busca dos interesses da 
coletividade, visando sempre a realização dos fins públicos e com foco na supremacia do 
interesse público. 
Marçal Justen Filho estabelece que "O Direito Administrativo é o conjunto das 
normas jurídicas de direito público que disciplinam as atividades administrativas necessárias à 
realização dos direitos fundamentais e a organização e o funcionamento das estruturas estatais 
e não estatais encarregadas de seu desempenho.". Nunca é o suficiente repetir a leitura do 
caput do art. 37 da CF/88, pois esse artigo é definidor de todas as bases da Administração 
Pública, vejamos: 
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" 
Reforçando a conceituação deste ramo do direito, a Profa. Maria Sylvia Zanella Di Pietro, 
por sua vez, define o Direito Administrativo como "o ramo do direito público que tem por objeto 
os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a administração pública, a 
atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de 
seus fins de natureza pública". 
Note que adotamos aqui na questão o conceito de Maria Sylvia pois a doutrinadora é 
muito utilizada como doutrina base de bancas tradicionais. 
 
33 
Como se pode notar, e o professor Matheus Carvalho diz isso expressamente, a definição 
do que é o Direito Administrativo não é unânime na doutrina e enseja algumas divergências 
entre os estudiosos da matéria. 
PIETRO, Maria Sylvia Zanella di. Direito Administrativo. São Paulo: Editora Atlas, 21ª ed. 2008 
JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 
292. 
 Direito privado relações entre particulares 
Nas relações de direito público, o Estado encontra-se quase sempre em posição de 
vantagem jurídica em relação ao particular, subordinando os interesses deste último aos 
interesses de toda a sociedade - ou seja, ao interesse público, representado pelo ente estatal 
na relação jurídica. Observe as cláusulas exorbitantes dos contratos administrativos que 
permitem que a supremacia do interesse público deixe o Estado numa posição de maiores 
poderes com relação à outra parte do contrato. 
Revise o teor do art.58 da Lei n. 8666/93: 
Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à 
Administração, em relação a eles, a prerrogativa de: 
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse 
público, respeitados os direitos do contratado; 
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79 desta Lei; 
III - fiscalizar-lhes a execução; 
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste; 
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal 
e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de acautelar 
apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de 
rescisão do contrato administrativo. 
Integram o ramo do direito público o Direito Constitucional, o Direito Tributário, o Direito 
Penal, o Direito Processual Civil e o Direito Administrativo, entre outros. Nessa obra, nos cabe 
analisar a disciplina relacionada ao Direito Administrativo. 
De outra banda, o Direito Privado tem por escopo a regulação dos interesses dos 
particulares, tutelando as relações travadas entre as partes como forma de possibilitar o convívio 
 
34 
das pessoas em sociedade e a harmoniosa fruição e utilização de seus bens. Segundo Matheus 
Carvalho, o direito privado tem como característica básica as suas normas supletivas, que podem 
ser afastadas ou modificadas por acordo das partes interessadas. Ademais, o direito privado se 
baseia na igualdade jurídica entre as pessoas tratadas nas relações por ele regidas. 
CARVALHO, Matheus. Manual de direto administrativo - 4. ed. rev. ampl. e atual. - Salvador: 
JusPODIVM, 2017. P.37. 
 
 
35 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
 Nesta seção, iremos indicar a legislação correlata ao assunto estudado. Nesse sentido, 
denota-se importante uma leitura atenta das normas acerca do exaurimento das vias 
administrativas ou sua utilização inicial como requisito, haja vista ser uma espécie de exceção e, 
por isso, ser cobrada em provas de concurso público. 
 A legislação compilada consta a seguir: 
JURISDIÇÃO ÚNICA (SISTEMA INGLÊS) - PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE 
DE JURISDIÇÃO: 
 CRFBF/88: art. 5º, inciso XXXV. 
 
EXAURIMENTO DAS VIAS ADMINISTRATIVAS OU SUA UTILIZAÇÃO INICIAL 
COMO REQUISITO: 
1. Justiça Desportiva: 
 CRFBF/88: art. 217, §1° 
2. Ato ou omissão administrativa que contrarie Súmula Vinculante: 
 Lei 11.417/2006: art. 7º, §1° 
3. Habeas Data: 
 Lei 9.507/1997: art. 8º, parágrafo único 
 
CARÁTER VINCULANTE DAS SÚMULAS ADMINISTRATIVAS E RESPOSTAS A 
CONSULTAS: 
 LINDB: art. 30, caput e parágrafo único 
 
INTEGRAÇÃO DO SISTEMA JURÍDICO: ANALOGIA, COSTUMES, PRINCÍPIOS 
GERAIS DO DIREITO: 
 LINDB: art. 4º 
 
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JURISPRUDÊNCIA 
EXAURIMENTO DAS VIAS ADMINISTRATIVAS OU SUA UTILIZAÇÃO 
INICIAL COMO REQUISITO: 
1. Ações contra o INSS acerca de benefícios previdenciários: 
 
 STF, RE 631240, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 03/09/2014, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-220 DIVULG 07-11-2014 PUBLIC 10-
11-2014 RTJ VOL-00234-01 PP-00220 
 
TEMA 350: PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO COMO CONDIÇÃO PARA O ACESSO AO 
JUDICIÁRIO 
TESE: I - A concessão de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, não 
se caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, 
ou se excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver, no entanto, que a exigência de prévio 
requerimento não se confunde com o exaurimento das vias administrativas; II – A exigência de 
prévio requerimento administrativo não deve prevalecer quando o entendimento da Administração for 
notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado; III – Na hipótese de pretensão de revisão, 
restabelecimento ou manutenção de benefício anteriormente concedido, considerando que o INSS tem 
o dever legal de conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido poderá ser formulado 
diretamente em juízo – salvo se depender da análise de matéria de fato ainda não levada ao 
conhecimento da Administração –, uma vez que, nesses casos, a conduta do INSS já configura o não 
acolhimento ao menos tácito da pretensão; IV – Nas ações ajuizadas antes da conclusão do julgamento 
do RE 631.240/MG (03/09/2014) que não tenham sido instruídas por prova do prévio requerimento 
administrativo, nas hipóteses em que exigível, será observado o seguinte: (a) caso a ação tenha sido 
ajuizada no âmbito de Juizado Itinerante, a ausência de anterior pedido administrativo não deverá 
implicar a extinção do feito; (b) caso o INSS já tenha apresentado contestação de mérito, está 
caracterizado o interesse em agir pelaresistência à pretensão; e (c) as demais ações que não se 
enquadrem nos itens (a) e (b) serão sobrestadas e baixadas ao juiz de primeiro grau, que deverá intimar 
o autor a dar entrada no pedido administrativo em até 30 dias, sob pena de extinção do processo por 
falta de interesse em agir. Comprovada a postulação administrativa, o juiz intimará o INSS para se 
 
37 
manifestar acerca do pedido em até 90 dias. Se o pedido for acolhido administrativamente ou não 
puder ter o seu mérito analisado devido a razões imputáveis ao próprio requerente, extingue-se a 
ação. Do contrário, estará caracterizado o interesse em agir e o feito deverá prosseguir; V – Em todos 
os casos acima – itens (a), (b) e (c) –, tanto a análise administrativa quanto a judicial deverão levar em 
conta a data do início da ação como data de entrada do requerimento, para todos os efeitos legais. 
Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF, 
realizada em 09/12/2015. 
 
Comentário: Estudamos que, em alguns casos, é possível exigir do particular o exaurimento das 
vias administrativas ou a sua utilização antes do ajuizamento de ação no Poder Judiciário. Desse 
modo, nas ações contra o INSS, acerca de benefícios previdenciários, é necessário que seja 
caracterizado o interesse de agir, conforme Tese do STF fixada em sede de Repercussão Geral. 
Isso se dá justamente com o requerimento do benefício pela via administrativa anteriormente 
ao pedido judicial, deixando assente que tal exigência é compatível com o art. 5º, XXXV, da CF 
e não se confunde com o exaurimento das vias administrativas, mas requer a sua prévia 
utilização. 
 
2. Habeas Data: 
 
 RHD 22, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, 
julgado em 19/09/1991, DJ 01-09-1995 PP-27378 EMENT VOL-01798-01 PP-00001 
 
E M E N T A: HABEAS DATA - NATUREZA JURÍDICA - REGIME DO PODER VISÍVEL COMO PRESSUPOSTO 
DA ORDEM DEMOCRÁTICA - A JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL DAS LIBERDADES - SERVIÇO NACIONAL 
DE INFORMAÇÕES (SNI) - ACESSO NÃO RECUSADO AOS REGISTROS ESTATAIS - AUSÊNCIA DO 
INTERESSE DE AGIR - RECURSO IMPROVIDO. - A Carta Federal, ao proclamar os direitos e deveres 
individuais e coletivos, enunciou preceitos básicos, cuja compreensão é essencial a caracterização da 
ordem democrática como um regime do poder visível. - O modelo político-jurídico, plasmado na nova 
ordem constitucional, rejeita o poder que oculta e o poder que se oculta. Com essa vedação, pretendeu 
o constituinte tornar efetivamente legítima, em face dos destinatários do poder, a prática das 
 
38 
instituições do Estado. - O habeas data configura remédio jurídico-processual, de natureza 
constitucional, que se destina a garantir, em favor da pessoa interessada, o exercício de pretensão 
jurídica discernível em seu tríplice aspecto: (a) direito de acesso aos registros; (b) direito de retificação 
dos registros e (c) direito de complementação dos registros. - Trata-se de relevante instrumento de 
ativação da jurisdição constitucional das liberdades, a qual representa, no plano institucional, a mais 
expressiva reação jurídica do Estado às situações que lesem, efetiva ou potencialmente, os direitos 
fundamentais da pessoa, quaisquer que sejam as dimensões em que estes se projetem. - O acesso ao 
habeas data pressupõe, dentre outras condições de admissibilidade, a existência do interesse de 
agir. Ausente o interesse legitimador da ação, torna-se inviável o exercício desse remédio 
constitucional. - A prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, 
ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse 
de agir no habeas data. Sem que se configure situação prévia de pretensão resistida, há carência 
da ação constitucional do habeas data. 
 
Comentário: Esse julgado é antigo, mas é mencionado até hoje e explica claramente a natureza 
e função do habeas data, bem como os requisitos para a sua impetração, conforme estudamos 
acima e conforme previsto na Lei 9.507/1997: art. 8º, parágrafo único. 
 
 
INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO – 
ANALOGIA: 
 RE 234068/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 19.10.2004. (RE-234068) – INFO 366 STF 
Servidor Público. Aposentadoria. Férias Proporcionais. Lei Superveniente. Analogia. A Turma negou 
provimento ao recurso extraordinário interposto contra acordão do Tribunal de Justiça do Distrito 
Federal que mantivera sentença de primeiro grau e reconhecera a servidora pública, quando de sua 
aposentadoria, o direito ao recebimento de férias proporcionais e de seu respectivo adicional de um 
terço (CF, art. 7o, XVII), mediante a aplicação, por analogia, do § 3o do art. 78 da Lei 8.112/90 ("O 
servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comissão, perceberá indenização relativa ao período das 
férias a que tiver direito e ao incompleto,..."). Sustentava a recorrente que, por ter a recorrida se 
aposentado antes da vigência das leis que autorizaram a indenização de férias proporcionais, o 
acordão, ao deferir-lhe esse direito, negara vigência ao art. 6o da LICC e conferira efeito retroativo ao 
 
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art. 14 da Lei distrital 159/90, bem como ao art. 78 da Lei 8.112/90, ofendendo, por conseguinte, os 
artigos 5o, II e XXXVI, e 7o, XVII, da CF. Entendeu-se, com base em precedente do STF, que não havia 
que se falar em ofensa ao princípio da legalidade nem ao do direito adquirido se a decisão que 
condenara a Administração Pública ao pagamento de férias proporcionais ao servidor que se 
aposentara se fundara em aplicação analógica de lei superveniente em perfeita consonância com a CF 
(art. 40, §4º, 2ª parte - atual §8º). Concluiu-se, ainda, não ter havido violação ao art. 7o, XVII, da CF, 
já́ que "se há indenização é porque as férias, completas ou proporcionais, não foram gozadas, é certo 
que deve ser integral, ou seja, abrangendo também o adicional de 1/3". Precedentes citados: RREE 
202626/DF e 196569/DF (DJU de 29.11.2002). RE 234068/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 19.10.2004. 
(RE-234068) 
 
Comentário: A partir do entendimento do STF, é possível depreender que o Direito 
Administrativo admite a aplicação da analogia, sem que isso viole o princípio da legalidade. Em 
verdade, não se trata de interpretação do Direito, mas de integração. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CARVALHO FILHO, JOSÉ DOS SANTOS. MANUAL DE DIREITO ADMINISTRATIVO. 32 ED. SÃO PAULO: ATLAS, 
2018. 
 
CARVALHO, MATHEUS. MANUAL DE DIREITO ADMINSITRAVO. 4 ED. SALVADOR: JUSPODIVM, 2017. 
 
OLIVEIRA, RAFAEL CARVALHO REZENDE. CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO. 6 ED. RIO DE JANEIRO: 
FORENSE; SÃO PAULO: MÉTODO, 2018. 
 
DI PIETRO, MARIA SYLVIA ZANELLA. DIREITO ADMINISTRATIVO. 32. ED. REV. ATUAL E AMPL. – RIO DE JANEIRO: 
FORENSE, 2019. 
 
MEIRELES, HELY LOPES. DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO. 29 ED. SÃO PAULO: MALHEIROS, 2003. 
 
 
 
	DIREITO ADMINISTRATIVO
	Capítulo 1
	1. Introdução ao Direito Administrativo
	1.1 Estado, Governo e Administração Pública
	1.1.1 Estado
	1.1.1.1 Conceito de Função Administrativa e distinção das demais funções estatais
	1.1.2 Governo
	1.1.3 Administração Pública
	1.2 Sistemas de controle (francês e americano)
	1.2.1 Sistema Francês
	1.2.2 Sistema Inglês
	1.3 Interpretação/hermenêutica do Direito Administrativo
	QUADRO SINÓTICO
	QUESTÕES COMENTADAS
	GABARITO
	QUESTÃO DESAFIO
	GABARITO QUESTÃO DESAFIO
	LEGISLAÇÃO COMPILADA
	JURISPRUDÊNCIA
	MAPA MENTAL
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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