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Na segunda metade do século XIX, em uma sociedade 
transformada pelas descobertas da ciência e pela revolução 
das máquinas, a razão toma o lugar dos sentimentos na produção 
literária. Na poesia, o impacto dessa mudança é profundo. Depois 
de se inspirarem por décadas nas emoções, os poetas passam a 
privilegiar a perfeição da forma. Essa tendência deu origem a uma 
nova estética, o Parnasianismo. Você vai conhecê-la neste capítulo.
 1. O que mais chama a atenção nessa imagem? Explique.
 2. Explique a composição da imagem.
O que você acha que o artista valorizou mais: o detalhe ou o conjunto ff
da obra? Justifique.
 3. O que essa composição e, em especial, o uso de muitas formas circu-
lares — nas flores, na ornamentação do vestido — sugerem?
 4. O cuidado com o detalhe e com o rebuscamento verbal aparecerá, no 
fim do século XIX, associado à poesia parnasiana. Observe.
 
A arte
Sim, a obra sai mais bela
Numa forma ao trabalho
 Rebelde, 
Verso, ônix, pedra, esmalte.
 [...]
Rejeita, estatuário,
A argila que teu dedo
 Modela,
Quando a alma está distante;
Luta com o carrara, 
Com o mármore duro
 E raro,
Guardas das linhas puras;
 [...]
Com a mão delicada
Segue no cristalino
 Filão
O apolíneo perfil.
Pintor, foge à aquarela
E a cor mais vacilante
 Esmalta
No forno do artesão.
Faz sereias azuis
Torcendo de mil formas
 As caudas,
Os monstros dos brasões.
[...]
Tudo passa e somente
É eterna a arte robusta;
 O busto
Sobrevive à cidade.
[...]
Até os deuses morrem
E os versos soberanos
 Perduram
Mais fortes que o bronze.
Lima, esculpe, cinzela;
Que o teu sonho ligeiro
 Se entranhe
No bloco resistente.
GAUTIER, Théophile. In: VEIGA, Cláudio (Org.). Antologia da poesia francesa (do século IX 
ao século XX). 2. ed. ampliada. Rio de Janeiro: Record, 1999. p. 177-181. (Fragmento).
a) Embora sejam mencionados no poema o estatuário e o pintor, não é 
só a eles que o eu lírico se dirige. A quem então ele se dirige?
O artista tcheco Alphon-
se Maria Mucha (1860- 
-1939) foi uma das perso-
nalidades mais multiface-
tadas da virada do século 
XIX para o XX. Sua obra 
confunde-se com um estilo 
que ele ajudou a definir e a 
divulgar: o art nouveau. De-
nominado “arte nova”, esse 
estilo buscava romper com a 
esterilidade da Era Industrial 
por meio do rebuscamento, 
da valorização da forma, da 
ênfase na ornamentação. 
As linhas retas herdadas da 
arte clássica foram abando-
nadas pela fluidez dos traços 
sinuosos e curvos, que se 
tornaram a marca registrada 
do art nouveau. 
 MUCHA, A. Autorretrato. 
1907. Óleo sobre tela, 
28,5 3 44 cm.
Estatuário: pessoa que faz 
estátuas.
Carrara: tipo de mármore 
encontrado na cidade de Carrara, 
na Itália.
Apolíneo: belo como o deus 
grego Apolo. 
Cinzela: trabalhe com o cinzel 
(instrumento manual que tem na 
ponta uma lâmina de metal usada 
para entalhar, esculpir, cortar 
ou gravar materiais duros). No 
poema, cinzelar tem o sentido de 
burilar, aperfeiçoar os versos.
Leitura da imagem
Da imagem para o texto
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b) Na 3a e na 4a estrofes, qual é a recomendação do eu lírico para o artista 
que for esculpir o mármore?
c) A partir dessa recomendação, conclua: qual poderia ser, para o eu lírico, 
a função do artista?
 5. Que orientações o eu lírico apresenta ao pintor, na 5a e na 6a estrofes?
a) Com base nessas recomendações, que visão de arte pode ser identifi-
cada nessas estrofes? 
b) Observe a imagem de abertura. Podemos identificar nela uma visão 
de arte semelhante à que encontramos no poema? Explique.
 6. Nas estrofes finais, o eu lírico apresenta um motivo para defender a 
importância da produção de arte. Qual é ele?
a) De que maneira a literatura aparece simbolizada nessas estrofes?
b) A leitura do poema permite concluir que a literatura é vista como as 
outras artes? Justifique.
c) Na última estrofe, a comparação entre o caráter ligeiro do sonho e o 
caráter resistente do bloco pode também ser considerada uma justi-
ficativa para o trabalho do artista. Que justificativa seria essa?
O Parnasianismo: 
a “disciplina do bom gosto”
Nos Capítulos 19 e 20, acompanhamos as transformações no contexto 
social e econômico e na produção literária da segunda metade do século XIX. 
Os romances realistas e naturalistas e a poesia parnasiana são manifestações 
literárias dessa mudança. Na poesia, a transformação será mais radical. 
Ela foi, durante décadas, o espaço privilegiado para a expressão das emo-
ções humanas. Em nome da expressão de sentimentos e dos estados de alma, 
os românticos haviam abandonado os rigores formais na composição dos poe-
mas. Este será o primeiro aspecto a ser atacado pela reação antirromântica. 
Em 1866, alguns poetas franceses, como Théophile Gautier e Leconte 
de Lisle, publicam uma antologia de poemas intitulada O Parnaso contem-
porâneo, em que defendem a necessidade de tratar os temas poéticos de 
modo mais objetivo, pondo fim às “lamúrias” românticas. 
O título da obra faz referência a uma montanha da Grécia — o Parnaso —, 
que seria a morada do deus Apolo e das musas inspiradoras dos artistas. 
Com essa escolha, os poetas franceses procuravam resgatar a visão de arte 
como sinônimo de beleza formal alcançada por meio do trabalho cuidadoso 
e detalhista. Nascia, assim, o Parnasianismo. Para Gautier, a arte não existe 
para a humanidade, para a sociedade ou para a moral, mas para si mesma. A 
finalidade da arte seria, portanto, a própria arte. 
O projeto literário 
do Parnasianismo
O objetivo declarado dos poetas parnasianos era um só: devolver a beleza 
formal à poesia, eliminando o que consideravam os excessos sentimentalis-
tas românticos que comprometeriam a qualidade artística dos poemas. 
Na base desse projeto estava a crença de que a função essencial da arte 
era produzir o belo. O lema adotado pelos parnasianos — a arte pela arte — 
traduz essa crença. 
Projeto literário do 
Parnasianismo
Arte pela arte
Perfeição formal
Olhar impessoal para o 
objeto do poema
O poeta, romancista, dra-
maturgo e crítico literário 
Théophile Gautier (1811- 
-1872) nasceu em Tarbes, 
mas passou quase toda a sua 
vida em Paris. Defensor da 
arte pela arte, adotou como 
princípio que a missão da arte 
é ser bela. Abandonou assim o 
lirismo arrebatado dos român-
ticos para investir no trabalho 
com a forma poética. 
 Théophile Gautier, 
c. 1860-1870. 
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Os agentes do discurso
Como vimos, desde o início do Romantismo, a circulação dos textos 
literários era feita principalmente nos jornais e periódicos. Muitos de nos-
sos escritores mais populares escreviam nos jornais e, assim, tornavam- 
-se conhecidos do público. Os leitores, familiarizados com esses autores, 
transformavam-se em público fiel. 
A publicação dos poemas também era feita nos jornais, mas acabava 
tendo uma outra forma de circulação importante: a memória dos leitores. 
Os versos considerados mais bonitos eram logo decorados e citados na 
primeira oportunidade. 
Alguns cronistas da época contam que, quando Olavo Bilac passava 
pela Rua do Ouvidor, a mais movimentada do centro do Rio, podiam-se ouvir 
alguns passantes recordando versos como “Quando uma virgem morre uma 
estrela aparece” ou, os mais conhecidos e preferidos, “Pois só quem ama 
pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas”. 
O Parnasianismo e o público•	
É possível identificar as características do público do Parnasianismo a 
partir de uma explicação, elaborada pelo crítico Nestor Vitor, em 1902, para 
justificar a grande admiraçãodo público pelos poemas de Olavo Bilac. Ele 
afirmava que Bilac correspondia aos ideais da sociedade para a qual escre-
via. Representava o brasileiro médio, “lendo livros quase sempre ligeiros, 
revistas leves, fazendo crônicas para ganhar algum dinheiro e, no mais, 
flanando com alguns amigos, frequentando cafés e teatros, deitando-se 
tarde, levantando-se tarde igualmente”. 
A elite brasileira não buscava textos profundos. O que ela queria — e 
encontrava principalmente nos versos de Bilac — era a palavra de efeito, a 
rima trabalhada, o ritmo candente.
O modelo parnasiano
Os parnasianos adotam alguns princípios que orientam a seleção de 
temas e os modelos literários a serem seguidos.
• pção por uma poesia descritiva uso de ima ens que apresentem de 
modo mais imparcial fenômenos naturais, fatos históricos.
• reocupação com a técnica o metro o ritmo a rima todos os elementos 
devem ser harmonizados de modo a contribuir para a perfeição formal.
• entativa de manter uma postura impass vel diante do o eto do poe
ma, para não cometer o excesso sentimentalista dos românticos.
• Res ate de temas da Anti uidade cl ssica re er ncias mitolo ia e 
a personagens históricas).
• e esa da arte pela arte a poesia deveria ser composta como um 
fim em si mesma.
• usca da palavra e ata que muitas vezes eirava o preciosismo
Não devemos, porém, confundir Parnasianismo com impassibilidade. A 
“objetividade” parnasiana era, por vezes, tocada por um sentimento maior, que 
acabava por aproximar os poetas parnasianos dos românticos tardios. Veja o 
que disse, sobre isso, Olavo Bilac.
[...] Nenhum dos poetas da nova geração quer fazer do verso um instrumento sem 
vida; nenhum deles quer transformar a Musa num belo cadáver. O que eles não querem 
é que a Vênus grega seja coxa e desajeitada e faça caretas em vez de sorrir. [...]
BILAC, Olavo. In: CASTELLO, José Aderaldo. A literatura brasileira: origens e unidade. 
São Paulo: Edusp, 1999. v. 1, p. 299-300. (Fragmento).
......................................................................
Apesar de os poetas brasileiros não adotarem a impassibilidade fran-
cesa, o cuidado com a criação de versos perfeitos definiu a estética par-
nasiana no Brasil.
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Entra em operação a 
ferrovia Rio-São Paulo.
Publicação de Sinfonias, 
de Raimundo Correia.
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Publicação de Poesias, de 
Olavo Bilac.
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01
Fundação da Academia 
Brasileira de Letras. 
O brasileiro Alberto Santos- 
-Dumont contorna a Torre 
Eiffel com um di rigível. 
O casal Pierre e Marie 
Curie descobre o 
elemento químico rádio.
18
79
Admissão de mulheres 
no ensino superior 
brasileiro.
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19
03
O militar Cândido 
Rondon inicia a 
instalação de linhas 
telegráficas no interior 
do Brasil.
Foto de Cândido Rondon, 
c. 1907.
Os irmãos Wilbur e Orville 
Wright fazem um voo com 
um aparelho mais pesado 
do que o ar.
Osvaldo Cruz torna-se 
diretor da Saúde Pública 
para erradicar doenças 
que dizimam a população 
brasileira: febre amarela, 
varíola e peste bubônica.
Os irmãos Wilbur e 
Orville Wright com o 
aparelho mais pesado 
que o ar, 1909.
19
14
Início da Primeira Guerra 
Mundial. 
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