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COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 1 SEGURANÇA DO TRABALHO TREINAMENTO PARA MEMBROS DA CIPA - E COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO NR 5 CIPA Portaria MTP nº 422, de 07 de outubro de 2021 Lei 14.457 de 21 de setembro de 2022 PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL SEM AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 2 INTRODUÇÃO Nosso treinamento tem como finalidade educar para prática de Segurança do Trabalho. Assim, sabemos da necessidade de se implantar uma estrutura voltada à prevenção capaz de nortear os riscos de acidentes nas atividades do trabalho. Neste sentido, procuramos direcionar nossa metodologia, recursos didáticos etc., em atendimento ao currículo básico para o curso de componentes da CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, Norma Regulamentadora, NR - 5 da Portaria 3.214, de 08 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho; alterada pela MTP nº 422, de 07 de outubro de 2021 - Lei 14.457 de 21 de setembro de 2022 Ao longo dos tempos, a experiência tem mostrado que a preparação prévia do indivíduo contribui sensivelmente para a melhoria do seu desempenho. No que diz respeito à segurança, os esclarecimentos ao trabalhador quanto as possíveis condições inseguras dos ambientes de trabalho e dos procedimentos seguros que deverá adotar são fundamentais para o sucesso de todo Programa Prevencionista. Com a aplicação deste treinamento, acreditamos promover a combinação indivíduo – cargo - segurança, alicerçando no treinamento, a implantação de conceitos e medidas de prevenção de acidentes do trabalho. A existência da CIPA, já constitui um avanço a insensatez. Os resultados serão colhidos quando empregado e empregador estenderem aos demais empregados, doutrinas de segurança, reuniões, palestras, treinamentos, atendimento das solicitações que preveem acidentes e doenças ocupacionais. Enfim, trabalhar o elemento humano é fator complexo, mas é possível humanizar uma coletividade de trabalho e torná-la tão compreensiva quanto eficiente e consequentemente, consistirá na continuidade do trabalho operacional seguro. A você, “Cipeiro”, desejamos bom proveito no curso e sucesso em sua gestão. O Instrutor COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 3 CURRÍCULO BÁSICO a) estudo do meio ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do processo produtivo; b) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes das condições de trabalho e da exposição aos riscos existentes no estabelecimento e suas medidas de prevenção; c) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho; d) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos; e) noções sobre legislação trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no trabalho; f) noções sobre a inclusão de pessoas com deficiência e reabilitados nos processos de trabalho; g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da Comissão; h) prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 4 a) Estudo do meio ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do processo produtivo. Para iniciarmos este treinamento primeiramente temos que estudar e analisar o meio ambiente, das condições de trabalho, a organização e os métodos dos processos de trabalho e os respectivos riscos aos quais os trabalhadores estejam submetidos e expostos, bem como dos riscos originados do processo produtivo. Deveremos fazer isto para conhecermos estas características e elaborarmos o Plano de Trabalho e as estratégias para a prevenção dos acidentes e das doenças ocupacionais e profissionais. A empresa deve considerar as condições de trabalho nos termos da NR-17 Ergonomia (NR 1 item 1.5.3.2.1) Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, pois ela dele ser adequada às características psicomorfológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado e deve levar em consideração, pelo menos: ▪ as normas de produção; ▪ o modo operatório; ▪ a exigência de tempo; ▪ o ritmo de trabalho; ▪ o conteúdo das tarefas; ▪ fatores psicossociais. Analisando a organização do trabalho, poderemos saber se a administração é taylorista ou em células de produção, se a produção é contínua ou por pedido, se o layout é funcional ou por produto, se o operário ganha por produção ou não etc. A partir daí, poderemos levantar dados relativos à falta de uma política de segurança, à supervisão autoritária, o layout inadequado, ao mau planejamento da produção, à má distribuição de tarefas e horários, ao excesso de jornada de trabalho, à quantidade de trabalhadores expostos aos mesmos riscos, a esforços repetitivos, à fadiga, etc. Todos os fatores que contribuem direta ou indiretamente, para o comprometimento da saúde do trabalhador. No tocante aos processos e métodos de trabalho, é importante analisarmos a interação homem- máquina. Devemos prestar atenção no processo e seus métodos, na tecnologia envolvida (atualizada ou ultrapassada?), nas sinalizações existentes, nas proteções das máquinas e equipamentos, etc. Desta forma, poderemos alterar (e até eliminar) processos, modificar operações e/ou máquinas, recomendar a substituição de equipamentos e de produtos, enclausurar operações, planejar manutenção de máquinas e equipamentos, etc., tudo isso visando à saúde do trabalhador. No campo destinado a observações devem-se expandir as informações indicando a última modificação ou manutenção realizada e o tempo decorrido desde então, o design dos padrões, as condições de processo ou armazenamento, se em operação, manutenção ou outra influência especial. As conclusões acerca das causas principais de acidentes são firmadas em termos de categorias: • Operacionais – Falhas de componentes materiais ou equipamentos, reações aceleradas ou inesperadas, perdas de controle, etc.; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 5 • Ambientais – Mudanças climáticas, falhas ou deficiências de proteções, interferência de outro acidente, etc.; • Organizacionais – Inadequações no gerenciamento da organização ou de atitudes, falhas em procedimentos, treinamentos, supervisão, suporte, análise de processos, construção de instalações, sistema de isolamento de equipamentos, manutenção, etc.; • Pessoais – Erros, problemas de saúde, desobediências, intervenção maliciosa e outras. Recomenda- se que, sendo necessário, sejam detalhados aspectos relativos à formação, capacitação, treinamento, experiência, etc. Destaques: As condições de trabalho dizem respeito às condições físicas, químicas e biológicas do ambiente de trabalho - temperatura, vibrações, radiações, poeiras, ruídos, por exemplo - e repercutem sobre as condições de trabalho do trabalhador. A organização do trabalho diz respeito à divisão técnica e social do trabalho – à hierarquia interna dos trabalhadores, ao controle por parte da empresa do ritmo e pausas de trabalho e padrão de sociabilidade interna - e repercute sobre a saúde mental do trabalhador, causando sofrimento psíquico, doenças mentais e físicas. Os riscos originados do processo produtivo irão ser abordados em princípios de higiene do trabalho e de medidasde controle de riscos, em noções sobre acidente e doenças do trabalho decorrente de exposição aos riscos existentes na empresa - assim como na metodologia do Mapa de Riscos. b) Noções sobre acidentes e doenças do trabalho, decorrentes das condições de trabalho e da exposição aos riscos existentes no estabelecimento e suas medidas de prevenção b1 - MAPA DE RISCOS AMBIENTAIS b2 - PERCEPÇÃO DE RISCOS OCUPACIONAIS b3 - SAÚDE PSICOLÓGICA b1 - MAPA DE RISCOS AMBIENTAIS O Mapeamento de Riscos consiste na representação gráfica da avaliação dos riscos ambientais existentes no ambiente de trabalho, inerentes ou não ao processo produtivo, de fácil visualização e afixada em locais acessíveis no ambiente de trabalho, para informação e orientação de todos que ali atuam e de outros que eventualmente transitem pelo local. O Mapa de Riscos tem como objetivo: a) Reunir informações necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação de segurança e saúde no trabalho na empresa; b) Possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e divulgação de informações entre os trabalhadores, bem como estimular sua participação nas atividades de prevenção. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 6 ETAPAS DE ELABORAÇÃO As etapas de elaboração são as seguintes: a) Conhecer o processo de trabalho no local analisado: 1. Os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde, jornada; 2. Os instrumentos e materiais do trabalho; 3. As atividades exercidas; 4. O ambiente. b) Identificar os riscos existentes no local analisado, de acordo com o grupo a que pertence – vide tabela: Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com sua natureza e a padronização das cores correspondentes. Consideram-se riscos ambientais os agentes existentes nos ambientes de trabalho, cujas características possam causar dano à integridade física ou à saúde dos trabalhadores. É necessário conhecer esses agentes para entender a prevenção de acidentes. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 7 A segurança do trabalho, do ponto de vista ambiental, resume-se em prevenir ou eliminar a existência dos agentes agressivos, sempre que possível, ou aplicar medidas que neutralizem suas ações danosas. • As consequências aos riscos ambientais são apresentadas na tabela 2: TABELA 2: RISCO X CONSEQÜÊNCIA Riscos Consequências Físicos Surdez, irritação, insônia etc. (ruído); redução do fluxo sanguíneo, hipotermia, etc. (frio); desidratação, câimbras de calor, choque térmico (calor); câncer, efeitos genéticos, etc. (radiações ionizantes); efeito térmico, distúrbios menstruais, etc. (radiações não ionizantes); ruptura de tímpano, ruptura e alvéolos, etc. (pressões anormais); doença de Raynaud, vômitos etc. (vibrações). Químicos Devido a diversidade das substâncias químicas as mais conhecidas são: irritação de pele (óleos minerais); sistema nervoso (álcool metílico, mercúrio); queimaduras (soda caustica); câncer (amianto, benzeno); asfixiantes simples (acetileno, nitrogênio); asfixiantes químicos (monóxido de carbono, ácido sulfídrico). Biológicos Doenças infectocontagiosas. Ergonômicos Stress, doenças osteomusculares relacionada ao trabalho – DORT ou lesões por esforços repetitivos – LER. Acidentes Queimaduras (incêndio); choque elétrico (eletricidade) e acidentes generalizados devido layout inadequado, ferramentas defeituosas etc. c) Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: 1. Medidas de proteção coletiva; 2. Medidas de organização do trabalho; 3. Medidas de proteção individual; 4. Medidas de higiene e conforto: banheiros, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório e área de lazer. d) Identificar os indicadores de saúde: 1. Queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos; 2. Doenças profissionais diagnosticadas; 3. Causas mais frequentes de ausência ao trabalho. e) Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local; f) Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando, através de círculo: 1. O grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada na Tabela 1; 2. O número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro do círculo. 3. A especificação do agente (por exemplo: químico: sílica ou hexano ou ácido clorídrico; ou ergonômico; repetitividade, ritmo excessivo) que deve ser anotada dentro do círculo; 4. A intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos, conforme vemos: 5. O tamanho dos círculos varia de acordo com a intensidade do agente identificado e a cor com o tipo de risco. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 8 Inserir também os códigos dos fatores de riscos conforme Tabela 21 do eSocial Risco Pequeno Risco Médio Risco Grave Azul Amarelo Verde Cores usadas no Mapa de Risco e Tabela de Gravidade EXEMPLO: Para a realização do Mapa de Riscos, deve-se contar com a participação dos cipeiros e dos trabalhadores além dos profissionais de segurança e medicina do trabalho. A elaboração do mapeamento de risco é uma atribuição da CIPA. 3 5 12 COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 9 APROVAÇÃO DA CIPA Após discutido e aprovado pela CIPA, o Mapa de Riscos, completo ou setorial, deverá ser afixado em cada local analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os trabalhadores. Variações do Mapa No caso das empresas da indústria da construção, o Mapa de Riscos do estabelecimento deverá ser realizado por etapa de execução dos serviços, devendo ser revisto sempre que um fato novo e superveniente, modificar a situação de riscos estabelecidos. b2 - PERCEPÇÃO DE RISCOS OCUPACIONAIS (Noções) O processo de receber e converter o estímulo externo é chamado de sensação. Já o processo de atribuição de sentido à informação recebida é chamado de percepção. Com a nova redação da NR-5 (CIPA), no item 5.3.1 que trata das atribuições da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio - CIPA, alínea b, diz a norma: “registrar a percepção dos riscos ocupacionais, por meio do mapa de risco ou outra técnica ou ferramenta apropriada à escolha da organização, ou seja, sem ordem de preferência”. A organização deve adotar mecanismos para consultar os trabalhadores quanto à percepção de riscos ocupacionais, podendo para este fim ser adotadas as manifestações da CIPA, quando houver. Importante: Não adianta fazer um Mapa de Riscos colorido e fixado em cada Setor, se por detrás de cada identificação dos riscos não existir os controles. Esta é a real finalidade do Mapa de Riscos, é necessário que exista uma ação corretiva sobre o risco. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 10 Para que o ambiente de trabalho fique livre da nocividade, é necessário que as descobertas científicas neste campo, tais como percepção de riscos ocupacionais e segurança baseada em comportamento, sejam levadas ao conhecimento dos trabalhadores de uma forma eficaz, respeitando sempre “o saber operário”, princípio básico, fundamental e raiz da origem da metodologia do Mapa de Risco, criada na década de 1960 na Itália, e desenvolvida e aplicada nas fábricas italianas na década de 1970.A percepção de risco ocupacional diz respeito à capacidade da pessoa em identificar a frequência na qual está exposta a situações ou condições de trabalho que possam causar dano (perigos) e reconhecer os riscos que este oferece, não só na sua atividade imediata, mas também em todo o contexto de trabalho. Na prática, há uma evidente lacuna por parte das organizações por não buscarem conhecer o nível em que se encontra a percepção de risco dos trabalhadores e dos funcionários de seus quadros. Para explorar o conceito de percepção de risco é preciso lembrar que o contato que o ser humano estabelece com o mundo externo é mediado pelos seus sentidos (tato, olfato, audição, gustação, visão), por meio dos quais os dados da realidade são recebidos e ganham significados. O processo de receber e converter o estímulo externo é chamado de sensação. Já o processo de atribuição de sentido à informação recebida é chamado de percepção. Na prevenção, o processo perceptivo é fundamental, uma vez que, quando lidamos com a preservação da saúde, estamos vinculados à capacidade das pessoas de se relacionar com os perigos de forma cuidadosa, evitando danos à integridade física e psíquica dos indivíduos, isto é, prevenir os acidentes do trabalho e as doenças ocupacionais. Mapeamento da percepção de risco Mapeamento é considerado não apenas a atividade-fim do profissional, mas todo o entorno que compõe o cenário no qual o trabalho ocorre. Por meio do Mapeamento da Percepção de Risco dos trabalhadores é possível mensurar a capacidade deles em identificar os perigos e riscos. Percepção de Risco é tido como mais um elemento importante para a compreensão dos aspectos psicossociais relacionados à prevenção dos acidentes. Devem ser levados em conta sempre o nível de saúde, estado emocional, conhecimento técnico e operacional, capacidade de reconhecer os riscos existentes, bem como a própria atitude no ambiente de trabalho. Em tempo, lembramos que susceptibilidade individual é uma resposta do organismo a um determinado agente que pode variar de indivíduo para indivíduo, portanto, este é um fator importante a ser considerado. Assim, olhar apenas para a probabilidade decorrente do tempo de exposição distorce, muitas vezes, a nossa percepção. Dessa forma, o processo de percepção do risco pelo homem nem sempre é objetivo, ou quem sabe racional, mas fortemente influenciado por fatores diversos que variam de indivíduo para indivíduo, em função de sua estrutura mental e do seu repertório adquirido. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 11 Um gerenciamento de riscos ocupacionais, para que seja adequado, considerando a percepção de riscos ocupacionais junto aos trabalhadores, é então um processo global e complexo, que deve ser adaptado às várias culturas organizacionais. Para isso, o conhecimento da organização, seus processos de fabricação, modos de produção, tecnologias utilizadas e métodos de trabalho são imprescindíveis para que possam adaptar os modelos de gestão de riscos ocupacionais, de forma a alcançar os objetivos pretendidos. Uma das ferramentas utilizadas para este mapeamento são os questionários com diversos tipos de perigos e riscos de acidentes. O seu formato deve permitir avaliar a noção e a percepção de risco dos trabalhadores. Para que a organização seja bem-sucedida e encontre o sucesso nesta missão, deve haver o envolvimento de todos os atores sociais da organização e o comprometimento da alta direção. b3 - SAÚDE PSICOLÓGICA Aspectos Psicossociais e de Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho É a área das Ciências Humanas (Psicologia) no campo da segurança e saúde no trabalho. São princípios e métodos derivados da disciplina conhecida como análises da conduta. A Psicologia do Trabalho visa despertar para a importância do fator humano num mundo do trabalho cada vez mais globalizado, valorizado pelos grandes avanços científicos e tecnológicos. Porém, essa valorização trouxe graves consequências à saúde dos trabalhadores, principalmente os aspectos psicossociais relacionados ao trabalho. Os fatores psicossociais para o estresse relacionado ao trabalho constituem uma situação de risco, podendo estar relacionado a doenças musculoesqueléticas, doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais), transtornos mentais e comportamentais (abuso de drogas psicoativas, alcoolismo, depressão, ansiedade generalizada) e distúrbios gastrointestinais (úlcera gástrica, doença de Chron). Existem várias estratégias para gerenciar o risco psicossocial e promover a segurança e saúde no trabalho e bem-estar no trabalho. Essas estratégias devem ser desenvolvidas em consulta com os trabalhadores. A sugestão que oportunamente fazemos é sobre a importância da aplicabilidade da norma ISSO 45003:2021, que é referente a Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional – Saúde Psicológica e Segurança no Trabalho. Curso e implantação. Nesta norma que apresenta as Diretrizes para a gestão dos riscos psicossociais, apresenta medidas de controle de risco psicossocial relacionados à organização do trabalho, medidas de controle de risco psicossocial relacionadas a fatores sociais, medidas de controle de risco psicossocial relacionadas ao ambiente de trabalho, equipamentos e tarefas perigosas, e sinais de exposição ao risco psicossocial. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 12 c) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho: c1) Investigação de acidentes: A boa prática prevencionista manda que, pelo menos, os acidentes do trabalho que causem algum tipo de ferimento em alguém sejam submetidos a um processo de investigação, com a finalidade de levantar dados e fatos que levem à apuração das causas da ocorrência. Apuradas as causas e suas origens, o próximo passo é estudar e selecionar as medidas corretivas que, aplicadas, corrigem as falhas que ocasionaram o acidente. Chega-se, assim, no objetivo da investigação, que é o aproveitamento da experiência de um acidente em favor da prevenção futura de casos semelhantes. O bom resultado das investigações depende de um bom sistema de comunicação das ocorrências, a partir do interesse do próprio acidentado em comparecer ao ambulatório médico para receber tratamento. Uma das atribuições da CIPA é analisar acidentes, portanto deve conhecer como as investigações são feitas pelos profissionais do Serviço de Segurança do Trabalho da empresa. Para quem quer que sejam feitas, as investigações devem obedecer a alguns critérios e regras para se chegar ao melhor resultado que dela se espera. Passos importantes na investigação: 1. Começar a investigar, o quanto antes possível, após a ocorrência. 2. Comparecer ao cenário do acidente antes que qualquer alteração tenha sido feita: colher no local o máximo de informações, anotar vestígios e recolher amostras ou objetos que possam ser úteis na elucidação da ocorrência. 3. Entrevistar o acidentado, tão logo seja possível; testemunhas, o encarregado do acidentado ou do serviço; outros, de acordo com a necessidade ou conveniência. 4. Registrar tudo para evitar dispersão de raciocínio. 5. Não se deixar levar pela primeira impressão ou informação, tudo deve ser bem observado e investigado com muito cuidado. 6. Repassar todos os pontos importantes na ocasião de selecionar as medidas corretivas que deverão ser aplicadas. “Depois de um acidente, o que resta a fazer é investigá-lo corretamente e tirar alguma experiência que venha a servir de subsídio às atividades futuras da segurança do trabalho”. C2) metodologia básica para investigar acidentes C2.1 - Propósitos: A investigaçãode acidentes é uma atividade inerente às ações regulares das empresas e constitui a base para orientar a administração do processo preventivo. Acidente: Todo evento indesejável que causa dano corporal ou material. Incidente: Todo evento indesejável que tem potencial para produzir danos. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 13 C2.2 Propósitos básicos: Os propósitos básicos da investigação deste tipo de evento correspondem a: ▪ Buscar oportunidades para melhorar e não culpados; ▪ Estabelecer as causas do acidente, o que ocorreu, como foram gerados os fatos e quem participou; ▪ Obter informação completa e oportuna sobre os fatos relacionados com a ocorrência do acidente; ▪ Aplicar os controles que evitem a repetição de tais tipos de acidentes. C2.3. Procedimento: Formação de Grupo Para a investigação de acidentes e doenças, a CIPA deverá lidar com o grupo. Este grupo tem como princípio não procurar culpas ou responsabilidades, mas de forma objetiva chegar às causas reais do acidente e à adoção de medidas preventivas adequadas e eficazes. Farão parte do grupo: ▪ Próprio acidentado se possível; ▪ Pessoas que presenciaram o acidente; ▪ Chefes diretos (Gerentes, Chefes de Departamento, Chefes de Seção e Supervisores); ▪ SESMT ▪ Outras pessoas que conheçam o processo que gerou o acidente. Para garantir a eficácia do grupo, é importante que haja um clima de confiança total entre os membros permitindo a participação e a emissão de opinião própria sobre os acontecimentos em questão. Outro ponto importante é que as diferenças hierárquicas existentes devem ser deixadas de lado. No grupo, não deve haver hierarquia (para que não exista imposição). C.2.4 Ações Prévias à Investigação As seguintes ações devem ser tomadas para que se garanta uma boa investigação: 1. Isolar o lugar do acidente; 2. Resgate e atenção às pessoas lesionadas ou em perigo; 3. Minimizar ou eliminar o risco de outros acidentes ou perdas adicionais; 4. Identificar e registrar os elementos de evidência presentes na cena no momento do acidente; 5. Preservar as evidências para um exame posterior ou de especialistas. C.2.5. Realização da Investigação Esta técnica possui 4 fases principais: 1. Levantamento de Fatos: Identificar todos os fatos que contribuíram para a ocorrência do acidente. Pesquisa nos locais feita imediatamente após o acidente, com a participação do envolvidos e de quem presenciou o acidente; 2. Atividades no Local do Acidente: fotografar ou filmar o local, fazer uns croquis, analisar evidências e indícios, avaliação preliminar das perdas; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 14 3. Ordenação dos Fatos: Estabelecer ligações entre fatos, realizar entrevistas, separar as causas básicas das causas imediatas. Fazer uma versão individual ou fazer uma reconstituição (se for o caso), checar informações como hora extra, se os primeiros socorros foram realizados em tempo hábil, os treinamentos (operacionais e de segurança) que o acidentado fez. Determinar a falta de controle, verificar o sistema de comunicação e administração das atividades. 4. Implantação das Medidas de Controle: A preocupação neste momento é a de propor o maior número possível de ações corretivas favorecendo a eliminação de todos os riscos e perigos levantados. 4.1. Priorização das Medidas Preventivas (O grupo escolhe a ordem daquelas que deverão ser adotadas). É importante que as negociações das medidas obedeçam aos seguintes critérios: 1. Que a medida tenha sua eficácia por longo tempo; 2. Que não se crie um novo risco; 3. Que não imponha grandes mudanças nos hábitos do operador; 4. Que possibilite a generalização, e possa ser aplicada a outros setores; 5. Que o custo seja viável; 6. Que o prazo de aplicação seja determinado; 7. Que a prevenção esteja em conformidade com a lei. Exemplos dessas informações: Quem ...foi acidentado? ...é o chefe dele? ...mais estava presente no momento do acidente? ...fez isso ou aquilo de maneira errada? Qual ...foi a lesão? ...o dano material? ...era o estágio do trabalho quando aconteceu? ...a norma de segurança que foi transgredida? ...a idade, a função, o tempo de função, o tempo de casa, o treinamento, e outros dados que possam vir a ser importantes, do acidentado? Quando ...aconteceu? – (dia, hora, fase da operação, detalhe ou manobra do trabalho, etc.) Onde ...aconteceu? – (pavilhão, seção, local exato na seção, máquina) Como ...aconteceu? – Versão do acidentado, do encarregado, de testemunhas, de outros e conclusão do investigador com todos os dados conseguidos. Porque ...foi esse tipo de ferimento? ...foi feito isso? ...deixou de ser feito assim? ...deixou de usar? C3) A ANÁLISE DO ACIDENTE • A cuidadosa investigação de um acidente oferece elementos valiosos para a análise que deve ser feita, concluindo-se sobre suas causas e suas consequências. Tal trabalho provoca a adoção de uma série de medidas ou providências administrativas, técnicas, psicológicas ou educativas dentro da empresa. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 15 • A CIPA deve participar dos vários aspectos relacionados com o estudo dos acidentes, preocupando-se em analisá-los e elaborando relatórios, registros, comunicações e sugestões entre outras providências. A análise do acidente corresponde a uma visão geral da ocorrência, e as suas informações devem ser elementos de estudo e não um simples registro burocrático. • O estudo dos acidentes não deve limitar-se àqueles considerados graves. Pequenos acidentes podem revelar riscos grandes; acidentes sem lesão podem transformar-se em ocorrências com vítimas. A CIPA deve investir na identificação de perigos que parecem sem gravidade, mas que poderão tornar-se fontes de acidentes graves. • A análise dos acidentes fornece dados que se acumulam e possibilitam uma visão mais correta sobre as condições de trabalho da empresa, com indicações sobre os tipos de acidentes mais comuns, sobre as causas mais atuantes, medindo a gravidade das consequências e revelando os setores que necessitam de maior atenção da CIPA e do SESMT. Trata-se do estudo do acidente para a pesquisa de causas, circunstâncias e consequências. • Considerando-se a dimensão das consequências do acidente (Físicas, econômicas, psicológicas, sociais etc.) para o trabalhador e analisando de forma real os benefícios devidos, os efetivados pela legislação, e a real perspectiva de reabilitação profissional, reintegração social e familiar, revela-se a necessidade de realizar com seriedade e competência a investigação e análise, como trabalho prevencionista. A análise compõe-se: • Relatório de Investigação e Análise de Acidentes – Registro da descrição, características e causas (vide anexo B, da NBR 14.280); • Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho feito pela empresa. Ver a nova versão (26/02/99) da CAT no Anexo 1. • Cadastro do acidentado – Registro para elaboração de estatísticas junto ao INSS. C4) CAUSAS DO ACIDENTE Método de Investigação de Acidentes de Trabalho - Árvore de Causas Fundamentos conceituais e importância. A investigação causal é passo importante na prevenção de acidentes de trabalho por propiciar a identificação de fatores de risco cuja eliminação pretende-se que evite a ocorrência de novos acidentes semelhantes. A prevenção desencadeada a partir de acidente já ocorrido denomina-se prevenção passiva, devendo ser encarada como complemento das ações de prevenção ativa, representadas pelas inspeções periódicas de segurança, análise de risco de tarefas, estudos ergonômicos de postos de trabalho,etc., com o objetivo de identificar os riscos e eliminá-los, antes que o evento indesejável - acidente de trabalho - aconteça. O método de árvore de causas foi criado pelo Institut National de Recherche et de Sécurité - INRS da França, pode ser considerado instrumento de investigação do tipo prevenção passiva, uma vez que parte dos acidentes já ocorridos. Ele baseia-se em relato objetivo e detalhado dos fatos envolvidos na ocorrência do acidente do trabalho a partir da lesão produzida, identificando retroativamente tais fatos, denominados fatores antecedentes. Com estas informações constrói-se a rede de antecedentes dos acidentes, representada sob a forma de diagrama denominado árvore de causas. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 16 Os antecedentes (fatos) apurados no decorrer da investigação podem ser habituais ou permanentes, quando já vinham ocorrendo anteriormente na situação de trabalho analisado. Quando os antecedentes apurados surgem no decorrer da execução de uma tarefa, são denominados eventuais ou não habituais. Para que o acidente aconteça, é necessária a ocorrência de pelo menos uma variação em relação à situação habitual de trabalho e o método de “árvore de causas” estabelece que se reconstitua a história do acidente partindo-se da identificação das variações e, em seguida, dos antecedentes permanentes. A aplicação adequada do método requer, segundo os pesquisadores que o desenvolveram: a) que a investigação se processe logo após e no próprio local da ocorrência do acidente do trabalho; b) que se diferencie a etapa de obtenção dos fatos da etapa de interpretação, esta, só sendo efetivada após o término da anterior; c) que os dados sejam coletados por pessoa conhecedora da maneira habitual de desenvolvimento do trabalho e com maior objetividade possível. Para se utilizar o método de árvore de causas deve ser respondida à pergunta POR QUE? a partir da consequência da doença ou acidente. A cada resposta obtida deve-se repetir a pergunta, sequencialmente, até que não seja mais possível ou não se consiga mais responder o porquê da última causa constante da cadeia. Depois de desenhada a árvore de causas, identifica-se as mudanças necessárias no ambiente e/ou processo de trabalho que podem prevenir doenças e/ou acidentes semelhantes. Por representar graficamente o acidente, esse método pode ser qualificado como uma ferramenta de comunicação entre os que fazem a análise e aqueles que descobrem a história do acidente analisado. Os fatores que ficam sem explicação, demandando informações complementares, são colocados em evidência aos olhos de todos. É uma ferramenta de diálogo entre os atores sociais na empresa. Reduz os riscos de polêmica sobre as causas do acidente porque a pesquisa dos fatores de acidente se apoia sobre o rigor e a lógica e (só fatos) devem figurar na árvore. Propiciam também análises ricas e aprofundadas muito úteis à prevenção. Concluindo podemos afirmar que as regras do método impõem questionamento sistemático diante de cada fato que figura na árvore, levam a causas remotas, particularmente àquelas ligadas à organização do trabalho, à concepção de máquinas e de instalações, alargando o campo de investigação e evidenciando o maior número de fatores envolvidos na gênese do acidente. Constitui assim, em uma ferramenta de mudança do funcionamento social e da estrutura encarregada da segurança (SESMT ou outro serviço), no interior da empresa. Recomenda-se: • Tirar fotografias / filmar; fazer esquemas do cenário / máquinas... relacionados ao acidente que ocorreu; • descrever instalações físicas, condições de iluminação, nível de ruído, posição de máquinas, equipamentos etc.; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 17 • verificar o tipo de energia utilizada; se for o caso, descrever máquinas e, ou equipamentos (tipo, forma de acionamento, de alimentação, etc.); • descrever a forma habitual de execução da atividade em desenvolvimento no momento de ocorrência do acidente; • identificar, em relação às condições de trabalho habituais (trabalho real, não trabalho prescrito), isto é, sem ocorrência de acidente, o que mudou /alterou /variou, investigando as origens das alterações / mudanças / variações ocorridas. É extremamente importante identificar as condições do sistema que permitiram o aparecimento dessas mudanças (ou variações). Em outras palavras, buscar as "causas das causas". • Descrever cuidadosamente as mudanças que provocaram perturbações que ultrapassaram a tolerância habitual do sistema, ou seja, aquelas que não foram solucionadas com as estratégias adotadas no funcionamento do sistema nas situações sem acidente. • Quando não for possível esclarecer como se originou determinada modificação ou variação, explorar hipóteses possíveis acerca de sua origem e, para cada hipótese, buscar evidências diretas ou indiretas de sua ocorrência. Por exemplo, no caso de sistemas técnicos, a existência de componentes alterados e, ou com marcas do ocorrido pode fornecer informações importantes, seja por visualização direta, seja por exames em laboratórios ou serviços especializados. Da mesma forma, os registros relativos ao histórico de manutenção de uma máquina, inclusive aqueles relativos às mudanças efetuadas após o acidente com vistas a sua liberação podem ser úteis. • Buscar confirmação para todas as afirmações colhidas nas entrevistas visando descrever os fatores que participaram do desencadeamento do acidente com a maior fidelidade possível. A obtenção dessas informações exigirá a realização de entrevistas com vários interlocutores: acidentado (que não estará vivo para informar em casos de acidentes fatais), testemunhas do ocorrido, colegas de trabalho, chefias, membros de CIPA e SESMT (quando houver), outros acidentados que tenham sofrido acidentes semelhantes etc. Em casos de acidentes envolvendo mais de uma empresa, incluir seus membros na relação de pessoas a entrevistar. Durante as entrevistas, diante de expressões como "foi um descuido", "acho que não prestei muita atenção", "fiz uma bobeira", utilizadas pelos próprios acidentados vítimas de acidentes não fatais para descrever os episódios de que foram vítimas, é imprescindível indagar - e, se necessário, insistir -, como foi o tal "descuido", a "falta de atenção" ... procurando caracterizar o sentido da expressão utilizada pelo trabalhador (ou testemunha, ou colega ... em casos de acidentes fatais). Sobretudo, é da maior importância investigar suas causas. Frequentemente os "descuidos" ocorrem em situações de pressão de tempo para execução de tarefas (urgências de várias naturezas e origens), ao final de turnos noturnos, ao final de jornadas de trabalho prolongadas por horas-extras, em situações de fadiga evidente do trabalhador, durante execução de tarefas anexas / secundárias, ou de tarefas eventuais, como por exemplo as de manutenção. Investigações cuidadosas geralmente permitem identificar se os limites das capacidades humanas foram ultrapassados. Mesmo em grandes empresas é frequente encontrar situações em que a segurança do trabalhador dependia, quase exclusivamente, de seu desempenho na execução da tarefa. É fundamental que durante a coleta de informações sejam descritos fatos passíveis de constatação. Por exemplo, ao invés de registrar "expôs-se desnecessariamente ao perigo", descrever ações, posições, etc. adotadas pelo trabalhador, sem emitir juízo de valor. Da mesma forma, não incluir interpretações e ou conclusões do investigador durante a fase de coleta de dados. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 18 Uma boa descrição de acidente é objetiva e precisa, desprovida de juízosde valor, de interpretações, e de conclusões. Para conseguir executar uma coleta de dados que atenda esses requisitos, é muito importante ter sempre em mente que se buscam as "causas das causas" do acidente visando a prevenção, e não a identificação de responsáveis e, ou culpados (objetivos de investigações com finalidades jurídicas). Deve-se evitar: • Interrupções precoces na coleta de dados, particularmente quando se trata de comportamentos adotados durante a execução de tarefas - é importante investigar suas origens, ao invés de simplesmente rotular como falha do acidentado. • Considerar prescrições ou normas como equivalentes à tarefa habitual e padrão de referência para identificação de variações ou mudanças no sistema. 0 trabalho real não deve jamais ser confundido ou reduzido ao trabalho prescrito. Procurar conhecer o trabalho real demanda tempo, entrevistas com operadores, etc. • Tomar como "causas" opiniões "a priori", que não foram adequadamente investigadas, formando opiniões precoces acerca de causas do acidente que vai ser investigado, "contaminando" e prejudicando a investigação. • Aceitar como verdade informações sem verificar sua veracidade. A título de exemplo, pode ser citado um fato ocorrido durante investigação de acidente fatal em uma grande siderúrgica brasileira. Em reunião entre representantes sindicais, técnicos de várias instituições, um representante da empresa afirmou não ser possível a instalação de uma tampa no "panelão" que transportava aço fundido para as lingoteiras. Isso porque a tampa provocaria modificações no aço que eram incompatíveis com as especificações do produto. Posteriormente, verificou- se que tal afirmação era falsa. Organização e análise dos dados Os dados coletados devem ser organizados, isto é, deve ser elaborada uma descrição coerente do acidente, baseada em fatos passíveis de serem observados / constatados, sem emissão de juízos de valor e, ou interpretações, e que permita ao(s) investigador(es) "visualizar" da maneira mais completa possível, como o episódio se desenrolou. Esta etapa é fundamental na investigação. Embora aparentemente fáceis de serem realizadas, boas descrições exigem treinamento. Pode-se considerar adequada uma descrição cuja leitura permita a compreensão de como o acidente ocorreu, por profissionais que não participaram da investigação. Somente após elaborar a descrição do acidente é que se deve analisar e interpretar as informações registradas e que nortearão a prevenção. A PREVENÇÃO. Recomenda-se listar o maior número de medidas de prevenção possível, de tal forma que, no momento da seleção haja um leque de medidas para escolher. Listadas as medidas de prevenção possíveis a partir do diagnóstico realizado, a etapa seguinte é a de seleção das medidas a serem implantadas. Nesse ponto, é importante que critérios de seleção sejam considerados. Assim, recomenda-se que as medidas selecionadas sejam capazes de: ▪ eliminar ou neutralizar riscos; ▪ não criar novos riscos; ▪ ter estabilidade ao longo do tempo; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 19 ▪ não aumentar as exigências para o operador; ▪ ter prazo de implantação compatível com o risco identificado; ▪ não ter efeitos negativos sobre a produtividade (se isso ocorrer, correm o risco de ser abandonadas). Alguns autores citam a relação custo-benefício das medidas como um dos critérios de seleção. Esse pode ser um dos critérios em situações em que uma das medidas dentre as várias possíveis não oferece benefícios adicionais e apresenta custo elevado ou relação custo / benefício elevada. Cabe assinalar que os escalões hierárquicos superiores / gerências decidem que medidas adotar, porém ressaltando que quem se expõe é o trabalhador. Se a empresa não arcar com o custo da prevenção, ocorrendo o acidente, o custo passa para o trabalhador e para a sociedade. Além das características mencionadas acima, deve-se dar preferência a medidas automáticas, ou seja, que independam de mudanças de comportamento / adesão dos trabalhadores e que, em geral, tendem a se enfraquecer ao longo do tempo, exigindo reforços periódicos. Selecionadas as medidas de prevenção, segue-se a fase de implantação, quando é imprescindível, por parte da empresa, a definição clara de recursos, de responsáveis e de prazos para a implantação de cada uma das medidas selecionadas. Por parte da equipe de fiscalização, é crucial a definição de responsável(eis) pela verificação da execução do que tiver sido estabelecido. Implantadas as medidas, segue-se a fase de acompanhamento da evolução para avaliação de seu impacto, verificação de ocorrência eventual de deslocamento de risco, de aumento de exigências para o operador etc. A negociação com a empresa sobre as medidas de prevenção requer a criação de condições capazes de facilitar seu desenrolar. Negociar, entretanto, não exclui os aspectos técnicos e o conhecimento da legislação em vigor de tal sorte que, se as condições de segurança estão em desacordo com as normas legais, não há muito que discutir em termos da necessidade de adequá- las, cabendo, eventualmente, acordar prazos. Além de difíceis, as negociações frequentemente são conflituosas e desgastantes, sobretudo no contexto brasileiro, no qual identificam-se mecanismos de atribuição de culpa aos acidentados, práticas autoritárias por parte de empresários, ausência de tradição de participação dos trabalhadores e de seus representantes em discussões de questões relativas à saúde e segurança do trabalho, apoiando na tese de atos e condições inseguras, erroneamente. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA: Fato permanente, rotineiro, habitual Fato anormal, irregular, ocasional, eventual, não habitual Ligação verificada, que efetivamente contribuiu para a ocorrência do fato seguinte. Ligação verificada que aumenta a probabilidade da ocorrência COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 20 Componentes da Atividade: I Indivíduo T Tarefa M Material MT Meio de Trabalho (I) A vítima ou pessoas cujas atividades estejam em relação mais ou menos direta com a da vítima (companheiro de equipe, chefe, encarregado, etc.) (T) Designa de maneira geral as ações do indivíduo que participa da produção parcial ou total de um bem ou serviço. (M) Compreende todos os meios técnicos, a matéria prima e os produtos colocados à disposição do indivíduo para executar sua tarefa (caminhão, torno, máquina, peça a usinar, um produto). (MT) Designa o quadro de trabalho e o ambiente físico e social no qual o indivíduo executa sua tarefa. FATOR DO ACIDENTE COMPONENTE REPRES. O Sr. W fratura o 4º e 5º QME Indivíduo Os dedos são prensados em zona entrante Tarefa Luva da M.E. é tracionada zona entrante Tarefa Apoia a ME na parte mais larga do martelo Material Formação zona entrante martelo e faca Tarefa O Sr. W está na ponta dos pés Tarefa A guilhotina é acionada Material A distância entre o martelo e a faca 1,2 cm Material Martelo e lâmina descem em velocidades diferentes Material O Sr. W mede 1,60 m Individuo Guilhotina 1,5m e bancada 0,5 m largura Material Posiciona visualmente chapa para corte Tarefa Lâmina mede 2,5m de comprimento Material Corta peças de 0,045 x 0,5m Tarefa Guilhotina grande para corte de peças pequenas Tarefa COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 21 Complexidade Sistêmica Em sua obra, Charles Perrow enfatiza a existência de características das tecnologias de alto risco, que levam à existência de um tipo de acidente que ele considera inevitável. O risco a que ele se refere não é aquele presente naquantidade de substâncias tóxicas, inflamáveis ou radioativas manipuladas, na possibilidade de vazamentos tóxicos, incêndios ou explosões, enfim, no tipo tradicional de risco que a área de segurança das empresas está habituada a tratar. O que ele enfatiza como risco próprio da complexidade sistêmica é a possibilidade de interações de natureza inesperada que, na dependência das interligações existentes nos sistemas, uma vez ocorrido, vão sempre ultrapassar as capacidades de controle existentes no sistema. Esse tipo de interação é chamado de complexa. Segundo Perrow, a possibilidade da ocorrência de interações complexas está presente em todo tipo de sistema e a sua maior ou menor presença o leva a definir dois tipos de sistemas: Enquanto nos sistemas lineares predominam interações de tipo mecânico e previsível, nos sistemas complexos predominam possibilidades de interações provenientes dos acúmulos de aspectos ou fatores que, considerados isoladamente, são avaliados como sem consequências para a segurança e cuja evolução, resultando em evento catastrófico, também não é previsível mesmo para os operadores que estão habituados a gerir o sistema. O autor adverte para o perigo da desconsideração desse fato em análises de acidentes, ou seja, a posteriori. Considerando a existência desse risco sistêmico poderíamos, pelo menos, parar de condenar pessoas e, quem sabe, de produzir sistemas ainda mais perigosos. Reforçando essa opinião Collins e Pinch (apud Lima e Assunção, 2000) afirmam: “Após o evento é fácil identificar vilões e heróis. É difícil imaginar as pressões, dilemas e incertezas enfrentados pelos participantes quando se tomou a decisão [...]. temos que viajar no passado para recuperar o que exatamente se sabia, antes [...]” Ênfase especial é posta na noção de sinais ou I T T T M T I M T T M MT T M M ? ? Formação zona entrante martelo e lâmina Dedos esmagados zona entrante Fratura dedos ME Luva ME tracionada Sr.W pontas dos pés Sr.W apóia ME no martelo Guilhotina acionada Sr.W posiciona chapa visual p/corte Distância entre martelo e faca é de 1,2 cm. O martelo e a lâmina descem com velocidades diferentes. Sr.W mede 1,60 m Guilhotina tem 1,50 e a bancada 0,50 de largura Guilhotina gde. porte para corte de peças pequenas Lâmina tem 2,5 m Sr.W corta peças 0,045 X 0,50 m COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 22 avisos da existência de problemas no campo da segurança e na necessidade de distinguir aqueles que são importantes e na forma como são, ou não são utilizados nas decisões gerenciais – estratégicas – que marcam ou determinam os rumos da vida da empresa. O estudo de Diane Vaughan (1996, 1997) acerca do acidente da Challenge é apontado como clássico na utilização dessa abordagem. Destacando a contribuição desta autora Llory (1999b) sustenta a necessidade de: “Organizar a detecção e a coleta dos “sinais fracos” de riscos de acidentes [...] Desenvolver a abordagem organizacional. Tirar todas as lições, as mais incômodas [....] (dos acidentes). Revisitar os incidentes. Reconhecer as contribuições essenciais dos operadores e de suas chefias imediatas à segurança.” Como detectar esses sinais? Enfatiza-se a abordagem da história da organização e de seus eventos formadores e ou valores estruturantes. Isso significa identificar chefias e pessoas que marcaram seu surgimento ou momentos importantes, como aqueles de mudança ou de reorganização. Implica identificar as formas de relação entre preocupações gerenciais diversas e aquelas afins à saúde e, enfim, reconstruir o processo organizacional de tomada de decisões que participam nas origens de acidentes. No seu estudo, Vaughan acrescenta a ideia de normalização para referir-se aos avisos ou sinais que deixam de ser avaliados como importantes porque mostram-se ambíguos, por exemplo, quando são seguidos por outro sinal que sugere que tudo está bem; são considerados fracos, ou seja, sugestivos de evento de ocorrência muito improvável ou tornam-se rotineiros, devido ao fato de ocorrerem de modo repetido. A autora comenta que o problema da junta de vedação usada no tanque de combustível das naves espaciais da Nasa já fora detectado em 12 lançamentos anteriores. Além disso, a autora refuta a conclusão do primeiro volume do relatório da comissão presidencial que analisou o acidente, que atribui a decisão de lançamento a cálculo amoral de dirigentes da Nasa que estariam mais interessados no cumprimento de seu cronograma do que na segurança. Vaughan demonstra que as decisões ligadas ao lançamento obedeceram estritamente às regras vigentes na empresa e que, mesmo nos momentos de diálogo mais duro, durante a teleconferência realizada na véspera do lançamento, a maioria dos participantes não parece ter sido influenciada por pressões estranhas às rotinas de decisão previamente existentes. A falha do anel de vedação teria resultado de mudanças estruturais e culturais decorrentes de decisões anteriores da alta hierarquia da Nasa que acabaram influenciando as avaliações de risco conduzidas por ocasião dos sucessivos lançamentos. Processo similar pode estar presente na história de acidentes em outros sistemas. C.5) CONSEQÜÊNCIAS DO ACIDENTE a) Lesão Pessoal: Qualquer dano sofrido pelo organismo humano, como consequência de acidente do trabalho; b) Natureza da Lesão: Expressão que identifica a lesão, segundo suas características principais. Exemplos: Escoriação, luxação, fratura, asfixia, distensão, queimadura, afogamento, estrangulamento, ferida, contusão, efeito imediato de radiação etc; c) Localização da Lesão: Indicação da sede da lesão. Exemplos: cabeça, olho, face, testa, tronco, ombro, membros superiores, dedo, mão, membros inferiores, joelho, perna, pé etc; d) Lesão Imediata: Lesão que se manifesta no momento do acidente; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 23 e) Lesão Mediata (lesão tardia): Lesão que se manifesta após a circunstância acidental da qual resultou; f) Doença do Trabalho: Doença decorrente do exercício continuado ou intermitente de atividade laborativa, capaz de provocar lesão por ação mediata; g) Doença Profissional: Doença do trabalho causada pelo exercício de atividade laborativa, capaz de provocar lesão por ação mediata; h) Morte: Cessação da capacidade de trabalho pela perda da vida, independente do tempo decorrido desde a lesão. C.6) INSPEÇÃO DE SEGURANÇA A inspeção de segurança tem por objetivo detectar as possíveis causas que propiciem a ocorrência de acidentes, visando a tomar ou a propor medidas que eliminem ou neutralizem os riscos de acidentes do trabalho. Desta forma, a inspeção de segurança é uma prática contínua em busca de: ▪ Métodos de Trabalhos Inadequados; ▪ Riscos Ambientais; ▪ Verificação da eficácia das medias preventivas rotineiras e especiais em funcionamento. A legislação sobre segurança do trabalho trata sobre inspeção (verificação) nos ambientes de trabalho na NR-5 Portaria 8/99, item 5.16, letra “d”. A base de toda a inspeção de segurança e análise dos riscos sob os aspectos já citados deve envolver indivíduos, grupos, operações e processos para controlar ou neutralizar o risco. Isto é muito mais importante do que simplesmente atribuir a culpa a este ou aquele fato ou pessoa. Tipos de Inspeção Inspeções Gerais Elaboradas em todos os setores da empresa. Devem ser repetidas em intervalos regulares. Inspeções Parciais Podem limitar-se às áreas, sendo inspecionado apenas determinados setores da empresa ou certo tipo de atividades ou máquinas e equipamentos. Inspeções de Rotina Cabem aos encarregados dos setores, aos membros da CIPA e da manutenção. Inspeções Periódicas Ematendimento a determinadas leis. Destinada à equipamentos e peças móveis de maior uso e desgaste. Inspeções Eventuais Não tem data ou período determinado. Destina-se aos controles especiais de problemas importantes dos diversos setores da empresa. Inspeções Oficiais Efetuadas por agentes dos órgãos oficiais Inspeções Especiais Controle técnico COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 24 Modelo simplificado de uma inspeção de segurança: Empresa: Setor: Data da última Inspeção: Cipeiros: Data: Descrição: S N 1. Piso está irregular? 2. Luminárias estão sujas? 3. Existem lâmpadas queimadas? 4. Os funcionários usam benjamins? 5. Os funcionários usam EPI? 6. Os dutos de ar condicionado são limpos regularmente? Data da próxima inspeção: Visto do supervisor do setor: d) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos d1) Higiene do Trabalho, também conhecida como Higiene Ocupacional e Higiene Industrial, é a ciência e arte dedicada ao reconhecimento, avaliação e controle de agentes ambientais existentes ou que venham a existir no trabalho e que podem causar doenças e prejuízos à saúde dos trabalhadores e até mesmo da comunidade que circunda o trabalho. Conceitos e definições a) Higiene do Trabalho: A ciência e a arte devotadas à antecipação, ao reconhecimento, à avaliação e ao controle dos fatores ambientais e agentes tensores originados no ou do local de trabalho, as quais podem causar enfermidades, prejuízos à saúde e bem estar, ou significante desconforto e ineficiência entre os trabalhadores ou entre cidadãos da comunidade. b) Limite de Tolerância: É a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante sua vida laboral. c) Insalubre: Que origina a doença, doentio. Objetivos da Higiene do Trabalho: A Higiene do Trabalho tem alguns objetivos principais, são eles: Eliminação das causas de doenças profissionais; aumento da produtividade; propor as medidas preventivas de acordo com os riscos encontrados; e controle das exposições inadequadas à agentes ocupacionais. Importante: Todo setor da empresa deve ter um Checklist para as inspeções, esta é atribuição da CIPA, a cada reunião as não – conformidades encontradas nas Inspeções, devem ser apresentadas e discutidas devendo estabelecer uma Ação Corretiva para o problema COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 25 Para que a Higiene do Trabalho tenha total eficácia, ela deve conter os seguintes passos: Antecipação; Reconhecimento; Avaliação; e Controle. Cada um destes termos representa uma função importante dentro da Higiene do Trabalho e devem ser seguidos com eficácia. O trabalhador, por seu lado, tem o dever de cumprir as prescrições sobre segurança e saúde no trabalho que decorram da lei ou de instrumento de regulamentação coletiva do trabalho. Concretamente, a lei prevê ainda os deveres do trabalhador em cumprir as ordens e instruções do empregador com relação a segurança e saúde no trabalho, desde que não sejam contrárias aos seus direitos e garantias, e de cooperar para a melhoria da segurança e saúde no trabalho, nomeadamente por meio da CIPA e Assédio, afinal foram eleitos para esse fim. Medidas de prevenção para a higiene e segurança no trabalho As Normas de Higiene Ocupacional (NHOs) compõem uma série de normas técnicas, resultantes dos trabalhos técnicos da Fundacentro, que abordam diferentes aspectos dos procedimentos e critérios de identificação, avaliação e controle dos riscos e perigos ambientais e profissionais, com o principal objetivo de fomentar a adoção de medidas preventivas contra doenças profissionais e quaisquer outros riscos e fatores potencialmente danosos à saúde e à segurança dos trabalhadores em diversos ambientes ocupacionais. Os conteúdos são baseados em referências normativas de abrangência internacional e na aplicação prática dos métodos e se destinam, principalmente, aos profissionais que atuam na caracterização, avaliação, controle e gestão dos aspectos envolvidos com o gerenciamento dos riscos e perigos ocupacionais, além de todos os atores sociais e estudantes envolvidos nas questões relacionadas à segurança e saúde ocupacional, de modo geral. Legislação Brasileira A Portaria nº 3.214/78, trata na NR 15 das atividades e operações insalubres, apresentando critérios para interpretações a partir das avaliações quantitativas (com limite de tolerância para ser comparado) ou qualitativas (critérios adotados) nos seus 14 (quatorze) anexos, conforme segue: Anexo 1: Ruído Contínuo e Intermitente; Anexo 8: Vibrações Anexo 2: Ruído de Impacto; Anexo 9: Frio; Anexo 3: Calor; Anexo 10: Umidade: Anexo 4: Revogado (vago); Anexo 11: Agentes Químicos Anexo 5: Radiações Ionizantes; Anexo 12: Poeiras Minerais (amianto, sílica, manganês) Anexo 6: Trabalho sobre condições hiperbáricas Anexo 13: Agentes Químicos (Qualitativos) Anexo 7: Radiações não Ionizantes Anexo 14: Agentes Biológicos COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 26 Representação Higiene x Medicina do Trabalho d2) Medidas de controle dos riscos Segurança do Trabalho é um conjunto de normas e tecnologias que possuem como objetivo promover a saúde e a proteção do trabalhador em seu local de atividade, visando reduzir significativamente o número de acidentes e doenças ocupacionais. Para que esse objetivo seja cumprido, Medidas de Controle do Risco específicas para cada atividade são adotadas para que assim possam diminuir a situação dos riscos ocupacionais iminentes. Basicamente, existem três áreas nas quais as Medidas de Controle do Risco podem ser aplicadas. São elas: ▪ Na origem do contaminante (Fonte) ▪ Ao longo do percurso entre a origem e o trabalhador (Ambiente) ▪ No receptor (Trabalhador) Para cada uma destas três fases, encaixamos alguma das seguintes medidas: Medidas de Eliminação (Fonte): Essa medida prevê a eliminação da condição perigosa que coloca em risco o trabalhador. Por exemplo, eliminar o manuseio manual de uma ferramenta perigosa por um manuseio mecânico. Medidas de Substituição ou Minimização (Fonte): Substituir o agente de risco perigoso por outro menos agressivo ou, ainda, reduzir a energia do processo (através de força, amperagem, temperatura etc.) Medidas de Engenharia (Ambiente): Mudança na estrutura do local de trabalho do profissional, de modo a distanciar a condição perigosa dos trabalhadores. Por exemplo: implantação de sistemas de ventilação, enclausuramento etc. Medidas de Separação (Ambiente): Um exemplo para esta medida é a separação de ciclistas, pedestres e veículos nas vias públicas da cidade. Dessa forma, separa as energias evitando acidentes. Higiene do Trabalho Medicina do Trabalho Fonte Trabalhador Sinais Clínicos Doença Ambiente COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 27 Medidas Administrativas (Ambiente e Trabalhador): Aqui entram os treinamentos e ensinamentos para a execução do trabalho. Também está inclusa a sinalização horizontal e vertical, os sinais de advertência e alarmes, além de permissões de acesso etc. Por último na hierarquia de controle, como Medida de Controle do Risco, os EPIs. Estas Medidas de Controle do Risco, além de serem definidas como vimos acima, podem ser definidas por Controle de Prevenção e Controle de Recuperação. Os Controles de Prevenção são aquelas medidasque evitam a possibilidade de a situação perigosa atingir o trabalhador. É como se evitassem que um objeto caísse, chegando assim até a cabeça do trabalhador, por exemplo. O Controles de Recuperação são as medidas que atuam na consequência, após o evento indesejado já ter acontecido. Como por exemplo, o capacete não evita que o objeto caia, mas evita que fira o trabalhador caso caia. Análise dos Riscos Em administração, a análise de risco consiste na verificação dos pontos críticos que possam vir a apresentar não conformidade durante a execução de determinado projeto ou atividade. Na gestão da segurança e saúde no trabalho, os principais métodos de análise de riscos são: ▪ Análise preliminar de riscos - APR; ▪ Análise de falha humana; ▪ Análise de falhas e efeitos. A APR tem sua importância maior no que se refere à determinação de uma série de medidas de controle e prevenção de riscos, desde o início operacional do sistema, permitindo revisões de projeto em tempo hábil, com maior segurança, além de definir responsabilidades no que se refere ao controle de riscos. A APR tem grande utilidade no seu campo de atuação, porém, como já foi colocado, necessita às vezes de ser complementada por técnicas mais detalhadas e apuradas. Em sistemas que sejam já bastante conhecidos, cuja experiência acumulada conduz a um grande número de informações sobre riscos, esta técnica pode ser utilizada de modo auxiliar. NR-09 - AVALIAÇÃO E CONTROLE DAS EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS A AGENTES FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS Redação dada pela Portaria SEPRT n.º 6.735, de 10 de março de 2020) Em vigor desde o dia 03 de janeiro de 2022 (Portaria SEPRT n.º 8.873, de 23 de julho de 2021) Destaques: 9.1.1 Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece os requisitos para a avaliação das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos quando identificados no Programa de Gerenciamento de Riscos - PGR, previsto na NR-1, e subsidiá-lo quanto às medidas de prevenção para os riscos ocupacionais. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 28 9.2.1 As medidas de prevenção estabelecidas nesta Norma se aplicam onde houver exposições ocupacionais aos agentes físicos, químicos e biológicos. 9.5.3 As medidas de prevenção e controle das exposições ocupacionais integram os controles dos riscos do PGR e devem ser incorporados ao Plano de Ação. 9.6.1 Enquanto não forem estabelecidos os Anexos a esta Norma, devem ser adotados para fins de medidas de prevenção: a) os critérios e limites de tolerância constantes na NR-15 e seus anexos; b) como nível de ação para agentes químicos, a metade dos limites de tolerância; c) como nível de ação para o agente físico ruído, a metade da dose. 9.6.1.1 Na ausência de limites de tolerância previstos na NR-15 e seus anexos, devem ser utilizados como referência para a adoção de medidas de prevenção aqueles previstos pela American Conference of Governmental Industrial Higyenists - ACGIH. Nota: Podem considerar também as Normas de Higiene Ocupacional - NHO’s da FUNDACENTRO, pois, estas são mais restritivas, o que torna mais eficiente para SST. 9.6.1.2 Considera-se nível de ação, o valor acima do qual devem ser implementadas ações de controle sistemático de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições ocupacionais ultrapassem os limites de exposição. e) Noções sobre legislação trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no trabalho O Decreto nº 3.048 de 06/05/99, é a última regulamentação da lei nº 8.213/91. Aprova o novo Regulamento dos Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. O RBPS é bastante extenso, e de 1999 até os dias de hoje houve várias reformas, modificações e alguns artigos foram revogados. Para ter sempre texto legal atualizado, acessar para consulta: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3048.htm Apresentaremos aqui, somente os artigos que estão relacionados com a segurança e saúde no trabalho. Nossa Legislação atualmente classifica o acidente do trabalho como: Acidente do Trabalho, Doença Ocupacional ou Profissional. Lei nº 8.213 de 1991 – Artigos que foram referendados pelo Decreto 3.048/99. Art. 19: Define Acidente do Trabalho (já citado no início da apostila). Art. 20: Consideram-se acidente de trabalho, nos termos do artigo 131, as seguintes: I. Doença Profissional: assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério Social; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 29 II. Doença do Trabalho: assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. 1º Não serão consideradas como doenças do trabalho: a) A doença degenerativa; b) A inerente a grupo etário; c) A que não produz incapacidade laborativa; d) A doença endêmica adquirida por segurados habitantes de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação que resultou de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho; 2º Em caso excepcional, constando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II, deste artigo resultou de condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve equipará-la a acidente do trabalho. Art. 21: Equiparam-se também ao acidente de trabalho, para efeito desta lei: I. O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para perda ou redução da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação. II. O acidente sofrido pelo empregado no local e horário de trabalho, em consequência de: a) Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada com o trabalho; c) O ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro, ou de companheiro de trabalho; d) Ato de pessoa privada do uso da razão; e) Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos decorrentes de força maior. III. A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade; IV. O acidente sofrido, ainda que fora do local e horário de trabalho: a) Na execução de ordem ou na realização de serviços sob a autoridade da empresa; b) Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; c) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiada por esta, dentro de seus planos para melhor capacitação da mão de obra, independente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; 1º Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. 2º Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, resultante de acidente de outra origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 30 Art. 23: Considerar-se-á como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do trabalho, a data de início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para esse efeito o que ocorrerem primeiro lugar. Artigos do Decreto 3.048/99. Art. 25: O Regime Geral da Previdência Social compreende as seguintes prestações, expressas em benefícios e serviços: a) Quanto ao segurado: a) Aposentadoria por invalidez (100% do salário de benefício); b) Aposentadoria por idade; c) Aposentadoria por tempo de contribuição; d) Aposentadoria especial (100% do salário de benefício); e) Auxílio doença É devido a partir do décimo sexto dia do afastamento da atividade); f) Salário família; g) Salário maternidade; h) Auxílio – acidente (50% do salário do benefício. Será concedido a contar do dia seguinte ao da cessação do auxílio – acidente do segurado, corrigido até o mês anterior ao do início do auxílio – acidente e será devido até a véspera de início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado; b) Quanto ao dependente: a) Pensão por morte, e b) Auxílio reclusão (devido aos dependentes do segurado, corrigido até o mês anterior ao do início do auxílio – acidente e será devido até a véspera de início de qualquer aposentadoria ou até a data de óbito do segurado); c) Quanto ao segurado e dependente: Reabilitação profissional. Art. 104: O auxílio – acidente será concedido, como indenização, ao segurado Empregado, exceto o doméstico, ao trabalhador avulso, ao segurado especial e ao Médico residente quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidentes de qualquer natureza, resultar sequela definitiva que implique: I. Redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exerciam e exijam maior esforço para o desempenho da mesma atividade que exerciam a época do acidente; II. Redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exerciam e exijam maior esforço para o desempenho da mesma atividade que exerciam à época do acidente; III. Impossibilidade de desempenho de atividade que exerciam à época do acidente, porém permita o desempenho de outra, após processo reabilitação profissional, nos casos indicados pela perícia médica do INSS. Art. 336: Para fins estatísticos, a empresa deverá comunicar à Previdência social o acidente que tratam os artigos 19, 20, 21, e 23 da Lei nº 8.213 de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, o trabalhador avulso, o segurado especial e o médico residente, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa aplicada e cobrada na forma do artigo 286. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 31 §1º Da comunicação a que se refere esse artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta do cumprimento no disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do Instituto do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §4º A comunicação a que se refere o §3º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto, neste artigo. §5º A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social poderá autuar a empresa que descumprir o disposto no caput, aplicando a multa cabível, sempre que tomar conhecimento da ocorrência antes da autuação pelo setor de fiscalização. Art. 337: O acidente que trata o artigo anterior será caracterizado tecnicamente pela perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social, que fará o reconhecimento técnico do nexo causal entre: a) O acidente e a lesão; b) A doença e o trabalho; c) A causa mortis e o acidente. §1º O setor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social reconhecerá o direito do segurado à habilitação do benefício acidentário. §2º Será considerado agravamento do acidente aquele sofrido pelo acidentado quando estiver sob a responsabilidade da reabilitação profissional. Art. 338: A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção à segurança e saúde do trabalhador: Parágrafo único: É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. Art. 339: O Ministério do Trabalho e Emprego fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos artigos 338 e 343. Art. 340: Por intermédio dos estabelecimentos de ensino, sindicatos, associações de classe, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, órgãos públicos e outros meios, serão promovidas regularmente Instrução e formação com vistas a incrementar costumes e atitudes prevencionistas em matéria de acidentes, especialmente daquele referido no artigo 336. Art. 341: Nos casos de negligência quanto as normas de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a Previdência Social proporá ação regressiva contra os responsáveis. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 32 Art. 342: O pagamento pela previdência Social das prestações decorrentes do acidente a que se refere o artigo 336, não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de terceiros. Art. 343: Constitui contravenção penal, punível, com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho. Art. 344: Os litígios e medidas cautelares relativos aos acidentes de que trata o artigo 336 serão apreciados: I. Na esfera administrativa, pelos órgãos da Previdência Social, segundo as regras e prazos aplicáveis às demais prestações, com prioridade para conclusão; e II. Na via judicial, pela justiça dos Estados e do Distrito Federal, segundo o rito Sumaríssimo, inclusive durante as férias forenses, mediante petição instruída pela prova efetiva notificação do evento à Previdência Social, através da Comunicação de Acidente de Trabalho. Parágrafo único: O procedimento judicial de que trata o inciso II é isento do pagamento de quais quer custas e de verbas relativas à sucumbência. Art. 345: As ações referentes às prestações decorrentes do acidente de que trata o artigo 347, contados da data: ▪ Do acidente, quando dele resultar a morte ou a incapacidade temporária, verificada esta em perícia médica a cargo da previdência Social; ou ▪ Em que for reconhecida pela Previdência Social a incapacidade permanente ou o agravamento das sequelas do acidente. Art. 346: O segurado que sofreu o acidente a que se refere o artigo 336 tem garantido, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção de seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente da percepção de auxílio – acidente. Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP Previsto na lei nº 8.212 desde 1991, regulamentada através do Decreto nº 2.172, de 05 de março de 1997 art. 66 § 5º verbis: “A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento”. Até então, apenas para fins de concessão de aposentadoria especial. Esse novo documento obrigatório instituído pela Previdência Social através da IN INSS/DC n. 78, de 16.7.2002, sendo revogada pela IN INSS/DC nº 84, de 17.12.2002, publicada no DOU em 23.12.2002, implanta o PPP - Perfil Profissiográfico Previdenciário para todas as atividades laborais, sendo um documento histórico laboral pessoal com propósitos previdenciários para informações relativas à fiscalizaçãodo gerenciamento de riscos, existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho, para orientar programa de reabilitação profissional, requerimento de benefício acidentário (CAT - Comunicação de Acidente do Trabalho), aposentadoria, aposentadoria especial e benefício por incapacidade, obrigatório à partir de 01 de janeiro de 2004. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 33 Para sua confecção, anexa informações da NR-7 (PCMSO), NR-1 (GRO PGR), NR-18 (PGR), NR-22 (PGR), Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho (LTCAT) e Exames Médicos Complementares, conforme art.187 da IN INSS/DC nº 84/02. Outras instruções normativas que regulamentam esta matéria são: IN INSS/DC 99, 100, 103, 105 e 108. A partir de janeiro de 2004 o Ministério da Previdência Social tornou obrigatório o preenchimento do PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) por todas as empresas com dados sobre histórico ocupacional, descrição dos riscos ocupacionais e acompanhamento do estado de saúde de todos os empregados. Houve alteração da IN, pela Instrução Normativa PRES/INSS nº 141, de 6 de dezembro de 2022. Esta alterou a Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 28 de março de 2022, que disciplina as regras, procedimentos e rotinas necessárias à efetiva aplicação das normas de direito previdenciário. Publicada no DOU em 07.12.2022. Esta Instrução Normativa altera, dentre diversos dispositivos, o Anexo XVII da IN PRES/INSS nº 128/2022, que dispõe acerca do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), e o impacto no LTCAT e no eSocial. LEGISLAÇÃO TRABALHISTA O que diz a legislação sobre a segurança e saúde no trabalho? Segundo o artigo 200 da CLT, o Ministério do Trabalho tem como função criar normas exclusivas relacionadas à segurança, saúde, higiene e medicina no trabalho. Essas normas são chamadas de Normas Regulamentadoras. As Normas Regulamentadoras (NR) são disposições complementares ao Capítulo V (Da Segurança e da Medicina do Trabalho) do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com redação dada pela Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Consistem em obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos por empregadores e trabalhadores com o objetivo de garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes de trabalho. As primeiras normas regulamentadoras foram publicadas pela Portaria MTb nº 3.214, de 8 de junho de 1978. As demais normas foram criadas ao longo do tempo, visando assegurar a prevenção da segurança e saúde de trabalhadores em serviços laborais e segmentos econômicos específicos. A elaboração e a revisão das normas regulamentadoras são realizadas adotando o sistema tripartite paritário, preconizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio de grupos e comissões compostas por representantes do governo, de empregadores e de trabalhadores. Nesse contexto, a Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) é a instância de discussão para construção e atualização das normas regulamentadoras, com vistas a melhorar as condições e o meio ambiente do trabalho. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 34 NORMAS REGULAMENTADORAS – MINISTÉRIO DO TRABALHO NR-1 - DISPOSIÇÕES GERAIS E GERENCIAMENTO DE RISCOS OCUPACIONAIS - Portaria SEPRT nº 6.730, de 9 de março de 2020. NR-2 - INSPEÇÃO PRÉVIA (REVOGADA) Revogada pela PORTARIA SEPRT n.º 915, de 30 de julho de 2019, publicada no DOU de 31/07/2019. NR-3 - EMBARGO OU INTERDIÇÃO Última modificação: Portaria SEPRT 1069, de 23/09/2019. NR-4 - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO Última modificação: Portaria MTPS 510, de 29/04/2016. NR-5 - COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-6 - EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI Última modificação: Portaria MTb 877, de 24/10/2018. Extinto o Certificado de Aprovação - CA, pela Secretaria da Previdência e do Trabalho, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho - SIT e da Coordenadoria Geral de Segurança e Saúde no Trabalho - CGSST em 2019. A Secretaria publicará ato para disciplinar os critérios de avaliação de EPI. No dia 08 de maio de 2020, foi publicada a PORTARIA Nº 11.347, DE 6 DE MAIO DE 2020 e ela estabelece os procedimentos e os requisitos técnicos para avaliação de Equipamentos de Proteção Individual - EPI e emissão, renovação ou alteração de Certificado de Aprovação - CA e dá outras providências. §1º Os EPIs submetidos à avaliação compulsória no âmbito do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - SINMETRO, devem ser avaliados na modalidade de certificação, por meio de Organismos de Certificação de Produtos - OCP nacionais acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia - INMETRO, em conformidade com os Regulamentos de Avaliação da Conformidade - RAC já publicados pelo INMETRO, bem como com o estabelecido nesta Portaria no que tange aos requisitos documentais e de marcação. §2º Os demais EPIs devem ser avaliados na modalidade de relatório de ensaio, por meio de laboratórios de ensaio nacionais acreditados no INMETRO, em conformidade com os critérios estabelecidos nos Anexos I, II e III desta Portaria. §3º O EPI tipo meia de segurança terá sua conformidade atestada mediante termo de responsabilidade emitido pelo próprio fabricante, no qual assegure a eficácia do equipamento para o fim a que se destina e declare ciência quanto às consequências legais, civis e criminais em caso de falsa declaração e falsidade ideológica. Na íntegra, ela se encontra no Portal da ENIT: www.enit.gov.br, são 53 páginas. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 35 NR-7 - PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL Última modificação: Portaria MTb 1031, de 06/12/2018. NR-7 - PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE OCUPACIONAL - PCMSO (NOVO TEXTO) Início de vigência - 1 (um) ano a partir da publicação da Portaria SEPRT nº 6.734, de 9 de março de 2020. NR-8 - EDIFICAÇÕES Última modificação: Portaria SIT 222, de 06/05/2011. NR-9 - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS Última modificação: Portarias SEPRT n.º 1.358 e 1.359, de 09 de dezembro de 2019. NR-9 - AVALIAÇÃO E CONTROLE DAS EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS A AGENTES FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS (NOVO TEXTO) Início de vigência - 1 (um) ano a partir da publicação da Portaria SEPRT nº 6.735, de 10 de março de 2020. NR-10 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-11 - TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS Última modificação: Portaria MTPS 505, de 29/04/2016. NR-11 - ANEXO I - REGULAMENTO TÉCNICO DE PROCEDIMENTOS PARA MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE CHAPAS DE ROCHAS ORNAMENTAIS Última modificação: Portaria MTPS 505, de 29/04/2016. NR-12 - SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Última modificação: Portaria SEPRT 916, de 30/07/2019. NR-13 - CALDEIRAS, VASOS DE PRESSÃO E TUBULAÇÕES E TANQUES METÁLICOS DE ARMAZENAMENTO Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-14 - FORNOS Última modificação: Portaria SSMT 12, de 06/06/1983. NR-15 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES Última modificação: Portaria SEPRT n.º 1.359, de 09 de dezembro de 2019. NR-15 - ANEXO 1 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE NR-15 - ANEXO 2 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS DE IMPACTO NR-15 - ANEXO 3 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR Última modificação: Portaria SEPRT n.º 1.359, de 09 de dezembro de 2019. NR-15 - ANEXO 4 - (Revogado)COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 36 NR-15 - ANEXO 5 - RADIAÇÕES IONIZANTES Última modificação: Portaria MTb 1084, de 18/12/2018. NR-15 - ANEXO 6 - TRABALHO SOB CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS Última modificação: Portaria SSMT 24, de 14/09/1983. NR-15 - ANEXO 7 - RADIAÇÕES NÃO-IONIZANTES NR-15 - ANEXO 8 - VIBRAÇÃO Última modificação: Portaria MTE 1297, de 13/08/2014. NR-15 - ANEXO 9 - FRIO NR-15 - ANEXO 10 - UMIDADE NR-15 - ANEXO 11 - AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO NR-15 - ANEXO 12 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS Última modificação: Portaria SSST 1, de 28/05/1991. NR-15 - ANEXO 13 - AGENTES QUÍMICOS NR-15 - ANEXO 13A - BENZENO Última modificação: Portaria SSST 14, de 20/12/1995. NR-15 - ANEXO 14 - AGENTES BIOLÓGICOS Última modificação: Portaria SSST 12, 12/11/1979. NR-16 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS Última modificação: Portaria SEPRT n.º 1.357, de 09 de dezembro de 2019. NR-17 - ERGONOMIA Última modificação: Portaria 876, de 24/10/2018. NR-17 - ANEXO I - TRABALHO DOS OPERADORES DE CHECKOUT Última modificação: Portaria SIT 13, de 21/06/2007. NR-17 - ANEXO II - TRABALHO EM TELEATENDIMENTO/TELEMARKETING Última modificação: Portaria SIT 9, de 30/03/2007. NR-18 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (TEXTO VIGENTE) Última modificação: Portaria MTb n.º 261, de 18 de abril de 2018. NR-18 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (NOVO TEXTO) Início de vigência - 1 (um) ano a partir da publicação da Portaria SEPRT nº 3.733, de 10 de fevereiro de 2020. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 37 NR-19 - EXPLOSIVOS Última modificação: Portaria 228, de 24/05/2011. NR-20 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO COM INFLAMÁVEIS E COMBUSTÍVEIS Última modificação: Portaria SEPRT n.º 1.360, de 09 de dezembro de 2019. NR-21 - TRABALHOS A CÉU ABERTO Última modificação: Portaria GM 2037, de 15/12/1999. NR-22 - SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO Última modificação: Portaria MTb 1085, de 18/12/2018. NR-23 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS Última modificação: Portaria SIT 221, de 06/05/2011. NR-24 - CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONFORTO NOS LOCAIS DE TRABALHO Última modificação: Portaria 1.066, de 23/09/2019 do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. NR-25 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS Última modificação: Portaria SIT 253, de 04/08/2011. NR-26 - SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA Última modificação: Portaria MTE 704, de 28/05/2015. NR-27 - REGISTRO PROFISSIONAL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO (Revogada) Registro da Profissão Técnico de Segurança Trabalho, conforme a Lei nº 7.410, de 27 de novembro de 1985, artigo 3º, e o Decreto nº 92.530, de 9 de abril de 1986, artigo 7º. NR-28 - FISCALIZAÇÃO E PENALIDADES Última modificação: Portarias SEPRT nº 1.358, 1.359 e 1.360, de 09 de dezembro de 2019. NR-29 - NORMA REGULAMENTADORA DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO Última modificação: Portaria MTE 1080, de 16/07/2014. NR-30 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO AQUAVIÁRIO Última modificação: Portaria MTE 1186, de 20/12/2018. NR-30 - ANEXO I - PESCA COMERCIAL E INDUSTRIAL Última modificação: Portaria SIT 36, de 29/01/2008. NR-30 - ANEXO II - PLATAFORMAS E INSTALAÇÕES DE APOIO Última modificação: Portaria MTb 1186, de 20/12/2018 NR-31 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA AGRICULTURA, PECUÁRIA SILVICULTURA, EXPLORAÇÃO FLORESTAL E AQUICULTURA Última modificação: Portaria MTE 1086, de 18/12/2018. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 38 NR-32 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇOS DE SAÚDE Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-33 - SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-34 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, REPARAÇÃO E DESMONTE NAVAL Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-35 - TRABALHO EM ALTURA Última modificação: Portaria SEPRT 915, de 30/07/2019. NR-36 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM EMPRESAS DE ABATE E PROCESSAMENTO DE CARNES E DERIVADOS Última modificação: Portaria MTb 1087, de 18/12/2018. NR-37 - SEGURANÇA E SAÚDE EM PLATAFORMAS DE PETRÓLEO Última modificação: Portaria SEPRT n.º 1.412, de 17 de dezembro de 2019. NR-38 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NAS ATIVIDADES DE LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS (Vigência a partir de 2 de janeiro de 2024, conforme Portaria MTP n° 4.101, de 16 de dezembro de 2022). f) Noções sobre a inclusão de pessoas com deficiência e reabilitados nos processos de trabalho Quais categorias de trabalhadores? Embora reconhecendo que a necessidade de prover adaptações razoáveis pode surgir em situações diversificadas, portanto, apresentamos cinco categorias concretas de trabalhador: 1. Trabalhadores com deficiência; 2. Trabalhadores reabilitados nos processos de trabalho; 3. Trabalhadores que têm HIV ou estão afetados por eles; 4. Trabalhadoras grávidas e trabalhadores com responsabilidades familiares; 5. Trabalhadores que professam determinada religião ou crença. Foram selecionadas estas categorias de trabalhador porque na prática a experiência sugere que essas quatro representam as circunstâncias mais comuns nas quais um determinado trabalhador solicitará uma adaptação. Mesmo as pequenas e médias empresas podem receber solicitações de adaptação relacionada com uma ou mais destas características. Ainda que não se aborde especificamente solicitações baseadas em outras características, como a identidade de gênero1, a abordagem recomendada para atender as solicitações de adaptação, poderia ser aplicada a uma diversidade maior de situações. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 39 Trabalhadores com deficiência A deficiência resulta da interação entre os impedimentos na pessoa (por exemplo, de natureza física, intelectual, auditiva, visual ou de saúde mental) e as barreiras devidas a atitudes ou ao entorno. Os exemplos mais visíveis têm a ver com o ambiente físico, como uma pessoa em cadeira de rodas diante de um edifício ao qual só se pode adentrar pelas escadas. Contudo, é importante considerar a diversidade de condições que as pessoas com deficiência enfrentam e as barreiras invisíveis que podem ser encontradas. Por exemplo, uma pessoa que tem um transtorno de ansiedade pode ter dificuldade em desempenhar seu emprego por causa de persistentes preocupações em cumprir sua carga de trabalho. Neste caso, uma adaptação razoável poderia ser provida a esse trabalhador na forma de apoio adicional do seu chefe imediato, que faria reuniões agendadas com o trabalhador para revisar seus deveres e horários. O trabalhador poderá ter impedimentos antes de ser contratado pela empresa ou surgir durante o ciclo do emprego. Os impedimentos podem resultar de lesões relacionadas ao emprego ou de eventos externos à empresa (por ex., um acidente de carro, não relacionado ao emprego). É importante saber que a proteção (por ex., a provisão de adaptação razoável) contra a discriminação baseada na deficiência se estende geralmente também a pessoas com responsabilidade de cuidar de um parente com deficiência. Por exemplo, pais que cuidam de uma criança com deficiência podem ter a necessidade da certeza sobre o horário de término do dia de trabalho a fim de agendar os cuidadores contratados. Trabalhadores que vivem com o HIV ou estão afetadospor eles De acordo com a Recomendação da OIT n. 200 sobre HIV e Aids (2010), trabalhadores que têm ou estão afetados por HIV [human immunodeficiency virus = vírus da imunodeficiência humana ou Aids [acquired immunodeficiency syndrome = síndrome da imunodeficiência adquirida. São aqueles que vivem com o vírus, bem como aqueles que cuidam de uma pessoa da família ou outro dependente que está com uma doença relacionada ao HIV. Uma pessoa soropositiva pode geralmente estar apta para o trabalho, mas passa por episódios de saúde precária. Isto pode significar que a adaptação razoável precisará ser flexível. Por exemplo, uma trabalhadora com HIV pode normalmente desempenhar todas as suas tarefas no escritório, mas ela pode precisar de flexibilidade para trabalhar alguns dias da semana em casa durante períodos em que ela esteja afetada por uma doença relacionada ao HIV ou durante um período de adaptação ao remédio antirretroviral ou outra medicação relacionada à sua condição de pessoa com HIV. Um trabalhador pode não ter HIV, mas pode ter responsabilidades para com uma pessoa, de sua família, com HIV ou Aids. Nestas circunstâncias, o trabalhador pode ter a necessidade de uma adaptação razoável, como por exemplo uma redução temporária do horário de trabalho. Revogada a Portaria Interministerial nº 3.195, de 10 de agosto de 1988, pela Portaria SEPRT nº 1417 DE 19/12/2019, publicado no DOU em 20 dez 2019. Campanha Interna de Prevenção da AIDS - "CIPAS". Não é mais atribuição delas, a promoção de campanhas de prevenção contra a AIDS/SIDA. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 40 Trabalhadoras grávidas e trabalhadores com responsabilidades familiares Pessoas com responsabilidades familiares são aquelas que estão grávidas ou são lactantes e aquelas que cuidam de crianças dependentes ou outros membros dependentes na família, tais como um pai ou um irmão. Um tipo comum de adaptação solicitada por trabalhador que tem responsabilidades familiares é uma adaptação das horas de trabalho. Se os trabalhadores devem começar às 8:30, isto pode ser difícil para um pai ou mãe que precisa, no mesmo horário, deixar seus filhos na escola. Uma adaptação razoável poderia ser a de permitir que ele ou ela comece a trabalhar às 9:00 e reduza o intervalo de almoço de 60 minutos para 30 minutos. Trabalhadores que professam determinada religião ou crença As adaptações razoáveis são geralmente associadas às três categorias acima citadas, mas há uma prática em evolução que ilustra o seu potencial de aplicação a pessoas que professam determinada religião ou crença. O trabalho e a sociedade têm sido com frequência estruturados em torno de culturas e práticas de comunidades religiosas dominantes em um determinado país. Estas podem determinar a designação de feriados nacionais oficiais e reconhecidos pelo governo, assim como o(s) dia(s) para o descanso semanal e os códigos que regem a indumentária no local de trabalho. Tudo isso pode conflitar com algumas práticas religiosas. Neste contexto, trabalhadores com alguma religião ou crença, inclusive aqueles que não professam religião ou crença, podem solicitar adaptação razoável. Mais do que isso, é importante levar em consideração que existem frequentes diferenças em qualquer religião quanto a como cada adepto interpreta suas obrigações. Por exemplo, alguns trabalhadores sentem à vontade trabalhando em qualquer dia da semana, enquanto outros, não. Algumas adaptações podem ser de natureza temporária respondendo a determinado período do calendário. Por exemplo, um trabalhador muçulmano que faz jejum durante o Ramadã poderia solicitar uma pausa de descanso ao pôr-do-sol para que ele possa comer. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 41 Trabalhadores reabilitados nos processos de trabalho As vezes na prática o trabalhador reabilitado é designado para uma tarefa ou atividade de menor relevância e muitas vezes a organização aceita esse trabalhador por imposição do INSS, que cessa o auxílio-doença e alega que esse trabalhador já pode retornar ao trabalho, mesmo sem ter condições clínicas, física e mental de realizar qualquer atividade laboral. Direitos dos trabalhadores reabilitados pelo INSS, Lei 13.846/2019 e MP 871/2019 da Previdência Social. A definição legal de reabilitação está prevista no artigo 89 da Lei 8.213/1991. Proporcionar aos beneficiários incapacitados parciais ou totalmente, os meios indicados para o reingresso no mercado de trabalho e no contexto em que vivem. A habilitação e a reabilitação profissional e social deverão proporcionar ao beneficiário incapacitado parcial ou totalmente para o trabalho, e às pessoas portadoras de deficiência, os meios para a (re)educação e de (re)adaptação profissional e social indicados para participar do mercado de trabalho e do contexto em que vive. Segundo o parágrafo único do artigo 89 da Lei 8.213/1991, a reabilitação profissional deve obrigatoriamente compreender: a) o fornecimento de aparelho de prótese, órtese e instrumentos de auxílio para locomoção quando a perda ou redução da capacidade funcional puder ser atenuada por seu uso e dos equipamentos necessários à habilitação e reabilitação social e profissional; b) a reparação ou a substituição dos aparelhos mencionados no inciso anterior, desgastados pelo uso normal ou por ocorrência estranha à vontade do beneficiário; c) o transporte do acidentado do trabalho, quando necessário. Um aspecto importante dessa assistência prevista na legislação previdenciária é que a sua realização é obrigatória, ou seja, o segurado não tem opção de se negar a fazer a reabilitação proposta pelo INSS, sendo que, não sendo realizada nos moldes estabelecidos, o benefício por incapacidade será imediatamente cessado. Conforme a lei atual, após o processo de habilitação ou reabilitação social e profissional, o INSS emitirá certificado individual, indicando as atividades que poderão ser exercidas pelo beneficiário, nada impedindo que este exerça outra atividade para a qual se capacitar. Adaptações Razoáveis O conceito de adaptação razoável pode ser dividido em dois elementos principais: ▪ Identificação de medidas efetivas que removem ou reduzem as barreiras encontradas pelo trabalhador; ▪ Avaliação da razoabilidade daquelas adaptações. Determinados trabalhadores podem encontrar barreiras para ter acesso ao emprego e avançar ou permanecer nele, devido a fatores tais como o ambiente físico no local de trabalho ou a maneira como o trabalho está organizado. A adaptação razoável procura remover ou reduzir essas barreiras adaptando o modo existente de fazer as coisas ou removendo barreiras no local de trabalho onde for necessário e exequível, por exemplo substituindo um degrau por uma rampa a fim de facilitar o acesso aos usuários de cadeira de rodas. O elemento-chave deste conceito é a razoabilidade. Empregadores podem não conseguir atender todas as solicitações de modificação no trabalho ou no local de trabalho; algumas modificações podem ser consideradas onerosas demais para o funcionamento da empresa. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 42 Ao mesmo tempo, o mero fato de uma adaptação ser inconveniente para o empregador não constitui uma razão suficiente para recusar essa adaptação. A adaptação razoável torna mais inclusivo o local de trabalho, além de assegurar que os negócios continuem operando eficientemente A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD),da ONU, define as adaptações razoáveis como: “As modificações e os ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais “ Concluindo, vamos citar alguns benefícios associados à adaptação razoável: Uma empresa que proporciona adaptação razoável estará bem situada para demonstrar que ela oferece um ambiente laboral inclusivo, que pode ser útil para reduzir a discriminação e promover o comprometimento do trabalhador. A adaptação razoável pode facilitar um melhor e mais rápido retorno ao trabalho após o afastamento por doença, maternidade, paternidade ou licença-paternidade. Isto pode reduzir para o empregador os custos derivados do absenteísmo ou a rotatividade de pessoal e ajudar a romper as barreiras invisíveis promovendo o desenvolvimento profissional das mulheres e o seu acesso aos postos diretivos. As adaptações feitas em resposta às solicitações dos trabalhadores individualmente também podem beneficiar os clientes; por exemplo, as adaptações que tornam mais acessível o entorno físico do local de trabalho para todas as pessoas com mobilidade reduzida. Onde proporcionar adaptações é uma obrigação legal, cumprir essa lei ajuda a que as empresas evitem os custos dos litígios, os pagamentos pela indenização e a imagem empresarial negativa. Em alguns países, inclusive no Brasil, empregadores têm uma obrigação legal de contratar um número mínimo de trabalhadores com deficiência. As adaptações razoáveis podem ajudar os empregadores a cumprir as cotas estabelecidas por lei. g) Organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da Comissão ORIGEM DA CIPA Em 1921, a OIT – Organização Internacional do Trabalho, organizou uma comissão para pesquisar a situação da segurança e da higiene nas indústrias dos países a ela filiados. Como parte das conclusões dessa pesquisa, a comissão propôs que fossem criados comitês de segurança no trabalho que teriam atribuições voltadas à prevenção de acidentes nas indústrias. A OIT expediu instrução aos governos dos países membros para que legislassem sobre a criação de comitês de segurança do trabalho, sugerindo que fossem tornados obrigatórios em indústrias com 25 ou mais empregados. Alguns países adotaram os comitês já nos anos vinte: outros só mais tarde. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 43 No Brasil: apenas em 1944 o governo brasileiro adotou a recomendação da OIT, tendo origem a versão brasileira que é a nossa tradicional CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; através do decreto-lei nº 7.036, de 10 de novembro, que trazia o seguinte enunciado: “Art. 82 - Os empregadores, cujo número de empregados seja superior a 100, deverão providenciar a organização, em seus estabelecimentos, de comissões internas com representantes dos empregados, para fim de estimular o interesse pelas questões de prevenção de acidentes, apresentar sugestões quanto a orientação e fiscalização das medidas de proteção ao trabalhador, realizar palestras instrutivas, propor a instituição de concursos e prêmios e tomar outras providências tendentes a educar o empregado na prática de prevenir acidentes”. Das alterações que ocorreram no texto original a mais importante foi introduzida pela lei nº 6.514 de 22.12.77, que assegurou a garantia provisória de emprego ao titular da representação dos empregados na CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). A CIPA tem demonstrado que pode ser de grande utilidade na prevenção dos acidentes do trabalho, não tanto pela sua existência institucional, mas também pelo interesse das empresas e pela dedicação de seus membros junto aos empregados visando a segurança de todos CONCEITO DA CIPA – COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES O significado da sigla CIPA – Comissão Interna de prevenção de Acidentes – pode ser assim conceituada: ➢ Comissão: Grupo de pessoas que se reúnem para tratar de um determinado assunto, onde seus objetivos estejam sempre em primeiro plano. A Comissão tem a participação do empregador e dos empregados na prevenção de acidentes. ➢ Interna: Seu campo de atuação está restrito à própria empresa. ➢ Prevenção: Significa prever antes que venha a ocorrer. É a atuação do Cipeiro quando se depara com alguma situação de risco capaz de provocar um acidente. ➢ Acidente: Qualquer ocorrência inesperada que interfere no andamento normal do trabalho causando danos materiais, perda de tempo ou lesão à pessoa. CONCEITOS DE ACIDENTES DO TRABALHO Há três aspectos a serem considerados quando nos referimos ao acidente: o Conceito Legal, Prevencionista e o Técnico. O conceito legal de acidente de trabalho definido pela Previdência Social é voltado para o direito do trabalhador a certos benefícios, quando acidentado. O seu enunciado, adiante descrito, não tem valor prático na prevenção de acidentes. Art. 19 – Acidente de Trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11, esta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária da capacidade para o trabalho. Lei 8.213/91, nova regulamentação: Dec. nº 3.048 de 06.05.99 – Regulamento dos Benefícios da Previdência Social. O conceito prevencionista de acidente do trabalho deve ser mais amplo, como enunciado abaixo: COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 44 “Acidente do trabalho é toda ocorrência não programada que interfere no andamento normal do trabalho dos quais resultam, separadamente ou em conjunto, lesões, danos materiais ou perda de tempo”. Acidentes do trabalho, portanto, não são somente aqueles que causam lesões ao trabalhador, mas também outras ocorrências que ocasionam algum outro dano como perda de tempo e danos materiais. Conceito Técnico: A Associação Brasileira de Normas Técnicas define na norma NBR- 14.280, de fevereiro de 1999, acidente como sendo: “Ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada com o exercício do trabalho, que provoca lesão pessoal ou de que decorre risco próximo ou remoto dessa lesão”. Consequências de Acidentes: Humanas: ▪ Mutilação Física ▪ Perda de Capacidade ▪ Inutilidade ▪ Morte ▪ Desagregação familiar Econômicas: ▪ Desemprego ▪ Mendicância ▪ Marginalização OBJETIVOS DA CIPA O objetivo fundamental da CIPA é a prevenção de acidentes, sendo que para um maior esclarecimento, devemos socorrer-nos da Norma Regulamentadora NR-5, da Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978, baixada pelo Ministério do Trabalho, com o seguinte teor: 5.1 – A CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. O PAPEL DO CIPEIRO Cipeiro é o empregado de um estabelecimento regularmente eleito por escrutínio secreto para representar os empregados, em uma gestão de um ano, perante a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. É cipeiro também o empregado de um estabelecimento escolhido pelo empregador para representá-lo na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, já que a CIPA é paritária, com representantes do empregador e dos empregados. A CIPA não pode existir apenas para cumprir exigência legal, pois assim seus resultados nunca serão satisfatórios. Ela deve ser absorvida e aceita por todos como um órgão de objetivos tão importantesquanto os de produção e financeiros. Suas propostas devem representar os interesses de toda a comunidade de trabalho e um desafio a ser vencido por todos. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 45 RESPONSABILIDADES DA CIPA Na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho – Capítulo V, Título II Art. 163: Será obrigada a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), de conformidade com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de obras nela especificadas. Parágrafo único: “O Ministério do Trabalho regulamentará as atribuições, a composição e o funcionamento das CIPA’s”. As obrigações pela segurança estendem-se por outros dispositivos legais, que fazem parte desse capítulo da CLT: Art. 157: Cabe às empresas: I - Cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; II - Instruir os empregados, através de ordens de serviço quanto às precauções a tornar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; III - Adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; IV - Facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. Art. 158: Cabe aos empregados: I. Observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as instruções que trata o item II do artigo anterior; II. Colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste capítulo. Parágrafo único: Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: a) À observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do artigo anterior; b) Ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa. Na Convenção Coletiva de Trabalho: ➢ A organização e o funcionamento da CIPA podem sofrer algumas alterações levadas a efeito por acordos entre empregados e empregadores nas Convenções coletivas de trabalho. ➢ Os dirigentes da empresa e mesmo a própria CIPA devem atentar aos dispositivos das Convenções que possam promover alterações, sem prejudicar a organização e o funcionamento da CIPA. Normas Regulamentadoras A Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho, que aprovou as Normas Regulamentadoras do Capítulo V, Título II da CLT. Nota: - Toda portaria tem função reguladora de uma Lei ou Decreto Lei que, pelo Ministério correspondente, cria disposições regulamentares dentro da competência determinada pela legislação. A Portaria, em resumo, tem caráter disciplinador de ordem prática. No caso da Portaria nº 3.214, de 08.06.78, houve a decomposição em 38 Normas Regulamentadoras. sendo que todas elas estão relacionadas aos aspectos de Segurança e Medicina do Trabalho. Entre elas encontramos a de nº 5, que trata da CIPA. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 46 ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO Publicada a Portaria MTP n.º 422, de 07 de outubro de 2021, que dá nova redação, incluindo nela, requisitos legais da Lei 14.457 de 21 de setembro de 2022, que institui o Programa Emprega + Mulheres, que destina a inserção e a manutenção de mulheres no mercado do trabalho, onde em CAPÍTULO VII, artigo 23, estabelece medidas para prevenir e combater o assédio sexual e demais formas de violência no ambiente de trabalho, a serem adotadas no âmbito da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio – CIPA. Esta é sua nova denominação. SUMÁRIO DA NR 5 5.1 Objetivo 5.2 Campo de aplicação 5.3 Atribuições 5.4 Constituição e estruturação 5.5 Processo eleitoral 5.6 Funcionamento 5.7 Treinamento 5.8 CIPA das organizações contratadas para prestação de serviços 5.9 Disposições finais Anexo I - CIPA da Indústria da Construção 5.1 Objetivo 5.1.1 Esta norma regulamentadora - NR estabelece dos parâmetros e os requisitos da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio - CIPA tendo por objetivo a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e promoção da saúde do trabalhador. 5.2 Campo de aplicação 5.2.1 As organizações e os órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como os órgãos dos Poderes Legislativo, Judiciário e Ministério Público, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, devem constituir e manter CIPA. 5.2.2 Nos termos previstos em lei, aplica-se o disposto nesta NR a outras relações jurídicas de trabalho. 5.3 Atribuições 5.3.1 A CIPA tem por atribuição: a) acompanhar o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos bem como a adoção de medidas de prevenção implementadas pela organização; b) registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em conformidade com o subitem 1.5.3.3 da NR-01, por meio do mapa de risco ou outra técnica ou ferramenta apropriada à sua escolha, sem ordem de preferência, com assessoria do Serviço Especializado em Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, onde houver; c) verificar os ambientes e as condições de trabalho visando identificar situações que possam trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 47 d) elaborar e acompanhar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva em segurança e saúde no trabalho; e) participar no desenvolvimento e implementação de programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; f) acompanhar a análise dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, nos termos da NR-1 e propor, quando for o caso, medidas para a solução dos problemas identificados; g) requisitar à organização as informações sobre questões relacionadas à segurança e saúde dos trabalhadores, incluindo as Comunicações de Acidente de Trabalho - CAT emitidas pela organização, resguardados o sigilo médico e as informações pessoais; h) propor ao SESMT, quando houver, ou à organização, a análise das condições ou situações de trabalho nas quais considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores e, se for o caso, a interrupção das atividades até a adoção das medidas corretivas e de controle; i) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho - SIPAT, conforme programação definida pela CIPA; e j) incluir temas referentes à prevenção e ao combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho nas suas atividades e práticas. 5.3.1 Cabe à organização: a) proporcionar aos membros da CIPA os meios necessários ao desempenho de suas atribuições, garantindo tempo suficiente para a realização das tarefas constantes no plano de trabalho; b) permitir a colaboração dos trabalhadores nas ações da CIPA; e c) fornecer à CIPA, quando requisitadas, as informações relacionadas às suas atribuições. 5.3.2 Cabe aos trabalhadores indicar à CIPA, ao SESMT e à organização situações de riscos e apresentar sugestões para melhoria das condições de trabalho. 5.3.3 Cabe ao Presidente da CIPA: a) convocar os membros para as reuniões; e b) coordenar as reuniões, encaminhando à organização e ao SESMT, quando houver, as decisões da comissão. 5.3.4 Cabe ao Vice-Presidente substituir o Presidente nos seus impedimentos eventuais ou nos seus afastamentos temporários. 5.3.5 O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA, em conjunto, terão as seguintes atribuições: a) coordenar e supervisionar as atividades da CIPA, zelando para que os objetivos propostos sejam alcançados; e divulgar as decisões da CIPA a todos os trabalhadores do estabelecimento. b) divulgar as decisões da CIPA a todos os trabalhadores do estabelecimento.COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 48 5.4 Constituição e estruturação 5.4.1 A CIPA será constituída por estabelecimento e composta de representantes da organização e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no Quadro I desta NR, ressalvadas as disposições para setores econômicos específicos. 5.4.2 As CIPA das organizações que operem em regime sazonal devem ser dimensionadas tomando-se por base a média aritmética do número de trabalhadores do ano civil anterior e obedecido o disposto no Quadro I desta NR. 5.4.3 Os representantes da organização na CIPA, titulares e suplentes, serão por ela designados. 5.4.4 Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de filiação sindical, exclusivamente os empregados interessados. 5.4.5 A organização designará, entre seus representantes, o Presidente da CIPA, e os representantes eleitos dos empregados escolherão, entre os titulares, o vice-presidente. 5.4.6 O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida uma reeleição. 5.4.7 Os membros da CIPA, eleitos e designados serão empossados no primeiro dia útil após o término do mandato anterior. 5.4.8 A organização deve fornecer cópias das atas de eleição e posse aos membros titulares e suplentes da CIPA. 5.4.9 Quando solicitada, a organização encaminhará a documentação referente ao processo eleitoral da CIPA, podendo ser em meio eletrônico, ao sindicato dos trabalhadores da categoria preponderante, no prazo de até dez dias. 5.4.10 A CIPA não poderá ter seu número de representantes reduzido, bem como não poderá ser desativada pela organização, antes do término do mandato de seus membros, ainda que haja redução do número de empregados, exceto no caso de encerramento das atividades do estabelecimento. 5.4.11 É vedada à organização, em relação ao integrante eleito da CIPA: a) a alteração de suas atividades normais na organização que prejudique o exercício de suas atribuições; e b) a transferência para outro estabelecimento, sem a sua anuência, ressalvado o disposto nos parágrafos primeiro e segundo do art. 469 da CLT. 5.4.12 É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção da CIPA desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. 5.4.12.1 O término do contrato de trabalho por prazo determinado não caracteriza dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção da CIPA. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 49 5.4.13 Quando o estabelecimento não se enquadrar no disposto no Quadro I e não for atendido por SESMT, nos termos da Norma Regulamentadora nº 4 (NR-4), a organização nomeará um representante da organização entre seus empregados para auxiliar na execução das ações de prevenção em segurança e saúde no trabalho, podendo ser adotados mecanismos de participação dos empregados, por meio de negociação coletiva. 5.4.13.1 No caso de atendimento pelo SESMT, este deverá desempenhar as atribuições da CIPA. 5.4.13.2 O microempreendedor individual - MEI está dispensado de nomear o representante previsto no item 5.4.13. 5.4.14 A nomeação de empregado como representante da organização e sua forma de atuação devem ser formalizadas anualmente pela organização. 5.4.15 A nomeação de empregado como representante da organização não impede o seu ingresso na CIPA, quando da sua constituição, seja como representante do empregador ou como dos empregados. 5.5 Processo eleitoral 5.5.1 Compete ao empregador convocar eleições para escolha dos representantes dos empregados na CIPA, no prazo mínimo de sessenta dias antes do término do mandato em curso. 5.5.1.1 A organização deve comunicar, com antecedência, podendo ser por meio eletrônico, com confirmação de entrega, o início do processo eleitoral ao sindicato da categoria preponderante. 5.5.2 O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA constituirão dentre seus membros a comissão eleitoral, que será a responsável pela organização e acompanhamento do processo eleitoral. 5.5.2.1 Nos estabelecimentos onde não houver CIPA, a comissão eleitoral será constituída pela organização. 5.5.3 O processo eleitoral deve observar as seguintes condições: a) publicação e divulgação de edital de convocação da eleição e abertura de prazos para inscrição de candidatos, em locais de fácil acesso e visualização, podendo ser em meio físico ou eletrônico; b) inscrição e eleição individual, sendo que o período mínimo para inscrição será de quinze dias corridos; c) liberdade de inscrição para todos os empregados do estabelecimento, independentemente de setores ou locais de trabalho, com fornecimento de comprovante em meio físico ou eletrônico; d) garantia de emprego até a eleição para todos os empregados inscritos; e) publicação e divulgação da relação dos empregados inscritos, em locais de fácil acesso e visualização, podendo ser em meio físico ou eletrônico; f) realização da eleição no prazo mínimo de trinta dias antes do término do mandato da CIPA, quando houver; g) realização de eleição em dia normal de trabalho, respeitando os horários de turnos e em horário que possibilite a participação da maioria dos empregados do estabelecimento; h) voto secreto; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 50 i) apuração dos votos, em horário normal de trabalho, com acompanhamento de representante da organização e dos empregados, em número a ser definido pela comissão eleitoral, facultado o acompanhamento dos candidatos; e j) organização da eleição por meio de processo que garanta tanto a segurança do sistema como a confidencialidade e a precisão do registro dos votos. 5.5.4 Na hipótese de haver participação inferior a cinquenta por cento dos empregados na votação, não haverá a apuração dos votos e a comissão eleitoral deverá prorrogar o período de votação para o dia subsequente, computando-se os votos já registrados no dia anterior, a qual será considerada válida com a participação de, no mínimo, um terço dos empregados. 5.5.4.1 Constatada a participação inferior a um terço dos empregados no segundo dia de votação, não haverá a apuração dos votos e a comissão eleitoral deverá prorrogar o período de votação para o dia subsequente, computando-se os votos já registrados nos dias anteriores, a qual será considerada válida com a participação de qualquer número de empregados. 5.5.4.2 A prorrogação referida nos subitens 5.5.4 e 5.5.4.1 deve ser comunicada ao sindicato da categoria profissional preponderante. 5.5.5 As denúncias sobre o processo eleitoral deverão ser protocolizadas na unidade descentralizada de inspeção do trabalho, até trinta dias após a data da divulgação do resultado da eleição da CIPA. 5.5.5.1 Compete à autoridade máxima regional em matéria de inspeção do trabalho, confirmadas irregularidades no processo eleitoral, determinar a sua correção ou proceder à anulação, quando for o caso. 5.5.5.2 Em caso de anulação somente da votação, a organização convocará nova votação, no prazo de dez dias, a contar da data de ciência, garantidas as inscrições anteriores. 5.5.5.3 Nos demais casos, a decisão da autoridade máxima regional em matéria de inspeção do trabalho determinará os atos atingidos, as providências e os prazos a serem adotados, atendidos os prazos previstos nesta NR. 5.5.5.4 Quando a anulação se der antes da posse dos membros da CIPA, ficará assegurada a prorrogação do mandato anterior, quando houver, até a complementação do processo eleitoral. 5.5.6 Assumirão a condiçãode membros titulares e suplentes os candidatos mais votados. 5.5.7 Em caso de empate, assumirá aquele que tiver maior tempo de serviço no estabelecimento. 5.5.8 Os candidatos votados e não eleitos serão relacionados na ata de eleição e apuração, em ordem decrescente de votos, possibilitando nomeação posterior, em caso de vacância de suplentes. 5.6 Funcionamento 5.6.1 A CIPA terá reuniões ordinárias mensais, de acordo com o calendário preestabelecido. 5.6.1.1 A critério da CIPA, nas Microempresas - ME e Empresas de Pequeno Porte - EPP, graus COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 51 de risco 1 e 2, as reuniões poderão ser bimestrais. 5.6.2 As reuniões ordinárias da CIPA serão realizadas na organização, preferencialmente de forma presencial, podendo a participação ocorrer de forma remota. 5.6.2.1 A data e horário das reuniões serão acordadas entre os seus membros observando os turnos e as jornadas de trabalho. 5.6.3 As reuniões da CIPA terão atas assinadas pelos presentes. 5.6.3.1 As atas das reuniões devem ser disponibilizadas a todos os integrantes da CIPA, podendo ser por meio eletrônico. 5.6.3.2 As deliberações e encaminhamentos das reuniões da CIPA devem ser disponibilizadas a todos os empregados em quadro de aviso ou por meio eletrônico. 5.6.4 As reuniões extraordinárias devem ser realizadas quando: a) ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal; ou b) houver solicitação de uma das representações. 5.6.5 Para cada reunião ordinária ou extraordinária, os membros da CIPA designarão o secretário responsável por redigir a ata. 5.6.6 O membro titular perderá o mandato, sendo substituído por suplente, quando faltar a mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa. 5.6.7 A vacância definitiva de cargo, ocorrida durante o mandato, será suprida por suplente, obedecida a ordem de colocação decrescente que consta na ata de eleição, devendo os motivos ser registrados em ata de reunião. 5.6.7.1 Caso não existam mais suplentes, durante os primeiros seis meses do mandato, a organização deve realizar eleição extraordinária para suprir a vacância, que somente será considerada válida com a participação de, no mínimo, um terço dos trabalhadores. 5.6.7.1.1 Os prazos da eleição extraordinária serão reduzidos à metade dos prazos previstos no processo eleitoral definidos nesta NR. 5.6.7.1.2 As demais exigências estabelecidas para o processo eleitoral devem ser atendidas. 5.6.7.2 No caso de afastamento definitivo do presidente, a organização indicará o substituto, em dois dias úteis, preferencialmente entre os membros da CIPA. 5.6.7.3 No caso de afastamento definitivo do vice-presidente, os membros titulares da representação dos empregados, escolherão o substituto, entre seus titulares, em dois dias úteis. 5.6.7.4 O mandato do membro eleito em processo eleitoral extraordinário deve ser compatibilizado com o mandato dos demais membros da Comissão. 5.6.7.5 O treinamento de membro eleito em processo extraordinário deve ser realizado no prazo máximo de trinta dias, contado a partir da data da posse. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 52 5.6.8 As decisões da CIPA serão, preferencialmente, por consenso. 5.6.8.1 Não havendo consenso, a CIPA deve regular o procedimento de votação e o pedido de reconsideração da decisão. 5.7 Treinamento 5.7.1 A organização deve promover treinamento para o representante nomeado previsto no item 5.4.13 desta NR e para os membros da CIPA, titulares e suplentes, antes da posse. 5.7.1.1 O treinamento de CIPA em primeiro mandato será realizado no prazo máximo de trinta dias, contados a partir da data da posse. 5.7.2 O treinamento deve contemplar, no mínimo, os seguintes itens: a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do processo produtivo; b) noções sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho decorrentes das condições de trabalho e da exposição aos riscos existentes no estabelecimento e suas medidas de prevenção; c) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho; d) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de prevenção dos riscos; e) noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no trabalho; f) noções sobre a inclusão de pessoas com deficiência e reabilitados nos processos de trabalho; g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da Comissão; e h) prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho. (Portaria MTP nº 4.219, de 20 de dezembro de 2022 - redação com vigência: dia 20 de março de 2023). 5.7.3 O treinamento realizado há menos de dois anos contados da conclusão do curso pode ser aproveitado na mesma organização, observado o estabelecido na NR-1. 5.7.4 O treinamento deve ter carga horária mínima de: a) oito horas para estabelecimentos de grau de risco 1; b) doze horas para estabelecimentos de grau de risco 2; c) dezesseis horas para estabelecimentos de grau de risco 3; e d) vinte horas para estabelecimentos de grau de risco 4. 5.7.4.1 A carga horária do treinamento deve ser distribuída em, no máximo, oito horas diárias. 5.7.4.2 Para a modalidade presencial deve ser observada a seguinte carga horária mínima do treinamento: a) 4 (quatro) horas para estabelecimentos de grau de risco 2; e b) 8 (oito) horas para estabelecimentos de grau de risco 3 e 4. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 53 5.7.4.3 A carga horária do treinamento dos estabelecimentos de grau de risco 1 e do representante nomeado da organização pode ser realizada integralmente na modalidade de ensino à distância ou semipresencial, nos termos da NR-1. 5.7.4.4 O treinamento realizado integralmente na modalidade de ensino à distância deve contemplar os riscos específicos do estabelecimento, nos termos do subitem 5.7.2. 5.7.4.5 O integrante do SESMT fica dispensado do treinamento da CIPA. 5.8 CIPA das organizações contratadas para prestação de serviços 5.8.1 A organização de prestação de serviços deve constituir CIPA centralizada quando o número total de seus empregados na unidade da Federação se enquadrar no disposto no Quadro I desta NR. 5.8.1.1 Quando a organização contratada para prestação de serviços a terceiros exercer suas atividades em estabelecimento de contratante enquadrado em grau de riscos 3 ou 4 e o número total de seus empregados no estabelecimento da contratante se enquadrar no disposto no Quadro I desta NR, deve constituir CIPA própria neste estabelecimento, considerando o grau de risco da contratante. 5.8.1.1.1 A organização contratada está dispensada da constituição da CIPA própria no caso de prestação de serviços a terceiros com até centro e oitenta dias de duração. 5.8.1.2 O número total de empregados da organização contratada para prestação de serviços, para efeito de dimensionamento da CIPA centralizada, deve desconsiderar os empregados alcançados por CIPA própria. 5.8.2 A organização contratada para prestação de serviços, quando desobrigada de constituir CIPA própria, deve nomear um representante da organização para cumprir os objetivos desta NR, se possuir 5 (cinco) ou mais empregados no estabelecimento da contratante. 5.8.2.1 A nomeação de representante da organização em estabelecimento onde há empregado membro de CIPA centralizada é dispensada. 5.8.2.2 O estabelecido no subitem 5.8.2 não exclui o disposto no subitem 5.4.13 quanto ao estabelecimento sede da organização contratada para a prestação de serviços. 5.8.2.3A nomeação do representante da organização contratada para a prestação de serviços deve ser feita entre os empregados que exercem suas atividades no estabelecimento. 5.7.1 A organização contratada para a prestação de serviços deve garantir que a CIPA centralizada mantenha interação entre os estabelecimentos nos quais possua empregados. 5.7.1.1 A organização deve garantir a participação dos representantes nomeados na CIPA nas reuniões da CIPA centralizada. 5.7.1.2 A organização deve dar condições aos integrantes da CIPA centralizada de atuarem nos estabelecimentos que não possuem representante nomeado, atendido o disposto no subitem 5.6.2. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 54 5.7.2 O representante nomeado das organizações contratadas para a prestação de serviço deve participar de treinamento de acordo com o grau de risco da contratante. 5.7.3 A CIPA da prestadora de serviços a terceiros, constituída nos termos do subitem 5.8.1.1, será considerada encerrada, para todos os efeitos, quando encerradas as suas atividades no estabelecimento. 5.7.4 A organização contratante deve exigir da organização prestadora de serviços a nomeação do representante da organização, na forma prevista no subitem 5.8.2. 5.7.5 A contratante deve convidar a contratada para participar da reunião da CIPA da contratante, com a finalidade de integrar as ações de prevenção, sempre que as organizações atuarem em um mesmo estabelecimento. 5.7.5.1 A contratada deve indicar um representante da CIPA ou o representante nomeado da organização para participar da reunião da CIPA da contratante. 5.7 Disposições finais 5.7.1 A contratante adotará medidas para que as contratadas, sua CIPA, os representantes nomeados das organizações e os demais trabalhadores lotados naquele estabelecimento recebam informações sobre os riscos presentes nos ambientes de trabalho, bem como sobre as medidas de prevenção, em conformidade com o Programa de Gerenciamento de Riscos, previsto na NR-1. 5.7.2 Toda a documentação referente à CIPA deve ser mantida no estabelecimento à disposição da inspeção do trabalho pelo prazo mínimo de cinco anos. 5.7.3 Na hipótese de haver alteração do grau de risco do estabelecimento, o redimensionamento da CIPA deve ser efetivado na próxima eleição. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 55 ANEXO I da NR-5 CIPA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO Sumário 1. Objetivo 2. Campo de aplicação 3. Disposições gerais 1. Objetivo 1.1 O disposto neste anexo estabelece requisitos específicos para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA da indústria da construção. 2. Campo de aplicação 2.1 As disposições estabelecidas neste Anexo se aplicam às organizações previstas no subitem 18.2.1 da Norma Regulamentadora nº 18 – Condições de Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção. 3. Disposições gerais 3.1 A organização responsável pela obra deve constituir a CIPA por canteiro de obras, quando o número de empregados se enquadrar no dimensionamento previsto no Quadro I, observadas as disposições gerais desta Norma. 3.1.1 Quando o canteiro de obras não se enquadrar no dimensionamento previsto no Quadro I da NR-5, a organização responsável pela obra deverá nomear entre seus empregados do local, no mínimo, um representante para cumprir os objetivos desta NR. 3.1.2 A organização responsável pela obra está dispensada de constituir CIPA por frente de trabalho. 3.1.3 Quando existir frente de trabalho, independentemente da quantidade de empregados próprios no local, a organização responsável pela obra deverá nomear, entre seus empregados, no mínimo, um representante, que exerça suas atividades na frente de trabalho ou no canteiro de obras, para cumprir os objetivos desta NR. 3.1.3.1 O representante nomeado da NR-05 da organização responsável pela obra pode ser nomeado como representante para mais de uma frente de trabalho. 3.2 Na hipótese de haver, no canteiro de obras ou na frente de trabalho, organização prestadora de serviços a terceiros, essa deve nomear, no mínimo, um representante da organização para cumprir os objetivos desta NR, quando possuir cinco ou mais empregados próprios no local. 3.2.1 A nomeação do representante da NR-05 da organização prestadora de serviços a terceiros, no canteiro de obras ou na frente de trabalho, deve ser feita entre os empregados que, obrigatoriamente, exercem suas atividades no local. A organização responsável pela obra deve exigir da organização prestadora de serviços a terceiros que presta serviços no canteiro de obras ou na frente de trabalho a nomeação do representante, quando essa alcançar o mínimo previsto no item 3.2. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 56 3.2.2 A organização que presta serviços a terceiros nos canteiros de obras ou frentes de trabalho, quando o dimensionamento se enquadrar no Quadro I da NR-5, considerando o número total de empregados nos diferentes locais de trabalho, deve constituir uma CIPA centralizada. 3.2.2.1 O dimensionamento da CIPA centralizada da organização prestadora de serviços a terceiros nos canteiros de obras ou frentes de trabalho deve levar em consideração o número de empregados da organização distribuídos nos diferentes locais de trabalho onde presta serviços, tendo como limite territorial, para o dimensionamento da CIPA Centralizada, a unidade da Federação. 3.2.2.1.1 A organização deve garantir que a CIPA centralizada mantenha interação entre os canteiros de obras e frentes de trabalho onde atua na unidade da Federação. 3.3 Obras com até cento e oitenta dias de duração estão dispensadas da constituição da CIPA, devendo a Comunicação Prévia de Obra ser enviada ao sindicato dos trabalhadores da categoria preponderante do local, no prazo máximo de dez dias, a partir de seu registro eletrônico no Sistema de Comunicação Prévia de Obras - SCPO. 3.3.1 Para obras com até cento e oitenta dias de duração, a organização responsável pela obra deverá nomear, no mínimo, um representante da organização para cumprir os objetivos desta NR, aplicando-se o disposto no subitem 3.1.2 quando existir frente de trabalho. 3.3.2 Para obras com até cento e oitenta dias de duração, havendo no canteiro de obras ou na frente de trabalho organização prestadora de serviços a terceiros, essa deverá nomear, no mínimo, um representante da organização para cumprir os objetivos desta NR, quando possuir cinco ou mais empregados próprios no local. 3.4 A escolha do representante nomeado compete à organização, observado o disposto nos itens 5.4.14 e 5.4.15. 3.4.1 A organização deve fornecer ao representante nomeado cópia da sua nomeação. 3.5 Os membros da CIPA do canteiro de obras devem participar de treinamento, conforme estabelecido nesta Norma. 3.5.1 O representante nomeado deve participar de treinamento, com carga horária mínima de oito horas, considerando o disposto no item 1.7 da NR-1 e observadas as disposições gerais dessa Norma, com o seguinte conteúdo: a) noções de prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho; b) estudo do ambiente e das condições de trabalho, dos riscos originados no processo produtivo e das medidas de prevenção, de acordo com a etapa da obra; e noções sobre a legislação trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no trabalho. 3.5.1.1 A validade do treinamento do representante nomeado deverá atender ao disposto nessa Norma, podendo ser, dentro do prazo de validade e para a organização que promoveu o treinamento, aproveitado em diferentes canteiros de obras ou frentes de trabalho. 3.5.1.2 É permitida a convalidação do treinamentodo representante por diferentes organizações, desde que atendido o disposto no item 1.7 da NR-1. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 57 3.6 A organização responsável pela obra deve coordenar, observadas as disposições gerais desta Norma, o trabalho da CIPA, quando existente no canteiro de obras, e, quando aplicável, do representante nomeado pela organização 3.6.1 A organização responsável pela obra deve promover a integração entre a CIPA, quando existente, e o representante nomeado, quando aplicável, no canteiro de obras e na frente de trabalho, observadas as disposições gerais dessa Norma. 3.6.2. A participação dos membros da CIPA e do representante nomeado da NR-05 nas reuniões, para cumprir os objetivos dessa Norma, deve atender ao disposto em sua parte geral. 3.7 A CIPA do canteiro de obras será considerada encerrada, para todos os efeitos, quando as atividades da obra forem finalizadas. 3.7.1 Consideram-se finalizadas as atividades da obra, para os efeitos de aplicação do disposto nessa Norma, quando todas as suas etapas previstas em projetos estiverem concluídas. 3.7.2 A conclusão da obra deverá ser formalizada em documento próprio pelo responsável técnico da obra e cuja cópia deve ser encaminhada - física ou eletronicamente - ao sindicato da categoria dos trabalhadores predominante no estabelecimento. a) Prevenção e combate ao assédio sexual e outras formas de violência no trabalho Derivada da Medida Provisória Nº 1.116 transformada em Projeto de Lei de Conversão, a Lei foi decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, alterando o Art. 163 da CLT, conforme determina a Resolução 01/2002 do CN e Art. 62 da CF; ficando assim: ‘’Art. 163. Será obrigatória a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), em conformidade com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho e Previdência, nos estabelecimentos ou nos locais de obra nelas especificadas (Nova redação dada pela Lei nº 14.457, de 2022).’’ O Ministério do Trabalho e Previdência através da Comissão Tripartite Paritária Permanente - CTPP, regulamentou estas atribuições, nas reuniões ocorridas de 21 a 23 de novembro de 2022 em Brasília - DF, na Reunião Ordinária desta Comissão. No âmbito da SST, a Lei determina que deverão se adotar as seguintes medidas, além de outras que entenderem necessárias, com vistas à prevenção e ao combate ao assédio sexual e às demais formas de violência no âmbito do trabalho, que seguem: 1- Inclusão de regras de conduta a respeito do assédio sexual e de outras formas de violência nas normas internas da empresa, com ampla divulgação do seu conteúdo aos empregados e às empregadas; 2- Fixação de procedimentos para recebimento e acompanhamento de denúncias, para apuração dos fatos e, quando for o caso, para aplicação de sanções administrativas aos responsáveis diretos e indiretos pelos atos de assédio sexual e de violência, garantido o anonimato da pessoa denunciante, sem prejuízo dos procedimentos jurídicos cabíveis; 3- Inclusão de temas referentes à prevenção e ao combate ao assédio sexual e a outras formas de violência nas atividades e nas práticas da CIPA; COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 58 4- Realização, no mínimo a cada 12 (doze) meses, de ações de capacitação, de orientação e de sensibilização dos empregados e das empregadas de todos os níveis hierárquicos da empresa sobre temas relacionados à violência, ao assédio, à igualdade e à diversidade no âmbito do trabalho, em formatos acessíveis, apropriados e que apresentem máxima efetividade de tais ações. Como prevenir A prevenção do assédio sexual deve partir de uma política institucional de combate a essa prática, passando necessariamente por dois enfoques básicos: a educação e a fiscalização. ▪ cabe às instituições: oferecer informações sobre o assédio sexual aos seus servidores e prestadores de serviço; ▪ incentivar a formação de um ambiente de trabalho pautado no respeito; ▪ avaliar constantemente as relações interpessoais no ambiente de trabalho; e ▪ dispor de instância administrativa para acolher denúncias de maneira simples, ▪ segura e objetiva, além de apurar e punir as violações constatadas. Naquilo que diz respeito às questões da segurança e saúde ocupacional, o governo e Congresso Nacional entende: Questões de assédio dizem sim respeito às questões da segurança e saúde no trabalho, até porque trabalhadores assediados estão mais sujeitos aos acidentes do trabalho e doenças ocupacionais relativas a doenças mentais. Aumenta a responsabilidade e comprometimento destas Comissões por todo Brasil, que tem representação não só dos empregados, como também dos empregadores, como sabem. Apesar de várias empresas de médio e grande portes possuírem uma política de Compliance com relação a assédios internamente, trata-se agora da necessidade do cumprimento deste novo requisito legal, que se integrou ao arcabouço legal brasileiro. As empresas deverão agora se organizar, definir e implantar esta política, prever as formas de violências nas normas internas da empresa, refazer o conteúdo programático dos Cursos para os componentes da CIPA, e ainda fazer a ampla divulgação desses conteúdo para todos os trabalhadores, (empregados ou não), através daquelas que possuem CIPA; e, as que não possuem, as menores, implantarem o Compliance com relação a prevenção ao assédio, apresentando as evidências, pois é elementar que nas menores isto também pode ocorrer. A reflexão que deveremos fazer é sobre a inclusão de temas referentes à prevenção e ao combate ao assédio sexual, assédio moral e a outras formas de violência nas atividades e ramos de atividades, e como as empresas irão organizar isto? Uma mudança de cultura organizacional deverá ser promovida, onde não só os membros da CIPA devem assumir esta responsabilidade (mesmo entendendo que ela tenha dupla representação), mas sim, da participação de outros atores sociais dentro da empresa, suas lideranças e alta administração. Como o prazo de vigência é de 5 meses, as empresas contando com o assessoramento dos profissionais de segurança e saúde no trabalho, e onde não houver, pelas Consultorias e Assessorias especialistas em SST, iniciarem ações de capacitação, de orientação e de sensibilização dos empregados e dos trabalhadores, de todos os níveis hierárquicos da empresa sobre temas relacionados à violência, ao assédio, à igualdade e diversidades, no âmbito do trabalho, em formatos acessíveis, apropriados, com o objetivo de apresentar uma máxima de efetividade para tais ações, onde as práticas bem sucedidas serão implantadas. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 59 Citamos referências legais no que diz respeito ao SESMT nesse processo todo, o envolvimento e o comprometimento daqueles que o integram, ou seja: Item 4.3.1 da NR 4 - Compete aos SESMT: ‘’f) manter permanente interação com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, quando existente’’. Item 5.3.1 da NR 5 - A CIPA tem por atribuições: ‘’h) propor ao SESMT, quando houver, ou à organização, a análise das condições ou situações de trabalho nas quais considere haver riscos.....’’ Neste contexto o Curso ISO \ DIS 45003:2021 (Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional - Saúde Psicológica e Segurança no Trabalho e implantação serão fundamentais, pois ele fornece diretrizes e orientações para a gestão do risco psicossocial em um sistema de gestão em SSO, seja na ISO 45001:2018 ou no GRO PGR (NR 1). Esta ISO 45003:2021 permite que as organizações planejem, implementem, controlem e mantenham seus processos de forma adequada e gerencie com eficáciaos riscos psicossociais, com princípios de dignidade, respeito mútuo, confidencialidade, cooperação e confiança no sistema de gestão de SSO, aspectos de como o trabalho é organizado, oferecendo orientações técnicas contra formas de violência no trabalho, tais como: assédio, abuso, ameaças, agressão (física ou verbal), sexo (violência baseada), e de outros comportamentos irracionais repetidos, que podem representar um risco à saúde, segurança e bem estar no trabalho, podendo ser abertos ou encobertos estes comportamentos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS: 1. ATLAS, Manuais de Legislação Atlas - Segurança e Medicina do Trabalho. Editora Atlas. São Paulo, 88ª Edição - 2022 - 2º semestre; 2. Caminhos da análise de acidentes do trabalho - Brasília: MTE, SIT, 2003; 3. DAUM e STELLMASS. Trabalho e Saúde na Indústria I. São Paulo. EDUSP/EPU, 1975; 4. Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – Aprova o Regulamento da Previdência Social e dá outras providências; 5. HOYLER, S e outros. Manual de Relações Industriais. São Paulo, Biblioteca Pioneira de Administração e Negócios, 1977, vol.2; 6. LIMA, Dalva Aparecida. Livro do Professor da CIPA. FUNDACENTRO. São Paulo, 1994; 7. FILHO, José Augusto da Silva Filho - Metodologia de Árvores de Causas. FUNDACENTRO. São Paulo, 1995; 8. FILHO, José Augusto da Silva Filho - Ciências Sociais e Políticas na Área da Segurança, Saúde e Meio Ambiente. LTr Editora Ltda - São Paulo - 2003; 9. FILHO, Gerenciamento de Riscos Ocupacionais: GRO PGR – LTr Editora Ltda - São Paulo - 2021; 10. Instrução Normativa PRES /INSS nº 128, de 28 de março 2022: disciplina as regras, procedimentos e rotinas necessárias à efetiva aplicação das normas de direito previdenciário - publicado em: 29/03/2022: Ministério do Trabalho e Previdência/Instituto Nacional do Seguro Social; 11. MELO, Márcio dos Santos. Livro da CIPA. FUNDACENTRO. São Paulo, 1995; 12. Portaria MTP n.º 422, de 07 de outubro de 2021: Nova redação da NR 5 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; 13. Brasil. Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil, 415p. Brasília. 2002; 14. Lei nº 8.212 e 8.213, de 1991 de 24/06/1991 (Benefício e Custeio da Previdência Social). 15. Lei nº 14.457 de 21 de setembro de 2022, que institui o Programa Emprega + Mulheres: Capítulo VII, artigo 23, que estabelece a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio - CIPA. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FILHO 60 16. ARAÚJO, A. R. O assédio moral organizacional. 2006. Dissertação (mestrado em Direito). Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2006; 17. BARRETO, M. M. S. e HELOANI, J. R. M. Violência, saúde e trabalho: a intolerância e o assédio moral nas relações laborais. Serviço Social & Sociedade [online]; 18. http://sindireceita.org.br/blog/violencia-no-local-de-trabalho-assedio-moral/; 19. BRASIL. Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020. Regulamenta a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, para definir os serviços públicos e as atividades essenciais; 20. DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO LEI Nº 14.457, DE 21 DE SETEMBRO DE 2022, institui o Programa Emprega + Mulheres; e altera a Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e as Leis nºs 11.770, de 9 de setembro de 2008, 13.999, de 18 de maio de 2020, e 12.513, de 26 de outubro de 2011. Publicado em: 22/09/2022 | Edição: 181 | Seção: 1 | Página: 10; 21. Home / Blog profes / Direito / Valéria R. / Adaptação Razoável - interpretação à luz da lei 13.146/2015 22. NR 05 - COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE ASSÉDIO - CIPA - (Portaria MTP nº 4.219, de 20 de dezembro de 2022 – Vigência: dia 20 de março de 2023; 23. MINAYO, M. C. de S. Conceitos, teorias e tipologias de violência: a violência faz mal à saúde. In: NJAINE, K.; ASSIS, S. G.; CONSTANTINO, P. (Org.). Impactos da violência na saúde. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2007. p. 21-42. 24. Pessoa com deficiência e trabalho: estudos para o estado de São Paulo e um breve panorama nacional e internacional / Guirlanda Maria Maia de Castro Benevides (organizadora) – Curitiba: CRV, 2022...286 p.