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Direito Constitucional - Ponto 2 (28-02-2023)

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Questões resolvidas

Pergunta da prova oral do MPMG-2020: qual a natureza jurídica do Poder Constituinte Originário?

A) Trata-se de um poder jurídico (ou de direito).
B) É anterior e se encontra acima de toda e qualquer norma jurídica, devendo ser considerado um poder político/histórico (extraordinário ou de fato).
C) A natureza jurídica do Poder Constituinte Originário é controvertida.

Pergunta: O Poder Constituinte Originário é totalmente ilimitado?

A) Sim, o Poder Constituinte Originário é totalmente ilimitado.
B) Não, o Poder Constituinte Originário, ainda que se admita ser ilimitado juridicamente, NÃO é exercido em um vácuo histórico e cultural.
C) O Poder Constituinte Originário não possui limites.

PERGUNTA: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo, são cláusulas pétreas?

a) Há divergência, especialmente porque trata-se de escolha popular realizada em plebiscito nacional no dia 21 de abril de 1993 (determinado pelo art. 2º do ADCT), sendo que a República e o sistema presidencialista de governo foram mantidos pela população.
b) Senado Federal já se manifestou formalmente no sentido de que o presidencialismo não seria cláusula pétrea.
c) Qualquer alteração posterior à consulta popular em 1993 (plebiscito) é de ser tida por incompatível com a separação dos Poderes.

2. Modernamente, pode-se afirmar sobre o Poder Constituinte Originário:
a) para a preservação da cláusula democrática, o Poder Constituinte Originário deve se submeter a referendo popular.
b) o Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre condicionado pelos valores sociais e políticos que levaram à sua deflagração e pela ideia de direito decorrente do processo civilizatório.
c) como expressão do poder fático, é prévio ao direito constituído e, assim, não se limita por condicionantes pré-constituintes.
d) o Poder Constituinte é fato essencialmente político e, portanto, insuscetível de condicionantes jurídicos no plano do direito material.

3. A respeito dos elementos da CF, assinale a opção correta com relação ao poder constituinte.
a) Conforme entendimento do STF, as normas emanadas do poder constituinte originário não têm, em regra, eficácia retroativa mínima, visto que são incapazes de atingir efeitos futuros de fatos passados.
b) As disposições constitucionais sobre o habeas data constituem exemplo de normas de reprodução obrigatória pelos estados-membros no exercício do poder constituinte derivado decorrente.
c) O poder constituinte de reforma está sujeito a limitações materiais que podem estar presentes nas denominadas cláusulas pétreas implícitas.
d) Conforme a definição clássica dos elementos da CF, o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da CF, é exemplo de elemento de estabilização constitucional.
e) Conforme a teoria positivista do direito, apesar de o poder constituinte originário ser ilimitado do ponto de vista do direito positivo anterior, esse poder é vinculado aos valores do movimento revolucionário que o ensejou.

5. Quais são as características fundamentais do poder constituinte originário?
a) Inicial, limitado e incondicionado.
b) Inicial, ilimitado e condicionado.
c) Inicial, ilimitado e incondicionado.
d) Derivado, limitado e condicionado.

O poder constituinte originário, de acordo com a teoria positivista, não encontra limitações de ordem moral ou social.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: INCORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA
ALTERNATIVA E: INCORRETA

Há muita divergência sobre a possibilidade de iniciativa popular de EC, mas, ao certo, não há previsão constitucional expressa.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

O correto seria a fração de 3/5 dos votos, ao invés de 2/3 como afirmado na assertiva.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

De fato, o Poder Constituinte Derivado revela-se nas Emendas à Constituição, iniciadas por proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. (CF, art. 60, III).

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

Diversamente do que afirma a alternativa, a proposta é votada em cada Casa do Congresso.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: INCORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

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Questões resolvidas

Pergunta da prova oral do MPMG-2020: qual a natureza jurídica do Poder Constituinte Originário?

A) Trata-se de um poder jurídico (ou de direito).
B) É anterior e se encontra acima de toda e qualquer norma jurídica, devendo ser considerado um poder político/histórico (extraordinário ou de fato).
C) A natureza jurídica do Poder Constituinte Originário é controvertida.

Pergunta: O Poder Constituinte Originário é totalmente ilimitado?

A) Sim, o Poder Constituinte Originário é totalmente ilimitado.
B) Não, o Poder Constituinte Originário, ainda que se admita ser ilimitado juridicamente, NÃO é exercido em um vácuo histórico e cultural.
C) O Poder Constituinte Originário não possui limites.

PERGUNTA: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo, são cláusulas pétreas?

a) Há divergência, especialmente porque trata-se de escolha popular realizada em plebiscito nacional no dia 21 de abril de 1993 (determinado pelo art. 2º do ADCT), sendo que a República e o sistema presidencialista de governo foram mantidos pela população.
b) Senado Federal já se manifestou formalmente no sentido de que o presidencialismo não seria cláusula pétrea.
c) Qualquer alteração posterior à consulta popular em 1993 (plebiscito) é de ser tida por incompatível com a separação dos Poderes.

2. Modernamente, pode-se afirmar sobre o Poder Constituinte Originário:
a) para a preservação da cláusula democrática, o Poder Constituinte Originário deve se submeter a referendo popular.
b) o Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre condicionado pelos valores sociais e políticos que levaram à sua deflagração e pela ideia de direito decorrente do processo civilizatório.
c) como expressão do poder fático, é prévio ao direito constituído e, assim, não se limita por condicionantes pré-constituintes.
d) o Poder Constituinte é fato essencialmente político e, portanto, insuscetível de condicionantes jurídicos no plano do direito material.

3. A respeito dos elementos da CF, assinale a opção correta com relação ao poder constituinte.
a) Conforme entendimento do STF, as normas emanadas do poder constituinte originário não têm, em regra, eficácia retroativa mínima, visto que são incapazes de atingir efeitos futuros de fatos passados.
b) As disposições constitucionais sobre o habeas data constituem exemplo de normas de reprodução obrigatória pelos estados-membros no exercício do poder constituinte derivado decorrente.
c) O poder constituinte de reforma está sujeito a limitações materiais que podem estar presentes nas denominadas cláusulas pétreas implícitas.
d) Conforme a definição clássica dos elementos da CF, o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da CF, é exemplo de elemento de estabilização constitucional.
e) Conforme a teoria positivista do direito, apesar de o poder constituinte originário ser ilimitado do ponto de vista do direito positivo anterior, esse poder é vinculado aos valores do movimento revolucionário que o ensejou.

5. Quais são as características fundamentais do poder constituinte originário?
a) Inicial, limitado e incondicionado.
b) Inicial, ilimitado e condicionado.
c) Inicial, ilimitado e incondicionado.
d) Derivado, limitado e condicionado.

O poder constituinte originário, de acordo com a teoria positivista, não encontra limitações de ordem moral ou social.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: INCORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA
ALTERNATIVA E: INCORRETA

Há muita divergência sobre a possibilidade de iniciativa popular de EC, mas, ao certo, não há previsão constitucional expressa.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

O correto seria a fração de 3/5 dos votos, ao invés de 2/3 como afirmado na assertiva.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

De fato, o Poder Constituinte Derivado revela-se nas Emendas à Constituição, iniciadas por proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. (CF, art. 60, III).

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA

Diversamente do que afirma a alternativa, a proposta é votada em cada Casa do Congresso.

ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA B: INCORRETA
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CPF: 860.542.154-18
PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18
É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
Ponto 2: Poder Constituinte 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Nesta rodada, abordaremos: Poder constituinte; classificações e decorrências; 
poder constituinte originário e poder constituinte derivado. (Item 2 do Edital do Mege) 
Trata-se de matéria eminentemente doutrinária, de tal forma que a leitura da 
rodada juntamente com a resolução das questões deve ser suficiente para o 
enfrentamento de provas futuras. 
Ao final, elenco algumas questões que auxiliarão na fixação da matéria e que 
devem ser resolvidas para um melhor aproveitamento do curso. 
Também sugiro a revisão periódica do conteúdo. 
Bons estudos! 
 
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3 
SUMÁRIO 
 
 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 4 
1.1. PODER CONSTITUINTE ............................................................................................... 4 
2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 23 
3. QUESTÕES ................................................................................................................... 26 
4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 28 
 
 
 
 
 
 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
 
 
4 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. PODER CONSTITUINTE 
 
Pode-se conceituar o Poder Constituinte como o poder de elaborar 
(originário) ou atualizar (derivado) uma Constituição, mediante supressão, modificação 
ou acréscimo de normas constitucionais. Para fins de prova, a classificação do Poder 
Constituinte e suas divisões é de suma importância. 
Modernamente, entretanto, parte da doutrina critica a divisão do Poder 
Constituinte em originário e derivado (sob o argumento de que seria indivisível), tendo 
como verso o Poder Desconstituinte – poder de apagar e reformular tudo (ou seja, 
abandonar a antiga Constituição e formular outra). 
Nesse sentido, ensina Canotilho que “o poder constituinte antes de ser 
constituinte é desconstituinte porque dirigido contra a “forma monárquica” ou poder 
constituído pela monarquia. Uma vez abolido o poder monárquico, impõe-se uma 
“reorganização”, um dar “forma”, uma reconstrução da ordem jurídico-política”. 
Trata-se de uma metáfora, segundo a qual o Poder Constituinte Originário 
possui “o giz em uma mão e o apagador em outra” (Carlos Ayres Britto), concepção 
eminentemente doutrinária repaginada atualmente, como veremos ao longo desta 
rodada. 
 
1.1.1. TITULARIDADE E EXERCÍCIO 
 
A doutrina atribui ao abade francês Emmanuel Joseph Sieyès a teorização 
inaugural a respeito do Poder Constituinte Originário, realizada por meio da obra “Que 
é o Terceiro Estado?”. De acordo com Sieyès, o povo seria soberano para ordenar o 
seu próprio destino e o da sua sociedade, expressando-se por meio da Constituição 
(soberania popular). Desta forma, o titular do poder constituinte seria o povo. 
No Brasil, o art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal assegura que 
“todo poder emana do povo”, que pode exercê-lo de forma direta (ex.: referendo, 
plesbicito, iniciativa popular) ou por meio de seus representantes (eleitos 
democraticamente). 
Assim, a titularidade do poder constituinte é do povo. Entretanto, o exercício, 
como regra, está reservado a ente diverso do povo formado por seus representantes, 
notadamente por intermédio das instâncias políticas (Poder Executivo e Poder 
Legislativo), o que é a base da democracia representativa. 
 
1.1.2. CLASSIFICAÇÕES E DECORRÊNCIAS 
 
Atualmente, o Poder Constituinte pode ser divido em: 
 
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i) Originário: 
- Histórico; 
- Revolucionário. 
ii) Derivado: 
- Reformador; 
- Decorrente; 
- Revisor. 
iii) Difuso; e 
iv) Supranacional. 
 
Vejamos cada um dos conceitos a seguir. 
 
1.1.3. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO (PCO) 
 
O poder constituinte originário (PCO), também denominado inicial, inaugural, 
genuíno ou de 1º grau, é aquele que inaugura ou instaura uma nova ordem jurídica em 
um Estado, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente. 
O PCO possui as seguintes características: 
 
- Inicial - Inaugura um novo ordenamento, instaurando uma 
nova ordem jurídica. 
- Autônomo - A estruturação da nova Constituição será 
determinada, autonomamente, por quem exerce o poder 
constituinte originário. 
- Ilimitado Juridicamente - Ele é ilimitado juridicamente, assim 
não tem que respeitar os limites postos pelo direito anterior. 
Trata-se da concepção clássica, que já sofreu novas 
interpretações, como veremos a seguir. 
- Soberano e Incondicionado na Tomada de Suas Decisões – 
Não tem que se submeter a qualquer forma prefixada de 
manifestação. 
- Permanente - A doutrina aponta que o PCO não se “esgota” 
com a elaboração de uma nova constituição, mas permanece 
em “estado de latência”, podendo novamente se manifestar 
em um novo “momento constituinte”. 
- Inalienável - Sua titularidade não é passível de transferência. 
- Poder político/histórico. 
 
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Pergunta da prova oral do MPMG-2020: qual a natureza jurídica do Poder 
Constituinte Originário? 
A natureza jurídica do Poder Constituinte Originário é controvertida. Para a 
concepção jusnaturalista, trata-se de um poder jurídico (ou de direito). De acordo com 
essa corrente, o PCO estaria subordinado aos princípios do direito natural. 
Noutro giro, a concepção positivista não admite a existência de qualquer 
outro direito além daquele posto pelo Estado. Nesse sentido, o PCO é anterior e se 
encontra acima de toda e qualquer norma jurídica, devendo ser considerado um poder 
político/histórico (extraordinário ou de fato). 
 
ATENÇÃO! CAIU EM PROVA! TJ-BA 2019. “O poder constituinte originário é uma 
categoria pré-constitucional que fundamenta a validade da nova ordem 
constitucional.” 
Alternativa considerada correta. 
 
Pergunta: O Poder Constituinte Originário é totalmente ilimitado? 
Hoje prevalece que o PCO, ainda que se admita ser ilimitado juridicamente, 
NÃO é exercido em um vácuo histórico e cultural (Canotilho). Haveria, então, limites 
metajurídicos, implicações circunstanciais impositivas, derivadas de pressões de 
grupos sociais, econômicos, políticos (Seriam os “fatores reais de poder”, conforme 
teoria de Ferdinand Lassalle sobre a concepção sociológica de constituição). 
 
LIMITES METAJURÍDICOS ao Poder Constituinte Originário (Jorge Miranda): 
a) ideológicos = valores arraigados na opinião pública.b) institucionais = instituições culturais consolidadas na sociedade (ex: propriedade 
privada). 
c) substanciais 
- transcendentes = transcendem o direito posto (consciência jurídica coletiva, direitos 
humanos); 
- imanentes = configuração histórica do Estado (ex: república e presidencialismo); 
- heterônomos = derivam do direito internacional - princípios internacionais (gerais); 
obrigações assumidas em acordos internacionais (especiais). 
 
As concepções jurídicas de inspiração jusnaturalista e pós-positivista também 
impõem certas limitações ao PCO: 
- imperativos do direito natural (vida, propriedade e liberdade); 
- valores éticos: fórmula de Radbruch = o direito extremamente injusto não pode ser 
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considerado direito; 
- consciência jurídica coletiva: proibição de retrocesso (efeito cliquet) = observância e 
respeito aos direitos conquistados por uma sociedade, sobre os quais haja um 
consenso profundo (os direitos não são dados pelo Estado, mas conquistados). 
 
Também pergunta da prova oral do MPMG-2020: há direito adquirido 
oponível ao Poder Constituinte Originário? 
O candidato deveria discorrer sobre a teoria clássica e sobre a teoria mais 
moderna, nos termos expostos acima. 
Pela teoria clássica: NÃO, o poder constituinte originário é ilimitado. 
Pela teoria moderna: sim, em razão dos limites metajurídicos. 
 
ATENÇÃO! Em provas objetivas, se a alternativa trouxer o conceito de Poder 
Constituinte Originário como poder ilimitado e incondicionado, sem maior 
problematização, deve ser assinalada. Para provas subjetivas e orais ou provas 
objetivas que tragam um aprofundamento doutrinário maior, fique atento à forma de 
questionamento. 
Ex1: Inicial, ilimitado e incondicionado são características fundamentais do poder 
constituinte originário (TJ-PR 2013) - Alternativa considerada correta. 
Ex2: “o Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre 
condicionado pelos valores sociais e políticos que levaram à sua deflagração e pela 
ideia de direito decorrente do processo civilizatório” (TJSP-2017) – Alternativa 
igualmente considerada correta. 
 
Tipos de Poder Constituinte Originário: 
 
- Histórico - É aquele que é o primeiro da história de um Estado 
(“verdadeiro poder constituinte originário”, conforme doutrina). 
O Poder Constituinte Originário Histórico cria o Estado e 
determina suas regras e limites. No Brasil, exemplo de 
manifestação do Poder Constituinte Originário Histórico é a 
Constituição de 1824, que inaugurou uma ordem constitucional 
para o país recém independente, marcando a sua soberania. 
- Revolucionário - É aquele que se segue ao primeiro, que 
quebra a estrutura existente anteriormente. A expressão 
revolução indica momentos de crises, de ruptura drástica. A 
doutrina aponta que a “revolução” não precisa ser 
necessariamente armada, bélica, podendo ser pacífica, desde 
que represente uma profunda mudança na ordem político-
social vigente. Nesse sentido, a própria Constituição de 1988 
pode ser entendida como fruto do poder constituinte originário 
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revolucionário, porquanto, embora elaborada por manifestação 
de uma Assembleia Nacional Constituinte (democrática), 
rompeu com o regime militar anterior. 
 
Formas de Manifestação (formas de expressão): 
 
- Pela Outorga - É a manifestação impositiva que decorre de 
um poder autoritário ou golpe de Estado (CF de 1824, 1937, 
1967 e EC 1/69). As Constituições decorrentes dessa 
manifestação são chamadas de outorgadas. 
- Pela Manifestação de uma Assembleia Nacional Constituinte 
(Convenção) - Ocorre por intermédio da manifestação 
democrática por representantes do povo (CF de 1891, 1934, 
1946 e 1988). As Constituições decorrentes dessa manifestação 
são chamadas de promulgadas. 
 
Classificação: 
 
- Poder Constituinte Formal - É o ato de criação propriamente 
dito e que atribui a roupagem com status constitucional a um 
complexo normativo. Existe uma forma diferenciada para a 
manifestação. 
 
O poder constituinte formal confere estabilidade e garantia de permanência e 
de supremacia hierárquica ou sistemática ao princípio normativo inerente à 
Constituição. 
 
- Poder Constituinte Material - É o lado substancial do poder 
constituinte originário, qualificando o direito constitucional 
formal com status de norma constitucional. Existe uma matéria 
diferenciada. Geralmente tem sua estabilidade dada pela 
manifestação formal. 
 
OBSERVAÇÃO: A classificação quanto às dimensões formal e material pode ser 
entendida como dois momentos distintos na manifestação do Poder Constituinte 
Originário. O momento material, em geral, antecedente ao formal, é o momento em 
que se decide constituir um novo Estado e se elege os valores a serem protegidos. O 
momento formal, por sua vez, sucede ao material e se caracteriza pela atribuição de 
juridicidade ao texto eleito. 
 
APROFUNDANDO- Legitimidade de uma Constituição 
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A Constituição pode ter origem legítima e se deslegitimar com o passar do 
tempo; pode, por outro lado, ter em sua origem baixo grau de legitimidade, mas se 
legitimar com o processo democrático. 
A doutrina aponta alguns critérios para aferição da legitimidade de uma 
Constituição, esquematizados abaixo: 
 
Critérios para aferição da LEGITIMIDADE da Constituição: 
a) respeito ao procedimento = observância das limitações procedimentais 
estabelecidas pelo povo ou pela própria assembleia. 
b) participação popular = influxo (influência) do povo na feitura do texto. 
c) consensus = atendimento do anseio popular. 
d) atuação dos exercentes no interesse do povo. 
e) resultado = integração entre a ideia de legitimidade e democracia pelo resultado 
final do conteúdo e adoção de instrumentos de participação popular no processo do 
poder. 
 
ATENÇÃO! Teoria do “Hiato Constitucional”: desenvolvida pelo Professor Ivo Dantas. 
Refere-se a uma ruptura (falta de sincronia) entre a Constituição positivada e a 
realidade social. Como consequência, esses hiatos podem gerar as seguintes situações: 
- Ruptura pela manifestação de uma Assembleia Nacional Constituinte; 
- Mutação Constitucional (mudança no sentido interpretativo) – poder constituinte 
difuso – para se adequar à realidade social, caso seja possível; 
- Reforma Constitucional – mudança formal da Constituição por meio do poder 
constituinte derivado; 
- Hiato autoritário – situação de crise que permite um poder imposto. 
 
1.1.4. PODER CONSTITUINTE DERIVADO (PCD) 
 
O poder constituinte derivado, também chamado de instituído, constituído, 
secundário, de segundo grau ou remanescente, é criado e instituído pelo PCO sendo, 
portanto, limitado e condicionado pelas normas impostas pelo Poder Constituinte 
Originário. Parte da doutrina utiliza a terminologia “competência reformadora” para se 
referir ao Poder Constituinte Derivado. 
São características do Poder Constituinte Derivado: 
 
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- Condicionado/Subordinado - Está limitado pelo poder 
Constituinte Originário. Assim, deve obedecer às regras 
impostas pelo originário,sendo, nesse sentido, limitado e 
condicionado aos parâmetros a ele impostos. 
- Secundário - É criado pelo poder originário (primário). 
- Poder Jurídico - É o poder de reformar sem gerar revolução. 
Não há poder de fato, mas poder jurídico. 
 
Seguem examinadas, a seguir, as subespécies de poder constituinte derivado. 
 
1.1.5. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR 
 
O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 3o, presente 
desde a promulgação da CF/88, previu que “a revisão constitucional será realizada 
após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria 
absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral”. 
Após 5 anos da promulgação da CF, em sessão unicameral, por maioria 
absoluta, a rigidez constitucional foi flexibilizada (ADCT, art. 3º), adotando-se meios e 
ritos de alteração constitucional mais simples que uma emenda constitucional comum. 
Tratou-se, em suma, de uma via excepcional de reforma da Constituição que, 
por ter requisitos mais simples que uma emenda constitucional, possibilitava uma 
mudança ampla e generalizada do texto constitucional. 
Trata-se da essência da diferença entre revisão e reforma: a revisão é 
generalizada, ampla, enquanto a reforma é pontual. 
 
ATENÇÃO! Não havia limites materiais explícitos ao poder constituinte derivado 
revisor, apenas temporais e formais. Contudo, o STF entendeu que havia limitações 
materiais implícitas- MC na ADI 981/PR. 
CAIU EM PROVA! (TJ-SP 2018) 
“Em precedentes dos anos 1990, em especial na ADIN-MC 981, o Supremo Tribunal 
Federal adotou entendimento no sentido de que as chamadas emendas de revisão 
não estavam sujeitas aos limites materiais estabelecidos pelo artigo 60, § 4° , da 
Constituição.” 
Alternativa incorreta. Consta expressamente da ementa da ADI 981 a seguinte 
passagem: “Está a ‘revisão’ prevista no art. 3º do ADCT de 1988 sujeita aos limites 
estabelecidos no parágrafo 4º e seus incisos, do art. 60, da Constituição” (STF. 
Plenário. ADI 981/PR, rel. Min. Néri da Silveira, j. 17.12.1993). 
 
ATENÇÃO! PEGADINHA: A revisão constitucional não foi realizada em sessão conjunta, 
e sim em sessão unicameral. Na sessão conjunta as Casas atuam ao mesmo tempo, 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
 
 
11 
embora as deliberações sejam em separado, isto é, a contagem de votos se dá entre 
os pares de cada casa. 
CAIU EM PROVA! (TJ-GO 2009): “a revisão constitucional foi realizada após cinco anos, 
contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos 
membros do Congresso Nacional, em sessão conjunta das Casas”. 
 Alternativa incorreta. A votação foi em sessão unicameral. 
 
ATENÇÃO! Seria possível uma Emenda Constitucional no ADCT prevendo uma nova 
revisão? O STF já estabeleceu que NÃO (MC na ADI 1.722/TO) – trata-se de norma de 
eficácia exaurida. 
 
ATENÇÃO! A revisão era importante caso o povo optasse, em 7 de setembro de 1993, 
por meio de plebiscito, pela forma de Governo monárquica ou pelo sistema de 
governo parlamentarista, nos termos do art. 2º do ADCT. 
 
1.1.6. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR 
 
O Poder Constituinte Derivado Reformador (PCDR) também é chamado de 
instituído ou constituído e possui a prerrogativa de alterar a Constituição Federal 
vigente. 
 
REFORMA (CF, art. 60) REVISÃO (ADCT, art. 3º) 
- meio ordinário de alteração da 
Constituição. 
- exige quórum de 3/5 dos votos do 
Senado Federal e da Câmara dos 
Deputados (em cada casa legislativa), em 
2 turnos. 
- via extraordinária de alteração da 
Constituição. 
- exigiu maioria absoluta do Congresso 
Nacional (sessão unicameral), em turno 
único. 
 
1.1.6.1. Limitações ao Poder Constituinte Derivado Reformador 
 
O poder constituinte derivado reformador, cuja existência se restringe a 
ordenamentos jurídicos encabeçados por uma Constituição rígida, tem a função de 
modificar as normas constitucionais por meio de emendas, sofrendo limitações 
temporais, circunstanciais, formais (procedimentais ou processuais) e materiais (ou 
substanciais). 
LIMITAÇÕES TEMPORAIS 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
 
 
12 
Limitações Temporais são aquelas que impedem a alteração da Constituição 
durante um determinado período de tempo, a fim de que possam adquirir certo grau 
de estabilidade. 
A Constituição Brasileira de 1824 (art. 174) previu a limitação temporal nos 4 
anos seguintes à outorga da Carta. A CF/88 não previu limitação temporal para 
reforma, apenas para revisão (5 anos – art. 3o do ADCT, já abordado acima). 
LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS 
Não confunda as limitações temporais com as limitações circunstanciais ao 
poder de reforma da Constituição. 
As limitações circunstanciais impedem a alteração da Constituição em 
situações excepcionais nas quais a livre manifestação do PCDR possa estar ameaçada – 
estado de defesa (CF, art. 136), estado de sítio (CF, art. 137) e intervenção federal (CF, 
art. 34) (CF, art. 60, § 1º). 
 
ATENÇÃO! No estado de calamidade pública, sem decretação do estado de defesa, não 
há limitação. Em razão disso, por exemplo, durante a pandemia do coronavírus, 
embora decretado o estado de calamidade pública para inúmeros fins legais, foram 
editadas emendas constitucionais (EC 107, 108 e 109). 
 
OBS: Embora não haja previsão expressa no ADCT, as hipóteses de limitação 
circunstancial também se aplicavam ao poder de revisão. 
LIMITAÇÕES FORMAIS 
As limitações formais (processuais ou procedimentais) exigem a observância 
de certas formalidades para a alteração da Constituição. Essas limitações decorrem da 
rigidez constitucional, que exige para alteração da Constituição um processo de 
elaboração mais dificultoso. 
 
Formais Subjetivas Formais Objetivas 
- legitimados à PEC (art. 60 da CF/88): 
i) 1/3, no mínimo, dos membros da 
Câmara dos Deputados ou do Senado 
Federal; 
ii) Presidente da República; 
iii) mais da metade das Assembleias 
Legislativas das unidades da Federação, 
manifestando-se, cada uma delas, pela 
maioria relativa de seus membros. 
- quórum de 3/5. 
- aprovação em 2 turnos, em cada Casa 
do Congresso Nacional. 
- se rejeitada, a matéria da PEC só 
poderá ser proposta novamente na 
próxima sessão legislativa (ano 
seguinte). 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
 
 
13 
OBS: Não se deve confundir LEGISLATURA, período de 4 anos previsto no art. 
44, parágrafo único da CF/88, com a SESSÃO LEGISLATIVA, período de 1 ano previsto 
no art. 57 da CF/88. 
OBS 2: Dentre todos os legitimados, apenas o Presidente da República tem 
legitimidade para propor Projetos de Lei Ordinária e Lei Complementar e ainda de 
Emenda Constitucional, ao mesmo tempo. Por outro lado, o Presidente da República 
só participa da PEC propondo-a – não sanciona, não veta, não promulga e não publica. 
A emenda à Constituição é promulgada de forma conjunta pelas mesas da 
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem, 
sendo a devida publicação feita pelo Congresso Nacional. 
 
ATENÇÃO! Não existe previsão expressa de iniciativa popular de PEC, mas há autores 
(ex.: José Afonso da Silva) que admitem a possibilidade, por meio de uma 
interpretação sistemática da CF (analogia do art. 61, § 2º, da CF c/c art. 1º, parágrafo 
único, da CF). 
O STF, inclusive, já decidiu que é possível que a Constituição do Estado preveja 
iniciativa popular para a propositura de Emendaà Constituição Estadual (ADI 825/AP). 
CAIU EM PROVA! TJ-RS 2018 
“A iniciativa popular no processo de reforma da Constituição Federal de 1.988 não é 
prevista expressamente pelo texto constitucional, muito embora seja admitida por 
alguns autores, com fundamento em uma interpretação sistemática da Constituição 
Federal.”. 
Alternativa considerada correta. 
 
LIMITAÇÕES MATERIAIS 
As limitações materiais (ou substanciais) impedem a alteração de 
determinados conteúdos da Constituição, as chamadas cláusulas pétreas (art. 60, §4º). 
A doutrina divide as limitações materiais em explícitas e implícitas. 
Há divergência sobre a possibilidade de excluir do âmbito democrático 
determinadas matérias, ou seja, retirar certas escolhas permanentemente da 
deliberação política. Sobre o tema há duas teorias que buscam justificar tais 
limitações: 
 
a) pré-comprometimento; 
b) democracia dualista. 
 
Pela teoria do pré-comprometimento (ou pré-compromisso) a proteção 
qualificada de certos conteúdos é necessária para assegurar metas a longo prazo, as 
quais sucumbiriam às maiorias que visam a interesses imediatos. Trata-se de proteção 
contra as paixões e fraquezas. Seu principal defensor, Jon Elster, cita como exemplo 
literário Ulisses (protagonista de A Odisseia - Homero), que precisou ser amarrado ao 
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14 
mastro de seu barco para passar pela ilha das sereias e não se deixar enfeitiçar por seu 
canto. A crítica feita por Oscar Vilhena Vieira é que as limitações individuais de Ulisses 
não podem ser comparadas rigidamente com o caráter supraindividual das limitações 
impostas pela Constituição. 
Já para a teoria da democracia dualista há duas democracias: (a) política 
ordinária: manifestada em momentos de normalidade, realizada cotidianamente pelos 
órgãos de representação popular; (b) política extraordinária: exercida em momentos 
de grande mobilização social, nos quais a cidadania se apresenta de forma mais 
intensa. Assim, as escolhas realizadas em momentos de política extraordinária devem 
ser colocadas em patamar superior e protegidas dos representantes que atuam na 
política ordinária, aos quais pode legitimamente impor limites. 
A expressão “tendente a abolir” (CF, art. 60, § 4º) deve ser interpretada no 
sentido de proteger o núcleo essencial dos princípios e institutos elencados como 
cláusulas pétreas, e não como uma intangibilidade literal. Em outras palavras, pode 
reforçar, mas não enfraquecer. 
 
FINALIDADES das cláusulas pétreas: 
a) preservar a identidade material da Constituição (ex.: direitos fundamentais). 
b) proteger institutos e valores essenciais contra maiorias momentâneas (ex.: 
vedação à pena de morte). 
c) assegurar a continuidade do processo democrático (ex.: princípio da anterioridade 
eleitoral, periodicidade do voto, temporariedade do mandato e impossibilidade de 
reeleições indefinidas). 
 
A Constituição Federal entabula em seu art. 60, §4º, as seguintes cláusulas 
pétreas explícitas, que devem ser memorizadas: 
 
1) forma federativa de Estado: considerada um princípio 
intangível desde a primeira Constituição Republicana de 1891, 
estabelece que não pode haver redução significativa na 
autonomia dos entes federativos e um desequilíbrio entre eles. 
2) voto direto, secreto, universal e periódico: as características 
do voto são protegidas, porém, a obrigatoriedade do voto não 
é cláusula pétrea (cai bastante em provas). 
3) separação dos Poderes: pode haver alterações, mas não se 
pode afetar a independência e harmonia (ex: criação do CNJ e 
mitigação da processabilidade dos parlamentares). 
4) direitos e garantias individuais: nem todos os direitos 
fundamentais foram inseridos formalmente no rol de cláusulas 
pétreas, apenas os direitos e garantias individuais, embora a 
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15 
doutrina e o STF façam uma interpretação extensiva nesse 
quesito. 
 
OBSERVAÇÃO: As cláusulas pétreas não se esgotam no art. 60, §4º, da Constituição 
Federal, existindo diversas outras ao longo do seu texto. Como exemplo, a imunidade 
tributária recíproca (CF, art. 150, VI, a) é considerada cláusula pétrea, pois impede que 
um ente crie imposto que mitigue a autonomia financeira das unidades da federação 
(ADI 939/DF). O princípio da anualidade em direito eleitoral (art. 16 da Constituição 
Federal) também é considerado uma cláusula pétrea. 
 
OBSERVAÇÃO: É muito difícil referir, em abstrato, quais são as cláusulas que possuem 
estreita relação com os princípios por elas protegidos e, por isso, não podem ser 
atingidas. Só a casuística é que pode assentar a necessidade de proteção qualificada 
de determinados direitos. 
 
Questão dos direitos e garantias individuais: Parte da doutrina entende que a 
Constituição não adotou uma terminologia rigorosa em relação aos direitos 
fundamentais, de modo que não apenas os direitos e garantias individuais, como os 
demais (sociais, de nacionalidade e políticos) devem ser tidos como cláusulas pétreas. 
Dizem que a Constituição os tratou sob o mesmo regime (CF, arts. 1º, 2º e 3º) (Ingo 
Sarlet). 
Para fins de prova, observe se a questão pergunta o texto expresso da CF, que 
utiliza a expressão “direitos e garantias individuais”. De fato, a CF não utilizou o termo 
direitos e garantias fundamentais para dispor sobre as cláusulas pétreas explícitas, 
cabendo tal desiderato ao ônus argumentativo da interpretação extensiva. 
PERGUNTA: Se uma emenda à Constituição incluir direito individual, ele será 
cláusula pétrea? Aqui há um problema. Só há sentido jurídico no poder superior 
(original) limitar o inferior (reformador). Não há lógica no poder constituinte 
reformador limitar a si mesmo. Ocorre que, como a CF fala que “não será objeto de 
deliberação proposta a tendente a abolir direitos e garantias individuais”, a doutrina 
entende que se trata de exceção, sendo inviável abolir novos direitos (poder-se-ia 
discutir, de toda forma, a vedação ao retrocesso). 
Importante ressaltar que a propositura de emenda à Constituição que seja 
manifestamente ofensiva à cláusula pétrea pode ensejar, inclusive, que o Supremo 
Tribunal Federal exerça controle de constitucionalidade preventivo por meio de 
mandado de segurança impetrado pelo parlamentar, determinando o arquivamento 
do projeto, como se extrai do MS 32033/DF (o que, frisa-se, é uma medida excepcional, 
que será melhor abordada na rodada sobre controle de constitucionalidade). 
LIMITAÇÕES IMPLÍCITAS 
Quanto às limitações implícitas ou inerentes, estas seriam decorrência das 
próprias limitações expressas previstas no art. 60, §4º, da CF (Ex.: a União não pode 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
 
 
16 
legislar de forma a restringir a autonomia dos estados, sob pena de violar o pacto 
federativo, protegido pelo art. 60, §4º, I, da CF). 
Uma das limitações implícitas ao PCDR mais importantes é a vedação de 
modificação do próprio rol de cláusulas pétreas, para retirar a vedação constitucional 
e, então, fazer uma segunda revisão para modificação desejada. Trata-se da teoria da 
dupla revisão, não adotada no Brasil. 
Outra limitação implícita apontada pela doutrina é a impossibilidade de 
alteração da titularidade do próprio poder constituinte. 
PERGUNTA: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo, são 
cláusulas pétreas? 
Há divergência, especialmente porque trata-se deescolha popular realizada em 
plebiscito nacional no dia 21 de abril de 1993 (determinado pelo art. 2º do ADCT), 
sendo que a República e o sistema presidencialista de governo foram mantidos pela 
população. 
Há basicamente duas correntes, assim sintetizadas: 
 
CLÁUSULAS PÉTREAS ALTERÁVEIS 
- qualquer alteração posterior à consulta 
popular em 1993 (plebiscito) é de ser tida 
por incompatível com a separação dos 
Poderes. 
- é possível a alteração do sistema e da 
forma, mas não por simples emenda, e 
sim por nova consulta popular. 
 
OBSERVAÇÃO: Senado Federal já se manifestou formalmente no sentido de que o 
presidencialismo não seria cláusula pétrea. 
 
1.1.7. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE (PCDD) 
 
O Poder Constituinte Derivado Decorrente (PCDD) é outorgado aos Estados-
Membros para que possam elaborar suas próprias Constituições (PCDD Inicial) ou 
modificá-las (PCDD Reformador), conforme CF, art. 25 e ADCT, art. 11. 
O PCDD tem como características ser: derivado, subordinado e condicionado 
(CF, art. 25 e ADCT, art. 11). 
No exercício do PCDD, deve-se observar os princípios constitucionais 
sensíveis, os princípios constitucionais estabelecidos (organizatórios) e os princípios 
constitucionais extensíveis. 
Os princípios constitucionais sensíveis são os previstos no art. 34, VII, da 
Constituição Federal, cuja inobservância pode dar ensejo à intervenção federal. 
Conforme a doutrina, representam a essência da organização constitucional brasileira. 
São eles: 
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17 
 
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS 
a) forma republicana, sistema representativo e regime 
democrático; 
b) direitos da pessoa humana; 
c) autonomia municipal; 
d) prestação de contas da administração pública, direta e 
indireta; 
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de 
impostos estaduais, compreendida a proveniente de 
transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e 
nas ações e serviços públicos de saúde. 
 
Os princípios constitucionais estabelecidos são aqueles que compõem o 
modelo federativo como um todo, que se reportam a todos os entes políticos, e se 
encontram de forma assistemática ao longo do texto constitucional. Ex: art. 19 
(laicidade do Estado) e art. 150 (limitações ao poder de tributar) da Constituição 
Federal. 
Por fim, os princípios constitucionais extensíveis são previstos para a União e 
se estendem aos Estados-membros, expressa ou implicitamente. Ex: arts. 28, 77 
(regras para eleições do Presidente e Vice, que se aplicam às eleições de governadores 
por determinação expressa do art. 28 da CF) e art. 75 da Constituição Federal (regras 
sobre Tribunal de Contas da União que se estendem para os Tribunais de Contas dos 
Estados e dos Municípios). 
O Distrito Federal, por sua vez, tem o poder de elaborar sua lei orgânica, 
votada em dois turnos, com interstício mínimo de 10 (dez) dias e aprovada por quorum 
de 2/3 (dois terços) da Assembleia Legislativa (art. 32 da CF). É igualmente 
manifestação do PCDD, na parte condizente com Constituição Estadual (STF, RE 
577.025), e também deve obediência aos princípios constitucionais sensíveis, aos 
princípios constitucionais estabelecidos e aos princípios constitucionais extensíveis. 
Quantos aos municípios, prevalece que as leis orgânicas municipais NÃO são 
consideradas fruto do PCDD, já que não possuem aspecto formal de Constituição, e 
sim de uma lei ordinária (embora materialmente sejam equiparadas a uma 
Constituição – STF, ADI 980/DF). Ademais, a lei orgânica municipal está subordinada à 
respectiva Constituição Estadual (CF à CE à LO), e não há poder constituinte de 3º grau. 
A jurisprudência do STF costuma estabelecer limitações às Constituições 
Estaduais sob a ótima do chamado princípio da simetria, que são parâmetros 
constitucionais dispostos para organização federal e que devem ser aplicados ao 
modelo organizatório estadual. 
Atualmente, não há um rol previamente estabelecido das regras 
constitucionais que devem ser aplicadas aos Estados por simetria, sendo fruto da 
construção doutrinárias e jurisprudencial. 
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18 
Exemplos: 
 
a) a Constituição Estadual não pode ter o procedimento de 
reforma mais dificultoso do que a Constituição Federal – NÃO 
podem ser mais rígidas (STF, ADI 486); 
b) a Constituição Estadual NÃO pode exigir lei complementar 
para versar sobre matérias que a Constituição Federal não 
exigiu lei complementar (STF, ADI 5.003). 
c) as Constituições Estaduais obrigatoriamente devem ser 
rígidas em relação à legislação estadual (STF, ADI 1722). 
 
 
Assim, além das normas próprias, as Constituições Estaduais possuem normas 
de reprodução obrigatória (não há um rol de normas de reprodução obrigatória – 
costuma-se falar nos princípios sensíveis, extensíveis e estabelecidos, como visto). 
 
Reprodução OBRIGATÓRIA FACULTATIVA ou DE IMITAÇÃO 
- normas centrais da CF que garantem 
um mínimo de uniformidade (ex.: 
modelo presidencialista). 
- normas que as CEs reproduzem da CF por 
opção política. 
 
Existem as normas de observância obrigatória expressas, determinadas pela 
própria Constituição Federal (ex.: i) art. 28, que trata da eleição do Governador e do 
Vice, com determinação de observância ao art. 77, que trata das eleições 
presidenciais; ii) art. 27, § 1º, que determina a aplicação aos Deputados Estaduais das 
mesmas regras da CF sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, 
remuneração, perda de mandato, licença etc. dos Deputados Federais; iii) art. 75, que 
estende aos TCEs as normas estabelecidas para o TCU quanto à organização, 
composição e fiscalização), e as implícitas, que são reveladas especialmente pela 
jurisprudência do STF. 
 
OBSERVAÇÃO: se uma norma é de observância obrigatória pela Constituição Estadual, 
considera-se que ela está presente mesmo que a Carta Estadual seja silente. 
Ex: ainda que a Constituição Estadual não trate sobre a autonomia dos Municípios, a 
autonomia decorrerá da própria Constituição Federal (art. 1º e art. 18). 
Tal construção tem especial relevância para fins de controle de constitucionalidade, 
pois, segundo o STF, os Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de 
constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da 
Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos 
Estados. 
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19 
 
NORMAS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA implícitas = a serem forçosamente 
observadas no plano estadual. Exemplos, conforme a jurisprudência do STF: 
- requisitos para criação de CPI (CF, art. 58, § 3º) = o quórum de instalação é de 1/3, 
tendo poderes de autoridade judiciária (quebra do sigilo bancário e dos dados 
telefônicos). 
- processo legislativo (CF, art. 59 e ss) = as matérias do art. 61, § 1º, da CF, no plano 
estadual, são de iniciativa exclusiva do Governador; o quórum para alteração da 
Constituição Estadual é de 3/5, em dois turnos. 
- modelo de separação dos poderes = presidencialista. O Estado-membro não pode 
adotar o sistema parlamentarista; não se pode condicionar a validade de contrato 
firmado pelo Poder Executivo à aprovação do Poder Legislativo. 
Obs: já foi decidido que o preâmbulo da Constituição não se trata de norma de 
reprodução obrigatória. 
 
1.1.8. PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL 
 
Refere-seà globalização do direito constitucional. Dessa forma, decorre de 
documentos internacionais. 
Busca sua fonte de validade na cidadania universal, no pluralismo de 
ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito remodelado de 
soberania. A definição de Poder Constituinte Supranacional se torna importante, por 
exemplo, em contextos como o da União Europeia, em que países compartilham 
regras de organização e poder que transcendem as fronteiras domésticas. 
 
1.1.9. PODER CONSTITUINTE DIFUSO 
 
O Poder Constituinte Derivado Difuso possibilita a alteração informal do 
texto constitucional (mutação constitucional) de acordo com a evolução histórica, 
política e social da comunidade. 
Em outras palavras, ainda que o texto da Constituição permaneça o mesmo 
(não houve emenda ou revisão constitucional), a norma resultante de sua 
interpretação se altera ao longo do tempo. 
Segundo o STF, três situações legitimam a mutação constitucional: i) mudança 
na percepção do direito; ii) modificação da realidade fática; iii) consequência prática 
negativa de determinada linha de entendimento. 
Exemplo de mutação constitucional, fruto do poder constituinte derivado 
difuso, foi o novo entendimento dado ao art. 52, X, da Constituição Federal. 
Atualmente, entende-se que quando o STF declara uma lei inconstitucional, ainda que 
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20 
em controle difuso, a decisão tem efeito erga omnes e vinculante, cabendo ao Senado 
Federal apenas dar publicidade à decisão (ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ). 
Nesse sentido, CAIU EM PROVA (TJ-SP 2017): 
 
“A mutação Constitucional está ligada à plasticidade de que 
dotadas certas normas constitucionais, que implica, que sem 
que se recorra a mecanismo constitucionalmente previsto, na 
possibilidade de alteração de significado, sem alteração do 
signo linguístico, condicionada a lastro democrático – demanda 
social efetiva, – estando, portanto, fundada na soberania 
popular”. 
Alternativa considerada correta. 
 
1.1.10. EFEITOS DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO NA ORDEM JURÍDICA ANTERIOR 
 
O exercício do poder constituinte originário implica a revogação de todas as 
normas jurídicas inseridas na Constituição anterior, ainda que compatíveis com a 
Constituição ora vigente. 
De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização, as normas 
constitucionais que não sejam materialmente constitucionais e que tenham 
compatibilidade com a nova ordem constitucional vigente podem ser mantidas com 
natureza de lei, desconstitucionalizando-se. Em regra, a teoria da 
desconstitucionalização NÃO é admitida no direito brasileiro. 
A aplicação da Teoria da Desconstitucionalização deve ter previsão expressa, a 
exemplo do que ocorre com a Constituição de Portugal (art. 292). No Brasil, o art. 147 
da Constituição de 1967 do Estado de SP também trazia tal possibilidade. 
No que tange à legislação infraconstitucional, o exercício do poder 
constituinte originário pode importar na recepção das normas infraconstitucionais 
anteriores à vigência da nova Constituição, desde que sejam materialmente 
compatíveis com ela, mediante o fundamento imediato de validade. 
 Trata-se de instituto que prevê que um ordenamento jurídico acolha e torne 
suas as normas de ordenamento jurídico anterior. Não havendo compatibilidade, a 
hipótese será de não recepção, e não de inconstitucionalidade. 
Premissas para a recepção: 
 
i) O ato deve ter sido criado antes da nova Constituição; 
ii) O ato deve estar em vigor (não pode ter sido declarado 
inconstitucional ou revogado na vigência da Constituição 
anterior); 
iii) O ato tem que ter compatibilidade apenas material com o 
novo ordenamento. Não é necessário compatibilidade formal. 
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21 
Ex.: o CTN, anterior à CF/88, que é formalmente uma lei 
ordinária, é materialmente uma lei complementar. O CTN foi 
recepcionado com status de lei complementar, pois trata de 
matérias que o art. 146 da CF/88 reservou à lei complementar; 
e 
iv) O ato deve ter compatibilidade formal e material com o 
ordenamento no qual foi criado. Não pode haver recepção de 
atos normativos que, ao tempo que foram criados, eram 
incompatíveis com a ordem constitucional então vigente 
(princípio da contemporaneidade). 
 
Por fim, cabe observar os graus de retroatividade das normas constitucionais: 
 
- Retroatividade Máxima (restitutória) - Alcança fatos já 
consumados. É possível que a nova Constituição tenha 
retroatividade máxima, desde que previsto expressamente. 
(ex.: art. 17 do ADCT e art. 97, p. único da CF de 1937). 
- Média - Alcança efeitos pendentes de atos jurídicos 
verificados antes da norma (ex.: prestações vencidas, mas não 
adimplidas). Para ter aplicação, também é necessário previsão 
expressa. 
- Mínima (temperada ou mitigada) - Alcança efeitos futuros de 
fatos passados (após sua vigência). É a regra a ser aplicada para 
a CF (ex.: art. 7º, IV da CF). 
 
O poder constituinte originário, como regra, tem apenas retroatividade 
mínima. Entretanto, pode ter retroatividade máxima ou média já que é juridicamente 
ilimitado, basta que isto esteja previsto. 
Por sua vez, as emendas constitucionais, que são frutos do poder constituinte 
derivado, segundo a maior parte da doutrina, pode ter apenas retroatividade mínima, 
pois, caso contrário violariam o art. 5º, XXXVI da CF (princípio da irretroatividade). 
O Ministro Luiz Fux, no julgamento do RE 929670/DF, trouxe os conceitos de 
retroatividade autêntica e retroatividade inautêntica (retrospectividade). Na 
retroatividade autêntica há a atribuição de consequências jurídicas a fatos ocorridos 
antes da edição da norma. Na retroatividade inautêntica ou retrospectividade, a 
norma atribui efeitos jurídicos, a partir da sua edição, a fatos jurídicos ocorridos 
anteriormente. 
A consequência prática disso foi permitir a aplicação da Lei da Ficha Limpa a 
fatos anteriores à sua edição. Segundo sustentou o Ministro Luiz Fux, como a 
inelegibilidade do art. 22, XIV, da LC 64/90 não se constitui em sanção, a ampliação do 
prazo nele previsto (de 3 para 8 anos) pela Lei da Ficha Limpa não representa ofensa à 
retroatividade máxima (que o legislador infraconstitucional não pode instituir, apenas 
o Poder Constituinte Originário, se expressamente previsto, como estudado acima). 
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22 
 Para o STF, aplicar a Lei da Ficha Limpa para fatos ocorridos antes da sua 
vigência não configura uma autêntica ou verdadeira retroatividade, e, portanto, não 
ofende a Constituição. 
 
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2. JURISPRUDÊNCIA 
 
EC 20/98 e Cláusulas Pétreas 
Continuando o julgamento ação direta acima mencionada (ADI 1946), o Tribunal, por 
unanimidade, rejeitando preliminar suscitada pelo Presidente do Senado Federal, 
conheceu da ação na parte em que se discute o art. 14 da Emenda Constitucional nº 
20/98, acima transcrito, em face da jurisprudência do STF no sentido de que é 
juridicamente possível o controle abstrato de constitucionalidade que tenha por 
objeto emenda à Constituição Federal quando se alega a violação das cláusulas 
pétreas inscritas no art. 60, § 4º, da CF("Não será objeto de deliberação a proposta de 
emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, 
universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias 
individuais."). Precedente citado: ADI 939-DF (RTJ 151/755). Em seguida, o julgamento 
foi adiado para prosseguimento na próxima sessão. ADInMC 1.946-DF, rel. Min. Sydney 
Sanches, 7.4.99. 
 
EC 52/2006: “Verticalização” e Princípio da Anualidade 
Quanto ao mérito, afirmou-se, de início, que o princípio da anterioridade eleitoral, 
extraído da norma inscrita no art. 16 da CF, consubstancia garantia individual do 
cidadão-eleitor — detentor originário do poder exercido por seus representantes 
eleitos (CF, art. 1º, parágrafo único) — e protege o processo eleitoral. Asseverou-se 
que esse princípio contém elementos que o caracterizam como uma garantia 
fundamental oponível inclusive à atividade do legislador constituinte derivado (CF, 
artigos 5º, § 2º, e 60, § 4º, IV), e que sua transgressão viola os direitos individuais da 
segurança jurídica (CF, art. 5º, caput) e do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). Com 
base nisso, salientando-se que a temática das coligações está ligada ao processo 
eleitoral e que a alteração a ela concernente interfere na correlação das forças 
políticas e no equilíbrio das posições de partidos e candidatos e, portanto, da própria 
competição, entendeu-se que a norma impugnada afronta o art. 60, § 4º, IV, c/c art. 
5º, LIV e § 2º, todos da CF. Por essa razão, deu-se interpretação conforme à 
Constituição, no sentido de que o § 1º do art. 17 da CF, com a redação dada pela EC 
52/2006, não se aplica às eleições de 2006, remanescendo aplicável a estas a redação 
original do mesmo artigo. Vencidos, nessa parte, os Ministros Marco Aurélio e 
Sepúlveda Pertence que julgavam o pedido improcedente, sendo que o Min. Marco 
Aurélio entendeu prejudicada a ação, no que diz respeito à segunda parte do art. 2º, 
da referida Emenda, quanto à expressão “aplicando-se às eleições que ocorrerão no 
ano de 2002”. ADI 3685/DF, rel. Min. Ellen Gracie, 22.3.2006. (ADI-3685) 
 
Mutação constitucional: 
“As Constituições têm vocação de permanência. Nada obstante isso, não são eternas 
nem podem ter a pretensão de ser imutáveis. A modificação da Constituição pode se 
dar por via formal e por via informal. A via formal se manifesta por meio da reforma 
constitucional, procedimento previsto na própria Carta disciplinando o modo pelo 
qual se deve dar sua alteração. Tal procedimento, como regra geral, será mais 
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24 
complexo que o da edição da legislação ordinária. De tal circunstância resulta a 
rigidez constitucional. Já a alteração por via informal se dá pela denominada 
mutação constitucional, mecanismo que permite a transformação do sentido e do 
alcance de normas da Constituição, sem que se opere, no entanto, qualquer 
modificação do seu texto. A mutação está associada à plasticidade de que são 
dotadas inúmeras normas constitucionais. É possível dizer-se, então, que a mutação 
constitucional consiste em uma alteração do significado de determinada norma da 
Constituição, sem observância do mecanismo constitucionalmente previsto para as 
emendas e, além disso, sem que tenha havido qualquer modificação de seu texto. 
Este novo sentido ou alcance do mandamento constitucional pode decorrer de uma 
mudança na realidade fática ou de uma nova percepção do Direito, uma releitura do 
que deve ser considerado ético ou justo. Para que seja legítima, a mutação precisa ter 
lastro democrático, isto é, deve corresponder a uma demanda social efetiva por parte 
da coletividade, estando respaldada, portanto, pela soberania popular. A mutação 
constitucional se realiza por via da interpretação feita por órgãos estatais ou por meio 
dos costumes e práticas políticas socialmente aceitas. Como intuitivo, a mutação 
constitucional tem limites, e se ultrapassá-los estará violando o poder constituinte e, 
em última análise, a soberania popular. É certo que as normas constitucionais, como as 
normas jurídicas em geral, libertam-se da vontade subjetiva que as criou. Passam a ter, 
assim, uma existência objetiva, que permite sua comunicação com os novos tempos e 
as novas realidades. Mas esta capacidade de adaptação não pode desvirtuar o espírito 
da Constituição. Por assim ser, a mutação constitucional há de estancar diante de dois 
limites: a) as possibilidades semânticas do relato da norma, vale dizer, os sentidos 
possíveis do texto que está sendo interpretado ou afetado; e b) a preservação dos 
princípios fundamentais que dão identidade àquela específica Constituição. Se o 
sentido novo que se quer dar não couber no texto, será necessária a convocação do 
poder constituinte reformador. E se não couber nos princípios fundamentais, será 
preciso tirar do estado de latência o poder constituinte originário.” (ADI 4263/DF, ADI 
4362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, 
Tribunal Pleno, julgado em 09/08/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-021 DIVULG 05-
02-2018 PUBLIC 06-02-2018, trecho do voto do Ministro Luis Roberto Barroso) 
 
Constituição Estadual não pode prever que Governador ou Vice precisará de 
autorização para se ausentar do país por “qualquer tempo”. Há ofensa ao princípio 
da simetria 
– A exigência de prévia autorização da Assembleia Legislativa para o Governador e o 
Vice-Governador do Estado ausentarem-se, em qualquer tempo, do território nacional 
mostra-se incompatível com os postulados da simetria e da separação de poderes, pois 
essa restrição – que não encontra correspondência nem parâmetro na Constituição 
Federal (art. 49, III, c/c o art. 83) – revela-se inconciliável com a Lei Fundamental da 
República, que, por qualificar-se como fonte jurídica de emanação do poder 
constituinte decorrente, impõe ao Estado-membro, em caráter vinculante, em razão 
de sua índole hierárquico-normativa, o dever de estrita observância quanto às 
diretrizes e aos princípios nela proclamados e estabelecidos (CF, art. 25, “caput”), sob 
pena de completa desvalia jurídica das disposições estaduais que conflitem com a 
supremacia de que se revestem as normas consubstanciadas na Carta Política. 
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25 
Precedentes. (ADI 5373, Relator(a): CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 
24/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-229 DIVULG 16-09-2020 PUBLIC 17-09-2020) 
 
Não podem os Estados-membros ampliar o rol de autoridades sujeitas à convocação 
pelo Poder Legislativo e à sanção por crime de responsabilidade, por violação ao 
princípio da simetria e à competência privativa da União para legislar sobre o tema. 
Os dispositivos impugnados contemplam a possibilidade de a Assembléia Legislativa 
capixaba convocar o Presidente do Tribunal de Justiça para prestar, pessoalmente, 
informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de 
responsabilidade a ausência injustificada desse Chefe de Poder. Ao fazê-lo, porém, o 
art. 57 da Constituição capixaba não seguiu o paradigma da Constituição Federal, 
extrapolando as fronteiras do esquema de freios e contrapesos -- cuja aplicabilidade é 
sempre estrita ou materialmente inelástica -- e maculando o Princípio da Separação de 
Poderes. Ação julgada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade 
da expressão "Presidente do Tribunal de Justiça", inserta no § 2º e no caput do art. 57 
da Constituição do Estado do Espírito Santo. (ADI 2911, Relator(a): CARLOS BRITTO, 
Tribunal Pleno, julgado em 10/08/2006, DJ 02-02-2007)1. Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Constituição do Estado do Espírito Santo. 
Emenda 8/1996. 3. Convocação do Procurador Geral da Justiça para prestar 
informações, sob pena de crime de responsabilidade. 4. Não podem os Estados-
membros ampliar o rol de autoridades sujeitas à convocação pelo Poder Legislativo e à 
sanção por crime de responsabilidade, por violação ao princípio da simetria e à 
competência privativa da União para legislar sobre o tema. Precedentes. 5. Ação direta 
de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade das 
expressões “e o Procurador-Geral da Justiça” e “e ao Procurador-Geral da Justiça”, no 
caput e no parágrafo segundo do artigo 57 da Constituição do Estado do Espírito Santo. 
(ADI 5416, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 03/04/2020, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-117 DIVULG 11-05-2020 PUBLIC 12-05-2020) 
 
Hipóteses de intervenção estadual nos municípios- Estados não podem trazer 
hipóteses diferentes das previstas na Constituição Federal 
1. Na intervenção estadual, as hipóteses excepcionais pelas quais permitida a 
supressão da autonomia municipal estão taxativa e exaustivamente previstas no art. 
35 da Constituição da República, sem possibilidade de alteração pelo legislador 
constituinte estadual para ampliá-las ou reduzi-las. Precedentes. 2. É inconstitucional 
norma de Constituição estadual pela qual se prevê hipótese de intervenção estadual 
em municípios não contempladas no art. 35 da Constituição da República. Precedentes. 
3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar 
inconstitucionais os incs. IV e V do art. 25 da Constituição do Acre. 
(ADI 6616, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 27/04/2021, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-085 DIVULG 04-05-2021 PUBLIC 05-05-2021) 
 
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26 
3. QUESTÕES 
 
1. Assinale a alternativa correta. 
a) As Constituições retiram certas decisões fundamentais do âmbito das disposições 
das maiorias. Todavia não são elas eternas e imutáveis e devem periodicamente serem 
alteradas pela via formal, cujo processo se manifesta pela denominada mutação 
Constitucional. 
b) A mutação Constitucional – fenômeno de adaptação às novas exigências de seu 
tempo – implica a manutenção da estrutura formal, mas com alteração dos signos 
linguísticos. 
c) A mutação Constitucional pela via formal constitui-se em mecanismo adequado de 
alteração da constituição, sob pena de violação ao princípio democrático. 
d) A mutação Constitucional está ligada à plasticidade de que dotadas certas normas 
constitucionais, que implica, que sem que se recorra a mecanismo 
constitucionalmente previsto, na possibilidade de alteração de significado, sem 
alteração do signo linguístico, condicionada a lastro democrático – demanda social 
efetiva, – estando, portanto, fundada na soberania popular. 
 
2. Modernamente, pode-se afirmar sobre o Poder Constituinte Originário: 
a) para a preservação da cláusula democrática, o Poder Constituinte Originário deve se 
submeter a referendo popular. 
b) o Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre condicionado 
pelos valores sociais e políticos que levaram à sua deflagração e pela ideia de direito 
decorrente do processo civilizatório. 
c) como expressão do poder fático, é prévio ao direito constituído e, assim, não se 
limita por condicionantes pré-constituintes. 
d) o Poder Constituinte é fato essencialmente político e, portanto, insuscetível de 
condicionantes jurídicos no plano do direito material. 
 
3. A respeito dos elementos da CF, assinale a opção correta com relação ao poder 
constituinte. 
a) Conforme entendimento do STF, as normas emanadas do poder constituinte 
originário não têm, em regra, eficácia retroativa mínima, visto que são incapazes de 
atingir efeitos futuros de fatos passados. 
b) As disposições constitucionais sobre o habeas data constituem exemplo de normas 
de reprodução obrigatória pelos estados-membros no exercício do poder constituinte 
derivado decorrente. 
c) O poder constituinte de reforma está sujeito a limitações materiais que podem estar 
presentes nas denominadas cláusulas pétreas implícitas. 
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27 
d) Conforme a definição clássica dos elementos da CF, o Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias, da CF, é exemplo de elemento de estabilização 
constitucional. 
e) Conforme a teoria positivista do direito, apesar de o poder constituinte originário 
ser ilimitado do ponto de vista do direito positivo anterior, esse poder é vinculado aos 
valores do movimento revolucionário que o ensejou. 
 
4. O exercício do Poder Constituinte Derivado, nos termos expressos da Constituição 
Federal de 1988: 
a) pode revelar-se por meio de projeto de iniciativa popular, nos termos 
expressamente previstos na Constituição Federal, exercido pela apresentação de 
projeto à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, um por cento do 
eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três 
décimos por cento dos eleitores de cada um deles. 
b) permite a reforma da Constituição, desde que a Proposta de Emenda à Constituição 
seja votada e aprovada, em dois turnos, se obtiver, em cada casa do Congresso, dois 
terços dos votos dos respectivos membros. 
c) pode revelar-se nas Emendas à Constituição, iniciadas por proposta de mais da 
metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, 
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 
d) permite a reforma da Constituição, desde que a Proposta de Emenda à Constituição 
seja votada e aprovada em sessão unicameral, em dois turnos, por dois terços de 
Deputados e Senadores. 
 
5. Quais são as características fundamentais do poder constituinte originário? 
a) Inicial, limitado e incondicionado. 
b) Inicial, ilimitado e condicionado. 
c) Inicial, ilimitado e incondicionado. 
d) Derivado, limitado e condicionado. 
 
6. Quando o termo “povo” aparece em textos de normas, sobretudo em documentos 
constitucionais, deve ser compreendido como parte integrante plenamente vigente 
da formulação da prescrição jurídica (do tipo legal); deve ser levado a sério como 
conceito jurídico a ser interpretado lege artis. (Friedrich Müller. Quem é o povo? A 
questão fundamental da democracia. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 67 – 
com adaptações). Sobre o tema, assinale a resposta correta: 
a) O poder constituinte originário é uma categoria pré-constitucional que fundamenta 
a validade da nova ordem constitucional. 
b) Para resguardar os interesses do povo, cabe à jurisdição constitucional fiscalizar a 
ação do poder constituinte originário com base no direito suprapositivo. 
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28 
c) Como titular passivo do poder constituinte originário, o povo delega o seu exercício 
a representantes e, em seguida, exerce a soberania apenas de forma indireta. 
d) Os direitos adquiridos são oponíveis ao poder constituinte originário para evitar 
óbice ao retrocesso social. 
e) A limitação material negativa ao poder constituinte dos estados federados se 
manifesta no dever de concretizar, no nível estadual, os preceitos da CF. 
 
4. GABARITO COMENTADO 
 
1. D 
A mutação constitucional não implica alteração formal da Constituição (não há 
procedimento formal,nem se alteram os signos linguísticos, estando erradas, 
portanto, as alternativas a, b e c). Na verdade, trata-se de mudança de contexto que 
implica alteração da interpretação do texto (alteração informal), tal como afirma a 
assertiva D. 
 
2. B 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
O Poder Constituinte Originário não é juridicamente subordinado, tampouco 
condicionado. Embora haja necessidade de lastro democrático para seu exercício, a 
hipótese não é de referendo popular. 
ALTERNATIVA B: CORRETA 
A assertiva encontra amparo na teoria de Jorge Miranda, apresentada na parte 
doutrinária do material, segundo a qual o poder constituinte originário não é ilimitado 
de forma absoluta. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
Era o que se pregava originalmente, mas que vem sendo repaginado pela doutrina. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
O PCO é insuscetível de condicionantes no plano formal, mas não no plano material 
(conteúdo). 
 
3. C 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Ao contrário do que afirmado, em regra, admite-se a eficácia retroativa mínima das 
normas constitucionais. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O HD é espécie de remédio constitucional. Assim, não faz parte das normas que 
organizam o Estado, nem tratam da estrutura central da Constituição, razão pela qual 
sua reprodução não é de caráter obrigatório. 
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ALTERNATIVA C: CORRETA 
Ainda que o reconhecimento das cláusulas pétreas implícitas não seja unânime na 
doutrina, a jurisprudência do STF reconhece as cláusulas pétreas implícitas, que, tal 
como afirmado, representam limitações materiais ao poder de reforma da 
Constituição. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
Segundo a doutrina de José Afonso da Silva, estudada no ponto 1, as constituições 
possuem em sua estrutura normativa cinco categorias de elementos, quais sejam: 1) 
elementos orgânicos (normas que regulam a estrutura do Estado e do poder); 2) 
elementos limitativos (normas definidoras de direitos e garantias fundamentais); 3) 
elementos sócio-ideológicos (normas denotativas de projetos, programas e 
compromissos de caráter individual e social-intervencionista); 4) elementos de 
estabilização constitucional (normas que objetivam solucionar crises e conflitos 
constitucionais; abrangem a defesa da Constituição, do Estado e das instituições 
democráticas); 5) elementos formais de aplicabilidade (normas que preveem regras de 
aplicação das Constituições). Assim, o ADCT não configura elemento de estabilização 
constitucional. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
O poder constituinte originário, de acordo com a teoria positivista, não encontra 
limitações de ordem moral ou social. 
 
4. C 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Há muita divergência sobre a possibilidade de iniciativa popular de EC, mas, ao certo, 
não há previsão constitucional expressa. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O correto seria a fração de 3/5 dos votos, ao invés de 2/3 como afirmado na assertiva. 
ALTERNATIVA C: CORRETA 
De fato, o Poder Constituinte Derivado revela-se nas Emendas à Constituição, iniciadas 
por proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da 
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 
(CF, art. 60, III). 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
Diversamente do que afirma a alternativa, a proposta é votada em cada Casa do 
Congresso. 
 
5. C 
Inicial, ilimitado e incondicionado. Apenas cuidado com a questão de ser ilimitado, a 
teor da teoria moderna. Assim, é preciso estar atento à forma de cobrança do 
conteúdo. 
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30 
 
6. A. 
ALTERNATIVA A: CORRETA. Conforme o escólio de SARLET, MARINONI e MITIDIERO: 
“o poder constituinte acaba assumindo a feição de uma categoria pré-constitucional, 
capaz de, por força de seu poder e de sua autoridade, elaborar e fazer valer uma nova 
constituição”. 
ALTERNATIVA B. INCORRETA. Não há controle do poder constituinte originário pela 
jurisdição constitucional (há controle sobre o poder constituinte derivado e poder 
constituinte decorrente). Há princípios suprapositivos que limitam o poder constituinte 
(que não se exerce no vácuo), mas isso não confere a prerrogativa indicada à jurisdição. 
OBS: O tema sobre as “normas constitucionais inconstitucionais” ( teoria não aceita 
pelo STF) será objeto de estudo em outra rodada. 
ALTERNATIVA C. INCORRETA. O povo não é titular passivo do poder constituinte 
originário. Também não há propriamente delegação. Por fim, o povo exerce soberania 
indireta ou diretamente (ex: plebiscito, referendo). 
ALTERNATIVA D. INCORRETA. Segundo o STF, não há direito adquirido em face de uma 
nova Constituição (poder constituinte originário) (RE 140.499). 
ALTERNATIVA E. INCORRETA. Redação confusa, especialmente pelo termo “limitação 
material negativa”. Limitação material negativa seria uma imposição de não fazer. 
Portanto, não se traduz em dever de concretizar preceitos da CF, que implica atuação 
positiva do Estado-Membro.

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