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DIREITO CONSTITUCIONAL
Ponto 2: Poder Constituinte
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APRESENTAÇÃO
Nesta rodada, abordaremos: Poder constituinte; classificações e decorrências;
poder constituinte originário e poder constituinte derivado. (Item 2 do Edital do Mege)
Trata-se de matéria eminentemente doutrinária, de tal forma que a leitura da
rodada juntamente com a resolução das questões deve ser suficiente para o
enfrentamento de provas futuras.
Ao final, elenco algumas questões que auxiliarão na fixação da matéria e que
devem ser resolvidas para um melhor aproveitamento do curso.
Também sugiro a revisão periódica do conteúdo.
Bons estudos!
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SUMÁRIO
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 4
1.1. PODER CONSTITUINTE ............................................................................................... 4
2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 23
3. QUESTÕES ................................................................................................................... 26
4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 28
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1. DOUTRINA (RESUMO)
1.1. PODER CONSTITUINTE
Pode-se conceituar o Poder Constituinte como o poder de elaborar
(originário) ou atualizar (derivado) uma Constituição, mediante supressão, modificação
ou acréscimo de normas constitucionais. Para fins de prova, a classificação do Poder
Constituinte e suas divisões é de suma importância.
Modernamente, entretanto, parte da doutrina critica a divisão do Poder
Constituinte em originário e derivado (sob o argumento de que seria indivisível), tendo
como verso o Poder Desconstituinte – poder de apagar e reformular tudo (ou seja,
abandonar a antiga Constituição e formular outra).
Nesse sentido, ensina Canotilho que “o poder constituinte antes de ser
constituinte é desconstituinte porque dirigido contra a “forma monárquica” ou poder
constituído pela monarquia. Uma vez abolido o poder monárquico, impõe-se uma
“reorganização”, um dar “forma”, uma reconstrução da ordem jurídico-política”.
Trata-se de uma metáfora, segundo a qual o Poder Constituinte Originário
possui “o giz em uma mão e o apagador em outra” (Carlos Ayres Britto), concepção
eminentemente doutrinária repaginada atualmente, como veremos ao longo desta
rodada.
1.1.1. TITULARIDADE E EXERCÍCIO
A doutrina atribui ao abade francês Emmanuel Joseph Sieyès a teorização
inaugural a respeito do Poder Constituinte Originário, realizada por meio da obra “Que
é o Terceiro Estado?”. De acordo com Sieyès, o povo seria soberano para ordenar o
seu próprio destino e o da sua sociedade, expressando-se por meio da Constituição
(soberania popular). Desta forma, o titular do poder constituinte seria o povo.
No Brasil, o art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal assegura que
“todo poder emana do povo”, que pode exercê-lo de forma direta (ex.: referendo,
plesbicito, iniciativa popular) ou por meio de seus representantes (eleitos
democraticamente).
Assim, a titularidade do poder constituinte é do povo. Entretanto, o exercício,
como regra, está reservado a ente diverso do povo formado por seus representantes,
notadamente por intermédio das instâncias políticas (Poder Executivo e Poder
Legislativo), o que é a base da democracia representativa.
1.1.2. CLASSIFICAÇÕES E DECORRÊNCIAS
Atualmente, o Poder Constituinte pode ser divido em:
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i) Originário:
- Histórico;
- Revolucionário.
ii) Derivado:
- Reformador;
- Decorrente;
- Revisor.
iii) Difuso; e
iv) Supranacional.
Vejamos cada um dos conceitos a seguir.
1.1.3. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO (PCO)
O poder constituinte originário (PCO), também denominado inicial, inaugural,
genuíno ou de 1º grau, é aquele que inaugura ou instaura uma nova ordem jurídica em
um Estado, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente.
O PCO possui as seguintes características:
- Inicial - Inaugura um novo ordenamento, instaurando uma
nova ordem jurídica.
- Autônomo - A estruturação da nova Constituição será
determinada, autonomamente, por quem exerce o poder
constituinte originário.
- Ilimitado Juridicamente - Ele é ilimitado juridicamente, assim
não tem que respeitar os limites postos pelo direito anterior.
Trata-se da concepção clássica, que já sofreu novas
interpretações, como veremos a seguir.
- Soberano e Incondicionado na Tomada de Suas Decisões –
Não tem que se submeter a qualquer forma prefixada de
manifestação.
- Permanente - A doutrina aponta que o PCO não se “esgota”
com a elaboração de uma nova constituição, mas permanece
em “estado de latência”, podendo novamente se manifestar
em um novo “momento constituinte”.
- Inalienável - Sua titularidade não é passível de transferência.
- Poder político/histórico.
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Pergunta da prova oral do MPMG-2020: qual a natureza jurídica do Poder
Constituinte Originário?
A natureza jurídica do Poder Constituinte Originário é controvertida. Para a
concepção jusnaturalista, trata-se de um poder jurídico (ou de direito). De acordo com
essa corrente, o PCO estaria subordinado aos princípios do direito natural.
Noutro giro, a concepção positivista não admite a existência de qualquer
outro direito além daquele posto pelo Estado. Nesse sentido, o PCO é anterior e se
encontra acima de toda e qualquer norma jurídica, devendo ser considerado um poder
político/histórico (extraordinário ou de fato).
ATENÇÃO! CAIU EM PROVA! TJ-BA 2019. “O poder constituinte originário é uma
categoria pré-constitucional que fundamenta a validade da nova ordem
constitucional.”
Alternativa considerada correta.
Pergunta: O Poder Constituinte Originário é totalmente ilimitado?
Hoje prevalece que o PCO, ainda que se admita ser ilimitado juridicamente,
NÃO é exercido em um vácuo histórico e cultural (Canotilho). Haveria, então, limites
metajurídicos, implicações circunstanciais impositivas, derivadas de pressões de
grupos sociais, econômicos, políticos (Seriam os “fatores reais de poder”, conforme
teoria de Ferdinand Lassalle sobre a concepção sociológica de constituição).
LIMITES METAJURÍDICOS ao Poder Constituinte Originário (Jorge Miranda):
a) ideológicos = valores arraigados na opinião pública.b) institucionais = instituições culturais consolidadas na sociedade (ex: propriedade
privada).
c) substanciais
- transcendentes = transcendem o direito posto (consciência jurídica coletiva, direitos
humanos);
- imanentes = configuração histórica do Estado (ex: república e presidencialismo);
- heterônomos = derivam do direito internacional - princípios internacionais (gerais);
obrigações assumidas em acordos internacionais (especiais).
As concepções jurídicas de inspiração jusnaturalista e pós-positivista também
impõem certas limitações ao PCO:
- imperativos do direito natural (vida, propriedade e liberdade);
- valores éticos: fórmula de Radbruch = o direito extremamente injusto não pode ser
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considerado direito;
- consciência jurídica coletiva: proibição de retrocesso (efeito cliquet) = observância e
respeito aos direitos conquistados por uma sociedade, sobre os quais haja um
consenso profundo (os direitos não são dados pelo Estado, mas conquistados).
Também pergunta da prova oral do MPMG-2020: há direito adquirido
oponível ao Poder Constituinte Originário?
O candidato deveria discorrer sobre a teoria clássica e sobre a teoria mais
moderna, nos termos expostos acima.
Pela teoria clássica: NÃO, o poder constituinte originário é ilimitado.
Pela teoria moderna: sim, em razão dos limites metajurídicos.
ATENÇÃO! Em provas objetivas, se a alternativa trouxer o conceito de Poder
Constituinte Originário como poder ilimitado e incondicionado, sem maior
problematização, deve ser assinalada. Para provas subjetivas e orais ou provas
objetivas que tragam um aprofundamento doutrinário maior, fique atento à forma de
questionamento.
Ex1: Inicial, ilimitado e incondicionado são características fundamentais do poder
constituinte originário (TJ-PR 2013) - Alternativa considerada correta.
Ex2: “o Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre
condicionado pelos valores sociais e políticos que levaram à sua deflagração e pela
ideia de direito decorrente do processo civilizatório” (TJSP-2017) – Alternativa
igualmente considerada correta.
Tipos de Poder Constituinte Originário:
- Histórico - É aquele que é o primeiro da história de um Estado
(“verdadeiro poder constituinte originário”, conforme doutrina).
O Poder Constituinte Originário Histórico cria o Estado e
determina suas regras e limites. No Brasil, exemplo de
manifestação do Poder Constituinte Originário Histórico é a
Constituição de 1824, que inaugurou uma ordem constitucional
para o país recém independente, marcando a sua soberania.
- Revolucionário - É aquele que se segue ao primeiro, que
quebra a estrutura existente anteriormente. A expressão
revolução indica momentos de crises, de ruptura drástica. A
doutrina aponta que a “revolução” não precisa ser
necessariamente armada, bélica, podendo ser pacífica, desde
que represente uma profunda mudança na ordem político-
social vigente. Nesse sentido, a própria Constituição de 1988
pode ser entendida como fruto do poder constituinte originário
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revolucionário, porquanto, embora elaborada por manifestação
de uma Assembleia Nacional Constituinte (democrática),
rompeu com o regime militar anterior.
Formas de Manifestação (formas de expressão):
- Pela Outorga - É a manifestação impositiva que decorre de
um poder autoritário ou golpe de Estado (CF de 1824, 1937,
1967 e EC 1/69). As Constituições decorrentes dessa
manifestação são chamadas de outorgadas.
- Pela Manifestação de uma Assembleia Nacional Constituinte
(Convenção) - Ocorre por intermédio da manifestação
democrática por representantes do povo (CF de 1891, 1934,
1946 e 1988). As Constituições decorrentes dessa manifestação
são chamadas de promulgadas.
Classificação:
- Poder Constituinte Formal - É o ato de criação propriamente
dito e que atribui a roupagem com status constitucional a um
complexo normativo. Existe uma forma diferenciada para a
manifestação.
O poder constituinte formal confere estabilidade e garantia de permanência e
de supremacia hierárquica ou sistemática ao princípio normativo inerente à
Constituição.
- Poder Constituinte Material - É o lado substancial do poder
constituinte originário, qualificando o direito constitucional
formal com status de norma constitucional. Existe uma matéria
diferenciada. Geralmente tem sua estabilidade dada pela
manifestação formal.
OBSERVAÇÃO: A classificação quanto às dimensões formal e material pode ser
entendida como dois momentos distintos na manifestação do Poder Constituinte
Originário. O momento material, em geral, antecedente ao formal, é o momento em
que se decide constituir um novo Estado e se elege os valores a serem protegidos. O
momento formal, por sua vez, sucede ao material e se caracteriza pela atribuição de
juridicidade ao texto eleito.
APROFUNDANDO- Legitimidade de uma Constituição
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A Constituição pode ter origem legítima e se deslegitimar com o passar do
tempo; pode, por outro lado, ter em sua origem baixo grau de legitimidade, mas se
legitimar com o processo democrático.
A doutrina aponta alguns critérios para aferição da legitimidade de uma
Constituição, esquematizados abaixo:
Critérios para aferição da LEGITIMIDADE da Constituição:
a) respeito ao procedimento = observância das limitações procedimentais
estabelecidas pelo povo ou pela própria assembleia.
b) participação popular = influxo (influência) do povo na feitura do texto.
c) consensus = atendimento do anseio popular.
d) atuação dos exercentes no interesse do povo.
e) resultado = integração entre a ideia de legitimidade e democracia pelo resultado
final do conteúdo e adoção de instrumentos de participação popular no processo do
poder.
ATENÇÃO! Teoria do “Hiato Constitucional”: desenvolvida pelo Professor Ivo Dantas.
Refere-se a uma ruptura (falta de sincronia) entre a Constituição positivada e a
realidade social. Como consequência, esses hiatos podem gerar as seguintes situações:
- Ruptura pela manifestação de uma Assembleia Nacional Constituinte;
- Mutação Constitucional (mudança no sentido interpretativo) – poder constituinte
difuso – para se adequar à realidade social, caso seja possível;
- Reforma Constitucional – mudança formal da Constituição por meio do poder
constituinte derivado;
- Hiato autoritário – situação de crise que permite um poder imposto.
1.1.4. PODER CONSTITUINTE DERIVADO (PCD)
O poder constituinte derivado, também chamado de instituído, constituído,
secundário, de segundo grau ou remanescente, é criado e instituído pelo PCO sendo,
portanto, limitado e condicionado pelas normas impostas pelo Poder Constituinte
Originário. Parte da doutrina utiliza a terminologia “competência reformadora” para se
referir ao Poder Constituinte Derivado.
São características do Poder Constituinte Derivado:
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- Condicionado/Subordinado - Está limitado pelo poder
Constituinte Originário. Assim, deve obedecer às regras
impostas pelo originário,sendo, nesse sentido, limitado e
condicionado aos parâmetros a ele impostos.
- Secundário - É criado pelo poder originário (primário).
- Poder Jurídico - É o poder de reformar sem gerar revolução.
Não há poder de fato, mas poder jurídico.
Seguem examinadas, a seguir, as subespécies de poder constituinte derivado.
1.1.5. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR
O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 3o, presente
desde a promulgação da CF/88, previu que “a revisão constitucional será realizada
após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria
absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral”.
Após 5 anos da promulgação da CF, em sessão unicameral, por maioria
absoluta, a rigidez constitucional foi flexibilizada (ADCT, art. 3º), adotando-se meios e
ritos de alteração constitucional mais simples que uma emenda constitucional comum.
Tratou-se, em suma, de uma via excepcional de reforma da Constituição que,
por ter requisitos mais simples que uma emenda constitucional, possibilitava uma
mudança ampla e generalizada do texto constitucional.
Trata-se da essência da diferença entre revisão e reforma: a revisão é
generalizada, ampla, enquanto a reforma é pontual.
ATENÇÃO! Não havia limites materiais explícitos ao poder constituinte derivado
revisor, apenas temporais e formais. Contudo, o STF entendeu que havia limitações
materiais implícitas- MC na ADI 981/PR.
CAIU EM PROVA! (TJ-SP 2018)
“Em precedentes dos anos 1990, em especial na ADIN-MC 981, o Supremo Tribunal
Federal adotou entendimento no sentido de que as chamadas emendas de revisão
não estavam sujeitas aos limites materiais estabelecidos pelo artigo 60, § 4° , da
Constituição.”
Alternativa incorreta. Consta expressamente da ementa da ADI 981 a seguinte
passagem: “Está a ‘revisão’ prevista no art. 3º do ADCT de 1988 sujeita aos limites
estabelecidos no parágrafo 4º e seus incisos, do art. 60, da Constituição” (STF.
Plenário. ADI 981/PR, rel. Min. Néri da Silveira, j. 17.12.1993).
ATENÇÃO! PEGADINHA: A revisão constitucional não foi realizada em sessão conjunta,
e sim em sessão unicameral. Na sessão conjunta as Casas atuam ao mesmo tempo,
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embora as deliberações sejam em separado, isto é, a contagem de votos se dá entre
os pares de cada casa.
CAIU EM PROVA! (TJ-GO 2009): “a revisão constitucional foi realizada após cinco anos,
contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos
membros do Congresso Nacional, em sessão conjunta das Casas”.
Alternativa incorreta. A votação foi em sessão unicameral.
ATENÇÃO! Seria possível uma Emenda Constitucional no ADCT prevendo uma nova
revisão? O STF já estabeleceu que NÃO (MC na ADI 1.722/TO) – trata-se de norma de
eficácia exaurida.
ATENÇÃO! A revisão era importante caso o povo optasse, em 7 de setembro de 1993,
por meio de plebiscito, pela forma de Governo monárquica ou pelo sistema de
governo parlamentarista, nos termos do art. 2º do ADCT.
1.1.6. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR
O Poder Constituinte Derivado Reformador (PCDR) também é chamado de
instituído ou constituído e possui a prerrogativa de alterar a Constituição Federal
vigente.
REFORMA (CF, art. 60) REVISÃO (ADCT, art. 3º)
- meio ordinário de alteração da
Constituição.
- exige quórum de 3/5 dos votos do
Senado Federal e da Câmara dos
Deputados (em cada casa legislativa), em
2 turnos.
- via extraordinária de alteração da
Constituição.
- exigiu maioria absoluta do Congresso
Nacional (sessão unicameral), em turno
único.
1.1.6.1. Limitações ao Poder Constituinte Derivado Reformador
O poder constituinte derivado reformador, cuja existência se restringe a
ordenamentos jurídicos encabeçados por uma Constituição rígida, tem a função de
modificar as normas constitucionais por meio de emendas, sofrendo limitações
temporais, circunstanciais, formais (procedimentais ou processuais) e materiais (ou
substanciais).
LIMITAÇÕES TEMPORAIS
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Limitações Temporais são aquelas que impedem a alteração da Constituição
durante um determinado período de tempo, a fim de que possam adquirir certo grau
de estabilidade.
A Constituição Brasileira de 1824 (art. 174) previu a limitação temporal nos 4
anos seguintes à outorga da Carta. A CF/88 não previu limitação temporal para
reforma, apenas para revisão (5 anos – art. 3o do ADCT, já abordado acima).
LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS
Não confunda as limitações temporais com as limitações circunstanciais ao
poder de reforma da Constituição.
As limitações circunstanciais impedem a alteração da Constituição em
situações excepcionais nas quais a livre manifestação do PCDR possa estar ameaçada –
estado de defesa (CF, art. 136), estado de sítio (CF, art. 137) e intervenção federal (CF,
art. 34) (CF, art. 60, § 1º).
ATENÇÃO! No estado de calamidade pública, sem decretação do estado de defesa, não
há limitação. Em razão disso, por exemplo, durante a pandemia do coronavírus,
embora decretado o estado de calamidade pública para inúmeros fins legais, foram
editadas emendas constitucionais (EC 107, 108 e 109).
OBS: Embora não haja previsão expressa no ADCT, as hipóteses de limitação
circunstancial também se aplicavam ao poder de revisão.
LIMITAÇÕES FORMAIS
As limitações formais (processuais ou procedimentais) exigem a observância
de certas formalidades para a alteração da Constituição. Essas limitações decorrem da
rigidez constitucional, que exige para alteração da Constituição um processo de
elaboração mais dificultoso.
Formais Subjetivas Formais Objetivas
- legitimados à PEC (art. 60 da CF/88):
i) 1/3, no mínimo, dos membros da
Câmara dos Deputados ou do Senado
Federal;
ii) Presidente da República;
iii) mais da metade das Assembleias
Legislativas das unidades da Federação,
manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria relativa de seus membros.
- quórum de 3/5.
- aprovação em 2 turnos, em cada Casa
do Congresso Nacional.
- se rejeitada, a matéria da PEC só
poderá ser proposta novamente na
próxima sessão legislativa (ano
seguinte).
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OBS: Não se deve confundir LEGISLATURA, período de 4 anos previsto no art.
44, parágrafo único da CF/88, com a SESSÃO LEGISLATIVA, período de 1 ano previsto
no art. 57 da CF/88.
OBS 2: Dentre todos os legitimados, apenas o Presidente da República tem
legitimidade para propor Projetos de Lei Ordinária e Lei Complementar e ainda de
Emenda Constitucional, ao mesmo tempo. Por outro lado, o Presidente da República
só participa da PEC propondo-a – não sanciona, não veta, não promulga e não publica.
A emenda à Constituição é promulgada de forma conjunta pelas mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem,
sendo a devida publicação feita pelo Congresso Nacional.
ATENÇÃO! Não existe previsão expressa de iniciativa popular de PEC, mas há autores
(ex.: José Afonso da Silva) que admitem a possibilidade, por meio de uma
interpretação sistemática da CF (analogia do art. 61, § 2º, da CF c/c art. 1º, parágrafo
único, da CF).
O STF, inclusive, já decidiu que é possível que a Constituição do Estado preveja
iniciativa popular para a propositura de Emendaà Constituição Estadual (ADI 825/AP).
CAIU EM PROVA! TJ-RS 2018
“A iniciativa popular no processo de reforma da Constituição Federal de 1.988 não é
prevista expressamente pelo texto constitucional, muito embora seja admitida por
alguns autores, com fundamento em uma interpretação sistemática da Constituição
Federal.”.
Alternativa considerada correta.
LIMITAÇÕES MATERIAIS
As limitações materiais (ou substanciais) impedem a alteração de
determinados conteúdos da Constituição, as chamadas cláusulas pétreas (art. 60, §4º).
A doutrina divide as limitações materiais em explícitas e implícitas.
Há divergência sobre a possibilidade de excluir do âmbito democrático
determinadas matérias, ou seja, retirar certas escolhas permanentemente da
deliberação política. Sobre o tema há duas teorias que buscam justificar tais
limitações:
a) pré-comprometimento;
b) democracia dualista.
Pela teoria do pré-comprometimento (ou pré-compromisso) a proteção
qualificada de certos conteúdos é necessária para assegurar metas a longo prazo, as
quais sucumbiriam às maiorias que visam a interesses imediatos. Trata-se de proteção
contra as paixões e fraquezas. Seu principal defensor, Jon Elster, cita como exemplo
literário Ulisses (protagonista de A Odisseia - Homero), que precisou ser amarrado ao
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mastro de seu barco para passar pela ilha das sereias e não se deixar enfeitiçar por seu
canto. A crítica feita por Oscar Vilhena Vieira é que as limitações individuais de Ulisses
não podem ser comparadas rigidamente com o caráter supraindividual das limitações
impostas pela Constituição.
Já para a teoria da democracia dualista há duas democracias: (a) política
ordinária: manifestada em momentos de normalidade, realizada cotidianamente pelos
órgãos de representação popular; (b) política extraordinária: exercida em momentos
de grande mobilização social, nos quais a cidadania se apresenta de forma mais
intensa. Assim, as escolhas realizadas em momentos de política extraordinária devem
ser colocadas em patamar superior e protegidas dos representantes que atuam na
política ordinária, aos quais pode legitimamente impor limites.
A expressão “tendente a abolir” (CF, art. 60, § 4º) deve ser interpretada no
sentido de proteger o núcleo essencial dos princípios e institutos elencados como
cláusulas pétreas, e não como uma intangibilidade literal. Em outras palavras, pode
reforçar, mas não enfraquecer.
FINALIDADES das cláusulas pétreas:
a) preservar a identidade material da Constituição (ex.: direitos fundamentais).
b) proteger institutos e valores essenciais contra maiorias momentâneas (ex.:
vedação à pena de morte).
c) assegurar a continuidade do processo democrático (ex.: princípio da anterioridade
eleitoral, periodicidade do voto, temporariedade do mandato e impossibilidade de
reeleições indefinidas).
A Constituição Federal entabula em seu art. 60, §4º, as seguintes cláusulas
pétreas explícitas, que devem ser memorizadas:
1) forma federativa de Estado: considerada um princípio
intangível desde a primeira Constituição Republicana de 1891,
estabelece que não pode haver redução significativa na
autonomia dos entes federativos e um desequilíbrio entre eles.
2) voto direto, secreto, universal e periódico: as características
do voto são protegidas, porém, a obrigatoriedade do voto não
é cláusula pétrea (cai bastante em provas).
3) separação dos Poderes: pode haver alterações, mas não se
pode afetar a independência e harmonia (ex: criação do CNJ e
mitigação da processabilidade dos parlamentares).
4) direitos e garantias individuais: nem todos os direitos
fundamentais foram inseridos formalmente no rol de cláusulas
pétreas, apenas os direitos e garantias individuais, embora a
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doutrina e o STF façam uma interpretação extensiva nesse
quesito.
OBSERVAÇÃO: As cláusulas pétreas não se esgotam no art. 60, §4º, da Constituição
Federal, existindo diversas outras ao longo do seu texto. Como exemplo, a imunidade
tributária recíproca (CF, art. 150, VI, a) é considerada cláusula pétrea, pois impede que
um ente crie imposto que mitigue a autonomia financeira das unidades da federação
(ADI 939/DF). O princípio da anualidade em direito eleitoral (art. 16 da Constituição
Federal) também é considerado uma cláusula pétrea.
OBSERVAÇÃO: É muito difícil referir, em abstrato, quais são as cláusulas que possuem
estreita relação com os princípios por elas protegidos e, por isso, não podem ser
atingidas. Só a casuística é que pode assentar a necessidade de proteção qualificada
de determinados direitos.
Questão dos direitos e garantias individuais: Parte da doutrina entende que a
Constituição não adotou uma terminologia rigorosa em relação aos direitos
fundamentais, de modo que não apenas os direitos e garantias individuais, como os
demais (sociais, de nacionalidade e políticos) devem ser tidos como cláusulas pétreas.
Dizem que a Constituição os tratou sob o mesmo regime (CF, arts. 1º, 2º e 3º) (Ingo
Sarlet).
Para fins de prova, observe se a questão pergunta o texto expresso da CF, que
utiliza a expressão “direitos e garantias individuais”. De fato, a CF não utilizou o termo
direitos e garantias fundamentais para dispor sobre as cláusulas pétreas explícitas,
cabendo tal desiderato ao ônus argumentativo da interpretação extensiva.
PERGUNTA: Se uma emenda à Constituição incluir direito individual, ele será
cláusula pétrea? Aqui há um problema. Só há sentido jurídico no poder superior
(original) limitar o inferior (reformador). Não há lógica no poder constituinte
reformador limitar a si mesmo. Ocorre que, como a CF fala que “não será objeto de
deliberação proposta a tendente a abolir direitos e garantias individuais”, a doutrina
entende que se trata de exceção, sendo inviável abolir novos direitos (poder-se-ia
discutir, de toda forma, a vedação ao retrocesso).
Importante ressaltar que a propositura de emenda à Constituição que seja
manifestamente ofensiva à cláusula pétrea pode ensejar, inclusive, que o Supremo
Tribunal Federal exerça controle de constitucionalidade preventivo por meio de
mandado de segurança impetrado pelo parlamentar, determinando o arquivamento
do projeto, como se extrai do MS 32033/DF (o que, frisa-se, é uma medida excepcional,
que será melhor abordada na rodada sobre controle de constitucionalidade).
LIMITAÇÕES IMPLÍCITAS
Quanto às limitações implícitas ou inerentes, estas seriam decorrência das
próprias limitações expressas previstas no art. 60, §4º, da CF (Ex.: a União não pode
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
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legislar de forma a restringir a autonomia dos estados, sob pena de violar o pacto
federativo, protegido pelo art. 60, §4º, I, da CF).
Uma das limitações implícitas ao PCDR mais importantes é a vedação de
modificação do próprio rol de cláusulas pétreas, para retirar a vedação constitucional
e, então, fazer uma segunda revisão para modificação desejada. Trata-se da teoria da
dupla revisão, não adotada no Brasil.
Outra limitação implícita apontada pela doutrina é a impossibilidade de
alteração da titularidade do próprio poder constituinte.
PERGUNTA: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo, são
cláusulas pétreas?
Há divergência, especialmente porque trata-se deescolha popular realizada em
plebiscito nacional no dia 21 de abril de 1993 (determinado pelo art. 2º do ADCT),
sendo que a República e o sistema presidencialista de governo foram mantidos pela
população.
Há basicamente duas correntes, assim sintetizadas:
CLÁUSULAS PÉTREAS ALTERÁVEIS
- qualquer alteração posterior à consulta
popular em 1993 (plebiscito) é de ser tida
por incompatível com a separação dos
Poderes.
- é possível a alteração do sistema e da
forma, mas não por simples emenda, e
sim por nova consulta popular.
OBSERVAÇÃO: Senado Federal já se manifestou formalmente no sentido de que o
presidencialismo não seria cláusula pétrea.
1.1.7. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE (PCDD)
O Poder Constituinte Derivado Decorrente (PCDD) é outorgado aos Estados-
Membros para que possam elaborar suas próprias Constituições (PCDD Inicial) ou
modificá-las (PCDD Reformador), conforme CF, art. 25 e ADCT, art. 11.
O PCDD tem como características ser: derivado, subordinado e condicionado
(CF, art. 25 e ADCT, art. 11).
No exercício do PCDD, deve-se observar os princípios constitucionais
sensíveis, os princípios constitucionais estabelecidos (organizatórios) e os princípios
constitucionais extensíveis.
Os princípios constitucionais sensíveis são os previstos no art. 34, VII, da
Constituição Federal, cuja inobservância pode dar ensejo à intervenção federal.
Conforme a doutrina, representam a essência da organização constitucional brasileira.
São eles:
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS
a) forma republicana, sistema representativo e regime
democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e
indireta;
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de
impostos estaduais, compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e
nas ações e serviços públicos de saúde.
Os princípios constitucionais estabelecidos são aqueles que compõem o
modelo federativo como um todo, que se reportam a todos os entes políticos, e se
encontram de forma assistemática ao longo do texto constitucional. Ex: art. 19
(laicidade do Estado) e art. 150 (limitações ao poder de tributar) da Constituição
Federal.
Por fim, os princípios constitucionais extensíveis são previstos para a União e
se estendem aos Estados-membros, expressa ou implicitamente. Ex: arts. 28, 77
(regras para eleições do Presidente e Vice, que se aplicam às eleições de governadores
por determinação expressa do art. 28 da CF) e art. 75 da Constituição Federal (regras
sobre Tribunal de Contas da União que se estendem para os Tribunais de Contas dos
Estados e dos Municípios).
O Distrito Federal, por sua vez, tem o poder de elaborar sua lei orgânica,
votada em dois turnos, com interstício mínimo de 10 (dez) dias e aprovada por quorum
de 2/3 (dois terços) da Assembleia Legislativa (art. 32 da CF). É igualmente
manifestação do PCDD, na parte condizente com Constituição Estadual (STF, RE
577.025), e também deve obediência aos princípios constitucionais sensíveis, aos
princípios constitucionais estabelecidos e aos princípios constitucionais extensíveis.
Quantos aos municípios, prevalece que as leis orgânicas municipais NÃO são
consideradas fruto do PCDD, já que não possuem aspecto formal de Constituição, e
sim de uma lei ordinária (embora materialmente sejam equiparadas a uma
Constituição – STF, ADI 980/DF). Ademais, a lei orgânica municipal está subordinada à
respectiva Constituição Estadual (CF à CE à LO), e não há poder constituinte de 3º grau.
A jurisprudência do STF costuma estabelecer limitações às Constituições
Estaduais sob a ótima do chamado princípio da simetria, que são parâmetros
constitucionais dispostos para organização federal e que devem ser aplicados ao
modelo organizatório estadual.
Atualmente, não há um rol previamente estabelecido das regras
constitucionais que devem ser aplicadas aos Estados por simetria, sendo fruto da
construção doutrinárias e jurisprudencial.
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Exemplos:
a) a Constituição Estadual não pode ter o procedimento de
reforma mais dificultoso do que a Constituição Federal – NÃO
podem ser mais rígidas (STF, ADI 486);
b) a Constituição Estadual NÃO pode exigir lei complementar
para versar sobre matérias que a Constituição Federal não
exigiu lei complementar (STF, ADI 5.003).
c) as Constituições Estaduais obrigatoriamente devem ser
rígidas em relação à legislação estadual (STF, ADI 1722).
Assim, além das normas próprias, as Constituições Estaduais possuem normas
de reprodução obrigatória (não há um rol de normas de reprodução obrigatória –
costuma-se falar nos princípios sensíveis, extensíveis e estabelecidos, como visto).
Reprodução OBRIGATÓRIA FACULTATIVA ou DE IMITAÇÃO
- normas centrais da CF que garantem
um mínimo de uniformidade (ex.:
modelo presidencialista).
- normas que as CEs reproduzem da CF por
opção política.
Existem as normas de observância obrigatória expressas, determinadas pela
própria Constituição Federal (ex.: i) art. 28, que trata da eleição do Governador e do
Vice, com determinação de observância ao art. 77, que trata das eleições
presidenciais; ii) art. 27, § 1º, que determina a aplicação aos Deputados Estaduais das
mesmas regras da CF sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades,
remuneração, perda de mandato, licença etc. dos Deputados Federais; iii) art. 75, que
estende aos TCEs as normas estabelecidas para o TCU quanto à organização,
composição e fiscalização), e as implícitas, que são reveladas especialmente pela
jurisprudência do STF.
OBSERVAÇÃO: se uma norma é de observância obrigatória pela Constituição Estadual,
considera-se que ela está presente mesmo que a Carta Estadual seja silente.
Ex: ainda que a Constituição Estadual não trate sobre a autonomia dos Municípios, a
autonomia decorrerá da própria Constituição Federal (art. 1º e art. 18).
Tal construção tem especial relevância para fins de controle de constitucionalidade,
pois, segundo o STF, os Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de
constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da
Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos
Estados.
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NORMAS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA implícitas = a serem forçosamente
observadas no plano estadual. Exemplos, conforme a jurisprudência do STF:
- requisitos para criação de CPI (CF, art. 58, § 3º) = o quórum de instalação é de 1/3,
tendo poderes de autoridade judiciária (quebra do sigilo bancário e dos dados
telefônicos).
- processo legislativo (CF, art. 59 e ss) = as matérias do art. 61, § 1º, da CF, no plano
estadual, são de iniciativa exclusiva do Governador; o quórum para alteração da
Constituição Estadual é de 3/5, em dois turnos.
- modelo de separação dos poderes = presidencialista. O Estado-membro não pode
adotar o sistema parlamentarista; não se pode condicionar a validade de contrato
firmado pelo Poder Executivo à aprovação do Poder Legislativo.
Obs: já foi decidido que o preâmbulo da Constituição não se trata de norma de
reprodução obrigatória.
1.1.8. PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL
Refere-seà globalização do direito constitucional. Dessa forma, decorre de
documentos internacionais.
Busca sua fonte de validade na cidadania universal, no pluralismo de
ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito remodelado de
soberania. A definição de Poder Constituinte Supranacional se torna importante, por
exemplo, em contextos como o da União Europeia, em que países compartilham
regras de organização e poder que transcendem as fronteiras domésticas.
1.1.9. PODER CONSTITUINTE DIFUSO
O Poder Constituinte Derivado Difuso possibilita a alteração informal do
texto constitucional (mutação constitucional) de acordo com a evolução histórica,
política e social da comunidade.
Em outras palavras, ainda que o texto da Constituição permaneça o mesmo
(não houve emenda ou revisão constitucional), a norma resultante de sua
interpretação se altera ao longo do tempo.
Segundo o STF, três situações legitimam a mutação constitucional: i) mudança
na percepção do direito; ii) modificação da realidade fática; iii) consequência prática
negativa de determinada linha de entendimento.
Exemplo de mutação constitucional, fruto do poder constituinte derivado
difuso, foi o novo entendimento dado ao art. 52, X, da Constituição Federal.
Atualmente, entende-se que quando o STF declara uma lei inconstitucional, ainda que
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em controle difuso, a decisão tem efeito erga omnes e vinculante, cabendo ao Senado
Federal apenas dar publicidade à decisão (ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ).
Nesse sentido, CAIU EM PROVA (TJ-SP 2017):
“A mutação Constitucional está ligada à plasticidade de que
dotadas certas normas constitucionais, que implica, que sem
que se recorra a mecanismo constitucionalmente previsto, na
possibilidade de alteração de significado, sem alteração do
signo linguístico, condicionada a lastro democrático – demanda
social efetiva, – estando, portanto, fundada na soberania
popular”.
Alternativa considerada correta.
1.1.10. EFEITOS DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO NA ORDEM JURÍDICA ANTERIOR
O exercício do poder constituinte originário implica a revogação de todas as
normas jurídicas inseridas na Constituição anterior, ainda que compatíveis com a
Constituição ora vigente.
De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização, as normas
constitucionais que não sejam materialmente constitucionais e que tenham
compatibilidade com a nova ordem constitucional vigente podem ser mantidas com
natureza de lei, desconstitucionalizando-se. Em regra, a teoria da
desconstitucionalização NÃO é admitida no direito brasileiro.
A aplicação da Teoria da Desconstitucionalização deve ter previsão expressa, a
exemplo do que ocorre com a Constituição de Portugal (art. 292). No Brasil, o art. 147
da Constituição de 1967 do Estado de SP também trazia tal possibilidade.
No que tange à legislação infraconstitucional, o exercício do poder
constituinte originário pode importar na recepção das normas infraconstitucionais
anteriores à vigência da nova Constituição, desde que sejam materialmente
compatíveis com ela, mediante o fundamento imediato de validade.
Trata-se de instituto que prevê que um ordenamento jurídico acolha e torne
suas as normas de ordenamento jurídico anterior. Não havendo compatibilidade, a
hipótese será de não recepção, e não de inconstitucionalidade.
Premissas para a recepção:
i) O ato deve ter sido criado antes da nova Constituição;
ii) O ato deve estar em vigor (não pode ter sido declarado
inconstitucional ou revogado na vigência da Constituição
anterior);
iii) O ato tem que ter compatibilidade apenas material com o
novo ordenamento. Não é necessário compatibilidade formal.
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Ex.: o CTN, anterior à CF/88, que é formalmente uma lei
ordinária, é materialmente uma lei complementar. O CTN foi
recepcionado com status de lei complementar, pois trata de
matérias que o art. 146 da CF/88 reservou à lei complementar;
e
iv) O ato deve ter compatibilidade formal e material com o
ordenamento no qual foi criado. Não pode haver recepção de
atos normativos que, ao tempo que foram criados, eram
incompatíveis com a ordem constitucional então vigente
(princípio da contemporaneidade).
Por fim, cabe observar os graus de retroatividade das normas constitucionais:
- Retroatividade Máxima (restitutória) - Alcança fatos já
consumados. É possível que a nova Constituição tenha
retroatividade máxima, desde que previsto expressamente.
(ex.: art. 17 do ADCT e art. 97, p. único da CF de 1937).
- Média - Alcança efeitos pendentes de atos jurídicos
verificados antes da norma (ex.: prestações vencidas, mas não
adimplidas). Para ter aplicação, também é necessário previsão
expressa.
- Mínima (temperada ou mitigada) - Alcança efeitos futuros de
fatos passados (após sua vigência). É a regra a ser aplicada para
a CF (ex.: art. 7º, IV da CF).
O poder constituinte originário, como regra, tem apenas retroatividade
mínima. Entretanto, pode ter retroatividade máxima ou média já que é juridicamente
ilimitado, basta que isto esteja previsto.
Por sua vez, as emendas constitucionais, que são frutos do poder constituinte
derivado, segundo a maior parte da doutrina, pode ter apenas retroatividade mínima,
pois, caso contrário violariam o art. 5º, XXXVI da CF (princípio da irretroatividade).
O Ministro Luiz Fux, no julgamento do RE 929670/DF, trouxe os conceitos de
retroatividade autêntica e retroatividade inautêntica (retrospectividade). Na
retroatividade autêntica há a atribuição de consequências jurídicas a fatos ocorridos
antes da edição da norma. Na retroatividade inautêntica ou retrospectividade, a
norma atribui efeitos jurídicos, a partir da sua edição, a fatos jurídicos ocorridos
anteriormente.
A consequência prática disso foi permitir a aplicação da Lei da Ficha Limpa a
fatos anteriores à sua edição. Segundo sustentou o Ministro Luiz Fux, como a
inelegibilidade do art. 22, XIV, da LC 64/90 não se constitui em sanção, a ampliação do
prazo nele previsto (de 3 para 8 anos) pela Lei da Ficha Limpa não representa ofensa à
retroatividade máxima (que o legislador infraconstitucional não pode instituir, apenas
o Poder Constituinte Originário, se expressamente previsto, como estudado acima).
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Para o STF, aplicar a Lei da Ficha Limpa para fatos ocorridos antes da sua
vigência não configura uma autêntica ou verdadeira retroatividade, e, portanto, não
ofende a Constituição.
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2. JURISPRUDÊNCIA
EC 20/98 e Cláusulas Pétreas
Continuando o julgamento ação direta acima mencionada (ADI 1946), o Tribunal, por
unanimidade, rejeitando preliminar suscitada pelo Presidente do Senado Federal,
conheceu da ação na parte em que se discute o art. 14 da Emenda Constitucional nº
20/98, acima transcrito, em face da jurisprudência do STF no sentido de que é
juridicamente possível o controle abstrato de constitucionalidade que tenha por
objeto emenda à Constituição Federal quando se alega a violação das cláusulas
pétreas inscritas no art. 60, § 4º, da CF("Não será objeto de deliberação a proposta de
emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto,
universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias
individuais."). Precedente citado: ADI 939-DF (RTJ 151/755). Em seguida, o julgamento
foi adiado para prosseguimento na próxima sessão. ADInMC 1.946-DF, rel. Min. Sydney
Sanches, 7.4.99.
EC 52/2006: “Verticalização” e Princípio da Anualidade
Quanto ao mérito, afirmou-se, de início, que o princípio da anterioridade eleitoral,
extraído da norma inscrita no art. 16 da CF, consubstancia garantia individual do
cidadão-eleitor — detentor originário do poder exercido por seus representantes
eleitos (CF, art. 1º, parágrafo único) — e protege o processo eleitoral. Asseverou-se
que esse princípio contém elementos que o caracterizam como uma garantia
fundamental oponível inclusive à atividade do legislador constituinte derivado (CF,
artigos 5º, § 2º, e 60, § 4º, IV), e que sua transgressão viola os direitos individuais da
segurança jurídica (CF, art. 5º, caput) e do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). Com
base nisso, salientando-se que a temática das coligações está ligada ao processo
eleitoral e que a alteração a ela concernente interfere na correlação das forças
políticas e no equilíbrio das posições de partidos e candidatos e, portanto, da própria
competição, entendeu-se que a norma impugnada afronta o art. 60, § 4º, IV, c/c art.
5º, LIV e § 2º, todos da CF. Por essa razão, deu-se interpretação conforme à
Constituição, no sentido de que o § 1º do art. 17 da CF, com a redação dada pela EC
52/2006, não se aplica às eleições de 2006, remanescendo aplicável a estas a redação
original do mesmo artigo. Vencidos, nessa parte, os Ministros Marco Aurélio e
Sepúlveda Pertence que julgavam o pedido improcedente, sendo que o Min. Marco
Aurélio entendeu prejudicada a ação, no que diz respeito à segunda parte do art. 2º,
da referida Emenda, quanto à expressão “aplicando-se às eleições que ocorrerão no
ano de 2002”. ADI 3685/DF, rel. Min. Ellen Gracie, 22.3.2006. (ADI-3685)
Mutação constitucional:
“As Constituições têm vocação de permanência. Nada obstante isso, não são eternas
nem podem ter a pretensão de ser imutáveis. A modificação da Constituição pode se
dar por via formal e por via informal. A via formal se manifesta por meio da reforma
constitucional, procedimento previsto na própria Carta disciplinando o modo pelo
qual se deve dar sua alteração. Tal procedimento, como regra geral, será mais
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24
complexo que o da edição da legislação ordinária. De tal circunstância resulta a
rigidez constitucional. Já a alteração por via informal se dá pela denominada
mutação constitucional, mecanismo que permite a transformação do sentido e do
alcance de normas da Constituição, sem que se opere, no entanto, qualquer
modificação do seu texto. A mutação está associada à plasticidade de que são
dotadas inúmeras normas constitucionais. É possível dizer-se, então, que a mutação
constitucional consiste em uma alteração do significado de determinada norma da
Constituição, sem observância do mecanismo constitucionalmente previsto para as
emendas e, além disso, sem que tenha havido qualquer modificação de seu texto.
Este novo sentido ou alcance do mandamento constitucional pode decorrer de uma
mudança na realidade fática ou de uma nova percepção do Direito, uma releitura do
que deve ser considerado ético ou justo. Para que seja legítima, a mutação precisa ter
lastro democrático, isto é, deve corresponder a uma demanda social efetiva por parte
da coletividade, estando respaldada, portanto, pela soberania popular. A mutação
constitucional se realiza por via da interpretação feita por órgãos estatais ou por meio
dos costumes e práticas políticas socialmente aceitas. Como intuitivo, a mutação
constitucional tem limites, e se ultrapassá-los estará violando o poder constituinte e,
em última análise, a soberania popular. É certo que as normas constitucionais, como as
normas jurídicas em geral, libertam-se da vontade subjetiva que as criou. Passam a ter,
assim, uma existência objetiva, que permite sua comunicação com os novos tempos e
as novas realidades. Mas esta capacidade de adaptação não pode desvirtuar o espírito
da Constituição. Por assim ser, a mutação constitucional há de estancar diante de dois
limites: a) as possibilidades semânticas do relato da norma, vale dizer, os sentidos
possíveis do texto que está sendo interpretado ou afetado; e b) a preservação dos
princípios fundamentais que dão identidade àquela específica Constituição. Se o
sentido novo que se quer dar não couber no texto, será necessária a convocação do
poder constituinte reformador. E se não couber nos princípios fundamentais, será
preciso tirar do estado de latência o poder constituinte originário.” (ADI 4263/DF, ADI
4362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO,
Tribunal Pleno, julgado em 09/08/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-021 DIVULG 05-
02-2018 PUBLIC 06-02-2018, trecho do voto do Ministro Luis Roberto Barroso)
Constituição Estadual não pode prever que Governador ou Vice precisará de
autorização para se ausentar do país por “qualquer tempo”. Há ofensa ao princípio
da simetria
– A exigência de prévia autorização da Assembleia Legislativa para o Governador e o
Vice-Governador do Estado ausentarem-se, em qualquer tempo, do território nacional
mostra-se incompatível com os postulados da simetria e da separação de poderes, pois
essa restrição – que não encontra correspondência nem parâmetro na Constituição
Federal (art. 49, III, c/c o art. 83) – revela-se inconciliável com a Lei Fundamental da
República, que, por qualificar-se como fonte jurídica de emanação do poder
constituinte decorrente, impõe ao Estado-membro, em caráter vinculante, em razão
de sua índole hierárquico-normativa, o dever de estrita observância quanto às
diretrizes e aos princípios nela proclamados e estabelecidos (CF, art. 25, “caput”), sob
pena de completa desvalia jurídica das disposições estaduais que conflitem com a
supremacia de que se revestem as normas consubstanciadas na Carta Política.
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Precedentes. (ADI 5373, Relator(a): CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em
24/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-229 DIVULG 16-09-2020 PUBLIC 17-09-2020)
Não podem os Estados-membros ampliar o rol de autoridades sujeitas à convocação
pelo Poder Legislativo e à sanção por crime de responsabilidade, por violação ao
princípio da simetria e à competência privativa da União para legislar sobre o tema.
Os dispositivos impugnados contemplam a possibilidade de a Assembléia Legislativa
capixaba convocar o Presidente do Tribunal de Justiça para prestar, pessoalmente,
informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de
responsabilidade a ausência injustificada desse Chefe de Poder. Ao fazê-lo, porém, o
art. 57 da Constituição capixaba não seguiu o paradigma da Constituição Federal,
extrapolando as fronteiras do esquema de freios e contrapesos -- cuja aplicabilidade é
sempre estrita ou materialmente inelástica -- e maculando o Princípio da Separação de
Poderes. Ação julgada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade
da expressão "Presidente do Tribunal de Justiça", inserta no § 2º e no caput do art. 57
da Constituição do Estado do Espírito Santo. (ADI 2911, Relator(a): CARLOS BRITTO,
Tribunal Pleno, julgado em 10/08/2006, DJ 02-02-2007)1. Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Constituição do Estado do Espírito Santo.
Emenda 8/1996. 3. Convocação do Procurador Geral da Justiça para prestar
informações, sob pena de crime de responsabilidade. 4. Não podem os Estados-
membros ampliar o rol de autoridades sujeitas à convocação pelo Poder Legislativo e à
sanção por crime de responsabilidade, por violação ao princípio da simetria e à
competência privativa da União para legislar sobre o tema. Precedentes. 5. Ação direta
de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade das
expressões “e o Procurador-Geral da Justiça” e “e ao Procurador-Geral da Justiça”, no
caput e no parágrafo segundo do artigo 57 da Constituição do Estado do Espírito Santo.
(ADI 5416, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 03/04/2020,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-117 DIVULG 11-05-2020 PUBLIC 12-05-2020)
Hipóteses de intervenção estadual nos municípios- Estados não podem trazer
hipóteses diferentes das previstas na Constituição Federal
1. Na intervenção estadual, as hipóteses excepcionais pelas quais permitida a
supressão da autonomia municipal estão taxativa e exaustivamente previstas no art.
35 da Constituição da República, sem possibilidade de alteração pelo legislador
constituinte estadual para ampliá-las ou reduzi-las. Precedentes. 2. É inconstitucional
norma de Constituição estadual pela qual se prevê hipótese de intervenção estadual
em municípios não contempladas no art. 35 da Constituição da República. Precedentes.
3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar
inconstitucionais os incs. IV e V do art. 25 da Constituição do Acre.
(ADI 6616, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 27/04/2021,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-085 DIVULG 04-05-2021 PUBLIC 05-05-2021)
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3. QUESTÕES
1. Assinale a alternativa correta.
a) As Constituições retiram certas decisões fundamentais do âmbito das disposições
das maiorias. Todavia não são elas eternas e imutáveis e devem periodicamente serem
alteradas pela via formal, cujo processo se manifesta pela denominada mutação
Constitucional.
b) A mutação Constitucional – fenômeno de adaptação às novas exigências de seu
tempo – implica a manutenção da estrutura formal, mas com alteração dos signos
linguísticos.
c) A mutação Constitucional pela via formal constitui-se em mecanismo adequado de
alteração da constituição, sob pena de violação ao princípio democrático.
d) A mutação Constitucional está ligada à plasticidade de que dotadas certas normas
constitucionais, que implica, que sem que se recorra a mecanismo
constitucionalmente previsto, na possibilidade de alteração de significado, sem
alteração do signo linguístico, condicionada a lastro democrático – demanda social
efetiva, – estando, portanto, fundada na soberania popular.
2. Modernamente, pode-se afirmar sobre o Poder Constituinte Originário:
a) para a preservação da cláusula democrática, o Poder Constituinte Originário deve se
submeter a referendo popular.
b) o Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre condicionado
pelos valores sociais e políticos que levaram à sua deflagração e pela ideia de direito
decorrente do processo civilizatório.
c) como expressão do poder fático, é prévio ao direito constituído e, assim, não se
limita por condicionantes pré-constituintes.
d) o Poder Constituinte é fato essencialmente político e, portanto, insuscetível de
condicionantes jurídicos no plano do direito material.
3. A respeito dos elementos da CF, assinale a opção correta com relação ao poder
constituinte.
a) Conforme entendimento do STF, as normas emanadas do poder constituinte
originário não têm, em regra, eficácia retroativa mínima, visto que são incapazes de
atingir efeitos futuros de fatos passados.
b) As disposições constitucionais sobre o habeas data constituem exemplo de normas
de reprodução obrigatória pelos estados-membros no exercício do poder constituinte
derivado decorrente.
c) O poder constituinte de reforma está sujeito a limitações materiais que podem estar
presentes nas denominadas cláusulas pétreas implícitas.
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d) Conforme a definição clássica dos elementos da CF, o Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, da CF, é exemplo de elemento de estabilização
constitucional.
e) Conforme a teoria positivista do direito, apesar de o poder constituinte originário
ser ilimitado do ponto de vista do direito positivo anterior, esse poder é vinculado aos
valores do movimento revolucionário que o ensejou.
4. O exercício do Poder Constituinte Derivado, nos termos expressos da Constituição
Federal de 1988:
a) pode revelar-se por meio de projeto de iniciativa popular, nos termos
expressamente previstos na Constituição Federal, exercido pela apresentação de
projeto à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, um por cento do
eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três
décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
b) permite a reforma da Constituição, desde que a Proposta de Emenda à Constituição
seja votada e aprovada, em dois turnos, se obtiver, em cada casa do Congresso, dois
terços dos votos dos respectivos membros.
c) pode revelar-se nas Emendas à Constituição, iniciadas por proposta de mais da
metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
d) permite a reforma da Constituição, desde que a Proposta de Emenda à Constituição
seja votada e aprovada em sessão unicameral, em dois turnos, por dois terços de
Deputados e Senadores.
5. Quais são as características fundamentais do poder constituinte originário?
a) Inicial, limitado e incondicionado.
b) Inicial, ilimitado e condicionado.
c) Inicial, ilimitado e incondicionado.
d) Derivado, limitado e condicionado.
6. Quando o termo “povo” aparece em textos de normas, sobretudo em documentos
constitucionais, deve ser compreendido como parte integrante plenamente vigente
da formulação da prescrição jurídica (do tipo legal); deve ser levado a sério como
conceito jurídico a ser interpretado lege artis. (Friedrich Müller. Quem é o povo? A
questão fundamental da democracia. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 67 –
com adaptações). Sobre o tema, assinale a resposta correta:
a) O poder constituinte originário é uma categoria pré-constitucional que fundamenta
a validade da nova ordem constitucional.
b) Para resguardar os interesses do povo, cabe à jurisdição constitucional fiscalizar a
ação do poder constituinte originário com base no direito suprapositivo.
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c) Como titular passivo do poder constituinte originário, o povo delega o seu exercício
a representantes e, em seguida, exerce a soberania apenas de forma indireta.
d) Os direitos adquiridos são oponíveis ao poder constituinte originário para evitar
óbice ao retrocesso social.
e) A limitação material negativa ao poder constituinte dos estados federados se
manifesta no dever de concretizar, no nível estadual, os preceitos da CF.
4. GABARITO COMENTADO
1. D
A mutação constitucional não implica alteração formal da Constituição (não há
procedimento formal,nem se alteram os signos linguísticos, estando erradas,
portanto, as alternativas a, b e c). Na verdade, trata-se de mudança de contexto que
implica alteração da interpretação do texto (alteração informal), tal como afirma a
assertiva D.
2. B
ALTERNATIVA A: INCORRETA
O Poder Constituinte Originário não é juridicamente subordinado, tampouco
condicionado. Embora haja necessidade de lastro democrático para seu exercício, a
hipótese não é de referendo popular.
ALTERNATIVA B: CORRETA
A assertiva encontra amparo na teoria de Jorge Miranda, apresentada na parte
doutrinária do material, segundo a qual o poder constituinte originário não é ilimitado
de forma absoluta.
ALTERNATIVA C: INCORRETA
Era o que se pregava originalmente, mas que vem sendo repaginado pela doutrina.
ALTERNATIVA D: INCORRETA
O PCO é insuscetível de condicionantes no plano formal, mas não no plano material
(conteúdo).
3. C
ALTERNATIVA A: INCORRETA
Ao contrário do que afirmado, em regra, admite-se a eficácia retroativa mínima das
normas constitucionais.
ALTERNATIVA B: INCORRETA
O HD é espécie de remédio constitucional. Assim, não faz parte das normas que
organizam o Estado, nem tratam da estrutura central da Constituição, razão pela qual
sua reprodução não é de caráter obrigatório.
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ALTERNATIVA C: CORRETA
Ainda que o reconhecimento das cláusulas pétreas implícitas não seja unânime na
doutrina, a jurisprudência do STF reconhece as cláusulas pétreas implícitas, que, tal
como afirmado, representam limitações materiais ao poder de reforma da
Constituição.
ALTERNATIVA D: INCORRETA
Segundo a doutrina de José Afonso da Silva, estudada no ponto 1, as constituições
possuem em sua estrutura normativa cinco categorias de elementos, quais sejam: 1)
elementos orgânicos (normas que regulam a estrutura do Estado e do poder); 2)
elementos limitativos (normas definidoras de direitos e garantias fundamentais); 3)
elementos sócio-ideológicos (normas denotativas de projetos, programas e
compromissos de caráter individual e social-intervencionista); 4) elementos de
estabilização constitucional (normas que objetivam solucionar crises e conflitos
constitucionais; abrangem a defesa da Constituição, do Estado e das instituições
democráticas); 5) elementos formais de aplicabilidade (normas que preveem regras de
aplicação das Constituições). Assim, o ADCT não configura elemento de estabilização
constitucional.
ALTERNATIVA E: INCORRETA
O poder constituinte originário, de acordo com a teoria positivista, não encontra
limitações de ordem moral ou social.
4. C
ALTERNATIVA A: INCORRETA
Há muita divergência sobre a possibilidade de iniciativa popular de EC, mas, ao certo,
não há previsão constitucional expressa.
ALTERNATIVA B: INCORRETA
O correto seria a fração de 3/5 dos votos, ao invés de 2/3 como afirmado na assertiva.
ALTERNATIVA C: CORRETA
De fato, o Poder Constituinte Derivado revela-se nas Emendas à Constituição, iniciadas
por proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
(CF, art. 60, III).
ALTERNATIVA D: INCORRETA
Diversamente do que afirma a alternativa, a proposta é votada em cada Casa do
Congresso.
5. C
Inicial, ilimitado e incondicionado. Apenas cuidado com a questão de ser ilimitado, a
teor da teoria moderna. Assim, é preciso estar atento à forma de cobrança do
conteúdo.
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6. A.
ALTERNATIVA A: CORRETA. Conforme o escólio de SARLET, MARINONI e MITIDIERO:
“o poder constituinte acaba assumindo a feição de uma categoria pré-constitucional,
capaz de, por força de seu poder e de sua autoridade, elaborar e fazer valer uma nova
constituição”.
ALTERNATIVA B. INCORRETA. Não há controle do poder constituinte originário pela
jurisdição constitucional (há controle sobre o poder constituinte derivado e poder
constituinte decorrente). Há princípios suprapositivos que limitam o poder constituinte
(que não se exerce no vácuo), mas isso não confere a prerrogativa indicada à jurisdição.
OBS: O tema sobre as “normas constitucionais inconstitucionais” ( teoria não aceita
pelo STF) será objeto de estudo em outra rodada.
ALTERNATIVA C. INCORRETA. O povo não é titular passivo do poder constituinte
originário. Também não há propriamente delegação. Por fim, o povo exerce soberania
indireta ou diretamente (ex: plebiscito, referendo).
ALTERNATIVA D. INCORRETA. Segundo o STF, não há direito adquirido em face de uma
nova Constituição (poder constituinte originário) (RE 140.499).
ALTERNATIVA E. INCORRETA. Redação confusa, especialmente pelo termo “limitação
material negativa”. Limitação material negativa seria uma imposição de não fazer.
Portanto, não se traduz em dever de concretizar preceitos da CF, que implica atuação
positiva do Estado-Membro.