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Abordagem Humanística da Administração

Trecho de capítulo sobre a Abordagem Humanística da Administração. Expõe origem e evolução da Teoria das Relações Humanas, etapas da Psicologia do Trabalho, efeito da crise de 1929 e autores de transição (Munsterberg, Tead, Mary Parker Follett, Chester Barnard) e suas ideias.

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98 Introdução à Teoria Geral da Administração' IDALBERTO CHIAVENATO
COM A ABORDAGEM HUMANÍSTICA, A TEORIA
Administrativa passa por uma revolução conceitual:
a transferência da ênfase antes colocada na tarefa
(pela Administração Científica) e na estrutura orga­
nizacional (pela Teoria Clássica) para a ênfase nas
pessoas que trabalham ou que participam nas orga­
nizações. A Abordagem Humanística faz com que a
preocupação com a máquina e com o método de
trabalho e a preocupação com a organização formal
e os princípios de Administração cedam prioridade
para a preocupação com as pessoas e os grupos soci­
ais - dos aspectos técnicos e formais para os aspec­
tos psicológicos e sociológicos.
A Abordagem Humanística ocorre com o apare­
cimento da Teoria das Relações Humanas, nos Es­
tados Unidos, a partir da década de 1930. Ela surgiu
graças ao desenvolvimento das ciências sociais, no­
tadamente a Psicologia e, em particular, a Psicolo­
gia do Trabalho. Esta passou por duas etapas em seu
desenvolvimento:
a. A análise do trabalho e a adaptação do traba­
lhador ao trabalho. Nesta primeira etapa, do­
mina o aspecto meramente produtivo. O obje­
tivo da Psicologia do Trabalho - ou Psicologia
Industrial- era a análise das características hu­
manas que cada tarefa exige do seu executante
e a seleção científica dos empregados baseada
nessas características por meio de testes psico­
lógicos. Os temas predominantes são a seleção
de pessoal, orientação profissional, treinamen­
to e métodos de aprendizagem, fisiologia do
trabalho e estudo dos acidentes e da fadiga.
b. A adaptação do trabalho ao trabalhador. Nes­
ta etapa, a Psicologia Industrial está voltada
para os aspectos individuais e sociais do traba­
lho, que predominam sobre os aspectos pro­
dutivos. Pelo menos em teoria. Os temas pre­
dominantes são o estudo da personalidade do
trabalhador e do gerente, a motivação e os in­
centivos do trabalho, a liderança, as comuni­
cações e as relações interpessoais e SOCIaIS
dentro da organização.
A Psicologia Industrial contribuiu para de­
monstrar a parcialidade dos princípios de Admi-
nistração adotados pela Teoria Clássica. Além do
mais, as modificações ocorridas no panorama so­
cial, econômico, político, tecnológico vieram tra­
zer novas variáveis para o estudo da Administra­
ção. Com a grande depressão econômica que ator­
mentou o mundo todo por volta de 1929, a busca
da eficiência nas organizações passou a ser inten­
sificada. Essa crise mundial provocou indireta­
mente uma reelaboração de conceitos e uma rea­
valiação dos princípios clássicos de Administra­
ção até então aceitos, apesar de seu caráter dog­
mático e prescritivo.
A abordagem humanística da Administração co­
meçou no segundo período de Taylor, mas apenas a
partir de 1930 é que recebeu enorme aceitação nos
Estados Unidos, devido às suas características de­
mocráticas. Sua divulgação fora dos Estados Unidos
somente ocorreu bem depois do final da Segunda
Guerra Mundial.
Teorias Transitivas
Já em meio à Teoria Clássica e antecipando-se à
Teoria das Relações Humanas, surgiram autores
que - apesar de defenderem os princípios clássicos ­
iniciaram um trabalho pioneiro de revisão, de críti­
ca e de reformulação das bases da teoria administra­
tiva. Embora, a rigor não houvessem consolidado
uma corrente e não dispusessem de uma conexão
teórica, alguns autores podem ser colocados nessa
zona de transição entre o classicismo e o humanis­
mo na Administração, tais como:
1. Hugo Munsterberg (1863-1916). Foi o intro­
dutor da psicologia aplicada nas organizações
e do uso de testes de seleção de pessoal. I
2. Ordway Tead (1860-1933). Foi o pioneiro a
tratar da liderança democrática na adminis­
tração. 2
3. Mary Parker Follett (1868-1933). Introduziu
a corrente psicológica na Administração.3 Re­
jeita qualquer fórmula universal ou única e in­
troduz a lei da situação: é a situação concreta
que deve determinar o que é certo e o que é
errado. Toda decisão é um momento de um
processo e se torna importante conhecer o
contexto desse processo.4
4, Chester Barnard (1886-1961). Introduziu a
teoria da cooperação na organização.5 Como
as pessoas têm limitações pessoais - biológi­
cas, físicas e psicológicas - elas precisam supe­
rá-las por meio do trabalho conjunto. A coo­
peração entre as pessoas surge da necessidade
de sobrepujar as limitações que restringem a
ação isolada de cada uma. A necessidade de
cooperar entre si, leva as pessoas a constituí­
rem grupos sociais e organizações. Um grupo
social existe quando:
a, Existe interação entre duas ou mais pessoas
- interação.
b. Há o desejo e a disposição para cooperar­
cooperação.
PARTE IV • Abordagem Humanística da Administração 99
c. Existem objetivos comuns entre elas - ob­
jetivos comuns.
Assim, a organização é um sistema cooperativo
racional. A racionalidade reside nos fins visados
pela organização, isto é, no alcance dos objetivos
comuns. No fundo, as organizações existem para al­
cançar objetivos que as pessoas isoladamente não
conseguem alcançar.
Época
A abordagem humanística teve seu início no final
da segunda década do Século XX. Foi um perío­
do difícil marcado por recessão econômica, in­
flação, elevado desemprego e forte atuação dos
sindicatos.
1 , , I'
CRONOLOGIA DA ABORDAGEM DE RELAÇÕES HUMANAS
"
1911
1920
1925
1927 a1932
1937
1938
1939
Hug Munsterberg
Mary Parker Follett
WillianJames
OrdwayTead
John Dewey
Morris Vitele
F.J. Roethlisberger 8<
W. Djckson
P. Pigors, LC. McKenney
& T. O. Armstrong
Psychologie und Wirlshatleben
The New State
The PrincipIes 01 Psychology
Experiância de
Human Nature and
The Industrial Worker
Management and the Worker
100 Introdução à Teoria Geral da Administração. IDALBERTO CHIAVENATO
CRONOLOGIA DA ABORDAGEM DE RELAÇÕES HUMANAS
3. Mary Parker Follet, The New State: Group Organi­
zation, Londres, Longman, 1918.
4. Mary Parker Follet, Dynamic Organization, Nova
York, Harper & Brothers, 1941.
5. Chester I. Barnard, As Funções do Executivo, São
Paulo, Editora Pioneira, 1971.
A. laJesnik,
C.R. Christensen &
F.J. Roethlisberger
HA Landsberger
1. Claude S. George, Jr., História do Pensamento
Administrativo, São Paulo, Cultrix, 1974, p.
153-154.
2. Ordway Tead, Human Nature and Management,
Nova York, Houghton Mifflin Co., 1929.
1952
1953
1958
IReferências Bibliográficas
CAPíTULO 5
HUMANAS
o a Empresa
Identificar as origens e o contexto no qual surgiu a Teoria das Relações Humanas, des­
locando a ênfase na estrutura e nas tarefas para a ênfase nas pessoas.
Mostrar a experiência de Hawthorne e suas conclusões.
Mostrar a preocupação psicológica e sociológica quanto à influência massificante
da civilização industrial sobre o ser humano e o papel da Administração nesse as­
pecto.
Identificar a concepção de Administração a partir de uma nova concepção da natureza
do ser humano: o homem social.
iante
As origens da Teoria das Relações Humanas.
A civilização industrializada e o homem.
• CASO INTRODUTÓRIO
A HAMBURGO ELETRÔNICA
A vida de Carlos Carvalho está passando por uma
verdadeira revolução. Carlos trabalha há muitos
anos como operador de linha de montagem na Ham­
burgo Eletrônica, uma fábrica de componentes ele­
trônicos. Alguns meses atrás, sua seção foi visitada
por uma equipe de analistas de cargos. Fizeram es­
tudos de tempos e movimentos e elaboraram cálcu-
A Teoria das Relações Humanas (ou Escola Huma­
nística da Administração) surgiu nos Estados Uni­
dos, como conseqüência das conclusões da Expe-
los sobre tempos-padrão, definindo novos métodos
de trabalho e um diferente ritmo de produção. Car­
los ficou satisfeito com a implantação de prêmios
de produção, mas seu sindicato convocou uma as­
sembléia para discutir o assunto com todos os ope­
rários envolvidos. Na sua opinião, o que Carlos de­
veria fazer?
riência de Hawthorne, desenvolvida por Elton
Mayo e colaboradores. Foi um movimento de rea­
ção e oposiçãoà Teoria Clássica da Administração.
	INTRODUCAO A TEORIA GERAL DA ADMINISTRACAO - IDALBERTO CHIAVENATO - SETIMA EDICAO, TOTALMENTE REVISTA E ATUALIZADA
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