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AVALIAÇÃO NUTRICIONAL UNIDADE II MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Elaboração Leila Barreto Corsi Atualização Susiane Gusi Boin e Oliveira Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE II MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL ..................................................................................................5 CAPÍTULO 1 ANTROPOMETRIA ......................................................................................................................................................................... 6 CAPÍTULO 2 BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA (BIA) ....................................................................................................................................... 25 CAPÍTULO 3 MÉTODOS INDIRETOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL ............................................................... 28 REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................34 ANEXOS .........................................................................................................................................................42 4 5 UNIDADE II MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL A determinação da composição corporal se torna importante para a identificação dos seus resultados e para a compreensão a respeito das alterações metabólicas e seu reflexo no organismo, trazendo benefícios ou riscos à saúde. Os principais componentes do organismo de um indivíduo podem ser determinados por meio da análise de sua composição corporal, sendo a massa magra a massa corpórea livre de gordura (proteínas, água intra e extracelular, massa óssea) e a massa gorda, a gordura corporal. É possível realizar essa avaliação por diversos métodos. A escolha do melhor método dependerá do objetivo da avaliação da composição corporal, da população estudada e suas características, do custo, dos equipamentos disponíveis, da facilidade de execução e do treinamento e acesso a técnica. De forma direta, a avaliação da composição corporal consiste na dissecação de cadáveres, não sendo possível realizar essa avaliação na prática clínica. Os métodos indiretos possuem um custo maior que os duplamente indiretos para a sua execução. São exemplos de métodos indiretos: pesagem hidrostática, plestimografia, densitometria por dupla emissão de raios-X (DEXA), tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RNM). Como exemplos de métodos duplamente indiretos, têm-se a bioimpedância e a antropometria, sendo estes os mais utilizados por terem baixo custo, serem de fácil acesso e por ser fácil aplicá-los em diversas populações. 6 CAPÍTULO 1 ANTROPOMETRIA A antropometria é a obtenção estática das medidas corporais de um indivíduo, sendo utilizada para definir o tamanho corporal e seus constituintes. Fazem parte da antropometria as medidas de peso, estatura ou comprimento, as circunferências corporais e as dobras cutâneas. Por meio da antropometria, pode-se estimar a composição corporal. Os componentes corporais que podem normalmente causar alterações de peso são os ossos, os músculos e as gorduras. Peso O peso se refere à medida usada para mensurar a massa corporal. A melhor forma de obter essa medida é realizando-a em uma balança, ou seja, pesando o indivíduo. No caso de não ser possível fazer esse procedimento, existem formas de se estimar o peso corporal, seja em adultos ou em crianças. Em alguns casos, podemos usar adaptações do peso corporal do indivíduo, com um objetivo específico de avaliação, como é o caso dos pesos usual, ideal, ajustado ou calórico. Peso atual: usado sempre que for possível pesar o indivíduo. O peso atual deve ser mensurado com a pessoa usando roupas mais leves possíveis (se possível, a roupa de baixo), deve ser feito em balança calibrada (digital ou plataforma) e deve-se aguardar a estabilização da medida para a realização da leitura. Peso usual: também chamado de peso habitual, é o peso normalmente apresentado pelo indivíduo. Na maioria das vezes, essa informação é questionada pelo avaliador e respondida pelo paciente. Usado para avaliar mudanças recentes de peso. Peso ajustado: usado quando a adequação do peso (ver a seguir) for inferior a 95% ou superior a 115%, para o cálculo das necessidades energéticas. Para o cálculo da adequação do peso, é necessário determinar o peso ideal. Peso ajustado = (peso ideal - peso atual) x 0,25 + peso atual Peso ideal: o modo mais prático de defini-lo é usando o IMC médio da população estudada (sendo usado IMC 22 para homens e 21 para mulheres). Há outras formas de determinar o valor do IMC médio de um indivíduo, como usando o valor do percentil 50 de uma curva de referência (50th / mediana). 7 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II PI = IMC x A² Em que: PI: Peso ideal (kg) IMC: IMC ideal (kg/m2) A: altura (m) Peso calórico: baseado nas necessidades hídricas do indivíduo. Considera-se o peso metabolicamente ativo da pessoa. Usado, principalmente na pediatria, para cálculos de infusão intravenosa de glicose, fluidos, eletrólitos, nutrição parenteral e dose de medicamentos. Para realização do cálculo, usa-se a seguinte fórmula: Tabela 2. Determinação das necessidades hídricas. Faixa Etária Fórmula De 2 a 10 Kg 100 ml/Kg 10 a 20 Kg 1.000 ml + 50 ml por Kg para cada Kg acima de 10 Kg + de 20 Kg 1.500 ml + 20 ml por Kg para cada kg acima de 20 kg Acima de 50 Kg 3000 ml/dia Fonte: Holliday e Segar, 1957. Peso calórico (kg) = Necessidades hídricas . 100 Fórmulas para ajuste ou estimativa de peso Estimativa de peso A estimativa de peso é usada quando não é possível pesar o indivíduo. O peso é estimado usando-se medidas alternativas propostas, como circunferência da panturrilha, altura do joelho, circunferência do braço, dobra cutânea subescapular, circunferência de braço, circunferência de abdômen. Tabela 3. Fórmulas de estimativa de peso corporal. Autor Fórmula Chumlea et al. Mulheres: peso corporal (kg) = (1,27 x CP) + (0,87 x AJ) + (0,98 x CB) + (0,4 x DCSE) - 62,35 Homens: peso corporal (kg) = (0,98 x CP) + (1,16 x AJ) + (1,73 x CB) + (0,37 x DCSE) - 81,69 Rabito et al. Mulheres: peso corporal (kg) = (0,5759 x CB) + (0,5263 x CA) + (1,2452 x CP) - (4,8689 x 2) - 32,9241 Homens: peso corporal (kg) = (0,5759 x CB) + (0,5263 x CA) + (1,2452 x CP) - (4,8689 x 1) - 32,9241 8 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Autor Fórmula Ross Laboratories Mulheres negras: peso corporal (kg) = (1,24 x AJ) + (2,81 x CB) - 82,48 Mulheres brancas: peso corporal (kg) = (1,01 x AJ) + (CB x 2,81) - 66,04 Homens negros: peso corporal (kg) = (1,09 x AJ) + (3,14 x CB) - 83,72 Homens brancos: peso corporal (kg) = (1,19 x AJ) + (CB x 3,21) - 86,82 Fonte: adaptada de Melo et al., 2014. Correção de peso para amputados Para os pacientes amputados, utiliza-se o peso corrigido, obtido por meio de fórmula específica, demonstrada na Figura 7. O peso corrigido deve ser utilizado para a realização da avaliação nutricional e para comparação com as referências populacionais. Para o cálculo das necessidades nutricionais, necessidades hídricas, peso calórico e dose de medicamentos, o peso atual deve ser utilizado. Figura 7. Percentual de correção de peso para amputados. Peso corrigido = peso atual x 100 0 100 - % amputação Fonte: Osterkamp,1995. Avaliações relacionadas ao peso corporal Porcentagem de adequação do peso A porcentagem da adequação do peso é usada para avaliar o quanto o peso atual do indivíduo está adequado em relação ao peso ideal. 9 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Adequação de peso (%): Peso atual x 100 peso ideal A adequação do peso é classificada como: Tabela 4. Classificação do estado nutricionalsegundo a porcentagem de adequação de peso corporal. Adequação do Peso (%) Estado Nutricional ≤ 70 Desnutrição grave 70,1 – 80 Desnutrição moderada 80,1 – 90 Desnutrição leve 90,1 – 110 Eutrofia 110,01 – 120 Sobrepeso > 120 Obesidade Fonte: Blackburn e Thorton, 1979. Porcentagem de perda de peso: usada quando a perda de peso é involuntária, avaliando a gravidade dessa perda, de acordo com a Tabela 5: Perda de peso (%) = (peso usual - peso atual) x 100 Peso usual Tabela 5. Classificação do percentual de peso corporal. Tempo Perda Significativa (%) Perda Grave (%) 1 semana 1 – 2 > 2 1 mês 5 > 5 3 meses 7,5 > 7,5 6 meses 10 > 10 Fonte: Blackburn e Bistrian, 1977. Estatura A estatura é sinônimo da altura e refere-se à medida longitudinal do indivíduo. Já o termo comprimento é usado para essa medida quando tomada com o indivíduo deitado, utilizada para crianças ou em indivíduos impossibilitados de ficarem em pé. Medida direta da estatura A realização da estatura de forma direta ocorre quando esta é mensurada por meio de estadiômetro, com escala em centímetros. O indivíduo deve estar descalço, sem 10 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL adereços na cabeça. O posicionamento deve ser ereto, com os pés paralelos, o peso, distribuído em ambos os pés, e os braços devem estar ao longo do corpo. O indivíduo deve encostar cinco pontos na superfície do estadiômetro: calcanhares, panturrilhas, glúteos, escápula e região occipital. O posicionamento da cabeça deve estar no plano de Frankfurt (a margem inferior da abertura do orbital e a margem superior do condutor auditivo externo estão em uma mesma linha horizontal). Figura 8. Posicionamento para tomada direta de estatura. Olhar no plano de Frankfurt Occipital encostado Escápulas encostadas Glúteos encostados Panturrilhas encostadas Calcanhares encostados Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=0QaqKhWS4_A. A realização do comprimento usualmente é utilizada para crianças de zero até dois anos de idade, mesmo para aquelas que já sabem ficar em pé e/ou caminhar. Para essa medida, deve-se utilizar o antropômetro ou a régua antropométrica na posição horizontal, com a criança deitada, preferencialmente despida, sem adereços e na presença de pais ou responsáveis. Colocar o aparelho apoiado em uma superfície plana, firme e lisa. Deitar a criança no centro do antropômetro, com as pernas relaxadas, com os olhos na direção vertical, as nádegas apoiadas na superfície horizontal e as costas retas. Realizar a tomada da medida movendo a parte móvel do antropômetro contra a planta dos pés, de modo a tocar simultaneamente os calcanhares. Anotar o comprimento antes de a criança ser retirada da posição. 11 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Figura 9. Medida de comprimento. Parte fixa Parte móvel Fonte: E-Tec Brasil, 2020. Medidas indiretas da estatura A estatura pode ser estimada por meio de medidas alternativas ao comprimento linear ou feita de forma indireta. As medidas mais comumente utilizadas para as fórmulas são: » Altura do joelho: indivíduo em posição sentada ou supinada, com joelho e o tornozelo flexionados em 90º. A medida é feita entre o calcanhar e o joelho, na altura do côndilo do fêmur. Usualmente realizada com calibrador ou régua para medir crianças. Homens: [64,19 - (0,04 x idade) + (2,02 x altura do joelho em cm)] Mulheres: [84,88 - (0,24 x idade) + (1,83 x altura do joelho em cm)] Figura 10. Posicionamento para medida da altura do joelho. Fonte: Martins, 2009(a). 12 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL » Extensão dos braços ou envergadura: é a distância entre as pontas dos dedos médios de cada mão, quando os braços estão estendidos lateralmente no nível do ombro, formando um ângulo de 90º com o corpo. A medida obtida refere-se à estimativa da estatura. » Estatura recumbente: essa medida é realizada no leito plano ou em outra superfície plana, na posição horizontal, onde se posiciona o indivíduo de barriga para cima e se realiza as marcas no lençol na parte inferior do pé e acima da cabeça. Com fita métrica, faz-se a leitura da estatura do indivíduo. » A semienvergadura: é a distância entre a ponta do dedo médio de uma mão, com o braço estendido lateralmente no nível do ombro, formando um ângulo de 90º com o corpo, até o centro do tronco (osso externo). Essa medida é usada em algumas fórmulas para estimativa de estatura. Na Tabela 6, são apresentadas algumas fórmulas para a estimativa da estatura em adultos e idosos. Tabela 6. Fórmulas para estimativa de estatura corporal. Autor Fórmula Mitchel e Lipschitz Altura = semienvergadura x 2 WHO Altura = (0,73 x (2 x metade da envergadura dos braços)) + 0,43 Chumlea Mulheres negras: Altura = 68,1 + (1,86 x AJ) - (0,06 x idade) Mulheres brancas: Altura = 70,25 + (1,87 x AJ) - (0,06 x idade) Homens negros: Altura = 73,42 + (1,79 x AJ) Homens brancos: Altura = 71,85 + (1,88 x AJ) Fonte: adaptada de Melo et al., 2014. Circunferências Corporais As medidas de circunferências corporais auxiliam no entendimento da composição corporal e da sua estrutura e são medidas complementares ao peso e à estatura. Algumas delas estão associadas ao risco do desenvolvimento de patologias, bem como de deficiências nutricionais. Ponto médio do braço O ponto médio do braço é usado para medida da circunferência do braço, da dobra cutânea do tríceps e da dobra cutânea do bíceps. Sua medida deve ser feita marcando o ponto médio entre o processo acromial da escápula e o olecrano da ulna, com o braço flexionado, formando um ângulo de 90º. 13 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Circunferência do braço Essa medida deve ser tomada após a marcação do ponto médio do braço, com o braço estendido ao longo do corpo e a palma da mão voltada para a coxa. A fita métrica deve ser ajustada em torno do braço, com atenção para não apertar a fita, comprimindo a pele, não deixar folga e não deixar o dedo entre a fita e o braço, alterando o valor real da medida. Figura 11. Medida correta da circunferência do braço. Fonte: Diniz et al., 2018. Circunferência de pescoço A circunferência do pescoço, embora possa ser uma medida não muito conhecida para a avaliação nutricional, vem sendo estudada desde a década de 1990, e seu valor aumentado tem se relacionado com aumento da gordura corporal, visceral e com o risco para doenças cardiovasculares. Essa medida se refere ao ponto médio da altura do pescoço, na posição horizontal, na altura da cartilagem cricotireoidea. Quando houver proeminência no sexo masculino, a circunferência deve ser aferida abaixo desta. Figura 12. Circunferência de pescoço. Ponto médio da altura do pescoço Fonte: adaptado de Vasques et al., 2010. 14 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Circunferência da cintura e circunferência de quadril As circunferências da cintura e do quadril são indicativos da distribuição da gordura corporal, diferenciando-as em androide (obesidade superior, do tipo “maçã”) e ginoide (obesidade inferior, do tipo “pera”). A circunferência da cintura deve ser avaliada com o paciente em pé, ao final da expiração, no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca. Figura 13. Circunferência da cintura. Fonte: Fagundes et al., 2004. A circunferência do quadril é mensurada com o paciente em pé, posicionado com os pés juntos, e a tomada da medida será feita com fita métrica anelástica circundando o quadril do indivíduo na região de maior perímetro entre a cintura e a coxa. Figura 14. Circunferência de quadril. Fonte: Fagundes et al., 2004. 15 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Circunferência medial da coxa A circunferência medial da coxa é a circunferência da coxa mais utilizada para a finalidade de avaliação nutricional. Ela deve ser realizada no ponto médio, que fica entre a dobra inguinal e a bordaproximal da patela. Após marcar o ponto médio, passa-se a fita anelástica em torno da coxa nesse ponto e se realiza a leitura da medida. Figura 15. Ponto médio da coxa. Ponto médio Borda proximal da patela Dobra inguinal Fonte: adaptada de Vasques et al., 2010. Circunferência de Panturrilha A medida da circunferência da panturrilha é tomada no perímetro máximo do músculo da panturrilha do lado direito do corpo, horizontalmente, com uma fita anelástica. Essa medida é utilizada para a estimativa de estatura e de peso, além de ser um indicador para desnutrição ou risco de desnutrição. Figura 16. Circunferência da panturrilha. Fonte: Faria, 2011. 16 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Dobras Cutâneas Também chamadas de pregas cutâneas, são utilizadas para estimar a gordura corporal, estimando, também, outros compartimentos da composição corpórea. As dobras mais comuns são a do tríceps, a do bíceps, a subescapular e a suprailíaca. Outras dobras também podem ser avaliadas, de acordo com a população ou necessidade da avaliação do profissional, como axilar, peitoral, abdominal, coxa, panturrilha. As medidas devem ser efetuadas no hemicorpo direito, exceto quando houver especificações diferentes na referência utilizada, como lado não dominante. Instruções gerais: » Usar equipamento calibrado (adipômetro) e fita métrica inextensível (também chamada de anelástica). » Seguir rigorosamente o ponto anatômico e as instruções do autor usado como referência, para minimizar os erros inter e intra-avaliadores. » Avisar ao cliente/paciente o que será feito e quais procedimentos serão adotados. » Pinçar a dobra utilizando-se os dedos polegar e indicador. » Os dedos devem formar a prega a 1cm do ponto desejado, e a medida deve ser feita com o adipômetro, exatamente no local marcado. » A leitura deve ser feita entre dois e três segundos. » Utilizam-se três medidas para verificar possíveis erros. Caso a diferença entre medidas seja maior que 5%, uma nova série de medidas deverá ser realizada, utilizando-se o valor médio como referência. » Ao final da leitura, abrir o equipamento e soltar a prega, evitando beliscar o cliente/paciente. Dobra Cutânea Trícipital (DCT): realizada na marcação do ponto médio do braço, em sua face posterior. O braço deve estar ao longo do corpo, relaxado. Destaca-se a dobra do tecido muscular e faz-se a medição. Deve-se atentar para pinçar apenas a dobra referente ao músculo tricipital, para não superestimar a quantidade de gordura. Essa dobra apresenta forte correlação com a gordura corporal total e o percentual de gordura total. 17 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Figura 17. Medida da dobra cutânea do tríceps. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea Bicipital (DCB): também realizada na marcação do ponto médio, deve ser segurada verticalmente e aplica-se o medidor. Deve ser usada juntamente com outras medidas para estimar a composição corporal. Figura 18. Medida da dobra cutânea do bíceps. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea Subescapular (DCSE): essa dobra é medida 2cm abaixo do ângulo inferior da escápula, formando um ângulo de 45º entre esta e a coluna. Braços e ombros devem estar relaxados. 18 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Figura 19. Medida da dobra cutânea subescapular. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea Suprailíaca (DCSI): encontra-se essa dobra na linha média axilar e acima da crista ilíaca. Deve ser medida na diagonal. O avaliado (paciente) deve colocar o braço para trás, conforme Figura 20. Figura 20. Medida da dobra cutânea suprailíaca. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea Axilar Média: essa dobra é medida no ponto de intersecção entre a linha axilar média e uma linha imaginária transversal na altura do xifoide do esterno. A medida é realizada obliquamente ao eixo longitudinal. Para facilitar a medida e a leitura do valor, o braço do cliente/paciente deve estar para trás. 19 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Figura 21. Medida da dobra cutânea axilar média. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea Torácica: essa medida é realizada de forma diferente em clientes/ pacientes de sexo feminino e masculino. » Sexo masculino: trata-se da medida oblíqua em relação ao eixo longitudinal, no ponto médio entre a linha axilar anterior e o mamilo. » Sexo feminino: medida oblíqua em relação ao eixo longitudinal, a um terço da linha axilar anterior. Figura 22. Medida da dobra cutânea torácica realizada em paciente do sexo masculino. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. 20 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Figura 23. Medida da dobra cutânea torácica realizada em paciente do sexo feminino. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea Abdominal: essa medida de dobra cutânea é realizada a mais ou menos 2cm da cicatriz umbilical. De modo prático, mede-se a dobra aproximadamente a dois dedos de distância do umbigo. Ela é mensurada ao eixo longitudinal na maioria dos protocolos. Já Lohman (1988) propõe a medida da dobra cutânea abdominal de forma transversal. Figura 24. Medida da dobra cutânea abdominal no eixo longitudinal. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. 21 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Dobra Cutânea da Coxa: essa medida da dobra cutânea é realizada paralelamente ao eixo longitudinal, usualmente no ponto médio da distância entre a borda inguinal e a borda superior da patela (ver Figura 15). Pode ser medida também a um terço de distância entre esses pontos, como proposto no protocolo de Guedes (1985). Essa dobra é menos utilizada na prática clínica devido à dificuldade de sua execução (é difícil fazer o pinçamento correto e pode haver desconforto para a leitura rápida do dado). Para facilitar o procedimento do pinçamento da dobra cutânea, é melhor que o cliente/paciente coloque a perna direita (a que será medida) para frente, semiflexionando o joelho e mantendo o peso na perna esquerda. Dessa forma, o músculo da perna direita não fica contraído, facilitando a execução da medida e leitura do dado. Figura 25. Medida da dobra cutânea da coxa. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Dobra Cutânea da Panturrilha Medial: para a realização da dobra cutânea da panturrilha medial, o cliente/paciente deverá estar sentado, com o joelho dobrado a 90°, o tornozelo em posição anatômica e o pé sem apoio. Dessa forma, o músculo da panturrilha não fica contraído, facilitando a execução da medida (pinçamento da dobra e leitura rápida do dado). A dobra é pinçada no ponto de maior perímetro da perna, assim como é realizada a circunferência de panturrilha. O polegar da mão esquerda (a mão que se pinça a dobra) deve se apoiar na borda medial da tíbia. 22 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Figura 26. Medida da dobra cutânea da panturrilha medial. Fonte: https://www.sanny.com.br/dobras-cutaneas. Determinação do percentual de gordura corporal com o uso das dobras cutâneas Uma das formas para estimar o percentual de gordura corporal é com o uso das dobras cutâneas. Sabe-se que a dobra cutânea tricipital e a dobra cutânea subescapular possuem uma boa correlação com a quantidade de gordura corporal total, ou seja, usualmente, quando elas estão acima dos valores considerados adequados, a quantidade de gordura corporal total também o está. Entretanto, existem equações e referências que estimam de forma mais adequada a quantidade de gordura corporal. Primeiramente, os valores das dobras cutâneas são somados ou colocados em equações específicas, chamadas de equações de predição de gordura corporal. Com esses valores, 23 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II chega-se a umaestimativa do percentual de gordura corporal total. Somente após estimados esses valores é que se irá classificar, por meio das referências, se o percentual de gordura está dentro do considerado adequado, ou não, para aquela população. As equações mais comumente utilizadas são: Katch e Mcardle (1973), Durnin e Womersley (1974), Jackson e Pollock (1978), Jackson, Pollock e Ward (1980), Guedes (1985), Slaughter et al. – para indivíduos de sete a 18 anos (1988), Petroski (1995), Peterson, Czerwinski e Siervogel (2003). E, como referência, há: Jackson e Pollock (1978), Jackson, Pollock e Ward (1980), Guedes (1985), Faulkner (1968), Lohman (1992). Esses são apenas alguns exemplos das equações e protocolos de referência que existem. Para um melhor atendimento nutricional, deve-se buscar a referência que melhor se encaixa para o indivíduo avaliado ou a população estudada. Indicadores antropométricos pelas medidas do braço Percentual de adequação da circunferência de braço O percentual de adequação da circunferência do braço (CB) é utilizado para avaliar grau de catabolismo ou excesso nutricional do indivíduo. Quando essa medida está aumentada, não é possível distinguir se o aumento é proveniente de massa muscular ou de massa gordurosa e, portanto, seu uso deve ser feito com critério e cautela. % adequação da CB = CB obtida (cm) x 100 CB percentil 50 (50th) Tabela 7. Classificação do percentual de adequação da circunferência de braço. Desnutrição Grave Desnutrição Moderada Desnutrição Leve Eutrofia Sobrepeso Obesidade Adequação da CB < 70% 70 – 80% 80 – 90% 90 – 110% 110 – 120% > 120% Fonte: Blackburn e Thornton, 1979. Circunferência muscular do braço A circunferência muscular do braço (CMB) é uma medida indireta, derivada da circunferência do braço (CB) e da dobra cutânea tricipital (DCT). A CMB mensura a quantidade e a taxa de variação da massa muscular esquelética. Essa medida possui boa correlação com a massa muscular corpórea e sua depleção indica, na maioria das vezes, a existência de processo catabólico corporal, que leva à depleção muscular, como no caso da desnutrição. 24 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Com base no proposto por Lohman (1981), a CMB é derivada do cálculo: CMB = CB - (DCT x 0,314) Adequação da CMB (%) = CMB obtida (cm) x 100 percentil 50* da CMB Tabela 8. Classificação do percentual de adequação da circunferência muscular do braço. Desnutrição Grave Desnutrição Moderada Desnutrição Leve Eutrofia Adequação da CB < 70% 70 – 80% 80 – 90% > 90% Fonte: Blackburn e Thornton, 1979. Índice de massa corporal (IMC) O IMC é um dos índices mais utilizados para avaliação nutricional, tanto em indivíduos como em populações. Seu cálculo é feito por meio da fórmula: IMC = Peso (kg) / altura (m)² A utilização desse índice em indivíduos deve estar associada a outros indicadores para estabelecer um diagnóstico nutricional correto. Como não distingue a composição corporal (massa gordurosa e massa magra, entre elas, a muscular), ao utilizar apenas o IMC, é possível classificar com sobrepeso ou obesidade indivíduos que apresentam um aumento de peso em massa magra. O IMC é o índice de avaliação do estado nutricional que pode ser usado em todas as faixas etárias, de recém-nascidos a idosos. Esse índice tem como características o fácil acesso, a execução simples, o baixo custo e a boa correlação com comorbidades. Por essas características, esse índice é um indicador antropométrico amplamente utilizado na prática clínica e em estudos populacionais. Na prática clínica, após determinar a classificação do IMC, essas classificações podem ser comparadas ao longo da vida de um indivíduo, avaliando-se a evolução do estado nutricional individual. Em estudos populacionais, é possível se classificar e comparar as diferentes faixas etárias por meio do mesmo indicador antropométrico, não havendo essa interferência na avaliação e na validação dos dados. 25 CAPÍTULO 2 BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA (BIA) A bioimpedância elétrica é um método rápido, não invasivo e bem aceito para avaliação da composição corporal de um indivíduo. Seu princípio se baseia na condutividade elétrica por meio dos componentes corporais, com a colocação de eletrodos nos pés e nas mãos do indivíduo. Os valores de condutividade são utilizados em fórmulas e transformados em informações, tanto sobre a quantidade e porcentagem de gordura corporal e massa muscular como sobre a hidratação do corpo. Deve-se atentar para as orientações do fabricante do aparelho para colocação dos eletrodos. A verificação da referência adotada pelo fabricante também é importante para descrição em trabalhos ou comparações com outras medições. A bioimpedância, por meio dos valores obtidos de resistência, reactância e ângulo de fase, é capaz de estimar e detalhar os componentes corpóreos de massa magra e de massa gorda, entretanto nem todos os aparelhos realizam essa medição detalhada. Dentre os compartimentos básicos, têm-se a massa magra (livre de gordura), a massa gorda e o percentual de água corporal. Para modelos mais completos, é possível também mensurar: » ângulo de fase corporal total e segmentar; » água intra e extracelular; » água corporal total; » índice de edema corporal e segmentar; » percentual de proteínas e de minerais; » conteúdo mineral ósseo; » massa muscular esquelética; » massa magra de cada segmento corporal; » massa de gordura; » estimativa de gordura segmentar; » índice de gordura corporal; » percentual de gordura corporal; » índice de massa livre de gordura; » impedância e reactância de cada segmento corporal. 26 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL É importante destacar aqui que a bioimpedância não tem sido utilizada somente para a determinação da composição corporal. A informação do ângulo de fase tem sido relacionada como fator prognóstico em algumas patologias, como no caso de doenças renais. Por haver diferenças entre os aparelhos, a utilização do mesmo equipamento nas avaliações de bioimpedância garante melhor resultado do acompanhamento ao longo do tempo, sem o risco de haver diferenças entre equipamentos. Atualmente, no mercado, existem aparelhos de bioimpedância que realizam as medidas com o indivíduo em posição supina, ou outros que são acoplados em balanças, e as medidas são feitas com o indivíduo em pé. Orienta-se que as bioimpedâncias acopladas em balança sejam tetrapolares, ou seja, que a corrente elétrica passe pelos eletrodos das mãos e dos pés. Algumas recomendações são essenciais para garantir o resultado confiável da avaliação da composição corporal por bioimpedância. Por exemplo, a ingestão de cafeína e de álcool pode causar desidratação e subestimar os valores de massa muscular em até 5 kg, enquanto a prática de exercícios físicos em intensidade alta ou moderada pode superestimar a quantidade de massa muscular em até 12 kg. Exercícios em baixa intensidade não alteram os valores do exame. Orientações gerais para a realização da bioimpedância: » suspender o uso de medicamentos diuréticos sete dias antes do teste (exceto por orientação médica); » estar em jejum de pelo menos quatro horas; » estar em abstinência alcoólica por 24 a 48 horas; » evitar o consumo de cafeína 24 horas antes do teste; » estar fora do período pré-menstrual; » não ter praticado atividade física intensa nas últimas 24 horas; » urinar pelo menos 30 minutos antes da medida; » permanecer de cinco a 10 minutos em repouso absoluto, em posição de decúbito dorsal, antes de efetuar a medida; » contraindicação absoluta para a realização do teste: casos em que os pacientes são portadores de marcapasso e gestantes. 27 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Figura 27. Exame de bioimpedância elétrica tetrapolar realizado com eletrodos em pés e mãos, com o indivíduoem posição supina. Fonte: Graton, 2017. 28 CAPÍTULO 3 MÉTODOS INDIRETOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Os métodos indiretos para a avaliação da composição corporal são usados com menor frequência do que os métodos duplamente indiretos, por suas características, entre as quais se destacam: » técnicas que possuem um custo mais elevado; » necessidade de aparelho, local específico e pessoal treinado; » maior tempo para a sua execução; » necessidade de preparo para a realização dos exames, na maioria das vezes; » nem todas as técnicas são aplicáveis a qualquer faixa etária; dependendo do exame, da faixa etária, da condição fisiológica ou patológica, é necessário sedação; » exames e técnicas mais utilizados em estudos populacionais, devido ao custo elevado e à dificuldade de acesso; » os exames indiretos para a avalição da composição corporal têm a vantagem, em relação às dobras cutâneas corporais, de apresentarem maior acurácia para a determinação do tecido adiposo, principalmente em obesos. Nos pacientes obesos, principalmente com obesidade III, existe a dificuldade em demarcar o local anatômico da dobra cutânea, a dificuldade em separar o tecido adiposo do tecido muscular e a limitação máxima de abertura do adipômetro. Neste capítulo, serão abordados os métodos indiretos de avaliação da composição corporal mais conhecidos e utilizados na prática clínica. Pesagem hidrostática Esse exame se baseia na densidade corporal, portanto o seu resultado é determinado pela razão entre o peso do indivíduo no ar e o peso do indivíduo na água (submerso). Simplificando, o resultado = peso no ar / peso na água. A pesagem hidrostática possui precisão elevada, porém ela pode sofrer interferências relacionadas ao momento da pesagem e ao estado individual, como estágio do ciclo menstrual, horário do dia, atividade física e uso de fármacos. É um procedimento demorado, com necessidade de adaptação ao meio líquido (indivíduo fica submerso na água), pode ser desconfortável para obesos e para pessoas de determinadas faixas etárias. 29 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Figura 28. Pesagem hidrostática. Fonte: https://www.unomaha.edu/news/2016/12/underwater-weigh-holiday-sale.php. Plestimografia A plestimografia é um método para a avaliação da composição corporal baseado na medida do volume corporal a partir do deslocamento do ar. O indivíduo entra em uma câmara de fibra de vidro que possui sensores acoplados a ela e a um computador que mensura a alteração e o deslocamento do ar. É um método caro, com capacidade máxima para indivíduos com 250 kg, pode apresentar erros para a determinação de massa livre de gordura em obesos, pois estes apresentam maior quantidade de água extracelular. É rápido e indolor. Figura 29. Exame de plestimografia. Fonte: Silva, 2016. Antigamente, não era possível realizar esse exame em crianças pequenas. Hoje, já existem câmaras específicas até para bebês. 30 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Figura 30. Exame de plestimografia para bebês. Fonte: https://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Infant_body_composition_through_air_displacement_plethysmography.jpg. Dual-Energy X-ray Absorptiometry (DEXA) – Abosorciometria de Raio-X de Dupla Energia O exame de DEXA é considerado como exame referência para a avaliação da composição corporal em indivíduos obesos. Também é considerado o exame de referência para a avaliação da obesidade sarcopênica (aumento de massa gordurosa associado à sarcopenia – diminuição acentuada da massa muscular). Na avaliação da massa óssea, o DEXA é considerado como padrão ouro pela Organização Mundial de Saúde, para a avaliação da osteoporose. Em estudos, foi possível observar que os valores do DEXA se correlacionavam fortemente com o tecido adiposo visceral e abdominal, entretanto existe um limite do aparelho em relação ao peso corporal do indivíduo, sendo possível a avaliação de pessoas com até 204 kg em algumas marcas. 31 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Dentre as vantagens desse exame, existe uma menor emissão de radiação durante a realização dele e ele é mais acessível que a Tomografia Computadorizada (TC) e a Ressonância Magnética (RNM). Figura 31. Exame de Dual-Energy X-ray Absorptiometry (DEXA). Fonte: Silva, 2016. Ultrassonografia (US) A US funciona a partir da conversão de energia elétrica em ondas sonoras que passam pelo tecido adiposo, muscular e ósseo, determinando, assim, a espessura dos tecidos. Esse método possui boa correlação com os resultados da pesagem hidrostática e DEXA. Em relação às suas desvantagens, sabe-se que ele apresenta elevado custo e há dificuldade técnica para a aplicação dele. Figura 32. Exame de ultrassonagrafia para a avaliação da composição corporal. Fonte: Silva, 2016. 32 UNIDADE II | MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Ressonância Magnética (RNM) e Tomografia Computadorizada (TC) A RNM é um exame que, por meio de ondas de frequência de rádio, quantifica a massa gordurosa total e subcutânea. Tem como vantagem a não utilização de radiação iônica, apresentação de imagens em 3D e apresenta boa correlação com a pesagem hidrostática. Suas desvantagens incluem custo elevado e dificuldade técnica para a realização. Figura 33. Exame de ressonância magnética. Fonte: Teixeira e Porto, 2020. A TC parte do princípio da mensuração e atenuação da emissão dos raios-X nos diferentes tecidos. Seu resultado é apresentado em imagens bidimensionais, em corte transversal do corpo. Dentre as desvantagens do método estão o alto custo, a necessidade de pessoal treinado e a exposição à radiação (atenção às crianças e gestantes). Figura 34. Foto do tomógrafo médico – exame de Tomografia Computadorizada. Fonte: xleme.com.br/tomografia-computadorizada-128-cortes-dupla-energia.html 33 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL | UNIDADE II Interactância de raios infravermelhos Essa técnica consiste na suposição de que as medidas de interactância podem estimar a composição corporal a partir da densidade óptica, que é inversamente proporcional ao percentual de gordura corporal. Essa técnica é rápida, não invasiva, depende da prática do avaliador e da distribuição de gordura do cliente/paciente que está sendo avaliado. Existe a recomendação de combinação de outras técnicas para a avaliação da composição corporal quando se trata da avaliação de indivíduos com obesidade. Vimos as principais técnicas de avaliação da composição corporal utilizadas. Mas, levando em conta a grande dimensão do nosso país e as diferenças de acesso aos serviços de saúde, pense: como avaliar indivíduos sem o auxílio de um equipamento caro, ou sem a bioimpedância, ou até mesmo sem o adipômetro? Essas avaliações são válidas? 34 REFERÊNCIAS AJZEN, H.; SCHOR, N. Guia de medicina ambulatorial e hospitalar de nefrologia. 2.ed. Barueri: Manole, 2005. ALLEN, L. H. Biomarkers of nutrition for development (BOND): vitamin B12-review. The Journal of Nutrition, v. 146, n. 4, 1995S-2027S; 2018. ANDHRESSA, A. F. et al. SISVAN: Vigilância alimentar e nutricional. Orientações básicas para a coleta, processamento, análise de dados e informação em serviços em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. p. 53, 57, 58. Disponível em: http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/ orientacoes_basicas_sisvan.pdf. Acesso em: 23 jun. 2020. ATALAH, E; CASTILLO, C. L.; CASTRO, R. S.; AMPARO ALDEA, P. Propuesta de un nuevo estándar de evaluación nutritional de embarazadas. 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