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Mutação Genética na Ataxia Espinocerebelar

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CASOS CLÍNICOS EM NEUROLOGIA 51
Existem várias mutações genéticas em cromossomos diferentes, causando ataxia 
espinocerebelar, bem como a frequência do gene entre diferentes populações varia consi-
deravelmente. Em geral, a incidência parece ser de cerca de 1,5 a cada 100 mil indivíduos, 
com distribuição igual entre os sexos. A maioria das ACADs é causada por um defeito 
genético que envolve uma expansão na sequência do DNA, e a maioria dessas sequências 
são expansões da repetição de trinucleotídeo (SCA tipos 1-3, 6-10, 12 e 17). Foram des-
cobertos outros tipos de expansões repetidas, causadores de SCA. Por exemplo, SCA-10 
envolve uma expansão da repetição ATTCT do gene SCA10, e SCA-8 envolve uma ex-
pansão no gene SCA8 com repetição do nucleotídeo CTG. Finalmente, SCA-4 envolve a 
mutação em um gene que não envolve uma expansão da repetição de um trinucleotídeo.
A média de idade de início para todos esses tipos é de 20 a 30 anos, exceto para 
SCA-6, que costuma ocorrer entre os 40 e 50 anos. Indivíduos com SCA-8 geralmente 
desenvolvem sintomas no final dos 30 anos. Pacientes com SCA-2 costumam desenvolver 
demência e movimentos oculares lentos. Os pacientes com SCA-8, que têm uma expec-
tativa de vida normal, assim como os pacientes com SCA-1, em geral apresentam reflexos 
muito ativos. Pacientes com SCA-7 desenvolvem perda visual. Nos tipos SCA 1-3 e 7, 
pode existir uma idade de início mais precoce, com aumento da gravidade (denominado 
antecipação) de uma geração para a outra. O tamanho da zona de expansão da repetição 
nos genes afetados correlaciona-se, grosso modo, com a gravidade e a idade de início. A 
penetrância é bastante elevada; no entanto, há casos raros, nos quais as pessoas não de-
senvolvem sintomas. A razão para a falta de penetrância completa ainda é desconhecida.
O diagnóstico de ataxia espinocerebelar é inicialmente suspeitado quando o 
início dos sintomas ocorre na idade adulta. Uma RM ou uma tomografia compu-
tadorizada (TC) do cérebro pode detectar atrofia do cerebelo e de diversas estrutu-
ras subcorticais (Figura 5.1). Um teste genético molecular para determinar o gene 
que apresenta a expansão da repetição de trinucleotídeo pode ser útil para a rápida 
identificação de outros portadores na família. Muitos desses distúrbios podem, atu-
almente, ser confirmados pelo exame de DNA. Em vez de solicitar todos os exames 
de DNA disponíveis (o que pode ser muito dispendioso), existem algoritmos que 
podem reduzir os testes pelo uso de sinais clínicos; especialmente a degeneração re-
tiniana, o envolvimento proeminente de sintomas não cerebelares, a idade de início, 
os distúrbios do movimento ocular, a redução da velocidade estocástica e os sinais 
piramidais. As características clínicas desses distúrbios estão listadas no Quadro 5.1.
Uma vez caracterizado o defeito genético, a família também podem ser testada. 
Infelizmente, o exame genético nem sempre é 100% informativo. Existem casos raros 
de ataxia espinocerebelar clinicamente diagnosticados que não podem ser explicados 
por qualquer um dos defeitos genéticos conhecidos. Estima-se que em cerca de 50 a 
60% dos indivíduos brancos portadores de uma forma familiar dominante de ataxia 
cerebelar o exame do DNA pode proporcionar um diagnóstico definitivo.
SCA-3 ou doença de Machado-Joseph (DMJ) é o subtipo mais comum de SCA. 
O fenótipo é um dos mais variáveis entre SCAs. As síndromes de SCA-3 incluem ata-
xia cerebelar pura, parkinsonismo familiar, paraplegia espástica hereditária, neuropatia 
hereditária e síndrome das pernas inquietas (SPI). Um sinal raramente reconhecido, 
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