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Inadimplemento das obrigações Inadimplemento é o não pagamento/cumprimento da obrigação, enquanto a mora é o atraso do devedor no pagamento ou do credor no recebimento; inadimplemento é só do devedor, mora pode ser de ambas as partes. Efeito do inadimplemento: responsabilizar o devedor por perdas e danos, se este inadimplemento for culposo (389). Se o inadimplemento não for culposo o devedor está isento das perdas e danos, mas é ônus do devedor provar o caso fortuito ou de força maior. O caso fortuito ou de força maior está conceituado no parágrafo único do 393; o fato precisa ser superveniente/futuro e imprevisível para justificá-lo. É um problema (ex: cheia, seca, greve, doença, roubo) que o devedor não contribuiu para sua ocorrência e nem poderia evitar. O fato do príncipe é também um caso fortuito (ex: A deve cigarro a B, porém vem uma lei proibindo o fumo no país, então a obrigação se extingue face à ilicitude do objeto; chama-se fato do príncipe em alusão ao Estado, pois antigamente os governantes eram monarcas). Conceito de mora: retardamento ou o imperfeito cumprimento da obrigação. Configura-se não só através do atraso, mas também como no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Diferença entre mora e inadimplemento absoluto Diz-se mora quando a obrigação não foi cumprida no tempo, lugar e forma convencionados ou devidos, mas ainda poderá sê-lo, com proveito para o credor. Ainda interessa a este receber a prestação, acrescida dos juros, atualizados dos valores monetários, clausula penal etc. Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos. Uma das semelhanças entre a mora e o inadimplemento absoluto está relacionada ao elemento culpa (fato ou omissão imputável ao devedor) é necessário para a caracterização da mora deste, conforme dispõe o art. 396 do CC, tal não ocorre com a do credor. A questão, no entanto, ainda se mostra controvertida, entendendo alguns que a culpa constitui elemento essencial para a caracterização da mora do credor, que ficará afastada mediante a demonstração da existência de justa causa para a recusa. Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora. Espécies de mora Mora do Devedor- caracteriza-se quando este não cumprir, por sua culpa, a prestação devida na forma, tempo e lugar estipulados. A mora do devedor pressupõe um elemento objetivo e um elemento subjetivo: O elemento objetivo é a não realização do pagamento no tempo, local e modo convencionados; o subjetivo é a inexecução culposa de sua parte, esta, se manifesta de duas formas: · Mora ex re (Artigos 397, 1ª alínea, 390 e 398 do Código Civil): Decorre da lei. Esta resulta do próprio fato da inexecução da obrigação, independendo, de provocação do credor. Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial. Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. Exemplo: se comodato foi celebrado por dois anos, vencido esse prazo o comodatário incorrerá em mora de pleno direito, ficando sujeito a ação de reintegração de posse, com o esbulhador. Se no entanto, não foi fixado prazo de duração do comodato, a mora do comodatário se configurará depois de interpelado ou notificado, pelo comodante, com o prazo de trinta dias (ex persona). Somente depois de vencido esse prazo se tornará esbulhador. · Mora ex persona (Artigos 397, 2ª alínea do Código Civil; Artigos. 867 a 873 e 219 do Código de Processo Civil): Ocorre quando o credor deva tomar certas providências necessárias para constituir o devedor em mora (notificação, interpelação, etc.) A.3) mora proveniente de ato ilícito: Os juros de mora são devidos, desde a data do fato. É o que dispõe a súmula 54 do STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou. A.4) Requisitos da Mora Solvendi. · Exigibilidade da prestação, ou seja, o vencimento da dívida líquida e certa; · Inexecução culposa, o inadimplemento, por si, faz presumir a culpa do devedor, salvo prova, por ele produzida, de caso fortuito ou força maior; · Constituição em mora somente quando ex persona, sendo desnecessária se for ex re, pois o dia do vencimento já interpela o devedor. Efeitos · Responsabilização por todos os prejuízos causados ao credor, isso inclui prestação, juros moratórios, correção monetária, clausula penal e a reparação de qualquer prejuízo que houver sofrido, caso enjeitá-la no caso ter-se lhe tornado inútil, reclamando perdas e danos. · Perpetuação da obrigação pela qual responde o devedor moroso pela impossibilidade da prestação, ainda que decorrente de caso fortuito ou de força maior. OBS: a única escusa admissível é que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse desempenhada em tempo. Accipiendi (mora de receber) ou creditoris (mora do credor) A mora do credor (mora accipiendi, creditoris ou credendi) ocorre quando o atraso no cumprimento da prestação se dá por ato imputável ao credor. Pode ocorrer, por exemplo, de o credor não estar em seu domicílio na data acertada para o pagamento ou que o credor, acreditando que o pagamento não esteja correto, recuse-se a recebê-lo Caracterização da mora do credor são: “a) existência de dívida positiva, líquida e vencida; b) solvência do devedor; c) oferta real e regular da prestação devida pelo devedor; d) recusa injustificada, expressa ou tácita, em receber o pagamento no tempo, lugar e modo indicados no título constitutivo da obrigação e e) constituição do credor em mora” Requisitos: · Vencimentos da obrigação, pois antes disso a prestação não é exigível e, em consequência, o devedor não pode ser liberado; · Oferta da prestação, reveladora do efetivo propósito de satisfazer a obrigação; · Recusa injustificada em receber; · Constituição em mora, mediante a consignação em pagamento. Efeitos: Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. O devedor, se isento de dolo, não responderá mais pela conservação da coisa. Os riscos, portanto, são invertidos e o credor arcará com eventual perda ou deterioração do bem, ainda que o devedor aja com culpa em sentido estrito. Digamos que Daniela adquira de João um cão da raça poodle e, sem qualquer justificativa, ela não vai buscar o animal na casa de João na data ajustada. Se durante a mora da credora, João, distraído, esquecer o portão de sua casa aberto e o cão fugir, vier a ser atropelado e falecer, ele nada terá que reparar a Daniela. O o credor terá que ressarcir ao devedor as despesas utilizadas para a conservação da coisa. Essa consequência parece óbvia se considerarmos a vedação ao enriquecimento sem causa. Assim, no exemplo citado anteriormente, esqueça o trágico fim do cão e imagine que Daniela foi buscá-lo 5 (cinco) dias após o pactuado; durante esses 5 (cinco) dias, João teve gastos com a alimentaçãodo animal e com algumas vacinas que tinham que ser administradas exatamente nesse período. Todas essas despesas deverão ser ressarcidas a João. Se a coisa tiver preço variável, o credor terá que recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor no período compreendido entre a data estipulada para o pagamento e a data em que este foi efetivado. Imagine que A tenha adquirido de B R$ 36.000,00 em sacas de 60 kg de milho. Na data prevista para a entrega das sacas, o preço da saca de 60 kg era de R$ 36,00, o que totalizariam 1 000 sacas. Ocorre que A incorreu em mora e somente foi buscar a mercadoria algum tempo depois. Durante esse período, o preço da saca variou, tendo atingido as marcas de R$ 40,00 e R$ 30,00, o que corresponderia à obrigação de entregar, respectivamente, 900 e 1 200 sacas. A cotação mais favorável ao devedor, sem dúvida, é a de R$ 40,00, pelo que B deverá entregar a A 900 sacas de milho. Mora de ambos os contratantes Quando as moras são simultâneas (nenhum dos contratantes comparece ao local escolhido de comum acordo para pagamento, p. ex.), uma elimina a outra, pela compensação. As situações permanecem como se nenhuma das duas partes houvesse incorrido em mora. Se ambas nela incidem, nenhuma pode exigir da outra perdas e danos. Quando as moras são sucessivas, permanecem os efeitos pretéritos de cada uma. Assim, por exemplo, se, num primeiro momento, o credor não quer receber o que o devedor se dispõe a pagar, e, mais tarde, este não quiser mais pagar, quando aquele se dispõe a receber, a situação será a seguinte: quando afinal o pagamento for realizado e também forem apurados os prejuízos, cada um responderá pelos ocorridos nos períodos em que a mora foi sua, operando-se a compensação. Os danos que a mora de cada uma das partes haja causado à outra, em determinado período, não se cancelam pela mora superveniente da outra parte, pois cada um conserva os seus direitos. PURGAÇÃO DA MORA Purgar ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. Aquele que nela incidiu corrige, sana a sua falta, cumprindo a obrigação já descumprida e ressarcindo os prejuízos causados à outra parte. Mas a purgação só poderá ser feita se a prestação ainda for proveitosa ao credor. Se, em razão do retardamento, tornou-se inútil ao outro contraente (caso de inadimplemento absoluto), ou a consequência legal ou convencional for a resolução, não será possível mais pretender-se a emenda da mora. O art. 401 do Código Civil estabelece, em dois incisos, os modos pelos quais se dá a purgação da mora pelo devedor e pelo credor. A do devedor concretiza-se mediante a oferta da prestação atrasada “mais os prejuízos decorrentes até o dia da oferta” (inciso I), como os juros moratórios, a cláusula penal e outros eventualmente ocorridos. Por parte do credor, purga-se a mora “oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data” (inciso II). Deve o retardatário dispor-se a receber o pagamento, que antes recusara, e a ressarcir as despesas empregadas pelo devedor na conservação da coisa, bem como a responder por eventual oscilação do preço (CC, art. 400). - Estará purgada a mora, e é, livre a obrigação da mora, quando por ação: I) do devedor se oferecer a prestação, mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta; II)do credor, quando este se oferecer a receber o pagamento e sujeitar-se aos efeitos da mora até a mesma data. No tocante ao momento em que a mora deve ser purgada, tem sido afastado o rigor de se exigir a imediata consignação do pagamento, sem se admitir qualquer prorrogação. Predomina hoje o entendimento de que a purgação pode ocorrer a qualquer tempo, contanto que não cause dano à outra parte. Nem mesmo a mora do devedor, já operada, afasta a possibilidade da consignação, se ainda não produziu consequências irreversíveis, ou seja, se o credor dela não extraiu os efeitos jurídicos que em tese comporta. Assim, se apesar do protesto de cambial representativa de prestação, a credora não rescindiu o pacto nem executou o débito, nada obsta que a alegada recusa das prestações seguintes permita a utilização da consignatória. Tem-se entendido, portanto, que a ação consignatória tanto pode destinar-se à prevenção da mora como à sua emenda. Não se confunde purgação com cessação da mora. Esta não depende de um comportamento ativo do contratante moroso, destinado a sanar a sua falta ou omissão. Decorre, na realidade, da extinção da obrigação. Assim, por exemplo, se o devedor em mora tem as suas dívidas fiscais anistiadas, deixa de estar em mora, sem que tenha cumprido a prestação e indenizado os prejuízos causados à outra parte. Não houve purgação, mas cessação da mora. Esta produz efeitos pretéritos, ou seja, afasta os já produzidos: o devedor nada terá de pagar. A purgação da mora só produz efeitos futuros, não apagando os pretéritos, já produzidos. CESSÃO DA MORA A cessação da mora ocorrerá por um fato extintivo de efeitos pretéritos e futuros, como sucede quando a obrigação se extingue com a novação, remissão de dívidas ou renúncia do credor. Esta não depende de um comportamento ativo do contratante moroso, destinado a sanar sua falta ou omissão. Decorre, na realidade da extinção da obrigação. Assim, por exemplo, se o devedor em mora tem suas dívidas fiscais anistiadas, deixa de estar em mora, sem que tenha cumprido a prestação e indenizado os prejuízos causados à outra parte. A cessão atinge efeitos pretéritos, ou seja, afasta os já produzidos: o devedor nada terá de pagar. A purgação da mora só produz efeitos futuros, não apagando os efeitos pretéritos, já produzidos. image1.png image2.png image3.png image4.png