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Reprodução humana assistida

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EVENTO: II Congresso Regional da Advocacia das Famílias e
das Sucessões da Alta Mogiana 
TEMA: PRINCIPAIS ASPECTOS DA REPRODUÇÃO HUMANA
ASSISTIDA NA REFORMA DO CÓDIGO CIVIL
DANIELLA DE ALMEIDA TEIXEIRA
TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA
CONCEITO
REPRODUÇÃO HUMANA MEDICAMENTE ASSISTIDA:
Conjunto de técnicas que objetiva a gestação através da facilitação ou da 
substituição de alguma fase supostamente ineficiente no processo de reprodução, 
onde o encontro dos gametas (óvulo e espermatozóide) ocorre sem necessidade de 
cópula carnal (Scarparo, 1991: 242).
 
TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA
ESPÉCIES
Diferenciação que leva em conta o local onde ocorre a fecundação dos gametas.
● INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL:
Método pelo qual há a introdução do material genético masculino (que eventualmente pode 
ter sido previamente tratado e selecionado) no corpo feminino (numa determinada época do 
ciclo menstrual, cujo corpo também pode ter sido previamente tratado e estimulado) por um 
meio que não o natural, ou seja, sem relação sexual.
● FERTILIZAÇÃO IN VITRO:
Meio reprodutivo em que há prévia fecundação do óvulo em laboratório, com posterior 
introdução no corpo da mulher em que será gestado. Aqui, os materiais genéticos são colhidos 
(o espermatozoide por vias naturais ou punção, e, o oócito por punção), tratados em 
laboratório até a fase de fecundação do óvulo, para posterior colocação no corpo feminino em 
determinada fase do ciclo menstrual e sob certas circunstâncias clínicas adequadas.
 
TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA
ESPÉCIES
Diferenciação que analisa a utilização de material genético de ambos os pais de intenção (do 
casal) ou uma de terceira pessoa, ou ainda, de terceiros.
● FECUNDAÇÃO HOMÓLOGA:
Ocorre quando são utilizadas as células germinativas das pessoas envolvidas no projeto 
parental (óvulos e espermatozoides daqueles que não conseguem ou não desejam ter filhos 
por métodos naturais). Aqui, seja uma inseminação artificial, seja uma fertilização in vitro, 
sempre são empregados apenas os gametas do casal.
● FECUNDAÇÃO HETERÓLOGA:
Caracteriza-se pelo emprego de material genético de ao menos um terceiro sujeito que não o 
casal do projeto parental; às vezes do sexo masculino, às vezes do sexo feminino, ou até de 
ambos.
 
ESPÉCIES ESQUEMATIZADAS:
Da conjugação de ambos critérios, tem-se:
● INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL HOMÓLOGA;
● INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL HETERÓLOGA;
● FERTILIZAÇÃO IN VITRO HOMÓLOGA; e,
● FERTILIZAÇÃO IN VITRO HETERÓLOGA.
FERTILIZAÇÃO IN VITRO HETERÓLOGA
E do manejo de célula(s) germinativa(s) de 3ª pessoa ou até de terceiras pessoas, 
decorrem até 03 espécies de combinações: 
● o uso de óvulo da mulher ou companheira (que será fertilizada) e de sêmen de 3ª 
pessoa; 
● o uso de óvulo de outra mulher (diferente daquela que será fertilizada) e do marido 
ou companheiro; e,
● o uso de óvulo e sêmen de 3ºs para a formação de embrião que será fertilizado na 
mulher do casal (ou até em outra mulher).
Percebe-se, com isso, que a fertilização in vitro heteróloga, por possibilitar a 
participação de material humano de terceiro ou até de terceiros em todos os polos da 
relação, é uma das técnicas mais polêmicas e da qual resultam maiores discussões a 
respeito da caracterização do vínculo familiar. Some-se a isso, a possibilidade de ser 
adicionada a figura de uma outra pessoa à situação, qual seja, a mulher que gestará o 
embrião fruto de tal técnica (gestação por sub-rogação).
TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA
GESTAÇÃO SUB-ROGADA
CONCEITO:
procedimento reprodutivo no qual uma mulher se dispõe a receber um 
embrião para gestar uma criança que, ao final da gestação, não ficará 
consigo. Esse embrião será implantado diretamente no útero da mulher e a 
família de intenção irá dispor de uma cessão temporária até o momento do 
parto. A portadora do embrião gesta o feto no lugar da mãe de intenção.
 
 
No Brasil, não existe uma legislação específica a respeito da reprodução 
humana assistida, tampouco sobre gestação por sub-rogação. 
Apenas o parentesco e a filiação são tratados de modo abrangente, porém 
não exauriente por alguns dispositivos do Código Civil, enquanto os aspectos 
médicos e registrais dos métodos procriativos são disciplinados, hoje em dia, 
pela Resolução n.º 2.320/2022 , de 20 de setembro de 2022 do Conselho 
Federal de Medicina (que revogou a Resolução CFM n.º 2.294/2021 ) e pelo 
Provimento n.º 149, de 30 de outubro de 2023 do Conselho Nacional de Justiça 
(que revogou os Provimentos ns.º 52/2016 e 63/20217 do CNJ), 
respectivamente.
RHA NO BRASIL
ENUNCIADOS JORNADA DE DIREITO CIVIL:
● I Jornada de Direito Civil - Enunciado 103
● I Jornada de Direito Civil - Enunciado 104
● I Jornada de Direito Civil - Enunciado 105
● I Jornada de Direito Civil - Enunciado 106
● I Jornada de Direito Civil - Enunciado 111
● III Jornada de Direito Civil - Enunciado 257
● III Jornada de Direito Civil - Enunciado 258
● III Jornada de Direito Civil - Enunciado 267
● VI Jornada de Direito Civil - Enunciado 570
● VII Jornada de Direito Civil - Enunciado 608
● VIII Jornada de Direito Civil - Enunciado 633
1º PARECER DA SUBCOMISSÃO DE 
DIREITO DE FAMÍLIA DA CJCODCIVIL
“Sugerem-se artigos que conceituam a reprodução medicamente assistida, e delimitam seu 
âmbito de aplicação. Na mesma linha, importante dispositivo que impede a discriminação nas 
relações de parentalidade, o qual traduz a aplicação do princípio constitucional da isonomia 
entre filhos na seara dos nascidos pelas técnicas de reprodução medicamente assistida. 
Elencam-se ainda as vedações que buscam impedir a desvirtuação do uso das técnicas de RMA, 
ou sua utilização em desconformidade com os princípios mais importantes da bioética” 
(Trecho de justificativa).
“As sugestões ora apresentadas tiverem como norte um avanço equilibrado, afinal, nas 
certeiras palavras do Ministro Luís Felipe Salomão, Presidente desta Comissão, ‘O que nós 
queremos é avançar na interpretação do código, mas calcados no que a jurisprudência já vem 
tratando e no que o avanço da sociedade já vem exigindo’. (Fonte: G1, 
https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2023/11/07/presidente-de-comissao-que-revisa-o-c
odigo-civil-diz-que-e-necessario-discutirredes-sociais-nao-pode-ser-um-territorio-onde
-se-pode-tudo.ghtml#, acesso em 14 de dezembro de 2023)”. 
Art. 1.597. Presumem-se filhos dos cônjuges ou 
conviventes os nascidos ou concebidos na 
constância do casamento ou da união estável 
registrada, conforme o § 1º do art. 9º deste Código, 
ou durante o convívio de fato dos conviventes.
I a V - Revogados.
Simplificação abrangente das presunções de paternidade.
41. Para o registro de filho havido na constância do 
casamento ou da união estável, basta o comparecimento de 
um dos genitores.
41.1. A prova do casamento ou da união estável será feita 
por meio de certidão de casamento, certidão de conversão 
de união estável em casamento, escritura pública de união 
estável ou sentença em que foi reconhecida a união estável 
do casal (dissonância: Cap. XVII, NSCGJ). 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na 
constância do casamento os filhos:
I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, 
depois de estabelecida a convivência conjugal;
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à 
dissolução da sociedade conjugal, por morte, 
separação judicial, nulidade e anulação do 
casamento;
III - havidos por fecundação artificial 
homóloga, mesmo que falecido o marido;
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se 
tratar de embriões excedentários, decorrentes 
de concepção artificial homóloga;
V - havidos por inseminação artificial 
heteróloga, desde que tenha prévia autorização 
do marido.
CÓDIGO CIVIL ATUAL CÓDIGO CIVIL ALTERADO 
Art. 1.598. Revogado.
Art. 1.598-A. Presumem-se filhos dos cônjuges ou 
conviventes os havidos, a qualquer tempo, pela 
utilização de técnicas de reprodução humana 
assistida por eles expressamente autorizadas.
Parágrafo único. A autorização para o uso, após a 
morte,do próprio material genético, em técnica de 
reprodução humana assistida, dar-se-á por 
manifestação inequívoca de vontade, por escritura 
pública ou testamento público, respeitado o 
disposto no art. 1.629-Q deste Código.
Texto em dissonância com o art. 513, § 2.º do Prov. 149/23 
do CNJ.
STJ, RE1918421/SP, Rel: Min. Marco Buzzi, DJe 26.08.2021.
Art. 1.598. Salvo prova em contrário, se, antes de 
decorrido o prazo previsto no inciso II do art. 
1.523, a mulher contrair novas núpcias e lhe 
nascer algum filho, este se presume do primeiro 
marido, se nascido dentro dos trezentos dias a 
contar da data do falecimento deste e, do 
segundo, se o nascimento ocorrer após esse 
período e já decorrido o prazo a que se refere o 
inciso I do art. 1597.
CÓDIGO CIVIL ATUAL CÓDIGO CIVIL ALTERADO 
Seção I - Disposições Gerais
Art. 1.629-A. A Reprodução humana medicamente assistida decorre do 
emprego de técnicas médicas cientificamente aceitas que, ao interferirem 
diretamente no ato reprodutivo, viabilizam a fecundação e a gravidez.
Art. 1.629-B. Todas as pessoas nascidas a partir da utilização de técnicas de 
reprodução humana assistida terão os mesmos direitos e deveres 
garantidos às pessoas concebidas naturalmente, vedada qualquer forma de 
discriminação, ressalvado o disposto no art. 1.798.
Art. 1.629-C. Pode se submeter ao tratamento de reprodução humana 
assistida qualquer pessoa maior de dezoito anos, apta a manifestar, 
livremente, a sua inequívoca vontade.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Seção I - Disposições Gerais
Art. 1.629-D. As técnicas reprodutivas não podem ser utilizadas para: 
I - fecundar ócitos humanos com qualquer outra finalidade que não o da procriação humana; 
II - criar seres humanos geneticamente modificados;
III - criar embriões para investigação de qualquer natureza; 
IV - criar embriões com finalidade de escolha de sexo, eugenia ou para originar híbridos ou quimeras; 
V - intervir sobre o genoma humano com vista à sua modificação, exceto na terapia gênica para 
identificação e tratamento de doenças graves via diagnóstico pré-natal ou via diagnóstico genético 
pré-implantacional.
Art. 1.629-E. O tratamento será indicado quando houver possibilidade razoável de êxito, não 
representar risco grave para a saúde física ou psíquica dos pacientes, incluindo a descendência, e 
desde que haja prévia aceitação livre e consciente de sua aplicação por parte dos envolvidos que 
deverão ser anterior e devidamente informados de sua possibilidade de êxito, assim como de seus 
riscos e de suas condições de indicação e aplicação.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Seção II - Da Doação de Gametas
Art. 1.629-F. É permitida a doação pura e simples de gametas, vedada a sua comercialização a 
qualquer título.
Art. 1.629-G. O doador deve ser maior de 18 (dezoito) anos e manifestar, por escrito, a sua vontade 
livre e inequívoca, de doar material genético. 
Parágrafo único. É vedado ao médico responsável pelas clínicas, unidades ou serviços e aos integrantes 
da equipe multidisciplinar que nelas trabalham serem doadores de gametas na unidade ou rede que 
integram. 
Art. 1.629-H. A escolha dos doadores cabe ao médico responsável pelo tratamento e deverá garantir, 
sempre que possível, que o doador tenha semelhança fenotípica, imunológica e a máxima 
compatibilidade com os receptores.
Art. 1.629-I. Todos os dados relativos a doadores, receptores e demais recorrentes das técnicas de 
reprodução medicamente assistida devem ser tratados no mais estrito sigilo, não podendo ser 
facilitadas nem divulgadas informações que permitam a identificação do doador e do receptor.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Art. 1.629-J. É obrigatório para as clínicas, hospitais e quaisquer centros médicos de reprodução 
medicamente assistida informar ao Sistema Nacional de Produção de Embriões os nascimentos de crianças 
com material genético doado, seus respectivos dados registrais e os dados do doador, a fim de viabilizar 
consulta futura pelos Ofícios de Registro Civil de Pessoas Naturais, em razão de verificação de impedimentos 
em procedimento prénupcial para o casamento. 
Parágrafo único. O Sistema Nacional de Produção de Embriões manterá arquivo atualizado, com informação 
de todos os nascimentos em consequência de processos de reprodução assistida heteróloga, sendo este 
arquivo perene.
Art. 1.629-K. É garantido o sigilo ao doador de gametas, salvaguardado o direito da pessoa nascida com a 
utilização de seu material genético de conhecer sua origem biológica, mediante autorização judicial, para a 
preservação de sua vida, a manutenção de sua saúde física, a sua higidez psicológica ou por outros motivos 
justificados. 
§ 1º O mesmo direito é garantido ao doador em caso de risco para sua vida, saúde ou por outro motivo 
relevante, a critério do juiz. 
§ 2º Nenhum vínculo de filiação será estabelecido entre o concebido com material genético doado e o 
respectivo doador.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Seção III - Da Cessão Temporária de Útero
Art. 1.629-L. A cessão temporária de útero é permitida para casos em que a gestação não seja possível em razão de 
causa natural ou em casos de contraindicação médica.
Art. 1.629-M. A cessão temporária de útero não pode ter finalidade lucrativa ou comercial.
Art. 1.629-N. A cedente temporária do útero deve, preferencialmente, ter vínculo de parentesco com os autores do 
projeto parental.
Art. 1.629-O. A cessão temporária de útero deve ser formalizada em documento escrito, público ou particular, firmado 
antes do início dos procedimentos médicos de implantação, no qual deverá constar, obrigatoriamente, a quem se 
atribuirá o vínculo de filiação.
Art. 1.629-P. O registro de nascimento da criança nascida em gestação de substituição será levado a efeito em nome dos 
autores do projeto parental, assim reconhecidos pelo oficial do Registro Civil.
§ 1º Além da declaração de nascido vivo (DNV) ou documento equivalente, é necessária a apresentação do termo de 
consentimento informado, firmado na clínica que realizou o procedimento, e do documento escrito, público ou 
particular, firmado antes do início dos procedimentos médicos de implantação com a cessionária de útero, no qual 
conste a quem se atribui o vínculo de filiação.
§ 2º Em nenhuma hipótese, o Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais publicizará o assento de nascimento ou 
dados dos quais se possa inferir o caráter da gestação.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Seção V - Da Reprodução Assistida Post Mortem
Art. 1.629-Q. É permitido o uso de material genético de qualquer pessoa após a sua morte, 
seja óvulo, espermatozoide ou embrião, desde que haja expressa manifestação, em 
documento escrito, autorizando o seu uso e indicando:
I - a quem deverá ser destinado o gameta, seja óvulo ou espermatozoide, e quem o deverá 
gestar após a concepção; 
II - a pessoa que deverá gestar o ser já concebido, em caso de embrião. 
Parágrafo único. Em caso de filiação post mortem, o vínculo entre o filho concebido e o 
genitor falecido se estabelecerá para todos os efeitos jurídicos de uma relação 
paterno-filial.
Art. 1.629-R. Não serão permitidas a coleta e a utilização de material genético daquele que 
não consentiu expressamente, ainda que haja manifestação de seus familiares em 
sentido contrário.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Seção VI - Do Consentimento Informado
Art. 1.629-S. Para a realização do procedimento de reprodução assistida, todos os envolvidos terão de firmar o termo de 
consentimento informado.
Art. 1.629-T. A assinatura será precedida de todas as informações necessárias para propiciar o esclarecimento indispensável de 
modo a garantir a liberdade de escolha e adesão ao tratamento e às técnicas indicadas. 
Parágrafo único. As informações quanto aos riscosconhecidos do procedimento escolhido serão fornecidas por escrito, 
juntamente com implicações suas éticas, sociais e jurídicas.
Art. 1.629-U. No termo de consentimento informado, se os pacientes forem casados ou viverem em união estável, é necessária a 
manifestação do cônjuge ou convivente, concordando expressamente com o procedimento indicado e com o uso ou não de 
material genético de doador. 
Parágrafo único. Em caso de vício de consentimento quanto ao uso de qualquer uma das técnicas de reprodução assistida 
heteróloga, será admitida ação negatória de parentalidade, mas subsistirá a relação parental se comprovada a socioafetividade.
Art. 1.629-V. No termo de consentimento deve, ainda, constar o destino a ser dado ao material genético criopreservado em caso 
de rompimento da sociedade conjugal ou convivencial, de doença grave ou de falecimento de um ou de ambos os autores do projeto 
parental, bem como em caso de desistência do tratamento proposto. 
Parágrafo único. Os embriões criopreservados poderão ser destinados à pesquisa ou entregues para outras pessoas que busquem 
tratamento e precisem de material genético de terceiros; e não poderão ser descartados.
CAPÍTULO V-A FILIAÇÃO DECORRENTE DE REPRODUÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura 
da sucessão, bem como os filhos do autor da herança gerados por técnica de reprodução humana 
assistida post mortem, nos termos e nas condições previstos nos parágrafos seguintes. 
§ 1º Aos filhos gerados após a abertura da sucessão, se nascidos no prazo de até cinco anos a contar 
dessa data, é reconhecido direito sucessório. 
§ 2º O direito à sucessão legítima dos filhos concebidos ou gerados por técnica de reprodução 
humana assistida, concluída após a morte, quer seja por meio do uso de gameta de pessoa falecida 
ou por transferência embrionária em genitor supérstite ou, ainda, por meio de gestação por 
substituição, depende da autorização expressa e inequívoca do autor da herança para o uso de seu 
material criopreservado, dada por escritura pública ou por testamento público, observado o 
disposto nos arts. 1.629-B e 1.629-Q. 
§ 3º A autorização de que trata o §2º é revogável a qualquer tempo. 
§ 4º O juiz poderá nomear curador ao concepturo em caso de ausência de genitor supérstite ou 
conflito de interesses com o inventariante ou com os demais herdeiros, para resguardar os 
interesses sucessórios do futuro herdeiro, até o seu nascimento com vida
§ 5º O curador ou o genitor sobrevivente podem requerer a reserva do quinhão hereditário pelo 
período a que se refere o § 1º.
 § 6º O limite temporal do § 1º deste artigo não repercute nos vínculos de filiação e de parentesco.
Art. 1.798. Legitimam-se 
a suceder as pessoas 
nascidas ou já concebidas 
no momento da abertura 
da sucessão.
 CÓDIGO CIVIL ATUAL CÓDIGO CIVIL ALTERADO 
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda 
ser chamados a suceder:
I - a prole eventual, ainda não concebida ou ainda 
não assumida, pela pessoa ou pelas pessoas 
indicadas pelo testador, desde que vivas essas ao 
abrir-se a sucessão, ou desde que iniciado o 
processo de reprodução humana assistida antes de 
abrir-se a sucessão; 
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem 
ainda ser chamados a suceder:
I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas 
indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao 
abrir-se a sucessão;
CÓDIGO CIVIL ATUAL CÓDIGO CIVIL ALTERADO 
CONSIDERAÇÕES
O texto apresentado pela Comissão sugere artigos que:
● conceituam a reprodução medicamente assistida e delimitam seu âmbito de aplicação. 
● impedem a discriminação nas relações de parentalidade (aplicação do princípio 
constitucional da isonomia entre filhos na seara dos nascidos pelas técnicas de RHA). 
● elencam vedações que buscam impedir a desvirtuação do uso das técnicas de RMA, ou 
sua utilização em desconformidade com os princípios mais importantes da bioética. 
● consagram a gratuidade da doação de gametas, bem como a necessidade de que o 
doador tenha mais de 18 anos e expresse de modo livre e informado o seu 
consentimento. 
● visam regular o procedimento da escolha de doadores, que será de responsabilidade do 
médico e deve obedecer aos critérios descritos na norma. 
● prevêem o sigilo do doador, mas tutelando a excepcional possibilidade de quebra do 
segredo em face do direito de conhecimento da origem genética nas hipóteses 
descritas, sem que dessa quebra possa advir a formação de vínculo paterno-filial entre 
doadores de gametas e pessoas nascidas dessa doação. 
CONSIDERAÇÕES
● permitem a cessão temporária de útero, desde que gratuita e precedida da elaboração e assinatura de 
documento escrito, público ou particular, no qual deverá constar em que termos será estabelecido o 
vínculo de filiação. 
● estabelecem que a cessionária terá, preferencialmente, manter vínculo de parentesco com os autores 
do projeto parental. 
● pormenorizam como ocorrerá o registro da criança nascida a partir da aplicação da cessão de útero, 
determinando que ele se dará em nome dos autores do projeto parental. Se este projeto envolver mais 
de duas pessoas, é consequência lógica, e medida de justiça, que o filho poderá ser registrado em 
nome de todas. 
● tutelam a utilização do material genético post mortem, com os requisitos para que esse tipo de 
utilização possa ocorrer. Ressaltou-se, inclusive, que não serão permitidas a coleta e a utilização de 
material genético daquele que não consentiu expressamente através de instrumento público, ainda 
que haja manifestação uníssona de seus familiares em sentido contrário. 
● determinam no termo de consentimento esclarecido e informado, quando os pacientes forem casados 
ou viverem em união estável, a necessária a manifestação do cônjuge ou companheiro, concordando 
expressamente com o procedimento médico indicado, com uso ou não de material doado, e, em 
especial, definindo o destino a ser dado ao material genético eventualmente criopreservado. 
● Em caso de erro no registro, seja possível o manejo de ação negatória de parentalidade nas hipóteses 
de vício de consentimento quanto à utilização da inseminação ou fertilização heteróloga.
QUANTO À QUESTÃO SUCESSÓRIA (ARTS. 1.798 e 1.799, CC):
A proposta de alteração do art. 1.798 tenta superar as discussões que giram em torno da 
legitimidade sucessória dos embriões extracorpóreos.
Entendem que a restrição da legitimidade sucessória apenas ao “já concebidos” na data da 
abertura da sucessão, tal como consignado na redação atual, é incompatível com os avanços da 
medicina reprodutiva, notadamente no que tange à possibilidade de criopreservação de 
gametas e embriões, passíveis de utilização muitos anos após a abertura da sucessão. 
No entanto, para os filhos concebidos ou gerados por meio de técnica de RHA post mortem, 
entendem que é necessário o estabelecimento de termo e condição para a atribuição de direitos 
sucessórios: os direitos patrimoniais sucessórios desses filhos “diferidos no tempo” não 
podem estar atrelados às regras previstas para a petição da herança, sob pena de grave 
insegurança jurídica aos herdeiros já existentes e conhecidos na data de abertura da sucessão. 
Por isso a sujeição da legitimidade sucessória ao termo de 05 anos e à existência de autorização 
em vida do autor da sucessão para o emprego de técnica de procriação assistida post mortem.
CONSIDERAÇÕES
QUANTO À QUESTÃO SUCESSÓRIA (ARTS. 1.798 e 1.799, CC):
● As propostas apresentadas nesse ponto envolvem:
● i) a forma de manifestação de vontade do falecido para dar legitimidade ao cumprimento de seu 
direito reprodutivo prospectivo, calçada em sua autonomia; 
● ii) o direito à herança da pessoa fruto da reprodução, haja vista o princípio da igualdade entre os 
filhos; 
● iii) o limite temporal para uso do material genético após a morte; 
● iv) o resguardo dos direitos sucessórios que afeta não só a pessoa que foi fruto da reprodução 
póstuma, mastambém os demais herdeiros na divisão do patrimônio inventariado do falecido.
● A previsão de prazo para implantação do material genético seria uma opção legislativa para 
garantir maior segurança jurídica na sucessão póstuma (com os avanços biotecnológicos há a 
possibilidade de manutenção do material genético criopreservado por longo período de tempo), 
pelo que não seria viável atribuir direitos sucessórios ilimitados.
● O nascimento do filho para além dessas balizas afasta os direitos sucessórios, sem prejuízo dos 
vínculos de filiação e parentesco.
CONSIDERAÇÕES
OBRIGADA!
daniella.teixeira@unesp.br

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