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PROVA 2 
QUESTÕES 
1. Sejam aL1 = 20 aL2 = 10 aS1 = 5 e aS2 = 10. Uma vez que p1 = aL1w + aS1r = 
$210 e p2 = aL2w + aS2r = $120: 
a) Qual bem é trabalho-intensivo? Explique; 
b) Calcule os valores de w e r, e qual o efeito estimado de um aumento de 
$1 em p1 sobre w e r. Esse efeito está de acordo com o Teorema Stolper-
Samuelson? Explique; 
c) Sejam L = 32.500 e S = 20.000, quais as quantidades produzidas dos 
bens 1 e 2, e qual a alocação dos recursos dessa economia; 
d) Estime o efeito de um aumento da oferta de trabalho em 450 unidades 
sobre as quantidades produzidas dos bens 1 e 2, e sobre a alocação dos 
recursos dessa economia. Esse efeito está de acordo com o Teorema 
Rybczynski? Explique. 
2. Na prática, os grupos prejudicados pela globalização e pelo comércio tem 
tido igualmente sucesso em barrar a concorrência estrangeira ou obter 
compensações pelas perdas incorridas? Em sua resposta, considere os casos 
dos fabricantes de açúcar e dos trabalhadores com pouca qualificação 
educacional empregados em tarefas rotineiras no Rust Belt (Cinturão do 
Ferro no Nordeste dos Estados Unidos). 
3. Utilize o modelo padrão de comércio (síntese entre o modelo ricardiano e o 
modelo Hecksher-Ohlin) para analisar os efeitos do crescimento econômico 
dos países sobre a evolução dos seus termos de troca. 
4. Faça uma síntese do debate Keynes-Ohlin sobre os efeitos das reparações de 
guerra exigidas dos alemães no Tratado de Versailles sobre os termos de 
troca da economia alemã. 
5. Utilize o modelo padrão de comércio (síntese entre o modelo ricardiano e o 
modelo Hecksher-Ohlin) para analisar os efeitos de uma tarifa sobre 
importações sobre a evolução dos termos de troca de um país que a adote. 
RESPOSTAS 
2. Nos dois casos explicitados, os grupos prejudicados vêm sim tendo sucesso em barrar 
a concorrência estrangeira. A explicação é que os grupos que tendem a ganhar com o 
comércio e a globalização são geralmente menos organizados que os grupos que perdem. 
No caso dos produtores de açúcar, o valor do produto chegou a estar 60% maior do que 
o valor médio mundial. Na prática, isso representava apenas US$ 6 extra por ano para 
cada consumidor americano, o que geralmente não é um valor absurdo que faça um 
indivíduo ficar bravo e decida criar um protesto para que a proteção ao setor se vá. No 
entanto, os produtores perderiam bastante caso a proteção acabasse. Para eles, isso 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS 
INSTITUTO DE CIÊNCIAS GERENCIAIS E ECONÔMICAS
CIÊNCIAS ECONÔMICAS/NOITE – ECONOMIA 
INTERNACIONAL
representaria o ganha-pão mensal, não um valor ínfimo anual. É mais fácil para eles se 
unirem e protestarem por suas perdas. O caso do Cinturão do Aço nos EUA é similar e 
tem um ponto ainda mais político: Os estados que fazem parte do cinturão e sofrem 
diretamente com o problema do não protecionismo do aço são os chamados “swing 
states”, ou seja, são os estados que não votam necessariamente em um partido, mas que 
balançam para lá e para cá nas eleições dependendo de quem apoiar seus interesses. Para 
a população geral, o protecionismo do aço gera perdas (pequenas, mas ainda assim, 
perdas). Para a população dos swing states, ela é a diferença entre ter um salário ou não. 
Para o segundo grupo é mais fácil pressionar, e o governo sempre os ouvirá porque do 
contrário irão perder as eleições, uma vez que sua representatividade se faz sentida na 
corrida presidencial. 
3. Se os termos de troca de um país melhoram através do comércio, ele irá experienciar 
um crescimento econômico, uma vez que poderá passar a reinvestir e expandir sua 
produção. Segundo modelo padrão de comércio, o correto seria começar a exportar 
produtos capital-intensivo e importar produtos trabalho-intensivo, fazendo assim com que 
sua melhora nos termos de troca e enriquecimento continue valendo à pena. Por outro 
lado, é possível que haja uma piora momentânea nos termos de troca e o país ainda assim 
cresça, o que é chamado de crescimento empobrecedor: nessa situação, os termos de troca 
pioram devido a um aumento de capital, por exemplo, em um país que produz bens 
capital-intensivos para exportação. Apesar do aumento de capital, o país tem seus termos 
de troca piorado, já que sua oferta de produto aumenta. No entanto, em longo prazo, esse 
capital reinvestido da forma correta irá garantir que o país continue se expandindo. A 
piora nos termos de troca é apenas momentânea. 
4. Ao ter de transferir parte de sua renda para o exterior como forma de compensar os 
danos de guerra, a Alemanha veria uma diminuição na sua demanda por importações ao 
mesmo tempo que os pagamentos seriam convertidos em gastos governamentais maiores 
ou redução de impostos por parte dos recebedores. Os países da Tríplice Entente 
aumentariam sua demanda por importação, o que incluiria a demanda por produtos 
alemães. Essa era a argumentação de Ohlin, acreditando que a Alemanha não sofreria 
piora nos termos de troca. Keynes, por outro lado, argumentava que o oposto iria ocorrer. 
O pagamento das reparações viria ao custo de um barateamento das exportações alemães 
em comparação as suas importações. Isso faria com que ela aumentasse suas exportações, 
mas o valor adquirido não seria maior do que o anterior, o que simplesmente forçaria uma 
diminuição no consumo de importados, já que o preço relativo seria muito elevado 
comparado aos produtos nacionais. O ônus para Alemanha era duplo. 
5. Originalmente as tarifas sobre importação não teriam influência sobre os termos de 
troca, no entanto, segundo o modelo padrão de comércio, é possível perceber que as 
tarifas sobre importações tornam o produto importado dentro do país mais caros, o que 
aumenta o seu preço e faz com que os termos de troca do país que o impôs aumentem, 
uma vez que ele terá de compensar o consumo dos bens importados através de bens 
externos, o que aumenta a demanda por bens nacionais.

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