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Orientações didáticas Trabalhe com os estudantes o con- ceito de Constituição, entendida co- mo instrumento jurídico que regula o poder do governante e que deter- mina as competências, os direitos e os deveres dos cidadãos. É importan- te lembrar que aceitar a Constituição significava, para o rei e seus súditos, submeter-se à lei e restringir o poder absoluto do monarca. Na prática, o Estado passava a ser organizado e li- mitado pelas leis expressas na Cons- tituição, resultado dos trabalhos de uma Assembleia Constituinte. Lembre os estudantes que a Cons- tituição representa a lei máxima de um país. Chame a atenção deles para a grafia de algumas palavras no tre- cho selecionado da Constituição de 1824, escritas de acordo com normas ortográficas em vigor na época. Enfatize ainda que a renda de 100 mil-réis era considerada baixa. Boa par- te dos trabalhadores ganhava mais do que isso e estava apta a participar das eleições. Destaque que a Constituição representava avanços políticos, como a conquista, por parte da população brasileira, do direito de votar e ser vota- da. No entanto, a manutenção da es- cravidão significava uma limitação dos direitos civis. Após a discussão e a problematiza- ção dos conteúdos presentes no tex- to desta página, retome com os estudantes as questões iniciais da página 68. Comente que ser indepen- dente é poder agir com autonomia, livre de qualquer influência, mas con- siderando e respeitando as opiniões e as ideias de outras pessoas. Espera- -se que os estudantes afirmem que, na prática, o Brasil já era uma nação independente quando se tornou Rei- no Unido a Portugal e Algarves. Po- rém, foi só com a primeira Constituição que os brasileiros conquistaram a ci- dadania política. A Independência do Brasil, no entanto, não garantiu mu- danças significativas para o povo: a escravidão continuou existindo, o sistema de governo foi mantido e não foi dado nenhum benefício a grande parte da população que morava no Brasil. Como é possível observar, a in- dependência foi desencadeada pelos interesses das elites e atendeu princi- palmente a elas. A primeira Constituição do Brasil Com a Proclamação da Independência, dom Pedro recebeu o título de imperador e defensor perpétuo do Brasil. Em 25 de março de 1824, após vários desenten- dimentos com a elite que participou do processo de independência, dom Pedro outorgou a primeira Consti- tuição da nova nação. Veja o que diz o primeiro artigo dessa Constituição: Art. 1. O IMPERIO do Brazil é a associação Politica de todos os Cidadãos Brazileiros. Elles formam uma Nação livre, e independente, que não admite com qualquer ou- tra laço algum de união, ou federação, que se opponha á sua Independencia. BRASIL. Constituição Politica do Imperio do Brazil (de 25 de março de 1824). Disponível em: https://ijp.short.gy/PtSa1Q. Acesso em: 5. jul. 2021. Capa da primeira Constituição do Brasil, de 1824. Dom Pedro I, gravura de Francisco de Queiroz, 1826 (50 cm ×39 cm). R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J . R e p ro d u ç ã o /M u s e u I m p e ri a l, P e tr ó p o lis , R J . Com a Constituição, parte da população brasileira conquistou o direito à cida- dania política, ou seja, o direito de eleger seus representantes. No entanto, apenas homens livres maiores de 25 anos que tivessem uma renda mínima de 100 mil réis por ano podiam exercer esse direito. Estavam excluídos do direito ao voto: as mulheres, porque o voto era restrito aos homens; as pessoas escravizadas, porque não eram consideradas cidadãs; e os cida- dãos com renda menor do que 100 mil réis. O fato de o Brasil ser um Estado sobe- rano e ter uma Constituição não modificou a organização da sociedade brasileira. A prá- tica da escravidão continuou existindo, e o poder permaneceu concentrado nas mãos dos grandes proprietários de terra. outorgar: autorizar, conceder. Neste caso, dizer que a Constituição de 1824 foi outorgada significa dizer que ela foi imposta por dom Pedro. 70 106 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 106P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 106 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Atividade 1 Por meio do Poder Moderador, o imperador dominava os demais po- deres, estabelecendo ou revogando normas. Além de ter o voto diferencial em eleições, também podia nomear e demitir ministros. Com base nessas informações, oriente os estudantes na realização desta atividade, que con- templa os seguintes objetivos de al- fabetização e literacia: Localizar e retirar informação explícita; Fazer inferências diretas; interpretar e relacionar informações. Atividade 2 Oriente os estudantes a conversar com o administrador escolar para res- ponder a esta questão e obter mais informações sobre o documento. Falando sobre... Esta seção favorece a discussão e o entendimento de conceitos e ques- tões essenciais para a formação cida- dã dos estudantes. Um dos conceitos centrais é o da própria cidadania, propiciando também uma avaliação crítica de seu exercício nas diferentes esferas e espaços sociais. Junto à turma, estabeleça uma re- lação entre os itens reproduzidos nesta seção e a Constituição brasilei- ra atual. Espera-se que os estudantes notem que, em ambos os textos, são descritos direitos dos indivíduos de uma sociedade. Estimule a turma a considerar, inicialmente, a realidade da comunidade em que vivem para responder à questão da atividade e propor soluções. Para ampliar a refle- xão em uma esfera nacional, é possí- vel selecionar notícias de jornais e revistas que corroborem as opiniões expostas. A atividade desta seção contempla o seguinte objetivo de literacia: Ana- lisar e avaliar conteúdo e elemen- tos textuais. Além disso, favorece a troca de ideias, a escuta e a fluência em leitura oral. Proponha uma atividade que estabeleça uma relação entre o passado e o presente. Utilize o roteiro: 1. Retome o conceito de cidadania no presente e proponha uma pesquisa sobre os direitos das crianças definidos na Constituição de 1988. 2. Promova o levantamento de outros direitos que os estudantes considerem importantes e que não estejam contemplados na Constituição. Os estudantes deverão votar em qual seria a melhor pro- posta a ser incorporada à Constituição atual. 3. Oriente a turma na redação coletiva do novo item para a Constituição. A proposta pode ser encaminha- da como sugestão ao Plenário, por meio do site: https://kwx.short.gy/h9FIVq. Acesso em: 14 jul. 2021. Atividade complementar a) Que poderes eram exercidos pelo imperador? b) A forma de organização dos poderes no Império conferia amplos poderes ao imperador. Explique por quê. 2. Na escola onde você estuda, qual é o documento que estabelece direitos e deveres de todos os participantes do ambiente escolar? Responda oralmente. O Poder Moderador e o Poder Executivo. O Poder Moderador, exercido pelo imperador, estava acima dos outros poderes, o que lhe conferia o controle sobre todos eles. O documento é o regimento escolar. 1. A Constituição de 1824 estabelecia a existência de quatro poderes para gover- nar o país. Observe como se organizavam esses poderes e responda às ques- tões no caderno. Poder Moderador (Imperador) Poder Legislativo (Deputados e senadores) Poder Executivo (Imperador e ministros) Poder Judiciário (Juízes e Tribunais) Órgão maior: Supremo Tribunal de Justiça Não escreva no livro. Cidadania A Constituição de 1824, outorgada por dom Pedro I, manteve a escravidão e a grande propriedade como base da economia. Isso excluiu a maioria da população da cidadania. A cidadania plena inclui: • direitos civis: direitos fundamentais à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perante a lei; • direitos políticos: asseguram a participação docidadão no governo por meio de eleições, partidos e outras formas de demonstração política; • direitos sociais: garantem a participação dos cidadãos na riqueza coletiva; compreendem o direito à educação, à saúde, a um salário justo, entre outros. De 1822 até hoje, o Brasil passou por diversas mudanças, mas muitos desses direitos ainda não são garantidos a todos os cidadãos brasileiros. 1. Converse com os colegas e, juntos, pensem em soluções para ampliar esses direitos para o maior número possível de pessoas no Brasil. Resposta pessoal. Leia orientações para a atividade neste Manual do Professor. FALANDO SOBRE... 71 107 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 107P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 107 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Ler o mundo: História viva O Monumento da Independência está localizado na praça da Inde- pendência, no município de Santos (SP). De autoria do escultor Antonio Sartori, o monumento foi escolhido por meio de um concurso e elabo- rado especialmente para marcar a efeméride. Para saber mais sobre esse monumento, consulte o link da Assembleia Legislativa do estado de São Paulo: https://kwx.short.gy/fn8A8E. Acesso em: 14 jul. 2021. A fotografia do Monumento da Independência reproduzida nesta página permite suscitar uma discus- são sobre a função dos monumentos como marcos da memória coletiva de uma comunidade. Já o monumento dedicado à heroí- na da Independência, Maria Quitéria de Jesus Medeiros, foi erguido em Salvador pela prefeitura da cidade em homenagem ao centenário de morte da combatente. Antes de propor a realização das atividades, peça a turma que leia a legendada fotografia e questione os motivos que fizeram a combatente optar pelo disfarce de soldado para que pudesse lutar. Sugerimos que o professor assista com os estudantes à animação Mulan (Disney, 1998) e compare as duas histórias. Aproveite para discutir por que heroínas mulhe- res são menos presentes na história. Essa conversa pode ser retomada durante a atividade 3. Para finalizar, solicite aos estudan- tes que recontem a história da anima- ção e da heroína baiana, em casa, para os familiares e que selecionem o trecho que mais gostaram para con- tar na sala de aula. Converse com a turma sobre aquilo que viram e aprenderam, bem como sobre aquilo que mais ou menos gostaram. O trabalho com educação patrimonial e com o conceito de patrimônio proposto nesta seção pode ser apoiado pelo trecho a seguir: O patrimônio cultural se manifesta, assim, como um conjunto de bens e valores [...] expressos em palavras, imagens, objetos, monumentos e sítios, ritos e celebrações, hábitos e atitudes [...]. Trabalhar com a educação patrimonial não pode ser uma tarefa de passagem de informações e discursos pré-fabricados, mas levar o educando [...] a procurar entender a linguagem cultural específica utilizada naquelas manifestações e envolver-se efetivamente com elas [...]. HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; GRUNBERG, Evelina; MONTEIRO, Adriane Queiroz. Guia básico de educação patrimonial. Brasília/Rio de Janeiro: Iphan/Museu Imperial, 2009. p. 29. Para saber mais LER O MUNDO: HISTÓRIA VIVA Monumentos da história do Brasil O monumento é uma construção erguida para comemorar um acontecimento importante ou homenagear pessoas. Esse tipo de construção também tem um ca- ráter artístico, ou seja, é dotado de beleza estética. Os monumentos têm a função de preservar a memória de fatos importantes para determinadas comunidades. As cidades apresentam monumentos históricos que simbolizam acontecimentos significativos para a história de uma nação, de um estado ou de uma comunidade. A Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, é um exemplo de fato marcante. Há vários monumentos em homenagem a esse acontecimento histórico e a pessoas que lutaram por ele. Observe dois deles nas fotografias abaixo. O Monumento da Independência foi criado em 1922 como parte das comemorações do centenário da Independência do Brasil. Localizado na praça da Independência, em Santos (SP), é dedicado a José Bonifácio, conhecido como o patriarca da Independência, e a seus irmãos. Foto de 2017. R u b e n s C h a v e s /F o lh a p re s s Monumento a Maria Quitéria de Jesus, erguido em 1953, em Salvador (BA). Maria Quitéria de Jesus (1792-1853) foi uma combatente que se destacou na luta pela independência na Bahia. Por sua bravura em combate, foi saudada pela população baiana e condecorada pelo Imperador dom Pedro I. Foi a primeira mulher a assentar praça nas Forças Armadas. M a u ro A k iin N a s s o r/ F o to a re n a 72 108 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 108P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 108 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Atividade 1 Espera-se que os estudantes reco- nheçam que os monumentos são feitos para rememorar acontecimen- tos ou pessoas marcantes da História. Nesse sentido, são construídos para permanecer ao longo do tempo. Atividade 2 Avalie se os estudantes apresentam uma atitude positiva em relação à pre- servação dos monumentos históricos, condenando o vandalismo e o abando- no. Liste previamente os monumentos importantes da cidade ou da região em que a turma vive, para que investiguem mais informações sobre essas constru- ções e se apropriem de sua história. Atividade 3 Para realizar a atividade, faça uma lista das personalidades históricas de sua região e divida a sala em grupos. É importante que haja um equilíbrio en- tre homens e mulheres na lista. Atribua cada personalidade a um grupo e oriente o grupo a pesquisar na internet ou na biblioteca da escola. Na folha avulsa, é importante que os estudantes justifiquem por que razão tal persona- lidade é relevante, ou seja, qual a con- tribuição dela para a vida e o bem-estar da sua comunidade. Na data marcada para a apresentação dos trabalhos, pe- ça a cada grupo para escolher um por- ta-voz e expor os resultados. Comente cada um deles, incentivando a produ- ção dos estudantes. Outra sugestão é que os estudantes gravem um vídeo sobre monumento ou patrimônio do município ou da re- gião em que vivem, conforme o roteiro: Selecionem um monumento ou exemplar do patrimônio material ou imaterial: edificações, praças, sítios arqueológicos, danças, festas, tradi- ções etc. Gravem um vídeo com o celular, apresentando o local selecionado explicando a importância e os moti- vos pelos quais ele representa essa comunidade e deve ser preservado. Se desejar aprofundar o assunto, consulte o material produzido pela Unesco. “Patrimônio mundial em mãos jovens”: Disponível em: https:// kwx.short.gy/g0gVXR. Acesso em: 6 abr. 2021. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Interpretar e relacionar informações; analisar e avaliar conteúdo e elementos textuais. Também favorece a pesquisa, a troca de ideias, a escuta, a expressão oral e a produção de texto escrito. 1. Na sua opinião, qual é a função dos monumentos históricos? 2. Nosso patrimônio cultural e natural está constantemente ameaçado de desa- parecer. As guerras, os desastres naturais, o crescimento desordenado das ci- dades, a falta de investimento e o abandono colocam em risco a preservação do patrimônio em diferentes lugares do mundo. Observe a fotografia abaixo e responda às questões. Resposta pessoal. Leia orientações para esta atividade neste Manual do Professor. a) No caderno, dê exemplos de problemas que dificultam a preservação do patri- mônio no local em que você vive. b) Discuta com os colegas: Por que é importante preservar os monumentos históricos? 3. Os monumentos nas ruas e praças das cidades prestam homenagem a homens e mulheres que se destacaram em suas comunidades. No entanto, muitos per- sonagens importantes são deixados de fora ou são esquecidospela História. Em grupos, escolham uma personalidade da comunidade em que vivem e que vocês consideram que deveria ser homenageada. Façam uma pesquisa sobre ela e produzam um texto, em folha avulsa, justificando essa escolha com ar- gumentos e documentos (fotos, textos, objetos) que comprovem a relevância dessa pessoa na comu nidade. Divulguem o texto nas redes sociais. Resposta pessoal. Leia orientações para esta ativi- dade neste Manual do Professor. Resposta pessoal. Leia orientações para esta atividade neste Manual do Professor. Atividade de pesquisa. Leia orientações para a atividade neste Manual do Professor. Monumento em homenagem ao escritor Jorge Amado, em Salvador (BA), em foto de 2018. A estátua foi vandalizada em uma tentativa de roubo. R o m il d o d e J e s u s /F u tu ra P re s s Não escreva no livro. 73 109 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 109P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 109 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Rede de conhecimentos Esta seção destaca aspectos do cotidiano da escravidão a partir de duas gravuras do artista francês Jean- -Baptiste Debret. Retome a gravura da página 56, no capítulo 3, e apre- sente à turma as características do trabalho de Debret. É importante refletir sobre o uso de fontes no ensino e na construção do conhecimento histórico. O traba- lho com fontes em sala de aula pode ser pensado sob dois aspectos prin- cipais: mostrar aos estudantes as fontes a partir das quais o conheci- mento histórico é produzido e per- mitir uma visão mais concreta em relação ao passado. Além de evidências sobre o passa- do, as fontes permitem a mobilização da “imaginação histórica”, como apon- ta o historiador Peter Burke. O uso de imagens por his- toriadores não pode e não deve ser limitado à “evidência” no sentido estrito do termo [...]. Deve-se também deixar espa- ço para o que Francis Haskell denominou “o impacto da ima- gem na imaginação histórica”. Pinturas, estátuas, publicações e assim por diante permitem a nós, posteridade, compartilhar as experiências não verbais ou o conhecimento de culturas passadas [...].Em resumo, ima- gens nos permitem “imaginar” o passado de forma mais vívida. [...] O uso de imagens, em dife- rentes períodos, como objeto de devoção ou meios de persuasão, de transmitir informação ou de oferecer prazer, permite-lhes testemunhar antigas formas de religião, de conhecimento, crença, deleite, etc. Embora os textos também ofereçam indí- cios valiosos, imagens consti- tuem-se no melhor guia para o poder de representações visuais nas vidas religiosa e política de culturas passadas. BURKE, Peter. Testemunha ocular: histó- ria e imagem. Tradução de Vera Maria Xavier dos Santos. Bauru: Edusc, 2004. p. 16-17. Para saber mais Um exercício interessante com os estudantes é se colocar no lugar de Debret. Como o artista tra- balhava? Ele desenhava nas ruas ou pintava de memória em seu ateliê? Como seria feito esse mesmo registro nos dias de hoje? O professor pode convidar os estudantes a documentar uma cena do cotidiano em sua comuni- dade usando os recursos do celular. O que eles escolheriam registrar? Por quê? Como fariam para manter preservado esse registro? Essas questões, além de colocar o estudante como protagonista no processo de aprendizagem, pode ajudar a entender o papel dos documentos para o conhecimento histórico. É desejável fazer uma parceria com o professor de artes se quiser aprofundar a atividade. Atividade complementar O cotidiano da escravidão no Brasil Jean-Baptiste Debret chegou ao Brasil em 1816 e aqui permaneceu até 1831. Debret era um dos integrantes da Missão Artística Francesa, grupo de artistas e artesãos franceses que veio ao Brasil a convite de dom João VI para fundar uma academia de Belas Artes no Rio de Janeiro. Observe duas obras desse artista. Casamento de negros de uma casa rica, de Jean-Baptiste Debret, 1826 (litografia colorida à mão, de 34 cm × 49 cm). Gravura representando cortejo fúnebre de criança negra, de Jean-Baptiste Debret, 1826 (litografia colorida à mão, de 34 cm × 49 cm). R e p ro d u ç ã o /M u s e u s C a s tr o M a y a , R io d e J a n e ir o , R J . R e p ro d u ç ã o /M u s e u s C a s tr o M a y a , R io d e J a n e ir o , R J . 1 2 Não escreva no livro. REDE DE CONHECIMENTOS 74 110 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 110P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 110 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Atividade 1 Na gravura Casamento de negros de uma casa rica, Debret retrata uma ce- rimônia de casamento entre negros, representados no interior de um salão com trajes ricamente decorados no estilo ocidental. As roupas e o ambien- te sugerem hábitos europeus, assim como a cerimônia do casamento na presença de um padre católico. Em uma visão contrastante, a obra Cortejo fúnebre de criança negra retra- ta uma cerimônia predominantemen- te africana. É possível perceber a diferença na representação em fun- ção das roupas, tipicamente africanas, do tipo de caixão e da ausência, entre os participantes, de símbolos religio- sos cristãos, como a cruz. A comparação e a análise dessas duas imagens permitem aos estudan- tes perceber que os negros, mesmo adotando alguns hábitos culturais dos brancos, mantinham aspectos de sua cultura e tradição, processo denomina- do de aculturação pela Antropologia. A atividade contempla os seguintes objetivos de alfabetização e literacia: Fazer inferências diretas; interpre- tar e relacionar ideias e informa- ções. O texto dessa seção pode ser lido em voz alta por um ou mais estudan- tes, visando a fluência em leitura oral. Atividade 2 Estimule os estudantes a refletir so- bre exemplos de influência da cultura africana em aspectos que fazem parte da vida deles e a pesquisá-los. É im- portante que o costume tenha relação com o espaço de vivência do estudan- te, tornando a atividade de pesquisa e a aprendizagem mais significativas. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Interpretar e relacionar informa- ções; analisar e avaliar conteúdo e elementos textuais. Favorece ainda a pesquisa, a troca de ideias, a escuta, a expressão oral e a produção de escrita. Atividade 3 Entre outras fontes, sugira aos estu- dantes que consultem o acervo da Biblioteca Nacional, que disponibiliza um projeto específico sobre o tema no link: https://kwx.short.gy/t1XH4Z (aces- so em: 7 ago. 2021). Auxilie os estudan- tes na organização das imagens selecionadas e na escolha da melhor forma para divulgar esse material. https://kwx.short.gy/rDuUd4. Acesso em: 17 jul. 2021. O link da Enciclopédia Itaú Cultural apre- senta informações sobre Jean-Baptiste Debret e outras representações do cotidiano de escraviza- dos feitas pelo artista. Para saber mais Debret viajou pelo Brasil e registrou em suas obras as paisagens do país e o co- tidiano de seus habitantes. O artista deu atenção especial à diversidade da cultura afro -brasileira que encontrou no Brasil. Os africanos trouxeram consigo tradições e costumes religiosos de seu continente, que se fundiram com alguns costumes dos europeus. Leia a seguir um trecho escrito por Debret sobre a escravidão no Brasil: Tudo assenta pois, neste país, no escravo negro; na roça, ele rega com seu suor as plantações do agricultor; na cidade, o comerciante fá-lo carregar pesados fardos; se pertence ao capitalista, é como operário ou na qualidade de moço de recados que aumenta a renda do senhor. Mas, sempre mediocremente alimentado e mal- tratado […] DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia/São Paulo: Edusp, 1989. t. II, p. 13. Agora que você leu o texto acima e observou atentamente às duas imagens da página anterior,leia o enunciado a seguir e, depois, responda no caderno às questões abaixo. 1. As obras de Debret são importantes fontes históricas e fazem parte de nossa memória cultural. A partir das representações do cotidiano dos escravizados no Brasil feitas por Debret, podemos aprender um pouco sobre aspectos da cultura afro -brasileira no período imperial. Com base nas imagens de Debret da página anterior, responda no caderno: a) Quais costumes foram retratados nas obras reproduzidas? b) Identifique a obra que retrata um costume africano e a que retrata um costume europeu. Justifique sua resposta. 2. Faça uma pesquisa em livros ou na internet e anote no caderno costumes atuais que revelem a influência da cultura africana na sociedade brasileira. Depois, troque com um colega para ver que costumes ele anotou. 3. Em grupos, pesquisem e organizem um dossiê de imagens sobre a cultura afro -brasileira no Brasil. Para organizar o trabalho, sigam o roteiro abaixo. • Selecionem diferentes fontes, como livros, obras de referência e internet. • Escolham imagens que documentem diferentes aspectos da cultura afro -brasileira. • Organizem as imagens selecionadas e elaborem legendas. • Discutam a melhor forma de divulgar o material produzido. Um casamento e um cortejo fúnebre. A obra 1 retrata um costume europeu e a obra 2 retrata um costume africano. 1. b) Na imagem 1, as roupas, a postura e o ambiente, bem como a presença de símbolos cristãos, sugerem hábitos europeus. Já na imagem 2, o modo de se vestir é africano (peito nu, pés descalços e objetos equilibrados na cabeça) e não há símbolos religiosos cristãos (como a cruz) na cerimônia, revelando contraste entre costumes europeus e africanos. Para casa Podem ser indicados a capoeira, o candomblé, o samba, a feijoada, entre outros. Atividade de pesquisa. Leia orientações para conduzir a pesquisa neste Manual do Professor. 75 111 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 111P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 111 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Mais atividades Atividade 1 Os estudantes devem identificar os marcos indicados ao longo do texto deste capítulo para a realização desta atividade. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Interpretar e relacionar ideias e informações; analisar e avaliar con- teúdo e elementos textuais e gráfi- cos. Desenvolve ainda a representação de uma linha do tempo, além de apri- morar a produção de escrita. Atividade 2 Espera-se que, além de notar a cor da pele da mulher e o fato de ela es- tar descalça, os estudantes percebam a sua condição social pela função que exerce na representação: ela anda atrás do homem e carrega seus uten- sílios. Após realizar a análise do deta- lhe da gravura, destaque que a estrutura social colonial foi pouco alterada com o processo de Indepen- dência do Brasil. 1. No caderno ou em uma folha avulsa, trace uma linha do tempo como a do mo- delo abaixo. Deixe um espaço entre uma data e outra e depois copie, em ordem cronológica, os acontecimentos listados na sequência. Para casa A. Proclamação da Independência do Brasil. B. Dom João VI retorna a Portugal por causa da Revolução do Porto. C. Instalação da Corte portuguesa no Brasil e abertura dos portos às nações amigas. D. Dom Pedro outorga a primeira Constituição do Brasil. E. Diante das ameaças da França, dom João decide transferir a Corte portuguesa para o Brasil. F. Elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves. 2. Observe a gravura e responda às questões no caderno. a) Qual é a condição social das duas pessoas representadas por Debret em pri- meiro plano nesta gravura? b) A ordem social re- tratada na obra so- freu alguma mu- dança em razão da Independência do Brasil? O homem faz parte da elite e a mulher é escravizada. Não, a escravidão con- tinuou a existir. Oficial da Corte indo ao palácio (detalhe), de Jean-Baptiste Debret, 1822 (litografia colorida à mão, de 49 cm × 34 cm). R e p ro d u ç ã o /M u s e u s C a s tr o M a y a , R io d e J a n e ir o , R J . 1. Na ordem cronológica: 1807: E; 1808: C; 1815: F; 1821: B; 1822: A; 1824: D. 1807 1808 1824182218211815 Não escreva no livro. Esta linha do tempo não representa o intervalo entre as datas de modo proporcional. MAIS ATIVIDADES 76 112 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 112P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 112 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Orientações didáticas Atividade 3 Para realizar a atividade, oriente os estudantes a relerem o texto da pági- na 68. Esse é um bom momento para esclarecer as dúvidas que tenham fi- cado da leitura do texto. Ajude os estudantes a entender por que as alternativas I e III estão incorretas. É possível propor uma correção, pedin- do que eles reescrevam as frases de modo a apresentarem os fatos corre- tamente. Como sugestão: I. Em Portugal, a Revolução do Por- to, em 1820, exigia a volta da mo- narquia portuguesa para Portugal. Esse movimento de pressão im- pactou a Independência do Brasil, que acabou acontecendo dois anos depois. III. O conflito entre portugueses e bra- sileiros no contexto da Indepen- dência acalorou os ânimos e os portugueses passaram a exigir o retorno do Brasil à situação de co- lônia, o que não ocorreu por causa da declaração de Independência. Atividade 4 Espera-se que os estudantes te- nham compreendido que a Constitui- ção é a lei máxima do país e, por isso, nossa primeira constituição é um mar- co da memória nacional. Para o item b, é possível consultar a Constituição em uma biblioteca ou acessá-lo no site do Palácio do Planalto. Disponível em: https://kwx.short.gy/N7t55l. Acesso em: 14 jul. 2021. Venha descobrir! Oriente os estudantes a acessar o site sugerido na sala de informática da escola ou em casa. Se possível, incentive-os a buscar a história em quadrinhos sugerida em bibliotecas, seja na escola, seja na comunidade. 3. Com relação ao processo de Independência do Brasil em 1822, transcreva no caderno a alternativa correta. I. Em Portugal, a Revolução do Porto, em 1820, exigia a volta da monarquia portuguesa para Portugal. Esse movimento de pressão impactou a Indepen- dência do Brasil, que acabou não acontecendo. II. O movimento pela Independência do Brasil emergiu da pressão de parte da elite política brasileira contra os portugueses. Em 7 de setembro de 1822, por fim, o Brasil rompeu os laços de dependência com Portugal e passou a se chamar Império do Brasil. III. O conflito entre portugueses e brasileiros no contexto da Independência acalorou os ânimos e os portugueses passaram a exigir o retorno do Brasil à situação de colônia, o que de fato aconteceu. 4. Releia o artigo 1º da Constituição de 1824, na página 70, e responda no caderno: a) Por que esse documento é tão importante para a história do Brasil? b) Faça uma pesquisa para descobrir o que diz o artigo 1º da atual Constituição do Brasil. Quantos anos se passaram? O que mudou e o que permaneceu? X 4. a) O documento é a primeira Carta Magna do país, que traz o conjunto de leis que marca o início do Bra- sil como país independente e soberano. A atual Constituição do Brasil foi promulgada em 1988, portanto são 164 anos. O artigo 1º da Constituição tem como fundamentos hoje: a dignidade humana; os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; o pluralismo político; além disso, a soberania e a cidadania não se modificaram. VENHA DESCOBRIR! ◆ 1808 – A família real no Brasil. Disponível em: https://tedit.net/J7QxKP. Acesso em: 5 jul. 2021. Documentário sobre a chegada da família real ao Brasil, contada pelo jornalista Laurentino Gomes, autor do livro 1808, sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil. ◆ Dom João carioca, de LiliaMoritz Schwarcz e Spacca, Cia. das Letras. Nesta história em quadrinhos, a historiadora Lilia Schwarcz e o ilustrador Spacca contam a história da chegada da família real ao Brasil de forma leve e bem-humorada sem abrir mão do rigor histórico. R e p ro d u ç ã o /C a rm e m S o d ré e L a u re n ti n o G o m e s Não escreva no livro. R e p ro d u ç ã o /E d it o ra C o m p a n h ia d a s L e tr a s 77 113 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 113P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 113 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM A CULTURA DO CAFÉ E O FIM DA ESCRAVIDÃO CAPÍTULO 5 A cultura do café Em sua opinião, qual é a importância do café para a economia brasileira? O café é um dos produtos de exportação mais importantes para a economia brasileira. No primeiro semestre de 2017, o café brasileiro chegou a 113 países, segundo dados da Empresa Bra- sileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No passado, sua importância era ainda maior. Entre 1850 e 1920, o café corres- pondia a três quartos (ou 75%) de tudo o que o Brasil exportava. Resposta pessoal. Fonte: elaborado com base em ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. 17. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 43. A produção do café se difundiu do litoral fluminense para grande parte do estado de São Paulo, o sul de Minas e o Espírito Santo. No século XX, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás também se tornaram produtores. Na colheita, fase mais trabalhosa da produção do café, exigia-se muito dos es- cravizados. Era comum oferecer benefícios para estimular o rendimento do traba- lho, como roupas novas e dinheiro. No entanto, os castigos corporais continuavam sendo aplicados na rotina do trabalho escravo. B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra OCEANO ATLÂNTICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 50° O Rio de Janeiro Resende Taubaté São Sebastião São Paulo Santos Ribeirão Preto Araraquara Campinas Sorocaba Paraty Angra dos Reis Ubatuba Lorena Vassouras Bananal Caraguatatuba Jacareí São Luís do Paraitinga Guaratinguetá Rio Paraíba do Sul Rio Tietê Rio Pardo Rio P ara n á R io Paranapanem a R io Grande SÃO PAULO MATO GROSSO DO SUL MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO ESPÍRITO SANTO PARANÁ ESCALA Quilômetros 0 80 160 Início do século XIX Década de 1830 Década de 1850 Década de 1880 LEGENDA Brasil: expansão do café – início do século XIX até 1880 GooDween123/Shuttersto ck Grãos de café torrados. 78 Orientações didáticas O objetivo central do capítulo é proporcionar aos estudantes a com- preensão da inter-relação entre a cul- tura cafeeira e a luta pela abolição do regime escravista. Para isso, trata-se das principais transformações da so- ciedade brasileira na segunda meta- de do século XIX. A EF05HI05 é mobilizada na abor- dagem da luta contra a escravidão e a injustiça inerente a esse sistema de exploração do trabalho. O tema dos direitos humanos e a noção de que a cidadania se relaciona à conquista histórica de direitos também estão presentes. A EF05HI09 é mobilizada ao tratar do combate ao trabalho em condições análogas à escravidão. O texto e as atividades se reportam aos princípios da cidadania e à Declara- ção Universal dos Direitos Humanos. Também se permite a interlocução com a CECH1 e a CECH4, pois ao abordar os grupos sociais do Brasil no século XIX e propor um trabalho com luta contra a escravidão e a herança cultural africana, enfatiza o respeito à diferença e a valorização da diversi- dade de indivíduos e grupos sociais. Nesse sentido, também a CEH1 e a CEH3 são mobilizadas, a partir de textos e atividades que relacionam acontecimentos históricos a relações de poder. O capítulo possibilita igual- mente o trabalho com o TCT Cida- dania e civismo, ao propiciar o aprofundamento da Educação em direitos humanos. Orientações didáticas Converse com os estudantes sobre a questão inicial da página 78, que permite avaliar saberes prévios da turma e introduzir o assunto. Nesse momento é importante ressaltar que, como no passado, o café ainda é um dos produtos de exportação mais importantes no Brasil. Em seguida, analise com a turma o mapa sobre a expansão da produção do café no século XIX. Mostre que no período essa produção se difundiu do litoral para grande parte do inte- rior do estado de São Paulo. Comente que foi durante o reinado de dom Pedro II que o café se tornou líder nas exportações brasileiras. O pro- duto adquiriu tanta importância eco- nômica na história nacional como a cana-de-açúcar e o ouro, tendo sido a base da economia do Império até a Primeira Re- pública (1889-1930). A mão de obra utilizada no início da lavoura de café era também de escravi- zados, mas, entre o fim do século XIX e o início do XX, foi substituída pela mão de obra imigrante assalariada. Com o desenvolvimento da cultura cafeeira no vale do Paraíba, entre São Paulo e Rio de Janeiro, novos setores da sociedade ascende- ram à elite econômica e política brasileira. Os proprietários de terra dessa região enriquece- ram e obtiveram títulos de nobreza da Coroa. Eles eram conhecidos como “barões do café” e compunham a base do governo imperial. 114 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 114P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 114 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM Café e modernidade O dinheiro acumulado com a exportação de café permitiu que o Brasil desse os primeiros passos em direção à industrialização. Entre 1840 e 1860, produtos manufaturados – como cha- péus, tecidos, calçados, entre outros –, antes im- portados, começaram a ser produzidos no Brasil. A economia do café também levou à implan- tação das primeiras estradas de ferro. A primeira ferrovia, Estrada de Ferro Petrópolis, foi inaugura- da em 1854 e ligava o porto de Mauá, na baía de Guanabara, à raiz da serra da Estrela, atual Magé. Em 1867, foi inaugurada a primeira ferrovia paulista, a Estrada de Ferro Santos- -Jundiaí. Antes de sua construção, o café produzido no interior de São Paulo era transportado por tropas de mulas. A construção da ferrovia tornou o transporte do café até o porto de Santos mais rápido e eficiente. 1. Compare os gráficos a seguir e responda às questões no caderno. Primeira locomotiva da Estrada de Ferro Recife-São Francisco, em foto de Augusto Stahl, de 1858. Fonte: elaborado com base em Comércio Exterior do Brasil, n. 1, C.E. e n. 12-A do Serviço de Estatística Econômica e Financeira do Ministério da Fazenda. In: SILVA, Hélio Schlitter. Tendências e Características Gerais do Comércio Exterior no Séc. XIX. Revista de Economia Brasileira, p. 8, jun. 1953. a) Qual produto teve o maior crescimento e quais tiveram a maior diminuição no volume de exportação de um período para outro? b) Quais produtos o Brasil começou a exportar na década de 1880? c) A que conclusão se pode chegar sobre o nordeste brasileiro, que centralizava a produção de açúcar? 2. Converse com os colegas sobre quais foram as principais mudanças que ocor- reram no Brasil por causa da economia do café. Crescimento: café. Diminuição: couros/peles, algodão e açúcar. A erva-mate e a borracha. Os primeiros passos na industrialização do país e a implantação das primeiras estradas de ferro. café açúcar tabaco erva-mate algodão cacau borracha couros/peles 1821-1830 1881-1890 outras mercadorias 61,5% 9,9% 2,7% 3,2% 7,7%8% 1,6% 1,2% 4,2% 30,1% 18,4% 14,3% 13,6%0,5% 20,6% 2,5% A u g u s to S ta h l/ C o le ç ã o G ilb e rt o F e rr e z/ In s ti tu to M o re ir a S a lle s B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra Com a diminuição das exportações de açúcar, o nordeste do Brasil entrou em crise. Brasil: exportação de mercadorias – século XIX Não escreva no livro. 79 Orientações didáticasAtividade 1 Analise os gráficos com os estu- dantes para que eles sejam capazes de interpretar as informações apre- sentadas. O portal Nova Escola dispo- nibiliza artigos e planos de aula para subsidiar o trabalho com gráficos, em atividade interdisciplinar com a área de Matemática. Esse material orienta a organização de informações em gráficos e tabelas e está disponível em: https://kwx.short.gy/CX1kUE (acesso em: 7 ago. 2021). A atividade contempla os seguin- tes objetivos de alfabetização e lite- racia: Interpretar e relacionar ideias e informações por meio de leitura de gráfico; Análise e comparação de gráficos; Fazer inferências dire- tas. Essa atividade contribui para a consolidação dos conhecimentos de literacia e alfabetização, desenvolven- do a leitura e a interpretação de da- dos presentes em gráficos. Atividade 2 Auxilie os estudantes a resgatar no texto as informações necessárias para subsidiar essa conversa. Se considerar pertinente, aproveite o momento pa- ra apresentar outros exemplos de modernização em decorrência pelo sucesso da cultura cafeeira, como a urbanização de cidades como São Paulo e outras do interior do estado paulista, nas quais houve a constru- ção de grandes obras e vias públicas. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Analisar e avaliar conteúdo e ele- mentos textuais. Favorece ainda a troca de ideias, a escuta e a fluência em leitura oral. 115 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 115P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 115 8/17/21 4:41 PM8/17/21 4:41 PM