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O MÍNIMO SOBRE FACISMO Karen Moura & Kemily Rodrigues 1ª edição — fevereiro de 2023 — CEDET Copyright © Karen Moura e Kemily Rodrigues, 2023 Os direitos desta edição pertencem ao CEDET — Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico Av. Comendador Aladino Selmi, 4630 Condomínio GR Campinas 2 — módulo 8 CEP: 13069-096 — Vila San Martin Campinas-SP Telefones: (19) 3249–0580 / 3327–2257 E-mail: livros@cedet.com.br CEDET LLC is licensee for publishing and sale of the electronic edition of this book CEDET LLC 1808 REGAL RIVER CIR - OCOEE - FLORIDA - 34761 Phone Number: (407) 745-1558 e-mail: cedetusa@cedet.com.br Editor: Thomaz Perroni Editor assistente: Felipe Denardi Capa: José Luiz Gozzo Sobrinho Diagramação: Virgínia Morais Conselho editorial: Adelice Godoy César Kyn d’Ávila Silvio Grimaldo de Camargo FICHA CATALOGRÁFICA Moura, Karen; Rodrigues, Kemily O mínimo sobre fascismo / Karen Moura e Kemily Rodrigues Campinas, SP: O Mínimo, 2023. isbn: 978-65-85033-06-0 1. Ciência política I. Título II. Autor cdd — 320 ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO: 1. Ciência política – 320 www.ominimoeditora.com.br Reservados todos os direitos desta obra. Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer meio ou forma, seja ela eletrônica, mecânica, fotocópia, gravação ou qualquer outro meio de reprodução, sem permissão expressa do editor. Sumário AS ELEIÇÕES DE 2022 E A BANALIZAÇÃO DO TERMO O QUE É FASCISMO LÍDERES FASCISTAS: BENITO MUSSOLINI X ADOLF HITLER FASCISMO: DIREITA OU ESQUERDA? NAZISMO, FASCISMO E COMUNISMO: TRÊS CABEÇAS DA MESMA HIDRA BIBLIOGRAFIA NOTAS DE RODAPÉ H AS ELEIÇÕES DE 2022 E A BANALIZAÇÃO DO TERMO oje, após a conturbada eleição presidencial de 2022 no Brasil, faz-se necessário escrever uma pequena atualização deste manual. É desnecessário dizer que, durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, muito se utilizou (erroneamente) o termo fascista para caracterizar o mandatário e a sua administração. Aparentemente, do dia para a noite, uma parte da população brasileira — aqui dando uma ênfase aos meios de comunicação — sabia exatamente a definição do termo e achava por bem empregá-lo para descrever as atitudes e políticas de governo adotadas pelo então Presidente da República. Tal prática tornou-se ainda mais corriqueira durante o pleito eleitoral de 2022, quando o então Chefe do Executivo disputava contra um ex-condenado sua reeleição. Foi um período em que a máxima leninista do “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é” era empregada de forma nada sutil por todo o establishment que operava a volta da esquerda ao poder. Analisando brevemente o cenário político, percebe-se agora mais do que nunca a importância deste manual para entender (e rebater) muitos dos argumentos estapafúrdios que se ouve por aí. Correlacionar um regime ditatorial como o fascismo com as políticas adotadas por Jair Bolsonaro beira a insanidade, visto que são práticas diametralmente opostas. É preciso analisar friamente os últimos acontecimentos da política brasileira para que, fazendo um comparativo, se possa julgar quem é que verdadeiramente mais se assemelha ao regime em questão. Ao longo desta obra, veremos como o fascismo trabalha; veremos que é através da intervenção maciça do Estado na vida da população, com o controle dos meios de comunicação, censura de jornais, redes sociais, parlamentares, jornalistas e pessoas comuns, que a história começa a ser construída e narrada da maneira que melhor beneficia quem está no poder. O aparelhamento das instituições, com grande ênfase ao Poder Judiciário, torna o processo ainda mais ditatorial através do silenciamento e da prisão. O O QUE É FASCISMO fascismo é um sistema político nacionalista e um tipo de governo onde todas as esferas da sociedade são controladas pelo Estado. Surgido na Itália, em 1919, no fim da Primeira Guerra Mundial, durou até 1943. Liderado por Benito Mussolini, influenciou regimes políticos em vários países da Europa, como a Alemanha e a Espanha no período entre guerras. As principais características do fascismo são: Estado totalitário um regime fascista era representado por um Estado controlador, não apenas em âmbito nacional, mas também relativamente à vida privada da população, que exercia um domínio político absoluto. O Estado em si era todo estruturado para atender unicamente as demandas do partido, representado pelo seu líder. Além disso, cultivava-se a ideia de que a política tinha muito mais valor do que a economia, tanto é que não existia nessa lógica qualquer tipo de sistema de “freios e contrapesos” ou divisão de poderes, como existe em qualquer democracia. Logo após o término da Primeira Guerra Mundial, o termo totalitarismo foi utilizado para se referir à Itália fascista de Mussolini e à Rússia socialista de Stálin. Autoritarismo a autoridade do líder era indiscutível, pois ele era reconhecido como uma figura transcendental. O próprio Hitler certa vez escreveu: “A partir de hoje, acredito que estou agindo de acordo com a vontade do Poderoso Criador”.1 Os líderes autoritários sabiam (ou achavam que sabiam), melhor do que as próprias pessoas, o que elas queriam. A soberania popular era repassada integralmente a este líder, respeitado pela população, a qual lhe prestava obediência absoluta. Para Mussolini, a soberania popular só poderia ser garantida “através da delegação absoluta do poder ao líder, que governava pela força, não pelo consenso”.2 Onde reinava o autoritarismo não havia espaço para manifestações ou consulta ao povo acerca de qualquer assunto. Nacionalismo a nação é um bem supremo, e em nome dela qualquer sacrifício devia ser exigido e feito pelos indivíduos. Aqui é importante contextualizarmos que esta ideia de nação suprema faz referência à nova nação que estes líderes estavam trabalhando para criar. Antiliberalismo o regime fascista defendia a intervenção estatal na economia, o protecionismo e, no caso de algumas correntes fascistas, a nacionalização de grandes empresas. Nos s seguintes abordaremos algumas medidas implementadas por Mussolini e por Hitler que confirmam o caráter intervencionista de suas ditaduras. Expansionismo alargar as fronteiras era visto como uma necessidade básica, pois era preciso conquistar “espaço vital” para que a nação se desenvolvesse. Além disso, como veremos mais adiante, Mussolini tinha como objetivo tornar a Itália um país de destaque a nível internacional. Muito deste movimento tomou corpo no pós Primeira Guerra Mundial, cenário em que, mesmo saindo vitoriosa, a Itália não obteve vantagens materiais e territoriais significativas com seu envolvimento no conflito. Militarismo a salvação nacional viria por meio da organização militar, da luta, da guerra e do expansionismo. Muito desta ideia estabeleceu-se pelo período em que o fascismo tomou corpo (entreguerras) e pelo fato de seus dois maiores líderes, Mussolini e Hitler, serem veteranos da Primeira Guerra Mundial. Corporativismo ao invés de defender o conceito de “um homem, um voto”, os fascistas acreditavam que as corporações profissionais deviam eleger os representantes políticos. Também sustentavam que somente a cooperação entre classes garantia a estabilidade da sociedade. Não à toa, um dos principais grupo de apoio a Mussolini foi o dos próprios sindicalistas. Hierarquização da sociedade o fascismo valorizava uma visão do mundo segundo a qual cabe aos mais fortes, em nome da “vontade nacional”, conduzir o povo à segurança e à prosperidade. Além disso, acreditavam que um processo de eleição democrático jamais seria capaz de exprimir realmente os anseios do povo, pois apenas o líder teria capacidade de fazê-lo. AS ORIGENS DO FASCISMO A ideologia fascista surgiu na história da política italiana no pós-Primeira Guerra Mundial. A Europa, que até então era governada por reis, viu suas monarquias serem derrubadas pelos Estados Unidos, o que culminou em uma tremenda desordem social e caos econômico. Diante deste cenário político, os europeus depararam-secom um continente desorganizado e viram a única forma de governo que conheciam ruir. A população desconhecia a democracia liberal, o que fez com que discursos de ordem afeitos à centralização de poder (formato que já lhes era familiar) agradassem seus desejos. O fascismo se propunha a restaurar as sociedades destruídas pela guerra e, para isso, prometia riqueza, uma nação forte e sem partidos políticos que alimentassem visões antagônicas. A Itália foi a precursora do movimento fascista; um dos principais grupos que encabeçaram a guinada de Mussolini como líder político foi o dos sindicalistas. Mussolini foi escolhido porque, analisando o cenário da época, os sindicalistas entenderam a necessidade de colocarem à frente do movimento revolucionário socialista um líder carismático e que servisse de inspiração para os trabalhadores. Depois disso, os sindicalistas rebelaram-se algumas vezes. Porém, após várias tentativas fracassadas, conseguiram perceber que precisavam de uma nova abordagem para o movimento. Foi neste momento que os sindicalistas, aliados a grandes nomes nacionalistas italianos e capitaneados por Mussolini, deram início ao movimento fascista, que substituía a luta tradicional de classes por uma luta de nações. Assim, começou a criar corpo a ideia de uma nação produtiva unida em prol do engrandecimento e fortalecimento da Itália a qualquer custo. O Partido Nacional Fascista foi oficialmente fundado em novembro de 1921 e acabou crescendo rapidamente: o número de filiados passou de 200 mil em 1919 para 300 mil em 1921. Após seus primeiros anos de consolidação como movimento, o partido em si conseguiu agrupar pessoas com tendências políticas de origens variadas: sindicalistas, nacionalistas, antiesquerdistas, contrarrevolucionários, ex-combatentes e desempregados. Se bem analisarmos, poderemos perceber que todos os maiores e mais importantes nomes do movimento fascista vieram dos socialistas, apesar de o fascismo representar uma certa ameaça a esta ideologia. Isso acontecia simplesmente porque o fascismo era visto como uma forma mais atraente e cativante de se aplicar no mundo real as principais teorias socialistas. Exatamente por isso, os socialistas abandonaram seu partido, atravessaram o parlamento e se juntaram em massa aos fascistas. De acordo com o escritor e cientista político, Vladimir Tismaneanu, o fascismo e o comunismo colocaram- se igualmente em posição de “apagar uma era específica do curso homogêneo da história’’. Ambos visavam demolir o passado em nome do futuro.3 Assim, podemos concluir que o fascismo nasceu como um movimento com bases marxistas bem claras. Tanto é que nos primeiros anos do período entreguerras, alguns estudiosos já entendiam o fascismo e o comunismo como ideologias pertencentes a um mesmo grupo, baseados na ideia de um partido único comandado por um grande líder. É através deste conceito em comum que surge o tão conhecido totalitarismo. O fato de o fascismo se apresentar hoje como oposição ao comunismo não exclui as raízes marxistas da ideologia italiana, uma vez que o pensamento fascista foi moldado pelo coletivismo de Karl Marx. O próprio Benito Mussolini foi marxista desde a juventude.4 O cientista político Chip Berlet já havia descrito o fascismo como uma ideologia camaleônica, que transitava entre diversas ideologias misturadas: “O fascismo é uma corrente política complexa, que parasita outras ideologias, possui muitas tensões internas e contradições e possui um aspecto camaleônico que se apropria de símbolos históricos, ícones, slogans, tradições, mitos e heróis da sociedade que deseja mobilizar”.5 Logo após a Segunda Guerra Mundial a própria esquerda, depois de muita acrobacia, conseguiu então reescrever a história. Assim o fizeram com o intuito de afastarem as raízes socialistas do fascismo e se colocarem no cenário político como a grande resistência aos ditadores de extrema direita. A LÍDERES FASCISTAS: BENITO MUSSOLINI X ADOLF HITLER gora que já fizemos um panorama geral do que efetivamente é o fascismo, precisamos, então, conhecer mais de perto as duas principais figuras que encabeçaram este movimento: Benito Mussolini e Adolf Hitler. IL DUCE Benito Mussolini nasceu no ano de 1883 em uma pequena cidade da Romanha, região situada ao norte da Itália, e famosa por ser o centro italiano de concentração dos movimentos revolucionários e socialistas. Mussolini teve uma vida conturbada desde a infância. Com 10 anos foi estudar em um colégio interno, mas pouco tempo depois acabou sendo expulso após ferir um dos colegas com uma faca que carregava no bolso. Em 1901, após concluir seus estudos, começou a atuar como professor, profissão esta que foi sepultada logo nos primeiros anos, após o escândalo de seu relacionamento com uma mulher casada. Todos estes percalços e seu desespero em fugir do serviço militar obrigatório fizeram com que Mussolini fosse morar na Suíça, no intuito também de conseguir se reinserir no mercado de trabalho. Foi nesta época que ele iniciou sua carreira como escritor e deu início à sua jornada política. Já no ano de 1904 fez sua primeira publicação, intitulada “Deus não existe”, demonstrando claramente seu repúdio à fé cristã. O ano de 1910 marcou o retorno de Benito à Itália, e apenas dois anos depois o jovem assumiu um dos cargos mais importantes ligados ao Partido Socialista italiano à época: o de editor-chefe do AVANTI!, jornal criado pelo próprio partido para disseminar em todo o país os ideais socialistas. Mussolini tornou-se, em pouco tempo, um dos principais líderes socialistas da Itália. Avançando um pouco na história, em 1914 eclode a Primeira Guerra Mundial e Mussolini mostra, mais uma vez, que o ímpeto revolucionário e combativo fazia parte de si. Apenas dois meses após o início da guerra, ele publica um artigo onde questiona a posição inicial de neutralidade da Itália no conflito. Aparentemente, Mussolini não estava satisfeito em ver seu país “de braços cruzados, enquanto o resto da Europa brigava”.6 Foi neste momento que, percebendo sua ânsia por uma revolta armada, o Partido Socialista expulsou Mussolini de seu diretório e o afastou da edição do jornal. Expulso do partido e exilado politicamente, Mussolini se reinventa e surge como um opositor aos socialistas, criando uma narrativa perfeita que até hoje é utilizada para justificar a falácia de que o fascismo é um movimento de “extrema direita”.7 Agora que você conhece um pouco mais sobre a história de vida de Benito Mussolini, você deve provavelmente estar se perguntando como é possível um líder político passar de símbolo do socialismo para seu principal rival, como muito se propaga por aí. Para começarmos a entender como ocorreu este fenômeno, é importante abrirmos um espaço aqui para uma breve contextualização acerca das ideias socialistas que foram muito defendidas pelo próprio Mussolini no início de sua trajetória. Karl Marx, pai do socialismo, acreditava que o mundo estava dividido em duas classes, os trabalhadores (proletariado) e os capitalistas (burgueses). Na sua concepção, os capitalistas apenas tornavam-se ricos através da exploração da classe trabalhadora. Com este pensamento, Marx tinha certeza de que haveria algum momento na história em que a classe explorada se revoltaria contra seus opressores. Isso ocorreria pois o proletariado ficaria cada vez mais pobre e, cansados de serem explorados, revoltar-se-iam contra a burguesia, derrubando o capitalismo e tomando o poder. Portanto o socialismo, no entendimento de Marx, seria inevitável. Em outras palavras: para Marx, o socialismo seria a evolução natural do capitalismo. Porém, a realidade no início do século XX demonstrou-se bem diferente. Nos países onde o capitalismo já estava mais desenvolvido, era possível observar uma diminuição na pobreza e uma ascensão das classes mais baixas, com uma economia relativamente estável e boa relação entre burguesia e proletariado. Ou seja, a chegada do socialismo como idealizada por Karl Marx muito provavelmente não aconteceria,pois não havia qualquer indício de uma revolta dos trabalhadores contra a burguesia e contra o próprio sistema. Neste período, muitos adeptos desta teoria começaram a perceber que seria praticamente inviável que o socialismo acontecesse naturalmente, como Marx idealizara. Um dos líderes políticos que percebeu que a evolução natural para o socialismo não passava de um sonho foi Benito Mussolini. Para entender como tudo isto aconteceu, vamos então dar continuidade à linha do tempo da vida deste líder fascista. Como já mencionado anteriormente, mesmo sendo expulso do Partido Socialista italiano por ter incentivado a entrada do país na Primeira Guerra Mundial, Benito Mussolini era mundialmente reconhecido como um importante líder socialista, ao lado de grandes figuras como Vladimir Lênin, Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci. Exilado politicamente e afastado de suas atividades como editor, Benito rapidamente lança seu próprio jornal, Il Popolo d’Italia e logo em seguida organiza um grupo revolucionário chamado Fasci d’Azione Rivoluzionaria, que tinha como objetivo primário fazer a Itália entrar na guerra. Não só a Itália entrou para a guerra como o próprio Mussolini, que tanto quis se esquivar do serviço militar obrigatório, foi convocado para o front de batalha. Em 1917, ele retorna da guerra em virtude de um acidente. Foi neste período que Mussolini começou a perceber que a teoria marxista do socialismo como evolução natural do capitalismo estava totalmente equivocada. O que motivava o povo italiano não era, e jamais seria, uma luta de classes. A união se dava através de um sentimento de nação, do apego que aquele povo sentia pela sua terra, suas tradições e sua cultura. Esta percepção foi muito influenciada pela própria vivência de Mussolini no front de batalha, onde ele constatou que a motivação maior dos soldados que ali estavam era efetivamente lutar pela Itália e voltar para a Itália. Ele entendeu, então, que a revolução somente seria possível quando o sentimento nacionalista se transformasse no protagonista da história. A luta de classes jamais teria o mesmo apelo e engajamento que a luta pela própria nação. Com este pensamento é que, em 1919, Benito Mussolini funda o partido oficial fascista: Fasci di Combattimento. O intuito era unir a nação numa única classe, organizada nos moldes socialistas onde todos contribuiriam e, consequentemente, poderiam usufruir dos benefícios. Diferente de Marx, que acreditava na extinção do Estado após a implementação do socialismo, Mussolini entendia que o Estado deveria ser fortalecido. Somente desta forma é que a Itália ganharia força no cenário internacional, deixando de ser ignorada pelos países vizinhos, passando então a ter um protagonismo a nível internacional. Isto porque, mesmo tendo sido vitoriosa da Primeira Guerra Mundial ao lado da França, a Itália saiu totalmente enfraquecida do conflito. Além de não obter muitas vantagens com sua participação, pois os Aliados não cumpriram com suas promessas, o pós-guerra trouxe para o país uma profunda crise econômica e social, seguida de instabilidade política e conflitos civis. Em resumo, a Itália foi largada à própria sorte num mundo desestruturado de pós-guerra, sem qualquer reconhecimento pelo empenho e auxílio no campo de batalha. O desenrolar dos fatos tratou de apresentar o cenário perfeito para a criação de um movimento que mudaria, definitivamente, a história daquele país. Mussolini dizia que “o fascismo não nasceu de uma doutrina previamente esboçada no papel; nasceu de uma necessidade de ação”.8 O cenário caótico em que o país se encontrava e o descontentamento da imensa maioria da população fez com que Mussolini começasse a organizar um movimento que pudesse efetivamente unir a aquele povo com base em um princípio básico: a ideia de uma nação próspera. Ele entendia que somente através de um Estado robusto e com uma economia pujante é que a Itália deixaria de ser humilhada para começar a exercer maior protagonismo internacional. Neste período, entre 1919 e 1921, a Itália vivenciou vários conflitos internos de cunho revolucionário, capitaneados principalmente por movimentos socialistas. É neste período de instabilidade que surgem os famosos “camisas negras”. O objetivo do grupo ligado ao movimento fascista era de, através da violência, intimidar os outros aglomerados revolucionários da época. É neste cenário que Benito Mussolini começa a estruturar o que se transformaria no partido fascista. Entre seus novos seguidores estavam os veteranos de guerra, jovens cheios de energia e com a violência à flor da pele, influenciados por um forte sentimento nacionalista. Além deles, havia também os socialistas independentes que, assim como Mussolini, haviam defendido a participação da Itália na guerra, sendo consequentemente expulsos do partido. O time tomou força com a classe dos sindicalistas, insatisfeitos com a situação em que o país se encontrava e decepcionados com as constantes derrotas do socialismo nos tempos de guerra. Por último, até mesmo a burguesia juntou-se ao movimento: assustados com o desenrolar da Revolução Russa e com as agitações socialistas internas, viam em Mussolini sua única alternativa para evitar que o socialismo se propagasse no país (mal sabiam eles o que os esperava). É com este pano de fundo que o movimento criado por Benito Mussolini toma fôlego e se transforma no Partido Nacional Fascista, em 1921. Pautados na ideia de que o Estado é absoluto e que visa garantir a segurança de seu povo, os adeptos do movimento precisavam ter em mente que o indivíduo é passageiro, mas o Estado transcende este breve período de vida; ele é o passado, o presente e o futuro. Para Mussolini, “somente o Estado transcende os interesses constantes de grupos e indivíduos”.9 Com este sentimento nacionalista aflorado, os fascistas organizam a famosa Marcha sobre Roma. A Marcha sobre Roma aconteceu em outubro de 1922 e tinha como objetivo pressionar o Rei Vítor Emanuel III a nomear Benito Mussolini como primeiro-ministro da Itália. No dia 30 de outubro, Mussolini foi então nomeado primeiro-ministro e começou a formar seu gabinete, reservando para si os dois mais importantes cargos do governo: o de Ministro do Interior e o de Ministro do Exterior. Ao contrário do que muitos acreditam, Benito Mussolini chegou ao poder por indicação do próprio Rei e com um bom apoio popular, em um processo democrático, e não através de um golpe. É neste exato momento da história que surge o líder Benito Mussolini, inimigo dos socialistas e amigo da revolução armada em prol de um Estado todo poderoso. FÜHRER Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889, na Áustria, numa cidade do interior do país chamada Braunau am Im. Cresceu em ambiente familiar de classe média e de condição financeira saudável, mas, apesar da boa situação econômica, não era igualmente benéfica a relação que sustentava com a família, em especial a péssima interação que Hitler mantinha com seu pai (diferente de sua relação com a mãe, que era amorosa e estável). Seus pais morreram quando ele ainda era um adolescente e a morte do pai, especialmente, colocou fim a um enorme problema para Hitler: sua escolha profissional. O pai queria que ele seguisse o funcionalismo público, ao passo que Hitler tinha outros planos para si mesmo. Após ficar órfão, mudou-se para Viena em 1907, onde sobrevivia da pensão deixada pela mãe. O ambiente político agitado de Viena teve papel crucial na moldagem dos preconceitos de Hitler, pois foi nesta época que ele teve o primeiro contato com publicações racistas e antissemitas. Em 1913, Hitler tem acesso à herança de seu pai, muda-se para Munique, na Alemanha, não apenas porque detestava a Áustria, mas também para fugir do serviço militar obrigatório. Em 1914, estoura a Primeira Guerra Mundial e sua vida muda drasticamente.10 A esta altura, após muito se ambientar nos meios políticos, Hitler ficou carregado de sentimentos nacionalistas e decidiu alistar-se no exército alemão — mesmo não podendo fazê-lo — efoi convocado. Apesar de não ter tido papel de destaque enquanto militar, a experiência da guerra também ajudou a moldar parte das visões radicais do austríaco, que passou a se envolver com movimentos políticos extremistas após a derrota dos alemães. Em 1919, Hitler ingressou no Partido dos Trabalhadores Alemães e, em poucos anos, tornou-se uma pessoa importante dentro dele, e também entre os radicais totalitários. Pouco tempo depois de assumir a liderança do partido, Hitler, baseado nos seus ideais, alterou o seu nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (PNSTA). O futuro Führer não fazia questão de esconder sua simpatia com a ideologia socialista. Certa vez, em um discurso, disse que “somos socialistas. Somos inimigos do sistema de exploração capitalista atual [...] e estamos determinados a destruir tal sistema sob a condição que for”.11 Logo no início de suas atividades, o PNSTA redigiu um programa que, se analisado hoje em dia sem constar a identificação da real fonte, pode muito ser confundido com algum plano de governo de esquerda. Dentre os objetivos do partido estavam o controle de crédito exercido pelo Estado, expropriação de propriedades privadas, estatização de grandes empresas, participação dos trabalhadores nos lucros, mais benefícios e serviços gratuitos pagos pelo próprio Estado.12 O sonho de qualquer socialista, não é mesmo? Em linhas gerais, podemos dizer que o Führer, logo que assumiu o poder na Alemanha, construiu seu governo pautado em três grandes objetivos: libertar-se da Europa, expulsar os judeus que, para ele, se aproveitavam do país e retiravam os espaços dos alemães e, por fim, transformar a Alemanha num país socialista. Este último desejo, de realmente conseguir implementar o socialismo no país, era seu plano final, pois ele entendia que, primeiro, devia fazer uma limpeza social, já que, para Hitler, o socialismo era um sistema “bom demais para qualquer povo que não fosse ariano”.13 T FASCISMO: DIREITA OU ESQUERDA? enho certeza de que esta é uma dúvida que já pairou na cabeça de todos que se interessam por política. Afinal de contas, o fascismo é de direita ou de esquerda? Desde a eleição de Donald Trump nos EUA, em 2016, o termo fascista voltou a ser muito utilizado por membros e apoiadores do Partido Democrata (que representa a esquerda por lá) para fazer referência aos conservadores Republicanos. Fenômeno semelhante de utilização indevida do termo também foi observado aqui no Brasil, quando da eleição de Jair Bolsonaro. Mas por que utilizar-se de um termo tão delicado e que traz uma bagagem histórica tão pesada? Esta foi a estratégia (brilhante, diga-se de passagem) utilizada pela própria esquerda para conseguir, num ímpeto de desespero, ocultar ou ao menos mascarar as raízes esquerdistas contidas no âmago dos dois maiores líderes fascistas da história: Benito Mussolini e Adolf Hitler. Ao longo de anos a esquerda trabalhou fortemente no subconsciente da população para formar uma ideia equivocada acerca do fascismo. O objetivo principal era justamente tentar adequá-lo a um conceito que se encaixava no espectro político de direita, ou “extrema direita” como muitos gostam de chamar, afastando-o de sua verdadeira essência socialista. Para derrubar esta falácia, abordaremos aqui alguns pontos intrínsecos ao movimento fascista. Ao final deste , você possuíra informações suficientes para, através de seu próprio conhecimento e percepção da realidade em que vivemos, responder à famosa pergunta: “O fascismo é de esquerda ou de direita?”. Para começarmos a desmistificar esta grande mentira criada pela esquerda a respeito do fascismo, é necessário que compreendamos que os dois principais pilares desse movimento são o estatismo e o coletivismo. Mussolini possuía uma frase celebre que ficou muito conhecida mundo afora e que caracterizava de forma bem clara a essência do que era o fascismo: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Tanto ele quanto Hitler buscavam um fortalecimento do Estado, na figura de um grande líder (no caso, eles mesmos), que controlasse a tudo e a todos. Para a doutrina fascista o indivíduo não passa de mero figurante, que está sujeito integralmente aos ditames do Estado, que é quem tudo controla e quem dita as regras do jogo. O próprio Mussolini afirmava que o objetivo central do Estado era remodelar “o homem, seu caráter e sua fé”,14 transformando a população em uma massa de manobra de fácil controle. Mesmo com esta ideia de Estado forte, o ideal é que tudo fosse construído organicamente e com apoio popular, até mesmo para legitimar o movimento. Para isto, o próprio Estado começa a ganhar força e a disseminar suas ideias através do controle de forças políticas, culturais, educacionais e econômicas. Nas palavras do próprio Mussolini, o Estado fascista é “um Estado que concentra, controla, harmoniza e modera os interesses de todas as classes sociais”.15 Através de todo este controle que, reitero, inicialmente é exercido através da persuasão e não através da força, o povo passa a depender totalmente do Estado, que define como as pessoas pensam e o que elas fazem. Foi através deste modus operandi, por exemplo, que Mussolini e Hitler chegaram, por meio de um processo democrático, ao poder.16 Neste contexto, não há mais qualquer tipo de liberdade, pois “a autoridade do Estado não está sujeita a negociação”.17 No auge de sua trajetória como Il Duce na Itália, em 1930, Mussolini conseguiu fazer com que o Estado estabelecesse total controle sobre as atividades industriais, bem como sobre as finanças e crédito. O mesmo aconteceu na Alemanha dominada pelo Führer, nas décadas de 30 e 40. Outro ponto relevante que demonstra este vasto controle estatal está ligado ao planejamento do confisco de terras não cultivadas e até mesmo a tentativa, frustrada, de abolição de toda propriedade privada em prol de um “bem comum” estabelecido pelo Estado. Foi desta maneira que o fascismo acabou se tornando a primeira ideologia do século XX a defender de forma explícita a necessidade de um Estado controlador e todo poderoso. Hoje, temos um outro viés político que conversa de perto com esta ideia: o progressismo. Uma outra característica inerente ao fascismo e que é bem reconhecida no cenário político atual é a percepção de que o coletivo tem mais valor do que o indivíduo. O anti-individualismo pregado por Mussolini faz referência exatamente a este poder estatal de representar a vontade do indivíduo, que possui sua liberdade condicionada ao que sua figura representa dentro do próprio Estado. Fora dele, o indivíduo, por si só, não possui valor algum. Mussolini costumava dizer que o século XIX havia sido marcado pelo liberalismo e que, portanto, acreditava que no século XX as coisas seriam diferentes. Ele rejeitava a hipótese de que uma única ideologia poderia trazer bons resultados a longo prazo e, consequentemente, sobreviver a virada do século. Note que esta forma de pensar nos traz um conceito totalmente contrário ao que entendemos por conservadorismo. No seu entendimento, “as doutrinas passam, as nações permanecem”.18 Para ele, o século XX ficaria marcado na história como o século da autoridade, o século do coletivo. Todo este controle e conceito de coletivo que vimos até agora foi exercido de forma bem clara nos dois principais governos fascistas. Mussolini representava a voz do povo através de seu governo ditatorial, onde não havia outras lideranças políticas. Para ele, a soberania popular somente poderia ser colocada em prática através da delegação de todo o poder do povo para o seu líder. Este líder, por sua vez, exerceria seu papel através da força (exatamente como ele fazia). Já Hitler, no exercício deste mesmo papel autoritário, era visto pelos alemães como um enviado de Deus. Nos dois casos, o próprio indivíduo reconhecia seu “papel secundário” e via no líder a representação da própria lei e da verdade. Afinal de contas, “ele sabia melhor do que o povo o que este queria de verdade”.19 Todo estecenário de autoritarismo, de privação de liberdades e de influência na capacidade cognitiva do indivíduo ainda é percebido atualmente. Mas o que você deve estar certamente se perguntando é como, efetivamente, chegamos a este ponto tão crítico. Para conseguirmos entender este fenômeno é necessário analisarmos uma outra característica importante no modo de agir do movimento fascista: a utilização da propaganda e dos meios culturais e educacionais como eficazes plataformas para controle das massas. Como estávamos diante de um Estado autoritário, obviamente era ele, o Estado, quem possuía o controle dos meios de propagação de informações em geral, sejam eles veículos de imprensa, do cinema, da cultura e até mesmo das salas de aula. Quem detém o meio de comunicação direto com o público está de posse, literalmente, de um quarto poder (tão ou até mais influente que os demais). Afinal de contas, quem controla a informação é que pode influenciar e controlar a opinião pública. Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista, já dizia que a propaganda tinha sempre um fim específico muito claro. Para ele, apenas “a propaganda que produz os resultados desejados é boa”.20 E os tais “resultados desejados” apareceram; não à toa, Hitler se transformou em um mito vivo aos olhos do povo alemão. Além disso, a educação também se tornou uma ferramenta imprescindível para se atingir o controle das massas. As escolas, controladas diretamente pelo Estado autoritário, eram a maneira mais eficaz de repasse da doutrina fascista. Através destes ambientes, o Estado conseguia com facilidade repassar seus valores, que eram levados pelos alunos diretamente para dentro de seus lares. Giovanni Gentile, um dos principais filósofos socialistas da época, afirmava que “nosso trabalho como professores será considerado completo quando nossos alunos falarem a nossa língua”.21 Importante abrirmos um parêntese aqui para esclarecer que a doutrina fascista, apesar de muito se utilizar da educação como meio de doutrinação, era avessa a qualquer tipo de conhecimento que ultrapassasse os ideais do próprio movimento. Em outras palavras, a população deveria estudar e ler apenas sobre os assuntos que fossem de interesse do Estado. Um fato histórico importante que comprova esta conduta anti-intelectual se deu na Alemanha nazista, quando em 1933 Hitler começou uma limpeza literária no país. Este foi o ano marcado pelas famosas (e lamentáveis) queimas de livros em praça pública. Goebbels, idealizador desta barbárie, queria apagar da história do país todo e qualquer resquício intelectual que fizesse referência a antiga República de Weimar. Não é difícil observar que todos estes elementos, se trabalhados em conjunto, têm o poder de criar uma narrativa de forma bem natural e convincente. Forma-se um aglomerado de pessoas que reconhecem a autoridade do Estado e estão prontas para cumprir os seus propósitos. O próprio Goebbels costumava dizer que uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade. E foi deste jeito, através da grande influência dos meios de comunicação, da cultura e da educação, que as ideias fascistas de Hitler e Mussolini tomaram corpo e conseguiram, por mais absurdo que isto possa parecer, o apoio de grande parte da população da Alemanha e da Itália à época. Além deste apoio deliberado, muito formado através da doutrinação ferrenha da população, havia também outro elemento que muito contribuiu para o fortalecimento do regime fascista: o uso da força e da violência. É importante relembrar que os primeiros recrutas de Mussolini quando da criação do movimento Fasci d’Azione Rivoluzionaria foram os veteranos de guerra. Estes jovens, cheios de energia e com a veia violenta pulsando, foram figuras essenciais para que a repressão aos que se colocassem contra o sistema pudesse ser coloca em prática. Mussolini afirmava que a doutrina fascista não cria em qualquer tipo de pacifismo. Revolucionário desde muito jovem, acreditava que apenas através da violência é que a doutrina fascista seria implementada em sua totalidade. O próprio líder se dizia contra a “vida fácil” e afirmava que, para os fascistas, a vida deveria ser uma “luta contínua e incessante”,22 com “espírito combatente que aceita qualquer risco”.23 O fascismo era, no seu âmago, um exercício diário de autoritarismo e violência. Era exatamente por este motivo que o medo circulava não apenas entre a população em geral, mas principalmente dentro de qualquer grupo que tentasse se insurgir contra o sistema. Todo este terror trazia consigo um sentimento de respeito e obediência irrestrita ao líder supremo. Esta sistemática de utilização da violência é muito bem retratada nos governos tanto de Mussolini quanto de Hitler. O primeiro exercia seu maior poder na imprensa. Calou todos aqueles que eram contra o regime, deixando que a população tivesse apenas acesso ao que era de interesse do Duce. Além disso, os camisas negras não tinham nenhum pudor em aniquilar qualquer um que se colocasse como opositor ao governo de Mussolini. Na Alemanha de Hitler a sistemática não era diferente. Um fato marcante e que bem retrata esta postura se deu na madrugada do dia 30 de junho para o dia 1º de julho de 1934, episódio conhecido como Noite das Facas Longas. Quase uma centena de opositores foram mortos e milhares de outros foram detidos naquela noite. Hitler aproveitou-se do episódio para fazer uma varredura inclusive dentro do próprio partido e de uma das mais famosas organizações paramilitares nazistas, os chamados Camisas Pardas. Percebe-se que nem mesmo os que se diziam aliados estavam a salvo das sandices violentas dos dois maiores líderes fascistas da história. Por fim, mas não menos importante, devemos lembrar que o fascismo foi um movimento pautado no anticapitalismo. Se relembrarmos a situação da Itália no pós- guerra, período de surgimento do movimento fascista, vamos perceber que o país estava longe de possuir uma economia moderna e pujante. Portanto, é uma falácia afirmar que foi a elite capitalista que proporcionou a Mussolini sua chegada ao poder. Considerando o cenário da época, Mussolini acreditava que apenas através do desenvolvimento econômico é que a Itália passaria a ser um país com credibilidade e respeito internacional. Portanto, ele pautava sua política voltada ao fortalecimento da economia, com vias a atender a população de forma geral e coletiva, onde todos se beneficiariam de tais avanços (visão esta bem diferente do capitalismo em si). O próprio Duce afirmava que o fascismo se opunha aos ideais do liberalismo e que o século XX seria marcado pelo coletivismo, pois entendia que a doutrina econômica liberal era coisa do passado. Além disso, este avanço estaria ligado, por óbvio, ao controle do Estado na imensa maioria dos setores produtivos. Para tal, Mussolini, depois de já ter se consolidado no poder com a ajuda, inclusive, da própria burguesia, colocou em prática medidas como altos impostos sobre os lucros das empresas. Esta prática foi adotada como forma de expropriar dos capitalistas os recursos obtidos através do fruto de seu trabalho. Também houve um fortalecimento dos sindicatos, aumento de impostos progressivos para os que eram mais ricos e implementação de uma série de obrigações trabalhistas24 que muito dificultaram (e dificultam até hoje) a vida do empresariado. Todas estas movimentações, por óbvio, começaram a não agradar mais a burguesia da época. Porém, o apoio desta importante classe ao governo ditatorial não foi desfeito, pois os empresários entendiam perfeitamente aquela velha máxima de que, se você não pode lutar contra eles, junte-se a eles. Já na Alemanha hitlerista o anticapitalismo era ainda mais visível. Isto porque a origem de todo o ódio nazista com relação aos judeus se dava, justamente, por culpa do capitalismo. Pois é, isto é pouco falado, mas Hitler sabia do imenso potencial dos judeus e acreditava que eles eram uma grande ameaça ao crescimento e sucesso dos alemães. O povo judeu é um povo capitalista por natureza. Asfamílias judias em todo o mundo estão, em sua grande maioria, ligadas a grandes empresas, negócios de sucesso e prosperidade. E foi exatamente este motivo que desencadeou toda essa repulsa dos nazistas, que os via como aproveitadores e gananciosos, que retiravam as riquezas do povo alemão e as tomavam para si. O sentimento que Hitler fez brotar no interior dos alemães é muito comparável ao ideal socialista de igualdade social: mesmo que os alemães não possuindo as mesmas habilidades e não sendo tão bons quanto os judeus, o Estado todo poderoso encontrou uma maneira de colocá-los num nível moral superior, garantindo-lhes, através da extinção dos judeus, um lugar ao sol. Poderíamos discorrer sobre inúmeras outras características do movimento fascista que muito se assemelham ao que é, e sempre foi, o movimento de esquerda não só aqui no Brasil, mas também em grande parte do mundo. Porém, para este pequeno manual é necessário que se explore o mínimo que você, leitor, precisa saber para conhecer a doutrina fascista, entender suas origens e traçar um paralelo com a nossa política atual. Em uma realidade onde muito se usa a palavra fascista para designar determinados grupos políticos, o mínimo conhecimento acerca do assunto já se torna uma ferramenta eficaz no combate à desinformação. Lembre-se: “os verdadeiros fascistas da política [...] disfarçam-se de antifascistas e acusam os verdadeiros antifascistas de fascistas”.25 E NAZISMO, FASCISMO E COMUNISMO: TRÊS CABEÇAS DA MESMA HIDRA xiste uma dúvida que costuma ocorrer à maioria daqueles que se propõem a estudar a verdadeira história das ideologias totalitárias existentes ao longo da civilização, principalmente o comunismo, o nazismo e o fascismo. Uma vez que o nazismo e o fascismo foram colocados à extrema-direita de sua época e o comunismo seria o extremo à esquerda, muito se questiona como seria isso possível, uma vez que, conforme expusemos no anterior, existem tantas similaridades entre essas correntes; questiona-se, igualmente, sobre a criminalização do nazismo e a não criminalização do comunismo, pois, se o comunismo matou muito mais e causou muito mais destruição, por que segue sendo frequentemente louvado por seu idealismo? Por que, afinal, o nazismo é considerado crime e o comunismo — uma ideologia tão criminosa, perversa, impiedosa e destrutiva quanto — continua sendo aceita e, até mesmo, comemorada? Por que grande parte da sociedade expressa indignação sobre um e fecha os olhos para as calamidades do outro? Por que a maioria dos historiadores faz um excelente serviço abordando as atrocidades do nazismo (e com razão), mas são omissos e negligentes ao exporem as barbáries praticadas pelas ideologias de extrema-esquerda? Por que nazismo e fascismo são colocados como extremo oposto ao comunismo se as três ideologias têm tanto em comum? Ora, vejamos. Nenhuma ideologia política produziu tanta miséria, repressão extrema e violência quanto o comunismo. De acordo com O livro negro do comunismo — bestseller respeitado e publicado pela Harvard University Press —, o comunismo matou cerca de quatro vezes mais que o nazismo e superou a soma do número de mortos nas duas guerras mundiais. É necessário somar e então dobrar os números de vítimas das duas guerras mundiais para que esse número final se iguale aos genocídios comunistas. A Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo,26 situada nos Estados Unidos, que tem como objetivo detalhar as calamidades comunistas, aponta uma estimativa de 100 milhões de mortos vítimas dessa ideologia nefasta, o que torna o comunismo a ideologia mais sanguinária da história da humanidade. A distribuição geral: China: 65 milhões de mortos URSS: 20 milhões de mortos Camboja: 2 milhões de mortos Coreia do Norte: 2 milhões de mortos Europa Ocidental: 2 milhões de mortos África: 1,7 milhão de mortos Afeganistão: 1,5 milhão de mortos Vietnã: 1 milhão de mortos Concluindo, então, que o comunismo conseguiu ser ainda mais devastador que as calamidades do nazismo e do fascismo, é absolutamente normal surgir dúvida e frustração sobre a diferente maneira como os horrores da Alemanha Nazista e os horrores do comunismo do século XX são vistos e encarados pela academia, pela cultura, pela mídia e até mesmo por figuras políticas dentro do próprio Brasil. É crime ostentar a suástica nazista, mas não é crime erguer a foice e o martelo. No Brasil, especificamente, o Parágrafo 1 do artigo 20 da Lei 7.716/198927 prevê a reclusão de dois a cinco anos de prisão e multa no referido “Crime de divulgação do nazismo’’. Logo, é questionável o passe livre para o enaltecimento ao comunismo. Mas é possível traçar uma série de motivos nos quais a esquerda se apega para justificar a liberação ao culto comunista. Vejamos: 1. A devoção à igualdade. A “justiça social” como justificativa para se ter carta branca para matar. O comunismo é aquele “cara bem-intencionado” que comete assassinato passional, ou seja, mata por amor e em nome de um mundo melhor, mais bondoso e igualitário. O discurso comunista promete tirar dos mais afortunados para distribuir, em igualdade, aos menos afortunados, pregando um discurso de que a desigualdade social deve ser exterminada porque é inconcebível a ideia de que algumas pessoas tenham mais condições financeiras que outras — um discurso recheado de estímulo à inveja, ao ressentimento e à revolta, mas que intrigantemente é bem acolhido e aceito de forma emocional. Esta utopia igualitária, segundo as teses comunistas, só seria possível por meio de revoluções armadas — ou seja, no viés comunista, está permitido extermínios e genocídios de milhares de pessoas inocentes porque “seu discurso não é de ódio, mas de amor”. 2. Requinte de crueldade Historicamente, a crueldade nazista é amplamente mais repudiada, pois, em termos de requinte de crueldade, nada se comparou ao holocausto. Seus métodos de extermínio eram perversos — pessoas nuas, tratadas como indigentes, mortas em câmaras de gás —, além de não pouparem mulheres e crianças. A motivação também é considerada mais perversa: não escondiam que exterminavam povos inteiros com o intuito de criar, a mando de Hitler, uma Alemanha apenas com “raça pura”. Para tanto, todas as outras raças consideradas “impuras” deveriam morrer, sem exceção. Em contrapartida temos o comunismo que, como sabemos, dizimava e exterminava com a motivação “do bem”, em nome de um “mundo melhor”. 3. Desconhecimento histórico. A maioria das pessoas não conhece a verdadeira face do comunismo. Se você não aprendeu nada sobre essa história os horrores provocados pelo comunismo ao longo das décadas — na escola ou universidade, não se sinta só. A academia é um ambiente ocupado majoritariamente pela esquerda que, obviamente, deturpa toda a ideologia comunista, tratando como “revolução da justiça social por um mundo melhor” aquilo que foi, e ainda é, uma das mais cruéis passagens históricas do mundo. Uma boa parte dos professores têm se saído bem em manter jovens estudantes na ignorância quanto ao histórico de fracassos e número de mortos do comunismo. Somos ensinados, desde cedo, a odiar (devidamente) o nazismo e a amar o comunismo para que este último continue sempre socialmente bem aceito. 4. Nazismo e o discurso racista. A criminalização de um e a descriminalização do outro por meio do discurso. O Nazismo é caracterizado crime porque prega um discurso racista, promovendo genocídios motivados por raças — ser nazista implica, necessariamente, em acreditar na ideia de “raça superior”. Ser nazista é ser racista. Ao passo que, em tese, o comunismo supostamente não profere discurso discriminatório. Ou seja, a criminalização é com base no discurso de ódio, na motivação, e não nas consequências brutais de ambas as ideologias, como o número de mortos e a destruição causada por qualquer regime totalitário. Falha grave na legislação. Mas será mesmo que líderes e pensadores comunistas não eram racistas?! Vejamos: Fiquei do lado de fora com Socorro, uma negrinha que eu tinha arranjado com 16anos no lombo e mais p*** que uma galinha. Che Guevara, 1952, em seu livro ‘’Diários de motocicleta’’. Nós faremos por negros e mulatos exatamente o que eles fizeram pela revolução. Ou seja, nada. Che Guevara em entrevista radiofônica. As classes e raças demasiado fracas para dominar as novas condições de vida precisam ceder [às mais fortes]. Karl Marx, 1853, New York Tribune. Está claro, para mim, que ele, pelo formato de seu crânio e por seu cabelo, descende de negros do Egito [...]. O jeito chamativo do sujeito é parecido com o de um negro. Karl Marx, 1862, em carta a Engels. Em sua qualidade de negro, um nível mais próximo do reino animal que o resto de nós, ele é sem dúvidas o candidato mais adequado desse distrito. Friedrich Engels, 1887, em carta a Karl Marx, referindo-se ao genro de Marx que concorreria a uma vaga de emprego em um jardim zoológico. Em 1849, Engels publicou um artigo no jornal de Karl Marx A Nova Gazeta Renana no qual previa genocídios do totalitarismo do século XX e, inclusive, os defendia, afirmando que, de todas as nações grandes, apenas três se tornariam parte ativa da história: alemães, poloneses e magiares. Todos os outros povos e nacionalidades, segundo Engels, estavam destinados a desaparecer nas revoluções. Joseph Stálin, inclusive, apreciava esse artigo e o recomendou em seu livro Sobre os fundamentos do leninismo de 1924 — ele, então, passou a reprimir minorias étnicas soviéticas, incluindo os judeus, tártaros da Criméia e ucranianos. Hitler foi colocado à extrema-direita do contexto histórico da Alemanha dos anos 30 por ter abraçado o nacionalismo e se oposto ao comunismo, mas as divergências de Hitler com os comunistas não eram ideológicas e táticas; nesse ponto, eram tremendamente parecidos, o que independe de rótulos, mas, sim, de fatos. Ele se envolveu com o nacionalismo alemão para não competir com o marxismo no seu próprio terreno, mas admitiu explicitamente suas raízes marxistas. Aprendi muito com o marxismo, como não hesito em reconhecer. Não quero dizer com sua doutrina social enfadonha ou com a concepção materialista da história [...] e assim por diante. Mas aprendi com seus métodos. A diferença entre eles e mim é que pus realmente em prática o que esses vendedores ambulantes e mata-borrões começaram timidamente. Todo nacional-socialismo é baseado nele [...]. O nacional-socialismo é o que o marxismo poderia ter sido, se tivesse rompido suas ligações absurdas e superficiais com a ordem democrática.28 Ainda que alguns pensadores comunistas neguem, fato é que Adolf Hitler admirava Stálin e o descrevia como “gênio”, sendo muito inspirado pelos ideais comunistas soviéticos de Stálin para a formação da Alemanha Nazista. Quando ouvimos sobre campos de concentração de trabalho forçado e extermínio, que torturaram e aniquilaram milhões de judeus, poloneses, prisioneiros de guerra soviéticos e ciganos, automaticamente remetemos aos horrores do nazismo de Hitler, mas essa atrocidade não foi novidade na Alemanha. Hitler teve sua inspiração nos campos de repressão soviéticos do Gulag — sistema de campos de trabalho forçado que perseguia, torturava e exterminava não só criminosos, mas milhões de inocentes. O nazismo e o fascismo têm muito mais em comum com o comunismo do que qualquer outra corrente de pensamento que esteja à direita do espectro político tradicional. Em linhas gerais: os três regimes são racistas; são totalitários, opõem-se à democracia, não havendo rotatividade de poder, sem eleições diretas e/ou indiretas; Hitler e Mussolini governavam em nome da classe operária, assim como os líderes comunistas Stálin, Mao Tsé-Tung e Pol Pot; nos três regimes, as liberdades individuais eram suprimidas pelo incentivo ao coletivismo; não existe direito à propriedade privada e a economia pertencia totalmente ao estado (aliás, tudo era do estado); os três regimes ordenavam a censura e restringiram a liberdade de imprensa, assim como perseguiam opositores políticos, contrarrevolucionários, homossexuais, judeus e todas as pessoas, classes ou raças que eles considerassem inferiores. Segundo Friedrich Hayek, não há dúvidas quanto às raízes socialistas do nazismo: As doutrinas pelas quais, na geração anterior, as lideranças alemãs tinham-se pautado não se opunham aos elementos socialistas do marxismo e sim aos elementos liberais que este continha — seu internacionalismo e sua democracia. Ao se evidenciar cada vez mais que esses elementos eram justamente os que constituíam um obstáculo à realização do socialismo, os socialistas da esquerda aproximaram-se cada vez mais dos da direita. Foi a união das forças anticapitalistas da esquerda e da direita, a fusão do socialismo radical e do socialismo conservador, que destruiu na Alemanha tudo quanto ali havia de liberal.29 A Alemanha assumiu as calamidades cometidas pelo nazismo e se envergonha, até os dias atuais, dessa parte de sua história. A utilização e a difusão de emblemas e símbolos associados ao nazismo, como a suástica e a saudação de Hitler, são proibidas por lei no país. Ao passo que você raramente verá um líder comunista ou seus seguidores assumirem as barbáries cometidas ao longo da história em nome de sua ideologia — não têm como esconder, mas sempre tentarão deturpar e mascarar seus genocídios com o discurso de “paz e amor”. Porém, temos que considerar que a normalização do comunismo não é uma unanimidade. Em países como Polônia, Lituânia, Geórgia, Moldávia, Ucrânia, Letônia, Hungria e Indonésia, os símbolos comunistas — a foice e o martelo — e a estrela socialista são criminalmente proibidos. Nazismo, fascismo e comunismo são cabeças da mesma hidra: totalitarismo, expropriação, concentração de poder, operações de assassinato, deportações, perseguição, censura, Estado inchado, culto à personalidade e propagandas políticas diversas, censura aos meios de imprensa, falsa luta pela classe operária, fome e mortes. O nazismo e o fascismo em quase nada se diferenciam do comunismo — a não ser pelo discurso. O nazismo e o fascismo não são extremos opostos ao comunismo, mas irmãos sanguinários com diferentes motivações. A criminalização dos primeiros e a descriminalização do terceiro se diferenciaram pelo discurso, o que é uma desculpa execrável, mas a história, esta não pode ser apagada. E nem a realidade dos fatos. BIBLIOGRAFIA Gregor, A. James. Marxismo, fascismo e totalitarismo: s na história intelectual do radicalismo. Campinas, São Paulo: Vide Editorial, 2021. D’Souza, Dinesh. A grande mentira: expondo as raízes nazistas da esquerda. São Paulo: Trinitas, 2019. Riebling, Mark. O Papa contra Hitler: a guerra secreta da igreja contra o nazismo. São Paulo: Leya Brasil, 2018. Mandel, Ernest; Trótski, Leon. Fascismo: o que é e como combatê-lo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. Finchelstein, Federico. Uma breve história das mentiras fascistas. São Paulo: Vestígio, 2020. Kertzer, David I. O Papa e Mussolini: a conexão secreta entre Pio XI e a ascensão do fascismo na Europa. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017. Tismaneanu, Vladimir. O diabo na história: comunismo, fascismo e algumas lições do século XX, São Paulo, Vide Editorial, 2017. KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 HAYEK, F. A. O caminho da servidão. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2010. NOTAS DE RODAPÉ 1 Finchelstein, Federico. Uma breve história das mentiras fascistas. São Paulo: Vestígio, 2020, p. 53. 2 Ibid., p. 90. 3 Tismaneanu, Vladimir. O diabo na história: comunismo, fascismo e algumas lições do século XX’, São Paulo, Vide Editorial, 2017, p. 37. 4 Este assunto será abordado em maiores detalhes no capítulo 2. 5 Matthew N. Lyons & Chip Berlet, Populism as Core Element of Fascism. Publicado em PoliticalResearch.org, em 21/122016: https://politicalresearch.org/2016/12/21/populism-as-core- element-of- fascism#sthash.L6ZwkyJK.eLdArkCQ.dpbs 6 Kertzer, David I. O Papa e Mussolini: a conexão secreta entre Pio XI e a ascensão do fascismo na Europa, Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.7 Este assunto será abordado com maiores detalhes no capítulo 3. 8 Mandel, Ernest; Trotsky, Leon. Fascismo: o que é e como combatê-lo, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019, p. 22. 9 Ibid., p. 48. 10 Kershaw, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 50. 11 D’Souza, Dinesh. A grande mentira: expondo as raízes nazistas da esquerda, São Paulo: Trinitas, 2019, p. 70. 12 Ibid., p. 71. 13 Ibid., p. 72. 14 Mandel, Ernest; Trotsky, Leon; op. cit., p. 20. 15 Ibid., p. 49. 16 Engana-se quem pensa que Mussolini e Hitler precisaram de um golpe chegarem ao poder. A implementação de um governo ditador e totalitário se deu apenas em um segundo momento. 17 D’Souza, Dinesh, op. cit., p. 64. 18 Mandel, Ernest; Trotsky, Leon; op. cit., p. 32. 19 Finchelstein, Federico. Uma breve história das mentiras fascistas. 1 ed. São Paulo: Vestígio, 2020, p. 88. 20 D’Souza, Dinesh, op. cit., p. 41. 21 Ibid., p. 64. 22 Mandel, Ernest; Trotsky, Leon; op. cit., p. 43. 23 Ibid., p. 25. 24 Importante relembrar que a nossa Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi inspirada na Carta Del Lavoro de Mussolini. 25 D’Souza, Dinesh, op. cit., p. 11. 26 Cf.: https://victimsofcommunism.org. 27 Lei que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. 28 Rauschning, Hermann. Hitler Speaks. Londres, 1939, p. 185; citado em Pipes, Richard; Russia under the Bolshevik Regime. New York: Knopf, 1933, p. 259. 29 Hayek, F. A. O caminho da servidão. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2010. p. 164. As eleições de 2022 e a banalização do termo O que é fascismo Líderes fascistas: BEnito Mussolini x Adolf Hitler Fascismo: direita ou esquerda? Nazismo, fascismo e comunismo: três cabeças da mesma hidra Bibliografia Notas de Rodapé