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FUNDAMENTOS DA SUPERVISÃO, ORIENTAÇÃO E 
INSPEÇÃO ESCOLAR 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
2 
Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................................. 3 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 4 
2. SUPERVISÃO ESCOLAR ............................................................................... 5 
2.1 O papel .................................................................................................. 7 
2.2 Os Princípios ...................................................................................... 9 
2.3 Etapas da Supervisão Escolar ............................................................... 9 
2.4 Supervisor como Agente de Mudanças ............................................... 10 
2.5 A Supervisão e as Relações Escola-comunidade ................................ 14 
2.6 Atribuições Legais do Supervisor Pedagógico ..................................... 16 
3. ORIENTAÇÃO ESCOLAR ................................................................................. 21 
3.1 Orientador e Aconselhamento ............................................................. 26 
2.3 Prestação de Serviços ...................................................................... 28 
2.4 História da Orientação Escolar ......................................................... 29 
2.4. Atribuições Legais do Orientador Educacional ................................... 33 
4.INSPEÇÃO ESCOLAR ....................................................................................... 37 
4.1 Definição de Inspeção ......................................................................... 37 
4.2 História da Inspeção ............................................................................ 38 
5. O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE ..................................................... 41 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 42 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
3 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em 
atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. 
Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais 
em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de 
promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem 
patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou 
outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável 
e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e 
ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na 
oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento 
e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
4 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O início de um novo milênio nos conduz a inevitáveis indagações acerca das 
transformações que a escola precisará sofrer para garantir a qualidade dos 
serviços educacionais. 
Num panorama nacional e internacional marcado pela vertiginosa expansão dos 
meios de comunicação das organizações globalizadas, a escola não se poderia furtar a 
uma conexão com as novas estruturas organizacionais. Novas estratégias 
prometem aumentar a qualidade e a produtividade, e constitue-se em desafio 
permanente para o futuro dos profissionais que têm a missão de formar os alunos para 
os novos tempos. 
Segundo Gandin (1997), As experiências não vem de se ter vivido muito, 
mas de se ter refletido intensamente sobre o que se fez e sobre as coisas que 
aconteceram”. 
Seguindo as instruções contidas nos módulos, certamente você terá a 
oportunidade de discutir, rever, desvelar e somar ao seu repertório de conhecimentos 
tantos outros que venham enriquecer o seu fazer pedagógico no que se refere a 
supervisão, orientação e supervisão escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
5 
 
 
 
 
2. SUPERVISÃO ESCOLAR 
 
 O significado etimológico do termo supervisão escolar é visão sobre todo o 
processo educacional para que a escola possa alcançar seus objetivos. O principal 
objetivo da supervisão escolar é oferecer orientação profissional quando e onde forem 
necessárias, visando o aperfeiçoamento da situação de ensino-aprendizagem. 
Parte-se do pressuposto de que a escola é um sistema social composto por um 
conjunto de funções todas elas inter-relacionadas e inter-influentes. Portanto, as ações 
conduzidas em uma determinada área afetam, de alguma forma, as ações de outra área. 
É necessário uma linha integrada de ação entre o diretor da escola, o supervisor 
escolar e o orientador educacional. 
"O Parecer 252/69, do Conselho Federal de Educação, ao propor os Currículos 
Mínimos para o Curso de Graduação em Pedagogia, reforça e enriquece a proposição da 
Lei 5540/68, ao definir as cinco habilitações pedagógicas: Supervisão Escolar, 
Administração Escolar, Orientação Educacional, Inspeção Escolar e Magistério; e ao 
indicar as "matérias" que devem compor a parte diversificada da habilitação em 
Supervisão" (Princípios e Métodos de Supervisão Escolar; Currículos e Programas), 
"praticamente caracterizou o campo de atuação do especialista em Supervisão, como de 
natureza predominantemente pedagógica" (26). Por outro lado, as "matérias" indicadas 
para a habilitação em Inspeção Escolar (Princípios e Métodos de Inspeção Escolar; 
Legislação do Ensino), dão-lhe uma característica de controle administrativo-legal. 
A propósito, na justificativa do Conselheiro Valnir Chagas, sobre a inclusão da 
Inspeção Escolar no currículo de Pedagogia, encontramos algumas comparações entre 
Inspeção e Supervisão em que se apontam as distinções fundamentais entre ambas. 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
6 
Embora não concordemos com todas as suas posições, ele deixa claro que ao Inspetor 
caberá uma função de controle administrativo — legal, enquanto ao supervisor caberá 
uma função eminentemente pedagógica. A seguinte frase vem em apoio à nossa posição: 
"... no progresso da supervisão repousam fundadas esperanças de uma renovação 
qualitativa da educação brasileira de graus primário e médio" (27). A isto 
acrescentaríamos: e nos demais graus e modalidades de ensino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No anteprojeto de regulamentação da profissão de Supervisor Escolar (28), 
anteriormente citado, encontramos em grandes linhas, valiosas indicações sobre o papel 
e as áreas de atuação deste profissional. Face à necessidade de homogeneizar a 
concepção sobre Supervisão Escolar em todas as Unidades Federadas que irão 
desenvolver esta sistemática de ação integrada que ora propomos, extrairemos daquele 
documento alguns itens esclarecedores. Quanto ao papel profissional, o Supervisor é 
caracterizado como "ativador de Sistemas Educacionais, tanto em nível de micro como de 
macro sistema". Partindo da indicação das grandes operações que o mesmo realiza nas 
Escolas e nos Órgãos de Coordenação do Sistema Educacional e de sua liderança junto 
aos educadores, o documento identifica o Supervisor Escolar como "um agente de 
inovações no meio educacional" ao qual "compete adaptar às diferentes condições 
sócioeconômico-culturais de cada realidade escolar, as decisões de ordem pedagógica 
emanadas dos órgãos superiores do Ministério da Educação e das Secretarias 
 
 
 
 
 
Faculdadede Minas 
7 
Estaduais". E ainda incorporar, criticamente, à praxis educacional, as novas conquistas da 
Ciência, da Tecnologia e da Arte, bem como manter-se atualizado quanto a novas 
descobertas no campo educacional. O Currículo, definido como núcleo da ação 
supervisora, "é o principal instrumento de inovação educacional utilizado pelo supervisor". 
Como áreas de ação da Supervisão Escolar são identificadas: o Currículo, o subsistema 
Ensino-Aprendizagem e o Processo Educacional, sendo definidas suas competências em 
cada uma dessas áreas. 
 
2.1 O papel 
 
O papel do Supervisor Educacional, inicialmente foi visto como uma espécie de 
inspetor ou fiscal. O supervisor precisa interagir com as instâncias burocráticas e 
pedagógicas das escolas. A supervisão escolar é necessária, de uma ou de outra forma, 
para ajudar o trabalho dos professores. Cabe frisar que na maioria das escolas podemos 
observar a composição heterogênea dos docentes: cada mestre tem formação diferente, 
tem uma maneira de ser, de pensar e de atuar. Diante deste quadro, a 
supervisão é essencial para harmonizar o projeto político pedagógico da escola. 
Existem outras razões que também demonstram a necessidade da supervisão, tais 
como: 
a supervisão evita que a rotina se torne arraigada no ensino; promove o 
aperfeiçoamento profissional do magistério; garante a unificação e o desenvolvimento 
dos programas educacionais. facilita a inserção da escola em seu meio ambiente, em 
perspectiva integradora e renovadora; pode contribuir de maneira científica para o 
planejamento integral da escola; coopera para a interação entre a escola e a 
comunidade; estimula a renovação do ensino; é instância facilitadora da utilização 
dos dados culturais do meio ambiente como fonte alimentadora da prática pedagógica. 
Enfim, a supervisão escolar deve partir do pressuposto de que vai trabalhar com 
professores de diferentes disciplinas e com eles discutir planos que levem à 
melhoria processo ensino-aprendizagem, retificando possíveis equívocos melhorando 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
8 
a atuação do professor, a partir de dados concretos recolhidos principalmente da 
observação do desempenho dos alunos. 
 
Para a Supervisão Escolar funcionar bem, é necessário que tenha as 
seguintes características: 
Cooperação - todos os professores, o pessoal administrativo, pais e alunos 
devem, juntos, sentir-se responsáveis pelo desenvolvimento da ação educativa da 
escola; 
Integração - todos os planos de aula devem ser integrados por uma 
mesma filosofia do currículo; 
Postura científica - a supervisão deve ser estruturada reflexivamente e com base 
na mediação do funcionamento dos processos ensino-aprendizagem, para que os 
resultados ofereçam sugestões de reajustamento constante do mesmo, a fim de torná-lo 
mais ajustado e eficiente; 
Flexibilidade - A supervisão não deve ser rígida, deve estar aberta às mudanças 
e se adaptar às exigências dos educandos e da sociedade; 
Permanência - A ação da supervisão deve ser permanente e não intermitente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
9 
 
 
 
2.2 Os Princípios 
 
Os princípios fundamentais da supervisão escolar são: 
 estruturar-se com base em uma filosofia de educação coerente com a 
linha da escola; 
 atuar democraticamente; 
 abranger a todos, orientar a todos - professores, pessoal administrativo, 
pais e alunos; 
 ser cooperativa, mobilizando todos os envolvidos; 
 ter postura científica, para que se desenvolva com base em 
planejamentos e avaliações constantes dos resultados de seus trabalhos, 
para que possa haver um processo contínuo de realimentação crítica 
que conduza a modificações nesses trabalhos, sempre que necessário; 
 ser objetiva - todo o plano de trabalho deve derivar da realidade 
político- educacional, sem imposição de modelos pré-estabelecidos. 
2.3 Etapas da Supervisão Escolar 
 
Planejamento: representa o roteiro de todo o trabalho a realizar, durante 
um período letivo semestral ou anual. 
Acompanhamento: o supervisor vai acompanhar, nesta etapa, o desenrolar 
das atividades determinadas pelo planejamento. 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
10 
Avaliação: atua sobre os resultados dos trabalhos realizados, a fim de 
prevenir desvios, propor retificações e mesmo alterações que melhor ajustem a ação 
da escola às necessidades do educando e da comunidade. 
 
 
 
2.4 Supervisor como Agente de Mudanças 
 
A realização do papel de "ativador de Sistemas Educacionais" implica em que o 
Supervisor atue efetivamente como agente de mudanças no meio educacional. Isto 
significa atribuir ao Supervisor uma função que já se realiza em outros setores, por 
agentes que têm a função expressa de introduzir e demonstrar novas práticas, É o caso, 
na agricultura, por exemplo, do engenheiro agrônomo que, agindo no meio rural, 
"transmite diretamente ao agricultor as informações, leva-lhe amostras de semente e faz-
lhe demonstrações de novas práticas de exploração" . Entretanto, à diferença da 
agricultura e demais setores de produção da sociedade, as mudanças em educação são 
de caráter mais sutil, menos concreto, e, em geral, envolvem uma nova posição filosófica 
e afetam em profundidade o sistema de atitudes dos elementos envolvidos. Outro aspecto 
a considerar é o de que as mudanças educacionais, para terem êxito, devem ser aceitas e 
incorporadas não apenas dentro das escolas, mas para alcançarem plenamente sua 
finalidade e se tornarem viáveis e duradouras exigem e pressupõem o apoio da própria 
comunidade. Se analisarmos mais diretamente os agentes sociais aos quais se dirige 
uma mudança educacional, vamos observar que aqueles que precisam ser mais 
diretamente atingidos são os professores e os pais dos alunos. Isto porque, embora o 
aluno seja o destinatário último e o beneficiário das inovações educacionais, os pais e os 
professores são os intermediários entre a inovação e o receptor e, se forem contrários à 
inovação, agirão como obstaculizadores, como bloqueios à mudança. 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
11 
Em apoio às afirmações acima, encontramos em Huberman, a indicação de vários 
fatores exógenos de resistência à inovação, entre os quais selecionamos: resistência do 
ambiente desconfiança dos professores conservantismo da escola. 
 
Assim, para a introdução de inovações, o Supervisor deve trabalhar não só junto ao 
corpo docente, mas no âmbito de toda a Escola e junto aos pais e à comunidade. Esse 
trabalho mais amplo deverá ser planejado e desenvolvido conjuntamente com o 
Orientador Educacional e o Administrador Escolar, utilizando, inclusive, os mecanismos 
de Integração Escola-Empresa, a Associação de Pais e Mestres, o Centro Cívico, etc. 
Mas a educação permanente dos professores é responsabilidade específica do supervisor 
e para tal deverá instrumentar-se teórica e praticamente. Embora estejamos utilizando os 
termos mudança e inovação como sinônimos, HUBERMAN considera que existem 
diferenças entre os dois: a inovação é mais ampla que a mudança. "Para enquadrar-se no 
campo de aplicação de nossa definição, uma inovação deve perdurar, ser amplamente 
utilizada e não perder as características iniciais" . Na mesma linha de pensamento, Ana 
 
 
 
 
 
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12 
Maria Saul entende por inovação "algo novo que pressupõe uma ação deliberada e 
duradoura". Neste sentido, pode-se considerar vários aspectos da Lei 5.692/71 como, 
realmente, inovadores e que demandam uma ação deliberada e planejada. Se 
pensarmos, por exemplo, na organização do quadro curricular, na implementação das 
disposições legais de matrícula por disciplina, na concretização do sistema de avaliação 
como é proposto,na implantação das Habilitações Profissionais, no desenvolvimento e 
coordenação das disciplinas de maneira a atender às exigências de formação geral e 
especial, aí temos verdadeiros desafios que estão exigindo o máximo da imaginação 
criadora de nossos educadores e onde a atuação efetiva do Supervisor é indispensável. 
Colocando-se profissionalmente como um parceiro dos professores, deverá o 
Supervisor planejar com os mesmos a ação educacional a ser desenvolvida junto aos 
alunos, instrumentá-los quanto a novos meios instrucionais, acompanhar o 
desenvolvimento das atividades curriculares e co-curriculares, estimular-lhes a iniciativa e 
a criatividade, definir conjuntamente a sistemática de avaliação e participar da avaliação 
do processo e dos resultados da atuação docente. 
No entanto, para que estas atividades ocorram realmente, os professores 
precisarão estar convencidos da va lidade das novas propostas a fim de que possam 
envolver-se tanto intelectual como afetivamente na tarefa educacional. Só o engajamento 
pessoal do professor é que proporcionará a energia necessária à ação educacional 
transformadora que o Ensino de 2º grau está exigindo. 
Mas o Supervisor precisará estar alerta aos fenômenos de resistência a inovações, 
a fim de poder superá-los. Deverá, antes de tudo, desenvolver a sensibilidade para 
detectar os sintomas e analisar as causas de 
resistência a inovações. 
Segundo Ana Maria Saul, alguns dos 
fatores de resistência às inovações, apresentadas 
pelo corpo docente, podem ser decorrentes de: 
acomodação do professor devido a sucessos 
obtidos na maneira rotineira de agir e que podem 
gerar medo da mudança ou fazê-lo sentir-se 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
13 
ameaçado em sua identidade profissional face a novas formas de atuação; ausência de 
recompensa para os inovadores, que, muitas vezes, são até marginalizados; percepção 
de que a inovação vai exigir um esforço maior do que a ação rotineira; falta de preparo 
técnico e de habilidades específicas para aplicar as inovações. 
A resistência à inovação, algumas vezes, é manifestada e se expressa por meio de 
verbalizações ou agressões visíveis. Muitas vezes, no entanto, a resistência não é 
claramente manifesta e esta é a forma mais difícil de enfrentar, porque, subjacente ao 
comportamento expresso de aceitação ocorre o bloqueio e a resistência se manifesta por 
meio de inércia e de paralização e não de hostilização aberta. É de se esperar que este 
tipo de resistência ocorra mais em situações em que as inovações são impostas ao grupo. 
Segundo Havelock, "num sistema autoritário, qualquer um pode receber ordem para 
adotar alguma coisa, mas ninguém pode receber ordem para criar algo novo. A adoção 
forçada arrisca-se, portanto, a ser superficial e efêmera, visto representar mais um ato de 
obediência do que um ato de identificação ou de assimilação" . 
Como se depreende, é importante que o grupo de professores aceite a inovação 
como sua e que a incorpore a seu sistema de valores. Por outro lado, é necessário que 
haja uma boa margem de liberdade para que o professor possa usar determinadas 
experiências de ensino sem receio de ser marginalizado ou de sofrer represálias por sua 
iniciativa. 
Uma condição indispensável quer para a "quebra" da resistência como para o 
encorajamento da ação criativa dos professores na sua função de ensino é a criação de 
um clima de segurança generalizada, que inclua tanto aspectos psicológicos como 
organizacionais. 
Eye e Netzer sugerem alguns itens que podem dar tal segurança aos professores, 
pois incluem desde recompensas ao sucesso até a divisão de responsabilidade quanto à 
análise de desvios cometidos pelo professor quanto a planos e metas aprovados. A 
ênfase é colocada sempre na atitude positiva do Supervisor e se viabiliza no estímulo às 
iniciativas, na orientação permanente para aprimoramento da atuação do docente, no 
estudo conjunto das causas de eventuais erros e na correção das possíveis falhas. É 
preciso não confundir tal postura profissional que visa estabelecer um clima 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
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organizacional propício à ação educacional inovadora com uma atitude paternalista. O 
Supervisor nada deve fazer para o professor e sim com o professor. 
Neste sentido existem algumas estratégias do processo de mudança que poderão 
ser utilizadas pelo Supervisor. 
Uma das estratégias mais indicadas para a ação inovadora em educação é o 
modelo da Pesquisa em Ação, que tem sido reconhecido como uma das formas de 
minimizar e até de desfazer a resistência às inovações. Isto porque esta forma de trabalho 
envolve diretamente o indvíduo na solução de seus próprios problemas, desde a 
identificação e análise dos problemas, o levantamento e o teste de hipóteses de ação até 
a avaliação do processo e dos resultados. Esta é uma estratégia que pode ser utilizada 
pelo Supervisor no treinamento de professores e pelo próprio professor na solução de 
seus problemas, com a colaboração do Supervisor. 
Outra forma de trabalhar com a resistência é encontrada no modelo de Interação 
Social, em que o Supervisor privilegia a atuação ao nível interpessoal, antes de trabalhar 
no nível técnico. A atuação se faz no sentido de que o Supervisor e os professores 
desenvolvam um clima de confiança mútua, um conhecimento mais afetivo e social e um 
trabalho de relações interpessoais. Esta forma de atuação poderá não obter os melhores 
resultados com aqueles indivíduos que só se deixam convencer por argumentos 
puramente racionais. Para estes, são preferíveis os modelos de Pesquisa em Ação e o de 
Solução de Problemas. Este último parte basicamente dos mesmos pressupostos da 
pesquisa em ação; seu objetivo principal é a resolução de problemas e pressupõe o 
envolvimento do indíduo, seu compromisso na aplicação das decisões tomadas e o 
desafio de efetivamente realizar uma ação em relação ao problema apresentado. (*) 
 
2.5 A Supervisão e as Relações Escola-comunidade 
 
Toda a formulação anterior repousa na proposta de que a Escola deve ser um 
sistema aberto e, como tal, deve provocar mudanças no meioambiente. 
 
 
 
 
 
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No entanto, para que a Escola de 2º grau seja um sistema aberto eficiente e eficaz, 
há necessidade de planejamento da intervenção da mesma bem como uma seleção dos 
aspectos do meio social cuja influência será aceita na Escola. Isto para garantir que o 
intercâmbio entre Escola e Comunidade será proveitoso e educativo para o adolescente. 
Sem entrarmos na análise sistêmica que tal proposição sugere, (*) diremos apenas 
que os objetivos (que fazem parte do parâmetro de controle, considerado como "a síntese 
dos objetivos e restrições de um sistema" (33) educacionais definem as direções da 
atuação escolar e, confrontados com as restrições, imprimem maior ou menor 
permeabilidade à fronteira do sistema. Outro parâmetro a ser considerado, refere-se à 
realimentação, que só será efetiva se baseada em dados reais fornecidos pelas 
instituições e elementos da comunidade caracterizados como usuários do Sistema-
Escola. 
Para maximizar as potencialidades da Escola como sistema aberto, o Supervisor 
deverá estudar com os professores os determinantes sócio-ecológicos, demográficos e 
econômicos da comunidade e plane jar a ação educacional de maneira a explorar ao 
máximo os aspectos positivos e neutralizar, se não for possível eliminar, os fatores 
negativos. 0 ideal seria que o currículo de cada Escola fosse planejado realmente de 
acordo com as características sócio-antropológicas da comunidade, de maneira que 
Escola e Comunidade se interpenetrassem e exercessem uma benéfica influência 
recíproca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
16 
 
 
 
É neste sentido que entendemos a proposta de Bárbara Freitag, socióloga 
educacional, de que o Supervisor deve respeitar os valores diferenciados dos várioselementos do sistema escolar alunos, professores, pais e que deve atuar, não impondo os 
seus próprios valores aos demais, mas sendo "mediador entre os conflitos emergentes de 
sistemas valorativos diferenciados" . A propósito desta função mediadora do supervisor, a 
autora continua: "poderá ser também o intérprete e tradutor entre os diferentes sistemas 
valorativos". "Poderá o supervisor "ideal" transmitir as aspirações, os anseios, as 
dificuldades dos educandos e educadores... às instâncias formuladoras de política, 
demonstrando a sua validade, sua importância e adequação e sugerindo reformulações 
ou reajustamentos no texto da lei em nível regional e local concreto". Esta atuação do 
Supervisor, segundo a autora, visaria possibilitar a "universalização e democratização do 
ensino dentro do espírito de uma lei formulada para todos". . 
Comentando alguns aspectos das relações entre Escola e Meio Social, Dilza Atta, 
especialista em Supervisão, levanta a hipótese de que "uma melhoria acentuada nas 
técnicas pedagógicas, sem a correspondente abertura para as relações com o sistema 
inclusivo, cria dificuldades no desenvolvimento do sistema educacional" . 
 
2.6 Atribuições Legais do Supervisor Pedagógico 
 
A equipe técnica-pedagógica que trabalha nas escolas é constituída pelos 
Especialistas em Educação, egressos das diferentes habilitações do Curso de Pedagogia. 
O fato de terem formação acadêmica semelhante, de atuarem no mesmo espaço físico e 
de visarem objetivos comuns torna não só difícil como necessária a delimitação clara das 
atribuições de cada profissional, contribuindo para a melhor compreensão dos respectivos 
papéis, maior facilidade na execução, controle e avaliação das tarefas e melhor 
integração da equipe técnica. Em contrapartida, o desconhecimento das atribuições e de 
 
 
 
 
 
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17 
seus limites claros pode gerar expectativas infundadas quanto ao desempenho de cada 
especialista, lembra Giacaglia e Penteado (2011). Dadas à necessidade e a importância 
da explicitação das atribuições, os profissionais da área de educação, os sistemas 
públicos de ensino, por meio de decretos que estatuem o regimento interno para as 
escolas de cada rede (Federal, Estadual ou Municipal) definem o rol das atribuições de 
cada Especialista em Educação Básica. É imprescindível que o Supervisor saiba articular 
o administrativo com o pedagógico. O especialista da área da supervisão, como dito 
anteriormente, deve conhecer a didática para apoiar os professores. Nessa perspectiva, a 
partir de 1975, a Supervisão passou a englobar as atividades de assistência técnico 
pedagógica e de inspeção administrativa, tornando-se mais abrangente, com condições 
de melhoria na qualidade do ensino. Nos anos 1980, difundiu-se uma crítica à divisão de 
trabalho na escola, direcionada especialmente à supervisão. Diante das teorias 
conflitantes de currículo, o supervisor sentiu- se impotente para definir o seu trabalho 
pedagógico. Entretanto, nos anos 1990, o papel do Supervisor passou a ser visto como 
necessário para a organização, o encaminhamento pedagógico e como um agente de 
mudanças na Educação, em busca da qualidade pedagógica. A Resolução nº 7150, de 
16 de junho de 1993, define as atribuições dos Especialistas da Educação, que inclui 
Supervisores Pedagógicos e Orientadores Educacionais. 
Art. 1.º 
 É papel do especialista da educação (supervisor pedagógico ou orientador 
educacional) articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando 
o trabalho dos coordenadores de área, dos docentes, dos alunos e de seus 
familiares em torno de um eixo comum: o ensino aprendizagem pelo qual 
perpassam as questões do professor, do aluno e da família. 
Dentre as funções previstas pela referida Resolução para o Supervisor 
Pedagógico e o Orientador Educacional, destacam se: o papel que o supervisor escolar 
deve desempenhar para torná-lo efetivamente um instrumento de intenções e ações de 
qualidade no ensino e na aprendizagem constata-se que essa maneira organizacional de 
reestruturar a educação possibilita para toda a comunidade escolar uma administração, 
supervisão e coordenação pedagógica ética, permitindo que todas as ações 
desenvolvidas pela escola sejam transparentes. Além disso, foi possível verificar que a 
organização do ensino deve ter como princípio a valorização da ética profissional através 
 
 
 
 
 
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do qual possibilitará a concretização de novos saberes, ideias e metas garantindo assim, 
a participação efetiva e coletiva na tomada de decisões e planejamento de ações 
concretas que compreendem o Projeto Político-Pedagógico. Portanto, diante da 
complexidade da sociedade, há muito por se fazer na educação para que ela seja 
humanizadora na transformação da realidade, pois ainda existe uma dicotomia entre os 
fundamentos teóricos e práticos que sustentam a prática pedagógica do supervisor 
escolar e demais profissionais que atuam na escola. Diante disso, acreditamos que isto 
implica mudar concepções e, principalmente mudar de paradigmas pré-estabelecidos 
para a educação. Esse talvez seja um dos inúmeros desafios que o supervisor escolar 
deverá enfrentar no cotidiano escolar, pois as pessoas pensam e agem diferentes, 
ocasionando, na maioria das vezes, disputa de poder, deixando a educação em segundo 
plano. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394, de 20 de 
dezembro de 1996, art. 64, estabelece que a formação de profissionais de educação para 
a administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a 
educação básica, será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pós 
graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum 
nacional. 
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, 
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação 
básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós - 
graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base 
comum nacional (BRASIL, 1996). 
 Desta forma, torna se evidente a liberdade dada às instituições de ensino 
superior para estabelecer cursos de formação para todos esses profissionais, respeitando 
a “base comum nacional”. É interessante registrar que o Projeto de Lei nº 290/2003 do 
Deputado Nelson Häter, que regulamenta o exercício da profissão de Supervisor 
Educacional, ou Supervisor Escolar, e dá outras providências, ainda se encontra no 
Congresso Nacional, à espera de análise e votação. O Projeto de Lei nº 290/2003 dispõe 
que: 
Art. 2º – O Supervisor Educacional, ou Supervisor Escolar, tem como objetivo de 
trabalho articular crítica e construtivamente o processo educacional motivando a 
discussão coletiva da Comunidade Escolar acerca da inovação da prática 
 
 
 
 
 
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educativa a fim de garantir o ingresso, a permanência e o sucesso dos alunos, 
através de currículos que atendam às reais necessidades da clientela escolar, 
atuando no âmbito dos sistemas educacionais Federal, Estadual e Municipal, em 
seus diferentes níveis e modalidades de ensino e em instituições públicas e 
privadas. 
E o Projeto de Lei n° 290/2003 especifica a formação exigida para exercício do 
cargo de Supervisor Pedagógico. 
Art. 3º – O exercício da profissão de Supervisor Educacional, ou 
Supervisor Escolar, é exclusivo dos portadores de diploma de curso superior, 
devidamente registrado pela Universidade formadora e/ou por Universidade 
indicada pelo Conselho Nacional de Educação, nas seguintes modalidades. I – de 
licenciatura plena em Pedagogia, habilitação em Supervisão Educacional, ou 
Supervisão Escolar; II – de pós-graduação em Supervisão Educacional, ou 
Supervisão Escolar; III – emitido por instituiçõesestrangeiras de ensino superior, 
congênere, devidamente revalidado e registrado como equivalente ao diploma 
mencionado nos incisos I e II, na forma da legislação em vigor. 
 Quanto às suas atribuições profissionais, reitera a liderança do 
Supervisor Pedagógico na coordenação da proposta pedagógica e demais documentos 
que orientam o funcionamento da escola como instituição de ensino. 
Art. 4º – São atribuições do Supervisor Educacional, ou Supervisor Escolar, a 
coordenação do processo de construção coletiva e execução da Proposta 
Pedagógica, dos Planos de Estudo e dos Regimentos Escolares, além das 
seguintes: I – investigar, diagnosticar, planejar, implementar e avaliar o currículo 
em integração com outros profissionais da Educação e integrantes da 
Comunidade; II – supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula 
estabelecidos legalmente; III – velar pelo cumprimento do plano de trabalho dos 
docentes nos estabelecimentos de ensino; IV – assegurar processo de avaliação 
da aprendizagem escolar e a recuperação dos alunos com menor rendimento, em 
colaboração com todos os segmentos da Comunidade Escolar, objetivando a 
definição de prioridades e a melhoria da qualidade de ensino; V – promover 
atividades de estudo e pesquisa na área educacional, estimulando o espírito de 
investigação e a criatividade dos profissionais da educação; VI – emitir parecer 
concernente à Supervisão Educacional; VII – planejar e coordenar atividades de 
atualização no campo educacional. VIII – propiciar condições para a formação 
permanente dos educadores em serviço; IX – promover ações que objetivem a 
articulação dos educadores com as famílias e a comunidade, criando processos 
 
 
 
 
 
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de integração com a escola; X – assessorar os sistemas educacionais e 
instituições públicas e privadas nos aspectos concernentes à ação pedagógica. 
A função do supervisor escolar está centrada na ação pedagógica, processos de 
ensino e aprendizagem. Entendemos que o papel do supervisor escolar é muito 
importante, junto ao corpo docente e discente e toda equipe técnica escolar; não apenas 
um solucionador de problemas, mas também que o mesmo desenvolva trabalhos 
relacionados à prevenção da indisciplina na escola. Visto que a indisciplina está 
relacionada não apenas a um problema único, mas que muitas vezes acaba envolvendo 
aspectos relacionados à família, situações sociais, escola, comunidade, entre outros; 
cabe ao supervisor possibilitar métodos que auxiliem na ação/reflexão das práticas 
pedagógicas. 
A regulamentação, de maneira geral, estabelece que ele coordenará e contribuirá 
nas atividades de planejamento, execução, controle e avaliação do projeto político 
pedagógico da unidade educativa, juntamente com a direção, especialistas e professores. 
O texto ainda especifica como atribuições do Supervisor Educacional: 
• Coordenar, junto com os professores, o processo de sistematização e divulgação 
das informações sobre o educando, para conhecimento dos pais; • Supervisionar 
o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos legalmente; • Orientar e 
acompanhar os professores no planejamento e desenvolvimento dos conteúdos; • 
Planejar e coordenar atividades de atualização no campo educacional; • 
Coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do 
educando; • Acompanhar o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola e 
o trabalho do professor junto ao aluno, auxiliando em situações adversas; • 
Participar da análise qualitativa e quantitativa do rendimento escolar, junto aos 
professores e demais especialistas, visando a reduzir os índices de evasão e 
repetência, e qualificar o processo ensino-aprendizagem; e • Valorizar a iniciativa 
pessoal e dos projetos individuais da comunidade escolar; entre outras (BRASIL, 
2012). 
Pelo texto, para todos os efeitos legais, Supervisor Educacional é sinônimo de 
Supervisor Escolar e de Supervisor Pedagógico. O projeto prevê ainda que esses 
profissionais possam se organizar em entidades de classe. A proposta tramita em caráter 
conclusivo e será analisada pelas comissões de Educação e Cultura; de Trabalho, de 
Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. 
 
 
 
 
 
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3. ORIENTAÇÃO ESCOLAR 
 
A evolução do conceito de orientação se prende às transformações sociais, 
políticas, econômicas e ao desenvolvimento das ciências humanas, transformações 
essas, geradoras de novas concepções sobre o homem. Por outro lado, as novas visões 
de mundo e de homem direcionam as transformações acima citadas, influenciando a 
busca de formas mais eficazes de orientação. Por muito tempo, os orientadores 
educacionais se contentaram em trabalhar com aspectos parciais do homem. Frank 
Parsons (1909), considerado o iniciador da orientação, pretendida "que os adolescentes 
tivessem oportunidades de expressão individual e de serem social e economicamente 
aproveitados na medida de suas capacidades". Hoje não se pode mais esquecer que o 
homem é muito mais do do que um conjunto de problemas ou de comportamentos. Há 
que considerálo como uma unidade complexa, total, vivendo e se desenvolvendo aqui e 
agora. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Com uma visão parcial de homem, a orientação inicialmente se preocupou com 
aspectos específicos do indivíduo. A abrangência crescente de seu foco de ação, deve-se 
à preocupação do homem como um todo, em relação íntima com o ambiente onde se 
vive. 
A Orientação Educacional desenvolveu-se no contexto escolar, não só por ser a 
escola a instituição que oferece maiores possibilidades de contatos humanos, "como 
também por ser ela capaz,até certo ponto, de programar, avaliar e interferir sobre os 
efeitos desses mesmos contatos". (56) 
Enquanto a visão de homem assumida pela orientação foi fragmentada e 
unilateral, sua ação foi paralela ou mesmo separada do processo educativo. Atualmente, 
a orientação para alcançar seus objetivos, só pode surgir como processo contínuo, 
estreitamente vinculado ao processo educativo, por pretender promover o 
desenvolvimento do homem. 
Com isso, outra constatação se apresenta: a orientação e a educação mantém 
uma identidade de fins; ambas se propõem no momento histórico atual, liberar o homem 
para que este alcance seu pleno desenvolvimento e contribua de maneira eficiente para o 
desenvolvimento social. 
A Orientação Educacional não se confunde com a educação, pois tem sua 
"identidade assegurada pelo exercício de certas funções de caráter educativo, que lhe 
são peculiares, dentre o conjunto de outros agentes que contribuem para a educação" 
O advento da Orientação Educacional representa uma tomada de 
consciência em relação à realidade do educando e à complexidade da vida social. 
O que se pode observar, na prática, é que o educando ocupava posição 
secundária no processo educacional. O sucesso escolar era quase sempre produto da 
eficiência do professor, enquanto o fracasso corria por conta da falta de aplicação ou de 
aplicação inadequada, por parte do educando em relação a seus estudos. 
 
 
 
 
 
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Somente no início do século XX é que a vida social do educando começou a ser 
olhada como um aspecto importante para o sucesso do processo educativo. Decorre daí a 
visão do educando, enquanto um sujeito com virtudes e carências, diferente um do 
outro, o que determina aspirações diferenciadas. Este olhar diferenciado para o 
educando nos possibilita construir um olhar também diferenciado para o professor, 
sendo percebido como um ser falível. 
Conseqüentemente, o meio sociocultural em que se desenvolve o 
educando, as relações existentes da apropriação dos espaços, bem comoas suas 
contradições, como por exemplo, o crescimento do processo de industrialização e a 
exigência da especialização de mão- de-obra se faz perceber, pela escola, como uma 
dimensão importante e necessária ao processo educativo. 
O educando começou a ser olhado de maneira mais compreensiva, com a 
intenção de ser apreendido, integralmente, em sua realidade sócio-humana, sendo 
assistido e fortalecido em suas dificuldades, bem como valorizado em seus aspectos 
positivos, de modo a prepará-lo para integrar-se no meio social, como cidadão 
participante. Este é o advento da Orientação Educacional. 
Assim sendo, a Orientação Educacional fundamenta-se no reconhecimento 
das diferenças individuais e no reconhecimento de que o ser humano, em qualquer 
momento de sua vida, pode apresentar carências e dificuldades, necessitando, pois, 
de compreensão, ajuda e orientação. 
Ela surgiu no início do século XX, nos Estados Unidos com o objetivo primeiro de 
orientar os estudantes para uma adequada escolha profissional para inserção no 
mercado de trabalho, isto é, como um direcionamento para a orientação profissional. O 
contato direto com o educando foi deixando transparecer suas dificuldades, ampliando-se 
seu campo de ação para uma assistência mais ampla e completa, com o objetivo de 
melhor orientá-lo para a vida pessoal e social. 
A Orientação Educacional, no Brasil, tem sua primeira incursão no processo 
educativo através de Lourenço Filho, um dos expoentes da educação brasileira, enquanto 
diretor do Departamento de Educação do Estado de São Paulo criou o “Serviço 
de Orientação Profissional e Educacional, em 1931, “serviço” este interrompido em 
 
 
 
 
 
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1932, sendo reiniciado por Fernando de Azevedo, ainda, no mesmo ano e extinto em 
1935. 
O objetivo maior deste “serviço” era “guiar o indivíduo na escolha de seu lugar 
social pela “profissão”, uma espécie de correlato do que hoje, concebemos como 
orientação vocacional. 
A expressão “Orientação Educacional”, empregada para designar um serviço 
auxiliar da escola (visão simplista e pouco acadêmica) surgiu, pela primeira vez 
na legislação federal, no Decreto-lei nº 4.073, de 30/1/42. 
A formulação mais precisa aparece na Lei Orgânica do Ensino Secundário 
(Decreto- lei nº 4.424 de 09/04/42), 
 “Art. 80 - Far-se-á, nos estabelecimentos de ensino secundário, Orientação 
Educacional. 
Art. 81 - É função da Orientação Educacional, mediante a necessária 
observação, cooperar, no sentido de que cada aluno se encaminhe 
convenientemente nos estudos e na escolha de esclarecimentos sempre em 
entendimento com sua família. conselhos Art. 82 - Cabe ainda à Orientação 
Educacional cooperar com os professores no sentido da boa execução, por 
parte dos alunos, dos trabalhos escolares, buscar imprimir segurança e 
atividade aos trabalhos complementares e velar para que o estudo, a 
recreação e o descanso dos alunos decorram em condições de maior 
conveniência pedagógica.” 
Posteriormente, a Lei 5.564 de 21/12/68 amplia a extensão da orientação 
educacional aos níveis médio e primário visando a uma ação mais assistencialista 
e de aconselhamento. 
 Art. 1º- A Orientação Educacional se destina a assistir o Educando 
individualmente ou em grupo, no âmbito das escolas e sistemas escolares de 
nível médio e primário, visando ao desenvolvimento integral e harmonioso de 
sua personalidade, ordenando e integrando os elementos que exercem 
influência em sua formação e preparação para o exercício das opções básicas. 
A Orientação Educacional se consagra no texto da Lei 5.692, de 11/08/71 quando 
se faz presença obrigatória em todas as instituições de ensino através da criação do 
 
 
 
 
 
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25 
Serviço de Orientação Educacional (S.O.E.), o qual deveria estabelecer uma relação de 
parceria entre escola/ professores/ comunidade e família. 
 a Orientação Educacional incluindo aconselhamento vocacional em cooperação 
com professores, família e comunidade. 
Apesar da obrigatoriedade nas escolas, o que se viu ao longo desses quase trinta 
anos foi um desgaste progressivo da Orientação Educacional. Desgaste este 
propiciado provavelmente pela formação inadequada dos profissiobnais de 
Orientação Educacional que priorizaram, em seu percurso profissional, a função do 
aconselhamento, negligenciando outras funções como as de planejamento, organização, 
atendimento geral, atendimento individual e de relacionamento (Nérici, 1973). 
Desta maneira, o S.O.E. passou a ser um espaço onde o aluno ia 
desabafar, descansar ou, simplesmente, fugir da aula que ele achava desagradável. 
Com a implantação da nova LDB/96 pretende-se resgatar a importância da 
Orientação Educacional no processo educativo atual que visa 
“(...) o pleno desenvolvimento da pessoa, seu responsável da cidadania e 
sua qualificação para o trabalho.” (Título II, art. 1º, lei 9.394 de 20/12/96) 
 
. Assim, o orientador educacional necessita aprimorar-se não se limitando à 
formação acadêmica mas investindo em treinamentos, em serviço e, principalmente, no 
desenvolvimento das competências e habilidades, tão bem declinadas por Perrenoud 
(2000). 
Segundo Lück (1999), o processo educativo será significativo quanto maior for a 
qualidade do relacionamento professor-aluno. O conhecimento, as habilidades e as 
atitudes do professor em relação ao aluno, alvo de sua motivação, tornam eficaz o 
processo educativo. Assim, é de extrema importância orientar e assistir a este 
professor na promoção de um ambiente escolar saudável e eficaz. Como “a chave do 
êxito na educação reside nas pessoas” (Kaufman, 1978: 11) e seus relacionamentos, 
temos aqui a importância da ação da orientação educacional. 
 
 
 
 
 
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Uma das grandes dificuldades da educação encontra-se na distância existente 
entre as idéias inovadoras e a ação pedagógica em si efetivada pelo professor, uma vez 
que o espaço próprio para a efetivação das mudanças – a sala de aula – continua 
pleno de ações conservadoras, muitas vezes instintivas, ou como protestos diante das 
perspectivas frustradas e das dificuldades encontradas pelo professor. 
A falta de assistência ao professor quanto ao seu desempenho em sala de aula, 
tanto no aspecto técnico quanto pessoal, é visto como uma das causas de entraves do 
processo educativo. 
3.1 Orientador e Aconselhamento 
 
Tradicionalmente, o orientador educacional é percebido e percebe-se como 
um profissional que tem como função precípua atuar junto aos educandos. 
Neste sentido, a orientação educacional é definida por Schmidt e Pereira (1969): 
“um método pelo qual o orientador educacional ajuda o aluno, na escola, a 
tomar consciência de seus valores e dificuldades, concretizando, principalmente 
através do estudo, sua realização em todas as suas estruturas e em todos os 
planos de vida”. (Schimidt e Pereira, apud Nérici, 1973, p. 67) 
Dentro desta perspectiva, o aconselhamento tem sido considerado a 
principal atuação do orientador educacional. Entretanto, atualmente, esta práxis vem 
sendo amplamente questionada em virtude do orientador educacional não conseguir 
demonstrar a eficácia do tempo destinado ao aconselhamento para o atendimento da 
problemática do educando. 
 
 
 
 
 
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Um dos questionamentos levantados relaciona-se à origem dos modelos e 
técnicas de aconselhamento utilizados em orientação educacional, os quaissão do 
âmbito da psicoterapia. 
Ora, neste particular existe uma ótica diferenciada, posto que na 
psicoterapia pressupõe-se a existência de um núcleo de doença que, geralmente, é 
manifestado no indívíduo. Assim, as mudanças a serem efetuadas devem se dar no 
indivíduo e não no ambiente. Esta ótica se amplia para a escola através da postura 
assumida pelo orientador Educacional, já que, geralmente, o aconselhamento é utilizado 
nos casos de indisciplina na escola (Lück, 1979). 
A prática comum é a do encaminhamento do educando ao Serviço de Orientação 
Educacional, para que suas atitudes sejam modificadas. Esta práxis nega o 
reconhecimento de que, muitas vezes, a inadequação comportamental do educando é 
conseqüência de disfunções ambientais, entre outras, as quais devem ser corrigidas 
e alteradas, tais como: currículos e programas inadequados às necessidades dos 
 
 
 
 
 
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educandos, rigidez nos regulamentos, falta de sensibilidade de professores e outros 
profissionais da escola com relação às características individuais do educando. 
Além destes questionamentos, no plano da argumentação lógica, pensamos que 
a desigualdade natural existente orientador educacional (adulto) educando 
(criança/adolescente) não se desfaz no espaço educacacional, uma vez que o adulto é 
percebido, em nossa cultura, como figura de autoridade pela criança/adolescente, não 
importando a posição por ele ocupada. 
Outro aspecto a relevar é que o educando, geralmente um cliente involuntário do 
aconselhamento, sentir-se-á totalmente à vontade para discutir qualquer assunto 
com o orientador educacional. Parece-nos que não, o que torna a escola o espaço não 
apropriado para o aconselhamento. 
Além disso, a escola, sujeita a pressões organizacionais em termos de resultados, 
de eficácia, propicia condições educando desenvolva comportamento natural. Ao 
contrário, vemos com freqüência a tentativa de moldar o aluno aos padrões 
comportamentais concebidos pela instituição, como sendo os mais adequados. 
Finalmente, a Orientação Educacional desenvolvida através do 
aconselhamento, individual ou em grupo, é restrita a um número limitado de educandos, 
ficando a maioria deles sem receber os benefícios da orientação educacional. Mais sério 
do que não contemplar a todos, diante da pressão do tempo limitado e do número imenso 
de alunos, o orientador educacional vê-se obrigado a diminuir o tempo de duração e o 
número de sessões com cada aluno, podendo haver um ajustamento, prematuro e 
superficial, forçado inadvertidamente por ele. 
 
 
2.3 Prestação de Serviços 
 
A Orientação direta ao educando parte do pressuposto de que estes são 
diferentes e que, portanto, apresentam necessidades distintas, as quais o professor 
não se vê com preparo suficiente para efetuar seu trabalho. Logo, segundo Lück (1978) 
 
 
 
 
 
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à medida que as necessidades vão surgindo, o orientador torna-se um “prestador de 
serviços”. Tal concepção mudou totalmente a abrangência e significância do papel 
do professor, uma vez que ele não estará mais sozinho à frente das dificuldades, 
tentando resolvê- las juntamente com o educando. Ao perceber as dificuldades 
psicoemocionais no seu aluno, encaminhá-lo ao Serviço de Orientação Educacional 
transferindo ao orientador educacional a responsabilidade de solucionar tais problemas. 
Assim sendo, o professor se ausenta do papel fundamental de formador 
intelectual e psicoemocional de seus alunos, deixando um hiato na qualidade do 
relacionamento interpessoal professor/aluno, o que incidirá numa falta de parâmetros 
comportamentais na escola. 
Face ao exposto, depreende-se que o “fazer” do orientador educacional deva estar 
voltado para prestar assistência ao professor, aos alunos, às famílias, à escola como um 
todo, envolvendo os seus profissionais, enfim todas as pessoas que interagem e 
contatam com o educando, objetivando prepará-los para atender e entender as 
necessidades dos educandos de forma global – em relação aos aspectos cognitivos, 
psicomotores, sociais e afetivos. 
 
 
2.4 História da Orientação Escolar 
 
Segundo Barbosa (2015), no ano de 1908, na cidade de Boston (EUA), época de 
avanços tecnológicos e política antitruste, Frank Parsons criou um sistema de orientação 
para adolescentes que ainda não haviam optado por uma carreira. Este era o início da 
Orientação Profissional. No mesmo país, a Orientação Profissional invadiu as escolas 
com essa a intenção de orientar os alunos quanto à profissionalização e à sua inserção 
no mercado de trabalho; hoje esse trabalho é conhecido como Orientação Vocacional. Por 
meio do contato com os alunos, o Orientador percebe as dificuldades, as dúvidas e os 
conflitos que os estudantes enfrentam no dia a dia, além da escolha da profissão. Houve, 
então, a compreensão de que o fator emocional/psicológico do educando tem extrema 
 
 
 
 
 
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importância para a concretização do seu processo educacional. Por isso, durante muito 
tempo entendeu-se Orientação Educacional como uma espécie de aconselhamento. 
 No Brasil, a Orientação Educacional teve, em sua implantação, grande influência 
da orientação americana, em especial o counselling (aconselhamento), e da orientação 
educacional francesa, relata Grinspun (2011). No Brasil, as décadas de 1920 e 1930 
foram ricas em discussões sobre Educação e Pedagogia. Socialistas, anarquistas, 
liberais, conservadores, homens influentes de todos os partidos políticos debateram o 
mesmo assunto. Importa registrar que, em 1929, mais da metade da população brasileira 
(65%) de 15 anos ou mais havia sido excluída da escola. O ensino ainda era elitista, mas 
havia um clima favorável à educação popular e à Escola Nova, tendência que tem como 
objetivo democratizar e transformar toda a sociedade por meio da educação. Em 1924 foi 
criada a Associação Brasileira de Educação (ABE), promotora de debates importantes à 
época. Em 1930, criado o Ministério da Educação e Saúde e, em 1931, fundado, por 
Lourenço Filho, o primeiro serviço público de Orientação Profissional no Liceu de Artes e 
Ofícios de São Paulo, com a função de Orientação Vocacional. Em 1932, o Brasil 
conheceu a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova e, em 1934, foi 
publicada a primeira Constituição da República a dedicar espaço significativo à educação. 
Os escolanovistas, também conhecidos como Pioneiros da Educação Nova, propunham o 
rompimento com o ensino tradicional, a renovação de técnicas, uma escola pública, 
obrigatória e gratuita para todos. O Manifesto preconizava o conhecimento e respeito às 
necessidades e interesses da criança a partir da sua realidade e, ainda, o 
estabelecimento de relações entre a escola e a vida social. É momento de a Orientação 
Educacional mostrar seu papel. O período institucional foi de 1920 a 1941, segundo 
Grinspun (2011). No Decreto-Lei nº 4.073, de 30 de janeiro de 1942, Lei Orgânica do 
Ensino Industrial, pela primeira vez, a expressão Orientação Educacional foi citada na 
legislação brasileira. 
 A Lei nº 4.244, de 9 de setembro de 1942, Lei Orgânica do Ensino Secundário, 
estabeleceu a função da Orientação Educacional nas instituições de ensino do mesmo 
nível. Instituiu preceitos como cooperar para que cada aluno se encaminhasse 
convenientemente nos estudos e na escolha da sua profissão, ministrando-lhe 
esclarecimentos e conselhos, sempre em entendimento com a sua família. Sempre 
 
 
 
 
 
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apoiada na fundamentação psicológica de conhecer melhor o aluno, visando a seu 
ajustamento, a Orientação foi caminhando em sua trajetória no Brasil, agora fortificada por 
ser legalmente instituída (GRINSPUN, 2011). Coma edição da Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional nº 4024/61, a formação em Orientação Educacional voltou a ter 
destaque legal. 
Em 21 de dezembro de 1968, foi criada a Lei nº 5.564, que determinou o exercício 
da profissão do orientador educacional em níveis médio e fundamental, promovendo 
assistência ao educando, individualmente ou em grupo, preocupada com o 
desenvolvimento integral e harmonioso da personalidade do educando. Citou no seu bojo 
o Código de Ética dos Orientadores Educacionais. Posteriormente, com a vigência da 
nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 5692/71, foi disciplinada a 
atuação do Orientador Educacional no ensino de 1º e 2º graus. A Lei de Diretrizes e 
Bases, nº 5.692, de 1971, em seu Art. 10, instituiu obrigatoriamente a Orientação 
Educacional, incluindo o aconselhamento vocacional em cooperação com professores, 
família e comunidade. Em 26 de setembro de 1973, foi homologado o Decreto nº 72.846, 
que regulamenta a profissão do Orientador, em vigor até os dias de hoje. Em seu Art. 1º 
encontra-se o objeto da Orientação Educacional: a assistência ao educando, que pode 
ser feita individualmente ou em grupo, nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, 
“visando ao desenvolvimento integral e harmonioso de sua personalidade, ordenando e 
integrando os elementos que exercem influência em sua formação e preparando-o para o 
exercício da cidadania” (BRASIL, 1973). O mesmo documento, nos Artigos 2º e 3º, 
estabeleceu quem poderia atuar como orientador educacional: licenciados em Pedagogia 
e habilitados em Orientação Educacional e os diplomados em nível de pós-graduação 
nessa especialização. O Art. 5º do Decreto nº 72.846/73 estabeleceu que a profissão 
fosse exercida na órbita pública e privada, “por meio de planejamento, coordenação, 
supervisão, execução, aconselhamento e acompanhamento relativos às atividades de 
orientação educacional, bem como por meio de estudos, pesquisas, análises, pareceres 
compreendidos no seu campo profissional” e o Art. 9º dispôs sobre outras atribuições 
como “participação no processo de identificação das características básicas da 
comunidade, da caracterização da clientela escolar, da elaboração do currículo pleno da 
escola, da composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos e da 
integração escola-família-comunidade”. Com o texto do Decreto-Lei mencionado, 
 
 
 
 
 
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percebe-se que o papel do Orientador nos dias atuais não se limita ao acompanhamento 
e à dedicação apenas aos “alunos-problema”. O campo de atuação desse profissional se 
estende por toda a escola, cativando colegas, família e comunidade. São questões 
psicológicas e pedagógicas muito próximas em benefício de todos, conforme pontua 
Grinspun (2011). 
 O Orientador, que já havia sido concebido como um agente de mudança, um 
terapeuta que deveria rogerianamente atender os alunos com problema, um psicólogo 
que só deveria trabalhar as relações interpessoais dentro da escola, um facilitador da 
aprendizagem, vai, pouco a pouco, deixando essas funções/denominações para assumir, 
com mais competência técnica, seu compromisso político na e com ela. O Código de 
Ética dos Orientadores do Brasil, firmado em 18 de novembro de 1978, em Curitiba, 
dispõe sobre deveres e limitações do cargo. Na década de 1980 a 1990 surgiram 
movimentos questionando a formação profissional e prática do Orientador Educacional. 
A Resolução nº 7150, de 16 de junho de 1993, no art. 10 dispôs: 
É papel específico do Especialista de Educação (Supervisor ou Orientador 
Escolar) articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando os 
trabalhos dos coordenadores de área, dos docentes, dos alunos e de seus 
familiares em torno de um eixo comum: o ensino-aprendizagem pelo qual 
perpassam as questões do professor, do aluno e da família. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20 de dezembro de 
1996, estabeleceu o olhar sobre o aluno como ser social, sujeito de direito à educação, 
que abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na 
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos 
sociais e organizações da sociedade civil e manifestações culturais (BRASIL, 1996). 
Porém, a mesma lei retirou do seu texto a obrigatoriedade da Orientação Educacional nas 
escolas. A Lei 9394/96 consolidou o trabalho do Orientador Educacional e do Supervisor 
Pedagógico nas escolas, como foi citado no capítulo anterior. Vale à pena relembrar seu 
art. 64: 
Art. 64 – A formação de profissionais da educação para administração, 
planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional para a educação 
básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de 
 
 
 
 
 
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pósgraduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a 
base comum nacional. 
Em 13 de dezembro de 2005, o Parecer CNE/CP nº 3 instituiu diretrizes 
curriculares nacionais para o curso de Pedagogia, estabelecendo que o curso de 
Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções 
de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos 
de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e 
apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos 
(BRASIL, 2006). Grinspun (2011) explicou que a formação dos Supervisores e 
Orientadores educacionais não é mais realizada de um modo geral na graduação e. sim, 
em nível de pós-graduação. Os licenciados hoje em Pedagogia estão habilitados à 
docência de Matérias Pedagógicas, Educação Infantil e anos iniciais do Ensino 
Fundamental, bem como Especialistas em Educação Básica nas áreas de atuação 
contempladas nas grades curriculares de seus cursos. 
 
2.4. Atribuições Legais do Orientador Educacional 
 
Os estabelecimentos particulares de ensino têm autonomia para incluir, em seus 
regimentos internos, as atribuições que pretendem conferir, a cada um, na respectiva 
escola. É importante ressaltar que tanto numa situação como na outra, é necessário que 
seja observado o Decreto que regulamenta a profissão do Orientador Educacional e que 
estabelece, entre outras coisas, as atribuições privativas, isto é, as que lhe competem 
coordenar e aquelas das quais deve participar, juntamente com os demais membros da 
equipe escolar. Dessa forma, conhecendo o conteúdo da lei que regulamentou sua 
profissão, dentro dos limites impostos por ela e de acordo com a realidade na qual esteja 
atuando, o Orientador Educacional poderá selecionar e hierarquizar o que será realizado 
a cada ano. Durante o planejamento, o Orientador deverá atentar para a legislação 
específica que regulamenta a profissão e suas atribuições. O Decreto nº. 72.846, de 26 
de setembro de 1973, regulamenta a Lei nº 5.564, de 21 de dezembro de 1968 (BRASIL, 
1968), a qual dispõe sobre o exercício da profissão de Orientador Educacional, usando a 
prerrogativa que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição e decreta: 
 
 
 
 
 
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Art. 1º. Constitui o objeto da Orientação Educacional a assistência ao educando, 
individualmente ou em grupo, no âmbito do ensino de 1º e 2º graus, visando o 
desenvolvimento integral e harmonioso de sua personalidade, ordenando e 
integrando os elementos que exercem influência em sua formação e preparando-o 
para o exercício das opções básicas. Art. 2º. O exercício da profissão de 
Orientador Educador é privativo: 
I - Dos licenciados em pedagogia, habilitados em orientação educacional, 
possuidores de diplomas expedidos por estabelecimentos de ensino superiores 
oficiais ou reconhecidos. II - Dos portadores de diplomas ou certificados de 
orientador educacional obtidos em cursos de pós-graduação, ministrados por 
estabelecimentos.III - Dos diplomados em orientação educacional por escolas 
estrangeiras, cujos títulos sejam revalidados na forma da legislação em vigor. (...) 
Art. 5º. A profissão de Orientador Educacional, observadas as condições revistas 
neste regulamento, se exerce na órbita pública ou privada, por meio de 
planejamento, coordenação, supervisão, execução, aconselhamento relativos às 
atividades de orientação educacional, bem como por meio de estudos, pesquisas, 
análises, pareceres compreendidos no seu campo profissional. 
Os artigos 8º e 9º do referido Decreto definem mais especificamente, em âmbito 
nacional, as atribuições do Orientador Educacional. 
Art. 8º. São atribuições privativas do Orientador Educacional: a) planejar e 
coordenar a implantação e funcionamento do serviço de Orientação Educacional 
em nível de Escola e Comunidade. b) planejar e coordenar a implantação e 
funcionamento do serviço de orientação educacional dos órgãos do serviço 
público federal, estadual, municipal e autárquico; das sociedades de economia 
mista, empresas estatais, paraestatais e privadas. c) coordenar a orientação 
vocacional do educando, incorporando-o ao processo educativo global. d) 
coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do 
educando. e) coordenar o processo de informação educacional e profissional com 
vistas à orientação vocacional. f) sistematizar o processo de intercâmbio das 
informações necessárias ao conhecimento global do educando. g) sistematizar o 
processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas 
aqueles que exigirem assistência especial. h) coordenar o acompanhamento pré-
escolar. i) ministrar disciplinas de teoria e prática da orientação educacional, 
satisfeitas as exigências da legislação específica do ensino. j) supervisionar 
estágios na área da orientação educacional. l) emitir pareceres sobre matéria 
concernente à orientação educacional 
 
 
 
 
 
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As atribuições foram divididas em “privativas” e “participativas”, assegurando ao 
Orientador Educacional a especificidade de suas funções, principalmente no que se refere 
ao SOE, ao processo de Orientação Vocacional e ao acompanhamento pós-escolar. Não 
só está previsto que o Orientador Educacional execute tais tarefas como também que as 
coordene. Ao fazê-lo, entretanto, deverá envolver os demais elementos da escola, a 
família e a comunidade na sua realização, pois seria impraticável e provavelmente 
ineficaz tentar realizá-las sozinho, em toda a sua extensão. 
Art. 9º. Competem, ainda, ao Orientador Educacional as seguintes atribuições: a) 
participar no processo de identificação das características básicas da comunidade; 
b) participar no processo de caracterização da clientela escolar; c) participar no 
processo de elaboração do currículo pleno da escola; d) participar na 
composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos; e) participar 
do processo de avaliação e recuperação dos alunos; f) participar do processo de 
encaminhamento dos alunos estagiários; g) participar no processo de integração 
escola-família-comunidade; h) realizar estudos e pesquisas na área da orientação 
educacional. 
O Art. 9º prevê que o Orientador participe das demais atividades escolares, 
coordenadas por outros profissionais como Diretor, Assistente de Direção, Coordenador 
Pedagógico, Coordenadores de áreas e de séries, colaborando para a sua boa execução. 
A escola tem um trabalho coletivo. Contata-se que o Orientador atua como coordenador 
de atividades que lhe são privativas e participa de outras atividades da escola 
coordenadas por colegas. Giacaglia e Penteado (2011) discutem problemas usuais de 
relacionamento entre os especialistas que trabalham nas escolas, principalmente aqueles 
que, normalmente, o fazem de modo mais integrado com o Orientador Educacional e 
enfatizou a sua conduta. O Orientador Educacional deve se conduzir também pelo 
Código de Ética de 1978, que norteia a atuação da categoria. O Código de Ética dos 
Orientadores do Brasil, de 18 de novembro de 1978, dispõe: 
 Artigo 1º - São deveres fundamentais do Orientador Educacional: a) exercer suas 
funções com elevado padrão de competência, responsabilidade, zelo, discrição e 
honestidade; b) atualizar constantemente seus conhecimentos; c) colocar-se a 
serviço do bem comum da sociedade, sem permitir que prevaleça qualquer 
interesse particular ou de classe; d) Ter uma filosofia de vida que permita, pelo 
 
 
 
 
 
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amor à Verdade e respeito à Justiça, transmitir segurança e firmeza a todos 
àqueles com quem se relaciona profissionalmente. 
Além dos deveres acima transcritos, que requerem competência profissional, 
defesa dos interesses sociais e filosofia de vida que inspire segurança aos conviventes, o 
Código arrola ainda deveres relativos às expectativas morais da comunidade e respeito 
ao ser humano, sujeito de direitos. 
e) Respeitar os códigos sociais e expectativas morais da comunidade em que 
trabalha; f) Assumir somente a responsabilidade de tarefas para as quais esteja 
capacitado, recorrendo a outros especialistas sempre que for necessário; g) Lutar 
pela expansão da Orientação Educacional e defender a profissão; h) Respeitar a 
dignidade e os direitos fundamentais da pessoa humana; i) Prestar serviços 
profissionais desinteressadamente em campanhas educativas e situações de 
emergências, dentro de suas possibilidades (BRASIL, 1978). 
Ainda relaciona impedimentos na execução de suas atribuições. E, quanto ao 
comportamento social e suas relações, deixa clara a necessidade do comportamento 
ilibado e bom-senso. O Orientador Educacional, além da competência profissional, deve 
primar pelo decoro, honestidade e sigilo. A Resolução nº 7150, de 16 de junho de 1993, 
dispõe sobre a configuração do Especialista em Educação Básica na Rede Estadual de 
Ensino. 
Art. 10. É papel específico do Especialista de Educação (Supervisor ou Orientador 
Escolar) articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando os 
trabalhos dos coordenadores de área, dos docentes, dos alunos e de seus 
familiares em torno de um eixo comum: o ensinoaprendizagem pelo qual 
perpassam as questões do professor, do aluno e da família. 
Analisadas as atribuições elencadas na legislação vigente, informações acerca do 
trabalho do Orientador Educacional, dados e implicações analisadas demonstram que as 
funções desse Especialista em Educação são numerosas, complexas e difíceis de serem 
delimitadas com precisão. Espera-se que ele seja sensato, ponderado, conciliador, 
consciente de que tem um plano a executar e de que deve desempenhar suas funções 
precípuas, não assumindo tarefas que não sejam de sua competência e/ou alçada. Assim 
procedendo, estará contribuindo para que seu papel seja percebido cada vez mais 
 
 
 
 
 
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claramente, preservando satisfatórias relações interpessoais, evitando problemas 
insolúveis de relacionamento. 
 
4.INSPEÇÃO ESCOLAR 
 
4.1 Definição de Inspeção 
 
Analisamos que faz-se pertinente a introdução deste trabalho compreender o 
sentido etimológico da palavra inspeção, para clarear o pensamento de seu significado 
aos olhos do leitor na perspectiva da educação. Trata-se de uma palavra de origem do 
latim que quer dizer ação de olhar, examinar, verificar. Como nos destaca Menezes 
(1977) Inspeção é: “ (...) acercar-se de alguma coisa ou de alguém para compreender, 
controlar, cuidar, examinar, fiscalizar, guardar, observar,olhar, revistar, supervisar, ver, 
verificar, vigiar, vistoriar.” E ainda relata que: (...) a inspeção é elemento imprescindível 
nas atividades humanas; aparece e é mais notado quando a produção cai e o 
administrador deve interferir no processo. Uma das causas do prestígio da Inspeção 
Escolar tradicional do grupo mais aparecia a inspeção e o controle e a conseqüentetensão no grupo e o resultante desequilíbrio organizacional. (Pág. 39) Observa-se que os 
vocábulos cognatos a palavra destacada lhe atribuem o sentido de controle, de vigilância 
da prática existente, ação essa oriunda dos princípios da Administração; como ação 
inerente a prática da Inspeção. Poderia-se delinear ainda vários significados da palavra 
em questão, mas é bastante para exemplificar que o sentido mais geral é a ação de 
controlar as atividades. Contudo deve-se observar que o papel da Inspeção Escolar deve 
cumprir as leis em vigor como nos declara Meneses (1977) pág. 25, trazendo ainda em 
suas palavras uma critica as condições de trabalho deste cargo, a saber: 
 “Depende por completo da legislação e de autorizações do Ministério, às vezes 
de uma cruel e terrível ironia. Por exemplo, são autorizados a utilizar o seu próprio 
carro, a pagar seus escritórios, assumir compromissos telefônicos, a trabalhar 
mais de quarenta e oito horas semanais sem pagamento extra. 
 
 
 
 
 
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E ainda sinaliza na pág 26: “a necessidade de um elemento com formação 
especializada, também na fiscalização e controle escolar, surgiu em decorrência do 
grande número de escolas, da divisão do trabalho e da especialização de funções. 
 
 
 
 
4.2 História da Inspeção 
 
Neste tópico trataremos dos aspectos históricos da educação brasileira procurando 
analisar, em linhas gerais, como se delineou os afazeres da Inspeção Escolar. Nos anos 
de colonização, o Brasil transpunha da Europa o modelo de educação que se pretendia 
implementar, partindo o pressuposto de que o progresso da nação dar-se-ia através deste 
modelo dito avançado como nos demonstra Menezes (1977, pág. 9): “ Em termos 
educacionais tinha feito um grande progresso e é razoável supor que para o novo 
continente por-se-ia em prática o que existisse de mais adiantado nesses assuntos. 
 
 
 
 
 
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” Há que se destacar a Companhia de Jesus como ação educativa mais atuante 
neste período histórico, onde os jesuítas tinham como principal objetivo o cunho 
catequético, sem uma estrutura educacional ainda definida como destaca Menezes (1977, 
pag 10): “ não se podia, ainda falar em sistema escolar porque não existiam nem mesmo 
normas para a organização e o funcionamento dessas escolas jesuíticas, o que só 
ocorreu em torno do ano 1559 com a elaboração do Ratio Studiorum.” O que há de se 
concluir que não havia ainda institucionalizada a ação da fiscalização neste dado 
momento histórico. 
 Já com a implementação do Ratio Studiorum, metodologia aplicada pelos jesuítas, 
observa-se mais normas administrativas e pedagógicas, onde a Inspeção dar-se-ia de 
forma indireta, uma vez que se faz através de relatórios que os responsáveis pelas 
escolas enviavam aos superiores da Companhia. Posteriormente com Marquês de 
Pombal e para suprir o afastamento dos jesuítas, aparecem as Aulas Régias, mas ainda 
sem sucesso de implementar um sistema educacional. Destaque dado por Menezes 
 
 
 
 
 
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40 
(1977, pag 11): “ Assim, o Brasil passou praticamente 300 anos de sua história (...) sem 
conseguir organizar um sistema escolar. 
Posteriormente, com a vinda da Família Real para o Brasil, foram criadas diversas 
escolas de nível superior e várias instituições educacionais, mas não se conseguiu, ainda, 
formar um sistema escolar.” 
 A primeira ocasião onde houve a aparição da educação como uma preocupação 
de ensinar a sociedade, dar-lhes instrução foi na Assembléia Constituinte em 1823, 
demonstrada no Parecer da Comissão de Instrução Pública. Mas realmente tornou-se 
força de lei através da Constituição de 1824, que versava sobre a instrução primária 
gratuita e sobre o ensino das ciências, das letras e das artes, em colégios e 
universidades. Outro documento histórico de importante destaque é o de 15 de outubro de 
1827, onde os dispositivos vistos na constituição tornam-se regulamentados por lei. Como 
descrito a seguir: 
 “Dom Pedro, por Graça de Deus, e unanime acclamação dos povos, Imperador 
Constitucional, e Defensor Perpetuo do Brazil: Fazemos saber a todos os nossos 
subditos, que a Assembléa Geral decretou, e nós queremos a lei seguinte: Art 1º 
Em todas as cidades, villas e logares mais populosos, haverão as escolas de 
primeiras letras que forem necessarias.” 
Neste sentido as escolas começam a surgir onde a densidade demográfica é 
maior, acompanhadas pelas condições favoráveis a instalação e funcionamento. Mas 
apesar da lei tornar a escola como um espaço de privilégio e de instrução ainda não se 
definirá as formas de fiscalização destes espaços. Já com a promulgação do Ato adicional 
de 1834, (lei nº16, de 12/08/1834, art. 10, inciso 2º) transferiu-se para as províncias a 
responsabilidade de regulamentar a instrução primaria e secundária. Mas Meneses (1977, 
pag. 13) nos destaca que: “aos poucos, porém, com o crescimento demográfico, o 
número de escolas vai crescendo, sobretudo durante o Segundo Reinado.” Esse 
florescimento em quantidade não é acompanhado pelo desenvolvimento qualitativo, como 
vemos nos relatórios governamentais da época, os quais fazem a análise crítica e 
sistemática das deficiências, com propósitos saneadores, que se preocupa atender em 
várias e sucessivas reformas da instrução pública. Observa-se ainda que a situação das 
escolas era precária, onde este mesmo autor nos exemplifica (pág 13): “as escolas eram 
 
 
 
 
 
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deficientíssimas, paupérrimas em todos os sentidos, inclusive com um corpo docente não-
qualificado.” Haviam também muitas escolas irregulares mas com a inexistência da 
Inspeção Escolar, tais situações com a inadequação e a precariedade continuam a 
existir.” A criação de um aparato administrativo, dotado de órgãos fiscalizadores para o 
cumprimento das normas era fundamental para a estruturação de um verdadeiro sistema 
escolar. Tal situação somente melhorou com a criação do decreto nº 1.331-A de 17 de 
fevereiro de 1854 que aprovou o Regulamento de Instrução Primária e Secundária do 
município da Corte (IGIPSC) na gestão do Ministro do Império Luiz Coutto Ferraz. Como d 
escrito no artigo 61 deste documento. “Art. 61. O Governo, por hum Regulamento, 
determinará o meio pratico de se fazerem taes justificações, bem como a maneira de se 
fiscalisar a conservação dos objectos distribuídos.” 
O processo seletivo de selecionar, classificar, distribuir, vigiar, documentar; são 
ações que configuram a arte de governar implementada no período imperial brasileiro. 
Tais elementos têm como finalidade produzir os efeitos almejados com o processo de 
escolarização que se idealizou para aquele dado momento histórico, pensado a partir de 
um projeto civilizatório. Tal mecanismo somente seria possível com a ação de uma 
inspetoria ativa e forte, estabelecida através da força da lei para a centralização do projeto 
pretendido pelo governo por um órgão fiscalizador denominado Inspetoria Geral de 
Instrução Primária e Secundária da Corte. 
5. O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE 
 
Todos os seres humanos conscientes da necessidade de promovermos 
mudanças no modelo social no qual vivemos hoje. Certamente também concordamos 
que a Educação é um dos caminhos para esta mudança. Estamos sempre falando e 
criando metodologias de mudanças e precisamos, conforme Gandim lembra no texto a 
seguir, pensar em que tipo de mudança estamos empenhados em promover. 
“ A metodologia da mudança, ao tempo em que exige do grupo a definição clara 
do tipo de mudança que intenta, requer que o grupo defina os fins. Isso quer dizer 
que ou se muda para algo que importa ou a mudança não tem importância 
alguma. Isso quer dizer, também, que a mudança pela mudança é algo 
inteiramente desprovido de sentido.” (Gandim, 1997, p. 14) 
 
 
 
 
 
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O grupo, à medida que vai estabelecendo-se,vai definido metas que deseja 
alcançar com a sua existência e com o seu trabalho. Para que se alcance os fins 
almejados, é preciso que exista um conhecimento a respeito da sociedade e do 
homem inseridos nesse processo de mudança. 
No processo educacional, é necessário que o grupo tenha claro para si que 
concepção de educação irá adotar como proposta de desenvolvimento pessoal. É 
importante que se tenha claramente definidas as relações que a educação tem com a 
sociedade, as características que a definem e as principais linhas de ação. 
A educação precisa estar atenta às estratégias da nova ordem mundial, para 
que possa cumprir o papel desafiador de ser um elemento importante no processo 
de transformação da sociedade. A introdução da qualidade, como critério, é uma das 
referências básicas para a reconstrução deste sistema. 
 
 
 
 
 
 
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