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< DESCRIÇÃO A perícia judicial, os direitos e deveres do perito e o laudo pericial. PROPÓSITO Compreender a perícia, os direitos e deveres do perito e o laudo pericial será de extrema relevância para que o operador do Direito saiba como enfrentar a atividade pericial, bem como acompanhar todas as suas etapas, desde a formulação de quesitos até o pedido de esclarecimentos do laudo produzido pelo perito. PREPARAÇÃO Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha à mão o Código de Processo Civil para consulta de todos os dispositivos legais que serão mencionados. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar conceito, cabimento e características da prova pericial MÓDULO 2 Reconhecer direitos e deveres do perito no âmbito do processo judicial MÓDULO 3 Analisar conceito, elementos e características do laudo pericial INTRODUÇÃO Neste tema, trabalharemos os principais aspectos sobre prova pericial, direitos e deveres do perito judicial e laudo pericial. Toda a análise será pautada com base nos dispositivos legais pertinentes, que constam no Código de Processo Civil de 2015. A prova pericial está prevista nos arts. 464 a 480 do CPC. O estudo da figura do perito judicial tem especial relevância no âmbito do sistema processual civil brasileiro. No Brasil, é comum a falsa percepção de que os litigantes não possuem ingerência sobre o trabalho do perito no processo judicial. Considerando que sejam leigos no assunto e que o tema objeto de sua controvérsia envolva assunto extremamente técnico e científico, há a sensação de que todos estão à mercê das conclusões do laudo pericial, pouco podendo contribuir ou questionar o que foi decidido pelo perito. Mas não é bem assim! É fundamental conhecer o procedimento da prova pericial, bem como as oportunidades de contraditório e ampla defesa assegurada às partes, para que consigam, ao lado do juiz, fiscalizar todas as etapas do trabalho do perito. Um advogado que domina o assunto (prova pericial) tem grandes chances de extrair do laudo pericial o melhor conteúdo para o seu cliente, assim como um magistrado atento ao tema consegue proferir uma decisão judicial mais justa e bem fundamentada, elucidando os fatos controversos de maneira correta. É sob essa perspectiva que devemos estudar os principais aspectos relativos ao trabalho do perito judicial. MÓDULO 1 Identificar conceito, cabimento e características da prova pericial PERÍCIA - CONCEITO, ESPÉCIES E CABIMENTO Fonte: Shutterstock.com Há casos em que a apuração de determinados fatos litigiosos exige conhecimento técnico ou científico que o magistrado não possui. Nessas situações, conta-se com o auxílio de um perito — especialista em determinada área de conhecimento: Engenharia, Medicina, Contabilidade, Agronomia etc. —, que será responsável por elaborar um laudo pericial com suas conclusões acerca do referido fato, contribuindo para que o juiz forme sua convicção e julgue a demanda. Segundo o art. 464 do CPC, há três espécies de provas realizadas pelo perito: EXAME O exame é um ato de inspeção sobre bem móvel, pessoa ou semovente, a fim de atestar algum fato ou alguma circunstância relevante para a lide, por exemplo: exame de DNA em ação de investigação de paternidade e inspeção de obra de arte ou documento. VISTORIA É igualmente um ato de inspeção, mas voltado somente para bens imóveis, por exemplo: vistoria de um imóvel rural para apurar exatamente sua localização e área no âmbito de uma ação de usucapião. AVALIAÇÃO É a perícia voltada para apuração do valor de determinado bem, móvel ou imóvel, ou direito, por exemplo: estimação do valor de um bem do devedor em uma execução judicial ou do de cujus em uma ação de inventário. Fonte: Shutterstock.com Em síntese, o magistrado será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico — art. 156 do CPC. Considerando, contudo, tratar-se de prova complexa, demorada e onerosa, a prova pericial possui certas limitações para sua realização. O art. 464 trata das hipóteses em que tal prova pode ser indeferida. Veja a seguir. HIPÓTESE 1 HIPÓTESE 2 HIPÓTESE 3 HIPÓTESE 4 HIPÓTESE 1 Inicialmente, o juiz indeferirá a perícia quando a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico (art. 464, §1º, I, do CPC). Ou seja, trata-se da hipótese em que o magistrado — na condição de pessoa comum, com cultura média — tem condições de apurar os fatos e julgar a causa sem depender do conhecimento especial de um perito. Exemplo: cálculos aritméticos. HIPÓTESE 2 Haverá, igualmente, o indeferimento da prova pericial quando for desnecessária em razão das outras provas produzidas (art. 464, §1º, II, do CPC). Isto é, não será necessária perícia quando houver outras provas constantes nos autos, a exemplo da documental, suficientes para apuração da verdade e formação da convicção do juiz. HIPÓTESE 3 O próprio art. 472 do CPC prevê circunstância semelhante ao art. 464, §1º, II do CPC, ao dispor que o juiz pode dispensar a prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. HIPÓTESE 4 O juiz deve indeferir a perícia quando a verificação for impraticável (art. 464, §1º, III, do CPC). Por verificação impraticável, pode-se compreender situações em que a fonte da prova não existe mais (vestígios e sinais desapareceram), revele-se inacessível, ou quando a verificação probatória exigir recursos não disponíveis na Ciência (DIDIER JR. et al., 2016). Fonte: Shutterstock.com IMAGINE UMA AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA CONTRA RÉUS QUE DESMATARAM DETERMINADA PROPRIEDADE RURAL, MAS QUE, PASSADO ALGUM TEMPO, DURANTE A FASE INSTRUTÓRIA, TODA A MATA JÁ TENHA SIDO RESTABELECIDA NATURALMENTE. NESSE CASO, A PROVA PERICIAL (INSPEÇÃO DO LOCAL) SE DEMONSTRARÁ: A) Realizável. B) Irrealizável. GABARITO Imagine uma ação civil pública ajuizada contra réus que desmataram determinada propriedade rural, mas que, passado algum tempo, durante a fase instrutória, toda a mata já tenha sido restabelecida naturalmente. Nesse caso, a prova pericial (inspeção do local) se demonstrará: Isso mesmo! Nessa situação, a prova pericial se demonstrará irrealizável. GABARITO MOMENTO DO REQUERIMENTO DA PROVA PERICIAL E DE SUA APRECIAÇÃO PELO JUÍZO Cabe ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas — aqui incluída a prova pericial ora analisada — necessárias ao julgamento do mérito (art. 370). Apontam-se, em regra, dois momentos processuais para que a parte requeira a produção de prova pericial. PRIMEIRO MOMENTO Na fase postulatória, especificamente na petição inicial (art. 319, VI, do CPC) ou na contestação (art. 336 do CPC), ocasião em que a parte poderá formular o pedido pela produção da prova pericial de forma genérica. SEGUNDO MOMENTO Na fase de saneamento, ocasião em que a parte deve ratificar o pedido formulado anteriormente quando for intimada para especificar as provas que pretende produzir. Em regra, é na decisão de saneamento e de organização do processo que o magistrado, entre outras medidas, irá delimitar as questões de fato nas quais recairá a atividade probatória, bem como admitir ou não a prova pericial requerida. Ato contínuo, caso admitida a perícia, o juiz observará o disposto no art. 465 do CPC (nomeação do perito, fixação de prazo para entrega do laudo etc.), e, se possível, estabelecerá, desde logo, calendário para a realização da prova pericial (art. 357, §8º, do CPC). ESCOLHA DO PERITO PELO MAGISTRADO Embora o legislador do CPC/15 tenha autorizado a indicação do perito feita pelas partes de forma consensual (o que se verá adiante), no nosso ordenamento jurídico, tradicionalmente, cabe ao magistrado a escolha do perito especializado no objeto da perícia. É o que previa o art. 421 do CPC/73 e o que prevê o art. 465 do CPC/15. O art. 465 do CPC/15 prevê que “o juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixaráde imediato o prazo para a entrega do laudo”. Fonte: Shutterstock.com Embora a prova pericial seja aquela realizada somente por quem tenha conhecimento técnico e científico acerca de determinada área do saber, preferiu o legislador registrar que o perito deve ser “especializado no objeto da perícia”. ATENÇÃO Na falta de especialização, vale lembrar, a perícia pode ser considerada inválida! Sobre o procedimento de nomeação pelo magistrado, algumas observações são cabíveis. Veja: Fonte: Shutterstock.com No art. 145, §1º, do CPC/73, o juiz escolhia os peritos de forma livre, sendo necessário apenas que fossem peritos de nível universitário e que estivessem devidamente inscritos no órgão de classe competente. Atualmente, no art. 156, §1º, do CPC/15, por outro lado, exige-se que o perito nomeado seja não apenas profissional legal habilitado, mas que também esteja inscrito em cadastro mantido pelo Tribunal ao qual o juiz esteja vinculado. Fonte: Pixabay Para a formação do referido cadastro dos peritos, deve o Tribunal realizar consulta pública, por meio de divulgação na rede mundial de computadores ou nos jornais de grande circulação, além de consulta direta a universidades, a conselhos de classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados (art. 156, §2º, do CPC/15). Fonte: Shutterstock.com Ato contínuo, uma vez indicados e devidamente selecionados, o Tribunal realizará avaliações e reavaliações periódicas para manutenção do cadastro, considerando a formação profissional, a atualização do conhecimento e a experiência dos peritos interessados (art. 156, §3º, do CPC/15). RELEMBRANDO O cadastro do perito, vale lembrar, tem o intuito de garantir a habilitação técnica e a idoneidade moral e profissional do perito. Contudo, nada impede que o magistrado selecione os peritos cadastrados de sua confiança para integrar a lista de experts existentes na vara ou secretaria (DIDIER JR. et al., 2016) (art. 157, §2º, do CPC/15). Excepcionalmente, a escolha do perito pelo juiz será totalmente livre. Isso só ocorrerá na localidade onde o perito não estiver inscrito no cadastro disponibilizado pelo Tribunal. De todo modo, deverá a escolha recair sobre profissional ou órgão técnico ou científico comprovadamente detentor do conhecimento necessário à realização da perícia (art. 156, §5º, do CPC). PERÍCIA CONSENSUAL Apesar das previsões mencionadas, é possível que as partes consensualmente escolham um perito — que pode ser estranho à lista de peritos cadastrados no Tribunal — e o indiquem mediante requerimento formulado perante o juízo (art. 471, caput, do CPC). Trata-se da denominada “perícia consensual”, que substitui, para todos os efeitos, a prova pericial que seria realizada por perito nomeado pelo juiz (art. 471, §3º, do CPC). Ou seja, não há distinção entre perícia consensual e perícia judicial, ambas possuem o mesmo valor perante o órgão jurisdicional. Fonte: Shutterstock.com A escolha consensual do perito ocorre mediante a celebração de negócio processual probatório entre as partes, que deverão atender aos dois requisitos previstos no art. 471 do CPC para realizar tal negócio: REQUISITO I Serem partes plenamente capazes (inciso I). REQUISITO II A causa versar sobre direito que admita autocomposição (Inciso II). ATENÇÃO No entanto, é preciso registrar que, havendo defeito que comprometa a validade do negócio processual celebrado pelas partes, o juiz poderá deixar de homologar o referido negócio. Afinal, tais negócios estão sempre sujeitos à análise judicial (art. 190, parágrafo único). Além disso, na condição de destinatário da prova, o juiz tem poderes para realizar, de ofício, uma segunda perícia. Você sabe em qual caso? VERIFICAR Caso compreenda que a matéria não restou suficientemente esclarecida (art. 480). As partes, ao escolher os peritos de forma consensual, já deverão indicar os respectivos assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, que ocorrerá em data e local previamente anunciados (art. 471, §1º, do CPC). Ato contínuo, o perito e os assistentes javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) deverão entregar, respectivamente, laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz (art. 471, §2º, do CPC). Nada impede, contudo, que juiz e partes, de comum acordo, ajustem calendário para a prática dos atos processuais ligados à perícia (art. 191 do CPC). PROVA TÉCNICA SIMPLIFICADA É possível que, de ofício ou a requerimento das partes, o juiz substitua a prova pericial pela prova técnica simplificada — também denominada pela doutrina de perícia simples —, o que ocorrerá quando o ponto controvertido for de menor complexidade, conforme o art. 464, §2º. E o que vem a ser prova técnica simplificada? Trata-se de prova realizada, usualmente, durante a audiência de instrução e julgamento, ocasião em que há, pelo juiz, a inquirição do especialista sobre o referido ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento científico ou técnico, de acordo com o art. 464, §3º. Fonte: Shutterstock.com ATENÇÃO O expert presta depoimento oral, não havendo a elaboração de laudo pericial. É preciso que tenha formação acadêmica na área objeto de seu depoimento, podendo valer-se, durante a arguição, de qualquer recurso de transmissão de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos da causa (art. 464, §4º, do CPC). PERÍCIA COMPLEXA E PERÍCIA PREVISTA NO ART. 478 DO CPC Caso a perícia seja complexa, abrangendo mais de uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a parte, indicar mais de um assistente técnico, conforme o art. 475 do CPC. Nessa hipótese, não há a elaboração de mais de um laudo e diversas perícias sobre o mesmo objeto, mas tão somente um laudo pericial e uma perícia considerada única. Cada perito nomeado ficará responsável pela área que possui conhecimento técnico e científico, ocorrendo a reunião, ao final, das conclusões de cada um para a elaboração do laudo pericial. Vale ressaltar, ainda, que a perícia complexa deve ser autorizada pelo magistrado em situações excepcionais, apenas quando for realmente necessária, considerando tratar-se de prova de alto custo e que afeta a celeridade do processo judicial. Confira a seguir os exemplos de perícia complexa que exigem essa multidisciplinaridade (THEODORO JÚNIOR, 2017). Fonte: Shutterstock.com EXEMPLO Julgamento de ação indenizatória ajuizada em razão de falhas de equipamento industrial, que exigirá, na fase instrutória, um perito técnico de Engenharia e de Economia, ou de técnico de Contabilidade. Avaliação de sequelas de lesões pessoais que tenham afetado funções psíquicas e motoras de uma vítima, exigindo laudo de psiquiatra e de ortopedista. Quando a perícia tiver como objeto a autenticidade ou a falsidade de documento, ou for de natureza médico-legal, deverá o perito ser escolhido, preferencialmente, entre técnicos de estabelecimentos oficiais especializados, a cujos diretores o juiz autorizará a remessa dos autos bem como do material sujeito a exame (art. 478, caput, do CPC). Na hipótese de o caso concreto incidir na previsão do art. 478 do CPC, o magistrado — preferencialmente — deverá indicar apenas o estabelecimento oficial especializado para a realização da perícia, sem individualizar qual perito do referido estabelecimento ficará responsável pela produção da prova. A função de indicar o expert caberá aos próprios diretores do estabelecimento. EXEMPLO Estabelecimentos oficiais especializados: Instituto de Criminalística e Institutos Médico-Legais. Registra-se que a indicação de estabelecimento oficial especializado prevista no art. 478, no lugar da indicação direta da pessoa do perito, não é dever do magistrado, que terá para si, ainda, o poder de nomear perito de sua confiança, desdeque devidamente fundamentada tal escolha. Fonte: Shutterstock.com Ainda no art. 478, temos algumas informações importantes. Veja: PRORROGAÇÃO DO PRAZO REQUISIÇÃO DE DOCUMENTOS EXISTENTES EM REPARTIÇÕES PÚBLICAS PRORROGAÇÃO DO PRAZO Caso necessário, os órgãos e as repartições oficiais poderão pedir a prorrogação do prazo disposto no §1º do art. 478, desde que devidamente motivado o pedido (art. 478, §2º, do CPC). REQUISIÇÃO DE DOCUMENTOS EXISTENTES EM REPARTIÇÕES PÚBLICAS O §3º do art. 478 do CPC estabelece que, nos exames periciais que tiverem por objeto a autenticidade da letra e da firma, o perito poderá requisitar, para fins de comparação, documentos existentes em repartições públicas. Complementa o dispositivo legal, que, na falta de tais documentos, o perito poderá requerer ao juiz que a pessoa a quem atribuir-se a autoria do documento escreva em folha de papel, por cópia ou sob ditado, dizeres diferentes para fins de comparação. VOCÊ SABIA De acordo com o art. 98, §1º, VI, do CPC, caso seja concedida gratuidade de justiça, a parte estará dispensada do adiantamento e pagamento dos honorários periciais. Nessa hipótese, o magistrado fará uso dos órgãos e das repartições oficiais para produção da perícia, que deverão colaborar com o Poder Judiciário, dando preferência, no prazo estabelecido, aos casos dos beneficiários de gratuidade de justiça (art. 478, §1º, do CPC). PERÍCIA EM LOCALIDADE DIVERSA DO JUÍZO ONDE TRAMITE A CAUSA No caso de a perícia ser realizada em local diverso daquele em que tramita o processo, a diligência poderá ocorrer por meio de carta — precatória, rogatória ou de ordem. Nessa hipótese, poderá o magistrado optar por delegar ao juízo a que a carta tenha sido dirigida a tarefa de nomear perito, bem como intimar as partes para indicarem seus assistentes técnicos, como determina o art. 465, §6º, do CPC. Essa medida facilita a produção da prova pericial e a torna menos custosa. Você sabe por quê? VERIFICAR Essa medida permite a nomeação de peritos e assistentes técnicos que residam e trabalhem próximos ao local da perícia, sendo necessário, no entanto, que o perito esteja inscrito no cadastro do Tribunal a que o juízo destinatário da carta esteja vinculado (DIDIER JR. et al., 2016). Assista ao vídeo com o professor Luis Felipe Salomão Filho sobre o Papel da perícia judicial. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. COM RELAÇÃO À PROVA PERICIAL, É INCORRETO AFIRMAR: A) Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo Tribunal ao qual o juiz está vinculado. B) As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o mediante requerimento, desde que sejam plenamente capazes e a causa possa ser resolvida por autocomposição. C) O juiz pode substituir a prova pericial pela prova técnica simplificada, quando o ponto controvertido for de menor complexidade. D) A perícia complexa ocorrerá na hipótese de abranger mais de uma área de conhecimento especializado, situação em que o juiz poderá nomear até dois peritos. E) Quando a perícia tiver por objeto a autenticidade da letra e da firma, o perito poderá requisitar, para efeito de comparação, documentos existentes em repartições públicas. 2. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: A) Avaliação é a perícia voltada para a apuração do valor de determinado bem imóvel. B) Vistoria é um ato de inspeção, mas voltado somente para semoventes. C) O exame é um ato de inspeção sobre um bem imóvel. D) O juiz pode indeferir a prova pericial quando a fonte de prova não existir mais. E) O juiz não pode indeferir a prova pericial, ainda que haja outras provas nos autos suficientes para a apuração da verdade. GABARITO 1. Com relação à prova pericial, é INCORRETO afirmar: A alternativa "D " está correta. A letra D é a afirmativa a ser marcada, pois o art. 475 do CPC não limita o número de peritos na hipótese de perícia complexa, podendo ser mais de dois. 2. Assinale a alternativa CORRETA: A alternativa "D " está correta. A letra D é a correta, tendo em vista que o juiz pode indeferir prova pericial quando a verificação for impraticável (art. 464, §1º, III, do CPC), situação que ocorre quando a fonte de prova não existe mais, por exemplo. MÓDULO 2 Reconhecer direitos e deveres do perito no âmbito do processo judicial FUNÇÕES GERAIS DO PERITO Fonte: Shutterstock.com A jurisdição no Poder Judiciário é exercida pelos magistrados, com fundamento no princípio da investidura, segundo o qual somente exerce jurisdição aquele que foi nela investido regularmente. Contudo, diante da multiplicidade de tarefas que os órgãos jurisdicionais precisam cumprir para prestar jurisdição, é preciso, em certos momentos, contar com o apoio dos auxiliares de justiça (RODRIGUES, 2016). Entre os auxiliares de Justiça que exercem a função pública está o perito. Por exercer encargo que apoia os órgãos do Poder Judiciário durante o trâmite do processo, o perito assume deveres de agente público, devendo atuar, conforme determina o art. 37 da Constituição Federal, sempre com: IMPESSOALIDADE MORALIDADE LEGALIDADE EFICIÊNCIA RELEMBRANDO O perito tem a função de assistir o magistrado quando a prova do fato depender de seu conhecimento técnico e científico (art. 156 do CPC), assim como tem o dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da verdade (art. 378 do CPC). Deve, além disso, exercer seu encargo com rigor técnico, eficiência, cuidado, cumprindo sempre os prazos designados pelo juiz, comunicando previamente partes e assistentes técnicos da data e do local de realização das diligências, bem como elaborando laudo pericial, respondendo quesitos e até comparecendo a audiências de instrução e julgamento, se necessário, para prestar esclarecimentos. Entre as várias funções do perito, qual é a principal? VERIFICAR A função principal é registrar suas impressões técnicas e científicas sobre os fatos controversos no laudo pericial, documento escrito em que deve o expert expor o objeto da perícia, fazer sua análise técnica ou científica, indicar o método utilizado e responder os quesitos apresentados (art. 473 do CPC). Para o adequado desempenho da sua função, poderá o perito — e os assistentes técnicos — valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações e solicitando documentos que estejam em poder de parte, de terceiros ou em repartições públicas (art. 473, §3º, do CPC). ATENÇÃO Não é função do perito emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia (art. 473, §2º, do CPC), como é o caso de quando emite opinião jurídica sobre o fato examinado. Deve o perito cumprir escrupulosamente o encargo que lhe foi atribuído, independentemente de termo de compromisso (art. 466 do CPC), bem como cumprir com seu ofício no prazo que lhe for designar o juiz, empregando toda sua diligência (art. 157 do CPC). A função da testemunha não se confunde com a do perito. Veja: Fonte: Shutterstock.com A testemunha relata fatos que foram objeto de percepção sensorial, em uma visão leiga (MARINONI; ARENHART, 2001). Fonte: Shutterstock.com O perito examina tais fatos tecnicamente e emite juízo a respeito com base em seus conhecimentos técnicos e científicos. Feita essa breve introdução sobre as funções do perito — sem intenção alguma de exaurir o assunto —, passaremos a analisar, a seguir, com mais profundidade, recusa, escusa e substituição dos peritos. ESCUSA, RECUSA E SUBSTITUIÇÃO DO PERITO ESCUSA Há situações em que o perito pode se escusar do encargo, sendo necessário, no entanto, que apresente “motivo legítimo”, como determina o art. 157, caput, do CPC. Por motivo legítimo, compreendem-se, usualmente, as hipóteses que ensejam seu impedimento e sua suspeição (arts. 144 e 145 do CPC), que se aplicam ao perito considerando sua condição de auxiliar de Justiça (art. 148, II, do CPC). Nesse caso, quaisas diferenças entre impedimento e suspeição? No impedimento, o legislador imaginou causas em que entende não haver imparcialidade do perito. Na suspeição, há hipóteses de suspeita de parcialidade. Ressalva importante é a possibilidade, embora não prevista em lei, de que o perito alegue outros motivos, que não impedimento e suspeição, para escusar-se do encargo. EXEMPLO Falta de conhecimento técnico sobre a prova objeto de perícia, problemas relacionados à saúde e necessidade urgente de ausentar-se do local onde ocorrerá a perícia do processo. A escusa será submetida à apreciação do magistrado no prazo de 15 dias, contado da intimação, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob pena de renúncia ao direito a alegá-la (art. 157, §1º, do CPC). Ou seja, caso não requeira a dispensa dentro do prazo, ocorrerá preclusão temporal e consequente renúncia tácita ao direito de escusar-se. RECUSA A arguição de suspeição ou impedimento também poderá ser feita pelas partes, que podem requerer a recusa do perito em petição fundamentada e devidamente instruída, na primeira oportunidade em que lhe couber nos autos (arts. 148, §1º, e art.467, ambos do CPC), ou, ainda, quando tiverem conhecimento do vício. Ainda que não requerido no prazo determinado e tendo a perícia já sido realizada, poderá o magistrado ponderar a situação de parcialidade do expert e determinar, de ofício, a realização de segunda perícia. O incidente de suspeição ou impedimento será instaurado e processado em autos apartados, mas não suspenderá o processo. No incidente, o perito será ouvido no prazo de 15 dias, sendo-lhe facultada, quando necessário, a produção de prova (art. 148, §2º, do CPC). Uma vez acolhido o incidente, o perito suspeito ou impedido será afastado, bem como condenado ao pagamento de custas processuais, em caso de impedimento ou manifesta suspeição, nos termos do art. 146, §5º, do CPC (aplicado por analogia). Além disso, outro perito será nomeado. ATENÇÃO Na hipótese de o perito ter prestado informações inverídicas, de forma dolosa ou culposa, deverá ser condenado a indenizar os prejuízos que causou à parte, assim como ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de dois a cinco anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas cabíveis (art. 158 do CPC). A responsabilidade do perito pelos prejuízos causados à parte ocorrerá por meio de ação autônoma indenizatória, ao passo que a inabilitação será aplicada pelo magistrado no âmbito do mesmo processo em que prestadas as informações inverídicas, especificamente no momento de prolação da sentença. Fonte: Shutterstock.com EXEMPLO No que diz respeito às demais sanções previstas em lei, a que se refere o art. 158 do CPC, tem-se como exemplo as previstas no âmbito penal, ou seja, a falsa perícia disposta no art. 342 do CP. SUBSTITUIÇÃO DO PERITO Por fim, conforme prevê o art. 468 do CPC, pode o perito ser substituído em duas hipóteses: I II I Faltar-lhe conhecimento técnico ou científico. II Sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. Na hipótese do inciso II, ou seja, não entregue o laudo no prazo fixado, há duas medidas de caráter cumulativo a serem adotadas pelo juiz: Comunicação do descumprimento do prazo à corporação profissional do perito. Possível imposição de multa ao perito, cujo valor será fixado considerando-se o valor da causa e o prejuízo decorrente do atraso no processo (art. 468, §1º, do CPC). É possível, no entanto, que outros motivos relevantes sejam suficientes para ensejar a substituição do perito pelo magistrado. EXEMPLO Quebra de confiança entre o perito e o órgão jurisdicional, apresentação de proposta de honorários onerosa, escusa do perito aceita pelo juiz, perito que é recusado por impedimento ou suspeição etc. Uma vez substituído, o perito deve restituir os valores recebidos pelo trabalho não realizado no prazo de 15 dias (primeira parte do art. 468, §2º, do CPC). Caso não restitua, pode ficar impedido de atuar como perito judicial no prazo de cinco anos (segunda parte do art. 468, §2º, do CPC), bem como pode a parte que tiver adiantado os honorários promover execução de título judicial contra o perito, na forma do art. 513 do CPC, com fundamento na decisão que determinar a devolução do numerário, de acordo com o art. 468, §3º, do CPC. Fonte: Shutterstock.com O PERITO DURANTE O PROCEDIMENTO PERICIAL Feitas as considerações sobre recusa, escusa e substituição dos peritos, passaremos agora a analisar os direitos e deveres do perito durante o procedimento da prova pericial. Fonte: Shutterstock.com Como visto, comumente o juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato prazo para entrega do laudo (art. 465, caput, do CPC). Ato contínuo, dentro de 15 dias contados da intimação da decisão de nomeação, incumbe às partes: Arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso. Indicar assistente técnico. Apresentar quesitos (art. 465, §1º, incisos I, II e III do CPC, respectivamente). LEIA MAIS LEIA MAIS A título de esclarecimento, os quesitos são perguntas formuladas pelas partes (ou pelo juiz) ao perito, visando ao esclarecimento dos fatos objeto da perícia. Já os assistentes técnicos são auxiliares das partes, por elas indicados, que possuem a tarefa de fiscalizar o trabalho do perito e emitir parecer técnico para refutar ou apoiar o laudo pericial. Como auxiliares e pessoas de confiança das partes, os assistentes técnicos não estão sujeitos às hipóteses de impedimento ou suspeição (art. 466, §1º, do CPC). Outras duas observações são necessárias quanto ao disposto no art. 465: PRIMEIRA Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o prazo de 15 dias de que dispõem as partes não é preclusivo, podendo ambas formular quesitos e indicar assistentes técnicos posteriormente, desde que não iniciada a realização da perícia (STJ, 1ª Turma, REsp 639.257/MT, rel. Min. Luiz Fux., j. 13.12.05, DJ de 13.02.2006). SEGUNDA Em que pese o prazo fixado pelo juiz para entrega do laudo, pode o perito requerer a extensão do referido prazo, desde que o faça de maneira devidamente fundamentada. Independentemente de terem formulado quesitos iniciais, as partes podem formular quesitos suplementares durante o curso da perícia, os quais serão respondidos pelo perito previamente ou na audiência de instrução e julgamento (art. 469 do CPC). Caso apresentados tais quesitos, javascript:void(0) javascript:void(0) a parte contrária será intimada para ciência de seu conteúdo, em observância ao princípio contraditório (art. 469, parágrafo único, do CPC). Fonte: Shutterstock.com Cabe ao magistrado, na condição de destinatário da prova, determinar as provas necessárias ao julgamento de mérito, devendo, assim, indeferir toda e qualquer diligência inútil ou meramente protelatória (art. 370, caput e parágrafo único do CPC). É por essa razão que se autoriza o magistrado a indeferir quesitos impertinentes — ou seja, quesitos que não contribuem para o esclarecimento da questão fática submetida à perícia — e formular quesitos que entender necessários ao esclarecimento da controvérsia, conforme o art. 470 do CPC. Sustenta parcela da doutrina que a atividade do juiz de formular quesitos é subsidiária, devendo-se, primeiro, oportunizar às partes o direito de indicar seus quesitos. Retornando ao procedimento, cumprido o disposto no art. 465, §1º, do CPC e ciente de sua nomeação, confira o que o perito apresentará em cinco dias: VERIFICAR Proposta de honorários. Currículo com comprovação de especialização. Seus contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais (art. 465, §2º, incisos I, II e III do CPC, respectivamente). Ato contínuo, as partes serão intimadas na proposta de honorários para, querendo, manifestarem-se no prazode cinco dias (primeira parte do art. 465, §3º, do CPC). Podem as partes concordar ou não com a proposta de honorários formulada pelo perito, cabendo, aqui, transcrever as lições do professor Fredie Didier sobre o que ocorre nessas hipóteses: SE AS PARTES (CAPAZES) CONCORDAM, E O DIREITO SUBJACENTE É PASSÍVEL DE AUTOCOMPOSIÇÃO, DEVE PREVALECER O VALOR SUGERIDO PELO PERITO. O SILÊNCIO DAS PARTES, NESSAS CIRCUNSTÂNCIAS, DEVE SER TOMADO COMO CONCORDÂNCIA TÁCITA (ARTS. 111 E 432 DO CÓDIGO CIVIL), TENDO EM VISTA QUE A LEI COLOCA A ACEITAÇÃO OU MANIFESTAÇÃO COMO UMA FACULDADE SUA. ATÉ PORQUE TERIA HAVIDO AÍ UM CONSENSO, EXPRESSO OU TÁCITO, QUE CONFIGURA NEGÓCIO PROCESSUAL ATÍPICO EM TORNO DO VALOR DOS HONORÁRIOS (ART. 190, CPC). SE AS PARTES (OU UMA DELAS) DISCORDAM, OU CONCORDANDO, FOREM INCAPAZES E/OU O DIREITO DISCUTIDO INSUSCEPTÍVEL DE CONCILIAÇÃO (ART. 190), CABE AO JUIZ ESTIPULAR UM VALOR RAZOÁVEL, QUE REFLITA OS USOS E COSTUMES LOCAIS, O TEMPO NECESSÁRIO PARA A REALIZAÇÃO DO SERVIÇO, O NÍVEL DE DIFICULDADE ENVOLVIDO, BEM COMO A QUALIDADE E O CARÁTER DO OBJETO DA PERÍCIA (ART. 596, CC). (DIDIER JR. et al., 2016) Findo o prazo de manifestação das partes, o juiz arbitrará o valor dos honorários periciais e intimará as partes para depositar os honorários na forma do art. 95 (segunda parte do art. 465, §3º, do CPC). Fonte: Shutterstock.com Você sabe como esse depósito, nos termos do art. 95 do CPC, ocorre? VERIFICAR Se apenas uma parte requerer a produção da prova pericial, ela deve adiantar o valor dos honorários periciais; caso, no entanto, a prova pericial tenha sido determinada de ofício pelo juiz ou requerido por ambas as partes, o valor será rateado. Geralmente, o perito apenas recebe os honorários após a apresentação do laudo pericial, mas é possível — e comum — que o juiz autorize o recebimento de até 50% dos honorários arbitrados no início dos trabalhos e o restante ao final, depois de entregue o laudo e prestados os esclarecimentos necessários (art. 465, §4º, do CPC). Na hipótese de a perícia ser inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir os honorários periciais inicialmente arbitrados, segundo o art. 465, §5º, do CPC. ATENÇÃO Em atenção ao princípio do contraditório, as partes — leia-se, seus advogados — serão intimadas sobre data e local designados pelo juiz ou indicados pelo perito para o início da produção da prova (art. 474 do CPC). O dispositivo legal visa impedir a produção de provas periciais sigilosas e arbitrárias, sem a participação das partes, que têm o direito de fiscalizar toda as etapas de produção da prova pericial. A ausência da intimação a que se refere o art. 474 do CPC (intimação das partes quanto à data e ao local para o início da produção da prova), no entanto, só acarretará a nulidade da perícia na hipótese de prejuízo gerado às partes. Por fim, ainda quanto aos deveres do perito, o art. 466 do CPC estabelece que o perito deve cumprir escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, independentemente de termo de compromisso. Ou seja, não é necessária a assinatura de qualquer termo para que surja o dever do perito de cumprir fielmente seu encargo, bastando, na realidade, sua mera nomeação e aceitação. Dever semelhante ao do art. 466 é o previsto no art. 157 do CPC, que estabelece o dever do perito de cumprir seu ofício no prazo que lhe designar o magistrado, empregando toda sua diligência. Diferentemente dos peritos, considerados sujeitos imparciais, os assistentes técnicos são profissionais de confiança das partes, não se submetendo, portanto, às causas de suspeição e impedimento (art. 466, §1º, do CPC). Assista ao vídeo com o professor Luis Felipe Salomão Filho sobre Deveres do perito. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (BANCA: FUNDEP - ÓRGÃO: CÂMARA DE PATROCÍNIO - MG - PROVA: FUNDEP - 2020 - OUVIDOR LEGISLATIVO - ADAPTADA). EM RELAÇÃO À PROVA PERICIAL, CONSOANTE DISPOSITIVOS CONTIDOS NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA. A) O perito pode escusar-se do encargo que lhe foi atribuído, desde que apresente motivo considerado legítimo. B) As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a diligência que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na audiência de instrução e julgamento. C) Após ser substituído, o perito tem a obrigação de restituir os valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de cinco anos. D) O perito, para o desempenho de sua função, pode solicitar documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, faculdade que não se estende aos assistentes técnicos. E) O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de cinco dias. 2. (BANCA: FUNDEP ÓRGÃO: PREFEITURA DE UBERLÂNDIA - MG - PROVA: FUNDEP - 2019 - PREFEITURA DE UBERLÂNDIA - MG - ECONOMISTA - ADAPTADA). CONSIDERANDO QUE, EM CONFORMIDADE COM A LEI N° 13.105/2015, O JUIZ NOMEARÁ PERITO ESPECIALIZADO NO OBJETO DA PERÍCIA E FIXARÁ DE IMEDIATO O PRAZO PARA A ENTREGA DO LAUDO, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA. A) Incumbe às partes, dentro de 15 dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; indicar assistente técnico; e apresentar quesitos. B) Ciente da nomeação, o perito apresentará em cinco dias: a proposta de honorários; o currículo, com comprovação de especialização; e os contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais. C) O juiz somente poderá autorizar o pagamento dos honorários arbitrados a favor do perito ao final do trabalho, depois de entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários. D) Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. E) Incumbe ao juiz indeferir quesitos impertinentes e formular os quesitos que entender serem necessários ao esclarecimento da causa. GABARITO 1. (Banca: FUNDEP - Órgão: Câmara de Patrocínio - MG - Prova: FUNDEP - 2020 - Ouvidor Legislativo - Adaptada). Em relação à prova pericial, consoante dispositivos contidos no Código de Processo Civil, assinale a alternativa INCORRETA. A alternativa "D " está correta. A letra D é a afirmativa a ser marcada, tendo em vista que a faculdade de solicitar documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas estende-se aos assistentes técnicos, nos termos do art. 473, §3º, do CPC. 2. (Banca: FUNDEP Órgão: Prefeitura de Uberlândia - MG - Prova: FUNDEP - 2019 - Prefeitura de Uberlândia - MG - Economista - Adaptada). Considerando que, em conformidade com a Lei n° 13.105/2015, o juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo, assinale a alternativa INCORRETA. A alternativa "C " está correta. A letra C é a afirmativa a ser marcada, tendo em vista que, nos termos do art. 465, §4º do CPC, o juiz pode autorizar o recebimento de até 50% dos honorários arbitrados no início dos trabalhos a favor do perito e o restante ao final, depois de entregue o laudo e prestados os esclarecimentos necessários. MÓDULO 3 Analisar conceito, elementos e características do laudo pericial CARACTERÍSTICAS GERAIS DO LAUDO PERICIAL Fonte: Shutterstock.com O laudo pericial representa o documento que expõe a conclusão do trabalho do perito. É O RELATO DAS IMPRESSÕES CAPTADAS PELO TÉCNICO, EM TORNO DO FATO LITIGIOSO, POR MEIO DOS CONHECIMENTOS ESPECIAIS DE QUEM O EXAMINOU. (THEODORO JÚNIOR, 2017) Ou, ainda, trata-se do documento escrito no qual o perito faz sua análise, bem como emite sua opinião e suas conclusões em relação ao objeto da perícia e responde a todos os quesitos formulados (ALVIM, 2012). Conforme prevê o art. 473 do CPC, o laudo pericial é compostopelos seguintes elementos: I II III IV I A exposição do objeto da perícia. II A análise técnica ou científica realizada pelo perito. III A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou. IV Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. O art. 473 do CPC é inovador, pois, diferentemente do CPC/73, detalha o conteúdo e a forma do laudo pericial. O lado positivo da fixação desse dispositivo legal é que, a partir da criação de elementos obrigatórios do laudo, permite-se mais controle e fiscalização das partes e do juiz sobre o trabalho do perito. Passaremos a analisar, a seguir, cada um dos incisos do art. 473 do CPC. INCISO I DO ART. 473 Trata da necessidade de exposição do objeto da perícia. Refere-se à exigência que obriga o perito a expor, minuciosamente, quais são os fatos controversos que dependem de seu conhecimento técnico e científico para serem elucidados e que serão objeto de análise ao longo do laudo. Busca-se, em suma, explicitar e delimitar o escopo da perícia. A título comparativo, é algo semelhante à função que o relatório tem perante a sentença. INCISO II DO ART. 473 Estabelece que o laudo deve conter a análise técnica ou científica realizada pelo perito. Corresponde ao momento em que o expert, a partir dos conhecimentos especializados acerca da matéria que detém, faz a fundamentação do laudo e esclarece os fatos controvertidos. INCISO III DO ART. 473 Trata da indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou. O legislador demonstra, aqui, uma preocupação elogiável quanto ao método utilizado pelo perito, exigindo que obrigatoriamente conste no laudo (para que as partes possam aferir sua confiabilidade) e que seja o predominante na comunidade científica para aquele tipo de prova pericial. O objetivo é evitar arbitrariedades e discricionariedades do expert, que poderia valer-se de um método qualquer no laudo (v.g. um método já obsoleto, equivocado, e que vai de encontro ao entendimento predominante dos especialistas da área). Ainda quanto ao inciso III, nota-se uma evidente influência da experiência norte-americana sobre a doutrina, que aponta quatro requisitos para garantir a confiabilidade do método (NEVES, 2017): Controlabilidade, em outros termos, a indicação de que o método já vem sendo testado. Determinação de percentual de erros e acertos em testes anteriores. Avaliação do método por outros especialistas. Aceitação geral da comunidade científica. INCISO IV DO ART. 473 Estabelece a necessidade de resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público, quando atua de fiscal da lei no processo. Fonte: Shutterstock.com No laudo pericial, a fundamentação empregada pelo perito deve apresentar-se em linguagem simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões (art. 473, §1º, do CPC). Como, geralmente, o laudo engloba matéria extremamente técnica e de difícil compreensão para as partes e o magistrado, é dever do árbitro, em atenção ao princípio do contraditório e da cooperação, utilizar linguagem simples e acessível — ainda que inevitavelmente técnica. Sobre o assunto, afirma o professor Paulo Nasser: O LAUDO PERICIAL NÃO PODE SER UM EXCERTO CIENTÍFICO, ININTELIGÍVEL AO LEIGO E COMPREENSÍVEL APENAS AO TÉCNICO. É PRECISO QUE SEJA CLARO, OBJETIVO, CUMPRINDO A SUA FUNÇÃO PRIMORDIAL QUE É A ANÁLISE DE QUESTÕES CUJA COMPLEXIDADE IMPEDE O JUIZ DE TOMAR AS SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES DE FORMA INDEPENDENTE. É NECESSÁRIO QUE SEJA DIDÁTICO, CONCATENADO E EXTERNE A CONCLUSÃO DO PERITO COM RIGOR TÉCNICO, PREOCUPANDO-SE, TODAVIA, COM A PLENA INTELECÇÃO DOS DESTINATÁRIOS DO DOCUMENTO. (NASSER, 2016) Não pode o perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia (art. 473, §2º, do CPC). Assim como o magistrado precisa respeitar o princípio da adstrição, segundo o art. 492 do CPC, quando prolata decisão, deve o perito elaborar laudo adstrito ao objeto da perícia. ATENÇÃO Não cabe ao perito examinar questões de fato desconexas do objeto da perícia, fora dos limites de sua designação, assim como não cabe emitir opiniões pessoais que vão além do exame técnico ou científico que lhe foi incumbido — a exemplo do que ocorre quando emite opinião jurídica sobre o caso concreto. Para adequado desempenho de sua função, o perito — e também os assistentes técnicos — pode valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas (primeira parte do art. 473, §3º, do CPC). Fonte: Shutterstock.com A permissão para o emprego de todos meios necessários a que se refere o §3º do art. 473 não autoriza o perito a fazer uso do poder de polícia na hipótese de resistência oferecida, motivo pelo qual deve sempre requerer auxílio do magistrado nesses casos. EXEMPLO Testemunha que resiste a comparecer em audiência ou terceiro que não entrega documento em sua posse. Como estabelece a segunda parte do §3º do art. 473 do CPC, o laudo pode ser instruído com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. O uso de tais recursos objetiva a elaboração de um laudo pericial de fácil leitura, acessibilidade e compreensão dos sujeitos processuais. Assista ao vídeo com o professor Luis Felipe Salomão Filho sobre Requisitos do laudo pericial. ENTREGA DO LAUDO PERICIAL E MANIFESTAÇÃO DAS PARTES Como visto, o perito terá prazo fixado para entrega do laudo pericial. Caso, no entanto, por motivo justificado, não possa entregá-lo dentro do prazo, poderá o magistrado conceder-lhe, uma única vez, prorrogação correspondente à metade do prazo fixado inicialmente (art. 476 do CPC). Fonte: Shutterstock.com Com efeito, o magistrado deverá analisar o caso concreto para decidir se a justificativa indicada pelo perito para prorrogação do prazo é plausível. Uma vez entendido que o motivo é justificado, o magistrado concederá a dilação do prazo, mas deverá fazê-lo por meio de decisão judicial devidamente fundamentada. ATENÇÃO A doutrina compreende, no entanto, que havendo ampliação do objeto da perícia ou elemento novo, é possível que a prorrogação prevista no art. 476 do CPC seja flexibilizada. Além de respeitar o prazo designado pelo juiz, o laudo pericial deverá ser protocolado pelo perito com antecedência mínima de 20 dias antes da audiência de instrução e julgamento (art. 477 do CPC). O prazo de 20 dias tem por objetivo permitir todo o trâmite previsto nos parágrafos do art. 477, principalmente eventual requerimento das partes para que o perito compareça à audiência de instrução e julgamento para prestar esclarecimentos, conforme art. 477, §3º, do CPC. No entanto, os 20 dias estipulados pelo legislador não parecem tempo suficiente para todas as manifestações previstas antes da audiência, podendo o magistrado, portanto, revisar e flexibilizar tal prazo. Após o protocolo do laudo, as partes serão intimadas para, querendo, manifestarem-se sobre o laudo do perito em 15 dias, assim como os assistentes técnicos, no mesmo prazo, de cada uma das partes, poderão apresentar seus respectivos pareceres técnicos (art. 477, §1º, do CPC). Ato contínuo, o perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 dias, esclarecer: PONTO I Sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público. PONTO II Divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte (art. 477, §2º, do CPC). Caso ainda haja necessidade de mais esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mandeintimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de quesitos (art. 477, §3º, do CPC). Ambos, registre-se, perito e assistentes, serão intimados por meio eletrônico, com pelo menos 10 dias de antecedência em relação à audiência, de acordo com o art. 477, §4º, do CPC. Os pedidos de esclarecimento previstos nos §2º e §3º do art. 477 pressupõem a entrega de um laudo e não se confundem com quesitos suplementares previstos no art. 469 do CPC. Tais pedidos visam propiciar às partes e ao órgão jurisdicional melhor compreensão do laudo e/ou dos pareceres apresentados (MARINONI et al., 2017). SEGUNDA PERÍCIA Na hipótese de a perícia não ter esclarecido suficientemente a matéria controversa, o juiz determinará — de ofício, a requerimento das partes ou do Ministério Público — a realização de uma nova perícia, conforme o art. 480 do CPC. Considerando o tempo despendido e as despesas que envolvem uma segunda perícia, o juiz deve optar por sua realização apenas em situações excepcionais, quando persistirem as incertezas quanto ao thema probandum. EXEMPLO Embora seja necessária moderação e cautela do juiz quanto ao uso de uma segunda perícia, há certos resultados que realmente o obrigam a realizar tal prova. É o caso do perito que apresenta um laudo pericial incoerente, inconclusivo ou inconvincente, não cumprindo a prova técnica, o papel que lhe cabe na pesquisa da verdade em torno das alegações fáticas das partes (THEODORO JÚNIOR, 2017). Isto é, não traz à referida prova a segurança necessária para subsidiar a decisão judicial. Contudo, vale lembrar que a segunda perícia só ocorrerá caso não se consiga consertar os defeitos constantes no laudo da primeira perícia, em atenção à economia processual. A decisão do juiz que determina a realização da segunda perícia é interlocutória não agravável por instrumento, mas poderá ser suscitada em sede de apelação ou de contrarrazões (art. 1.009, §1º, e art. 1.015, ambos do CPC). Fonte: Shutterstock.com A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os quais recaiu a primeira e destina- se a corrigir as omissões ou inexatidões dos resultados a que a primeira perícia conduziu (art. 480, §1º, do CPC). Pode ela ser realizada pelo mesmo perito ou por um novo, fica a critério do juiz — embora parcela da doutrina critique a possibilidade de o juiz nomear o mesmo perito para a realização da nova perícia, em razão de seu fracasso na produção da primeira. Na segunda perícia, poderão as partes apresentar novas manifestações e os assistentes técnicos, novos pareceres técnicos, em observância ao princípio do contraditório. Por fim, a segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para a primeira (art.480, §2º, do CPC), mas não a substitui, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra para formar seu convencimento (art. 480, §3º, do CPC). APRECIAÇÃO DO LAUDO PERICIAL PELO JUIZ Segundo o art. 479 do CPC, o juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371, indicando na sentença os motivos que o fizeram considerar ou deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito. O magistrado não pode assumir posição passiva diante do laudo pericial elaborado, mas, sim, deve examiná-lo com rigor, tendo em mente o método que o perito utilizou. Mais do que isso, deve o magistrado analisar a: [...] AUTORIDADE CIENTÍFICA DOS AUTORES DO LAUDO E DOS PARECERES, SUA IDONEIDADE MORAL, A ACEITAÇÃO DOS MÉTODOS E INSTRUMENTOS CIENTÍFICOS EMPREGADOS NO SEU MEIO PROFISSIONAL, A COERÊNCIA DE SEUS ARGUMENTOS E DE SUA CONCLUSÃO. (DIDIER JR. et al., 2016) O art. 371 do CPC, por sua vez, estabelece que o juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. A leitura conjunta do referido dispositivo legal e do art. 479 reforça a liberdade do juiz de valorar o conjunto probatório para tomar sua decisão, não estando adstrito às conclusões da prova pericial. ATENÇÃO Pode o juiz formar seu convencimento com base em outras provas que constem nos autos, que não a prova pericial, mas deverá justificar racionalmente, e de modo devidamente fundamentado, os motivos que o levaram a ignorar a prova pericial e considerar as outras provas produzidas. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. NO QUE DIZ RESPEITO AO LAUDO PERICIAL, ASSINALE A RESPOSTA CORRETA: A) Se o perito não puder apresentar o laudo dentro do prazo, independentemente do motivo, o juiz poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela metade do prazo originalmente fixado. B) O laudo pericial deverá ser protocolado pelo perito com antecedência mínima de 10 dias antes da audiência de instrução e julgamento. C) As partes serão intimadas para, querendo, manifestarem-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parecer. D) Caso ainda haja necessidade de mais esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de conciliação. E) O perito ou o assistente técnico será intimado pessoalmente com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência da audiência de instrução e julgamento. 2. ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: A) É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. B) O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida. C) A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra. D) No momento de proferir a sentença, o juiz estará vinculado às conclusões do laudo pericial, devendo indicar toda a fundamentação utilizada pelo perito em sua decisão. E) O juiz indicará, na sentença, os motivos que o levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito. GABARITO 1. No que diz respeito ao laudo pericial, assinale a resposta CORRETA: A alternativa "C " está correta. Letra C é a correta, pois, nos termos do art. 477, §1º, do CPC, possuem as partes o direito a se manifestar após o laudo pericial. 2. Assinale a alternativa INCORRETA: A alternativa "D " está correta. Letra D é a afirmativa a ser marcada, tendo em vista que o juiz não está vinculado às conclusões do laudo pericial, devendo, na sentença, indicar os motivos pelos quais considerou ou não o referido laudo (art. 479 do CPC). CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Vimos que o magistrado será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. A prova pericial pode ser determinada de ofício ou a requerimento da parte. A escolha do perito pode ser feita pelo magistrado, unilateralmente, ou pelas partes de forma consensual. O perito pode escusar-se do cargo, desde que apresente motivo legítimo, assim como pode ser recusado pelas partes que alegam sua suspeição ou seu impedimento em petição fundamentada e substituído nos casos previstos no art. 468 do CPC. Nomeado o perito e fixado o prazo de entrega do laudo, as partes podem arguir impedimento ou suspeição do perito, indicar assistentes técnicos e apresentar quesitos. Ciente da sua nomeação, o perito apresentará sua proposta de honorários, seu currículo e seus contatos profissionais. Ato contínuo, as partes serão intimadas da proposta para, querendo, manifestarem-se a respeito. Findo o prazo, o juiz arbitrará o valor dos honorários periciais e os trabalhos periciais terão início. O laudo pericial é o documento em que constam as conclusões do perito acerca do fato controverso. Os elementos que o compõem estão dispostos no art. 473 do CPC. Se a perícia não tiver esclarecidosuficientemente a matéria, o juiz poderá determinar a realização de uma nova perícia. Por fim, o juiz apreciará a prova pericial, indicando, na sentença, os motivos que o levaram a considerar ou não as conclusões do laudo. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ALVIM, J. E. C. Manual do Novo Código de Processo Civil: Do processo de conhecimento. Vol. II. Curitiba: Juruá, 2012. DIDIER JR., F.; BRAGA, S. P.; OLIVEIRA, R. A. Curso de Direito Processual Civil. Vol. II. Salvador: JusPodivm, 2016. MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C. Manual de Processo de conhecimento. 5. ed., São Paulo: RT, 2001. MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C.; MITIERO, D. Novo Código de Processo Civil comentado. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017. NASSER, P. M. Art. 473. In: CABRAL, A. P.; CRAMER, R. (coords.). Comentários ao novo Código de Processo Civil. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016. NEVES, D. A. A. Manual de direito processual civil. Volume único. Salvador: JusPodivm, 2017. RODRIGUES, M. A. S. Art. 156. In: CABRAL, A. P.; CRAMER, R. (coords.). Comentários ao novo Código de Processo Civil. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016. THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 1. 58. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2017. EXPLORE+ Pesquise pelo título Ensaio sobre a prova pericial no Código de Processo Civil de 2015, de Bruno Vinícius da Rós Bodart. Pesquise pelo título Prova Pericial no CPC/2015, de Paulo Henrique dos Santos Lucon. CONTEUDISTA Felipe Varela Mello CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); javascript:void(0);