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HISTORIA DO DIREITO 
E DIREITO ROMANO 
AULA 5
Abertura 
Bons estudos.
Institutos do 
Direito 
Romano
Olá!
O Direito Romano foi o conjunto de regras jurídicas que foram criadas e tiveram vigência na 
Antiguidade: outro tempo, outra sociedade, outros costumes. Mas algo de surpreendente há no 
fato de que, de poucas tribos, Roma transformou-se em um Império; de poucos homens, fez um 
exército avassalador; e, principalmente, de alguns costumes, criou as bases de todo Direito 
Privado que usamos. 
Mas o que há de tão espetacular nesse Direito que possa ter sobrevivido por mais de dois mil 
anos? 
Nesta aula você vai conhecer quais são os institutos de Direito Privado que foram criados pelos 
romanos e que ainda hoje são aplicados no Direito brasileiro. 
Referencial Teórico 
O Direito é fenômeno histórico, que se forma, se transforma e, principalmente, se justifica pela sua 
história. Assim foi com o Direito Romano, que surgiu há mais de dois mil anos, foi estruturado e 
transformado, mas chegou até nós com a força da cultura ocidental que trouxe consigo nessa 
viagem.
No capítulo Institutos de Direito Romano, do livro História do Direito, você vai entender a 
importância dos principais institutos para o Direito "moderno" e identificar quais existem na 
contemporaneidade.
Ao final deste estudo, você saberá:
• Definir o que são institutos de Direito Romano.
• Demonstrar a importância dos institutos de Direito Romano no Direito Moderno.
• Analisar os principais institutos ainda contemporaneamente existentes.
Institutos de Direito Romano 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir o que são institutos de Direito Romano.
 � Demonstrar a importância dos institutos de Direito Romano no Direito 
moderno.
 � Analisar os principais institutos que ainda existem.
Introdução
O Direito Romano foi um conjunto de regras jurídicas criadas que tiveram 
vigência na Antiguidade: outro tempo, outra sociedade, outros costumes. 
Mas algo de surpreendente há que, de poucas tribos, Roma se transfor-
mou em um Império; de poucos homens, fez um exército avassalador; 
principalmente, de alguns costumes, criou as bases de todo o Direito 
Privado que usamos. Mas o que há de tão espetacular nesse Direito para 
ter sobrevivido por mais de 2 mil anos? 
Neste capítulo, você vai ler sobre os institutos de Direito Privado 
criados pelos romanos e que estão ainda hoje no cotidiano da aplicação 
do Direito brasileiro.
Principais definições sobre os institutos 
de Direito Romano
O início de tudo são os conceitos. Conceituar o Direito Romano parece útil para 
quem vai se dedicar a estudá-lo. A maioria dos estudiosos desse tema o identifica 
como um complexo de normas vigentes em Roma, desde a fundação lendária até 
a obra de Justiniano (Corpus Iuris Civilis). Mas nesse recorte temporal estão bons 
13 séculos (VIII a.C. até VI d.C.). Em 13 séculos, variam não só as características 
da sociedade, mas principalmente os direitos que dela derivam. O marco final 
desse percurso, sendo a codificação de Justiniano, representa a cristalização 
de todo o direito anterior e, por isso, pode ser a base para os estudos de Direito 
Romano no período medieval e basear também a codificação moderna. Nessa 
etapa final, as categorias criadas no período de esplendor foram solidificadas.
O jurisconsulto Gaio teve papel muito importante no Direito que chegou a 
essa etapa final. Ele foi um jurista do segundo século d.C. (época do Direito 
Clássico) e produziu um material de valor imprescindível para a formação do 
Direito Romano: ele elaborou as Institutas, e o seu objetivo era a exposição da 
matéria jurídica de forma elementar, como uma aula ou iniciação dos alunos 
no conteúdo jurídico. 
Nesse intuito de ensinar as principais categorias de Direito vigentes na 
sua época, Gaio demonstrou ser profundo conhecedor da história e da prática 
jurídica, sendo os seus ensinamentos o ponto de apoio para estudos poste-
riores (como as Institutas Justiniano). Junto com outros, fez parte do rol de 
jurisconsultos que consolidaram os ensinamentos sobre Direito Romano na 
Antiguidade. Esse Direito se fundamenta na estrutura do sistema privado 
(é comum se deparar com a máxima “os romanos foram gigantes no Direito 
Privado e pigmeus no Direito Público”).
São considerados institutos de Direito Romano aquelas categorias jurídicas que sus-
tentam todo o sistema, como o direito das pessoas, a família, os bens e a propriedade, 
as obrigações e a sucessão. Também o Direito Processual está caracterizado como 
instituição de Direito Privado em face da forma de processar. 
As Institutas de Gaio são o ponto de apoio para analisar as principais 
instituições de Direito Romano. Nelas, o autor descreve que todo o Direito 
usado se refere às pessoas, às coisas e às ações. Nessa descrição, percorre 
quatro partes, dividindo a primeira (Comentário Primeiro) com o Direito das 
Pessoas e Direito de Família. A segunda parte (Comentário Segundo) se dedica 
à descrição dos bens, à aquisição da propriedade e aos demais direitos sobre 
as coisas alheias, e ensina a sucessão por testamento. No Comentário Terceiro, 
trata da sucessão sem testamento e do Direito das Obrigações. Dedica todo 
o Comentário Quarto ao Direito Processual, o que é plenamente justificável 
porque, no ordenamento jurídico romano (se fosse possível chamá-lo de or-
denamento), o Direito nasce do processo.
Institutos de Direito Romano74
A Figura 1 ilustra o ensino romano. 
Figura 1. Professor e alunos durante uma aula. Relevo em Trier. 
Fonte: Römische Schule (2017).
Há ainda as Institutas de Justiniano. Esse material faz parte do Corpus 
Iuris Civilis, que, sem dúvida, é o maior documento jurídico já compilado 
do Direito Ocidental. O autor é o imperador Justiniano, que, no proêmio das 
Institutas, assim afirma (JUSTINIANO, 2005, p.17): 
[...] depois de reunidos os cinquenta livros do Digesto ou Pandectas, no quais 
está compilado todo o antigo direito, o que fizemos por meio do referido e 
excelso varão Triboniano e de outros varões ilustres e eloquentes, mandamos 
organizar estas Institutas em quatro livros para que constituíssem os primei-
ros elementos de toda a ciência legítima do direito. Nestes livros, encontra-se 
resumidamente exposto o que antes vigorava e o que depois, obscurecido 
pelo desuso, recebeu nova luz pelo remédio imperial. Estas Institutas, para 
as quais contribuíram todas as Institutas dos antigos, e principalmente os 
Comentários de nosso Gaio, não só nas suas Institutas como também nas 
causas do dia a dia além de muitos comentários de outros citados, ao nos 
serem apresentadas pelos três jurisconsultos acima mencionados, foram 
por nós lidas e relidas, e lhes emprestamos a mesma força que às de nossas 
Constituições. [...]
A leitura e o estudo das Institutas, tanto de Gaio como de Justiniano, 
demonstram a evolução e o grau de desenvolvimento dos institutos de Direito 
75Institutos de Direito Romano
Privado romano, desde os tempos mais remotos até a compilação concretizada 
no século VI da nossa era. 
O professor Sebastião Cruz (1969, p. 394) faz uma advertência muito importante: Gaius 
é um enigma, a começar pela própria denominação. Não se conhece o seu nome, 
poderia ser até mesmo um pseudônimo e significar ou uma pessoa ou um grupo 
de pessoas. Também não se sabe se era romano ou não, qual era a sua procedência, 
nem mesmo onde se formou. Ao que tudo indica, faleceu por volta do ano 180 d.C, 
vivendo no século II, mas, pelo seu texto, parece pensar e escrever como um jurista 
do século IV. Além disso, parece não ter sido conhecido no seu tempo, mas foi tão 
influente em etapas posteriores que o imperador Justiniano chegou a chamá-lo de 
Gaius noster (nosso Gaio), e hoje a obra a ele atribuída é, sem dúvida, uma das mais 
importantes no estudo das instituições de Direito Romano. 
Como demonstrar importância dos institutos 
de Direito Romano no Direito “moderno”?
Não é só por erudição, nãoé só por cultura, não é só por prazer que se faz ne-
cessário conhecer as origens do Direito Civil atual. Se é muito difícil conseguir 
colocar em poucas palavras a grandiosidade do contributo de Direito Romano 
que há na lide atual, mais difícil ainda seria viver sem ela. Em outras ciências, 
há situações tão peculiares quanto: não é preciso ver o ar para saber que é indis-
pensável para a vida humana. Não é preciso saber quando e como foi criado o 
conceito numérico para que um prédio se estruture numa fundação muito bem 
calculada. Mas seria impensável um jurista que utilize o Direito como prática 
diária e desconhecesse a sua origem. Isso porque se trata de uma ciência humana 
e social. José Carlos Moreira Alves afirmou (2007, p. 2): 
Nas ciências sociais, ao contrário do que ocorre nas físicas, o estudioso não 
pode provocar fenômenos para estudar as suas consequências. É óbvio que 
não se pratica um crime nem se celebra um contrato apenas para se lhe exa-
minarem os efeitos. Portanto, quem se dedica às ciências sociais tem o seu 
campo de observação restrito aos fenômenos espontâneos, e o estudo destes, 
na atualidade, se completa com o dos ocorridos no passado. É por isso que, 
se o químico, para bem exercer sua profissão, não necessita de conhecer a 
história da química, o mesmo não sucede com o jurista.
Institutos de Direito Romano76
É com as palavras de Villey (1991, p. 87) que podemos entender bem a 
importância do Direito Romano ainda hoje. Diz o jurista: 
Nós devemos aos romanos a existência duma teoria do direito. Antes da época 
de Cícero não existia senão uma prática jurídica. Hoje, “direito” é, além disso, 
uma teoria, que se aprende nos manuais ou nos códigos, antes de se lançar 
na prática. E é uma maneira de conceber o mundo, as suas pessoas, as suas 
coisas, sob o ângulo jurídico, como as matemáticas e a física são uma maneira 
de aprender pelo espírito as coisas sob outro ângulo. Foram os romanos os 
primeiros que, ao que parece, tiveram a ideia de construir o direito sob esta 
forma, fundamentalmente nova.
Acesse a página da livraria do Senado Federal e estude 
Direito Romano no livro disponibilizado:
https://goo.gl/hkD6Hq 
Análise dos principais institutos ainda 
existentes
Os principais institutos do Direito Privado romano são: 
 � Direito das Pessoas; 
 � Direito de Família; 
 � Direito das Coisas; 
 � Direito das Obrigações;
 � Direito das Sucessões.
O Direito das Pessoas no Direito Romano
Este ponto da matéria começa com a identificação do âmbito no qual o Direito 
das Pessoas está inserido no ordenamento jurídico romano. Para reconhecer 
a capacidade perante a esfera do Direito Privado, a pessoa era considerada 
individualmente, mas dentro de categorias ou status, que determinavam a sua 
77Institutos de Direito Romano
situação jurídica pessoal. Para que a pessoa tivesse capacidade jurídica plena, 
era preciso preencher três status:
 � libertatis (liberdade);
 � civitatis (cidadania);
 � familiae (independência).
O primeiro status, chamado de status libertatis, correspondia à situação 
segundo a qual os homens (todas as pessoas) ou são livres ou são escravos. 
Todos os povos antigos conheceram, de uma ou de outra forma, a escravidão. 
Em Roma, a escravidão sempre foi regulada como regime de propriedade, 
e o escravo era considerado juridicamente uma res (coisa), que poderia ser 
libertado por vontade do seu senhor (o dominus).
O segundo status, chamado de status civitatis, correspondia à vinculação do in-
divíduo a uma comunidade juridicamente organizada, a civitas. Dessa vinculação, 
derivavam direitos e deveres, e a principal forma de se sujeitar a essa vinculação, 
entre outros casos, era o nascimento de justas núpcias (casamento legítimo).
O terceiro status, chamado de status familiae, apesar de o nome remeter à 
família, na verdade, diz respeito à condição de independência do sujeito. Tanto 
é assim que uma mulher em Roma poderia ser independente e ter o status 
familiae (plenamente capaz). Mas quanto à chefia da família, a mulher jamais 
poderia ser pater familias e exercer a patria potestas (poder sobre os filhos).
Hoje o sistema de status não vige mais, e a condição das pessoas de sujeito de direito está 
atrelada à capacidade e personalidade jurídicas, consagradas nos arts. 1º e 2º do Código Civil:
Art. 1º Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com 
vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro 
(BRASIL, 2002).
O Direito de Família
No Direito Romano, o conceito de família pode ser compreendido como o 
conjunto de pessoas e de bens submetidos a uma mesma potestas (poder), 
Institutos de Direito Romano78
exercida única e exclusivamente por um homem, o pater familias. Esse poder 
incide sobre pessoas e bens e, por isso, dá uma noção patrimonial da família, 
quase que como uma propriedade. Por isso, a família romana não pode ser 
compreendida apenas como um grupo de pessoas, muito menos só do mesmo 
sangue, é muito maior, pois tem caráter patrimonial. 
Para ligar essas pessoas ao poder do pater, os romanos tinham dois tipos de 
parentesco. O primeiro era o parentesco por agnação, isto é, o parentesco civil, 
jurídico, determinado pela lei. Esse parentesco se adquiria pelo nascimento de 
justas núpcias, pela adoção e pelo casamento com manus. Era um parentesco 
patrilinear, quer dizer, era transmitido somente pelos homens, ou seja, as 
mulheres recebiam, mas não transmitiam esse vínculo. O segundo parentesco 
era aquele estabelecido por cognação, isto é, o parentesco sanguíneo. Não 
importando o tipo de parentesco, os romanos criaram regras para contagem, 
definindo linhas e graus.
Hoje, essas definições se assemelham muito, chegando à coincidência quando se 
trata das regras de contagem:
Art. 1.591 São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para 
com as outras na relação de ascendentes e descendentes. 
Art. 1.592 São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto 
grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma 
da outra. 
Art. 1.593 O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de con-
sanguinidade ou outra origem. 
Art. 1.594 Contam-se, na linha reta, os graus de parentesco pelo número 
de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de 
um dos parentes até ao ascendente comum, e descendo até encontrar 
o outro parente (BRASIL, 2002).
Com relação ao poder familiar, a patria potestas era vitalícia, já que não 
existia o instituto da maioridade (se não for emancipado, o filho fica submetido 
ao poder do pater até a morte dele). Além disso, esse poder era exercido pelo 
ascendente homem mais remoto, que não precisava necessariamente ser o pai 
natural, já que a adoção era instituto frequente no Direito Romano. E também, 
sobre a pessoa dos filhos, o pater tinha os seguintes poderes:
79Institutos de Direito Romano
 � Vitae et necis — direito de vida e de morte.
 � Ius exponendi — poder de abandonar o filho infante.
 � Ius vendendi — direito de vender as pessoas sujeitas para outro pater 
familias como escravos in mancipio.
 � Ius noxae dandi — quando o filho comete um delito privado, o pater 
pode liberar-se do débito dando o culpado para a parte lesada, operando 
a noxae deditio (poder abolido por Justiniano).
Hoje a patria potestas se denomina poder familiar e está no Código Civil:
Art. 1.630 Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores 
(BRASIL, 2002).
É preciso definir a constituição da família pelo casamento: no Direito 
Romano, o casamento é uma situação de fato apta a produzir efeitos jurídicos 
importantes, caso reconhecido pelo Direito. O casamento romano difere do 
casamento atual porque não precisa de um consentimento inicial (formalidade), 
mas precisa do consentimento continuado, manifestado na affectio maritalis 
(intenção de ser casado) e na coabitação.
 � Conceito de Ulpiano — o matrimônio constitui-se no consenso e não 
na consumação.� Conceito de Modestino — o matrimônio é a união de um homem e 
uma mulher e a sociedade de todos os aspectos da vida, a fazer comum 
(aos cônjuges) o direito humano e divino. 
Porém essa situação de fato pode vir acompanhada de cerimônia acessória 
de ingresso da esposa na família do marido, chamada de convenção de manus. 
Por meio dela, a esposa rompia os laços de parentesco com a família de origem 
e criava novos laços com a família do marido, participando dela in loco filiae, 
isto é, no lugar de filha.
Institutos de Direito Romano80
Hoje o Direito Civil consagra o casamento no seguinte dispositivo legal:
Art. 1.511 O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base 
na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.
Art. 1.514 O casamento se realiza no momento em que o homem e a 
mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo 
conjugal, e o juiz os declara casados (BRASIL, 2002).
O Direito das Coisas
A expressão coisa era usada no Direito com a denominação res, isto é, tudo 
o que existe e se pode aprender pelos sentidos humanos. Juridicamente, além 
disso, res tinha um sentido patrimonial, que pode apresentar um valor econô-
mico. Apesar de não ser da índole romana a classificação, Gaio apresenta uma 
descrição das coisas que não podem sofrer apropriação privada porque são 
destinadas à religião. Sabemos que, além dessas, também não podem sofrer 
apropriação privada as coisas destinadas ao uso geral do povo. As demais 
são classificadas em mancipi ou nec manicpi, conforme tenham destinação 
econômica e utilidade para o povo romano, sendo sempre transferidas e ad-
quiridas pela maneira mais solene e formal da técnica romana, a cerimônia 
da emancipação.
Hoje, no Direito Civil, os bens são tratados nos arts. 79 a 103 do Código Civil.
Além disso, três ramos principais sobre o Direito das Coisas foram objeto 
das instituições romanas: a posse, a propriedade e o direito sobre as coisas 
alheias. Em relação à posse, podemos dizer que, para os romanos, a posse não 
era um direito, mas uma situação de fato protegida pelo ordenamento jurídico. 
Os elementos da posse foram vividos na prática romana, mas identificados 
e elaborados pelos alemães do século XIX (Savigny e Ihering), sendo eles o 
81Institutos de Direito Romano
corpus (a res) e o animus (a intenção). De tudo, é importante notarmos que o 
instrumento processual que protegia a posse no Direito Romano era chamado 
de interdito possessório e poderia ser exercido em caso de ameaça ou vio-
lação da paz, sendo esses instrumentos jurídicos considerados uma forma de 
mandado proveniente da autoridade judiciária para estabelecer a paz e acabar 
com o conflito possessório, sem interferir ou decidir de quem é a propriedade.
Hoje, no Direito Civil, a posse é tratada nos arts. 1.196 a 1.224 do Código Civil.
Em relação à propriedade, podemos afirmar que não há uma definição no 
Direito Romano. Alguns chegam a afirmar que a expressão é tardia, já que, 
na época clássica, outras palavras designavam o que hoje entendemos como 
propriedade, tais como mancipium, dominium, entre outras. O certo é que, em 
Roma, existiram muitos tipos diferentes de propriedade, como o dominium 
quiritarium, que era a propriedade plena, protegida pelo Direito Civil pleno, 
adquirida de forma tradicional e por cidadão romano, além do dominium 
peregrino ou propriedade dos estrangeiros que em Roma tivessem o direito 
de praticar atos patrimoniais provados. 
Havia uma espécie muito importante de propriedade, chamada de domi-
nium in bonis, ou propriedade bonitária. Esse tipo de propriedade surgiu com 
a atuação do pretor, magistrado romano responsável pelo processo. Assim, 
mediante ação judicial, ele concedia proteção jurídica para quem não tivesse 
adquirido um bem de forma plena, dando o nome de propriedade pretoriana ou 
protegida pelo pretor. Por fim, também se identificava a propriedade provincial 
sobre os bens situados nas províncias (Gaio 2.7). Os direitos decorrentes eram 
de usar ( jus utendi), obter vantagens ( jus fruendi) e dispor ( jus disponendi 
ou jus abutendi), tendo assim, além do direito de propriedade, também o 
domínio (domínio é o direito de usar, fruir e dispor da própria coisa, até onde 
permitiam a razão e o direito). 
A aquisição da propriedade também foi objeto de estudo dos romanos, 
tanto a título originário (sem relação com o proprietário anterior) como a 
título derivado (com relação jurídica entre os proprietários), além, claro, das 
disposições muito vetustas sobre usucapião (prescrição aquisitiva).
Institutos de Direito Romano82
Hoje, no Direito Civil, a posse é tratada nos arts. 1.228 a 1.510-E do Código Civil, incluindo 
até o novíssimo direito de laje!
O Direito das Obrigações
Obligatio! Essa é a expressão romana para o instituto responsável pelo esplendor 
do Direito e principalmente pela expansão econômica de Roma. Incialmente, 
o vínculo era material, ou seja, virava escravo o devedor insolvente (Lei das 
XII Tábuas), mas, a partir da Lex Poetelia Papiriad de Nexis (326 a.C.), o 
vínculo passpu a ser patrimonial, e a construção da obra jurídica dos romanos 
chegou aos seguintes conceitos: 
 � obrigação — é o vínculo jurídico pelo qual somos constrangidos a 
solver necessariamente alguma coisa a alguém, conforme o direito da 
nossa cidade;
 � substância da obrigação — consiste não em fazer nossa alguma coisa 
corpórea ou uma servidão, mas sim o constrangimento de outrem a nos 
dar, fazer ou prestar;
 � obrigações — eram sempre veiculadas por meio de uma ação in per-
sonam (que pretende um comportamento — dar fazer ou não fazer, e 
as fontes dessas obrigações no período clássico, segundo Gaio (3.88), 
são o contrato e o delito;
 � contrato — é a vinculação voluntária lícita; nele, estão elencados os 
contratos reais (com a efetiva entrega da coisa), verbais (com a prolação 
de palavras solenes), literais (pela escrita de um crédito ou débito) e 
consensuais (pelo consentimento);
 � delitos — são a contrariedade ao direito; e os delitos apresentados por 
Gaio são o furtum (furto), a bona vi rapta (o roubo), o dano (proveniente 
da Lex Aquilia de dano) e a injúria (efetiva ilicitude que poderia ser 
uma ofensa verbal ou física).
83Institutos de Direito Romano
Hoje o Direito das Obrigações consta no Livro I da Parte Especial do Código Civil e 
vai do art. 223 ao 853. 
O Direito das Sucessões
Suceder significa substituir a titularidade. No Direito Romano, essa substituição 
poderia se dar inter vivos (entre vivos) ou causa mortis (por causa da morte 
do titular). Também poderia ser singular no caso de a transmissão ser de um 
bem singular ou universal caso se tratasse da transmissão da universalidade 
do patrimônio de alguém. Mas, caso se tratasse de sucessão causa mortis 
universal, o instituto se chamaria de hereditas (herança). A herança era deferida 
por dois tipos de delação: testamentária (ato de disposição de última vontade) 
ou ab intestato (sem o testamento) e então, neste caso, a lei supre a vontade do 
de cujus (o falecido), indicando quem ocupa o lugar de herdeiro.
No Direito Romano, segundo John Gilissen (2008), houve uma evidente 
prevalência da sucessão testada sobre a intestada em face da primazia da 
vontade individual e absoluta do pater familias.
As principais regras de Direito Sucessório romano dizem respeito a três 
fundamentos: 
 � a instituição do herdeiro (Gaio 2.229), que é o fundamento de todo o 
testamento; 
 � a equivalência da concepção de família para a correspondente de-
signação da ordem da vocação hereditária (no Direito Primitivo, a 
antiga família baseada na agnação exclui da herança legítima os filhos 
emancipados e as mulheres casadas sem a manus); 
 � o espírito prático romano, atuando na flexibilização do Direito por 
meio da atuação do pretor ao conceder a chamada bonorum possessio 
(ação processual que entrega a posse dos bens hereditários a quem não 
está beneficiado nem na lei nem no testamento, para favorecer laços 
sanguíneos e matrimoniais).Institutos de Direito Romano84
Hoje o Direito das Sucessões consta no Livro V da Parte Especial do Código Civil e vai 
do art. 1.784 ao 2.027. 
ALVES, J. C. M. Direito romano. Rio de Janeiro: Forense, 2007.
CRUZ, S. C. Direito Romano: lições. Coimbra: Almedina, 1969. (v.1).
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. 2002. Disponível 
em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 10 
dez. 2017.
GILISSEN, J. Introdução histórica ao Direito. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1986.
JUSTINIANO. Institutas do Imperador Justiniano. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2005.
RÖMISCHE SCHULE. 2017. Disponível em: <http://www.villa-rustica.de/info/schulen.
html>. Acesso em: 10 dez. 2017.
VILLEY, M. Direito Romano. Porto: Rés, 1991.
Leituras recomendadas
BRETONE, M. História do Direito Romano. Lisboa: Editorial Estampa, 1990.
CORREIA, A.; SCIASCIA, G. Manual de Direito Romano. São Paulo: Saraiva, 1961.
DIGESTO de Justiniano, liber primus: introdução ao direito romano. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2009.
GAIO. Institutas do jurisconsulto Gaio. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.
IHERING, R. V. El espíritu del Derecho Romano. Madrid: Marcial Pons, 2005. 
JUSTO, A. S. Direito privado romano. 3. ed. Coimbra: Coimbra Editora, 2006. t. 1.
KASER, M. Direito privado romano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1999.
MEIRA, S. Curso de Direito romano: história e fontes. São Paulo: LTR, 1996. 
85Institutos de Direito Romano
Portfólio 
ATIVIDADE
A observação do Direito como fenômeno histórico é fundamental para a sua compressão 
completa. Significa dizer que o Direito que existe hoje é o resultado ou consequência do Direito 
que existiu no passado. Por isso, conhecer e reconhecer os Direitos que se perpetuaram no 
tempo é, no fim das contas, estudar o Direito vigente.
Então, imagine a seguinte situação hipotética:
Tício, pater familias romano, vende sua casa para Caio. Ambos combinam as formalidades, o 
pagamento e a entrega da chave para a semana seguinte.
No dia marcado, Tício e Caio encontram-se. No entanto, Tício tem pressa, porque precisa partir 
imediatamente para a guerra e não pode fazer naquele momento a solenidade de transferência 
da titularidade. Caio, então, entrega o dinheiro, pega as chaves da propriedade e toma posse da 
casa com toda a família.
Passados alguns dias, Caio já estava instalado na casa. Eis que surge Mévio, um vizinho que 
sabia que não havia sido feita a solenidade de transferência, começa a perturbar Caio, inclusive 
com violência, querendo para si a casa de Tício.
Caio viu-se obrigado a procurar um jurisconsulto, chamado Alunus, para esclarecer as 
disposições jurídicas do Direito Romano sobre o assunto.
Supondo que você é Alunus e conhece os institutos de Direito Romano, aponte:
a) De qual o instituto jurídico do Direito Romano está tratando-se?
b) Como Caio pode proteger-se?
Pesquisa 
AUTO ESTUDO
ARTIGO
A influência do Direito Romano na obra do artista Vassily Kandinsky Artigo que 
faz uma comparação entre os institutos de Direito Romano.
ACESSE ARTIGO 01 - 1099 - AULA 05