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Recursos Terapêuticos Manuais em Fisioterapia Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª M.ª Márcia Regina Pinez Mendes Revisão Textual: Prof.ª M.ª Sandra Regina Fonseca Moreira Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente • Conhecer os distúrbios do tecido mole e a rede fascial, entendendo as reações fasciais à tensão; • Aprender técnicas para identificar e diminuir os pontos-gatilho; • Aprender as técnicas de avaliação dos tecidos, compreendendo sobre os encurtamentos e as retrações; • Habilitar o aluno para avaliar a necessidade da aplicação das pompages, considerando os efeitos produzidos pelas técnicas. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Distúrbios do Tecido Mole; • Rede Fascial; • Reações Fasciais à Tensão e Oportunidades Terapêuticas; • Encurtamentos e Retrações; • Exame Estático; • Pompages. UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Distúrbios do Tecido Mole A capacidade de locomoção assim como de qualquer funcionalidade do ser hu- mano depende da ação conjunta dos sistemas articular e muscular comandados pelo sistema nervoso. O conjunto de mais de 600 músculos é responsável pelo maior consumo de ener- gia do corpo e são capazes e contrair e relaxar, permitindo a realização de todos os movimentos funcionais do ser humano. Este conjunto é conhecido como músculos estriados esqueléticos que trabalham de forma voluntária, ou seja, obedecem a nossa vontade. Estes músculos são conhe- cidos como “músculos vermelhos” por ação da proteína mioglobina que serve como um reservatório de oxigênio para as contrações musculares. O sistema muscular também tem funções que são fundamentais ao corpo humano: estabilidade corporal, produção de movimentos, manutenção da temperatura corpo- ral pelo aquecimento do corpo, sustentação e ajuda os fluxos sanguíneos. Figura 1 – Sistema muscular Fonte: Getty Images Ao serem estimulados, os músculos têm a propensão à tensão e por ser o maior usuário de energia do corpo, também é a principal fonte de dor, desconforto e inca- pacidade, localizados ou gerais, referidos ou reflexos, agudos ou crônicos. 8 9 O que faz termos tanta dor muscular? Para descrever todas essas lesões usamos a expressão “disfunção somática” que segundo Chaitow (2001), pode ser definida como um envolvimento ou alteração na função dos componentes do sistema somático (estruturas esqueléticas, miofasciais, elementos vasculares, linfáticos e neurais associados). Alguns sinônimos de disfunção somática são encontrados como: bloqueio ar- ticular, travamento articular, perda do jogo articular e desarranjos intervertebrais (Greenman, 2001). Figura 2 – Dor muscular por postura contínua Fonte: Getty Images Pode-se perceber que um grande envolvimento articular acontece e algumas es- truturas devem ser conhecidas: • Órgão Tendinoso de Golgi (OTG): Os OTG são sensíveis a alterações muito pequenas na tensão sobre um tendão. Estes órgãos se adaptam lentamente e ajuda o corpo perceber onde a articulação se encontra em um determinado momento, em qualquer atividade muscular. Respondem tanto à contração ativa como pela distensão passiva de um músculo. • Terminações de Ruffini: Estão na cápsula articular e sinalizam o extremo do limite articular e respondem mais ao movimento passivo do que o ativo. • Corpúsculos de Pacini: Respondem ao movimento, mas não quando a posição da articulação é constante. São encontrados no tecido conjuntivo periarticular e se adaptam facilmente. Informam o índice de aceleração do movimento, pode ser chamado de receptor de aceleração. Órgão Tendinoso de Golgi, disponível em: https://bit.ly/2YRUiG4 9 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Esses três órgãos terminais podem fornecer informações sobre a posição, direção e o índice de movimento de qualquer articulação. Deve-se entender que os meca- nismos de transmissão nos tecidos moles e articulações podem ser questões básicas para o Sistema Nervoso Central. Você Sabia? Vários eventos acontecem quando o músculo está sob tensão, seja para uma determina- da função ou simplesmente por demasiado uso. Abaixo, entenda o que acontece com um músculo que está sob tensão demasiada: Aumento do tônus muscular Retenção de detritos metabólicos Diminuição de O2 e isquemia Sensibilização de estruturas e neurais Aumento dos macrófagos, vascularidade e atividades �brolásticas Aumento da produção de tecido conjuntivo e encurtamento da fáscia Mudanças �bróticas Reação em cadeia: Músculos posturais: encurtam Músculos fásicos: enfraquecem In�amação ou irritação crônica Mantém a hipertonicidade Edema/Dor Figura 3 Por permanecer em constante tensão, as estruturas tendinosas ficam isquêmicas e dores periosteais acabam se desenvolvendo quando uma biomecânica anormal é adotada favorecendo cada vez mais encurtamentos fasciais. Importante! A cor avermelhada do músculo se deve à mioglobina, bem semelhante a hemoglobina dos glóbulos vermelhos. Todos os músculos do nosso corpo representam 40 – 50% do peso corporal total. Os músculos podem ser classificados conforme suas fibras: • Fibras de contração lenta (fibras brancas – Tipo I): têm baixo fornecedor de energia glicogênica, com transporte de altas concentrações de mioglobulina e mitocôndrias. Por se fadigarem lentamente são envolvidos em tarefas de postura e estabilização; 10 11 • Fibras de contração rápida (fásicas – Tipo II): • Tipo IIa (fibras de “contração rápida” ou “vermelhas rápidas”): são modera- damente resistentes à fadiga, concentração alta de mitocôndrias e mioglobulina; • Tipo IIb (fibras de “contração rápida / glicolíticas” ou “brancas rápidas”): menos resistentes à fadiga e mais dependentes de fontes glicolíticas de energia, baixos níveis de mitocôndrias e mioglobulina; • Tipo IIm (fibras “super-rápidas”): dependente de estrutura exclusiva de miosi- na e alto conteúdo de glicogênio, encontradas nos músculos da mandíbula. A seguir, vamos ver alguns músculos posturais anteriores e posteriores do corpo: Esternocleidomastoideo Trapézio superior Levantador da escápula Latíssimo do dorso Quadrado lombar Sacroespinhal Piriforme Adutor magno Isquiotibiais Peitoral maior Oblíquo do abdômen Iliopsoas Adutor longo Reto femoral Tensor da fáscia lata Figura 4 – Músculos posturais anteriores e posteriores Fonte: Adaptado de Getty Images Qual a diferença entre a Síndrome da Fibromialgia (SFM) e a Síndrome da Dor Miofascial (SDM)? Muito se ouve falar sobre a Síndrome da Fibromialgia (SFM) no Brasil, mas as causas ainda não foram bem definidas. O que se sabe é que se trata de um distúrbio de dor intensa e crônica em diversas partes do corpo. Com a dor, a fibromialgia tam- bém apresenta sintomas de fadiga, sono não reparador e em alguns casos alteração da memória e atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais. No início da fibromialgia existem mudanças no tecido que são desencadeadas por predominância simpática localizada com mudanças na concentração de íons de hidrogênio e do equilíbrio do cálcio e sódio nos fluidos dos tecidos (Chaitow, 2001). Está associado à vasoconstricção e hipóxia / isquemia levando a dor. As mulheres são as mais acometidas, entre 30 e 50 anos de idade, podendo aco- meter também crianças e idosos. Por não apresentar inflamações nem deformidades 11 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente físicas, o diagnóstico torna-se muito difícil. É uma doença sem causa específica, mas os níveis de serotonina são mais baixos, acompanhados de desequilíbrios hormonais, tensão e estresse, causando limitações nas atividadesde vida diária. Por ser uma dor persistente com hipersensibilidade tátil em pontos que se espa- lham por todo o corpo, foi recomendado pelo American College of Rheumatologists (Wolfe, 1990), dois critérios primordiais para o diagnóstico da Fibromialgia: Figura 5 – Critérios de diagnóstico da Fibromialgia Fonte: Adaptado de Getty Images Outros indícios podem favorecer o diagnóstico da fibromialgia: desconforto, dor muscular e cansaço generalizado. A Síndrome da Dor Miofascial (SDM) é a mesma coisa que Síndrome da Fibromialgia (SFM)? Podem ter alguns pontos similares, mas a resposta é NEGATIVA!!! • Pontos em comum: » Ambas são afetadas pelo frio; » Atividade elevada dos nervos simpáticos e condições como Fenômeno de Raynaud; » Cefaleia tensional e parestesia; » Não reagem à anti-inflamatórios e analgésicos. • Pontos divergentes: » Na SDM tanto homens como mulheres são afetados igualmente, na fibromial- gia as mulheres são mais afetadas. » Pescoço e ombros, coluna lombar e pernas são regiões mais afetadas na SDM e podem ser localizadas até mesmo em várias áreas ao mesmo tempo; na fibromialgia o comprometimento é generalizado. » Na SDM 30% dos indivíduos apresentam os músculos com áreas que parecem “elástico esticado”, na SFM isso corresponde a 60% dos pacientes. » A resistência muscular é inferior na SFM em relação a SDM. 12 13 » Distúrbios do sono podem acontecer na SDM, já na fibromialgia essa é uma situação que causa a SFM. » A fibromialgia produz rigidez matinal e a SDM não. » Na SDM não há fadiga associada, o que já acontece na fibromialgia. » A depressão e a ansiedade podem se desenvolver na SDM, já na fibromialgia essas condições podem ser o gatilho inicial da doença. » A síndrome do intestino irritável, dismenorreia e sensação de edema nas arti- culações podem acontecer na fibromialgia, mas não na SDM. Mas então, o que são Pontos-gatilho ou Trigger-points? Pontos-gatilho: são pontos hipersensíveis de dor em músculos e tecido conjuntivo, são nódulos que quando pressionados ou espontaneamente produzem dor referida. (CHAITOW, 2001) Os pontos-gatilho são parte primordial no diagnóstico da Fibromialgia, por esta razão deve-se localizar com precisão os pontos e sua área de dor referida. Abaixo, alguns destes pontos estão assinalados com X e em vermelho a dor referida: • Ponto-gatilho no músculo esternocleidomastoideo, disponível em: https://bit.ly/3giXGQf • Ponto-gatilho no músculo trapézio, disponível em: https://bit.ly/2YWe0Rg • Ponto-gatilho no músculo masseter, disponível em: https://bit.ly/2C5frn9 • Ponto-gatilho no músculo A= Infraespinhoso e B= Deltoide, disponível em: https://bit.ly/38nl6RG • Ponto-gatilho no músculo Glúteo médio, disponível em: https://bit.ly/2AtAU98 Aprofunde seu conhecimento sobre os pontos-gatilho com a leitura dos capítulos 2 e 3 do livro “Pontos-gatilho: uma abordagem concisa” (Asher-Niel, 2008) que você encontra na biblioteca virtual. Vimos que os pontos-gatilho interferem no músculo e tecido conjuntivo. Por esta razão, conhecer a fáscia muscular e como ela se comporta com a formação dos pontos-gatilho é muito importante. Rede Fascial Para entender o compartimento musculoesquelético, devemos primeiramente compreender a fáscia e toda sua rede que proporciona tanto um formato interno e externo do corpo como é estrutura de outros sistemas. As fáscias envolvem e fazem o formato do músculo, preenchendo os espaços e favorecendo a flexibilidade dos tecidos reduzindo as tensões e encurtamentos. 13 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Fascia Fibra Muscular MÚSCULO Figura 6 – Fáscia muscular Fonte: Adaptado de Getty Images As principais funções da fáscia são: • Dar forma e suportar o corpo mantendo-o em seu lugar; • Aumentar a força muscular por proporcionar limites firmes; • É suporte para nervos e vasos sanguíneos e linfáticos; • Favorece o movimento e a manutenção dos tecidos por ser responsável pelo fluido lubrificante entre as estruturas. Tipos de fáscias Apesar de ser um tecido contínuo de uma rede conectada do crânio a sola dos pés, a fáscia apresenta camadas que recebem o nome de: • Fáscia Superficial: formada por fibras de colágeno envolve todo o corpo e está posicionada desde a derme até órgãos internos, fixando-se na fáscia profunda; • Fáscia Profunda: composta por tecido conjuntivo mais denso e é a mais pró- xima dos ossos. Com fibras de colágeno mais organizadas e dispostas paralela- mente, possuem terminações nervosas proprioceptivas: corpúsculos de Pacini e Ruffini. Todos os músculos do corpo humano são envolvidos pela fáscia profun- da, mas com características diferentes conforme a região. No tronco, ela é formada por 3 camadas, mais finas e elásticas e têm contato direto com tecido epimisal dos músculos que envolvem. Nos membros é composta por 2 camadas rígidas e grossas conectando-se ao tecido epimisal nos septos intermusculares. Já na cabeça existe uma única camada conectada às fáscias cervicais inferiormen- te e à fáscia de Tenon na cavidade ocular. No crânio temos a fáscia epicraniana e a fáscia temporal profunda; e, na face, as fáscias parótida, massetérica, pterigóidea e bucofaríngea. 14 15 Na região cervical existem 3 camadas: • Camada superior da fáscia profunda: envolve o trapézio e esternocleidomastoideo; • Camada média da fáscia profunda: envolve os músculos infrahioideos, a ti- reoide e a paratireoide. Parte das fibras formam os ligamentos suspensórios do pulmão com continuidade ao pericárdio; • Camada profunda da fáscia profunda: o envolvimento é dos músculos pro- fundos cervicais anteriores e posteriores. Muito interessante entender que a fáscia favorece a continuidade estrutural e fun- cional entre os tecidos moles e pontes rígidas do corpo, sendo uma estrutura senso- rial, elástico-plástico que serve para resistir, sustentar, separar, conectar e promover o equilíbrio ao corpo o que favorece movimentos diversos. Meyer (2016), defende que os músculos não se prendem diretamente ao osso e sim via estruturas de tecido conectivo que são: • Linha anterior superficial: extensores dos dedos, compartimento crural ante- rior, quadríceps, reto do abdome e fáscias abdominais, esterno e fáscia esternal e esternocleidomastoideo (ECOM); • Linha posterior superficial: flexores curtos dos dedos e aponeurose plantar, tríceps sural, isquiotibiais, ligamento sacrotuberoso, fáscia sacrolombar, eretor da espinha, fáscia epicraniana; • Linha lateral: músculos fibulares, compartimento crural lateral, trato iliotibial, abdutores do quadril, oblíquos do abdome lateral, intercostais interno e externo, ECOM e esplênios; • Linha espiral: esplênios, romboide (contralateral), serrátil anterior, oblíquo ex- terno, oblíquo interno (contralateral), tensor da fáscia lata, trato iliotibial anterior, fibular anterior, ligamento sacrotuberoso, eretor da espinha; • Linha do braço posterior superficial: trapézio, deltoide, septo intermuscular lateral, grupo extensor; • Linha do braço posterior profunda: romboides, elevador da escápula, man- guito rotador, tríceps braquial, fáscia ao longo da ulna, ligamentos colaterais ulnares, músculos hipotênares; • Linha do braço anterior superficial: peitoral maior, latíssimo do dorso, septo intermuscular medial, grupo flexor, túnel do carpo; • Linha do braço anterior profunda: peitoral menor, fáscia clavipeitoral, bíceps braquial, fáscia radial, ligamento colaterais radiais, músculos tênares; • Linha funcional anterior: peitoral maior (borda inferior), linha semilunar, pira- midal, adutores anteriores (longo, curto e pectíneo); • Linha funcional posterior: latíssimo do dorso, fáscia lombossacral, glúteo mé- dio, vasto lateral; • Linha funcional ipsilateral: latíssimo do dorso (borda externa), oblíquo externo do abdome, sartório; 15 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento doPaciente • Linha anterior profunda: tibial posterior, flexores longos dos dedos, comparti- mento posterior profundo, poplíteo, cápsula posterior do joelho, grupo adutor, pélvico, ligamento longitudinal anterior, iliopsoas, quadrado lombar, músculos longos, complexo hioideo, assoalho da boca, músculos da mandíbula. Por que conhecer essas linhas de trilhos anatômicos? Para que possamos entender todo o funcionamento coordenado do movimento humano. Trilhos anatômicos, disponível em: https://bit.ly/3dYfKNY Conhecendo essas linhas podemos compreender por que quando um paciente chega com uma dor em determinada região encontramos um ponto-gatilho as vezes distante. Vamos ver então como avaliamos e tratamos essas alterações. Reações Fasciais à Tensão e Oportunidades Terapêuticas A ação conjunta dos músculos pensando no esforço e na resistência impostas a eles, favorecem mudanças na fáscia que geram congestões locais, desequilíbrios posturais e dores. Chaitow (2001) parafraseando Mennel (1975) afirma que o músculo ao ser capaz de obter e manter seu comprimento normal em repouso é indolor, caso contrário será um músculo com espasmo e dolorido com a for- mação dos pontos-gatilho. Além da formação desses pontos, a fáscia ao ser tensionada pode reagir com deforma- ção pela característica exclusiva do tecido con- juntivo que é elástico o que favorece desequilí- brios posturais que podem ser vistas na figura abaixo, lembrando sempre que postura ideal é aquela que permanecemos com o mínimo de gasto energético: Oportunidades terapêuticas nos pontos-gatilho O primeiro passo para se detectar um ponto-gatilho é uma avaliação minuciosa buscando essas áreas após uma anamnese bem detalhada. Figura 7 – Posturas adotadas pelas pessoas ao longo do dia Fonte: Adaptado de Getty Images 16 17 Palpação Deve ser realizada por toda a extensão para localização dos pontos, verificando se há alguma rigidez no músculo afetado, dor intensa quase insuportável e algum nódulo ou uma banda tensa. Métodos de Palpação: • Palpação com a ponta dos dedos: também chamada de palpação digital, com as unhas bem aparadas, fazer uma pressão sobre a área tensa com uma deter- minada força; Figura 8 – A: Digital com dois dedos. B: Digital com polegar Fonte: Adaptado de Getty Images • Palpação por deslizamento: usar a polpa dos dedos da mão para circundar a pele do paciente no sentido das fibras musculares formando uma prega do tecido, deslizando essa prega; Figura 9 – Palpação por deslizamento Fonte: Getty Images 17 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente • Palpação por pinça: pinçar o ventre do músculo entre polegar e demais dedos, movimentando essas fibras musculares para frente e para trás; Figura 10 – Palpação por pinça Fonte: Getty Images Após detectarmos os pontos, iremos optar pela técnica manual mais indicada. Terapêutica manual Técnica de inibição e compressão isquêmica 1. O primeiro passo é colocar o paciente em uma posição confortável. A téc- nica que será executada deve propiciar ao músculo uma extensão completa; 2. Realizar uma pressão crescente de forma suave e gradual em toda a extensão do músculo e ponto-gatilho, neste momento o paciente deve sentir apenas um desconforto e não dor insuportável; 3. Aplicar no ponto-gatilho uma pressão sustentada até sentir que o ponto esteja aliviado, isso vai de segundos a minutos; 4. Repetir com um pouco mais de pressão até sentir a próxima barreira. Figura 11 – Técnica de inibição e compressão isquêmica Fonte: Adaptado de Getty Images 18 19 Técnica de Massagem Profunda 1. Paciente em posição confortável; 2. Lubrifi car a pele se for necessário; 3. Identifi car o ponto-gatilho; 4. Posicionar o polegar ao lado da banda tensa, reforçando com a outra mão; 5. Aplicar uma pressão suave sobre o ponto, movimentando em uma úni- ca direção; 6. Paciente deve sentir um desconforto e não dor insuportável; 7. Aplicar uma pressão sustentada até sentir o ponto aliviado. Repetir a pressão na direção oposta. Figura 12 – Técnica de massagem Profunda Fonte: Getty Images Figura 13 – Técnica de massagem Profunda Fonte: Getty Images Ao realizarmos ambas as técnicas não devemos posicionar o ponto de forma muito rápida ou profunda para não irritar irritá-lo, podendo até romper o sarcômero. A área toda pode ser massageada após a liberação do ponto-gatilho com as téc- nicas da massagem clássica. 19 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Em Síntese O sistema integrado musculoesquelético proporciona estabilidade corporal, produção de movimentos, manutenção da temperatura corporal, sustentação e ajuda os fluxos sanguíneos. Uma biomecânica anormal favorece o encurtamento fascial proporcionando dores e alte rações das cadeias musculares do corpo. A Síndrome da Fibromialgia não é a mesma coisa que a Síndrome da Dor Miofascial. Um ponto-gatilho pode aparecer em um determinado local e geral dor em várias outras partes da cadeia muscular, chamada de dor referida. Ao avaliarmos e tratarmos os pontos-gatilho devemos fazer com cuidado, nunca de forma rápida ou profunda para não irritar ainda mais o ponto. Encurtamentos e Retrações Dentro de todos os estudos sobre o movimento humano, encontramos o da fun- ção dos músculos estáticos dissociada da função da musculatura dinâmica. Na Unidade anterior, vimos que as fibras musculares são divididas em dois tipos: a de contração lenta e permanente, que é a estática, responsável pelo controle postural, e a dinâmica, que tem contração rápida e intermitente que responde pelo movimento propriamente dito. Apesar de formas diferentes de trabalho, o Sistema Músculo-aponeurórico é inter- ligado e realiza duas grandes funções: deambulação que é uma função ascendente da cintura pélvica e membros inferiores, e preensão, de forma oposta é descendente da cintura escapular e membros superiores, mas que são ligados por um sistema cruzado (BIENFAIT, 1995). Figura 14 – Integração entre cintura escapular e pélvica Fonte: Getty Images Este Sistema Cruzado é da forma apresentada a seguir. 20 21 Sistema Cruzado Anterior Neste Sistema, existem duas faixas musculares cobrindo o tronco. Em cada lado, quatro músculos se destacam e agem de forma sinérgica: • Romboide; • Serrátil anterior; • Oblíquo externo; • Oblíquo interno. O movimento cruzado anterior é uma rotação-látero-flexão-enrolamento do lado oposto e são indissociáveis. Esse sistema traz o membro superior de um lado e o membro inferior do outro lado em equilíbrio, sendo uma grande cadeia de rotação, enrolamento e flexão de dois membros opostos. Sistema cruzado anterior e sistema cruzado posterior. Disponível em: https://bit.ly/3aNULNK Sistema Cruzado Posterior Este Sistema, diferente do anterior, distancia dois membros opostos entre si, sendo uma grande cadeia dinâmica de desenrolamento, rotação e extensão de dois membros opostos. É formado pelo latíssimo do dorso e glúteo máximo contralateral. Importante! Esses dois sistemas cruzados se equilibram e gestos como andar e lançar são coordenados por eles. Bienfait (1995) estudando esses dois sistemas e entendendo que todos os gestos partem de um movimento do tronco, estabelece que se o gesto for de preensão, inicia-se pelo Sistema Cruzado Anterior (cadeia descendente) e equilibrado Pelo Sis- tema Cruzado Posterior. Se for a deambulação, ela se inicia pelo Sistema Cruzado Posterior (cadeia ascen- dente) e equilibrado pelo Sistema Cruzado Anterior. Entende-se que, na evolução do desenvolvimento motor do homem, a busca pelo ortostatismo é constante e essa passagem envolve um desenrolar, um amadure- cimento de um Sistema Conjuntivo Principal Ântero-Posterior que será auxiliado secundariamente por outros sistemas. 21 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento doPaciente Essa busca fará o corpo encontrar o equilíbrio estável, às vezes, não ideal, mas o necessário para a realização das atividades indolores e sem riscos, mesmo que o consumo de energia seja demasiado. Com a evolução da espécie, podemos perceber um desenrolar contínuo para o do ortostatismo com uma luta do Sistema Fascial Posterior sobre o anterior, na busca da horizontalidade do olhar e do alcance de algumas necessidades. Mas o ser humano tem mecanismos de defesa e adaptação com a capacidade de se mobilizar, tanto ascendente quanto descendentemente, e vai se ajustando às novas posturas, mesmo que inadequadas. Na Fisiologia Muscular, temos as funções dinâmica e estática e os músculos têm suas categorias funcionais. Eles podem ser: • Dinâmicos: são grandes músculos do movimento e são os dos membros, cons- tituídos por fibras musculares de comprimento proporcional às amplitudes de movimentos; • Tônicos: são considerados os músculos do equilíbrio e antigravitacionais, equili- brando as articulações de carga ou suspendendo os segmentos pendulares. São fibras musculares curtas; • Dinâmicos posturais: podem ser considerados músculos da dinâmica, mas suas unidades tônicas submetidas a eferências centrais têm uma atividade postu- ral direcional que prepara o músculo para um gesto preciso e orientado. Mansour et al. (2019) cita as oito carreiras musculares de Philippe-Emmanuel Souchard, mentor do Método Reeducação Postural Global (RPG), sendo duas gran- des cadeias musculares mestres e seis cadeias musculares estáticas. A Seguir, veremos os músculos que compõem essas cadeias: • Grande cadeia mestre posterior: músculo dorso (tórax e pescoço da região posterior, paravertebrais e triângulo occipital), glúteo máximo, pelvitrocanteria- nos, tríceps sural, isquiotibiais, tibial posterior e poplíteo; • Grande cadeia mestre anterior: esternocleidomastoideo (ECOM), escalenos, lon- go do pescoço, diafragma, iliopsoas, fáscia ilíaca, tibial anterior, adutores do quadril; • Cadeia inspiratória: escalenos, ECOM, músculo do dorso, intercostais, peitoral menor, diafragma e o tendão central do diafragma; • Cadeia anterior do braço: bíceps braquial, coracobraquial, flexores dos dedos, pronadores, supinadores, músculos da região tenar (abdutor curto do polegar, fle- xor curto do polegar, oponente do polegar, adutor do polegar) e hipotênar (palmar curto, abdutor do mínimo, flexor curto do mínimo, oponente do mínimo); • Cadeia anterointerna do ombro: coracobraquial, subescapular, fibras clavicu- lares do peitoral maior; • Cadeia superior do ombro: levantador da escápula, trapézio superior, deltoide fibras anteriores, peitoral menor; 22 23 • Cadeia anterointerna do quadril: iliopsoas, adutores do quadril; • Cadeia lateral do quadril: glúteo máximo, piriforme, tensor da fáscia lata, músculos fibulares. Veja as ilustrações das Cadeias. Disponível em: https://bit.ly/3j14GTe Depois de entendermos todo o funcionamento do corpo humano em cadeias, devemos também compreender os encurtamentos e as retrações, pois serão base fundamental para a liberação miofascial, na maioria dos desequilíbrios estáticos. Para Bienfait (1995), as tensões retráteis podem ser responsáveis pelas diversas dores permanentes e que são de difícil diagnóstico médico. Encurtamentos São entendidos como uma falta de crescimento do conjunto músculo-aponeurótico por conta de uma tensão insuficiente dos tecidos durante o crescimento e podem ser irreversíveis. Esses encurtamentos podem resultar em uma diminuição da amplitude de movi- mentos e, com isso, podem causar disfunção, podendo ocasionar má postura, dores lombares, hérnia de disco e outros que irão reduzir a capacidade de trabalho e levar ao envelhecimento sem qualidade. Retração Acontece sempre no músculo e nas unidades motoras tônicas, devido à sobrepo- sição excessiva dos miofilamentos de actina. Diferente do encurtamento, a retração pode ser reversível. Ao entendermos esses dois conceitos, o objetivo agora é lembrar que, no trata- mento estático, usaremos as tensões benéficas que são dosadas e controladas con- forme a localização e objetivo terapêutico, que deve ir até o limite da elasticidade do tecido nunca ultrapassando. Esses tensionamentos são lentos, progressos e mantidos de 15 a 20 segundos para que se consiga a desconexão dos filamentos de actina da miosina nos sarcôme- ros, que é a técnica das pompages. Para haver a correção de uma deformidade, devem ser evitadas as compensações e uma tensão corretiva sem tensionamento global pode levar a novas compensações sem correção. Esse tensionamento global é conhecido como “posturas” defendidas por Françoi- se Mezières, segundo Bienfait (1995). 23 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Essas “posturas” colocam sob tensão toda a musculatura posterior (antigravitária). Conhecemos, também como, “três esquadros”. 1º squadra 2º squadra 3º squadra Figura 15 – Posturas em esquadros Fonte: Acervo do conteudista Toda vez que nos deparamos com as deformidades devemos fazer um exame estático, que veremos no próximo tópico. Exame Estático O primeiro passo é realizar uma anamnese bem minuciosa e, com isso, descartar possíveis doenças que possam gerar más posturas: doenças genéticas, neurológicas e respiratórias crônicas. A seguir, uma sequência de exame estático. Região Pélvica Ao fazermos o exame da cintura, devemos fazer a busca por possíveis desequilí- brios que nunca são primários, que podem ser tanto ascendentes com um desequilí- brio lombar quanto descendentes, consequência de desequilíbrio de um ou dos dois membros inferiores. Inicialmente, faremos o exame em pé e só depois iremos comparar ao exame em decúbito dorsal: 8. Paciente em pé, posição anatômica, calcanhares afastados de 3 a 5cm e pés em abertura de mais ou menos 15 graus, a cabeça deverá estar ereta, sem inclinação nem rotação. Terapeuta deve afundar suas mãos bem sobre as cristas ilíacas do paciente, apoiando fortemente seus indicadores nes- sas cristas, olhando para seus dedos e comparando as alturas em que se encontram. O terapeuta também poderá se posicionar atrás do paciente; 24 25 Figura 16 – Exame estático da altura das cristas ilíacas Fonte: Getty Images 9. Outro exame é verifi car se as Espinhas Ilíacas Antero Superior (E.I.A.S.) e as Espinhas Ilíacas Póstero Inferior (E.I.P.I.) encontram-se no mesmo plano horizontal. Para palpar a E.I.A.S., o terapeuta deverá localizar a crista ilíaca com seu indicador anteriormente e levá-lo até a depres- são existente logo abaixo da crista. A E.I.P.I. é localizada com a ajuda do paciente, que deverá colocar seus três dedos sobre a região lombar. O terapeuta fi xará seus indicadores superior e inferiormente aos dedos do paciente. A localização inferior é a E.I.P.I., e só então comparamos a posição da parte anterior e posterior marcadas pelos indicadores do terapeuta. Deve haver congruência dos pontos; Alinhamento da E.I.A.S. e E.I.P.I. Disponível em: https://bit.ly/2G7rhzp 10. Paciente em decúbito dorsal com os membros inferiores estendidos, ve- rifi car como fi ca a região lombar: retifi cada ou com aumento da lordose lombar. Terapeuta deverá fl etir os membros inferiores do paciente, com isto a lombar retifi ca na maca. Figura 17 – Retifi cação da coluna lombar em decúbito dorsal Fonte: Adaptado de Getty Images 25 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Membros Inferiores Paciente em pé, com apoio dos pés totalmente no chão, verificar se ele tem cons- ciência dos apoios plantares, percebendo se apoia mais um pé do que o outro, mais um lado do que outro. Tentar perceber os quatro apoios de cada pé: calcanhar, as tuberosidades do calcâneo posteriores interna e externa, na frente, as cabeças do primeiro e do quinto metatarso. Depois apoia um pé de cada vez e sente cada apoio.Figura 18 – Posição dos pés Fonte: Getty Images Exame do Joelho Na posição ortostática terapeuta, estando na frente do paciente, examinar a posi- ção em que se encontram os joelhos: varo ou valgo. Estando o paciente de perfil, o joelho poderá estar em recurvatum ou flexão. Figura 19 – Avaliação estática dos joelhos Fonte: helpiks.org 26 27 Exame do Tronco Observar primeiramente a posição dos braços ao lado do corpo, avaliando poste- riormente o tronco em relação ao quadril. Figura 20 – Avaliação da postura – A: Vista anterior. B: Vista Posterior. C: Vista Perfi l Fonte: Adaptado de Getty Images Terapeuta estando atrás do paciente, pedir para que ele incline o tronco para frente. Nesse momento, verifica-se se existe alguma gibosidade em tronco. Se posi- tivo, é sinal de escoliose. Figura 21 – Avaliação de escoliose Fonte: thelewisfoundation.org Exame da Cintura Escapular Paciente em pé, terapeuta deverá observar a posição das clavículas e, consequen- temente, a posição dos ombros. 27 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Figura 22 – Posição das clavículas e ombros Fonte: Adaptado de Getty Images Estando o paciente de costas para o terapeuta, verificar a simetria das escápulas. Fazer a marcação com um lápis dermográfico no bordo superior das escápulas e no bordo inferior das escápulas. Figura 23 – Posição das escápulas Fonte: Adaptado de portaldaeducativa.ms.gov Após esse exame estático, o profissional consegue estabelecer as técnicas de ten- sões benéficas mais apropriadas para melhorar o desequilíbrio postural. Pompages Segundo Mansour (2019), essa técnica, que age direto no tecido conjuntivo, foi criada pelo francês Marcel Bienfait. Promove relaxamento muscular melhorando a regeneração muscular e a circulação local. 28 29 O tensionamento deve ser de forma lenta, regular e progressiva, transmitindo tensões mecânicas e um melhor deslizamento sobre os músculos. A realização da técnica é em três tempos: • Primeiro tempo (tensionamento do segmento): deve-se aplicar uma tensão na área trabalhada como se fosse um alongamento muscular até o limite da distensibilidade da fáscia; • Segundo tempo (manutenção da tensão): deve-se manter a tensão de 15 a 20 segundos devendo o paciente realizar 3 expirações inibidoras. O fisioterapeuta deve sentir o relaxamento dessa tensão durante cada expiração, corrigindo-se a cada expiração; • Terceiro tempo (tempo de retorno): deve-se retornar o segmento corporal lentamente à posição inicial para que não cause reflexo contrátil. Importante! Vamos apresentar um exemplo de protocolo de aplicação das pompages. Leia o caso clínico e perceba a sequência das pompages no paciente: paciente com 40 anos, durante o período de quarentena, permaneceu por um tempo prolon- gado em home office na frente do Notebook. Sabemos que nem sempre as instala- ções para trabalho em casa são adequadas e, por essa razão, causam dor. Esse paciente chegou com muita dor na região cervical, com muita tensão em ECOM, trapézio superior, entre as escápulas e na região lombar. A seguir, será realizada a descrição do tratamento usando somente as pompages mais adequadas para o caso clínico: • Posicionamento do paciente: em decúbito dorsal, confortável e com os mem- bros superiores ao longo do corpo; • Pompage global: para iniciar qualquer tratamento, deve-se aplicar essa pompage, pois ela relaxa muitas tensões à distância. Paciente em decúbito dorsal, os membros inferiores devem permanecer descruzados e alongados, braços ao longo do corpo, palmas das mãos para cima. Terapeuta sentado à cabeceira do paciente sustentará a cabeça do paciente com as duas mãos, com a região occipital apoiada nas palmas das mãos do terapeuta, os dois polegares apoiados nas têmporas e indicadores nas apófises mastoides. Solicitar uma inspiração lenta e durante três expirações, o tera- peuta fará o tensionamento na região devendo retornar bem lentamente; • Pompage torácica: mesma posição anterior, terapeuta em pé na cabeceira, com as duas mãos, uma sobre a outra, apoiando-se sobre o esterno. Com a re- gião cárpica da mão inferior apoiada sobre o manúbrio e o dedo médio da mão superior prendendo ligeiramente o processo xifoide, o terapeuta deverá entrar no ritmo respiratório do paciente e, em seguida, durante a expiração, fará uma leve pressão da mão inferior sobre o manúbrio e, na inspiração, uma ligeira tração do dedo médio sobre o processo xifoide; 29 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente • Pompage cervical: Posição anterior, as mãos do terapeuta deverão estar apoia- das na região cervical do paciente: região tenar direita sobre C7 e região tenar esquerda sobre C1. O tensionamento será afastando as mãos nas três expira- ções. Voltar à posição inicial lentamente; • Pompage ECOM: paciente em decúbito dorsal, terapeuta faz uma rotação do pescoço do paciente para o lado esquerdo. O terapeuta deverá apoiar a re- gião tenar de sua mão direita na occipital do paciente mantendo a rotação do pescoço e a região cárpica de sua mão esquerda sobre o esterno do paciente. O tensionamento será deslizando a mão esquerda em direção caudal; • Pompage trapézio superior: a mão do terapeuta que apoiará a base do crânio será a do mesmo lado do trapézio do paciente. Cruzando os dois antebraços, a mão oposta irá apoiar no ombro do paciente. O tensionamento será empurran- do o ombro para baixo; • Pompage lombar: paciente em decúbito ventral. Terapeuta apoia sua mão es- querda na região lombar do paciente e sua mão direita sobre a região dorsal. O tensionamento é realizado com o afastamento das duas mãos, que estão cru- zadas sobre o paciente; Figura 24 – Pompage lombar Fonte: Getty Images • Pompage isquiotibiais: paciente em decúbito dorsal, o membro inferior a ser tratado em flexão de quadril. O terapeuta em pé de frente para o paciente. Sua mão externa segura a perna oposta do paciente, a mão direita apoiada no tor- nozelo do paciente. O tensionamento é realizado com a inclinação para frente do terapeuta. 30 31 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Pontos-gatilho: uma abordagem concisa Niel-Asher, S. Pontos-gatilho: uma abordagem concisa. São Paulo: Manole, 2008. (e-book) https://bit.ly/2ZJi3zk Vídeos Liberação Miofascial da Coluna Cervical POMPAGE https://youtu.be/XMJvcgVdIKI Técnica de Jones no Tratamento de um Trigger Point https://youtu.be/NLDAZnHQwmU Fáscia Muscular – Design inteligente ou acidente que deu certo? https://youtu.be/Ve1tMCXNVZY Leitura Fisioterapia Estática https://bit.ly/32vWQKN O Método Mézières ou a revolução na ginástica ortopédica: o manifesto antidesportivo ou a nova metodologia de treino https://bit.ly/2YxGoIx Pontos-gatilho Miofasciais: Ocorrência e Capacidade de Modulação em Pacientes com Zumbido ROCHA, C.A.C.B, SANCHEZ, T.G., SIQUEIRA, J. T. T. Pontos-gatilho Miofasciais: Ocorrência e Capacidade de Modulação em Pacientes com Zumbido. Arq. Int. Otorrinolaringol. / Intl. Arch. Otorhinolaryngol., São Paulo: v.10, n.3, p. 210-217, 2006. https://bit.ly/3iBq2qY Efectividade da Compressão Isquémica Manual na Abordagem dos Trigger Points CLEMENTE, A., BONANÇA, D. RAMOS, G., DUARTE, S., ROBALO, L. Efectividade da Compressão Isquémica Manual na Abordagem dos Trigger Points. Ifisionline, 3(1)., 2012. https://bit.ly/2D8hLuc 31 UNIDADE Pontos-Gatilho e Oportunidades Terapêuticas – Técnicas de Avaliação dos Tecidos e Posicionamento do Paciente Referências BIENFAIT, M. Os desequilíbrios estáticos – fisiologia, patologia e tratamento fisioterápico. São Paulo: Summus, 1995. 149p. BUSQUET, L. As cadeias fisiológicas – Tratamento do crânio. 2. ed. São Paulo: Manole, 2009. v. 5. CHAITOW, L. Técnicas Neuromusculares Modernas. São Paulo: Manole, 2001. 200p. MANSOUR, N. R. et al. Terapias Manuais. PortoAlegre: SAGAH, 2019. (e-book) MYERS, T. W. Trilhos anatômicos: meridianos miofasciais para terapeutas manuais e do movimento. 3ª ed. São Paulo: Manole, 2016. NIEL-ASHER, S. Pontos-Gatilho: uma abordagem concisa. São Paulo: Manole, 2008. (e-book) SCHLEIP, R. Fáscia no esporte e no movimento. Barueri: Manole, 2020. 320p. (e-book). 32