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9 CURSO DE ARTES VISUAIS THAIS FERREIRA RODRIGUES GUERRA A PERDA DO PRAZER EM DESENHAR NO ENSINO MÉDIO São Paulo 2023 THAIS FERREIRA RODRIGUES GUERRA A PERDA DO PRAZER EM DESENHAR NO ENSINO MÉDIO Artigo apresentado á, Centro univercitário ítalo Brasileiro, como requisito parcial para a obtenção do título de Graduado em Artes Visuais SÃO PAULO 2023 RESUMO A presente pesquisa vem trazendo uma reflexão sobre a importância do das Artes Visuais tendo o desenho como instrumento no desenvolvimento, em relação a ausência deste instrumento com a intenção de despertar o olhar mais aprimorado para a ausência do desenho no ensino médio, assim com direcionar a mesma reflexão sobre a importância de se oferecer aos adolescentes atendidos nas nossas escolas, pois é uma fase de muitas incertezas e de sentimentos muito confusos, que precisam de extravasar e construir uma afirmação de caráter e emoções e neste sentido, a arte e em especial o desenho, pode vir como um recurso de entendimento e formação de opinião, autonomia e a favor dos adolescentes, assim como trazer este olhar para os sinais emocionais que o indivíduo pode transparecer em cada desenho que realiza. Também apresenta o trabalho a partir de atividades artísticas, dentro da pedagogia Waldorf, onde o desenho é o instrumento fundamental para o desenvolvimento da criança. Traz como metodologia uma pesquisa bibliográfica, a partir de artigos e teses que abordam o tema deixando claro que pedagogicamente os desenhos devem ser livres, ou seja, sem cadernos de colorir e sem propostas do professor uma vez que os desenhos infantis são expressões de vivências internas e externas. Isso se justifica pelo fato de todas as crianças, independente da parte do mundo onde vivem desenharem o mesmo tipo de casinha. Palavras-chave: Desenho, Desenvolvimento, Liberdade, Criatividade e Instrumento. INTRODUÇÃO O presente artigo científico, vem trazer um olhar mais apurado sobre a importância do desenho no desenvolvimento do indivíduo, pois o objeto de estudo reflete a imaginação e o pensamento de maneira única. Segundo os especialistas, para a criança que ainda não têm o domínio da leitura e da escrita o desenho aparece como uma forma de expressar o que ela sente, a maneira como vê o mundo, o desenho é a expressão clara do pensamento. Para Arfouilloux, (1988), “[...] o desenho da criança fascina. A criança desmancha o seu brinquedo quando o adulto chega, mas o desenho permanece como coisas escritas. Ele é um traço, é um testemunho” (p.128). Testemunho de um momento único o que é próprio de cada criança, como algo que vêm de dentro. O desenho da criança têm um caráter de construção, evolutivo e expressivo, além de promover a concentração e atenção necessária para o ato de desenhar, este processo mentalmente vai sendo estabelecido aos poucos, e torna-se possível perceber as fases em que a criança se encontra. Sendo assim, justifica-se a presente pesquisa por percebe que o desenho é um instrumento valioso no sentido de intervenção em um processo avaliativo, mas que ao longo dos anos vai se perdendo, ficando exclusivamente na Educação Infantil. E neste sentido, a cada ano vai se distanciando e os alunos ao chegarem no ensino médio, já não tem a espontaneidade em desenhar, agarrando-se cada vez mais na perca do desejo de desenhar livre, até mesmo porque o ato de desenhar muitas vezes vem carregado da sensação do não saber desenhar. O desenho em um determinado momento se transformado em algo muito abstrato, ou por ter sido trabalhado sempre a base de cópias ou apenas para preenchimento com cores, nas inúmeras atividades de colorir. Sendo assim, a presente pesquisa traz como objetivo geral: apresentar uma reflexão sobre a ausência do desenho no ensino médio, uma vez que o mesmo se apresenta como um instrumento avaliativo e promotor de afetividade. E como específico: proporcionar um olhar mais definido sobre o ato do desenhar no ensino médio. Diante desta percepção, destaca-se como uma problematização o fato de que, embora o desenho venha a ser um instrumento que pode expressar claramente os sentimentos do indivíduo, e dentro da escola pode aparecer no cenário, também como um instrumento avaliativo e condutor de afetividade entre os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, porque o seu uso é tão escasso dentro do ensino médio? Seria a ausência de estímulos, na formação dos professores ao longo da vida escolar destes alunos? . 1 A ARTE COMO INSTRUMENTO POTENCIALIZADOR DO DESENVOLVIMENTO HUMANO O ensino de Arte é identificado pela visão humanista e filosófica que demarcou as tendências tradicionalista e escola no vista, que tinha “a preocupação com o método, com o aluno, seus interesses, sua espontaneidade e o processo do trabalho caracterizam uma pedagogia essencialmente experimental e psicológica” Ferraz e Fusari (2009, p. 47), que perdurou por décadas. Neste sentido, temos na história um grande déficit no que diz respeito ao ensino e valorização do profissional de artes com espaço pouco definido da área com relação às outras disciplinas do currículo escolar. 1.1 Arte e o Currículo Os PCNs, foram uns dos primeiros documentos que abordaram a questão do ensino da arte com um olhar mais amplo. Segundo, Carvalho (2007 p. 23), com “a criação dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, o ensino de arte passou a ser obrigatório nas instituições de ensino do fundamental ao médio”. Segundo o autor não foi algo assim fácil, somente ...após muitos debates e manifestações de educadores, a atual legislação educacional brasileira reconhece a importância da arte na formação e desenvolvimento de crianças e jovens, incluindo-a como componente curricular obrigatório da educação básica. No ensino fundamental a Arte passa a vigorar como área de conhecimento e trabalho com as várias linguagens e visa à formação artística e estética dos alunos. A área de Arte, assim constituída, refere-se às linguagens artísticas, como as Artes Visuais, a Música, o Teatro e a Dança. (PCN, 1998, p. 65-66). Sendo assim, os PCNs, vem buscar desconstruir uma ideia de que a arte estava muito distante da vida das crianças e adolescentes das unidades educacionais, buscam formar estudantes capaz de: “Expressar, representar ideias, emoções, sensações por meio da articulação de poéticas pessoais, desenvolvendo trabalhos individuais e grupais; · Reconhecer, diferenciar e saber utilizar com propriedade diversas técnicas de arte, com procedimentos de pesquisa, experimentação e comunicação próprios; · Conhecer, relacionar, apreciar objetos, imagens, concepções artísticas e estéticas — na sua dimensão material e de significação —, criados por produtores de distintos grupos étnicos em diferentes tempos e espaços físicos e virtuais, observando a conexão entre essas produções e a experiência artística pessoal e cultural do aluno; · Conhecer e situar profissões e os profissionais de Artes Visuais, observando o momento presente, as transformações históricas já ocorridas, e pensar sobre o cenário profissional do futuro. (PCN, 1998, p. 65-66). Segundo Cunha (2012 apud Kehrwald, 2008), considera a criação dos PCNs, como um marco na da dimensão do ensino da disciplina de artes, pois os eixos norteadores: como produzir, apreciar e contextualizar, abre uma leque de informações e possibilidades de se ter a arte contextualizadas com o momento histórico em eu vivemos e a vida do aluno, pois Nesses documentos, o ensino da Arte é tratado como conhecimento histórico e cultural, constituindo-se de diversas linguagens, como: as Artes Visuais (linguagem que tem a imagem fixa ou em movimento como objeto); o Teatro (cujo objeto é a ação dramática); a Música (constituída da composição sonora – articulação entre som e silêncio) e a Dança (com o gesto e o movimento corporal como objetos). (ACERVOS COMPLEMENTARES: AS ÁREAS DO CONHECIMENTO NOS DOIS PRIMEIROS ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL, 2009, p.48). Com a reformulação do presente documento,amplia-se a visão sobre o ensino de artes nas escolas e segundo os PCNs de Artes (2001): “Fazer arte e pensar sobre o trabalho artístico que realiza, assim como a arte que é e que foi concretizada na história, pode garantir ao aluno uma situação de aprendizagem conectada com os valores e os modos de produção artística nos meios socioculturais. Ensinar arte em consonância com os modos de aprendizagem do aluno significa, então, não isolar a escola da informação sobre a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com bases em intenções próprias. E tudo isso integrado aos aspectos lúdicos e prazerosos que se apresentam durante a 9 atividade artística”. (PARAMÊTROS CURRICULARES NACIONAIS – ARTE 2001, p. 47). Neste sentido, segundo Zagonal (2008), o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte do aprendizado, de acordo com normas e valores estabelecidos em cada ambiente cultural, do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. No entanto, a área que trata da educação escolar em artes, têm um percurso relativamente recente que vem a coincidir, com as transformações educacionais que caracterizaram o século XX em várias partes do mundo. Assim como os PCNs, temos agora a BNCC, que é o documento norteador da elaboração do currículo escolar, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), têm como objetivo promover a redução da desigualdade do ensino básico e para isso apresenta um conteúdo que foi amplamente debatido com todos os setores da sociedade que estão diretamente ligados com a educação, porém deixando claro que a Base, não é o currículo, “à BNCC desempenha papel fundamental, pois explicita as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver e expressa, portanto, a igualdade educacional sobre a qual as singularidades devem ser consideradas e atendidas” (BRASIL, 2017, p.15). Dentro da BNCC a área de artes visuais vêm contemplada no campo de experiência “Traços, Sons, Cores e Formas: Linguagens e Artes Visuais, na Unidade V, para a Educação Infantil, Artes Visuais, Teatro, Dança e Música para o ensino fundamental I e II que traz como orientação a ideia de que na formação do indivíduo, precisa que ele tenha convivência com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas. Porém para o ensino médio, as aulas de artes não aparecem como sendo uma área de conhecimento que deva ser trabalhada, o olhar passa a ser técnico, com ação de preparação do aluno para inserção no mercado de trabalho, ou seja ocupar um lugar na sociedade. Esta ausência de incentivo a arte neste período da vida, acaba que formando indivíduos que pouco valor de questões tão importantes que a arte nos oferece, tais como a valorização cultural de nossa história, a percepção da importância de se deleitar em uma obra de arte seja ela uma pintura, uma peça de teatro, um concerto o um espetáculo de dança. Fica muito claro que toda valorização trabalhada das duas primeiras etapas da vida escolar, vai se perdendo a ponto de ser algo muito distante da vida dos alunos no seu dia a dia, tornando-se intocável, impossível e que não representa os alunos que são atendidos nas redes escolares. 2 A IMPORTÂNCIA DO DESENHO NO DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO Antes de tudo, o desenho é uma atitude estética e ética que forma partes da educação de um indivíduo, pois desenhar é ficar no limite entre o imaginar e o fazer, entre o pensamento e os sentidos. Sendo assim o fato das crianças se expressam e buscam conhecer o mundo através da arte do desenho, tendem a ser um processo evolutivo de conhecimento e educação, seus desenhos são o que elas sentem e pensam em relação ao que está em seu redor com a mais expressiva das artes. Segundo Luquet, (apud MERLEAU-PONTY, 1990), “O desenho é uma íntima ligação do psíquico e do moral. A intenção de desenhar tal objeto não é senão o prolongamento e a manifestação da sua representação mental; o objeto representado é o que, neste momento, ocupará no espírito do desenhador um lugar exclusivo ou preponderante”. (LUQUET apud MERLEAU-PONTY, 1990, p.130). Embora os primeiros rabiscos que as crianças façam no papel possam não ter sentido algum, para os adultos, essas garatujas são parte importante do desenvolvimento e deve ser encorajadas, pois o desenho corresponde a uma maneira de ver o mudo que é próprio de cada criança, algo que é exposto a partir dos riscos é o que nos aponta Zilbermenn (1990), quando nos fala que, “o rabisco é, de fato, o registro de um movimento, que serve de “feedback” para a criança aprender a controlar seus movimentos. Portanto, os rabiscos da criança não são artes abstratas. 2.1 O desenho dentro da educação Para Zilbermenn (1990), o desenho é a linguagem artística mais pura do indivíduo, porém nem sempre essa linguagem foi compreendida como tal e respeitada, pois no universo dos docentes como formadores de culturas, a partir de suas prática, está carregado de práticas obsoletas, mas que fazem parte de seu repertório enquanto alunos que foram, um exemplo são as folhas com desenhos prontos, a determinação das cores para pintar os elementos, a humanização das letras com carinhas e olhinhos, a limitação dos espaços e do tempo para a realização do desenho. Segundo Barbosa (2002, pag. 34) “neste mesmo século o desenho ainda era a forma de inserção do ensino de artes nas escolas e vinha de uma tradição voltada para o aprendizado do desenho para o trabalho industrial. Mas com o tempo essa visão foi tomando outro sentido. De acordo com Zilbermenn (1990), a prática de desenhar com liberdade e diferentes materiais é muito mais que mexer coma as mãos, é um processo em que o corpo todo participa, pois, a criança está inteira na sua produção. Esta liberdade de escolha, de espaço foge ao padrão de que a criança precisa estar sentada e voltada apenas para o seu trabalho, este movimento promover um interação completa, pois ao ter o diálogo com o outro leva a uma alteração na produção de forma a representar os sentimentos e o contexto de maneira única e verdadeira. 2.2 O desenho no Ensino Médio Durante toda a formação acadêmica sempre se tem o desenho como sendo parte do desenvolvimento da criança desde a Educação Infantil até o ensino fundamental e dos adolescentes no ensino fundamental II, porém se perde quando chega o ensino médio, a ausência de atividades que envolva a questão do desenho torna-se algo desvalorizado e irrisoriamente estimulado, salvo os desenhos técnicos que solicitado raramente por uma aula de geometria quando as tem no currículo. Mesmo dentro da BNCC, não se encontra nada voltado para o ensino de artes, muito menos de estímulo ao ato de desenhar tão importante para o período de vida em que se encontram os adolescentes atendidos nas unidades educacionais, pois desenhar passa a ser coisa de criança. Segundo Barbosa (2002), cada vez mais percebe-se a importância de se mudar as práticas pedagógicas em sala de aula, através dos estudos de teorias que nos mostra a importância do desenho na vida dos indivíduos, oferecendo condições de serem, protagonistas e autores com a liberdade de criação, pois cada desenho reflete os sentimentos, a capacidade intelectual, o desenvolvimento físico, a acuidade perceptiva, o envolvimento criador, o gosto estético e até a evolução social como indivíduo. 2.3 0 desenho como representação afetiva na formação do adolescente Usar as artes visuais tendo como instrumentos o desenho dentro do processo de reconstrução do indivíduo, na luta para vencer as dificuldades próprias da idade é fundamental, pois o envolvimento na elaboração do produto traz uma relação com seus próprios sentimentos, que vão aos poucos tomando espaço de forma a tornar-se forte e criar assim estruturas emocionais mais sólidas que poderão direcionar novamente o indivíduo para um caminho de se auto reconhecer e principalmente elevar sua autoestima e seu humor. Conforme Passarini (1998, p. 46), No período dos sete aos catorze anos, após a segundadentição e o primeiro estiramento, encontramo-nos diante do escolar. Nessa fase a criança se isola, volta-se para si mesma, explorando as qualidades de sua mente nos processos de pensar, sentir e querer pelo poder da imaginação. Ela se encastela para construir um mundo próprio, onde faz tudo o que não pode fazer no mundo real. Destaca-se ainda os estudos realizados por Henry Walton (1879- 1962), o qual não separou o aspecto cognitivo do afetivo. Seus trabalhos dedicam um grande espaço às emoções como formação intermediaria entre o corpo, sua fisiologia, seus reflexos e as condutas psíquicas de adaptação. Segundo Walton (1934 apud Dantas,1992), para que haja um desenvolvimento completo do indivíduo é necessário estimular a afetividade, uma vez que é a união do afeto, da inteligência e do meio-social que se constrói o caráter dos indivíduos, pois Nas associações humanas mais primitivas, o contágio afetivo supre, pela criação de um vínculo poderoso para a ação comum, as insuficiências das técnicas e dos instrumentos intelectuais. Enquanto não for possível a articulação sofisticada de pontos de vista bem diferenciados a emoção garantirá para o indivíduo como para a espécie, uma forma de solidariedade afetiva (WALLON 1934 apud DANTAS, 1992, p.90). Seguindo o pensamento do autor, percebemos que vivemos hoje, em um meio onde a fragmentação do sujeito é historicamente colocada como modelo ideal de sociedade, desta forma individualizar é a grande chave para um bom desenvolvimento social. Segundo Vygotsky, 2000 apud Arantes, 2003, O aspecto emocional do indivíduo não tem menos importância do que os outros aspectos e é objeto de preocupação da educação nas mesmas proporções em que o são a inteligência e a vontade. O amor pode vir a ser um talento tanto quanto a genialidade, quanto a descoberta do cálculo diferencial (VYGOTSKY, 2000apud ARANTES, 2003, p.18) Este modelo acaba excluindo quem não consegue, por razões estabelecidas pelo próprio sistema, acompanhar o ritmo que se coloca diante da formação deste sujeito. Quanto mais se fragmenta o indivíduo, mais se perde a sua totalidade, uma vez que este sujeito está inserido em um contexto determinado histórico e cultural onde as pessoas interagem no seu cotidiano. Segundo Stuart Hall (2000, p.12): O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não-resolvidas. [...] O próprio processo de identificação, através do qual nós projetamos em nossas identidades culturais, tornou-se mais provisório, variável e problemático Sendo as emoções, uma parte tão importante na formação do indivíduo, a ausência de algum elemento que venha a fortalecer seu desenvolvimento, pode causar um grande descontrole em sua constituição, levando cada um a reagir de forma diferente. Nossa sociedade está formada de maneira a excluir sempre, quem não tem acesso à infraestrutura que é colocada, com acesso para poucos. Assim coloca criança e adolescente à margem, gerando uma classe de crianças vulneráveis, as ações agressivas desta sociedade e assim vai abrindo espaço para que se tenha elementos que aos poucos serão a escória da sociedade, por não fazer parte do chamado grupo que deu certo. Sendo assim, a beleza das artes podem vir de forma verbal ou não verbal, podem acontecer através da ludicidade das produções artísticas, seja para si ou para o outro, neste sentido, desenhar é uma terapia, pois através do desenho os alunos passam suas emoções. Considerando este fator, buscar estratégias que promovam esse momento para os adolescentes é de extrema necessidade dentro da escola, inserindo temas dos quais os adolescentes sintam-se representados e estimulados a fazer, uma vês que não se aborda o desenho nesta etapa do ensino como já citado a cima. Um recurso que pode ser usado de forma representativa seria um projeto de desenho a partir dos Mangás, esta é uma modalidade de desenho muito usada pelos adolescentes, outro seria um projeto de grafite tão aderido nesta faixa etária. Todos são projetos que podem vir a dar certo e que tem como recurso o desenho da sua mais pura essência e demonstração de valorização pelos sentimentos e principalmente dos adolescentes como individuo capazes de realizar suas escolhas e colocar sua opinião diante dos diversos contextos de uma sociedade. 3 WALDORF: A PEDAGOGIA DO DESENHO DO BERÇÁRIO AO ENSINO MÉDIO Baseada na antroposofia de Rudolf Steiner, a Pedagogia Waldorf teve sua primeira escola fundada em 1919 na cidade de Stuttgard – Alemanha, para educar os filhos dos trabalhadores da fábrica de cigarros Waldorf Astorial. Nesta escola todas as crianças poderiam estudar intendente da casse social, todos recebiam as mesmas instruções, o que fez da escola a pioneira em inclusão social. Seu objetivo é formar indivíduos autônomos e consciente do seu papel diante da sociedade e do meio ambiente. Todo trabalho pedagógico é desenvolvido com base na Arte e conta com o seguimento do desenho para instruir e construir o aprendizado O currículo Waldorf elege a arte como o pilar primordial de toda a educação. Segundo Kügelgen (1989), na Pedagogia Waldorf não há nenhum domínio de aprendizagem que não seja enriquecido pela atividade artística, através da qual se aprofunda a experiência. Entretanto, não se reserva um horário determinado para essas atividades, elas não ocorrem à margem dos demais estudos, como usualmente acontece na grande maioria das escolas convencionais que reservam algum espaço do currículo para a arte; ao contrário, é o laço de união entre as diversas matérias (SILVA, 2015, p.109). Dentro das artes o desenho é um instrumento pedagógico de uso cotidiano na escola Waldorf. Além dos cadernos dos alunos serem sempre desenhados, o desenho apoia todo o aprendizado, desde a vivência lúdica de uma história contada pelo professor, que o aluno do 1° ano desenha, até os desenhos artísticos dos alunos das classes maiores. Em relação ao ensino médio o currículo foi elaborado para fortalecer as habilidades humanas do jovem, que agora faz seus próprios julgamentos. Por meio do desenho de observação e perspectiva, os alunos se aprofundam na percepção apurada do mundo que o rodeia. Os objetos desenhados no papel que antes eram desenhados como se estivessem flutuando, agora são colocados no limite inferior da folha como se estivessem sobre o chão. A riqueza descritiva do desenho aumenta, o aluno começa a desenhar animais e atividades humanas: mulher cozinhando, homem dirigindo caminhão, etc. Este é o desenvolvimento do desenho na pedagogia Waldorf, crescendo em um ambiente adequado às suas necessidades. É importante lembrar que mais importante do que o resultado final do desenho é o processo, isto é, a liberdade de poder se expressar livremente conquistando cada nova etapa gradativamente. O desenho de formas produz a ativação das forças criadoras e dirige-se ao ritmo interno que harmoniza, estimula e acalma despertando qualidades humanas superiores. A folha de papel representa seu espaço ou seu espelho e a reta é o rastro de um movimento, a forma continua trabalhando dentro da pessoa mesmo depois de tê-la desenhado. Quando feita antes de dormir permanecerá trabalhando com mais intensidade em seu inconsciente. Dentro desta proposta, a arte de desenhar ganha um espaço dentro do ensino médio com a ideia de favorecer ao adolescente um maior entendimento de suas inquietações natural da fase como ansiedade e a necessidade de auto afirmação tão forte neste momento da vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenho vem sendo discutido já há algumas décadas, e seu estudo está ganhando importância entre os professores mais atentos e cuidadosos frente à produção artística no processo de formação de cada indivíduo, além da relação de afeto estabelecida pelo indivíduo com ele mesmo, e assim, desenvolver sua autoestima e a inter-relação com o ambiente e com as pessoas que o envolve, construindo um conhecimento global, altamente progressivo,tendo a arte como recurso principal. Sendo assim, durante todo processo de pesquisa para realização deste estudo cientifico, foi possível perceber o quanto o que se considera como sendo apenas rabiscos, na verdade são linhas expressivas que trazem uma carga muito grande de informações sobre o desenvolvimento da criança em especial na primeira infância. Porém não se percebe a mesma intensidade nos estímulos para que este processo de expressão atreves do desenho nas series que se seguem como fundamental II e em especial no ensino médio, que perde totalmente a relação com está e qualquer outra expressão artística. Permitir a criação das crianças e dos jovens no ato e desenhar é permitir que venham a ser um adulto confiantes, autônomos e decididos em seus desejos, porém com respeito e conhecimento da importância de respeitar o espaço do outro. Acredito que toda esta pesquisa será um grande diferencial em minha atuação em sala de aula na aplicação das atividades voltadas para a arte, pois o desenho é na verdade um instrumento, para que se perceba o quanto o uso das Artes Visuais é importante no desenvolvimento da criança na formação de sua personalidade. A ideia não foi determinar a forma correta, mas levantar uma reflexão do como está sendo usado o desenho em dala de aula, como é apresentado e como se dá o processo de permissão deste momento criativo do jovem e o quanto as Artes Visuais tem uma carga positiva e necessária para se ter um conhecimento de quem é a criança com quem se vem atuando no processe de formação de sua personalidade, que vem amparando vem formando para ser um cidadão atuante na sociedade em que vivemos hoje e no futuro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, Ana Mae. Arte-Educação no Brasil. Realidade hoje e expectativas futuras. Artigo, 1989. Estud. av. vol.3 no.7 São Paulo Sept. /Dec. 1989. Visitado em 02/07/2020. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v3n7/v3n7a10.pdf. Acesso em 06/05/2020. ZOPELAR, Lauri de Freitas Petilli. Desenho: uma forma e desenvolvimento Infantil. Artigo, 2007. Faculdade de Educação São Luís - Jaboticabal-SP. Visitado em 07/07/2020. Disponível em http://www.portaldosprofessores.ufscar.br/biblioteca/112/artigo_desenho_livre_lauri_2_1_.pdf MERLEAU-PONTY, M. Merleau-Ponty na Sorbone. Resumo de cursos filosofia e linguagem. Campinas: Papirus, 1990. SILVA, Dulciene. Educação e ludicidade: um diálogo com a Pedagogia Waldorf. Curitiba, 2015. Disponível em:- Acesso em 26 ago. 2017. ZILBERMENN, R. (org.). A produção cultural para a criança. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. image1.png