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HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA Prof.a Laila Matos Pereira Ribeiro HIGIENE Marília/SP 2022 “A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma ação integrada de suas atividades educacionais, visando à geração, sistematização e disseminação do conhecimento, para formar profissionais empreendedores que promovam a transformação e o desenvolvimento social, econômico e cultural da comunidade em que está inserida. Missão da Faculdade Católica Paulista Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo. www.uca.edu.br Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5 SUMÁRIO CAPÍTULO 01 CAPÍTULO 02 CAPÍTULO 03 CAPÍTULO 04 CAPÍTULO 05 CAPÍTULO 06 CAPÍTULO 07 CAPÍTULO 08 CAPÍTULO 09 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 07 17 27 36 45 53 61 70 79 89 98 108 116 124 132 HIGIENIZAÇÃO E SEGURANÇA DE ALIMENTOS REQUISITOS SANITÁRIOS PARA INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS QUALIDADE DA ÁGUA INDUSTRIAL ADESÃO E FORMAÇÃO DE BIOFILMES PROCESSOS DE LIMPEZA PROCESSOS DE SANITIZAÇÃO PRINCIPAIS DETERGENTES PRINCIPAIS SANITIZANTES HIGIENIZAÇÃO PESSOAL MONITORAMENTO DA HIGIENIZAÇÃO PPHO (PROCEDIMENTOS PADRONIZADOS DE HIGIENE OPERACIONAL) APLICADOS AOS PROGRAMAS DE LIMPEZA CONTAMINAÇÃO DE ALIMENTOS EDUCAÇÃO AMBIENTAL SALUBRIDADE DO AMBIENTE LEGISLAÇÃO HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6 INTRODUÇÃO Seja bem-vindo, caro aluno, a nossa disciplina de Higiene na Indústria de Alimentos. As operações de limpeza e sanitização têm, nos últimos anos, merecido maior atenção e destaque por parte das agências reguladoras de controle de alimentos, industrializadores e consumidores, situação esta justificada pelo reconhecimento da significativa e comprovada influência dessas atividades na qualidade e segurança dos alimentos. A nossa disciplina é composta por aulas teóricas com dinâmicas a fim de apresentar a vocês alunos os fundamentos relacionados a higiene. Os conhecimentos adquiridos servirão de base durante o curso de Engenharia de Alimentos, pois envolve o aperfeiçoamento técnico dos profissionais do setor visando buscar um melhor aproveitamento dos materiais e métodos utilizados, economia de energia, diminuição do desperdício de produtos alimentícios e de agentes de higienização e cuidado com o meio ambiente. O que vamos estudar nessa disciplina? Nela, abordaremos assuntos relacionados com conceitos técnicos de limpeza e sanitização. Enfatizaremos no decorrer dos capítulos cada etapa que envolve o processo de higienização, qualidade da água, métodos de limpeza, métodos de sanitização, deposição e formação de biofilmes e sua posterior remoção das superfícies, até cuidados e preocupações com o meio ambiente e os aspectos regulatórios. Aprecie cada momento dos estudos abordados. A intenção deste material é mostrar a vocês alunos, que por meio da educação e do conhecimento, um ambiente “limpo” é fundamental na produção de alimentos seguros. Vamos lá? Bons estudos! HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7 CAPÍTULO 1 HIGIENIZAÇÃO E SEGURANÇA DE ALIMENTOS Atualmente as indústrias vêm aprimorando o sistema de gestão de qualidade buscando garantir a segurança dos alimentos em todas as etapas da cadeia produtiva, pois o foco é garantir de modo geral a satisfação do consumidor. A produção de alimentos é considerada uma importante atividade econômica, sendo assim é imprescindível cumprir as regras e etapas de higienização para a produção de alimentos seguros até a mesa do consumidor, a fim de evitar as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). Além dos cuidados durante a manipulação dos alimentos, diversas são as tecnologias disponíveis para prevenir as DTAs, tais como, o processo de pasteurização, cloração da água industrial, processo de refrigeração, emprego de salmoura em alguns produtos, utilização de conservantes químicos permitidos pelo órgão de Vigilância Sanitária, processo de secagem, processo de liofilização, processo de cura em produtos embutidos, acidificação entre outros. Todos esses processos são utilizados com o objetivo de garantir a conservação dos alimentos. Na indústria de alimentos o processo de higienização consiste em práticas que visam ao ambiente de processamento (superfícies das instalações, equipamentos, bancadas e utensílios) a boa condição higiênica inicial, que se faz necessário o cumprimento de higienização no início e fim do processo de produção (Figura 1). Figura 1- Higienização do ambiente de processo. Fonte: Andrade (2014). HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8 ANOTE ISSO A palavra “higienização” deriva do grego hygieiné que significa “saúde”. Para garantir um processo de higienização eficiente (Figura 2) e cumprir o objetivo de devolver ao ambiente de produção a boa qualidade de limpeza inicial, o processo de higienização deve remover resíduos orgânicos como restos de alimentos, resíduos de produtos químicos (usados no processo de limpeza) e microrganismos, que estão presentes no ambiente de manipulação, equipamentos e utensílios. Em seguida se faz necessário realizar o processo de sanitização ou sanitização que tem como objetivo realizar a destruição de células microbianas sejam elas patogênicas ou deteriorantes a níveis considerados seguros. No processo de sanitização o saneante mais utilizado na indústria de alimentos é o hipoclorito de sódio, devido a sua eficiência na destruição de microrganismos e por seu baixo custo. Figura 2 - Definição do processo de higienização Fonte: Andrade (2014). Para realizar um programa de higienização correto e adequado se faz necessário conhecer a natureza da sujidade que vai ser removida, ou seja, conhecendo as características dos resíduos a serem eliminados determina-se o melhor tipo de detergente e sanificante a ser aplicado, também se faz necessário determinar o método mais adequado para sua remoção, e por fim avaliar a eficácia do processo utilizado. A avaliação pode ser realizada de forma visual, a fim de verificar se há presença de partículas de sujidades presentes nas superfícies que foram limpas e temos também uma validação por meio de análises microbiológicas, esse tipo de validação é mais realizado em equipamentos e utensílios. Esse procedimento está descrito nos Guias Relacionados à Garantia de Qualidade escrito pela Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2006). HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9 “Higiene, limpeza e sanificação são termos complementares. A higiene representa o conjunto de medidas, incluindo limpeza e a sanificação que, aplicado a produção de alimentos, tem por finalidade assegurar ao consumidor um produto de qualidade”. 2.0 ETAPAS DO PROCESSO DE HIGIENIZAÇÃO 2.1 Remoção Dos Resíduos Grosseiros Nessa etapa se faz necessário retirar todos os resíduos visíveis presentes na superfície, no equipamento ou no ambiente a ser limpo. Nessa etapa pode-se utilizar o emprego de rodos ou jatos de água (Figura 3). Figura 3 – Remoção de resíduos sólidos. Fonte: Germano (2019). 2.2 Pré - Lavagem A pré-lavagem é realizada utilizando apenas o emprego de jatos de água e tem como objetivo amolecer os resíduos impregnados presentes nos equipamentos (Figura 4), utensílios ou ambiente. Nessa etapa ocorre a remoção de 90% dos resíduos solúveis em água, é importante ressaltar que se deve avaliar as características dos resíduos a serem removidos para determinar a temperatura daágua a ser utilizada no processo, como regra geral recomenda-se a temperatura em torno de 50ºC, pois nessa etapa, a ação mecânica da água é responsável pela remoção de resíduos não solúveis e diminuição da carga microbiana. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10 Figura 4 – Pré – lavagem de equipamentos. Fonte: Germano (2019). 2.3 Lavagem com Detergentes Nessa etapa ocorre a aplicação da solução de detergente (Figura 5) diretamente nas sujidades a serem removidas. O objetivo dessa etapa é realizar a separação da sujeira do local, equipamentos ou utensílios a serem higienizados. Existem diversos tipos de detergentes que iremos abordar nas próximas aulas, por isso se faz necessário conhecer as características dos resíduos a serem removidos, para uma melhor escolha do detergente, com isso garante-se a eficiência dessa etapa do processo de higienização. A lavagem com detergente pode ser realizada de forma manual ou por pressão com o auxílio de um gerador de espuma. Nessa etapa é importante considerar a concentração, temperatura, tempo de contato e ação mecânica a ser realizada no processo de aplicação do detergente. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11 Figura 5 – Aplicação de detergentes nos equipamentos. Fonte: Germano (2019). 2.4 Enxague Após a lavagem com os detergentes deve-se realizar o processo de enxague com o objetivo de retirar as sujidades desgrudadas e eliminar o detergente presente na superfície que foi higienizada, nessa etapa é recomendado estabelecer a temperatura da água a ser usada no processo, tudo vai depender das características das sujidades a serem removidas. A atividade de enxágue pode ser realizada com emprego de mangueiras em bom estado de conservação, jatos de pressão etc. Figura 6 – Enxágue do detergente. Fonte: Germano (2019). 2.5 Sanitização Esta etapa é indispensável em um processo de higienização, pois a sanitização tem como objetivo destruir os micro-organismos presentes no ambiente, equipamentos e utensílios, ou seja, aqueles micro-organismos que restaram do processo de limpeza HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12 e podem se proliferar (Figura 7). É importante ressaltar que a sanitização não pode ser realizada antes do comprimento de todo processo de limpeza, nesse caso a sanitização é ineficiente, pois os microrganismos são protegidos pelos resíduos que ficam impregnados por falta do processo de limpeza. Nessa etapa é importante considerar a concentração, temperatura, tempo de contato. É importante ressaltar que existem vários produtos sanitizantes utilizados na indústria de alimentos, entre eles temos o Álcool 70%, Hipoclorito de sódio, Ácido Peracético, Quaternário de amônio etc. Figura 7 – Sanificação de equipamentos. Fonte: Germano (2019). 2.6 Enxágue do Sanitizante Essa etapa tem como objetivo remover o excesso de resíduos dos agentes sanitizantes (Figura 8). Figura 8- Enxague do sanitizante Fonte: Germano (2019). HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13 ANOTE ISSO Vamos recapitular de forma prática o processo de higienização? Segue dica com fluxograma da Figura 9. Figura 9- Fluxograma do Processo de Higienização. Fonte: O Autor,2022 3.0 Resíduos de Alimentos O processamento de alimentos gera resíduos que são definidos como matérias não necessárias presentes nas superfícies de contato com os alimentos e no ambiente onde eles são manipulados. Portanto o acúmulo de restos de alimentos, corpos estranhos, substâncias químicas do processo e microrganismos contribuem para a formação de biofilmes em superfícies, equipamentos e ambiente e com isso facilita a adesão dos resíduos. É importante salientar que a composição dos resíduos e dos biofilmes variam em sua composição, portanto nenhum detergente é capaz de remover todos os tipos. Vejamos na tabela 1 abaixo os principais resíduos presentes nas indústrias de alimentos e suas características em relação a solubilidade e a dificuldade de remoção. As condições físicas dos depósitos de resíduos afetam de modo significativo a solubilidade. Os precipitados de resíduos recentes são mais facilmente removíveis que um depósito velho seco ou um filme complexo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14 Tabela 1- Tipos de Resíduos Alimentares. Fonte: Germano (2019). 3.1 Natureza das Superfícies A natureza das superfícies a serem limpas é de fundamental importância para traçar um procedimento eficiente de higienização. As superfícies mais utilizadas são aço inoxidável, polietileno, polipropileno, policarbonato, aço-carbono, madeira, vidro. É importante ressaltar que as superfícies que entram em contato direto com os alimentos devem ser atóxicas, não absorventes, não porosas ou corrosivas, e vejamos que nem todos os exemplos citados acima atendem essas especificações. O tipo de material mais utilizado nas indústrias de alimentos é o aço inoxidável, pois o mesmo é de fácil higienização, não corrosivo e de todos os materiais citados acima dificulta a formação de biofilmes por não ser poroso, porém, mesmo o aço inox, pode sofrer corrosão pela ação química de compostos clorados em concentrações superiores a 300 mg/L de cloro residual livre, principalmente quando ocorre um prolongado tempo de exposição. Já a madeira é uma superfície de difícil higienização, é um material muito poroso e absorve água, com isso ela retém umidade ao longo do uso e promove a proliferação de microrganismos, o que contribui para formação de biofilmes e impregnação de resíduos, por esses motivos, esse tipo de material não é recomendado para usar em linha de produção de alimentos. Na tabela abaixo (Tabela 2) vejamos alguns tipos de superfícies e suas características. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15 Tabela 2 – Características das superfícies nas instalações de uma empresa alimentar. Fonte: Germano (2019). 4.0 Principais Tipos de Higienização Utilizado na Indústria de Alimentos 4.1 Higienização manual A limpeza manual é recomendada para situações em que a higienização mecânica não é aplicável ou é necessária uma abrasão adicional. 4.2 Higienização por imersão A imersão pode ser realizada com ou sem agitação, sendo utilizada para a lavagem de pequenas peças de equipamentos desmontáveis. 4.3 Higienização por meio de máquinas lava jato tipo túnel Nos restaurantes industriais, a principal aplicação desse processo é na higienização de bandejas e talheres. Nos laticínios por exemplo, na higienização de latões para transporte de leite. Nesse caso, como não há contato dos manipuladores com os agentes químicos, é possível a utilização de produtos detergentes de elevada alcalinidade cáustica, como aqueles formulados à base de hidróxido de sódio, ou ácidos como o nítrico ou o fosfórico. 4.4 Higienização por meio de equipamentos spray O processo de higienização por spray pode ser efetuado a baixas ou altas pressões. O aparelho é constituído de uma pistola e injetor. Por meio dele, são aspergidas água HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16 para pré-lavagem e enxágue e, ainda, soluções detergentes e sanificantes. É importante, nesse processo, a utilização de agentes químicos que não afetem os manipuladores. 4.5 Higienização por nebulização ou atomização A principal aplicação desse procedimento é na remoção de microrganismos contaminantes de ambientes. Utilizam-se equipamentos que produzem uma névoa da solução sanificante, por exemplo, à base de amônia quaternária, que reduz em níveis aceitáveis os microrganismos presentes. 4.6 Higienização por circulação (CIP) O processo é efetuado por circulação das soluções de limpeza, detergentes e sanificantes, por meio de bombas e pelo uso de recursos especiais como “sprays”, que espalham as soluções de limpeza ousanificação por toda a área do equipamento que deve ser limpa e, ou sanitificada. ANOTE ISSO Portanto como vimos neste capítulo, para garantir a seguridade de toda a cadeia produtiva em uma indústria de alimentos é necessário realizar o processo adequado de higienização que engloba a limpeza e a sanitização, processos esses que dependem um do outro para ser eficiente. Para definir um programa de higienização adequado é necessário conhecer a natureza dos resíduos formados, a natureza das superfícies, instalações, utensílios e equipamentos a serem limpos, para determinar o melhor tipo de detergente e sanificante a ser empregado no processo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17 CAPÍTULO 2 REQUISITOS SANITÁRIOS PARA INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS Todos os estabelecimentos produtores de alimentos devem cumprir requisitos normativos descritos por órgãos sanitários como a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) ou o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) em caráter federal. Esses órgãos sanitários estabelecem normas e fiscalizam estabelecimentos que produzem e embalam alimentos na ausência do consumidor, portanto as empresas para obter a regularização sanitária devem cumprir as exigências dos órgãos fiscalizadores, a fim de oferecer para o mercado alimentos seguros. As indústrias de alimentos devem cumprir algumas normas para iniciar o processo de produção de produtos de origem alimentar (Figura 2.1). As mesmas devem possuir um profissional que possua conhecimentos necessários para atuar como Responsável Técnico, devem ter implantado alguns documentos que descrevem os procedimentos que são realizados internamente, como o Manual de Boas Práticas de Fabricação (BPF) juntamente com os procedimentos Operacionais Padronizados (POP) ou os Procedimento Padrão de Higiene Operacional – PPHO (âmbito de inspeção MAPA)/ (âmbito de Inspeção Vigilância Sanitária, seja poder, municipal, estadual ou federal). Figura 2.1- Ilustrações dos programas de pré-requisitos para estabelecimentos industrializadores de alimentos Fonte: https://blog.ifope.com.br/bpf-para-a-industria-de-alimentos/ https://blog.ifope.com.br/bpf-para-a-industria-de-alimentos/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18 ANOTE ISSO Até outubro de 2002, a referência para o controle de procedimentos de higiene formava o procedimento padronizado de higiene operacional, PPHO, preconizado pelo FDA (Food and Drug Administration), a agência reguladora dos Estados Unidos. No Brasil a sua exigência foi regulamentada pelo MAPA através da resolução nº 10 de 2003, que instituiu o programa de procedimentos padronizados de higiene operacional a ser utilizado nos estabelecimentos de leite e derivados que funcionam sob regime de inspeção federal. 2.1 BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO EM INDÚSTRIAS DE ALIMENTOS (BPF) As Boas Práticas de Fabricação (BPF) representam um conjunto de normas que devem ser obedecidas durante a cadeia produtiva de produtos de origem alimentar, pois as BPF têm como objetivo reduzir as possibilidades de contaminações dos alimentos e oferecer ao consumidor um alimento seguro. As BPF (Figura 2.2) é uma ferramenta importante para o Sistema de Gestão da Qualidade na indústria alimentícia, devem ser aplicadas desde a recepção da matéria-prima, processamento, até a expedição de produtos, contemplando os mais diversos aspectos da indústria, que vão desde a qualidade da matéria-prima e dos ingredientes, incluindo a especificação de produtos e a seleção de fornecedores, à qualidade da água. Um programa de BPF é dividido nos seguintes itens: instalações industriais; pessoal; operações; controle de pragas; controle da matéria-prima; registros e documentação e rastreabilidade. Portanto as Boas Práticas de Fabricação podem ser definidas como um conjunto de procedimentos que devem ser adotados pelos estabelecimentos que produzem, manipulam ou comercializam alimentos, com o objetivo de garantir a qualidade higiênico-sanitária e a conformidade dos alimentos com a Legislação Sanitária. O regulamento técnico que dispõem sobre as boas práticas de fabricação está descrita na Resolução de Diretoria Colegiada N° 216, de 15 de setembro de 2004 da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, e esta resolução aplica-se aos estabelecimentos processadores/industrializadores nos quais sejam realizadas algumas das seguintes atividades: produção/industrialização, fracionamento, armazenamento e transporte de alimentos industrializados. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19 Figura 2.2- Foto meramente ilustrativa Fonte: https://www.qualidadeemquadrinhos.com.br/publicacoes/bpf-boas-praticas-de-fabricacao/ Vejamos abaixo como devem ser as instalações industriais conforme a RDC 216 da ANVISA, que preconiza as Boas Práticas de Fabricação nas Indústrias de alimentos e estabelecimentos comercializadores de alimentos. 2.1.1 Instalações Industriais A facilidade de sanitização e de limpeza deve ser sempre considerada no projeto das instalações. As normas de construção devem ser observadas, de acordo com a legislação em vigor. Conforto térmico, renovação do ar e acessibilidade também devem ser contemplados. A planta baixa da agroindústria deve possibilitar um fluxo contínuo da produção, de forma que não haja contato do produto processado com a matéria-prima no ambiente de processamento. Deve prever um bloqueio sanitário para a entrada exclusiva do pessoal diretamente envolvido no processamento. Vejamos na figura abaixo (Figura 2.3) como deve ser a planta baixa de uma agroindústria, lembrando que a planta deve ser desenhada conforme o produto a ser produzido. Figura 2.3 – Planta baixa de uma agroindústria Fonte: https://www.tecconcursos.com.br/questoes https://www.tecconcursos.com.br/questoes HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20 2.1.2 Paredes Devem ter altura suficiente para determinar um pé direito de 3,00 m. Internamente, devem possuir um revestimento impermeável com acabamento liso e de cores claras. As tintas com base epóxi têm sido recomendadas em virtude de permitirem fácil lavagem, pois seu acabamento pode ser perfeitamente liso, sem apresentar locais de difícil acesso à limpeza, a exemplo dos rejuntes entre azulejos. As paredes devem ser limpas rotineiramente. Externamente, as paredes podem ser pintadas com tinta a óleo comum, resistente à exterior. 2.1.3 Pisos Piso da área de processamento deve ser resistente, de fácil lavagem, antiderrapante e apresentar declive de 1% a 2% em direção aos drenos. Ralos devem ser desconectados e telados ou tampados. Piso externo deve apresentar superfície que facilite a limpeza e que não gere poeira ou lama e, portanto, com caimento adequado. A área externa deve ser suficiente para o estacionamento e manobra de veículos. Recomenda-se construir calçada de um metro (1,0 m) em torno de todo o prédio da agroindústria, para facilitar movimentações e inspeções no entorno. No esgotamento industrial devem ser usados ralos sifonados com tampas removíveis em todas as instalações. Os resíduos acumulados no ralo devem ser retirados diariamente e, em seguida, deve-se proceder a sua limpeza. 2.1.4 Janelas Janelas devem ser estruturadas e teladas em esquadrias de alumínio, podendo ter abertura basculante ou em movimento vertical, devendo possuir área total equivalente a 20% da área da planta-baixa. 2.1.5 Tetos São mais utilizadas as lajes pré-moldadas para o revestimento de teto. É importante observar o revestimento em tinta epóxi, para permitir limpeza frequente e evitar o acúmulo de fungos, particularmente em áreas úmidas. 2.1.6 Iluminação Deve-se observar um mínimo de 250 lux (intensidade luminosa) nas áreas comuns e para as áreas de trabalho é recomendado um valor de 500 lux. Nas áreas de estocagem, 150 lux são suficientes. As luminárias devem ter númeroe disposição de modo a realizar uma iluminação adequada e possuírem proteção contra estouro e queda das lâmpadas na área de processamento. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21 2.1.7 Instalações elétricas Dependem dos equipamentos a serem utilizados no processo e devem estar de acordo com o exigido no manual de cada equipamento a ser utilizado na indústria. 2.1.8 Manipuladores de Alimentos Todos os colaboradores da indústria envolvidos no processo de manipulação devem receber treinamentos periódicos e constantes sobre as práticas sanitárias de manipulação de alimentos e de higiene pessoal que fazem parte das BPF e os hábitos regulares de higiene devem ser estritamente observados e inspecionados diariamente. 2.1.9 Sanitização de mãos Em toda indústria de alimentos deve haver procedimento de limpeza e higienização de mãos (Figura 2.4). No caso de utilização de luvas descartáveis, devem ser realizadas trocas periódicas ao longo do dia de trabalho e sempre que for necessário. Recomenda- se a sanitização das mãos e das luvas, periodicamente, podendo ser realizada a cada 30 minutos, à base de álcool 70%. Figura 2.4- Procedimento de lavagem correta das mãos Fonte: https://blog.praticabr.com/como-reforcar-a-higiene-nos-estabelecimentos-de-food-service/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22 2.1.10 Aparência O manipulador deve se apresentar limpo, com boa saúde, sem ferimentos expostos, os cabelos devem estar bem aparados, presos e protegidos por toucas. Unhas devem ser mantidas sempre cortadas, limpas e sem esmaltes (Figura 2.5). O uso de barba deve ser sempre evitado. Figura 2.5 – Práticas de Higiene do Manipulador Fonte:https://www.passeidireto.com/arquivo/99106450/folheto-para-impressao-higiene-do-manipulador-de-alimentos 2.1.11 Adornos Todos os colaboradores devem ser orientados sobre a não utilização de anéis, relógios, brincos e pulseiras, tanto para evitar que se percam no alimento (perigo físico), como para prevenir a contaminação do alimento que está sendo manipulado (perigo biológico). Figura 2.6 – Manipulador de alimentos inadequado Fonte: https://ftp.medicina.ufmg.br/omenu/materiais/1a-apostila-06082015.pdf 2.1.12 Uniformes Na área de processamento, todos os colaboradores devem usar uniformes limpos, sem bolsos e sem botões, de cor branca (ou outra cor clara), toucas e botas. As toucas devem ser confeccionadas em tecidos ou em fibra de papel, devendo cobrir todo o cabelo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23 2.1.13 Conduta O diálogo entre os funcionários durante a manipulação de alimentos deve restringir-se às necessidades de comunicação para o bom andamento do processo, de modo que não se torne um fator de contaminação do produto final. A conduta deve ser orientada por procedimentos e instruções de trabalhos adotadas pela indústria. É expressamente proibido comer, portar ou guardar alimentos na área de processamento e nos vestiários. Todo o pessoal da indústria envolvido no processamento dos alimentos deve receber treinamento periódico e constante em relação às práticas sanitárias de manipulação de alimentos, higiene pessoal e fundamentos de princípios de BPF. 2.1.14 Recepção da matéria-prima A identificação correta e legível de matérias-primas, insumos e embalagens é a etapa inicial, onde dados importantes para a rastreabilidade são registrados. Para tanto, é realizada uma inspeção conforme as instruções e os planos estabelecidos. Para a liberação da matéria-prima devem ser adotados critérios. A recepção envolve desde inspeções visuais até amostragens para análises de controle de qualidade visando à liberação do descarregamento, conforme o caso. Produtos em desacordo quanto à data de validade e/ou temperatura não devem ser utilizados. Os critérios de liberação da matéria-prima devem contemplar também os veículos transportadores. Uma inspeção rápida deve ser realizada verificando se são projetados de tal modo que protejam os alimentos de fontes potenciais de contaminação e que não tenham avarias que venham a torná-lo inadequado para o consumo. Devem prover um ambiente que efetivamente controle o crescimento de microrganismos patogênicos ou deteriorantes e a produção de toxinas nos alimentos. Devem estar em bom estado de conservação e sem evidência da presença de pragas, insetos, roedores, pássaros, vazamentos, umidade, materiais estranhos ou odores intensos. Os veículos refrigerados devem ter, rigorosamente, a temperatura correta antes do carregamento. Em caso de produtos resfriados, devem conservar a temperatura requerida durante toda a distribuição. Boas Práticas de Fabricação (BPF) Todos os veículos refrigerados devem ser providos de um dispositivo de monitoramento da temperatura do ar interno. Os veículos devem ser calibrados conforme previsto no programa de manutenção preventiva. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24 2.1.15 Processamento Durante o processamento devem ser controlados os parâmetros de processo e deve ser feito o registro dos mesmos em planilha. Cada etapa de processo gera um controle e seu respectivo registro. Assim é possível se obter um produto final com a qualidade assegurada e há possibilidade de rastreabilidade do processo, do controle de fluxo e do resgate do histórico do produto e de seu processo de produção. Os registros são documentos que constituem um importante meio de exercer um controle abrangente e rápido da história da empresa e devem fazer parte de um programa de BPF eficazmente implementado. Os registros devem conter identificação quanto ao lote, variáveis de processo (tempo, temperatura, acidez, concentração de ingredientes e outros) e horário da produção de cada fabricação. Outras observações, interrupções e modificações eventuais no processo devem ser completamente documentadas. Paralelamente ao registro, a retenção de amostras de cada lote na fábrica, e o seu armazenamento por um período um pouco superior ao da validade do produto, é um procedimento valioso e útil. Assim, eventuais reclamações de consumidores podem ser respondidas de forma eficaz, à luz de uma contraprova. Não deve haver cruzamento de matéria-prima com o produto acabado, para que este último não seja contaminado com microrganismos típicos das matérias-primas, evitando-se a contaminação cruzada. 2.1.16 Armazenamento do produto final O armazenamento compreende a manutenção de produtos e de ingredientes em ambiente que preserve a integridade e a qualidade. O armazenamento deve ser feito em locais frescos e ventilados, sobre Boas Práticas de Fabricação (BPF) prateleiras ou estrados, não devendo o produto ficar diretamente sobre os pisos. O piso dessas áreas não deve apresentar declividade e ralos, de modo a evitar tombamentos de pilhas de alimento e presença de odores. Para produtos sob refrigeração, o armazenamento deve ser feito de modo contínuo e o mais rápido possível, conforme o fluxo do processo. Em todos os casos, deve-se adotar o sistema PVPS (Primeiro-que-Vence Primeiro-que-Sai), devendo ser especialmente empregado nos almoxarifados de matéria-prima e de embalagens. 2.1.17 Produtos químicos Produtos alimentícios não devem ser armazenados no mesmo ambiente de produtos químicos, de higiene, de limpeza e de perfumaria, a fim de evitar contaminação ou impregnação com odores estranhos. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25 2.1.18 Controle de pragas O controle de pragas corresponde a todas as medidas necessárias para evitar a presença de insetos, roedores e pássaros no local de produção. O controle deve ser realizado nas áreas interna e externa da agroindústria. Parte das orientações é preventiva em relação à presença de pragas no estabelecimento. Deve ser feita a vedação correta das portas, forros, janelas e instalação de barreiras. Deve-se utilizarralos sifonados com tampas do tipo “abre-fecha”, e condutores de fios, tubos e outras barreiras devem ser implementadas. Inspeções periódicas em caixas de passagem, telhados e árvores devem ser realizadas para verificar a presença de ninhos/focos de pragas, verificando-se a necessidade de limpeza e remoção de ninhos de pássaros nos arredores da planta de processamento. É vedado o trânsito de animais nas proximidades da área da agroindústria. Paralelamente, o controle químico deve ser implementado e realizado por pessoas devidamente habilitadas, podendo ser realizado pela contratação de firma especializada devidamente registrada no órgão competente. 2.2 PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO (POPs) Os procedimentos operacionais padronizados (POPs) são exigidos para todas as indústrias, independentemente da escala ou setor a que pertence. Os POPs são um complemento das BPF e contribuem para a garantia das condições higiênico-sanitárias necessárias ao processamento industrial de alimentos. Esses procedimentos são regulamentados pela Resolução de Diretoria Colegiada Nº º 275, de 21 de outubro de 2002, pela ANVISA. A RDC em questão deixa claramente determinado que os estabelecimentos produtores e industrializadores de alimentos devem desenvolver, implementar e manter para cada item relacionado abaixo, Procedimentos Operacionais Padronizados – POPs. • Higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios; • Controle da potabilidade da água; • Higiene e saúde dos manipuladores; • Manejo dos resíduos; • Manutenção preventiva e calibração de equipamentos; • Controle integrado de vetores e pragas urbanas; • Seleção das matérias-primas, ingredientes e embalagens; • Programa de recolhimento de alimentos. É importante ressaltar que os procedimentos citados acima devem ser descritos em detalhes, cada POP deve ter uma folha de anexo, ou seja, uma planilha para registrar o monitoramento das tarefas descritas, vejamos abaixo um modelo de um Procedimentos HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26 Operacional padrão, vale salientar que são documentos simples, pois irão padronizar as tarefas a serem executadas internamente na indústria, garantindo que independente da realização do procedimento, ele será executado sempre da mesma forma. É muito importante que o Responsável Técnico ou o responsável pelas atividades de qualidade da indústria sempre realize treinamentos para os colaboradores. ANOTE ISSO Figura 2.7- Modelo de Procedimento Operacional Padrão- POP Fonte: https://pt.scribd.com/document/422511559/95158880-POP-Elaboracao-do-Procedimento-Operacional-Padrao-POP-docx HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27 CAPÍTULO 3 QUALIDADE DA ÁGUA INDUSTRIAL A água industrial deve ter uma boa qualidade, seja de natureza microbiológica, seja de características físicas e físico-químicas, pois devemos levar em consideração que a água utilizada na indústria faz parte da composição do alimento, com isso ela influencia diretamente na qualidade do produto final. Além disso, a água industrial exerce outras funções, como participar ativamente do processo de limpeza, e entra em contato direto com equipamentos e utensílios utilizados no processo de produção, é necessária também para o funcionamento de alguns equipamentos, entre outras funções. Portanto a água deve ser de boa qualidade e estar disponível em quantidades necessárias para o funcionamento da indústria. Várias são as consequências pelo uso da água imprópria nas indústrias de alimentos, que vão desde a simples alteração do produto, como perda das características nutricionais ou valor comercial, até a ocorrência de intoxicações e infecções alimentares. Grande parte das doenças de origem alimentar são causadas pelas práticas inadequadas de manipulação, matérias primas contaminadas, falta de higiene durante a preparação ou pela deficiência dos equipamentos e estrutura operacional. Saber de onde vem a sua água, seja de subsolo, lagos ou reservatórios, é importante para maior controle e garantia de qualidade do produto final. Por isso, é recomendável, que as fábricas processadoras de alimentos, sempre que possível, tenham o seu próprio tratamento de água. Na água pode estar presente bactérias de várias espécies, parasitas, compostos químicos, ter uma grande quantidade de minerais presentes, por conta dessas possíveis contaminações se faz necessário o controle rigoroso da potabilidade da água a ser utilizada na indústria de alimentos. Portanto, para garantir a potabilidade da água as indústrias devem seguir a portaria de consolidação n0 5, de 28 de setembro de 2017, pois lá se encontra todos os parâmetros a ser seguidos para conferir a qualidade da água para consumo humano e água destinada a produção de alimentos. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28 3.1 PRINCIPAIS ELEMENTOS ANALISADOS NA ÁGUA INDUSTRIAL Os principais elementos a serem analisados na água da indústria são: • Dureza; • pH; • Acidez e Alcalinidade; • Cloro; • Turbidez; • Coloração; • Odor; • Sabor; • Qualidade microbiológica. 3.1.1 DUREZA Os sais de cálcio e magnésio lixiviados pela água em seu caminho por meio do solo constituem a denominação “dureza”. Esses sais são prejudiciais pois quando a água for utilizada para o processo de limpeza eles podem reagir com detergentes e sanitizantes reduzindo a eficiência dos mesmos. No caso de tubulações industriais e de equipamentos a água dura promove incrustações de sais promovendo assim a obstrução e deterioração das tubulações (Figura 3.1). Portanto a dureza da água é expressa em mg/L de CaCo3 (Carbonato de cálcio) pode ser classificada conforme a tabela abaixo (Tabela 3.1) Tabela 3.1- Classificação de dureza da água. Fonte: Figueiredo (2002) HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29 Figura 3.1- Efeitos da água dura em tubulações Fonte: http://www.tsambientali.com.br/incrustacao-o-que-e-e-como-elimina-la-das-tubulacoes/ 3.1.2 pH DA ÁGUA O pH é uma unidade de medida que indica em uma escala numérica (Figura 3.2) de 0 a 14 se a solução é: 0- 6,9 Ácida, 7,0 - Básica ou 8 a 14 - Alcalina. O pH mede a quantidade de íons de H+ presente na solução. As alterações de pH podem ter origem natural (dissolução de rochas, fotossíntese) ou antropogênica (despejos domésticos e industriais). Em águas de abastecimento, baixos valores de pH podem contribuir para sua corrosividade e agressividade, enquanto valores elevados aumentam a possibilidade de incrustações. O intervalo de pH para águas de abastecimento é estabelecido pela Portaria de consolidação n0 5, de 28 de setembro de 2017 entre 6,5 e 9,5. Esse parâmetro objetiva minimizar os problemas de incrustação e corrosão das redes de distribuição. Figura 3.2- Escala de pH Fonte: https://beduka.com/blog/materias/quimica/o-que-e-ph/ 3.1.3 ALCALINIDADE E ACIDEZ A alcalinidade indica a quantidade de íons na água que reagem para neutralizar os íons hidrogênio. Constitui, portanto, uma medição da capacidade da água de neutralizar os ácidos, servindo assim para expressar a capacidade de tamponamento da água, isto é, sua condição de resistir a mudanças do pH. Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos (HCO3), carbonatos (CO3 2-) e hidróxidos (OH-). A distribuição entre as três formas de alcalinidade na água (bicarbonatos, carbonatos, HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30 hidróxidos) em função do seu pH: pH > 9,4 (hidróxidos e carbonatos); pH entre 8,3 e 9,4 (carbonatos e bicarbonatos); pH entre 4,4 e 8,3 (apenas bicarbonatos). Verifica-se assim que, na maior parte dos ambientes aquáticos, a alcalinidade deve- se exclusivamente à presença de bicarbonatos. Valores elevados de alcalinidade estão associados a processos de decomposição da matéria orgânica e à alta taxa respiratória de microrganismos,com liberação e dissolução do gás carbônico (CO2) na água. A maioria das águas naturais apresenta valores de alcalinidade na faixa de 30 a 500 mg/L de CaCO3. Já a acidez, em contraposição à alcalinidade, mede a capacidade da água em resistir às mudanças de pH causadas pelas bases. Ela decorre, fundamentalmente, da presença de gás carbônico livre na água. A origem da acidez tanto pode ser natural (CO2 absorvido da atmosfera ou resultante da decomposição de matéria orgânica, presença de H2S – gás sulfídrico) ou antropogênica (despejos industriais, passagem da água por minas abandonadas). De maneira semelhante à alcalinidade, a distribuição das formas de acidez também é função do pH da água: pH > 8.2 – CO2 livre ausente; pH entre 4,5 e 8,2 → acidez carbônica; pH < 4,5 → acidez por ácidos minerais fortes, geralmente resultantes de despejos industriais. Águas com acidez mineral são desagradáveis ao paladar, sendo, portanto, desaconselhadas para abastecimento doméstico. 3.1.4 CLORAÇÃO DA ÁGUA Na indústria de alimentos antes da utilização da água é necessário realizar a desinfecção da água. A desinfecção constitui-se na etapa do tratamento da água, cuja função básica consiste na inativação dos microrganismos patogênicos, realizada por intermédio de agentes físicos e ou químicos. Ainda que nas demais etapas do tratamento haja redução do número de microrganismos presentes na água, a desinfecção é operação unitária obrigatória, pois somente ela inativa qualquer tipo existente e previne o crescimento microbiológico nas redes de distribuição. O agente de desinfecção mais utilizado na indústria de alimentos é o cloro, de acordo com a Portaria de consolidação nº 5, de 28 de setembro de 2017 estabelece o padrão de teor de cloro livre presente na água de 0,2 a 2 ppm. É necessário que a indústria tenha um sistema para realizar a cloração da água e que realize o monitoramento HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31 do sistema e da quantificação diariamente. Veja abaixo um exemplo de laudo com os resultados de análises de água embasado na portaria nº 5 de 2017 (Tabela 3.2). Tabela 3.2 – Exemplo de resultados de análise de água de acordo com a portaria nº 5 de 28 de setembro de 2017. Fonte: https://kasvi.com.br/agua-potavel-a-importancia-do-controle-microbiologico/ Um sistema simples de cloração de água (Figura 3.2), onde temos a bomba dosadora de cloro, o reservatório de cloro, portanto a bomba puxa o cloro do reservatório na quantidade estabelecida e destina diretamente para a caixa d’água. A bomba dosadora de cloro pode controlar com muita precisão a vazão de tratamentos de água e efluentes ou em qualquer sistema que requeira a dosagem de cloro. Este equipamento faz a transferência de produtos, bombeando de forma controlada e precisa. De uma maneira geral, a bomba dosadora de cloro (Figura 3.3) trabalha com produtos corrosivos e químicos, por esta razão deve possuir alto nível de resistência e qualidade. Figura 3.2- Sistema de tratamento de água. Fonte:https://sites.google.com/site/projetodeinformaticaeducativa5/processo-de-tratamento-da-agua http://www.acquacontroll.com.br/bomba-dosadora https://sites.google.com/site/projetodeinformaticaeducativa5/processo-de-tratamento-da-agua HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32 Figura 3.3 - Modelo de bomba dosadora de cloro Fonte: https://www.acquacontroll.com.br/bomba-dosadora-cloro 3.1.5 CARACTERÍSTICAS SENSORIAIS DA ÁGUA (COR, SABOR e ODOR) A água utilizada na indústria de alimentos deve possuir as seguintes características sensoriais, ser inodora, ou seja, não possuir cheiro, ser transparente, ou seja, sem coloração com ausência de turbidez, insípida, ou seja, sem gosto. Portanto as qualidades sensoriais da água devem ser monitoradas diariamente com o objetivo de verificar se há alterações sensoriais, pois como já foi mencionado a água faz parte do da composição dos alimentos e precisa ser de boa procedência. Somente para deixar mais claro a conceituação de sabor envolve uma interação de gosto (salgado, doce, azedo e amargo) com o odor. No caso da avaliação de sabor da água o intuito é identificar a alteração de sabor que pode ser causado pela presença em excesso de substâncias químicas ou gases dissolvidos, quanto à atuação de alguns microrganismos, notadamente algas. Neste último caso são obtidos odores que podem até mesmo ser agradáveis (odor de gerânio e de terra molhada, etc.), além daqueles considerados repulsivos (odor de ovo podre, por exemplo). Portanto para consumo humano e usos mais nobres, o padrão de potabilidade exige que a água seja completamente inodora. 3.1.6 TURBIDEZ A turbidez pode ser definida como uma medida do grau de interferência à passagem da luz através do líquido. A alteração à penetração da luz na água decorre da presença de material em suspensão, sendo expressa por meio de unidades de turbidez. Ao contrário da cor, que é causada por substâncias dissolvidas, a turbidez é provocada por partículas em suspensão, sendo, portanto, reduzida por sedimentação. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33 Em lagos e represas, onde a velocidade de escoamento da água é menor, a turbidez pode ser bastante baixa. Além da ocorrência de origem natural, a turbidez da água pode também ser causada por lançamentos de esgotos domésticos ou industriais. A turbidez natural das águas está, geralmente, compreendida na faixa de 3 a 500 unidades. Para fins de potabilidade, a turbidez deve ser inferior a uma unidade. Tal restrição fundamenta-se na influência da turbidez nos processos usuais de desinfecção, atuando como escudo aos microrganismos patogênicos e assim minimizando a ação do desinfetante. Figura 3.4 – Variações De Turbidez da água Fonte: https://www.digitalwater.com.br/parametro-fisico-de-qualidade-turbidez-da-agua/ 3.1.7 QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA A Portaria Nº 5 de 18 setembro de 2017 (Ministério da Saúde) define que a água usada na produção de alimentos, higiene pessoal e farmacêutica deve ser potável, com alto grau de pureza e sem contaminações. A portaria também define que o índice de bactérias heterotróficas (bactérias que utilizam os nutrientes orgânicos para o seu crescimento) deve ser usado para a avaliação da integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede). Determina também o limite aceitável de microrganismos, como coliformes totais e E.coli. Além disso, delibera que as características físico-químicas e microbiológicas da água usada na indústria devem atender aos limites estabelecidos pela legislação brasileira. Logo, a realização das análises microbiológicas da água usada na indústria, e seu rígido controle de qualidade, são pontos fundamentais para a qualidade final do produto, segurança do cliente e credibilidade da empresa. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34 ANOTE ISSO Tabela 3.3 – Modelo de parâmetros microbiológicos para água industrial Fonte: https://kasvi.com.br/agua-potavel-a-importancia-do-controle-microbiologico/ 3.2 CONTROLE DA POTABILIDADE DA ÁGUA NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS De acordo com normas sanitárias, a indústria destinada à produção de alimentos deve ter o total controle da potabilidade da água a ser utilizada, a fim de evitar contaminações no produto final, seja ela de caráter microbiológico, seja por substâncias químicas, que irão interferir diretamente no produto. Para o controle da água industrial a RDC 275 da vigilância sanitária determina que seja descrito o procedimento operacional padronizado de potabilidade da água, esse POP deve ser descrito de forma detalhada e registros de monitoramento de controle da potabilidade da água devem ser realizados conforme a frequência exigida pela portaria de consolidação nº 5 de 28 de setembro de 2017. Para determinar corretamente a potabilidade da água é necessário conhecer o ponto de captaçãoda mesma. O reservatório de água deve estar em boas condições de uso, apresentar tampas e estar bem vedado o fechamento, a fim de evitar contaminação por sujidades externas e por aves. Em relação ao reservatório de água é necessário realizar a limpeza do mesmo semestralmente. No caso dos elementos filtrantes, os filtros devem ser trocados duas vezes por ano. De acordo com a legislação vigente o processo de cloração deve ser realizado diariamente sendo obrigatório a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre. Vale ressaltar que mesmo se a indústria realizar um sistema de tratamento de desinfecção da água por meio de outras tecnologias como a aplicação de radiação luz ultravioleta, uso de ozônio ainda deve ser mantido a cloração da água em quantidade HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35 mínima (0,2 ppm) em combinação com as outras tecnologias de tratamento, pelo fato do cloro mostrar mais eficiência no combate da giárdia. Todo o processo de desinfecção da água deve ser registrado em planilhas, ou seja, deve ser realizado o acompanhamento do teor de cloro e do pH da água industrial, esse monitoramento deve ser realizado diariamente. Análises em laboratórios externos devem ser realizadas, conforme a legislação é necessário realizar análises microbiológicas mensalmente e as análises físico-químicas devem ser realizadas semestralmente. Todos os parâmetros a serem analisados estão descritos na portaria de consolidação nº 5 de 28 de setembro de 2017. Portanto para ter um produto final de qualidade é necessário conhecer a água a ser utilizada no seu processo, e deve-se cumprir todas as exigências especificadas na legislação vigente, pois como vimos a água industrial deve ser potável e estar disponível em quantidade suficiente para indústria realizar suas tarefas produtivas. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36 CAPÍTULO 4 ADESÃO E FORMAÇÃO DE BIOFILMES 4.1 Biofilmes Um biofilme (Figura 4.1) é um complexo ecossistema microbiológico formado por populações desenvolvidas a partir de uma única ou de múltiplas espécies, sejam bactérias, fungos e/ou protozoários de modo isolado ou em combinação, associados a seus produtos extracelulares constituindo uma matriz de polímeros orgânicos e que se encontram aderidos a uma superfície viva ou em condições favoráveis, ou seja, superfícies que proporcionam as células condições para sobreviver ao meio. O biofilme contém proteínas, lipídeos, fosfolipídios, carboidratos, sais minerais e vitaminas, entre outros, que formam uma espécie de crosta denominada matriz, abaixo da qual, os microrganismos continuam a crescer, formando um cultivo puro ou uma associação com outros microrganismos, e aumentando a proteção contra agressões químicas e físicas. Figura 4.1- Biofilme Fonte: Mendoline (2008) As bactérias do biofilme possuem a mesma origem genética das bactérias planctônicas, entretanto, suas atividades de multiplicação, taxa respiratória, capacidade de adesão, atividades metabólicas entre outras, diferem em 40%, o que as torna mais difíceis de serem eliminadas, pela maior resistência adquirida. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37 A matriz exopolissacarídea, que é secretada para o meio externo, é capaz de impedir fisicamente a penetração de agentes antimicrobianos no biofilme, principalmente aqueles hidrofílicos e carregados positivamente. Em alguns casos, o exopolissacarídeo também pode sequestrar cátions, metais e toxinas. Por estas razões, os biofilmes podem corresponder a excelentes mecanismos de transferência de metais nos ecossistemas. Foi exposto a proteção adquirida contra radiações UV, alterações de pH, choques osmóticos e dessecação. Diversos fatores contribuem para a adesão de uma bactéria à determinada superfície e dependem não apenas da fisiologia do microrganismo e seus fatores de crescimento, mas também da natureza do substrato. Dentre estes destacam-se: a genética, a virulência e a resistência do microrganismo; a nutrição; a área e o material da superfície e a velocidade do fluxo de líquidos. ANOTE ISSO Vale ressaltar que o crescimento de qualquer biofilme é limitado pela disponibilidade de nutrientes no ambiente circundante e pela sua propagação às células localizadas no interior do biofilme. Fatores como o pH, difusão de oxigênio, fonte de carbono e osmolaridade controlam também a maturação do biofilme. Quando completamente maduro, o biofilme funciona como um consórcio funcional de células, com padrões de crescimento alterados, cooperação fisiológica e eficiência metabólica. Nesta fase, as células localizadas em regiões diferentes do biofilme exibem diferentes padrões de expressão genética. Figura 4.2- A microscopia eletrônica de varredura progressiva e o processo de adesão e formação de um biofilme. A, B e C representam os tempos de incubação de 6, 24 e 48 horas, respectivamente, a 37°C. Fonte: Mendoline (2008) 4.1.1 Etapas do desenvolvimento do biofilme Os biofilmes são formados sobre superfícies, uma vez que há maiores quantidades de nutrientes nestes locais, em comparação com líquidos. A adesão é facilitada pela HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38 excreção microbiana de uma matriz de exopolissacarídeos, algumas vezes referida como glicocálix. Nesse microambiente são formadas micro- colônias, bem como canais de água entre e em volta das mesmas. Nesse sistema os nutrientes são carreados para o interior do biofilme enquanto compostos tóxicos maléficos a comunidade é jogada para fora. Um biofilme maduro pode levar de algumas horas até várias semanas para desenvolver-se, dependendo das condições de seu meio ambiente. Sendo assim, existem na literatura várias teorias propostas para formação de biofilmes. Na primeira fase, o processo é ainda reversível, em função do processo de adesão do microrganismo na superfície pode ocorrer por forças de Van der Walls e atração eletrostática. Na segunda etapa, ocorre a interação física da célula com a superfície por meio de material extracelular de natureza polissacarídea ou proteica, produzida pela bactéria, que é denominada matriz de glicocálix, que suporta a formação de biofilmes. O glicocálix é produzido após o processo de adesão superficial, e vai fornecer condições de adesão do peptideoglicano das bactérias Gram positivas e a parte externa da membrana externa das Gram negativas. O condicionamento de uma superfície limpa e lisa consiste na adesão de moléculas orgânicas a esta superfície que neutralizam a carga que poderia repelir algum microrganismo que tentasse aproximar-se. Deste modo, bactéria planctônica que flutua livremente na água, primeiro adere por forças eletrostáticas e forças físicas, seguida da formação de microcolônias e, na maioria dos casos, a diferenciação das microcolônias em macrocolônias envolvidas numa matriz de exopolissacarídeo, formando biofilmes maduros. A adesão primária de um organismo a uma superfície é um processo reversível que envolve a aproximação deste à superfície, de forma aleatória ou através de mecanismos de quimiotaxia e de mobilidade. Quando o microrganismo atinge uma proximidade crítica da superfície, a ocorrência de adesão depende do balanço final entre forças atrativas e repulsivas geradas entre as duas superfícies. A repulsão entre duas superfícies pode ser ultrapassada através de interações moleculares específicas mediadas por adesinas, que são proteínas localizadas em estruturas que irradiam da superfície celular. Foi ainda demonstrado que os mecanismos de mobilidade das células, dependentes de pili superficiais e do flagelo polar são fundamentais no processo de iniciação de um biofilme. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39 Após a adesão primária, as células fracamente ligadas consolidam o processo de adesão produzindoexopolissacarídeos que complexam os materiais da superfície e os receptores específicos localizados nos flagelos ou fímbrias. Esses polissacarídeos extracelulares, com carga ou neutros, não só permitem a adesão da célula à superfície, mas também atuam como sistemas trocadores de íons, para captura e concentração de nutrientes da água. À medida que os nutrientes se acumulam, as células pioneiras se reproduzem e a colônia se estabelece originando microcolônias. Na ausência de interferência mecânica ou química, a adesão torna-se, nesta fase, irreversível. As microcolônias também sintetizam matriz exopolissacarídica (EPS) e passam a atuar como substrato para a aderência de microrganismos denominados colonizadores secundários, que podem se aderir diretamente aos primários ou promoverem a formação de coagregados com outros microrganismos e então se aderirem aos primários. Posterior à adesão irreversível da bactéria à superfície, inicia-se o processo de maturação do biofilme. A densidade e complexidade do biofilme aumenta à medida que as células se dividem (ou morrem) e os componentes extracelulares gerados pelas bactérias interagem com moléculas orgânicas e inorgânicas do ambiente circundante para formar o glicocálix. Nesta fase, os biofilmes tornam-se altamente hidratados, formando-se estruturas abertas compostas por 73 a 98% (75-95%) de material não celular, incluindo exopolissacarídeo e canais por onde circulam os nutrientes. Este conteúdo aquoso torna o biofilme com aspecto gelatinoso e escorregadio. A rede de polímeros capta outras células e seus resíduos, ou seja, os colonizadores secundários, agregando mais volume ao biofilme. O biofilme nesta fase apresenta alta atividade metabólica. Quando o biofilme atinge uma determinada massa crítica e o equilíbrio dinâmico é alcançado, as camadas mais externas do biofilme começam a liberar células em estado planctônico, que se podem rapidamente dispersar e multiplicar, colonizando novas superfícies e organizando novos biofilmes em outros locais. Existem três tipos de processos de dispersão: expansiva, quando parte das células de uma microcolônia sofre lise e outra retoma a motilidade, sendo então liberadas da estrutura; fragmentação, onde porções de matriz extracelular associadas a microrganismos são liberadas, e superficial que ocorre pelo crescimento do próprio biofilme como um todo. Com a ausência de nutrientes e/ou de oxigênio ou dificuldades na sua difusão, a diminuição do pH e acúmulo de metabólitos secundários tóxicos, inicia-se um processo HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40 de morte celular junto à superfície e subsequente desintegração do biofilme. Uma vez que o biofilme tenha se estabelecido, passa a ser uma intensa fonte de endotoxinas, muramilpeptídios e polissacarídeos, assim como de fragmentos de endotoxinas que são liberados na água. É extremamente difícil a remoção de biofilmes já constituídos, em função da forte adesão gerada pelas bactérias à superfície (Figura 4.3). Figura 4.3- Formação de Biofilmes Fonte: https://foodsafetybrazil.org/biofilmes-o-que-sao-e-como-se-formam/ 4.1.2 Biofilmes na indústria de alimentos As falhas nos procedimentos de higienização permitem que os resíduos aderidos aos equipamentos e superfícies transformem-se em potencial fonte de contaminação sob determinadas condições, os microrganismos se aderem, interagem com as superfícies e iniciam crescimento celular. O crescimento de microrganismos na superfície de alimentos é uma das principais causas de deterioração e perdas de produtos processados e in natura. Desta forma, com o intuito de prolongar a vida útil dos produtos, agentes antimicrobianos são adicionados diretamente ao alimento ou pulverizados na superfície para controlar o crescimento da microbiota presente; e embalagens ativas são adotadas visando interagir com o produto alimentício eliminando ou inibindo microrganismos. Dentre estes, podem-se citar os nitratos, lactatos, nisina, natamicina, benzoato e propionatos. Na linha de produção da indústria de laticínios, a formação de biofilmes eleva a carga microbiana e, muitas vezes, contamina com patógenos os alimentos, devido HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41 ao eventual desprendimento de porções aderidas. Dessa forma, podem constituir risco a saúde do consumidor, além de ocasionar prejuízos financeiros em virtude da diminuição da vida de prateleira dos produtos. Alguns especialistas sugerem que a maioria dos surtos, cujos agentes etiológicos são transmitidos por alimentos, parece estar associado a biofilmes e justificam tal teoria com o fato dos surtos serem esporádicos, e não contínuos, assim como somente algumas porções dos produtos estarem contaminadas. Em relação à saúde pública, além do perigo de transmissão de enfermidades ao consumidor, convém ressaltar que em um biofilme as bactérias podem ser 1000 vezes mais resistentes a um antimicrobiano, quando comparadas às mesmas células planctônicas. Na indústria de alimentos os biofilmes podem se acumular em uma variedade de substratos como, por exemplo: aço inox, vidro, borracha, polipropileno, fórmica, ferro, polietileno de baixa densidade, policarbonato, entre outros. Convém ressaltar que o biofilme, quando submetido ao calor, pode cristalizar e formar depósitos ou crostas que são muito aderentes, protegendo novos microrganismos e dificultando ainda mais os procedimentos de higiene. Portanto, o controle da aderência de microrganismos às superfícies é essencial para manutenção da qualidade dos alimentos. As operações de lavagem e sanitização, mesmo que frequentes, não podem garantir a eliminação completa dos biofilmes, pois sabe-se que muitas das superfícies em contato com o alimento assim como as tubulações e equipamentos, apresentam cantos, sulcos, rugosidades, rachaduras, e “zonas mortas” (de baixo fluxo) onde os biofilmes facilmente se desenvolvem. Para se evitar a formação de biofilmes (Figura 4.4) na indústria de alimentos é essencial que o estabelecimento se adeque as medidas de higiene e sanitização. São necessárias duas a quatro semanas para formação de um biofilme, portanto esses se formariam apenas em sistemas onde a limpeza e a sanitização forem deficientes. Figura 4.4- Biofilme formado no interior de tubulações e equipamentos Fonte: https://www.btaaditivos.com.br/br/blog/metodos-para-identificacao-de-biofilmes-na-industria-alimenticia/119/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42 Para controlar o aprececimento e fixação de biofilmes deve-se sexecutar algumas ações de limpeza e sanitização constantes na linha de produção, tais como: • Desenvolver um plano de higienização da linha; • Determinar quais os tipos de detergentes e sanitizantes a ser utilizados; • Mapeamento das áreas críticas de contaminação e passíveis de formação de biofilme; • Planejamento de quais metodologias de análise serão empregadas para os controles microbiológicos; • Definição de quais microrganismos são indicadores de contaminação e efetividade de higienização dentro do processo produtivo. 4.1.3 Microrganismos envolvidos na formação do biofilme Todos os microrganismos podem aderir ás superficies e realizar o processo de formação de biofilmes, desde que tenha condiçoes favoráveis para o seu desenvolvimento, porém nas indústrias de alimentos são as bactérias que mais frequentemente produzem biofilmes, ainda que umas apresentem maior aptidão que outras. O tipo de bactérias varia conforme os fatores intrínsecos e extrínsecos do ambiente em que se encontram. Dentre as bactérias deteriorantes, destacam-se: Pseudomonas fragi, Pseudomonas fluorescens, Micrococcus sp. e Enterococcus faecium. Como exemplos de bactérias patogênicas, encontram-se: P. aeruginosa, L. monocytogenes, Yersinia enterocolitica, Salmonella Typhimurium, Campylobacter jejuni, Escherichia coli, S. aureus e B.cereus. Outro fator determinante no tipo de microrganismo que poderá formar biofilme é a flora do ambiente. Por exemplo, em indústria de carnes, pesquisadores encontraram bactérias pertencentes a diversos gêneros, como Bacillus, Staphylococcus, Corynebacterium, Brevibacterium, Aeromonas e Pseudomonas. Em uma cervejaria encontraram bactérias pertencentes aos gêneros Methylobacterium, Paracoccus, Acinetobacter, Enhydrobacter, Luteimonas, Stenotrophomonas, Pseudoxanthomonas, Xanthomonas e Citrobacter, entre outros. Pesquisas identificaram, também, a presença de B. cereus em correias transportadoras, tubos de aço inoxidável e tanques de armazenamento. 4.1.3 Métodos de detecção de biofilmes O método do “swab” ou suabe em superfície também conhecido como técnica de esfregaço em superfície e consiste na aplicação de um suabe umedecido em uma HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43 área ou superfície para posterior contagem dos microrganismos presentes. Pode-se utilizar moldes que determinem uma área (por exemplo 10 cm2). O molde esterilizado é colocado sobre a superfície e a área exposta é esfregada com suabe umedecido. Este é colocado no tubo teste contendo um diluente apropriado e estocado em refrigeração até ser analisado. O resultado será dado em número de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) pela área do molde, neste caso, o resultado é igual a n° UFC/10cm2. Também pode ser realizado para avaliar a higienização das mãos de manipuladores de alimentos, sendo que o resultado será expresso em UFC/ mão. A técnica de bioluminescência do Adenosina Trifosfato (ATP), de acordo com é também conhecida como validação de limpeza de superfícies ou sistema “Lightning”. Através desta técnica é possível saber se a limpeza foi bem feita antes de iniciar a produção. O resultado é instantâneo. O ATP é a fonte de energia de todas as células animais, vegetais, leveduras e fungos. É muito estável se mantendo por longo tempo, mesmo depois da morte da célula (por até 2 horas). Uma superfície completamente limpa, onde não há resíduos de alimentos, não terá níveis detectáveis de ATP. Consiste em um “swab” aplicado a superfície a ser checada, sendo depois introduzido em um tubo com os reagentes necessários e colocado no luminômetro que mede a intensidade da luz. A quantidade de ATP é detectada a partir de células metabolicamente ativas (resíduos orgânicos, inclusive microrganismos). O ATP reage com a enzima luciferase, extraída de vaga-lume, produzindo luz, medida em um luminômetro em Unidades Relativas de Luz (URL). A quantidade de luz produzida é diretamente proporcional à quantidade de ATP no local. Através de software, o luminômetro transforma URL em uma escala logarítimica de base dez, tendo uma escala variando de 0 a 7,5. Valores menores que 2,5 significam ausência de ATP detectável no local (ausência de material orgânico e microrganismos). Um esquema de um luminômetro e os possíveis resultados obtidos podem ser visualizados na Figura 4.5. Como este método detecta todo o ATP presente na superfície, não prediz a quantidade de microrganismo. Para isso, seria necessário remover todo o ATP não microbiano antes de iniciar o teste. Mas, pode ser utilizado para avaliar a limpeza da superfície, e deve-se levar em consideração que os níveis microbianos de ATP são maiores que os do próprio alimento. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44 A contagem em placas pelo método tradicional do “swab” (Figura 4.6) mede somente a contaminação microbiológica viável e o resultado é dado após 48 horas. Em contrapartida a técnica de bioluminência mede resíduos de alimentos, bactérias, leveduras e fungos e os resultados não são afetados por presença de sanitizantes, sendo obtidos em cinco minutos. Figura 4.5- Esquema de um luminômetro Fonte: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/fxPTiYWerLkT9Si_2013-6-25-16-32-0.pdf Figura 4.6- Técnica de Swab Fonte: https://foodsafetybrazil.org/tag/swab/ Portanto como vimos os microrganismos que realizam esse processo de formação de biofilmes com o objetivo de sobrevivência, toda via se faz necessário conhecer as características do produto a ser produzido pela indústria para saber os potenciais riscos biológicos presentes. É muito importante ter implantado um plano de higienização da linha de produção e conhecer os principais pontos que podem acumular resíduos e promover a formação de biofilmes. Com isso, o plano de higienização busca reduzir as possibilidades de contaminação dos alimentos. Além disso, é de fundamental importância a utilização de métodos de validação de superfícies para um controle do processo de higienização do local de produção de alimentos, contribuindo para prevenção da formação de biofilmes nas indústrias alimentícias. https://foodsafetybrazil.org/tag/swab/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45 CAPÍTULO 5 PROCESSOS DE LIMPEZA 5.1 Tipos de Higienização As indústrias de alimentos pela própria natureza de seus processos já acumulam sujidades e geram resíduos durante suas operações. Portanto esse lixo gerado e sujidades presentes nos equipamentos utensílios e ambiente devem ser eliminados a fim de evitar contaminações e formação de biofilmes microbianos. Como já vimos em capítulos anteriores a indústria deve ter o POP (Procedimento Operacional Padrão) de Limpeza e sanitização preconizado pela RDC 275 da ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária). Porém antes de determinar o procedimento de limpeza e sanitização o responsável deve pensar nas seguintes questões: a) Qual o tipo de resíduo a ser eliminado? b) É de fácil ou difícil remoção? c) Qual os tipos de superfícies a serem limpas? d) Quais tipos de detergentes podem ser utilizados? e) Quais tipos de sanitizantes podem ser utilizados? f) Qual o Tipo de limpeza a ser realizada? g) Qual a qualidade da água que será utilizada no processo? O processo de limpeza e higienização proporciona a redução ou eliminação de agentes nocivos à saúde do consumidor, pode ser compreensivo desde uma simples lavagem até um processo mais complexo envolvendo sanitização ou até mesmo a esterilização de equipamentos e utensílios. O processo de higienização tem como objetivo preservar a pureza e a qualidade microbiológica dos alimentos pelo emprego de procedimentos que minimizam ou eliminam contaminações sejam elas físicas, químicas e biológicas (Figura 5.1). HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46 Figura 5.1- Tipos de Contaminação em Alimentos Fonte: https://sanityconsultoria.com/quantidade-de-contaminantes-em-alimentos-e-tema-de-edital-da-anvisa/ ANOTE ISSO Contaminação Física: Acontece quando algum corpo estranho entra em contato com os alimentos, tais como adornos dos manipuladores, material de utensílios etc. Contaminação Química: Ocorre quando existe o contato dos alimentos com produtos químicos, principalmente durante a limpeza do estabelecimento. Contaminação Biológica: É determinada pelo contato direto dos alimentos com microrganismos, tais como coliformes fecais (Escherichia coli), Salmonella sp., Staphylococcus aureus, Listeria (monocytogenes), dentre outros importantes agentes patogênicos causadores de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA). 5.1.1 Características dos resíduos aderidos às superfícies de equipamentos e utensílios Conhecer o resíduo a ser removido é de suma importância, como também é necessário conhecer os tipos de detergentes e a atuação sobre cada tipo de resíduo. Essa base de conhecimento é necessária para garantir uma limpeza eficiente. Veja no quadro abaixo os resíduos junto com a classificação de dificuldade de remoção do mesmo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47 Quadro 5.1 - Tipos de Resíduos Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/15716066/ Da mesma forma que se faz necessárioconhecer o tipo de resíduo a ser eliminado é necessário conhecer a natureza da superfície a ser limpa para garantir eficiência no processo de higienização e garantir a preservação dos utensílios e equipamentos. Quadro 5.2 Características das superfícies nas instalações de uma empresa alimentar. Fonte: https://confrebras.org.br/esterelizacao-e-desinfeccao-aprenda-conceitos-basicos-para-diferencia-las/ 5.1.2 Higienização manual Este método é utilizado em situações em que a higienização não é aplicável ou é necessária uma abrasão adicional, requerendo a desmontagem total para realização da limpeza. Para realização desse método, usam-se detergentes de média ou baixa HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48 alcalinidade e a temperatura de trabalho não deve exceder 45ºC. Os utensílios de limpeza como esponja, escovas, raspadores etc. devem ser adequados e não provocar arranhaduras nas superfícies a serem limpas. A higienização de forma manual (Figura 5.2) demanda muita mão de obra e gasta- se um tempo para realizar essa operação, consequentemente esse procedimento de limpeza apresenta custo elevado e sua eficiência depende muito do colaborador que está realizando o processo. Sem falar que é pouco sofisticado. É importante ressaltar que nesse tipo de processo é utilizado alguns utensílios como: escovas, esponjas e fibras, portanto após a higienização todos os utensílios devem estar devidamente limpos e sanitizados. Figura 5.2 - Limpeza manual na indústria de alimentos Fonte: https://www.vignabrasil.com.br/2020/04/15/importancia-da-adocao-de-boas-praticas-de-fabricacao-e-do-uso-correto-de-produtos-auxiliares-no-combate- a-covid-19-nas-industrias-de-alimentos/ ANOTE ISSO Todas os utensílios utilizados como ajuda no final de limpeza devem ser lavados e sanitizados no final, para evitar proliferação microbiana. 5.1.2 Higienização por imersão Este método de higienização (Figura 5.3) é indicado para lavagem de peças de equipamentos e tubulação, válvulas, confecções, interior de tachos e tanques, entre outros. A imersão pode ser realizada com ou sem agitação. Normalmente é utilizado água quente, detergentes neutros ou de baixa alcalinidade e sanitizantes clorados. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49 Figura 5.3 – Limpeza por imersão Fonte: https://gife.ind.br/site/product/tanque-de-imersao-ti-250/ 5.1.3 Higienização por máquinas de lava jato tipo túnel Nos restaurantes industriais, a principal aplicação desse processo é na higienização de bandejas e talheres. Na indústria de laticínios, na higienização de latões para transporte de leite. Nesse caso, como não há contato dos manipuladores com os agentes químicos, é possível a utilização de produtos detergentes de elevada alcalinidade cáustica, como aqueles formulados à base de hidróxido de sódio, ou ácidos como o nítrico ou o fosfórico. Este método permite o emprego de temperaturas da água mais elevadas em torno de 70 a 80ºC, é necessário olhar a recomendação de uso do agente químico a ser utilizado no processo. Proporciona também a sanitização física utilizando a água aquecida acima de 80ºC, vale salientar que o uso de agentes químicos combinado com altas temperaturas auxilia na remoção de microrganismos. Na figura 5.4 segue um modelo de lavar caixas. Figura 5.4- Máquina de lavar caixas Fonte: http://www.zametal.com.br/produtos/36-lavadora-de-caixas-2-estagios 5.1.4 Higienização por meio de equipamento spray O processo de higienização por spray (Figura 5.4) pode ser efetuado a baixas ou altas pressões. O aparelho é constituído de uma pistola e bicos injetores um reservatório https://gife.ind.br/site/product/tanque-de-imersao-ti-250/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50 para a solução de higienização e uma bomba instalada sobre rodas a fim de permitir o deslocamento destes equipamentos pelas áreas industriais. Por meio dele, são aspergidas água para pré-lavagem e enxague e, ainda, soluções detergentes e sanificantes. É importante, nesse processo, a utilização de agentes químicos que não afetem os manipuladores e que os mesmos recebam o treinamento de como realizar a manipulação do equipamento corretamente evitando danos. Figura 5.4- Higienização por spray Fonte:https://www.cpt.com.br/cursos-pequenasindustriascomomontar/artigos/higienizacao-na-industria-de-alimentos 5.1.4 Higienização por nebulização ou atomização Esse procedimento é mais utilizado para reduzir ou eliminar microrganismos a níveis aceitáveis, ou seja, é utilizado para sanitização de ambientes. O processo implica em utilizar equipamentos que geram por nebulização ou atomização uma névoa de solução sanitizantes. O agente sanitizante deve ser seguro quando entra em contato direto com o manipulador, efetivo a baixas concentrações e regularizado pelos órgãos de saúde (Figura 5.5). Figura 5.5- Higienização por nebulização Fonte: https://foodsafetybrazil.org/wp-content/uploads/2020/03/aerossolizacao.jpg https://foodsafetybrazil.org/wp-content/uploads/2020/03/aerossolizacao.jpg HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51 5.1.4 Higienização por circulação CIP No sistema CIP “Cleaning In Place” (limpeza no lugar) a limpeza e sanitização é realizada por circulação das soluções, por meio de bombas e pelo uso de recursos especiais como “sprays”, que espalha a solução de limpeza ou sanitização por toda área do equipamento. Nesse sistema automático e permanente permite que equipamentos, bombas, tubulações e válvulas sejam higienizados sem desmontagem somente com a circulação das soluções. O sistema CIP é constituído geralmente por uma bomba central, tanques para preparo das soluções e um sistema distribuidor destas soluções, além desses componentes pode englobar um tanque de água para enxague. O processo de limpeza CIP pode ser executado tanto de forma manual como de forma automática. Nos processos executados de forma manual, é o operador do processo quem executa as manobras necessárias nas válvulas e equipamentos, bem como o controle dos parâmetros do processo, a saber: tempos, temperaturas e concentrações. Esse processo de higienização apresenta um custo inicial mais elevado, porém torna- se, com o tempo, mais econômico devido às vantagens que oferece: • Menor custo com mão de obra; • Funcionamento mais econômico com aproveitamento ótimo das soluções utilizadas; • Melhores níveis alcançados na higienização, desde que todas as etapas sejam cumpridas corretamente; • Maior rapidez e aumento da produtividade por não haver necessidade de desmonte de equipamentos; • Menor desgaste mecânico de tubulações e equipamentos pela não necessidade de desmontagem; • Redução do custo com produtos de higienização, pois os mesmos podem ser reutilizados; • Redução de erros humanos associados à limpeza manual, pois todas as etapas são controladas automaticamente. 5.1.5 Higienização por circulação COP Método chamado de limpeza COP- “Cleaning Out of Place” (limpeza fora do lugar). Esse processo é caracterizado pela desmontagem parcial do equipamento, com HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52 ou sem remoção das partes desmontadas para outra área. O sistema COP é uma unidade composta por dois tanques de aço inoxidável interligados por uma bomba de recirculação, que promove o contato das soluções de higienização com as partes desmontadas. Um dos tanques armazenam as peças a serem higienizadas e o outro armazena a solução que irá circular. Tempo gasto nesse processo é de 30 a 40 minutos a temperatura utilizada, em geral a temperatura utilizada varia de 45 a 55ºC. 5.1.6 Higienização por circulação de espuma Nesse tipo de limpeza adiciona-se o detergente no gerador de espuma e realiza a aplicação do mesmo sobre a superfície a ser limpa, pode ser pisos paredes ou equipamentos com grandes áreas de contato, esperaa ação do detergente conforme a recomendação do fabricante e posteriormente realiza-se o enxague e observa se a sujeira foi removida de forma eficiente. Figura 5.6- Higienização por espuma Fonte: https://i0.wp.com/neoclean.com.br/wp-content/uploads/2021/01/a-espuma-x-eficiencia-da-limpeza-por-espuma-min.jpg ANOTE ISSO ATENÇÃO! Como vimos existem vários processos de limpeza, portanto se faz necessário conhecer o tipo de resíduo a ser removido, o tipo de superfície a ser limpa para determinar o melhor procedimento de higienização a ser aplicado para obter uma melhor eficiência no processo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53 CAPÍTULO 6 PROCESSOS DE SANITIZAÇÃO 6.1 Sanitização A sanitização tem como objetivo eliminar ou reduzir os microrganismos a níveis aceitáveis presentes em ambientes, equipamentos e utensílios que não foram removidos anteriormente no processo de limpeza. A limpeza tem como objetivo remover os resíduos orgânicos, impregnações de substâncias estranhas, reduzindo assim a contaminação inicial. ANOTE ISSO Quanto mais eficiente e completa for a limpeza, maior será a eficiência da sanitização. O processo de sanitização não pode ser realizado sem processo de limpeza. Recomenda-se que a limpeza dos equipamentos seja realizada imediatamente após o uso em determinado trabalho. Já a sanitização por sua vez, deve ser realizada dentro das possibilidades, antes do uso do equipamento. É importante ressaltar que as soluções sanitizantes devem ser preparadas conforme a necessidade, respeitando a concentração de diluição, tempo de exposição, vale ressaltar que não se deve deixar utensílios de limpeza de molho por muito tempo nas soluções sanitizantes. Os tipos de sanitização incluem: • Sanitização Térmica: Que envolve o uso de ar, água ou vapor em uma temperatura de e tempo especificado; • Sanitização Química: Que envolve a uma concentração e tempo específico e utiliza o sanificante químico; • Sanitização por radiação: Que envolve a aplicação de luz ultravioleta. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54 6.1.1 Método de sanitização pelo calor Esse método é eficiente na eliminação de micro-organismos. Esse processo de sanitização possui o custo relativamente alto, porém possui alguns benefícios como não ser corrosivo às superfícies em que está sendo aplicado, entretanto esse método não pode ser utilizado em qualquer superfície devido a fragilidade dos materiais ao calor, como por exemplo em superfícies de plástico. Para destruição de agentes microbianos é mais rápido quando se utiliza temperatura da água acima de 80ºC por 5 minutos, o emprego de calor (Figura 6.1) por via úmida é muito utilizado nas indústrias de carnes e laticínios para sanitização de superfícies que podem ter gordura. Esse procedimento atua de forma mais rigorosa na estrutura morfológica das células bacterianas. Já o emprego do calor seco é menos eficiente que o calor úmido na redução de microrganismos em equipamentos. Porém o emprego do calor seco em ambientes fechados é eficiente, aplicando uma temperatura em torno de 90ºC por 20 minutos. Figura 6.1- Sanitização por emprego do calor Fonte:https://pronatec.ifpr.edu.br/wpcontent/uploads/2013/06/Higiene_na_Industria_de_Alimentos • Vantagens • Capaz de atingir toda a superfície por completo, incluindo pequenos orifícios e ranhuras; • Não é corrosivo; • Ampla ação sob os microrganismos, não sendo seletivo para determinado grupos; • Não deixa resíduos indesejáveis. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55 • Desvantagens • Apresenta custo elevado em função do consumo de energia; • Pode provocar aderência de resíduos e microrganismos às superfícies; • Pode provocar dilatação das partes metálicas, causando o bloqueio dos componentes de algumas válvulas; • Não é indicado para tratamento de sessões muito longas, pois, apesar do calor se propagar por condução, pode ocorrer a condensação, levando a diminuição da temperatura e comprometimento do processo. 6.1.2 Sanitização por radiação O processo de sanitização por radiação (Figura 6.2) é um método com alto custo, esse método requer mais técnica, pois trata-se de um procedimento com ações mais específicas. Essa técnica é utilizada em processos de desinfecção em equipamentos que apresentam alto risco de contaminação, comumente utilizado na área da saúde. Essa técnica não inativa as células microbianas destruindo-as fisicamente, esse é o grande diferencial desse método. Seu mecanismo de ação consiste na absorção de Luz UV pelos micro-organismos, provocando desse modo uma reação fotoquímica que altera a estrutura molecular do micro-organismo, inviabilizando a reprodução e atividade celular. A ação da Luz UV atua no núcleo da célula do micro-organismo. Figura 6.2- Sanitização por emprego de radiação Fonte:https://pronatec.ifpr.edu.br/wpcontent/uploads/2013/06/Higiene_na_Industria_de_Alimentos.pdf Esse tipo de desinfecção é caracterizado como um desinfetante físico, pois não deixa residual, o que torna um processo ideal por não deixar residual químico. Esse método pode ser aplicado em alguns ambientes, embalagens, efluentes, dutos de água, alimentos e bebidas, torres de resfriamentos etc. Com isso a desinfecção por luz UV HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56 apresenta alta custo, sua atuação ocorre somente na parte em que tem contato com a luz, eventualmente necessita realizar a troca da lâmpada. Por outro lado, pode-se afirmar que o uso da radiação no processo de desinfecção é eficiente na eliminação de microrganismos (Figura 6.3) pois não deixa residual químico e não impregna no material com sabores indesejáveis. Figura 6.3- Ação do UV na célula bacteriana Fonte:https://pronatec.ifpr.edu.br/wpcontent/uploads/2013/06/Higiene_na_Industria_de_Alimentos.pdf • Vantagens • Não gera sabores indesejáveis; • Desvantagens • Alto custo devido ao consumo de energia; • Não proporciona efeito sanitizante residual; • Sua eficiência decresce com o tempo de uso; • Requerem controle e frequência de troca, • Atua apenas a nível superficial 6.1.3 Sanitização química É o método mais comum utilizado nas indústrias, consiste no emprego de substâncias químicas diluídas em uma concentração com a eficácia comprovada e que permanece em contato com o equipamento, utensílio ou ambiente a ser sanitizado por um tempo determinado (Figura 6.4) Figura 6.4- Produtos sanitizantes e vidrarias utilizadas na diluição Fonte:https://pronatec.ifpr.edu.br/wpcontent/uploads/2013/06/Higiene_na_Industria_de_Alimentos.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57 Para essa finalidade existe uma grande disponibilidade de produtos químicos desenvolvidos e com preço acessível no mercado, e com eficiência comprovada na eliminação dos micro-organismos, é importante ressaltar que esses produtos disponíveis no mercado para o processo de sanitização são todos regulamentados pelos órgãos sanitários. Esse método é mais prático quando comparado com a desinfecção por calor e por radiação, portanto tais produtos químicos tornam esse processo mais prático em que algumas substâncias são mais eficazes em sua ação dependendo do tipo de sujidades, superfície e tempo de contato. Vale comentar que nesse processo é necessário realizar o processo de diluição, com isso é necessário que esse procedimento seja realizado por profissional treinado, para garantir a concentração exata da diluição, e não comprometer a eficiência da sanitização. Deseja-se em um sanitizante as seguintes características: • Possuir amplo espectro de ação sobre os microrganismos; • Ser biocida e não apenas biostático; • Não produzir superfícies que estejam sob sanitização; • Não apresentar efeito residual; • Ser atóxico e não poluente ao meio ambiente; • Possuir ação rápida; • Deve ser de baixo custo; • Nãoliberar odores; • Proporcionar fácil enxágue por água normal de processo, mesmo à temperatura ambiente; • Ser eficaz nas faixas de temperatura; • Ser eficaz mesmo com a presença de resíduos de matéria orgânica; • Deve possuir uma sistemática de análise química simples e acessível a todos os possíveis usuários, independentemente da capacidade de seus laboratórios; • Deve possuir fácil e eficiente controle de instrumentação; • Ser de fácil instalação para manipuladores; • Ser estável com as mais diversas condições de estocagem. Vantagens • Melhor custo benefício; • Ampla variedade de produtos no mercado; • Eficiência comprovada pelos órgãos regulamentadores; • Alguns Sanitizantes apresentam amplo espectro de ação (células vegetativas, fungos, esporos e vírus, exemplo: Ácido Peracético); • Maior rendimento, pelo fato dos produtos serem concentrados; HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58 • Possuem alta capacidade esterilizante sobre microrganismos da flora normal e patogênica. Desvantagens • Deixa compostos residuais, que pode alterar sabor e odor de alimentos • Alguns são corrosivos; • Micro-organismos podem ficar resistentes a determinado sanitizante químico. • Alguns são instáveis após o preparo e armazenamento; • Toxicidade. ANOTE ISSO Os esporos bacterianos ou endósporos atuam como estruturas de sobrevivência quando a bactéria se encontra em condições ambientais desfavoráveis. Eles são produzidos pela própria bactéria e encontram-se livremente em seu interior. 6.1.4 Cuidados no processo de sanitização No processo de sanitização, alguns são os cuidados que devemos ter durante a realização do processo de sanitização, como para eficiência da ação do sanitizante, temos como pré-requisito a eficiência do processo de limpeza, ou seja, caso a limpeza seja realizada de modo inadequado isso compromete a ação e eficiência do processo de sanitização (Figura 6.5). Figura 6.5- Cuidados na sanitização Fonte:https://pronatec.ifpr.edu.br/wpcontent/uploads/2013/06/Higiene_na_Industria_de_Alimentos.pdf Existem alguns fatores que podem afetar a eficiência dos sanitizantes em caráter: • Físico: características da superfície, tempo de exposição, temperatura, concentração e tipo de resíduos; • Químico: pH, propriedades da água e inativadores; • Biológicos: A carga microbiana pode afetar a eficiência do sanitizante. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59 O tipo de micro-organismo é importante. Os esporos são mais resistentes que as células vegetativas. Certos sanitizantes são mais efetivos em um determinado grupo de bactérias que em outras. Os sanitizantes também variam em sua eficiência com relação a leveduras, fungos filamentosos e vírus. No quadro abaixo (Quadro 1) podemos verificar os sanitizantes mais utilizados na indústria juntamente com algumas recomendações de uso e concentrações utilizadas. Quadro 6.1- Recomendações de uso de sanitizantes HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60 Portanto, como pode ser observado há vários métodos de sanitização e de sanitizantes. Na indústria de alimentos são utilizados diversos tipos de sanitizantes com o objetivo de tornar a superfície que entrará em contato com o alimento limpo, evitando-se assim problemas com contaminações microbianas. No quadro abaixo (Quadro 6.2) se encontram os principais sanitizantes utilizados na indústria de alimentos com suas respectivas concentrações para cada tipo de atividade a ser realizada. Quadro 6.2- Sanitizantes de uso e suas concentrações. Conceitos de higienização e a correta escolha dos sanitizantes nas etapas do processo são informações fundamentais para uma implantação adequada de programas que garantam a qualidade microbiológica no processo produtivo. Para se obter um processo de desinfecção eficiente, é necessário que a superfície em questão, seja primeiramente submetida a um processo de limpeza. Este é o estágio mais importante, simples e menos dispendioso de um protocolo de desinfecção. Sua importância é devido à remoção da sujidade, que é uma barreira à ação dos desinfetantes e pode reduzir a eficiência dos mesmos. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61 CAPÍTULO 7 PRINCIPAIS DETERGENTES 7.1 Detergentes A limpeza e a sanitização na indústria alimentícia são de fundamental importância no controle sanitário dos alimentos e visa, sobretudo, a segurança e a qualidade dos mesmos, a fim de evitar perdas econômicas (devido à deterioração e contaminação dos produtos por microrganismos, especialmente pelos de ação patogênica) e problemas relacionados à saúde pública. As principais funções dos sanitizantes e detergentes são: a destruição de microrganismos; não necessariamente de esporos bacterianos, nem de todas as formas vegetativas; a higienização, que promove a redução a níveis microbianos não nocivos à saúde ou deteriorantes; tratamento de objetos e materiais inanimados; além da higiene pessoal: pele, membranas e cavidades corpóreas. A sanitização é um procedimento que envolve diferentes processos, visando obter o grau de higiene e limpeza adequadas em todos os componentes do ambiente de trabalho, reduzindo, assim, os microrganismos presentes a um número compatível ao produto. A limpeza e a sanitização estão baseadas numa sequência de quatro operações: Pré- lavagem; limpeza com detergentes; nova lavagem e sanitização. A limpeza e a sanitização devem ser consideradas como operações complementares, ou seja, somente com uma limpeza adequada das superfícies é possível obter-se uma sanitização eficiente e econômica. Portanto para ter uma limpeza eficiente os detergentes são de fundamental importância e é necessário que os mesmos obedeçam a uma série de características para uma ação efetiva, portanto os detergentes devem ter boa capacidade de dissolução, promover uma capacidade umectante, capacidade de dispersão, capacidade de enxague, capacidade sequestrante, poder tamponante, poder bactericida, capacidade quelante, de inibir corrosão e capacidade emulsificante. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62 ANOTE ISSO Os detergentes são substâncias orgânicas formadas de maneira sintética (em laboratório) e possuem como principal característica a capacidade de promover limpeza por meio de sua ação emulsificante, isto é, a capacidade de promover a dissolução de uma substância. Não existe nenhuma substância química que apresente todas as funções necessárias para higienização de uma limpeza inadequada. Dentre as substâncias utilizadas para a limpeza de utensílios e equipamentos encontram-se os alcalinos, os fosfatos, os ácidos e os tensoativos. 7.1.1 Detergência O fenômeno de remoção de impurezas sobre superfícies sólidas por meios químicos é denominado de detergência. A detergência é um processo que consiste na remoção de sujidades das superfícies, passando-as para um meio, em geral líquido, que se designa por banho de lavagem, no qual tais sujidades ficam em suspensão, dissolvidas ou emulsionadas. As substâncias, como os tensoativos, que conseguem promover este processo, apresentam poder detergente e designam-se por detergentes (Figura 7.1). É fácil relacionar as características moleculares dos tensoativos com o processo complexo que constitui a detergência. A molhagem da superfície a limpar é um processo cuja necessidade resulta da água não ser frequentemente um agente de molhagem eficiente. Este efeito deve-se, principalmente, ao fato da tensão interfacial da água em relação ao substrato pode ser elevada, o que vai dificultar a molhagem. A existência de sujidade hidrofóbica, como é o caso das gorduras, à superfície do substrato, vai dificultar ainda mais a molhagem. Os reforçadores aumentam o poder detergente e, entre eles, os fosfatos complexos, como o tripolifosfato de sódio, têm sido usadoscom maior amplitude. Em países com água dura (alta concentração de sais dissolvidos), a adição de tripolifosfatos garante o bom desempenho dos tensoativos aniônicos. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63 Figura 7.1- Ação do detergente Fonte:http://anaazevedo7.blogspot.com/2017/01/acao-do-sabao-sobre-as-sujeiras.html 7.1.2 Principais agentes alcalinos São soluções de limpeza que possuem pH entre 7 e 14, ou seja, possui característica de pH neutra a alcalino, com isso, temos detergentes com vários graus de alcalinidade. Os detergentes altamente alcalinos possuem ação eficiente na remoção de impurezas incrustadas ou queimadas, usados em altas concentrações é extremamente corrosivo para alguns materiais (Figura 7.2). Esses agentes em contato com a pele podem provocar graves queimaduras, por esse motivo ao manusear o produto se faz necessário o uso de Equipamentos de Proteção Individual. Exemplo: Hidróxido de sódio (Soda Cáustica) e Silicatos. Figura 7.2- Ação do detergente alcalino Fonte:https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5274276/mod_resource/content/2/4%20-%20detergentes.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64 Os agentes moderadamente alcalinos são mais eficientes na remoção das gorduras, mas não na remoção de resíduos minerais, esses compostos apresentam poder de dissolução moderado e podem ser ligeiramente corrosivos ou nada corrosivos. Temos como o exemplo o carbonato de sódio (utilizado para limpeza manual e em sistemas de produção a vapor). Já os compostos alcalinos suaves são empregados em higienização manual de áreas que apresentam baixo grau de sujidade. Como exemplo, temos as soluções de bicarbonato de sódio. Os detergentes alcalinos (Quadro 7.1) removem sujidades ácidas (fornecem íons OH-) e normalmente são utilizados para remoção de gorduras e proteínas (material orgânico). Quadro 7.1 Detergentes alcalinos e suas características Fonte:https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5274276/mod_resource/content/2/4%20%20DETERGENTES.pdf 7.1.3 Principais detergentes ácidos Os agentes de limpeza ácido removem os materiais que estão secos ou incrustados nas superfícies e dissolvem os minerais. São produtos extremamente eficazes na remoção de minerais formados pelos agentes de limpeza alcalina. Quando a água é aquecida a temperaturas superiores a 80ºC, alguns dos minerais depositam- se e aderem à superfície metálica. Os detergentes ácidos dissolvem essas substâncias facilmente. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65 Os agentes ácidos são produtos compostos por ácidos orgânicos ou inorgânicos que podem ser usados individualmente ou em combinações. Em termos de ação química os ácidos orgânicos e inorgânicos reagem com os insolúveis na água para os torná-los solúveis facilitando a remoção. Os ácidos usados isoladamente nas concentrações normais não têm efeito considerável sobre os resíduos orgânicos. Observa-se que os ácidos preenchem uma lacuna no programa de higienização, devido que os alcalinos não conseguem remover resíduos minerais. O uso de ácidos fortes na limpeza apresenta algumas desvantagens, como o seu elevado poder corrosivo e riscos que oferecem ao operador. Sabe-se que a eficiência dos ácidos como detergentes e seu poder corrosivo ocorrem de maneira paralela, já que ambos os efeitos ocorrem devido a concentração dos íons de hidrogênios. Dentre os ácidos fortes, incluem-se os ácidos clorídrico, sulfúrico, nítrico e fosfórico. Com relação aos orgânicos podem ser usados os ácidos láticos, glucônico, cítrico, tartárico, hidroxiacético, dentre outros. Deve-se ressaltar que os ácidos orgânicos são produtos caros. 7.1.4 Ácido Fosfórico Acidez moderada; usado para remover escamas de carbonato, escamas alcalinas, pedras de leite e de cervejaria. Sobre superfícies de aço formam revestimentos de fosfato que apresentam ação protetora. 7.1.5 Ácido Clorídrico Ácido forte usado para remover ferrugem e escamas de carbonato e alcalinas. Apresenta melhor ação corrosiva dentre os ácidos inorgânicos. 7.1.6 Ácido sulfúrico Ácido forte usado para remover ferrugem e escamas de carbonato e alcalinas. Por ser muito perigoso não é um ácido amplamente utilizado em formulações. 7.1.7 Ácido sulfâmico Utilizado como substituto ao ácido sulfúrico por ser mais seguro, mas apresenta as mesmas características do mesmo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66 7.1.8 Ácido nítrico Ácido oxidante forte usado para remover escamas de carbonato e alcalinas e proteger o aço inoxidável através da passivação. É importante ressaltar que os ácidos são extremamente corrosivos para metais, particularmente para ferro galvanizado e o aço inoxidável. Por isso os ácidos fortes são usados somente em condições especiais, eventualmente na tentativa de recuperação de superfícies muito incrustadas. Sendo assim os detergentes ácidos devem ter em sua formulação um inibidor a corrosão (Quadro 7.2). Para ácidos inorgânicos são utilizados nas formulações metil, etil, propil, ou butilaminas a uma concentração de 1%. Não se conhece, no entanto, nenhum inibidor para ácido sulfúrico. Já o poder corrosivo dos ácidos orgânicos pode ser controlado utilizando compostos nitrogenados e alguns agentes tensoativos. À medida que o resíduo é removido, o inibidor cobre a superfície dando, pelo menos, uma proteção contra o ataque do ácido, é importante ressaltar que os inibidores não são completamente efetivos, mas minimizam o processo de corrosão. Quadro 7.2- Detergentes ácidos e suas características Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5274276/mod_resource/content/2/4%20-%20DETERGENTES.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67 7.1.9 Detergentes Tensoativos Os agentes tensoativos são conhecidos também como detergentes que possuem a função de emulsificação, molhagem, penetração, suspensão, diminuição da tensão superficial da água. A característica principal desse agente é reduzir a tensão superficial em interfaces, líquido-líquido, líquido-gás e sólido-líquido. Geralmente essas substâncias apresentam uma hidrofílica que, portanto, tem afinidade pela água, e a outra parte hidrofóbica que é insolúvel em água. É essa característica que os detergentes possuem em suas moléculas apresentação de partes polares e apolares por esse fato é possível reduzir a tensão superficial da água, assim os agentes emulsificantes permitem a dispersão de dois líquidos não miscíveis, agentes molhantes permite melhor penetração de líquidos em resíduos sólidos. Os detergentes e alguns compostos orgânicos melhoram o poder de penetração das soluções aquosas através de fissuras, ranhuras e poros capilares das películas de gordura depositadas nos equipamentos e interpõem-se entre as superfícies sólidas e os resíduos. Tais substâncias aderem às superfícies das películas dos resíduos sólidos ou líquidos imiscíveis em água, favorecendo dessa maneira, a formação de emulsão e dispersão das partículas. Em termos gerais os agentes tensoativos são: • Solúveis em água fria; • Ativos em concentrações muito pequenas, podendo em níveis de 0,1% reduzir 50% da tensão superficial da água; • Indiferentes a dureza da água; • Não formam precipitados; • São indiferentes ao pH; • Em alguns casos são bactericidas; • Não são corrosivos às superfícies. Os detergentes tensoativos podem ser classificados como aniônicos ou catiônicos, sua classificação vai depender da sua composição. Os aniônicos possuem a parte hidrofílica da molécula carregada negativamente (ânion). É a categoria mais importante de tensoativos, sendo o alquilbenzeno de sódio e o dodecilbenzeno de sódio e o dodecilbenzeno sulfonado de sódio os normalmente empregados nos detergentes. No caso dos catiônicos a parte hidrofílica da molécula é carregada positivamente (cátion), nesse caso emprega-se o usode sais quaternário de amônio. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68 7.1.10 Tensoativos anfóteros Os tensoativos anfóteros são caracterizados por apresentarem, na mesma molécula, grupamentos positivo e negativo, ou seja, são compostos cujas estruturas moleculares apresentam grupamento ácido e básico (ânion e cátion). Possuem não só boas propriedades de tensão superficial e concentração de partículas, mas também de umectância e penetração. Esse tipo de detergente não é comercialmente importante. 7.1.11 Seleção apropriada do detergente para a tarefa específica • Remoção completa da solução de detergente aplicada às superfícies; • Prevenção de eventuais reposições dos resíduos nas superfícies; • Proteção adequada à superfície tratada; • Equipamentos construídos com especificações sanitárias; • Controle da solução de limpeza. Efetuando a troca ou adição do princípio ativo quando houver consumo ou neutralização. 7.1.12 Detergentes recomendados para diferentes tipos de resíduos e alimentos Quadro 7.3 Detergentes recomendados para determinados tipos de alimentos Fonte:https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5274276/mod_resource/content/2/4%20-%20DETERGENTES.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69 7.1.13 Mecanismo do processo de limpeza com uso de detergentes • PRIMEIRA ETAPA: Contato direto e íntimo do detergente com o resíduo a ser removido (ação molhante e poder penetrante); • SEGUNDA ETAPA: Deslocamento dos resíduos sólidos ou líquidos aderidos às superfícies (ação saponificante, emulsionante, peptizante, dissolvente etc.); • TERCEIRA ETAPA: Deve-se assegurar que haja a total e completa dispersão dos resíduos removidos na solução de detergente (ação de suspensão e de dispersão); • ETAPA FINAL: Deve ser evitada a redeposição dos resíduos dispersos na superfície limpa (ação de lavagem). Portanto, neste capítulo vimos que existem vários tipos de detergentes e que a sua classificação varia conforme a sua composição que estará relacionado diretamente com a sua eficiência no processo de limpeza. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70 CAPÍTULO 8 PRINCIPAIS SANITIZANTES A limpeza e a sanitização na indústria alimentícia são de fundamental importância no controle sanitário dos alimentos e visa, sobretudo, a segurança e a qualidade dos mesmos, a fim de evitar perdas econômicas (devido à deterioração e contaminação dos produtos por microrganismos, especialmente pelos de ação patogênica) e problemas relacionados à saúde pública. Para que os programas de higiene, limpeza e sanitização tenham fortes impactos nas fábricas de processamento de alimentos é necessária que se estude a sua viabilidade, desde a escolha do local da indústria, do projeto de sua construção e instalação, seus equipamentos, a seleção de seus empregados, etc., ou seja, observar todos os momentos da realização dos processos. É importante ressaltar que quanto mais eficiente e completa for a limpeza, maior será a eficiência da sanitização. O processo de sanitização tem como principal objetivo eliminar ou reduzir os microrganismos a níveis aceitáveis, os agentes químicos empregados em soluções sanitizantes possuem alta capacidade esterilizante sobre microrganismos da flora normal e patogênica, portanto é imprescindível a realização desse processo após a limpeza. Os principais agentes formados são constituídos por compostos iodo, cloro, quaternários de amônio, ácido peracético, Clorhexidina entre outros. As características que se deseja para os agentes sanitizantes são: • Possui amplo espectro de ação sobre os microrganismos; • Ser biocida e não apenas biostático; • Não produzir superfícies que estejam sob sanitização; • Não apresentará efeito residual; • Ser compatível com os traços de produtos de limpeza; • Ser atóxico e não poluente ao meio ambiente; • Possuir ação rápida; • Deve ser de baixo custo; • Não liberar odores; HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71 • Proporcionar fácil enxágüe por água normal de processo, mesmo à temperatura ambiente; • Ser eficaz nas faixas de temperatura; • Ser eficaz mesmo com a presença de resíduos de matéria orgânica; • Deve possuir uma sistemática de análise química simples e acessível a todos os possíveis usuários, independentemente da capacidade de seus laboratórios; • Deve possuir fácil e eficiente controle de instrumentação; • Ser de fácil instalação para manipuladores; • Ser estável como mais diversas condições de estocagem. Não existe um sanitizante com todas essas características, entretanto é importante avaliar as propriedades, vantagens e desvantagens dos sanitizantes disponível para cada aplicação específica. 8.1 Características químicas e físicas da água As características da água a ser tratada irão influenciar diretamente no processo de desinfecção, pois quando o agente desinfetante é oxidante, a presença de material orgânico e de outros compostos oxidáveis consumirá parte do agente desinfetante necessário para destruir os microrganismos, diminuindo a concentração inicial do produto. Certos tipos de desinfetantes sofrem hidrólise quando colocados em contato com a água e se dissociam, formando compostos com ação germicida diferente daquela correspondente à substância inicial. 8.1.2 COMPOSTOS CLORADOS O cloro é um dos desinfetantes mais difundidos atualmente, possuindo ações detergente e bactericida. Devido a esse fato, o uso do cloro tornou se obrigatório em todos os tratamentos de água para o consumo humano, sendo o mais importante desinfetante de uso doméstico. Compostos clorados são substâncias que contêm um átomo de cloro em sua composição, podendo ser de origem inorgânica ou orgânica. São substâncias amplamente utilizadas como agente sanitizante na higienização e desinfecção de HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72 alimentos, pisos, utensílios em áreas industriais e residenciais, no controle de patógenos veiculados pela água e alimentos. A utilização pode ser feita em sua forma orgânica ou em sua forma de cloro inorgânico. O Cloro tem atividade germicida devido aos radicais oxidáveis. Como compostos clorados inorgânicos temos o gás cloro, hipoclorito de sódio e o hipoclorito de cálcio, já os compostos clorados orgânicos são: o dicloro isocianurato de sódio e o ácido tricloroisocianúrico, que são comercializados na forma de pó e possuem maior estabilidade ao armazenamento do que os compostos clorados de origem inorgânica. São estáveis em solução aquosa, o que implica em uma liberação mais lenta do ácido hipocloroso e, consequentemente, permanecem efetivos por períodos maiores, mesmo na presença da matéria orgânica. O resultado é longo, porém, o orgânico, apesar de gerar grande ação de cloro ativo, tem seu tempo lento para sua exposição. É importante destacar que o contato da luz decompõe os produtos clorados e a temperatura elevada provoca sua volatilização. A ação germicida do cloro e seus resultados geram-se através do ácido hipocloroso cuja tendência à dissociação H, a formação de íon H+ e íon hipoclorito. Os mecanismos de ação dos compostos clorados sobre os microrganismos são descritos da seguinte maneira: • Destruição da síntese proteica; • Descarboxilação oxidativa de aminoácidos a nitrilas e aldeídos; • Reação com votos nucléicos, purinas e pirimidinas; • Desequilíbrio após coleta de vitaminas; • Indução de dificuldade não idêntica à capacidade de autoduplicação; • Inibição da absorção de oxigênio e fosforilação oxidativa conjugada à quebra de macromoléculas; • Formação de resultados nitroclorados de citosina. 8.1.2.1 Vantagens dos compostos clorados • Tem largo espectro bacteriano; • Efetivo contra esporos, fungos, bacteriófagos e determinados tipos de vírus; • De grande aplicação no tratamento de água; • Sua ação não é anulada pelo ataque da água dura;• Relativamente barato; HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73 • Age rapidamente; • De fácil preparo e aplicação; • Concentrações facilmente determinadas; • Os equipamentos não são lavados após a lavagem. 8.1.2.2 Desvantagens dos compostos clorados • É corrosivo (borrachas de ataca removendo seu carbono); • Tem pouca ação sobre pH elevado (maior de 5); só atua em pH menor que 5; • É de pouca presença em presença de matéria orgânica; • Pode produzir da pele dos operadores; • Podem provocar danos; • Precipitam em água contendo ferro; ação sanitizante com presença de cobre, e cromo na; • Instabilidades ao Armazenamento; • Em compatível com qualquer tipo de tensoativo; 8.1.3 Compostos iodados Os compostos de iodo, são altamente germicidas, e não exerce ação corrosiva sobre a borracha. Devido à sua baixa solubilidade em água, é comum fazer-se a mistura do iodo com um agente tensoativo não iônico, o qual funciona como carreador e solvente deste elemento e as condições ácidas melhoram a atividade bactericida do iodo. Esses formatos são também chamados de iodóforos. Os iodados, além da água, mantêm a capacidade e não apresentam iodo como soluções para germicidas que são iodados em odores e não irritantes à pele. A solução de iodo não pode ser utilizada em temperaturas superiores a 50° C, pois, pela sua volatilidade fácil, perde sua capacidade germicida. A ação bactericida dos compostos iodados deve-se principalmente pela liberação do I2 pelas soluções aquosas desses compostos. Em relação às células vegetativas, que o I2 penetra na parede celular, ocasionando a destruição da estrutura proteica. As soluções de iodo são empregadas na indústria de alimentos principalmente na antissepsia da pele (uso por manipuladores), mas também são usadas no ambiente, sob a forma de nebulização. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74 ANOTE ISSO O iodo é capaz de corar a matéria orgânica. Assim, a presença de manchas amareladas à superfície do equipamento demonstra falhas no processo de limpeza 8.1.3.1 Vantagens da utilização de iodos • O iodo livre tem impressão marrom, indicativa de seu poder germicida; • Não corrosivo e não irritante à pele; • Têm atividade contra inúmeras bactérias não esporogênicas e alguns tipos de vírus; • Não é afetado por águas duras; • Menos sensível que o cloro em presença de matéria orgânica; • Não transmite gosto ou odor inconveniente; • De baixa toxicidade; • Boa estabilidade durante seu armazenamento; • Possui ação de molhagem; • Elimina células de leveduras mais rápidas que os compostos clorados; • Previne formação de incrustações minerais por ser de natureza ácida; • Sua concentração é facilmente determinada; • Compatível com qualquer tipo de tensoativo. 8.1.3.2 Desvantagens do uso de Iodo • Perde sua ação germicida em altas temperaturas; • Libera vapor de iodo a temperatura acima de 43°C; • Perde ação com pH elevado; • Tem pouca ação contra fungos e bacteriófagos; • Pouca ação, também, sobre esporos bacterianos; • Pode causar manchas em plásticos, borrachas e tecidos; • Pode favorecer a corrosão em alumínio, cobre e ferro. 8.1.4 COMPOSTOS QUATERNÁRIOS DE AMÔNIO (CQA). Os compostos amônio são encontrados nos mercados na forma de pó e de massa, apesar do modo de sua aplicação ser em solução. A preferência sobre os compostos de HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75 amônio é recente. Os compostos de quaternário de amônio possuía ação germicida, tais como a associação citoplasmática, a lesão da membrana da atividade citoplasmática com o contágio celular. Eles têm uma melhor eficiência sobre as bactérias Gram + (Staplylococcus spp e Streptococcus spp) do que sobre as Gram – (coliformes e psicrotróficos). ESCLARECENDO As bactérias Gram-negativas são classificadas pela cor que adquirem depois de submetidas a um processo químico denominado coloração de Gram. As bactérias Gram-negativas adquirem coloração vermelha quando se usa esse processo. As outras bactérias adquirem coloração azul. Elas são chamadas bactérias Gram-positivas. As bactérias Gram-negativas e Gram-positivas têm a coloração diferente porque suas paredes celulares são diferentes. Elas também causam tipos diferentes de infecções e tipos diferentes de antibióticos são eficazes contra elas. As bactérias Gram-negativas estão envoltas por uma cápsula protetora. Essa cápsula ajuda a evitar que os glóbulos brancos do sangue (que lutam contra infecções) ingiram as bactérias. Sob a cápsula, as bactérias Gram-negativas têm uma membrana externa que as protege contra certos antibióticos, como a penicilina. Quando perturbada, essa membrana libera substâncias tóxicas chamadas de endotoxinas. As endotoxinas contribuem para a gravidade dos sintomas durante infecções com bactéria Gram-negativas. 8.1.4.1 Modo de uso e ação do quaternário de amônio Modo de ação: Age na membrana citoplasmática, alterando a permeabilidade da célula. Concentração de uso: Superior a 300 mg/L pH efetivo: 7,0 a 10,5 Tempo de contato: 10 a 15 minutos Temperatura de aplicação: Ambiente Portanto, deve-se tomar cuidado quanto ao seu uso devido a sua ação corrosiva. Ataca o ferro, cobre, prata, zinco, alumínio, alumínio, cromo, entre outros. Sua aplicação deve-se utilizar roupas protetoras, luvas de PVC, máscaras protetoras de filtros contra gases tóxicos e proteção ocular. https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%B5es-bacterianas-bact%C3%A9rias-gram-positivas/considera%C3%A7%C3%B5es-gerais-sobre-bact%C3%A9rias-gram-positivas HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76 8.1.4.2 Vantagens do uso de compostos quaternário de amônio • Excelentes bactericidas; • Não causa irritabilidade na pele; • São inodoros; • Não são corrosivos; • São incolores; • Estáveis ao armazenamento (vida de prateleira longa); • Não tóxicos; • São mencionados com tensoativos não iônicos; • Solúveis em água e boa penetração mesmo em superfícies porosas; • Não requer enxágue em superfícies que não entram em contato com o alimento; • Estabilidades a mudanças de temperatura; • Mais amplitude em faixa larga de pH, sendo mais ativos em pH elevado; 8.1.4.3 Desvantagens do uso de compostos quaternário de amônio • Poucos efeitos contra coliformes, psicrotróficos, bacteriófagos, esporos bacterianos e vírus; • São instáveis em presença de água dura e em presença de matéria orgânica; • Compostos caros; • Problemas com formação de espumas e sabores estranhos em laticínios; • São poucos ativos contra bacteriófagos; • Apresentam incompatibilidade a detergentes aniônicos, óleos e polifosfatos inorgânicos; • Sua atividade é prejudicada pelos íons de Mg e pelos íons de Ca 2+ e Fe 2+, que podem estar presentes na água. 8.1.5 Peróxido de hidrogênio É um forte oxidante devido à liberação do oxigênio, sendo muito tempo utilizado como agente bactericida e esporicida. Tem sido aplicado à embalagem de produtos assepticamente embalados para higienização de equipamentos e esterilização na indústria de alimentos. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77 Em baixas temperaturas, atua sobre células vegetativas por meio de um processo de energia energética dos componentes celulares. Em elevado atua como esporicida nas embalagens de alimentos, pode ser utilizado na concentração de 0,3% a 30%, em pH 4,0, desde a temperatura ambiente até 80ºC, com contato de 5 a 20 min. 8.1.5.1 Vantagens do uso de peróxido de hidrogênio • Apresenta baixa toxicidade; • Baixo efeito residual; • Não requer enxágue. 8.1.5.2 Desvantagens do uso de peróxido de hidrogênio • Corrosivo para cobre, zinco e bronze; • Longo tempo de contato (temperatura ideal de 40°C); • Solicitar controle de ativo na utilização; • Baixa estabilidade na estocagem. 8.1.6 Ácido peracético O Ácido peracético tem sido conhecido por suas propriedadesgermicidas, entretanto ele é muito utilizado na indústria de alimentos, ao contrário do peroxido de hidrogênio que é muito utilizada na área médica. O Ácido Peracético é relativamente estável quando em concentrações de 100 a 200 mg/L. O ácido peracético possui algumas propriedades desejáveis em sanitizante tais como: ausência de espumas e fosfatos, baixa corrosividade, compatível com a dureza na água e biodegradabilidade favorável. As soluções de Ácido Peracético tem sido bastante utilizada na remoção de biofilmes. Apesar do seu mecanismo de ação não estar bem esclarecido, existe a teoria de que a reação do ácido em questão com os microrganismos é semelhante à do Peroxido de Hidrogênio. O Ácido Peracético é altamente ativo sobre bactérias gram-positivas e gram-negativas. O modo de uso é por submersão e não necessita de pré enxágue dos mesmos para remoção de matéria orgânica. Disponível comercialmente diluído nas seguintes concentrações: 0,035%, 0,07%, 0,25%, 1,0%, 2,0%, 3,5%, 4,0% e 5,0% para HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78 uso através de imersão. A concentração de 35% é de uso restrito para equipamentos de esterilização de instrumentos médicos cirúrgicos (máquina ainda não disponível no país). Embora não seja tóxico, recomenda-se seu uso em local ventilado e a colocação de EPI padrão (luvas, óculos de proteção máscara e avental) (Quadro 8.1). Pontos Concentração Tempo de contato Desinfecção de superfícies 0,5% 10 minutos Desinfecção de alto nível em artigos 1,0% 30 minutos Descontaminação de matéria orgânica em superfícies 1,0% 10 minutos Esterilização 2,0% 60 minutos Quadro 8.1- Uso do Ácido Peracético Fonte: https://ufop.br/sites/default/files/desinfetante_informacoes_sobre_o_uso_em_estabelecimentos_de_saude.pdf;2010 Todos os sanitizantes têm sua ação aumentada quando aplicados em superfícies rigorosamente limpas. Os níveis de concentração dos sanitizantes vão depender muito do tipo e grau de sujidade. Portanto como vimos nesse capítulo existem vários tipos de sanitizantes e cada sanitizante é eficiente em uma concentração e temperatura de água. Todo sanitizante tem vantagens e desvantagens e para aplicação eficiente é necessário conhecer a natureza da superfície e o tipo de sujidade a ser removida do meio. É importante reforçar que para realizar um processo de sanitização eficiente é necessário realizar antes um processo de limpeza eficiente. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79 CAPÍTULO 9 HIGIENIZAÇÃO PESSOAL O homem por albergar inúmeros microrganismos, seja da microbiota natural ou por ser portador de patógenos, é considerado uma das principais fontes de contaminação dos alimentos (Figura 9.1). Associados às suas atitudes e hábitos de higiene pessoal e operacional, o homem exerce papel importante na contaminação dos alimentos durante o preparo, na residência ou no local de trabalho, em restaurantes, padarias, bares, lanchonetes, lactários, restaurantes de hospitais e indústrias processadores de alimentos, afetando a qualidade do produto com redução de vida da prateleira ou ainda causando surtos de doenças de origem alimentar. Uma higienização adequada das mãos pode ajudar, de maneira significativa, na prevenção da contaminação cruzada que pode ocorrer pela transferência de microrganismos patogênicos transitórios de uma superfície a outra, contribuindo efetivamente para a produção de alimentos seguros. Figura 9.1- A importância da higiene. Fonte: https://escolaeducacao.com.br/plano-de-aula-sobre-microorganismos/ 9.1.1 Fontes de contaminação A contaminação dos alimentos nas indústrias pode ocorrer por diversas fontes, como contato direto ou indireto com superfícies de instalações, equipamentos e utensílios, ar, água, matéria-prima, animais e o ser humano. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 80 O homem é reservatório de microrganismos, sendo possível fonte de contaminação microbiana em alimentos, o qual pode ser dividido em duas categorias: • Aqueles encontrados na superfície externa do corpo, como, por exemplo, pele, cabelo, orelha, nariz e boca; • Aqueles microrganismos encontrados no trato gastrointestinal, que são excretados pelas fezes. A transmissão desses microrganismos pode ser de forma direta, pela contaminação entre a pessoa e o alimento, ou indireta, com pessoas agindo como vetor, transferindo de uma área ou superfície para o alimento, por meio, por exemplo, de utensílios e vestimentas. 9.1.2 Microbiota do corpo humano Para entender os objetivos de diferentes abordagens de higienização pessoal, o conhecimento da microbiota do corpo humano é essencial. Normalmente, a pele humana é colonizada com bactérias, cuja concentração varia dependendo da área do corpo. Por exemplo, a contagem total de aeróbios mesófilos é de aproximadamente 1,0x I016 UFC/ cm² no couro cabeludo, 5,0 x 10 UFC/ cm² nas axilas 1,0X 104 UFC/ cm² no abdômen e 1,0 x 104 UFC/ cm² no antebraço. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a contagem total de microrganismos em mãos dos profissionais da saúde varia entre 3.9 x104 e 4,6 x 106 UFC/cm². Os microrganismos da pele humana são extremamente importantes e podem ser divididos em população da microbiota transitória e população da microbiota residente. 9.1.3 Microbiota transitória Os microrganismos da microbiota transitória são aqueles transferidos para a pele por meio das atividades diárias, em contato com ambiente, seja animado ou inanimado, como, por exemplo, na indústria de alimentos, ao ter contato com superfícies, equipamentos, matérias-primas contaminadas ou ao tocar outras partes do corpo. As lesões localizadas na superfície da pele podem alojar microrganismos transitórios por um longo período até a lesão ser curada. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81 A microbiota transitória coloniza a camada superficial da pele e é facilmente removida através da higienização das mãos. Alguns exemplos de microrganismos da microbiota transitória são as bactérias Gram-Positivas, como Salmonella spp., Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella spp., além de fungos e vírus. A transmissão de bactérias da microbiota transitória pelas mãos tem um papel significativo na transmissão direta e indireta de doenças. 9.1.3.4 Microbiota residente Os microrganismos residentes que habitam e se multiplicam na pele constituem a microbiota natural e são importantes para o seu equilíbrio e proteção. Estão aderidas as camadas mais profundas da pele e são mais resistentes à remoção. O equilíbrio de microrganismos residentes é influenciado por doenças de pele ou sistêmicas. Normalmente, a microbiota residente é composta por não patógenos alimentares, com exceção do Staphylococcus aureus que é frequentemente encontrado. Outros exemplos de microrganismos que fazem parte da microbiota residente são bacilos Gram- negativos, micrococcus, corinebactérias e leveduras. O microrganismo predominante na microbiota residente é o Staphylococcus epidermidis. Com algumas exceções, a microbiota residente não é considerada uma grande preocupação na contaminação alimentar por manipuladores. O tipo e número de microrganismos encontrados nas mãos pré-lavadas de trabalhadores de indústrias de alimentos e de não alimentos são diferentes. Existe ainda uma distinção entre a população microbiana nos diversos ramos das indústrias de alimentos. O número de microorganismos em trabalhadores de abatedouros de aves, bovinos e suínos é normalmente maior que os de outros tipos de produtos como, por exemplo, vegetais congelados, fábricas de chocolates e laticínios. Nas mãos de trabalhadores de abatedouros após pré-lavagem também já foram isolados Salmonella, E. coli e S. aureus em quantidades maiores do que outras indústrias 9.2 Outras fontes de contaminação 9.2.1 Cabelo O cabelo éum potencial fonte de contaminação, pela sua queda e deposição no produto ou de forma indireta, uma vez que falhas na higiene pessoal favorecem o surgimento do incômodo da coceira e os microrganismos podem ser transferidos aos produtos após passarem para as mãos pelo ato de coçar o couro cabeludo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82 9.2.2 Boca e nariz Uma grande variedade de microrganismos estão presentes na boca, que podem e transmitidos a um alimento se o manipulador espirrar; tossir, falar, ou transferir saliva e secreção nasal para as mãos. Dentre os microrganismos, podemos citar: estafilococos(S.aureus), streptococcus, neisseria e pneumococos. 9.2.3 Trato gastrointestinal O material fecal contém grande número de microrganismos, inclusive bactérias patogênicas, vírus e parasitas. No caso de manipuladores doentes, há excreção de microrganismos durante o tempo da doença e por um período após os sintomas cessarem. Os manipuladores também podem ter microrganismos infecciosos em seu trato gastrointestinal, sem apresentar sintomas evidentes; são os portadores assintomáticos. Estes são perigosos para a segurança alimentar. A disseminação da contaminação se dá pelas mãos, pela ineficaz higienização após a utilização do sanitário. 9.3 Medidas preventivas da contaminação A prevenção da ocorrência de casos e surtos de doenças transmitidas por alimentos, cuja fonte de contaminação é o manipulador, inicia-se durante a contratação do pessoal, mediante exame médico admissional do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), seguido pelo controle da saúde do manipulador e as boas práticas de higiene pessoal e operacional, durante a manipulação dos alimentos. As Boas Práticas de Fabricação, com programas de treinamento periódico de pessoal, abordando os temas microbiologia, doenças transmitidas por alimentos, higiene pessoal e práticas de higiene operacional, têm como objetivos reduzir e controlar a contaminação e produzir um alimento seguro. 9.3.1 Saúde do manipulador Uma forma de prevenir a contaminação dos alimentos durante o seu processamento na indústria é a higiene pessoal adequada do manipulador, associado ao seu estado HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83 de saúde. A primeira etapa para a prevenção ocorre durante a contratação, por meio do exame médico admissional, dentro do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO) determinada pelo Ministério do Trabalho por meio da Norma Regulamentadora NR-07. A saúde do manipulador é uma condição de extrema importância nesse contexto e cabe a direção ou responsável o cumprimento do PCMSO nos estabelecimentos processadores de alimentos. Os funcionários devem submeter-se aos exames médicos e laboratoriais que avaliam sua condição de saúde antes do início de sua atividade e anualmente, ou ainda em ocasiões em que houver indicação por razões clínicas, ou epidemiológicas, ou exigências dos órgãos de Vigilância Sanitária e Epidemiológica locais. O PCMSO tem como objetivo avaliar e prevenir as doenças adquiridas no exercício de cada profissão. Esse controle deve ser realizado por médico especializado em medicina do trabalho, pelo exame médico admissional, periódico demissional, de retorno ao trabalho e na mudança da função. O manipulador não deve ser portador aparente ou não de doenças Infecciosas ou parasitários e este deve estar documentado por meio de laudos médicos e laboratoriais. Quando o funcionário apresentar patologias, suspeite que padeça, é vetor de uma enfermidade suscetível de transmitir aos alimentos, apresentar lesões na pele, mucosa e unhas, feridas ou corte nas mãos e braços, distúrbios gastrintestinais (diarreia ou disenteria), infecções do trato respiratório ou problemas dentários (dentes destruídos por cáries e inflamações na gengiva e ossos) é vedada a manipulação de alimentos até que obtenha alta médica. Segundo a Portaria 326/19973 e Portaria CVS05/20133, o manipulador que apresenta alguma enfermidade ou problema de saúde que possa resultar na transmissão de perigos alimentos ou mesmo que seja portador deve ser impedido de entrar nas áreas de manipulação ou operação com alimentos. É responsabilidade do funcionário comunicar imediatamente à direção sobre o seu estado de saúde e nessas condições, sob responsabilidade da direção, deve ser afastado para outra atividade até que obtenha alta médica. A direção ou responsável técnico do estabelecimento deve adotar medidas necessárias para evitar a contaminação dos alimentos, provendo aos manipuladores uma capacitação adequada quanto aos princípios das boas práticas de manipulação e processamento, incluindo a higiene pessoal, visando à produção de alimentos seguros. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84 9.3.2 Higiene pessoal O número de microrganismos provenientes da superfície corpórea, como a pele, ou do interior do corpo de manipuladores que atingem os alimentos antes da comercialização é um risco potencial que os manipuladores apresentam ao produto alimentício, e este é controlado pelo padrão de higiene pessoal. Portanto, manter o asseio pessoal com banhos diários, limpeza frequente dos cabelos, lavando-os no mínimo 3 vezes por semana, barba feita diariamente e unhas curtas, limpas e sem esmalte, bem como a adequada higiene operacional são imprescindíveis para a qualidade do produto alimentício processado. Na higiene e asseio do funcionário, ainda devem incluir uniforme completo de cor clara, bem conservado, limpo, com troca diária e de utilização somente nas dependências internas do estabelecimento. Os sapatos devem ser fechados, antiderrapantes e em boas condições de higiene e conservação ou botas de borracha, quando necessário. Em atividades com grande quantidade de água, é necessário o uso de avental de plástico e este não deve ser utilizado próximo ao calor. Para trabalhos em câmaras frias, é obrigatório o uso de equipamento de proteção individual (EPI) como capa com capuz, luvas e botas impermeáveis. Os cabelos devem estar totalmente protegidos por toucas ou redes, uma vez que aproximadamente 100 fios caem por dia e podem atuar como uma rota de transferência indireta de contaminação dos alimentos. A pobre higiene dos cabelos e da cabeça associado ao ato de coçá-la também é uma via de transferência de microrganismos através das mãos para os alimentos. O desodorante deve ser inodoro ou suave, sem utilização de perfumes, maquiagem e adornos (colares, amuletos, pulseiras ou fitas, brincos, relógio e anéis, inclusive alianças), pois estes podem cair nos alimentos e tornar-se, além de um perigo físico, veículo de contaminação microbiológica do alimento Recomendações Legais A legislação de alimentos em geral, quando aborda, quando aborda as boas práticas de manipulação de alimentos ou procedimentos operacionais padronizados, trata com HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85 muita ênfase e amplitude de detalhes, os requisitos relacionados à higiene e saúde do manipulador de alimentos e sua importância. O regulamento técnico sobre as boas práticas para estabelecimento de alimentos (por exemplo, Portaria CVS-SP 05/2013) estabelece que o manipulador de alimentos deva vestir, agir e se comunicar adequadamente, possibilitando assim, a prática da “educação higiênica” necessária para uma segura produção de alimentos. Exigências para o manipulador de alimentos (RDC Anvisa 275/2002) • Utilizar uniforme de trabalho adequado á atividade e exclusivo para área de produção; • Ter asseio pessoal e hábitos higiênicos; • Ser informado sobre a correta lavagem de mãos; • Não manipular alimentos com feridas, infecções respiratórias, oculares; • Ter supervisão periódica do estado de saúde; • Utilizar equipamento de proteção individual; • Capacitação contínua de higiene pessoal e de alimentos (com registros); • Sersupervisionado por supervisor comprovadamente capacitado. O item higiene e saúde dos trabalhadores também é requisito obrigatório nas normas que exigem a elaboração dos POP (RDC Anvisa 275/2002) e dentre os requisitos encontram-se: • Capacitação para execução dos POPs; • Conhecimento dos procedimentos operacionais para higienização das mãos, assim como as medidas adotadas quando apresentam lesão na região, sintomas de enfermidade ou suspeita de problema de saúde que possa comprometer a segurança do alimento; • Registro dos exames aos quais os manipuladores são submetidos e periodicidade de sua execução (PCMSO). HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86 9.4 Higienização das mãos A principal via de contaminação dos alimentos pelo funcionário é pelas mãos, portanto uma atenção especial deve ser dispensada a sua higienização e as atitudes operacionais do manipulador durante o processamento do alimento. O principal objetivo da higienização de mãos é prevenir a transmissão de microrganismos patogênicos para os alimentos. É impossível desinfetar a pele no mesmo grau que as superfícies de equipamentos devido á microbiota presente nas mãos, portanto elas se tornam fonte principal na disseminação de microrganismos. Na higienização das mãos, é essencial o uso de produtos registrados pela Anvisa, com eficácia antimicrobiana, procedimento e técnica adequados a adesão regular ao seu uso. Os produtos utilizados são os antissépticos, sabonetes comuns e os tensoativos conhecidos como detergentes. Não devem ser aplicados nas mãos sabões e detergentes registrados na ANVISA como saneantes, uma vez que seu uso é destinado a objetos e superfícies inanimadas. Na aquisição de produtos destinados a higienização das mãos, deve-se verificar se estão registrados na Anvisa/MS, atendendo as exigências específicas para cada produto. 9.4.1 Produtos de Higienização 9.4.1.2 Sabonetes Recomenda-se o uso de sabonete líquido ou espumas, tipo refil, para menor risco de contaminação do produto. O sabonete deve ser neutro que não resseque a pele de fácil enxague e inodoro. Os produtos devem ser aprovados e registrados na ANVISA/MS conforme resolução RDC 211 de 2005 sobre registro de produtos de higiene pessoal. Os parâmetros de controle microbiológico estabelecidos para este insumo estão regulamentados pela resolução Anvisa n0 481 de 1999, os quais são contagem de microrganismos mesófilos totais aeróbios, não mais que 103 UFC/g ou ml, com limite máximo de 5x103 UFC/g ou ml, ausência de pseudomonas aeruginosa em 1g ou 1ml, ausência de staphylococcus aureus em 1g ou 1 ml e ausência de coliformes totais e fecais em 1g ou 1 ml. Durante a lavagem, o sabonete favorece a remoção de sujeira, substâncias orgânicas e da microbiota transitória pela ação mecânica. A eficácia da higienização simples HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87 com água e sabonete, porém, depende da técnica utilizada e do tempo gasto durante o procedimento, que normalmente dura de 8 a 20 segundos. O processo completo leva muito mais tempo, de 40 a 60 segundos. O tempo gasto na higienização tem influência direta na redução da microbiota transitória, pois o aumento do tempo de higienização promove uma maior redução. A higienização simples, com água e sabão, por um período de 15 segundos resultou numa redução de 0,6 a 1,1 log, enquanto em um período de 60 segundos a redução foi de 1,8 a 2,8 log. 9.4.1.4 Antissépticos Os agentes antissépticos são substâncias aplicadas á pele para reduzir o número de agentes da microbiota transitória e residente. Entre os principais agentes antissépticos utilizados nas mãos destacam-se: Álcool: Mecanismo de ação a desnaturação de proteínas e rápida velocidade de ação (concentração usual de 70%); Iodo e iodóforos: Mecanismo de ação de penetração e oxidação da parede celular e uma intermediária velocidade de ação (concentração de 1 a 2 mg/L; Clorexidina: Mecanismo de ação a ruptura da membrana com precipitação de conteúdo celular e uma intermediária velocidade de ação (concentração 0,5 a 1% em etanol a 70% ou 2% a 4%; Triclosan: Mecanismo de ação afeta a membrana citoplasmática e síntese de RNA, ácidos graxos e proteínas e uma intermediária velocidade de ação (0,2% a 2%). Frequência de Higienização das Mãos A frequência da higienização de mãos dos manipuladores deve ser sempre que: • Chegar ao trabalho e /ou entrar na área de manipulação; • Utilizar os sanitários; • Tossir, respirar e assoar o nariz; • Coçar a cabeça ou a orelha; • Usar esfregões, panos ou materiais de limpeza; • Recolher lixos ou outros resíduos; • Tocar em sacarias, caixas, garrafas e sapatos; HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88 • Tocar em alimentos não higienizados ou crus; • Houver interrupção do serviço; • Iniciar um novo serviço; • Antes de tocar em utensílios higienizados; • Colocar e retirar luvas. Monitoramento de Higienização das Mãos A avaliação de microbiológica da higienização das mãos não é tarefa fácil. Os métodos de swab, ou esponja, podem ser aplicados após a higienização em três ocasiões, em dias diferentes. E assim, uma avaliação da contagem total de microrganismos mesófilos e Sthafhylococcus aureus pode ser realizada. A área de amostragem deve abranger a palma da mão e entre os dedos quando utilizado o swab ou esponja. Em mãos higienizadas, microrganismos como coliformes, S. aureus e Salmonella spp. Não devem ser encontrados; se presentes, isso indica que o procedimento deve ser melhorado. É importante que a empresa tenha um programa ativo e contínuo da avaliação para assegurar se uma efetiva prática de higiene está sendo incorporada pelos funcionários da organização. Uma inspeção periódica é uma ferramenta conveniente para determinar sua efetividade pois as estatísticas mostram que muitas pessoas esquecem após um período por isso, é necessário atualizar os treinamentos. A empresa processadora de alimentos deve possuir um programa ativo para ensinar seus colaboradores sobre a importância da higienização da indústria e pessoal para produzir alimentos seguros e de qualidade. O programa deve não somente ensinar como atingir a boa higienização, mas também monitorar e, se necessário, melhorar. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89 CAPÍTULO 10 MONITORAMENTO DA HIGIENIZAÇÃO 10.1 Importância do Monitoramento Mediante o aprimoramento do aparato legislativo, isto é, instrumentos normativos que regulam um setor, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é indispensável a preocupação com as boas práticas de fabricação e o controle de qualidade durante a produção de alimentos. Nesse contexto, o monitoramento da produção deve estar atento à qualidade e a segurança do que está sendo produzido. Desse modo, o acompanhamento às normas do material legislativo para garantir a inocuidade do consumo do alimento. PENSE NISSO O alimento é um produto que exige muito cuidado, porque atinge diretamente a saúde do consumidor, pois sua ingestão pode ocasionar danos ao organismo. Além de ser imprescindível para o desenvolvimento humano, uma vez que ele fornece os nutrientes para o funcionamento do corpo. Portanto, o monitoramento da higienização tem como escopo principal assegurar o caráter salutar do alimento. Em 2022, a ANVISA recebeu um alerta internacional oriundo da Rede Internacional de Segurança Alimentar (International Food Safety Authorities Network) acerca do surto de Salmonella typhirium em chocolates da marca Kinder. Nesse sentido, a presença desse microorganismo no alimento é um indicativo de falha do processo de monitoramento da higienização da produção. Por conseguinte, ratifica-se a importância desse processo para a saúde do consumidor. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90 ANOTE ISSO As leis n° 8080/1990; 8078/1990 e 6437/1977estabelecem os requisitos mínimos de segurança dos alimentos. Ademais, o projeto de lei 4138/21 prevê a aplicação de multa em dobro para estabelecimentos que comercializam alimentos sem seguir as normas sanitárias. 10.2 – Procedimento de Monitoramento Em princípio, o processo de monitoramento da higienização inicia-se com a inspeção organoléptica do ambiente e do equipamento envolvido na produção de alimentos (Figura 10.2) Nesse viés, a visão, o olfato e o tato auxiliam na identificação de falhas da limpeza, afinal, se a sujeira é perceptível, não são necessários testes laboratoriais a fim de ratificar que correções e aprimoramentos sejam necessários. Todavia, o uso de técnicas quantitativas como já estudamos anteriormente não pode ser sempre descartado, como técnicas de swab, como medição de ATP (adenosina trifosfato) e APC (contagem total de aeróbicos), com intuito de identificar resíduos orgânicos e carga microbiana. Figura 10. 2 – Biofilme, película protetora de colônias bacterianas, visível na superfície de um equipamento, o que indica falta de higienização adequada. Fonte: https://schippers.com.br/blog-traduzindo-o-biofilme-em-poucas-palavras/ 10.3 - Método de medição de ATP A adenosina trifosfato ou o ATP é a fonte energética universal, isto é, todos os seres vivos a utilizam como meio de energia. Dessa forma, essa técnica é utilizada para medir a qualidade bacteriológica dos alimentos, uma vez que tais microrganismos partilham dessa mesma premissa. https://schippers.com.br/blog-traduzindo-o-biofilme-em-poucas-palavras/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91 Nessa perspectiva, esse método é baseado no fenômeno da bioluminescência, ou seja, na emissão de luz visível oriunda da liberação química de fótons produzidos por um sistema. Essa técnica é utilizada na indústria de alimentos para avaliar as condições microbiológicas de carnes, leites e verificar a higienização de superfícies, utensílios e equipamentos durante o processamento de produtos. Figura 10.3 – Reação de bioluminescência para medição de ATP. Fonte: https://www.engquimicasantossp.com.br/2018/01/luciferina-luciferase-producao-luz-organismo-vivo.html Nesse prisma, em razão da rapidez do resultado, essa técnica é extremamente útil no monitoramento da higienização, porquanto permite tomar uma medida corretiva imediata no caso de um resultado irregular, como a limpeza da superfície ou de um utensílio antes do uso. Assim, mesmo que a medição de ATP não diferencie o microrganismo e não quantifique a carga microbiana, ela é uma ótima técnica de controle de qualidade. Diante do que foi discutido, o princípio da técnica consiste na extração do ATP por intermédio do swab e de agentes químicos. O swab contendo a amostra é posto em contato com o complexo enzimático da luciferina ocorrendo a reação de bioluminescência, ou seja, a emissão de luz. Para a leitura desse resultado como já vimos, é necessário um luminômetro (Figura 10.4). A agilidade e a acurácia de um teste são cruciais para o monitoramento de higienização da produção de alimentos, tendo em vista que a cadeia produtiva não pode ter grandes pausas. Com isso, uma técnica que ofereça resultados rápidos e precisos permite medidas corretivas mais ágeis e que não gerem grandes consequências para a produção. https://www.engquimicasantossp.com.br/2018/01/luciferina-luciferase-producao-luz-organismo-vivo.html HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92 Figura 10.4 – Exemplo de luminômetro simples. Fonte: https://cap-lab.com.br/produtos/equipamento/luminometro-systemsureplus/ Entretanto, essa técnica, como dito anteriormente, não identifica quais microrganismos presentes. Consequentemente, a origem dessa contaminação é incerta, o que pode não dar fundamento o suficiente para decisões de amplo espectro. Portanto, como todo método, a medição de ATP possui pontos favoráveis e desfavoráveis. Nesse prisma, a agilidade do resultado é de extrema utilidade para rápidas medidas corretivas sem impactar o processo produtivo como um todo. Todavia, a incapacidade de identificar a espécie do microrganismo é um empecilho que pode mascarar estorvos maiores e levar a condutas paliativas. ANOTE ISSO Identificar qual a espécie do microrganismo contaminante é importante para saber a origem dessa contaminação. Nesse sentido, a espécie Escherichia coli pode indicar contaminação proveniente dos manipuladores, enquanto as bactérias do gênero Salmonella e Shigella, geralmente, indicam que a contaminação pode ser oriunda da matéria-prima, como a água. Nessa lógica, espécimes de Bacillus cereus são indicativos de má qualidade do ar do ambiente. Por conseguinte, saber de qual microrganismo se trata serve de subsídio para tomada de decisões mais efetivas 10.4 - Contagem total de aeróbicos (APC) A contagem total de aeróbicos se refere àqueles microrganismos mesófilos, os quais apresentam temperatura ideal de crescimento na faixa de 20 a 45°C. Essa técnica, em um produto alimentício, indica a qualidade da matéria-prima e as condições de https://cap-lab.com.br/produtos/equipamento/luminometro-systemsureplus/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 93 processamento, manuseio e estocagem. Logo, tal método reflete o monitoramento de higienização da produção de alimentos. Para o método de contagem total, são utilizadas placas de ágar para crescimento bacteriano. Dessa maneira, a técnica leva, normalmente, 48 horas para apresentar os resultados. Tais placas contém um meio nutritivo para crescimento microbiano (Figura 10.5), o ágar, por meio dele é possível realizar análises seletivas para determinados grupos de microrganismos, como os mesófilos. Figura 10.5 – Placa de ágar com crescimento bacteriano Fonte: https://ibapcursos.com.br/crescimento-da-celula-e-de-populacoes-bacterianas/ ANOTE ISSO O ágar do meio de crescimento bacteriano, ou meio de cultura, é apenas um fator que permite a solidificação do caldo nutritivo para desenvolvimento das colônias microbianas. Nesse viés, os aditivos presentes no meio que tornam a placa seletiva para determinados grupos de microrganismos, como os mesófilos, os gram- positivos, os anaeróbicos etc. Nesse sentido, existem dois tipos de plaqueamento para esse tipo de análise: o de profundidade, ou “pour plate”, e o de superfície, ou “spread plate”. 10.4.1 – Plaqueamento de profundidade ou Pour Plate O plaqueamento por profundidade consiste na adição da amostra diluída e adicionada em placas de petri esterilizadas e vazias. Nesse ínterim, o ágar ainda em estado https://ibapcursos.com.br/crescimento-da-celula-e-de-populacoes-bacterianas/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 94 líquido é inserido nesse meio. Nesse contexto, o ágar e a amostra estão imiscuídos (juntos). Consequentemente, como alguns microrganismos ficam retidos abaixo da superfície, a placa evidenciará colônias não só na superfície, como também dentro do meio. Tal técnica é indicada para amostras com carga microbiológica alta, pois permite o isolamento de microrganismos móveis, como a Salmonella, e anaeróbios, como Clostridium e Listeria. Nessa conjuntura, o método de Pour plate (Figura 10.6) pode quantificar grandes volumes de amostra e permite uma contagem exata das colônias dos microrganismos. Figura 10.6 – Esquema metodológico do método de plaqueamento por profundidade ou Pour Plate. Destaca-se que a amostra é inoculada antes do meio de cultura, isto é, o ágar. Fonte: https://microbenotes.com/pour-plate-technique-procedure-significance-advantages-limitations/ Todavia, essa técnica apresenta desvantagens como: alguns microrganismos na amostra podem ser mortos em razão da temperatura do ágar adicionado posteriormente. Afinal, ele precisa ser fundido ao ser adicionado. Por conseguinte, sua temperatura está em torno de 50°C, o que pode ser prejudicial a algumas espécies.Ademais, pequenas colônias podem passar despercebidas se o número de colônias for extenso, isso pode enviesar o procedimento. Além disso, exige muito tempo para o crescimento microbiano, consequentemente, esse período é crucial para adoção de medidas corretivas. Não obstante, tal técnica não é a mais indicada caso o intuito seja isolar algum microrganismo específico. https://microbenotes.com/pour-plate-technique-procedure-significance-advantages-limitations/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 95 Assim, a técnica de plaqueamento de profundidade dá uma noção da carga bacteriana presente na amostra em análise. No que tange ao processo de monitoramento da higienização, o Pour plate é bastante útil para auxiliar a validação do processo de limpeza. Nesse sentido, essa técnica evidencia o quão eficiente é a higienização da superfície, do equipamento ou do utensílio utilizado na produção de alimentos. Dessa forma, ao revelar a carga microbiana total, o plaqueamento de profundidade indica o quão boa a higienização foi. A validação do processo de higienização consta nas Boas Práticas de Fabricação (BPF). Instituições como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a ANVISA ratificam a imprescindibilidade da validação do processo de higienização na produção de alimentos. Para isso, é indicado o Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO), que são procedimentos desenvolvidos, implantados e monitorados a fim de estabelecer uma maneira rotineira para evitar contaminação direta ou cruzada do produto. Dessa maneira, garante-se a segurança do alimento. Sob esse viés, para validar um procedimento de higienização, são necessárias análises de amostras coletadas pré-higienização e pós-higienização. Por conseguinte, é preciso estabelecer reprodutibilidade, precisão e consistência dos resultados. Com isso, obtém-se o suficiente para validar um processo de higienização e monitorá-lo de maneira adequada. 10.4.2 – Plaqueamento de Superfície ou Spread Plate. A técnica de plaqueamento de superfície, ou spread plate (Figura 10.7), consiste no método contrário do pour plate. Isto é, a amostra é inserida a solidificação do meio de cultura. Com isso, de início, é preparado o ágar e adicionado na placa de petri. Em seguida, aguarda-se o esfriamento e a solidificação desse meio. Posteriormente, a amostra é incluída na superfície do meio de cultura e espalhada homogeneamente com o auxílio de uma alça de vidro, ou alça de Drigalsky (Figura 10.8). Com isso, após a incubação, as colônias se desenvolvem na superfície da placa (Figura 10.9). Diante dessa perspectiva, a contagem de bactérias é possível porque cada bactéria viva depositada na superfície do ágar se torna uma colônia, por isso a denominação de unidade formadora de colônia (UFC). HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 96 Figura 10.7 – Representação esquemática do método spread plate. Destaca-se a inoculação da amostra sobre o meio de cultura e o espalhamento dela com a alça de vidro. Fonte: https://noteshippo.com/spread-plate-method-in-microbiology-principle-procedure-uses-and-limitations/ Figura 10.8 – Alça de Drigalski ou alça de vidro comum utilizada no espalhamento da amostra sobre a superfície do meio de cultura. Fonte: https://www.splabor.com.br/blog/cultivo-celular/o-que-e-uma-alca-de-drigalski-e-qual-sua-funcao-no-laboratorio/ Figura 10.9 – Exemplo de placa pela técnica spread plate. Cabe ressaltar que não há colônias dentro do meio. Por conta disso, o número de colônias é melhor e a forma delas é diferente. Fonte:https://www.jove.com/t/3064?utm_source=joveemea&utm_medium=email&utm_campaign=emea2019userengagement&language=Portuguese https://noteshippo.com/spread-plate-method-in-microbiology-principle-procedure-uses-and-limitations/ https://www.splabor.com.br/blog/cultivo-celular/o-que-e-uma-alca-de-drigalski-e-qual-sua-funcao-no-laboratorio/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97 Contudo, a técnica de spread plate também apresenta limitações. Nesse viés, o plaqueamento de superfície não suporta grandes volumes de amostras e altas cargas bacterianas. Assim, é necessário que a amostra esteja bem diluída. A diluição seriada é de extrema utilidade para análises microbiológicas, sobretudo, quando envolve produtos não estéreis. Nesse sentido, uma grande quantidade de colônias na placa impede a contagem correta, mesmo que sejam utilizados equipamentos secundários para esse fim, como uma lupa. Diante desse impasse, a diluição é uma alternativa para contornar isso. Dessa maneira, multiplicando pelo fator de diluição, o resultado não é alterado. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98 CAPÍTULO 11 PPHO (PROCEDIMENTOS PADRONIZADOS DE HIGIENE OPERACIONAL) APLICADOS AOS PROGRAMAS DE LIMPEZA Os Procedimentos Padronizados de Higiene Operacional - PPHO e as Boas Práticas de Fabricação – BPF devem ser implantados nos estabelecimentos produtores de alimentos e aplicados em todas as etapas da empresa. O Plano PPHO consiste em um compromisso formal da empresa com a higiene, devendo ser escrito e assinado pela alta direção e pelo seu responsável técnico. Estes se responsabilizam pelo Plano PPHO e são imprescindíveis à aplicação das Boas Práticas de Fabricação e só podem ser fornecidos e garantidos pela administração da empresa. Sem este compromisso, a equipe de manipuladores não consegue, por mais que os conheçam, aplicar os princípios das boas práticas de manipulação a contento. Os PPHO são obrigações estruturantes assumidas pela empresa. Eles são procedimentos descritos, desenvolvidos, implantados e monitorados, visando a estabelecer a forma rotineira pela qual o estabelecimento industrial garante o controle da qualidade dos produtos, reduzindo ou eliminando os riscos e os perigos à saúde do consumidor. Seja no contato com os utensílios, com as superfícies dos equipamentos, com os instrumentos, seja nos procedimentos inadequados dos manipuladores. Todas as condições de higiene operacional devem ser monitoradas por meio de análises laboratoriais e seus dados registrados, devendo -se adotar ações corretivas sempre que se observarem desvios, os quais deverão ser registrados. A estruturação do plano PPHO consiste em nove pontos básico, que são: 1. Segurança da água; 2. Condições de higiene das superfícies em contato com o alimento; 3. Prevenção contra contaminação cruzada; 4. Higiene dos funcionários; 5. Proteção contra contaminantes e adulterantes do alimento; 6. Identificação e estocagem adequada de substâncias químicas e agentes tóxicos; HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99 7. Saúde dos funcionários; 8. Controle integrado de pragas; 9. Registros. É importante ressaltar que para implantação do PPHO é importante ter implantado primeiro na indústria as Boas Práticas de Fabricação. • O PPHO é regulamentado pela Resolução DIPOA - 10, de 22/05/2003 do Ministério da Agricultura; • Programa Genérico de PROCEDIMENTOS - PADRÃO DE HIGIENE OPERACIONAL – PPHO - Estabelecimentos produtos de Origem Animal (SIF), - Etapa preliminar e essencial – APPCC; • Implantação compulsória; • Extensão do Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação. • Admite-se - parte integrante do BPF; • Procedimentos de monitorização, ação corretiva, registros e verificação - uniformizar as ações e minimizar os riscos associados à falta de higiene; • Todo estabelecimento que trabalhe com alimento para seres humanos – necessita de PPHO. 11.1 PPHO 01- Segurança da água O fornecimento de água industrial deve dispor de um abundante abastecimento de água potável, com pressão adequada e temperatura conveniente, com um adequado sistema de distribuição e com proteção em relação a higiene e conservação total do reservatório de água. É necessáriotambém realizar o controle da potabilidade realizando frequentemente as análises laboratoriais, pois é imprescindível manter a segurança da água que entra em contato direto ou indireto com os alimentos, usada na fabricação de gelo ou para consumo. Portanto para realizar o processo de potabilidade da água deve-se realizar os seguintes controles: HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100 • Lavagem e higienização da caixa d’água: A Higienização do reservatório de água pode ser realizada por funcionário da empresa ou terceirizada a cada 6 meses e todo o procedimento realizado deve estar descrito detalhadamente. • Análise da qualidade da água Deve-se realizar análise microbiológica da água industrial mensalmente e as análises físico-químicas devem ser realizadas a cada seis meses. Internamente é necessário a indústria realizar o monitoramento da cloração da água e pH da água, entre outros parâmetros que a empresa apresente condições de acompanhar. Os parâmetros a serem analisados devem estar conforme a Portaria Consolidação nº 5 de 28 setembro de 2017 do Ministério de Saúde (Quadro 11.1). Monitoramento Parâmetro Valor de referência Diário pH 6 a 9,5 Cloro residual livre 0,2 a 5 mg/l Mensal Escherichia Coli Ausente Coliformes totais Ausente Coliformes termotolerantes Ausente Semestral Cor aparente 15 UC Dureza Até 500 mg CaCO3 Gosto Até 6 de intensidade Odor Até 6 de intensidade Sólidos dissolvidos totais Até 1000 mg/l Turbidez 5 NTU Cloreto 2,5 mg/l N amoniacal 0,02 mg/l Sulfato Até 250 mg/l Surfactantes Até 0,50 mg/l Alumínio Até 0,09 mg/l Ferro Até 0,30 mg/l Manganês Até 0,10 mg/l Sódio Até 200 mg/l Zinco Quadro 11.1 Parâmetros de qualidade da água Fonte: http://pnqa.ana.gov.br/indicadores-indice-aguas.aspx HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 101 11.1.1 PPHO 2- Condições de higiene das superfícies em contato com o alimento Todo o equipamento e utensílio utilizado nos locais de manipulação de alimentos que possam entrar em contato com o alimento devem ser isentos de materiais atóxicos, com ausência de odores e sabores, que seja não absorvente e resistente à corrosão e capaz de resistir a repetidas operações de limpeza e desinfecção. As superfícies devem ser lisas e estarem isentas de rugosidade e frestas e outras imperfeições que possam comprometer a higiene dos alimentos ou sejam fontes de contaminação. Deve evitar-se o uso de madeira e de outros materiais que não possam ser limpos e desinfetados adequadamente, a menos que se tenha a certeza de que seu uso não será uma fonte de contaminação. Devem ser instalados de modo a permitir um acesso fácil e uma limpeza adequada, além disso devem ser utilizados para o fim qual foram projetados. Os produtos de limpeza e desinfecção, todos devem ser aprovados previamente para uso pelo órgão competente, através de controle da empresa e identificados com informações sobre sua toxicidade. Planejamento dos procedimentos de higienização deve conter as seguintes informações: ANOTE ISSO • Instalações e equipamentos – O que? • Procedimento – Como fazer? • Os produtos- Com o que? • Responsável – Quem? • Frequência – Quando? 11.1.2 PPHO 3 - Prevenção contra contaminação cruzada Deve ser levada em consideração a existência de espaços suficientes para atender de maneira adequada a todas as operações, projetados de forma a permitir a separação, por áreas, setores e outros meios eficazes. O fluxo de pessoas, insumos e ingredientes, desde a chegada da matéria prima, durante o processo de produção, até a obtenção do produto final deve ser projetado de forma a evitar operações suscetíveis de causar contaminação cruzada. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 102 Além da concepção do layout físico do fluxo operacional, outros controles devem ser mantidos na linha de produção. Dentre outros, destacamos: • Controle no ingresso de materiais (embalagens, tampas, utensílios etc.) nas áreas limpas; • Controle no ingresso de pessoas nas áreas limpas; • Dispositivos para permanente assepsia das mãos dos manipuladores das áreas limpas; • Impedir o uso de utensílios de outras seções nas áreas limpas; 11.1.3 PPHO 4- Higiene dos Manipuladores A direção do estabelecimento deve tomar providências para que todas as pessoas que manipulem alimentos recebam instrução adequada e contínua em matéria higiênico- sanitária, na manipulação dos alimentos e higiene pessoal, com vistas a adotar as precauções necessárias para evitar a contaminação dos alimentos. Toda pessoa que trabalha em uma área de manipulação de alimentos deve, enquanto em serviço, lavar as mãos de maneira frequente e cuidadosa com um agente de limpeza autorizado e com água corrente potável. Essa pessoa é classificada como um manipulador de alimentos e deve lavar as mãos antes do início dos trabalhos, imediatamente após o uso do sanitário, após a manipulação de material contaminado e todas as vezes que for necessário. Na área de manipulação devem conter cartazes orientativos sobre a forma correta de lavagem de mãos. Deve ser realizado um controle adequado para garantir o cumprimento deste requisito. O manipulador de alimentos deve manter uma higiene pessoal e deve usar roupa protetora clara, sapatos adequados e usar cabelos presos e protegidos por touca protetora. Todos estes elementos devem ser laváveis, a menos que sejam descartáveis e mantidos limpos, de acordo com a natureza do trabalho. Os uniformes devem ser trocados diariamente e usados exclusivamente nas dependências internas da indústria. Aos manipuladores não é permitido o uso de maquiagem, adornos (anel, relógios, brincos, pulseiras etc.), barba e as unhas devem estar curtas e sem esmalte. Nas áreas de manipulação de alimentos deve ser proibido todo o ato que possa originar uma contaminação de alimentos, como: comer, fumar, assobiar, tossir ou outras práticas anti-higiênicas. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 103 Se existir possibilidade de contaminação, as mãos devem ser cuidadosamente lavadas entre uma e outra manipulação de produtos nas diversas fases do processo. O mesmo vale para visitantes nas áreas de manipulação de alimentos. 11.1.4 PPHO 5- Proteção contra contaminantes e adulterantes do alimento O estabelecimento deve se situar em zonas isentas de odores indesejáveis, fumaça, pó e outros contaminantes e não devem estar expostos a inundações. As instalações devem ser construídas de forma a impedir a entrada de contaminantes do meio, tais como, fumaça, pó, vapor e outros. As matérias-primas, os ingredientes e as embalagens devem ser armazenados em local limpo e organizado, sobre pallets, estrados ou prateleiras, respeitando-se o espaçamento mínimo necessário para garantir adequada ventilação, limpeza e, quando for o caso, desinfecção do local. Os pallets devem ser de material liso, resistente, impermeável e lavável, de forma a garantir proteção contra contaminantes. O estabelecimento, através de seu responsável técnico, deve recusar a matéria-prima ou insumo que contenha parasitas, microrganismos ou substâncias tóxicas, decompostas ou estranhas e que estes contaminantes não possam ser reduzidos a níveis aceitáveis através de processos normais de fabricação. 11.1.5 PPHO 6 - Identificação e Estocagem de Substâncias Químicas Local exclusivo e de acesso restrito para guarda de agentes tóxicos, esses produtos devem ser armazenados fora das áreas de manipulação dos alimentos em áreas separadas ou armários fechados manipulados por pessoal autorizado e devidamente capacitado sob controle de pessoal tecnicamente competente. As substâncias tóxicas que representam risco para a saúde podem ser armazenadas neste mesmo local, mantendo-se a integridade e legibilidade das informações dos rótulos das mesmas. Com isso, deve-se ter procedimentos para identificar e armazenarcorretamente os produtos químicos, contendo: • Local correto do armazenamento; • Etiquetagem; HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 104 • Tipo de toxicidade; • Registro de doses; • Manuseio correto pelo funcionário; • Acidentes; • Medidas imediatas; • Notificação. 11.1.6 PPHO 7- Saúde dos Manipuladores As pessoas que mantêm contatos com alimentos devem submeter-se aos exames médicos e laboratoriais que avaliem a sua condição de saúde no ato de sua contratação e periodicamente. A constatação ou suspeita de que o manipulador apresenta algum ferimento ou problema de saúde que possa resultar na transmissão de perigos aos alimentos ou mesmo aos não portadores ou sãos, deve impedi-lo de entrar em qualquer área de manipulação ou operação com alimentos se existir a probabilidade da contaminação destes. Qualquer pessoa na situação acima deve ser instruída a comunicar imediatamente à direção do estabelecimento, de sua condição de saúde e, dependendo da gravidade da enfermidade, o manipulador pode ou não ser temporariamente afastado de suas atividades. Portanto deve-se garantir que somente manipuladores sadios estejam envolvidos no contato direto de fabricação de alimentos, por isso é necessário que a empresa realize os exames médicos periódicos em seus colaboradores a cada seis meses sendo necessário que os mesmos fiquem registrados. 11.1.7 PPHO 8- Controle Integrado de Pragas A empresa deve aplicar um programa eficaz e contínuo de Controle Integrado de Pragas, conhecido como CIP. O estabelecimento e suas área circundantes devem ser inspecionados periodicamente com vistas a diminuir os riscos de alojamento e proliferação de pragas. As medidas de controle que compreendem o tratamento com agentes químicos, biológicos ou físicos devem ser aplicadas somente sob a supervisão direta do pessoal tecnicamente competente que saiba identificar, avaliar e intervir nos perigos potenciais HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 105 que estas substâncias representam para saúde. Tais medidas somente devem ser aplicadas em conformidade com as recomendações do órgão oficial competente. As medidas de controle devem compreender o tratamento com agentes químicos, físicos ou biológicos autorizados, aplicados sob a supervisão direta de um profissional que conheça os riscos que o uso destes agentes possa acarretar para à saúde, especialmente os riscos que possam originar resíduos a serem retidos no produto. É importante destacar que o monitoramento do controle de pragas deve ser registrado e traçado plano de ações para cada praga encontrada. 11.1.8 PPHO 9- Registros Devem ser mantidos registros dos controles apropriados a produção e todos os controles relacionados a Boas Práticas de Fabricação. Dentre outros, recomendam-se: • Registro da compra e uso de agentes tóxicos; • Registros de entrada de matéria-prima; • Registros de calibração de equipamentos; • Registro e controle das operações de higienização das áreas de manipulação, dos sanitários e vestiários; • Registro do controle de temperatura dos ambientes refrigerados; • Registro dos cursos e treinamentos; • Registro do controle da potabilidade da água e lavagem do reservatório; • Registros de Controles de Pragas; • Registros de exames ocupacionais dos colaboradores, dentre outros registros. 11.2 Estrutura do PPHO Os documentos elaborados para PPHO segue a seguinte estrutura: • Objetivo(s); • Campo de Aplicação/Área(s) envolvidas; • Equipamentos e insumos/Materiais utilizados; • Siglas; • Periodicidade; • Procedimento (Descrição); • Registros/Monitorização (como/quem/quando?); HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 106 • Ações corretivas; • Histórico de revisões; • Referências; • Anexos. Vamos aprender? Fique atento ao modelo! HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 107 HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 108 CAPÍTULO 12 CONTAMINAÇÃO DE ALIMENTOS A produção de um alimento pode ser afetada desde o local de obtenção da matéria- prima até o processo de embalagem para consumo. Diante dessa ótica, o mau condicionamento da matéria-prima, falta de higiene da produção e dos manipuladores, inconformidade a respeito da embalagem. Nesse sentido, esses contaminantes, geralmente, desencadeiam Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), justamente, pela ingestão deles. Nesse contexto, existem cerca de 250 DTAs identificadas no mundo causadas por vírus, bactérias, fungos e toxinas (Figura 12.1). Essas doenças são preocupantes em termos de saúde pública, uma vez que o agente etiológico se encontra no suprimento básico do indivíduo: o alimento. Dessa maneira, as instituições governamentais, como a ANVISA, depreendem de condutas normativas para mitigar esse estorvo. Nesse viés, existem as Boas Práticas de Fabricação (BPF), como visto em capítulos anteriores, a fim de evitar um panorama insalubre para a população. Figura 12. 1 – Sintomas gerais das doenças transmitidas por alimentos. Fonte: https://seanutri.com.br/conteudo-informativo Assim, as contaminações de alimentos são divididas em relação ao modo, ou seja, direta ou cruzada, e à natureza do contaminante, isto é, química ou biológica. https://seanutri.com.br/conteudo-informativo HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 109 12.1 – Contaminação direta A contaminação direta ocorre, majoritariamente, pela manipulação dos alimentos. Isto é, esse tipo de contaminação é quando o agente contaminante tem contato direto com o produto. Desse modo, tal conjuntura ocorre devido à falta de higienização adequada e de um monitoramento do processo de limpeza deficiente. Figura 12.2 – Ilustração das fontes de contaminação oriundas do manipulador. O cabelo contém microrganismos presentes no ar. O nariz e a boca possuem bactérias da microbiota do trato respiratório. As mãos carregam alta carga bacteriana. As roupas podem partilhar de uma biota similar ao do ambiente. Fonte: https://notapositiva.com/fontes-contaminacao-alimentos/ Dessa forma, seguir os parâmetros das Boas Práticas de Fabricação e os Procedimentos Padrão de Higiene Operacional, como uma lavagem adequada das mãos, limpeza de utensílios, uso de máscara e uniforme adequado, são imprescindíveis para a produção de um alimento seguro. Por mais que seja exigido um produto “livre de bactérias”, os alimentos não são estéreis, ou seja, isento de microrganismos. Afinal, nem todos eles causam doenças aos humanos. Assim, o alimento necessita estar livre daqueles patogênicos, justamente por serem nocivos ao indivíduo. https://notapositiva.com/fontes-contaminacao-alimentos/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 110 12.1.1 Contaminação Cruzada A contaminação cruzada acontece em razão do contato do alimento com superfícies, equipamentos e utensílios contaminados. Dessa maneira, com intuito de prevenir o aparecimento das doenças transmitidas por alimentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleceu diretrizes de prevenção desse tipo de contaminação. Dentre elas salientam-se: • Os manipuladores devem utilizar roupas protetoras quando em contato com os produtos ou as matérias-primas; • Entre as manipulações, em diferentes etapas do processo, a lavagem das mãos é imprescindível; • Todos os equipamentos e utensílios que tenham entrado em contato com a matéria-prima ou produto deve ser minuciosamente limpo e desinfetado antes de entrar em contato com outro material; • As instalações devem ser planejadas de maneira que o fluxo de pessoas e de alimentos não permita a contaminação cruzada, ou seja, realizado de forma higiênica. Em 2011, cerca de 39 pessoas de 15 municípios do Rio Grande do Sul ficaram doentes após a ingestão de achocolatado Toddynho. A razão disso foi por conta de uma contaminação do produtocom detergente. Com isso, a empresa foi condenada a pagar 420 mil reais em indenização para as vítimas. Um exemplo de contaminação cruzada por um agente contaminante químico. 12.1.2 – Agentes Biológicos Geralmente, os principais surtos de doenças transmitidas por alimentos são provenientes de microrganismos, como bactérias, fungos e protozoários. Desse modo, serão descritas as principais: HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 111 • Gênero Salmonella Quase todas as bactérias desses gêneros são nocivas ao organismo humano, pois causam Salmonelose, a qual consiste em dores abdominais intensas, cólicas, náuseas, diarreia e febre. Tal doença pode levar o indivíduo a óbito se não for tratada. Os microrganismos desse gênero encontram-se, normalmente, no sistema digestivo de aves, vacas e porcos. Por isso, um dos principais modos de morbidade dessa doença é a ingestão de ovos crus. Todavia, a presença de bactérias dessa estirpe nos alimentos denota uma lacuna grave no processo de higienização da produção do alimento. Afinal, conforme a ANVISA, a presença de nenhuma unidade formadora de colônia é tolerada. Para identificação dessas bactérias no alimento, são realizados testes, como o esgotamento em ágar SS (salmonella-shigella), TSI, Lisina, Citrato e Uréia (Figura 12.3) Figura 12.3 – Bactérias do gênero Salmonella isoladas no meio ágar SS. A coloração preta é específica de microrganismos desse gênero em razão da produção de sulfeto de hidrogênio (. Fonte:https://www.medicalexpo.com/pt/prod/hyserve-gmbh-co-kg/product-115180-777363.html • Shigella Os bacilos gram-negativos do gênero shigella, geralmente, causam infecções autolimitadas, ou seja, curam-se sozinhas. Nesse sentido, caracterizam-se por cólica, diarreia, febre e vômito. Todavia, as cepas que produzem uma enterotoxina Shiga, que tem taxa de letalidade de 10 a 15%. Assim, tal infecção é preocupante, principalmente, em crianças. Esse agente biológico indica, muitas vezes, higienização precária do manipulador ou da água utilizada na produção. Para identificar bactérias desse gênero, é utilizado o Ágar SS também (Figura 12.4) HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 112 . Figura 12.4- Ágar SS com crescimento de colônias de Shigella, nota-se que essas colônias possuem coloração esbranquiçada ou transparente, justamente, por não produzirem o sulfeto de hidrogênio, o que as diferencia das colônias de Salmonella. Fonte:http://www.probac.com.br/Anexos/Bulas/Seletivos/Placas%20Especiais%20Probac%20-%20Agar%20SS%20Rev%2000.pdf • Escherichia coli. A E.coli é encontrada, habitualmente, no intestino dos seres humanos. Com isso, são conhecidas, em sua maioria, como coliformes fecais em razão de serem encontradas em abundância nas excreções humanas. Dessa forma, grande parte das estirpes desta bactéria é inofensiva aos indivíduos. Contudo, não só a ingestão de grandes cargas bacterianas dessa espécie, o que causa desequilíbrio da microbiota intestinal, como também algumas cepas toxinogênicas são prejudiciais ao organismo. Desse modo, essa espécie ocasiona uma DTA. Diante dessa perspectiva, tal bactéria é indicativa de falhas do processo de higienização dos manipuladores, das superfícies e da qualidade da matéria-prima, haja vista que uma das fontes de contaminação dela é a água. Para identificação da E.coli, inocula-se a amostra no Ágar MacConkey e realiza-se incubação nos meios TSI, citrato e motilidade (Figura 12.5) Figura 12.5 – Agar MacConkey com crescimento de E.coli em rosa. Essa coloração rosa é devido à capacidade desta bactéria de fermentar lactose. Fonte:http://www.probac.com.br/Anexos/Bulas/Seletivos/Placas%20Especiais%20Probac%20-%20Agar%20MacConkey%20Rev%2000.pdf http://www.probac.com.br/Anexos/Bulas/Seletivos/Placas%20Especiais%20Probac%20-%20Agar%20SS%20Rev%2000.pdf http://www.probac.com.br/Anexos/Bulas/Seletivos/Placas%20Especiais%20Probac%20-%20Agar%20MacConkey%20Rev%2000.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 113 Embora os microrganismos sejam os principais causadores de DTAS, nem todos são nocivos à saúde humana. Dessa forma, algumas bactérias, como alguns lactobacilos, são benéficas para a microbiota intestinal, por isso, ele é adicionado em alguns alimentos. Ademais, fungos, como o Penicilium e Saccharomyces cerevisae, são de extrema importância para a sociedade, pois eles produzem antibióticos e auxiliam na produção de alimentos respectivamente. • Vírus entéricos (Rotavírus, Noravirus, Hepatite A) Os vírus normalmente causam sintomas extra intestinais, isto é, afetam fígado, rins e sistema nervoso. Dessa maneira, não só por isso que a contaminação viral é alarmante, como também porque ela indica que a qualidade da água está insatisfatória principalmente. Nesse sentido, a contaminação de alimentos por vírus é algo não tolerado pela vigilância sanitária devido a sua periculosidade e tendência indicativa da higiene do processo de produção. Ademais, a identificação organoléptica de alimentos contaminados por vírus não é possível. Portanto, isso demonstra o quão imprescindível é o seguimento das Boas Práticas de Fabricação e monitoramento da higienização. ANOTE ISSO A qualidade da água é crucial para a fabricação de alimentos. Afinal, ela é a matéria- prima básica para a produção alimentícia. Com isso, uma vez que a importância dessa substância é reconhecida, a ANVISA e o Ministério de Saúde estabelecem diretrizes para o controle de qualidade da água que devem ser seguidos. Nesse viés, a qualidade da água é avaliada desde o local em que ela é obtida até ser imiscuída ao produto final. • Clostridium A bactéria C.botulinum é o agente etiológico do botulismo, uma DTA que pode levar ao óbito em razão das toxinas liberadas por essa espécie que causam paralisia respiratória. Nesse viés, um dos principais impasses relacionados às bactérias do gênero Clostridium é a capacidade de formar esporos termorresistentes, ou seja, suportam grandes variações de temperatura (Figura 12.6). Nessa perspectiva, a principal forma de acabar com esses micróbios é a prevenção, isto é, a higienização e as boas práticas de fabricação durante o processo de produção HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 114 do alimento, tendo em vista a complexidade de reprocessamento do produto final contaminado. Figura 12.6 – Visão microscópica de bacilos de Clostridium perfrigens após a coloração Gram. A principal forma de detecção dessas espécies é por PCR e há testes rápidos para detecção de toxinas produzidas por elas. Fonte: http://www.icb.usp.br/bmm/mariojac/arquivos/Aulas/Genero_Clostridium.pdf • Fungos e Micotoxinas A contaminação de alimentos por fungos é perigosa em razão de uma substância altamente tóxica liberada por eles: a micotoxina. Nessa perspectiva, como exemplo a aflatoxina (Figura 12.7), essas substâncias causam, além dos sintomas clássicos das doenças transmitidas por alimentos, a baixa da imunidade, o que leva a complicações mais sérias. Sob esse viés, os principais fungos que acometem os alimentos são do gênero Aspergillus, Cladosporium e a M. sterilia. Nessa ótica, a contaminação fúngica é um indicativo da qualidade da atmosfera do ambiente da produção, ou seja, da temperatura e umidade. Ademais, a ausência de sinais visíveis de bolores não significa que o alimento está isento de contaminação, sobretudo, de micotoxinas, pois elas podem persistir mesmo com a ausência dos fungos, uma vez que são termorresistentes. Figura 12.7 - Kit de teste rápido para detecção da Aflotoxina, uma micotoxina produzida por fungos do gênero Aspergillus. O princípio da técnica consiste em um processo enzimático conhecido como ELISA. Fonte: https://www.loja.tudoparalaboratorios.com.br/p-3477038-Aflatoxina-M1---Kit-de-teste-ELISA http://www.icb.usp.br/bmm/mariojac/arquivos/Aulas/Genero_Clostridium.pdf https://www.loja.tudoparalaboratorios.com.br/p-3477038-Aflatoxina-M1---Kit-de-teste-ELISAHIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 115 12.1.3 – Agentes químicos A contaminação química ocorre quando o alimento é posto em contato com produtos que possuem compostos tóxicos ao organismo. Dessa maneira, são incluídos nessa categoria defensivos agrícolas, metais pesados, corantes e aditivos não autorizados. Assim, tal tipo de contaminação, muitas vezes, é acidental ou se trata de uma negligência a respeito das boas práticas de fabricação de alimentos. A cervejaria Becker foi multada em 5 milhões de reais, pelo MAPA, em razão da venda de cerveja contaminada por dietilenoglicol, uma substância utilizada como fluido de resfriamento em indústrias de bebidas, em 2019. Com isso, 22 pessoas tiveram problemas de saúde e 7 foram a óbito devido a ingestão desse contaminante. A contaminação ocorreu porque havia furos nos tanques que continham essa substância. Diante do exposto, é notável que os casos de contaminação alimentar são majoritariamente decorrentes de negligência em relação ao processo de monitoramento da higienização e boas práticas de fabricação. Nesse prisma, irrefutavelmente, a manutenção de uma higienização adequada está estritamente ligada a uma boa qualidade do produto final. No que tange à produção de alimentos, uma lacuna nesse processo de higiene pode ser fatal ao consumidor, uma vez que atinge diretamente a saúde do indivíduo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 116 CAPÍTULO 13 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Haja vista os entraves ambientais que o mundo tem enfrentado, é cada vez mais importante a preocupação com o meio ambiente, ou seja, a promoção de um desenvolvimento sustentável (Figura 13.1) Nesse sentido, a indústria não pode abdicar dessa responsabilidade com o meio que a cerca. Assim, diante dos impactos que o meio de produção industrial pode causar, é indispensável o investimento em educação ambiental para mitigar esses danos. Figura 13.1 – Despejo incorreto de resíduos industriais em um rio. Nesse caso, não há tratamento anterior ao descarte desse resíduo. Fonte:http://interdisciplinaragua.blogspot.com/2011/09/consequencias-de-residuos-industriais.html Sob esse viés, não só o descarte inadequado dos resíduos industriais pode ocasionar a perda de biodiversidade de um ecossistema, como também a extração excessiva de matéria-prima resulta em esgotamento dos recursos naturais. Por conseguinte, por intermédio de qualquer finalidade, a produção industrial de forma irracional é prejudicial para a sociedade, uma vez que o meio ambiente está mancomunado diretamente à qualidade de vida de um corpo social. http://interdisciplinaragua.blogspot.com/2011/09/consequencias-de-residuos-industriais.html HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 117 A coloração rosa da Lagoa da Patagônia é resultado do despejo inadequado de resíduos químicos de indústrias pesqueiras da região. Tal efeito é proveniente do Sulfito de Sódio, um conservante antibacteriano. Nessa conjuntura, a população local sofre com odores desagradáveis, proliferação de insetos e doenças de pele associadas à qualidade da água dessa lagoa, além de terem as atividades econômicas lesadas. Esse é um dos exemplos de como a negligência de uma educação ambiental, consequentemente, o desenvolvimento sustentável causa danos à população. 13.1 – Desenvolvimento Sustentável De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o desenvolvimento sustentável é um modelo sistêmico que engloba um sistema econômico capaz de atender as demandas sociais da geração social, no entanto, sem comprometer a capacidade de suprir a necessidade das gerações futuras. Isto é, uma forma de produção que não esgote os recursos naturais. A empresa Ecovative criou embalagem do tipo Isopor feita por micélios de fungos, ou seja, uma embalagem biodegradável. Nessa perspectiva, o poliestireno, polímero que compõe o isopor, é oriundo do petróleo e demora milhares de anos para se decompor. Dessa maneira, ele é chamado de “bomba biodevastadora” por diversos ambientalistas. Assim, a iniciativa de criar um isopor biodegradável é um ótimo exemplo de desenvolvimento sustentável, porque altera a composição do produto, contudo, sem perda da funcionalidade. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 118 13.2 – Economia Verde O termo Economia Verde consiste em um modelo econômico que propicia um bem-estar social. Nesse sentido, reduz as iniquidades sociais, riscos ambientais e escassez dos recursos naturais. Sob esse viés, a preocupação com a economia verde traz um caráter transformador social, isto é, a população como protagonista da produção. Desse modo, isso é voltado a melhoria de processos produtivos, redução do impacto dos recursos naturais, transformação de resíduo em insumo de outros processos, uso de fontes limpas e renováveis e preservação de ecossistemas. Uma empresa britânica elaborou embalagens sustentáveis tendo sementes como substrato. Consequentemente, a premissa dessas embalagens é que elas possam ser plantadas e, futuramente, tornem-se árvores ou hortaliças. Com isso, há compensação da emissão de carbono na produção. 13.3 – Educação ambiental como metodologia para gestão industrial Com intuito de diminuir os reveses intrínsecos das atividades industriais, a educação ambiental estabelece projetos que envolvam direta e indiretamente funcionários, comunidades das áreas de influência, órgãos de regulação e instituições acadêmicas. Nesse aspecto, relacionam-se interesses científicos, artísticos, políticos e profissionais de cada sujeito para a construção de valores sociais, conhecimentos e habilidades para o uso comum do povo a fim de aprimorar a qualidade de vida e a sustentabilidade. Diante dessa perspectiva, a educação ambiental não deve se restringir apenas a palestras, treinamentos e a cursos, ela necessita ser uma prática. Nesse contexto, devem ser geradas metas e monitoramento de desempenho delas. Assim, a força de trabalho deve ser afetada positivamente ao cumprimento dessas metas. Sob essa premissa, para que a educação ambiental seja efetiva, ela deve permear por todos os níveis hierárquicos. Metodologias de trabalho relacionadas à conjuntura ecológica devem ser desenvolvidas com material didático e com gerência participativa. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 119 Logo, a educação ambiental aliada a gestão industrial é um instrumento de sensibilização dos atores envolvidos no processo de produção. Nesse viés, ao inserir as dimensões sociais, culturais, políticas e ecológicas no meio laboral, há otimização do processo produtivo. ANOTE ISSO Inerentemente, a maioria das atividades econômicas, uma vez que elas alteram o ambiente, causam impacto ecológico. Consequentemente, a indústria não foge desse prisma. Sobretudo, no que tange à geração de resíduos. Portanto, a educação ambiental entra nesse contexto para mitigar esses impactos das atividades econômicas, as quais não podem cessar, pois elas são imprescindíveis para o desenvolvimento de uma sociedade. 13.4 – Contrapartidas econômicas com a educação ambiental A educação ambiental possui efeitos duradouros e transformadores. Todavia, é necessário um período muito longo para o alcance dos objetivos. Nessa premissa, a mesma situação é aplicada para o retorno financeiro. Dessa maneira, a consciência ecológica é um fator que atua nos valores cívicos e morais do indivíduo. Com isso, há um grande obstáculo a ser enfrentado que é o hábito. Nesse sentido, um dos efeitos da educação ambiental é a alteração da preferência dos consumidores, isso leva a uma pressão no setor produtivo a favor do meio ambiente. Portanto, os resultados econômicos da aplicação de projetos de educação ecológico são, majoritariamente, pensados em longo prazo. Natura, uma empresa brasileira, aumentou o lucro em mais de 100 milhões ao adotar medidas sustentáveis.Nessa perspectiva, uma das ideias da empresa foi utilizar 20% menos plástico nas embalagens e reaproveitar os resíduos desse polímero que HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 120 polui o oceano. Dessa forma, a empresa utilizou da educação ambiental não só para a produção de novos produtos, como também para o público consumidor por meio do marketing diante de um cenário de preocupação ecológica. Figura 13.5 – Cerca de 325 mil toneladas de plástico são despejadas no oceano. Tal conjuntura prejudica o ecossistema marinho. As empresas podem utilizar desse cenário para propiciar consciência ambiental e, com isso, aumentar a lucratividade. Fonte: https://www.folhape.com.br/noticias/estudo-aponta-que-mais-de-325-mil-toneladas-de-plasticos-sao/169817/ 13.5 - Legislação acerca da educação ambiental O Estado define políticas públicas que relacionem o aspecto ambiental e a conscientização pública a respeito da preservação, da melhoria e da recuperação do meio ambiente. Por intermédio das leis n° 6938/81 e 9795/99, há estruturas regulatórias básicas sobre esse tema. Nesse contexto, tal conjuntura só foi fortalecida após a RIO-92, quando os países reconheceram que a forma de produção vigente seria insustentável para as gerações futuras. Nessa lógica, vincular a educação ecológica a um dever constitucional é importante para impor não só ao poder público a tarefa de preservar e defender o meio ambiente, como também à coletividade a incumbência de manutenção de ecossistemas. Contudo, ainda não há obrigatoriedade legal de inclusão de projetos de educação ambiental em empresas privadas, o que lesa o desenvolvimento sustentável. https://www.folhape.com.br/noticias/estudo-aponta-que-mais-de-325-mil-toneladas-de-plasticos-sao/169817/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 121 Figura 13.6 – O rio Tâmisa, em Londres, é um exemplo mundial de consciência estatal a respeito do meio ambiente, uma vez que o ecossistema desse rio estava inóspito devido ao despejo inadequado de resíduos industriais e de plástico. Nesse prisma, tendo em vista a situação insustentável que ele se encontrava, o governo londrino depreendeu recursos para a limpeza e a recuperação desse rio, o qual hoje encontra-se despoluído. Por isso, a obrigatoriedade constitucional de preservação ecológica é tão importante. Fonte: https://meioambiente.culturamix.com/gestao-ambiental/a-despoluicao-do-rio-tamisa As Conferências das Partes (COP – Conferences of the parties) é um órgão da ONU que se reúne anualmente a fim de propor alternativas para as mudanças climáticas. Nessa ótica, tal organização almeja cada vez mais incluir as iniciativas privadas como partícipes desse processo de desenvolvimento sustentável, mediante alternativas financeiras como os “créditos de carbono” 13.6 – Educação Ambiental e a indústria de alimentos O setor de produção de alimentos, como qualquer outra atividade econômica, propicia danos ao meio ambiente. Dessa maneira, a educação ecológica é importante para a manutenção de uma conjuntura salutar e o aprimoramento do desenvolvimento sustentável. Diante dessa perspectiva, projetos de educação contínua com os funcionários da empresa e participação da comunidade sob a área de influência da planta de produção são imprescindíveis para o estabelecimento de uma política ambiental forte. Para https://meioambiente.culturamix.com/gestao-ambiental/a-despoluicao-do-rio-tamisa HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 122 isso, é crucial que os projetos desse tema envolvam toda a hierarquia empresarial e permitam uma participação ativa. ANOTE ISSO A aliança público-privada pode ser uma alternativa para iniciativas associadas à educação ambiental. Nesse contexto, a Fundação Nestlé Brasil, em 2009, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente, investiu em projetos pedagógicos a respeito de questões relacionadas à preservação da água, além de oferecer treinamento ambiental para docentes. Como visto anteriormente, a educação ambiental é um processo que envolve a mudança de valor e de moral, ou seja, exige um longo período para que os escopos sejam alcançados. Logo, iniciativas multidisciplinares que envolvam instâncias distintas são benéficas, porque atingem um público maior. Ademais, alternativas que envolvam o meio de produção também favorecem o desenvolvimento sustentável e incitam a educação ambiental. Diante desse viés, a indústria de alimentos lida com muitos resíduos biológicos, principalmente por conterem microrganismos que podem ser nocivos à saúde dos indivíduos. Nesse ínterim, além do descarte adequado, o uso de biodigestores pode ser um modo limpo de obtenção de energia (Figura 13.7). Figura 13.7 – Exemplo de biodigestor, utilizado na indústria de laticínios, que utiliza de gases oriundos da decomposição de resíduos orgânicos para geração de energia. Fonte: https://sansuy.com.br/produto/vinibiodigestor/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 123 Não somente isso, uma das maneiras de incitar uma economia verde na indústria de alimentos é por intermédio de embalagens biodegradáveis com intuito de diminuir o consumo de plástico. Dessa forma, agridem menos o meio ambiente e há otimização do aproveitamento do produto pelo consumidor. Além da embalagem confeccionada por micélio de fungos, é possível fazer embalagens de resíduos como bagaço de cana e de fibra de coco. Ademais, embalagens de alumínio são uma alternativa sustentável quando comparadas ao plástico, pois conseguem ser melhores recicladas e reaproveitadas. 13.7 – Conclusão A preservação do meio ambiente é uma pauta cada vez mais crucial frente aos reveses ocasionados pelas mudanças climáticas. Diante do que foi discutido neste capítulo, não há desenvolvimento sustentável sem uma política de educação ambiental robusta, pois a mudança de valores e de moral nos indivíduos é imprescindível para a criação de hábitos salutares para o meio ambiente, como o consumo consciente. Portanto, a indústria alimentícia também precisa estar incluída nessa conjuntura ecológica, uma vez que os resíduos produzidos por ela podem ser utilizados não só como insumos para a geração de energia, mas também para a confecção de embalagens biodegradáveis. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 124 CAPÍTULO 14 SALUBRIDADE DO AMBIENTE Um ambiente de trabalho salutar é aquele cujo as normas e procedimentos internos visam prevenir a morbidade de doenças ocupacionais, acidentes de trabalho e protegem a integridade física do trabalhador. Nessa lógica, a segurança do trabalho não é restrita somente a máquina e equipamentos, porque ela também dá um enfoque nos aspectos ergonômicos do processo laboral. A preocupação com a salubridade do ambiente de trabalho só iniciou, no Brasil, a partir de 1919 com o governo de Getúlio Vargas. Nesse contexto, isso foi motivado em razão da grande quantidade de acidentes que envolviam as atividades industriais e de construção civil. Com isso, o Estado notou que a falta de segurança no trabalho compromete a mão-de-obra disponível. Diante dessa perspectiva, a dignidade do trabalho é um fator preponderante na prática da atividade laboral. Dessa maneira, o conceito de saúde vigente é relacionado somente à inexistência de enfermidades, mas também ao bem-estar psicossocial. Nesse prisma, busca-se um ambiente de trabalho salutar (Figura 14.1), ou seja, um bom convívio entre os indivíduos é algo a ser levado em consideração. Figura 14.1 – A salubridade do ambiente envolve também a ergonomia laboral, isto é, a postura durante as atividades. Fonte: https://www.corretoracedro.com.br/blog/entenda-8-principais-riscos-ergonomicos/ https://www.corretoracedro.com.br/blog/entenda-8-principais-riscos-ergonomicos/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA| 125 14.1 – Mapa de Risco O mapa de risco (Figura 14.2) é uma representação gráfica de fatores presentes no ambiente de trabalho que são capazes de resultar prejuízos à saúde do trabalhador. Nesse sentido, é utilizado para indicar os pontos de risco e torná-los mais inteligíveis aos funcionários do local. Para a confecção desse material, é necessária uma inspeção de segurança por profissionais capacitados nessa área. Posteriormente, é avaliado o tipo e a gravidade do risco. Figura 14.2 – Representações gráficas do mapa de risco. Cada cor indica um tipo de risco, enquanto o raio da circunferência aborda a respeito da gravidade dele. Cabe ressaltar que um mesmo ambiente pode apresentar mais de um tipo de risco associado a ele. Com isso, é feita uma distribuição em relação à incidência no círculo. Fonte: http://www.joinville.ifsc.edu.br/~luisbm/seguranca/aula03.pdf Figura 14.3 – Conceituação dos tipos de riscos Fonte: https://portal.pucminas.br/cipa/index_padrao.php?pagina=618 http://www.joinville.ifsc.edu.br/~luisbm/seguranca/aula03.pdf https://portal.pucminas.br/cipa/index_padrao.php?pagina=618 HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 126 A elaboração do mapa de risco (Figura 14.4) é crucial para a efetivação de planos de contenção de riscos e de prevenção, como o uso de equipamentos de proteção individual e coletivo. Além de conscientizar os funcionários acerca do panorama em que eles estão inseridos. ANOTE ISSO A despeito de soar menos nocivo que os acidentes, o risco ergonômico também pode ocasionar danos irrecuperáveis à saúde do trabalhador. Nessa ótica, em razão de seu caráter lesivo ser a longo prazo, muitas empresas e funcionários negligenciam esse tipo de risco. Contudo, ele não deixa de ser perigoso. Nesse contexto, a exposição a uma luz inadequada durante a jornada de trabalho pode ocasionar perda da visão, enquanto uma postura inadequada pode gerar hérnias de disco. Figura 14.4 - Exemplo de mapa de risco. Perceba que o discernimento da dimensão do risco e do tipo é importante, assim como a legenda. Fonte:https://gestaodesegurancaprivada.com.br/o-que-e-mapa-de-riscos-ambientais-conceito/ 14.2 – Equipamentos de Proteção. Os equipamentos de proteção são dispositivos para proteção adequada de acordo com os riscos do ambiente de trabalho. Nesse viés, segundo a portaria 3214/78, a empresa é obrigada a fornecê-los gratuitamente aos seus funcionários. Nesse sentido, eles são divididos em equipamentos de proteção individual (EPI) e coletivo (EPC). Dessa maneira, os equipamentos de proteção coletiva são instalados no local de trabalho com a finalidade de preservar a saúde de mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Nesse panorama, os EPC são indispensáveis para o controle perante https://gestaodesegurancaprivada.com.br/o-que-e-mapa-de-riscos-ambientais-conceito/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 127 a ação de agentes insalubres e, consequentemente, a prevenção dos danos deles na saúde e integridade física do trabalhador. Figura 14.5 – A capela de exaustão de gases é um exemplo de EPC, pois ela protege os funcionários do contato com gases potencialmente tóxicos. Fonte:https://www.vidy.com.br/voce-sabia/capela-de-exaustao-e-sua-importancia-no-laboratorio Nesse viés, os equipamentos de proteção individual servem para proteger apenas um indivíduo. A despeito de ele ser facilmente entendido teoricamente, o uso de EPI depreende esforços por parte do empregador, no que tange a seleção e o treinamento dos usuários para o uso adequado, e do funcionário, uma vez que ele necessita criar o hábito de utilizá-lo para preservar a própria integridade. Figura 14.6 – Exemplos ilustrativos dos EPIs. Apesar de simples, exigem conscientização sobre o uso deles. Fonte: https://grupomednet.com.br/treinamentoepi/ 14.3 – Sinalização de Segurança A norma regulamentadora número 26 fixa as cores utilizadas nos locais de trabalho com intuito de prevenir acidentes, identificar equipamentos de segurança, delimitar áreas, além de discernir cores de tubulações para condução de líquidos e vapores a fim de advertir os riscos. https://www.vidy.com.br/voce-sabia/capela-de-exaustao-e-sua-importancia-no-laboratorio https://grupomednet.com.br/treinamentoepi/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 128 Nesse prisma, o uso dessas cores (Figura 14.7) deve ser apenas quando necessário, porque a utilização excessiva pode causar distração, fadiga e confusão do trabalhador. Figura 14.7 – Emprego das cores e seus respectivos significados. Fonte: https://www.getwet.com.br/sinalizacao-de-seguranca/ ANOTE ISSO A capacitação e o treinamento dos trabalhadores também é uma maneira de prevenir acidentes no trabalho. Nesse viés, realizar uma educação continua sobre as normas resolutivas para segurança do trabalho é uma alternativa, geralmente, eficaz. Figura 14.8 -Cores estabelecidas pela NR-26 a respeito das tubulações e o conteúdo que passa por elas. Fonte:https://www.prometalepis.com.br/blog/nr-26-cores-na-sinalizacao-de-seguranca/ https://www.getwet.com.br/sinalizacao-de-seguranca/ https://www.prometalepis.com.br/blog/nr-26-cores-na-sinalizacao-de-seguranca/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 129 14.4 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes é um grupo de pessoas, o qual inclui o empregador e os funcionários, treinados para a prevenção de acidentes. Essa participação ativa do corpo trabalhador é crucial para a eficácia das medidas de salubridade do ambiente. Essa iniciativa tem como escopo encontrar meios para oferecer mais segurança ao local de trabalho e ao trabalhador. Nessa conjuntura, o funcionamento da CIPA é exigência da Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT) e regulamentada pela Norma Regulamentadora n° 6. É uma das atribuições desta comissão realizar cursos, treinamentos e capacitações para aprimorar a segurança do trabalho, acompanhar se as normas de segurança estão sendo realmente cumpridas e realizar o monitoramento de acidentes. 14.5 – Prevenção e combate de incêndios. Uma das exigências das Normas Regulamentadoras é a consolidação de uma comissão de prevenção e combate de incêndio. Nesse sentido, a proteção contra incêndios é relacionada ao armazenamento adequado de materiais inflamáveis, a instalação elétrica adequada e bem projetadas, principalmente, com as manutenções realizadas periodicamente e uso de equipamentos e de móveis que não contribuam com o alastramento do fogo sempre que possível. Nesse aspecto, no que tange ao combate do incêndio, quanto mais rápido o ataque às chamas, mais fácil o fogo será resolvido. Com isso, a principal estratégia de contenção é romper o triângulo do fogo. Figura 14.9 – Representação do triângulo do fogo. Uma das estratégias para conter as chamas é eliminar um desses três pilares. Fonte: https://www.areaseg.com/fogo/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 130 Como os incêndios podem ser provenientes de diversas fontes, as soluções e os modos de combate são distintos. Logo, a escolha correta do extintor é crucial para isso. Ademais, o fator humano é preponderante em situações de incêndio. Isto é, a capacitação e treinamento para lidar com isso é indispensável, pois é necessário saber localizar imediatamente o equipamento de combate às chamas e como utilizá- lo, conhecer as instalações e os diferentes tipos de risco da empresa e saber como se portar diante desse panorama. Figura 14.10 – Tipos de extintores. A finalidade deles é romper com uma das lacunas do triângulo de fogo citado anteriormente de acordo com o tipo de incêndio. Fonte: https://rodecamado.com.br/extintores-de-incendio-e-seus-tipos/ 14.6 – Primeiros Socorros O tempo em que uma vítima de acidente de trabalho recebe os primeiros atendimentos é essencial para a recuperação dele. Comisso, é importante que o corpo trabalhador saiba um pouco acerca desses primeiros procedimentos. Todavia, é imprescindível salientar que o socorro final deve ser sempre prestado por uma equipe médica especializada. Logo, os primeiros socorros são procedimentos com intuito de estabilizar a vítima até a chegada de profissionais mais capacitados. Nesse sentido, é uma das funções da CIPA realizar treinamentos a respeito dessa temática. ANOTE ISSO Ter uma maleta de primeiros socorros em cada ambiente é um grande diferencial para a segurança do trabalhador. Dessa maneira, recomenda-se que ela contenha, no mínimo, termômetro, tesoura, pinça, conta-gotas, algodão hidrófilo, gaze esterilizada, esparadrapo e microspore. Nesse prisma, diferente do senso comum, a presença de medicamentos é um pouco arriscada porque, o uso inadequado, pode piorar a situação e prejudicar o socorro posterior. https://rodecamado.com.br/extintores-de-incendio-e-seus-tipos/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 131 14.7 – Conclusão Portanto, não somente pela segurança do trabalhador ser obrigatoriedade legal vigente na Consolidação das Leis Trabalhistas, mas também porque ela preserva a saúde e o bem-estar do funcionário, o que, de certa forma, ocasiona o aumento de produtividade da empresa. Nessa lógica, a salubridade do ambiente é crucial para o funcionamento de uma boa empresa, haja vista que a integridade física dos trabalhadores está diretamente relacionada à qualidade do serviço prestado ou do produto. Nessa perspectiva, existem profissionais capacitados, justamente, para essa área como os engenheiros e técnicos em segurança do trabalho a fim de tornar o ambiente ocupacional mais salutar e manter ele de acordo com a legislação e as normas regulamentadoras. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 132 CAPÍTULO 15 LEGISLAÇÃO A fim de manter a qualidade e a segurança da produção de alimentos, o Estado, sob a figura da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, regulamenta tecnicamente as ações do processo produtivo, mediante o aparato legislativo, para preservar a saúde da população. Nesse sentido, é elaborado requisitos higiênicos-sanitários mínimos para serviços de alimentação de modo que haja certa padronização entre os processos de produção de alimentos com intuito de não propiciar reveses ao consumo (Figura 15.1). Figura 15.1- Assim como as regras de trânsito, a vestimenta dos manipuladores de alimentos é fundamentada com base legal, justamente, para proteger o bem-estar da comunidade. Fonte:https://www.gub.uy/ministerio-salud-publica/sites/ministerio-salud publica/files/documentos/publicaciones/meriendas-modulo-5-manipulador-alimentos. pdf O aparato legislativo do governo é um apetrecho com finalidade de manutenção da ordem de uma nação e da preservação do bem-estar coletivo. Assim, a base legal dos serviços de alimentos tem como escopo evitar os reveses vistos ao longo desse módulo à saúde do indivíduo. https://www.gub.uy/ministerio-salud-publica/sites/ministerio-salud%20publica/files/documentos/publicaciones/meriendas-modulo-5-manipulador-alimentos.pdf https://www.gub.uy/ministerio-salud-publica/sites/ministerio-salud%20publica/files/documentos/publicaciones/meriendas-modulo-5-manipulador-alimentos.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 133 15.1 - RDC 216, de 15 de setembro de 2004 As resoluções de diretoria colegiada são normas elaboradas pela ANVISA para o bom funcionamento de serviços que envolvam o consumo humano direto. Nessa lógica, a RDC 216/04 aborda sobre as boas práticas dos serviços de alimentação. Dessa maneira, em razão da extensão desse material, ela foi dividida em três partes, nesse capítulo, para facilitar a compreensão. 15.1.1 – Parte 1: Estrutura No que tange à estrutura física das unidades que prestam serviços de alimentação, é necessário que as instalações sejam projetadas de maneira a possibilitar um fluxo ordenado. Isto é, não pode haver cruzamento entre as etapas de preparação de alimentos, com intuito de evitar contaminação cruzada e facilitar as operações de limpeza (Figura 15.2). Figura 15.2 - Exemplo industrial de um fluxo ordenado. Salienta-se que não deve haver necessariamente paredes ou outras estruturas para manter um fluxo, apesar de que esses dispositivos facilitam o processo. Fonte:https://www.laborgene.com.br/como-evitar-problemas-com-a-fiscalizacao-nas-industrias-de-alimentos-7-passos-simples-e-infaliveis-que-toda-empresa- precisa-saber-parte-1/ Além disso, o teto, o piso (Figura 15.3) e a parede devem possuir revestimento liso, impermeável e lavável, pois isso corrobora a manutenção da integridade desses materiais. Consequentemente, evita o acúmulo de sujeira. https://www.laborgene.com.br/como-evitar-problemas-com-a-fiscalizacao-nas-industrias-de-alimentos-7-passos-simples-e-infaliveis-que-toda-empresa-precisa-saber-parte-1/ https://www.laborgene.com.br/como-evitar-problemas-com-a-fiscalizacao-nas-industrias-de-alimentos-7-passos-simples-e-infaliveis-que-toda-empresa-precisa-saber-parte-1/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 134 Figura 15.3 – À esquerda, o piso revestido liso como exigido na RDC. À direita, o modelo de piso incorreto. Note que o espaço entre os pisos nessa figura favorece o acúmulo de sujeira. Fonte: https://www.biopiso.com.br/revestimento-piso-cozinha-industrial https://www.crivelliarquitetura.com.br/cozinha-industrial/o-que-diz-a-anvisa-sobre-piso- para-cozinha-industrial/ A respeito das portas e das janelas, elas devem ser dotadas de fechamento automático, quando localizadas nas áreas de preparação e de armazenamento, e o sistema de exaustão deve constar com uma tela de proteção para impedir a contaminação de pragas por vetores urbanos. Nesse viés, a ventilação do ambiente deve promover a renovação do ar para manter o espaço livre de fungos, gases e partículas suspensas. Todavia, não deve ocorrer incidência do ar diretamente sobre os alimentos. Sob essa perspectiva, deve haver lavatórios exclusivos para a higienização das mãos nas áreas de manipulação de alimentos, preferencialmente, em posições estratégicas em relação ao fluxo de preparo de alimentos e em número suficiente para atender os funcionários de toda essa área. Com isso, o sabonete utilizado para essa finalidade precisa ser inodoro, antisséptico com toalhas de papel não reciclado ou um sistema de secagem de mãos seguro e higiênico que não necessite de contato manual para ser acionado. Outrossim, devem ser realizadas manutenções programadas e periódicas dos equipamentos e utensílios utilizados na produção, com objetivo de assegurar a calibração e bom funcionamento deles. Todo esse processo deve ser registrado. Ademais, as superfícies dos equipamentos, móveis e utensílios necessitam ser livres de rugosidades, frestas ou outras imperfeições para não comprometer a higienização desses materiais. ANOTE ISSO Todo o ambiente deve ser projetado de maneira a facilitar o processo de higienização dele com escopo de impedir a contaminação do alimento. https://www.biopiso.com.br/revestimento-piso-cozinha-industrial https://www.crivelliarquitetura.com.br/cozinha-industrial/o-que-diz-a-anvisa-sobre-piso-para-cozinha-industrial/ https://www.crivelliarquitetura.com.br/cozinha-industrial/o-que-diz-a-anvisa-sobre-piso-para-cozinha-industrial/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 135 Diante desse contexto, a área de preparação de alimentos precisa ser limpa quantas vezes forem necessárias e, obrigatoriamente, após o término do trabalho. Com isso, deve haver uma preocupação acerca da contaminação química associada aos saneantes utilizados nesses procedimentos. Consequentemente, substâncias odorizantes não devem ser utilizadas. Por conseguinte, esses produtos imprescindivelmente precisam estar regularizados pelo Ministério de Saúde.Assim, a diluição utilizada, o tempo de contato, o modo de uso e a aplicação devem obedecer às instruções do fabricante e seu armazenamento necessita ser em um local reservado para esse fim (Quadro 15.1). Ademais, é indispensável a existência de uma equipe de funcionários responsáveis por essa atividade de higienização das instalações. Eles devem utilizar uniformes diferenciados daqueles usados pela equipe de manipulação. Quadro 15.1- Principais detergentes usados na indústria de alimentos e as respectivas finalidades e concentrações. Fonte:https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/c0409c937f91a45d0e2c3cc1da7fe2c9/$File/19483.pdf https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/c0409c937f91a45d0e2c3cc1da7fe2c9/$File/19483.pdf HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 136 Desinfetante e sanitizante não são sinônimos como o senso comum prega. Logo, um desinfetante é um produto que mata todos os microorganismos patogênicos, mas não necessariamente as formas esporuladas deles, enquanto um sanitizante age reduzindo o número de bactérias a níveis seguros de acordo com as normas de saúde. 15.1.2 – Parte 2: Manipuladores e preparo do alimento Os manipuladores são o ponto crucial da produção de alimentos, pois é um fator preponderante de contaminação. Nessa ótica, o controle de saúde deles deve ser monitorado e registrado. Nesse sentido, os funcionários que apresentarem lesões ou enfermidades devem ser afastados da atividade, porque podem comprometer a qualidade higiênico-sanitária dos alimentos. Nesse viés, esses trabalhadores não podem ter certos hábitos, como fumar. ANOTE ISSO A bactéria S.aureus faz parte da microbiota do sistema respiratório superior, ou seja, laringe e nasofaringe, de algumas pessoas. Nesse aspecto, ela não causa doenças, então, o indivíduo vive normalmente. Contudo, esse microorganismo é responsável pela contaminação de alimentos, principalmente, por produzir uma toxina termorresistente. Por conseguinte, a cultura dessa bactéria nos exames admissionais do manipulador é exigida. Sob esse viés, os manipuladores de alimentos precisam usar cabelos protegidos por redes e toucas e não é permitido o uso de barba. As unhas devem estar curtas, sem esmalte ou base. Igualmente, durante a manipulação, acessórios e maquiagem devem ser retirados. Além disso, esses funcionários devem ter asseio pessoal, utilizar uniformes compatíveis à atividade, os quais devem ser trocados diariamente e usados exclusivamente nas áreas internas do estabelecimento. Com isso, os objetos pessoais HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 137 devem ser guardados em espaços destinados para esse fim, que não deve ser o mesmo do ambiente de manipulação. Nessa perspectiva, os manipuladores devem lavar as mãos cuidadosamente ao chegar ao trabalho, antes e após manipular os alimentos, após qualquer interrupção da atividade. Logo, é necessário que sejam afixados cartazes orientando a respeito da lavagem correta das mãos em locais de fácil visualização, incluindo as instalações sanitárias e os lavatórios (Figura 15.5). Figura 15.5 – Recapitulando a lavagem corretamente de mãos. A antissepsia das mãos é de grande relevância para o processo de manipulação dos alimentos. Fonte: http://biblioteca.cofen.gov.br/videos/como-lavar-as-maos-coronavirus-1/ Ademais, os manipuladores devem ser capacitados e treinados periodicamente sobre higiene pessoal em manipulação asséptica de alimentos e doenças transmitidas por alimentos. Esse processo necessita ser registrado e comprovado por intermédio de uma documentação, a qual pode ser a lista de presença do curso. Assim, os manipuladores necessitam estar livres de qualquer tipo de contaminante para estarem aptos a manipularem os alimentos. Para isso, a higiene dos mesmos precisa ser um fator indispensável. 15.1.3 – Parte 3: Matéria-prima, armazenamento e documentação As matérias-primas e os ingredientes devem seguir as condições higiênico-sanitárias vigentes e estarem em conformidade com a legislação específica. Desse modo, os produtos perecíveis ficam expostos à temperatura ambiente somente pelo tempo mínimo necessário para a preparação do produto. http://biblioteca.cofen.gov.br/videos/como-lavar-as-maos-coronavirus-1/ HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 138 Nessa lógica, quando a matéria-prima não for utilizada em sua totalidade é necessário etiquetar informações como a designação do produto, a data do fracionamento e o prazo de validade após a abertura. Diante dessa perspectiva, a fim de mitigar o risco de contaminação, sempre que possível, recomenda-se a limpeza das embalagens das matérias-primas. Figura 15.6 – Exemplo de etiqueta utilizada em matéria-prima fracionada. Fonte: https://www.ra2print.com.br/l4mfc9maj-etiqueta-prazo-validade-p-identificacao-emb-alimentos-anvi Além disso, os serviços de alimentação, obrigatoriamente, precisam de um Manual de Boas Práticas e de Procedimentos Operacionais Padronizados (POP) de fácil acesso para os funcionários e disponível para a vigilância sanitária nos episódios de fiscalização. Nesse sentido, esses documentos devem ser aprovados e assinados pelo responsável técnico do estabelecimento e os registros devem ser armazenados por um período mínimo de um mês após a produção do alimento. Nesse prisma, cabe salientar que é necessário que os documentos (POPs) estejam relacionados com a higienização de instalações, equipamentos e móveis, controle de pragas e vetores, higiene e saúde dos manipuladores. Sob esse viés, os POPs contendo a higienização do equipamento precisam constar a natureza da superfície a ser higienizada, o método de higienização, o princípio ativo selecionado para limpeza e sua respectiva concentração, o tempo de contato dos agentes químicos ou físicos utilizados na operação de higienização. Outrossim, os documentos relacionados ao combate de pragas e vetores necessita conter as medidas preventivas e corretivas destinadas a impedir a atração, o abrigo, o acesso e a proliferação de vetores e pragas urbanas. No caso da adoção de medidas químicas, o estabelecimento deve apresentar comprovante de execução de serviço fornecido pela empresa especializada contratada. https://www.ra2print.com.br/l4mfc9maj-etiqueta-prazo-validade-p-identificacao-emb-alimentos-anvi HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 139 ANOTE ISSO O Manual de Boas Práticas não é somente um compilado de POPs. Nessa ótica, ele dele conter os procedimentos necessários para garantir a qualidade do alimento. Isto é, deve constar os registros de treinamento, as etiquetas e os demais documentos relacionados ao controle de qualidade. Por fim, os POPs acerca da higiene dos manipuladores imprescindivelmente necessita conter a frequência e os princípios ativos usados na lavagem das mãos dos manipuladores, as medidas adotadas nos casos em que os manipuladores apresentem ferimentos nas mãos, sintomas de enfermidades que possam comprometer a qualidade dos alimentos. Ademais, deve-se especificar os exames aos quais os manipuladores de alimentos são submetidos e a respectiva periodicidade. Além disso, o programa de capacitação dos manipuladores em higiene deve ser descrito e conter a carga horária, o conteúdo programático e a frequência de sua realização, mantendo-se em arquivo os registros da participação nominal dos funcionários. 15.2 Responsabilidades O responsável pelas atividades de manipulação dos alimentos deve ser o proprietário ou funcionário designado, devidamente capacitado, sem prejuízo dos casos em que há previsão legal para responsabilidade técnica. O responsável pelas atividades de manipulação dos alimentos deve ser comprovadamente submetido a curso de capacitação, abordando, no mínimo, os seguintes temas: • Contaminantes alimentares; • Doenças transmitidas por alimentos;• Manipulação higiênica dos alimentos; • Boas práticas. Portanto, o aparato legislativo tem como finalidade garantir a qualidade do alimento, com intuito de não causar danos à saúde coletiva. Dessa forma, são estabelecidas normas sanitárias mínimas para esse escopo. HIGIENE PROF.a LAILA MATOS PEREIRA RIBEIRO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 140 REFERÊNCIAS BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. 6ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2005. FRANCO, B. D. G. M.; LANDGRAF, M. Microbiologia dos Alimentos. Ed. Atheneu, São Paulo, 2005. SILVA, N.; JUNQUEIRA, V.C.A.; SILVEIRA, N.F.A. Manual de métodos de análise microbiológica de alimentos. São Paulo: Varela, 2001. KUAYNE, ARNALDO YOSHITEU. Limpeza e sanitização na indústria de alimentos.1. ed. Atheneu, Rio de Janeiro, 2017. NELIO ANDRADE. Higiene na indústria de alimentos. 1. ed. Varela, Rio de Janeiro, 2008. PEDRO MANUEL, MARIA IZABEL. Higiene e Vigilância sanitária de alimentos. 4a. ed. Manoele, São Paulo, 2011. _GoBack _GoBack _gjdgxs _30j0zll _1fob9te _3znysh7 _2et92p0 _heading=h.gjdgxs _Hlk107417144 _heading=h.30j0zll _heading=h.3znysh7 _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.1fob9te _heading=h.3znysh7 _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.1fob9te _heading=h.3znysh7 HIGIENIZAÇÃO E SEGURANÇA DE ALIMENTOS REQUISITOS SANITÁRIOS PARA INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS QUALIDADE DA ÁGUA INDUSTRIAL ADESÃO E FORMAÇÃO DE BIOFILMES PROCESSOS DE LIMPEZA Processos de Sanitização Principais Detergentes PRINCIPAIS SANITIZANTES Higienização Pessoal MONITORAMENTO DA HIGIENIZAÇÃO PPHO (Procedimentos Padronizados de Higiene Operacional) aplicados aos programas de limpeza CONTAMINAÇÃO DE ALIMENTOS EDUCAÇÃO AMBIENTAL SALUBRIDADE DO AMBIENTE LEGISLAÇÃO