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UNIASSELVI CURSO SUPERIOR DE NUTRIÇÃO RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO JÉSSICA MAIARA DOS REIS MALLACH CAMPO BOM – MAIO/2023 UNIASSELVI CURSO SUPERIOR DE NUTRIÇÃO JÉSSICA MAIARA DOS REIS MALLACH ADELAR DE SOUZA PINTO ME – LAR GERIÁTRICO BEM – ME – QUER 14h-18h ANDREA MARIA LIBERALESSO Tutor da disciplina Relatório Parcial de Estágio Curricular Supervisionado, apresentado a Uniasselvi-SC, como requisito para obtenção do diploma. CAMPO BOM – MAIO/2023 DADOS DO ESTÁGIÁRIO ALUNO: JÉSSICA MAIARA DOS REIS MALLACH DATA DE NASCIMENTO: 07/09/1985 CONCLUSÃO DO CURSO: 2024 ENDEREÇO: RUA HUMAITÁ 322 – CAMPO BOM FONE: 51 997075207 CURSO: NUTRIÇÃO - UNIASSELVI ENDEREÇO: RUA DALTRO FILHO, 191 BAIRRO: CENTRO CIDADE: CAMPO BOM - RS CEP: 93700-000 FONE: (51) 3079-8400 DADOS DO ESTÁGIO RAZÃO SOCIAL: ADELAR DE SOUZA PINTO ME ENDEREÇO: RUA WALTER BIRCK, 166 BAIRRO: PRIMAVERA CIDADE: DOIS IRMÃOS - RS DATA DE FUNDAÇÃO: 2011 NATUREZA: CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS PARA IDOSOS E DEFICIENTES FÍSICOS ÁREA DE ATUAÇÃO DA EMPRESA: SAÚDE NÚMERO DE EMPREGADOS: 20 PERÍODO DE ESTÁGIO: FEVEREIRO/2023 A MAIO/2023 REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA: ADELAR DE SOUZA PINTO ÍNDICE Sumário 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 5 2. OBJETIVOS ............................................................................................................................ 7 2.1 Objetivo geral ..................................................................................................................... 7 2.2 Objetivos específicos ......................................................................................................... 7 3. DESENVOLVIMENTO ............................................................................................................. 8 3.1 Histórico da empresa ......................................................................................................... 8 3.2 Descrição dos setores ........................................................................................................ 8 3.3 Descrição da rotina diária no setor e relacionamento com a equipe ................................. 15 3.4 Descrição de casos clínicos vivenciados em seu estágio e suas possíveis resoluções/plano de ação ...................................................................................................... 22 3.5 Relatórios de dúvidas e como foram sanadas .................................................................. 28 4. CONCLUSÃO........................................................................................................................ 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 31 ANEXOS ................................................................................................................................... 33 1. INTRODUÇÃO É sabido que o conhecimento se adquire com os mais diversos instrumentos. É possível aprender de forma lúdica, através da leitura, palestras, aulas, estudos, práticas e conversas, entre outros. A aprendizagem é um conceito dinâmico e pode ocorrer de muitas maneiras, conquistando novos níveis conforme é diversificada e realizada (RANGEL, 2005). Dentro das mais diversas profissões, é preconizado que aconteçam práticas de aprendizado que incluam a vivência do profissional em campo, como protagonista supervisionado da jornada do saber (RUDNICKI; CARLOTTO, 2007). Segundo Lovato et al. (2018), formas diferentes do método de ensino tradicional – com professor em sala de aula – permitem o aprimoramento de várias outras capacidades analíticas, desenvolvendo no indivíduo o pensamento criativo, inovação, aprendizado coletivo, cooperação e co-criação. Neste contexto, confere-se ao estágio supervisionado a denominação de ensino prático, tornando-o assim método de absorção de informações e ideias que molda o conhecimento através da experiência, trazendo para a realidade as teorias e técnicas previamente obtidas em sala de aula. Esse acaba sendo um marco importante para verificar a expansão dos princípios e conceitos no âmbito palpável; poder contribuir de maneira ativa torna o processo de instrução do educando mais efetivo e factual, trazendo aos fundamentos e preceitos uma prova real e construtiva dos cenários (RUDNICKI; CARLOTTO, 2007). Isto posto, segundo Pimentel et al. (2015), para os profissionais de saúde a relação teoria-prática torna-se primordial para entendimento da realidade da população nessa esfera. É pressuposto que um profissional da saúde obtenha pelas atividades práticas uma espécie de confrontação aos saberes ensinados pela literatura e explicações expositivas, para que entenda o que é possível e o que é necessária adaptação dentre as diferentes realidades encontradas na comunidade. “O Estágio Integrado possibilita aos acadêmicos da área de saúde uma prática multidisciplinar com enfoque na vigilância à saúde, por meio do diagnóstico dos principais problemas de saúde da comunidade atendida.” (PIMENTEL et al., 2015, p.353). Nesse contexto, a vivência do estágio na saúde coletiva é um dos marcos no estudo da Nutrição. A saúde coletiva é uma etapa importante da aprendizagem do profissional nutricionista, pois existem muitos desafios, principalmente na sociedade moderna – que normalmente possui um ritmo de vida que necessita de uma alimentação mais prática e que tem um acesso muito fácil a alimentos de espectro não saudável. (RECINE et al., 2014). Em termos gerais, o trabalho do nutricionista em saúde coletiva reúne um conjunto de desafios, dentre os quais a análise dos problemas, considerando a determinação social da saúde e da alimentação e nutrição; a escolha de estratégias de ação baseadas em evidências e efetividade; a compreensão da abrangência desse campo de conhecimentos, saberes e práticas em suas relações com a saúde coletiva e as demais ciências; e a tradução do conhecimento em prática ampla e efetiva [...] (RECINE et al., 2014, p.749). No que tange a saúde coletiva, o profissional nutricionista precisa atentar-se à realidade do indivíduo dentro da coletividade, da sociedade, do meio em que vive, orienta e sustenta. É preciso adaptar-se aos diferentes cenários, valores, poder aquisitivo, cultura e possibilidades do núcleo coletivo onde a comunidade se embasa, para que a retórica não se descole da realidade e torne-se inviável de praticar e direcionar os hábitos para uma alimentação voltada à saúde (RECINE et al., 2014). Ainda concernente à saúde coletiva, dando especificidade as casas de repouso ou ILPI (instituição de longa permanência de idosos), é importante perceber além de tudo que “(…) uma avaliação nutricional bem executada permite diagnosticar precocemente os riscos nutricionais de um indivíduo idoso, ou seja, consegue evitar que a desnutrição desenvolva-se” (OLIVEIRA; MONTEIRO, 2016, p.2 apud ABAJO et al, 2008). Uma triagem bem feita permite com que a avaliação nutricional, tão importante nessa fase da vida do indivíduo (em especial dos que estão institucionalizados), se torna essencial para identificar possíveis riscos de deficiências de nutrientes ou mesmo desnutrição - que é ponto crítico em indivíduos idosos (OLIVEIRA; MONTEIRO, 2016). Importante ressaltar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgou que no Brasil, entre 2012 e 2019, mantém-se a tendência de aumento do topo da faixa etária (idade mais avançada) do país, em contrapartida à redução da base etáriamais baixa (idade mais nova), demonstrando assim que perpetua-se a tendência do envelhecimento populacional; da população total do Brasil, 15,7%, são idosos - 60 anos ou mais (GOMES et al., 2021 apud IBGE, 2020). Isso também gera o aumento da institucionalização de idosos residentes em casas de repouso, devido a necessidades inerentes à sociedade contemporânea – maior segurança na tutela, cuidados específicos relacionados a idade avançada, tempo necessário para disponibilizar-se nesta tarefa (GOMES et al., 2021 apud CREUTZBERG et al., 2008). Esse aumento de idosos na residência em ILPIs torna, então, ainda mais imprescindível a atuação de excelência do profissional nutricionista focado em saúde coletiva, com uma visão ampla e focada nas particularidades e necessidades do público idoso, que muitas vezes possuem maiores limitações e debilidades (OLIVEIRA; MONTEIRO, 2016). 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Realizar a prática relacionada ao aspecto nutricional no âmbito da saúde coletiva, para assim adquirir conhecimento específico através das atividades e execuções do que foi aprofundadamente teorizado nas disciplinas do curso de Nutrição. 2.2 Objetivos específicos Acompanhar a rotina de atendimento nutricional do profissional em campo; Entender os processos envolvidos na atuação do profissional nutricionista com foco em saúde coletiva; Estimular o entendimento do time de saúde voltado à importância da nutrição no residente em casas de repouso; Auxiliar nas ações realizadas para melhoria da saúde coletiva da ILPI; Auxiliar no controle do estado nutricional de cada indivíduo através de acompanhamento nutricional. 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Histórico da empresa O Lar Geriátrico Bem – Me – Quer foi fundado em 2011, originalmente em Ivoti - RS. Por conta de uma decisão pessoal de seus fundadores e proprietários – Adelar e Jandir, em 2017 foi feita a mudança para Dois Irmãos - RS, cidade vizinha ao local original. Outro ponto que pesou nessa decisão foi o fato que em Dois Irmãos o local teria uma melhor adaptação aos residentes acamados, permitindo maior conforto e também permitindo uma mobilidade mais fluída de locomoção do time de saúde e apoio do lar. O atual local conta com uma boa infra-estrutura pois foi construído para ser um hotel, que já não estava em funcionamento quando ocorreu a mudança. O nome dado a casa foi pensado na necessidade de ser dada a devida atenção, tratarmos com gentileza e cuidado as pessoas que já se encontram em idade avançada. FIGURA 1 – VISÃO EXTERNA DO LAR E PÁTIO ADJACENTE FONTE: <https://m.facebook.com/larbemmequer> > Acesso em: mar. 2023 3.2. Descrição dos setores A ILPI Lar Geriátrico Bem – Me – Quer tem como propósito acolher idosos – até 28 idosos com idades a partir de 65 anos, tanto livres de limitações, quanto acamados, proporcionando um ambiente de conforto e bem-estar com uma equipe multidisciplinar capacitada para atender e promover a saúde dos ali residentes. Como uma instituição de permanência privada, seu horário de funcionamento é 24x7, porém visitas ocorrem entre 12h a 16h, diariamente. Às 17h inicia-se o processo de retorno aos aposentos dos idosos para começarem as rotinas pertinentes ao sono. Atualmente, está localizado na Rua Walter Birck, nº 166, no bairro Primavera, na cidade de Dois Irmãos - RS. O bairro fica em região um pouco mais afastada da cidade, permitindo assim um ambiente tranquilo, acolhedor e com pouco ruído externo, pensando sempre na maior comodidade de seus internos. A casa possui 2 andares com cômodos amplos e arejados. No piso inferior encontra-se uma recepção e escada que dá acesso ao segundo piso, seguida de uma sala de lazer comum e refeitório anexo. Também no primeiro piso está localizada a cozinha, que fica apartada do refeitório e demais ambientes. FIGURA 2 – VISÃO DA COZINHA FONTE: a autora (2023) FIGURA 3 – VISÃO DA COZINHA – FOGÕES E REFRIGERADOR FONTE: a autora (2023) Devido a estrutura que abrigava um hotel, na cozinha há um passa-prato para as refeições, o que permite menor circulação de pessoas no local, auxiliando na conservação da higiene. É na cozinha que está disponibilizado o cardápio, horários das refeições e as instruções com relação a higiene dos alimentos. FIGURA 4 – VISÃO DA COZINHA – CARDÁPIO E INSTRUÇÕES FONTE: a autora (2023) Próxima a saída e aos refrigeradores, está disponível um extintor de incêndio, para segurança. FIGURA 6 – VISÃO DA COZINHA – EXTINTOR DE INCÊNDIO FONTE: a autora (2023) Ainda nesse piso fica a despensa e estoques gerais. Os alimentos frescos e orgânicos são armazenados em caixas de estocagem. As frutas e verduras não são especificadas no cardápio elaborado pela nutricionista (com exceção das fontes de carboidratos), sendo adaptados conforme melhores ofertas e disponibilidade do comércio local. Ainda na despensa ficam estocadas as caixas de alimentação enteral, com estante específica, ficando apartada dos demais alimentos. FIGURA 7 – DESPENSA – ORGÂNICOS FONTE: a autora (2023) Ainda nesse piso, há uma ala com 5 leitos disponíveis para os internados acamados que não possuem mobilidade. É uma ala recente, que foi disponibilizada no ano passado aos residentes, com monitoramento de responsáveis 24h dentro do quarto. FIGURA 9 – LEITOS FONTE: a autora (2023) No piso superior, fica a sala administrativa, a sala de enfermagem e os leitos dos residentes que não estão acamados. Como trata-se de uma estrutura historicamente hoteleira, todos os quartos possuem banheiro privativo. Na sala administrativa localiza-se os arquivos nutricionais dos idosos, as prescrições, a armazenagem dos dados antropométricos. Os acessos aos ambientes, sanitários, box, possuem segurança apropriada, com corrimãos, grades e monitoramento permanente de câmeras. Os corredores são amplos, o que permite boa circulação de cadeiras de rodas ou camas hospitalares, se necessários. O lar está localizado em um bairro que possui todas as necessidades com relação a infraestrutura de saneamento básico, iluminação pública; encontra-se em uma rua de paralelepípedo pouco movimentada, mas de fácil acesso. Como pode ser verificado na figura 11 (abaixo), o terreno e seu entorno é bem arborizado. A área externa possui varanda e um jardim murado e gradeado que permite a circulação de pessoas, trazendo assim possibilidade de contato com a natureza. Na área externa da varanda também encontra-se o elevador, e no segundo piso ele estaciona dentro do prédio, no corredor, permitindo maior mobilidade aos residentes que possuem dificuldade de locomoção. FIGURA 10 – VISÃO GEOGRÁFICA DO BAIRRO PRIMAVERA FONTE: https://www.google.com/maps/place/Primavera,+Dois+Irm%C3%A3os+-+RS,+93950-000/@- 29.5850047,- 51.0994985,15.56z/data=!4m6!3m5!1s0x9519467510298f9d:0x977b3843f1ee22ee!8m2!3d- 29.5852062!4d-51.0932247!16s%2Fg%2F1ymwflhss!5m1!1e4 (2023) FIGURA 11 – VISÃO DE SATÉLITE DA RUA E DO LAR BEM – ME – QUER FONTE: https://www.google.com/maps/place/Primavera,+Dois+Irm%C3%A3os+-+RS,+93950-000/@- 29.5888672,- 51.1010474,353m/data=!3m1!1e3!4m6!3m5!1s0x9519467510298f9d:0x977b3843f1ee22ee!8m2!3d- 29.5852062!4d-51.0932247!16s%2Fg%2F1ymwflhss (2023) O lar possui suas rotinas diárias divididas em vários setores. Cada setor possui uma funcionalidade específica, dedicada as tarefas necessárias para sua manutenção, rotinas e conservação. Setor nutricional: Composto por uma nutricionista, duas cozinheiras e uma auxiliar. É a área que realiza o preparo e condução dos alimentos. A nutricionista realiza as avaliações nutricionais, verifica o histórico e precedentes dos residentes, faz a rotina de cardápios e avalia as necessidades de dietas específicas (enteral). Faz a elaboração e revisão periódicado Manual de Boas Práticas, avaliação e análise higiênico- sanitário de todos os ambientes, em especial na cozinha, despensa e estocagem. Setor de Saúde: Composto pelos demais profissionais de saúde capacitados para atender a promoção, prevenção e proteção da saúde. Tem em seu quadro uma enfermeira, técnicos de enfermagem e um clínico geral. A enfermeira é a responsável por verificar e realizar a separação dos medicamentos conforme as prescrições médicas, atuando conforme preconiza o COFEN. Os técnicos são os responsáveis pela administração geral dos medicamentos nos pacientes, além da manipulação das dietas enterais ou suplementação indicada pela nutricionista. Fazem a higienização dos pacientes que não conseguem realizar de forma adequada, preenchem as observações necessárias nos prontuários dos pacientes acamados, auxiliam nas rotinas diárias das cuidadoras principalmente na mobilização dos idosos entre cômodos. O clínico geral faz os acompanhamentos, consultas individuais e avaliação dos idosos. Outros profissionais são indicados e podem prestar serviços dentro do lar, como psicólogos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, mas possuem contratação distinta e particular por cada família. Cuidadoras: As cuidadoras ficam responsáveis pelo cuidado diário, auxiliam nas atividades de rotina, higienização, alimentação, locomoção. Elas também realizam atividades lúdicas extras, pensando no lazer e em proporcionar um ambiente interativo, como jogos de cartas, bingos, oficinas temáticas em datas festivas (como enfeites para o natal, pintura de ovos de páscoa). Setor Administrativo: Os dois proprietários e fundadores atuam como responsáveis administrativos do lar, sendo os responsáveis pela gestão geral, gestão dos colaboradores, financeiro, compras, organização e arquivamento de documentos. São o ponto de contato principal com as famílias dos residentes. Um dos proprietários também possui formação como técnico de enfermagem, e auxilia no dia-a-dia da função. Outros: Profissionais responsáveis pela limpeza, serviços gerais, consertos e jardinagem. Algumas vezes ao mês há dois voluntários que fazem visitas ao lar: um pastor religioso e um músico que toca violão para entretenimento dos idosos. 3.3 Descrição da rotina diária no setor e relacionamento com a equipe A equipe multidisciplinar de trabalho conta com profissionais para a realização das tarefas necessárias e rotinas diárias, conforme abaixo: QUADRO 1 – EQUIPE DE TRABALHO QTDE FUNÇÃO CARGA HORÁRIA (horas/mês) 1 NUTRICIONISTA 20h/semana 2 COZINHEIRA 9h/dia 1 AUX. COZINHA 9h/dia 1 ENFERMEIRA 12/36h turno 3 TÉCNICOS ENFERMAGEM 12/36h turno 4 CUIDADORAS 12/36h turno 1 CLÍNICO GERAL 20h/semana 2 ADMINISTRADORES 24h/dia 3 PROF. LIMPEZA 9h/dia 2 SERVIÇOS GERAIS 9h/dia 1 ESTAGIÁRIA 4h/dia FONTE: a autora (2023) Especificamente no setor de nutrição, inicialmente foi realizado uma verificação geral do local, suas instalações, entendimento sobre seus processos, horários, hábitos e tarefas, bem como a apresentação aos funcionários e definição de papéis e responsabilidades. Foi realizada uma conversa/entrevista informal para conhecer também o papel de cada colaborador. Na rotina diária é realizada uma reunião com a nutricionista para verificação das atividades realizadas, apoio na lista de compras, verificação e organização dos estoques, datas de validade. Inspeção e avaliação das temperaturas das geladeiras, armazenagem correta de sobras, líquidos, alimentos que devem ser refrigerados e orgânicos. Avaliação do aspecto e limpeza dos ambientes de cozinha e refeitório, checagem das refeições preparadas. Nas rotinas esporádicas que não ocorrem diariamente, há a reavaliação do cardápio, ajustes para lista de compras, alinhamentos e treinamentos com a cozinheira sobre os preparos, remodelagem do manual de boas práticas e de outros materiais ilustrativos, ações lúdicas para interação e conscientização dos idosos no que tange a alimentação saudável. O relacionamento com a cozinheira é diário e de boa aceitação, uma relação simbiótica de trocas de experiências, explicações e dados relacionados aos nutrientes, trazendo contexto ao fundamental papel desta no nutrir dos residentes. Já na parte clínica, é realizado periodicamente a antropometria dos idosos e avaliação de planos de ação conforme resultados; também é produzida as indicações de dietas específicas enterais, bem como as instruções com relação a administração dessa dieta. Na rotina de estágio também é necessário realizar interlocução direta com todos os colaboradores do lar, em maior ou menor grau. Com relação ao setor de saúde e cuidadores, a relação é harmoniosa e cooperativa. No momento da pesagem são os cuidadores que auxiliam os idosos na balança, fazem escuta ativa das necessidades do setor de nutrição no que tange a alimentação, estimulam os idosos a comerem de forma descontraída. Em alguns casos, trazem sugestões para o setor nutricional fazer alguma adaptação na dieta (por exemplo, o lanche da manhã fica perto do horário do banho, às vezes fica mais complicado de ofertar a salada de frutas pois devido a algum imprevisto, foi incluso a opção de variar entre salada de frutas, fruta ou bolacha água e sal). Em algumas situações, também é discutido entre os setores quando há uma variação maior no IMC, para identificar se houve alguma alteração medicamentosa ou algo atípico, por exemplo. O setor administrativo é o que possui maior interação com o setor nutricional. A nutricionista dá as diretrizes com relação à lista de compras; como um dos administradores é técnico em enfermagem, ele auxilia a enfermeira na administração da dieta enteral, avaliando aceitação. A rotina de interações com os demais profissionais ocorre com pouca frequência, apenas com relação a algum ponto de atenção relacionado a limpeza dos ambientes relacionados a alimentação (cozinha e refeitório). Adentrando às rotinas de estágio, uma vez ao mês o cardápio é refeito, avaliando sempre as necessidades nutricionais, respeitando os macro e micronutrientes da dieta. O cardápio é atualizado levando-se em conta a última versão atualizada. Saladas e frutas são citadas porém não são especificadas pois são adquiridas pelos administradores considerando a disponibilidade, as frutas da estação e os preços encontrados nas feiras e fruteiras da região. QUADRO 2 – CARDÁPIO DE MARÇO/23 FONTE: a autora (2023) São realizadas 6 refeições diárias. A cada troca de cardápio, é feito um alinhamento com a cozinheira sobre o melhor modo de preparo, dicas e instruções. Também é produzida uma listagem geral dos alimentos a serem adquiridos. Em grande parte das refeições é realizada a análise e inspeção dos alimentos antes da preparação. Ao final de cada preparo é garantida a checagem das refeições. FIGURA 12 – LANCHE DA TARDE FONTE: a autora (2023) Além da dieta oral, os pacientes com determinadas patologias (como AVC, diabetes mellitus, Parkinson, alzheimer, hipertensão) ou desnutrição muitas vezes não conseguem realizar suas refeições de forma oral. Para estes casos clínicos, bem como demais pacientes acamados com outras debilidades, ou ainda com dificuldades de deglutição por conta do envelhecimento, é prescrita a dieta enteral de forma individual, conforme histórico e peso do paciente. FIGURA 12 – DIETA ENTERAL FONTE: a autora (2023) Junto a estante da dieta, estão fixadas as instruções para administração da dieta enteral via sonda, individualizada para cada paciente. FIGURA 8 – INSTRUÇÕES DIETA ENTERAL FONTE: a autora (2023) É realizada inspeção geral dos alimentos e despensa: Refrigerados – avaliação da validade, método de armazenagem, vedação – avaliação da temperatura e limpeza geral dos refrigeradores; Alimentos secos – organizados por tipo conforme a distribuição das refeições e ordenados pela validade (mais antigos dispostos à frente, para serem primeiramente utilizados); Alimentação enteral – também ordenada e realizada a checagem conforme validade FIGURA 12 – REFRIGERADORES E DESPENSA FONTE: a autora (2023) O manual de boas práticas foi atualizado e remodelado, colocando em tópicos os principais itens e adequado a parâmetros específicos de UAN. Feito também a verificação e revisão das principais diretrizes fixadas na cozinha: método de administração da alimentação enteral, instruções de higiene e limpeza. FIGURA 13 – MÉTODO DE ADMINISTRAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO ENTERAL FONTE: a autora (2023) 3.4 Descrição de casos clínicos vivenciados em seu estágio e suas possíveis resoluções/plano de ação Periodicamente, uma vez ao mês, era parte da rotina da ILPI realizar a avaliação antropométrica (através dos dados de peso, altura e cálculo do IMC). A tabela completa de dados antropométricos está disponível no anexo A. Importante ressaltar que alguns pesos foram estimados pela observação, pois os idosos estavam acamados ou não conseguiam ficar em pé. Em alguns casos foi possível realizar a pesagem, porém não foi possível manter o idoso em pé sobre a balança sem nenhum tipo de apoio, o que pode causar alguma alteração no resultado. Estas situações representam cerca de 15% do total da pesagem. FIGURA 14 – REALIZANDO A PESAGEM: FONTE: a autora (2023) Para cálculo do IMC, foi utilizada tabela disponibilizada no site do SISVAN, referente a IMC para idosos, que difere do IMC para demais públicos: FIGURA 15 – IMC PARA IDOSOS: FONTE: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi-win/SISVAN/CNV/notas_sisvan.html#out> Acesso em: 15 mar. 2023 Abaixo a média geral dos dados: QUADRO 3 – MÉDIA DE RESULTADOS DE IMC POR MÊS FONTE: a autora (2023) Pelo gráfico exposto é possível perceber que não há uma variação significativa no IMC durante o período, o que é um bom indicativo da linearidade da dieta prescrita da nutricionista. Com relação aos residentes que apresentaram baixo peso, foi feito uma conversa com a nutricionista para entendimento. Muitos casos estão relacionados a doenças pré-existentes, metabólicas ou de origem mental, como alzheimer e depressão. Em outros casos tratam-se de indivíduos ectomorfos que trouxeram um histórico pregresso de IMC baixo. Não houve alterações significativas nos exames gerais destes pacientes durante o período do estágio. Historicamente é percebido que idosos acima de 70 anos possuem uma prevalência de sarcopenia e baixo peso, principalmente no que tange a indivíduos que possuem alguma doença crônica (CAMPOS et al., 2006). Através do quadro 4, é possível verificar que a maior parte dos pacientes do ILPI possuem entre 70 e 80 anos, e pela análise do gráfico 1 percebemos que a média geral dos indivíduos são eutróficos, com uma prevalência maior de baixo peso em comparação ao sobrepeso. QUADRO 4 – MÉDIA DE RESULTADOS DE IMC POR MÊS FONTE: a autora (2023) GRÁFICO 1 – MÉDIA GERAL DE RESULTADOS DE IMC POR INDIVÍDUOS FONTE: a autora (2023) Essa tendência que ocorreu em todos os meses (com exceção do mês de abril, no qual o baixo peso e o sobrepeso obtiveram o mesmo índice, 18% - podendo ser conferido no gráfico 2: GRÁFICO 2 – EVOLUTIVO DE RESULTADOS DE IMC POR MÊS FONTE: a autora (2023) Uma das ações realizadas para auxiliar no processo de manutenção do peso dos residentes foi uma palestra sobre alimentação saudável e o que é um prato completo, salientando a importância de termos alimentos dos três tipos em nossas refeições, explicando qual a função de cada um em nosso metabolismo. Segundo Silva, (2020), são eles: alimentos construtores, que são responsáveis pela construção e reparação do nosso corpo; alimentos reguladores, que regulam o organismo e ajudam a prevenir doenças; e alimentos energéticos, que fornecem a energia necessária para nossas atividades diárias. Ao final, foi entregue aos idosos, bem como à equipe de apoio (cuidadores, administrativo, técnicos de enfermagem), um folder explicativo para que reforçassem os ensinamentos no dia-a-dia durante as refeições e também pudessem praticar nas suas próprias rotinas. Esta prática foi aplicada durante o período do dia que ocorriam visitas, então foi realizada a conscientização de forma geral, inclusive dos não residentes. FIGURA 16 – RELATO SOBRE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL FONTE: a autora (2023) Na mesma ocasião, aproveitou-se para falar sobre a importância de bebermos muita água regularmente: este foi um ponto destacado pela própria nutricionista, relatando que a desidratação é um problema frequente entre idosos, pois acabam esquecendo de fazer a ingestão. Destacou-se, no momento expositivo, algumas das principais funções do consumo, a saber (AZEVEDO et al., 2016): • Hidrata • Melhora a aparência da pele, unhas e cabelos • Evita o inchaço • Ajuda na acidez do estômago (azia) • É o transporte que as vitaminas utilizam • Ajuda os rins a funcionarem • Ajuda na manutenção do peso • Fortalece o corpo e a imunidade FIGURA 17 – RELATO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA FONTE: a autora (2023) Outra ação realizada para salientar a importância da alimentação saudável, bem como demonstrar que uma boa alimentação pode também ser prazerosa foi disponibilizar um bolo de ingredientes nutritivos, para chamar a atenção quanto a bioquímica dos alimentos, e alinhar a possibilidade de variedade de preparos para ofertar e saborear de novas formas um mesmo alimento. Foi feito um bolo cenoura, banana e farinha de aveia (receita criada pela nutricionista junto à estagiária, disponibilizada no anexo B. No momento do preparo (com a cozinheira) e no momento da partilha (com o setor de cuidadores e os idosos) foi ressaltado a importância dos ingredientes no metabolismo: A banana possui um bom teor energético (através de carboidratos) muita vitamina C e vitamina E que são poderosos antioxidantes, sendo possivelmente favorável em relação a prevenção de doenças, como o câncer. (AMORIM et al., 2012) A aveia possui proteínas, antioxidantes e aminoácidos. Ajuda na regulação do colesterol e pressão arterial, na redução do risco de doenças cardiovasculares, na redução da glicose no sangue. É um auxiliar no controle da obesidade pois ajuda a retardar o esvaziamento gástrico, o que contribui na sensação de saciedade. (GALDEANO, 2012) Já a cenoura é rica em betacaroteno/vitamina A, que combate os radicais livres e é antioxidante também. Além de ser fonte de fibras e potássio, que auxiliam na visão, evitam o envelhecimento precoce, auxilia o sistema imunológico e ajuda na prevenção do câncer. (ROSSO et al., 2021) FIGURA 18 – BOLO SAUDÁVEL FONTE: a autora (2023) Outra ação realizada durante o período do estágio foi colher limões para fazer uma limonada e servir assim um suco de frutas natural. No ensejo, aproveitou-se o momento para informar que o limão é rico em vitamina C, que também é antioxidante, e ajuda no sistema endócrino e na produção de hormônios. Além de possuir várias outras vitaminas e minerais, que ajudam a auxiliar na redução da ação dos radicais livres, que ajuda a prevenir doenças degenerativas, que provocam o envelhecimento celular. Essas vitaminas também auxiliam no fortalecimento do dos tecidos, unhas e cabelos, equilíbrio do colesterol e diminuição de edemas. (VIEIRA et al., 2017) FIGURA 19 – COLHENDO FRUTAS NO POMAR FONTE: a autora (2023) De maneira geral, utilizou-se o momento também para reforçar a importância das frutas, legumes e verduras de maneira geral como fontes de vitaminas, nutrientes e minerais, auxiliando no processo de envelhecimento de forma saudável,prevenindo doenças e melhorando a disposição. (AMORIM et al., 2012) 3.5 Relatórios de dúvidas e como foram sanadas Uma das dúvidas que surgiu foi com relação a um paciente específico que obteve uma alteração de peso de mais de 10kg de um mês para outro. Através da observação foi verificado que não houve nenhuma modificação aparente em sua estrutura corporal, não houve mudanças físicas, vestuário que fosse necessário adaptação ou alterações na alimentação ou apetite. Chegou-se a conclusão, após avaliação profunda de que tratou-se de um erro de digitação - o que demonstra a importância de aferir, imputar e avaliar os dados com zelo e cautela, pois este tipo de inconsistência pode gerar uma mudança de diretrizes que poderia ter causado algum dano futuro. Também foi questionado como era feito o cálculo com relação às dietas enterais. A nutricionista explicou que é realizado um cálculo de 30 a 35ml por kg, avaliando a aceitação, geralmente iniciando com a menor quantidade nas primeiras 24h, através da observação e dados coletados – funcionamento do intestino, glicemia, entre outros efeitos (náuseas, por exemplo). Na realização da coleta dos dados antropométricos, foi questionado como fazer a pesagem dos pacientes acamados, visto que não possuem mobilidade. A profissional de nutrição sinalizou que nestes casos eles adquiriram no último ano uma balança específica (tipo guincho) para esta pesagem, porém acabaram por praticamente descontinuar o uso pois o processo de mobilização até o cesto coletor ainda é dificultado e pode ocasionar dores ou algum tipo de penar ao idoso. Optou- se por permanecer utilizando somente a observação clínica para este fim. Ao realizar a palestra e folder explicativo, foi solicitado à nutricionista responsável algumas dicas para montagem de material e melhor abordagem para o público-alvo. Foi salientado por ela, então, a importância de: Falar alto ao dar instruções aos idosos, em pequenos grupos, devido a audição prejudicada; Utilizar de linguagem simples, preferencialmente com exemplos que se apliquem a indivíduos de idade avançada; Na linguagem escrita, utilizar letras grandes e pouco texto. 4. CONCLUSÃO O estágio em saúde coletiva foi uma maneira enriquecedora de praticar aquilo que foi tão profundamente discutido, debatido e estudado nas disciplinas do curso de Nutrição, até então. A possibilidade de trabalhar com o público idoso, neste fim, foi de bastante engrandecimento. É premissa que saibamos adaptar nossa atuação, abordagem e técnicas nas rotinas do profissional de saúde considerando a população a ser atendida. No caso de idosos, foi possível notar que a linguagem a ser utilizada precisava ser clara e simples, porém com contexto, denotando real preocupação com o ser humano, não apenas com o residente ali inserido. Em idades mais avançadas existe uma certa determinação e firmeza em alterar suas rotinas e aceitar novas ideias, bem como uma necessidade constante de justificar suas ações e formas de pensar, e foi necessário abordar os assuntos com delicadeza e escuta ativa, para que passasse a ser criado relações de confiança, que permitissem vínculo e maior abertura para que as trocas entre o time de nutrição e os residentes acontecessem com fluidez. Muitos dos idosos lúcidos demonstraram um interesse pelos assuntos abordados, acompanhavam a rotina de pesagem com curiosidade e entusiasmo, fazendo comparativos entre cada pesagem. Observou-se que havia uma preocupação dos residentes com a ingesta de água, durante a ação com este fim, o que é de suma importância devido ao relato da nutricionista com relação a incidência de desidratação neste público. Foi recomendado ao lar que mantivessem uma rotina de abordagens diferenciadas dos alimentos, com ações que explicassem os ganhos nutricionais de cada prato. Para que a aceitação fosse superior, foi sugerido que se contasse com a participação dos próprios idosos, garantindo assim um maior engajamento. A interação com outros times também foi produtiva e interessante, permitindo vivenciar as dificuldades que encontravam principalmente com a população não lúcida, acamados e com mobilidade afetada. Paciência, empatia e acolhimento são itens chave para que bons resultados sejam conquistados, seja na relação time > residentes, seja na relação time > time. Por fim, importante ressaltar que a experiência foi única, vivenciada de forma profunda e dinâmica, permitindo um novo olhar sobre o profissional nutricionista e também sobre os demais profissionais dedicados a saúde, permitindo reflexões e aprendizados que irão perpetuar nos caminhos a serem futuramente trilhados. 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Acesso em 03, mai, 2023 ANEXOS ANEXO A – DADOS ANTROPOMÉTRICOS GERAIS DOS RESIDENTES DO LAR FONTE: a autora (2023) ANEXO B – RECEITA DE BOLO DE CENOURA, BANANA E AVEIA INGREDIENTES: 3 ovos 2 colheres de sopa de manteiga (derreter no micro-ondas) 2 cenouras médias picadas 2 bananas médias picadas 1/2 xícara de leite 2 xícaras de farinha de aveia 1/2 xícara de açúcar mascavo 1 pacote de fermento químico MODO DE PREPARO: No liquidificador, coloque os ovos, a cenoura, a manteiga, as bananas, o leite, o açúcar e bata por cerca de 2 min, até formar uma massa uniforme; Coloque em uma tigela, acrescente a aveia e o fermento e misture delicadamente; Despeje a massa em uma forma untada e leve ao forno pré-aquecido 180 ºC por aproximadamente 40 min. FONTE: arquivo pessoal (2023) ANEXO C – FOTO: ESTAGIÁRIA E NUTRICIONISTA RESPONSÁVEL