Prévia do material em texto
LEGISLAÇÃO, ROTINAS DE PESSOAL E BENEFÍCIOS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Jeane Passos de Souza – CRB 8a/6189) Magri, Fernando Legislação, rotinas de pessoal e benefícios / Fernando Magri, Roberto Bolina. – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-2119-4 (ePub/2017) e-ISBN 978-85-396-2120-0 (PDF/2017) 1. Direito trabalhista 2. Direito trabalhista – Legislação 3. Administração de pessoal I. Bolina, Roberto. II. Título. III. Série 17-678s CDD-344.01 658.311 BISAC BUS030000 Índice para catálogo sistemático 1. Leis: Brasil: Direito trabalhista 344.01 2. Direito trabalhista: Brasil: Leis 344.01 3. Administração de pessoal: Recrutamento e seleção 658.311 Fernando Magri Roberto Bolina LEGISLAÇÃO, ROTINAS DE PESSOAL E BENEFÍCIOS Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Jeane Passos de Souza Gerente/Publisher Jeane Passos de Souza (jpassos@sp.senac.br) Coordenação Editorial/Prospecção Luís Américo Tousi Botelho (luis.tbotelho@sp.senac.br) Márcia Cavalheiro Rodrigues de Almeida (mcavalhe@sp.senac.br) Administrativo João Almeida Santos (joao.santos@sp.senac.br) Comercial Marcos Telmo da Costa (mtcosta@sp.senac.br) Acompanhamento Pedagógico Ariadiny Carolina Brasileiro Maciel Designer Educacional Lilian Brito Santos Revisão Técnica Karin Pfannemuller Gomes Coordenação de Preparação e Revisão de Texto Luiza Elena Luchini Preparação de Texto Rodolfo De Santana Obá Editorial Revisão de Texto AZ Design Arte e Cultura Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Sidney Foot Gomes Ilustrações Sidney Foot Gomes Imagens iStock Photos E-pub Ricardo Diana Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Rua 24 de Maio, 208 – 3o andar Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.editorasenacsp.com.br © Editora Senac São Paulo, 2017 © Editora Senac São Paulo, 2020 (atualização) Capítulo 1 História e princípios do direito do trabalho, 7 1 História e princípios do direito do trabalho, 7 Considerações finais, 20 Referências, 20 Capítulo 2 Figuras da relação de emprego, 23 1 Figuras da relação de emprego, 24 Considerações finais, 33 Referências, 33 Capítulo 3 Contrato individual de trabalho, 35 1 Contrato individual de trabalho, 35 Considerações finais, 44 Referências, 44 Capítulo 4 Suspensão e interrupção do contrato individual de trabalho, 45 1 Suspensão e interrupção do contrato individual de trabalho, 46 Considerações finais, 54 Referências, 55 Capítulo 5 Extinção do contrato individual de trabalho, 57 1 Extinção do contrato individual de trabalho, 58 Considerações finais, 66 Referências, 66 Capítulo 6 Aviso prévio e procedimentos para rescisão do contrato individual de trabalho, 69 1 Aviso prévio e assistência na rescisão contratual, 70 Considerações finais, 78 Referências, 79 Capítulo 7 Estabilidades, 81 1 Estabilidades, 82 Considerações finais, 92 Referências, 92 Capítulo 8 Jornada de trabalho, intervalos e descanso semanal remunerado, 95 1 Jornada de trabalho, intervalos e descanso semanal remunerado, 96 Considerações finais, 105 Referências, 105 Capítulo 9 Salário e remuneração, 107 1 Salário e remuneração, 108 Considerações finais, 117 Referências, 118 Capítulo 10 Principais rotinas de pagamento de empregados – parte 1, 119 1 Folha de pagamento: acréscimos legais e descontos, 120 2 Direito a férias: formas, prazos e pagamentos, 124 3 Décimo terceiro salário: formas, prazos e cálculos, 127 Considerações finais, 128 Referências, 129 Sumário Capítulo 11 Principais rotinas de pagamento de empregados – parte 2, 131 1 Encargos sociais sobre a folha de pagamento (previdência social; FGTS; IRRF; PIS e Pasep), 132 Considerações finais, 137 Referências, 137 Capítulo 12 Obrigações acessórias que geram vínculo empregatício, 139 1 Programa de Integração Social (PIS), 141 2 Cadastro Geral de Empregadose Desempregados (Caged), 142 3 Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), 142 4 Relação Anual de Informações Sociais (Rais), 146 Considerações finais, 151 Referências, 151 Capítulo 13 Alteração do contrato individual de trabalho, 153 1 Alteração do contrato individual de trabalho, 154 2 Consequências da transferência do empregado, 157 Considerações finais, 159 Referências, 159 Capítulo 14 Assédio moral nas relações de trabalho, 161 1 Noções conceituais de assédio moral, 162 2 Responsabilidade civil decorrente do assédio moral, 167 Considerações finais, 169 Referências, 169 Capítulo 15 Benefícios legais e convencionais, 171 1 Espécies de benefícios, 172 2 Negociação coletiva, 175 3 Sobreposição de normas legais e convencionais, 178 Considerações finais, 180 Referências, 180 Capítulo 16 Benefícios flexíveis e a legislação trabalhista, 183 1 Benefícios flexíveis e a legislação trabalhista, 184 2 Análise do Programa Seguro- Emprego – Lei no 13.189/2015, 188 Considerações finais, 191 Referências, 192 Sobre os autores, 193 7 Este primeiro capítulo tem por objetivo apresentar estudos em direi- to do trabalho quanto a sua definição e estruturação evolutiva histórica, para compreensão de suas diretrizes mais básicas e de acontecimen- tos que consolidaram essa ciência ao longo do tempo. 1 História e princípios do direito do trabalho Será abordada a base do princípio lógico do direito do trabalho, com a apresentação dos pontos mais importantes e orientadores dessa ciência, os quais ilustrarão toda a sua raiz, sendo certo que esses postulados se- rão sempre relembrados por ocasião do enfrentamento de outros temas, dadas as suas propriedades fundadoras, dogmáticas e exegéticas. Capítulo 1 História e princípios do direito do trabalho 8 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1.1 Evolução histórica do direito do trabalho As ciências humanas e sociais, aqui inserida a ciência do direito, são objeto de constante evolução no cerne da sociedade, exercendo e sofrendo influências de fenômenos políticos, econômicos e sociais de forma geral, sendo marcadas pela edificação do denominado controle social. Conforme preleção de Mezzomo (2011, p. 32), “o controle so- cial se caracteriza por meio da pressão que um grupo exerce sobre o indivíduo comum, para que tenha determinados comportamentos e se abstenha de outros”. IMPORTANTE O direito do trabalho, em que pese ostentar normas de ordem pública, é ramo do direito privado, porquanto tutela as relações entre particulares, podendo ser definido como “o ramo do direito que disciplina as relações de emprego e assemelhadas, constituindo um sistema de regras, princí- pios e instituições voltado ao estabelecimento de medidas de proteção ao trabalho”. (FREDIANI; AMORIM, 2011, p. 4) Toda a sistemática do direito do trabalho gira em torno de princípios, normas e regras relacionados ao vínculo empregatício, de modo que estudar a evolução histórica do direito passa, necessariamente, pela análise do progresso das própriasrelações de trabalho. Desde a Antiguidade até os dias atuais, a relação de trabalho pode ser dividida em dois polos: o de quem oferece sua mão de obra e o de quem a explora economicamente. Como bem salientam Frediani e Amorim (2011), superado o período escravagista, toma posto o siste- ma de servidão à gleba, quando o trabalhador se tornava preso à terra. Depois, começam a aparecer as corporações de ofício e, com elas, a 9História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. estruturação das profissões e a organização dentro de uma proposta hierárquica. Caminhando nessa evolução, surgem as manufaturas.1 Com o advento da Revolução Industrial, enfim, alcança-se o primeiro esboço de uma organização das relações de trabalho. É justamente nesse contexto que começam a surgir as primeiras tentativas normativas para regular as relações de trabalho, sobretudo para impedir a exploração dos trabalhadores, por exemplo, a constitui- ção de parâmetros para a jornada de trabalho. A primeira Constituição do mundo a tratar do direito do trabalho foi a do México, em 1917, prevendo vários direitos trabalhistas, entre eles a jornada de trabalho, a proteção da maternidade, entre outros, sendo seguida pela Constituição Federal de Weimar, promulgada na Alemanha em 1919, que inovou na previsão de outros direitos trabalhistas, como o direito a um sistema de seguros sociais, a liberdade de união e organi- zação, entre outros (DELGADO, 2013). No plano dos direitos, com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1891, destaca-se a previsão da liberdade de trabalho, considerada direito fundamental pela nossa Constituição Federal atual, promulgada em 1988. PARA SABER MAIS A título de esclarecimento, a disposição da Constituição Federal de 1891 acerca da liberdade de trabalho (art. 72, § 24) não foi reprodu- zida em sua inteireza pela Constituição Federal de 1988 (art. 5o, XIII), que abrangeu outras formas do exercício laborativo, como o trabalho 1 As manufaturas consistiam em regimes em que a administração pública atribuía a uma corporação o direito de explorar, em caráter de exclusividade, uma atividade economicamente ativa, sendo certo que os empregados recebiam suas remunerações pelos serviços prestados, muito embora não houvesse nenhuma figura contratual nessa relação que permitisse buscar condições mais dignas de trabalho (FREDIANI; AMORIM, 2011). 10 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . e o ofício, e condicionou-os a eventuais exigências legais, conforme se observa da comparação textual abaixo: Art. 72. A Constituição assegura a brasileiros e a estrangei- ros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concer- nentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes: […] § 24 – É garantido o livre exercício de qualquer profissão moral, intelectual e industrial. Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: […] XIII – É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. (BRASIL, 1891) No entanto, conforme citado por Frediani e Amorim (2011), somente se percebeu sensível evolução durante a Era Vargas, em especial entre 1930 e 1945. Com efeito, em 1930 é criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, sendo sucedido por um processo de constitucio- nalização social, com a Constituição Federal de 1934 prevendo alguns direitos básicos para os trabalhadores, notadamente o estabelecimento de um salário mínimo nacional, a limitação da jornada diária de trabalho a 8 horas, a fixação de férias remuneradas, entre outros, passando a to- mar vez a judicialização2 como meio para a solução das controvérsias trabalhistas. 2 Submissão das questões trabalhistas à apreciação do Poder Judiciário. 11História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Sistema de solução judicial dos conflitos trabalhistas Não obstante, a Constituição Federal de 1937, também conhecida como Constituição Polaca, dada sua inspiração fascista e claramente ditatorial, suprimiu alguns desses direitos e proibiu a prática de greves, direitos que somente foram retomados com a promulgação da Consti- tuição Federal de 1946, que ainda previu a estabilidade e o repouso semanal remunerado. Nesse contexto, o principal marco na análise da evolução histórica do direito do trabalho foi a aprovação, por meio do Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943 (posteriormente definido como o Dia do Trabalho, feriado nacional), da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), um ar- cabouço legal, embora com diversas alterações, até hoje vigente e que concentra a maioria das normas atinentes ao direito do trabalho. No período de ditadura posterior, não houve profunda modifica- ção dos direitos trabalhistas, em que pese ter havido repressão às práticas grevistas. 12 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A consolidação do perfil democrático de nossa ordem jurídica veio com a promulgação da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu alguns princípios de grande relevância e resgatou a inserção de direitos sociais, como a redução da jornada semanal de trabalho para o limite má- ximo de 44 horas; a previsão do pagamento adicional de 50% para horas extras e de um terço em razão das férias; instituição da licença-paternida- de; entre outros avanços integrados aos direitos individuais trabalhistas. 1.2 Princípios do direito do trabalho Princípios são pilares que sustentam o ordenamento jurídico, de for- ma que auxiliam o intérprete na busca do sentido da norma em análise. Conforme lecionado por Almeida (2014, p. 31), “princípio é o início, a origem de algo. As leis devem ser interpretadas de acordo com os princípios do direito [...]”. Além da função interpretativa, os princípios são aplicados na solu- ção de casos concretos, podendo servir de integração para aplicação da lei, ou, até mesmo, para afastar a aplicação de uma norma jurídica. Dessa forma, tal assertiva é corroborada pelo disposto no artigo 8o da Consolidação das Leis do Trabalho, conforme transcrito: Art. 8o As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, con- forme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum inte- resse de classe ou particular prevaleça sobreo interesse públi- co. (BRASIL, 1943, grifo nosso) Em razão da sua importância para o estudo das normas trabalhis- tas, não podemos deixar de abordar o princípio da dignidade humana, previsto na Constituição. Pois bem, a nossa Constituição Federal de 1988 atribuiu à dignidade humana valor supremo e fundamental da 13História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. República Federativa do Brasil. Nesse sentido, dispõe o artigo 1o, in- ciso III da referida Carta: Art. 1o A República Federativa do Brasil, formada pela união indis- solúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: […] III – A dignidade da pessoa humana. (BRASIL, 1988) Cabe ressaltar que a observância do princípio da dignidade da pes- soa humana não depende de qualquer situação financeira, social ou in- telectual dos indivíduos, uma vez que a própria Constituição assegura a igualdade de tratamento a todos, como corolário do Estado democráti- co de direito. IMPORTANTE Podemos afirmar que o princípio da dignidade da pessoa humana é o pilar de todos os demais direitos humanos fundamentais que integram as normas constitucionais dos países democráticos, incluindo o Brasil. É importante lembrar também que o princípio da dignidade da pes- soa humana, no âmbito do direito do trabalho, impõe limites à atuação do Poder Público e das entidades privadas, uma vez que tem como ob- jetivo evitar, por exemplo, uma violação da dignidade pessoal do empre- gado no ambiente de trabalho. Acerca da importância do princípio da dignidade humana para o di- reito do trabalho, Resende (2016, p. 22) diz que: [...] esse princípio se irradia em todas as relações trabalhistas, seja impondo limites, por exemplo, ao poder diretivo do empregador (v.g., na limitação das revistas pessoais, na proibição das revistas íntimas, na limitação do monitoramento do e-mail corporativo), seja vedando a discriminação em razão de sexo, raça, religião ou característica física. 14 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, há vários julgados fun- damentados na aplicação do princípio da dignidade da pessoa humana. Dentre tais julgados, podemos citar como exemplo o proferido no recur- so de Embargos em Embargos de Declaração em Recurso de Revista no TST-E-ED-RR-159600-47.2007.5.03.0020 (BRASIL, 2010): […] DANO MORAL. RESTRIÇÃO AO USO DO TOALETE. DANO MO- RAL. TEMPO PARA O USO DO BANHEIRO. A dignidade é a pedra angular de todos os outros direitos e liberdades da pessoa huma- na: todas as pessoas são iguais, devem ser tratadas com respeito e integridade, e a violação deste princípio implica sanções pela lei. Pelo princípio da dignidade humana cada ser humano possui um direito intrínseco e inerente a ser respeitado, são seus próprios va- lores subjetivos – seu sistema de referências pessoais e morais – que se revelam no universo coletivo. Todas as condutas abusivas, que se repetem ao longo do tempo e cujo objeto atenta contra o SER humano, a sua dignidade ou a sua integridade física ou psí- quica, durante a execução do trabalho merecem ser sancionadas, por colocarem em risco o meio ambiente do trabalho e a saúde física e psicológica do empregado. Um meio ambiente intimidador, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo que se manifesta em regra por palavras, intimidações, atos gestos ou escritos unilaterais que podem expor a sofrimento físico ou situações humilhantes os empregados deve ser objeto de proteção do legislador, do juiz e da sociedade. Nesse contexto, o empregador deve, pois, tomar todas as medidas necessárias para prevenir o dano psicossocial ocasio- nado pelo trabalho […]. (TST-E-ED-RR-159600-47.2007.5.03.0020 – Subseção I Especializada em Dissídios Individuais – Ministro Relator: Aloysio Corrêa da Veiga – Data do julgamento: 23.09.2010) Para complementar o tema, vamos destacar os princípios específi- cos do direito do trabalho. 1.2.1 Princípio da proteção Esse princípio também é conhecido como princípio tutelar. Consi- derando o empregado como a parte mais frágil na relação jurídica com 15História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. o empregador, o princípio de proteção ou princípio tutelar tem o objetivo de corrigir desigualdades para proteger o empregado. Segundo Resende (2016, p. 26), “o princípio da proteção consiste na utilização da norma e da condição mais favorável ao trabalhador, de forma a tentar compensar juridicamente a condição hipossuficiente do empregado”. O princípio da proteção subdivide-se em três outros princípios rele- vantes para o direito do trabalho: Figura 2 – Três princípios relevantes para o direito do trabalho Segundo o princípio da norma mais favorável, em havendo duas ou mais normas versando sobre o mesmo assunto, o intérprete deverá aplicar ao caso concreto aquela que for mais favorável ao empregado, em razão de o mesmo ostentar a posição de hipossuficiente no contra- to de emprego. No entanto, como adverte Resende (2016), não se aplica o princípio da norma mais favorável diante das chamadas normas proibitivas es- tatais, por exemplo, aquela que estabelece o prazo prescricional para o ingresso da reclamação (BRASIL, 1988, art. 7o, inciso XXIX). Um exemplo prático pode ser observado no caso de uma conven- ção coletiva de trabalho (CCT) que estipula o adicional de hora extra em 70%. Como é sabido, nossa Constituição Federal de 1988 prevê em seu 1. Princípio da norma mais favorável 2. Princípio da condição mais benéfica 3. Princípio in dubio pro operario 16 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . artigo 7o, inciso XVI, que a remuneração da hora extraordinária deve ser igual ou superior a 50% da hora normal. Dessa forma, caso um em- pregador remunere a jornada de trabalho extraordinária do empregado com base no percentual mínimo previsto na Constituição Federal (50%) em vez daquele estabelecido na norma coletiva (70%), aplicável no contrato de trabalho entre as partes, correrá o risco de ser acionado judicialmente para pagar a diferença (20%) e seus respectivos reflexos em outras verbas trabalhistas. Figura 3 – Exemplo de princípio da norma mais favorável Como explica Barros (2010, p. 182): Pelo princípio da condição mais benéfica, são protegidas as situa- ções pessoais mais vantajosas que se incorporaram ao patrimônio do empregado, por força do próprio contrato, de forma expressa ou tácita, consistente esta última em fornecimentos habituais de vantagens que não poderão ser retiradas, sob pena de violação ao artigo 468 da CLT. Dessa forma, a cláusula contratual mais benéfica ao empregado se incorpora ao seu patrimônio jurídico, consistindo em um verdadeiro direitoadquirido. 50% previsto na Constituição Federal 70% previsto na norma coletiva 20% se adicionado judicialmente 17História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Podemos dizer que esse princípio é reforçado por expressa previsão contida no artigo 468, da CLT, conforme abaixo: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a altera- ção das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente dessa garantia. (BRASIL, 1943) Como exemplo de tal princípio podemos citar o caso da empresa que prevê em seu regulamento a concessão de licença-maternidade pelo prazo de 180 dias. Pois bem, caso a empregada gestante, admitida durante a vigência da respectiva cláusula regulamentar, venha a usu- fruir apenas 120 dias por determinação da empresa, ainda que tal prazo esteja previsto em lei, a empresa poderá ser compelida judicialmente a conceder o direito previsto em seu regulamento para a empregada. Quanto ao princípio in dubio pro operario, em havendo coexistência de interpretações de uma norma, o intérprete deverá optar por aquela que for mais favorável ao empregado. Dessa forma, o aplicador da lei, quando houver mais de um sentido da norma, deverá interpretá-la em benefício da parte mais frágil no contrato de trabalho, ou seja, o empregado. No entanto, como bem adverte o ilustre jurista Mauricio Godinho Delgado (2013), não se pode admitir que esse princípio seja aplicado no contexto da produção de provas dentro do processo trabalhista para favorecer o empregado enquanto detentor do ônus da prova.3 Sendo assim, havendo dúvida por parte do juiz em razão do conjunto probató- rio existente no processo, ele deverá decidir contrariamente à parte que tinha o encargo de produzir a prova de suas alegações, ainda que seja o empregado. 3 Ônus da prova é o encargo atribuído a uma das partes de demonstrar a veracidade de suas alegações. 18 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1.2.2 Princípio da irrenunciabilidade Não são raras as situações em que o empregado, pelo fato de ter de- pendência econômica junto ao empregador, com vistas a manter a sua subsistência e a de sua família, acaba cedendo aos anseios do empre- gador, com vistas a renunciar ou transacionar seus direitos trabalhistas, de forma expressa ou tácita. Assim, tal princípio considera que, em regra, os direitos trabalhistas são irrenunciáveis e indisponíveis, de forma que a autonomia da vontade no contrato de trabalho fica restrita, protegendo o empregado de renunciar a direitos consagrados no ordenamento jurídico. Dessa forma, seria inválida qualquer renúncia do empregado ao recebimento de férias, décimo terceiro salário, FGTS, entre outros. Entretanto, oportuno ressaltar que alguns direitos trabalhistas podem ser transacionados, mas não renunciados, desde que a transação não implique prejuízo ao empregado, por exemplo, o acordo para prorro- gação de jornada (DELGADO, 2013). Encontramos abaixo um exemplo de aplicação do princípio, devi- damente consolidado pela jurisprudência do Tribunal Superior do Tra- balho, conforme se observa da súmula no 276: AVISO PRÉVIO. RENÚNCIA PELO EMPREGADO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. O pedido de dispensa de cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo valor, salvo comprovação de haver o prestador dos serviços obtido novo emprego. (BRASIL, 2003, grifo nosso) 1.2.3 Princípio da primazia da realidade Pelo princípio da primazia da realidade, prevalece o que ocorreu de fato e não o que está escrito, formalizado. Consequentemente, em um contrato de trabalho, mais importa o que ocorre no mundo fático ao que as partes formalizam. Não obstante, é de suma importância o 19História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. registro do contrato de trabalho na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado. Podemos citar como exemplo os cartões de ponto que, apesar de assinados pelo empregado, não registram a real jornada de trabalho. Sendo assim, caso o empregado não usufrua do horário para descanso ou refeição, apesar de estar anotado no cartão de ponto, poderá com- provar, em juízo, por meio de outras provas, tais como a prova testemu- nhal e o depoimento pessoal das partes, que laborava em tais condi- ções, podendo receber pela respectiva verba. 1.2.4 Princípio da intangibilidade salarial Segundo Resende (2016, p. 35), “é o princípio segundo o qual não se admite impedimento ou restrição à livre disposição do salário pelo empregado”. O salário possui natureza alimentar, ou seja, é necessário à sub- sistência do empregado, razão pela qual se faz necessária a existência de tal princípio, para que ele não fique vulnerável a eventual redução do salário. No entanto, a própria Constituição Federal (BRASIL, 1998) apresenta uma exceção ao princípio da intangibilidade salarial, prevista no artigo 7o, inciso VI: “o salário é irredutível, salvo convenção coletiva ou acordo coletivo que autorize a redução”. Como decorrência de tal princípio, encontramos também a proibição de descontos feitos no salário do empregado, salvo quando expressa- mente previstos em lei, tais como o imposto de renda retido na fonte, encargos sociais (INSS), etc. Em tempo, existem autores que sustentam a aplicabilidade de outros princípios, diversos dos ora informados, por exemplo, da continuidade da relação de trabalho, da imperatividade das normas trabalhistas, do maior rendimento, entre outros, de modo que não estão mencionados neste conteúdo por entendermos que já estão implícitos nos demais. 20 Legislação, rotinas de pessoal e benefícios M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Considerações finais Como em todo ramo do direito, a análise da evolução histórica au- xilia consideravelmente no estudo dos temas contemporâneos, pois ajuda a compreender o caminho percorrido e as razões que causaram o posicionamento atual de uma questão, permitindo, inclusive, que mo- dificações sejam procedidas com base nas experiências passadas. Conforme exposto neste capítulo, pode-se concluir que o reconhe- cimento do empregado como a parte hipossuficiente do contrato de trabalho fez que o legislador pátrio, ao longo do tempo, se encarregas- se de criar mecanismos de proteção e equilíbrio, seja pela Constituição Federal ou pela própria Consolidação das Leis do Trabalho. Tal assertiva pode ser corroborada pelos princípios expostos, nota- damente aqueles aplicáveis ao direito do trabalho, haja vista que prote- gem os direitos do empregado em diversos momentos do contrato de trabalho, com vistas a equilibrar a relação mantidacom o empregador. Os princípios possuem função orientadora e interpretativa, de modo que serão sempre úteis para o esclarecimento de determinados pontos e também para nortear algumas conclusões sobre temas conflitantes – dando o sentido para a definição de questões controversas. Referências ALMEIDA, André Luiz Paes de. Direito do trabalho: material, processual e legislação especial. 15. ed. São Paulo: Rideel, 2014. BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 2010. BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 24 de fevereiro de 1891. Diário Oficial, 24 fev. 1891. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm>. Acesso em: 21 jan. 2017. 21História e princípios do direito do trabalho M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. __________. Consolidação das Leis do Trabalho. Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943. Aprova a consolidação das leis do trabalho. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 jan. 2017. __________. Constituição Federal de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao. htm>. Acesso em: 21 jan. 2017. __________. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula no 276 do TST. Aviso prévio. Renúncia pelo empregado (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. DJ, 2003. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_ com_indice/Sumulas_Ind_251_300.html#SUM-276>. Acesso em: 21 jan. 2017. __________. Tribunal Superior do Trabalho. Subseção I Especializada em Dissídios Individuais. Embargos em Embargos de Declaração em Recurso de Revista no TST-E-ED-RR-159600-47.2007.5.03.0020. Min. Rel. Aloysio Corrêa da Veiga. Julgado em 23 set. 2010. Disponível em: <www.tst.jus.br>. Acesso em: 21 jan. 2017. CHIAVENATO, Idalberto. Remuneração, benefícios e relações de trabalho: como reter talentos na organização. 7. ed. Barueri: Manole, 2015. DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 12. ed. São Paulo: LTr, 2013. FREDIANI, Yone; AMORIM, José Roberto Neves (Coord.). Direito do trabalho. Barueri: Manole, 2011. MEZZOMO, Clareci. Introdução ao direito. Caxias do Sul: Educs, 2011. RESENDE, Ricardo. Direito do trabalho esquematizado. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2016. M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .