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Direito Constitucional Nova Concursos (1)

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TSE-UNIFICADO
Tribunal Superior Eleitoral
Técnico Judiciário – Área Administrativa
Noções de Direito 
Constitucional
SUMÁRIO
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL ..................................................................6
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, DE 1988 ............................................. 6
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS............................................................................................................................7
APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS .................................................................. 12
NORMAS DE EFICÁCIA PLENA, CONTIDA E LIMITADA ................................................................................14
NORMAS PROGRAMÁTICAS ..........................................................................................................................15
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ..................................................................................... 16
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS ........................................................................................19
DIREITOS SOCIAIS ...........................................................................................................................................59
DIREITOS DE NACIONALIDADE .......................................................................................................................74
DIREITOS POLÍTICOS ......................................................................................................................................79
PARTIDOS POLÍTICOS .....................................................................................................................................84
ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO ESTADO ......................................................... 92
ESTADO FEDERAL BRASILEIRO ......................................................................................................................92
UNIÃO ...............................................................................................................................................................93
ESTADOS ..........................................................................................................................................................99
MUNICÍPIOS ...................................................................................................................................................101
DISTRITO FEDERAL .......................................................................................................................................103
TERRITÓRIOS .................................................................................................................................................104
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ...........................................................................................................105
DISPOSIÇÕES GERAIS ...................................................................................................................................105
SERVIDORES PÚBLICOS ...............................................................................................................................122
PODER EXECUTIVO .........................................................................................................................133
ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA ...............................................138
PODER LEGISLATIVO: ESTRUTURA, FUNCIONAMENTO E ATRIBUIÇÕES ................................140
COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO ..........................................................................................157
PROCESSO LEGISLATIVO .............................................................................................................................158
FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA ...................................................................173
PODER JUDICIÁRIO .........................................................................................................................177
DISPOSIÇÕES GERAIS ...................................................................................................................................177
ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO .................................................................................................................178
ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIAS ..............................................................................................................187
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA: COMPOSIÇÃO E COMPETÊNCIAS ..................................................200
FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA ...............................................................................................202
MINISTÉRIO PÚBLICO ...................................................................................................................................202
ADVOCACIA PÚBLICA ...................................................................................................................................209
DEFENSORIA PÚBLICA ...................................................................................................................................210
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, DE 1988 
Constituição vem do ato de constituir, de estabelecer, de firmar; ou, ainda, o modo pelo 
qual se constitui uma coisa, um ser vivo, um grupo de pessoas; organização, formação. Juri-
dicamente, no entanto, constituição deve ser entendida como a lei fundamental e suprema de 
um Estado, que contém normas referentes à estruturação do Estado, à formação dos poderes 
públicos, forma de governo e aquisição do poder de governar, distribuição de competên-
cias, direitos, garantias e deveres dos cidadãos. Além disso, é a constituição que individualiza 
os órgãos competentes para a edição de normas jurídicas, legislativas ou administrativas 
(MORAES, 2018).
A constituição é, em síntese, a lei máxima e fundamental de um país, que geralmente 
determina a sua organização social, política, jurídica e econômica. Conjunto de normas jurí-
dicas, normalmente escritas em um texto unitário, que regulam a organização e atuação do 
Estado nas relações sociais.
A Constituição é, assim, uma norma jurídica e, para a maior parte dos sistemas, norma jurí-
dica dotada de superioridade hierárquica em relação às demais. Para Hans Kelsen, a Consti-
tuição define quem elabora as normas e como elas vão ser elaboradas, constituindo, assim, o 
ponto de partida e de validade de todo o sistema jurídico. (BARCELLOS, 2018, p. 28)
CONCEITO E NATUREZA
Antes de adentrarmos propriamente no tema, é importante esclarecer um ponto que já foi 
objeto de prova: princípios, regras e normas se distinguem. Tem-se o gênero normas, do qual 
decorre as espécies regras e princípios. As normas são amplas, abarcando assim a natureza 
abstrata dos princípios e a concretude das regras. 
Regras
Princípios
NORMAS
Os princípios são um alicerce de um sistema, uma estrutura básica do ordenamento jurí-
dico, trazendo também uma melhor orientação à interpretação de um texto constitucional 
que não pode ser feita de forma isolada, mas sim levando em consideração todo o contexto. 
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Os princípios constitucionais podem ser explícitos ou implícitos. Os princípios explícitos 
são aqueles que estão de forma expressa no texto constitucional (escritos), já os implícitos são 
obtidos por meio de uma construção lógica, ora, estão subentendidos no texto mesmo não 
aparecendo expressamente.
Como exemplo de princípios explícitos, podemos citar os princípios do art. 37, da CF, os 
quais dizem respeito à Administração Pública. Já quanto aos princípios implícitos,podemos 
citar o princípio da supremacia do interesse público, o qual, apesar de não ser encontrado 
expressamente na CF, é estritamente observado pelo poder público.
PRINCÍPIOS
Explícitos
Implícitos
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
Os princípios fundamentais são mandamentos que vão influenciar em toda ordem jurídi-
ca. Por exemplo, é nesse momento que o texto constitucional formaliza a relação entre povo, 
governo e território, elementos estes que são requisitos para constituição de um Estado. 
Além disso, servem como norte para outras normas e estão localizados no Título I da CF, de 
1988, o qual é composto por quatro artigos. 
Note que é nesses artigos que se proclama o regime político democrático com fundamento 
na soberania popular e garantia da separação de função entre os governos. Bem como, tam-
bém se determina os valores e diretrizes para o ordenamento constitucional.
Fundamentos 
Salienta-se, antes de adentrar especificamente nos referidos artigos, que muitas questões 
de prova cobram do examinando um conhecimento prévio correlacionando a distinção do 
que são fundamentos (art. 1º), objetivos (art. 3º) e princípios (art. 4º). 
Repare que no parágrafo anterior não foi exposto o art. 2º, mas isso se deu de forma pro-
posital, tendo em vista que o examinador, muitas vezes, tenta confundir o candidato com o 
rol dos artigos anteriormente mencionados.
Para tanto, utilizaremos alguns mnemônicos ao longo das explicações, começando logo 
pelo FOP (fundamentos, objetivos, princípios). Observe que este mnemônico obedece a 
ordem alfabética, estando também em conformidade com a ordem dos artigos da constitui-
ção (F-1º; O-3º; P-4º).
Assim, quando a questão mencionar algo relacionado a fundamentos, lembre-se de que 
estará se referindo ao exposto no art. 1º; quando mencionar objetivos, art. 3º; e, quando 
mencionar princípios, art. 4º. Não se esqueça também que o art. 2º não entra como referência 
nesse mnemônico!
Os fundamentos contidos no art. 1º, da CF, de 1988, servem como base para todo o ordena-
mento jurídico, pois se referem aos valores de formação da República Federativa do Brasil. 
Veja a importância do artigo, não somente em relação à Constituição, mas como para toda a 
ordem jurídica do Estado. Assim, vejamos o referido dispositivo:
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Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e 
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos:
I - a soberania; 
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos 
ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Atenção! Para auxiliá-lo na memorização dos mencionados fundamentos, guarde o mne-
mônico SO-CI-DI-VA-PLU:
 z Soberania;
 z Cidadania;
 z Dignidade;
 z Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
 z Pluralismo político.
A Soberania
Como preleciona José Afonso da Silva (2017), a soberania é um poder supremo e indepen-
dente, ainda, é fundamento do próprio conceito de Estado, diante disso, não precisaria ser 
mencionada no texto constitucional1. 
A demonstração do poder soberano pode ser vista de forma interna (poder do Estado, 
sendo, neste caso, exteriorizada pela prevalência de suas normas e decisões sobre todas as 
demais proferidas) ou externa (quando nos relacionamos com entidades internacionais, sen-
do, neste caso, exteriorizado pela não subordinação a nenhum outro Estado, decidindo pela 
subordinação a determinada regra somente quando livremente manifestado).
A Cidadania
Podemos considerar cidadania como um objeto de direito fundamental, pois é a partici-
pação do indivíduo no Estado Democrático de Direito. No texto constitucional, em sentido 
amplo, a existência da cidadania está atrelada à vivência social, na construção de relações, 
na mudança de mentalidade, na reivindicação de direitos e no cumprimento de deveres. 
Assim, podemos concluir que a cidadania pode ser exercida não somente com o direito de 
voto, mas também com a participação do cidadão em conselhos de temas importantes, como 
saúde, educação, comparecimento em audiências públicas e participação nas reuniões refe-
rentes ao orçamento participativo. 
Atenção, nem toda pessoa é considerada cidadã. Em provas de concurso é importante 
observar que cidadão é todo ser humano que está em condição de votar e ser votado. Assim, 
podemos concluir que uma criança e os estrangeiros não naturalizados não podem ser con-
siderados cidadãos.
1 SILVA, op. cit, p. 106
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Importante!
Cuidado para não confundir cidadania com nacionalidade: nacionalidade é o vínculo jurí-
dico político que une uma pessoa a um Estado e a cidadania é a participação do indivíduo 
no Estado. Inclusive, a nacionalidade é requisito para ser cidadão, ou seja, para ser cidadão 
o indivíduo deve ser brasileiro nato ou naturalizado. 
A Dignidade da Pessoa Humana
A dignidade da pessoa humana é um valor que influencia o conteúdo de todos os direitos 
fundamentais do homem consagrados no texto constitucional, é uma proteção não somente 
do indivíduo em face do Estado, mas também perante a toda sociedade. Nesse sentido, consi-
dera Alexandre de Moraes (2011), a dignidade da pessoa humana é valor espiritual e moral, 
que se manifesta na autodeterminação da própria vida e traz consigo a busca pelo respeito 
por parte das demais pessoas2.
Note que, a dignidade da pessoa humana é o direito de titularidade universal, isto é, todos 
têm acesso a esse direito pelo simples fato de ser pessoa, assim, a nacionalidade e/ou capaci-
dade não são fatores que possibilitam maior proteção, mas sim o fato de ser cidadão, seja ele 
nacional ou estrangeiro. 
Os Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa 
Dispositivo que objetiva a proteção ao trabalho, pois é por meio deste que o homem garan-
te sua subsistência e o crescimento do Brasil. Aqui não se faz menção somente ao “trabalha-
dor CLT3”, mas também aos autônomos, empresários, empreendedores e empregadores.
O Pluralismo Político
O legislador originário se preocupou em afirmar a ampla participação popular nos desti-
nos políticos do Brasil, com a inclusão da sociedade na participação dos processos de forma-
ção da vontade geral da nação, garantindo a liberdade e a participação dos partidos políticos.
 Ainda, podemos conceituar o pluralismo como a garantia de que todo aquele que vive em 
sociedade terá direito a sua própria convicção política e partidária. 
Separação dos Poderes
O art. 2º da Constituição, ao definir a independência e a harmonia entre os poderes, con-
sagra o chamado princípio da separação dos poderes, ou princípio da divisão funcional do 
poder do Estado.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo 
e o Judiciário.
2 MORAES, op. cit, p. 24.
3 Trabalhador CLT – Termo vulgar utilizado para definir trabalhador/funcionário regido pela CLT (carteira 
assinada).
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Assim, cada poder tem suas funções e organização definidas, vejamos: 
 z Poder Executivo: exerce as funções de governo e administração. Como exemplo de admi-
nistração, podemos mencionar o inciso I, art. 84, da CF, que define como competência do 
Presidente da República nomear e exonerar Ministros; 
 z Poder Legislativo: é exercido pelo Congresso Nacional. Tem a função de legislar (fun-
ção primária) e fiscalizar (função secundária, entretanto, típica). Ao que diz respeito à 
principal função, tem o condão de elaborar as normas jurídicas gerais e abstratas. Por 
exemplo, é de competência do Congresso Nacional a votação para aprovação de lei com-
plementar (art. 69, da CF). Já como exemplo da função secundária (fiscalizar),podemos 
citar a de julgar, anualmente, as contas prestadas pelo Presidente da República;
 z Poder Judiciário: cabe o exercício da jurisdição, por exemplo, a aplicação do Direito a um 
caso concreto através de um processo judicial. 
A Teoria da tripartição de poderes foi idealizada por Montesquieu e determina a composição 
e divisão do Estado, a teoria objetiva que cada poder deve ser independente e harmônico entre 
si, como forma de dividir as funções do Estado, entre poder executivo, poder legislativo e poder 
judiciário, entendimento esse também chamado de teoria dos freios e contrapesos (checks and 
balances), já que cada um dos poderes exerce as funções dos outros poderes de forma atípica.
Objetivos da República Federativa do Brasil
O art. 3°, da Constituição Federal, apresenta os objetivos fundamentais do Estado brasilei-
ro, ou seja, dita os compromissos que o Estado tem em relação aos cidadãos, em especial na 
garantia plena de igualdade entre todos os brasileiros. 
José Afonso da Silva (2017) observa que é a primeira vez que uma Constituição relaciona 
especificamente os objetivos do Estado brasileiro, que valem como base para as prestações 
positivas que venham a concretizar a democracia econômica, social e cultural4.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer 
outras formas de discriminação.
Dica
Para auxiliar na memorização disponibiliza-se a seguir duas dicas:
z Regra do verbo: observe que todas as primeiras palavras do rol são verbos no infinitivo; 
z Mnemônico: CON-GA ER PRO.
O rol dos objetivos fundamentais relacionados no art. 3º da CF é um rol meramente exem-
plificativo, pois se refere a metas, ou seja, objetivos que o Estado busca alcançar.
4 SILVA, op. cit, p. 107.
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Princípios das Relações Internacionais 
O art. 4º, da Constituição, enumera os princípios fundamentais orientadores das relações 
internacionais; consagra, ainda, a não subordinação no plano internacional e a igualdade 
estre os Estados. Vejamos:
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguin-
tes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, 
social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade lati-
no-americana de nações.
Atenção! É possível a elaboração de um mnemônico para o referido rol, contudo, nota-se 
que, por ser extenso o rol, o mnemônico fica consequentemente também extenso. Assim, fica 
a seu critério adotar o que for passado aqui.
 z Mnemônico: A-IN-Da NÃO COm-PRE-I RE-CO-S;
 � A – autodeterminação dos povos;
 � In – independência nacional;
 � D – defesa da paz;
 � Não – não intervenção;
 � Co – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
 � Pre – prevalência dos direitos humanos;
 � I – igualdade entre os Estados;
 � Re – repúdio ao terrorismo e ao racismo;
 � Co – concessão de asilo político;
 � S – solução pacífica dos conflitos.
Os princípios enumerados no mencionado dispositivo reconhecem a soberania do Estado 
no plano internacional, ou seja, não deve haver subordinação entre os Estados. Sob esse mes-
mo entendimento temos o princípio da não intervenção e o princípio da autodeterminação 
dos povos, assegurando que internamente o Estado não deve sofrer nenhum tipo de interfe-
rência sobre assuntos de interesse interno. 
O repúdio ao terrorismo e a concessão de asilo político têm relação com o princípio da pre-
valência dos direitos humanos relacionado no inciso II; este último deve ser rigorosamente 
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respeitado. Nesse sentido, em caso de extrema violação da prevalência dos direitos humanos, 
pode até levar a interferência de outros Estados naquele, com o apoio do Brasil. 
Ainda a Constituição determina que o Brasil buscará integração econômica, política, social 
e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-ame-
ricana de nações.
Vejamos no infográfico um resumo do Título I da Constituição Federal:
TÍTULO I — DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1º
Fundamentos
Art. 2º
Separação dos 
Poderes
Art. 3º
Objetivos 
Fundamentais
Art. 4º
Princípios das 
Relações 
Internacionais
“SO.CI.DI.VA.PLU”
SOberania
CIdadania
DIgnidade da pessoa 
humana
VAlores sociais do 
trabalho e da livre 
iniciativa
PLUralismo Político
JUDICIÁRIO:
Aplica as leis
LEGISLATIVO:
Elabora as leis
EXECUTIVO:
Administra o Estado
“CON.GA.ER.PRO”
CONstruir uma 
sociedade livre, justa e 
solidária
GArantir o 
desenvolvimento 
nacional
ERradicar a pobreza 
e a marginalização 
e reduzir as 
desigualdades sociais 
e regionais
PROmover o bem 
de todos, sem 
preconceitos de 
origem, raça, sexo, 
cor, idade e quaisquer 
outras formas de 
discriminação
Independência 
nacional
Prevalência dos direitos 
humanos
Autodeterminação 
dos povos
Não intervenção
Igualdade entre os 
Estados
Defesa da paz
Solução pacífica dos 
conflitos
Repúdio ao terrorismo 
e ao racismo
Cooperação entre 
os povos para 
o progresso da 
humanidade
Concessão de asilo 
político
APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 
Depois da Segunda Guerra Mundial e com os reflexos da ditadura e desastres humanitá-
rios proporcionados pelos regimes totalitários, os juristas buscaram uma forma de superação 
do positivismo jurídico, ou seja, uma forma de equilibrar a dureza das regras. Esse movimen-
to pode também ser chamado de neoconstitucionalismo.
O movimento passou a defender que no âmbito constitucional devem existir princípios 
e métodos de interpretação próprios com uma lógica distinta dos métodos de interpretação 
aplicáveis as demais normas. 
Sendo que, a hermenêutica é a ciência da interpretação, a palavra hermenêutica tem ori-
gem grega, que significa “tradução” e “explicação”, ou seja, explicação da norma jurídica. 
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Assim, a hermenêutica constitucional é uma subespécie da própria hermenêutica, pois 
compreende-se que é diferente interpretar a constituição do que interpretar as demais leis. 
Ora a constituição é um dispositivo repleto de princípios e de caráter político, diferente das 
demais leis que consistem na sua grande maioria um grande repositório de regras e normas 
mais estritas.
Sobre esse tema, os concursos gostam de cobrar duas posições referentes à hermenêutica 
constitucional, vejamos:
 z Interpretativismo: nesse caso o intérprete está limitado a aplicar o texto constitucional e 
os princípios que estão claramente implícitos na constituição;
 z Não interpretativismo: intérprete não se limita ao texto da constituição, deve buscar os 
valores constitucionais, como igualdade, justiça, fraternidade etc.
Métodos de Interpretação
Os métodos de interpretação constitucional foram desenvolvidos pela doutrina e jurispru-
dência. O objetivo dos métodos desenvolvidos é trabalhar qual o real sentido que o legislador 
originário pretendeu ao desenvolver a norma e qual o alcance, por exemplo, o seu alcance 
pode ser aumentado ou deve ser limitado. Conforme preleciona Vicente Paulo e Marcelo Ale-
xandrino (2012) esses métodos foram desenvolvidos com base em critériosdiferentes, mas 
que se complementam, o que confirma a natureza unitária da atividade interpretativa5.
O constitucionalista português Gomes Canotilho descreve alguns métodos de interpreta-
ção das normas constitucionais, vejamos:
 z Método hermenêutico clássico ou método jurídico: são basicamente os métodos tradi-
cionais de interpretação das leis:
 � Método gramatical: o interprete se preocupa com a letra da lei;
 � Método histórico: interpretação histórica: verifica a genealogia da lei, onde se busca 
verificar a vontade do legislador ao criar a lei;
 � Interpretação lógica: utiliza-se de raciocínio lógico;
 � Método teleológico: segundo buscamos a vontade da lei;
 z Método tópico-problemático: é aquele no qual o intérprete parte do problema para se 
chegar até a norma, ou seja, a interpretação deve ter o objetivo de resolução de casos 
concretos. Sobre o tema Pedro Lenza preleciona que, “a Constituição é assim, um sistema 
aberto de regras e princípios”6;
 z Método hermenêutico-concretizador: aqui faz análise partindo da Constituição para o 
problema, ou seja, deve ser feito primeiro a leitura da norma e depois a comparação com 
a realidade existente;
 z Método cientifico-espiritual: é aquele que busca a vontade da constituição, tem cunho 
sociológico pois interpreta as normas sob análise dos valores ali inseridos;
5 ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Constitucional Descomplicado. 9ª Ed. São Paulo: Método: 2012, p. 69.
6 LENZA, op. cit, p. 133.
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 z Método normativo-estruturante: o interprete deve buscar o real motivo da norma cons-
titucional. Ex.: Direito de o réu permanecer em silêncio; 
 z Método comparativo: o intérprete vai comparar o direito constitucional com a Constitui-
ção de vários países.
Na sua prova, cuidado para não confundir métodos de interpretação com princípios cons-
titucionais de interpretação. Este assunto será estudado na seção de princípios constitucio-
nais deste material de estudo.
NORMAS DE EFICÁCIA PLENA, CONTIDA E LIMITADA 
Todas as normas constitucionais têm eficácia jurídica independente de regulamentação, 
segundo a doutrina, são classificadas em normas de eficácia plena, contida e limitada, con-
forme veremos a seguir.
Normas de Eficácia Plena
São as normas que não dependem de regulamentação, ou seja, não depende de lei. 
Para identificar facilmente se a norma é de eficácia plena, note que na frase aparecerão 
termos como “é ou são”. Neste caso, jamais aparecerá expressões como: “nos termos da lei”.
Exemplo: vejamos o art. 13, da CF e § 1º, art. 18, da CF.
Art. 13 A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende 
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta 
Constituição.
§ 1º Brasília é a Capital Federal.
Normas de Eficácia Contida
São normas que têm aplicabilidade imediata, não dependem de regulamentação, mas 
admitem redução do direito pelo legislador originário.
Para identificar facilmente se a norma é de eficácia contida, note que na frase aparecerão 
expressões com a palavra “lei”, visando reduzir um direito. 
Exemplo: vejamos o XIII, art. 5°, da CF.
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer;
Normas de Eficácia Limitada 
São normas que dependem de regulamentação. Normas cuja aplicabilidade é indireta e 
reduzida.
Para identificar facilmente se a norma é de eficácia limitada, note que na frase aparecerão 
expressões com a palavra “lei ou nos termos da lei”, mas neste caso, visando detalhar um direito.
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Exemplo: observe o art. 29, da CF, e VII, art.153, da CF:
Art. 153 Compete à União instituir impostos sobre:
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.
Art. 29 Enquanto não aprovadas as leis complementares relativas ao Ministério Público e 
à Advocacia-Geral da União, o Ministério Público Federal, a Procuradoria-Geral da Fazen-
da Nacional, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios, as Procuradorias e Departamentos 
Jurídicos de autarquias federais com representação própria e os membros das Procuradorias 
das Universidades fundacionais públicas continuarão a exercer suas atividades na área das 
respectivas atribuições.
[...]
§ 2º Aos atuais Procuradores da República, nos termos da lei complementar, será facultada 
a opção, de forma irretratável, entre as carreiras do Ministério Público Federal e da Advoca-
cia-Geral da União.
Atualmente não existe o imposto sobre grandes fortunas no Brasil, mas há uma autori-
zação constitucional para criação do mesmo, conforme art. 153, da CF, deve existir uma lei 
complementar para regular o mesmo.
“Análise Covid-19”
Visto como uma potencial fonte de arrecadação para o país, o imposto sobre grandes fortunas 
(IGF) é tema de alguns projetos em tramitação no Senado. Dois deles foram apresentados após 
o início da pandemia do covid-19 — e citam essa calamidade sanitária como motivo de suas 
medidas.
Segundo regras constitucionais, um novo imposto só pode valer a partir do ano seguinte à sua 
criação. Desse modo, mesmo que um desses projetos seja aprovado durante a crise do covid-19, 
ele não poderá ser cobrado a tempo de trazer recursos imediatos. Mesmo assim, os senadores 
citam a justiça social e os custos futuros da pandemia como fatores que justificam suas iniciativas.
LIMITADA
Aplicabilidade indire-
ta/reduzida
Exemplo: 
Inciso XXVIII, art. 5°, 
da CF
CONTIDA
Aplicabilidade ime-
diata
Exemplo:
Inciso VIII, art. 5°, 
da CF
PLENA
Não depende de 
regulamentação
Exemplo: 
Art. 1º, da CF
EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
NORMAS PROGRAMÁTICAS 
De modo geral, pode-se dizer que a Constituição, de 1988, é programática. Isso porque 
grande parte de suas normas traçam, na verdade, princípios para serem cumpridos pelos 
seus órgãos em longo prazo. São verdadeiras metas a serem atingidas pelo Estado e seus 
programas de governo na realização de seus fins sociais.
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
Com forte expressão no pós-guerra, os direitos e garantias fundamentais, apesar de seu 
teor sensivelmente constitucional, são interdisciplinares e relacionam-se a todos os ramos 
do direito. 
Diz-se isso pois, pautados na busca de justiça e paz social, aqueles refletem um compromis-
so geral do direito e da justiça de proteção e garantia de uma vida digna a todos os cidadãos. 
Além disso, toda a legislação infraconstitucional também reflete, de maneira geral, a preo-
cupação com políticas adequadas que possam conciliar o desenvolvimento econômico, social 
e cultural. 
De todas as circunstâncias acima citadas, parte a interdisciplinaridade entre os direitos e 
garantias fundamentais e outros ramos do direito, tais como o direito penal, civil, trabalhista 
e processual. 
A amplitude temática dos direitos e garantias fundamentais é uma questão de toda a sea-
ra jurídica, visto que a consolidação e a efetivação dos direitos fundamentais encontram-se 
diretamente relacionadas à própria condição da vida humana.
Os direitos fundamentais, portanto, estão localizados no Título II, da CF, de 1988, do art. 
5º ao art. 17, e estão classificados em cinco grupos: direitos individuais e coletivos, direitos 
sociais, direitos de nacionalidade, direitos políticos e direitos relacionados à existência, orga-
nização e participação em partidos políticos. 
Também são classificados em três dimensões de direito, pois surgiram em épocas diferen-
tes. Vejamos:
 z Direitos de primeira geração: traduzem-se na liberdade quanto à atuação do Estado nas 
ações do indivíduo. Aqui estão compreendidos os direitos civis e políticos;
 z Direitos de segunda geração: aqui compreendidos os direitos decorrentes das obrigaçõesdo Estado em prol dos indivíduos (direito à saúde, educação e o direito ao trabalho), tendo 
como primazia o valor “igualdade”;
 z Direitos de terceira geração: direitos relacionados ao valor “fraternidade”. São direitos 
que vão além do individual; busca-se o bem coletivo (ex.: direito a um meio ambiente eco-
logicamente equilibrado, direito do consumidor e direito ao desenvolvimento).
DIREITOS FUNDAMENTAIS 
DE 
1ª DIMENSÃO
DIREITOS FUNDAMENTAIS 
DE 
2ª DIMENSÃO
DIREITOS FUNDAMENTAIS 
DE 
3ª DIMENSÃO
Direitos civis e políticos 
— liberdade
Direitos sociais,
econômicos e culturais 
— igualdade
Fraternidade
Dito isso, é importante reafirmarmos que estes direitos e garantias não estão taxativamen-
te expressos na Constituição Federal. Trata-se de uma matéria esparsa, consubstanciada em 
toda legislação nacional, inclusive infraconstitucional. 
Entretanto, apesar de não se tratar de uma matéria exaustiva e taxativa, numerus clausus, 
o rol dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, de 1988, é exemplificativo. 
Por isso, é importante estudarmos alguns dispositivos da Carta Magna.
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Portanto, antes de adentrarmos aos dispositivos constitucionais pertinentes, faz-se neces-
sário abordar conceitos fundamentais no estudo da disciplina.
DIREITO CONSTITUCIONAL
É um ramo do direito público que tem por finalidade a organização e princípios orienta-
dores de sua aplicação. Refere-se à estruturação do poder político e seus limites de atuação. 
Desse modo, é um ramo fundamental à organização do povo sobre um território.
Constituição
É a forma de organização do Estado (aqui, entenda: país). Todo Estado tem sua própria 
forma de organização. A Constituição é a lei fundamental e dispõe sobre o limite de poder do 
Estado, independentemente de ser formalizada em um texto escrito.
Objeto
Objeto é a própria Constituição do Estado, ou seja, as normas que tratam da organização, 
estrutura e organização dos poderes. Divide-se em direito constitucional particular ou espe-
cial, direito constitucional geral e direito constitucional comparado. Acompanhe:
 z Direito constitucional particular/especial/positivo ou interno: objetiva o estudo de 
uma Constituição específica de um determinado Estado. Ex.: estudo específico da Consti-
tuição da República Federativa do Brasil de 1988;
 z Direito constitucional geral: objetiva o estudo da Constituição de diversos Estados (cam-
po de ideias). Ex.: é aqui que se definem conceitos, classificação, ou seja, a formação da 
base de ideias para o estudo da teoria geral;
 z Direito constitucional comparado: como o próprio nome já diz, objetiva o estudo compa-
rado das Constituições de diversos Estados ou de um mesmo Estado, podendo ser temporal 
ou vertical. Entenda:
 � Critério temporal/vertical: análise das constituições de um mesmo Estado;
 � Critério espacial/horizontal: análise e comparação das constituições de diversos 
Estados.
DIREITO CONSTITUCIONAL 
PARTICULAR/ESPECIAL
DIREITO CONSTITUCIONAL 
GERAL
DIREITO CONSTITUCIONAL 
COMPARADO
Estudo da Constituição de um 
determinado Estado
Estudo da Constituição de 
diversos Estados
Estudo comparado das 
Constituições
Critério temporal Critério 
espacial
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Natureza
A natureza jurídica do direito constitucional é de direito público fundamental, pelo fato 
de estar relacionada diretamente à organização e ao funcionamento do Estado. 
Ainda, é na Constituição que podemos obter as regras mínimas de organização e adminis-
tração do Estado. Assim, a Constituição torna-se norma de parâmetro de todo ordenamento, 
sendo superior às demais.
Fontes
A doutrina classifica as fontes como mediatas e imediatas. Entenda melhor a seguir:
 z Fontes imediatas: são as mais próximas e primitivas, isto é, a Constituição e os costumes. 
A Constituição é a lei suprema e fonte principal do direito constitucional, todo ordenamen-
to jurídico deve obediência a ela;
 z Fontes mediatas: também conhecidas como fontes indiretas, são a doutrina e a 
jurisprudência.
Importante frisar que também há outra classificação das fontes pela doutrina, a qual nos 
traz a classificação das fontes como primárias e complementares. Vejamos:
 z Fontes primárias ou formais: Constituição Federal, também as emendas constitucionais, 
emendas de revisão e os tratados de direitos humanos;
 z Fontes complementares: costumes e jurisprudência.
Deste modo, os direitos e garantias fundamentais estão disciplinados no Título II, da CF, 
de 1988. Em síntese, a norma constitucional divide tais elementos em cinco grupos, a saber: 
 z direitos individuais e coletivos; 
 z direitos sociais; 
 z direitos de nacionalidade; 
 z direitos políticos; 
 z partidos políticos. 
Neste sentido, conclui-se que os direitos fundamentais constituem o gênero, do qual os 
direitos individuais, coletivos, sociais, nacionais e políticos são espécies.
Atenção! Direitos e garantias não podem ser confundidos. 
Direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional, como, por exemplo, o 
direito de ir e vir (liberdade de locomoção).
Garantias são os instrumentos por meio dos quais se assegura o exercício do referido 
direito, tanto preventivamente — como, por exemplo, o habeas corpus —, quanto repressi-
vamente — quando, por exemplo, busca-se assegurar a sua reparação no caso de violação.
Antes de adentrar no estudo dos direitos e garantias fundamentais, é importante conhe-
cermos suas características.
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A primeira delas é a universalidade, isto é, os direitos e garantias fundamentais aplicam-
-se a todos os indivíduos.
A historicidade é outra característica a ser mencionada, uma vez que os direitos e 
garantias são frutos de um desenvolvimento histórico, ou seja, são traçados e estruturados 
de acordo com o desenvolvimento da própria sociedade. Considerar o contexto histórico é 
extremamente importante para se entender o porquê da proteção dada pelos direitos funda-
mentais. Como exemplo, pode-se citar as políticas afirmativas, como a política de quotas em 
concursos públicos.
Além dessas, os direitos e garantias fundamentais têm, como característica, a inalienabili-
dade. Por terem a liberdade, a justiça e a paz como fundamento, não podem ser transferidos 
ou negociados. Assim, são conferidos a todos os indivíduos, que deles não podem se desfazer, 
porque são indisponíveis, tendo em vista a proteção da pessoa humana.
A imprescritibilidade também é uma de suas características, visto que não deixam de ser 
exigíveis em razão da falta de uso, ou seja, não prescrevem. Por exemplo, o fato de determi-
nada pessoa passar grande parte de sua vida sem ter uma religião específica não a impede de 
optar por uma ou outra ou, até mesmo, por nenhuma, pois seu direito à liberdade de crença 
e exercício de culto não se perde em razão do tempo.
Verifica-se, ainda, a irrenunciabilidade como uma característica importante, na medida 
que nenhum ser humano pode abrir mão de ter direitos fundamentais. O indivíduo pode não 
usufruir deles adequadamente, mas não pode renunciar à possibilidade de exercê-los.
Outra característica dos direitos fundamentais é a indivisibilidade. Não existe hierarquia 
entre tais direitos, pois todos dispõem do mesmo valor. Consequentemente, eles são indivi-
síveis na medida em que, para a garantia de um, pressupõe-se a observância dos demais. 
Sendo assim, quando um deles é violado, os outros também o são.
Por fim, outra característica importante é a limitabilidade, isto é, os direitos fundamen-
tais não são absolutos, de modo que podem ser limitados sempre que houver uma hipótese 
de colisão de direitos fundamentais. 
É da limitabilidade que advém a regra de que nenhum direito é absoluto. Por exemplo, 
mesmo detendo o direito de locomoção, nãoé possível ingressar em uma propriedade alheia 
fora das hipóteses previstas na CF, de 1988 (quais sejam: convite, desastre, flagrante delito, 
prestar socorro ou ordem judicial durante o dia), podendo, inclusive, caracterizar o crime de 
invasão de domicílio.
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
Os direitos e deveres individuais e coletivos encontram-se elencados no art. 5º, da 
Constituição:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberda-
de, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Conforme prevê o art. 5º, da CF, de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo aos brasileiros direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segu-
rança e à propriedade.
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Desta forma, o caput, do art. 5º, traz os cinco pilares dos direitos individuais e coletivos, 
quais sejam: vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. 
Eles compreendem todos os demais direitos estruturados nos seus incisos. Por exemplo: 
do direito à vida decorrem o direito à integridade física e moral, a proibição da pena de mor-
te e a proibição de venda de órgãos. 
Quando a Constituição fala “brasileiros e estrangeiros residentes no país”, não significa 
que o estrangeiro não residente não possua direitos, pois os direitos fundamentais são desti-
nados a qualquer pessoa que se encontre em território nacional.
A CF, de 1988, adota o critério quantitativo para definir os titulares dos direitos fundamen-
tais, ou seja, a população brasileira — todos aqueles que residem em território brasileiro. 
Além disso, o caput traz o princípio da isonomia ou da igualdade (“todos são iguais peran-
te a lei, sem distinção de qualquer natureza”). Tal princípio tem, como fundamento, o fato de 
que todos nascem e vivem com os mesmos direitos e obrigações perante o Estado brasileiro. 
São destinatários do princípio da igualdade tanto o legislador como os aplicadores da lei.
Princípio da Igualdade entre Homens e Mulheres
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
Como o próprio nome diz, o princípio prega a igualdade de direitos e deveres entre homens 
e mulheres.
O princípio da igualdade, previsto também no caput, do art. 5º, da CF, é muito importante, 
e, deste princípio, inúmeros outros decorrem diretamente, conforme veremos a seguir.
 z Igualdade na Lei x Igualdade Perante a Lei
A igualdade na lei vincula o legislador a tratar todos da mesma forma ao criar as normas, 
já a igualdade perante a lei significa que quem administra o Estado deve observar o princí-
pio da igualdade — por exemplo, o Poder Executivo ao administrar e o Poder Judiciário ao 
julgar. Importante frisar que o princípio da igualdade também tem efeitos aos particulares.
 z Igualdade Formal x Igualdade Material
A igualdade formal, também chamada de igualdade jurídica, significa que todos devem 
ser tratados da mesma forma. 
Já a igualdade material significa tratar igual os iguais e os desiguais com desigualdade, 
na medida de suas desigualdades, ou seja, é uma forma de proteção a certos grupos sociais, 
certos grupos de pessoas que foram discriminadas ao longo da história do Brasil. 
Isso ocorre por meio das chamadas ações afirmativas, que visam, por meio da política 
pública, reduzir os prejuízos. Por exemplo, temos o sistema de cotas para os afrodescenden-
tes nas universidades públicas. 
Sobre o tema, o STF (Supremo Tribunal Federal) já se posicionou pela constitucionalidade, 
e a decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE 597285), com repercus-
são geral, em que um estudante questionava os critérios adotados pela UFRGS (Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul) para reserva de vagas7.
7 RE 597285, rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 09.05.2012, DJe 21.05.2012.
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 z Igualdade nos Concursos Públicos
Tem como base o também chamado princípio da isonomia, o qual deve ser rigorosamente 
observado sob pena de nulidade da prova a ser realizada pelo respectivo concurso público. 
Entretanto, alguns concursos exigem, por exemplo, idade, altura etc. Note que todas as 
exigências contidas no edital que façam distinção entre as pessoas somente serão lícitas e 
constitucionais desde que preencham dois requisitos: 
 � deve estar previsto em lei — igualdade formal; 
 � deve ser necessário ao cargo. 
Por exemplo: concurso para contratação de agente penitenciário para presídio feminino 
com o edital constando que é permitido somente mulheres para investidura do cargo.
Exemplo muito comentado também é sobre a proibição de tatuagem contida nos editais de con-
curso público; sobre o tema, o STF assim entendeu (a seguir, a tese de repercussão geral fixada):
Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo 
situações excepcionais, em razão de conteúdo que viole valores constitucionais8.
Entenda: tatuagem que viole os princípios constitucionais e os princípios do Estado brasi-
leiros. Ex.: tatuagem de suástica nazista.
 z União Estável Homoafetiva
Tema muito comentado, e, em 2011, o STF se posicionou sobre o reconhecimento da união 
estável para casais do mesmo sexo, decisão tomada sob o argumento que o inciso IV, art. 3º, 
da CF, veda qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido, nin-
guém pode ser diminuído ou discriminado em função de sua orientação sexual. 
“O sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”. 
Conclui-se, portanto, que qualquer depreciação da união estável homoafetiva colide com o 
inciso IV, art. 3º, da CF9.
Princípio da Legalidade e Liberdade de Ação
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
Todo ser humano é livre e só está obrigado a fazer ou não algo que esteja previsto em lei. 
Deste princípio, decorre a ideia de que “não há crime sem lei anterior que o defina”, ou seja, a 
concepção de que “crime” é aquilo que está expressamente previsto na lei penal.
O princípio da legalidade está previsto no inciso II, art. 5º, da CF, e preceitua que “ninguém 
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Note que quan-
do se fala em princípio da legalidade, se está falando no âmbito particular, e não da Adminis-
tração Pública.
8 Recurso Extraordinário 898450. Tema de Repercussão Geral. STF. Min. Luiz Fux, julgado em 17.08.2016.
9 STF. ADI 4277 e ADPF 132, rel. Min. Ayres Britto, julgado em 05.05.2011, DJe 06.05.2011.
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No que tange aos particulares, o princípio da legalidade quer dizer que apenas a lei possui 
a legitimidade de criar obrigações de fazer, comumente chamadas de obrigações positivas, e, 
também, as chamadas obrigações de não fazer, conhecidas como obrigações negativas. 
Sendo assim, nos casos em que a lei não dispuser obrigação alguma, é dado ao particular 
fazer o que bem entender; ou seja, não havendo qualquer proibição disposta em lei, o parti-
cular está livre para agir, vigorando nesse ponto o princípio da autonomia da vontade.
Referente ao poder público, o conteúdo do princípio da legalidade é outro: esse tem a 
ideia de que o Estado se sujeita às leis e, ao mesmo tempo, de que governar é atividade a qual 
a realização exige a edição de leis, sendo que o poder público não pode atuar nem contrário 
às leis, nem na ausência da lei.
Vedação de Práticas de Tortura Física e Moral, Tratamento Desumano e Degradante
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
Torturar10 é causar ao indivíduo sofrimento físico ou mental como forma de intimidação 
ou castigo. É, também, utilizar-se de métodos comomaneira de anular a personalidade ou 
diminuir a capacidade física ou mental, mesmo que sem dor.
Desta forma, é vedada a prática de tortura física e moral e de qualquer tipo de tratamento 
desumano, degradante ou contrário à dignidade humana realizada por qualquer autoridade 
ou até mesmo entre os próprios cidadãos. 
A proibição à tortura, cláusula pétrea de nossa Constituição, visa resguardar o direito de 
uma vida digna. A prática da tortura é, ainda, crime inafiançável na legislação penal brasileira.
Assim, a CF, de 1988, veda tanto a tortura como qualquer tipo de tratamento desumano 
ou degradante. Temos como exemplo prático de tal inciso a Súmula Vinculante nº 11, a qual 
dispõe sobre o uso de algemas, que, se for de forma arbitrária, pode acarretar tratamento 
desumano ou degradante.
Súmula Vinculante nº 11 Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado 
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de 
terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, 
civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se 
refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.
Liberdade de Manifestação do Pensamento e Vedação do Anonimato, Visando Coibir Abusos e 
Não Responsabilização pela Veiculação de Ideias e Práticas Prejudiciais
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
Aqui, temos consubstanciada a liberdade de expressão. A Constituição Federal pôs fim 
à censura, tornando livre a manifestação do pensamento. Entretanto, esta liberdade não é 
absoluta, uma vez que deve se pautar nos princípios da justiça e do direito. 
10 Conceito em conformidade com o art. 2º, da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura.
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Assim, de acordo com o texto constitucional, todas as pessoas detêm direito atinentes à 
liberdade de foro íntimo, ou seja, de ter convicções religiosas, filosóficas, políticas, entre 
outras, possuindo, portanto, o direito de pensar.
O pensamento em si é absolutamente livre, por ser uma questão de foro íntimo. O indiví-
duo pode pensar em que quiser, sem que o Estado possa interferir. No entanto, quando este 
pensamento é exteriorizado, passam a ser possíveis a tutela e a proteção do Estado.
Nesse sentido, é vedada a liberdade abusiva, prejudicial aos direitos de outrem, e, tam-
bém, o anonimato, de forma a coibir práticas prejudiciais sem identificação de autoria.
A vedação constitucional ao anonimato, contudo, não impede que uma autoridade públi-
ca, ao receber uma denúncia anônima, proceda com as investigações preliminares, de forma 
a apurar os indícios de materialidade narrados na denúncia.
Cumpre ainda ressaltar que, no Brasil, a denúncia anônima é permitida. Contudo, o poder 
público não pode iniciar o procedimento formal tendo como base única uma denúncia 
anônima.
Importante!
O STF considerou desnecessária a utilização de diploma de jornalismo e registro profissio-
nal no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista, 
pois tem na sua essência a manifestação do pensamento.
Direito de Resposta e Indenização
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano 
material, moral ou à imagem; 
A expressão do pensamento é livre, porém não é absoluta. Assim, a pessoa é livre para 
expor sua opinião, todavia, atingindo-se a honra de alguém, por exemplo, ela poderá ser res-
ponsabilizada civil e penalmente. 
De acordo com o inciso acima, o direito de resposta, associado à indenização por dano 
material, moral ou à imagem, é assegurado às pessoas físicas e jurídicas quando estas, por 
meio dos canais midiáticos de comunicação, recebem ofensas a:
 z sua honra;
 z sua reputação;
 z seu conceito;
 z seu nome;
 z sua marca;
 z sua imagem etc.
Portanto, o direito de resposta refere-se ao exercício do direito de defesa da pessoa que 
foi ofendida em razão da manifestação do pensamento de outra, como, por exemplo, no caso 
de notícia inverídica ou errônea. Salienta-se, por fim, que o direito de resposta é aplicado 
tanto à pessoa física quanto à jurídica.
Importante! O inciso V prevê a indenização por dano material, moral ou à imagem. De 
acordo com a Súmula nº 37, do Superior Tribunal de Justiça, esses danos são acumuláveis.
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Liberdade Religiosa e de Consciência
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos 
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e 
militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosó-
fica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recu-
sar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
O Estado brasileiro é laico, ou seja, não se apoia nem se opõe a nenhuma religião. Por isso, 
a liberdade de crença e de consciência são direitos fundamentais previstos na Constituição 
Federal. 
A Constituição assegura, ainda, a liberdade de cultos, a proteção dos locais religiosos e a 
não privação de direitos em razão da crença pessoal.
A escusa de consciência consiste no direito individual de se recusar a cumprir determi-
nada obrigação ou a praticar determinado ato comum por este ser contrário às suas crenças 
religiosas ou à sua convicção filosófica ou política. 
Nesses casos, de acordo com a lei, a pessoa deve cumprir uma prestação alternativa, fixa-
da em lei. Serve como exemplo desse direito o cidadão que deixa de prestar serviço militar 
obrigatório por motivo de crença. 
Se o cidadão que invocar a escusa de consciência em seu benefício deixar de cumprir a 
prestação alternativa imposta, poderá incorrer na perda dos direitos políticos, segundo a 
doutrina majoritária, ou na suspensão destes, a teor do que se estabelece no § 2º, art. 4º, da 
Lei nº 8.239, de 1991:
Lei nº 8.239, de 1991
Art. 3º O Serviço Militar inicial é obrigatório a todos os brasileiros, nos termos da lei.
§ 1º Ao Estado-Maior das Forças Armadas compete, na forma da lei e em coordenação com os 
Ministérios Militares, atribuir Serviço Alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, 
alegarem imperativo de consciência decorrente de crença religiosa ou de convicção filosófica 
ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar.
§ 2º Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, 
assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essen-
cialmente militar.
§ 3º O Serviço Alternativo será prestado em organizações militares da ativa e em órgãos de 
formação de reservas das Forças Armadas ou em órgãos subordinados aos Ministérios Civis, 
mediante convênios entre estes e os Ministérios Militares, desde que haja interesse recíproco 
e, também, sejam atendidas as aptidões do convocado.
§ 4º O Serviço Alternativo incluirá o treinamento para atuação em áreas atingidas por desas-
tre, em situação de emergência e estado de calamidade, executado de forma integrada com o 
órgão federal responsável pela implantação das ações de proteção e defesa civil. (Incluído pela 
Lei nº 12.608, de 2012)
§ 5º A União articular-se-á com os Estados e o Distrito Federal para a execução do treinamen-
to a que se refere o § 4º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012)
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Art. 4º Ao final do período de atividade previsto no § 2º do art. 3º desta lei, será conferido 
Certificado de Prestação Alternativa ao Serviço Militar Obrigatório,com os mesmos efeitos 
jurídicos do Certificado de Reservista.
§ 1º A recusa ou cumprimento incompleto do Serviço Alternativo, sob qualquer pretexto, por 
motivo de responsabilidade pessoal do convocado, implicará o não-fornecimento do certifica-
do correspondente, pelo prazo de dois anos após o vencimento do período estabelecido.
§ 2º Findo o prazo previsto no parágrafo anterior, o certificado só será emitido após a decre-
tação, pela autoridade competente, da suspensão dos direitos políticos do inadimplente, 
que poderá, a qualquer tempo, regularizar sua situação mediante cumprimento das 
obrigações devidas.
Liberdade de Expressão e Proibição de Censura
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, indepen-
dentemente de censura ou licença;
O inciso IX trata da liberdade de expressão das atividades intelectual, artística, científica 
e de comunicação. Assim, a CF, de 1988, veda, expressamente, qualquer atividade de censura 
ou licença, inclusive a proveniente de atuação jurisdicional. 
Cumpre esclarecer os conceitos de censura e licença:
 z censura é a verificação da compatibilidade ou não entre um pensamento que se pretende 
expressar com as normas legais vigentes;
 z licença é a exigência de autorização para que o pensamento possa ser exteriorizado.
Proteção à Imagem, Honra e Intimidade da Pessoa Humana
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado 
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Com intuito da proteção, a Constituição Federal tornou inviolável a imagem, a honra e a 
intimidade da pessoa humana, assegurando o direito à reparação material ou moral em caso 
de violação.
Neste sentido, o inciso X decorre do direito à vida e traz a proteção dos direitos de perso-
nalidade, ou seja, o direito à privacidade. Trata-se dos atributos morais que devem ser pre-
servados e respeitados por todos, tendo em vista que a vida não deve ser protegida apenas 
em seus aspectos materiais.
Aqui, torna-se necessário explicar alguns termos:
 z intimidade é o direito de estar só, ou seja, de não ser perturbado em sua vida particular; 
 z vida privada refere-se ao relacionamento de um indivíduo com seus familiares e amigos, 
quer em seu lar quer em locais fechados; 
 z honra é o atributo pessoal que compreende tanto a autoestima (honra subjetiva) quanto a 
reputação de que goza a pessoa no meio social (honra objetiva);
 z imagem é a expressão exterior da pessoa, ou seja, seus aspectos físicos (imagem-retrato), 
bem como a exteriorização de sua personalidade no meio social (imagem-atributo).
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Proteção do Domicílio do Indivíduo
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento 
do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, duran-
te o dia, por determinação judicial; (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência).
A proteção do domicílio é direito fundamental. A casa do indivíduo, portanto, é inviolá-
vel. De outro modo, não se tratando de casos excepcionais de flagrante delito, prestação de 
socorro ou ordem judicial, só podem adentrar, nesta, aqueles que possuem consentimento do 
morador.
Essa proteção se refere às pessoas físicas ou jurídicas, abrangendo, inclusive, a proteção 
necessária à própria imagem frente aos meios de comunicação em massa (televisão, jornais 
etc.).
Note que existem exceções à inviolabilidade: flagrante delito, desastre, prestação de socor-
ro e determinação judicial. 
Convém lembrar também que, de acordo com o magistério jurisprudencial do STF, o con-
ceito de “casa” é amplo, abarcando qualquer compartimento habitado (casa, apartamento, 
trailer ou barraca); qualquer aposento ocupado de habitação coletiva (hotel, apart-hotel ou 
pensão), bem como qualquer compartimento privado onde alguém exerça profissão ou ativi-
dade, incluindo as pessoas jurídicas. 
O STF, em relevante julgamento com repercussão geral (§ 3º, art. 102, da CF), firmou 
compreensão no sentido de que pode ocorrer a inviolabilidade mesmo no período noturno 
— fundamentada e devidamente justificada, se indicado que no interior da casa se está 
praticando algum crime, ou seja, em estado de flagrante delito. 
É importante frisar que, se o agente policial entrar na residência e não constatar a ocor-
rência de crime em flagrante, não haverá ilicitude na conduta dos agentes policiais se forem 
apresentadas fundadas razões que os levaram a invadir aquela casa, o que, sem dúvida, deve 
ser objeto de controle — mesmo que posterior — por parte da própria polícia e, claro, pelo 
Ministério Público (a quem compete exercer o controle externo da atividade policial, nos ter-
mos do inciso VII, art. 129, da CF) ou mesmo pelo Judiciário, ao analisar-se a legitimidade de 
eventual prova colhida durante essa entrada à residência.
Proteção do Sigilo das Comunicações
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma 
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide 
Lei nº 9.296, de 1996).
A inviolabilidade das comunicações pessoais está disciplinada no inciso XII e também 
decorre do direito à segurança. O dispositivo considera comunicações pessoais:
 z As correspondências: comunicações recebidas em casa, como, por exemplo, as cartas, as 
contas, os comunicados e avisos comerciais; 
 z A comunicação telegráfica: comunicados mais rápidos, que podem ser enviados tanto na 
forma escrita como pela internet, tais como o telegrama;
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 z A comunicação de dados: comunicação feita por meio de rede de computadores, como, 
por exemplo, a compra de produtos on-line ou homebank;
 z As comunicações telefônicas: ligações feitas e recebidas por meio de telefone fixo ou 
móvel.
De acordo com a lei básica, o sigilo das comunicações é direito fundamental e, portanto, 
inviolável, salvo em casos de ordem judicial.
As correspondências são invioláveis, com exceção nos casos de decretação de estado de 
defesa e de sítio (art. 136 e seguintes, da CF).
É importante mencionar que o STF já reconheceu a possibilidade de interceptar carta de 
presidiário, pois a inviolabilidade de correspondência não pode ser usada como defesa para 
atividades ilícitas.
Possibilidade de interceptação telefônica: interceptação telefônica é a captação e gra-
vação de conversa telefônica, no momento em que ela se realiza, por terceira pessoa, sem o 
conhecimento de qualquer um dos interlocutores, conforme prevê exceção do inciso XII, do 
art. 5º, da CF, acima mencionado, que, para ser lícita, deve obedecer a três requisitos: 
INTERCEP-
TAÇÃO 
TELEFÔNICA
Ordem judicial
Para fins de investigação criminal
Hipóteses e formas que a lei estabelecer
Ainda, a interceptação telefônica dependerá de ordem judicial, conforme art. 1º, da Lei nº 
9.926, de 1996:
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em 
investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e depen-
derá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em 
sistemas de informática e telemática.
O segundo requisito necessário exige que a produção desse meio de prova seja dirigida 
para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, assim, não é possível a 
autorização da interceptação telefônica em processos civis, administrativos, disciplinares etc.
Já o último requisito refere-se a uma lei que deve prever as hipóteses e a forma em que 
pode ocorrer a interceptação telefônica, obrigatoriamente no âmbito de investigação crimi-
nalou instrução processual penal. 
A regulamentação desse dispositivo veio com a Lei nº 9.296, de 1996, que legitimou a inter-
ceptação das comunicações como meio de prova, estendendo também a sua regulamentação 
à interceptação de fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática (combina-
ção de meios eletrônicos de comunicação com informática, e-mail e outros).
Liberdade de Profissão
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer;
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O direito de exercício de qualquer atividade profissional decorre do direito à liberdade. 
Trata-se da faculdade de escolher o trabalho que se pretende exercer. 
No entanto, é necessário atender às qualificações profissionais exigidas pela lei; por exem-
plo, para ser médico, um dos requisitos é ter feito faculdade de medicina em território nacio-
nal ou ter sido aprovado em exame de revalidação no caso de faculdade estrangeira.
Essa é uma norma constitucional de eficácia contida, ou seja, uma norma que produz 
todos os efeitos. No entanto, cabe destacar que uma norma infraconstitucional (lei) pode con-
ter o seu alcance ao fixar condições ou requisitos para o pleno exercício da profissão, como, 
por exemplo, a regra de que, para advogar, é necessária a aprovação no exame da Ordem dos 
Advogados do Brasil.
Acesso à Informação
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando 
necessário ao exercício profissional;
O inciso XIV disciplina o direito de informação, que é um dos desdobramentos do direito à 
liberdade. O direito à informação possui tríplice alcance, por englobar o direito de informar, 
de se informar e de ser informado.
Atenção! A liberdade de informação jornalística está prevista no § 1º, art. 220, da CF, de 
1988, e é mais abrangente que a liberdade de imprensa, que assegura o direito de veiculação 
de impressos sem qualquer tipo de restrição por parte do Estado.
Ressalta-se, ainda, que o dispositivo resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao 
exercício profissional. 
Deste modo, por exemplo, nenhum jornalista poderá ser obrigado a revelar o nome de 
seu informante ou a fonte de suas informações. Além disso, seu silêncio não poderá sofrer 
qualquer sanção. 
Liberdade de Locomoção, Direito de Ir e Vir
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, 
nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
Esse inciso consagra o direito de ir e vir e a liberdade de locomoção. Nesse sentido, todos 
são livres para entrar, circular, permanecer ou sair do território nacional em tempos de paz. 
Assim, a liberdade de ir e vir encontra-se disciplinada no inciso XV, art. 5º, da CF, de 1988. 
Trata-se, portanto, do direito de locomoção, que é um dos desdobramentos do direito à 
liberdade. 
Observa-se, no entanto, que a liberdade de locomoção é restrita a tempo de paz, ou seja, 
no caso de decretação de guerra, passa a viger a lei marcial, de modo que o ir e vir dos indi-
víduos pode sofrer limitações.
Portanto, cumpre ressaltar que a garantia constitucional que objetiva assegurar o direito 
de locomoção é o habeas corpus, que será tratado adiante.
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 z Direito de Ir e Vir x Coronavírus (Covid-19)
Aqui temos um tema muito comentado — o isolamento, ou seja, a proibição das pessoas de 
abrirem suas próprias empresas, de permanecerem em praças e em outros lugares públicos, 
isto é, seu direito de ir e vir é limitado. Entenda:
ISOLAMENTO
Vertical
Somente grupo de risco deve ficar 
isolado em casa (idosos e pes-
soas com problemas de saúde)
Toda população deve ficar isola-
da em casa e empresas fechadasHorizontal
Se o direito à liberdade de locomoção é um direito fundamental de ir e vir, pode-se proibir 
que as pessoas se locomovam? Mas e a Constituição? 
No caso da covid-19, em 18 de março de 2020, foi aprovado pelo Congresso Nacional o 
decreto que colocava o país em estado de calamidade pública, tendo em vista a situação 
excepcional de emergência de saúde. Para entendermos melhor, vamos estudar por etapas.
O que é calamidade pública? O dicionário Aurélio assim define calamidade: “desgraça 
pública; grande infortúnio; catástrofe”, ou seja, é um estado anormal resultante de um desas-
tre de natureza, pandemia ou até financeiro, situações em que o Governo Federal deve inter-
vir nos outros entes federativos (entenda entes: estados, DF e municípios) para auxiliar no 
combate à situação. 
Ainda, conforme o Governo Federal, o reconhecimento do estado de calamidade pública 
foi previsto para durar até 31 de dezembro de 2020. Ele foi necessário:
[…] em virtude do monitoramento permanente da pandemia covid-19, da necessidade de ele-
vação dos gastos públicos para proteger a saúde e os empregos dos brasileiros e da perspec-
tiva de queda de arrecadação.
Entenda a explicação sobre calamidade pública:
 z decretado estado de calamidade pública, através de aprovação das duas casas: Senado 
Federal e Câmara dos Deputados. Permite que o Executivo gaste mais do que o previsto e 
desobedeça às metas fiscais para custear ações de combate à pandemia.
 z o Governo Federal já pode determinar quais medidas de apoio serão tomadas. Com base 
na Lei Complementar nº 101, de 2020;
 z o Governo Federal poderá: 
 � liberar recursos; enviar defesa civil militar; enviar kits emergenciais;
 � Estados podem: parcelar dívidas; atrasar execução de gastos; não precisam fazer 
licitações.
Agora que entendemos como funciona o estado de calamidade pública, vamos à análise do 
direito de locomoção que foi restringido.
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Primeiramente, é importante mencionar que nenhum direito fundamental pode ser con-
siderado absoluto (quando dizemos isso, significa que esse direito pode ser violado, desde 
que cumpra alguns requisitos), e a proporcionalidade de cada situação deve ser observada.
O interesse da coletividade deve ser sempre observado e ter preferência em relação ao 
direito do particular, com o objetivo de aplicar o denominado princípio da supremacia do 
interesse público sobre o particular, que, inclusive, é um dos principais princípios do direi-
to administrativo.
Aqui, cabe mencionar também o art. 196, da CF, que prevê o direito à saúde como sendo 
um dever do Estado (no sentido de nação politicamente organizada, ou seja, é um dever do 
país/Governo Federal):
Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal 
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Ainda, cabe mencionar o princípio da proporcionalidade, o qual tem como finalidade 
equilibrar os direitos individuais com os da sociedade, exatamente como no caso que aqui 
estamos analisando.
Ou seja, no caso em tela, pode-se proibir, conforme os requisitos demonstrados na situação 
atual, para provas, que o direito de ir e vir é um direito fundamental, mas fique atento: o 
direito fundamental de ir e vir não é um direito absoluto.
 No caso da violação desse direito em face da covid-19, foram observados o princípio da 
proporcionalidade e o princípio da supremacia do interesse público sobre o particular.
Lembrando que o desrespeito a qualquer medida imposta configura como crime contra a 
saúde pública, previsto no art. 268, do Código Penal, que pune criminalmente a conduta de 
“infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de 
doença contagiosa”.
Direito de Reunião
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, indepen-
dentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada 
para o mesmo local, sendo apenasexigido prévio aviso à autoridade competente;
O direito de reunião pacífica em locais públicos é assegurado constitucionalmente, inde-
pendentemente de autorização. Assim, os cidadãos podem se reunir livremente em praças e 
locais de uso comum do povo, desde que não interfiram ou atrapalhem outra reunião desig-
nada anteriormente para o mesmo local. 
Portanto, é preciso que o evento seja organizado e preencha os seguintes requisitos:
 z reunião pacífica e sem armas;
 z fins lícitos; 
 z aviso prévio à autoridade competente;
 z local aberto ao público.
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A liberdade de reunião, prevista no inciso XVI, do art. 5º, da CF, deve ser pacífica e sem 
armas, bem como não deve frustrar outra reunião anteriormente convocada para aquele 
local, tendo preferência quem avisar primeiro; isso é chamado de aviso prévio à autoridade 
competente, sendo diferente de autorização, pois a reunião não depende de autorização.
O STF, quanto à “Marcha da Maconha”, entendeu que a passeata é constitucional, 
assim, compatível com o direito de reunião. Contudo, é inadmissível a incitação ao uso de 
entorpecentes.
Atenção! Aviso prévio não se confunde com autorização. Para se reunir, é preciso, apenas, 
comunicar à autoridade local, a fim de evitar, por exemplo, que, no mesmo local, dia e hora, 
coincidam agrupamentos de pessoas com posicionamentos distintos (exemplo: manifesta-
ções pró-aborto e contrária ao aborto).
Liberdade de Associação
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autoriza-
ção, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades sus-
pensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para 
representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
No Brasil, são plenas a liberdade de associação e a criação de associações e cooperativas 
para fins lícitos. Por isso, estas não podem sofrer intervenção do Estado. 
A expressão “plena”, utilizada no dispositivo, é no sentido de ser considerada livre a liber-
dade de associação, desde que para fins lícitos. 
Neste sentido, também é vedada a associação de caráter paramilitar, ou seja, a associação 
civil e desvinculada do Estado, que se encontra armada e com estrutura similar às institui-
ções militares, de modo a se utilizar de táticas e técnicas policiais ou militares para alcançar 
os seus objetivos.
Por conseguinte, o Texto Constitucional prevê a possibilidade de criação de associações e 
cooperativas, independentemente de autorização. Ainda, só poderão ser dissolvidas ou ter 
suspensas as atividades por decisão judicial. 
Salienta-se, por necessário, que, no caso de dissolução da associação, esta somente poderá 
ocorrer após o trânsito em julgado, ou seja, quando não couberem mais recursos.
Importante!
z Dissolução das associações: decisão judicial + trânsito em julgado;
z Suspensão das associações: decisão judicial.
Além disso, ninguém pode ser obrigado a associar-se ou permanecer associado. Por fim, 
o Texto Constitucional autoriza, desde que expressamente autorizada, a representação dos 
associados pelas entidades associativas.
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Forças paramilitares, também conhecidas como milícias, são grupos ou associações civis 
armadas, normalmente com fins político-partidários, religiosos ou ideológicos, e com estru-
tura semelhante à militar, mas que não fazem parte das Forças Armadas oficiais. No Brasil, a 
Segurança Nacional e Defesa Social é atribuição exclusiva do Estado, por isso as associações 
paramilitares são vedadas.
Ato contínuo, o inciso XXI é o último dispositivo que trata do direito de associação. Ele se 
refere à representação do filiado pela associação, quer em âmbito judicial, quer em âmbi-
to extrajudicial, isto é, ele se refere à legitimação da associação para atuar em nome dos 
associados.
Cabe esclarecer que representante é aquele que age em nome alheio, defendendo direito 
alheio. No caso das associações, para que estas atuem na condição de representantes, é preci-
so autorização expressa dos filiados, não bastando que exista autorização em estatuto. Assim 
sendo, só poderão atuar se devidamente autorizadas pelos associados.
Além disso, ao contrário da representação, a substituição judicial ou extrajudicial da asso-
ciação independe de autorização, uma vez que, na substituição, a associação atua em nome 
próprio, defendendo direito alheio (dos associados).
Direito de Propriedade e sua Função Social
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
Uma importante garantia constitucional é o direito de propriedade. Entretanto, este direi-
to não é absoluto, pois está limitado ao atendimento de sua função social, ou seja, além da 
ideia de pertença, toda propriedade deve atender a interesses de ordem pública e privada, 
não sendo nociva à coletividade em seu uso e fruição.
De acordo com o art. 1.228, do Código Civil, o direito de propriedade consiste na faculdade 
de usar, gozar e dispor da coisa, assim como o direito de reavê-la do poder de quem quer que, 
injustamente, a possua ou a detenha.
Observa-se, no entanto, que, em termos constitucionais, o direito de propriedade é mais 
amplo que no direito civil, por abranger qualquer direito de conteúdo patrimonial ou eco-
nômico, ou seja, tudo aquilo que possa ser convertido em dinheiro, alcançando créditos e 
direitos pessoais.
Assim, o direito de propriedade assegurado na Constituição como direito constitucional 
abrange tanto os bens corpóreos quanto os incorpóreos. Vejamos o art. 170, da Constituição 
Federal: 
Art. 170 A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre inicia-
tiva, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, 
observados os seguintes princípios:
II - propriedade privada;
Dica: bens corpóreos são os bens possuidores de existência física, são concretos e visíveis, 
como, por exemplo, uma casa, um automóvel etc. 
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Já os bens incorpóreos são bens abstratos que não possuem existência física, ou seja, não 
são concretos, mas possuem um valor econômico, como, por exemplo, propriedade intelec-
tual, direitos do autor etc.
Em relação à propriedade de bens incorpóreos, refere-se à específica proteção constitucio-
nal à denominada propriedade intelectual, a qual abrange os direitos de autor e os direitos 
relativos à propriedade industrial, como a proteção de marcas e patentes.
 z Desapropriação
Como característica dos direitos fundamentais, o direito de propriedade também não é um 
direito absoluto. Apesar da exigência de que a propriedade atenda a uma função social, há 
outras hipóteses em que o interesse público pode justificar a imposição de limitações. 
Ao elaborar a Constituição, o legislador preocupou-se em atribuir tratamento especial à 
política de desenvolvimento urbano. Referente à desapropriação de imóvel rural, somente 
é lícita a desapropriação para fins de interesse social, ou seja, imóvel rural que não estiver 
cumprindo sua função social é desapropriado. 
Nesse sentido, é importante verificar a importância do inciso XXIV, do art. 5°, que determi-
na o poder geral de desapropriação por interesse social. Ora, desde que seja paga a indeniza-
ção mencionada neste artigo, qualquer imóvel poderá ser desapropriado por interesse social 
para fins de reforma agrária. 
Intervenção do Estado na Propriedade
XXIV - a lei estabeleceráo procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados 
os casos previstos nesta Constituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de proprieda-
de particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
O direito de propriedade não é absoluto. Dada a supremacia do interesse público sobre o 
particular, nas hipóteses legais, é permitida a intervenção do Estado na propriedade.
O inciso XXIV trata da hipótese mais drástica do poder de intervenção do Estado na eco-
nomia: a desapropriação. A desapropriação é o ato pelo qual o Estado toma para si ou para 
outrem (terceira pessoa) bens de particulares, por meio do pagamento de justa e prévia inde-
nização. Portanto, trata-se de uma das hipóteses de aquisição originária da propriedade.
É cabível a desapropriação nas seguintes hipóteses:
 z Por necessidade pública: hipótese na qual o bem a ser desapropriado é imprescindível 
para a realização de uma atividade essencial do Estado;
 z Por utilidade pública: o bem não é imprescindível, mas é conveniente para a realização 
de uma atividade estatal;
 z Por interesse social: a desapropriação é conveniente para o desenvolvimento da 
sociedade.
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Atenção! Não confundir com desapropriação sancionatória, hipótese em que o bem não 
respeita a função social da propriedade. Nela, a indenização não é prévia, sendo o prazo 
de resgate (Títulos da Dívida Pública) de 10 anos para bens urbanos e de 20 anos para bens 
rurais.
Ainda, não confunda desapropriação com expropriação, que consiste na perda da pro-
priedade no caso de cultivo de substâncias entorpecentes ou de trabalho escravo. Nela, não 
há pagamento de indenização.
A requisição temporária da propriedade está disciplinada no inciso XXV. Trata-se da 
possibilidade de o poder público, em momentos de calamidade (já ocorrida ou prestes a ocor-
rer), ingressar na posse de bem particular, para assegurar a preservação de direitos mais 
importantes que a propriedade, tais como a vida e a integridade das pessoas. 
Por exemplo, no caso de uma enchente em um determinado local, o poder público fazer de 
um imóvel privado, próximo ao local, um hospital de atendimento às vítimas.
A requisição temporária é uma exceção ao princípio da indenização prévia, uma vez que 
o pagamento está condicionado à existência de danos.
Pequena Propriedade Rural
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, 
não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produti-
va, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
A pequena propriedade rural é impenhorável e não responde por dívidas decorrentes de 
sua atividade produtiva. Assim, o inciso XXVI disciplina a impenhorabilidade da peque-
na propriedade rural, por ser esta considerada bem de família e, portanto, insuscetível de 
penhora, de modo a ficar a salvo de execuções por dívidas decorrentes da atividade produtiva. 
Além disso, a CF, de 1988, estabelece que esta deverá receber os recursos previstos em lei 
que financiem o seu desenvolvimento.
Direito Autoral e Propriedade Industrial
Com a edição da Constituição, de 1988, os direitos autorais encontraram ampla guarida. 
Além da Lei de Direitos Autorais, a Constituição prevê, assim, uma ampla proteção às obras 
intelectuais.
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de 
suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz 
humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que 
participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e 
associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua uti-
lização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de 
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empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento 
tecnológico e econômico do País;
A Constituição Federal protege, ainda, a propriedade industrial. Nesse sentido, é impor-
tante mencionarmos que esta se difere da propriedade intelectual e, por isso, não é objeto de 
proteção da Lei de Direitos Autorais, mas, sim, da Lei da Propriedade Industrial.
Assim, existem três tipos de propriedade intelectual, quais sejam:
 z Propriedade industrial: criações que movimentam o mercado e são empregadas para 
manter a competitividade. Seu foco é voltado para a área empresarial. São exemplos: as 
patentes, marcas, desenhos, indicações geográficas, entre outros;
 z Direitos autorais: criações artísticas, culturais e científicas, como, por exemplo, as obras 
intelectuais, literárias e artísticas;
 z Proteção sui generis: são as criações híbridas, isto é, aquelas que se encontram em um 
estado intermediário entre a propriedade industrial e os direitos autorais. Exemplos: a 
topografia dos circuitos integrados (mask works), a proteção de cultivares (obtenções 
vegetais ou variedades vegetais) e conhecimentos tradicionais associados aos recursos 
genéticos.
Neste sentido, a CF, de 1988, garante aos autores o direito exclusivo de utilização, publi-
cação ou reprodução de suas obras, sendo esse direito transmitido aos herdeiros do autor 
(direitos sucessórios) pelo tempo que a lei fixar.
O direito autoral, portanto, volta-se às criações artísticas, científicas, musicais, literárias, 
entre outras. Desse modo, bem como o direito das empresas de radiofusão e cinematográfi-
cas, protege obras literárias (escritas ou orais), musicais, artísticas, científicas, obras de escul-
tura, pintura e fotografia. 
Pelo direito de exclusividade, o autor é o único que pode explorar sua obra, gozar dos 
benefícios morais e econômicos resultantes dela ou ceder os direitos de exploração a terceiros. 
Por sua vez, a propriedade industrial é o ramo da propriedade intelectual que resguar-
da os trabalhos intelectuais, também chamados de obras utilitárias, voltados às atividades 
industriais, abrangendo, por exemplo, o autor de determinado processo, invenção, modelo, 
desenho ou produto. Estas criações são protegidas por meio de patentes e registros (CNJ, 
2016). 
Atenção! Enquanto a proteção ao direito autoral busca reprimir o plágio, a proteção à 
propriedade industrial busca conter a concorrência desleal.
Direito de Sucessão e Herança
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em 
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei 
pessoal do “de cujus”;
O direito de herança ou direito sucessório é o ramo específico do direito civil que visa 
regular as relações jurídicas decorrentes do falecimento do indivíduo, o de cujus e a transfe-
rência de bens e direitos aos seus sucessores.
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Trata-se da modificação da titularidade do bem em decorrência do falecimento (sucessão 
hereditária). Assim, o patrimônio do de cujus transmite-se aos seus herdeiros, os quais se 
sub-rogam nas relações jurídicas do falecido, tanto no ativo como no passivo, até os limites 
da herança.
Importante!
O direito de sucessão está regulado no Código Civil.
Direito do Consumidor
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
O direito do consumidor é o ramo do direito que disciplina as relações entre fornecedores/
prestadores de bens e serviços e o consumidor final, parte hipossuficiente econômica darela-
ção jurídica. As relações de consumo, além do amparo constitucional, encontram proteção no 
Código de Defesa do Consumidor e na legislação civil.
Além de toda legislação consumerista, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Con-
sumidor — Procon, órgão do Ministério Público de cada estado, é responsável por coordenar 
a política dos órgãos e entidades que atuam na proteção do consumidor, de forma a equili-
brar as relações de consumo.
Direito de Informação, Petição e Obtenção de Certidão Junto aos Órgãos Públicos
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particu-
lar, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de respon-
sabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do 
Estado; (Regulamento) (Vide Lei nº 12.527, de 2011).
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou 
abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de 
situações de interesse pessoal;
Todo cidadão, independentemente de pagamento de taxa, tem direito à obtenção de infor-
mações, a protocolo de petição e à obtenção de certidões junto aos órgãos públicos de acordo 
com suas necessidades, salvo a imprescindibilidade do sigilo de determinadas informações 
para segurança jurídica das partes.
Assim, quanto ao direito de certidão, o Estado é obrigado a fornecer as informações solici-
tadas, com exceção nas hipóteses de proteção por sigilo. Caso haja uma violação desse direito, 
que é líquido e certo, o remédio constitucional cabível é o mandado de segurança, tema tam-
bém abordado no título “Garantias Constitucionais”. 
Direito adquirido é aquele que cumpriu todos os requisitos previstos em lei; por exem-
plo, o homem que cumpriu todos os requisitos exigidos para concessão da aposentadoria por 
idade, conforme determina o inciso I, § 7º, do art. 201, da CF, tem o direito adquirido para 
requerer seu benefício. 
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§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obe-
decidas as seguintes condições: 
I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade, se 
mulher, observado tempo mínimo de contribuição;
 z Ato jurídico perfeito é o ato já realizado, conforme a lei vigente ao tempo que se realizou, 
pois, neste caso, já cumpriu todos os requisitos conforme a lei vigente na época, tornando-
-se completo;
 z Coisa julgada ocorre no âmbito do processo judicial, decisão judicial à qual não cabe mais 
recurso, tornando-a imutável e indiscutível.
O inciso XXXIV assegura, ainda, o direito de pleitear, do Estado, documento expedido por 
este, que, por possuir fé pública, é utilizado para comprovar a existência de um fato. Deste 
modo, garante ao indivíduo a obtenção de certidão para a defesa de direitos ou esclarecimen-
to de situações de interesse pessoal.
O exercício de tais direitos é gratuito, ou seja, eles independem de qualquer pagamento. 
Importante mencionar que, embora o dispositivo empregue o termo “taxas”, este foi utiliza-
do em sentido amplo, visto que proíbe a cobrança de qualquer importância (taxa, tarifa ou 
preço público).
A função da gratuidade é não obstar ou dificultar o exercício do direito, uma vez que pes-
soas sem recursos financeiros teriam dificuldades de exercer seu direito se este fosse condi-
cionado ao pagamento.
Importante! Fique atento ao remédio constitucional aplicado para sanar ilegalidade 
quanto ao direito de certidão — mandado de segurança —, pois as bancas costumam tentar 
confundir o candidato, dizendo que o remédio constitucional cabível é o habeas data.
Princípio da Proteção Judiciária ou da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
O princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional possibilita que o cidadão ingresse 
em juízo para assegurar seus direitos ameaçados. Este consubstancia-se no direito de ação e 
no dever do magistrado do Judiciário de apreciar a demanda, solucionando o caso concreto 
com a aplicação da lei na busca da pacificação social.
Segurança Jurídica
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
Para que entendamos o inciso acima, é importante conhecermos alguns conceitos:
 z Direito adquirido: incorporado ao patrimônio jurídico de seu titular, cujo começo do exer-
cício tenha termo prefixado ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem, 
nos termos do § 2º, art. 6º, da lei de introdução às normas do direito brasileiro;
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 z Ato jurídico perfeito: situação ou direito consumado e definitivamente exercido, sem 
quaisquer vícios ou nulidades, segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou;
 z Coisa julgada: matéria submetida a julgamento cuja sentença proferida transitou em jul-
gado e à qual não cabe mais recurso, não podendo, portanto, ser modificada.
Cumpre ressaltar que direito adquirido não se confunde com expectativa de direito. Se 
a pessoa não completou todos os requisitos para a concessão do direito, ela não tem direito 
adquirido e, sim, expectativa de direito. 
Exemplo: falta, para o indivíduo, um mês para que se complete o tempo de contribuição 
previsto pela lei para se aposentar. Antes de preencher tal requisito, a lei é alterada e o tem-
po, majorado. Esta pessoa não poderá se aposentar, pois tinha apenas expectativa de direito, 
uma vez que todos os requisitos não foram preenchidos para a sua concessão.
Importante!
A coisa julgada divide-se em coisa julgada material — quando impede a discussão em 
qualquer processo — e coisa julgada formal — quando impede a discussão no mesmo 
processo.
Tribunal de Exceção
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
O juízo ou tribunal de exceção determina-se como aquele criado exclusivamente para 
o julgamento de um fato específico já acontecido, no qual os julgadores são escolhidos 
arbitrariamente. 
A Constituição veda tal prática, pois todos os casos devem se submeter a julgamento dos 
juízos e tribunais já existentes conforme suas competências prefixadas.
Atenção! Tribunal de exceção não se confunde com justiças especializadas e foro 
privilegiado.
Tribunal do Júri
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
O Tribunal do Júri é o instituto jurisdicional destinado exclusivamente para o julgamento 
da prática de crimes dolosos contra a vida. Mais do que ampla, a defesa no âmbito do Tribu-
nal do Júri é plena e a decisão dos jurados, cidadãos comuns do povo previamente alistados 
e selecionados por sorteio, é soberana. 
Trata-se, portanto, de direito do indivíduo de ser julgado por seus pares e, não, por um 
juízo de critério eminentemente técnico. 
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Súmula Vinculante nº 45 A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre 
o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.
Princípio da Legalidade, da Anterioridade e da Retroatividade da Lei Penal
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
De acordo com o inciso acima, para que determinada ação se configure como crime, esta 
deve encontrar-se expressamente prevista na lei penal. Portanto, se a conduta não está pres-
crita no Código Penal, nãoé crime e, consequentemente, não há pena. 
Nesse sentido, crime será a conduta delituosa prevista exclusivamente em lei, da mesma 
forma que a cominação da pena, a qual não é admissível à configuração de crime baseado 
nos costumes.
Ademais, uma nova lei penal não retroage, isto é, não pode ser aplicada a condutas prati-
cadas antes de sua entrada em vigor; entretanto, se a nova lei for mais benéfica, esta poderá 
retroagir para beneficiar o réu.
Trata-se do princípio da retroatividade da lei; tem previsão no inciso XL, do art. 5º, da CF, 
e consiste em analisar um fato passado à luz de um direito presente, estabelece que os fatos 
sejam apreciados com base na lei em vigor no tempo do crime. 
Assim, a lei aplicável é a lei do tempo do crime, ou seja, na regra geral, as normas penais 
não retroagem, salvo se trouxerem algum tipo de benefício para o réu.
Cuidado, aqui há um exemplo de exceção da exceção: crimes praticados durante a vigên-
cia de lei temporária ou excepcional não podem ser beneficiados pela retroatividade da lei 
mais benéfica. 
Entenda:
 z lei excepcional é a lei criada para regular fatos ocorridos dentro de uma situação irregular, 
a qual perde seus efeitos após findar situação irregular que a motivou;
 z a lei temporária vigorou até se extinguir o prazo de duração fixado pelo legislador, por 
exemplo, uma lei que fixa a tabela de preços de artigos de consumo.
Princípio da Não Discriminação
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
O princípio da não discriminação garante tratamento igualitário a todas as pessoas em 
situações iguais e envolve a existência de normas que estabeleçam tal igualdade, com punição 
aos atos que resultem em discriminação atentatória dos direitos e garantias fundamentais.
Crimes Inafiançáveis, Imprescritíveis e Insuscetíveis de Graça e Anistia
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de 
reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática 
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como 
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crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-
-los, se omitirem; (Regulamento).
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou milita-
res, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
A tabela a seguir sintetiza o conteúdo dos incisos. Por isso, a título de compreensão destes, 
vamos estudá-la. 
CRIMES INAFIANÇÁVEIS E 
IMPRESCRITÍVEIS
CRIMES INAFIANÇÁVEIS E INSUSCETÍVEIS 
DE GRAÇA E ANISTIA
Racismo Prática de tortura
Ação de grupos armados contra a ordem 
constitucional e o Estado Democrático
Tráfico de drogas e entorpecentes
Terrorismo
Crimes hediondos
Dica
Para lembrar dos crimes, memorize: T T T H ou 3TH:
z Tortura;
z Tráfico;
z Terrorismo;
z Hediondos.
Atenção:
 z Crimes inafiançáveis: são aqueles que não admitem fiança, ou seja, que não dão, ao 
acusado, o direito de responder seu processo em liberdade até a sentença condenatória 
mediante pagamento de determinada quantia pecuniária ou cumprimento de determina-
das obrigações;
 z Crimes imprescritíveis: não prescrevem e podem ser julgados e punidos em qualquer 
tempo, independentemente da data em que foram cometidos;
 z crimes insuscetíveis de graça e anistia: não permitem a exclusão do crime com a res-
cisão da condenação e extinção total da punibilidade (anistia), nem a extinção da puni-
bilidade, ainda que parcial (graça). A graça e a anistia são, em linhas gerais, formas de 
extinção da punibilidade. 
A graça e o indulto, por sua vez, são modalidades de perdão concedidas pelo presidente 
da República, de modo a extinguir a punibilidade do agente. 
Enquanto, na graça, o perdão é concedido de maneira individual por meio de decreto e 
mediante provocação do interessado, no indulto, o perdão é coletivo e concedido por decreto, 
o qual não possui destinatário certo e independe de provocação. O indulto pode ser total ou 
parcial (comutação).
Já a anistia é o perdão concedido pelo Congresso Nacional, por meio de lei, aos crimes e 
atos administrativos. Na anistia, exclui-se o crime, rescinde-se a condenação e extingue-se 
totalmente a punibilidade. 
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Cabe destacar que a anistia pode ser concedida pelas Assembleias Legislativas, porém res-
tringe-se aos atos administrativos, como, por exemplo, às transgressões disciplinares de ser-
vidores estaduais.
É importante mencionar que esses crimes são prescritíveis, além de ser cabível a liber-
dade provisória. Ainda, a Lei nº 9.455, de 1997, trata dos crimes de tortura; a Lei nº 11.343, 
de 2006, dos crimes de drogas; a Lei nº 13.260, de 2016, do terrorismo; a Lei nº 8.072, de 1990, 
cuida dos crimes hediondos.
ANISTIA GRAÇA
Crimes Crimes políticos Crimes comuns
Efeitos Exclui o crime, rescinde a condenação 
e extingue totalmente a punibilidade Extingue somente a punibilidade
Competência Poder Legislativo Exclusiva do presidente da República
Concessão Antes da sentença final ou depois da 
condenação irrecorrível
Apenas após o trânsito em julgado da 
sentença condenatória
O inciso XLIV também traz hipóteses de não concessão de fiança, cuja ação ou omissão 
pode ser julgada a qualquer tempo, independentemente da data em que foi cometida. 
Trata-se dos crimes desenvolvidos pelas organizações criminosas contra a ordem consti-
tucional e democrática, como, por exemplo, no golpe de Estado. Cabe lembrar que a Lei nº 
12.850, de 2013, é que trata das organizações criminosas.
Para auxiliá-lo na memorização do conteúdo dos últimos três incisos, leve em considera-
ção o seguinte mnemônico: RAAÇÃO 3TH.
 z RA — racismo;
 z AÇÃO — ação de grupos armados;
 z 3TH — tortura, tráfico, terrorismo, hediondos.
Esquematizando todo o conteúdo relacionado ao mnemônico, temos:
 z inafiançáveis  RAAÇÃO 3TH;
 z imprescritíveis  RAAÇÃO;
 z insuscetíveis de graça ou anistia  3TH.
Princípio da Intranscendência da Pena
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano 
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra 
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
Pelo princípio da intranscendência da pena, a aplicação desta será sempre pessoal e não 
poderá ser cumprida ou imputada a outro indivíduo. Em caso de reparação de dano, pode a 
obrigação ser estendida aos sucessores do responsável até o limite do valor do patrimônio 
sucedido.
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O princípio da intranscendência ou personalização da pena está disciplinado no inciso 
XLV. Trata-se da impossibilidade de a pena ser aplicada a outra pessoa que não o delinquente, 
uma vez que somente o autor da infração penal pode ser responsabilizado.
Com a morte do condenado, declara-se extinta a punibilidade do crime. Assim, a pena não 
poderá ser cumprida, por exemplo, pelos familiares ou herdeiros do autor do crime se este 
houver falecido. No entanto, refere-se apenas à esfera penal, ou seja, a obrigação civil de 
reparar os danos pode ser estendida aos seus sucessores até o limite do valor do patrimônio 
transferido (herança). 
Atenção! Multa é uma espécie de pena (art. 32, CP) e, portanto, não pode ser imposta aos 
herdeiros.
Individualização da Pena
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Pelo princípio da individualização da pena, fica garantido que, na fixação das penas dos 
condenados, sejam levados em consideração o histórico pessoal de cada indivíduo e a sua 
atuaçãoindividual, de forma que aquelas não sejam igualadas, mesmo que estes tenham 
praticado crimes idênticos. 
Assim, independentemente da prática de mesma conduta, cada indivíduo pode receber 
apenas a punição que lhe é devida.
Atenção! Guarde o mnemônico 3PMS (RI):
 z 3P — Privação ou restrição da liberdade (não se esqueça de que no primeiro “p” há, implí-
cito, um “r” da pena de restrição); perda de bens; prestação social alternativa;
 z M — Multa;
 z S — Suspensão ou interdição de direitos (lembre-se de que aqui também há, implícito, um 
“i” de interdição).
O inciso XLVI disciplina o princípio da individualização da pena, uma vez que as penas 
devem ser previstas, impostas e executadas, em conformidade com as condições pessoais de 
cada réu. Para tanto, a individualização deve operar-se em três fases distintas:
 z legislativa, no momento em que elabora a norma;
 z judicial, no momento da dosimetria da pena;
 z executiva, na execução penal.
Proibição de Penas
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
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b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis.
Como afirmativa dos direitos e da dignidade da pessoa humana, a Constituição Federal, de 
1988, veda:
 z pena de morte;
 z pena perpétua;
 z banimento;
 z trabalhos forçados e cruéis.
Estabelecimentos para Cumprimento de Pena
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do 
delito, a idade e o sexo do apenado;
Também em atenção à dignidade da pessoa humana, a Constituição Federal, de 1988, 
determina que as penas sejam cumpridas em diferentes tipos de estabelecimento, de acordo 
com a gravidade e natureza do delito, a idade e o sexo do apenado.
Respeito à Integridade Física e Moral dos Presos
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
O inciso XLIX estabelece outro princípio relativo à execução da pena privativa de liber-
dade: a proteção à integridade física e moral do preso. Busca-se, portanto, proteger os indi-
víduos da força do Estado. 
Trata-se, também, de um dos desdobramentos do direito à segurança, por envolver garan-
tias processuais; e do direito à vida, por envolver a integridade do indivíduo.
Direito de Permanência e Amamentação dos Filhos pela Presidiária Mulher
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos 
durante o período de amamentação;
O inciso L traz um princípio relativo à execução da pena privativa de liberdade. Trata-se 
do direito dos filhos de permanecerem com suas mães e serem amamentados por elas duran-
te a execução da pena.
Vale destacar que o art. 89, da Lei nº 7.210, de 1984 (Lei de Execução Penal), estabelece que 
a penitenciária de mulheres terá uma seção para gestantes e parturientes e uma creche para 
abrigar crianças entre seis meses e sete anos.
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Extradição
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, pra-
ticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpe-
centes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (2020), a extradição é um ato oficial 
de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pessoa, o extraditando, acusado 
ou condenado, pela prática de um ou mais crimes em território estrangeiro, ao país que o 
reclama. 
A extradição pode ser: 
 z Ativa: quando o Brasil solicita, a outro país, a entrega de um indivíduo para julgá-lo e con-
dená-lo pela prática de um crime praticado em território brasileiro;
 z Passiva: quando qualquer Estado estrangeiro solicita, ao Brasil, a entrega de um indiví-
duo que tenha cometido crime no exterior e se encontra em território brasileiro. 
Assim, considera-se um crime como político se ele envolver ações ou omissões que preju-
dicam os interesses do país, do governo ou do sistema político. O crime político pode ser de 
dois tipos: próprio e impróprio.
Crime político próprio é aquele capaz de ameaçar a ordem institucional ou o sistema 
vigente.
Já o crime político impróprio é aquele crime comum quando conexo ao crime político, de 
modo a ter natureza comum, mas conotação político-ideológica — por exemplo, a extorsão 
mediante sequestro para obter fundos para determinado grupo político.
Ainda há o crime de opinião, que é aquele que se configura com o abuso da liberdade de 
expressão ou de pensamento, como nos casos dos crimes contra a honra.
Vale mencionar que a Constituição Federal trata apenas dos casos de extradição passiva.
Nesse sentido, o dispositivo determina que não haverá extradição de brasileiro nato em 
nenhuma hipótese. Quanto aos brasileiros naturalizados, a regra é que também não sejam 
extraditados, salvo em caso de crime comum, praticado antes do processo de naturalização 
e comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins em qualquer 
tempo. Também não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. 
Para o direito internacional, nenhum Estado é obrigado a extraditar uma pessoa presente 
em seu território, dada a sua soberania.
Direito ao Julgamento pela Autoridade Competente
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
O princípio do juiz natural ou do juiz competente encontra-se disciplinado no inciso LIII. 
Trata-se da garantia de que nenhuma pessoa será processada ou julgada por uma autoridade 
especialmente designada para o caso. 
Deste modo, as regras de competência devem estar estabelecidas no ordenamento jurídico, 
de modo a assegurar que o julgamento seja realizado por um juiz independente e imparcial.
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Devido Processo Legal
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
O princípio do devido processo legal está disciplinado no inciso LIV. Trata-se do desdobra-
mento do direito à segurança, de modo a garantir que os indivíduos não sejam presos nem 
percam seus bens por atuação arbitrária do poder do Estado.
Assim sendo, deverá existir um processo com todas as etapas previstas em lei e com todas 
as garantias constitucionais. Se tais regras não forem observadas, o processo é passível de 
nulidade. 
Contraditório e a Ampla Defesa
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são asse-
gurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
O inciso LV traz o princípio do contraditório e da ampla defesa. Tal princípio objetiva 
garantir a igualdade das partes de uma relação processual, bem como a segurança processual. 
Assim sendo, a parte contrária necessita ser ouvida (audiatur et altera pars), pois não 
podem ser atribuídas a uma parte vantagens de que a outra não disponha. 
Em consequência, as partes têm acesso a tudo que consta dos autos, como, por exemplo, 
todas as provas produzidas pela outra parte, podendo manifestar-se ou não.
Além disso, a defesa pode ser exercida de maneira ampla — é possível ao indivíduo, por 
exemplo, optar pela autodefesa (quando permitido) ou pela defesa técnica. Assim, a ampla 
defesa garante ao agente a possibilidade de se defender sem qualquer impedimento aos seus 
direitos constitucionais.
Ademais, destaca-se o conteúdo da Súmula Vinculante nº 14, a qual dispõe sobre o acesso 
a procedimento investigatório por defensor do investigado. 
Súmula Vinculante nº 14 É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo 
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por 
órgão com competência de polícia judiciária, digamrespeito ao exercício do direito de defesa.
Observe que os documentos referentes às diligências em curso não são de apresentação 
obrigatória, tendo em vista a possibilidade de frustrá-las.
Imagine, por exemplo, que em determinada investigação tenha sido deferida, pelo Poder 
Judiciário, a interceptação telefônica de determinado investigado. Ora, é óbvio que o acesso, 
pelo advogado do investigado, comprometeria a diligência, já que este poderia avisar seu 
cliente da medida.
Portanto, ninguém poderá ser punido ou condenado sem o devido processo legal, em que 
deverá ser assegurado, sob pena de nulidade absoluta, o direito de resposta e ampla defesa, 
com sentença transitada em julgado (que não cabe mais recurso) prolatada pelo juízo ou 
autoridade judiciária competente.
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Provas Ilícitas
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
Provas ilícitas são aquelas obtidas por meio ilegal, fraudulento ou que infrinja as normas 
e princípios básicos de direito, motivo pelo qual não são aceitas no processo judicial. 
São, em regra, vedadas pela Constituição e inadmissíveis dentro de um processo, ainda 
que comprovem fato de direito ou cooperem para o julgamento do feito processual.
Neste sentido, cumpre fazermos uma breve distinção entre prova ilícita e prova ilegítima: 
 z prova ilícita é aquela que viola direito material. Exemplos: confissão mediante tortura e 
interceptação telefônica sem autorização judicial;
 z prova ilegítima é aquela que viola direito processual. Exemplo: confissão do acusado em 
juízo sem a presença do advogado.
O Supremo Tribunal Federal, adequadamente, adotou, por maioria de votos, a denomina-
da teoria fruits of poisonous tree (frutos da árvore envenenada). 
Portanto, são nulas tanto as provas produzidas de forma ilícita como também as derivadas 
(surgidas em decorrência da prova ilícita), ainda que obtidas de forma regular.
Presunção de Inocência
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória;
Todo cidadão é considerado inocente até que se prove o contrário com o trânsito em jul-
gado da sentença condenatória. Neste sentido, o inciso LVII traz o princípio da presunção de 
inocência ou da presunção de culpabilidade. 
Assim, antes da condenação definitiva em um processo criminal, as pessoas ainda não são 
consideradas culpadas. Isso acontece porque o ônus de provar a culpa recai sobre o Minis-
tério Público, como titular da ação penal pública, ou sobre a vítima, no caso da ação penal 
privada.
Deste modo, não compete ao acusado provar sua inocência, mas ao Ministério Público ou 
à vítima comprovar a responsabilidade do réu até a última instância.
Identificação Criminal
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóte-
ses previstas em lei; (Regulamento).
A identificação criminal será feita diante de fundada suspeita da validade e veracidade 
dos documentos cíveis apresentados ou quando já se tem notícias reputadas a pessoa civil-
mente identificada sobre uso de diversos nomes e fraude em registros policiais.
Assim, entende-se por identificação o processo utilizado para estabelecer a identidade de 
pessoas ou coisas. Deste modo, se o indivíduo apresenta documento de identidade civil válido 
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e sem qualquer suspeita fundada de falsidade, ele não poderá ser identificado criminalmen-
te, ou seja, por meio do processo datiloscópico. O objetivo do dispositivo é evitar o constran-
gimento pessoal de pessoas já identificadas civilmente.
Cumpre esclarecer que a Lei nº 12.037, de 2009, disciplina o inciso e estabelece quais docu-
mentos servem para a identificação civil. Ainda, a regra da não identificação criminal não é 
absoluta e abarca exceções. No entanto, tais exceções devem estar disciplinadas em lei11.
Ação Privada Subsidiária da Pública
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no 
prazo legal;
A ação penal privada subsidiária da pública é admitida nos casos em que a lei não prevê a 
ação como privada, mas, sim, como pública (condicionada ou incondicionada). 
Entretanto, o Ministério Público, titular da ação penal, permanece inerte e não apresenta 
a denúncia no prazo legal, abrindo-se a possibilidade para que o ofendido, seu representante 
legal ou seus sucessores ingressem com a ação penal privada subsidiária da pública. 
Assim, nos casos em que o representante do Ministério Público não ofereceu a denúncia, 
não requereu diligências ou não ordenou o arquivamento do inquérito policial, no prazo 
legal, admite-se o oferecimento da queixa crime. 
A CF, de 1988, não estabeleceu hipótese de restrição quanto à aplicação da ação penal pri-
vada subsidiária da pública nos processos relativos aos delitos previstos na legislação espe-
cial, como, por exemplo, nas ações em que se apuram crimes eleitorais.
A Publicidade dos Atos Processuais e o Segredo de Justiça
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimida-
de ou o interesse social o exigirem;
Em regra, todos os atos processuais são públicos, salvo o segredo de justiça, que pode ser 
determinado de ofício pelo juiz da causa:
 z para segurança jurídica das partes;
 z para proteção dos interesses de indivíduos menores de idade;
 z por interesse social ou demanda de grande repercussão; 
 z a requerimento justificado das partes do processo.
11 Art. 3º (Lei nº 12.037, de 2009) Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer 
identificação criminal quando: I - o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; II - o documento 
apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; III - o indiciado portar documentos de 
identidade distintos, com informações conflitantes entre si; IV - a identificação criminal for essencial às 
investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou 
mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa; V - constar de registros 
policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações; VI - o estado de conservação ou a distância 
temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação 
dos caracteres essenciais. Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas 
aos autos do inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o 
indiciado.
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Importante!
A restrição da publicidade é popularmente conhecida como segredo de justiça.
Legalidade da Prisão
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de 
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propria-
mente militar, definidos em lei;
Pelo inciso LXI, depreende-se que a liberdade é a regra e a prisão é a exceção. Por essa 
razão, o dispositivo fixa as hipóteses em que o indivíduo será preso.
Assim, a CF, de 1988, protege os indivíduos da força do Estado, uma vez que veda a prisão 
arbitrária ou abusiva e estabelece que a restrição da liberdade só será legítima quando res-
peitados os parâmetros legais. Trata-se de um dos desdobramentos do direito à segurança, 
por envolver garantias processuais.
Em termos de processo penal, existem dois tipos de prisão.
A prisão pena é aquela decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado, 
ou seja, o processo foi finalizado, a pessoa, condenada e não cabe mais recurso, ingressando 
na fase de execução penal.
Além disso, há a prisão processual, que tem função acautelatória e ocorre durante a fase 
de investigação, instrução e antes do julgamento definitivo, como a prisão em flagrante, a 
prisão temporáriae a prisão preventiva.
Portanto, durante o curso do processo, o indivíduo somente será preso se estiver em fla-
grante delito — isto é, cometendo o delito, acabou de cometê-lo, foi perseguido logo após ou 
foi encontrado logo depois, com algo que faça presumir ser o autor da infração12 — ou se for 
determinado pelo juiz nos demais casos das prisões acautelatórias.
Observa-se, ainda, que o inciso traz exceções, quais sejam: transgressão militar ou cri-
me propriamente militar, definido em lei. 
Quanto às transgressões, estas estão previstas nos regulamentos disciplinares, tanto das 
Forças Armadas como das Forças Auxiliares. A elas é aplicado procedimento de apuração 
específico, também garantindo o contraditório e a ampla defesa. Já os crimes militares encon-
tram-se previstos no Código Penal Militar, porém esse diploma não define quais são os crimes 
propriamente militares. 
Comunicabilidade da Prisão
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamen-
te ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
Como a prisão em flagrante é a única modalidade de prisão acautelatória que não con-
ta com ordem judicial prévia, visto que é imposta no momento em que a infração penal é 
12 Art. 302 (CPP) Considera-se em flagrante delito quem: I -está cometendo a infração penal; II - acaba de 
cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que 
faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis 
que façam presumir ser ele autor da infração.
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praticada ou em momentos após, faz-se necessária sua comunicação imediata ao juiz, para 
que este possa efetuar o controle de legalidade da prisão.
A CF, de 1988, não fixa o prazo da comunicação, porém, o art. 306, do Código de Processo 
Penal, estabelece que a comunicação será imediata e os autos serão remetidos em até 24 
horas após a prisão.
Além da comunicação ao juiz, a CF, de 1988, prevê a comunicação à família do preso ou à 
pessoa por ele indicada, com o escopo não só de dar notícia de seu paradeiro, como também 
de prestar-lhe a assistência devida.
Informação ao Preso
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-
-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
Considerando que a liberdade é a regra e a sua restrição só é legítima quando efetuada nos 
estritos limites legais, o inciso LXIII estabelece que o preso em flagrante deve ser comunica-
do dos seus direitos. Entre esses direitos, encontra-se o de permanecer em silêncio.
O silêncio do preso é apenas silêncio e não poderá ser utilizado de maneira contrária. O 
acusado não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Ao se calar, esse silêncio não 
pode ser considerado como prova.
Além disso, o dispositivo também estabelece a assistência da família e do advogado, garan-
tindo tanto o apoio pessoal como a assistência técnica que lhe é devida.
Identificação dos Responsáveis pela Prisão
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interro-
gatório policial;
Na ocasião de prisão, são direitos do preso a comunicação (à sua família e ao juízo compe-
tente) de sua prisão e do local onde se encontra, bem como o conhecimento das autoridades 
policiais responsáveis por sua prisão e interrogatório.
Portanto, é assegurado ao indivíduo garantido questionar a competência ou atribuição 
dessas autoridades em conformidade com a norma vigente e os princípios constitucionais e 
de direitos humanos.
Relaxamento da Prisão Ilegal
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
O relaxamento da prisão ocorre quando o acusado é posto em liberdade pela incidência de 
alguma ilegalidade no ato de sua prisão. Neste sentido, o inciso LXV traz mais um dos desdo-
bramentos do direito à segurança ao prever o relaxamento da prisão ilegal.
 Assim, se o magistrado constatar que a prisão foi ilegal, ele deverá colocar o preso em 
liberdade de modo imediato e sem condições. Exemplo: o indivíduo foi preso em flagrante, 
todavia, não se enquadrava nas hipóteses de flagrância do art. 302, do CPP. 
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Relaxa-se a prisão ilegal e revoga-se as demais prisões cautelares, uma vez que estas neces-
sitam de requisitos para serem decretadas e não estão estes presentes. O magistrado deve 
revogar a prisão ou substituí-la por medidas cautelares diversas.
Garantia da Liberdade Provisória
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provi-
sória, com ou sem fiança;
A liberdade provisória é o instituto processual que garante ao acusado o direito de aguar-
dar em liberdade o transcorrer do processo criminal até o trânsito em julgado de sua senten-
ça penal condenatória, mediante o estabelecimento ou não de determinadas condições.
Pode ser revogado a qualquer tempo, diante do descumprimento das condições impostas, 
da não colaboração com as investigações ou se a autoridade entender que a liberdade pode 
colocar em risco o julgamento do processo.
Prisão Civil
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento volun-
tário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
A Constituição Federal, de 1988, extinguiu, em regra, a prisão civil por dívidas. Logo, após 
a promulgação da CF, a prisão não se caracteriza mais como medida punitiva ao devedor, 
salvo nos casos de não pagamento de pensão alimentícia e do depositário infiel. 
Lembre-se: o depositário infiel, de acordo com a Constituição, é o indivíduo que ficou 
responsável pela guarda de um bem que não lhe pertence e deixou que este bem perecesse, 
desaparecesse ou fosse roubado.
É importante ressaltar que os direitos e garantias previstos em nossa Constituição não 
excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, bem como de trata-
dos internacionais em que o Brasil seja signatário.
Importante!
Súmula Vinculante nº 25 É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a 
modalidade do depósito.
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) aduz, em seu art. 11, que “nin-
guém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma obrigação contratual”. A Con-
venção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), por sua vez, em 
seu § 7º, art. 7º, assevera: 
Ninguém deve ser detido por dívida. Este princípio não limita os mandados de autoridade judi-
ciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar. 
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Ainda assim, vale mencionar que restou mantida a jurisprudência pela constitucionalidade da 
prisão do depositário infiel, uma vez que o pacto ingressou no ordenamento jurídico na qualidade 
de norma infraconstitucional. 
Após a Emenda Constitucional nº 45, de 2004, que acrescentou o inciso LXXVIII, § 3º, do art. 
5º, os tratados e convenções internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil for signatário 
e que forem aprovados pelo Congresso Nacional, em votação de dois turnos, por três quintos de 
seus membros, passam a ter status equivalente às emendas constitucionais. 
Contudo, o Pacto de São José da Costa Rica foi aprovado por maioria simples. Tal questão acerca 
do status dos tratados de direitos humanos gerou profundas discussões nos tribunais e no STF.
Deste modo, foi decidido que os tratados internacionais sobre direitos humanos ratificados 
pelo Brasil antes das alterações trazidas pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, ou seja, sem 
passar pelo processo de aprovação previsto no § 3º, do art. 5º, deveriam ter status supralegal, hie-
rarquicamente inferioràs normas constitucionais, mas superior às normas infraconstitucionais.
Assim, a prisão do depositário infiel não foi considerada inconstitucional, pois sua previsão 
segue na constituição, mas, na prática, passou a ser ilegal, uma vez que as leis que regulam tal 
medida coercitiva estão abaixo dos tratados internacionais de direitos humanos. 
Esse entendimento do caráter supralegal dos tratados devidamente ratificados e internalizados 
na ordem jurídica brasileira, sem submeter-se ao processo legislativo estipulado pelo § 3º, art. 5º, 
da CF, de 1988, foi reafirmado pela edição da Súmula Vinculante nº 25, STF, em 2009.
É importante não confundir direitos fundamentais com garantias fundamentais. Os direitos 
fundamentais são vantagens, proteção em favor das pessoas, como, por exemplo, o direito de 
informação. 
Já as garantias fundamentais são instrumentos processuais para defesa daqueles direitos, 
conhecidos como ações ou remédios constitucionais, como, por exemplo: habeas data, habeas cor-
pus, mandado de segurança, mandado de injunção e a ação popular, conforme veremos a seguir.
Habeas Corpus
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de 
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
O habeas corpus é um remédio constitucional que consiste na ação judicial cabível, com 
o objetivo de proteger o direito de liberdade de locomoção ao lesado ou ameaçado por ato 
ilegal ou abusivo.
Tem como objetivo proteger o direito de ir e vir, ou seja, sempre que alguém sofrer ou se 
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalida-
de ou abuso de poder, está fundamentado no inciso LXVIII, art. 5º, da CF, e art. 647 ao art. 667, 
do CPP (Código de Processo Penal).
Pode ser habeas corpus preventivo, para evitar uma futura violação à liberdade, ou habeas 
corpus repressivo, o qual busca o fim de uma coação já cometida. Importante frisar também 
que não existe a necessidade de um advogado para entrar com a ação.
 z Sujeito ativo (impetrante): qualquer pessoa;
 z Vítima (paciente): qualquer pessoa, brasileiro ou estrangeiro;
 z Sujeito passivo (coator): autoridade ou agente público que cometeu ilegalidade ou abuso 
de poder contra particular.
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Habeas corpus também pode ser impetrado por estrangeiro (desde que na língua portu-
guesa) contra particular. 
Não cabe habeas corpus contra punição disciplinar militar, salvo se imposta pela autorida-
de competente.
Destacamos a seguir algumas súmulas importantes do STF sobre o tema:
Súmula nº 395 Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o 
ônus das custas, por não estar mais em causa à liberdade de locomoção.
Súmula nº 431 É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia 
intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.
Súmula nº 692 Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradição, se 
fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provo-
cado a respeito.
Súmula nº 693 Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou rela-
tivo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
Súmula nº 694 Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou 
de perda de patente ou de função pública.
Súmula nº 695 Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.
Mandado de Segurança
Agora, passaremos à análise do mandado de segurança, que pode ser individual ou coleti-
vo. Vejamos:
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não ampa-
rado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de 
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder 
Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcio-
namento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
O mandado de segurança é uma ação constitucional que visa tutelar direito líquido e certo 
ameaçado ou violado por autoridade pública ou por aquele que estiver no exercício de fun-
ções desta natureza. Esta ação tem caráter residual e só é aplicável quando não for cabível 
outro remédio constitucional, tal como o habeas corpus ou habeas data.
Atenção! Por direito líquido e certo entende-se aquele claro e inequívoco, com prova pré-
-constituída, que não dependa de instrução probatória ou de declaração por juízo competen-
te em processo de conhecimento.
O MS pode ser de duas espécies:
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 z mandado de segurança repressivo, cuja ordem de segurança objetive cessar constrangi-
mento ilegal já existente;
 z mandado de segurança preventivo, cuja ordem de segurança busca pôr fim à iminência 
de constrangimento ilegal a direito líquido e certo.
Por fim, cumpre destacar que não cabe MS contra: 
 z ato do qual caiba recurso com efeito suspensivo, independentemente de caução;
 z decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; 
 z decisão judicial transitada em julgado.
Mandado de Segurança Individual
Previsto no inciso LXIX, art. 5º, da CF, e Lei nº 12.016, de 2009, tem o objetivo de proteger 
direito líquido e certo (requerido no prazo de 120 dias do conhecimento da lesão), devida-
mente comprovado com provas documentais, não há prova testemunhal nem pericial. Tem 
caráter subsidiário, ou seja, quando não for caso de habeas corpus nem habeas data.
Cabível quando existe abuso ou ilegalidade de autoridade pública. A Súmula nº 625, do 
STF, dispõe que “Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de 
segurança”, ou seja, caso haja dúvida a respeito de interpretação da lei, isso não impede o 
deferimento do mandado de segurança.
Atenção! Não cabe mandado de segurança nos seguintes casos: 
 z atos meramente informativos; 
 z atos que transitaram em julgado; 
 z ato administrativo que comporte recurso com efeito suspensivo;
 z ato judicial em fase recursal. 
Cuidado! Referente aos atos que transitaram em julgado hoje, a jurisprudência entende 
por uma possível mitigação da Súmula nº 268, do STF. Vejamos:
No entanto, sendo a impetração do mandado de segurança anterior ao trânsito em jul-
gado da decisão questionada, mesmo que venha a acontecer, posteriormente, não poderá 
ser invocado o seu não cabimento ou a sua perda de objeto, mas preenchidas as demais 
exigências jurídico-processuais, deverá ter seu mérito apreciado. (EDcl no MS 22.157/DF, 
Rel. Ministro Herman Benjamin, Rel. p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 
14.03.2019, DJe 11.06.2019)
 z Agente ativo: pessoa física ou jurídica. Agentes políticos podem ser sujeitos ativo ou 
passivo;
 z Agente passivo: autoridade, pessoa física revestida de poder público. União, estados e DF 
ingressarão como litisconsortes necessários, por meio de seus procuradores — no caso do 
município, através de seu prefeito;
 z Liminar: cabimento conforme inciso III, art. 7°, da Lei n º 12.016, de 2009, o juiz poderá 
determinar a suspensão do ato (que causou a violação do direito), desde que exista motivo 
relevante. Vejamos:
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Art. 7º Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: 
[...]
III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e 
do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida, sendo 
facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o res-
sarcimento à pessoa jurídica.
Mandado de Segurança Coletivo
O mandado de segurançacoletivo, previsto no inciso LXX, art. 5º, da CF, e no art. 21, da Lei 
nº 12.016, de 2009, tem o objetivo de proteger certo grupo de pessoas (corporativo). Os requi-
sitos e o prazo decadencial são os mesmos do mandado de segurança individual.
 z Agente ativo: partido político com representação no Congresso Nacional; ou organização 
sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há 
pelo menos um ano, em defesa de seus membros ou associados, deve demonstrar perti-
nência temática;
 z Agente passivo: autoridade coatora;
 z Liminar: cabimento conforme inciso III, § 2º, art. 7º, e art. 22, da Lei nº 12.016, de 2009. 
Basta representar os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”.
Súmulas importantes do STF sobre o tema:
Súmula nº 629 (STF) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe 
em favor dos associados independe da autorização destes.
Súmula nº 630 (STF) A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança 
ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.
Mandado de Injunção
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora tor-
ne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes 
à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
O mandado de injunção é ação constitucional própria a reivindicar a regularização de um 
direito constitucional que necessite de norma regulamentadora.
Tem previsão no inciso LXXI, art. 5º, da CF, e Lei nº 13.300, de 2016 (Lei do MS); não tem 
lei específica própria, devem ser observadas as normas da Lei do Mandado de Segurança, 
conforme prevê o parágrafo único, art. 24, da Lei nº 8.038, de 1990. 
Art. 24 [...]
No mandado de injunção e no habeas data, serão observadas, no que couber, as normas do 
mandado de segurança, enquanto não editada legislação específica.
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 z Aplicabilidade: falta de uma norma regulamentadora de direito, liberdade constitucional 
e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania. Buscar o exercício 
do direito para uma pessoa ou certo grupo de pessoas. Exemplo: conseguir se aposentar 
ou exercer o direito de greve;
 z Agente ativo: qualquer pessoa;
 z Liminar: mandado de injunção não tem liminar.
Habeas Data
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constan-
tes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou 
administrativo;
O habeas data é um remédio constitucional que consiste na ação judicial cabível, com o 
objetivo de conhecer ou retificar informações constantes nos registros e bancos de dados de 
entidades governamentais ou de caráter público.
Importante!
A doutrina e jurisprudência admitem que cônjuge, ascendente, descendente ou irmão 
podem impetrar habeas data em favor de terceiro, caso este esteja incapacitado ou 
ausente.
Cumpre salientar que a lei que disciplina o HD é a Lei nº 9.507, de 1997. Por essa lei, o HD 
também é cabível no que há registrado no inciso III, art. 7º. Veja:
Art. 7º (Lei nº 9.507, de 1997) [...]
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre 
dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
Ademais, a informação, a retificação ou a anotação foram negadas pela Administração 
Pública (entidades governamentais da Administração direta ou indireta) ou particular (pes-
soas jurídicas de direito privado) que mantenham banco de dados aberto ao público.
O HD pode ser impetrado por qualquer pessoa, física ou jurídica, brasileira ou estrangeira, 
desde que as informações solicitadas digam respeito ao próprio indivíduo. Além disso, o HD 
não é instrumento jurídico adequado para se ter acesso aos autos do processo administrativo 
disciplinar (PAD).
Ação Popular
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesi-
vo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrati-
va, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada 
má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
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A ação popular é o instrumento constitucional adequado por meio do qual qualquer cida-
dão pode questionar a validade de atos que considera lesivos ao patrimônio público, à mora-
lidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
A ação popular pode ter duas formas: a preventiva, que é ajuizada antes da consumação 
dos efeitos do ato, e a repressiva, que visa corrigir os atos danosos consumados.
 z Agente ativo: qualquer cidadão brasileiro. Se este abandonar a ação, outro cidadão pode-
rá assumir.
Atenção! O Ministério Público não pode propor, mas pode assumir andamento e dar exe-
cução a decisão da ação popular (legitimidade extraordinária ou superveniente).
 z Agente passivo: administrador da entidade que lesionou;
 z Liminar: basta representar os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”.
Súmula nº 101 (STF) O mandado de segurança não substitui a ação popular.
Súmula nº 365 (STF) Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.
Atenção! A ação popular é isenta de custas judiciais e do ônus de sucumbência.
Sobre o tema, vejamos também o § 4º, art. 5º, da Lei nº 4.717, de 1965:
Lei nº 4.717, de 1965 
Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-
-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as 
causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município.
[...]
§ 4º Na defesa do patrimônio público caberá à suspensão liminar do ato lesivo impugnado. 
Ainda, é possível requerer a condenação por perdas e danos dos responsáveis pela lesão, sendo 
que cabe a todos os cidadãos a fiscalização da vida pública, auxiliando o Estado na boa gestão desta.
Portanto, em regra, a ação popular é gratuita. O motivo da gratuidade é permitir o acesso 
ao Poder Judiciário de todos os cidadãos para a defesa dos atos lesivos do poder público. 
No entanto, o inciso LXXIII estabelece uma exceção: haverá custas e sucumbência caso o 
autor ingresse com a ação com má-fé e esta seja comprovada.
Importante! A má-fé deve ser sempre provada, enquanto a boa-fé é sempre presumida.
Assistência Judiciária
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insu-
ficiência de recursos;
Todos aqueles que não podem arcar com as custas judiciárias sem prejuízo de seu sustento 
pessoal e de sua família, para se ter o acesso à justiça, têm direito à assistência judiciária gratuita.
Esse direito se instrumentaliza por meio da Defensoria Pública ou do convênio com a 
Defensoria Pública/Ordem dos Advogados do Brasil perante a nomeação de advogado dativo.
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Indenização por Erro Judiciário
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso 
além do tempo fixado na sentença;
Os erros do Poder Judiciário são passíveis de indenização. Desta forma, o inciso LXXV visa 
evitar abusos por parte do poder público ao prever a responsabilidade civil do Estado nos 
casos de erro do Poder Judiciário e prisão por tempo além do fixado em sentença.
Gratuidade de Serviços Públicos
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, 
de 1989)
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atosnecessários ao exercício da cidadania (Regulamento).
A Constituição Federal traz, como direito fundamental, a gratuidade dos seguintes serviços 
públicos aos economicamente hipossuficientes:
 z registro civil;
 z obtenção de certidão de óbito;
 z ações de habeas corpus e habeas data. 
Ao garantir a gratuidade das certidões de nascimento e óbito, a CF, de 1988, assegura que 
as pessoas possam ser registradas e usufruir dos direitos personalíssimos decorrentes, como, 
por exemplo, os direitos de possuir um nome e ser matriculado em uma escola, entre outros. 
O inciso LXXVII, por sua vez, trata da gratuidade dos remédios constitucionais de habeas 
corpus e habeas data. A finalidade do dispositivo é garantir o acesso de todas as pessoas a 
esses remédios constitucionais.
Princípio da Celeridade Processual
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração 
do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004).
Ruy Barbosa (1921), jurisconsulto brasileiro, já dizia que a “justiça tardia não é justiça, 
senão injustiça qualificada e manifesta”. Assim, é fundamental a garantia da razoável duração 
do processo, de forma a evitar que direitos se percam no transcorrer processual pela demora 
do Judiciário.
Esse inciso trata do princípio da celeridade processual. Desta forma, a CF, de 1988, asse-
gura a todos, quer no âmbito judicial, quer no âmbito administrativo, a duração razoável do 
processo, bem como dos meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
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Proteção de Dados Pessoais 
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos 
meios digitais.
Por fim, em recentíssima alteração constitucional, a Emenda Constitucional nº 115, de 10 
de fevereiro de 2022, adicionou o inciso LXXIX ao art. 5º, da CF.
A partir deste, a proteção de dados pessoais passou a incluir os direitos e garantias funda-
mentais. Quanto a esse tema, cabe ressaltar que a competência para legislar sobre a proteção 
e o tratamento de dados pessoais é privativa da União.
Aplicabilidade das Normas de Direitos e Garantias Fundamentais
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
Assim, todas as normas relativas aos direitos e garantias fundamentais são autoaplicáveis.
Atenção! Não confundir aplicação imediata com a aplicabilidade da norma constitucional 
(norma constitucional de eficácia plena, contida e limitada).
 z Rol Exemplificativo
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do 
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República 
Federativa do Brasil seja parte.
O rol dos direitos elencados no art. 5º, da CF, de 1988, não é taxativo, mas, sim, exempli-
ficativo. Os direitos e garantias ali expressos não excluem outros de caráter constitucional 
ou infraconstitucional decorrentes de princípios constitucionais, do regime democrático, da 
legislação esparsa ou de tratados internacionais. 
Importante!
z Rol taxativo ou numerus clausus: somente o que está escrito na lei. É determinado e não 
permite interpretações extensivas;
z Rol exemplificativo: trata-se de uma lista de exemplos, como uma amostra, podendo se 
estender e permitir novas interpretações.
Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, 
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respecti-
vos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. 
Sanando discussões sobre a hierarquia desses dispositivos, com a Emenda Constitucional 
nº 45, de 2004, as normas de tratados internacionais sobre direitos humanos passaram a ser 
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reconhecidas como normas de hierarquia constitucional — porém, somente se aprovadas 
pelas duas casas do Congresso, por 3/5 de seus membros em dois turnos de votação.
Portanto, o § 3º estabelece as regras para a incorporação do tratado internacional que 
verse sobre direitos humanos. Via de regra, o tratado internacional, após a sua celebra-
ção e assinatura pelo presidente da República, passa por referendo parlamentar para sua 
incorporação. 
Assim, o Poder Legislativo aprova-o, por meio de um decreto legislativo, e remete-o ao 
presidente da República para sua ratificação, por meio de decreto. O decreto do Executivo 
é, por sua vez, promulgado e publicado em Diário Oficial da União e passa a ter força de lei.
No caso de tratado sobre direitos humanos, a CF, de 1988, disciplinou a possibilidade de 
sua incorporação, seguindo os mesmos procedimentos cabíveis para as emendas constitucio-
nais, ou seja, dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional e aprovação por 3/5 dos votos. 
Deste modo, o tratado passa a ser incorporado, no ordenamento jurídico, com força de nor-
ma constitucional.
O § 3º, do art. 5º, da CF, de 1988, foi incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004. 
Portanto, apenas os tratados incorporados após essa emenda e seguindo os parâmetros do 
dispositivo possuem força de norma constitucional. Para os incorporados anteriormente, 
caso se refiram aos direitos humanos, são considerados supralegais. Para todos os demais 
tratados, força legal.
Submissão à Jurisdição do Tribunal Penal Internacional
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha 
manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
O Brasil submeteu-se expressamente à jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI), 
também conhecido por Corte ou Tribunal de Haia, instituído pelo Estatuto de Roma e ratifi-
cado em 20 de junho de 2002 pelo Brasil. A Emenda Constitucional nº 45, de 2004, deu a esta 
adesão força constitucional. O objetivo do TPI é identificar e punir autores de crimes con-
tra a humanidade.
Atenção! Não confundir o TPI com a Corte Internacional de Justiça, também conhecida 
como Tribunal de Haia, que é o órgão jurídico da Organização das Nações Unidas.
DIREITOS SOCIAIS 
Os direitos sociais têm previsão do art. 6º ao art. 11, da Constituição, e também podem ser 
encontrados no Título VIII, da Constituição Federal, que trata da ordem social. 
São direitos que pertencem à segunda geração dos direitos fundamentais, ou seja, da 
dimensão que trata dos direitos da democracia e informação; alguns doutrinadores também 
os chamam de liberdades positivas, quando o Estado precisa deixar de ser omisso com o obje-
tivo de assegurar uma compensação resultante da desigualdade entre as pessoas.
Os direitos sociais exigem uma atuação do Estado em face da desigualdade social e têm 
aplicabilidade imediata. Nesse sentido, com o objetivo de garantir a igualdade formal (ou 
também chamada de igualdade jurídica, conforme prevê a CF, de 1988, significa que todos 
devem ser tratados da mesma forma).
Ainda, a Constituição dividiu os direitos sociais em três espécies:
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 z direitos sociais destinados a toda sociedade (art. 6º, da CF);
 z direitos sociais para os trabalhadores (art. 7º, da CF);
 z direitos sociais coletivos dos trabalhadores (art. 8º ao art. 11, da CF).
Direitos Sociais Destinados a Toda Sociedade
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, 
o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à 
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma ren-
da básica familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de 
renda, cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observada a legislaçãofiscal e orçamentária. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 114, de 2021)
É importante destacar que o parágrafo único, do art. 6º, foi incluído recentemente pela EC 
nº 114, de 2021, estabelecendo que todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá 
direito a uma renda básica familiar. 
O trecho “cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei” estabelece que 
esta é uma norma de eficácia limitada, pois depende de regulamentação posterior. 
Trata-se, portanto, de direitos garantidos para toda a sociedade brasileira, com exceção, 
por exemplo, da previdência social — neste caso, só terá benefício quem for contribuinte e 
preencher todos os requisitos legais exigidos.
 z Direito à Propriedade x Direito à Moradia
Durante a prova, cuidado! Direito de propriedade é um direito individual, conforme já 
estudado neste material; já o direito à moradia é um direito social, localizado no caput, do 
art. 6º, da CF, de 1988.
 z Direito à Segurança, Localizado no art. 5º (Direito Individual) e art. 6º (Direito Social) 
— Entenda a Diferença
A segurança mencionada no art. 5º, da CF, refere-se à segurança jurídica; já a segurança 
mencionada no art. 6º, da CF, refere-se ao direito à segurança pública. 
Direitos Sociais para os Trabalhadores
Os direitos individuais dos trabalhadores destinam-se a proteger a relação de trabalho 
contra uma profunda desigualdade, resultante da não observância de preceitos mínimos des-
tinados a compatibilizar a função laboral com a dignidade e o bem-estar do trabalhador — 
este, parte hipossuficiente da relação trabalhista.
Após longo período de exploração do trabalho escravo e a posterior propagação do tra-
balho livre, passou-se, cada vez mais, de acordo com as circunstâncias dos novos modelos 
econômicos, a surgir uma certa preocupação com a proteção do trabalho. 
Nesse ínterim, desenvolveram-se movimentos classistas que culminaram, por exemplo, na 
luta pela liberdade de associação e criação de algumas normas trabalhistas.
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À vista disso, em 1930, Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comér-
cio, promovendo, nos anos seguintes, a edição de vários decretos de caráter trabalhista que, 
dentre outros, deram início ao chamado “constitucionalismo social”. 
Atualmente, em nossa Constituição, são contemplados todos os principais direitos e garan-
tias trabalhistas que, dada a sua importância, não podem ser abolidos nem por meio de 
emendas constitucionais.
É através do trabalho que o homem pode contribuir para com a sociedade. O direito ao 
trabalho é, portanto, o maior mecanismo de inclusão social da pessoa humana, inserindo o 
homem na vida social de maneira participativa. 
O trabalho faz com que a pessoa seja vista pelo que produz e tem sido a forma mais eficaz 
de assegurar à pessoa humana não apenas a sua subsistência, mas, também, a manutenção 
de sua dignidade. Daí a importância da proteção dos direitos trabalhistas.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social:
[...]
Proteção Contra Despedida Arbitrária ou Sem Justa Causa
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos 
de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
Pelos princípios da proteção e da continuidade das relações laborais, os contratos de tra-
balho, em regra, são feitos por prazo indeterminado e protegidos contra despedida arbitrá-
ria ou sem justa causa. Assim, esse inciso estabelece a indenização para dispensa arbitrária. 
Destarte, na hipótese de dispensa arbitrária, haverá uma indenização compensatória que, 
de acordo com o entendimento majoritário, diz respeito à multa complementar de 40% sobre 
o saldo do fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS).
Seguro-Desemprego
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
O seguro-desemprego é o direito à assistência financeira temporária a todo trabalhador 
que, tendo prestado serviços laborais ao empregador, foi demitido sem justa causa. 
É importante destacar que, para que este direito seja efetivado, é necessário que sejam 
atendidos os demais requisitos previstos no art. 3º, da Lei nº 7.998, de 1990.
Art. 3º Terá direito à percepção do seguro-desemprego o trabalhador dispensado sem justa 
causa que comprove:
I - ter recebido salários de pessoa jurídica ou de pessoa física a ela equiparada, relativos a:(Re-
dação dada pela Lei nº 13.134, de 2015)
a) pelo menos 12 (doze) meses nos últimos 18 (dezoito) meses imediatamente anteriores à data 
de dispensa, quando da primeira solicitação; (Incluído pela Lei nº 13.134, de 2015)
b) pelo menos 9 (nove) meses nos últimos 12 (doze) meses imediatamente anteriores à data de 
dispensa, quando da segunda solicitação; e (Incluído pela Lei nº 13.134, de 2015)
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c) cada um dos 6 (seis) meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando das demais 
solicitações;(Incluído pela Lei nº 13.134, de 2015)
II - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.134, de 2015)
III - não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada, previsto 
no Regulamento dos Benefícios da Previdência Social, excetuado o auxílio-acidente e o auxílio 
suplementar previstos na Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976, bem como o abono de perma-
nência em serviço previsto na Lei nº 5.890, de 8 de junho de 1973;
IV - não estar em gozo do auxílio-desemprego;
V - não possuir renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua 
família;
VI - matrícula e frequência, quando aplicável, nos termos do regulamento, em curso de for-
mação inicial e continuada ou de qualificação profissional habilitado pelo Ministério da Edu-
cação, nos termos do art. 18 da Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011, ofertado por meio da 
Bolsa-Formação Trabalhador concedida no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensi-
no Técnico e Emprego (Pronatec), instituído pela Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011, ou 
de vagas gratuitas na rede de educação profissional e tecnológica (Incluído pela Lei nº 13.134, 
de 2015).
O seguro-desemprego é regido pela Lei nº 7.998, de 1990, alterada pela Lei nº 13.134, de 
2015. Também há regulamentação sobre o assunto na Lei nº 10.779, de 2003, e na Lei Com-
plementar nº 150, de 2015.
Nos termos do art. 4º da lei do seguro-desemprego, o benefício será “concedido ao tra-
balhador desempregado, por período máximo variável de 3 (três) a 5 (cinco) meses”, de 
forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo, contados da data de dispensa que 
deu origem à última habilitação, cuja duração será definida pelo Conselho Deliberativo do 
Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). 
A determinação do período máximo mencionado no caput observará a relação entre o 
número de parcelas mensais do benefício do seguro-desemprego e o tempo de serviço do 
trabalhador nos 36 meses que antecederem a data de dispensa que originou o requerimento 
do seguro-desemprego, vedado o cômputo de vínculos empregatícios utilizados em períodos 
aquisitivos anteriores. 
Assim, o número de parcelas a receber será determinado de acordo com o tempo de ser-
viço efetivo do trabalhador, não só do último vínculo empregatício, mas de todos os vínculos 
dos últimos 36 meses que antecederem o requerimento e que não tenham sido utilizados ou 
computados para solicitações anteriores, conforme a tabela a seguir:
SEGURO-DESEMPREGO
1ª Solicitação
Parcelas Tempo de trabalho
Quatro 12 a 23 meses
Cinco 24 meses ou mais
2ª Solicitação
Parcelas Tempo de trabalho
Três Nove a 11 meses
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SEGURO-DESEMPREGO
Quatro 12 a 23 meses
Cinco 24 meses ou mais
3ª Solicitação
Parcelas Tempo de trabalho
Três Seis a 11 mesesQuatro 12 a 23 meses
Cinco 24 meses ou mais
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)
Art. 7º […] 
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
O fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS) foi criado com o objetivo de proteger 
o trabalhador demitido sem justa causa, mediante a abertura de uma conta vinculada ao 
contrato de trabalho. 
No início de cada mês, os empregadores depositam, nas contas vinculadas de seus funcio-
nários, o valor correspondente a 8% do salário de cada trabalhador. 
O FGTS é gerido pela Caixa Econômica Federal e constituído pelo total desses depósitos 
mensais. Os valores pertencem aos empregados, que podem sacá-los mediante o cumprimen-
to de alguns requisitos legais.
É importante ressaltar que:
Todo trabalhador brasileiro com contrato de trabalho formal, regido pela Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT), e, também, trabalhadores domésticos, rurais, temporários, intermi-
tentes, avulsos, safreiros (operários rurais que trabalham apenas no período de colheita) e 
atletas profissionais têm direito ao FGTS. O diretor não empregado pode ser incluído no regi-
me do FGTS, a critério do empregador. (Caixa, 2024)
À vista disso, podemos dizer que o FGTS é uma espécie de conta poupança compulsória do 
trabalhador, regida pela Lei nº 8.036, de 1990.
Salário Mínimo
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessi-
dades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, ves-
tuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o 
poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
O salário mínimo é uma importante garantia constitucional. Importante mencionar que 
esse valor mínimo é o estabelecido para jornada padrão de 44 horas semanais, podendo ser 
proporcional, em caso de jornada inferior.
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Piso Salarial
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
O piso salarial corresponde ao menor salário que determinada categoria profissional pode 
receber pela sua jornada de trabalho, considerando a extensão e complexidade do trabalho 
desenvolvido e devendo ser sempre superior ao salário mínimo nacional.
Irredutibilidade do Salário
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
A irredutibilidade salarial garante que o empregado não tenha o seu salário reduzido arbi-
trariamente pelo empregador durante todo o período do contrato de trabalho. É, portanto, 
uma garantia à estabilidade econômica do trabalhador.
Proteção aos que Percebem Remuneração Variável
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração 
variável;
Os empregados que recebem salários com valores variáveis, tais como comissões sobre 
vendas etc., nunca devem receber salário inferior ao mínimo. Como o salário mínimo mensal 
estipulado em lei corresponde a uma jornada laboral mensal de 220 horas, a garantia míni-
ma aqui estipulada terá como parâmetro o salário mínimo-hora.
Décimo Terceiro Salário ou Gratificação Natalina
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
O 13º salário é a garantia do recebimento de um salário integral (ou proporcional ao perío-
do trabalhado, se for o caso) por ocasião das comemorações de final de ano a todos os traba-
lhadores, aposentados e pensionistas do INSS.
Remuneração Superior por Trabalho Noturno
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
Por questões biológicas, sabe-se que o desempenho do corpo humano para atividades 
laborais pode ser reduzido no período noturno, bem como que a redução do sono regular 
pode comprometer a saúde. Assim, é garantida, ao trabalhador, a remuneração do trabalho 
noturno superior à do diurno. 
Para tais fins, considera-se trabalho noturno:
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 z o desempenhado entre as 22h de um dia até as 5h do dia seguinte para trabalhadores 
urbanos;
 z o desempenhado entre as 21h de um dia até as 5h do dia seguinte, para os trabalhadores 
rurais, das atividades de plantio e colheita;
 z o desempenhado entre as 20h de um dia até as 4h do dia seguinte, para os trabalhadores 
rurais da atividade pecuária.
Nos termos da CLT, o adicional noturno corresponde a 20% a mais sobre a hora diurna 
trabalhada para os trabalhadores urbanos e 25% para os trabalhadores rurais.
Proteção do Salário Contra Retenção Dolosa
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
É vedada a retenção salarial dolosa. Assim, só são permitidos descontos salariais autoriza-
dos em lei.
Participação nos Lucros
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmen-
te, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
A participação nos lucros e resultados da empresa corresponde a uma recompensa pelo 
reconhecimento do bom desempenho e produtividade paga a todos os funcionários de deter-
minada empresa sobre o lucro excedente de determinado período de suas atividades.
Salário-Família
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos 
da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).
O salário-família é um benefício da previdência social correspondente ao valor pago 
ao empregado de baixa renda que receba salário no valor de até R$ 1.425,56, inclusive ao 
doméstico e ao trabalhador avulso, e que possua filhos menores de 14 anos de idade ou com 
deficiência, sem limite de idade.
Jornada de Trabalho
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro sema-
nais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou con-
venção coletiva de trabalho; (Vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943).
A Constituição Federal garante ao trabalhador jornada de trabalho não superior a oito 
horas diárias ou 44 horas semanais, facultada a compensação e a redução.
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Jornada Especial para Turnos Ininterruptos de Revezamento
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, 
salvo negociação coletiva;
Caracteriza-se trabalho em turno ininterrupto de revezamento aquele prestado por traba-
lhadores que se revezam nos postos de trabalho nos horários diurno e noturno. 
Esse tipo de jornada trabalhista é bastante comum em empresas que funcionam em tempo 
integral, sem pausas. A jornada do trabalhador de turnos ininterruptos deve ser de seis horas 
diárias.
Repouso (ou Descanso) Semanal Remunerado (DSR)
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
O descanso ou repouso semanal remunerado corresponde a um dia de folga semanal remu-
nerado ao trabalhador. Deve ser concedido preferencialmente aos domingos, dado seu objetivo 
social e de lazer e recreação, mas nada impede que seja gozado nos outros dias da semana. 
No caso de empresas que funcionem aos domingos e feriados, devem ser adotadas regras de 
escala para seus funcionários, de forma que o trabalhador tenha ao menos um domingo livre 
no mês como descanso semanal remunerado e usufrua os demais em outro dia da semana.
Pagamentos de Horas Extras
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à 
do normal; (Vide Del 5.452, § 1º, art. 59).
O pagamento de horas extras caracteriza-se pela remuneração superior em, no mínimo, 
50% das horas trabalhadas, além da jornada diária — lembrando que a legislação trabalhista 
permite o excedente em apenas duas horas extraordinárias diárias, totalizando 10 horas diá-
rias trabalhadas, salvo condições excepcionais. 
É lícita também a compensação de jornada (banco de horas), quando, ao invés de receber 
o acréscimo salarial que lhe é devido, o trabalhador passa a ter direitoa usufruir a compen-
sação das horas excedentes em períodos de folga para descanso e lazer, mediante o cumpri-
mento de alguns requisitos legais pela empregadora.
Férias Remuneradas
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário 
normal;
Após um ano de trabalho efetivo (período aquisitivo), todo trabalhador passa a ter direi-
to a um período de até 30 dias para descanso e lazer, com percebimento de salário integral, 
acrescido de 1/3 constitucional. As férias são concedidas a critério do empregador que, após 
o término do período aquisitivo, tem até um ano para concedê-las (período concessivo).
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Licença à Gestante
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e 
vinte dias;
Também chamada de licença-maternidade, corresponde ao período em que a mulher está 
prestes a ter um filho, acabou de ganhar um bebê ou adotou uma criança. 
Nesse contexto, a mulher tem direito a permanecer afastada do seu trabalho e receber o 
salário-maternidade, benefício previdenciário pago à pessoa nessas condições. 
Em regra, a licença-maternidade é de 120 dias, podendo ser ampliado para 180 dias, nos 
casos em que a empregadora for aderente ao Programa Empresa Cidadã, instituído pela Lei 
nº 11.770, de 2008, e regulamentado pelo Decreto nº 7.052, de 2009.
Licença-Paternidade
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
A licença-paternidade tem o período de cinco dias; inicia-se no primeiro dia útil após o 
nascimento da criança, em que o pai tem direito a afastar-se de suas atividades laborais, sem 
prejuízo de seu salário. Nos casos em que a empresa esteja cadastrada no programa Empresa 
Cidadã, o prazo poderá ser estendido por mais 15 dias, totalizando 20 dias.
Proteção da Mulher no Mercado de Trabalho
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos 
da lei;
Com vias a garantir a isonomia de condições laborais, a proteção ao trabalho da mulher 
é questão de ordem pública. Assim, são vedadas diferenciações arbitrárias, salvo quando a 
natureza da atividade, pública ou notoriamente, assim exigir. 
Ademais, são vedadas as diferenciações em razão do gênero para fins de remuneração, 
formação profissional e possibilidades de ascensão. A proteção à gravidez e a proibição de 
revistas íntimas ou de práticas que venham a ferir a dignidade feminina são alguns dos 
exemplos de medidas de proteção do mercado de trabalho da mulher.
Aviso Prévio
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos ter-
mos da lei;
Nas relações de emprego, o aviso prévio consiste na comunicação da rescisão do contrato 
de trabalho por uma das partes, empregador ou empregado, com a antecedência mínima de 
30 dias. O aviso prévio pode ser trabalhado ou indenizado quando concedido por qualquer 
uma das partes.
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Redução dos Riscos do Trabalho
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e 
segurança;
É dever da empregadora a redução dos riscos inerentes às atividades desempenhadas por 
seus colaboradores, através do cumprimento de todas as normas regulamentadoras de saú-
de, higiene e segurança, bem como do fornecimento de equipamentos de proteção individual 
e da exigência da execução de todas as normas da empresa por seus funcionários, sob pena 
de justa causa.
Adicional por Atividades Penosas, Insalubres ou Perigosas
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na 
forma da lei;
O trabalho penoso é aquele considerado extremamente desgastante para a pessoa huma-
na, pois o trabalhador despende um esforço além do normal para o desempenho de suas 
atividades, as quais, por sua própria natureza ou em razão de fatores ambientais, provocam 
acentuado desgaste, com sobrecarga física e psíquica para o trabalhador. São exemplos de 
atividades penosas:
 z cortar cana;
 z colher café;
 z carregar e descarregar objetos;
 z esforços repetitivos etc.
Apesar de sua previsão na Constituição Federal, a percepção de um adicional pelo traba-
lho penoso não está regulamentada e quase não ocorre na prática laboral, podendo ser reco-
nhecida em caso de demanda judicial.
O trabalho insalubre, por sua vez, define-se como aquele no qual o empregado, no exer-
cício de suas atividades, expõe-se a qualquer agente físico, químico ou biológico nocivo à 
saúde, e que, com o passar do tempo, pode ocasionar uma doença ocupacional. 
O adicional de insalubridade pode variar entre:
 z 10% em grau mínimo;
 z 20% em grau médio;
 z 40% em grau máximo de exposição, calculado sobre o salário mínimo, nos termos da lei. 
São exemplos de atividades insalubres as exercidas por profissionais da saúde, radiologis-
tas, mineradores, entre outros.
Por fim, o trabalho perigoso é aquele que envolve constante risco à integridade física do 
trabalhador. São exemplos as atividades profissionais com:
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 z inflamáveis;
 z explosivos;
 z energia elétrica;
 z segurança pessoal ou patrimonial com o uso de motocicleta, entre outros. 
O adicional de periculosidade é correspondente a 30% do salário-base.
Atenção! A insalubridade é diferente da periculosidade e os adicionais não são cumulativos. 
Em síntese, na insalubridade, a saúde do trabalhador é constantemente afetada por agen-
tes físicos, químicos ou biológicos.
Na periculosidade, por sua vez, o risco à vida é acentuado em virtude da exposição per-
manente do trabalhador a situações de perigo. 
Em alguns casos, a insalubridade e a periculosidade podem ser eliminadas ou parcialmen-
te afastadas pelo uso de equipamentos de proteção adequados.
Aposentadoria
XXIV - aposentadoria;
Mais do que o sonho da maioria dos brasileiros, a aposentadoria é um benefício garantido 
constitucionalmente e concedido pela previdência social ao trabalhador segurado da previ-
dência que preencher os requisitos legais para sua concessão. 
De forma breve, a aposentadoria consiste na prestação pecuniária recebida mensalmente 
pelo aposentado, calculada conforme suas contribuições à previdência ao longo de toda a sua 
vida laboral.
Assistência aos Filhos Pequenos
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de 
idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006).
A Constituição Federal, com vistas à proteção do trabalho dos genitores de filhos e depen-
dentes pequenos, garante assistência gratuita para o cuidado com os últimos. Entretanto, tal 
dispositivo ainda depende de regulamentação para o seu pleno exercício. 
Reconhecimento das Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
Por esse inciso, a Constituição Federal reconheceu as convenções e acordos coletivos feitos 
conforme o texto constitucional como instrumentos com força de lei entre as partes. 
A reforma trabalhista reforçou a regra do “negociado sobre o legislado”, isto é, a concep-
ção de que a negociação pode estar acima da lei em determinadas situações. 
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Proteção em Face da Automação
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
A proteção em face da automação consiste na salvaguarda da classe trabalhadora do 
desemprego pela automação abusiva, bem como da garantia efetiva à saúde e à segurança 
no meio ambiente de trabalho automatizado.
Seguro Contra Acidentes de Trabalho
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indeniza-
ção a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
O seguro contra acidentes de trabalho é uma garantia ao empregado, às expensasdo empre-
gador, que assume os riscos da atividade laboral mediante pagamento de um adicional sobre 
folha de salários de seus empregados, com administração atribuída à previdência social. 
Tal seguro tem função de seguridade por ser destinado a beneficiários atingidos por doen-
ça ou acidente que estejam associados ao sistema previdenciário. O seguro contra acidentes 
de trabalho está regulamentado pela Lei nº 8.212, de 1991.
Ação Trabalhista nos Prazos Prescricionais
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional 
de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção 
do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000).
A todo trabalhador é garantido o direito de propor reclamatória (ou reclamação) trabalhis-
ta dentro dos prazos processuais legais para reaver os créditos resultantes da relação laboral.
Atenção! O prazo prescricional de uma reclamação trabalhista é de dois anos, a partir da 
rescisão do contrato de trabalho! Esse é o prazo para que o trabalhador possa ingressar com 
a ação trabalhista. 
O prazo prescricional de cinco anos, previsto no mesmo inciso da constituição, refere-se 
ao período cujos direitos podem ser questionados, ou seja, o funcionário pode reclamar ape-
nas dos direitos correspondentes aos últimos cinco anos trabalhados.
Não Discriminação
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por 
motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do 
trabalhador portador de deficiência;
Proibição de Distinção do Trabalho
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profis-
sionais respectivos;
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Trabalho do Menor
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qual-
quer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quator-
ze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).
Com vias a combater a exploração infantil e promover o acesso à educação, é vedado o 
exercício de atividade laboral ao menor de 14 anos.
DE 14 A 16 ANOS Só pode trabalhar na condição de aprendiz
DE 16 A 18 ANOS É vedado o exercício de trabalho noturno, perigoso ou insalubre
A PARTIR DE 18 ANOS Trabalho normal
Igualdade ao Trabalhador Avulso
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o 
trabalhador avulso.
Pela não discriminação, proibição de distinção do trabalho e igualdade ao trabalhador 
avulso, são vedadas quaisquer discriminações arbitrárias entre trabalhadores por motivo 
de sexo, idade, cor ou estado civil, bem como entre o exercício de trabalho manual, técnico e 
intelectual, avulso ou permanente, consubstanciado na isonomia de todos os trabalhadores 
urbanos e rurais.
Empregados Domésticos
Art. 7º (CF) [...]
XXXIV - [...]
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos pre-
vistos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, 
XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do 
cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de 
trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem 
como a sua integração à previdência social (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, 
de 2013).
O trabalho doméstico, predominantemente realizado por mulheres, é uma das ocupações 
mais antigas do mundo. Além disso, a diferenciação entre o trabalhador doméstico e os 
demais tem raízes na cultura escravocrata.
No caso do Brasil, considerando uma série de problemáticas históricas profundamente 
enraizadas em nossa sociedade, mesmo com a promulgação da Constituição Cidadã, em 1988, 
e com a consequente criação de uma série de direitos para a classe trabalhista, havia, ainda, 
uma imensa lacuna entre os direitos dos domésticos e dos demais trabalhadores.
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À vista disso, foi a Emenda Constitucional nº 72, de 2013, que, mesmo fruto de calorosas 
discussões no Congresso Nacional, buscou igualar os direitos dos trabalhadores domésticos 
aos dos demais trabalhadores, diminuindo, então, a lacuna entre ambos. 
Além desta, a Lei Complementar nº 150, de 1º de junho de 2015, apresentou uma proposta 
de igualação jurídica, positivando direitos e garantias dos domésticos que, até então, depen-
diam de regulamentação. 
Tais mudanças apresentaram grandes reflexos sociais à classe trabalhadora. O reconheci-
mento e equiparação desses direitos foi uma grande conquista legislativa, pautada na igual-
dade e dignidade da pessoa humana. 
Assim, após a EC nº 72, de 2013, e a LC nº 150, de 2015, restaram assegurados e devidamen-
te regulamentados aos domésticos os seguintes direitos: 
 z salário mínimo; 
 z irredutibilidade do salário; 
 z garantia de salário nunca inferior ao mínimo; 
 z décimo terceiro salário com base na remuneração integral;
 z proteção do salário na forma da lei; 
 z duração normal do trabalho, não superior a oito horas diárias e 44 horas semanais; 
 z repouso semanal remunerado; 
 z horas extras; 
 z férias anuais remuneradas acrescidas de 1/3; 
 z licenças maternidade e paternidade; 
 z aviso prévio proporcional ao tempo de serviço; 
 z redução dos riscos inerentes ao trabalho; 
 z aposentadoria; 
 z reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
 z proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por 
motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
 z proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do traba-
lhador com deficiência;
 z proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de 18 anos e de qual-
quer trabalho aos menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos.
Direitos Sociais Coletivos dos Trabalhadores
Os direitos coletivos dos trabalhadores “são aqueles exercidos por estes, coletivamente 
ou no interesse de uma coletividade” (Lenza, 2019, p. 2.038) e compreendem:
 z Liberdade de associação profissional sindical: prerrogativa dos trabalhadores para 
defesa de seus interesses profissionais e econômicos;
 z Direito de greve: direito de abstenção coletiva e simultânea do trabalho, de modo organi-
zado para defesa de interesses dos trabalhadores;
Atenção! Serviços considerados essenciais e inadiáveis à sociedade não podem ser 
totalmente paralisados para o exercício do direito de greve. Ademais, o STF (2017) entende 
que servidores que atuam diretamente na área de segurança pública não podem entrar 
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em greve em nenhuma hipótese, pois desempenham atividade essencial à manutenção da 
ordem e a conservação da segurança e da paz social deve estar acima dos interesses de deter-
minadas categorias de servidores públicos.
 z Direito de participação laboral: assegura a participação dos trabalhadores e empregado-
res nos colegiados dos órgãos públicos em que interesses profissionais ou previdenciários 
sejam objeto de discussão;
 z Direito de representação na empresa: nos termos do art. 11, da CF, de 1988, vejamos:
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o regis-
tro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização 
sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de 
categoria profissional ou econômica, namesma base territorial, que será definida pelos trabalha-
dores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclu-
sive em questões judiciais ou administrativas;
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será 
descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, 
independentemente da contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo 
de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do 
mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de 
colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunida-
de de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessi-
dades inadiáveis da comunidade.
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
Art. 10 É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos 
públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e 
deliberação.
Art. 11 Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante 
destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.
As garantias deste último grupo de direitos sociais estão divididas em: direito de associa-
ção sindical, direito de greve e direito de representação.
O direito de associação sindical tem relação com o princípio da liberdade de associação. O 
direito de greve, citado no art. 9º, não é o mesmo direito de greve assegurado ao servidor públi-
co no art. 37, da CF, ou seja, a greve mencionada no art. 9º é autoaplicável (norma de eficácia 
contida) — não precisa de lei para regulamentar o direito de greve. Já sobre o direito de repre-
sentação, fique atento com os números também, como, por exemplo, no art. 11, da CF.
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DIREITOS DE NACIONALIDADE 
A nacionalidade é a condição de sujeito que, por ser natural do Estado, pode participar dos 
atos pertinentes à nação. 
A atribuição da nacionalidade dá-se por dois critérios:
 z Jus solis: será brasileiro todo aquele nascido em território nacional;
 z Jus sanguinis: será brasileiro todo filho de nacional, mesmo nascido no exterior.
O Brasil adota, em regra, o critério do jus solis, entretanto, mitigado por critérios do jus 
sanguinis. O art. 12, da Constituição Federal, elenca os direitos da nacionalidade dividindo os 
brasileiros em dois grandes grupos: os brasileiros natos e os naturalizados. Vejamos.
Art. 12 São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que 
estes não estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles 
esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam regis-
trados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do 
Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade bra-
sileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54, de 2007).
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de 
países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há 
mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionali-
dade brasileira (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994).
Dica: filho de brasileiro (ainda que naturalizado) nascido no exterior e que venha a optar 
pela nacionalidade brasileira será brasileiro nato, pois a legislação não diferencia brasileiros 
natos de naturalizados, e, assim, não os especifica, nos termos da alínea “c”, inciso I, art. 12, 
da CF.
Conforme prevê o inciso I, art. 12, da CF, é considerado brasileiro nato o nascido no Brasil, 
ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país. 
Atenção! No que diz respeito à necessidade de ambos os genitores estrangeiros estarem 
a serviço do país, entende-se que deve haver a verificação do fato de o deslocamento desse 
Estado (país) ao Brasil ter ocorrido em virtude de interesse do seu país, ainda que um deles 
não exerça função governamental, por exemplo:
 z pais argentinos, a serviço da Argentina — neste caso, o filho nascido no Brasil não será 
brasileiro nato13;
 z pais argentinos, a serviço do Uruguai — neste caso, o filho nascido no Brasil será brasileiro 
nato, pois os pais não estão a serviço de seu país (no exemplo, Argentina).
13 Observe nos exemplos como pode ser cobrada a matéria na prova.
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Nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer um deles esteja a 
serviço do Brasil; neste caso, o termo a “serviço da República Federativa do Brasil” engloba “a 
serviço da Administração direta e indireta da União, estados, Distrito Federal e municípios”.
Nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registrados 
em repartição brasileira competente (embaixada ou consulado) ou venham a residir no 
Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira.
Atenção! O filho poderá optar pela nacionalidade brasileira observando três requisitos 
cumulativos:
 z idade mínima: 18 anos;
 z residência no Brasil;
 z obedecendo aos dois requisitos acima, deve-se optar a qualquer tempo pela nacionalidade 
brasileira.
Cargos Privativos do Brasileiro Nato
Nos termos do § 3º, art. 12, da Constituição Federal, de 1988, são privativos de brasileiro 
nato os cargos: 
§ 3º [...] 
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; 
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; 
III - de Presidente do Senado Federal; 
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
V - da carreira diplomática; 
VI - de oficial das Forças Armadas; 
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
Naturalização
A naturalização é um meio de aquisição da nacionalidade derivado. Com outras palavras, 
trata-se de uma forma de aquisição secundária da nacionalidade brasileira permitida ao 
estrangeiro ou apátrida14 que preencher os requisitos necessários. 
A Lei nº 13.445, de 2017, que institui a Lei de Migração, trata de diversas questões acerca 
da nacionalidade e do processo de naturalização.
Por fim, é vedada a diferenciação arbitrária entre brasileiros natos e naturalizados. 
Nos termos da lei:
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos 
casos previstos nesta Constituição.
14 Também chamado de heimatlos, o apátrida configura-se como o indivíduo que, por múltiplos motivos, não 
possui nenhuma nacionalidade. O polipátrida, por sua vez, define-se como o sujeito que possui mais de uma 
nacionalidade.
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Portugueses
Aos portugueses com residência permanente no país serão atribuídos os mesmos direitos 
dos brasileiros, desde que haja reciprocidade. Vejamos.
Art. 12 […]
§1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de 
brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta 
Constituição (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994).
Importante!
O Supremo Tribunal Federal entende que a naturalização extraordinária é ato declaratório 
do Brasil. Estrangeiro que provar os requisitos necessários, ou seja, possuir 15 anos de 
residência ininterrupta e ausência de condenação penal, tem o direito subjetivo15 à natura-
lização. Negado este pedido, caberá mandado de segurança.
Importante mencionar também a leitura do Estatuto do Estrangeiro, a Lei nº 6.815, de 
1980.
Perda da Nacionalidade
Art. 12 […]
§ 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada 
ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Demo-
crático; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasilei-
ra competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 131, de 2023)
a) revogada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
§ 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º deste artigo, não impede o 
interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
Temos, no § 4º, uma alteração recente trazida pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023, 
que extinguiu a perda da nacionalidade brasileira para aqueles que adquirem outra cidada-
nia, o que até então era possível acontecer. 
Com o escopo de garantir uma maior isonomia, de acordo com a Emenda Constitucional 
nº 131, de 2023, o cidadão só perderá a sua nacionalidade brasileira caso seja pedido expres-
samente por escrito, ou seja, tenha o cidadão manifestado sua vontade de forma expressa em 
não mais possuir a nacionalidade brasileira. 
15 O direito subjetivo refere-se aos direitos que são efetivamente garantidos ao indivíduo pela lei.
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Além disso, o outro caso de possível extinção da nacionalidade brasileira será nos casos de 
pedido judicial, julgando que tal processo de naturalização é uma fraude ou poderá ser capaz 
de atentar contra a ordem constitucional e ao Estado Democrático de Direito. 
Por fim, o § 5º prevê a possibilidade do cidadão que perdeu sua nacionalidade requerê-la, 
desde que sejam observados os requisitos legais a serem impostos diante da situação. 
Extradição, Repatriação, Deportação e Expulsão
Extradição, repatriação, deportação e expulsão são medidas, instrumentos do Estado sobe-
rano, para enviar uma pessoa que se encontra refugiada em seu território a outro Estado 
estrangeiro. 
Importante frisar que o brasileiro nato não pode ser extraditado. Se for o caso, deve ser 
entregue ao TPI; podem ser entregues a este tribunal os brasileiros natos, naturalizados e 
estrangeiros.
Ainda, o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, em seu art. 102, Decreto-Lei nº 
4.388, de 2002, define a diferença entre a entrega e a extradição. Vejamos:
 z por “entrega” entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado ao tribunal nos termos 
do estatuto;
 z por “extradição” entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado a outro Estado, con-
forme previsto em um tratado, em uma convenção ou no direito interno.
Extradição
Entrega de um Estado (país) a outro Estado (país) de pessoa acusada de delito ou já con-
denada. Note que, conforme a Súmula nº 421, do STF, não há impedimento à extradição no 
fato de o extraditado ser casado com brasileiro ou ter filho brasileiro.
Conforme prevê o inciso XV, art. 22, da CF, compete à União legislar sobre extradição. 
A Constituição brasileira também dispõe, no inciso LI, do art. 5º, que 
Art. 5º […]
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, pra-
ticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpe-
centes e drogas afins, na forma da lei;
Além disso, no inciso LII: “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político 
ou de opinião”. 
Ainda, o inciso I-g, art. 102, da CF, dispõe que o Supremo Tribunal Federal será o responsá-
vel por processar e julgar a extradição solicitada pelo Estado estrangeiro. 
De forma específica, pode-se dizer que a extradição é:
[...] um ato de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pessoa, acusada ou 
condenada por um ou mais crimes, ao país que a reclama. (Governo Federal, 2023)
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Atenção! Não haverá extradição de brasileiro nato. Também não será concedida extradi-
ção de estrangeiro por crime político ou de opinião.
A deportação, por sua vez:
[...] será aplicada nas hipóteses de entrada ou estada irregular de estrangeiros no territó-
rio nacional. É de competência do Departamento de Polícia Federal e consiste na retirada do 
estrangeiro que desatender à notificação prévia de deixar o País. 
O art. 50, da Lei nº 13.455, de 2017 (Lei de Migração), aduz que a deportação é medida 
decorrente de procedimento administrativo que consiste na retirada compulsória de pessoa 
que se encontre em situação migratória irregular em território nacional.
A repatriação, por último: 
Ocorre quando o clandestino é impedido de ingressar em território nacional pela fiscalização 
fronteiriça e aeroportuária brasileira. A repatriação ocorre a expensas da transportadora ou 
da pessoa responsável pelo transporte do estrangeiro para o Brasil. É repatriado o estrangeiro 
indocumentado ou que não possui visto para ingressar no País ou aquele que apresenta visto 
divergente da finalidade para a qual veio ao Brasil.
O art. 49, da Lei nº 13.455, de 2017 (Lei de Migração), diz que a repatriação consiste em 
medida administrativa de devolução de pessoa em situação de impedimento ao país de pro-
cedência ou de nacionalidade.
Atenção! A diferença essencial entre as duas medidas de retirada compulsória do estran-
geiro, deportação e repatriação, dá-se com relação ao momento em que ocorrem. 
A repatriação ocorre no momento da chegada do estrangeiro que, impedido de ingressar 
em território nacional, deve retornar ao país de origem ou nacionalidade. Na deportação, 
por sua vez, o estrangeiro já se encontra em território nacional.
Expulsão
Modo de tirar o estrangeiro do Brasil de modo coativo, por infração ou ato que o torne 
inconveniente à defesa e à conservação da ordem interna do Estado.
Neste caso, a União é responsável por legislar sobre expulsão, inciso XV, art. 22, da CF.
Não ocorrerá a expulsão em duas hipóteses: diferentemente da extradição, a expulsão não 
será admitida quando o indivíduo tiver cônjuge brasileiro (desde que não esteja divorciado 
ou separado de fato) e o casamento tiver sido celebrado há mais de cinco anos, ou que tenha 
filho brasileiro, desde que este esteja sob sua guarda e dependência econômica.
A expulsão define-se enquanto medida administrativa de retirada compulsória de migran-
te ou visitante do território nacional, conjugada com o impedimento de reingresso por prazo 
determinado, este configurado pela prática de crimes em território brasileiro.
O banimento, entrega de um brasileiro para julgamento no exterior, prática comum na 
época da ditadura militar, é vedado pela Constituição.
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Deportação
Neste caso, refere-se ao estrangeiro que ingressou ou permaneceu de forma irregular no 
território nacional, ou seja, é a devolução do estrangeiro por entrar no Brasil deforma irre-
gular. Assim, não há deportação de brasileiros no Brasil (inciso XV, art. 5º, da CF). 
Note que a deportação não tem relação com a prática do estrangeiro em território brasilei-
ro, mas, sim, do não cumprimento dos requisitos legais para sua entrada. 
Além disso, não existe mais o instituto do banimento, que era o envio compulsório de bra-
sileiros para o exterior. Observe, também, que há vedação constitucional de seu restabeleci-
mento no inciso XLVII-d, art. 5º, da CF.
Idioma e Símbolos Nacionais
Art. 13 A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo 
nacionais.
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.
DIREITOS POLÍTICOS 
Os direitos políticos são medidas assecuratórias da participação do indivíduo na vida polí-
tica e estrutural de seu próprio Estado, garantindo-lhe a possibilidade de acesso à condução 
da coisa pública e à participação na vida política. 
Assim, estes abrangem o poder que qualquer cidadão tem na condução dos destinos de 
sua coletividade de uma forma direta ou indireta, ou seja, sendo eleitos ou elegendo repre-
sentantes junto aos poderes públicos.
Cidadania e Nacionalidade
Atenção! O termo “nacional” difere-se do termo “cidadão”. Logo, “cidadania” é diferente 
de “nacionalidade”. 
A condição de nacional é um pressuposto para a de cidadão. A cidadania, em sentido estri-
to, é o status de nacional acrescido dos direitos políticos, isto é, poder participar do processo 
governamental, sobretudo pelo voto. Assim, a nacionalidade é condição necessária, mas não 
suficiente, da cidadania.
Vejamos o que dispõe o art. 14 acerca do exercício da cidadania:
Art. 14 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, 
com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular
A seguir, apresentam-se as definições de alguns conceitos muito importantes para as pro-
vas. Vejamos. 
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 z Sufrágio universal: direito subjetivo, instrumentalizado e exteriorizado por intermédio 
do voto ou pela capacidade de ser votado. Desta maneira, tem-se que o sufrágio é a capaci-
dade eleitoral ativa somada à capacidade eleitoral passiva;
 z Plebiscito: forma de consulta ao povo acerca de determinado tema de grande relevância. 
Difere-se do referendo quanto ao momento da consulta. Aqui, a consulta dá-se previamen-
te à expedição de determinado ato legislativo ou administrativo;
 z Referendo: assim como o plebiscito, o referendo é uma consulta, porém é realizado pos-
teriormente à edição do ato legislativo ou administrativo. Assim, o povo tem o condão de 
aprovar ou desaprovar o ato;
 z Iniciativa popular: direito de uma parcela da população (1% do eleitorado) apresentar, ao 
Poder Legislativo, um projeto de lei que deverá ser examinado e votado. Os eleitores tam-
bém podem usar deste instrumento em nível estadual e municipal. Para que um projeto de 
lei de iniciativa popular possa tramitar no Legislativo, este precisa atender aos seguintes 
requisitos: 
 � assinatura de 1% do eleitorado brasileiro; 
 � possuir o apoio de pelo menos cinco estados brasileiros, manifestando cada um deles no 
mínimo por 0,3% dos eleitores; 
 � ser referente a apenas um assunto, nos termos do art. 13, da Lei nº 9.709, de 1998, que 
regulamenta os instrumentos de democracia semidireta previstos no art. 14, CF.
Dica
Muitas pessoas confundem o plebiscito com o referendo. Se este for o seu caso, tenha a 
ordem alfabética como referência — sabendo qual vem antes, você saberá o momento da 
consulta em relação à expedição do ato:
z Plebiscito: antes;
z Referendo: depois.
Direitos Políticos Ativos: Alistamento Eleitoral 
Os direitos políticos ativos consistem na capacidade de votar, participar de plebiscito e 
referendo, subscrever projeto de lei de iniciativa popular e propor ação popular. Dá-se atra-
vés do alistamento eleitoral. Vejamos o que os §§ 1º e 2º, do art. 14, informam acerca da 
temática:
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço mili-
tar obrigatório, os conscritos.
A tabela a seguir apresenta, de forma clara e concisa, o conteúdo do dispositivo. Observemos:
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ALISTAMENTO ELEITORAL
Obrigatório Facultativo Proibido
z Maiores de 
18 anos
z Analfabeto
z Maiores de 70 anos
z Maiores de 16 e menores de 18 anos
z Estrangeiros
z Conscritos durante o serviço 
militar obrigatório
Direitos Políticos Passivos: Elegibilidade Eleitoral
Os direitos políticos passivos consistem na possibilidade de ser votado, ou seja, na elegi-
bilidade. Além de cumprir os requisitos para ser elegível, o indivíduo deverá observar as 
proibições, ou seja, as hipóteses de inelegibilidade. 
Art. 14 […]
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Pre-
feito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
Para facilitar sua memorização, lembre-se do Disk Constituição — telefone 3530-2118: 
 z 35: presidente, vice-presidente e senador;
 z 30: governador, vice-governador;
 z 21: deputado: federal, estadual ou distrital; prefeito, vice-prefeito e juiz de paz;
 z 18: vereador.
Inelegibilidades
A Constituição não menciona, exaustivamente, todas as hipóteses de inelegibilidade, ape-
nas fixa algumas, deixando à lei complementar o desdobramento dos casos. 
Em regra:
Art. 14 […]
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
Há, também, a inelegibilidade derivada do casamento ou do parentesco com o presidente 
da República, com os governadores de estado e do Distrito Federal e com os prefeitos, ou com 
quem os substituir dentro dos seis meses anteriores ao pleito.
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Art. 14 […]
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguí-
neos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador 
de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído den-
tro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à 
reeleição.
Portanto, tenha em mente que a cônjuge de um prefeito não poderá se candidatar ao car-
go de vereadora, mas poderá se candidatar ao cargo de deputada estadual, por exemplo. Em 
relação ao tema, observemos o que dispõe Súmula Vinculante nº 18:
Súmula Vinculante nº 18 A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do 
mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal.
Atenção! Todo inalistável é inelegível, mas nem todo inelegível é inalistável.
Quanto à reeleição e desincompatibilização, a Emenda Constitucional nº 16 trouxe a 
possibilidade de reeleição para o chefe dos poderes executivos federal, estadual, distrital e 
municipal. 
Ao contrário do sistema americano de reeleição, que permite apenas a recondução por um 
período, somente, no Brasil, após o período de um mandato, o governante pode voltar a se 
candidatar para o posto. 
Atente-se ao prazo disposto no § 6º, pois ele é extremamente cobradoem provas.
Art. 14 […]
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos 
e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para 
um único período subsequente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997). 
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado 
e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses 
antes do pleito.
Por sua vez, o militar é elegível se cumpridos alguns requisitos:
Art. 14 […]
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, 
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessa-
ção, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato 
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a 
influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na admi-
nistração direta ou indireta.
O mandato eletivo pode ser impugnado:
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Art. 14 […]
§ 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias 
contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrup-
ção ou fraude;
A fim de uma melhor compreensão do conteúdo, observe o fluxograma a seguir.
abuso de poder 
econômico
corrupção
fraude
RE
Q
UI
SI
TO
S 
PA
RA
 A
 IM
PU
G
N
AÇ
ÃO Prazo de 15 dias da 
diplomação
Ação instruída com pro-
vas de:
Art. 14 […]
§ 11 A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o 
autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
Tenha em mente que, aqui, temos uma exceção quanto ao princípio da publicidade. Veja 
que as ações de impugnação de mandato correrão em segredo de justiça e, em caso de má-fé 
ou com o intuito temerário, o autor da ação responderá conforme a lei.
Recentemente, a Emenda Constitucional nº 111, de 2021, incluiu os §§ 12 e 13. Vejamos: 
Art. 14 […]
§ 12 Serão realizadas concomitantemente às eleições municipais as consultas populares sobre 
questões locais aprovadas pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até 
90 (noventa) dias antes da data das eleições, observados os limites operacionais relativos ao 
número de quesitos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
§ 13 As manifestações favoráveis e contrárias às questões submetidas às consultas populares 
nos termos do § 12 ocorrerão durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propa-
ganda gratuita no rádio e na televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
Perda e Suspensão dos Direitos Políticos
A perda e a suspensão dos direitos políticos dão-se, respectivamente, de forma definitiva 
e temporária.
Ocorrerá a perda quando: 
 z houver cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
 z no caso de recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (é o caso 
do serviço militar obrigatório). 
Por sua vez, a suspensão dos direitos políticos dá-se enquanto persistirem os motivos des-
ta, ou seja, enquanto não for retomada sua capacidade civil, o indivíduo terá seus direitos 
políticos suspensos. Readquirindo-a, alcançará novamente o status de cidadão. 
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Também são passíveis de suspensão os condenados criminalmente (com sentença transi-
tada em julgado). Cumprida a pena, readquirem-se os direitos políticos. No caso de improbi-
dade administrativa, a suspensão será da mesma forma (temporária).
Importante!
z Perda dos direitos políticos: definitiva;
z Suspensão dos direitos políticos: temporária;
z Cassação de direitos políticos: vedada.
Art. 15 É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos 
casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 
5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º
Cancelamento da naturalização por 
sentença transitada em julgado
Recusa de cumprir obrigação a 
todos imposta ou prestação 
Incapacidade civil absoluta
Condenação criminal transitada em 
julgado
Improbidade administrativa
DIREITOS 
POLÍTICOS
Perda
Suspensão
Ademais, vejamos o que dispõe o art. 16, bastante discutido quando da propositura do pro-
jeto de lei que dispunha sobre o voto impresso. A discussão girava em torno da aplicação ou 
não das disposições em caso de aprovação. Caso fosse aprovado antes de um ano das eleições, 
seriam aplicadas às eleições de 2022; do contrário, não poderiam ser utilizadas, mesmo que 
aprovado.
Art. 16 A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não 
se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
PARTIDOS POLÍTICOS 
Os partidos políticos encontram-se disciplinados no Título II, da Constituição Federal, de 
1988, que trata sobre os direitos e garantias fundamentais. 
Entende-se por “partido político” a pessoa jurídica de direito privado que objetiva asse-
gurar e defender os direitos de uma determinada parcela da população. Em síntese, portan-
to, o partido político é formado por um grupo de pessoas unidas em prol de idealizações 
políticas e sociais comuns.
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Vejamos o que estabelece a CF, de 1988:
Art. 17 É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguar-
dados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos 
fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangei-
ros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
O art. 17 correlaciona a importância dos partidos políticos à soberania nacional, ou seja, 
ao poder do Estado, visto como uma unidade de decisão em um território, de estabelecer o 
que é de sua competência e o que não lhe cabe decidir. 
Atenção! A soberania pode ser concebida sob duas óticas: a soberania interna repre-
senta o poder do Estado em relação às pessoas e coisas em seu interior (isto é, ao direito de 
impor suas regras dentro do seu território). A soberania externa, por sua vez, representa 
a igualdade jurídica conferida aos Estados (todos os países são juridicamente iguais e pos-
suem direitos e obrigações).
O art. 17 também discute a respeito do regime democrático. Brevemente, a título de com-
preensão do conteúdo, é importante sabermos que a democracia se define enquanto uma 
ideologia política que enxerga, no povo, a única fonte de legitimidade do poder. Isso signi-
fica que, de acordo com o pensamento democrático, o poder emana da população.
O regime democrático pode ser exercido de três formas, observemos:
 z De forma direta: pelo próprio povo;
 z De forma indireta: pelos representantes do povo;
 z De forma semidireta ou participativa: pela combinação dos dois critérios.
O regime democrático brasileiro possui traços da democracia indireta e da direta. O voto 
(universal, direto e secreto, com igual valor e realizado na localidade do domicílio eleitoral), 
por exemplo, é uma característica do regime democrático indireto, pois o povo, a partir de 
seu poder de sufrágio, escolhechefes legislativos e executivos em âmbito municipal, estadual 
e federal.
A democracia direta, por sua vez, encontra-se, no território brasileiro, nos plebiscitos, 
referendos e iniciativas populares (I, II e III, art. 14, da CF, de 1988), bem como em iniciati-
vas compartilhadas (XXXVIII e LXXIII, art. 5º; XII e XIII, art. 29; § 3º, art. 37; § 2º, art. 74; art. 
187; VII, parágrafo único, art. 194; II, art. 204; VI, art. 206 e art. 224, da CF, de 1988). 
Importante! A diferença entre o plebiscito e o referendo encontra-se no fato de que, 
no plebiscito, a população é chamada para se manifestar antes de o Estado elaborar a lei. 
Exemplo: no plebiscito de 1993, a população escolheu entre monarquia e república e entre 
parlamentarismo e presidencialismo. 
Por outro lado, no referendo, o Estado faz a legislação e depois a submete à população. 
Exemplo: Estatuto do Desarmamento.
No fluxograma abaixo, encontram-se as principais características do regime democrático. 
Vamos observá-las?
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DE
M
O
CR
AC
IA
Indireta
Voto
Iniciativa popular
Referendo
Plebiscito
Periódico
Universal
Secreto
Direto
Direta
Outra característica importante da democracia da República Federativa do Brasil (V, art. 1º, 
da Constituição Federal, de 1988) é o pluripartidarismo: para assegurar o regime democrá-
tico e a representatividade na defesa dos direitos fundamentais, devem coexistir diferentes 
entidades formadas pela livre associação de pessoas com ideologias comuns. A coexistência 
pacífica de diferentes pensamentos e posicionamentos ideológicos garante, dentre outros, a 
defesa e efetivação dos direitos fundamentais.
Nesse ponto, é importante mencionar que o caput, do art. 17, trata da liberdade na cria-
ção, fusão, incorporação e extinção dos partidos, ou seja, o partido é livre para definir 
sua criação, fusão, incorporação e extinção. No entanto, para tal, alguns preceitos devem ser 
observados, vejamos:
 z o caráter nacional do partido político (não é possível a existência de partidos regionais ou 
locais);
 z a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros 
ou de subordinação a estes (o partido político trata de interesse nacional, de modo que não 
pode possuir qualquer vínculo com outro Estado);
 z a prestação de contas à Justiça Eleitoral (que traça suas regras);
 z o funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
Dica
A lei que disciplina os partidos políticos é a Lei nº 9.096, de 1995.
Observa-se, entretanto, que, embora a CF, de 1988, tenha assegurado a livre criação, fusão 
e incorporação de partidos políticos, esta não é absoluta, visto que se encontra condicionada 
aos princípios do sistema democrático-representativo e do pluripartidarismo. Como conse-
quência, são consideradas constitucionais as normas que fortalecem o controle quantitativo 
e qualitativo dos partidos, desde que não haja afronta ao princípio da igualdade ou que não 
causem qualquer ingerência em seu funcionamento interno.
Nos termos da lei:
Art. 17 [...] 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e 
estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e 
provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de esco-
lha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração 
nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas 
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em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabele-
cer normas de disciplina e fidelidade partidária.
Se o caput, do art. 17, assegura a liberdade para criação dos partidos políticos, o parágrafo 
1º traz a cláusula de barreira, também chamada de cláusula de desempenho, que se refere 
à necessidade de desempenho mínimo do partido para que ele continue existindo. 
Neste ponto, faz-se necessário realizarmos algumas observações. A princípio, o art. 13, da 
Lei nº 9.096, de 1995, disciplinava a cláusula de barreira nos seguintes termos:
Lei nº 9.096, de 1995
Art. 13 Tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas para as 
quais tenha elegido representante, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputa-
dos obtenha o apoio de, no mínimo, cinco por cento dos votos apurados, não computados os 
brancos e os nulos, distribuídos em, pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de dois 
por cento do total de cada um deles.
No entanto, em dezembro de 2006, o Supremo Tribunal Federal (STF), na Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (ADI) nº 1.351, considerou que o art. 13, da Lei nº 9.096, de 1995, era 
inconstitucional por violar o fundamento do pluralismo político, uma vez que o art. 17 asse-
gurava a liberdade para criação dos partidos políticos de forma igualitária (todos os partidos 
deveriam ser iguais, independentemente do tamanho e ideologia, de modo a não existir par-
tidos de 1ª e 2ª categoria).
Ainda no ano de 2006, o parágrafo 1º foi acrescentado no art. 17 pela Emenda Constitucio-
nal (EC) nº 52, disciplinando o fim da verticalização, isto é, da obrigação de que os partidos 
políticos, em suas candidaturas federais, estaduais ou municipais, se unissem ou se enfren-
tassem. Portanto, se dois partidos decidem se enfrentar no plano federal, nada impede que, 
no âmbito estadual, eles se unam. Trata-se da necessidade de liberdade das agremiações 
políticas.
Pouco mais de 10 anos após a inclusão do parágrafo 1º, a EC nº 97, de 2017, alterou o dis-
positivo com a cláusula de barreira, que era apenas uma previsão legal (declarada como 
inconstitucional), para a Constituição Federal, trazendo, assim, a possibilidade de sua imple-
mentação. Trata-se do denominado ativismo congressual ou efeito backlash.
A cláusula de barreira estabeleceu, por exemplo, novas normas de acesso dos partidos 
políticos aos recursos do fundo partidário, bem como ao tempo de propaganda eleitoral gra-
tuita no rádio e televisão. Tal desempenho eleitoral exigido às legendas partidárias será apli-
cado de forma gradual até ser concretizado nas eleições de 2030, nos termos da EC nº 97, de 
2017.
Há de se mencionar, ainda, a vedação à celebração de coligações nas eleições proporcio-
nais, prevista no parágrafo 1º, do art. 17, que, nos termos da EC nº 97, de 2017, começou a ser 
aplicada a partir das eleições de 2020.
Vejamos o que dispõem os arts. 2º e 3º, da EC nº 97, de 2017: 
EC nº 94, de 2017
Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições proporcionais, prevista no § 1º do 
art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020.
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Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição Federal quanto ao acesso dos partidos 
políticos aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão 
aplicar-se-á a partir das eleições de 2030.
Parágrafo único. Terão acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no 
rádio e na televisão os partidos políticos que:
I - na legislatura seguinte às eleições de 2018:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% (um e meio por cen-
to) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com 
um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidades da Federação;
II - na legislatura seguinte às eleições de 2022:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2% (dois por cento) dos 
votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um míni-
mo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidadesda Federação;
III - na legislatura seguinte às eleições de 2026:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio por 
cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, 
com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidades da Federação.
A EC nº 97, de 2017, gerou, ainda, o fim das coligações nas eleições proporcionais, imple-
mentado a partir das eleições de 2020. Consequentemente, só é possível haver coligações nas 
eleições majoritárias, ou seja, para os cargos de Presidente, Governador, Prefeito e Senador. 
Art. 17 [...] 
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, 
registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.
Por serem considerados pessoas jurídicas de direito privado, os partidos políticos adqui-
rem sua personalidade jurídica a partir do registro em cartório de registros civis, nos 
termos do parágrafo 2º, art. 17. A natureza de pessoa jurídica de direito privado também 
consta do art. 1º, da Lei nº 9.096, de 1995. Assim, o partido político será criado de acordo com 
a lei civil, ou seja, com o Código Civil e com a Lei nº 6.015, de 1973 (Lei de Registros Públicos). 
Verifica-se, ainda, a necessidade de registro do estatuto no Tribunal Superior Eleitoral 
(TSE), mas, atenção: o registro no TSE não constitui o partido, pois sua natureza é apenas 
administrativa. 
Os requisitos para fundação de partidos políticos encontram-se disciplinados na Lei nº 
9.096, de 1995 e na Resolução do TSE nº 23.571, de 2018.
Importante! O art. 7º, da Lei nº 9.096, de 1995, basicamente repetiu o § 2º, art. 17, da CF, 
de 1988, no que se refere à aquisição da personalidade jurídica. No entanto, o § 1º, do art. 
7º, foi alterado pela Lei nº 13.107, de 2015, de modo a trazer regras de limitações quanto às 
assinaturas e tempo mínimo para fusão partidária. Como consequência, foi ajuizada, no STF, 
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a ADI nº 5.311. O STF considerou que a norma era constitucional e que fortalecia o controle 
quantitativo e qualitativo dos partidos. Posteriormente, a Lei nº 13.165, de 2015, alterou o 
parágrafo, incluindo a necessidade de criação de partidos políticos de assinaturas diferentes 
a fim de evitar que se conseguisse a quantidade necessária para criação de um partido polí-
tico e, posteriormente, que as mesmas pessoas criassem outros partidos decorrentes deste 
primeiro.
Art. 17 [...] 
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e 
à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: 
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) 
dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com 
um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos 
um terço das unidades da Federação.
O parágrafo 3º, do art. 17, disciplina a forma de distribuição dos recursos do fundo par-
tidário e direito de antena. De acordo com o dispositivo, a distribuição do dinheiro pro-
veniente do fundo partidário e a divisão de tempo de rádio e TV leva em consideração a 
representação do partido na Câmara dos Deputados. 
O fundo partidário é um Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos 
que, além do seu estatuto registrado no TSE, têm prestação de contas regular perante a Justiça 
Eleitoral. Além disso, esta, principal fonte de verbas dos partidos, é constituída por dotações 
orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros estabe-
lecidos no art. 38, da Lei nº 9.096, de 1995. Esses valores são repassados aos partidos políticos 
por meio do art. 41-A, da Lei nº 9.096, de 1995, que assim estabelece: 
Lei nº 9.096, de 1995
Art. 41-A Do total do Fundo Partidário: 
I - 5% (cinco por cento) serão destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos 
que atendam aos requisitos constitucionais de acesso aos recursos do Fundo Partidário; e
II - 95% (noventa e cinco por cento) serão distribuídos aos partidos na proporção dos votos 
obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. 
Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II, serão desconsideradas as mudanças de 
filiação partidária em quaisquer hipóteses.
Outro ponto importante é a vedação de doação a campanhas por pessoas jurídicas. 
Assim, passou a ser proibido que empresas doassem quantidades de dinheiro ou bens para 
patrocinar a campanha política dos pretensos candidatos.
Se a doação de pessoas jurídicas à campanha é proibida, o STF entendeu que essa vedação 
não se estende às pessoas físicas, desde que identificadas. Ressalta-se, todavia, que o Congres-
so Nacional criou, então, a figura do doador oculto, que, por sua vez, também foi proibida 
pelo STF. 
É importante estudarmos, ainda, as regras nos debates eleitorais e a possibilidade de 
convite por emissoras. Segundo a regra anterior, os candidatos de partidos políticos que 
não possuíam o número mínimo de representantes na Câmara dos Deputados poderiam 
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participar dos debates apenas se estivessem bem colocados na disputa eleitoral e se todos 
os outros candidatos concordassem. O STF, entretanto, relativizou a regra e permitiu que o 
convite de participação nos debates partisse das próprias emissoras. 
No que se refere à representação, o STF entende que o tempo a ser considerado é o da 
representação do partido na Câmara dos Deputados às vésperas da eleição e não o resultado 
da última eleição. Observemos o seguinte exemplo.
 z O DEM elegeu vários deputados federais em 2014, mas muitos deles migraram para o PSD, 
que não existia nessa eleição. Se prevalecesse a tese da eleição anterior, o DEM teria muito 
tempo de rádio, enquanto o PSD não teria nenhum.
Ademais, é importante lembrar que, de acordo com o STF, são válidas e possíveis as sátiras 
e crônicas envolvendo os políticos, uma vez que partem do direito à liberdade de expressão. 
Art. 17 [...] 
§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.
O parágrafo 4º, do art. 17, veda a utilização de organização paramilitar pelos partidos polí-
ticos. O objetivo do dispositivo é fazer com que as regras da democracia sejam respeitadas, isto é, 
impedir que o poder político seja adquirido pela força e não pelas ideologias e posicionamentos 
defendidos. Complementando esse parágrafo, o art. 6º, da Lei nº 9.096, de 1995, assim estabelece:
Art. 6º É vedado ao partido político ministrar instrução militar ou paramilitar, utilizar-se de 
organização da mesma natureza e adotar uniforme para seus membros.
Portanto, ao regulamentar esse dispositivo constitucional, a Lei nº 9.096, de 1995, também 
proibiu que partido político: 
 z ministrasse instrução militar ou paramilitar;
 z utilizasse de organização da mesma natureza; 
 z adotasse uniforme para seus membros.
Continuemos a análise da lei.
Art. 17 [...] 
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste artigo é 
assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro parti-
do que os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins de distribuição dos 
recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão.
Neste ponto, é importante tratarmos da fidelidade partidária. A parte final do § 1º, art. 
17, da CF, de 1988, dá autonomia para que os partidos políticos estabeleçam normas a respei-
to da fidelidade e disciplina partidárias. Em síntese, considera-se infidelidade partidária a 
mudança de partido sem que haja motivo justificado. Tal transferência de legendapode ou 
não ensejar na perda do cargo eletivo. 
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Dica
Segundo o STF, é possível existir o fenômeno dos “puxadores de votos” (candidatos que, 
em razão do quociente eleitoral para as eleições proporcionais, recebem um número de 
votos suficiente para eleger outros candidatos), porém, os candidatos a serem “puxados” 
devem demonstrar um mínimo de desempenho, ou seja, devem possuir, no mínimo, 1/10 
do quociente eleitoral. 
Art. 17 [...] 
§ 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os Vereado-
res que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, salvo 
nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei, 
não computada, em qualquer caso, a migração de partido para fins de distribuição de recursos do 
fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao rádio e à televisão.
Por fim, o parágrafo 6º trata das hipóteses de perda de mandato. A princípio, o STF ado-
tava o posicionamento de que o mandato pertencia ao partido político, ou seja, se o político 
saísse do partido pelo qual foi eleito, o seu mandato seria perdido. Posteriormente, conside-
rando que os eleitores votam no político, não no partido, o STF mudou de entendimento no 
que se refere às eleições majoritárias (Presidente, Governador, Prefeito e Senador). Como 
consequência, a fidelidade partidária passou a ser aplicada somente nas eleições proporcio-
nais (Deputados Federais, Estaduais, Distritais e Vereadores).
Complementando o dispositivo, o art. 26, da Lei nº 9.096, de 1995, estabelece:
Art. 26 Perde automaticamente a função ou cargo que exerça, na respectiva Casa Legis-
lativa, em virtude da proporção partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja 
legenda tenha sido eleito.
Ainda no que diz respeito à fidelidade partidária, é importante conhecermos algumas exce-
ções à perda do mandato. O ex-deputado Clodovil Hernandes, por exemplo, foi eleito por um 
partido. No entanto, durante seu mandato, sofreu situação de grave perseguição pessoal devido à 
sua orientação sexual. Por essa razão, Clodovil migrou de partido. Analisando o caso, o STF enten-
deu que, quando Clodovil trocou de partido, ele não perdeu o mandato, uma vez que foi reco-
nhecida a grave perseguição. No entanto, após o seu falecimento, o STF fixou o posicionamento 
de que a vaga não seria do partido que o recebeu, mas, sim, do partido que o elegeu. O deputado 
Alexandre Frota, por sua vez, foi expulso do partido pelo qual foi eleito, porém, a expulsão não 
acarretou a perda do mandato e o deputado manteve-se no cargo em outro partido.
Recentemente, a Emenda Constitucional nº 117, de 2022, incluiu os parágrafos 7º e 8º no art. 17. 
Este tema é importante, pois, por ser novidade, pode ser alvo de questões em concursos públicos. 
O parágrafo 7º estabelece que os partidos políticos devem aplicar, no mínimo, 5% dos recursos 
do fundo partidário na criação e manutenção de programas voltados à participação política das 
mulheres. Vejamos: 
§ 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos recursos do 
fundo partidário na criação e na manutenção de programas de promoção e difu-
são da participação política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
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O parágrafo 8º, por sua vez, dispõe que no mínimo 30% do montante do Fundo Especial de 
Financiamento de Campanha, da parcela do fundo partidário destinada às campanhas eleito-
rais e do tempo de propaganda gratuita nas mídias, deverá ser distribuído de forma proporcio-
nal ao número de candidatas de cada partido. O parágrafo ainda informa que essa distribuição 
deverá ser realizada seguindo critérios definidos pelos órgãos de direção e, também, pelas nor-
mas estatutárias de forma que sejam mantidos a autonomia e o interesse partidário. 
§ 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da parcela do fundo 
partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita no 
rádio e na televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas, deverão ser de 
no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional ao número de candidatas, e a distri-
buição deverá ser realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e 
pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
REFERÊNCIAS
BARBOSA, R. Oração aos Moços. Senado Federal, 2022. Disponível em: https://www2.sena-
do.leg.br/ bdsf/handle/id/564016. Acesso em: 25 out. 2022.
BRASIL. Extradição. Gov.br, 2016. Disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/
sua-prote cao/cooperacao-internacional/extradicao. Acesso em: 26 out. 2022.
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Quem tem direito ao FGTS? FGTS, 2024. Disponível em: 
https://www. fgts.gov.br/Pages/sobre-fgts/regras.aspx. Acesso em: 25 out. 2022.
CARVALHO, P. Estrangeiros expulsos podem ser impedidos de retornar ao Brasil. Folha BV, 
2018. Disponível em: https://folhabv.com.br/noticia/ CIDADES/Capital/Estrangeiros-expul-
sos-podem -ser-impedidos-de-retornar-ao-Brasil/42563. Acesso em: 26 out. 2022.
RAMOS, L. O impedimento e a repatriação de estrangeiros no Brasil. Jus.br, 2016. Disponí-
vel em: https://jus.com.br/artigos/50095/o-impedimen to-e-a-repatriacao-de-estrangeiros-
-no-brasil. Acesso em: 26 out. 2022.
SIQUEIRA, C. Aprovado o decreto que coloca o País em estado de calamidade pública. 
Câmara dos deputados, 2020. Disponível em: https://www.gov. br/planalto/pt-br/acompa-
nhe-o-planalto/notas-ofi ciais/2020/copy_of_nota-a-imprensa. Acesso em: 10 out. 2020.
ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO ESTADO 
ESTADO FEDERAL BRASILEIRO 
Federação é a organização política, administrativa e jurídica formada por uma população 
em um território determinado. O Estado Federado é constituído por um conjunto de esta-
dos-membros autônomos unidos por uma Constituição, mas somente a Federação como um 
todo é considerada soberana, bem como cada estado-membro é considerado uma unidade 
federativa que possui poder político descentralizado. 
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Sendo assim, são componentes da República Federativa: a União, os estados, o Distrito 
Federal e os municípios, conforme descrito no art. 18, da Constituição Federal. Vejamos o 
dispositivo:
Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende 
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta 
Constituição.
§ 1º Brasília é a Capital Federal.
§ 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou 
reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se ane-
xarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da 
população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei 
complementar.
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei 
estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de con-
sulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação 
dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.
A descentralização é basicamente quando as funções atribuídas a um só poder passam a 
ser repartidas, por exemplo, com a delegação das competências.
Conforme o § 1º, art. 18, da CF, atualmente Brasília é a capital federal. Trata-se de uma 
inovação do legislador constituinte de 1988. Conforme preleciona José Afonso da Silva (2017),Brasília tem uma posição jurídica específica no conceito de cidade, até porque não se enqua-
dra nesse conceito geral pelo fato de não ser sede de um município. 
Além disso, o art. 19, da Constituição Federal, elenca uma série de vedações para a União, 
estados, Distrito Federal e municípios, vejamos o dispositivo:
Art. 19 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento 
ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na 
forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
UNIÃO 
A União é a entidade federativa autônoma e exerce as atribuições de soberania do Estado 
brasileiro. Conforme preleciona Pedro Lenza (2020), a União possui “dupla personalidade”, 
assumindo um papel internamente, como pessoa de direito público interno, componente da 
Federação e detentor de autonomia financeira, administrativa e política, e um papel interna-
cionalmente, representando a República Federativa do Brasil. 
A União representa o Estado brasileiro nas relações internacionais, perante os Estados 
estrangeiros. Rege-se pelo princípio da independência nacional, prevalência dos direitos 
humanos, autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade entre os Estados, defesa 
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da paz, solução pacífica dos conflitos, repúdio ao terrorismo e ao racismo, cooperação entre 
os povos para o progresso da humanidade e concessão de asilo político (art. 4º, CF, de 1988).
As competências da União estão elencadas no texto constitucional, organizadas pelo legis-
lador originário com base no chamado princípio da predominância do interesse público pelo 
particular. Neste sentido, as atribuições de interesse nacional são de competência da União, 
por exemplo: declarar guerra e celebrar paz. 
As competências da União são classificadas como competência administrativa e legis-
lativa; a primeira se relaciona com as funções de organização do Estado, e a segunda é a 
competência de legislar. Veja os exemplos:
 z Competência administrativa: é competência de a União elaborar e executar planos 
nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social;
 z Competência legislativa: é competência da União legislar sobre nacionalidade, cidadania 
e naturalização.
O estudo das competências será abordado de forma mais aprofundada em tópico específi-
co na sequência deste material.
Cuidado para não confundir União com República Federativa do Brasil:
 z A República Federativa do Brasil é um Estado Federado, ou seja, é constituído por um 
conjunto de estados-membros. Vale ressaltar que os estados-membros são autônomos, 
pois são dotados de autonomia e autogoverno. Por outro lado, não são soberanos, uma vez 
que a soberana é somente a Federação como um todo. Em nosso pacto federativo o poder 
é descentralizado, pois a Constituição prevê núcleos de poder e concede autonomia para 
os seus entes (União, estados, municípios e Distrito Federal);
 z A União é uma entidade federativa, pessoa jurídica de direito público interno que integra 
a República Federativa do Brasil. É através da União que o país é representado nas rela-
ções internacionais. 
Os bens da União estão enumerados no art. 20, da Constituição Federal, que compreende: 
 z Terrenos de marinha: são os terrenos situados nas margens dos rios e lagoas, até onde 
haja influência das marés (vão de 1.831 até 33 metros para a parte da terra). Além destes, 
são também os que contornam as ilhas situadas em zona onde se faça sentir a influência 
das marés; 
 z Terreno acrescido de marinha: são terrenos acrescidos de marinha os que se tiverem 
formado, natural ou artificialmente, para o lado do mar ou dos rios e lagoas, em seguimen-
to nos terrenos de marinha (art. 2º, da Lei nº 3.438, de 1941);
 z Mar territorial: é a faixa de 12 milhas náuticas de largura, medidas a partir da linha 
de baixa-mar do litoral continental e insular. No Brasil, a costa é banhada pelo oceano 
Atlântico; 
 z Zona contígua: é a faixa do mar que se estende das 12 às 24 milhas marítimas, contadas a 
partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar territorial; 
 z Zona econômica exclusiva: compreende uma faixa que se estende das 12 às 200 milhas 
marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar 
territorial; é a faixa territorial do Atlântico. O Brasil tem soberania para fins de exploração 
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e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais, vivos ou não vivos, das 
águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo;
 z Plataforma continental: é a faixa de terra do fundo do mar, que vai até 200 m de profun-
didade, ou seja, compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem 
além do seu mar territorial. É uma importante área de exploração e pesquisa de petróleo 
(art. 11, da Lei nº 8.617, de 1993). 
Entenda melhor na ilustração a seguir: 
Veja o art. 20, do texto constitucional, que enumera os bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; 
Exemplo: ilhas, rios, mar territorial, entre outros, com exceção das terras de aldeamentos 
extintos, ainda que ocupadas por indígenas em passado remoto, conforme dispõe a Súmula 
nº 650, do STF. 
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções 
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;
As terras devolutas são terras que não têm destinação pública e, também, não integram o 
patrimônio de um particular. Exemplo: as terras devolutas situadas na Amazônia.
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem 
mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estran-
geiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;
Exemplo: o Rio Uruguai, que banha o estado de Santa Catarina e o estado do Rio Grande 
do Sul.
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IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; 
as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, 
exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas 
no art. 26, II;
Exemplo: a ilha do Bananal, situada no estado de Tocantins, considerada a maior ilha flu-
vial do Brasil, com 25.000 km2.
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
Exemplo: recursos minerais, como petróleo, extraído da plataforma continental.
VI - o mar territorial;
Exemplo: os navios estrangeiros no mar territorial brasileiro estão sujeitos aos regula-
mentos estabelecidos pelo Brasil.
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
Exemplo: os imóveis situados à beira-mar (até 33 metros para a parte da terra).
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
Para efeito de exploração, os potenciais hidráulicos dos rios pertencem à União, por exem-
plo, a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, localizada na cidade de Porto Velho, estado de 
Rondônia.
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
Exemplo: ferro, ouro, cobre etc.
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
Exemplo: Sítio Arqueológico, Parque Nacional do Catimbau, localizado no estado de 
Pernambuco. 
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
Exemplo: a terra tradicionalmente ocupada pelos indígenas no oeste de Santa Catarina, 
localizado entre os rios Chapecó e Chapecózinho, a 70 km de Chapecó, denominada como 
terra indígena Xapecó.
Ainda,a redação do § 1º, do mencionado dispositivo, foi modificada pela Emenda Consti-
tucional nº 102, de 2019, vejamos: 
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Art. 20 […]
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos 
para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, 
plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação finan-
ceira por essa exploração.
Conforme a atual redação, a Constituição prevê possibilidade da participação da União, 
dos estados, do Distrito Federal e dos municípios no resultado da exploração de petróleo ou 
gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos 
minerais.
Por conseguinte, a Constituição consagra a terra designada como faixa de fronteira, sendo 
esta a faixa de até 150 km de largura, ao longo das fronteiras terrestres, considerada funda-
mental para defesa do território nacional. Ainda, determina que a sua ocupação e utilização 
devem ser reguladas em lei. Vejamos o disposto no § 2º, do art. 20:
Art. 20 […]
§ 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, 
designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacio-
nal, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.
Competência exclusiva da União é indelegável, ou seja, não pode ser delegada a outro ente 
federativo, prevista no art. 21, da CF. Perceba que os incisos fazem menção à atuação e ação, 
veja:
Atenção! Colocou-se o art. 21, da CF, na íntegra, pois é muito cobrado em provas. Reco-
menda-se a leitura do dispositivo reiteradas vezes!
Art. 21 Compete à União:
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais;
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
III - assegurar a defesa nacional;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo 
território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;
Exemplo: em 2018 foi decretada a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro (Decre-
to nº 9.288, de 2018), uma medida excepcional de natureza militar com o objetivo de resta-
belecer a ordem pública e resolver algumas questões de segurança pública, principalmente 
nas comunidades. 
Continuando com o art. 21, da CF:
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;
VII - emitir moeda;
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financei-
ra, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previ-
dência privada;
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Exemplo: compete à União administrar os ativos financeiros em moeda estrangeira, ou 
seja, são as reservas internacionais, denominadas como reservas cambiais — é como um 
ativo do Banco Central do Brasil. Assim, cabe à União optar por vender esses ativos ou não. 
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvol-
vimento econômico e social;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de 
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação 
de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; 
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens;
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de 
água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária;
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras 
nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos 
Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombei-
ros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal 
para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio;
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de 
âmbito nacional;
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de 
rádio e televisão;
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especial-
mente as secas e as inundações;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de 
outorga de direitos de seu uso;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento bási-
co e transportes urbanos;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação;
XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopó-
lio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrializa-
ção e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e 
condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e 
mediante aprovação do Congresso Nacional;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos 
para pesquisa e uso agrícolas e industriais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 118, 
de 2022)
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c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, a comercialização e a utilização de 
radioisótopos para pesquisa e uso médicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
118, de 2022)
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa;
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em 
forma associativa.
XXVI - organizar e fiscalizar a proteção e o tratamento de dados pessoais, nos termos da lei. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022)
ESTADOS 
Os estados possuem autonomia para se organizarem (auto-organização), caracterizada 
por um autogoverno, autoadministração e autolegislação, em que o povo escolhe diretamen-
te os seus representantes no Poder Legislativo e Executivo local, sem que haja subordinação 
por parte da União (arts. 27, 28 e 125, da CF). Acompanhe esses conceitos a seguir:
 z Autogoverno: autonomia política para eleger seus representantes, por exemplo, eleição 
de Governador (arts. 27 e 28, da CF, de 1988);
 z Autoadministração: decorre das competências administrativas conferidas aos estados, 
por exemplo, estes poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, 
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios 
limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas 
de interesse comum (§ 3º, art. 25);
 z Autolegislação: tem competência de elaborar sua própria Constituição, ou seja, cada esta-
do tem autonomia de criar a sua própria constituição estadual, entretanto, esta deve sem-
pre obedecer à lei maior (CF, de 1988). 
Os estados organizam-se e regem-se pelas Constituiçõese leis que adotarem. Ainda, o art. 
25, da CF, consagra aos estados federados autonomia política e administrativa, com capacida-
de de elaborar suas próprias Constituições estaduais, obedecendo às diretrizes da Constitui-
ção Federal, de 1988. 
AUTOGOVERNO
Executivo
Governador do 
Estado
Legislativo
Assembleia 
Legislativa
Judiciário
Tribunais e Juízes
100
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Formação de Novos Estados
Na forma prevista do inciso VI, do art. 48, da CF, de 1988, a estrutura territorial do Brasil 
poderá ser modificada por meio de alteração dos limites territoriais dos diferentes entes 
federados existentes. Por exemplo, em 1988, o norte do estado de Goiás foi desmembrado, 
formando o estado de Tocantins.
Desse modo, tem-se a seguinte tabela para associação:
INCORPORAÇÃO SUBDIVISÃO DESMEMBRAMENTO
Fusão Cisão Separar uma ou mais partes de um estado
Além do mais,
Art. 48 Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida 
esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência 
da União, especialmente sobre:
[...]
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvi-
das as respectivas Assembleias Legislativas;
Ainda, conforme o art. 235, da Constituição, nos 10 primeiros anos de sua criação, a Assem-
bleia Legislativa será composta de 17 deputados, se a população do estado for inferior a 
600 mil habitantes, e de 24, se igual ou superior a este número, até 1,5 milhão. O governo 
terá, no máximo, 110 secretarias. O Tribunal de Contas terá três membros nomeados pelo 
governador eleito, dentre brasileiros de comprovada idoneidade e notório saber. O Tribunal 
de Justiça terá sete desembargadores; os primeiros desembargadores serão nomeados pelo 
governador eleito, escolhidos conforme dispõe o inciso V, do mencionado dispositivo:
a) cinco dentre os magistrados com mais de trinta e cinco anos de idade, em exercício na área 
do novo Estado ou do Estado originário;
b) dois dentre promotores, nas mesmas condições, e advogados de comprovada idoneidade e 
saber jurídico, com dez anos, no mínimo, de exercício profissional, obedecido o procedimento 
fixado na Constituição;
Caso o novo estado seja proveniente de Território Federal, os cinco primeiros desembar-
gadores poderão ser escolhidos dentre juízes de direito de qualquer parte do país. Em cada 
comarca, o primeiro juiz de direito, promotor de justiça e defensor público serão nomeados, 
pelo governador eleito, após concurso público de provas e títulos.
É possível a incorporação, a subdivisão e o desmembramento de estado, veja:
 z Incorporação: quando dois ou mais estados se unem com outro nome, perdendo sua per-
sonalidade por integrarem um novo estado. Por exemplo, se houvesse a incorporação do 
estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, passando a ser um só estado;
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 z Subdivisão: quando um estado se divide em novos vários estados, todos estes com perso-
nalidades diferentes. Por exemplo, o estado do Rio Grande do Sul deixa de existir, ou seja, 
o estado foi dividido em dois ou mais estados, cada um com personalidades distintas;
 z Desmembramento: hipótese de separar uma ou mais partes de um estado sem que este 
perca sua identidade. Por exemplo, como ocorreu com o estado de Goiás, formando o esta-
do de Tocantins. 
Veja os requisitos e procedimentos para a incorporação, a subdivisão e o desmembramen-
to do estado, conforme mencionado acima, no § 3º, art. 18, da CF.
1º: PLEBISCITO
Consulta prévia às populações diretamente interessadas (expressão da 
vontade e da opinião do povo, demonstrada através de votação)
Atenção! O plebiscito é condição prévia; caso não haja aprovação, não 
passará para a próxima fase
2º: PROPOSITURA 
DE PROJETO DE LEI 
COMPLEMENTAR
Caso a população seja favorável no plebiscito, será proposto projeto 
de lei complementar perante qualquer uma das casas do Congresso 
Nacional
3º: OITIVA DA 
ASSEMBLEIA
Oitiva das assembleias legislativas dos estados interessados
Atenção! Mesmo que a assembleia seja desfavorável, pode continuar o 
processo de formação do novo estado, não é vinculativo
4º: LEI 
COMPLEMENTAR
Aprovação de lei complementar pelo Congresso Nacional
O Congresso Nacional não é obrigado a aprovar, mas caso assim deci-
da, deverá ser conforme determina o art. 69, da CF, de 1988, pelo quó-
rum de maioria absoluta
Observação: abordamos o tema sanção e veto presidencial em título específico no tópico 
em que estudamos o processo legislativo, mais adiante neste material.
MUNICÍPIOS 
No Brasil, não só os estados-membros, mas também os municípios têm autonomia política, 
ou seja, o nosso pacto federativo é formado pela União, estados, Distrito Federal e municípios. 
Tal autonomia está prevista no caput, do art. 18, da CF, de 1988; vamos rever o dispositivo 
acima elencado.
Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende 
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta 
Constituição. 
Como exemplo da autonomia municipal, podemos citar a capacidade de normatização, 
que consiste na capacidade do município de elaborar a sua própria lei orgânica e demais 
legislações municipais.
Conforme o art. 30, do texto constitucional, os municípios têm competência legislativa 
local, ou seja, podem legislar sobre assuntos de interesse local, suplementando a legislação 
federal e estadual no que couber. Por exemplo, é de competência do município a fixação do 
horário de funcionamento do comércio local (Súmula nº 645, do STF).
102
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Ainda, os municípios também têm autonomia política, por exemplo, têm a capacidade de 
eleger prefeito, vice-prefeito e vereadores sem a intervenção do Estado ou da União. Além 
de autonomia administrativa, ou seja, têm capacidade de atuar sobre assuntos de interesse 
local, por exemplo, cabe ao município promover a proteção do patrimônio histórico-cultural 
local. 
Formação de Novos Municípios
Existe, ainda, a autorização constitucional para a criação, incorporação, fusão e desmem-
bramento de municípios. Veja os requisitos e procedimentos para a incorporação, a subdivi-
são e o desmembramento de município (§ 4º, art. 18, da CF):
1°
Lei Complementar
Aprovação de lei complementar, fixando o 
período dentro do qual poderá ocorrer a criação, 
incorporação, fusão e o desmembramento
2°
Plebiscito + Estudo de viabilidade
Consulta prévia, mediante plebiscito, às 
populações dos municípios envolvidos, 
após divulgação dos estudos de viabilidade 
municipal, apresentados e publicados na forma 
da lei
3°
Lei Estadual
Aprovação de lei ordinária estadual 
formalizando a criação, incorporação, fusão ou 
desmembramento do município
Passaremos agora ao estudo das competências do município, vejamos: 
Art. 30 Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem 
prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços 
públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educa-
ção infantil e de ensino fundamental; 
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendi-
mento à saúde da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e 
controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a 
ação fiscalizadora federal e estadual.
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A fiscalização do município será exercida pelo Poder Legislativo municipal, mediante con-
trole externo, na forma do art. 31, vejamos:
Art. 31 A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante 
controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma 
da lei.
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de 
Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, 
onde houver.
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve 
anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da 
Câmara Municipal.
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de 
qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, 
nos termos da lei.
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
Nesta esteira, temos que o município terá dois tipos de controle:
 z Controle interno: controle realizado pelo próprio Poder Executivo municipal, o qual é 
exercido pelo prefeito, que é a autoridade executiva do município. 
 z Controle externo: controle feito pela câmara municipal, através dos vereadores, que são 
os representantes do povo. 
DISTRITO FEDERAL 
Vale a pena lembrar que no art. 32, da CF, o legislador dispõe sobre o Distrito Federal, o 
qual tem competência cumulativa, ou seja, a lei distrital pode ter conteúdo estadual e muni-
cipal (§ 1º, art. 32; arts. 147 e 155, da CF).
Art. 32 O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica, vota-
da em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara 
Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e 
Municípios.
§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos 
Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para manda-
to de igual duração.
§ 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.
§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da 
polícia penal, da polícia militar e do corpo de bombeiros militar.
 z A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no 
que lhe for contrária;
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 z Regulamento de Uber (exemplo) deve ser feito através de lei federal, mas quem fiscaliza 
é o município, ora compete à lei federal regulamentar transporte de pessoas que utilizam 
o aplicativo16;
 z STF considerou que lei estadual não pode isentar cobrança de estacionamento de esta-
belecimentos comerciais17. Da mesma forma, considerou que lei estadual não pode alterar 
data de vencimento das mensalidades escolares18;
 z STF também já considerou que compete aos municípios legislar sobre tempo de fila em 
banco. Tema de Repercussão Geral nº 27219.
Por fim, vejamos algumas súmulas vinculantes20 importantes sobre o tema abordado:
Súmula Vinculante nº 2 É inconstitucional a lei ou ato normativo Estadual ou Distrital que 
disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
Súmula Vinculante nº 38 É competente o Município para fixar o horário de funcionamento 
de estabelecimento comercial.
Súmula Vinculante nº 39 Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos 
membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
Súmula Vinculante nº 46 A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento 
das respectivas normas de processo e julgamento são de competência legislativa privativa da 
União.
A Constituição Federal, de 1988, conferiu ao Distrito Federal natureza de ente federativo 
autônomo, com capacidade de auto-organização, autogoverno e autoadministração, sendo 
proibida a possibilidade de subdivisão em municípios (caput, art. 32). Como exemplo de auto-
nomia do Distrito Federal, podemos citar sua capacidade para criar a sua lei orgânica, bem 
como a capacidade de eleger seu governador e vice-governador, sem interferência da União 
nas eleições.
A sede do governo do Distrito Federal é Brasília, conforme consagra a Lei Orgânica, do DF, 
no seu art. 6º.
Conforme § 1º, art. 32, da CF, ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas 
reservadas aos estados e municípios, cumulativamente. Entretanto, conforme o § 4º, do dis-
positivo em comento, a lei federal disporá sobre a utilização, pelo governo do DF, da polícia 
civil, da polícia penal, da polícia militar e do corpo de bombeiros militar, ou seja, estes são 
mantidos diretamente pela União. 
TERRITÓRIOS 
Os territórios federais são divisões administrativas da União, sem pertencer a qual-
quer estado; podem surgir da divisão de um estado-membro ou desmembramento, exis-
tindo autonomia administrativa, mas não política, ou seja, os estados podem subdividir-se 
ou desmembrar-se para formarem territórios federais, mediante aprovação da população 
16 Lei nº 13.640, de 26 de março de 2018.
17 ADI 4862/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.08.2016, DOU 07.02.2017.
18 ADI 1007/PE, Rel. Min. Eros Grau, julgado em 31.08.2005, DOU 16.03.2016.
19 RE 610221RG, rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 29.04.2010, DOU 20.08.2010.
20 Súmula Vinculante é decisão editada pelo STF, por reiteradas decisões em matéria constitucional. 
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diretamente interessada, por meio de plebiscito, e do Congresso Nacional, por intermédio de 
lei complementar. 
Entretanto, no caso de criação de um território, o texto constitucional não exige a realiza-
ção de plebiscito, porém nada impede que possa ocorrer. 
Sendo que os territórios, a partir da CF, de 1988, não são considerados entes federativos, 
servem para que a União administre áreas que não possuem um governo estadual, ou seja, 
trata-se apenas de uma mera autarquia em regime especial que é designada para adminis-
trar parcela de território do país. 
Atualmente não existem mais territórios federais no Brasil, inclusive a própria Consti-
tuição Federal, de 1988, no Ato das Disposições Gerais Transitórias, art. 14, transformou os 
territórios federais de Roraima e do Amapá em estados federados.
Como vimos, atualmente, no Brasil não existem mais territórios federais. Entretanto, con-
forme o § 2º, art. 18, da CF, acima disposto, há uma autorização constitucional para sua cria-
ção, a qual deve ser regulada em lei complementar, veja:
Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende 
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta 
Constituição.
§ 1º Brasília é a Capital Federal.
§ 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou 
reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
REFERÊNCIAS
LENZA, P. Direito constitucional esquematizado. 24ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020, p. 497.
SILVA, F. A. Curso de direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 476.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
A administração pública tem suas regras disciplinadas nos arts. 37 a 41, da CF, de 1988.
Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiênciae, também, ao seguinte:
Conforme se observa do caput, do art. 37, a administração pública divide-se em adminis-
tração pública direta, que é composta pelos quatro entes federativos (União, estados, muni-
cípios e Distrito Federal), e administração pública indireta, composta pelas autarquias, 
fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas.
Via de regra, a administração pública submete-se a um regime jurídico de direito público, 
ou seja, a sua atuação independe da concordância dos administrados, pois se funda na pró-
pria soberania estatal.
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O regime jurídico de direito público faz com que a administração se sujeite a limites, que, 
por vezes, são mais estritos do que aqueles a que estão submetidos os particulares. Como 
exemplo, se pode citar o dever de observância da finalidade pública.
Esse regime de prerrogativas e sujeições para a administração pública encontra-se expres-
so em forma de princípios. 
De acordo com o dispositivo, são princípios que regem a administração pública direta e 
indireta: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
O princípio da legalidade estabelece a sujeição da administração pública aos mandamen-
tos da lei. A legalidade traduz o sentido de que a administração pública somente pode fazer o 
que a lei manda ou permite, bem como somente pode proibir o que a lei expressamente proíbe.
O princípio da impessoalidade traz a neutralidade necessária para o exercício da ativi-
dade administrativa. Destinado tanto ao administrador como ao administrado, esse princípio 
impõe a objetividade e a isonomia da conduta administrativa.
O princípio da moralidade diz respeito à moral administrativa. Segundo ele, os atos da 
administração pública devem ser balizados nas matrizes éticas dominantes. A finalidade do 
princípio é fixar limites à atuação da administração, evitando, por exemplo, o excesso de 
poder ou desvio de finalidade.
O princípio da publicidade exige a divulgação dos atos da administração pública com o 
objetivo de permitir o conhecimento e o controle por toda a sociedade, pois ao administrador 
compete agir com transparência.
Por fim, o princípio da eficiência impõe à administração a obrigação de realizar suas atri-
buições com rapidez, perfeição e rendimento, pois quem administra gere algo que pertence à 
sociedade. Assim, cabe ao administrador zelar pelos interesses públicos com plena satisfação 
do administrado e com o menor custo para a sociedade.
Dica
Para memorizar os princípios, utilize o mnemônico LIMPE:
z Legalidade;
z Impessoalidade;
z Moralidade;
z Publicidade;
z Eficiência.
Art. 37 […]
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham 
os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
No que se refere à forma de acesso por brasileiro naturalizado, há de se esclarecer, inicial-
mente, que se trata dos cargos não privativos de brasileiros natos, uma vez que os cargos 
privativos de brasileiro nato constam expressamente no § 3º, art. 12, da CF, de 1988. 
Observa-se que os cargos não privativos de brasileiros natos podem ser preenchidos por 
brasileiros (natos ou naturalizados) de forma ampla. Vale frisar que pode a lei estabelecer 
requisitos limitadores, tais como formação escolar, idade, entre outros. Em contrapartida, 
para que o estrangeiro possa ter acesso a tais cargos, a lei deve especificar as hipóteses de 
admissibilidade.
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Há que se fazer, aqui, duas observações quanto à aplicabilidade da norma. Com relação 
aos brasileiros, a norma constitucional é de eficácia contida, ou seja, todos os brasileiros têm 
acesso aos cargos, empregos e funções públicas. 
A norma infraconstitucional pode conter tais efeitos, estabelecendo critérios diferencia-
dos. Portanto, todos os brasileiros têm acesso a todos os cargos, empregos e funções desde 
que a norma não se restrinja.
Já para os estrangeiros, a norma constitucional é de eficácia limitada, ou seja, para que o 
estrangeiro tenha acesso, faz-se necessária norma infraconstitucional regulando a hipótese. 
Deste modo, os estrangeiros têm acesso somente aos cargos, empregos e funções públicos que 
a lei autorizar.
Art. 37 […]
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em con-
curso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexida-
de do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em 
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
O inciso II estabelece a necessidade de procedimento administrativo destinado à seleção 
das pessoas que irão ocupar empregos públicos ou cargos públicos de provimento efetivo ou 
vitalício. Trata-se, portanto, de uma forma de escolha para atender aos princípios da igualda-
de e da moralidade administrativa, evitando-se, com isso, que o ingresso no serviço público 
se dê por critérios de favorecimento pessoal ou nepotismo.
Os concursos públicos devem ser abertos a todos os interessados. Portanto, não se admite 
que a seleção ocorra de forma interna (concursos internos).
Cabe consignar que os concursos públicos podem ser de provas ou de provas e títulos. 
Deste modo, não se admite concurso apenas de títulos nem admissão sem concurso públi-
co. Observa-se, no entanto, que existem exceções à regra relativa aos concursos públicos 
para os seguintes casos:
 z cargos de mandato eletivo;
 z cargo comissionado;
 z contratação temporária por excepcional interesse público;
 z ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante a Segun-
da Guerra Mundial (inciso I, art. 53, ADCT);
 z outras hipóteses: 
 � ministros ou conselheiros dos Tribunais de Contas; 
 � ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), do STJ (Superior Tribunal de Justiça), 
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e do STM 
(Superior Tribunal Militar); 
 � integrantes do quinto constitucional dos Tribunais Judiciários.
Art. 37 […]
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, 
por igual período;
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O inciso III traz o prazo de validade do concurso público, que é de até dois anos. Assim 
sendo, cabe ao edital definir qual o prazo do concurso, não podendo, no entanto, ser superior 
a dois anos.
Além disso, é possível a prorrogação do prazo de validade por uma única vez e por igual 
período, ou seja, se o prazo de validade do edital é de um ano, ele somente poderá ser pror-
rogado por um ano. Aqui, cabe uma observação importante: a prorrogação só é possível ser 
feita enquanto não expirado o prazo inicial.
O candidato que for aprovado em concurso público dentro do número de vagas previstas 
no edital, estando tal concurso dentro do prazo de validade, possui o direito subjetivo de ser 
nomeado, assim como a prioridade na nomeação. Em contrapartida, o candidato aprovado 
fora do número de vagas possui mera expectativa de direito à nomeação, devendo submeter-
-se ao juízo de conveniência e oportunidade da administração.
Art. 37 […]
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em 
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre 
novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
O inciso IV regula a hipótese de novo concurso para o mesmo cargo enquanto os candidatos 
aprovados em certame anterior e com prazo de validade não expirado ainda não foram con-
vocados. Assim, estabelece a prioridade de convocação destes em face dos novos aprovados.
Importante!
Segundo entendimento do STF, para gozar da prioridade na nomeação, não basta ao candi-
dato a mera aprovação, sendo necessário que ele tenha sido classificado dentro do núme-
ro de vagas disponibilizadas noconcurso, ou seja, se o edital previu uma vaga e foram 
aprovados dois candidatos, somente o primeiro tem prioridade de nomeação. 
Art. 37 […]
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de car-
go efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos 
casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições 
de direção, chefia e assessoramento;
O inciso V trata de duas situações distintas: a função de confiança e o cargo de confian-
ça (em comissão). O cargo público é a unidade estrutural e funcional em que o servidor 
exerce suas atribuições e responsabilidades, ou seja, é o local dentro da estrutura organi-
zacional que deve ser atribuída a um servidor. Já função pública é a própria atribuição e 
responsabilidade.
Em regra, os cargos públicos somente podem ser criados, transformados ou extintos por 
lei. Assim, cabe ao Poder Legislativo, com a sanção do chefe do Poder Executivo, dispor sobre 
a criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas. 
A iniciativa da lei que cria, extingue ou transforma cargos, varia conforme o caso. Por 
exemplo, no caso dos cargos do Poder Judiciário, dos Tribunais de Contas e do Ministério 
Público, a lei será de iniciativa dos respectivos Tribunais ou procuradores-gerais.
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Excepciona a regra quando os cargos ou funções se encontrarem vagos, uma vez que a 
Emenda Constitucional nº 32, de 2001, possibilitou a extinção por meio de decreto do pre-
sidente da República. Com relação aos governadores e prefeitos, a extinção do cargo vago é 
possível se houver semelhante previsão nas respectivas constituições estaduais ou leis orgâ-
nicas (princípio da simetria).
No que se refere às garantias e características especiais, os cargos podem ser classificados 
em vitalícios, efetivos e comissionados:
 z cargo vitalício é aquele com a maior garantia em relação à permanência. Trata-se daque-
le destinado a receber o ocupante em caráter permanente, como no caso dos magistrados 
(inciso I, art. 95, CF, de 1988), os de membros do Ministério Público (alínea “a”, inciso I, § 5º, 
art. 128, da CF, de 1988) e os de ministros do Tribunal de Contas (§ 3º, art. 73, CF, de 1988). 
A vitaliciedade é adquirida após dois anos de efetivo exercício no cargo, e tais servidores 
só poderão ser demitidos por sentença judicial transitada em julgado;
 z cargo efetivo é aquele provido por concurso público, cujos integrantes possuem a estabi-
lidade, ou seja, após três anos de efetivo exercício, só poderão ser demitidos por decisão 
judicial transitada em julgado, processo administrativo disciplinar ou processo de avalia-
ção periódica de desempenho;
 z cargo em comissão é aquele preenchido de acordo com a confiança. Como regra, ele deve 
ser preenchido preferencialmente por servidores de carreira. Portanto, para os demais 
casos (pessoal de fora da administração), a nomeação deve ser exceção.
Além disso, é importante frisar que a nomeação aos cargos em comissão somente é pos-
sível para os cargos de chefia, direção ou assessoramento. Portanto, para as atribuições de 
execução e, não, para as atribuições técnicas e operacionais. 
Exemplo: cabe a nomeação para cargo em comissão de secretário de Transportes, por 
demandar conhecimento específico e confiança. Já para o motorista, isso não é cabível, pois, 
diferentemente do secretário, sua atribuição é meramente operacional e não demanda a 
relação de confiança.
Como regra, os cargos em comissão são de livre nomeação e exoneração (ad nutum). A 
exceção a essa regra é o que se intitula nepotismo (favorecimento de parentes em detrimento 
de pessoas mais qualificadas). É importante salientar que essa prática também pode ocorrer 
de forma cruzada. 
Por exemplo: quando autoridades, a fim de omitir o nepotismo, nomeiam para determina-
do cargo parentes um do outro de maneira recíproca.
Vejamos, a seguir, o texto da Súmula Vinculante nº 13, do STF, relativa ao tema:
Súmula Vinculante nº 13 (STF) A nomeação de cônjuge, companheiro, ou parente, em linha 
reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servi-
dor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para 
o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na admi-
nistração pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a CF.
A Súmula Vinculante nº 13 aplica-se apenas aos cargos de natureza administrativa, estan-
do de fora do seu âmbito as nomeações para cargos políticos. Exemplo: o STF considerou válida 
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a nomeação para o cargo de secretário estadual de Transportes de irmão de governador de 
estado sob a alegação de que o cargo em questão possuía natureza política (Rcl 6.650-MC-AgR).
Por fim, para o exercício da função de confiança, o pressuposto é que o nomeado já exerça 
cargo na administração. Exemplo: um escrevente técnico é nomeado para a função de assessor 
do juiz.
Atenção!
 z Função de confiança: deve ser agente público;
 z Cargo em confiança: pode ou não ser agente público.
Art. 37 […]
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
O inciso VI decorre do direito à liberdade do art. 5º, da CF, de 1988. Lembre-se: ninguém é 
obrigado a se associar ou a se manter associado.
Art. 37 […]
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
O direito de greve dos servidores públicos é diferente do direito dos demais trabalhado-
res da iniciativa privada. Enquanto estes podem interromper completamente suas ativida-
des, o servidor público precisa garantir que os serviços sejam mantidos e em percentual que 
possa atender à população. 
Trata-se da aplicação do princípio da continuidade, uma vez que não é possível a interrup-
ção total das atividades prestadas pela administração à população por serem estas essenciais 
e necessárias à coletividade. Para tanto, a norma constitucional prevê que os termos e limites 
devem ser estabelecidos em lei.
Ainda não foi elaborada lei para dar aplicabilidade ao inciso VII. Por essa razão, o STF 
proferiu a seguinte decisão nos autos do Mandado de Injunção 670-ES:
STF, MI 670-ES Mandado de injunção. Garantia fundamental (CF, Art. 5º, inciso LXXI). Direito 
de greve dos servidores públicos civis (CF, Art. 37, inciso VII). Evolução do tema na jurispru-
dência do Supremo Tribunal Federal (STF). Definição dos parâmetros de competência cons-
titucional para apreciação no âmbito da justiça federal e da justiça estadual até a edição da 
legislação específica pertinente, nos termos do art. 37, VII, da CF. Em observância aos ditames 
da segurança jurídica e à evolução jurisprudencial na interpretação da omissão legislativa 
sobre o direito de greve dos servidores públicos civis, fixação do prazo de 60 (sessenta) dias 
para que o Congresso Nacional legisle sobre a matéria. Mandado de injunção deferido para 
determinar a aplicação das Leis 7.701/1988 e 7.783/1989.
Seguimos com os incisos do art. 37, da CF, de 1988:
Art. 37 […]
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas porta-
doras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
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O inciso VIII estabelece a reserva de vagas para pessoas com deficiência. Trata-se de 
uma norma constitucional de eficácia limitada, ou seja, que depende da edição de lei infra-
constitucional para poder gerar os efeitos.
Com relação à reserva, cumpre salientar que as atribuições do cargo devem ser compatí-
veis com a deficiência. Ainda, a reservaé de até 20% das vagas oferecidas no concurso, isto é, 
a CF, de 1988, fixou apenas o limite máximo (teto) do número a ser reservado. 
O § 1º, art. 37, do Decreto nº 3.298, de 1999, estabelece o percentual mínimo de 5% das 
vagas e, no caso de o número obtido ser fracionado, o número de vagas será elevado até o 
primeiro número inteiro subsequente, ou seja, arredondado para cima.
Art. 37 […]
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a 
necessidade temporária de excepcional interesse público;
O servidor temporário se encontra disciplinado no inciso IX. Trata-se de uma categoria à 
parte, uma vez que não titulariza cargo público nem possui qualquer vínculo trabalhis-
ta regido pela CLT, sendo regida por regime especial veiculado por meio de lei específica de 
cada ente da federação. 
O servidor público exerce funções públicas sem ocupar cargos ou empregos públicos e 
sua contratação é por tempo determinado e para atender a necessidade temporária de 
excepcional interesse público. Por exemplo: agente sanitário em caso de surto de dengue.
Art. 37 […]
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa priva-
tiva em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de 
índices;
O inciso X trata da remuneração dos servidores públicos. Cumpre esclarecer, no entanto, 
que remuneração é o gênero, do qual salário, vencimentos e subsídios são espécies. Salário é 
a contraprestação pecuniária paga aos empregados públicos, regidos pela CLT. Vencimento é 
a modalidade remuneratória da maioria dos servidores submetidos a regime jurídico estatu-
tário, englobando o vencimento-base e as vantagens pecuniárias. Já subsídio é uma parcela 
única, sem qualquer acréscimo, obrigatória para as seguintes categorias: 
 z membros de Poder (chefes dos Poderes Executivos, senadores, deputados, vereadores, 
magistrados), detentores de mandato eletivo, ministros de Estado e secretários estaduais 
e municipais; 
 z ministros ou conselheiros dos Tribunais de Contas; 
 z membros do Ministério Público; 
 z integrantes das carreiras pertencentes à Advocacia-Geral da União, à Procuradoria-Geral 
da Fazenda Nacional, às Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal e às Defensorias 
Públicas da União, DF e Territórios e Defensorias Públicas Estaduais (art. 135, CF);
 z servidores policiais integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Fer-
roviária Federal, Polícias Civis, Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
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Vejamos, a seguir, o texto da Súmula nº 679, do STF:
Súmula nº 679 (STF) A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto 
de convenção coletiva.
No que se refere à revisão, o dispositivo trata apenas da revisão geral, ou seja, do reajuste 
anual genérico, que tem por objetivo repor as perdas inflacionárias do período, sendo apli-
cável a todos os servidores. 
Portanto, não a confunda com reajuste específico, que é aquele aplicado apenas a alguns 
cargos ou carreiras funcionais, com a finalidade de evitar a defasagem remuneratória.
Art. 37 […]
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da 
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e 
dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, perce-
bidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natu-
reza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos 
Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legis-
lativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa 
inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros 
do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
Com relação ao teto do funcionalismo público, a CF, de 1988, estabeleceu duas regras. A 
primeira é a do teto geral, ou seja, o limite máximo de remuneração, que é o valor dos 
subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Já a segunda regra trata do deno-
minado subteto, ou seja, o teto para os estados, municípios e Distrito Federal. 
Vale destacar que o dispositivo previu duas hipóteses de subtetos: o teto único e o teto 
por Poder. O teto único tem, como base, a fixação de um valor máximo estabelecido para 
fins remuneratórios. Já o teto por Poderes faz com que cada ente político adote um subteto 
próprio para a fixação dos subsídios.
O Executivo tem, como subteto, os subsídios do governador. O Legislativo tem, como sub-
teto, os subsídios dos deputados estaduais, que, por sua vez, não poderão exceder 75% dos 
subsídios dos deputados federais. Por fim, o Judiciário adota, como subteto, o valor de 90,25% 
dos subsídios do Supremo Tribunal Federal, ressaltando que esse subteto se aplica tão somen-
te aos seus servidores, e não aos membros da Magistratura, pois a estes é aplicado o teto do 
Supremo Tribunal Federal.
Art. 37 […]
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão 
ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;
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A isonomia dos vencimentos dos servidores dos três poderes está disciplinada no inciso 
XII. Sua finalidade é manter a paridade.
É importante o texto da Súmula Vinculante nº 37, do STF:
Súmula Vinculante nº 37 (STF) Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislati-
va, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.
Art. 37 […]
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para 
o efeito de remuneração de pessoal do serviço público;
A vedação à vinculação e à equiparação de remunerações encontra-se prevista no inci-
so XIII. Sobre isso, vejamos o texto da Súmula nº 681:
Súmula nº 681 (STF) É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores 
estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.
Vale-se de atenção que há duas exceções à regra de não vinculação, quais sejam:
 z a equiparação de vencimentos e vantagens entre os ministros do TCU (Tribunal de Contas 
da União) e do STJ (§ 3º, art. 73, CF, de 1988);
 z a vinculação entre o subsídio dos ministros dos Tribunais Superiores e o subsídio mensal 
fixado para os ministros do STF (inciso V, art. 93, da CF).
Art. 37 […]
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados 
nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores;
O inciso XIV trata da vedação ao efeito repicão ou efeito cascata, ou seja, veda-se que 
a mesma vantagem seja repetidamente computada para o cálculo das demais vantagens. A 
finalidade do dispositivo é evitar que, na base de cálculo de uma vantagem remuneratória, 
seja acrescida outra vantagem. 
Por exemplo: se o servidor faz jus e recebe um adicional por tempo de serviço, não é pos-
sível inseri-lo na base de cálculo para a concessão de outra gratificação, como, por exemplo, 
uma gratificação de produtividade.
Art. 37 […]
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredu-
tíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, 
III, e 153, § 2º, I;
A irredutibilidade dos subsídios e dos vencimentos dos ocupantes de cargos, funções 
e empregos públicos encontra-seestabelecida no inciso XV. Trata-se da impossibilidade de 
redução do valor nominal, ou seja, se a remuneração é de R$ 5.000, não poderá reduzi-lo para 
valor inferior. No entanto, é possível que ocorra a redução real, ou seja, que o poder aquisiti-
vo desse valor seja atingido pela inflação.
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Art. 37 […]
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver 
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões 
regulamentadas; 
O inciso XVI trata da vedação de acumulação de cargos. Como regra, é vedada a acu-
mulação remunerada de cargos públicos. No entanto, é possível a acumulação se houver 
compatibilidade de horários entre os cargos e somente em três hipóteses.
A primeira se refere ao magistério e traz a possibilidade de acumular dois cargos de pro-
fessor (ex.: cargo de professor da rede municipal no período matutino e cargo de professor 
da rede estadual no período noturno). 
A segunda hipótese é a acumulação de um cargo de professor com outro técnico ou 
científico (ex.: cargo técnico em enfermagem em hospital estadual com carga horária com-
patível com cargo de professor de ensino médio estadual).
Por fim, é possível a acumulação de dois cargos privativos de profissionais da saúde, 
com profissões regulamentadas (ex.: cargo de dentista, em um município, durante o período 
matutino, com outro cargo de dentista, em outro município, no período vespertino).
Atenção! Cargos burocráticos não são considerados como técnicos. Para ser enquadrado 
como cargo técnico passível de acumulação, é necessária formação específica na área de 
atuação. Portanto, cargo técnico é aquele que requer conhecimento específico na área de 
atuação do profissional, com habilitação específica de grau universitário ou profissionalizan-
te (ensino médio).
Em síntese:
 z Regra: não acumulação de cargos públicos remunerados;
 z Exceção: acumulação de cargos públicos remunerados, quando há compatibilidade de 
horários e nas seguintes hipóteses: 
 � dois cargos de professor; 
 � um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
 � dois cargos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, 
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e 
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;
O inciso XVII estende a regra da não acumulação para a administração indireta. Portanto, 
a proibição aplica-se às autarquias, fundações e empresas públicas, sociedades de economia 
mista, bem como às suas subsidiárias, além das sociedades controladas direta ou indireta-
mente pelo poder público.
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Art. 37 […]
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas 
de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma 
da lei;
O inciso XVIII trata da precedência da administração fazendária e seus servidores fiscais 
aos demais setores administrativos. Isso significa dizer que, dentro da estrutura da admi-
nistração pública, esta deverá dar prioridade para os serviços atinentes à arrecadação dos 
tributos, por se tratar dos recursos essenciais ao seu funcionamento.
Art. 37 […]
XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de 
empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei comple-
mentar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
Para que uma autarquia seja criada, faz-se necessária a autorização legislativa (lei espe-
cífica), de modo a adquirir a personalidade jurídica com a própria lei. Em contrapartida, é 
preciso lei que autorize a criação das empresas públicas, sociedades de economia mista e 
fundações, devendo, posteriormente, ser registradas, a fim de adquirirem a personalidade 
jurídica. Ressalta-se, por fim, que, para as fundações, uma lei complementar deve definir as 
áreas de sua atuação.
LEI ESPECÍFICA LEI 
COMPLEMENTAR
z Cria as autarquias e às fundações públicas de direito público (já que 
estas últimas são equiparadas a autarquias);
z Autoriza a criação das demais entidades (empresa pública, sociedade 
de economia mista e fundações públicas de direito privado) 
Especifica a área 
de atuação das 
fundações 
Art. 37 […]
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das 
entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas 
em empresa privada;
Veja-se que em relação às subsidiárias e à participação em empresa privada há a necessidade 
de autorização legislativa, independentemente da vinculação, ou seja, não importa se é vincula-
da à entidade que é criada por lei. Para exemplificar, imaginemos uma subsidiária XY da autar-
quia X. A autarquia foi criada por lei, e sua subsidiária foi criada por autorização legislativa. 
Art. 37 […]
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alie-
nações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualda-
de de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de 
pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente 
permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cum-
primento das obrigações.
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Outra regra contida na Constituição é a exigência de licitação pública para contratação 
de obras, serviços, compras e alienações, ressalvados os casos de dispensa e inexigibili-
dade previstos em lei.
Vale frisar, aqui, que é assegurada a todos a igualdade de condições, com cláusulas que 
estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos ter-
mos da lei, a qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indis-
pensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
Art. 37 […]
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
cípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carrei-
ras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão 
de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, 
na forma da lei ou convênio.
O inciso XXII traz mais uma regra de prioridade da parte fiscal e de arrecadação. Assim, a 
administração tributária de qualquer dos entes da federação possui recurso prioritário para 
a realização de suas atividades.
Art. 37 […]
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públi-
cos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo 
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou 
servidores públicos.
O § 1º trata das regras de publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas 
dos órgãos públicos. Esse dispositivo é consequência direta do princípio da impessoalidade, 
pois tal publicidade deve ser de caráter informativo, educativo ou de orientação social, ou 
seja, a propaganda pública não pode ser um meio para promoção pessoal. 
É por esse motivo que não é permitido ao governador ou ao prefeito, por exemplo, conti-
nuar a utilizar o slogan de campanha após ser eleito, uma vez que vincularia aquela ativida-
de pública à sua pessoa.
Art. 37 […]
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a puni-
ção da autoridade responsável, nos termos da lei.
O § 2º traz a responsabilidadedo agente público pela não observância da regra de que, 
para contratação de pessoal, o concurso público é indispensável. Consequentemente, se hou-
ver ingresso de pessoal sem o devido processo de seleção, haverá nulidade da nomeação, 
devendo a autoridade sofrer as punições em conformidade com a norma infraconstitucional. 
Além disso, o prazo de validade do concurso também implica em nulidade da nomeação e 
responsabilidade do agente.
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Art. 37 […]
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública 
direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manu-
tenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da 
qualidade dos serviços; 
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, 
observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; 
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego 
ou função na administração pública. 
O § 3º remete à preocupação do legislador para que haja um controle social, de modo a 
estabelecer meios para que qualquer pessoa comunique as irregularidades ou ilegalidades 
praticadas pelos agentes públicos. Trata-se, portanto, da possibilidade de controle para evitar 
os atos de improbidade administrativa, ou seja, de condutas ilegais, desonestas, abusivas e 
incorretas.
Art. 37 […]
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos polí-
ticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao 
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
De acordo com o § 4º, as penalidades para os atos de improbidade são as seguintes: sus-
pensão dos direitos políticos; perda de função pública; indisponibilidade dos bens e res-
sarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível, ou seja, se aplica a penalidade 
administrativa cumulativamente com a sanção penal (se o fato constituir crime).
Dica
Para decorar os atos de improbidade administrativa, será necessário a memorização do 
mnemônico PARIS:
z Perda de função pública;
z Ação penal cabível (se for o caso);
z Ressarcimento ao erário;
z Indisponibilidade de bens;
z Suspensão dos direitos políticos.
Art. 37 […]
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agen-
te, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de 
ressarcimento.
Nos termos do § 5º, os prazos prescricionais e as ações de ressarcimento serão disciplina-
das em lei. Vale lembrar que a lei que disciplina as regras aplicáveis aos agentes públicos nos 
casos de improbidade administrativa é a Lei nº 8.429, de 1992. 
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Art. 37 […]
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de ser-
viços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a 
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
O § 6º trata da responsabilidade civil objetiva do Estado, o que significa que o Estado é 
responsável civilmente pelos atos praticados por seus agentes ou pelos prestadores de ser-
viço público de forma objetiva, isto é, independentemente de culpa. Trata-se da chamada 
teoria do risco administrativo.
Portanto, o Estado é responsável quando um de seus agentes, no desempenho da função, 
gera dano a um terceiro, independentemente da comprovação de dolo ou culpa, sendo 
necessário, apenas, demonstrar o nexo causal da atividade do agente e o dano de terceiro. 
Cumpre mencionar, por necessário, que é possível ao Estado ingressar com ação regressi-
va para cobrar do agente o valor que pagou a esse terceiro. No entanto, ao contrário do que 
ocorre com o Estado, a responsabilidade do agente é subjetiva, ou seja, para que ele seja res-
ponsabilizado civilmente, é preciso demonstrar que houve dolo ou culpa. Em relação a isso, 
vejamos, de forma simples o exposto no fluxograma a seguir:
Agente causa dano a 
um terceiro por dolo ou 
culpa
Terceiro entra com ação 
contra o Estado 
Estado pleiteia o 
ressarcimento em 
decorrência do fato 
praticado pelo terceiro
Estado indeniza o 
terceiro lesado
Entende-se por pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços públicos as 
empresas públicas, sociedades de economia mista e as concessionárias e permissionárias, 
isto é, aquelas empresas selecionadas por procedimento licitatório para desempenhar servi-
ço público. Por exemplo: serviço de transporte público urbano.
Art. 37 […]
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da 
administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas.
O § 7º pressupõe a existência de regras éticas de conduta das autoridades da administra-
ção pública, de modo a tentar minimizar a possibilidade de conflito entre o interesse privado 
e o dever funcional. Ainda, se objetiva a criação de mecanismos, a fim de regulamentar o 
acesso às informações.
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Art. 37 […]
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da 
administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firma-
do entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de 
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: 
I - o prazo de duração do contrato; 
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilida-
de dos dirigentes; 
III - a remuneração do pessoal.
O § 8º busca alcançar melhores resultados na administração pública por meio da criação 
de novos instrumentos no âmbito do direito público, de modo a conferir maior autonomia ou 
estabelecer parcerias com entidades privadas sem fins lucrativos. Dessas medidas, atente-se 
para o contrato de gestão. 
Entende-se por contrato de gestão o contrato administrativo firmado pelo poder público 
na condição de contratante e entidade privada ou da administração indireta, no qual é ins-
trumentalizada parceria. 
Art. 37 […]
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia 
mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Fede-
ral ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral.
As regras com relação ao teto e subteto de remuneração são estendidas aos empregados 
das empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como às suas subsidiárias. No 
entanto, conforme o disposto no § 9º, incidirá sobre as remunerações de diretores de empre-
sas estatais que receberem recursos dos entes da federação para pagamento de despesas de 
pessoal ou de custeio em geral, como, por exemplo, nos casos da Embrapa (Empresa Brasilei-
ra de Pesquisa Agropecuária) e da Radiobras.
O modo pelo qual a Lei Complementar nº 101, de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), 
denomina as empresas públicas e sociedades de economia mista se encaixa como “empresa 
estatal dependente”, expressão disposta no § 9º.
Art. 37 […]
§ 10 É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do 
art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, 
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os 
cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.
O § 10 veda a percepção simultânea de proventos de aposentadoria com remuneração de 
cargo, emprego ou função pública, ressalvada a hipótese de cargos acumuláveis, na forma da 
Constituição, cargos eletivos e cargos em comissão. 
Esse dispositivo foi acrescentado pelaEmenda Constitucional nº 20, de 1998, que também 
resguardou o direito daqueles servidores aposentados que, até a data da promulgação da 
emenda, retornaram à atividade antes da proibição. 
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Importante!
A proibição aplica-se aos servidores públicos efetivos e aos militares, tanto das Forças 
Armadas como das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
Vejamos a repercussão geral reconhecida com mérito julgado pelo STF: 
Há remansosa jurisprudência desta Corte nesse sentido, afirmando a impossibilidade da acu-
mulação tríplice de cargos públicos, ainda que os provimentos nestes tenham ocorrido antes 
da vigência da EC 20/1998. [...] o art. 11 da EC 20/1998 possibilita a acumulação, apenas, de 
um provento de aposentadoria com a remuneração de um cargo na ativa, no qual se tenha 
ingressado por concurso público antes da edição da referida emenda, ainda que inacumulá-
veis os cargos. Em qualquer hipótese, é vedada a acumulação tríplice de remunerações, sejam 
proventos, sejam vencimentos. (ARE 848.993 RG)
Art. 37 […]
§ 11 Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso 
XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
O § 11 traz uma regra com relação ao teto e subteto do funcionalismo público. Trata-se do 
não cômputo das verbas indenizatórias, tais como diárias, ajuda de custo, entre outras, no 
limite remuneratório. 
Art. 37 […]
§ 12 Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e 
ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei 
Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal 
de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal 
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos 
subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores.
O dispositivo regulamenta a possibilidade de fixação do subteto de forma única. Nesse 
caso, o valor máximo da remuneração para todo e qualquer servidor corresponderá ao sub-
sídio dos desembargadores do Tribunal de Justiça, ficando de fora desse subteto apenas o 
subsídio dos deputados e dos vereadores.
Vejamos a decisão do STF no julgamento da ADI 6.221 MC:
A faculdade conferida aos Estados para a regulação do teto aplicável a seus servidores (art. 
37, § 12, da CF) não permite que a regulamentação editada com fundamento nesse permissivo 
inove no tratamento do teto dos servidores municipais, para quem o art. 37, XI, da CF, já esta-
belece um teto único.
Art. 37 […] 
§ 13 O servidor público titular de cargo efetivo poderá ser readaptado para exercício 
de cargo cujas atribuições e responsabilidades sejam compatíveis com a limitação que tenha 
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sofrido em sua capacidade física ou mental, enquanto permanecer nesta condição, desde que 
possua a habilitação e o nível de escolaridade exigidos para o cargo de destino, mantida 
a remuneração do cargo de origem.
O § 13 trata da possibilidade de readaptação do servidor público. A readaptação é o pro-
vimento derivado que consiste na investidura do servidor em cargo de atribuições e respon-
sabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou 
mental verificada em inspeção médica. Deste modo, o servidor será efetivado em cargo com 
atribuições semelhantes, respeitando-se a habilitação exigida, assim como o nível de escola-
ridade e a equivalência de vencimentos.
No caso de inexistir cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, per-
manecendo nessa situação até a ocorrência de vaga no cargo compatível.
Art. 37 […]
§ 14 A aposentadoria concedida com a utilização de tempo de contribuição decorrente 
de cargo, emprego ou função pública, inclusive do Regime Geral de Previdência Social, 
acarretará o rompimento do vínculo que gerou o referido tempo de contribuição.
O § 14 disciplina o rompimento do vínculo quando o agente público solicita aposentadoria 
e se utiliza do tempo de contribuição decorrente daquele cargo, emprego ou função pública. 
Assim, o servidor será desligado da administração pública.
Neste sentido, o agente público que pretende se aposentar não poderá mais continuar a 
trabalhar no local em que utilizou o tempo para comprovação de contribuição.
Art. 37 […]
§ 15 É vedada a complementação de aposentadorias de servidores públicos e de pen-
sões por morte a seus dependentes que não seja decorrente do disposto nos §§ 14 a 16 do art. 
40 ou que não seja prevista em lei que extinga regime próprio de previdência social.
O § 15 proíbe toda espécie de complementação que não seja aquela decorrente de Regime 
de Previdência Complementar, como, por exemplo, as complementações com base na Lei 
Estadual (São Paulo) nº 200, de 1974, pagas a ex-empregados e a seus dependentes da Nossa 
Caixa, BANESPA, SABESP, VASP e FEPASA.
Art. 37 […]
§ 16 Os órgãos e entidades da administração pública, individual ou conjuntamente, devem rea-
lizar avaliação das políticas públicas, inclusive com divulgação do objeto a ser avaliado e 
dos resultados alcançados, na forma da lei.
O § 16 foi acrescido pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021, e tem como objetivo apri-
morar o mecanismo de participação da sociedade na administração pública. 
Art. 38 Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício 
de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: 
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, 
emprego ou função;
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II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe 
facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as 
vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, 
não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo 
de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência social, permanecerá filiado a 
esse regime, no ente federativo de origem. 
O art. 38 estabelece regras relativas ao servidor público da administração direta, autár-
quica e fundacional que passar a desempenhar cargo eletivo, ou seja, for eleito para o Poder 
Executivo ou Legislativo. 
Ao servidor público estadual, quando eleito para cargo eletivo federal, estadual e dis-
trital, aplica-se a seguinte regra: afastamento do cargo público estadual para se dedicar 
exclusivamente ao mandato, recebendo obrigatoriamente a remuneração do cargo para 
o qual foi eleito. 
Em contrapartida, quando o servidor público estadual é eleito para cargo eletivo munici-
pal, podem ocorrer duas situações distintas. Se o cargo é de prefeito, ele será afastado para 
dedicação exclusiva do cargo e pode escolher entre a remuneração do cargo público ou do 
cargo eletivo. 
Já se o cargo é de vereador, é necessário saber se há ou não compatibilidade de horário. 
Se houver compatibilidade de horários, ele não precisa se afastar, podendo exercer as 
duas atividades ao mesmo tempo, recebendo pelos dois. Se não houver compatibilidade, 
aplica-se a mesma regra do prefeito, ou seja, será afastado para dedicação exclusiva do 
cargo, podendo escolher entre a remuneração do cargo público ou do cargo eletivo. 
SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL
Eleito para cargo federal, es-
tadual ou distrital Eleito para cargo municipal
Afastamento do cargo públi-
co e remuneração do cargo 
eletivo
Prefeito Vereador
Afastamento do cargo e 
opção entre a remunera-
çãoeletiva ou do cargo
z Com compatibilidade de horá-
rio: não se afasta do cargo
z Sem compatibilidade de horá-
rio: aplica-se a mesma regra do 
prefeito
Para que a administração pública possa desempenhar suas atividades, ela necessita de 
pessoas que exerçam as atribuições dos órgãos públicos, ou seja, de agentes públicos. A 
expressão agente público é utilizada como gênero, designando toda e qualquer pessoa que 
exerça uma função pública, quer de forma remunerada ou gratuita, quer de natureza políti-
ca ou administrativa, quer com investidura definitiva ou transitória.
SERVIDORES PÚBLICOS 
Os agentes públicos dividem-se em quatro categorias, quais sejam:
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AGENTES 
PÚBLICOS Particulares em 
público
Servidores públicos
Agentes políticos
Militares
Os agentes políticos são aqueles que exercem as típicas atividades de governo, ou seja, 
são responsáveis por fixar as metas e diretrizes políticas do Estado, tais como os chefes do 
Poder Executivo (presidente, governador e prefeito e seus vices) e seus auxiliares diretos 
(ministros e secretários) e os membros do Poder Legislativo (senadores, deputados federais, 
deputados estaduais e vereadores). 
Os particulares em colaboração com o poder público são aqueles que prestam serviços 
ao Estado, porém sem vínculo estatutário ou celetista de trabalho, podendo ou não ter remu-
neração. Exemplo: jurados, mesários, notários e registradores (serviços notariais). 
Os servidores públicos civis dividem-se em:
 z Servidores públicos estatutários: exercem cargo público (vitalício, efetivo ou comissio-
nado) e estão vinculados a um estatuto;
 z Empregados públicos: possuem emprego público e vinculam-se às regras da Consolida-
ção das Leis do Trabalho;
 z Servidores temporários: categoria à parte, porque não titularizam cargo público nem 
possuem qualquer vínculo trabalhista regido pela CLT, como os empregados públicos. São 
contratados por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcio-
nal interesse público por meio de um processo de seleção simplificado. Exercem funções 
públicas sem ocupar cargos ou empregos públicos e são regidos por regime especial, vei-
culado por meio de lei específica.
Os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas 
estão sujeitos ao regime jurídico de direito público administrativo, instituído em lei, a 
qual também instituirá planos de carreira. 
O regime adotado é o estatutário. Não obstante, a lei assegurará aos servidores isonomia 
de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo poder ou entre 
servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, excetuadas as vantagens de cará-
ter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho. 
A partir do art. 39, da CF, de 1988, inicia-se o tema quanto às regras aplicadas aos servido-
res públicos. Vejamos o que dispõem esses artigos:
Art. 39 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política 
de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos res-
pectivos Poderes. 
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remune-
ratório observará: 
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I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada 
carreira; 
II - os requisitos para a investidura; 
III - as peculiaridades dos cargos. 
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a forma-
ção e o aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos 
cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração 
de convênios ou contratos entre os entes federados. 
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, 
IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos dife-
renciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir. 
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secre-
tários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em 
parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba 
de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no 
art. 37, X e XI. 
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a 
relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em 
qualquer caso, o disposto no art. 37, XI. 
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do 
subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos. 
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplica-
ção de recursos orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada 
órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade 
e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionali-
zação do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. 
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos 
termos do § 4º. 
§ 9º É vedada a incorporação de vantagens de caráter temporário ou vinculadas ao 
exercício de função de confiança ou de cargo em comissão à remuneração do cargo 
efetivo.
No que tange ao art. 39, a primeira observação a ser feita é que o caput foi alterado pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998. No entanto, como sua eficácia se encontra suspensa 
devido à decisão do STF na ADI nº 2.135-4, é a redação original que se encontra em vigor. 
Vejamos:
Art. 39 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua 
competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração 
pública direta, das autarquias e das fundações públicas.
A CF, de 1988, estabelece regras para a fixação dos padrões de vencimento e dos demais 
componentes do sistema remuneratório, que deverá observar: a natureza, o grau de respon-
sabilidade e a complexidade dos cargos que compõem cada carreira; os requisitos para a 
investidura nos cargos e as demais peculiaridades dos cargos. 
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Tais requisitos poderão influenciar na fixação dos vencimentos e dependem de aprovação 
de lei específica, assim como para o seu aumento, alteração ou criação de nova vantagem 
pecuniária.
Por lei, também serão estabelecidos os reajustes diferenciados para corrigir equívocos, 
como no caso de servidores que desempenham atividades semelhantes, mas percebem valo-
res muito diferentes. Salienta-se que a revisão geral da remuneração dos servidores públicos, 
sem distinção de índices entre civis e militares, será feita. 
Com objetivo de garantir o aperfeiçoamento do profissional, o dispositivo estabelece a 
realização de cursos oficiais como requisito obrigatório para promoção na carreira, sendo 
facultada, para tanto, a celebração de convênios com os demais entes da federação. 
Outra regra de extrema importância é a que assegura ao servidor público civil da admi-
nistração pública direta, autárquica e fundacional os direitos previstos nos incisos IV, VII, 
VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, art. 7º, da CF, de 1988, e aos 
direitos que, nos termos da lei, visem à melhoria de sua condição social e da produtividade 
e da eficiência no serviço público, em especial o prêmio por produtividade e o adicional de 
desempenho. 
Atente-se aos limites de remuneração de servidores: 
 z Mínimo: salário mínimo;
 z Máximo: vide inciso XI, art. 37, da CF (EC nº 41, de 2003).
É importante conhecero texto da Súmula Vinculante nº 6, do STF:
Súmula Vinculante nº 6 Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior 
ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.
Art. 40 O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargos efetivos 
terá caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente federativo, de 
servidores ativos, de aposentados e de pensionistas, observados critérios que preservem o 
equilíbrio financeiro e atuarial. 
§ 1º O servidor abrangido por regime próprio de previdência social será aposentado: 
I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em que estiver investido, 
quando insuscetível de readaptação, hipótese em que será obrigatória a realização de avalia-
ções periódicas para verificação da continuidade das condições que ensejaram a concessão da 
aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente federativo; 
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (seten-
ta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar; 
III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, e aos 65 (ses-
senta e cinco) anos de idade, se homem, e, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, na idade mínima estabelecida mediante emenda às respectivas Constituições e 
Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição e os demais requisitos estabelecidos 
em lei complementar do respectivo ente federativo.
O art. 40, da CF, de 1988, regulamenta o Regime Previdenciário Próprio de Previdência 
Social (RPPS). Em síntese, o sistema previdenciário do servidor público foi alterado com a 
EC nº 103, de 2019, da seguinte forma: 
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 z Desconstitucionalização das regras de previdência, de modo que vários regramentos sobre 
aposentadoria e pensão passaram a ser de competência de lei infraconstitucional;
 z Nova mudança no cálculo da pensão;
 z Maior aproximação do RGPS (Regime Geral de Previdência Social) e RPPS;
 z Modificações no abono de permanência;
 z Previsão de readaptação antes de aposentadoria por incapacidade permanente;
 z Inclusão dos agentes políticos ocupantes de mandato eletivo nas regras do RGPS;
 z Exclusão da aposentadoria apenas por tempo de contribuição;
 z Regras especiais para carreiras policiais previstas na CF.
Art. 40 […]
§ 2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores ao valor mínimo a que 
se refere o § 2º do art. 201 ou superiores ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral 
de Previdência Social, observado o disposto nos §§ 14 a 16. 
§ 3º As regras para cálculo de proventos de aposentadoria serão disciplinadas em lei do 
respectivo ente federativo.
§ 4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefí-
cios em regime próprio de previdência social, ressalvado o disposto nos §§ 4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. 
§ 4º-A Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e 
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores com deficiência, pre-
viamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e 
interdisciplinar. 
§ 4º-B Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e 
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente 
penitenciário, de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do 
caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144. 
§ 4º-C Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade 
e tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores cujas atividades 
sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à 
saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou 
ocupação. 
§ 5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade mínima reduzida em 5 (cinco) anos 
em relação às idades decorrentes da aplicação do disposto no inciso III do § 1º, desde que 
comprovem tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no 
ensino fundamental e médio fixado em lei complementar do respectivo ente federativo. 
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta 
Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio 
de previdência social, aplicando-se outras vedações, regras e condições para a acumulação de 
benefícios previdenciários estabelecidas no Regime Geral de Previdência Social. 
§ 7º Observado o disposto no § 2º do art. 201, quando se tratar da única fonte de renda formal 
auferida pelo dependente, o benefício de pensão por morte será concedido nos termos de lei do 
respectivo ente federativo, a qual tratará de forma diferenciada a hipótese de morte dos servi-
dores de que trata o § 4º-B decorrente de agressão sofrida no exercício ou em razão da função. 
No que tange à aposentadoria, suas modalidades são:
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 z Voluntária: quando se dá por livre e espontânea vontade, desde que cumpridos os requi-
sitos dispostos a seguir:
HOMEM MULHER
IDADE 65 anos 62 anos
TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO 25 anos 25 anos
TEMPO NO SERVIÇO PÚBLICO 10 anos 10 anos
TEMPO NA CARREIRA 5 anos 5 anos
No caso dos professores dos ensinos infantil, fundamental e médio, conta-se com a redu-
ção de cinco anos do requisito etário, ou seja, 60 anos para os homens e 57 anos para as 
mulheres. Vale salientar que essa regra não se aplica aos professores do ensino superior.
Vejamos o texto da Súmula nº 726, do STF:
Súmula nº 726 (STF) Para efeito de aposentadoria especial de professores, não se computa o 
tempo de serviço prestado fora da sala de aula.
 z Involuntária: quando se dá independentemente da vontade do servidor, em virtude de:
 � Incapacidade permanente, sendo necessário que se proceda à readaptação do servidor 
antes do procedimento para a aposentadoria;
 � Adimplemento de idade limite (aposentadoria compulsória aos 70 ou aos 75 anos de 
idade, na forma da Lei Complementar nº 152, de 2015).
Art. 40 […]
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter perma-
nente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. 
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou municipal será contado 
para fins de aposentadoria, observado o disposto nos §§ 9º e 9º-A do art. 201, e o tempo de 
serviço correspondente será contado para fins de disponibilidade. 
§ 10 A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição 
fictício. 
§ 11 Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusi-
ve quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras 
atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante 
resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na 
forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exonera-
ção, e de cargo eletivo. 
§ 12 Além do disposto neste artigo, serão observados, em regime próprio de previdência social, 
no que couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social.
§ 13 Aplica-se ao agente público ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado 
em lei de livre nomeação e exoneração, de outro cargo temporário, inclusive mandato eletivo, 
ou de emprego público, o Regime Geral de Previdência Social. 
§ 14 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por lei de iniciativa 
do respectivo Poder Executivo, regime de previdência complementar para servidores públicos 
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ocupantes de cargo efetivo, observado o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de 
Previdência Social para o valor das aposentadorias e das pensões em regime próprio de previ-
dência social, ressalvado o disposto no § 16. 
§ 15 O regime de previdência complementar de que trata o § 14 oferecerá plano de benefícios 
somente na modalidade contribuição definida, observará o disposto no art. 202 e será efetiva-
do por intermédio de entidade fechada de previdência complementar ou de entidade aberta de 
previdência complementar. 
A CF, de 1988, estabelece, ainda, o direito de utilizar, para fins de aposentadoria, o tempo 
de serviço desempenhado em outro ente da Federação ou na iniciativa privada. Por exemplo: 
uma pessoa que trabalhou oito anos em uma empresa antes de ser aprovada em concurso 
público estadual pode considerar esse tempo no cálculo final do tempo de serviço.
 z Regra: veda-se a aposentadoria especial;
 z Exceção: consulte os seguintes parágrafos: 4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º, art. 40. Em síntese:
 � Servidores com deficiência;
 � Agente penitenciário;
 � Agente socioeducativo;
 � Policial das carreiras do art. 144 (Segurança Pública) e policiais da Câmara e do Senado 
Federal;
 � Atividades que prejudiquem à saúde (aquelas exercidas com efetiva exposição a agen-
tes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes).
Art. 40 [...]
§ 16 Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser apli-
cado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de 
instituição do correspondente regime de previdência complementar. 
§ 17 Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no § 
3º serão devidamente atualizados, na forma da lei. 
§ 18 Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo 
regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios 
do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabe-
lecido para os servidores titulares de cargos efetivos. 
§ 19 Observados critérios a serem estabelecidos em lei do respectivo ente federativo, o servi-
dor titular de cargo efetivo que tenha completado as exigências para a aposentadoria volun-
tária e que opte por permanecer em atividade poderá fazer jus a um abono de permanência 
equivalente, no máximo, ao valor da sua contribuição previdenciária, até completar a idade 
para aposentadoria compulsória. 
Além disso, a constituição federal estabelece que será vedado mais de um regime próprio 
de previdência, vejamos as disposições pertinentes:
Art. 40 [...]
§ 20 É vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social e de mais 
de um órgão ou entidade gestora desse regime em cada ente federativo, abrangidos todos 
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os poderes, órgãos e entidades autárquicas e fundacionais, que serão responsáveis pelo seu 
financiamento, observados os critérios, os parâmetros e a natureza jurídica definidos na lei 
complementar de que trata o § 22. 
§ 21 (Revogado). 
§ 22 Vedada a instituição de novos regimes próprios de previdência social, lei complementar 
federal estabelecerá, para os que já existam, normas gerais de organização, de funcionamento 
e de responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre outros aspectos, sobre: 
I - requisitos para sua extinção e consequente migração para o Regime Geral de Previdência 
Social; 
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de utilização dos recursos; 
III - fiscalização pela União e controle externo e social; 
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; 
V - condições para instituição do fundo com finalidade previdenciária de que trata o art. 249 e 
para vinculação a ele dos recursos provenientes de contribuições e dos bens, direitos e ativos 
de qualquer natureza; 
VI - mecanismos de equacionamento do deficit atuarial; 
VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do regime, observados os princípios relacio-
nados com governança, controle interno e transparência; 
VIII - condições e hipóteses para responsabilização daqueles que desempenhem atribuições 
relacionadas, direta ou indiretamente, com a gestão do regime; 
IX - condições para adesão a consórcio público; 
X - parâmetros para apuração da base de cálculo e definição de alíquota de contribuições ordi-
nárias e extraordinárias.
Assim, nota-se a preocupação do constituinte em definir parâmetros e diretrizes para asse-
gurar o regime de previdência aos servidores públicos. Ademais, é também garantido pela 
constituição federal a estabilidade aos concursados, após três anos do exercício efetivo do 
cargo, conforme elenca o artigo 41, vejamos:
Art. 41 São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo 
de provimento efetivo em virtude de concurso público. 
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: 
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; 
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei com-
plementar, assegurada ampla defesa. 
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegra-
do, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito 
a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração 
proporcional ao tempo de serviço. 
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em dis-
ponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado 
aproveitamento em outro cargo. 
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação espe-
cial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
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Por fim, o art. 41, da CF, de 1988, trata da estabilidade, que prevê a regra de que a esta-
bilidade é adquirida após três anos de efetivo exercício. Trata-se de uma garantia cons-
titucional de permanência no serviço público outorgada ao servidor aprovado em concurso 
público e nomeado a cargo de provimento efetivo que tenha transposto o período de estágio 
probatório e sido aprovado na avaliação especial de desempenho. Uma vez efetivo, o servi-
dor só perderá o cargo em três hipóteses: sentença judicial transitada em julgado; proces-
so administrativo e procedimento de avaliação periódica de desempenho.
Assim, para a contratação de pessoal na administração pública, é realizado concurso 
público para preenchimento de cargos públicos. Com isso, a pessoa que foi aprovada dentro 
do número de vagas previstas no certame tem o direito de ser nomeada para o cargo públi-
co. Com a nomeação, essa pessoa assina o termo de posse e pode, a partir de então, exercer 
efetivamente o cargo público.
Nos primeiros três anos de exercício, esse servidor passa por um período de avaliação. 
Trata-se do estágio probatório, ou seja, um período durante o qual será analisado seu desem-
penho funcional. Completados três anos de serviço público e tendo sido aprovado no estágio 
probatório, o servidor adquire a denominada estabilidade.
O dispositivo estabelece, ainda, a possibilidade de reintegração, ou seja, o retorno, por 
meio de decisão judicial, do servidor público ilegalmente desligado ao cargo de origem 
ou ao cargo resultante de sua transformação. Salienta-se que ele fará jus ao recebimento 
de todas as vantagens que teria auferido no período em que ficou desligado, inclusive das 
promoções por antiguidade que teria conquistado.
Importante!
É possível, também, que decisão administrativa invalide a demissão.
No caso de o cargo anteriormente ocupado pelo servidor ter sido extinto, ele será reinte-
grado ao serviço público, porém ficará em disponibilidade remunerada até seu adequadoaproveitamento em outro cargo. Já no caso de o cargo provido ter sido ocupado por outro 
servidor, o ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização, ou 
aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade enquanto o servidor reinte-
grado voltará a exercer o seu cargo.
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições orga-
nizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
O artigo supramencionado trata do regime jurídico dos militares dos estados, Distrito 
Federal e dos territórios, de forma que são os membros das Polícias Militares e Corpos de 
Bombeiros Militares. Nesse sentido, essas instituições são organizadas com base na hierar-
quia e disciplina, seguindo os princípios das Forças Armadas, conforme está disposto nos 
parágrafos subsequentes deste mesmo dispositivo.
Art. 42 [...]
§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que 
vier a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, 
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cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as 
patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores. (Redação dada pela Emen-
da Constitucional nº 20, de 15/12/98)
Serão aplicadas aos militares estaduais e distritais, para tanto, as mesmas normas cons-
titucionais que regem os militares federais, no que tange à inelegibilidade, ao regime previ-
denciário e à organização das instituições. 
Nesse sentido, a lei estadual específica deve dispor sobre as matérias relativas à definição 
das Forças Auxiliares e reserva da Polícia Militar, aos direitos, deveres, remuneração, prerro-
gativas e outras situações especiais dos militares estaduais e distritais. Outrossim, as patentes 
dos oficiais são conferidas pelos governadores, tanto dos estados quanto do Distrito Federal.
Art. 42 [...]
§ 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios aplica-se 
o que for fixado em lei específica do respectivo ente estatal. (Redação dada pela Emenda Cons-
titucional nº 41, 19.12.2003) 
Em se tratando de pensionistas dos militares estaduais e distritais, será aplicado o que for 
fixado em lei específica do ente estatal respectivo, uma vez que deverão ser observado os 
critérios estabelecidos para o regime próprio de previdência social dos servidores públicos.
Art. 42 [...]
§ 3º Aplica-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios o disposto no art. 
37, inciso XVI, com prevalência da atividade militar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
101, de 2019)
Os militares estaduais, distritais e territoriais estão sujeitos à mesma regra que os demais 
servidores públicos civis quanto à proibição de acumular cargos, empregos ou funções públi-
cas remuneradas, salvo as exceções previstas no texto constitucional.
A regra, por sua vez, está disposta no inciso XVI, do art. 37, da CF, de 1988, que estabelece 
que a acumulação remunerada de cargos públicos só é permitida quando houver compatibi-
lidade de horários e nos casos de dois cargos de professor; um cargo de professor com outro 
técnico ou científico; e de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com 
profissões regulamentadas, tais como estabelece as alíneas do inciso referido, do art. 37. 
Diante disso, o parágrafo supramencionado determina que a atividade militar tem preva-
lência sobre as demais atividades, independentemente da sua competência, de forma que o 
servidor, que é militar, deve priorizar o cumprimento de suas obrigações militares em relação 
aos outros cargos, empregos ou funções que eventualmente venha a acumular. Isto é, quando 
incorporado às Forças Armadas ou quando convocado para o serviço ativo, deverá afastar-se 
do exercício das demais atividades e cumprir a obrigação militar de forma integral.
Art. 43 Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo com-
plexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades 
regionais.
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Por sua vez, o art. 43, da CF, de 1988, estabelece que, para fins de administração pública, a União 
tem a possibilidade de coordenar suas ações em uma mesma área geográfica que é tanto econômi-
ca quanto socialmente complexa. Para tanto, o objetivo dessa coordenação é a promoção do desen-
volvimento dessa região, visando à redução das desigualdades entre diferentes partes do país.
Art. 43 [...]
§ 1º Lei complementar disporá sobre:
I - as condições para integração de regiões em desenvolvimento;
II - a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regio-
nais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados jun-
tamente com estes.
A abordagem do dispositivo esclarece que uma lei complementar, que se trata de um tipo 
específico de lei que requer um procedimento legislativo mais rigoroso, deverá estabelecer 
condições para a integração de regiões em desenvolvimento. 
Isso significa que dada forma legislativa deve determinar como que as diferentes áreas 
geográficas podem ser classificadas como “regiões em desenvolvimento”. 
Ademais, também, deverá definir como serão compostos os organismos regionais que serão 
responsáveis por implementar os planos regionais dentro do contexto dos planos nacionais 
de desenvolvimento econômico e social.
Art. 43 [...]
§ 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei:
I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de custos e preços de responsabilidade 
do Poder Público; 
II - juros favorecidos para financiamento de atividades prioritárias;
III - isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas 
físicas ou jurídicas;
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social dos rios e das massas de água repre-
sadas ou represáveis nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas. 
O § 2º, destarte, detalha os incentivos que poderão ser oferecidos para as regiões em 
desenvolvimento, tais como a igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros custos, bem como 
taxas de juros favoráveis, isenções, reduções ou adiamento temporário de impostos federais. 
Também menciona sobre a prioridade para o aproveitamento econômico e social dos rios e 
corpos de água nas regiões de baixa renda, que são propensas a secas periódicas.
Art. 43 [...]
§ 3º Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União incentivará a recuperação de terras áridas 
e cooperará com os pequenos e médios proprietários rurais para o estabelecimento, em suas 
glebas, de fontes de água e de pequena irrigação.
Finalmente, o último parágrafo, do art. 43, da CF, de 1988, trata de medidas que o gover-
no federal poderá adotar para promover o desenvolvimento econômico e social de regiões 
menos desenvolvidas do país, incluindo a concessão de incentivos econômicos e a implemen-
tação de políticas específicas para essas áreas.
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PODER EXECUTIVO 
INTRODUÇÃO
O Poder Executivo é o órgão constitucional cuja função principal, ou típica, é a prática dos 
atos de chefia de Estado, de governo e de administração. Entretanto, de forma atípica, tam-
bém legisla e julga contenciosos administrativos por meio da edição de medidas provisórias.
Do Presidente e do Vice-Presidente da República (Poder Executivo Federal)
Conforme já abordado anteriormente, o nosso país é regido pelo sistema presidencialista, 
em que as funções de chefe de Estado estão na figura do presidente da República, conforme o 
art. 76, da CF. No âmbitofederal, o Poder Executivo é representado pelo presidente da Repú-
blica com o auxílio dos ministros de Estado.
Desta forma, o art. 76, da CF, de 1988, estabelece que:
Art. 76 O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros 
de Estado.
O presidente da República e seu vice têm um mandato de quatro anos e são eleitos pelo 
sistema majoritário absoluto.
No sistema majoritário absoluto, ganha a eleição o candidato que conseguir a maioria de 
votos (o primeiro número inteiro depois da metade do total) avaliados em primeiro ou em 
segundo turno, sendo:
 z Primeiro turno: realizado no primeiro domingo de outubro;
 z Segundo turno: realizado no último domingo de outubro.
Conforme a alínea “a”, inciso VI, § 3º, art. 14, da CF, de 1988, o presidente da República deve 
ter a idade mínima de 35 anos e ser brasileiro nato (conforme expõe o inciso I, § 3º, art. 12, 
da CF, de 1988).
Art. 14 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, 
com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
A Constituição consolidou o direito do povo de eleger seus representantes, pelo sufrágio 
universal e voto secreto. 
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Por conseguinte, ainda se tratando do art. 14, este consagra que é possível uma reelei-
ção para um período subsequente. Entretanto, atualmente, não é mais possível um terceiro 
mandato seguido. Sobre este aspecto, é importante frisar que a reeleição não é uma cláusula 
pétrea, podendo ser retirada da Constituição.
Art. 14 [...]
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e 
quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para 
um único período subsequente.
Atenção! O § 3º, art. 12, da CF, relaciona os cargos privativos de brasileiro nato:
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
Poder Executivo Estadual e Distrital
No âmbito estadual, o chefe do Executivo é o governador do respectivo estado-membro, 
com mandato de quatro anos, também eleito pelo sistema majoritário absoluto. Ele tem como 
auxiliares diretos os secretários estaduais — no Distrito Federal, os secretários distritais. 
O governador de estado deve ser cidadão brasileiro, com idade mínima de 30 anos, confor-
me determina a alínea “b”, inciso VI, § 3º, art. 14, da CF, de 1988.
Art. 14 [...]
VI - a idade mínima de: 
[...]
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
[...]
Poder Executivo Municipal 
No âmbito municipal, o Poder Executivo é comandado pelo prefeito, que deve ser cidadão 
brasileiro e, conforme o inciso VI, § 3º, art. 14, da CF, ter idade mínima de 21 anos. O mandato 
é de quatro anos, contando com o auxílio dos secretários municipais. 
O chefe do Poder Executivo municipal é eleito pelo sistema majoritário absoluto para 
municípios com mais de 200 mil eleitores, e pelo sistema majoritário simples ou relativo 
para municípios com até 200 mil eleitores.
No sistema majoritário simples ou relativo, ganha a eleição o candidato que conseguir 
a maioria dos votos válidos, ou seja, ganha o mais votado em um só turno. Exemplo: 100 mil 
votos válidos. O processo eleitoral é realizado no primeiro domingo de outubro, sendo o sis-
tema utilizado, também, para a eleição de senadores. Se houver empate, ganha o mais idoso.
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Dica
z Município com mais de 200 mil eleitores: sistema de eleição majoritário absoluto;
z Município com até 200 mil eleitores: sistema de eleição majoritário simples ou relativo.
Em resumo:
PODER EXECUTIVO
FEDERAL ESTADUAL MUNICIPAL
z Presidente da República 
+ vice = mandato de quatro 
anos
z Auxiliares diretos: ministros 
do Estado
z Sistema de eleição majori-
tário absoluto
z Governador do estado + 
vice = mandato de quatro 
anos
z Auxiliares diretos:
� Estado: secretários 
estaduais
� Distrito Federal: secretários 
distritais
z Sistema de eleição majori-
tário absoluto
z Prefeito + vice = mandato 
de quatro anos
z Auxiliares diretos: secretá-
rios municipais
z Sistemas de eleição:
� Majoritário absoluto: muni-
cípios com mais de 200 mil 
eleitores
� Majoritário simples ou rela-
tivo: municípios com menos 
de 200 mil eleitores
Chefe de Estado e Chefe de Governo
Em se tratando dos cargos da administração governamental e estatal, em termos gerais, 
os chefes de Estado e chefes de governo se diferenciam pelos poderes, funções e responsabi-
lidades que são atribuídos a eles pela Constituição do Estado-Nação e pela tradição nacional.
Sendo assim, explana-se a respeito do cargo do chefe de Estado, uma vez que consiste no 
representante público mais elevado de uma nação. Seu papel excede a própria população 
e personifica os ideais e a longevidade do Estado, de forma que serve como um símbolo da 
legitimidade e da força de um país. 
Assim, normalmente sua imagem é imbuída de legitimidade e demonstração de força de 
um país. Para melhor visualização, tomemos por base a Inglaterra, onde o chefe de Estado é 
o então rei Charles III, desde o falecimento de sua mãe, a rainha Elizabeth II. 
No modelo inglês, o cargo de chefe de Estado é passado de maneira hereditária. Esse é um 
modo de organização diferente do aplicado no Brasil, mas é um exemplo bem ilustrativo das 
funções do cargo.
Ao cargo de chefe de governo cabe a liderança e a formulação de políticas públicas, eco-
nômicas e sociais. Além disso, ele também deve fazer a manutenção do funcionamento dos 
Poderes Executivo e Legislativo e instituir o diálogo entre os partidos, os atores institucio-
nais, o chefe de Estado e a população.
De maneira geral, o chefe de governo é a figura principal da política do país e o principal 
articulador das vontades da população. 
Diante disso, em regimes parlamentaristas, tal cargo ocupa, também, a posição de chefe do 
Legislativo, enquanto em regimes presidencialistas, como o brasileiro, as Casas do Congresso 
(Senado Federal e Câmara dos Deputados) são responsáveis por eleger seus líderes.
No Brasil, o sistema político comporta o chefe de Estado e o chefe de governo, sendo os 
cargos exercidos pela mesma pessoa, que é a figura do presidente da República. 
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O presidente do Brasil, para tanto, é eleito pelo voto popular para um mandato de quatro 
anos, podendo ser reeleito para outro mandato por igual período. 
Portanto, o Brasil adota o presidencialismo, que tem unificadas na figura do presidente 
da República as funções do chefe de Estado e chefe de governo. Sendo assim, o Poder Execu-
tivo brasileiro é monocrático.
Como chefe de Estado, o presidente representa o país nas suas relações internacio-
nais, e, como chefe de governo, exerce a liderança nacional, gerindo o país política e 
administrativamente.
Eleição do Presidente e Vice-Presidente da República
O presidente será eleito por maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os 
nulos. Entende-se por maioria absoluta: mais que a metade, o número subsequente à meta-
de, ou a metade mais um do número total de votantes. Quando o candidato mais votado não 
alcança a maioria absoluta, realiza-se segundo turno entre os dois mais votados.
Atenção! A maioria absoluta é diferenteda maioria simples. Esta consiste no maior 
resultado da votação, independentemente da exigência de quórum percentual relacionado 
à quantidade total de votantes. Por sua vez, a maioria absoluta consiste no primeiro número 
inteiro superior à metade do quórum mínimo exigido (50% + 1).
Requisitos de Elegibilidade do Presidente e Vice-Presidente
Os requisitos para um presidente ser eleito são:
 z ser brasileiro nato;
 z estar no gozo dos direitos políticos;
 z ter mais de 35 anos;
 z não ser inelegível;
 z possuir filiação partidária.
Art. 77 A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultanea-
mente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de 
outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presiden-
cial vigente. 
§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado.
§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obti-
ver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova elei-
ção em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais 
votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal 
de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um can-
didato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Art. 78 O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão do Congresso 
Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar 
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as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a indepen-
dência do Brasil.
Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-
-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago.
Ordem de Sucessão Presidencial no Caso de Impedimento ou Vacância
O presidente será eleito com um vice-presidente, companheiro de chapa. A eleição do pre-
sidente implica na eleição do vice com ele registrado.
O vice-presidente tem a função de auxiliar o presidente sempre que convocado para mis-
sões especiais, bem como será o substituto no caso de impedimento do presidente (art. 79, da 
CF). 
Ainda, conforme determina o art. 80, da CF, em caso de impedimento concomitante do pre-
sidente e do vice, ou em caso de vacância dos respectivos cargos, serão chamados ao exercí-
cio da presidência os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo 
Tribunal Federal (STF), sucessivamente, nessa ordem.
Presidente da Câmara dos Deputados
Presidente do Senado Federal
Presidente do STF
Temporário
Vice-presidente
Definitivamente ou 
temporário-interinamente
Definitivo
ORDEM DE SUBSTITUIÇÃO OU SUCESSÃO PRESIDENCIAL
Assim, em caso de impedimento ou vacância do cargo de presidente, este será substituído, 
nesta ordem, pelo:
 z vice-presidente;
 z presidente da Câmara dos Deputados;
 z presidente do Senado Federal;
 z presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Art. 79 Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o 
Vice-Presidente.
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem 
conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para 
missões especiais.
Art. 80 Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos res-
pectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da 
Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.
Art. 81 Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição 
noventa dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos 
os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da 
lei.
§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.
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Conforme consagra o art. 81, da CF, vagando os cargos de presidente e vice, far-se-á eleição em 90 
dias para se complementar o mandato, depois de aberta a última vaga. Ainda, caso ocorra a vacân-
cia nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será 
feita, pelo Congresso Nacional, em 30 dias depois da última vaga.
Nesse viés, torna-se importante perceber que o dispositivo em comento só é aplicado se 
não houver definitivamente presidente nem vice-presidente. 
Nos dois casos, de vacância antes (direta) e depois (indireta) de dois anos de mandato, 
serão eleitos novos presidentes e novos vice-presidentes para completar o mandato, o que 
chamamos de mandato-tampão.
É possível haver eleição indireta nas demais esferas federativas também, como para gover-
nador e prefeito.
Além disso, é necessário ressaltar que a Emenda Constitucional nº 111, de 2021, alterou a 
redação do art. 82, estabelecendo que o mandato do presidente da República terá início em 5 
de janeiro do ano seguinte ao de sua eleição. Veja:
Art. 82 O mandato do Presidente da República é de 4 (quatro) anos e terá início em 5 de janeiro 
do ano seguinte ao de sua eleição.
Art. 83 O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do Congresso 
Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de perda do cargo.
ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA 
Atribuições do Presidente da República 
Como chefe de governo e Estado, compete ao presidente da República as atribuições e res-
ponsabilidades trazidas no art. 84, da CF:
Art. 84 Compete privativamente ao Presidente da República:
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos 
para sua fiel execução;
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
VI - dispor, mediante decreto, sobre: 
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de 
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; 
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; 
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso 
Nacional;
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;
X - decretar e executar a intervenção federal;
XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura 
da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar 
necessárias;
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XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos 
em lei;
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, 
do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que 
lhes são privativos; 
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal 
e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, 
o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei;
XV - nomear, observadoo disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da 
União;
XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional 
ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas 
condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem 
pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orça-
mentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura 
da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
XXVIII - propor ao Congresso Nacional a decretação do estado de calamidade pública de âmbi-
to nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição.
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos 
incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da Repú-
blica ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas 
delegações.
Responsabilidade do Presidente da República
Os crimes de responsabilidade têm previsão tanto na Constituição Federal como na Lei nº 
1.079, de 1950, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de 
julgamento. Um exemplo de crime de responsabilidade seria o caso de o presidente da Repú-
blica cometer improbidade administrativa ou não obedecer a uma decisão do STF.
A Lei nº 1.079, de 1950, foi recepcionada pela Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental (ADPF) nº 378, que teve por objeto central a análise da compatibilidade do rito 
de impeachment de presidente da República, previsto na Lei nº 1.079, de 1950, com a Consti-
tuição, de 1988.
O crime de responsabilidade se trata de um ilícito político administrativo, definido em lei 
especial federal, que pode ser cometido no desempenho de funções e, como consequência, 
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resultar no impedimento para o exercício das funções públicas. Trata-se de um resultado 
obtido por meio do processo de impeachment.
O art. 85, da CF, dispõe sobre crimes de responsabilidade, ou seja, sobre atos do presidente 
da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra a existência 
da União, do livre exercício do ministério público e dos poderes constitucionais dos estados e 
DF, dos direitos políticos, individuais e sociais, da segurança interna do país, da probidade na 
administração, da lei orçamentária e do cumprimento das leis e decisões judiciais.
Qualquer cidadão é legitimado ativo para propor a acusação contra o presidente da Repú-
blica na Câmara dos Deputados pela prática de crime de responsabilidade, vejamos o dispo-
sitivo que segue:
Art. 85 São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra 
a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos 
Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de 
processo e julgamento.
PODER LEGISLATIVO: ESTRUTURA, FUNCIONAMENTO E 
ATRIBUIÇÕES 
INTRODUÇÃO
O Poder Legislativo no Brasil é bicameral, ou seja, é composto por duas Casas: a Câmara 
dos Deputados e o Senado Federal, sendo a primeira constituída por representantes do 
povo, e a segunda, por representantes dos estados-membros e do Distrito Federal (Lenza, 
2019). 
Assim, a função típica do Poder Legislativo é legislar, ou seja, elaborar as normas jurídicas 
gerais e abstratas, bem como administrar e julgar, em sua função atípica. 
Atenção! Vejamos exemplos de função atípica: controle de contas públicas, autorização 
para instauração de processos contra certas autoridades, julgamento de crimes de respon-
sabilidade etc. A fiscalização contábil conta com o auxílio do Tribunal de Contas da União — 
TCU (arts. 70 a 74, CF) e com o dos tribunais de contas dos estados e do Distrito Federal (art. 
75, CF, de 1988).
Do Congresso Nacional
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal formam, por sua vez, o Congresso Nacional. 
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Já o Poder Legislativo, em âmbito estadual, municipal, distrital e dos territórios federais, é 
do tipo unicameral, composto por uma única Casa legislativa. 
Nesse caso, em âmbito estadual, a assembleia legislativa é composta pelos deputados esta-
duais; no âmbito do Distrito Federal, há a Câmara Legislativa; por fim, há a câmara munici-
pal, constituída pelos vereadores, em âmbito municipal.
Art. 44 O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos 
Deputados e do Senado Federal.
Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
A legislatura é o período de quatro anos correspondente ao mandato de cada assembleia 
eleita, durante o qual as assembleias legislativas exercem suas funções. 
O mandato dos senadores tem duração de duas legislaturas (oito anos), enquanto o dos 
deputados dura apenas quatro anos (uma legislatura).
As Casas legislativas são, geralmente, formadas por três instâncias: mesa diretora, comis-
sões e Plenário. 
A mesa diretora tem funções administrativas sobre o funcionamento da Casa, e o presi-
dente da mesa é o responsável pelo processo legislativo. É ele quem organiza a pauta das 
reuniões e, portanto, decide quais assuntos serão examinados pelo Plenário. Tem o poder de 
obstruir as decisões do Executivo ou os projetos de lei dos parlamentares se não os colocar 
em votação.
A mesa do Congresso Nacional é presidida pelo presidente do Senado, e os demais cargos 
(primeira-vice-presidência, segunda-vice-presidência, primeira-secretaria, segunda-secreta-
ria, terceira-secretaria, quarta-secretaria e suplentes) são exercidos, alternadamente, pelos 
ocupantes de cargos equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, nos termos 
do § 5º, art. 57, CF.
As comissões podem ser permanentes — definidas pelos respectivos regimentos internos, 
com o poder para discutir e votar alguns projetos de lei sem passar pelo Plenário — e tempo-
rárias, criadas para tratar de assuntos específicos. 
As comissões também podem realizar audiências públicas com entidades da sociedade 
civil e convocar autoridades e cidadãos para prestar informações. O Plenário é a instância 
máxima e soberana no Legislativo para qualquer decisão. 
Nas votações, a decisão de cada um dos parlamentares é influenciada por vários fatores, 
dentre eles o programa do partido político ao qual cada parlamentar é filiado e os compro-
missos assumidos com as chamadas bases eleitorais.
No âmbito nacional, temos o Congresso Nacional, que é denominado bicameral, pois é 
composto pelas duas Casas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal — esse aspecto tam-
bém é chamado de bicameralismo federativo,uma vez que a composição é formada por 
representantes dos estados e do Distrito Federal. 
Nesse sentido, a composta por representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional 
para mandatos de quatro anos, sendo permitidas sucessivas reeleições.
No sistema proporcional, o eleitor escolhe ser representado por determinado partido e, 
preferencialmente, pelo candidato escolhido. Entretanto, caso o candidato escolhido não seja 
eleito, o voto será somado aos demais votos da legenda, compondo a votação do partido ou 
coligação.
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Cada estado será representado de acordo com a sua população, ou seja, quanto mais popu-
loso, maior será o número de representantes do ente federado nessa Casa. Ainda, conforme o 
§ 1º, art. 45, da CF, nenhuma unidade da Federação terá menos de oito ou mais de 70 depu-
tados, com exceção dos territórios (que, atualmente, não existem mais), que poderiam eleger 
quatro deputados federais.
Sistema proporcional é o modo eleitoral utilizado para a eleição de candidatos a deputa-
dos estaduais e federais e a vereadores por meio do sistema de lista aberta. 
Os votos computados são os de cada partido ou coligação e, em uma segunda etapa, os de 
cada candidato. Para conhecer os vencedores, deve-se, antes, saber quais foram os partidos 
políticos vitoriosos para, depois, dentro de cada agremiação partidária que conseguiu um 
número mínimo de votos, observar quais são os mais votados. Encontra-se, assim, os eleitos.
Para chegar ao resultado, aplicam-se os chamados quocientes eleitoral e partidário. O quo-
ciente eleitoral é definido pela soma do número de votos válidos dividida pelo número de 
cadeiras em disputa (CNJ, 2019).
Art. 45 A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema 
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Fede-
ral, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se 
aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da 
Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados.
§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados.
Já o Senado Federal é composto por representantes dos estados e do Distrito Federal, elei-
tos pelo sistema majoritário simples. Cada estado e o Distrito Federal elegem o número fixo 
de três senadores, com mandatos de oito anos. Ainda, cada senador será eleito com dois 
suplentes (art. 46, da CF).
Art. 46 O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, elei-
tos segundo o princípio majoritário.
§ 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro 
anos, alternadamente, por um e dois terços.
§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.
Os senadores são representantes dos estados e do Distrito Federal, eleitos pelo sistema 
majoritário.
O sistema majoritário é o modo eleitoral utilizado para a eleição do presidente da Repú-
blica, governadores de estado e do Distrito Federal, senadores e prefeitos de municípios com 
mais de 200 mil eleitores. Será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos. 
A exigência de maioria absoluta visa dar maior representatividade ao eleito. Nessas hipó-
teses, caso o candidato com maior número de votos não obtenha a maioria absoluta, deverá 
ser realizado segundo turno entre os dois candidatos mais votados, em razão do disposto no 
inciso II, art. 29, e no art. 77, da Constituição Federal (CNJ, 2019).
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Art. 47 Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de 
suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus 
membros.
Atribuições e Competência do Congresso Nacional
A maioria das pessoas se preocupa muito com as eleições para os cargos do Executivo, dan-
do menos importância aos deputados federais, estaduais, senadores e vereadores municipais. 
Entretanto, a esses representantes compete uma função típica tão importante quanto a de 
governar e administrar: a legislatura. São eles os responsáveis por pensar e fazer as leis que 
regem todo o país e que são aplicadas pelo Poder Judiciário.
Compete ao Congresso Nacional, com a sanção do presidente da República, nos termos do 
art. 48, CF, de 1988, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente 
sobre:
Art. 48 Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida 
esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência 
da União, especialmente sobre:
I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida 
pública e emissões de curso forçado;
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento;
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União;
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvi-
das as respectivas Assembléias Legislativas;
VII - transferência temporária da sede do Governo Federal;
VIII - concessão de anistia;
IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da 
União e dos Territórios e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito Federal; 
X - criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que 
estabelece o art. 84, VI, b; 
XI - criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública; 
XII - telecomunicações e radiodifusão;
XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações;
XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal.
XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, observado o que dispõem 
os arts. 39, § 4º; 150, II; 153, III; e 153, § 2º, I. 
Também compete exclusivamente ao Congresso Nacional, nos termos do art. 49, da CF:
Art. 49 É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem 
encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
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II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que 
forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, 
ressalvados os casos previstos em lei complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando 
a ausência exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspen-
der qualquer uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou 
dos limites de delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dis-
põem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; 
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de 
Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; 
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relató-
rios sobre a execução dos planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Execu-
tivo, incluídos os da administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa 
dos outros Poderes;XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a 
pesquisa e lavra de riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a 
dois mil e quinhentos hectares.
XVIII - decretar o estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 
167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição. 
Mesas do Congresso Nacional
As mesas são os órgãos diretivos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Con-
gresso Nacional. As mesas têm responsabilidade de administrar suas Casas; seus membros 
são eleitos pelos próprios parlamentares. 
A composição da mesa do Congresso Nacional pode ser alterada por regimentos; ela conta 
com mandatos de dois anos, devendo ser presidida pelo presidente do Senado; os demais car-
gos devem ser exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos equivalentes na Câmara 
dos Deputados e no Senado Federal, conforme determina o § 5º, art. 57, da CF. 
Ainda, a presidência é exercida pelo presidente do Senado. Veja as atribuições para as 
mesas nos seguintes artigos da CF: §§ 1º e 2º, art. 50; §§ 2º e 3º, art. 55; incisos II e III, art. 103.
Nesta esteira, vejamos o disposto no art. 50, da Constituição Federal:
Art. 50 A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, pode-
rão convocar Ministro de Estado, quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à 
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Presidência da República ou o Presidente do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços 
para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, impor-
tando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
§ 1º Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, 
ou a qualquer de suas Comissões, por sua iniciativa e mediante entendimentos com a Mesa 
respectiva, para expor assunto de relevância de seu Ministério.
§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos 
escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput 
deste artigo, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o não - atendimento, no 
prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas.          
Assim, a convocação das autoridades para prestar informações é obrigatória, ou seja, a 
ausência sem justificativa adequada configura crime de responsabilidade. Desta forma, as 
autoridades convocadas devem comparecer pessoalmente e fornecer as informações solici-
tadas pelo órgão legislativo.
Da Câmara dos Deputados
Conforme já estudado anteriormente, a Câmara dos Deputados é composta por deputados 
federais, representantes do povo, que, uma vez eleitos, devem manifestar a vontade popular 
em um mandato de quatro anos. 
O número de deputados federais será proporcional à população de cada estado e do Distri-
to Federal, não podendo cada estado e o DF ter menos que oito nem mais que 70 deputados 
federais. 
Além disso, os deputados federais devem ser brasileiros natos ou naturalizados, ser maio-
res de 21 anos, ter feito o alistamento eleitoral e estar em pleno exercício dos direitos polí-
ticos, bem como ter domicílio eleitoral na circunscrição e filiação partidária (Lenza, 2019).
As matérias de competência privativa dos deputados federais não dependerão de sanção 
presidencial, nos termos do caput, art. 48, da CF, e estão previstas no art. 51, da CF. Tais atri-
buições geram espécies normativas materializadas por meio de resoluções.
Art. 51 Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado;
II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
III - elaborar seu regimento interno;
IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção 
dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva 
remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; 
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.
O Senado Federal é composto de representantes dos estados e do Distrito Federal, eleitos 
segundo o sistema majoritário puro ou simples em um único turno, sendo que cada estado e 
o Distrito Federal terão três senadores com mandato de oito anos. 
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Será considerado vencedor o candidato que obtiver maior número de votos, por maioria 
simples. O Senado tem a mesma relevância e força dada à Câmara dos Deputados (Moraes, 
2018). 
Segundo Lenza (2019), cada estado e o Distrito Federal elegerão três senadores, sendo 
que cada um será eleito com dois suplentes para o mandato de oito anos — portanto, duas 
legislaturas. 
São requisitos para a candidatura dos senadores: 
 z ser brasileiro nato ou naturalizado;
 z ser maior de 35 anos;
 z estar em pleno exercício dos direitos políticos; 
 z ter domicílio eleitoral na circunscrição; 
 z ter alistamento eleitoral;
 z ter filiação partidária.
Do Senado Federal
Art. 52 Compete privativamente ao Senado Federal:
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsa-
bilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles 
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho 
Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da 
República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade 
III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
c) Governador de Território;
d) Presidente e diretores do banco central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos 
chefes de missão diplomática de caráter permanente;
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, 
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida 
consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entida-
des controladas pelo Poder Público federal;
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de 
crédito externo e interno;
IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios;
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão 
definitiva do Supremo Tribunal Federal;
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XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-
-Geral da República antesdo término de seu mandato;
XII - elaborar seu regimento interno;
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extin-
ção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respec-
tiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias 
XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.
XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutu-
ra e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados 
e do Distrito Federal e dos Municípios 
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supre-
mo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços 
dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercí-
cio de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.
Dos Deputados e Senadores 
No que se refere aos direitos, prerrogativas e imunidades dos deputados federais e sena-
dores, o art. 53 estabelece garantias fundamentais para o exercício do mandato parlamentar.
Inicialmente, há de se ter em mente que as imunidades são prerrogativas inerentes à 
função desempenhada com o objetivo de garantir a independência e o exercício da função 
atribuídos constitucionalmente. Portanto, não se trata de privilégios, mas de garantias desti-
nadas ao livre desempenho da função e da não ingerência dos demais órgãos (independência 
dos poderes). É por esse motivo que as imunidades não podem ser renunciadas, pois não 
pertencem às pessoas, mas ao cargo desempenhado.
A imunidade parlamentar, também conhecida como imunidade legislativa, consiste nas 
prerrogativas outorgadas pela CF, de 1988, aos membros do Congresso Nacional para que eles 
possam exercer suas funções com independência e liberdade. A imunidade parlamentar se 
divide em material e formal. Veja a seguir.
 z Imunidade Material
A imunidade material, também denominada de real ou substantiva, diz respeito a opi-
niões, palavras e votos. Trata-se da absoluta inviolabilidade, uma vez que os parlamentares 
são imunes civil e penalmente quanto às suas opiniões, palavras e votos, desde que no exer-
cício da atividade parlamentar. Todos os parlamentares possuem esse direito.
Para tanto, ela está consagrada no art. 53, do Texto Constitucional, que prevê que depu-
tados e senadores são invioláveis civil e penalmente. Vejamos na íntegra o dispositivo em 
comento:
Art. 53 Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas 
opiniões, palavras e votos.          
Essa inviolabilidade é fundamental para garantir a independência do Poder Legislativo e 
a liberdade de atuação dos parlamentares, permitindo que exerçam suas funções de repre-
sentação popular sem temor por eventuais represálias ou intimidações.
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No entanto, é importante ressaltar que essa inviolabilidade não é absoluta, pois existem 
situações em que os deputados e senadores podem ser responsabilizados, como nos casos 
de quebra do decoro parlamentar ou de crimes cometidos fora do exercício do mandato 
parlamentar.
Deste modo, a imunidade é uma espécie de proteção aos parlamentares no exercício de 
suas funções, para que eles tenham ampla liberdade de expressão e debate de ideias nas 
questões de interesse de seus representados. Ainda, a imunidade material é absoluta, o que 
significa que as palavras e opiniões do parlamentar ficam excluídas de ação condenatória.
Por exemplo, determinado senador, ao discutir temas políticos com outro parlamentar, 
profere palavras de injúria e acusa o parlamentar de praticar fatos definidos como crime. 
Nesse caso, o parlamentar ofendido não pode mover processo contra o senador, pois as ofen-
sas proferidas estão relacionadas ao exercício da atividade parlamentar.
Portanto, o congressista é protegido da incriminação civil ou penal pelos chamados crimes 
de opinião ou palavra. Como consequência, a imunidade material exclui a própria natureza 
delituosa do fato, visto que não haverá responsabilização penal e civil do parlamentar por 
suas opiniões, palavras e votos, sendo afastado, inclusive, o pedido de interpelação judicial 
(pedido de explicações). 
Salienta-se, por necessário, que a imunidade material é absoluta (todas as palavras e opi-
niões são excluídas de ação repressiva ou condenatória), permanente (aplica-se, mesmo 
após extinto o mandato, para os fatos que ocorreram na vigência do encargo) e de ordem 
pública (guarda relação com a função exercida, e não com a pessoa do parlamentar).
Cumpre esclarecer, no entanto, que o parlamentar só será protegido quando as manifes-
tações se derem no exercício do mandato, uma vez que a imunidade material está ligada à 
ideia de desempenho do mandato (prática in officio) e em razão do mandato (prática prop-
ter officium). Consequentemente, as palavras, votos e opiniões sem nenhuma relação com o 
desempenho da função não são alcançados pela inviolabilidade.
Vejamos algumas dicas sobre a imunidade material:
 � Dentro da Casa legislativa: absoluta, salvo no caso de quebra de decoro parlamentar;
 � Fora da Casa legislativa: relativa (limitada aos atos relacionados ao exercício do 
mandato).
Ademais, o parlamentar não pode renunciar à imunidade ou ao foro privilegiado.
Conforme o inciso VIII, art. 29, da CF, de 1988, os vereadores têm essa proteção, mas somen-
te na circunscrição do município.
Art. 29 O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício míni-
mo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promul-
gará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo 
Estado e os seguintes preceitos:
[...]
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do man-
dato e na circunscrição do Município;
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 z Imunidade Formal
Também denominada de processual, formal ou adjetiva, é uma imunidade relativa. Na imu-
nidade formal, há a possibilidade de suspensão da prisão e do processo para a maioria absoluta 
dos membros da respectiva Casa. Consiste no julgamento pelo STF, desde a expedição do diploma. 
Note que os vereadores não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável.
Importante!
A diplomação ocorre antes da posse, pois é um ato que comprova que o candidato foi 
eleito e está apto para tomar posse da carreira. É neste ato que ocorre a entrega do docu-
mento (diploma) pela justiça eleitoral.
Assim, caso seja determinada a prisão de algum deputado ou senador após a diplomação, 
os autos serão enviados para a respectiva Casa, para que, pelo voto da maioria de seus mem-
bros, seja resolvido sobre a prisão; assim, poderá ser determinada a sustação do andamento 
da ação até o final do mandato.
Cumpre mencionar, ainda, que a imunidade formal impede a condução coercitiva do par-
lamentar que se nega a comparecer em interrogatório.
Prerrogativa de Foro
Outra garantia prevista no Estatuto do Congressista é a prerrogativa de foro. Ela se encon-
tra estabelecida no § 1º, art. 53, que assim dispõe:
Art. 53 […]
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento 
perante o Supremo Tribunal Federal.    
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser pre-
sos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro 
de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, 
resolva sobre a prisão.          
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diploma-
ção, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido

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