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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM 
CIDADES INTELIGENTES 
2
Clarissa Fernanda Correia Lima Loureiro
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2022
 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM CIDADES 
INTELIGENTES
1ª edição
3
2022
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Head de Platos Soluções Educacionais S.A
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Revisor
Leandro José Cesini da Silva
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Loureiro, Clarissa Fernanda Correia Lima
 Eficiência energética em cidades inteligentes / Clarissa 
Fernanda Correia Lima Loureiro. – São Paulo: Platos 
Soluções Educacionais S.A., 2022.
32 p.
ISBN 978-65-5356-402-2
1. Matriz energética no Brasil. 2. Projetos de energia. 3. 
Geração distribuída. I. Título.
CDD 333.79
_____________________________________________________________________________ 
 Evelyn Moraes – CRB: 010289/O
L892e 
© 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
https://www.platosedu.com.br/
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Políticas públicas relacionadas à eficiência energética _______ 07
Indicadores e tendências de eficiência energética ____________ 19
Arcabouço Regulatório do Setor Elétrico e Projetos de Energia _ 33
Gestão da eficiência energética e a geração distribuída ______ 47
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM CIDADES INTELIGENTES 
5
Apresentação da disciplina
Neste material, estudaremos sobre um assunto muito interessante, que 
é a eficiência energética em cidades inteligentes. É um tema que estará 
sempre atual, pois o futuro do país e do mundo está atrelado a isso. 
Entre os objetivos da disciplina, estão entender e aprender sobre 
algumas alternativas de energias renováveis, e discutir a importância 
de economizar no consumo de energia. Veremos sobre alguns dos 
indicadores de eficiência energética de cidades inteligentes. Os 
conceitos de cidades inteligentes serão apresentados para que seja 
possível compreender que a eficiência energética está também ligada 
à sustentabilidade e qualidade de vida das pessoas. Os indicadores 
levam ao diagnóstico da situação energética das cidades, para que 
possam melhorar e acompanhar ao longo do tempo a evolução dos 
indicadores de eficiência energética. Veremos também sobre a diferença 
de consumo entre pessoas que habitam nas áreas urbanas e as pessoas 
que moram nas áreas rurais. Além disso, será tratado sobre aplicação 
de alguns indicadores de eficiência energética em algumas cidades do 
Brasil, de acordo com o Modelo de Maturidade de Cidades Inteligentes e 
Sustentáveis do Brasil (MMCISB).
No Brasil, a regulamentação das energias renováveis alternativas é 
ainda muito incipiente, porém, a medida em que são expandidas essas 
energias renováveis, serão desenvolvidas leis mais modernas sobre o 
assunto. Desse modo, a disciplina abordará a atual legislação brasileira 
sobre a geração, distribuição e regulação da energia elétrica, e quanto a 
regulação das energias alternativas. 
6
A matriz energética, do Brasil, é, em sua maioria, considerada limpa 
e renovável, pela característica fluvial importante no país. Tratará 
das tendências e inovações do setor, pois é importante o fomento de 
políticas públicas que incentivem a eficiência energética para não haver 
outras crises de energia no país, e que a geração de energias renováveis 
supere cada dia mais o crescimento do consumo. 
Bons estudos!
7
Políticas públicas relacionadas à 
eficiência energética
Autoria: Clarissa Loureiro
Leitura crítica: Leandro José Cesini da Silva
Objetivos
• Compreender o que são cidades inteligentes.
• Aprender sobre generalizações ligadas ao tema de 
eficiência energética em cidades inteligentes.
• Entender sobre políticas públicas relacionadas a 
eficiência energética.
8
1. Introdução
O tema de eficiência energética está presente mundialmente e é uma 
crescente preocupação de todos os líderes dos países. A energia é o que 
conecta tudo e todos. É impossível imaginar um mundo sem energia. 
Ao mesmo tempo, os recursos do planeta Terra são finitos e, por isso, é 
importante falar e entender sobre eficiência energética.
Abordaremos, neste material, sobre a importância da eficiência 
energética, cidades inteligentes, as generalizações sobre esses temas, 
e você poderá aprender um pouco sobre políticas públicas acerca de 
eficiência energética nas cidades.
2. O que são cidades inteligentes?
Devido à migração das pessoas do campo para as cidades, estima-se 
que mais de 80% da população mundial estará concentrada em cidades 
pelo ano de 2050. No Brasil, mais de 90% das pessoas já migraram para 
as cidades em 2022. A partir deste acontecimento de migração, iniciou-
se uma preocupação sobre o inchamento das cidades, e a qualidade de 
vida nestas (MORA; DEAKIN 2017).
Cidade inteligente pode ser definida como aquela que integra a agenda 
de desenvolvimento urbano sustentável com a transformação digital, 
buscando oferecer melhores serviços públicos, reduzir desigualdades 
socioespaciais, criar oportunidades econômicas e melhorar as 
condições de vida de todas as pessoas, que vivem nos espaços urbanos 
(BRASIL, 2020). Embora se compreenda que esta definição não seja 
consensual nos círculos de debate sobre o tema, uma vez que há 
diferentes correntes de pensamento, ora focada em uma visão centrada 
nas pessoas, ora centrada no uso das tecnologias de informação e 
comunicação (TICs), para resolver os desafios urbanos (MORA et al., 
9
2017), a dinâmica das cidades tem levado à aproximação de questões 
relacionadas à sustentabilidade, muito influenciada pela Agenda 2030 
dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2016), com ações 
de implantação de soluções baseadas em tecnologias digitais.
A definição de cidades inteligentes não se limita ao uso de tecnologias 
digitais na gestão das cidades, mas parte de uma visão ampliada 
que equilibra a gestão urbana, o uso de TIC e a interação com 
atores da cidade. Por isso, ao pensar em iniciativas desse tipo, é de 
fundamental importância que sejam consideradas características 
particulares de cada cidade, considerando os desafios que enfrentam, 
para que sejam desenvolvidas políticas e ações para a transformação 
digital em áreas estratégicas àquele contexto municipal específico 
(BACKHOUSE; DHAOU, 2020).
O conceito principal de cidades inteligentes é que estas sejam cidades 
eficientes, em que os serviços públicos funcionem para sua população. 
Existe a preocupação sobre a superpopulação que as cidades 
poderiam comportar, e que todas as pessoas que moram nas cidades 
possam viver de forma digna. O estado brasileiro deve fornecer, pela 
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (BRASIL, 1988), 
educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, 
segurança, previdência social, proteção à maternidade, infância e à 
assistência aos desamparados.
Como medir os impactos da agenda de cidades inteligentes para 
enfrentar, de modo sustentável, os desafios urbanos? A resposta 
para esta perguntaestá no diagnóstico destas cidades. Para que se 
possa diagnosticar as cidades, existem vários indicadores de cidades 
inteligentes, de várias áreas, como socioculturais, saúde, economia, meio 
ambiente, transporte, entre outras áreas.
Para entender o quão uma cidade é inteligente e se intervenções em 
transformações digitais impactam a sustentabilidade urbana e como 
10
o fazem, é necessário que se desenvolvam modelos de avaliação 
que levem em consideração a diversidade local e uma compreensão 
matizada de onde e como as soluções inteligentes podem ser úteis, bem 
como as condições contingentes para sua implementação (BACKHOUSE; 
DHAOU, 2020).
Há uma variedade de modelos de avaliação de maturidade para 
cidades inteligentes sustentáveis, que têm utilizado indicadores já 
mapeados a priori por organizações internacionais. Há possibilidade das 
administrações públicas municipais empreenderem o desenvolvimento 
de cidades inteligentes, por meio de um diagnóstico acerca de 
suas capacidades institucionais. Para diagnosticar as capacidades 
institucionais da administração pública municipal, como forma de indicar 
ações e políticas para o processo de transformação digital, na direção de 
cidades inteligentes, são necessários indicadores da área de governança 
das cidades, os quais são difíceis de se conseguir dados. Alguns 
questionários são necessários para se fazer diretamente aos gestores 
das cidades para se obter as respostas. Os dados secundários de órgãos 
oficiais, no Brasil, nem sempre são suficientes para um diagnóstico 
perfeito da área de governança das cidades inteligentes.
No Brasil, há um déficit e desigualdades entre regiões e municípios em 
relação às suas capacidades institucionais, que pode ser mais comum 
em um país emergente do que no Norte Global, e que tal assertiva 
deve ser levada em conta para construir metodologias de avaliação de 
cidades inteligentes no país, (ALVES et al., 2021). A verificar, com isso, em 
que medida alcança prover diagnósticos de maturidade mais realísticos, 
capazes de guiar as cidades rumo à transformação digital e subsidiar a 
formulação de ações e políticas públicas que impactem positivamente as 
condições de vida das populações locais.
Uma cidade futurística seria muito mais do que algo parecido com 
uma maquete com fontes de energia renováveis, como a energia 
eólica, solar, de biocombustíveis, entre outras. A figura de uma cidade 
11
inteligente, como a Figura 1, está nos sonhos de muitas pessoas, mas 
só seria possível se todas as pessoas tivessem um lar, sendo este, um 
apartamento, uma casa, um lugar digno com condições mínimas de 
sobrevivência, em que as crianças tenham acesso a escolas de qualidade 
perto de seu lar, tenham acesso a praças e locais públicos de esporte, 
lazer e cultura.
Figura 1 – Cidade inteligente e energias renováveis
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Smart_City_2.jpg. Acesso em: 1 nov. 2022.
3. Generalizações eficiência energética
A relevância da eficiência energética vem aumentando no mundo todo, 
seja na indústria, nas empresas, no setor privado ou nas instituições 
públicas, nos governos, e até mesmo no cotidiano das famílias e nas 
atividades domésticas. Atualmente, a eficiência energética é tida como 
uma das mais importantes estratégias nos cenários do futuro para 
diminuir a emissão de gases que podem aumentar o aquecimento 
global, e alcançar as metas de redução. É um dos pontos da agenda 
2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Existem várias 
vantagens para investir em eficiência energética:
• Financeira, com redução de custos.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Smart_City_2.jpg
12
• Ambiental, como a redução dos gases do aquecimento global.
• Diminuição do financiamento na geração e distribuição de energia.
• Redução das consequências vindas das variações dos preços de 
energia.
• Sobrevivência das corporações.
3.1 Financeira
Seja qual for o setor em que se está trabalhando, seja privado, público 
ou pessoal, tudo que é ligado a necessidade de redução de custos é, 
normalmente, uma prioridade. Quando se usa a energia de forma eficiente, 
ganha-se uma boa vantagem na diminuição de despesas. Nem sempre é 
necessário um grande investimento em tecnologia, ou tipos de soluções 
para conseguir esta redução. Normalmente, o lucro ou potencial ganho em 
eficiência energética é advindo de ações comuns relacionadas aos hábitos, 
ou tentar fazer o mesmo de uma outra forma que seja mais eficiente.
3.2 Ambiental
Uma das grandes áreas mais comentadas, atualmente, é a ambiental. É 
imprescindível ter um uso de forma eficiente da energia para o bem do 
planeta Terra. Apenas 14% da energia total, atualmente, é proveniente 
de fontes renováveis. Portanto 86% do que é consumido no mundo, é 
oriundo de fontes que geram gases que causam aquecimento global, 
e são tóxicos, para o planeta. Nem sempre as fontes tóxicas são 
provenientes de petróleo e carvão mineral. Por exemplo, as baterias de 
lítio (dos carros, motos, e bicicletas elétricas) são extremamente tóxicas 
na sua produção, no seu uso, e no seu próprio descarte, e causam 
geração de gases de efeito estufa, assim como a gasolina, diesel, entre 
outros combustíveis comuns.
13
Assim, todas as tentativas, investimentos para a diminuição do consumo 
de energia, todas as tentativas para o uso responsável e eficiente 
da energia leva a redução dos gases tóxicos ao nosso planeta e, 
consequentemente, à nossa saúde.
3.3 Diminuição do investimento em geração e 
distribuição de energia
A partir do momento em que se consegue ter mais eficiência energética, 
consequentemente, serão menos necessários os investimentos em 
geração, e distribuição de energia elétrica. O que pode levar a um 
melhor valor da energia, e conceder energia e um melhor serviço a uma 
quantidade maior de consumidores, sem a necessidade de ampliar o 
sistema elétrico no país, por exemplo.
3.4 Redução das consequências da variação de preço
O planejamento dos custos, dos valores e de toda a parte financeira de 
uma empresa ou órgão público, só é possível quando existe uma menor 
mudança dos preços de energia, ou seja, com menores variações nos 
preços da energia, o planejamento de custos com energia fica mais 
assertivo, facilitando, assim, a vida do empresário ou do gestor público. 
Quando se consegue uma diminuição das contas de energia, nos custos 
da empresa, ou órgão público, tem-se um menor impacto das faturas. 
Ficando, assim, um pouco mais fácil para a organização das finanças.
3.5 Sobrevivência das corporações
O uso de forma otimizada da energia é uma ação fundamental para que 
uma empresa possa se manter lucrativa e com boa saúde financeira nos 
tempos atuais. Para isso, é necessário manter atenção sobre o uso da 
energia por meio da utilização de sistemas capazes de coletar os dados 
14
de consumo. Esses sistemas são, geralmente, constituídos por sensores, 
atuadores e modelos de controle que podem até lançar mão do uso 
da inteligência artificial, facilitando o entendimento dos hábitos de 
consumo das organizações, ajudando no objetivo de reduzir as despesas 
com os energéticos. A realização de diagnósticos por meio da medição é 
imprescindível para obter uma melhoria contínua do uso de energia.
4. Políticas públicas na área de eficiência 
energética
O setor de energia é um setor de infraestrutura, que possui muita 
transversalidade em economias modernas, pois tem uma característica de 
influenciar e também de sofrer impactos de políticas públicas. A eficiência 
energética é uma área muito importante e necessária no alinhamento 
das políticas públicas e seus respectivos mecanismos para incentivar 
e atrair o setor privado para a área. Assim, é possível ter uma visão de 
sustentabilidade e de economia, tanto nas áreas públicas e empresas, 
nas áreas públicas, quanto em empresas privadas. Dessa forma, é 
possível observar uma transversalidade entre as áreas ambiental, social 
e econômica, em que essas dimensões se relacionam e são necessáriaspara a eficiência energética, assim como ilustra a Figura 2.
Existe uma grande e reconhecida necessidade dos governos 
direcionarem recursos e prover ações que possam corrigir algumas 
falhas de mercado em áreas prioritárias, e de relevância coletiva. Neste 
caso, a área de eficiência energética é uma das áreas relevantes em 
políticas públicas. As falhas, dificuldades ou barreiras podem ser e tem 
sido corrigidas, por meio de intervenções para modificar e quem sabe 
transformar os mercado, inserindo diferentes tipos de mecanismos, 
entre estes, estão: incentivos de cunho financeiro, ou leilões de eficiência 
energética, diminuição de impostos e/ou taxas diferenciadas para 
produtos que sejam eficientes, padrões de eficiência, etiquetagem, selos, 
15
modificação dos sistemas de contratação dos serviços, como contratos 
de desempenho, por exemplo.
As políticas públicas e os tipos de mecanismos associados tem o 
objetivo, portanto, de aumentar a segurança e o incentivo de novos 
investimentos privados, com a consequência de que as alternativas mais 
eficientes do ponto de vista energético se tornem as opções de rotina 
e preferidas pelo mercado. Havendo, no setor privado, a disseminação 
de produtos, serviços, e preocupação com eficiência energética leva ao 
setor público a adotar também alternativas mais eficientes, fazendo com 
que um setor apoie e incentive o outro.
Figura 2 – Sobreposição das três dimensões: ambiental, econômica e 
social
Fonte: adaptada de https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sustentabilidade_
dimens%C3%B5es.png. Acesso em: 1 nov. 2022.
O investimento em eficiência energética pode estar associado e talvez 
motivado por muitos outros benefícios ou objetivos, como, por exemplo, 
a busca de maior competitividade industrial, redução de custos de 
produção, melhoria ou recuperação de infraestrutura, redução de 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sustentabilidade_dimens%C3%B5es.png
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sustentabilidade_dimens%C3%B5es.png
16
emissões de gases tóxicos ou nocivos ao meio ambiente ou que tenham 
impactos ambientais. Esta percepção é imprescindível para orientar as 
políticas públicas, assim como as ações de marketing, e informações 
para o mercado.
O Brasil possui a tradição de apoiar, por meio de suas políticas públicas, 
por meio, inclusive de financiamentos, ou incentivos fiscais, vários tipos 
de atividades relacionadas a eficiência energética. Existem iniciativas 
desde a década de 1980 e, mais tarde, nos anos 2000, foram criados 
fundos públicos para financiar atividades de eficiência energética 
nas áreas de petróleo e gás e energia elétrica, Fundos Setoriais e do 
Programa de Eficiência Energética (PEE) da Agência Nacional de Energia 
Elétrica (ANEEL).
Estes recursos poderiam e deveriam ser canalizados para incentivar e 
iniciar investimentos ou até mesmo financiar diretamente as iniciativas 
que o mercado poderia ter dificuldade de entender como interessantes 
ou que fossem iniciativas que apresentassem um alto risco. Dessa 
forma, existem recursos coletados por meio de royalties de petróleo 
e gás e de receitas, com vendas de eletricidade que servem para 
investimentos em eficiência energética. Os recursos em questão seguem 
uma lógica de financiar a parte de bem público que é pertencente aos 
benefícios sociais e ambientais da eficiência energética que o mercado 
não tem como precificar.
Inicialmente, os investimentos tinham duração limitada, pois a lógica 
estabelecida era a de transformação de mercado de energia. A Lei n. 
9991/2000 (BRASIL, 2000) incentiva a eficiência energética no país. Esta 
lei ficou em vigor por cinco anos e obrigava as concessionárias, por 
exemplo, em investir em eficiência energética. Depois de cinco anos, 
que foi a duração da lei, houve uma redução dos recursos que iriam 
para o financiamento de pesquisa e desenvolvimento. Ao longo do 
tempo, foram diminuindo os investimentos e, atualmente, a receita das 
distribuidoras tem sérios problemas. Os prazos para os investimentos 
17
foram transformados com o tempo e, hoje em dia, está estabelecido 
que, a partir de 2023, o percentual da receita líquida anual das 
distribuidoras será diminuído ainda mais. O setor de energia, no Brasil, 
não está nada bem e se não houver investimentos em vários tipos de 
energias alternativas e complementares, o Brasil enfrentará uma grande 
crise de energia em breve.
A ANEEL começou a incentivar chamadas específicas, como uma certa 
prerrogativa, para alguns pontos de interesse, que foram entendidos 
como estratégicos. Assim, aumentou a possibilidade de canalização dos 
investimentos que eram planejados e executados pelas concessionárias 
do país com alguns interesses em políticas públicas.
5. Conclusão
A busca por eficiência energética se torna cada dia mais necessária nas 
cidades, é um caminho sem volta, irreversível e necessária. Estimular 
o uso eficiente da energia traz benefício para todos. Sendo os setores 
públicos ou privados, ou mesmo dentro das casas, é necessário para 
o sucesso do planejamento financeiro, uma redução e otimização 
na forma como se consome- e utiliza a energia. Ter o uso eficiente 
da energia é vantajoso para todos do planeta, como vimos no neste 
material. É um tema bastante interessante e que avança cada dia mais 
no mundo. A eficiência energética é necessária para a eficiência das 
cidades e da humanidade.
Referências
ALVES, A. M.; MUNIZ, C. R.; PEREIRA, C. M. et al. Cidades Inteligentes Sustentáveis 
no Brasil: uma metodologia para avaliação e diagnóstico de nível de maturidade de 
cidades. 1. ed., v. 1. Campinas: CTI Renato Archer, 2021.
18
BACKHOUSE, J. A taxonomy of measures for smart cities. Proceedings of 
the 13th International Conference on Theory and Practice of Electronic 
Governance ICEGOV, p. 609-619, [s. l.], 2020. Disponível em: https://dl.acm.org/
doi/10.1145/3428502.3428593. Acesso em: 1 nov. 2022.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Carta Brasileira para Cidades 
Inteligentes. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/
desenvolvimento-urbano/carta-brasileira-para-cidades-inteligentes. Acesso em: 1 
nov. 2022.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. 
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 
1 nov. 2022.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei 
n. 9.991/2000, de 24 de julho de 2000. Brasília, 2000. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9991.htm. Acesso em: 1 nov. 2022.
MORA, L.; BOLICI, R.; DEAKIN, M. The first two decades of smart-city research: a 
bibliometric analysis. Journal of Urban Technology, 24(1), p. 3-27, [s. l.], 2017. 
Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/315516522_The_First_
Two_Decades_of_Smart-City_Research_A_Bibliometric_Analysis. Acesso em: 1 nov. 
2022.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando nosso mundo: a agenda 
2030 para o desenvolvimento sustentável. 2016. Disponível em: https://brasil.
un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdf. Acesso em: 1 nov. 2022.
https://dl.acm.org/doi/10.1145/3428502.3428593
https://dl.acm.org/doi/10.1145/3428502.3428593
https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/desenvolvimento-urbano/carta-brasileira-para-cidades-inteligentes
https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/desenvolvimento-urbano/carta-brasileira-para-cidades-inteligentes
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9991.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9991.htm
https://www.researchgate.net/publication/315516522_The_First_Two_Decades_of_Smart-City_Research_A_Bibliometric_Analysis
https://www.researchgate.net/publication/315516522_The_First_Two_Decades_of_Smart-City_Research_A_Bibliometric_Analysis
https://brasil.un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdfhttps://brasil.un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdf
19
Indicadores e tendências de 
eficiência energética
Autoria: Clarissa Loureiro
Leitura crítica: Leandro José Cesini da Silva
Objetivos
• Apresentar os indicadores energéticos e sua 
importância na construção da sustentabilidade.
• Orientar para as tendências de eficiência energética.
• Facilitar o aprendizado no planejamento de médias e 
grandes cidades a luz da eficiência energética.
20
1. Introdução
O planejamento em eficiência energética é positivo em todas as áreas, 
seja nos órgãos públicos ou privados. Não se pode planejar cidades e 
seus planos diretores sem antes entender como essas cidades podem 
diminuir o custo e a toxicidade de sua energia.
O avanço da tecnologia faz com que, a cada dia, o uso da energia seja 
mais necessário. As cidades médias, grandes ou pequenas, precisam 
ter seu planejamento no gasto de energia em toda área urbana e rural. 
Os projetos de energia devem considerar a otimização e eficiência, em 
curto, médio e longo prazo.
2. Indicadores energéticos e sua importância 
na construção da sustentabilidade
A avaliação dos impactos da geração de energia pode ser medida pelos 
indicadores energéticos e sustentáveis, que são traduzidos por dados 
que informam o alcance da eficiência energética nas cidades, se tiveram 
e quais foram os impactos positivos destes indicadores. Os indicadores 
da área de energia podem funcionar como ferramentas que contribuem 
para avaliar muitas variáveis para o diagnóstico do sistema energético.
Alguns tipos de indicadores podem ser:
• Investimentos em infraestruturas de energia renovável.
• Emissão de gases tóxicos pelas fontes energéticas (gases do efeito 
estufa).
• Modernização da rede elétrica.
• Energia gerada por fontes renováveis na cidade (incluindo fontes 
residenciais).
21
• Porcentagem de energia vinda de fontes renováveis que é 
disponibilizada pelo município.
• Energia disponível por habitante.
• Consumo de energia por habitante.
Todos os indicadores de eficiência energética citados, ajudam a 
mensurar a situação ambiental das áreas urbanas, assim como 
controlar o consumo de energia pela população, e conhecer a 
proveniência do tipo de energia gerada. Os benefícios ambientais 
que a melhoria destes indicadores pode trazer, afeta até mesmo a 
economia de forma positiva.
As fontes de energia renováveis mais comentadas na mídia aberta, 
que são mais populares e possuem mais investimentos, são as fontes 
eólicas e solares de energia elétrica. Entretanto, alguns tipos de usinas 
importantes, são as usinas térmicas, alimentadas com biogás e/ou 
biomassa. Estas usinas reaproveitam resíduos de vários tipos para 
transformar em energia elétrica
As usinas movidas a biomassa, podem gerar energia com os insumos 
principais, provenientes de resíduos que iriam para descarte, então, 
são aproveitados e trazem às empresas uma economia da energia que 
teria que ser comprada, e o lucro gerado pela possível venda de energia, 
e o aproveitamento dos resíduos que seriam descartados. As usinas 
de biogás aproveitam a energia do biogás gerado por esgotos, aterros 
sanitários, plantas de tratamento de resíduos, entre outros exemplos. 
No Brasil, esses tipos de usinas já estão em funcionamento e, de acordo 
com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), o investimento 
nesses tipos de usinas aumentarão em breve. A energia gerada tem 
um custo muito menor do que se fosse comprada por concessionárias 
privadas de energia, além de diminuir a quantidade de insumos que 
iriam para o lixo, trazendo um enorme benefício ao meio ambiente e, 
consequentemente, à economia (LOUREIRO, 2021).
22
2.1 Construção de políticas públicas com os indicadores 
de eficiência energética
Para o fomento de políticas públicas, é necessário ter o diagnóstico da 
área energética nas cidades, por meio dos indicadores de eficiência 
energética. O objetivo das políticas públicas é trazer uma contribuição 
para a sustentabilidade das áreas urbanas. Nos indicadores de eficiência 
energética (incluindo energia elétrica, e todos os outros tipos de energia), 
deve-se observar desde a geração, transmissão, passando pela distribuição, 
chegando na forma de consumo pelos vários tipos de usuários.
Os dados provenientes dos indicadores de eficiência energética, que são 
parte do diagnóstico das cidades inteligentes, serão responsáveis, em parte, 
pela escolha de decisões mais sustentáveis nas cidades, os indicadores em 
questão têm uma grande transversalidade de áreas, como meio ambiente, 
economia, capacidades institucionais, entre outras. Esses dados são úteis 
para a formulação e implementação de um planejamento de acesso à 
energia por todos e diversificação da matriz energética nas áreas urbanas, 
ou até mesmo contando com a ajuda das áreas rurais para implementação 
da diversificação da matriz. Os indicadores possuem definições, conceitos 
e princípios, que contribuem para o fomento e implementação de políticas 
públicas e planejamento de eficiência energética nas cidades.
3. Tendências de eficiência energética
A tendência de eficiência em energia elétrica segue as metas da Agenda 
2030 da ONU, Organização das Nações Unidas (ONU, 2016). O incentivo 
a uma indústria inclusiva, sustentável, a evolução para as construções 
resilientes, vai ao encontro à inovação e seu fomento.
As políticas públicas desenvolvidas no âmbito da eficiência energética 
em vários países do mundo, inclusive no Brasil, têm o objetivo 
23
de minimizar as emissões de gases do efeito estufa, por meio de 
programas e projetos de incentivo aos órgãos públicos e privados, à 
sustentabilidade energética (BRASIL, 2021). A abrangência dos setores 
públicos nas cidades é muito grande. São as políticas públicas que ditam 
as regras sobre como é permitido o uso responsável da energia, assim 
como a transmissão e geração de energia.
No Brasil, tiveram muitas leis anteriores que incentivaram o 
investimento em energia elétrica, mas, atualmente, várias leis expiraram 
o seu prazo e não estão mais em vigor. O resultado é que as energias 
renováveis ainda estão longe de superar o crescimento do uso de 
energia no Brasil e, por esses e alguns outros motivos, o país pode 
entrar em crise energética em breve. Existem várias entrevistas com 
vários especialistas na área, documentos, artigos, que mostram essa 
realidade. Para quem quiser se aprofundar no assunto, pode utilizar 
tanto os meios de pesquisa de artigos ou até mesmo plataformas de 
streaming. O caminho e objetivo das políticas públicas é diminuir o 
consumo de energia, reduzir custos e melhorar o meio ambiente.
Com as ações de otimização do uso da energia, já existem bons 
resultados, por exemplo, é possível reduzir os gastos e a economia pode 
chegar a 6% do uso de energia elétrica na indústria do Brasil, em 2030. A 
pesquisa que traz esses resultados é da Empresa de Pesquisa Energética 
(EPE). Esse resultado, do exemplo da redução dos custos, equivale a uma 
diminuição de 12 TWh de energia elétrica.
Algumas das tendências de eficiência energética são:
1. Inovar para reduzir custos.
2. Ciência de dados para tomadas de decisão.
3. Automação nos setores públicos e privados.
4. Geração de energia mais verde.
24
3.1 Inovar para reduzir custos
A modernização dos equipamentos pode ajudar no uso otimizado de 
energia. Os equipamentos mais modernos tendem a gastar menos energia. 
Um exemplo de uma substituição que ajuda na eficiência e economia de 
energia são os aparelhos de ar-condicionado, Split, Inverters, ou Dual, que 
estão no mercado, em relação aos antigos equipamentos. Apesar de tudo, 
a inovação não significa necessariamente digitalização. É possível ter novas 
tecnologias, novas máquinas, sem necessariamente passar para modelos 
digitais. Isso porque tecnologia é a junção da técnica, do grego tekhne com 
o sufixo logia, que significa estudo, portanto, é a aplicação do conhecimento 
científico em diversas áreas inovadoras de pesquisa. Assim, ouso de um 
conjunto de técnicas para controlar e minimizar o consumo de energia é 
uma inovação tecnológica.
3.2 Ciência de dados para tomadas de decisão
A ciência, análise, e uso de inteligência de dados é uma das tendências 
em vários setores do mundo público e privado. Os dados são 
considerados, internacionalmente, como o novo petróleo. Sistemas 
de Internet das Coisas, em inglês, Internet of Things (IoT), podem medir 
com sensores o consumo de energia, enviar os dados para uma central, 
analisar e tomar decisões de forma inteligente, aplicando os conceitos 
de inteligência artificial. Por exemplo, se for possível saber quanto 
se gasta de energia com desperdício quando pessoas não estão no 
ambiente, desligando o ar-condicionado e as luzes do ambiente, com a 
ajuda de sensores, pode-se, então, deixar a inteligência artificial tomar a 
decisão de desligar a iluminação e o controle de temperatura quando os 
sensores acusarem que não existem pessoas no ambiente.
O uso de mineração de dados, do termo data mining, em inglês, 
possibilita o cruzamento de dados para identificar padrões, predições 
para tomadas de decisões mais assertivas. Tudo conectado à Internet, 
integrando todo um sistema, de forma eficiente, sustentável e otimizada.
25
3.3 Automação nos setores públicos e privados
A automação pode estar presente na indústria, assim como em setores 
públicos. Normalmente, a automação ajuda no processo de otimização. 
Quando falamos de otimização, levamos em consideração o aumento 
da eficiência, ou seja, usar da melhor maneira possível um recurso, 
gastando o mínimo possível, que é o que pode acontecer em relação ao 
uso de energia, tanto nos setores públicos, como privados. Não é porque 
um processo precisa ser otimizado, que precisa ser necessariamente do 
setor privado. Ter a visão de que os órgãos públicos também precisam 
ter uma grande eficiência, é um dos desafios para a melhoria da 
qualidade de vida das pessoas nas cidades.
A automação pode melhorar a competitividade, tornar o trabalho 
mais seguro, tornar mais fácil o trabalho dos funcionários, integrar os 
sistemas, para que estes trabalhem com monitoramento e controle.
A otimização de processos pode trazer inovações tecnológicas e redução 
do consumo de energia elétrica, reduzindo também custos e gases do 
efeito estufa.
3.4 Geração de energia mais verde
Energia mais verde é aquela que deixamos de consumir. A eficiência 
energética traz exatamente este objetivo. A área de energias renováveis, no 
mundo e especialmente no Brasil, tem crescido bastante, como os setores 
solar, eólico, biogás, biocombustíveis de algumas espécies brasileiras de 
plantas. A matriz elétrica do nosso país é uma das mais verdes do mundo, 
uma das mais limpas. Ter sol na maior parte do ano e do território, ajuda 
esse quadro. A incidência dos ventos também é significativa no Brasil, 
atingindo velocidades de 7 m/s, em alturas entre 80 m e 120 m, sendo 
considerados ventos de alta qualidade para geração de energia. Portanto, o 
Brasil tem características favoráveis para a produção de energia eólica.
26
A energia hidráulica é a que lidera a produção. Em 2020, ainda 
representava 65,2% de toda a energia elétrica renovável do país. Em 
segundo lugar, aparece a energia produzida pela biomassa e que 
representava9,1%. Na sequência, as energias: eólica (8,8%) e a solar 
(1,7%), têm mostrado bom crescimento. No total, 84,8% da energia 
elétrica interna, do Brasil, é proveniente de fontes renováveis, e essa 
informação é do Balanço Energético Nacional (BEN, 2021).
4. Planejamento de médias e grandes cidades a 
luz da eficiência energética
A migração das pessoas do campo para as cidades tem preocupado 
o mundo todo, pois é um fenômeno internacional. No Brasil, 
aproximadamente 90% da população vive em áreas urbanas. O 
perigo reside no fato de haver uma superpopulação nas cidades, 
atrelado a finitude dos recursos naturais. Por isso, precisamos ter um 
planejamento para que todas as pessoas que moram nas cidades, 
tenham uma vida digna e uma qualidade de vida digna.
Na zona rural, a população consome aproximadamente a metade 
da energia elétrica per capita de um habitante das áreas urbanas. 
Considerando que 80% da emissão de gases do efeito estufa vem das áreas 
urbanas, é importante que se aborde os problemas de energia nas cidades. 
Disso, tem-se que uma das preocupações genuínas e que deu início ao 
planejamento das cidades inteligentes está atrelada a eficiência energética.
4.1 A importância do planejamento dos smart buildings
Os edifícios são responsáveis por mais de 50% do consumo de energia 
(todas as formas de energia) do mundo, (BRASIL, 2020), ou seja, para 
o planejamento dessas construções, é imprescindível que se leve em 
consideração a sustentabilidade. Por exemplo, o aproveitamento da 
luz solar nas construções, e o aproveitamento de espaços para que 
27
seja menos necessário o uso de luz elétrica, é uma forma de eficiência 
energética. Também é importante que se pense na ventilação e quais as 
posições de todas as janelas, portas e, ar-condicionado ou até mesmo a 
posição de aquecedores nas construções, no caso de países muito frios. 
Por esses motivos, é que surgiu a preocupação de uma construção de 
edifícios de forma sustentável e inteligente, daí o termo conhecido, em 
inglês, smart buildings.
Os materiais e a forma da construção dos prédios também influenciam 
no consumo de energia. Então, existe uma grande multidisciplinaridade 
entre áreas de engenharia de materiais, civil, elétrica, entre outras 
áreas. É necessário o desenvolvimento de técnicas e pesquisa de 
dados sobre o que mais pode influenciar na diminuição do consumo 
de energia. A Figura 1 mostra vários prédios futurísticos, mas, como 
referimos anteriormente, para ter edifícios sustentáveis e ter um futuro, 
é necessário investir em sustentabilidade na construção dos edifícios, 
só então poderemos dizer que são prédios ou edifícios futurísticos. 
Cada dia mais se usa energia, de várias formas, para aquecer os 
ambientes, ou resfriar, então, o aproveitamento do sol, na iluminação 
e no aquecimento é muito importante. Assim como a ventilação 
dos ambientes é importante para não usar uma enorme energia na 
ambientação dos escritórios ou residências.
Figura 1 – Edifícios inteligentes chamados smart building
Fonte: https://www.jct600.co.uk/blog/future-of-motoring/what-will-motoring-look-like-70-
years-from-now. Acesso em: 3 nov. 2022.
https://www.jct600.co.uk/blog/future-of-motoring/what-will-motoring-look-like-70-years-from-now
https://www.jct600.co.uk/blog/future-of-motoring/what-will-motoring-look-like-70-years-from-now
28
Portanto, para o investimento em formas de gerar eficiência energética, 
uma das áreas em que mais vale a pena fazer investimentos em 
mudanças é o setor de edifícios. Considerando que se possa diminuir 
pela metade o consumo de energia nessa seara, se realmente 
conseguirmos esta diminuição, mundialmente poderemos reduzir o 
consumo de energia em pelo menos 25%. Neste caso, pode-se diminuir 
também os gases do efeito estufa, melhorando o meio ambiente, 
reduzindo os custos e aumentando a economia no setor da construção 
civil, assim como das empresas que são proprietárias dos smart 
buildings.
4.2 Distribuição da ocupação espacial das cidades
A distribuição espacial das cidades também faz parte da eficiência 
energética, pois quanto mais dispersa a população da cidade, maior 
o uso de energia de forma geral. Quando a cidade é muito dispersa, a 
energia gasta é muito maior, por meio de combustíveis, como gasolina, 
etanol, gás, e até mesmo energia elétrica (ABU-RAYASH, DINCER, 2021). 
Tudo isso faz com que a energia gasta pelos transportes públicos e 
privados seja uma das maiores fontes de poluição nas cidades.
Para que tenhamos uma eficiência energética nos municípios, 
precisamos ter também uma eficiência da distribuição espacial das 
cidades, em que esta eficiência precisa ser pensada na localização 
das moradias para as pessoasmais necessitadas, que não possuem 
veículos próprios e dependem de transportes públicos. O ideal, e o 
futuro da sustentabilidade das cidades, seria ter a moradia das pessoas 
perto dos seus trabalhos, perto de creches e escolas para as crianças, 
supermercados, farmácias, clínicas, médicos, hospitais, entre outras 
facilidades. Essa proximidade das áreas de habitação das cidades, faz 
com que seja possível o trânsito das pessoas com bicicleta, ou a pé, 
que transformaria o trânsito de pessoas de forma muito mais saudável, 
rápida e eficiente.
29
Entretanto, no Brasil, atualmente, temos dois tipos de classes que 
moram longe do centro das cidades: as pessoas mais pobres, que 
moram nas periferias das cidades e algumas das classes A e B, que 
optam por morar longe dos centros muito movimentados. Geralmente, 
as pessoas mais carentes moram em favelas, cortiços, barracos, ou 
lugares precários, nos quais coabitam muitas famílias. Às vezes, uma 
família toda mora em um único cômodo. O segundo tipo de classe, que 
mora distante dos centros urbanos, são pessoas das classes A e B, ricas, 
que possuem maior renda. Essas pessoas moram, normalmente, em 
condomínios fechados, compostas por casas de luxo, que se localizam 
mais distante das cidades, para terem mais espaço, privacidade e 
segurança. Essa classe tem vários veículos próprios e não dependem 
do transporte público, no entanto, também contribuem para um maior 
trânsito.
O afastamento dos centros de concentração urbana gera maior 
necessidade de deslocamentos de longa distância, requerendo o uso 
de veículos. Quanto mais dispersa for a população, mais longas serão 
as linhas do transporte urbano, ao ponto de, algumas vezes, ficarem 
economicamente insustentáveis devido aos poucos usuários e o maior 
consumo de combustível. Dessa forma, os indivíduos que optam pelo 
uso dos carros também fazem, em média, um deslocamento de maior 
distância, aumentando o consumo de combustível e a geração de gases 
do efeito estufa.
Esse grande afastamento dos centros de concentração da cidade faz 
com que exista maior dependência do automóvel. Essa dependência 
acarreta maior trânsito nas cidades, maior uso dos automóveis, 
desigualdade pelas pessoas que não têem poder aquisitivo para ter 
seu próprio meio de transporte. De modo geral, podemos concluir que 
alguns modelos de ocupação policêntricos podem supor que exista um 
paralelismo de funções espaciais na cidade, em que há a separação de 
áreas residenciais, de trabalho e de lazer da cidade, por exemplo. Nesse 
caso, consequentemente, haverá um maior uso de automóveis, elevação 
30
do valor do transporte público, aumento das distâncias percorridas 
pelos carros, ônibus, motos, caminhões e outros veículos, resultando em 
maior geração de gases tóxicos, como, por exemplo, o gás carbônico nas 
cidades.
5. Aplicação de alguns indicadores de eficiência 
energética
Os indicadores citados neste texto, no ponto dois, são aplicados 
a cidades do Brasil e cidades de outros países do Norte Global. O 
Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação demandou para o Centro 
de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, uma nova metodologia 
para o diagnóstico de cidades inteligentes. O modelo foi desenvolvido 
por um time multidisciplinar de pesquisadores, empresários, e 
desenvolvedores de políticas públicas, todos os indicadores escolhidos. 
Toda a metrificação do modelo é inédita e desenvolvida para cidades 
do Sul Global, como é o caso das cidades brasileiras, que possuem 
uma grande diversidade e pluralidade entre suas cidades com 
culturas diferentes. Esse modelo chama-se: Modelo de Maturidade de 
Cidades Inteligentes e Sustentáveis do Brasil (MMCISB). O modelo está 
embarcado em uma plataforma chamada Inteli.gente, está on-line e 
disponível publicamente para todo cidadão brasileiro, com dados de 
todas as 5.570 cidades do Brasil.
Algumas cidades possuem apenas seus dados secundários e abertos, 
que são provenientes de órgãos oficiais. Para um diagnóstico completo, 
as prefeituras precisam preencher os dados com um cadastro da 
prefeitura, a fim de inserir os dados primários, que são provenientes 
de cada uma das prefeituras. Recomenda-se fortemente entrar nesta 
plataforma para entender um pouco na prática, a aplicabilidade e as 
notas dos indicadores das cidades brasileiras.
31
6. Conclusão
A temática, abordada nesta Leitura Digital, é umas das mais importantes 
na área de eficiência energética, pois traz os conceitos e a explica sobre 
a importância dos indicadores de eficiência energética. Os indicadores 
avaliam e transcrevem os dados em informações sobre a situação das 
cidades na área energética. Com as informações dos indicadores, pode-
se ter o diagnóstico. É possível ter uma visão geral sobre o estado e 
as características da área energética nas cidades do país. A partir do 
diagnóstico, pode-se ter a contribuição para a tomada de decisão para o 
fomento de políticas públicas para a área de eficiência energética e para 
o planejamento de todas as cidades e, consequentemente, do país, na 
área energética.
Referências
ABU-RAYASH, A.; DINCER, I. Development of integrated sustainability performance 
indicators for better management of smart cities. Sustainable Cities and Society, 
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do ano base 2020. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/
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LOUREIRO, L. C. et al. A new methodology for smart cities in developing countries: 
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32
MORA, L.; BOLICI, R.; DEAKIN, M. The first two decades of smart-city research: a 
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33
Arcabouço Regulatório do Setor 
Elétrico e Projetos de Energia
Autoria: Clarissa Loureiro
Leitura crítica: Leandro José Cesini da Silva
Objetivos
• Orientar sobre o arcabouço regulatório do setor 
elétrico no Brasil.
• Explanar e comentar sobre a história da energia, 
no Brasil, e a regulamentação para as energias 
renováveis e complementares no país.
• Aprender sobre alguns critérios para elaboração 
de projetos no setor elétrico de energia, dentro da 
regulamentação brasileira.
34
1. Introdução
Leis e regulamentação são importantes para estabelecer a organização 
em vários setores de um país. No setor de energia, não é diferente. 
No Brasil, temos um ambiente regulatório relativamente estável no 
setor de energia elétrica. Na área de energias renováveis, temos uma 
regulamentação em desenvolvimento, pois ainda é uma área em 
expansão no Brasil.
A regulamentação pode favorecer uma atração de investimentos 
para o país, pois traz uma ideia de estabilidade, o que pode vir a ser 
um diferencial aos investidores internacionais quando comparamos 
com outros países. Todos os projetos de energia executados e 
implementados no Brasil, sejam feitos por empresas nacionais ou 
internacionais, devem seguir o arcabouço regulatório para que possam 
assegurar qualidade, eficiência e segurança às pessoas.
2. Regulamentação de energia elétrica no 
Brasil
Para entender a regulamentação da energia elétrica, no Brasil, 
precisamos saber um pouco de história da energia no país. O ano que 
em que a energia elétrica chegou no Brasil, foi 1879. Foi o ano em que 
a lâmpada foi inventada por Thomas Edison. Dom Pedro II quis trazer 
imediatamente para o Brasil e chamou o inventor para instalar os 
equipamentos no país.
Para aprender sobre a regulamentação e legislação atual do Brasil, 
na área de energia, é necessário entender vários marcos da história 
da energia no país. A energia elétrica tem um papel principal e mais 
importante. Entender a sequência em que os fatos aconteceram no 
setor elétrico, é fundamental para saber o quadro atual e como serão 
35
os próximos passos no futuro para a energia, e se será possível a 
diversificação e complementação de energias alternativas à energia 
elétrica. Alguns pontos muito importantes são: a criação de órgãos de 
regulação, fiscalização e controle da energia. A criação, estatização e 
privatização dos órgãos no setor de energia também explicam sobre a 
direção que as leis devem seguir.
Então, para que seja mais fácil o entendimento de todo o arcabouço 
regulatório da energia, explicaremos alguns pontos importantes sobre a 
energia no Brasil, como:
• História da energia no Brasil.
• Regulamentações no setor de energia elétrica.
• Modificações do modelo estatal dos órgãos regulatórios.
• A importância da criação da Agência Nacional de Energia Elétrica 
(ANEEL).
• Criação do mercado livre de energia.
• Leis sobre energias complementares, e seu arcabouço.
2.1 História da energia no Brasil
A primeira função da energia elétrica, no país, foi para a iluminação 
pública, no Rio de Janeiro. Em 1883, em Minas Gerais, foi onde começou 
a operar a primeira central hidrelétrica. Esta usina tinha o objetivo de 
oferecer energia para a mineração. Desde então, a força das águas gera 
eletricidade no Brasil. Hoje em dia, a energia hidráulica representa 76% 
de toda a eletricidade produzida no país (LESSA, [s. d.]).
Em 1984, foi inaugurada a Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, na 
fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Por vinte anos, foi considerada 
36
a maior barragem do mundo. Atualmente, é a maior usina em 
produção de energia elétrica renovável no país. Entre os anos de 1984 
e 2021, gerou mais de 2,83 gigaWatts-hora (GWh) de energia (ITAIPU, 
2022).
A busca por diversificação e ampliação da matriz elétrica, fez com que 
o Brasil optasse por investimentos em usinas nucleares, comuns na 
Europa, já que os países europeus não dispõem de uma hidrografia 
tão diversificada e vasta como no nosso país. A produção de energia 
nuclear é bem diferente do tipo de energia hidráulica e é considerada 
não renovável e de maior risco. A primeira usina nuclear, para operação 
comercial, foi instalada no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Angra 
dos Reis, em 1985.
Seguindo o caminho da diversificação das fontes de geração de energia, 
em 1992, entrou em funcionamento a primeira turbina eólica, localizada 
em Fernando de Noronha, ilha pertencente ao estado de Pernambuco. 
A primeira usina eólica entrou em funcionamento em 1999, na Praia da 
Taíba, no Ceará, com uma capacidade de 5MW (GOUVÊA; SILVA, 2018).
Já a primeira usina solar, instalada no país, foi inaugurada em 2011, 
no município de Tauá, sertão do Ceará, apesar de já existirem há 
época várias empresas e residências que já contavam energia solar 
de forma distribuída. O mais difícil foi encontrar uma solução que não 
fosse tão cara como as baterias, em meados de 2011, que eram muito 
caras e não tão eficientes. A solução procurada foi criada quando as 
concessionárias fizeram um acordo para receber a energia excedente 
de quem produzia em suas propriedades. Por meio da Resolução 
Normativa da ANEEL n. 482, de 17 de abril de 2012, autorizando 
o consumidor de energia elétrica gerar sua própria energia por 
meio de fontes renováveis e fornecer o excedente à rede elétrica 
da distribuidora local, incentivou o avanço da energia solar no país 
(ANEEL, 2022a).
37
2.2 Regulamentações do Setor de energia elétrica
O início da regulamentação sobre energia elétrica, no país, é 
relativamente antigo. Em 1903, já existia a primeira lei sobre o 
aproveitamento da energia hidráulica, objetivando os serviços públicos, 
porém, a regulamentação de forma mais abrangente chegou apenas 
em 1934, mais de trinta anos depois da primeira lei. A implantação do 
Código de Águas foi disruptiva, pois modificou a relação da indústria da 
energia elétrica com o Estado brasileiro.
Depois de cinco anos, foi criado o Conselho Nacional de Águas e Energia 
Elétrica, em 1939, que resolvia problemas de tarifas até a conexão de 
usinas. O conselho foi o órgão mais importante do governo, na época. 
Seria o antecessor do atual Ministério de Minas e Energia, que foi criado 
em 1960. A Eletrobrás foi criada em 1962, com a função de coordenar 
as empresas do setor elétrico do país. Houve um bom investimento 
para o processo de nacionalização e iniciou-se o modelo de estatização, 
entre 1963 e 1979. O regime militar era a favor do modelo estatal, e o 
setor elétrico foi um dos propulsores para o tempo do chamado milagre 
brasileiro. Infelizmente, na década de 1970, tivemos as crises de petróleo 
no mundo todo, e algumas empresas de energia ficaram endividadas. 
A partir de então, o modelo estatal da Eletrobrás, começou a ser 
questionado (ANEEL, 2022b).
2.3	 Modificações	do	modelo	estatal
Apesar das crises do petróleo na década de 1970, foi apenas na 
década de 1990, que a inadimplência das empresas de energia ficou 
insustentável. Apenas em 1993, foram tomadas algumas ações para 
a mudança da situação do quadro de inadimplência. Foi implantada 
a Lei n. 8.631/1993, em que foram estabelecidas as condições para a 
resolução de dívidas dos agentes do setor de energia do país, e houve 
uma tentativa de conciliar os débitos e créditos (BRASIL, 1993).
38
A Lei de Concessões (Lei nº.8.9870) foi promulgada em 1995, dois anos 
depois da tomada de decisão para a ajuda da inadimplência das empresas 
de energia (BRASIL, 1995). Esta Lei de Concessões facilitou a privatização, 
tanto que a Espírito Santo Centrais Elétricas S/A (Escelsa) começou com o 
processo de venda, já sendo privatizada em 1995. Logo após, em 1996, a 
Light e a Cerj foram vendidas. Com esse desenrolar, o governo resolveu 
criar um órgão regulador, que seria o começo de uma agência nacional.
2.4 A importância da criação da Aneel
A criação, em1996, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tinha 
o objetivo de cuidar da regularização, fiscalização da comercialização, 
produção e distribuição da energia elétrica no Brasil. A agência, 
atualmente, ainda tem a responsabilidade desde apenas mediar 
conflitos até a complexidade de estabelecer tarifas, entre outras 
atribuições. Dessa forma, a agência pertence ao time de novos modelos 
híbridos, nos quais a transmissão e geração, em sua maioria, eram 
das empresas estatais. Entretanto, a distribuição em grande parte era 
privada. A Aneel então tornou-se um símbolo do modelo híbrido, em 
que fiscaliza empreendimentos públicos e privados (ANEEL, 2022b).
2.5 Mercado Livre de Energia
O Ambiente de Contratação Livre (ACL), foi criado em 1998 e regulamentado 
pelo Decreto n. 5.163 de 2004 (BRASIL, 2004). Foi um acontecimento muito 
importante e inovador no setor elétrico no país. Essa importância se dá pelo 
fato de que o Mercado Livre de Energia permitiu que o consumidor pudesse 
negociar com o comercializador ou até mesmo com o gerador de energia 
elétrica, o que significou um marco para o setor elétrico.
Atualmente, o Mercado Livre de Energia continua em crescimento 
e está consolidado cada dia mais. A Associação Brasileira dos 
Comercializadores de Energia (Abraceel), trouxe o dado importante: 
39
durante um ano, entre março de 2020 até março de 2021, o número de 
consumidores no ambiente de contratação aumentou em 21%. O dado 
impressionante de que mais de 30% da energia que está sendo gerada 
no Brasil em 2022, está sendo utilizada no Mercado Livre, é também 
uma informação da Abraceel. A tendência desses números é aumentar, 
tornando um impacto muito importante em todo o histórico do setor 
elétrico no país, a cada ano (ABRACEEL, 2022).
2.6 Leis sobre energias renováveis
O episódio chamado de apagão de 2001 deixou explícito que o Brasil 
estava passando por uma crise energética. Inclusive, houve uma medida 
provisória à época, chamada MP do apagão. Em que as pessoas tiveram 
que fazer um racionamento de energia, de junho de 2001 até março 
de 2002. A regulamentação sobre energias renováveis demorou a sair. 
Em parte, esta demora se deve a complexidade que era ter a energia 
distribuída acoplada a rede elétrica. Passaram-se anos para que fosse 
possível a conexão da geração distribuída da energia solar com as 
empresas de energia elétrica. O maior acesso da sociedade brasileira à 
geração distribuída, de forma que os consumidores comuns pudessem 
produzir energia para o consumo próprio, se deu depois da Resolução 
Normativa n. 482/2012 (ANEEL, 2012).
A partir desse acontecimento, houve uma preocupação por parte dos 
gestores de investir em outras fontes de energia. O Marco Legal de 
Geração Distribuída, estabelecido pela Lei n. 14.300/2022 (BRASIL, 2022), 
veio para tentar melhorar a situação energética do Brasil. Sua primeira 
redação instituía que os consumidores que faziam parte da Geração 
Distribuída de energia pagassem pela Tarifa de Uso do Sistema de 
Distribuição TUSD. Os créditos de energia que geraram um excedente 
na rede são descontados da conta de energia dos consumidores. Além 
disso, o texto do Marco legal diz que a taxa de disponibilidade não será 
paga por quem produz a partir do sistema de Geração Distribuída, 
40
ou seja, há uma isenção desta taxa. A concessionária de energia era 
quem cobrava o valor da taxa de disponibilidade, que se referia, como 
o próprio nome diz, a uma taxa da rede elétrica disponível para a 
utilização do cliente, no caso, o consumidor.
As regras do Marco Legal e sua redação serão válidas até o último dia 
do ano de 2045, porém, essas regras se aplicam apenas aos clientes que 
possuíam, até a Lei n. 14.300/2022 ser publicada, a Geração Distribuída, 
e seu sistema. Quem solicitou entrar na Geração Distribuída, com 
seu sistema, doze meses depois da publicação da lei, também teve os 
mesmos direitos até 2045.
Para quem entrar no sistema de Geração Distribuída, após doze 
meses da publicação do Marco Legal, já existe uma transição para 
que os consumidores paguem pelos valores relacionados as tarifas da 
remuneração dos serviços de distribuição, assim como precisam pagar as 
tarifas relacionadas aos ativos, além do custo de operação e manutenção 
da distribuição e seus serviços. Para cada ano, a porcentagem do valor que 
será pago, aumenta, como podemos observar na Figura 1.
Figura 1 – Relação da % de pagamento na geração distribuída
Fonte: adaptada de Brasil (2022).
41
Depois do ano de 2029, as regras das tarifas serão feitas pela Aneel. O 
órgão vinha desenvolvendo internamente uma revisão da regulação da 
porcentagem das tarifas, quando houve o estabelecimento do Projeto de 
Lei n. 5.829 de 2019 (BRASIL, 2019).
2.7 Arcabouço da geração distribuída
Os marcos fundamentais do arcabouço da regulamentação de geração 
distribuída são:
A Resolução Normativa n. 482/2012 (ANEEL, 2012): o mais importante a 
ressaltar é que a resolução só é válida, caso o sistema de geração venha 
de fontes renováveis, como energia eólica, de biomassa, biogás, energia 
solar, que pode ser fotovoltaica ou heliotérmica, que são consideradas 
atualmente, fontes limpas e renováveis de energia.
Esta resolução estabeleceu a geração distribuída da forma atual, na qual 
os consumidores, com sua geração até 1 MW de energia, conseguem 
descontar os créditos de sua energia excedente, que é inserida na rede, 
energia essa que foi produzida pelo consumidor, de seu sistema de 
geração. O valor da energia excedente pode ser descontado na fatura 
do final daquele mês que foi produzido, como nos meses seguintes, com 
até três anos de validade.
A Resolução n. 687/2015 (ANEEL, 2015): esta resolução estabeleceu 
algumas alterações na Resolução Normativa n. 482/2012 vista 
anteriormente, pois aumentou o valor limite da capacidade de geração 
própria do consumidor, aumentou o tempo em que o desconto pode 
ser válido, e instituiu a possibilidade de haver outras modalidades 
relacionadas a geração e ao consumo da geração de energia distribuída. 
As mudanças fundamentais, foram:
• Limite aumentado de 1 MW para 5 MW.
42
• O crédito ficará válido por cinco anos, ao invés de três anos.
• Foram instituídas novas modalidades, como:
• Obras, empreendimentos ou empresas com várias unidades 
que são consumidoras de energia.
• Geração partilhada.
• Consumo de sua própria energia remotamente.
O projeto de Lei n. 5.829/2019 (BRASIL, 2019): o PL 5.829/2019 foi o início 
do estabelecimento do Marco Legal da Geração Distribuída, no Brasil, e, 
em 2022, foi transformado na Lei n. 14.300 (BRASIL, 2022), instituindo 
algumas regras quanto a geração distribuída de energia, como:
• Encargos aplicáveis sobre a tarifa para os grupos de consumidores 
de energia um e dois.
• A Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), remunera as 
distribuidoras e será adotada para demandas de usinas.
• Será obrigatório um depósito caução.
• O custo de disponibilidade de energia terá um novo faturamento.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), desenvolveu um estudo e 
tornou público, no qual prevê um aumento de 30 GW de geração 
distribuída para os dez anos seguintes, apesar das modificações do 
sistema de compensação de tarifa que foram aprovadas pela proposta 
do projeto de Lei PL5.829, de 2019. A EPE chamou de Fio B Gradual, o 
cenário futuro, em que a geração distribuída acumulará 36,6 GW de 
porte, até 2031. Importante salientar que o projeto de Lei n. 5.829/2019 
foi transformado na Lei Ordinária n. 14.300/2022, conhecida como 
Marco Legal da geração distribuída.
43
3. Projetos de energia
Os projetos de energia, atuais e futuros, podem se beneficiar das leis 
de geração distribuída, para contribuir para diminuir as consequências 
dos efeitos das mudanças no clima no planeta, esta ação pode ser feita 
com um compromisso em desenvolver a sustentabilidade e a renovação 
da matriz energética. Com os incentivos da legislação, estes tipos de 
projetos podem ter consequências positivasna economia da própria 
empresa e do país.
No dia sete de janeiro de 2022, o presidente da República sancionou a 
Lei n. 14.300, a qual determina o marco legal da micro e minigeração 
de energia, tendo sua redação prévia sido baseada no PL 5.829/2019 
(BRASIL, 2022). A Lei n. 14.300/2022 estabelece a continuidade, por meio 
do Sistema de Compensação de Energia Elétrica, SCEE, dos benefícios 
que foram ofertados pela ANEEL. Esta mesma lei institucionaliza o 
Programa de Energia Renovável Social (PERS), que tem o objetivo de 
custear gastos e despesas para a instalação de geração de energia 
solar, eólica, de biomassa, biogás, para clientes de baixa renda. O 
fomento vem do Programa de Eficiência Energética (PEE). Com estes 
investimentos do governo federal e com os incentivos que cada estado 
também pode conceder, as pequenas e grandes empresas podem 
desenvolver projetos de energia sustentáveis e eficientes.
Um bom exemplo de projeto de energia, sustentável e rentável, é um 
sistema de produção de energia renovável que pode ser produzido 
a partir de resíduos, restos, e lixo urbano, que são, geralmente, 
depositados em aterros sanitários das cidades. O projeto pode ser 
desenvolvido e constituído de módulos de geradores com uma boa 
capacidade, de, por exemplo, 1,4 MW, que pode oferecer energia 
para mais de cento e cinquenta mil residências ou estabelecimentos. 
Conectando a central do projeto a uma rede de transmissão, que é o 
Sistema Interligado Nacional, este projeto pode operar por meio de uma 
44
subestação e ter um bom lucro, produzindo energia por meio de dejetos 
urbanos. Uma solução para dois problemas nas cidades: os resíduos 
e a falta de energia. A Figura 2 ilustra outro tipo de projeto, que inclui 
vários outros tipos de energias renováveis, como a solar, eólica, e de gás 
natural.
Figura 2 – Exemplos de geração de energia renovável
Fonte: shutterstock.com.
4. Conclusão
Ainda é preciso uma grande melhoria para o desenvolvimento de 
uma regulamentação que seja a favor da geração de energias limpas, 
renováveis no país. Atualmente, o Brasil possui uma matriz elétrica 
em que se predominam as energias renováveis, que são, em sua 
maioria, devido à geração de energia hidrelétrica. Além de haver um 
abundoso recurso natural dos rios, as decisões que os legisladores e 
o poder executivo fizeram, desde 1879, permitiram o grande avanço 
do desenvolvimento da energia hidrelétrica e, por isso, o Brasil é um 
dos países que mais possui a geração de energia renovável do mundo. 
45
Por este mesmo motivo, o país deveria ser exemplo de leis, regras e 
regulação da geração e consumo das energias limpas para o planeta.
Referências
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47
Gestão da eficiência energética e 
a geração distribuída
Autoria: Clarissa Loureiro
Leitura crítica: Leandro José Cesini da Silva
Objetivos
• Orientar para o aprendizado da eficiência energética 
comercial e residencial.
• Explicar a relação entre eficiência energética e 
inteligência artificial.
• Estabelecer critérios para metas das empresas na 
área de eficiência energética.
48
1. Introdução
Neste material, poderemos entender um pouco sobre a importância 
de ter uma otimização no consumo de energia nos âmbitos comerciais 
e residenciais. A eficiência energética é importante por dois grandes 
motivos: o meio ambiente e os custos. Utilizando energia de fontes 
renováveis, a cadeia de produção nem sempre é totalmente renovável. 
Aqui, você poderia utilizar o exemplo das fontes solares e eólicas que 
possuem uma cadeia de produção das estruturas e painéis, que talvez, 
a depender da empresa produtora, emite gases durante o seu processo 
de fabricação.
Precisamos entender todo o contexto da poluição que é gerada com o 
grande consumo de energia, portanto, para o meio ambiente, quanto 
menos consumirmos energia, melhor. Em relação ao custo, como temos 
os recursos naturais finitos, então, a cada ano, a energia fica com um 
valor mais alto do seu custo e, para as empresas, tanto públicas quanto 
privadas, quanto maior o valor da energia, menor fica a capacidade 
das empresas para sua expansão, menor a chance de ter um bom 
orçamento para investir em melhorias, e até mesmo de se manter 
bem no mercado brasileiro. Além disso, as empresas de energia foram 
privatizadas no Brasil, sendo assim, podem aumentar seus preços, para 
compensar o aumento de custos e terem o lucro desejado.
Os softwares, os algoritmos, a análise de dados e as técnicas de 
inteligência artificial, podem ser grandes aliados para a eficiência 
energética, tanto para os consumidores de residências, como para todo 
o setor privado. As aplicações dessas tecnologias podem ser usadas 
na área de segurança dos sistemas, para que não sejam invadidos, as 
aplicações podem ser na área de atendimento ao consumidor, para 
manutenção de redes, para uma infinidade de áreas, como veremos 
logo mais.
49
2. Eficiência energética comercial e residencial
A utilização eficiente de energia, um aumento na prioridade empreservar o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, veio a ser 
tema de várias entrevistas, eventos, discussões, depois do apagão e 
racionamento de energia em 2001. O objetivo era buscar soluções que 
não comprometessem a produção ou prejudicassem o dia a dia das 
pessoas. Portanto, chegou-se à conclusão de que projetos de eficiência 
energética eram fundamentais nas áreas industriais e comerciais. Então, 
os melhores projetos eram aqueles em que as condições operacionais 
eram melhores, mas o consumo de energia era menor.
Foram sendo desenvolvidas várias possibilidades para a eficiência 
energética comercial e residencial, como por exemplo, projetos para 
readequar os sistemas de iluminação, climatização, ou, dependendo 
do tipo de comércio ou indústria, a substituição de motores por 
outros que fossem mais eficientes com menor consumo de energia. 
Para isso, existem fórmulas para calcular quanto de economia no 
consumo de energia e quanto financeiramente é positivo para as 
empresas, comércios e indústrias, investirem em projetos de eficiência. 
Os resultados positivos podem ser desde maior competitividade, 
capital extra para aplicar em outras atividades ou necessidades da 
empresa, como ter um aumento dos resultados da área financeira do 
estabelecimento, além do principal, a preservação do meio ambiente.
Assim, como nas cidades inteligentes, é importante entender os 
indicadores para fazer um diagnóstico, assim também acontece na 
área de eficiência energética, primeiro checamos os indicadores para 
fazer um diagnóstico. É preciso conhecer os indicadores de eficiência 
energética para poder desenvolver os projetos nesta área. Então, para 
ter um diagnóstico de energia, deve-se fazer um levantamento das 
instalações elétricas dos equipamentos e das instalações. Entre os 
objetivos dos projetos, estão:
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• Indicadores e conhecimento das instalações elétricas.
• Indicadores relacionados ao consumo em cada setor ou área.
• Saber quais os tipos de consumidores e o histórico de suas 
necessidades.
• Indicadores de fatores climáticos e sazonais, que podem afetar os 
indicadores energéticos.
• Detectar saídas para reduzir o consumo desde às formas de 
operação de equipamentos até à substituição de equipamentos 
que consumam menos energia com a mesma eficiência.
• Desenvolvimento de um bando de dados, ou data lake, para 
armazenar o histórico do consumo, em forma de parâmetros 
técnicos.
• Desenvolver um plano de ação em que se priorize os investimentos 
e a implementação nos prazos ideais.
2.1 Requisitos para um bom projeto de eficiência 
energética nos setores comerciais e industriais
O investimento no desenvolvimento de um bom projeto tem inúmeros 
pontos positivos, porém, precisa de um certo tempo para sua 
implantação, além de alto grau de detalhamento, no que se refere aos 
itens a seguir e que serão detalhados adiante:
a. Sistemas de iluminação.
b. Climatização de ambientes.
c. Equipamentos.
d. Motor elétrico e compressor.
e. Levantamento de dados técnicos.
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 a. Sistemas de iluminação.
Algumas ações implantadas podem favorecer a diminuição do 
consumo de energia, como: troca de lâmpadas incandescentes por 
lâmpadas fluorescentes, ou ainda, substituir as fluorescentes por 
outras que possuem um modelo mais eficiente. Substituir reatores 
eletromagnéticos por reatores eletrônicos, substituir luminárias por 
outros tipos com refletor de alumínio. É importante também ter a 
possibilidade de ligar ou desligar a iluminação em ambientes diferentes. 
Adequar o nível de iluminação, de acordo com o tipo de atividade 
no trabalho, assim como dispõe a norma NBR 5413, que fala sobre a 
iluminância de interiores (ABNT, 1992). Outro ponto que vale a pena 
é a instalação de sensores de presença, para que a iluminação seja 
acionada apenas quando houver necessidade. Todos estes fatores 
podem reduzir os custos da empresa, trazer conforto aos usuários e, 
consequentemente, melhorar a qualidade do produto.
 b. Climatização de ambientes.
Para aplicar alguns conceitos de eficiência energética na área de 
climatização de ambientes, é possível fazer algumas substituições de 
equipamentos. Por exemplo, substituir os aparelhos de ar-condicionado 
tipo janela por aparelhos tipo Split. Dimensionar adequadamente o 
sistema para o ambiente, podendo melhorar o conforto e, ao mesmo 
tempo, reduzir os gastos de energia. A eficiência do equipamento é dada 
por cada marca e fabricante, e a relação com a potência é direta.
 c. Equipamentos.
Atualmente, a NR-12 estabelece as referências técnicas, princípios 
fundamentais e medidas de proteção para o trabalho em máquinas e 
equipamentos (BRASIL, 2019), preconiza que, para informar, deve haver 
um Plano de Medição e Verificação e informações sobre o tempo de 
uso: como horas por ano (h/ano) e potência (W) de cada equipamento. 
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Quando for feito o dimensionamento do sistema, que foi sugerido, o cálculo 
térmico do sistema precisará ser realizado e a potência deverá ser definida. 
Depois dos cálculos, a informação de quantos equipamentos e se haverá 
modificação da potência poderá trazer benefícios em relação à diminuição 
do consumo e melhor qualidade do sistema que foi proposto.
 d. Motor elétrico e compressor.
Um dos personagens mais importantes relacionados ao gasto de energia 
na indústria são os motores elétricos. Os modelos mais antigos e de 
menor eficiência, podem ser substituídos por outros mais modernos, 
construídos para que sejam mais eficientes, que tenham um rendimento 
melhor, com um fator de potência mais alto. Já os compressores, são 
acionados pelos motores. Ao mesmo tempo, a identificação e correção 
de vazamentos traz, como consequência, a redução drástica no consumo 
energético para operação dos compressores.
O levantamento de dados técnicos para motores elétricos envolve a 
medição e o registro no Plano de Medição e Verificação de dados, como 
potência, tensão nominal, número de polos, número de fases, tempo 
de uso, e corrente média. O fator de coincidência na ponta é muito 
importante e deve ser medido, pois informa sobre o acionamento do 
equipamento e se este está funcionando no horário de ponta. Outro 
dado técnico e informação importante é sobre o carregamento do 
motor, e a relação da potência fornecida e a potência nominal. A curva 
de desempenho do motor deve ser fornecida pelo fabricante e a análise 
desta é fundamental para encontrar a potência ideal para o trabalho 
específico de cada tipo de trabalho feito pelo equipamento.
2.2 Eficiência residencial
Um conceito muito importante para todos é o de eficiência energética 
residencial. O próprio nome é autoexplicativo, trata-se de ter o menor 
consumo de energia e atender todas as demandas da residência, e 
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para que quem habita a casa se sinta confortável e tenha uma boa 
qualidade de vida.
Assim como as empresas, indústrias e todo o setor comercial precisam 
diminuir os custos para viabilizar novos investimentos em outras áreas, 
no setor residencial, não é diferente. Mesmo sendo uma área e um 
consumo bem menor do que em empresas, é importante calcular o 
consumo de energia, e, se possível, realizar algumas substituições para 
melhorar o desempenho dos equipamentos, baixar o custo da conta de 
energia e trazer comodidade às pessoas que habitam na residência. Para 
iniciar os cálculos, é preciso seguir os seguintes passos:
1. Ter a informação sobre o consumo energético da casa.
2. Identificar a potência de cada aparelho ou equipamento elétrico 
da casa.
3. Calcular o consumo de cada tipo de equipamento–produto entre 
potência e tempo (dado em horas de funcionamento de cada 
equipamento).
4. Converter o valor encontrado de consumo de cada equipamento 
para kilowatts-hora, kWh. A conta de energia traz a informação em 
kWh.
5. Calcular o valor consumido mensalmente pelo equipamento.
6. Somar e conferir o consumo de todos os equipamentos da casa 
mensalmente, na mesma unidade que vem na conta de energia, 
comparar e entender se está certo,e onde podem ser feitas as 
mudanças, se no tempo dos equipamentos ligados ou se existe a 
possibilidade de substituição de alguns dos equipamentos.
É importante realizar um planejamento do custo-benefício de 
substituição de alguns equipamentos, em relação à quantidade de anos 
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que serão utilizados. Por exemplo, pode-se fazer substituições na área 
de iluminação, na infraestrutura, como na estrutura de alvenaria, por 
exemplo, é possível fazer um cálculo para que se possa ter paredes que 
com um aproveitamento térmico, tanto no frio quanto no calor. Além 
desses fatores, ainda existe a possibilidade de investimento em painéis 
solares, que, por ser de valor alto, será preciso entender o consumo da 
casa e o tempo que se pretende utilizar o sistema, para saber se o custo-
benefício para o cliente, é viável. Portanto, existem muitas possibilidades 
de conseguir uma melhor eficiência energética nas residências, e 
existem muitos pontos positivos sobre essa área, por exemplo uma 
geração fotovoltaica instalada próxima à carga traz mais eficiência 
ao sistema elétrico, pois evita perdas na rede elétrica. Além de tudo, 
todos podemos contribuir para uma diminuição no tempo de uso dos 
equipamentos diariamente.
3. Inteligência artificial, softwares, redes e a 
tecnologia como aliadas
As tecnologias estão criando inovações e soluções necessárias e 
disruptivas são da área de Tecnologia da Informação (TI) e da engenharia 
elétrica, na área de controle e automação. Por exemplo, a Inteligência 
Artificial (AI), aprendizado de máquina (machine learning), ciência de 
dados (data science), análise de dados (data analytics) mineração de 
dados (data mining), chegando no Big Data, que significa a análise de 
um conjunto imenso de dados. Todas essas tecnologias que podem ser 
aplicadas em conjunto com a internet das coisas (IoT–Internet of Things), 
podem e já estão sendo aplicadas para ajudar inúmeros problemas 
diários.
Na área de eficiência energética, não é diferente, assim, a Inteligência 
Artificial é fundamento para o setor de energia ajudando a superar 
os desafios dos 3Ds (distribuição, digitalização e descarbonização). A 
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distribuição que está ligada aos 3Ds diz respeito à geração distribuída, 
que ficou mais popular depois da popularização da energia solar 
nas residências e indústrias de forma geral. A popularização da 
geração distribuída só foi possível porque houve o acordo com as 
concessionárias de energia, de voltar, para o sistema, o excedente 
da minigeração própria para a rede, ao invés de ser conservada em 
baterias, que encareciam a operação. Além disso, as baterias têm um 
grau de toxicidade, o que não combina com a sustentabilidade que a 
energia solar pode trazer de positivo para o meio ambiente. A Figura 
1 abrange bem o conceito em que as tecnologias estão integradas e 
podem ser utilizadas em uma grande diversidade de aplicações.
Figura 1 – Esquema de integração de IA e dados de múltiplas áreas
Fonte: Shutterstock.com.
Vamos nos concentrar em algumas aplicações da inteligência artificial 
que usa algumas das tecnologias que citamos anteriormente. Podemos 
falar um pouco sobre estas aplicações e, ao explicá-las, podemos 
entender como acontecem as execuções na prática. Citaremos apenas 
algumas, como:
I. Detecção de perdas.
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II. Desmembramento do consumo de energia.
III. Prognóstico de geração de energia renovável.
IV. Gestão de recursos de energia distribuídos.
V. Atendimento ao consumidor.
VI. Segurança cibernética no setor de energia.
 I. Detecção de perdas
As perdas de energia são referentes à energia que não foi 
comercializada, gerando prejuízo para as distribuidoras. A edição de 
2021, do Perdas de Energia Elétrica na Distribuição publicado, pela 
ANEEL, dá conta de que a média de perdas totais foi de 13,9%, destes, 
6,5% são relativos a perdas não técnicas reais e 7,3% são referentes 
a perdas técnicas. Geograficamente falando, a Região Norte 34% das 
perdas totais, seguida pelo Nordeste com 17,4%, Centro Oeste com 
14,2%, Sudeste com 13,4% e Sul com 9,4%. Para exemplificar, em 2020, 
as perdas técnicas na distribuição corresponderam a cerca de 38,8 TWh 
e as perdas não técnicas 37,9 TWh (ANEEL, 2021).
Toda essa perda de energia poderia ser usada para abastecer uma 
cidade de médio porte, por muitos meses. Essas perdas possuem 
uma parte que é causada por fatores técnicos, como, por exemplo, o 
aquecimento dos fios pela passagem da corrente elétrica. Entretanto, 
uma parte considerável se dá por fraudes, e/ou furtos no consumo de 
energia (chamados de gatos), que são as perdas comerciais.
Agora que pudemos entender sobre o grave problema, podemos 
entender também a solução: um conjunto de técnicas de TI, como 
aprendizado de máquina, softwares, algoritmos bem empregados, 
e inteligência artificial! Para isso, é necessário ter os dados de 
consumo, perfil dos clientes, tipo de ligação, tipo de fase, grupo de 
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tensão, localização georreferenciadas, entre outros tipos de dados. 
Os algoritmos são treinados pela técnica de machine learning, para 
identificar anomalias, outliers, e outros tipos de alterações para 
identificar onde pode estar acontecendo a perda de energia.
Algumas empresas já implementaram alguns softwares com as técnicas 
e estão conseguindo bons resultados. A empresa Energisa, por exemplo, 
divulgou que já aplica inteligência artificial e, em quatro anos de uso, já 
reduziu em pelo menos 3,2% as suas perdas, uma quantia de energia tão 
grande, que poderia abastecer mais de dois milhões de consumidores 
durante um mês (BLOISI, 2021).
 II. Desmembramento do consumo de energia
Se pudéssemos saber detalhadamente, na conta de luz, quanto de 
nossa energia foi consumida por cada equipamento, provavelmente, 
poderíamos organizar melhor a rotina para a adoção de medidas que 
pudessem ser mais eficientes para economizar energia, por exemplo.
A explicação técnica de como tornar o desmembramento da conta de 
energia viável pode ser por meio de softwares, em que seus algoritmos 
são treinados para identificar quanto cada equipamento consumiu 
de energia, detectando cada tipo de carga, que tem seu próprio sinal 
elétrico, no consumo de uma casa, empresa ou indústria. O nome da 
técnica é monitoramento de carga de forma não invasiva, a sigla em 
inglês é NILM. Cada equipamento tem sua própria assinatura elétrica, 
que o identifica a partir da medição da unidade consumidora.
 III. Prognóstico de geração de energia renovável
O Brasil tem um grande potencial para gerar energias renováveis, de 
vários tipos diferentes, como eólica, solar, biomassa, biogás, entre 
outras. O problema desses tipos de energia é que são intermitentes, ou 
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seja, como esses tipos de energia não são contínuos, fica mais difícil e 
quase impossível prever a quantidade de energia gerada.
A empresa DeepMind, que é subsidiária da Google, trabalha com 
inteligência artificial e se empenham para poder predizer a capacidade 
de geração de energia eólica. A técnica que a empresa usa é o 
aprendizado de máquina. Dados das turbinas eólicas foram usados para 
treinar uma rede neural, que foi desenvolvida para prever a energia 
gerada. Com a previsão, é possível ter planejamento.
 IV. Gestão de recursos de energia distribuídos
Para planejar a expansão do sistema ou controle da infraestrutura 
do sistema elétrico, é importante que as concessionárias de energia 
elétrica conheçam a capacidade instalada de geração de energia 
distribuída. As fontes de energias renováveis, muitas vezes utilizadas 
por microgeradores ou minigeradores em suas residências, comércios 
ou empresas, dependem, normalmente, das condições climáticas, como 
o vento e sol, por exemplo, assim, a previsibilidade de geração diária se 
torna um importante desafio.
As empresas chamadas cleantechs, que são startups que trabalham 
com tecnologias sustentáveis e limpas, desenvolvem softwares para 
os Sistemas de Gerenciamento de Recursos de Energia Distribuídos 
(DERMS), sigla em inglês. Usandoa Internet das Coisas e Inteligência 
Artificial, as cleantechs estão conseguindo monitorar os artifícios (falhas) 
de energia da rede e analisar a capacidade de energia disponível.
4. Conclusão
A importância da eficiência energética é bem evidenciada em todos 
os setores. Os pontos positivos são inúmeros, tanto pela redução do 
custo no orçamento, competitividade para o comércio, quanto para o 
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meio ambiente. Em muitos setores, podemos entender como faz uma 
grande diferença o investimento no uso de energia de forma otimizada. 
Podemos usar softwares, machine learning, Internet das Coisas, data 
mining, Big Data, inteligência artificial e outros tipos de tecnologias para 
serem aliadas e ajudarem na aplicação da eficiência energética.
Referências
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FABRÍCIO, B. Ranking valor inovação: prêmio valor inovação. Valor 
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	Sumário
	Apresentação da disciplina
	Políticas públicas relacionadas à eficiência energética
	Objetivos
	1. Introdução
	2. O que são cidades inteligentes?
	3. Generalizações eficiência energética
	4. Políticas públicas na área de eficiência energética
	5. Conclusão
	Referências
	Indicadores e tendências de eficiência energética
	Objetivos
	1. Introdução
	2. Indicadores energéticos e sua importância na construção da sustentabilidade
	3. Tendências de eficiência energética
	4. Planejamento de médias e grandes cidades a luz da eficiência energética
	5. Aplicação de alguns indicadores de eficiência energética
	6. Conclusão
	Referências
	Arcabouço Regulatório do Setor Elétrico e Projetos de Energia
	Objetivos
	1. Introdução
	2. Regulamentação de energia elétrica no Brasil
	3. Projetos de energia
	4. Conclusão
	Referências
	Gestão da eficiência energética e a geração distribuída
	Objetivos
	1. Introdução
	2. Eficiência energética comercial e residencial
	3. Inteligência artificial, softwares, redes e a tecnologia como aliadas
	4. Conclusão
	Referências