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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO ESCOLA DE SAÚDE E CIÊNCIAS DA VIDA BACHARELADO EM PSICOLOGIA PSICOLOGIA NO CONTEXTO JURÍDICO SUELLEM DAYANNE BARROS DA SILVA AVALIAÇÃO 1ºGQ Recife 2024 CONSIDERAÇÕES ACERCA DO CASO MÃE LEGAL E DOS DOCUMENTÁRIOS: JUÍZO, À MARGEM DO CORPO E A MORTE INVENTADA. Atividade avaliativa I e II apresentada à disciplina de Psicologia no contexto jurídico, como requisito para obtenção da nota do 1°GQ, elaborado sob a orientação da Profª. Drª. Edineide Maria da silva. Recife 2024 Caso do programa mãe legal Suzana tem uma vida que foi marcada por situações de violência, negligência, maus tratos e abandono, principalmente emocional por parte de seus pais. Tais vivências provavelmente afetaram sua formação psicológica de forma significativa, resultando em dificuldades nos relacionamentos afetivos e no exercício da função materna. A gravidez por sua vez é um período de muitas alterações biológicas, psicológicas, entre outras. E para as mulheres que escolhem doar seus bebês é necessário um olhar ainda mais humanizado, considerar essa mulher como um ser individual, compreender as questões que perpassam a gravidez e consequentemente a entrega para adoção como um processo ainda mais intenso, pois além das mudanças internas, também ocorrem mudanças externas como por exemplo os julgamentos sociais e familiar. Segundo Menezes e Dias (2011, p. 936) “a motivação para o ato de doar um filho é contextualizada e individual, dependendo de fatores sociais, porém muito mais dos intrapsíquicos. Trata-se de um assunto complexo, necessitando, portanto, que se observem as peculiaridades de cada caso e os fatores a eles subjacentes”. Suzana demonstra uma consciência crítica sobre suas limitações atuais, incluindo a precariedade financeira e a ausência de suporte familiar, o que a levou a considerar a adoção como uma alternativa para o bem-estar do bebê. É Importante notar a aparente falta de vínculo afetivo com o bebê, o que pode ser reflexo de suas experiências traumáticas e dificuldades emocionais. A relação mãe-bebê é crucial para o desenvolvimento saudável da criança, e a fragilidade deste vínculo pode ter implicações a longo prazo tanto para Suzana quanto para o bebê. Vale destacar, a complexidade da formação de vínculos emocionais e a importância do envolvimento afetivo na relação entre mãe e bebê. Em sua Teoria do Apego (Bowlby, 1984), afirma que a sobrevivência tanto individual quanto da espécie é o principal fator na origem do apego, que se desenvolve através da ligação entre mãe e bebê. Dessa forma, o bebê recém-nascido responde ao cuidador com especial interesse, possibilitando a formação do vínculo emocional com quem lhe proporciona gratificação, estimulação adequada, proteção e aprovação. Ao chegar ao mundo, o bebê não consegue se manter por conta própria ou cuidar de suas próprias necessidades, necessitando assim de um cuidador capaz de garantir sua alimentação, higiene e dar apoio emocional. Quando isso acontece com uma figura constante geralmente a mãe ou um cuidador substituto, que Bowlby chama de figuras de apego, essa ligação pode oferecer à criança um desenvolvimento biopsicoafetivo seguro e saudável. Suzana ao decidir entregar o bebê para adoção está garantindo que outro cuidador seja essa figura de apego, já que ela não se vê em condições de ocupar esse lugar. Diante desse contexto, o Programa Mãe Legal é visto como uma forma para Suzana exercer seu direito de não ser mãe e proteger a criança, pois o programa possibilita o ingresso do bebê em uma família adotiva que possa oferecer amor e cuidado. É muito importante compreender a história de vida de Suzana para entender suas dificuldades e necessidades e assim oferecer o apoio que ela precisa. Documentários 1. Juízo O filme documental "Juízo" é de origem brasileira e teve sua direção feita por Maria Augusta Ramos, sendo lançado em 2008. O filme mostra o percurso de crianças e adolescentes de baixa renda, com menos de 18 anos, desde o momento da detenção até o julgamento por crimes de roubo, tráfico e homicídio. Uma vez que a lei proíbe a divulgação da identidade dos adolescentes, eles são retratados por jovens que não cometeram crimes e têm situações sociais semelhantes. Enquanto os juízes, promotores, defensores, agentes e familiares presentes no filme são pessoas reais filmadas durante audiências na 2ª Vara da Justiça do Rio de Janeiro e visitas ao Instituto Padre Severino, um local de reclusão de adolescentes. Local este bastante semelhante a uma prisão comum, o que nos leva a questionar se o real objetivo da detenção é socioeducar ou apenas punir. A Juíza Luciana Fiala é uma das personagens principais do documentário, recusando-se a considerar as circunstâncias sociais dos jovens infratores como motivo para amenizar as penas aplicadas. É revoltante observar a postura da juíza nos casos, com um tom superior e a convicção de que todos têm as mesmas oportunidades e é simples optar por um caminho diferente. Isso ficou evidente em falas como: “tão fácil escolher outro caminho” e “Por que você não foi atrás de um emprego formal?” dessa forma o problema estaria resolvido. Este filme nos permite tirar diversas conclusões sobre o nosso sistema judicial. Uma das principais questões é a falta de compromisso com a ressocialização de quem é preso, o sistema prisional tem falhado significativamente. Há um perfil evidente entre as pessoas que se encontram presas. Há um padrão claro ou melhor escuro, nos motivos que levam a juíza a se sentir à vontade para humilhar os meninos, meninas e familiares. A impressão que o documentário passa é que o sistema judicial do Brasil é formado por divindades, por semideuses que não demonstram preocupação genuína com suas escolhas e o impacto que isso tem na vida alheia. A Juíza, por exemplo, dando longos sermões sem mostrar real interesse em alterar as condições de vida dos envolvidos. Como pode ser benéfico enviar um jovem ainda em formação para um local onde centenas de crianças estão submetidas a um regime quase militar, enfrentando revistas humilhantes, cabelos raspados, isolamento familiar e um tédio constante? Ela critica a falta de interesse deles nos estudos e sua baixa escolaridade com um tom de desprezo, mas paradoxalmente os coloca em um ambiente onde educação e recursos são escassos. Onde está a coerência e a preocupação que ela afirma ter em seus discursos extensos e muitas vezes humilhantes? A juíza, obviamente, não se importa em conhecer detalhadamente os motivos, em compreender a realidade da qual ela “claramente” não faz parte. Ela afirma estar presente para respeitar as leis, mas para quem foram criadas? Não permitir outra opção, não conceder possibilidades para que esses jovens descubram um novo caminho em sua vida, um caminho que não represente perigo para eles parece não ser uma opção. É doloroso ver que adolescentes que nem conseguiam entender o que a juíza falava sobre liberdade assistida estão sendo julgados e presos. É complexo o fato de que a pessoa encarregada de fazer o julgamento seja uma mulher branca, possivelmente pertencente à elite social. Assim, é simples dizer que “é só sair para vender balas e engraxar sapatos”. A postura da juíza e as condições do Instituto Padre Severino, nos faz refletir sobre o sistema prisional de crianças e adolescentes, e as medidas socioeducativas associadas. Atualmente, a eficácia dessas medidas tem sido amplamente questionada, principalmente porque parecem não cumprir sua função declarada de educar e ressocializar. Em vez disso, essas práticas muitas vezes se resumem a uma ferramenta de controle social, destinada a reforçar o poder e manter a dominação. Inclusive o filme exemplifica que punir não tem nenhum propósito além de manter o poder e exercer controle. O principal objetivo das medidas socioeducativas no Brasil, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é ajudar o jovem infrator a se recuperare se reintegrar à sociedade. No entanto, na vida real, as entidades responsáveis por colocar em prática tais medidas muitas vezes priorizam mais a punição do que a educação. Esta forma simplista de abordagem não leva em consideração as dificuldades e os obstáculos individuais enfrentados por esses adolescentes, a maioria dos quais vêm de ambientes marcados por vulnerabilidade social, violência e falta de recursos. Nos centros de internação, frequentemente se nota um ambiente desumano devido à superlotação, condições insalubres, falta de profissionais qualificados e escassez de programas educacionais e de profissionais adequados. Estes elementos resultam em um cenário onde a violência e a falta de atividades são comuns, mantendo um ciclo de exclusão e marginalização ao invés de interrompê-lo. A crítica ao sistema não se resume apenas à ausência de infraestrutura adequada, mas também está relacionada a uma falha mais fundamental, pois se a intenção é de fato reintegrar, é imprescindível reavaliar e transformar completamente o sistema de medidas socioeducativas para que possa proporcionar reais chances de transformação. Isso envolve fazer investimentos em educação, cuidado com a saúde mental, apoio da família e integração na comunidade. Pois, o sistema que não educa e não ressocializa, serve apenas para prender. 2. À margem do corpo O documentário, filmado em 2006, tem como protagonista Deuseli, uma diarista negra. A propósito, a personagem não é exibida em nenhum momento do filme, nem mesmo em fotografias, portanto, sua história é narrada através de diferentes pontos de vista, com opiniões completamente diferentes, principalmente preconceituosas sobre Deuseli e os eventos que marcam sua vida. Paula, uma amiga próxima de Deuseli, revelou que desde a infância, Deuseli enfrentou abusos dentro da própria família. Esses abusos parecem ter sido os responsáveis pelos traumas e dificuldades na saúde mental dela. O documentário aborda inicialmente o estupro que Deuseli sofreu em 1996, cometido por Nego Vila e que resultou em uma gravidez. Mais uma vez, surge uma falta de clareza nas opiniões das pessoas, algumas duvidando da culpa de Wilson (Nego vila) e chegando até mesmo a sugerir que Deuseli poderia ter inventado toda a situação. Enquanto, Nego Vila pertence a uma família de sete irmãos com histórico de alcoolismo, onde sua mãe que sustentava a casa através da coleta seletiva. A mãe de Wilson demonstra frustração e indignação com o Estado devido à aplicação injusta das leis e à falta de apoio de programas sociais para melhorar a qualidade de vida. Na prisão, Wilson mantinha um comportamento adequado, mas continuava agredindo sexualmente os novos detentos, e ainda tinha uma relação amigável com o estuprador da irmã. Essa situação evidencia questões psicológicas e psiquiátricas que deveriam ter sido tratadas de outra forma, e não apenas com punição penal. O sistema penal muitas vezes acaba focando exclusivamente na punição e acaba negligenciando a reabilitação e a ressocialização, o que pode perpetuar ciclos de criminalidade em vez de interrompê-los. Mesmo com o estuprador preso, Deuseli foi negligenciada em vários momentos cruciais, na tentativa de fazer o exame de corpo de delito e a médica, talvez por nojo, preconceito ou falta de profissionalismo, pede que ela tome banho e volte no dia seguinte. E quando finalmente o exame é realizado, vários detalhes importantes são ignorados, como por exemplo o cabelo cortado e as marcas de mordidas. Em outro momento, Deuseli decide não levar a gravidez resultante de estupro adiante, um direito que é assegurado no artigo 128 do Código Penal, porem é impedida pelo hospital, que dificulta e ultiliza argumentos religiosos e do movimento "pró-vida" para faze-lá mudar de ideia. Muito embora a Constituição Federal de 1988 afirme que o Estado tem como dever “IV -promover o bem de todos, sem quaisquer preconceitos de origem, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL, 1988), o caso em questão demonstra como o Estado e os agentes públicos expõem mulheres a situações de violência. A falta de cumprimento do Estado em proteger Deuseli e o foco em manter a moral e os bons costumes é o ponto de partida para uma série de crimes que surgem posteriormente. Depois de uma semana no hospital, Deuseli escapa de Alexânia e continua sua gravidez em Anápolis (Goiás). Em sua nova residência, ela começa a trabalhar para outra família, mas os comentários preconceituosos sobre ela ainda continuam. É importante ressaltar que, depois do estupro, Deuseli começou a enfrentar epilepsia, convulsões e possivelmente esquizofrenia, mas aqueles que estavam ao seu redor acreditam firmemente que eram manifestações de possessão por entidades malignas. A filha de Deuseli, Fernanda, de 11 meses de idade, é encontrada morta na banheira, vítima de afogamento. Deuseli foi descoberta amarrada e sem roupas na sala, com a casa bagunçada, também havia várias semelhanças com o cenário de um estupro, incluindo mordidas e cabelo cortado no corpo. Antes da chegada da polícia, os espectadores já alegavam que Deuseli tinha assassinado sua filha, enquanto ela declarava que a casa tinha sido invadida por criminosos. Ao chegar ao local, a delegada obriga Deuseli a confessar o crime sob ameaça de choques elétricos, levando-a a admitir o assassinato da filha. No entanto, crimes admitidos sob coação resultam em uma redução automática da pena, algo que não foi considerado neste caso e mais uma vez, Deuseli tem seus direitos negados. Por fim, Deuseli acaba sendo presa, transformando-se de vítima de estupro em assassina. Na prisão Deuseli se envolve com Divino e engravida. Após o parto, ela se muda para a Casa da Gestante. Concluída sua pena, Deuseli perde a custódia da filha, que fica sob cuidados de um programa devido a um processo judicial e ao uso de cinco medicamentos controlados, que “podem” indicar condições psicológicas frágeis. Posteriormente, vivendo com Divino, ela engravida de novo. Porém, durante o quinto mês dessa gestação, Deuseli sofre convulsões e é hospitalizada. E mais uma vez a igreja intervém, pressionando por um parto prematuro para batizar a criança alegando que a criança deveria ser batizada antes de morrer. Mas Deuseli morre no hospital, levando consigo seu terceiro filho. O Caso de Deuseli revela de forma incisiva e crítica as deficiências estruturais e as desigualdades sociais presentes em nossa sociedade, principalmente em relação ao tratamento dado a pessoas marginalizadas por sua classe, etnia e condição econômica. Este caso não é apenas uma tragédia pessoal, mas também representa problemas estruturais profundos que precisam de atenção imediata e reforma. Através do caso de Deuseli é possível refletir e tecer críticas sobre diversos pontos como por exemplo desigualdade racial e gênero, falha no sistema, preconceito e estigma no atendimento médico e social, Ineficiência dos Programas de Apoio Social e a Ineficiência dos Programas de Apoio Social. Deuseli, como mulher negra e de baixa renda, encara diversas formas de discriminação. O seu exemplo mostra como diversas formas de opressão se misturam para aumentar o trauma e a exclusão social. A sociedade não consegue proteger suas cidadãs mais vulneráveis, frequentemente ignorando os maus tratos que enfrentam e mantendo ciclos de violência e pobreza. A forma como o sistema legal lidou com Deuseli não só foi inapropriada, mas também causou danos. A pressão para admitir um delito mediante ameaças ilustra um sistema cruel e injusto que favorece a resolução rápida dos casos em detrimento da verdadeira justiça. Adicionalmente, a falta de proteção a Deuseli e a ausência de opções seguras após o estupro mostra uma falha séria. O cuidado prestado a Deuseli por profissionais médicos e sociais, que tinham a responsabilidade de fornecer apoio e compreensão, foi marcado por preconceito e desrespeito. Isso não apenas intensificaa dor que a vítima sofreu, mas também desencoraja outras vítimas de procurar apoio, prolongando o sofrimento e a exclusão. O caso expõe a ineficácia dos programas de apoio destinados a fornecer segurança e estabilidade para os mais vulneráveis. A falta de acompanhamento adequado e de recursos acessíveis deixa pessoas como Deuseli sem alternativas possíveis para reconstruir suas vidas após situações traumáticas. A influência da religião e de normas culturais sobre as decisões médicas e judiciais no caso de Deuseli destaca como certas ideologias podem influenciar negativamente a saúde e a justiça. A pressão para manter uma gravidez indesejada e a atribuição de transtornos mentais a "possessões" são exemplos de como as crenças culturais podem atrapalhar o bem-estar, a autonomia individual e ainda perpetuar os estigmas sobre a saúde mental. Diante disso, é possível concluir que, ao longo de sua vida até mesmo quando (aparentemente) comete o homicídio de sua filha, Deuseli é simplesmente uma vítima das falhas e deficiências do Estado, estando completamente desprotegida, subjugada e com seus direitos constantemente violados. Deuseli faz de tudo para conquistar seus direitos, mas encontra obstáculos em todos os lugares. A realidade é que casos como esse são frequentes entre diversas mulheres negras, de comunidades pobres, como Deuseli, mas a sociedade e as autoridades continuam ignorando, priorizando a manutenção da moral e dos valores tradicionais. Apesar de ser considerada culpada por um dos crimes, Deuseli é apenas uma vítima das deficiências do sistema criminal brasileiro, que é altamente discriminatório ao estereotipar as pessoas com base em sua classe social, aparência e etnia, e ao julgá-las de forma precipitada. 3. A morte inventada O documentário aborda a situação em que crianças são afastadas de um dos pais após o divórcio, mostrando a influência do sistema judiciário e as consequências da alienação parental. A alienação parental é quando um dos pais manipula emocionalmente uma criança ou adolescente para se afastar do outro genitor de maneira negativa. Essa situação pode ter consequências devastadoras para o desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, assim como para o relacionamento entre elas e o genitor afastado. A manipulação geralmente acontece em contextos de desentendimentos pós-divórcio ou separação, quando um dos pais quer retaliar ou dominar o outro através do filho, o pai alienador pode usar diversas estratégias para atingir seus propósitos, como mostrado no documentário nas seguintes falas: “Eu fiquei com muita expectativa que ele voltasse outras vezes, e ao mesmo tempo eu queria que ele não voltasse nunca mais"; "Eu fiquei com muita raiva quando ele apareceu"; "Minha mãe disse que ele ia vir nos buscar para jantar então a gente ficou prontinha esperando e ele nunca apareceu, e aí a minha mãe disse assim, olha tá vendo como ele não vem, ele não quer saber de vocês". Para alcançar o objetivo de alienação parental, os genitores frustrados podem adotar várias estratégias, incluindo difamação para criar uma visão negativa do outro genitor na mente da criança, restrições de contato para dificultar o relacionamento entre a criança e o genitor alienado e manipulação emocional para afligir o vínculo emocional entre eles, levando a criança a se sentir culpada por amar ou desejar estar com o outro pai. Isso pode envolver chantagem emocional, ameaças sutis ou até mesmo recompensas por rejeitar o genitor alienado, isso ficou evidente quando uma das filhas que aparece no documentário queria falar com o pai, mas não queria desaprovação da mãe e dizia que só ligou para pedir dinheiro. Dos casos relatados, um dos mais sério é a acusação falsa de abuso. O indivíduo alienador pode fazer alegações falsas de abuso físico, sexual ou emocional contra o pai ou mãe alienado, com o objetivo de afastar a criança do outro genitor e obter vantagem no sistema jurídico. Em situações como essas. Sem ter outra opção, o réu precisa apenas esperar o desenrolar do processo e a revelação da verdade, na esperança de recuperar o tempo perdido com seu filho, algo que raramente acontece. Como a psicóloga lidou com isso também aparenta ser antiético, deu apenas uma declaração afirmando que houve abuso, não levando em consideração o poder que esse documento teria se usando da forma errada. É importante destacar que a alienação parental não se trata apenas de um problema entre os adultos envolvidos, mas é uma forma de abuso emocional contra a criança e o genitor afastado. As crianças são frequentemente utilizadas como peões em jogos de poder e vingança entre os pais, sem consideração pelo seu bem-estar emocional e sua necessidade de manter vínculos saudáveis com ambos os genitores. O alienador nem sempre reconhece que errou "Ela não acha que tá errada", normalmente a alienação só é percebida pela vítima após o fim do relacionamento, seja através da mudança da guarda ou ao atingir a idade adulta, "Cortar minha mãe da minha vida, foi muito complicado, eu tinha uma mãe maravilhosa que falava muito mal do meu pai". O genitor afastado muitas vezes enfrenta uma batalha árdua para manter um relacionamento significativo com seus filhos. A alienação pode levar à diminuição da convivência e comunicação, resultando em um distanciamento emocional que pode ser difícil de reverter. Além disso, o genitor afastado muitas vezes sofre com sentimentos de impotência, tristeza e frustração ao perceber que está sendo afastado da vida de seus próprios filhos, muitas vezes sem entender o motivo ou sem ter a chance de se defender das acusações infundadas. Referências MENEZES, Karla Luna de; DIAS, Cristina Maria de Souza Brito. Mães doadoras: motivos e sentimentos subjacentes à doação. Rev. Mal-Estar Subj., Fortaleza, v. 11, n. 3, p. 935-965, 2011. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-6148201100130 0003&lng=pt&nrm=iso> . BOWLBY, J. (1984). Apego e perda: apego. Volume 1. São Paulo: Martins Fontes. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. FILMES BRASIL. “Juízo”. Youtube, 1:47:30. <https://www.youtube.com/watch?v=zf3HAe02SfM&t=1821s> IMAGENS LIVRE. “À margem do corpo”. Youtube, 43:48. <https://www.youtube.com/watch?v=4PoxtwM8nik> CARAMINHOLA PRODUÇÕES. “A morte inventada”. Youtube, 1:17:42. <https://www.youtube.com/watch?v=uv6DuQv0ldE> https://www.youtube.com/watch?v=zf3HAe02SfM&t=1821s https://www.youtube.com/watch?v=4PoxtwM8nik https://www.youtube.com/watch?v=uv6DuQv0ldE