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55 Timbre e densidade Na área musical, há conceitos que classificam as qualidades do som e que podem ajudar a descrever diferentes paisagens sonoras. Dois deles são: timbre e densidade. Você consegue diferenciar o som produzido ao se bater em um objeto de metal do som de um objeto de madeira? E o som de um piano do som de um violão? A qualidade de cada som relacionada ao material do qual um instrumento feito é o que chamamos de timbre. Esse termo não foi usado diretamente em partes anteriores deste capítulo, mas tratamos de timbre em vários momentos, ao falar dos diferen- tes materiais usados para fabricar um instrumento, ao falar das inovações de Villa-Lobos nas sonoridades das composições para orquestra e ao falar de sons produzidos por diferentes animais que os Maxacali reconhecem e registram em alguns de seus can- tos. Observe também que um mesmo instrumento pode sofrer variações de timbre, dependendo da técnica que for usado para tocá-lo, como é o caso dos instrumentos de corda, que podem ser tocados com a técnica de pizzicato ou com arco, alterando, assim, o timbre do som que produzem. O termo densidade, comumente usado para se referir a quali- dades de materiais líquidos, sólidos ou gasosos, também pode ser usado no contexto musical, para falar da quantidade de sons que soam ao mesmo tempo. Quanto mais sons simultâneos, maior a densidade sonora. Ouça sons de diferentes instrumentos de madeira e de metal, nas faixas 4, 5, 6, 7 e 8 do CD. 1 Reflita sobre as seguintes questões e compartilhe suas respostas com os colegas e com o professor. 1 Levando em consideração a explicação anterior, deduza: O que é mais denso sonoramente, o som produzido por um pássaro ou o som de um enxame de abelhas? O som de um instrumentista fazendo um solo ou de uma orquestra inteira tocando junto? Justifique suas respostas. 4 A N D R EA E B ER T 5 6 7 8 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 2o BIMESTRE Unidade temática da BNCC: Música. Objetos de conhecimento: Elementos da linguagem; Mate- rialidades. Habilidades em foco nesta seção: (EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da mú- sica (altura, intensidade, tim- bre, melodia, ritmo etc.), por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diver- sas de composição/criação, exe- cução e apreciação musicais. (EF69AR21) Explorar e analisar fontes e materiais sonoros em práticas de composição/criação, execução e apreciação musical, reconhecendo timbres e carac- terísticas de instrumentos musi- cais diversos. Orientações para uso do CD (faixas 4 a 8) Para ampliar o estudo, mostre aos estudantes os sons/timbres de instrumentos de diferentes tipos e materiais. Apresente os áudios sem falar sobre os ins- trumentos. Peça que deduzam a partir de seus timbres: “De que material será que é feito?”; “Como será que é tocado?”. Dia- logando com as respostas, forne- ça mais informações sobre eles: Faixa 4, matraca: idiofone de madeira. Faixa 5, cajon: idiofone de ma- deira. Faixa 6, clarinete: aerofone do naipe orquestral denominado de “madeiras” (composto de instrumentos nos quais a pro- dução do som ocorre a partir da vibração de uma palheta por meio de sopro). Faixa 7, gonguê: idiofone de metal. Faixa 8, trompete: aerofone do naipe orquestral “metais” (instrumentos nos quais o som é produzido a partir de sopro com vibração dos lábios). Na faixa 2 do CD foi apresen- tado um membranofone, a za- bumba, e um idiofone de me- tal, o triângulo. Orientações É mais produtivo associar as explicações a exemplos práticos: leve objetos ou instrumentos de diferentes materiais e faça exercícios de reconhecimento dos objetos pelos seus sons, para trabalhar a noção de timbre. Para trabalhar a noção de densidade, proponha exercícios de percepção da quantidade de instrumentos tocando ao mesmo tempo. Sobre a atividade: Para refletir 1. De modo a evitar confusões, destaque que o conceito de densidade se refere à quantidade de sons e não à quantidade de instrumentos. Afinal, pode haver variação de densidade mesmo ao se usar apenas um instrumen- to, se ele puder tanto emitir uma nota sozinha como várias ao mesmo tem- po, como é o caso de um violão ou um piano. 56 Agora, que tal criar uma paisagem sonora? 1 Reúna-se com seus colegas em um grupo de quatro inte- grantes. 2 Escolham um ambiente conhecido ou imaginado por vocês para ser recriado sonoramente e elaborem uma lista de sons que exis- tem nele, atentando-se para os timbres e as densidades sonoras. 3 Na sequência, cada grupo pesquisará e escolherá os procedi- mentos, que podem variar, para recriar ou representar os sons e o ambiente. Veja na sequência algumas sugestões: a) Utilizar instrumentos musicais; percussão corporal; sons de diferentes objetos, presentes na escola ou que vocês le- vem para a aula. b) Construir um instrumento para reproduzir o som ima- ginado. c) Compor uma letra de música descrevendo o ambiente. d) Utilizar músicas que já existam e que vocês considerem ter relação com esse ambiente. e) Outros procedimentos inventados por vocês. 4 Feitas as escolhas e invenções, os grupos apresentarão para a turma o seu ambiente, sem dizer qual é, e verão se a turma consegue reconhecê-lo. 5 Após as apresentações dos grupos, compartilhe suas impres- sões sobre a atividade com os colegas e com o professor. Reflita sobre as seguintes questões e compartilhe suas respostas com os colegas e com o professor. Respostas pessoais. 1 O que levou o grupo a escolher esse ambiente para recriar? 2 Como foi recriá-lo sonoramente? Ele ficou parecido com o que você imaginava ou houve surpresas? 3 Algo nessa atividade foi desafiador para você? O que aprendeu com ela? Para refletir 56 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 56 Nesta seção, é proposta uma atividade de criação sonoro- -musical coletiva relacionada ao tema do capítulo. Unidade temática da BNCC: Música. Objetos de conhecimento: Elementos da linguagem; Mate- rialidades; Processos de criação. Habilidades em foco nesta seção: (EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da mú- sica (altura, intensidade, tim- bre, melodia, ritmo etc.), por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diver- sas de composição/criação, exe- cução e apreciação musicais. (EF69AR21) Explorar e analisar fontes e materiais sonoros em práticas de composição/criação, execução e apreciação musical, reconhecendo timbres e carac- terísticas de instrumentos musi- cais diversos. (EF69AR23) Explorar e criar im- provisações, composições, ar- ranjos, jingles, trilhas sonoras, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumen- tos acústicos ou eletrônicos, convencionais ou não conven- cionais, expressando ideias mu- sicais de maneira individual, co- letiva e colaborativa. Orientações A atividade pode ser realizada em uma única aula, com o que estiver disponível na escola, ou pode envolver um processo de pesquisa extraclasse a partir do qual os estudantes levem novos objetos, materiais ou músicas para a recriação de cada am- biente. Orientações Na etapa 2, você pode dar exemplos: uma praia, uma praça, uma feira, o fundo do mar, o interior de uma espaçonave, uma floresta, o pátio da escola na hora do intervalo etc. Na etapa 3, ao falar em representar, podem-se citar como exemplos músi- cas apresentadas no Sobrevoo, como “O trenzinho do caipira” e “A volta da asa-branca”. Nelas, os sons do ambiente não são reproduzidos diretamente, mas os elementos musicais (e da letra, no caso da canção) fazem referência a alguns desses sons ou a um ambiente de modo geral. Assim, são modos de representá-los. Se algum grupo escolher o caminhoda etapa 3b, sugerimos pesquisar mais sobre o trabalho de Walter Smetak e do grupo Uakti. 57 A R Q U IV O C B /D .A P R E S S R A JI N D E R W A D H W A /D IN O D IA P H O TO /E A S Y P IX B R A S IL F O TO : C O R T E S IA G A LE R IA P A U LA C O O P E R , N O V A Y O R K JO S É C A LD A S 57 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Neste capítulo, você pôde perceber que a interação entre a música e os ambientes pode acontecer de muitas maneiras, seja alterando di- retamente a paisagem sonora, representando elementos do ambiente musicalmente ou criando instrumentos musicais. Também viu que isso pode ser feito em diferentes estilos musicais, com canções e músicas ins trumentais, em diferentes culturas, como as músicas indígenas, e em diferentes linguagens artísticas, como a instalação sonora apresentada na abertura do capítulo. Além disso, conheceu os conceitos de timbre e densidade e experimentou recriar sonoramente um ambiente. Para concluir, reflita sobre as seguintes questões e compartilhe suas respostas com os colegas e com o professor. 1 Volte à pergunta-título deste capítulo e responda: Como a música interage com a paisagem? 2 Reflita junto com os colegas: A partir do que se conheceu e experimentou neste capítulo, que novas maneiras de interagir musicalmente com as paisagens onde vivem vocês conseguem imaginar? 3 Quais descobertas você fez ao longo deste capítulo? O que você gostaria de continuar aprofundando? Respostas pessoais. 57 2o BIMESTRE Unidade temática da BNCC: Artes integradas. Objeto de conhecimento: Contextos e práticas. Habilidade em foco nesta seção: (EF69AR31) Relacionar as prá- ticas artísticas às diferentes di- mensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. Orientações Estimule a autoavaliação no que se refere ao envolvimento de cada estudante nas propostas sugeridas; compreensão do con- teúdo estudado e colaboração para o aprendizado coletivo. Sobre a atividade 2. Esta é uma oportunidade para avaliar o que e como os estudantes assimilaram o con- teúdo estudado e o que mais lhes marcou. Para isso, é impor- tante estimular que respondam a partir da memória e com suas próprias palavras, sem precisar ficar relendo o livro. Você pode estimular reflexões lembrando- -lhes dos procedimentos dos artistas apresentados no capí- tulo (representação musical de elementos do ambiente, criação de instrumentos etc.) e pergun- tando quais desses procedimen- tos eles sentem que podem fa- zer também. 58 SMITHSON, Robert. Spiral Jetty [Quebra-mar em espiral, em tradução livre]. 1970. Lama, cristais de sal precipitados, rochas e bobina de água, 427,2 m # 4,57 m. Rozel Point, Grande Lago Salgado, Utah, Estados Unidos. Fotografia de 2008. 4 © F U N D A Ç Ã O H O LT /S M IT H S O N /A U TV IS , B R A S IL , 2 01 8. F O TO : T O M S M A R T/ TH E N E W Y O R K T IM E S /F O TO A R E N A – G R E AT S A LT L A K E , U TA H 58 Este capítulo, “Arte e natureza”, relaciona-se às Unidades temá- ticas da BNCC: Artes visuais; Música. De acordo com as Competên- cias específicas do Componente Curricular Arte, os conteúdos trabalhados neste capítulo bus- cam levar os estudantes a: 1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e cultu- rais do seu entorno social, dos povos indígenas, das comuni- dades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em dis- tintos tempos e espaços, para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as di- versidades. 2. Compreender as relações en- tre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de in- formação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições particulares de pro- dução, na prática de cada lin- guagem e nas suas articulações. 3. Pesquisar e conhecer distin- tas matrizes estéticas e culturais – especialmente aquelas ma- nifestas na arte e nas culturas que constituem a identidade brasileira –, sua tradição e ma- nifestações contemporâneas, reelaborando-as nas criações em Arte. 4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, ressignificando es- paços da escola e de fora dela no âmbito da Arte. 7. Problematizar questões polí- ticas, sociais, econômicas, cien- tíficas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, produ- ções, intervenções e apresenta- ções artísticas. 8. Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o traba- lho coletivo e colaborativo nas artes. 9. Analisar e valorizar o patri- mônio artístico nacional e inter- nacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de mundo. Sugestão para o professor Para aprofundar o estudo da obra Spiral Jetty, você pode acessar o site oficial do artista (em inglês). Disponível em: <https://www.robertsmithson.com/introduction/introduction.htm>. Acesso em: 24 jul. 2018. https://www.robertsmithson.com/introduction/introduction.htm 592o BIMESTRE ARTE E NATUREZA Observe a imagem ao lado e discuta com um colega o que vocês apreciam nela. Essa é uma obra do artista estadunidense Robert Smithson (1938-1973). Ela foi construída em um lago nos Estados Unidos em 1970, com cerca de 6.500 toneladas de rochas e lama. Ela ainda pode ser visitada quando está visível, dependendo dos níveis de água do lago. Robert Smithson produziu obras de arte diretamente em espaços naturais, ora interferindo nos locais com a inserção de objetos, ora modificando as características da paisagem. Ele também criou obras com formas geométricas que eram inseridas em ambientes da natureza, onde não existiriam originalmente. Ao mesmo tempo em que levou a arte para fora das galerias, ele também levou a natureza para dentro delas, com obras que ele chamava de “non-sites” [não locais, em tradução livre], quando transportava materiais encontrados em locais despovoados ou abandonados para construir obras para ser expostas em museus e galerias. O que será que leva artistas a escolherem a paisagem natural como suporte e elementos da natureza como matéria-prima de seus trabalhos? Resposta pessoal. Até o momento, você já viu arte em muitos espaços (urbanos, rurais e naturais) e conheceu paisagens e diferentes formas de construí-las e de ouvi-las. Ao longo deste capítulo, você conhecerá artistas que têm na natureza o foco de seu trabalho. O engajamento em causas ecológicas, as abordagens provocativas sobre a relação dos humanos com a natureza e o uso consciente de elementos naturais como matéria-prima são alguns dos aspectos que caracterizam as obras que você irá conhecer e cada um dos exemplos o convidará a pensar sobre a relação do ser humano com a natureza. 1 Resposta pessoal. 2 Reflita sobre as seguintes questões e compartilhe suas respostas com os colegas e com o professor. Respostas pessoais. 1 Onde é possível encontrar arte na natureza? 2 Na sua opinião, o que é ser ecológico fazendo arte? E ser artístico fazendo ecologia? Para refletir 59 Sobre o capítulo Neste capítulo, focamos na re- lação entre a arte e a natureza por meio de produções artís- ticas que usam elementos da natureza como matéria-prima; que apresentam alguma preo- cupação com questões ambien- tais; ou que sejam realizadas diretamente em ambientes na- turais. Você pode ampliar as pesquisas e contemplar a produção lo- cal, estabelecendo um diálogo entre a nossa abordagem e a realidade da escola e dos estu- dantes. Sobre a imagem Esta imagem foi escolhida por exemplificar possíveis relações entre arte e natureza. Ao pas- so que os elementos naturais se tornam a própria obra, ela tam- bém altera permanentemente esse ambiente, incorporandoelementos artísticos ou estéti- cos ao espaço. Conduza a leitura da imagem perguntando aos estudantes: • Que paisagem é essa? • Qual é sua percepção sobre as dimensões da obra? (Chame a atenção para o cavalo, no canto da imagem, que permi- te ter noção de sua escala). • Você identifica os materiais que o artista usou para fazer a obra? • Como você imagina que ela foi feita? Sobre as atividades: Para refletir 1. Estimule os estudantes a pensar em elementos como sons, cores, ritmos, texturas e movimentos presentes na natureza. É possível também relembrar exemplos de artistas, apresentados anteriormente nesta coleção, que usam tais elementos como parte integrante de suas obras, como Murray Schafer em A princesa das estrelas, apresentada no Capítulo 1. 2. Estimule os estudantes a elaborar respostas a partir das impressões e ideias que já tenham sobre as possíveis relações entre arte e ecologia. As respostas poderão ser revistas e possivelmente ampliadas depois da apresentação do conteúdo da seção Sobrevoo. 60 A natureza como arte Observe a imagem acima. O que se destaca nessa paisagem? O relevo nesse campo provoca algo em seu olhar? O quê? Respostas pessoais. O movimento artístico no qual os artistas trabalham direta- mente na natureza é chamado de Land Art, e é dentro dele que se integra a obra Spiral Jetty, do artista estadunidense Robert Smithson, que você conheceu na abertura deste capítulo. Os artistas ligados a esse movimento não limitam a natureza a um simples cenário: eles criam a partir de elementos naturais e de paisagens, modificando-os e transformando-os. As primeiras produções consideradas Land Art são do final da década de 1960. São dessa época alguns dos trabalhos mais conhecidos do movimento, embora até hoje sejam realiza- dos projetos que dialogam com ele, como evidencia a obra apresentada acima, A Fold in the Field, da artista estadunidense Maya Lin (1959-). 1 LIN, Maya. A Fold in the Field [Uma dobra no campo, em tradução livre]. 2013. 105 mil m3 de preenchimento de terra em cerca de 30 mil m2. Gibbs Farm, Kaipara Harbour, Nova Zelândia. ES TÚ D IO M AY A L IN /C O R TE SI A P A C E G A LL ER Y 60 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Esta seção apresenta referên- cias de produções artísticas que se integram à natureza ou fa- zem uso de recursos naturais. Unidades temáticas da BNCC: Artes visuais; Música; Artes integradas. Objetos de conhecimento: Contextos e práticas; Elementos da linguagem; Materialidades; Processos de criação; Patrimô- nio cultural. Habilidades em foco nesta seção: (EF69AR01) Pesquisar, apre- ciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangei- ros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes con- textos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imagi- nário, a capacidade de simboli- zar e o repertório imagético. (EF69AR02) Pesquisar e anali- sar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço. (EF69AR03) Analisar situações nas quais as linguagens das artes visuais se integram às lin- guagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográfi- cas, coreográficas, musicais etc. (EF69AR04) Analisar os elemen- tos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) na apreciação de diferentes produções artísticas. (EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modela- gem, instalação, vídeo, fotogra- fia, performance etc.). (EF69AR06) Desenvolver proces- sos de criação em artes visuais, com base em temas ou interes- ses artísticos, de modo indivi- dual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, ins- trumentos e recursos conven- cionais, alternativos e digitais. (EF69AR18) Reconhecer e apre- ciar o papel de músicos e gru- pos de música brasileiros e estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento de for- mas e gêneros musicais. (EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais. (EF69AR21) Explorar e analisar fontes e materiais sonoros em práticas de composição/criação, execução e apreciação musical, reconhecendo timbres e características de instrumentos musicais diversos. 612o BIMESTRE Essa obra está no Gibbs Farm, um grande museu de escul- turas a céu aberto na Nova Zelândia, onde existem outras pro- duções de Land Art. Em um campo de aproximadamente 30 mil metros quadrados, Maya Lin manipulou o relevo natural, criando elevações que chegam a 11,5 metros de altura. Maya Lin é arquiteta de formação e pesquisa as relações en- tre arquitetura, ambiente e ciência em seus projetos. Arte e ar- quitetura caminham juntas em sua vida profissional, mas seu interesse está no meio ambiente e seu objetivo é que as pessoas prestem atenção ao seu entorno. Uma das características da Land Art é a sua realização direta- mente no espaço natural e, justamente por isso, as obras nem sem- pre são acessíveis presencialmente ao grande público, dependen- do de registros em vídeo ou fotografia para serem divulgadas. Os registros são importantes porque permitem a visualização integral das obras, cujas dimensões são grandiosas. Para realizar a manipulação da natureza e da paisagem em obras de grandes dimensões se faz necessário o uso de equipa- mentos e de muita estrutura material. Por causa disso, elas par- tem inicialmente de projetos – e algumas delas muitas vezes nem saem do papel. A criação do artista começa no planejamento das intervenções que pretende fazer no ambiente, um processo se- melhante ao dos arquitetos, que conhecemos no capítulo 2. PROJETO DE LAND ART O trabalho de criação dos artistas de Land Art se inicia muito antes de ir a campo. Pensando em uma situação hipotética, qual projeto de Land Art você faria? Você só vai precisar de lápis e papel para esboçar a ideia. Utilize seu diário de bordo. 1 Escolha um local onde seria produzida a sua obra (mar, rio, lago, campo, floresta, céu, montanha, planície, rocha etc.). 2 Qual transformação você faria na paisagem escolhida? 3 Com quais recursos materiais e humanos você contaria? 4 Como você imagina a interação do ser humano ou de animais com essa obra? 5 Como você faria o registro dela? 6 Anote todas as ideias e, se possível, esboce-as para ficar mais claro para quem vai ouvir. 7 Para concluir, compartilhe as suas criações com os colegas. A N D R EA E B ER T 61 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sobre a atividade 1. Para fazer a leitura da ima- gem, peça aos estudantes que analisem quanto o relevo do campo gramado integra-se à paisagem local, como se fosse um eco das montanhas que es- tão ao fundo. De certo modo, a artista “brinca” de camuflar a obra ao restringir-se à mesma matéria na qual ela está inse- rida (a grama). Incentive-os a analisar a fotografia segundo os conhecimentos estudados no Capítulo 2, considerando as linhas de força, a linha do horizonte, os planos e os tons das cores. Embora não seja uma pintura, a fotografia da obra apresenta-se como uma composição de paisagem, o que permite analisar a imagem de acordo com a habilidade (EF69AR02) da BNCC. Orientações: Para experimentar Esta seção propõe um processo de criação com base em interes- ses artísticos, de acordo com a habilidade (EF69AR06)da BNCC. É importante que os estudan- tes tenham conhecimento dos elementos que constituem o espaço escolhido: peça que descrevam em detalhes o lo- cal para dimensionar todas as transformações no ambiente. Em um lago, por exemplo, é preciso imaginar quais os ani- mais presentes na água e no entorno; como seria o vento no local; a vegetação nas margens e a submersa. Instigue-os a sol- tar a imaginação, elaborando projetos grandiosos. Embora se trate de uma situação hipoté- tica, o ideal é que considerem todos os aspectos práticos e conceituais, como se fossem executar o projeto. Sugestão para o estudante O Gibbs Farm tem uma coleção de obras de importantes artistas contemporâne- os e conhecer seu acervo pode ser um modo de ampliar o repertório dos es- tudantes, inclusive sobre produções de Land Art, contemplando a habilidade (EF69AR01) da BNCC. Site oficial do Gibbs Farm. Disponível em: <http://www.gibbsfarm.org.nz/artworks. php>. Acesso em: 23 jul. 2018. (EF69AR31) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômi- ca, estética e ética. (EF69AR32) Analisar e explorar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas. (EF69AR34) Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, e favorecendo a construção de vocabulá- rio e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas. http://www.gibbsfarm.org.nz/artworks.php http://www.gibbsfarm.org.nz/artworks.php 62 Observando o material de que a escultura acima é composta, como você imagina que ela foi produzida? José Bezerra (1952-) é um escultor pernambucano. Ele uti- liza elementos naturais como matéria-prima para confeccionar esculturas e também revela, com seu trabalho, uma preocupa- ção com o meio ambiente. Ele retira da mata troncos e raízes que, em suas mãos, transformam-se em esculturas de pessoas, objetos ou animais. No filme-documentário José Bezerra – aulazinha com a madeira (2009), o artista conta que foi muito pobre e por muitos anos pre- cisou matar animais para comer, o que despertava nele a sensação de estar prejudicando a natureza. Com o tempo, próximo ao sítio em que mora, no Vale do Catimbau, ele começou a perceber, nos galhos secos e nas ár- vores sinuosas, as formas de tatus, corujas, tamanduás, diversas aves, e outras figuras de animais que acabou esculpindo. Assim, segundo o próprio artista, ele passou a usar a arte como uma forma de se redimir pelos males que acredita ter causado ao meio ambiente anteriormente. 2 BEZERRA, José. Pinguim. 2008. Escultura em madeira, 49 cm # 47 cm # 23 cm. Galeria Estação, São Paulo (SP). Formas que a natureza oferece G ER M A N A M O N TE -M Ó R /C O R TE SI A G A LE R IA E ST A Ç Ã O Respostas pessoais. 62 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Atividade complementar Além da escultura em madeira, a cerâmica é outra técnica mui- to praticada por artistas popu- lares. Ela se relaciona com este capítulo, uma vez que sua pro- dução faz uso de elementos da natureza, como o barro, a água e o ar. Além disso, a cerâmica pode ser facilmente vivenciada no ambiente escolar, pois não de- pende de força, do manuseio de instrumentos específicos ou objetos cortantes. Por isso, su- gerimos que você desenvolva uma atividade em sala de aula explorando essa técnica. Cada estudante precisará de: • Cerca de 1 quilograma de ar- gila (pode ser adquirida em papelarias ou lojas de artigos para artesanato). • Estecas ou palitos de dife- rentes espessuras e formatos, como palito de sorvete, de churrasco, de manicure etc. • Um pedaço de cabo de vas- soura de no mínimo 30 cm de comprimento. • Pote com água. • Panos de limpeza. Peça aos estudantes que ini- ciem a atividade amassando a argila, percebendo a textura do material. Em seguida, convide- -os a produzir uma peça. Esta atividade contempla a habilida- de (EF69AR05) da BNCC. Você também pode propor algo mais desafiador: inspirados por José Bezerra, incentive-os a pro- duzir uma peça que, de algum modo, expresse sua relação com a natureza. Dessa forma, a atividade contemplará também a habilidade (EF69AR06). Mais do que o produto final, o objetivo da atividade é o en- volvimento dos estudantes no processo de experimentação da técnica da cerâmica como meio de expressão. Sobre a atividade 2. O artista entalha ou esculpe a madeira, ou seja, vai tirando lascas de madeira do tronco para chegar à forma desejada. No documentário referido no texto, o artista diz que as formas que esculpe já estão nos troncos que colhe, que seu pa- pel é perceber ou reconhecer as formas no ambiente, criando apenas alguns detalhes e a colorização das peças. Orientações para o professor acompanham o Material Digital Audiovisual Material Digital Audiovisual • Videoaula: Cerâmica: a arte de produzir com elementos naturais 632o BIMESTRE Obras do artista José Bezerra, Buíque (PE). Fotografia de 2015. Observe na imagem abaixo as muitas formas que o artista José Bezerra per- cebeu na natureza. Há semelhanças entre elas? É possível perceber um “jeito próprio” desse artista esculpir? Respostas pessoais. 3 FRANS KRAJCBERG Outro artista que ficou conhecido por integrar arte e natureza foi o polonês radicado no Brasil, Frans Krajcberg (1921-2017). Ao utilizar como matéria-prima para suas obras troncos e raízes de árvores obtidos em regiões desmatadas ou queimadas, especialmente na região amazônica, ele denuncia com esculturas a exploração da natureza pelos humanos. Com o auxílio do professor, busque imagens de suas obras na internet e aproveite para fazer uma análise conjunta com as obras de José Bezerra, identificando o estilo particular de cada artista. Sugestões de sites para pesquisa: § Bienal Internacional de São Paulo Disponível em: <http://www.bienal.org.br>. Acesso em: 30 nov. 2017. § Enciclopédia Itaú Cultural Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br>. Acesso em: 30 nov. 2017. • Assista ao documentário José Bezerra – aulazinha com a madeira. Direção: Malu Viana Batista. Brasil, 2009, 17 min. Ele foi produzido para a exposição do artista nessa galeria em 2009, em São Paulo (SP). Disponível em: <http:// www.galeriaestacao. com.br/artista/8#pre ttyPhoto[video]/0/>. Acesso em: 6 fev. 2018. TI A G O H EN R IQ U E – A C ER VO D O A R TI ST A 63 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sobre a atividade 3. Ele deixa as marcas da ferra- menta na madeira, compõe as peças utilizando as formas na- turais (sem grandes alterações) e deixa o acabamento rústico, com poucos detalhes em cores. Atividade complementar Para perceber o “jeito próprio” de esculpir de José Bezerra, a turma pode comparar suas esculturas com as de outros artistas, identificando as for- mas recorrentes, as temáticas e como cada artista faz o acaba- mento das peças, contemplan- do as habilidades (EF69AR01) e (EF69AR02) da BNCC. Sugerimos alguns nomes de artistas para essa leitura com- parativa: G.T.O. – Geraldo Teles Oliveira, Antônio Julião, Mauri- no Araújo, Nino e Cícero Alves dos Santos (Véio). Se possível, inclua na lista no- mes de artistas de sua região. Orientações: Para pesquisar Na busca por imagens das obras de Frans Krajcberg, oriente os estudantes a montar um panorama de sua produção, com obras de diferentes fases da vida desse artista. Recomende que analisem a maneira desse artista trabalhar os aspectos técnicos em suas obras, tais como: dimensão, cor e forma, contemplando as habilidades (EF69AR01) e (EF69AR04) da BNCC. Oriente-os a identificar as característicasque são derivadas da matéria- -prima natural e as que são provenientes das mãos do artista. A pesquisa pode ser ampliada com o documentário Krajcberg: o grito da na- tureza. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=yXvaM_H1_As>. Acesso em: 23 jul. 2018. http://www.bienal.org.br http://enciclopedia.itaucultural.org.br http://www.galeriaestacao.com.br/artista/8#prettyPhoto[video]/0/ http://www.galeriaestacao.com.br/artista/8#prettyPhoto[video]/0/ http://www.galeriaestacao.com.br/artista/8#prettyPhoto[video]/0/ http://www.galeriaestacao.com.br/artista/8#prettyPhoto[video]/0/ https://www.youtube.com/watch?v=yXvaM_H1_As 64 Uma criação musical pode surgir de um processo de pesquisa sobre sons da natureza e trazer à tona algumas questões ambien- tais. Um exemplo é a música “Quarteto nº 2”, também chamada de “Waves” [Ondas], de Murray Schafer (1933-). Para essa criação, Schafer gravou, escutou e analisou sons de ondas do mar. Ouvindo esses registros, ele pôde perceber e anotar diversas características desses sons, como a duração e o tempo entre a formação de uma onda e a onda seguinte. Ele usou essas características como referência para a composição de sua música com um quarteto de cordas. Levando em consideração elementos como timbre, intensidade, duração e altura, que características você consegue imaginar em sons de ondas no mar? Será que essas características serão diferentes ao se variar o ponto de escuta; por exemplo, em um barco em alto-mar e na beira de uma praia? Você acha que trabalhos musicais como esse podem estimular atitudes ecológi- cas? Por quê? Respostas pessoais. 4 5 Outro exemplo de trabalho que usa o mar na criação artística é o projeto do arquiteto croata Nikola Basic (1946-), que criou o Órgão do mar, uma obra arquitetônica musical à beira-mar. Ao longo de um trecho de 70 metros, 35 tubos plásticos, parcial- mente submersos e fixados abaixo de uma escadaria do mar Adriático, emitem sons que são produzidos pelo movimento das ondas e podem ser ouvidos por quem está na orla. Observe as imagens abaixo e na página seguinte. Pesquisando as ondas do mar Quarteto Grupo formado por quatro integrantes. • Para ouvir a música “Waves” (“Quarteto no 2”), se possível, faça uma pesquisa na internet com o auxílio do professor. Busque pelo nome da música seguido pelo sinal de positivo e pelo nome do compositor. Se conseguir escutá-la, pense nas relações que consegue perceber entre as características musicais e os sons de ondas do mar que você já ouviu. A N D R EJ Š A LO V C C B Y- SA 3 .0 /W IK IM ED IA F O U N D AT IO N , I N C . BAŠIĆ , Nikola. Órgão do mar. 2005. Zadar, Croácia. Fotografia de 2008. 64 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Orientações Com este exemplo de Murray Schafer, apresentamos a explo- ração de um elemento natural como fonte sonora, contem- plando a habilidade (EF69AR21) da BNCC. Um detalhe que vale ser destacado é a possibilidade de a associação da criação musi- cal com um processo de pesqui- sa. Isso amplia referências sobre processos de criação artística. Além disso, a apreciação desse exemplo pode levar a reflexões a respeito de elementos consti- tutivos da música, conforme a habilidade (EF69AR20), o que pode ser ampliado pela escuta sugerida no box da página. Atividade complementar Se for possível realizar a pes- quisa sugerida no boxe e ouvir a música, recomende aos es- tudantes que anotem em seus diários de bordo as suas impres- sões e as características musicais que conseguem perceber. Você pode estimular com perguntas: “Que instrumentos são utiliza- dos?”; “Conseguem diferenciar o som de cada um?”; “Quais as semelhanças e diferenças entre eles?”; “A música desperta em você algum tipo de sensação ou traz imagens a sua mente?”; “Você vê alguma relação entre aspectos da música e as ondas do mar?”. Sobre a atividade 4. O objetivo é estimular a ima- ginação sonoro-musical do es- tudante. Esse tipo de exercício pode ser feito com referência a qualquer outra paisagem, real ou fictícia, semelhante ao que foi sugerido no Capítulo 3. Sobre a atividade 5. Você pode citar mais obras artísticas que trabalham com elementos da natureza (apresentadas neste capítulo ou em outras fontes) e incentivar os estudantes a avaliar quanto conhecer cada uma pode nos levar a pensar na maneira como nos relacionamos com o meio natural de forma a tornar essa relação mais ecológica – relacionando a prática musical às diferentes dimensões da vida social, conforme a habilidade (EF69AR31) da BNCC. No caso de trabalhos musicais, de modo geral, pode-se citar o fato de darem destaque aos aspectos sonoros da natureza, que às vezes são esquecidos em discussões sobre ecologia. 652o BIMESTRE BAŠIC, Nikola. Órgão do mar. 2005. Zadar, Croácia. Fotografia de 2010. Após conhecer o Órgão do mar, escute o som desse instrumento, na faixa 9 do CD. Que memórias ou sensações o som desse instrumento traz para você? Como você descreveria as qualidades desse som? Como essa obra se integra à paisagem? 6 7 B Ö H R IN G ER F R IE D R IC H /C C B Y- SA 2 .5 /W IK IM ED IA F O U N D AT IO N , I N C . 9 O arquiteto foi responsável pelo projeto do porto da cidade de Zadar (Croácia), onde fica o órgão, e teve a ideia de apro- veitar a energia das ondas para produzir sons. Para isso, contou com o apoio de profissionais da área de música e, para lidar com a força das águas, foi necessário o trabalho de um especia- lista em sistemas hidráulicos. O projeto foi desenvolvido em seis meses e inaugurado em abril de 2005. Esse projeto do Órgão do mar foi também uma ma- neira de revitalizar a orla, pouco frequentada até então. A N D R EA E B ER T Órgão Instrumento musical no qual o som é produzido por meio da passagem de ar por tubos de diferentes tamanhos, que geralmente são feitos de metal ou madeira. O órgão possui um sistema de retenção e compressão do ar. A emissão desse ar comprimido para cada tubo é, em geral, acionada por meio de um teclado e de pedais tocados pelo músico que, nesse caso, é chamado de organista. Repare que no Órgão do mar, diferentemente, o instrumento é acionado pelo movimento das ondas. Respostas pessoais. 65 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sobre o Órgão do mar Nesta obra, assim como na obra de Murray Schafer, as ondas do mar são usadas para acionar um instrumento sonoro de grandes proporções. Esse instrumento utiliza mais um elemento natural para a produção do som: o ar. Com isso, enfatizamos mais uma opção de interação entre música e paisagem, contemplando a habilidade (EF69AR21) da BNCC, referente à materialidade das fontes e materiais sonoros. Sobre a atividade 7. Além de dar espaço para as- pectos subjetivos, abre-se com estas questões a possibilidade de perceber quanto os estudan- tes já se apropriaram de conte- údos estudados e conseguem comentar as propriedades de um som. Se considerar necessá- rio, retome com a turma as pro- priedades sonoras como tim- bre, altura, intensidade e ritmo – contemplando a habilidade (EF69AR20) da BNCC. Quanto à integração da obra com a paisagem, a partir da observação da imagem, das in- formações no texto e da escuta (faixa 9 do CD) é possível citar aspectos como o fato de seus sons se misturarem àqueles já produzidos pelo mar, pelo ven- to, pelas vozes, pelos passos dos visitantes, entre outros que po- dem ocorrer no ambiente, ou seja, eles são parte da paisagem sonora do local. Além disso, ins- talada no chão da orla, à beira- -mar, possibilita que as pessoas se sentem ou caminhem por ela contemplando o mar. Assim, integra-se também à paisagem visual, fazendo interagir aspec- tos de Arquitetura e Música e, portanto, contribuindopara o desenvolvimento das habilida- des (EF69AR31) e (EF69AR32).