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120 Miguel Antão Durlo e FAbrício JAques sutili | bioengenhAriA 6. Leivas Leivas, normalmente de gramíneas, são transplan- tadas para a área, que é completamente recoberta ou o plantio pode ser feito em faixas ou quadrículas. Podem produzir um efeito estético e de proteção quase imediato. São caras e não muito importantes para taludes flu- viais de grande instabilidade. Métodos germinativos 1. Sementes Sementes são lançadas ma- nualmente sobre o talude, previamente modelado. Suficientes para locais com pe- quena inclinação. Em taludes fluviais, são normalmente uma medida complementar. 2. Geotêxteis Malhas construídas com restos culturais ou fibras vegetais degradáveis são impregnadas de sementes e adubos e fixadas, com esta- cas contra o talude. Uma das alternativas mais ca- ras, mas produz estabilização rápida. Pode ser usada em talu- des muito íngremes e bastante degradados. 3. Hidrosemea- dura Sementes são misturadas à água, cola e adubo e lança- das mecanicamente sobre o talude. Método dispendioso. Rápido e fácil de ser implantado quando se dispõe dos recursos e acesso para máquinas. 4. Mudas Mudas são produzidas em viveiros e, quando adqui- rem o tamanho ideal, são plantadas no talude. É importante para as espécies que não se reproduzem bem, vegetativamente. Quadro 7.1 − Caracterização e descrição de formas de plantio e arranjos construtivos uti- lizados pela Engenharia Natural A seleção da técnica de plantio é função de diferentes fatores, como das características biotécnicas das plantas a serem utilizadas, das propriedades do substrato, da frequência, do volume e da velocidade das vazões, bem como da profundidade do curso de água. A figura 7.1, adaptada da Federal Interagency Stream Restoration Working Group (FISRWG, 1998), aconselha o uso de diferentes formas de plantio e de materiais, na dependência da inclinação do talude. À medida que as en- costas ou os taludes fluviais se tornam mais abruptos e/ou instáveis, tanto mais é necessária a utilização de formas e arranjos especiais para a revegetação (Conclusão) 121 EngEnharia natural (sementes→ estacas simples→ tranças→ esteiras e feixes vivos etc.), como também que se empreguem e combinem estruturas inertes como pedras, ma- deira, telas, paredes de madeira etc. com a vegetação. De acordo com Gray e Sotir (1996), o estabelecimento da vegetação é dificultado quando as in- clinações do terreno ultrapassam 1:1,5 (H:V). Figura 7.1 − Determinação do método apropriado em função da inclinação (H:V) da margem Fonte: FISRWG (1998). A figura 7.1 exibe, na parte hachurada, a faixa de inclinação (ótima) dos taludes fluviais, em que se pode utilizar com vantagens as técnicas de En- genharia Natural. Taludes de corte em terraços pequenos, com inclinações de aproximadamente 3:1, podem ser mais vantajosos, pois permitem maior acúmulo de umidade, o que favorece o desenvolvimento das plantas. No caso de margens de cursos de água, a corrosão acontece frequente- mente pela retirada da base de apoio do talude, devido à força da correnteza, ao turbilhonamento e à ação das ondas junto à faixa que acompanha o nível normal da água. Essa região, portanto, deve receber atenção especial, prin- cipalmente pelo emprego de materiais inertes em sua base, que auxiliarão o futuro estabelecimento da vegetação. É preciso ter em mente que as obras de Engenharia Natural não alcançam sua total efetividade logo após a implantação. Primeiro, há que se aguardar a pega e o desenvolvimento radicular e aéreo das plantas. Nessa fase, podem ser necessárias intervenções de reposição vegetal e/ou tratos culturais. So- mente após a fase de implantação, cuja duração depende de diversos fatores, é que as obras começam a desempenhar integralmente sua ação corretiva e duradoura sobre o problema que se pretende solucionar. 122 Miguel Antão Durlo e FAbrício JAques sutili | bioengenhAriA 7.3 – Tipologia e função das obras de Engenharia Natural Como visto anteriormente, as obras dividem-se em dois grupos, segundo sua posição em relação ao eixo do curso de água e sua função: as longitudi- nais e as transversais. Muitas vezes, ao longo de um curso de água, essas obras precisam ser construídas em conjunto, de maneira que uma complemente a ação da outra. Além das obras longitudinais e transversais, pode-se reco- nhecer ainda alguns tratamentos bastante simples, de caráter temporário e emergencial, que funcionam como preparação para os trabalhos posteriores e que precisam ser destacados. 7.4 – Ações preparatórias, preventivas e emergenciais A ação da água sobre as margens, embora possa ser prevista com certa probabilidade, só é detectada e levada em consideração quando os problemas dela decorrentes são bem visíveis e começam a causar preocupação. Ao observar uma erosão recente, ocorrida por ocasião de um eventual período chuvoso, deve-se pensar em tomar logo uma medida corretiva, es- pecialmente se determinados bens (casas, galpões, pontes, estradas, áreas agrícolas, dutos etc.) estiverem sendo ameaçados. Quando o impedimento para a tomada de medidas duradouras for ape- nas a falta de recursos ou a indisponibilidade de tempo, a solução parcial dos problemas pode ser a adoção de uma correção temporária, que representa, simultaneamente, uma medida preventiva e preparatória para ações mais incisivas posteriores. Uma barranca abrupta (perfil original da Figura 7.2) não permanecerá estável por muito tempo ao sofrer a ação da água p, especialmente se cons- tituída por material friável. Com frequência, ocorrerão corrosões e consequentes deslizamentos ou desmoronamentos. Em casos semelhantes ao mostrado na figura 7.2, a re- modelagem do perfil pode ser uma boa medida preventiva. A diminuição da declividade da barranca, através de sua remodelagem, pode, em muitos casos, até ser suficiente para sua estabilização: a menor in- clinação conferida, além de diminuir o potencial físico de movimentação da encosta, proporciona melhores condições para o surgimento natural de vegetação, cuja ação protetora pode ser muito importante para os eventos torrenciais vindouros. PREFÁCIO 7.3 – Tipologia e função das obras de Engenharia Natural 7.4 – Ações preparatórias, preventivas e emergenciais