Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Combate à intolerância, ao preconceito 
e à discriminação
Em plena revolução digital e com o advento das redes sociais, há quem 
diga que as juventudes contemporâneas são alienadas e desinteressadas de 
questões políticas e sociais. Porém, muitos jovens compõem os movimentos 
sociais, incluindo aqueles que lutam contra manifestações de intolerância 
e preconceito. Nos últimos anos, tornou-se recorrente sua participação, por 
exemplo, nos movimentos negros e feministas.
As juventudes do século XXI são marcadas pela diversidade. Entretanto, 
ainda precisam lidar com a intolerância, o preconceito e a discriminação, que 
podem se manifestar contra características de raça, etnia, religião, orientação 
sexual, posicionamento político, faixa etária, entre outros. Muitas vezes, essas 
manifestações são violentas, com agressões físicas, verbais ou psicológicas. 
A intolerância é caracterizada pela falta de habilidade e/ou vontade de reco-
nhecer e respeitar diferenças, crenças e opiniões. Ela faz com que o diferente 
seja visto como uma ameaça e tem como consequência comum o isolamento 
de indivíduos ou grupos. Exemplo disso é a exclusão social de minorias, como 
indígenas, imigrantes e refugiados. O preconceito é um prejulgamento, uma 
concepção preconcebida, sem fundamentação, que surge de crenças e su-
perstições que, por vezes, sustentam ódio ou repúdio a determinado grupo. A 
discriminação é a maneira como o preconceito é manifestado. É percebida no 
tratamento injusto ou negativo que uma pessoa recebe por pertencer a deter-
minado grupo (como etnia, faixa etária , condição socioeconômica ou gênero).
Discutir temas relacionados às formas de discriminação mais comuns 
(racismo, machismo, LGBTfobia, etc.) é uma maneira de lidar com esses pro-
blemas, que devem ser combatidos em prol de uma convivência saudável. O 
estudo e o conhecimento ajudam a desfazer mentiras e ideias vagas que, em 
geral, são as bases de pensamentos preconceituosos e intolerantes. Além 
disso, o debate permite a conscientização por meio do diálogo. É ouvindo o 
outro que podemos conhecê-lo, desconstruir opiniões preconcebidas e en-
tender como cada um pensa e se sente.
Jovens na Marcha das Mulheres 
Negras, em Brasília (DF), em 
2015. No século XXI, os jovens 
continuam presentes nos 
movimentos sociais, como 
nos movimentos feministas e 
antirracistas. 
 
E
v
a
ri
s
to
 S
á
/A
F
P
143
V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 143V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 143 9/24/20 9:18 AM9/24/20 9:18 AM
Devemos ter em mente que as pessoas são livres para emitir opiniões. 
Hoje em dia, fala-se muito em liberdade de expressão, que, de fato, é um direi-
to fundamental que deve ser defendido e preservado para que a democracia 
exista. No entanto, existem grupos que alegam que o direito à liberdade de 
expressão lhes autoriza a dizer o que querem, mesmo que isso caracterize 
calúnia, difamação ou injúria a outros grupos ou pessoas, e que o impedi-
mento a tais opiniões é censura.
Entretanto, censura é bem diferente de responsabilização. A postura críti-
ca e questionadora deve ser valorizada, mas não se pode confundir liberdade 
de expressão com manifestações discriminatórias. Ou seja, em um ambiente 
democrático, as pessoas podem proferir ideias e pontos de vista, desde que 
não ofendam nem discriminem ninguém. E, caso isso aconteça, devem ser 
responsabilizadas judicialmente por isso. 
O filósofo político Norberto Bobbio (1909-2004) discutiu essa questão:
Na maioria das situações em que está em causa um direito do ho-
mem, ao contrário, ocorre que dois direitos igualmente fundamentais 
se enfrentem, e não se pode proteger incondicionalmente um deles sem 
tornar o outro inoperante. Basta pensar, para ficarmos num exemplo, 
no direito à liberdade de expressão, por um lado, e no direito de não 
ser enganado, excitado, escandalizado, injuriado, difamado, vilipendia-
do, por outro. Nesses casos, que são a maioria, deve-se falar de direitos 
fundamentais não absolutos, mas relativos, no sentido de que a tutela 
deles encontra, em certo ponto, um limite insuperável na tutela de um 
direito igualmente fundamental, mas concorrente. E, dado que é sempre 
uma questão de opinião estabelecer qual o ponto em que um termina e 
o outro começa, a delimitação do âmbito de um direito fundamental do 
homem é extremamente variável e não pode ser estabelecida de uma 
vez por todas.
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: 
Campus, 1992. p. 24.
O preço da vergonha. Monica Lewinsky. TED Talks, 
mar. 2015. Disponível em: https://www.ted.com/talks/monica_lewinsky_the_price_
of_shame?language=pt. Acesso em: 19 ago. 2020.
Nessa palestra gravada em 2015, Monica Lewinsky (1973-), que aparece na 
foto ao lado, fala sobre como a falta de responsabilização ao se extrapolar os 
limites da liberdade de expressão pode levar ao bullying, muitas vezes com 
consequências fatais.
Saber
NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Com base no texto de Bobbio e no que foi discutido até aqui, comente:
a) o significado do dito popular “Seu direito termina quando começa o do outro”;
b) a diferença entre censura e responsa bilização.
Interpretar
Veja as respostas no Manual 
do Professor.
Reprodução/TED/www.ted.com
144
V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 144V5_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_118a157.indd 144 9/24/20 9:18 AM9/24/20 9:18 AM

Mais conteúdos dessa disciplina