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Os quilômetros de tráfego lento têm a ver com um conjunto de fatores que 
variam em cada cidade e país. Em grande parte deles, porém, o processo de 
urbanização desregulamentado ou não voltado para o atendimento das ne-
cessidades da maior parte da população está na raiz do problema; por exem-
plo, o espraiamento da cidade para as periferias que distanciou o trabalho da 
moradia, levando os moradores dessas localidades a se deslocarem muitos 
quilômetros diariamente. Além disso, há o pouco investimento em transporte 
público coletivo de qualidade, em oposição ao incentivo do uso do transporte 
veicular individual, sobretudo os automóveis, cuja associação com sucesso, 
prosperidade e liberdade é veiculada em filmes e propagandas. Esse incentivo 
se dá pelas reformas urbanas marcadas por construção de avenidas, túneis, 
pontes e viadutos, aterros, canalização de córregos e rios, tudo na tentativa 
de aumentar a fluidez para os automóveis, e não para os transportes coleti-
vos, ciclistas e pedestres. Trata-se de uma realidade muito aguda nas cidades 
dos países em desenvolvimento, que passaram ou ainda passam por rápido 
crescimento. Mas também é vivida em Nova York, Paris, Londres, Tóquio, etc., 
embora essas cidades contem com extensas redes de metrô.
A mobilidade urbana também é uma questão de coletividade. Mais carros na 
rua representam maior ocupação de espaço urbano, isto é, lentidão do tráfego e 
mais poluição. Veja, nas representações a seguir, a proporção espacial que cada 
meio de transporte utiliza em relação ao número de passageiros que carrega.
Eficiência no uso do espaço urbano por tipo de veículo de transporte
0,8 m2
4,5 m2
20 m2
9,8 m2
4 m2
40 km/h
30 km/h
30 km/h
16 km/h
3 km/h
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Fotos produzidas pelo 
departamento de 
trânsito de Munique 
(Alemanha), em 2001, 
para campanha sobre o 
desperdício do espaço 
urbano.
Fonte: elaborado com base em 
MOBILIDADE urbana: um desafio para as 
cidades brasileiras. EBC, 17 ago. 2017. 
Disponível em: https://www.ebc.com.
br/especiais/mobilidade-sustentavel. 
Acesso em: 18 jun. 2020.
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Outro desafio para as grandes cidades em países em desenvolvimento, 
em que muitos sítios urbanos não são planos, mas formados por morros que 
foram ocupados pela população mais pobre, é possibilitar transporte para 
essas localidades. Quem mora no alto do morro sabe a dificuldade de levar, 
por exemplo, uma máquina de lavar ou geladeira vielas e escadarias acima. 
Se o poder público não age, a população busca alternativas.
Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, são comuns grupos de motota-
xistas no sopé do morro esperando moradores para transportá-los para cima. 
Algumas tentativas governamentais têm sido feitas para solucionar ou ame-
nizar esse problema. Uma delas é a instalação de transporte por cabos aére-
os, os teleféricos, que se mostraram uma proposta interessante em Medellín 
(Colômbia) e La Paz (Bolívia). No Rio de Janeiro, o sistema foi implementado 
no Complexo do Alemão e ficou em operação entre 2011 e 2016. Cessou ati-
vidade por falta de pagamento do poder público ao consórcio responsável e 
consequente falta de manutenção.
O sistema teleférico de Medellín (Colômbia), que opera na cidade desde agosto de 2004, foi o 
primeiro a ser usado como transporte público na América Latina. Foto de 2018.
Outras soluções para mobilidade em outros contextos e bastante exitosas 
têm sido implementadas em cidades no Brasil e no mundo. Uma já bastante 
antiga e eficiente são os trens subterrâneos (metrôs), muito adequados por-
que são de alta capacidade, não poluem diretamente o ar (são movidos a ele-
tricidade) e não enfrentam o trânsito das vias terrestres (ruas e avenidas). 
Porém, têm alto custo de construção e processo de implantação demorado.
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