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A segunda consequência do “desenraizamento” das pessoas foi a valori-
zação do folclore e da cultura popular. Por meio da coleta de canções, danças e 
outras práticas rurais que estavam desaparecendo, os artistas e intelectuais ro-
mânticos procuravam compensar a perda dos laços comunitários reconstruindo 
a história, o idioma e os costumes do povo. 
A terceira consequência foi o crescimento dos movimentos sociais e a valoriza-
ção dos ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade. A mobilização 
popular e as lutas operárias atemorizavam os empresários e os governantes. Para 
freá-las, além da repressão, foram elaboradas diversas reformas, como a limitação 
das jornadas, a regulamentação do trabalho de mulheres e crianças, a ampliação 
do direito de voto, a aposentadoria e o acesso à educação. O principal objetivo dos 
reformistas era a manutenção da ordem – palavra que se tornou o lema dos gru-
pos mais conservadores e autoritários da Europa (e também das Américas).
Na América portuguesa, a montagem do Estado de direito com a indepen-
dência do Brasil firmou-se com a Constituição de 1824, a primeira de nossa 
história, outorgada por Dom Pedro I, regulando direitos e poderes. Contudo, 
tinha um forte caráter centralizador nas mãos do imperador e buscava forjar 
o ordenamento da nova nação. 
A ideia de identidade brasileira não existia na época colonial, já que os habitan-
tes das terras que hoje formam o Brasil não se reconheciam como “brasileiros”, 
mas, sim, como paulistas, pernambucanos, filhos de Minas (hoje conhecidos 
como mineiros), baienses (atuais baianos), etc. Muitos até se sentiam mais pró-
ximos das ideias e dos interesses dos portugueses do que dos demais habitantes 
da colônia. Mesmo depois da independência política, em 1822, demorou muito 
até que os habitantes do Brasil se considerassem e se sentissem “brasileiros”. 
Ao contrário da unidade territorial conseguida no Brasil com a independência, a 
América espanhola fragmentou-se em diversos Estados nacionais. 
FEBVRE, Lucien. Honra 
e pátria. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1998. 
p. 28.
FONTANA, Josep. Introdução 
ao estudo da história geral. 
Bauru: Edusc, 2000. p. 252.
Nação
O Dicionário da Real Academia Espanhola só registrou o sentido da palavra nação em 
1884: “Um Estado ou corpo político que reconhece um centro de governo comum”. [...] 
“território constituído por este Estado e seus habitantes, considerados como um todo”. 
(apud HOBSBAWM, Eric. Nações e nacionalismos desde 1870. Rio de Janeiro: Paz e 
Terra, 1991. p. 27).
Nação e nacionalismo
Segundo o historiador Lucien Febvre (1878-1956), nação é a “tomada de consciência 
de um passado tradicional por grupos reunidos, por vontade ou pela força, em um 
mesmo quadro e sofrendo a ação cotidiana da vida em comum”. 
O historiador Josep Fontana (1931-2018), um dos principais dos séculos XX e XXI, 
afirma que, “se é difícil entender o que é ‘nação’, o mesmo não acontece quando se quer 
identificar o que é ‘nacionalismo’. [...] O nacionalismo é, efetivamente, uma força que 
nasce da adesão dos homens a uma ideia. Porém, uma força é, em princípio, neutra: não é 
nem boa, nem má. Ser uma coisa ou outra depende da finalidade a que é aplicada; é como 
um martelo, que pode ser uma ferramenta para construir ou uma arma para matar.”. 
Conceitos
1. No Brasil, quando 
se firmou a ideia de 
brasilidade: Antes, 
durante ou após a 
independência? Ao se 
afirmar, a brasilidade 
tinha caráter irrestrito 
e abrangente a todos 
os extratos sociais?
2. Tomando o texto dos 
conceitos, discutam 
exemplos possíveis 
de “nacionalismos”. 
Quais seriam suas 
possíveis finalidades?
3. Vocês nutrem o 
sentimento de 
pertencimento a quê? 
Ao país, ao bairro, à 
comunidade, à escola, 
à igreja, ao grupo de 
amigos? 
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Conversa
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Estado, país e nação
A palavra Estado, em seu sentido político, pode 
ser usada em duas acepções. Uma, usualmente 
grafada com “e” maiúsculo, corresponde à institui-
ção social politicamente organizada que exerce a 
soberania e a jurisdição sobre um território e um 
povo: Brasil, Argentina, Estados Unidos, Japão, 
França, África do Sul, etc. A segunda acepção cor-
responde à divisão política interna de alguns Esta-
dos que formam uma federação. Nesses casos, as 
unidades internas são também chamadas de esta-
do. Temos, assim, um Estado federal (União) com 
seus respectivos estados-membros (unidades da 
Federação), como é o caso dos Estados Unidos 
da América, Estados Unidos do México, República 
Federativa do Brasil, República Federal da Alema-
nha, etc. Há Estados em que as unidades internas 
recebem outros nomes, como províncias (Argenti-
na, Canadá, China, etc.), departamentos (França), 
condados (Reino Unido), regiões (Itália), cantões 
(Suíça), repúblicas (Federação Russa).
Um Estado exerce a soberania sobre um ter-
ritório com limites precisamente definidos e de-
fendido pelas Forças Armadas estatais, dispõe de 
uma burocracia administrativa e é organizado em 
três esferas de poder. No Brasil, denominamos es-
sas três esferas de União, estados e municípios – 
ou esferas federal, estadual e municipal. 
É importante distinguir Estado de governo. O 
Estado, como vimos, é uma instituição política. Já 
o governo é composto do conjunto de pessoas que, 
por determinado período, ocupam posições de au-
toridade dentro do Estado. Assim, o Estado perdura 
no tempo, enquanto o governo é transitório.
Embora vulgarmente “país” seja usado como si-
nônimo de “Estado”, essas duas palavras não signi-
ficam a mesma coisa. O primeiro termo tem uma co-
notação física e o segundo, uma conotação política.
País é a terra (vem do francês pays, mesmo 
radical do qual se deriva a palavra paisagem, do 
francês paysage), uma porção da superfície ter-
restre. Quando essa terra, no decorrer da história, 
foi delimitada por fronteiras com limites precisos 
e passou a ser controlada por um Estado, que 
exerce a soberania sobre ela, transformou-se em 
território. É esse território que chamamos de país, 
ou seja, o conjunto formado pelas paisagens natu-
rais e culturais sob o controle do Estado que exer-
ce o poder dentro de seus limites.
Como conceito antropológico, nação é sinôni-
mo de etnia e refere-se a um conjunto amplo de 
indivíduos e grupos que participam de uma mes-
ma comunidade por razões históricas e culturais: 
linguísticas, religiosas, etc. Partilham do mesmo 
idioma, têm uma história considerada comum e 
uma série de tradições e costumes que os dife-
renciam de outras comunidades. 
A palavra povo, no sentido jurídico-político, é 
sinônimo de conjunto de cidadãos e refere-se à 
população que habita o território sob jurisdição 
de um Estado e que tem diversos direitos e de-
veres, o que exclui, por exemplo, os estrangeiros 
não naturalizados.
É comum que manifestantes, ao protestarem contra um 
determinado Estado, queimem seu principal símbolo nacional: 
a bandeira. Na foto de 2018, manifestantes queimam as 
bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, em Teerã (Irã), pelo 
aniversário da invasão da embaixada dos EUA (1979-1981).
Estado e nação
A coincidência entre Estado e Nação vai-se 
tornando cada vez mais rara à medida em que 
aumentam as facilidades de comunicação e a 
mobilidade dos indivíduos, de um para outro 
Estado. A pretensão de caracterizar o Estado 
moderno como Estado nacional baseou-se na 
relativa estabilidade obtida pela Europa no sé-
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