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Práticas de Linguagens Ciência, arte e tecnologia (72)

Capítulo didático sobre narrativas de ficção científica: define o subgênero, analisa obras e autores (Verne, Mary Shelley, Huxley, Orwell, Asimov, Clarke), discute ciência, tecnologia, inteligência artificial e distopias, e traz questões sobre O homem bicentenário.

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11 Andrew pergunta ao cirurgião se ele não gostaria de ser humano. 
Essa questão desencadeia uma discussão entre os dois que revela a 
sensibilidade do personagem principal a um tema muito caro para 
a humanidade, o que de alguma forma aproxima Andrew dos huma-
nos, mas não aproxima o robô cirurgião. 
a. Que tema é esse? 
b. Em sua opinião, que outras discussões sobre o desenvolvimento 
da inteligência artificial ele gera?
12 A que tipo de cirurgia você imagina que Andrew deseja ser subme-
tido? Por que o cirurgião não a faria se ele fosse humano? 
Narrativas literárias de ficção científica
A ficção científica é um subgênero literário que acrescenta aspectos 
imaginários a elementos reais, com base em extrapolações dos conheci-
mentos científicos. Nessas produções, geralmente é possível reconhecer 
um ou alguns dos seguintes elementos: viagens no tempo, naves espa-
ciais, inteligência artificial representada por computadores ou robôs, 
presença alienígena, etc. 
Nascida no século XIX, influenciado pelas transformações advindas 
da Revolução Industrial, a narrativa de ficção científica é marcada pelo 
deslumbramento e temor gerado pelos avanços tecnológicos. A conflu-
ência desses dois elementos fez com que a ficção científica tivesse como 
mote a antecipação de etapas posteriores da história da humanidade, 
destacando a ciência e a tecnologia como coautoras de processos 
evolutivos, ora positivos ora nada promissores. 
Em geral, os autores de ficção científica tomam como ponto de partida 
eventos presentes, os quais são sensíveis para projetar os eventos futuros. 
Assim, a leitura desse tipo de narrativa não pode estar apartada do con-
texto em que foi produzido. Na segunda metade do século XIX, por exem-
plo, em narrativas como Vinte mil léguas submarinas ou Da Terra à Lua, 
ambas de Júlio Verne (1828-1905), o futuro é visto com otimismo e a ciên-
cia é a responsável pela superação de obstáculos entre o ser humano e os 
espaços que deseja dominar. Visão contrária a essa aparece na obra da 
inglesa Mary Shelley (1797-1851), Frankenstein, de 1818. Considerada a pri-
meira obra a explorar a ciência como meio para construção de realidades 
insólitas, a narrativa critica a vaidade e a ambição do cientista, que, na 
tentativa de se parecer com Deus, dá vida a uma criatura que, mais tarde, 
se volta contra o próprio criador. Em ambos os enredos, aspectos relacio-
nados às visões de mundo próprias do século XIX, como o fascínio com 
os avanços científicos e o temor moral e religioso, estão presentes. 
O período entre as duas grandes guerras mundiais – 1918 e 1939 – foi 
marcado pelo pessimismo e pelo temor aos totalitarismos nascentes, 
como o nazismo e o fascismo. Nessa época, surgiram as ficções científi-
cas distópicas: narrativas em que a ciência é usada por Estados totalitá-
rios, que, em nome do controle e da ordem, coibem as liberdades indivi-
duais. Fazem parte desse grupo obras como Admirável mundo novo, 
(1932), de Aldous Huxley (1894-1963), Cântico (1938), de Ayn Rand 
(1905-1982) e, mais tarde, o romance 1984 (1949), de George Orwell 
(1903-1950), do qual foi retirado o termo Grande Irmão (Big Brother) _ o 
olho do Estado totalitário que tudo vê. 
O tema da liberdade. 
Resposta pessoal.
Resposta pessoal. Andrew deseja tornar-se mortal. Um robô cirurgião jamais poderia programar 
a morte de um ser humano porque isso violaria a primeira lei da robótica.
 O homem 
bicentenário, 
dirigido por 
Chris Columbus 
(Estados Unidos/
Canadá: 1999, 
132 min).
Assista ao filme 
para ampliar seus 
conhecimentos sobre 
ficção científica.
FICA A DICA
distópicas: o contrário 
de utópicas. Trata-se, em 
geral, da representação 
de situações em que 
se vive sob regimes 
totalitários e opressivos. 
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Já as obras de ficção científica publicadas entre os anos 1950 e 1990 
refletem também avanços e temores desse tempo, o que comprova 
que esse estilo de narrativa representa um futuro tomado pelas espe-
ranças e inquietações do presente. Não sem razão, muitas produções 
desse período tratam de holocausto nuclear e/ou das consequências 
da radioatividade no planeta; de viagens ao espaço; de inteligência das 
máquinas, muitas vezes representadas por robôs; de totalitarismos e 
de crises ambientais. São desse período os livros cujos excertos foram 
analisados nesta trilha: O homem bicentenário, de Isaac Asimov (autor 
também da coletânea de contos Eu, robô) e 2001: uma odisseia no es-
paço, de Arthur Clarke. 
Ficção científica e ciência
Avanços da ciência e da ficção científica parecem estar correlaciona-
dos. Tanto a ficção científica se apropria de conhecimentos da ciência, 
quanto a ciência se inspira na imaginação dos autores de ficção científi-
ca para desenvolvimento de artefatos.
Se a ficção científica é campo fértil para o desenvolvimento de mun-
dos imaginários em que humanos e robôs convivem, se enfrentam ou se 
invejam, os riscos dessa interação emergem quando a ciência assume 
como possível o desenvolvimento de máquinas superinteligentes. 
O texto que você vai ler a seguir é um trecho da reportagem “V.A. 
Vida Artificial”, publicada em abril de 2020. Durante a leitura, relacione 
temas como imaginação e ciência, liberdade científica e ética. Com base 
na leitura desse texto, você e os colegas participarão de duas experi-
mentações: a primeira será um debate sobre os limites do avanço cien-
tífico e a segunda será a produção de um conto de ficção científica. 
V.A. Vida Artificial
Para alguns cientistas, só existe um jeito de criar inteligência artificial 
de QI realmente alto: construir máquinas que tenham medo de morrer e 
saibam lutar pela própria sobrevivência. O que pode dar errado? 
Que imagem surge em sua cabeça ao ouvir a expressão “inteligência 
artificial”? Provavelmente uma coisa incorpórea, um software, respon-
dendo por meio de algum aplicativo ou de um “assistente pessoal”. 
[...]
Se você tivesse feito essa pergunta para alguém há 30 anos, prova-
velmente a resposta seria bem diferente. O que viria à mente das 
pessoas seria um robô físico, que imita um ser humano. Um androide, 
como os replicantes de Blade Runner, o pequeno David, protagonista 
de Inteligência Artificial ou, mais recentemente, os anfitriões de 
Westworld. Entidades que [...] têm consciência plena e medo de mor-
rer, exatamente como uma entidade viva. 
O irônico é que, bem agora que a inteligência artificial chega aos 
celulares e às caixinhas de som, a hipótese de que a verdadeira inte-
ligência artificial precisa ter características humanas volta à tona na 
ciência de verdade. 
Pelo menos é o que propuseram dois neurocientistas bastante reco-
nhecidos: o português António Damásio e seu colega americano Kingson 
Man, da Universidade do Sul da Califórnia. Em novembro de 2019, a 
dupla publicou um artigo científico chamado Homeostasis and soft robo-
tics in the design of feeling machines (“Homeostase e robótica flexível no 
desenho de máquinas sensíveis”). 
NÃO ESCREVA 
NESTE LIVRO.
 Vinte mil léguas 
submarinas, de 
Júlio Verne (São 
Paulo: Zahar, 
2014).
Leia o livro se 
você gosta de 
ficções científicas e 
aventuras.
 Admirável mundo 
novo, de Aldous 
Huxley (São Paulo: 
Globo, 2001).
Leia o livro se preferir 
romances distópicos 
em que a ciência é 
utilizada para coibir 
liberdades.
 1984, de George 
Orwell (São Paulo: 
Cia das Letras, 
2009).
Este também é um 
romance distópico, 
bastante conhecido 
e que serviu de 
inspiração para várias 
outras obras literárias 
e cinematográficas.
FICA A DICA
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