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Pré-Cálculo 2024-1 EP 07 1 de 18
DISCIPLINA PRÉ-CÁLCULO 2024-1
Profa. Maria Lúcia Campos
Profa. Marlene Dieguez
EP07 –Função Composta. Função Inversa
_____________________________________________________________________________________
Caro aluno.
Vamos estudar as Funções Compostas! É um tema muito importante. Leiam com bastante atenção as
observações. Vocês lerão, por exemplo, que para encontrar o domínio da função composta não basta
encontrar o domínio da expressão da função composta. Fiquem atentos a essas observações.
Você ainda verá a definição de função inversa e como identificar se uma função admite inversa.
Aprenderá a encontrar a função inversa e o gráfico da função inversa.
Esse assunto é a base para estudar as funções trigonométricas inversas e a função logarítmica que serão
estudadas nas próximas semanas.
FUNÇÕES COMPOSTAS
Já vimos que podemos combinar duas funções 𝑓 e 𝑔 para formar novas funções. Por exemplo:
𝑓 + 𝑔 , 𝑓 − 𝑔 , 𝑓 × 𝑔 ,
𝑓
𝑔
.
Vamos falar de uma outra de forma de combinar duas funções 𝑓 e 𝑔: composição de funções.
Em geral, dadas duas funções 𝑓 e 𝑔, para construir a nova função, que chamamos de 𝑓 composta com
𝑔 e denotamos por 𝑓 ∘ 𝑔 (𝑓 bola 𝑔), começamos com um número 𝑥 no domínio de 𝑔 e encontramos
sua imagem 𝑔(𝑥). Se esse número 𝑔(𝑥) estiver no 𝐷𝑜𝑚(𝑓), então podemos calcular o valor de (𝑓 ∘
𝑔)(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)). E é assim que construímos essa nova função, a composição (ou composta) de 𝑓 e 𝑔,
denotada por 𝑓 ∘ 𝑔.
Preste atenção: A notação 𝑓 ∘ 𝑔 significa que a primeira função a ser aplicada é a 𝒈 e depois é
a função 𝒇.
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Portanto, temos a definição:
Dadas 𝑓: 𝐷𝑜𝑚(𝑓) ⟶ ℝ e 𝑔: 𝐷𝑜𝑚(𝑔) ⟶ ℝ , a composição (ou composta) de 𝑓 e 𝑔
é a função:
𝑓 ∘ 𝑔: 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) ⊆ 𝐷𝑜𝑚(𝑔) ⟶ ℝ definida por:
(𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)), para 𝑥 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑔), tal que 𝑔(𝑥) ∈ 𝐷𝑜𝑚 (𝑓).
O domínio de 𝑓 ∘ 𝑔 é o conjunto dos 𝑥 no domínio de 𝑔 tais que 𝑔(𝑥) está no domínio de 𝑓 .
𝐷𝑜𝑚 (𝑓 ∘ 𝑔) = {𝑥 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑔): 𝑔(𝑥) ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓)} =
= {𝑥 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑔)} ∩ {𝑥: 𝑔(𝑥) ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓)}
Note que, 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) ⊆ 𝐷𝑜𝑚(𝑔).
Você também pode procurar o domínio da função composta, por exemplo 𝑓 ∘ 𝑔 , da seguinte forma:
▪ Primeiro: analisar a expressão da função 𝑓 ∘ 𝑔 para encontrar o conjunto 𝑪
dos números reais que satisfazem essa expressão, isto é,
encontrar o domínio da expressão da função composta.
▪ Segundo: é preciso comparar esse conjunto 𝑪 com 𝑫𝒐𝒎(𝒈), pois
𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) ⊆ 𝐷𝑜𝑚(𝑔).
Quando 𝑪 não é igual ao 𝐷𝑜𝑚(𝑔) e
nem está contido no 𝐷𝑜𝑚(𝑔),
então 𝑫𝒐𝒎(𝒇 ∘ 𝒈) = 𝑪 ∩ 𝑫𝒐𝒎(𝒈).
PRESTE BEM ATENÇÃO Para encontrar o domínio da função composta não basta encontrar o
domínio da expressão da função composta. Os exemplos 6 e 7, a seguir,
ilustrarão bem essa situação.
EXEMPLO 1: Sejam 𝑓(𝑥) = 𝑥3 𝑒 𝑔(𝑥) = 𝑥 − 2
Encontre as expressões (ou leis de formação) das funções compostas 𝑓 ∘ 𝑔 e 𝑔 ∘ 𝑓 e
seus respectivos domínios.
Encontrando a expressão (ou lei de formação) de cada composta:
(𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓(𝑥 − 2) = (𝑥 − 2)3
(𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥) = 𝑔(𝑓(𝑥)) = 𝑔(𝑥3) = 𝑥3 − 2
Note que 𝑓 ∘ 𝑔 é a função que primeiro subtrai 2 e então eleva ao cubo e 𝑔 ∘ 𝑓 é a função que primeiro
eleva ao cubo e então subtrai 2 .
Como 𝑓(𝑥) = 𝑥3 𝑒 𝑔(𝑥) = 𝑥 − 2 são funções polinomiais, então:
𝐷𝑜𝑚(𝑓) = 𝐼𝑚(𝑓) = 𝐷𝑜𝑚(𝑔) = 𝐼𝑚(𝑔) = ℝ
As expressões das funções 𝑓 e 𝑔 que definem as funções compostas (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) = (𝑥 − 2)3 e
(𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥) = 𝑥3 − 2 também são polinômios e portanto, não temos restrições a fazer:
𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) = 𝐷𝑜𝑚(𝑔) = ℝ e 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) = 𝐷𝑜𝑚(𝑓) = ℝ
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EXEMPLO 2: Considere a função 𝑔(𝑥) = 𝑥2 − 1, com domínio restrito a 𝑥 ≥ 0 e a função 𝑓(𝑥) =
√𝑥 .
Encontre as expressões (ou leis de formação) das funções compostas 𝑓 ∘ 𝑔 e 𝑔 ∘ 𝑓 e
seus respectivos domínios.
Resolução:
Sendo 𝑓(𝑥) = √𝑥 , então 𝐷𝑜𝑚(𝑓) = [0 , +∞) e sendo 𝑔(𝑥) = 𝑥2 − 1, 𝑥 ≥ 0, então
𝐷𝑜𝑚(𝑔) = [0,∞).
Determinando a expressão de 𝑓 ∘ 𝑔 : (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓(𝑥2 − 1) = √𝑥2 − 1 .
Para determinar o domínio de 𝑓 ∘ 𝑔 , primeiro, vamos determinar o domínio da expressão da função
composta (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) = √𝑥2 − 1 ..
É preciso que 𝑥2 − 1 ≥ 0 , para que √𝑥2 − 1 seja calculada.
Como o gráfico de 𝑦 = 𝑥2 − 1 é uma parábola de concavidade voltada para cima, pois o coeficiente do
termo 𝑥2 é 1 > 0 e de raízes 𝑥 = −1 e 𝑥 = 1, então 𝑥2 − 1 ≥ 0 ⟺ 𝑥 ≤ −1 𝑜𝑢 𝑥 ≥ 1.
Portanto o domínio da expressão da composta 𝑓 ∘ 𝑔 é (−∞ ,−1] ∪ [1 , +∞) .
Como 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) ⊂ 𝐷𝑜𝑚(𝑔) = [0 , +∞) , então
𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) = [(−∞ ,−1] ∪ [1 , +∞)] ∩ [0 , +∞) = [1 , +∞).
Observe que nesse caso, o domínio da composta é diferente do domínio da função que começou a
composição, ou seja, 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) = [1 , +∞) ≠ [0 , +∞) = 𝐷𝑜𝑚(𝑔).
Determinando a expressão de 𝑔 ∘ 𝑓 ∶ (𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥) = 𝑔(𝑓(𝑥)) = 𝑔(√𝑥 ) = (√𝑥 )
2
− 1 = 𝑥 − 1 .
Para determinar o domínio de 𝑔 ∘ 𝑓 , primeiro, observamos que o domínio da expressão da função
composta (𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥) = 𝑥 − 1 é ℝ.
Como 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) ⊂ 𝐷𝑜𝑚(𝑓) = [0 , +∞) , então, 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) = ℝ ∩ [0 , +∞) .
Neste caso 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) = [0 , +∞) = 𝐷𝑜𝑚(𝑓) .
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EXEMPLO 3: Sejam 𝑓 (𝑥) =
1
𝑥−1
𝑒 𝑔 (𝑥) =
𝑥−1
𝑥+1
.
Encontre as expressões das funções compostas 𝑓 ∘ 𝑔 e 𝑔 ∘ 𝑓 e seus respectivos
domínios.
Sendo 𝑓(𝑥) =
1
𝑥−1
, então 𝐷𝑜𝑚(𝑓) = ℝ − {1} e sendo 𝑔(𝑥) =
𝑥−1
𝑥+1
, então 𝐷𝑜𝑚(𝑔) = ℝ − {−1}.
Determinando a expressão de 𝑓 ∘ 𝑔 :
(𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓 (
𝑥 − 1
𝑥 + 1
) =
1
𝑥 − 1
𝑥 + 1 − 1
=
1
𝑥 − 1 − (𝑥 + 1)
𝑥 + 1
=
𝑥 + 1
−2
= −
1
2
(𝑥 + 1)
Para determinar o domínio de 𝑓 ∘ 𝑔, primeiro, observamos que o domínio da expressão da função
composta (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = −
1
2
(𝑥 + 1) é ℝ .
Como 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) ⊂ 𝐷𝑜𝑚(𝑔) = ℝ − {−1} , então 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) = ℝ ∩ ℝ − {−1} = ℝ − {−1}.
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Neste caso 𝐷𝑜𝑚(𝑓 ∘ 𝑔) ℝ − {−1} = 𝐷𝑜𝑚(𝑔) .
Determinando a expressão de 𝑔 ∘ 𝑓 :
(𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) = 𝑔(𝑓(𝑥)) = 𝑔 (
1
𝑥 − 1
) =
1
𝑥 − 1 − 1
1
𝑥 − 1 + 1
=
1 − (𝑥 − 1)
𝑥 − 1
1 + (𝑥 − 1)
𝑥 − 1
=
−𝑥 + 2
𝑥
Primeiro, observamos que o domínio da expressão da função composta (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) =
−𝑥+2
𝑥
é ℝ− {0}.
Como 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) ⊂ 𝐷𝑜𝑚(𝑓) = ℝ − {1} , então 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) = ℝ − {0} ∩ ℝ − {1} = ℝ − {0 , 1} .
Neste caso 𝐷𝑜𝑚(𝑔 ∘ 𝑓) = ℝ − {0 , 1} ≠ ℝ − {1} = 𝐷𝑜𝑚(𝑓) .
Preste atenção: Dos exemplos anteriores concluímos que em geral,
𝑓 ∘ 𝑔 ≠ 𝑔 ∘ 𝑓
Portanto, a ordem na qual as funções são compostas, em geral, faz
diferença. A operação de composição de funções não é comutativa.
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EXEMPLO 4:Para cada uma das funções abaixo, escreva ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥), com 𝑓 e 𝑔 diferentes da
identidade.a) ℎ(𝑥) = (𝑥3 + 5)7 b) ℎ(𝑥) = √1 − 𝑥2 c) ℎ(𝑥) =
2
𝑥−3
d) ℎ(𝑥) = 2|𝑥| − 5
Resolução:
a) Se ℎ(𝑥) = (𝑥3 + 5)7 então 𝑔(𝑥) = 𝑥3 + 5 e 𝑓(𝑥) = 𝑥7. De fato:
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓(𝑥3 + 5) = (𝑥3 + 5)7 .
b) Se ℎ(𝑥) = √1 − 𝑥2 então 𝑔(𝑥) = 1 − 𝑥2 e 𝑓(𝑥) = √𝑥 . De fato:
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓(1 − 𝑥2) = √1 − 𝑥2 .
c) Se ℎ(𝑥) =
2
𝑥−3
então 𝑔(𝑥) = 𝑥 − 3 e 𝑓(𝑥) =
2
𝑥
. De fato:
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓(𝑥 − 3) =
2
𝑥−3
.
d) Se ℎ(𝑥) = 2|𝑥| − 5 então 𝑔(𝑥) = |𝑥| e 𝑓(𝑥) = 2𝑥 − 5 . De fato:
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓(|𝑥| ) = 2|𝑥| − 5 .
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EXEMPLO 5:Considere as funções:
𝑓(𝑥) = {
−𝑥 , 𝑠𝑒 𝑥 < 0
𝑥2 , 𝑠𝑒 𝑥 ≥ 0
𝑔(𝑥) = {
1
𝑥
, 𝑠𝑒 𝑥 < 0
√𝑥 , 𝑠𝑒 𝑥 ≥ 0
a) Encontre as expressões das funções ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) e 𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥).
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b) Esboce os gráficos de 𝑓 , 𝑔 , 𝑓 ∘ 𝑔 , 𝑔 ∘ 𝑓 .
Resolução:
a) Vamos encontrar a expressão de ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) .
Vamos considerar a partição do domínio da função ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) , como a partição do domínio da
função 𝑔 , a função que inicia a composição:
▪ Se 𝑥 < 0 ∶ então 𝑔(𝑥) =
1
𝑥
e
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓 (
1
𝑥
) = −
1
𝑥
, se 𝑥 < 0 então
1
𝑥
< 0 também.
▪ Se 𝑥 > 0 ∶ então 𝑔(𝑥) = √𝑥 e
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = 𝑓(𝑔(𝑥)) = 𝑓( √𝑥 ) = (√𝑥 )
2
(𝑝𝑜𝑖𝑠, √𝑥 > 0 ) = 𝑥 ,
▪ Se 𝑥 = 0 então 𝑔(0) = √0 = 0 e
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(0) = 𝑓(𝑔(0)) = 𝑓(√0 ) = 𝑓(0) = 02 = 0 . Logo,
ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) = {−
1
𝑥
, 𝑠𝑒 𝑥 < 0
𝑥 , 𝑠𝑒 𝑥 ≥ 0
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Vamos considerar a partição do domínio da função 𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) , como a partição do domínio da
função 𝑓 , a função que inicia a composição:
▪ Se 𝑥 < 0 ∶ então 𝑓(𝑥) = −𝑥 e
𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) = 𝑔(𝑓(𝑥)) = 𝑔(−𝑥 ) = √−𝑥 , se 𝑥 < 0 então − 𝑥 > 0 e temos que
usar a lei de formação da função 𝑔 para valores positivos da variável de 𝑔 .
▪ Se 𝑥 > 0 ∶ então 𝑓(𝑥) = 𝑥2 e:
𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) = 𝑔(𝑓(𝑥)) = 𝑔(𝑥2) = √𝑥2 = |𝑥| = 𝑥 , pois, como 𝑥2 > 0 , temos
que usar a lei de formação da função 𝑔 para valores positivos da variável de 𝑔 . Sendo
inicialmente 𝑥 > 0 , |𝑥| = 𝑥 .
▪ Se 𝑥 = 0 então 𝑓(0) = 02 = 0 e
𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(0) = 𝑔(𝑓(0)) = 𝑔(02) = √0 = 0 . Logo,
𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) = {√−𝑥 , 𝑠𝑒 𝑥 < 0
𝑥 , 𝑠𝑒 𝑥 ≥ 0
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b) Vamos esboçar os gráficos:
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EXEMPLO 6:
Use os gráficos dados de 𝑓 e 𝑔 para determinar o valor de cada uma das expressões abaixo ou para
explicar por que elas não estão definidas.
a) (𝑔 ∘ 𝑓)(2) b) (𝑓 ∘ 𝑔)(0)
c) 𝑔(𝑓(0)) d) (𝑔 ∘ 𝑓)(6)
e) 𝑔(𝑔(−2)) f) 𝑓(𝑓(2))
Resolução:
As informações para resolver os itens acima serão
encontradas nos gráficos das funções 𝑓 e 𝑔 ao
lado. Dado um valor para a abscissa 𝒙 é só
procurar a ordenada 𝑓(𝑥) ou 𝑔(𝑥)
correspondente, conforme seja o caso e se existir,
é claro!
a) (𝑔 ∘ 𝑓)(2) = 𝑔(𝑓(2)) = 𝑔(−2) = 1
b) (𝑓 ∘ 𝑔)(0) = 𝑓(𝑔(0)) = 𝑓(3) = 0
c) 𝑔(𝑓(0)) = 𝑔(0) = 3
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d) (𝑔 ∘ 𝑓)(6) = 𝑔(𝑓(6)) = 𝑔(6). Como 𝑥 = 6 ∉ 𝐷𝑜𝑚(𝑔) , então a composição (𝑔 ∘ 𝑓)(6) não
pode ser calculada.
e) 𝑔(𝑔(−2)) = 𝑔(1) = 4
f) 𝑓(𝑓(2)) = 𝑓(−2) . Como 𝑥 = −2 ∉ 𝐷𝑜𝑚(𝑓) , então a composição (𝑓 ∘ 𝑓)(2) não pode ser
calculada.
Funções Inversas
Para falar de Função Inversa precisamos do conceito de função um a um.
Definição: Uma função 𝑓 ∶ 𝐷 ⟶ ℝ é dita injetiva, ou um a um, se nunca assume o mesmo valor
duas vezes, isto é:
se 𝑥1 ∈ 𝐷 , 𝑥2 ∈ 𝐷 𝑒 𝑥1 ≠ 𝑥2 então 𝑓(𝑥1 ) ≠ 𝑓(𝑥2 )
ou, também podemos dizer da seguinte forma:
Uma função 𝑓 ∶ 𝐷 ⟶ ℝ é dita injetiva, ou um a um,
se 𝑥1 ∈ 𝐷 , 𝑥2 ∈ 𝐷 , e 𝑓(𝑥1 ) = 𝑓(𝑥2 ) então 𝑥1 = 𝑥2 .
Observação: Gostaríamos de chamar a atenção que os termos: “um-a-um”, “injetora”, “injetiva”,
“biunívoca” têm todos o mesmo significado.
Se conhecemos o gráfico da função, então para verificar se a função é um a um podemos usar o Teste da
Reta Horizontal, que diz:
Teste da Reta Horizontal: Uma função é um a um se e somente se toda reta horizontal intersecta seu
gráfico no máximo em um ponto.
EXEMPLO 1: A função 𝑓(𝑥) = 𝑥2 − 1, definida para todos os reais, é um-a-um?
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Não! Esta função não é injetiva. Basta ver, por exemplo, que
𝑓(−2) = (−2)2 − 1 = 3 = 22 − 1 = 𝑓(2).
Portanto, −2 e 2 têm a mesma imagem.
Também podemos chegar a essa mesma conclusão vendo
que existem retas horizontais que intersectam o gráfico de
𝑓(𝑥) = 𝑥2 − 1 mais de uma vez. Portanto, pelo Teste da Reta
Horizontal, 𝑓 não é uma função um-a-um.
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EXEMPLO 2: A função 𝑔(𝑥) = 𝑥3, definida para todos os reais, é um-a-um?
Sim! Esta função é injetiva.
Sejam 𝑥1 e 𝑥2 números reais.
Suponhamos que ( 𝑥1 )
3 = ( 𝑥2 )
3.
Sabemos que se dois números reais são iguais então eles
têm a mesma raiz cúbica.
Logo, √( 𝑥1 )3
3
= √( 𝑥2 )3
3
⟹ 𝑥1 = 𝑥2 .
Também, do gráfico da função 𝑔(𝑥) = 𝑥3 , vemos que toda
reta horizontal intersecta esse gráfico em apenas um ponto.
Portanto, pelo Teste da Reta Horizontal, 𝑔 é uma função um-a-um.
As funções um-a-um são importantes, pois são exatamente essas funções que possuem inversa.
Definição: Seja 𝑓 uma função um a um com domínio 𝐴 e imagem 𝐵 . Esta função é inversível. Sua
função inversa 𝑓−1 tem domínio 𝐵 e imagem 𝐴 , e é definida por:
𝑓−1(𝑏) = 𝑎 ⟺ 𝑓(𝑎) = 𝑏 , para todo 𝑏 ∈ 𝐵 .
Essa definição diz que:
𝑓: 𝐴 ⟶ 𝐵 e 𝑓−1: 𝐵 ⟶ 𝐴
se 𝑓 "leva" 𝑎 em 𝑏 então 𝑓−1 "traz" 𝑏 "de volta" em 𝑎
𝑓(𝑎) = 𝑏 ⟺ 𝑓−1(𝑏) = 𝑎
𝐷𝑜𝑚(𝑓) = 𝐼𝑚(𝑓−1) e 𝐷𝑜𝑚(𝑓−1) = 𝐼𝑚(𝑓)
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Do quadro acima temos que, 𝑓(𝑎) = 𝑏 ⟺ 𝑓−1(𝑏) = 𝑎.
Assim, o ponto (𝑎, 𝑏) está no gráfico da função 𝑓 , se, e somente se, o ponto (𝑏, 𝑎) está no gráfico da
função 𝑓−1 .
Lembremos que os pontos (𝑎, 𝑏) e (𝑏, 𝑎) são simétricos com relação à reta 𝑦 = 𝑥 . Dado um deles,
faz-se a sua reflexão com relação à reta 𝑦 = 𝑥 , para obter o outro.
Portanto,
O gráfico de 𝑓−1 é obtido refletindo-se o gráfico de 𝑓 em torno da reta 𝑦 = 𝑥.
Observação Importante: Na definição de função inversa supomos que o conjunto
𝐵 = 𝑖𝑚𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑓.
Mas, em alguns livros isso não e´ suposto, nesse caso fica subtendido que 𝐵 = 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑚í𝑛𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑓, isso
significa que 𝑖𝑚𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑓 ⊂ 𝐵 (o conjuntoimagem pode ter menos elementos que o conjunto
contradomínio ou ambos podem ter os mesmos elementos). Quando os dois têm os mesmos elementos,
isto é, quando 𝑖𝑚𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑓 = 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑚𝑖𝑛𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑓, diz-se que a função 𝑓 é sobrejetora (ou
sobrejetiva). Por esse motivo, nos livros que é suposto apenas que 𝐵 = 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑚í𝑛𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑓, para que a
função admita inversa é preciso admitir que, além de ser injetora, que ela também seja sobrejetora.
Uma outra definição para FUNÇÃO INVERTÍVEL, equivalente a que foi apresentada aqui neste EP, é a
definição adotada no livro de Pré-Cálculo, Vol.2, Módulo 4, Aula 27, página 149. É a seguinte:
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“Definição 27.1 1 do livro”
Uma função 𝑓 é chamada invertível, quando existe uma função 𝑔 , tal que
(𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥) = 𝑥 e (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑦) = 𝑦
para todos 𝑥 e 𝑦 onde as composições estão definidas. A função 𝑔 quando existe, é chamada
inversa de 𝑓 e é designada por 𝑓−1.
É bastante interessante termos conhecimento dessas duas definições, pois poderemos, nos nossos
exercícios, fazer uso da definição que for mais conveniente.
Segundo a definição que apresentamos aqui neste EP, temos que:
para 𝑥 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓) e 𝑦 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓−1) : 𝑓−1(𝑦) = 𝑥 ⟺ 𝑓(𝑥) = 𝑦
Logo, 𝑓−1(𝑓(𝑥)) = 𝑓−1(𝑦) = 𝑥, para todo 𝑥 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓)
𝑓(𝑓−1(𝑦)) = 𝑓(𝑥) = 𝑦, para todo 𝑦 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓−1)
𝑓−1(𝑓(𝑥)) = 𝑥, para todo 𝑥 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓)
𝑓(𝑓−1(𝑦)) = 𝑦, para todo 𝑦 ∈ 𝐷𝑜𝑚(𝑓−1)
Ou seja,
A primeira lei diz que se começarmos em 𝑥, aplicando 𝑓, e em seguida 𝑓−1 , obteremos de volta 𝑥. Assim,
𝑓−1 desfaz o que 𝑓 faz.
E 𝑓 desfaz o que 𝑓−1 faz.
EXEMPLO 3: Suponha que 𝑓: 𝐴 ⟶ 𝐵 seja a função definida
segundo o diagrama:
a) 𝑓 é um-a-um?
b) Encontre 𝑓−1(5), 𝑓−1(7), 𝑓−1(−10).
O diagrama mostra que valores distintos do domínio têm imagens
distintas, logo 𝑓 é um-a-um e, portanto, é inversível.
Do diagrama, concluímos que:
𝑓−1(5) = 1, 𝑓−1(7) = 3, 𝑓−1(−10) = 8. Uma ilustração:
Preste muitíssima atenção:
−1 que aparece em 𝑓−1 NÃO é um expoente, é uma notação.
𝑓−1(𝑥) 𝑛ã𝑜 𝑠𝑖𝑔𝑛𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎
1
𝑓(𝑥)
!
1
𝑓(𝑥)
= (𝑓(𝑥))
−1
é o número real 𝑓(𝑥) elevado a potência −1.
Conclusão: 𝑓−1(𝑥) ≠ (𝑓(𝑥))
−1
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Se a noção de função inversa ficou bem clara, vemos que somos capazes de responder as seguintes
questões:
EXEMPLO 4: Sabendo que 𝑓(𝑥) = 2𝑥3 + 5𝑥 + 3 é inversível, encontre 𝑦, tal que 𝑓−1(𝑦) = 1.
Mesmo sem conhecer a expressão da função inversa 𝑓−1, podemos responder a questão acima, pois,
𝑓−1(𝑦) = 1 ⟺ 𝑓(1) = 𝑦
Assim, 𝑦 = 𝑓(1) = 2 ∙ 13 + 5 ∙ 1 + 3 = 10.
Observação: por enquanto não sabemos como verificar que essa função é inversível, pois ainda não
sabemos como esboçar o gráfico dessa função. Em Cálculo I você vai aprender como esboçar o gráfico e
vai verificar que o gráfico dessa função passa pelo teste da reta horizontal.
Outra questão que podemos responder:
EXEMPLO 5: Sabendo que 𝑓(𝑥) = 2𝑥3 + 5𝑥 + 3, encontre o valor de 𝑓−1(3).
Sabemos que, 𝑓−1(3) = 𝑥 ⟺ 𝑓(𝑥) = 3
Basta resolver a equação 3 = 𝑓(𝑥) = 2𝑥3 + 5𝑥 + 3.
Mas,
2𝑥3 + 5𝑥 + 3 = 3 ⟺ 2𝑥3 + 5𝑥 = 0 𝑥(2𝑥2 + 5) = 0 ⟺ 𝑥 = 0 , pois 2𝑥2 + 5 > 0.
Portanto, já que 𝑓(0) = 3 então 𝑓−1(3) = 0.
Como achar a Função Inversa de uma função 𝑓 um a um?
1- Escreva 𝑦 = 𝑓(𝑥).
2- Resolva essa equação para 𝑥 em termos de 𝑦 (se possível).
3- Para expressar 𝑓−1 como uma função de 𝑥 , troque 𝑥 por 𝑦.
A equação encontrada é 𝑦 = 𝑓−1(𝑥).
EXEMPLO 6: Considerando, 𝐷𝑜𝑚 𝑓 = ℝ a função
𝑓(𝑥) = 𝑥2 tem inversa?
A função 𝑓(𝑥) = 𝑥2 não tem inversa, pois não é um a um.
O gráfico ao lado mostra que essa função não satisfaz o
Teste da Reta Horizontal. Vemos, por exemplo, que.
𝑓(−2) = 4 = 𝑓(2).
Mas, as funções 𝑓1: [0,∞) ⟶ [0,∞)
𝑥 ↦ 𝑥2
e 𝑓2: (−∞, 0] ⟶ [0,∞)
𝑥 ↦ 𝑥2
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cujos gráficos são:
são funções um a um e portanto, admitem inversas,
𝑓1
−1: [0,∞) ⟶ [0,∞) 𝑓2
−1: [0,∞) ⟶ (−∞, 0]
Vamos encontrar as expressões dessas inversas.
Escrevemos 𝑦 = 𝑥2 e resolvemos essa equação para 𝑥:
𝑦 = 𝑥2 ⟹ √𝑦 = √𝑥2 ⟹ √𝑦 = |𝑥|. Então,
𝑥 = √𝑦, se 𝑥 ≥ 0, 𝑦 ≥ 0 ou −𝑥 = √𝑦, se 𝑥 ≤ 0, 𝑦 ≥ 0.
Trocando 𝑥 por 𝑦 temos:
𝑦 = √𝑥 , se 𝑥 ≥ 0 , 𝑦 ≥ 0 ou 𝑦 = −√𝑥 , se 𝑦 ≤ 0 , 𝑥 ≥ 0.
𝑦 = √𝑥, se 𝑥 ≥ 0, 𝑦 ≥ 0 ou 𝑦 = −√𝑥, se 𝑦 ≤ 0, 𝑥 ≥ 0.
Como 𝐼𝑚(𝑓1
−1) = 𝐷𝑜𝑚(𝑓1) = [0,∞),
então 𝑦 = 𝑓1
−1(𝑥) ≥ 0 e assim a função
inversa de 𝑓1 será 𝑓1
−1(𝑥) = √𝑥 , que é um
número sempre positivo ou nulo.
Temos que 𝐼𝑚(𝑓2
−1) = 𝐷𝑜𝑚(𝑓2) = (−∞ , 0] então 𝑦 = 𝑓2
−1(𝑥) ≤ 0 e assim a função inversa de
𝑓2 será 𝑓2
−1 (𝑥) = −√𝑥 , que é um número sempre negativo ou nulo.
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Note que os gráficos de 𝑓1 e 𝑓1
−1 são simétricos com relação à reta 𝑦 = 𝑥. O mesmo acontece com os
gráficos das funções 𝑓2 e 𝑓2
−1.
Vamos apresentar dois resultados importantes que relacionam os conceitos de função crescente ou
função decrescente com função injetora, função invertível.
Vamos lembrar que se o contradomínio de uma função 𝒇 coincide com a imagem dessa função 𝒇, isto é,
se
𝑓: 𝐼 ⊂ ℝ ⟶ 𝐼𝑚(𝑓) ⊂ ℝ , então dizemos que a função 𝑓 dada é sobrejetora.
Resultados:
Seja 𝑓: 𝐼 ⊂ ℝ ⟶ 𝐼𝑚(𝑓) ⊂ ℝ
• (I) A função 𝑓 é crescente no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ ⟹ a função 𝑓 é injetora no intervalo
𝐼 ⊂ ℝ ⟹ a função 𝑓 é invertível no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ .
• (II) A função 𝑓 é decrescente no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ ⟹ a função 𝑓 é injetora no intervalo 𝐼 ⊂
ℝ ⟹ a função 𝑓 é invertível no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ .
Observamos que é bastante útil os resultados acima. Se tiver curiosidade, veja a prova desses resultados,
dadas a seguir.
Para provar vamos lembrar as seguintes definições:
❖ A função 𝑓 é crescente no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ se satisfaz:
𝑥1 , 𝑥2 ∈ 𝐼 ⊂ ℝ ; 𝑥1 < 𝑥2 ⟹ 𝑓(𝑥1) < 𝑓(𝑥2)
❖ A função 𝑓 é decrescente no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ se satisfaz:
𝑥1 , 𝑥2 ∈ 𝐼 ⊂ ℝ ; 𝑥1 < 𝑥2 ⟹ 𝑓(𝑥1) > 𝑓(𝑥2)
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❖ A função 𝑓 é injetora no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ se satisfaz:
𝑥1 , 𝑥2 ∈ 𝐼 ⊂ ℝ ; 𝑥1 ≠ 𝑥2 ⟹ 𝑓(𝑥1) ≠ 𝑓(𝑥2)
Também precisamos lembrar a seguinte propriedade que vamos simbolizar por propriedade (*):
Dada uma função 𝑓 sobrejetora, vale a propriedade:
a função 𝑓 é invertível no intervalo I ⊂ ℝ ⟺ a função 𝑓 é injetora no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ.
Agora vamos provar as Propriedades (I) e (II) acima, começando por (I).
Estamos supondo que 𝑓: 𝐼 ⊂ ℝ ⟶ 𝐼𝑚(𝑓) ⊂ ℝ e que a função 𝑓 é crescente no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ.
Para provar que a função 𝑓 será injetora no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ, precisaremos verificar que é verdadeiro
que 𝑥1 , 𝑥2 ∈ 𝐼 ⊂ ℝ ; 𝑥1 ≠ 𝑥2 ⟹ 𝑓(𝑥1) ≠ 𝑓(𝑥2).
Mas, 𝑥1 ≠ 𝑥2 significa que apenas um dos dois casos é verdadeiro:
(𝑖) 𝑥1 < 𝑥2 ou (𝑖𝑖) 𝑥1 > 𝑥2.
Caso (𝑖) 𝑥1 < 𝑥2
𝑓 𝑐𝑟𝑒𝑠𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒
⇒ 𝑓(𝑥1) < 𝑓(𝑥2) ⟹ 𝑓(𝑥1) ≠ 𝑓(𝑥2).
Logo, nesse caso está provado que a função é injetora em 𝑰 ⊂ ℝ.
Caso (𝑖𝑖) 𝑥1 > 𝑥2 ⟹ 𝑥2 < 𝑥1
𝑓 𝑐𝑟𝑒𝑠𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒
⇒ 𝑓(𝑥2) < 𝑓(𝑥1)⟹ 𝑓(𝑥2) ≠ 𝑓(𝑥1).
Logo está provado que em qualquer um dos dois casos, a função 𝒇 é injetora em 𝑰 ⊂ ℝ.
Agora, 𝑓 injetora em 𝐼 ⊂ ℝ
(∗)
⇒ função 𝑓 invertível em I ⊂ ℝ. (cqd)
A prova da propriedade (II) é semelhante, substitua as interrogações, como exercício:
Suponha que 𝑓: 𝐼 ⊂ ℝ ⟶ 𝐼𝑚(𝑓) ⊂ ℝ e que a função 𝑓 é decrescente no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ.
Para provar que a função 𝑓 será injetora no intervalo 𝐼 ⊂ ℝ , precisaremos verificar que é
verdadeiro que 𝑥1 , 𝑥2 ∈ 𝐼 ⊂ ℝ , 𝑥1 ≠ 𝑥2 ⟹ ? ? ? ? ? ? ?
Mas, 𝑥1 ≠ 𝑥2 significa que apenas um dos dois casos é verdadeiro:
(𝑖) 𝑥1 < 𝑥2 ou (𝑖𝑖) 𝑥1 > 𝑥2.
Caso (𝑖) 𝑥1 < 𝑥2
𝑓 𝑑𝑒𝑐𝑟𝑒𝑠𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒
⇒ ? ? ? ? ? ? ? ⟹ 𝑓(𝑥1) ≠ 𝑓(𝑥2).
Logo nesse caso está provado que a função é injetora em 𝐼 ⊂ ℝ.
Caso (𝑖𝑖) 𝑥1 > 𝑥2 ⟹ 𝑥2 < 𝑥1
𝑓 𝑑𝑒𝑐𝑟𝑒𝑠𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒
⇒ ? ? ? ? ? ? ⟹ 𝑓(𝑥2) ≠ 𝑓(𝑥1).
Logo está provado que em qualquer um dos dois casos, a função 𝑓 é injetora em 𝐼 ⊂ ℝ.
Agora, 𝑓 injetora em 𝐼 ⊂ ℝ
(∗)
⇒ função 𝑓 invertível em I ⊂ ℝ. (cqd)
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E agora, aos exercícios:
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Exercício 1: Complete a tabela a seguir e dê os domínios das respectivas (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥).
𝑔(𝑥) 𝑓(𝑥) (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥)
a) 𝑥 − 7 √𝑥 ?
b)
𝑥
𝑥 − 1
𝑥
𝑥 − 1
?
c)
1
𝑥
? 𝑥
d) ? 2𝑥 + 1 2𝑥2 + 4𝑥 + 1
e) 𝑥2 − 4𝑥 ? |𝑥 − 2|
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Exercício 2: Para cada uma das funções abaixo, escreva
𝑗(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥), com f e g diferentes da identidade.
a) 𝑗(𝑥) = (1 + 𝑥4)
2
3 b) 𝑗(𝑥) =
1
√𝑥−𝑥3
5
c) 𝑗(𝑥) = |𝑥 − 4| − 1
d) 𝑗(𝑥) = 𝑥2 + |𝑥| − 6
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Exercício 3:
I) Sejam 𝑓(𝑥) =
2𝑥−1
𝑥+1
e 𝑔(𝑥) =
1
𝑥−1
a) Encontre (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) e (𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥)
b) O domínio natural da função ℎ(𝑥) =
3−𝑥
𝑥
é o mesmo da função (𝑓 ∘ 𝑔)(𝑥) ? Explique.
II) Sejam 𝑓(𝑥) = 𝑥 − 1 e 𝑔(𝑥) = 5(𝑔 ∘ 𝑓)(𝑥) . Se 𝑔(1) = 2 , obtenha os valores de:
a) 𝑔(2) b) 𝑔(3) c) 𝑔(0) d) 𝑔(−1).
e) Conhecendo os valores de 𝑔(3) , 𝑔(2) , 𝑔(1) , 𝑔(0) , 𝑔(−1) , você é capaz de intuir uma fórmula
para 𝑔(𝑛) , ∀ 𝑛 ∈ ℤ ?
Nesse momento do curso, você ainda não pode provar uma lei para 𝑔(𝑛) , ∀ 𝑛 ∈ ℤ , mas é importante
tentar fazer uma conjectura, uma proposta, já é um primeiro passo.
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Exercício 4: Considere as funções:
𝑓(𝑥) = {
−𝑥 + 1 , 𝑠𝑒 𝑥 < 1
−(𝑥 − 1)2 , 𝑠𝑒 𝑥 ≥ 1
𝑔(𝑥) = {−√−𝑥 , 𝑠𝑒 𝑥 < 0
𝑥 + 2 , 𝑠𝑒 𝑥 ≥ 0
a) Encontre as expressões das funções ℎ(𝑥) = (𝑓 ∘ 𝑔 )(𝑥) e 𝑗(𝑥) = (𝑔 ∘ 𝑓 )(𝑥) .
b) Esboce os gráficos de 𝑓 , 𝑔 , 𝑓 ∘ 𝑔 , 𝑔 ∘ 𝑓 .
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Exercício 5:
Use os gráficos das funções 𝑓 e 𝑔 dados a seguir e determine
o valor de cada uma das expressões apresentadas nos itens
abaixo. Justifique sempre que não for possível determinar
algum desses valores.
a) (𝑓 ∘ 𝑔 )(2) b) (𝑓 ∘ 𝑔 )(0)
c) 𝑔(𝑓(3)) d) (𝑔 ∘ 𝑓 )(5)
e) 𝑔(𝑔(−2)) f) 𝑓(𝑓(5))
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Exercício 6: As figuras a seguir representam gráficos de funções. Identifique entre elas aquelas que
representam gráficos de funções invertíveis e, nestes casos, esboce sobre a própria figura o gráfico da
função inversa
Gráfico de 𝒇 Gráfico de 𝒈
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Gráfico de 𝒉 Gráfico de 𝒋
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Exercício 7: As funções a seguir são invertíveis. Em cada caso, determine a função inversa, dando o
domínio, a imagem e a lei de formação. Em cada caso, esboce os gráficos da função, da sua inversa, da
reta xy = usando o mesmo sistema de coordenadas.
(a)
𝑔: ℝ−{1} ⟶ ℝ−{1}
𝑥 ⟼
𝑥+1
𝑥−1
b)
𝑟: [−4,+∞) ⟶ [−3,∞)
𝑥 ⟼ √𝑥+4−3
c) ℎ: ℝ ⟶ ℝ
𝑥 ⟼ 𝑥3−1
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Exercício 8: Seja
𝑓: (−∞,0] ⟶ [1,∞)
𝑥 ⟼ 𝑥2+1
a) Determine a inversa 1−f 𝑓−1 e verifique que (𝑓 ∘ 𝑓−1)(𝑥) = (𝑓−1 ∘ 𝑓)(𝑥).
b) Esboce os gráficos de 𝑓, 𝑓−1, 𝑦 = 𝑥 usando o mesmo sistema de coordenadas.
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Exercício 9: Seja 𝑓(𝑥) = 𝑥3 − 3𝑥 , para −2 ≤ 𝑥 ≤ 2.
a) Explique por que a função 𝑓, cujo gráfico está na
figura ao lado, não tem inversa em seu domínio.
b) Subdivida o domínio em três intervalos adjacentes
sobre cada um dos quais a função 𝑓 tem uma inversa.
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Exercício 10: Dê o domínio das funções a seguir e esboce os seus respectivos gráficos. Essas funções
definem parte de uma curva já estudada. Elas são invertíveis?
a) 𝑓(𝑥) = −√16 − 𝑥2 b) 𝑔(𝑥) = −√4 − 𝑥 − 1
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Exercício 11: Seja 𝑓(𝑥) =
𝑥3
𝑥2+4
uma função invertível.
a) Encontre 𝑥 se 𝑓−1(𝑥) = 3 b) Ache o valor de 𝑓−1(1) .
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Exercício 12:
Esboce o gráfico da função: 𝑦 = 𝑓(𝑥) = {
−|𝑥 + 3| + 2 𝑠𝑒, 𝑥 < −2
𝑥2 − 3 𝑠𝑒, −2 ≤ 𝑥 ≤ 2
−|𝑥 − 3| + 2 𝑠𝑒, 𝑥 > 2
a) A função 𝑓 é invertível? Justifique sua resposta!
b) Se a sua resposta para o item a) foi não, escolha dois possíveis intervalos onde é possível inverter a
função 𝑓. Justifique sua escolha.
Bom trabalho!