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1 Inteligência Espiritual para um CASAMENTO FELIZ Felippe Amorim, Ms. 2 Biografia do autor Felippe Amorim, teólogo, pós-graduado em docência universitária e em aconselhamento pastoral, Mestre em Teologia pela FABAPAR. Autor de nove livros, sendo três deles na área da família. É casado há 11 anos com Flor Amorim e pai do Daniel Amorim. É pastor e atualmente trabalha como apresentador da TV e Rádio Novo Tempo. Ficha catalográfica elaborada pelo Bibliotecário Uariton Boaventura CRB 5/1587 A524i Amorim, Felippe Inteligência espiritual para um casamento feliz / Felippe de Amorim Ferreira. Jacareí, SP : Edição do autor, 2020. 65 p.; il. ISBN: 978-65-00-06982-2 1. Casamento Perspectiva cristã. 2. Casamento Perspectiva religiosa. 3. Casamento cristão. 4. Vida conjugal. I. Título. CDD21 261.83581 3 ÍNDICE Introdução ................................................................................................... 4 Capítulo 1: O mito do casamento perfeito................................................ 5 Capítulo 2: Se existe um casal feliz, vocês também podem................... 9 Capítulo 3: A cosmovisão cristã matrimonial.......................................... 17 Capítulo 4: A oração como fator de transformação................................ 28 Capítulo 5: A fidelidade como fundamento da felicidade....................... 37 Capítulo 6: Uma questão de escolha........................................................ 43 Capítulo 7: Perdão como fator essencial................................................. 52 Capítulo 8: Sua família abençoando outras famílias............................... 59 CONCLUSÃO............................................................................................. 64 Referências................................................................................................ 65 4 Introdução casamento não tem sido feliz como você gostaria e, inclusive, foi por isso que você se interessou por esse livro. Deixe-me te dar uma boa notícia. Existem casamentos felizes e o seu pode ser um deles também. Eu e minha esposa vivemos momentos muito difíceis em nosso casamento, chegamos ao ponto de pensar que não teríamos como continuar juntos. Pensávamos que era o fim. Mas, graças a Deus, não foi o fim! Nosso casamento foi restaurado e hoje podemos dizer que temos um casamento realmente feliz. Não perfeito, mas muito feliz. Essa noção de que não existem casamentos perfeitos, mas é possível existirem casamentos felizes é básica para um relacionamento saudável e o primeiro capítulo desta obra trata sobre esse assunto fundamental. Talvez você esteja se perguntando o que aconteceu em meu casamento para que ele passasse de uma tragédia ambulante para um relacionamento saudável e feliz. Eu respondo: Em resumo, eu e minha esposa aprendemos a desenvolver inteligência espiritual e isso nos levou a aprimorarmos a inteligência emocional. Nesse livro eu exponho alguns princípios que nos ajudaram a vencermos as crises e a vivermos felizes. Eu faço isso analisando a vida de algumas famílias da Bíblia. Ao ler esse livro tenho certeza de que você se deparará com princípios que, aplicados ao seu casamento, serão revolucionários. Caso você esteja lendo esse livro e ainda não seja casado, parabéns! Você já entrará em seu futuro matrimônio vacinado contra diversos males que poderiam dificultar a vida. Portanto, desejo que você tenha uma agradável leitura e que Deus ilumine a sua mente para aprender, apreender e aplicar os princípios expostos aqui! Felippe amorim, Ms. @prfelippeamorim 5 Capítulo 1 O mito do casamento perfeito Todas as vezes que alimentamos expectativas erradas nos encontramos com a decepção. Falando em outras palavras, as nossas maiores desilusões são frutos de expectativas erradas. Essa perspectiva pode ser perfeitamente aplicada à nossa vida matrimonial. Todas as vezes que temos as expectativas erradas quanto ao nosso casamento, encontraremos decepção. Em minha vida pastoral já aconselhei muitos casais que estavam vivendo a decepção com seu cônjuge e, consequentemente, com seu relacionamento porque esperavam que acontecessem determinadas coisas e aconteceram outras. Lembro-me de um casal que me procurou. Na verdade, o marido me procurou primeiro para falar sobre como estava decepcionado com a esposa. Ele esperava que ela cuidasse da casa de determinada forma e que estivesse disponível para a intimidade com determinada frequência, mas aconteceu tudo muito diferente do que ele pensava. Quando conversei com a esposa, descobri que ela também estava colecionando decepções com seu marido. Ela também estava cheia de expectativas sobre ele. Felizmente era o início do casamento e a situação foi revertida. Depois de algumas conversas eles compreenderam que deveriam parar de colocar sobre o outro as expectativas erradas e viver dentro da realidade. Infelizmente, muitos casamentos têm entrado em crise por há uma expectativa errada colocada sobre eles: a perfeição. Alguns noivos alimentam o sonho de que o seu futuro matrimonio não enfrentará problemas, não passará por crises etc. Isso é o pior tipo de pensamento que alguém pode alimentar sobre um casamento e o mais distante que alguém pode estar da realidade. 6 Grave o que direi agora: NÃO EXISTEM CASAMENTOS PERFEITOS! Talvez você Mas, embora saibamos disso racionalmente, muitos ainda alimentam subconscientemente essa esperança de perfeição. Outra coisa comum é pensar que o casamento do outro é perfeito. Olhamos para o casamento do pastor, do amigo, do artista e pensamos: quero um casamento igual ao deles. Pior, assistimos aos filmes românticos e relacionamentos. Em ambas as situações nos esquecemos que só conseguimos ver os eventos públicos dos casamentos dos outros, não sabemos o que de ficção, é óbvio. Agora grave essa outra frase: NÃO EXISTEM CASAMENTOS PERFEITOS, MAS EXISTEM CASAMENTOS FELIZES. Perceba que perfeição e felicidade não são sinônimos em um relacionamento. Perfeição é um alvo inalcançável na Terra. Desde que o pecado E CASAMENTO PERFEITO EM UM MUNDO IMPERFEITO. A felicidade consiste em ter consciência de que os problemas aparecerão, mas, apesar deles, decidiremos que viver felizes. Sim, felicidade é uma decisão. No caso do casamento, uma decisão mútua, coletiva. Essa noção da felicidade como decisão é muito importante. Quando você decide que será feliz em seu casamento, muitas coisas são tratadas de maneira diferente. Vou comentá-las a seguir. 7 A primeira coisa que muda quando decidimos que seremos felizes em nosso casamento é nossa visão sobre a aliança que fizemos com Deus no altar. O casamento não é mantido pelos sentimentos, porque os sentimentos oscilam. Se você ainda tem aquela noção de cinema de um casamento em que a paixão está sempre em alta, por favor, reconsidere e coloque os dois pés no chão. Os sentimentos variam de intensidade e o casamento não podem depender deles. O que segura um casamento é a aliança que foi feita diante de Deus. Quando vocês se casaram, não estava fazendo um compromisso apenas um com o outro. Estavam juntos se comprometendo com Deus de que estariam juntos em todas as circunstâncias, ou seja, quando a paixão e o amor estivessem felicidade faz com que o compromisso, a aliança seja mantida. Outra coisa que muda quando decidimos pela felicidade é a disposição de perdoar o outro. Já que você decidiu ser feliz com seu cônjuge, então, estará disposto(a) a estender o perdão para o outro quando necessário. Quando decidimos que seremos felizes no relacionamento, estaremosdispostos a trabalhar nossos defeitos e os defeitos do outros e, acredite, seu cônjuge tem defeitos que você ainda descobrirá. Mas a decisão pela felicidade nos dá disposição para admitir os nossos defeitos, trabalhá-los e sermos pacientes com o defeito do outro. Há ainda mais uma coisa que será fruto da decisão pela felicidade. Entendendo que a felicidade é possível e é uma decisão, os problemas não serão letais para o casamento, serão apenas desafios que serão superados juntos. O primeiro passo para você ser feliz no casamento é a consciência de que ele nunca será perfeito. Saber que os problemas chegarão, que as crises acontecerão é o início da disposição para resolvê-los. Quando os problemas mas estará pronto(a) para começar a trabalhar na solução. 8 PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 Retire da sua cabeça a expectativa de que seu casamento será perfeito. 2 Mantenha na sua cabeça a noção de que os problemas aparecerão e devem ser resolvidos. 3 Quando vocês trabalham juntos para resolver os problemas, o relacionamento fica mais forte e se torna mais feliz! 9 Capítulo 2 Se existe um casal feliz, vocês também podem Um filósofo, dando aulas para seus discípulos, resolveu ensiná-los uma grande lição. Ele elaborou o seguinte raciocínio: pegou quatro vasos pequenos contendo, respectivamente pedras grandes, pedregulho, areia e água. Depois, foi despejando, na mesma sequência acima, todos os elementos em um vaso grande. Os alunos logo entenderam que a sequência tinha que ser partindo da pedra grande, passando pela pedra pequena, areia e, finalmente a água. Se começasse pela água, sobraria material para encher o vaso grande. O que o filósofo queria ensinar era que seus alunos deveriam colocar o mais importante em primeiro lugar; o resto serviria para preenchimento. Esta é uma lição que todos nós devemos aprender. Infelizmente, alguns estabelecem as prioridades erradas e vão deixando o essencial para depois e depois e, quando percebem, já não tem mais tempo para o que deveria estar em primeiro lugar. Quando falamos sobre a vida familiar, a preocupação com as prioridades certas deve ser mais acentuada ainda. A seguir vamos pensar um pouco mais sobre as verdadeiras prioridades e como elas devem ser aplicadas em nossa vida. Vamos retirar esses ensinamentos da vida e família de Jó. Na introdução do livro de Jó e um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava- O livro de Jó Jó se tornou muito famoso devido à sua resistência ao sofrimento e sua fé diante de problemas gigantescos. Mas estas não são as primeiras mensagens do livro. Embora deva admitir que a maior parte do livro se refere ao sofrimento, existe outra mensagem no livro que é anterior a esta. Possivelmente, Jó foi contemporâneo de Moisés1. Aliás, algumas pessoas não sabem, mas o livro de Jó foi escrito por Moisés durante os 40 anos que ele 10 viveu no deserto de Midiã, naquele período em que Deus estava fazendo Moisés perder a autossuficiência adquirida no Egito e ganhar a dependência de Deus tão necessária para a sua missão. O livro de Jó, portanto, foi o primeiro livro da Bíblia a ser escrito. A Bíblia diz que a história se passa na Terra de Uz. O primeiro livro da Bíblia não tem seu cenário num contexto israelita. Possivelmente, Uz ficava perto do rio Eufrates. Um ambiente cercado de paganismo e com muita propensão ao esquecimento do Deus verdadeiro. Neste ambiente se desenvolve a história de um dos homens mais fiéis que a Terra já conheceu. Isso nos ensina que não importa o ambiente em que nos encontramos, o que importa é a decisão de servir verdadeiramente a Deus. É nesse ambiente hostil à religião verdadeira que nasce uma família fiel a Deus. O primeiro livro escrito da Bíblia tem um contexto familiar. Acho lindo pensar que a primeira mensagem escrita de Deus à humanidade foi a de uma família fiel e feliz. Antes mesmo de apresentar o Grande Conflito ou a fidelidade de Jó, Deus resolveu nos mostrar uma família que O honrava. Deus tem como prioridade a família e isso ficou bem claro com o tema que Ele escolheu para começar seus escritos sagrados. O Retrato da Família de Jó Jó, o patriarca. Gostaria de apresentar a você os membros da primeira família descrita da Bíblia. Vamos começar pelo patriarca, Jó. A Bíblia o descreve com alguém íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Estas características são bastante significativas e vale a pena pararmos um pouco nelas. Ser integro do ponto de vista bíblico não indica ausência de pecados. A palavra Grega plenamente desenvolvido. Então, quando a Bíblia diz que Jó era íntegro, não estava falando de impecabilidade, mas estava descrevendo alguém que não parava de crescer espiritualmente. Alguém que estava espiritualmente maduro dentro de sua fase. 11 A integridade bíblica se dá de maneiras diferentes entre as crianças, jovens e adultos e entre os cristãos de berço e os cristãos mais recentes na fé. É por isso que não podemos ficar comparando as pessoas na igreja, porque cada uma está em um estágio da carreira cristã e seu objetivo deve ser estar plenamente desenvolvido para aquele estágio. O problema é que muitos cristãos estão atrofiados espiritualmente. Estagnados na vida cristã. Há muito tempo não progridem no conhecimento da palavra de Deus, no relacionamento com Cristo e, por isso, estão atrofiados espiritualmente. Para Deus o íntegro é aquele que não para de crescer. Outra característica de Jó é a sua retidão. Essa é uma faceta daqueles que seguem fielmente a Jesus, caminham sempre pelo caminho de Deus que é seus negócios e honesto com seus funcionários. Jó também era temente a Deus. Esta é uma expressão que denota alguém leal e devoto, que ama a Deus profundamente. Finalmente Jó é descrito como alguém que se desvia do mal. Perceba que essa é uma característica que indica que Jó estava decidido a se afastar de tudo que era ruim. As outras três características se referem a coisas abstratas, mas esta última é bem concreta. Jó, conhecendo suas inclinações, estava decidido a passar bem longe do mal. Esse é um exemplo a ser seguido. Alguns cristãos gostam de viver perigosamente e arriscam-se ficando perto de suas tentações. Muitas vezes são jovens que arriscam sua pureza namorando em lugares isolados, outras vezes são pessoas casadas que entram em conversas muito íntimas com alguém que não é seu cônjuge ou homens de negócio que arriscam sua integridade moral em negócios duvidosos. O conselho bíblico é: ande o mais distante possível do mal. As Riquezas E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do 12 Ele era um homem muito rico. Tinha os bens mais valorizados de sua época. Ovelhas, Camelos, Jumentas e servos. Os camelos de forma especial nos indicam que ele fazia transações comerciais à longa distância. Era para isso que os camelos eram usados. Jó era como um dono de uma multinacional. A Bíblia chega a dizer que ele era o mais rico do oriente. Também podemos inferir que ele era um pai de família trabalhador, pois, sem dúvida, foi com trabalho honesto e diligente que ele construiu tudo o que tinha. Precisamos observar, no entanto, que toda a prosperidade e todo o trabalho não impediam que ele fosse um homem consagrado e que cuidava bem de sua família. Infelizmente, hoje vemos muitos pais que têm carros do ano, que possuem as melhores roupas, que dão para os filhos os presentes mais caros, porém, pecam em cuidar da família. Pensam que dando dinheiro para os filhos poderão substituir a presença deles, mas a vida tem mostrado que um dia essespais colherão consequências assustadoras na vida dos seus filhos. Há alguns anos fui pregar durante uma semana em uma igreja de uma capital do Nordeste brasileiro. Fiquei hospedado na casa de uma família que me acolheu muito carinhosamente. Naquela semana pude ver o exemplo de uma família que desfrutava de uma excelente condição financeira, mas não deixava com que isso afetasse a educação dos filhos e o relacionamento entre o casal. Poucas vezes encontrei crianças tão educadas e tão cristãs quanto o casal de filhos daqueles irmãos. O carinho entre os pais também era algo notório. Ali vi um bom exemplo de uma família que não deixava com que o dinheiro e o trabalho se sobrepusessem às coisas essenciais da família: Deus e o amor mútuo. A esposa de Jó Temos poucas informações sobre a esposa de Jó. No livro inteiro só Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a De Se lermos apenas estas palavras e não pararmos para refletir, corremos o risco de condenar a esposa de Jó de maneira injusta. 13 O Targum, livro de tradições judaicas, diz que o nome dela era Diná e que seria uma das filhas de Jacó. Nesse caso, Jó seria genro de Jacó. Mas tudo isso é o que fala a tradição, não temos como comprovar. A LXX apresenta um suposto discurso ampliado da esposa de Jó: tempo ainda irás aguardar, dizendo: ´Eis que esperarei um pouco mais, aguardando a esperança do meu livramento?´ Pois eis que foi abolido da Terra o teu memorial: os teus filhos e filhas, as angústias e dores do meu ventre, que, com sofrimento, dei à luz em vão; e tu mesmo te assentas para passares as noites ao relento, em meio à corrupção dos vermes, e eu sou uma peregrina e uma serva que vai de lugar em lugar e de casa em casa, esperando o sol se pôr para eu possa descansar de meus labores e das dores que agora me perseguem: mas diz alguma palavra contra o Senhor e morre2 Este é um trecho que carece de mais fontes para ser confirmado como verdadeiro, mas ele nos ajuda a imaginar o que a esposa de Jó passou. Trabalho em escolas há dez anos e já me deparei com histórias de algumas mães que perderam seus filhos. Uma dessas aconteceu numa escola no sul do Brasil. Um jovem do Ensino Médio que não apresentava doença alguma morreu subitamente logo depois de ter retornado da escola. Os exames póstumos não conseguiram apresentar as causas da morte. Foi uma tristeza para a escola e uma tragédia para a família. A mãe daquele menino ficou de tal forma abalada que precisou ser medicada e depois de muitos dias da morte ainda sofria muito. Uma mãe nunca deixa de sofrer pela morte de um filho, mesmo que passem muitos anos. A morte de um filho já destrói uma mãe, agora avalie o que significa perder dez filhos de uma vez. Certamente a esposa de Jó estava em um estado de sofrimento fora do imaginável. Assim conseguimos dar um desconto para as palavras que ela falou ao seu marido. Não podemos esquecer que uma família bem estruturada certamente tem a participação da mãe e a família de Jó era assim. Podemos ter certeza de que ela era uma boa mãe. 14 Os Filhos Outra evidência de que a família da Jó era um exemplo de uma família feliz são os seus filhos. A Bíblia os descreve assim: -lhe sete filhos e três filhas. (...) E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e (Jó 1: 2,4). Observe que os banquetes nas casas uns dos outros eram frequentes e de cada um, quando se reuniam para festejar. Sem dúvida eram filhos unidos e que gostavam de estar juntos. O segredo da família de Jó Temos na família de Jó um exemplo a ser seguido e eu creio que foi por isso que Deus começou a produção das escrituras sagradas com este exemplo. Para que as famílias do Seu povo pudessem imitar esta família. Vale a pena, então, nos aprofundarmos um pouco mais na família de Jó e descobrirmos qual o segredo para tanta felicidade, fidelidade e união. Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Talvez pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no :5). Jó chamava seus filhos e os santificava. Esse era o trabalho de um pai que entendia que era o sacerdote da família. Ele compreendia que a responsabilidade espiritual de todos passava por ele. É verdade que depois que os filhos crescem cada um tem liberdade de decidir o que fará de sua vida e os pais não podem ser responsabilizados por isso. Mesmo assim os pais precisam continuar intercedendo pelos filhos. Era isso que Jó fazia. Ele chamava os filhos em casa periodicamente e os filhos iam. Ainda existia respeito dos filhos para com os pais mesmo depois de crescidos. É possível que Jó intercedia pelos filhos para que eles não fossem tentados pelo conforto no qual viviam. Essa oração deveria ser feita por cada pai 15 do mundo atual. Deveriam ensinar seus filhos a darem mais valor ao que é divino e pedir a Deus que os conserve assim. Tudo o que o patriarca fazia em relação aos seus filhos era um reflexo de sua própria vida espiritual. A Bíblia diz que ele se levantava de madrugada para orar por sua família. Jó tinha muita gente por quem orar e por isso precisava de bastante tempo tranquilo. Hoje vivemos em um período de muita correria. As pessoas acordam cedo e dormem tarde correndo atrás de acumular bens. Mas o hábito de acordar mais cedo para orar deve ser algo cultivado. Não é algo fácil e natural. Precisamos nos condicionar a isso, mas tenha certeza de que uma hora a menos de sono não vai te matar, mas uma hora a mais de consagração pode te manter vivo espiritualmente. Era assim a vida de Jó. Ele intercedia pelos filhos e o fazia continuamente. Que impressionante! Embora rico, influente e cheio de reponsabilidades não deixava de buscar a Deus. Nada o impedia de cuidar dos filhos física e espiritualmente. Certamente ele não era menos ocupado que muitos pais de hoje, mas tinha bem fixo diante de seus olhos qual era a prioridade de sua família. Espiritualidade: base de uma família feliz Cada casa deveria ser uma pequena igreja. Falo isso no sentido de que cada casa deveria ter a presença constante de Deus e ter um clima constante de felicidade no Senhor. Mas isso só é possível quando Deus é colocado como prioridade. Não há problema em trabalhar, acumular bens, ter uma vida confortável. O problema começa quando essas coisas são as nossas prioridades em detrimento da vida espiritual. oração é negligenciada. Os pais entendem que não possuem tempo para o culto da manhã e da noite. Não podem economizar alguns momentos para serem dispendidos em ações de graças a Deus pelas Suas abundantes misericórdias - pela bendita luz do Sol e pela chuva, as quais fazem com que a vegetação floresça, e pela guarda dos santos anjos. Não têm tempo para fazerem oração pedindo auxílio e guia divinos, e rogando a contínua presença de Jesus na casa. 16 Saem para o trabalho como o boi ou o cavalo, sem um pensamento de Deus ou do Céu. Têm almas tão preciosas que, em vez de consentir o Filho do homem ficassem elas perdidas, deu Ele a vida para resgatá-las; eles, porém, têm pouco mais apreciação de Sua grande bondade do que a têm os animais que perecem3 O salmista Davi já falava há muito tempo sobre a única forma de manter Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra (Salmos 119:9-11). Sem religião todos ficarão sem rumo. Deus se sente feliz em estar numa casa onde Ele é prioridade. Reflita nesse privilégio: Semelhantes aos patriarcas da antiguidade, os que professam amar a Deus devemconstruir um altar ao Senhor onde quer que armem sua tenda. Se houve um tempo em que cada casa deve ser uma casa de oração, é hoje. Pais e mães devem muitas vezes erguer o coração a Deus em humilde súplica por si e por seus filhos. Que o pai, como o sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde, enquanto a esposa e filhos se unem em oração e louvor. Em uma casa tal, Jesus gostará de demorar-Se4. Imagine o privilégio de morar numa casa onde o próprio Cristo tem prazer em ficar. Hoje Deus te convida a seguir o exemplo de Jó, dando prioridade à religião em seu lar, não permitindo que o trabalho atrapalhe a comunhão da família. Entregue sua família nas mãos de Deus e permita que ele faça dela uma família feliz. PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 Se Jó, que era ser humano tanto quanto você, conseguiu ter uma família feliz, você também pode. 2 Jó priorizava a sua família. Faça o mesmo! 17 3 A religião, ou seja, a ligação da família com Deus era o grande segredo da felicidade familiar de Jó. Aplique isso em sua vida. Capítulo 3 A cosmovisão cristã matrimonial Existem duas instituições criadas por Deus no Éden que persistem até hoje. Uma delas é o sábado como dia separado por Deus para adoração. Mesmo com tantos ataques sofridos ao longo dos séculos, o dia de guarda não foi esquecido pelos cristãos que estão dispostos a seguir o que a Bíblia diz. A outra instituição criada no Éden que persiste até hoje é o casamento. Tanto quanto o sábado o casamento vem sofrendo com os ataques do inimigo de Deus, mas, assim como o sábado, o casamento persiste e é mantido por todos aqueles que se submetem à palavra eterna. Há uma ligação íntima entre o casamento e o sábado: Quando, posteriormente, os fariseus O interrogaram acerca da legalidade do divórcio, Jesus apontou a Seus ouvintes a antiga instituição do casamento, segundo foi ordenada na criação. "Moisés", disse Ele, "por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, no princípio, não foi assim." Mat. 19:8. Ele lhes chamou a atenção para os abençoados dias do Éden, quando Deus declarou tudo "muito bom". Gên. 1:31. Então tiveram origem o casamento e o sábado, instituições gêmeas para a glória de Deus no benefício da humanidade. Então, ao unir o Criador as mãos do santo par em matrimônio, dizendo: Um homem "deixará... o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gên. 2:24), enunciou a lei do matrimônio para todos os filhos de Adão, até ao fim do tempo. Aquilo que o próprio Pai Eterno declarou bom, era a lei da mais elevada bênção e desenvolvimento para o homem5. Já tocamos nesse tema na primeira semana, mas ele é tão importante, que quero tocar novamente em alguns tópicos da primeira semana e ampliá-los. O primeiro casamento foi instituído e realizado por Deus. Ele criou e Ele espera que nós respeitemos esta instituição sagrada. Neste capítulo vamos aprender algumas lições úteis para os casamentos modernos com o casamento de Adão e Eva. 18 Não é bom que o homem esteja só Tudo que Deus criou era perfeito. Nem uma sombra de mal havia em toda a Terra até então. Com o seu ato criativo Deus quis ensinar lições para nós. Vamos observar o trecho da Bíblia que descreve os momentos finais da semana literal da criação, focando sobre o casamento de Adão e Eva. -lhe-ei Gênesis 2:18). Embora tudo fosse perfeito, ainda faltava algo para que ficasse completa estar só. Isso me chama muito a atenção. Adão estava na companhia de todos os animais, dos próprios anjos e poderia ter a presença de Deus face a face, mesmo assim, ainda sentia falta de algo. A companhia de Deus e dos anjos não era i feito para habitar na solidão; ele deveria ser um ente social. Sem companhia, as belas cenas e deleitosas ocupações do Éden teriam deixado de proporcionar perfeita felicidade. Mesmo a comunhão com os anjos não poderia satisfazer seu desejo de simpatia e companhia. 6. Também me chama a atenção o fato de que, embora Deus soubesse que o homem sentiria falta da mulher, deixou o homem sentir falta primeiro para só então cria-la. Essa foi a estratégia de Deus. Adão recebeu de Deus a incumbência de dar os nomes aos animais (v. 19-20). Fico tentando imaginar Adão nomeando cada par e cada vez que ele acabava de nomear percebia que todos os animais tinham uma companheira, mas ele estava sem ninguém que fosse igual. Deus sabia que o homem precisava da mulher, mas deixou que o homem percebesse isso. Mesmo em um estado perfeito o homem é incompleto sem a mulher. Essa é uma realidade que os homens precisam internalizar, aceitar e desfrutar todos os dias. 19 A criação da Mulher Adão sentiu muito a falta de uma companheira e Deus logo completou seu plano criando a mais bela obra de sua criação: a mulher. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe- a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada (Gênesis 2:21-23). Para criar o homem Deus sujou a sua mão de barro, mas na criação da mulher Ele fez uso de algo mais requintado. Embora também tenha usado barro, Deus utilizou um elemento especial: as duas costelas de Adão. Não foi por acaso que Deus pegou a costela. Havia uma lição a ser aprendida neste ato. Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele. Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união e apego afetivo que deve existir nesta relação7. Deus gostaria, ao criar Eva do lado de Adão que um fosse a prioridade do outro. Que ninguém nem nada desse planeta (com exceção de Deus, é claro) fosse mais importante para os dois do que o cônjuge. Essa priorização precisa partir de ambos, como diz Stormie Omartian: Os homens têm ideias diferentes sobre quais devem ser suas prioridades. Mas toda esposa sente que ela deve estar no alto da lista do marido logo abaixo de Deus. Descobri, porém, que, se a mulher quer que as prioridades do marido estejam nessa ordem, ela tem de verificar se as dela também obedecem a essa ordem. Em outras palavras, se você quer que seu marido a coloque como prioridade sobre o trabalho, filhos, amigos e atividades, você precisa fazer o mesmo por ele. Se Deus e o cônjuge não forem claramente a principais prioridades de sua vida, seu marido se sentirá menos incentivado a fazer o mesmo8. 20 Ambos precisam saber que nada deste planeta pode ser mais importante que seu cônjuge. Isso é uma coisa fácil de falar e de escrever, mas requer muito esforço para que se coloque em prática, principalmente para os homens que têm uma forte tendência de supervalorizar o sucesso profissional e às vezes o coloca à frente da família. Renato Cardoso aborda esta tendência masculina de uma forma muito aberta. Ele diz: O homem foi designado o provedor da família. Quer dizer, não há como ele fugir dessa maldição. Ele tem que trabalhar para tirar o sustento de uma terra que se tornou inimiga dele. A pressão de sustentar a família, de ser o caçador, de não deixar a família passar necessidade, faz o homem cobrar de si mesmo o resultado do seu trabalho. É uma questão de honra, de orgulho próprio. Este impulso de querer provar o próprio valor através do trabalho e de suas conquistas está no DNA do homem. O autor completa esta constatação que deve servir como advertência para os homens assim: A maldição do trabalho faz o homem escravo dosentimento de realização, o qual ele raramente consegue obter. E na busca por ele, vai sacrificando a família, a esposa, a saúde, e outras coisas tão ou mais importantes9. Os maridos precisam ter sempre em mente o valor que Deus estabeleceu para a esposa. Há uma poesia de autor desconhecido que faz eco com a vontade dos pés para ser pisada por ele, mas do seu lado, de sob o seu braço, para ser estava ensinando aos maridos que a mulher deve ser amada, protegida e amparada como parte de seus corpos. O amor dado à esposa deve ser equivalente aos cuidados que Deus teve em criá-la. Certa vez ouvi que podem existir três tipos de relacionamentos entre um 21 Uma relação em que os dois opinam e decidem as questões é o mais saudável para todos. Para isso é necessário diálogo, algo que as mulheres valorizam muito e que os maridos precisam se esforçar para aprender a valorizar. Elas têm necessidade disso. Sobre este assunto, Willard Harley aconselha: Se o marido deseja, com sinceridade, satisfazer a necessidade que sua esposa tem de se sentir próxima dele, é preciso que separe tempo e atenção suficientes para esta tarefa. Digo aos meus clientes do sexo masculino que eles devem aprender a reservar quinze horas semanais para dar atenção exclusiva às suas esposas. (...) Quando o casal não passa muito tempo junto, a mulher, principalmente, perde o senso de intimidade de que ela necessita, e na qual tem grande prazer10. Deus quis ser mais claro quanto ao tratamento que o homem deveria dar à sua esposa. A norma é amá-la como a si mesmo. O apóstolo Paulo escreveu Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama- (Efésios 5:28). Ninguém (são) maltrata a si mesmo. Todas as vezes que o casal se desentender (isso acontecerá com qualquer casal humano), este princípio deve entrar em prática. Na hora de discutir algum assunto difícil (eles aparecerão, tenha certeza), este princípio deve guiar a conversa. Dessa forma nunca haverá agressão física, verbal ou psicológica, pois, ninguém trata mal a si mesmo. Aspectos importantes do casamento Quando Deus celebrou o primeiro casamento deixou algumas orientações -las lendo o episódio bíblico. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Gênesis 2:24). O primeiro aspecto importante exposto por Deus é deixar pai e mãe. Moisés, inspirado por Deus, falou sobre a figura dos pais dos noivos em uma passagem em que eles ainda nem existiam. Adão e Eva não tinham pais para deixar, mas Deus já estava esclarecendo como isso seria importante. 22 Esse é um tema delicado e importante para o bom andamento do casamento. Os especialistas em casamento fazem eco ao que Deus estabeleceu: "Isso é o que os psicólogos chamam "cortar os laços psicológicos". A pessoa não se apoia mais nos pais, mas em seu cônjuge. Se houver um conflito de interesses entre a esposa e a mãe do marido, ele deve ficar ao lado da esposa. Isso não significa que a mãe não deva ser tratada com carinho. [...] O princípio da separação dos pais é, porém, extremamente importante. Nenhum casal alcançara seu pleno potencial no casamento sem essa separação psicológica dos pais". Gary Chapman acrescenta: "O princípio de "deixar" os pais também é importante na hora de tomar decisões. Seus pais podem ter sugestões relacionadas a muitos aspectos de sua relação de casados. Cada sugestão deve ser levada a sério, mas, em última análise, você deve tomar a sua decisão. Não deve mais decidir com base no que tornaria seus pais felizes. Sob a orientação de Deus, você e seu cônjuge formam uma unidade, reunida pelo seu Espírito para viver um para o outro (fp. 2:3-4)11". Podemos falar de, pelo menos, quatro aspectos da separação que os noivos devem ter dos pais. A primeira é a separação física. Diz o antigo ditado recém-casados. Morar com parentes nesta ou em qualquer outra fase do casamento acarreta prejuízos para o casal. Mesmo que seja uma pequena casa bem simples, é melhor que morar com os pais. O casamento exige privacidade, o que não é possível de forma completa na casa dos pais. A segunda forma de separação que se faz necessária para um casal é a emocional. Os pais já cuidaram dos problemas dos filhos durante toda a fase de crescimento e amadurecimento. Depois do casamento o casal deve cuidar dos próprios problemas. Uma dica: leve para os seus parentes somente as coisas boas do seu casamento. As coisas ruins guardem para vocês somente. Assim vocês pouparão muita dor de cabeça. É lógico que o casal pode procurar alguém de confiança para momentos de aconselhamento, mas nada de ficar levando e trazendo problemas do casamento para os parentes. 23 A terceira forma de separação é a econômica. O casal deve cuidar das próprias contas. Claro que receber presentes e ajudas esporádicas dos pais não é pecado, mas o casal só deve se casar quando puderem viver com os próprios rendimentos, sem onerar os pais com mais uma família para sustentar. A quarta forma de separação é a espiritual. Os pais podem e devem orar por seus filhos depois de casados, podem aconselhar também, mas o casal deve cuidar da sua vida espiritual, deve desenvolver a espiritualidade entre eles de forma autônoma. Aqui eu quero deixar um conselho para as mães de noivas e noivos: deixem o casal viver em paz. Não interfira na vida deles a menos que eles solicitem e, mesmo assim, sejam sábias para não entrar mais do que o necessário e saudável. Quem quer a felicidade dos filhos segue essa dica. Voltemos ao relato da criação. Lá encontramos mais uma informação a respeito da sexualidade humana que é muito importante e que se contrasta diretamente com a filosofia sexual da contemporaneidade. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. (Gênesis 2:24) Moisés usa um fato que ocorreu quando ainda não existiam pais e mães para ensinar em que momento da vida as atividades sexuais devem fazer parte das atividades lícitas praticadas por homens e mulheres. Em primeiro lugar há novamente a afirmação de que o ato sexual deve ser praticado entre homens e mulher. Como já vimos anteriormente, Deus é o criador do sexo e, como criador ele tem direito e autoridade para legislar sobre o assunto. Por isso ele determina: o sexo deve ser praticado num contexto heterossexual. Mas não é apenas a questão dos gêneros que o texto bíblico aborda, também está contida ali uma normatização a respeito do momento certo para se casamento. E aqui cabe uma reflexão importante. Não podemos interpretar o texto bíblico colocando como régua os costumes culturais do nosso tempo. Se já deixei pai e mãe. Já moro sozinho ou sozinha e tenho minha independência 24 claro que não é assim. Precisamos colocar o texto bíblico dentro do seu contexto cultural. Nos tempos em que Genesis foi escrito e mesmo nos tempos do Novo Mesmo que o filho saísse de casa para estudar, só era considerado livre da autoridade paterna e materna depois que se casava. Portanto, o texto de gênesis interpretado a partir da cultura em que foi escrito significa que após o casamento sexualmente. Nesse sentido, o sexo se torna o selo do casamento. FUNDAMENTOS DO CASAMENTO É sempre importante relembrar que o criador é que tem conhecimento e autoridade suficientes para dizer o que é e como deve funcionar o objeto que ele criou. Isso serve para uma geladeira, para um carro, para um computador e para uma instituição como o casamento. Imagine comigo se alguém compra um relógio e no manual de instrução do equipamento o fabricante deixou claro que aquele relógio não é à prova de água. Contudo, a pessoa acha que o que fabricante escreveu não é importante e vai para a piscina usando o relógio. O que vai acontecer é apenas consequênciada desobediência: o relógio vai parar de funcionar. Se respeitar o fabricante é importante quando falamos de um simples relógio, quanto mais é Deus criou homem e mulher e apenas Ele tem autoridade de estabelecer como sua criação funciona. O Estado não tem autoridade de legislar sobre isso, os movimentos sociais não têm autoridade de legislar sobre isso, ou seja, apenas Deus pode dizer a forma correta de os seres humanos se relacionares sexualmente. Segundo a Bíblia, o casamento reflete a natureza divina. A palavra hebraica usada para a união do homem com a mulher unidade composta. Essa mesma palavra é usada para falar da natureza de Deus. 25 o e Espírito Santo. Por isso podemos dizer que o casamento é uma representação da divindade e deve respeitar a forma estabelecida por Deus. Quero voltar a enfatizar que a potencialidade de reprodução (Gn. 1:28, Ml. 2:15) é outra característica básica do casamento. Não há obrigatoriedade de reprodução, mas há potencialidade e isso só se dá numa relação heterossexual. Outra simbologia importante do casamento é apresentada pelo apóstolo Paulo. Vamos ler o texto bíblico para que fique clara que nossa argumentação parte da Palavra: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne". Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja. Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito. (Efésios 5: 31-33) Paulo é claro ao dizer que o casamento entre homem e mulher representa Cristo e a sua igreja. Essa simbologia amarra essa relação a um formato obrigatoriamente heterossexual, considerando Cristo (masculino) e a igreja (feminino). É muito clara a cosmovisão bíblica a respeito do casamento e dos relacionamentos humanos em geral. - nogamia e a heterossexualidade como paradigmas para o casamento abençoado por Deus. Ele confirmou esses Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne (Marcos 10:7-8). Deus criou Adão e Eva. Um HOMEM para uma MULHER. Qualquer coisa que fugir deste padrão é pecado, portanto, contra a vontade de Deus. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulh Gênesis 2:25). Isso conota intimidade. Deus espera que todo casal casado seja muito íntimo um do outro, porém a primeira intimidade necessária não é a física, mas sim a emocional. Quando um casal é amigo um do outro, confidente um do outro, quando eles conseguem se divertir um na presença do outro, então, a intimidade física é uma 26 consequência natural. Caso esta ordem não seja respeitada, certamente ocorrerão problemas mais cedo ou mais tarde. Há ainda mais um aspecto importante do casamento. A promessa feita no altar deve ser perpétua. Salomão falou algo sobre prometer e não cumprir: Eclesiastes 5:5). Geralmente não há ninguém armado no altar obrigando os noivos a dizerem cumprida. Infelizmente, o divórcio tem sido considerado saída para os mais diversos problemas do casamento. Embora Deus abra apenas uma exceção para que um casal se divorcie, muitos têm apelado para este recurso extremo por motivos como incompatibilidade, sexualidade não satisfatória etc. Ellen White, aconselhando um casal que pensava em se divorciar, escreveu o seguinte: Tuas ideias com respeito à relação matrimonial têm sido errôneas. Nada senão a violação do leito conjugal pode quebrar ou anular o voto matrimonial. Estamos vivendo em tempos perigosos, quando não há segurança em coisa alguma, salvo na firme e inamovível fé em Jesus Cristo. Não há coração que não se possa extraviar-se de Deus pelos enganos de Satanás, se não vigiar em oração. Tua saúde estaria em muito melhor condição, estivesse tua mente em paz e repouso; mas tem-se ela tornado confusa e desequilibrada, e raciocinas incorretamente com relação ao divórcio. Teus pontos de vista não podem ser sustentados no terreno em que arrazoas. Não estão os homens em liberdade de fazer uma norma de lei para si, a fim de abandonar a lei de Deus e satisfazer a suas próprias inclinações. Devem eles consultar a elevada norma moral de justiça divina. ...Deus reconhece apenas um motivo pelo qual a esposa pode deixar seu marido ou o marido a sua esposa: o adultério. Seja esta questão cuidadosamente considerada12. Deus espera que os casais cristãos lutem em oração e diligente trabalho para que as diferenças que estão atrapalhando o casamento sejam superadas e o casamento avance até que a morte os separe. O salmo quinze descreve as características daqueles que serão cidadãos aquele que jura com dano seu, e, contudo, eternamente alguém) cumprem sua promessa mesmo com prejuízo próprio. Está 27 difícil manter o casamento? Se você é cidadão do céu, vai continuar firme à sua promessa mesmo assim. Duro isso, não? Deus é capaz de resolver qualquer problema Há esperança para qualquer casamento, mesmo aqueles que aparentemente estão acabados. Nada é impossível para Deus. Ele ressuscitou mortos e pode ressuscitar casamentos mortos também. A oração é resposta para cada problema da vida. Ela nos põe em sintonia com a sabedoria divina, a qual sabe ajustar cada coisa perfeitamente. Às vezes deixamos de orar em certas circunstâncias porque, a nosso ver, a situação é sem esperança. mas nada é impossível para Deus. Nada é tão emaranhado que não possa ser remediado; nenhuma relação humana é tão tensa que Deus não possa trazê-la à reconciliação e à compreensão; nenhum hábito é tão profundamente enraizado que não possa ser vencido; ninguém é tão doente que Ele não possa curar. [...] Se alguma coisa nos causa preocupação e ansiedade, paremos de propagá-la e confiemos em Deus por restauração, amor e poder13 Se há dificuldades em seu casamento, coloque-o e coloque-se nas mãos de Deus e permita que Ele faça a reconstrução do casamento. Eu poderia contar para você muitas histórias de casamentos que estavam dados por perdidos e que foram refeitos pelo poder de Cristo. Se cada um fizer a sua parte, Deus sempre faz a dEle e qualquer (qualquer mesmo) problema pode ser superado. Que tal entregar o seu casamento nas mãos de Deus hoje? Se ele está bem, vai melhorar cada vez mais. Se ele não está bem, Deus poderá reconstruí- lo e deixá-lo em perfeito estado. PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 Deus é o criador do casamento, portanto, Ele diz como essa instituição deve funcionar. 2 Deus espera que seu casamento dure até que a morte os separe. Ele ajudará vocês a atingirem essa meta. 28 3 As dificuldades do casamento podem ser um fator de fortalecimento quando vocês trabalharem juntos para resolvê-las. Capítulo 4 A oração como fator de transformação Existem algumas modalidades esportivas bastante interessantes. Uma delas é o mergulho em apneia. Estes atletas desafiam seus pulmões passando vários minutos embaixo da água sem nenhum tipo de equipamento de respiração. Os maiores atletas deste esporte conseguem passar entre cinco a sete minutos sem respirar. Ninguém conseguiu mais que isso. O motivo deste tempo relativamente curto (tente passar tanto tempo sem respirar e você não considerará tão curto assim.) é que o ser humano não consegue viver sem respirar. Qualquer período pequeno sem oxigênio no cérebro pode causar danos irremediáveis para a pessoa. Quando os praticantes deste esporte estão na ativa sempre estão assistidos por médicos e outros profissionais para evitar danos pela falta de oxigênio. O oxigênio é essencial à vida humana. Assim como o oxigênio é para a o corpo, existem alguns elementos que são essenciais para a vida espiritual e a oração é um dos mais importantes. A oração é algo tão importante que até os ateus acham um jeito de orar. Durante os severos tempos do comunismo na Rússia, gente queacreditava no lugar em que os cristãos costumavam colocar seus ícones14. Parece-me que a necessidade da oração foi colocada por Deus na constituição espiritual do ser humano. Jesus nos ensinou a orar 29 Muitas pessoas ao longo da história se tornaram exemplos de dedicação à oração. A modernidade e as facilidades tecnológicas hoje têm de alguma forma tomado o tempo das pessoas, e passar tempo em oração parece meio fora de moda. Isso tem intrigado muitos estudiosos da oração. Um deles pergunta: O que explica a disparidade entre Lutero e Simeão, que passavam horas de joelhos, e o cristão de hoje, que se agita na cadeira após dez minutos de oração?15 Não há, no entanto, um exemplo maior de uma vida de oração que a vida de Jesus. Várias passagens bíblicas nos mostram como a oração era uma parte importante do ministério de Cristo. Lemos assim: E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus (Lucas 6:12). Apenas essa declaração já deveria ser suficiente para nos convencer de que deveríamos gastar (acho que a palavra mais adequada é investir) tempo em oração. Se Jesus Cristo, o próprio Deus encarnado, precisava passar tempo em oração, quanto mais eu e você, que somos cheios de tendências ruins e facilmente caímos em pecado, deveríamos passar tempo em oração pedindo misericórdia e força a Deus. Às vezes penso que nós, seres humanos, nos achamos mais fortes espiritualmente que Jesus. Talvez não falemos isso, mas agimos como se fôssemos. Falo isso porque observo o seguinte. Jesus que sem tendência para o pecado, passava horas buscando poder em oração. Ao contrário de Jesus, nós, caímos constantemente em pecado, mesmo assim, não buscamos amparo na oração. Isso é atitude de quem se acha muito forte. Há vários textos na Bíblia que registram Jesus orando, confira cada um desses momentos e depois compare com os seus momentos de oração e os de sua família (Lc. 3:21, 5: 16, 9: 18, 28-29; 11:1; 22: 41-46; 23: 34,46). Eu comparei com os meus e fiquei envergonhado. pelo 16 E, despedida a (Mateus 14:23). Sempre antes de uma grande decisão ou evento Ele se retirava para momentos de oração. Se Cristo necessitava, quanto mais nós. 30 A escritora estadunidense Ellen White, uma das mais traduzidas escritoras do mundo, escreveu algumas coisas sobre a oração que me arrepiam oração é a respiração da alma. É o segredo do poder espiritual. Nenhum outro meio de graça a pode substituir, e a saúde da alma ser conservada. A oração põe a alma em imediato contato com a Fonte da vida, e fortalece os nervos e músculos da vida religiosa. Negligenciai o exercício da oração, ou a ela vos dediqueis de quando em quando, com intermitências, segundo pareça conveniente, e perdereis vossa 17 espiritual ao avaliar o quão pouco tenho enchido meus pulmões espirituais de ar puro. 18, e 19. Essa relação entre a respiração e a oração é uma figura perfeita para nos falar do quão essencial ela é para o indivíduo e para a família. É algo do qual não podemos ficar muito tempo separados. Se você não encontra nenhum motivo em você mesmo para orar, então ore porque é um mandamento de Deu alegres, em qualquer situação; orem o tempo todo; deem graças a Deus, não importa o que aconteça. É como Deus quer que vocês, que pertencem a Cristo -18 A mensagem). O apóstolo repetiu Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com A oração muda a perspectiva dos problemas A oração é uma fo não faz Deus baixar a nós, mas eleva- 20. Não sei se você já teve a oportunidade de subir em um prédio ou uma montanha muito alta. Não gosto muito de altura, mas já tive oportunidades de estar em montanhas muito altas. Quando olhamos de lá, carros e caminhões parecem ser formiguinhas passando numa estrada de brincadeira lá embaixo. Quanto mais alto subimos, 31 menores as coisas parecem. É isso que a oração faz conosco em relação aos problemas. Quando olhamos os problemas do nosso ponto de vista eles aumentam de tamanho, mas a oração nos eleva a Deus e nos proporciona a oportunidade de ver a vida da perspectiva de Deus. Olhamos os problemas como quem olha de cima de uma montanha os carros minúsculos passando na estrada lá embaixo. A oração corrige meu problema visual, os problemas, não desaparecem imediatamente, mas ficam tão pequenos que se tornam insignificantes. A linguagem deve ser espontânea Tenho sérias desconfianças de que não praticamos mais a oração porque nós a transformamos em um momento muito chato. Usamos uma linguagem que não é a nossa cotidiana, buscamos expressões que às vezes nem sabemos direito o significado. Uma vez ouvi uma oração e quase pedi que a pessoa desse uma pausa enquanto eu ia pegar um dicionário para me ajudar a entender o que ela queria dizer. A linguagem da oração precisa ser natural, como quem fala com um 21. Não sei você, mas quando quero falar com meus amigos (os mais íntimos) não marco hora e não fico cheio de cerimônias e linguagem rebuscada. Ligo a qualquer hora, ou encontro com eles em qualquer lugar. Por se tratar de amigos, não importa muito onde estamos o que importa é que estamos juntos. Em julho de 2012 estive em Moçambique - África realizando uma série evangelística na capital do país (Maputo). Foram dias muito agradáveis ao lado daqueles irmãos. Estava pregando dentro de uma igreja e, embora fosse um país de língua portuguesa, sempre tinha alguém me traduzindo para o dialeto local, o shangana. Qualquer coisa que eu falasse alguém traduzia (os mais velhos não entendiam bem o português). Uma coisa, no entanto, me deixava muito curioso: eles nunca traduziam a oração. Eu sempre falava pausadamente durante a oração esperando que alguém fizesse a tradução. Logo entendi que eles não traduziriam, mas a curiosidade só aumentava. Por que não traduziam a oração? Resisti à pergunta 32 por alguns dias, até que soltei. Um dia, voltando para o hotel, perguntei ao ancião local: irmão, por que não se traduz a oração? Ele olhou para mim com muita simplicidade e até um pouco de espanto e er passado essa vergonha. É lógico. Aquele povo simples entendia a oração muito mais profundamente que eu, um teólogo. A oração é uma conversa com Deus. E Ele entende a nossa linguagem. Não precisamos falar bonito ou difícil para impressioná-lo. Basta que sejamos sinceros. Experimente falar para Deus a respeito de suas frustrações, de seus desejos e sonhos. Fale com Ele a respeito das dificuldades de sua família, dos sonhos que tem para ela. Trate com Ele das questões triviais do seu dia, fale sobre amenidades, Ele tem todo o tempo do mundo para você. Estou muito convencido de que Deus se agrada muito mais de uma oração sincera do que de uma oração bonita. Simplesmente fale com Ele. Ele entende! icular, não são as que são ganhas pelo talento ou educação, pela riqueza ou favor dos homens. São as vitórias ganhas na sala de audiência de Deus, quando uma fé 22. Deus está disposto a escutar. Você já teve a impressão de que estava orando para tentar convencer a Deus a fazer algo que Ele não queria fazer? Às vezes nós temos a sensação de que as bênçãos que nós estamos pedindo a Deus nos são dadas contra a vontade dEle e por isso temos que insistir muito para receber. Deixa eu te dizer uma coisa: é apenas impressão... Na oração modelo de chamar Deus de pai porque sabia que nós já temos ideia do que isso significa, pois temos o nosso pai aqui na Terra. Pense um pouco na relação entre pai e filho. A maior felicidade de um pai é ver seu filho bem. Não me esqueço de um episódio que vivi com meu pai. Eu estava passando por um momento bastante delicado da vida. Ele me falou 33 Não foi à toa que Jesus nos deu a referência do pai terrestre para que avaliemosas atitudes do pai celeste (é verdade que alguns pais modernos não podem servir como parâmetro, mas estes são exceções). Nosso pai celeste tem mais vontade de nos ver felizes do que nosso pai terrestre, então, ore com a certeza de que Deus quer atender você, mas, lembre- se, Ele só nos dará aquilo que for para o nosso bem. Uma vez estava pregando em uma igreja no interior de Sergipe e vi uma cena que me fez pensar na oração e nas respostas de Deus. O filho pequeno de um amigo estava conosco no culto. Ele soltou a mão do pai e se aproximou de uma tomada na parede. Rapidamente o pai o pegou de volta evitando aquela aproximação perigosa. A criança então começou a chorar e a pedir que o pai a deixasse colocar o dedo na tomada. Lógico que meu amigo continuou dizendo não ao seu filho, mesmo diante do choro tão sentido da criança. Acredito que muitas vezes acontece assim Assim como aquela criança, não temos ideia de como seria ruim se nosso Pai do céu dissesse sim a alguns pedidos nossos. serão esclarecidos. Veremos que as orações na aparência desatendidas e as esperanças frustradas têm lugar entre as nossas m 23. O Salmo oito fala um pouco da grandeza de Deus. Encontramos esta declaração lá: Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, tu que puseste a tua glória dos céus! Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? (Salmo 8: 1, 3-4) Apesar de muito grande Deus está disposto a nos escutar como um pai amoroso gosta de escutar seu pequeno filho. Maravilhoso isso, não?! Da próxima vez que você orar, faça na certeza de que Deus está te ouvindo e atenderá seus pedidos de acordo com a sabedoria dEle. Nunca desista de pedir coisas a Deus. É a Ele que temos que apelar quanto às nossas necessidades, a quem mais pediríamos? 34 Uma vez ouvi um pregador falando que deveríamos orar apenas agradecendo a Deus e perguntando coisas. Ele aconselhava a congregação a orar a semana toda sem pedir nada a Deus. Eu discordo completamente dele. Diante da nossa situação de pecado, miséria espiritual, necessidades físicas e emocionais, a quem mais poderíamos apelar senão a Deus? Se há alguém a quem podemos e devemos pedir coisas é a Deus. Imagine o quão triste seu pai ficaria se soubesse que você estava em necessidade, ele podia ajudar você, mas você não o pediu e sofreu sozinho? Embora tenhamos muitas coisas para agradecer a Deus, não há problema algum disposto a escutar a oração da fé, como quando andava visivelmente entre os homens. O natural coopera com o sobrenatural. Faz parte do plano de Deus conceder-nos, em resposta à oração da fé, aquilo que Ele não outorgaria se o 24. A resposta de Deus às nossas orações depende mais de nós d 25. No que diz respeito à oração, precisamos dela tanto quanto do ar que respiramos, portanto, viva com seus pulmões espirituais sempre cheios da respiração da alma. oração é resposta para cada problema da vida. Ela nos põe em sintonia com a sabedoria divina, a qual sabe ajustar cada coisa perfeitamente. Às vezes deixamos de orar em certas circunstâncias porque, a nosso ver, a situação é sem esperança. mas nada é impossível para Deus. Nada é tão emaranhado que não possa ser remediado; nenhuma relação humana é tão tensa que Deus não possa trazê-la à reconciliação e à compreensão; nenhum hábito é tão profundamente enraizado que não possa ser vencido; ninguém é tão doente que Ele não possa curar. [...] Se alguma coisa nos causa preocupação e ansiedade, paremos de propagá- 26. Deus está sempre atento às nossas necessidades. Quando clamamos sinceramente por sua ajuda, Ele nunca a nega. Uma oração pedindo socorro, vinda de um coração angustiado por causa do pecado sempre é respondida. O nosso problema é que temos uma tendência a estabelecer a forma como queremos que Deus nos responda e muitas vezes a forma de Deus 35 responder é bem diferente daquela que esperamos. Uma coisa, porém, é certa: Deus sempre nos surpreende com suas formas de responder à oração. Certa vez eu recebi uma resposta surpreendente a uma oração. Eu estava vivendo uma noite muito turbulenta. Meu coração estava muito agitado, eu estava com muitos conflitos internos. Foram momentos de muita luta contra tendências ruins, tentações e pecados. Em meio a momentos de muita angústia, fiz uma oração em tom de desespero pedindo ajuda a Deus e dizendo que eu estava quase caindo, quase fraquejando. Fui dormir naquela noite sem receber uma resposta à minha oração. Não foi uma noite tranquila de sono. Confesso que acordei naquela manhã e não estava com vontade de levantar-se para ter um momento devocional com Deus. Estava muito desanimado. Resolvi falar tudo isso a Deus em oração. Acho que naquela manhã minha oração foi mais uma reclamação que qualquer outra coisa. Interessante o ser humano, não é?! Nós somos os pecadores, muitas vezes abrimos nossa vida para o pecado entrar e reclamamos com Deus por causa dos pecados... Depois daquele momento de oração, fui trabalhar. Eu dava aulas de história na educação básica de um grande internato. Todos os dias antes das aulas se iniciarem, havia um momento de culto com os professores e o capelão havia feito uma escala para que todos pudessem conduzir a reflexão bíblica de cada dia. Naquele dia, o professor escalado se atrasou e eu peguei a Bíblia para conduzir a reflexão (confesso que não estava muito animado para fazer). Quando peguei a Bíblia uma das monitoras da escola pediu para fazer a reflexão. Ela disse que na noite anterior Deus havia impressionado seu coração com um texto bíblico e ela estava com vontade de compartilhar conosco. Naquela manhã de sexta-feira, ela compartilhou este verso: Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que possais suportar (1 Co. 10:13). Quando ela terminou de ler, tive vontade de dizer bem alto: Muito obrigado, meu Deus!!! Me contive. Meus colegas não entenderiam nada se eu desse um grito ali. 36 Não sei se você percebeu, mas enquanto eu orava angustiado em minha casa pedindo uma resposta, Deus impressionava o coração da minha amiga com a resposta à minha oração. Isso é maravilhoso!!! Deus enviou uma mensagem direta para mim... Ele respondeu à minha oração... Ore com mais fervor e sinceridade e confira como Deus está atento a cada palavra que sai do mais fundo do seu coração. Quanto mais você e sua família se dedicarem à oração, mais poder haverá em vocês e nenhum problema conseguirá afetar a felicidade que Deus colocará no seu lar. Converse com Deus e com sua família e tenham mais momentos de oração. PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 Quando você tem uma vida de oração, você se fortalece para lutar pelo seu casamento. 2 Quando vocês oram juntos, o caminho para Deus trabalhar em vocês e por vocês fica aberto. 3 A oração nos ajuda a enxergar com mais clareza tanto o problema quanto a solução. 37 Capítulo 5 A fidelidade como fundamento da felicidade A história de Abraão ocupa muitos capítulos da Bíblia. Nela encontramos diversas lições importantes para a vida cristã. Quero, no entanto, focalizar o olhar para os textos que tratam da experiência familiar do patriarca. Mesmo fazendo este corte na história de Abraão, ainda ficaríamos com muitos textos para explorar, então selecionei algumas passagens que nos darão um panorama da família de Abraão e dos quais tiraremos algumas lições e princípios para as nossas famílias. Começarei falando sobre o chamado de Abraão. O CHAMADO PARA ABENÇOAR FAMÍLIAS Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentelae da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em -3). Este é o texto no qual foi descrito o chamado de Abraão para sua missão. Nele encontramos claramente uma ordem, uma promessa e uma bênção. Esta é uma sequência que fala por si mesma. As promessas e as bênçãos de Deus são consequências de seguir as ordens que Ele nos dá. Muitos querem receber as bênçãos e participar das promessas sem seguir as ordens de Deus. Isso é incoerente com o que as escrituras nos ensinam. Primeiro devemos obedecer a Deus e depois podemos reivindicar suas promessas e bênçãos. A ordem que encontramos no trecho é para que Abraão e sua família saíssem da terra em que moravam havia tanto tempo. Esta, sem dúvida, foi a primeira e uma das mais duras provas de fé que o patriarca sofreu. Sair da terra e se afastar da parentela era algo muito difícil para ele por alguns fatores. Primeiro: ele abandonaria os parentes para nunca mais reencontrá-los. Segundo: A cidade de Ur era uma das mais luxuosas e bem 38 estruturadas da Mesopotâmia. A vida de Abraão tinha sido passada lá e deixar o conforto de Ur para peregrinar pelo deserto não era uma decisão fácil. Ele deixaria a civilização e a fartura para correr atrás de algo desconhecido. Outro fator que dificultava a decisão de sair era a idade. Ele tinha 75 anos de idade. Mesmo para aquele tempo, em que se vivia bem mais que hoje, já era uma idade avançada. Ele deixaria o trabalho, e tudo que construíra ao longo da vida, para trás. Se ele fosse um jovem seria mais fácil tomar essa decisão, mas na sua idade seria bem difícil. Mesmo para um jovem, a decisão de deixar o conforto da casa para cumprir a ordem de seguir para longe não é algo fácil. Quando Deus falou comigo claramente sobre ser um pastor, eu estava estabilizado no meu trabalho em minha cidade natal. As perspectivas de crescimento profissional eram boas e eu estava conseguindo ocupar um lugar bom entre os profissionais da minha área. Quando eu entendi a vontade de Deus para mim, decidi ir para o lugar onde Cristo me indicara, cursar teologia e me tornar um pastor. Lembro-me bem do dia em que deixei minha cidade. Era uma sensação muito ruim. Abandonei a família, amigos e minha noiva (depois nos casamos, graças a Deus). Quando entrei na sala de embarque do aeroporto, me senti muito mal, tive ânsia de vômito e uma vontade tremenda de chorar. Foi uma decisão muito difícil. Hoje, muitos anos depois, não me arrependo de tê-la tomado, mas isso não anula a dificuldade de tomá-la. Para Abraão deve ter sido muito mais difícil sair de sua terra e isso já dá indícios da fé que ele tinha, pois simplesmente obedeceu à ordem de Deus sem discutir. Logo depois da ordem vem a promessa. Abraão seria pai de uma grande nação. Essa foi a segunda prova de fé desse homem. Além da idade, tinha um empecilho mais sério, sua esposa era estéril. A promessa de um filho deve ter feito o patriarca pensar em como Deus faria isso tendo ele 75 anos. Certamente A bênção vem em seguida. A promessa envolvia tanto bênçãos temporais quanto espirituais. Deus prometeu que iria engrandecer o nome de Abraão. Esta promessa faz um contraste com o capítulo anterior da Bíblia. Em Gênesis onze havia um grupo de pessoas na torre de babel que queriam ter o nome reconhecido, mas, os construtores de babel pensavam que teriam o nome 39 engrandecido desafiando a Deus, dessa forma, só conseguiram ruína. O nome de alguém só é verdadeiramente engrandecido quando se obedece à voz de Deus. Foi assim na vida de Abraão. Perceba que a Bíblia diz que Deus tomava para si as ofensas contra Abraão. Essa é uma característica dos amigos, quando você ofende a um, ofende ao outro também. Por essa e outras coisas que o patriarca foi chamado de amigo de Deus (Tg. 2:23). A intenção do Eterno era levar bênçãos para as famílias. Essa sempre foi a ênfase de Deus e Ele tem um motivo especial para isso. Deus sabe que se as famílias estiverem bem, seu povo estará bem e preparando-se para o reencontro no dia final. Deus foca a família. Você pode entregar a sua nas mãos dEle e ficar tranquilo que receberá um cuidado especial. O prejuízo da infidelidade A família de Abraão tinha um lugar de destaque nos planos de Deus, porém tudo isso estava vinculado à fidelidade da família a Deus e à submissão às suas ordens. No entanto, algo aconteceu fora dos planos divinos. Ora Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar. E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai. Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã. E ele possuiu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos. Então disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti; minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos; o SENHOR julgue entre mim e ti. (Gênesis 16:1-5) O texto acima nos mostra que com Abrão e Sarai aconteceu o que muitas vezes acontece conosco. De vez em quando queremos ajudar a Deus a cumprir as suas promessas. Esquecemos que Ele não precisa de nada, muito menos de nossa ajuda. 40 Sarai achava que poderia contribuir com o cumprimento da promessa ao entregar uma serva a Abrão. Essa era uma prática mesopotâmica usada em Canaã, contudo, não era uma prática de Deus. Não há problemas em usarmos as práticas e tradições do mundo desde que elas não firam os princípios de Deus. Não podemos usar indiscriminadamente as práticas da Terra, pois somos cidadãos do céu. A cultura deve sempre ser limitada pelos princípios divinos. Todas as vezes que cultura e princípios entrarem em conflito, os princípios devem prevalecer, custe o que custar. Sarai sofria a maldição da esterilidade e escolheu a barriga de Hagar para ter o filho da promessa. Hagar deveria ser uma boa serva, por isso, foi escolhida. Além disso, ela tinha a benção da fecundidade. Abrão aceitou a proposta (ele tinha a opção de não aceitar, poderia ter rejeitado esse infeliz plano). Quando Hagar ficou grávida desprezou Sarai e gerou muitos problemas para aquele lar. Lares que fogem à vontade de Deus sempre têm consequências ruins. Tristeza, ciúme, rivalidade foram efeitos no lar de Abrão. Quando a traição (física, mental ou virtual) entra em uma família, traz junto consigo uma multidão de problemas. Deus pode perdoar e refazer o lar, mas, mesmo assim, as consequências acompanharão a família por uma vida inteira. Deus não se satisfez com o que aconteceu na família de Abrão, mas não o abandonou. Estendeu o perdão a todos e deu mais uma chance, mas deixou um lembrete para que nunca mais Abrão tentasse ajudar Deus em sua promessa de um filho. promessa de descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, -12). Todas as vezes que Abrão olhasse para o seu órgão sexual lembraria que Deus iria dar um jeito de cumprir sua promessa. A circuncisão está relacionada à aliança entre Deus e seu povo, seria um sinal de aliança com Israel literal, representando o nascimento físico. Depois ela 41 passou a ser um símbolo do batismo para o Israel espiritual (Gn. 17:11, Cl. 2:11 12, Tt 3:5, 1Pe. 3:21), simbolizando um nascimento espiritual, alémde servir como lembrança de que Deus cumpriria a promessa. Sem dúvida é um lembrete da graça de Deus que deu um filho a uma mulher impossibilitada de engravidar e que também pode dar salvação às pessoas que não a merecem. Segunda chance depois do pecado Felizmente, Deus sempre nos dá uma segunda chance (e terceiras e quartas...) e isso aconteceu com Abrão e Sarai. Depois que eles erraram, Deus os procurou para uma nova aliança. Como símbolo dessa aliança Deus mudou o nome de Abrão e Sarai (Gn. 17). Abrão pai exaltado passou a ser Abrãao - pai de uma grande nação e Sarai Minha princesa (de Abraão) passou a ser Sara Uma princesa (para todos os povos). Perceba que sutilmente Deus muda o foco da vida do casal deles mesmos para o Criador. Deus sempre nos estende a oportunidade para recomeçarmos. Se o seu casamento não vai tão bem, Deus quer te dar uma nova oportunidade de recomeçar da forma certa. Se seus filhos não receberam a melhor educação que você poderia dar, ainda é possível recomeçar. Caso exista um pecado que te atormenta, ainda dá tempo de abandoná-lo e recomeçar uma vida com Jesus. Não existe nada que seja difícil para Deus. Podemos perceber isso no E disse: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele. E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres. Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também, o meu senhor já velho? E disse o SENHOR a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Na verdade darei eu à luz ainda, havendo já envelhecido? (Gênesis 18:10-13) Sara duvidou de Deus. Não podemos apontar o dedo para Sara esquecendo-nos das nossas próprias dúvidas. Quantas vezes duvidamos das promessas de Deus?! No entanto, a pergunta que Deus fez para Sara pode nos 42 Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR? (Gênesis 18:14). A resposta à pergunta feita à Sara é um sonoro NÃO. Nada é difícil para o nosso Deus. Algumas vezes, Ele permite que chegue o impasse para contrastar a impotência humana com a onipotência divina, porém, nenhuma situação na vida familiar é difícil demais para Deus resolver. Acredite, o poder da graça de Cristo pode transformar seu casamento que está quase acabado em algo feliz, Ele pode transformar as dificuldades do seu lar em bênçãos. PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 A fidelidade a Deus é o fundamento da fidelidade ao cônjuge. 2 A fidelidade ao cônjuge é importante para um casamento feliz 3 Deus pode restaurar casamento que sofreram com a infidelidade, basta que os dois queiram 43 Capítulo 6 Uma questão de escolha Nos tempos bíblicos já existiam cidades muito bem estruturadas. As pessoas conseguiam viver confortavelmente em suas casas construídas com materiais bastante seguros. Porém, na Bíblia encontramos uma história de uma família que estava habitando uma caverna. E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele; porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas. Então a primogênita disse à menor: Nosso pai já é velho, e não há homem na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra; Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo- nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai. E a primogênita deu à luz um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas até ao dia de hoje. E a menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben- Ami; este é o pai dos filhos de Amom até o dia de hoje. (Gênesis 19:30-38) Essa, sem dúvida, é a história de uma tragédia familiar. Não somente por uma família ter que morar dentro de uma caverna, existem outros elementos que 44 completam este quadro triste. Faltam a mãe e os outros filhos, a família está incompleta. Como se isso não fosse o suficiente, ainda acontece algo mais deprimente, um plano diabólico de procriação. As filhas planejaram embebedar o pai e depois terem relações sexuais com ele e assim o fizeram. Primeiro a mais velha, depois a mais nova e as duas ficaram grávidas do próprio pai. Como consequências desse ato incestuoso nasceram duas nações ímpias, amonitas e moabitas. A descendência de Ló foi composta por duas nações perdidas. Sem dúvida, é uma história trágica de uma família completamente desestruturada. Mas nem sempre a família de Ló foi assim. A história deles era muito diferente. Onde tudo começou Essa trágica história não começou numa caverna, mas no alto de um monte quando Ló precisou decidir onde colocaria sua família. O relato bíblico nos ajuda a entender o que aconteceu. E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda. E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o (Gênesis 13:8-13). Ló se deparou com uma situação que muitos chefes de família enfrentam: decidir onde colocar a sua família. O relato nos indica que Abraão deu para seu 45 sobrinho a oportunidade de decidir por qualquer parte da terra que Deus havia dado para ele. Sodoma não era a única opção, Ló não precisava escolhê-la. Porém, a beleza da cidade e de seus arredores atraiu-o e ele escolheu se dirigir para lá. A campina onde ficava Sodoma era tão incrível que Moisés a comparou com o Jardim do Éden e foi por esta beleza que Ló foi atraído. ue embora fosse parecido, aquilo não era o Éden. Ali podemos ver uma das mais eficazes estratégias de Satanás. Ele embeleza as suas tentações com a intenção de enganar os filhos de Deus. Quando ele quer enganar um jovem, coloca alguém com um rosto bonito e um corpo atraente para desgraçar a vida da pessoa. Quando ele quer destruir um casamento, ele coloca alguém compreensível e amigo que se dispõe a ouvir você, mas que no final acabará com a sua família. Satanás é esperto o suficiente para produzir tentações específicas de acordo com as nossas tendências ruins. Precisamos de muita atenção e oração! Tomou uma decisão sem noção das consequências. Escolheu onde colocaria sua família usando os critérios humanos, em momento algum encontramos Ló consultando a Deus. É sempre assim, todas as vezes que decidimos sem consultar o Senhor, corremos um sério risco de tomarmos decisões erradas. Há um detalhe no relato que nos chama a atenção. A Bíblia di aproximando do mal e, pior, aos poucos aproximando a sua família da ruína. Também é assim que nós nos aproximamos do erro, aos poucos. Um casal de namorados não vai de um namorosanto a um namoro profano de uma vez. Aos poucos eles vão cedendo em pequenas coisas que vão se intensificando e descambam para uma tragédia espiritual. No casamento, também, as coisas não desandam de uma hora para outra. É aos poucos que o pecado vai entrando e destruindo o amor. Embora a campina fosse muito bela, a cidade já tinha uma má fama e Ló eram maus os homens de Sodoma, e grandes descrição da cidade que Ló escolheu para sua família. 46 Infelizmente, Ló não se preocupou onde colocaria aqueles que estavam sob sua responsabilidade. Muitos hoje também não se preocupam muito. Isso é um erro. Todos nós somos influenciados em maior ou menor grau pelo meio em que vivemos, por isso os pais, por exemplo, deveriam escolher muito bem a escola onde colocarão seus filhos. Já ouvi um pai dizendo que não colocaria seu O problema é que a escola em que ele estava colocando seus filhos não respeitava a Bíblia e influenciava as crianças a um secularismo exagerado. Era sob esta influência que aquele pai cristão estava colocando o seu filho durante praticamente um terço do seu dia. É preciso muito cuidado ao escolher a escola, o bairro, os locais de diversão etc., onde colocaremos nossa família. Isso não é uma questão de pouca importância, pelo contrário, a família de Ló nos ensina que essa escolha é essencial. Foi ao descer do monte para o vale que começou a história de declínio da família de Ló. Ao escolhermos uma residência, Deus quer que consideremos antes de tudo as influências morais e religiosas que nos rodearão, a nós e a nossas famílias. Podemos achar-nos em situações probantes, pois que muitos não podem ter o seu ambiente conforme quereriam; e, onde quer que o dever nos chame, Deus nos habilitará a permanecer incontaminados, se orarmos e vigiarmos, confiando na graça de Cristo. Mas não devemos expor-nos desnecessariamente a influências desfavoráveis à formação de caráter cristão27. Vinte anos se passaram Em cima do monte estavam dois homens que viveram duas situações distintas. Abraão e Ló seguiram por rumos diferentes. Vinte anos depois daquele diálogo no monte as consequências foram bastante sentidas. A Bíblia apresenta essas duas situações em dois versos em sequência: Gênesis 18: 19,20. A falha de Ló pode ser observada por contraste no que Deus Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o 47 caminho do SENHOR, para agir com justiça e juízo; para que o SENHOR faça se t contraste é claro. Enquanto Abraão ordenava sua família, a família de Ló se afundava em Sodoma. Abraão intercedeu por Sodoma, tentando salvar seu sobrinho e a família. Mas na cidade foram encontrados menos de dez justos (Gn 18:32), aliás, tudo indica que só tinha um, Ló. Os anjos foram visitar a cidade para levar o juízo (Gn. 19). Quando chegamos neste ponto da história Ló e sua família já haviam se mudado para dentro da cidade. Aos poucos foi se aproximando de Sodoma e construiu uma casa ali. Provavelmente Ló chegou a ser juiz da cidade (Gn. 19:9). Embora tenha alcançado riquezas e poder, Ló não cuidou do essencial, ele alcançou grandes posições sociais à custa da família. O relato bíblico nos diz que Ló estava à porta da cidade e fez a recepção dos forasteiros que ainda não havia identificado como anjos. Essa hospitalidade, um costume oriental, provavelmente ele imitara de seu tio Abraão. Ló nos dá a impressão de que tinha muita atenção com os de fora, mas dispensava pouca atenção para com os de dentro de sua casa. O resultado de sua família nos indica isso. E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros. E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze- -5). Os homens de Sodoma tinham costumes que são bastante difundidos hoje pela mídia e que desde aquele tempo são abomináveis para Deus. Ló protege seus hospedes a todo custo. Ele chega a oferecer suas filhas virgens em troca dos anjos (Gn. 19: 6-8). Esse era um costume do antigo oriente, a vida do hóspede era mais importante que a honra de uma mulher (Comp. Jz 19: 23-24). A virgindade das filhas de Ló mostra que ainda restava algum resquício de princípios divinos naquela família. Mas esses princípios não eram muitos. 48 Os hospedes que estavam sendo protegidos por Ló, acabaram tendo que protegê-lo (Gn. 19: 9-10). Naquele momento Ló soube que os homens eram anjos. A família perdida Os anjos revelaram tudo a Ló. Disseram que iriam destruir a cidade e que tinham ido lá para salvar aqueles que quisessem. Também pediram que fossem Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do SENHOR, e o SENHOR nos enviou a destruí- -13). É difícil compreender a maravilhosa graça de Cristo. Havia ainda possibilidade de salvação para os ímpios parentes de Ló. Ele foi, então, falar Então saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o SENHOR há de destruir a cidade. Foi les preferiram Sodoma a acreditar em Ló. Essa atitude das filhas e genros de Ló é facilmente entendida porque nos últimos vinte anos tudo o que eles aprenderam foi a valorizar o que é material e desprezar o que era espiritual. Quando eles se depararam com uma escolha entre o material e o espiritual, preferiram ficar com as riquezas de Sodoma. Mal sabiam que tudo seria destruído em pouquíssimo tempo. -se daquilo que chamavam seus receios supersticiosos. Suas filhas eram influenciadas pelos maridos. Estavam muito bem ali onde se encontravam. Não podiam ver sinais de perigo. Tudo estava exatamente como sempre havia sido. Possuíam muitos bens, e não podiam crer f 28. Filhos de Ló ficaram em Sodoma. Talvez pela hesitação de deixar seus bens e filhos em Sodoma Ló demorou a sair da cidade e teve que ser puxado pelos anjos (Gn. 19:16). Mais uma vez a misericórdia da salvação de Graça entra em ação. Mesmo depois de 49 sair ainda questionou a ordem divina de ir para longe da cidade (Gn. 19: 17,18, 20). Ló havia se envolvido muito com Sodoma, no coração dele ainda não estava Aquele seria o último amanhecer em Sodoma. As pessoas acordavam Saiu o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar. Então o SENHOR fez chover enxofre e fogo, do SENHOR desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da (Gênesis 19:23-25). Parte da família de Ló estava salva, pelo menos aparentemente, porque, mpo em que seu corpo estava sobre a planície, o coração apegava-se a Sodoma, e ela pereceu com a 29. Essa mulher virou símbolo daqueles que vão preferir este planeta ao mundo porvir preparado por Deus para seus filhos. Jesus usou seu exemplo como adv Lembrai- Ela desejava mais a vida de Sodoma (os últimos 20 anos essa tinha sido a sua ênfase). Ló tinha grande responsabilidade sobre isso. Se o próprio Ló não houvesse manifestado hesitação em obedecer à advertência do anjo, antes tivesse ansiosamente fugido para as montanhas, sem uma palavra de insistência ou súplica, sua esposa teria também podido escapar. A influência de seu exemplo tê-la-ia salvo do pecado que selou a sua sorte. Mas a hesitação e demora dele fizeram com que ela considerasse levianamente a advertência divina30. Ló era um homem consagrado e ativo com as coisas de Deus, mas negligente com a família. Infelizmente, ele não foi o último a agir assim. Há muitos que cuidam de si e se esquecem dos seus filhos e cônjuges.Todos os cristãos devem ser ativos nos trabalhos da igreja e na missão que Deus deu, mas isso não pode ser feito em detrimento da família. É preciso 50 etc. o Trabalho de Deus com o Deus do trabalho. Inclusive é possível fazer o trabalho de Deus estando distante do Deus do trabalho. Quando falo de Deus em primeiro lugar, estou falando de comunhão pessoal, depois vem a sua família que deve ser cuidada e depois, deve vir o trabalho da igreja e as demais coisas. Seguindo esta sequência conseguiremos evitar o erro de Ló. Sodoma foi destruída. Aquele lindo vale de vinte anos antes virou um grande vale queimado e depois um mar sem vida. No lugar de Sodoma hoje existe o Mar Morto que, em Árabe chama- Aqueles que procuram para seus filhos riquezas e honras mundanas, às expensas de seus interesses eternos, acharão no fim que estas vantagens são uma perda terrível. Semelhantes a Ló, muitos vêem seus filhos na perdição, e apenas conseguem salvar sua própria alma. Perde-se o trabalho de sua vida; esta é um triste malogro. Se tivessem exercido verdadeira sabedoria, seus filhos poderiam ter tido menos prosperidade mundana, mas ter-se-iam assegurado um título à herança imortal31. Voltamos à tragédia Agora podemos entender o porquê de Ló estar dentro daquela caverna com suas duas filhas. Essa tragédia familiar foi resultado de uma série de escolhas erradas feitas por Ló para sua família. Suas filhas apenas revelaram tudo o que aprenderam em Sodoma. Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. E se ensoberbeceram, e fizeram abominações diante (Ezequiel 16:49-50). Fartura de Pão e abundância de ociosidade. Uma fórmula perfeita para o fracasso. Ló deu aos seus filhos tudo o que o dinheiro poderia comprar, todo o luxo que eles queriam, mas não os ensinou os verdadeiros valores da vida. 51 A ociosidade é a maior maldição que pode recair ao homem; pois que o vício e o crime seguem em seu cortejo. Enfraquece o espírito, perverte o entendimento, e avilta a alma. Satanás fica de emboscada, pronto para destruir aqueles que estão desprevenidos, cujo tempo vago lhe dá oportunidade para insinuar-se sob alguns disfarces atraentes. Ele nunca é mais bem-sucedido do que quando vem aos homens em suas horas ociosas32. Essa ociosidade deu a Ló duas filhas salvas fisicamente, mas perdidas espiritualmente. Ló pagou um preço alto por vinte anos em Sodoma, perdeu toda a família. Ló é um símbolo de homens que estarão salvos, mas sozinhos, sem a esposa e sem os filhos. Que tristeza! Uma escolha errada, uma sequência de prioridades erradas e o resultado foi uma família toda perdida. A história de Ló não é incomum em nossos dias. Muitos de nós estamos colocando nossa família em locais e situações perigosas. Eu quase perdi minha família trocando a sequência das coisas, colocando trabalho e sonhos à frente da minha família. Louvo a Deus por ter me ajudado a retroceder. Precisamos ter as prioridades certas, os valores certos para que levemos nossa família para o rumo certo. É hora de colocar-se nas mãos de Deus (principalmente Pais e Maridos, pois, são diretamente responsáveis pela salvação de suas famílias) para conduzir a sua família para o céu e salvar-se, mas, acompanhado de todos eles para que o céu esteja completo. PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 É preciso ter cuidado com cada decisão que tomaremos, elas podem afetar à felicidade do seu casamento 2 Dinheiro, poder, status social não podem ser mais importantes que o seu casamento. 3 Decida a cada dia que a sua família será cuidada por você com muita atenção. 52 Capítulo 7 Perdão como fator essencial Maria e João estavam casados há muitos anos e viviam uma vida estabilizada financeiramente. Tanto João quanto Maria tinham sucesso em suas profissões e frequentavam a igreja semanalmente. A vida corria de forma normal. Porém, um dia a normalidade foi perturbada. Maria chegou em casa e não encontrou João. O que Maria encontrou foi uma carta de João dizendo que tinha ido embora. Ele não queria mais continuar aquele casamento. João saiu de casa e teve relacionamentos com outras mulheres. Como fruto dessas relações, ele teve uma filha. O relacionamento com a mãe da criança não durou muito tempo e João teve que, algumas vezes, cuidar da criança sozinho. Logo João percebeu que não tinha tomado a melhor decisão ao sair de casa, porém, voltar e tentar a reconciliação com Maria também não era uma tarefa fácil. João nunca tinha sido pai e estava com dificuldades no lidar com uma criança recém-nascida. Pensou, então, em pedir ajuda e conselhos a Maria no que dizia respeito ao lidar com a criança, junto com o pedido de ajuda, veio a busca pelo perdão de Maria. Naturalmente, Maria estava muito magoada com tudo o que tinha acontecido. Não poderia ser diferente, tudo o que aconteceu foi muito duro de viver. O ressentimento apertava o coração de Maria. O que você faria no lugar de dela? Você perdoaria João se estivesse no lugar de Maria? Jesus deixou na Bíblia algumas lições importantes sobre esse assunto. Infelizmente, muitos cristãos têm sofrido com ressentimentos e muitos casamentos estão se deteriorando por causa disso. Algumas pessoas vivem situações semelhantes à de Maria e não sabem como devem agir. Quero te levar a pensar um pouco mais sobre o perdão. O limite do perdão 53 Certa vez o apóstolo Pedro travou o seguinte diálogo com Jesus: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete (Mateus 18:21-22). O apóstolo Pedro fez uma pergunta muito importante, considerando que nas relações humanas é quase impossível conviver sem ofender de alguma forma aqueles que estão próximos a nós. Muitas vezes sem querer magoamos aqueles a quem amamos e, infelizmente, algumas vezes o fazemos conscientemente. Se observarmos bem o diálogo, Pedro pergunta sobre o perdão que ele dará a um irmão. Interessante isso! Geralmente as pessoas que mais cometem coisas ofensivas contra nós, são aqueles que estão mais próximos. Cônjuges, irmãos, pais e filhos, enfim, geralmente no círculo familiar o perdão precisa ser colocado em prática mais frequentemente, pois as ofensas também acontecem com certa frequência. Isso é uma consequência direta do pecado e onde existirem pessoas convivendo o perdão será necessário. Os rabinos limitavam o número de perdões em até três vezes. Portanto, para os líderes judaicos ninguém estaria obrigado a perdoar a quarta vez. Pedro então, para mostrar sua generosidade dobrou o número de perdões Jesus não estava limitando o número de perdões a 490 vezes, estava dizendo que devemos estender perdão um número ilimitado de vezes. Esta é uma mensagem que traz benefícios espirituais para cada cristão e em se falando de família, os benefícios são exponencialmente maiores, mas não para por aí. Muitos benefícios emocionais também serão alcançados. O ser humano tem muita dificuldade de perdoar, mas o perdão é mais benéfico para quem o dá do que para quem o recebe. Guardar ressentimento destrói emocionalmente quem o guarda e aumenta a possibilidade de doenças cardíacas. Ressentimento, alguém disse, é um veneno que você toma esperando que o outro morra. Há, no entanto, um ponto mais importante. Conceder perdão é ponto de Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus 54 servos; E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívidase lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas (Mateus 18:23-35). O Primeiro servo Nesta ilustração de Jesus o primeiro servo devia dez mil talentos. Um talento correspondia a 6000 denários, portanto, 10.000 talentos corresponderiam a 60.000.000 de denários. Um denário era o que ganhava um trabalhador comum por um dia de trabalho. Calculando esse valor em dias teríamos 60.000.000 de dias de trabalho, ou seja, aproximadamente 165.000 anos de trabalho. Ninguém vive tanto. Resolvi atualizar estes valores. É lógico que não há correspondência exata entre a nossa moeda e a dos dias bíblicos, mas nos servirá como ilustração. Em 165.000 anos estão contidos 1. 980.000 meses. Se considerarmos o atual salário mensal de um trabalhador comum no Brasil (vamos pegar o valor de 2014 como exemplo) R$ 724,00, teríamos no final de um período como este 55 o valor de R$ 1.433.520.000. Este é um valor suficiente pra comprar 47.784 carros populares modelo 2014 que custam em média R$ 30.000,00 ou daria pra montar uma biblioteca de mais de 20.000.000 livros de R$ 70,00 cada. Em valores atuais ou dos tempos bíblicos a conclusão é a mesma: A pac cumprida. Sabendo disso o Rei perdoou a dívida. Nós somos este servo. Temos uma dívida impagável com Cristo. A dívida que adquirimos com Deus por causa dos nossos pecados nos faz condenados à morte (Rom. 6:23). Às vezes até pensamos que poderíamos pagá-la se passar toda a vida sem cometer nem um ato pecaminoso, nossa dívida ainda estaria do mesmo tamanho. Foi por isso que Jesus nos ofereceu o perdão desta dívida na cruz do calvário. Graças ao amor de Cristo por nós podemos ser perdoados de qualquer pecado que cometemos, basta confessarmos os pecados a Jesus (1 Jo. 1:9). O segundo servo A parábola conta que depois de ser perdoado, o primeiro servo saiu da audiência com o rei e encontrou o segundo servo que o devia 100 denários. Este era o valor correspondente a três meses de trabalho de um trabalhador comum. Atualizando com os valores que usamos anteriormente daria R$ 2.172. Perceba o contraste: o primeiro servo devia R$ 1.433.520.000 e o segundo devia muito menos R$ 2.172,00 Mesmo diante de toda esta diferença a Bíblia diz que o primeiro servo fez ao rei, a diferença é que o segundo servo teria condições de cumprir com a sua promessa, mesmo assim ele foi lançado na prisão. Muitas vezes, nós fazemos assim, queremos o perdão de Deus para nossos pecados, mas recusamos perdoar aqueles que nos ofendem. 56 A Reação do Senhor O primeiro servo deveria ser tão compassivo com o segundo quanto o senhor foi com ele. O rei disse que ele deveria tratar o seu conservo ficou preso para sempre já que sua dívida era impagável. Se observarmos bem, a dívida que já havia sido perdoada retornou condenando-o a morrer preso. Duras lições bíblicas Esta parábola de Jesus encerra duras lições para nós enquanto cristãos e de forma especial para os casais. Primeiramente aprendemos que o perdão de Deus para nós está vinculado ao perdão que oferecemos aos nossos irmãos. No meio da oração que Jesus ensinou e E perdoa-nos as nossas dívidas, (Mateus 6:12). Jesus ainda vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens (Mateus 6:14-15). Todos nós precisamos do perdão de Deus, porque todos, sem exceção, pecamos. E mesmo que conseguíssemos ficar sem cometer atos pecaminosos, ainda seríamos pecadores, por natureza necessitados do perdão de Deus. Esse deveria ser um motivo mais que suficiente para oferecermos perdão ao nosso próximo. Outra lição que podemos aprender com esta parábola é que quando não perdoamos aos nossos irmãos, os nossos pecados já perdoados voltam a ficar ativos nos registros do céu. Esse é outro bom motivo para não guardarmos ressentimento do nosso próximo. Perdoar o meu cônjuge, portanto, é uma questão de Salvação. No céu só entrarão pecadores perdoados e restaurados, mas se não perdoamos ao nosso próximo, não poderemos ser perdoados e, consequentemente, estaremos fora do céu. 57 Perdão: necessidade fundamental na família É possível que enquanto você está lendo estas páginas, esteja pensando em alguém que te ofendeu profundamente (essa pessoa pode inclusive ser seu cônjuge ou seu filho) ou, talvez, esteja pensando que você ofendeu profundamente a alguém. É Deus quem está trazendo estas lembranças à sua mente, porque Ele quer te curar deste ressentimento. Muitas famílias estão se desintegrando por causa da mágoa guardada. Você pode estar pensando: Mas você não tem ideia do que fizeram comigo. Eu fui traído(a), como vou perdoar? Eu te respondo relembrando algo que aprendemos com a parábola. O maior beneficiado ao perdoar é você mesmo. Nunca se esqueça de que o mesmo Deus que te perdoa de qualquer pecado, se compromete em te dar forças para que você perdoe qualquer ofensa. Alguns dizem: ele(a) não merece meu perdão. Para estes eu tenho uma frase: `Perdão não se oferece a quem merece, perdão se dá a quem precisa`. Simplesmente ofereça o perdão, você será o maior beneficiado com isso. Lembra-se da história da Maria e do João? Eu acompanhei de perto esta história e quero te contar o final dela. Os nomes são fictícios, para preservar as identidades deles, mas as lições são muito reais e importantes. Maria aceitou a reaproximação com João, o perdoou e mais que isso, tratou a pequena menina como se fosse sua própria filha. Deus reconstruiu o casamento deles e puderam voltar a viver felizes. Deram entrada no novo casamento exatamente no dia em que, juntos, receberam os papéis do divórcio no cartório. O perdão, vindo de Deus, trouxe de volta a felicidade à vida deles. Decisão Importante Esta doutrina bíblica (perdão) precisa ser motivo de nossas profundas reflexões. A quem você tem que perdoar hoje? Talvez a seu pai que o tratou mal na infância, quem sabe a um parente que te ofendeu profundamente, é possível que seja um colega de trabalho ou um vizinho que te magoou, um irmão da igreja que te prejudicou. Talvez seja seu cônjuge que te magoou muito. Não importa quem seja. A Bíblia nos conclama a estender o perdão a todos que nos 58 ofenderam, mesmo que esta pessoa não queira nosso perdão. Perdoar traz mais benefícios a quem perdoa do que a quem é perdoado. Nosso grande exemplo é Jesus. A dívida que temos com Ele é impagável e fomos perdoados. Nenhuma ofensa de um ser humano para com outro será tão grande quanto a que os humanos fizeram para com Deus. Por isso hoje é dia de perdoar aqueles que lhe ofenderam. Quem sabe procurá-los hoje mesmo. Dessa forma estaremos em paz com Deus e com nossos semelhantes. PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 Quando analisamos o quanto somos perdoados por Deus, perdoamos maisfacilmente o cônjuge. 2 O perdão é um dom divino, ligue-se a Ele e perdoe seu cônjuge. 3 Perdoar é libertador e quem perdoa abençoa e é abençoado. 59 Capítulo 8 Sua família abençoando outras famílias Cada cristão deve ser um canal por onde a paz de Deus alcança outras pessoas. Essa missão que Jesus nos deixou deve ter um lugar de destaque na vida cristã. Podemos pregar o evangelho de diversas formas, inclusive, através do exemplo pessoal. Tenho convicção de que não há melhor maneira de pregar a mensagem de Deus do que através de um exemplo de uma família bem equilibrada. Uma família bem ordenada, bem disciplinada, fala mais em favor do cristianismo do que todos os sermões que se possam pregar. Uma família assim dá prova de que os pais foram bem-sucedidos no seguir as instruções de Deus, e de que seus filhos O servirão na igreja. Sua influência aumenta; pois à medida que comunicam, recebem para tornar a comunicar 33. Deus espera ser bem representado pelas famílias que professam crer nEle e amá-lo. Seria, no entanto, uma tremenda incoerência uma família professar ser cristã e não ser obediente aos mandados do Mestre. O próprio Jesus falou: Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo. 14:15). O maior sinal de uma família que pertence verdadeiramente a Deus será uma vida devota à Sua causa. Só assim a sua família será uma agência ganhadora de novas pessoas para Cristo. Nesse momento você pode estar se perguntando: será que Deus espera que minha família seja uma família missionária? Será que Deus espera que através do nosso testemunho, ganhemos mais pessoas para o seu reino? Quero te mostrar algumas coisas na Bíblia que o ajudarão a responder estas perguntas. O apóstolo Paulo escreveu algo sobre o testemunho de um cristão que deve ser motivo de reflexão de cada família. Ele disse: Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração. (2 Coríntios 3:2, 3). 60 A Bíblia registra diversas metáforas a respeito da vida cristã. Sal da terra, luz do mundo, dentre outras. Uma destas metáforas é a relatada no texto acima. Podemos tirar muitas lições para nossa vida cristã quando pensamos em nós como a carta de Cristo ao mundo. Quando escrevemos uma carta e endereçamos a alguém, ela se torna uma parte de nós que estamos deixando com a outra pessoa. Aquele pedaço de papel representa a pessoa que o enviou. Se a carta foi enviada para alguém desconhecido, tudo o que aquela pessoa saberá de nós é o correspondente ao conteúdo da carta. Assim também acontece conosco em relação a Jesus. A Bíblia nos diz que somos a carta de Cristo para a humanidade. Portanto, quando as pessoas estarão aprendendo a respeito de Jesus e do cristianismo. A estamos no nosso trabalho, o que mostramos às pessoas a respeito de Jesus e do cristianismo? E quando estamos na escola ou faculdade, que tipo de mensagens as nossas ações e palavras têm dado a respeito do Senhor? O que seus vizinhos diriam a respeito do cristianismo, se tudo o que eles conhecessem sobre Cristo fosse o que eles veem em sua família? A Bíblia apresenta-nos a histó Deus à humanidade. Por onde este homem passava, as pessoas o reconheciam como um homem de Deus. Estamos falando de Eliseu, o profeta que sucedeu a Elias. Um episódio muito significativo da vida do profeta Eliseu foi registrado na Sucedeu também certo dia que Eliseu foi a Suném, onde havia uma mulher rica que o reteve para comer; e todas as vezes que ele passava por impressionados com a conduta de Eliseu que construíram um quarto e o mobiliaram especialmente para o profeta. Mas o que impressionou tanto estas pessoas? Que características Eliseu possuía para fazer uma família rica admirar tanto o profeta? A Bíblia responde: que este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus. Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto sobre o muro; e ponhamos-lhe ali uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, quando ele vier a nós se 61 tão atrativo a esta família. Eis um método missionário excelente: uma vida que prega sem proferir uma só palavra. Imagine esse poder potencializado em uma família que prega através do amor mútuo. Muitos têm se preocupado com quais métodos utilizar para que o evangelho seja pregado aos ricos. A história de Eliseu nos dá uma direção infalível. Uma vida consagrada a Deus pode impressionar vidas e levá-las para alcançar as mais altas classes, o obreiro de Deus necessita de forte fé. As aparências podem parecer desoladoras, mas na hora mais escura há luz do alto. A força dos que amam a Deus e a Ele servem será renovada cada dia. A mente do Infinito está posta a seu serviço, para que ao executarem Seu propósito não cometam erro34. Outro exemplo bíblico de vidas que pregam vem de um casal. Este exemplo toca mais especificamente em nosso assunto, pois, neles vemos o exemplo claro de uma família que vive para testemunhar do amor de Deus. Estou falando de Priscila e Áquila, um casal cheio do Espírito Santo. Lucas escreve a respeito deles: E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, e, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas. E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos (Atos 18:2-4). Paulo teve o casal como companheiros de missão. Em outro momento, vemos este casal instruindo na verdade um homem que se tornaria um dos grandes pregadores do Novo testamento. Leia: E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. (Atos 18:24-26) Priscila e Áquila nos ensinam com o seu exemplo que precisamos ter uma família envolvida na missão de Deus, que é salvar o maior número de pessoas 62 possível. Para isso, precisamos nos preocupar com o tipo de testemunho que temos dado a respeito da religião que professamos. As palavras que proferimos, as comidas que comemos, as músicas que cantamos e ouvimos, os lugares que frequentamos, tudo isso mostra o quão comprometidos com o evangelho de não sob o governo de Cristo. Não Lhe ouvem as instruções, nem fazem Sua obra. Por isto, estão sob o domínio do inimigo. Não fazem positivamente bem, por isto produzem dano incalculável. Por sua influência não ser cheiro de vida para vida, é cheiro de morte para morte35. O lugar mais difícil de ser cristão é dentro de casa. Na igreja é muito fácil ser cristão. Colocamos uma roupa bonita, uma Bíblia grande embaixo do braço e podemos representar algo que não somos. Mas em casa toda máscara cai. Ouvi certa vez o relato de uma esposa de um líder da igreja que dizia que só falaria com ele na igreja. Porque lá ele era amoroso, delicado e atencioso, coisas inexistentes em casa. É por causa da impossibilidade de sustentarmos máscaras nas relações intrafamiliares que o exemplo de uma família verdadeiramente cristã é tão forte. Tudo o que já foi dito nos capítulos anteriores contribui para uma família que é uma boa carta de Jesus ao mundo. Comunhão com Deus, boa educação para os filhos, perdão etc. são tijolos que constroem uma família que prega com a própria vida. Sua família tem sido uma carta que leva mensagensde vida ou de morte? Não existe meio- coobreiros do inimigo. Ou ajuntamos com Cristo ou espalhamos. Ou somos cristãos decididos, de todo coração, o 36. Está na hora de sua família ser uma inspiração para outras e permitir que, através dela, outras famílias também possam conhecer o Autor da família e o único que pode fazê-las felizes de verdade. Peça todos os dias que a graça de Cristo santifique sua família a tal ponto que as pessoas possam ver Cristo através dela. 63 PRINCÍPIOS PARA O CASAMENTO 1 Sua família pode ser uma bênção para outras famílias 2 Quando vocês vencem as dificuldades no seu casamento, viram bons exemplos para outros casais. 3 Deixe que as bênçãos de Deus em seu casamento sejam estendidas a outros casais. 64 CONCLUSÃO A felicidade no casamento não é um local onde se chega, é uma jornada. Vocês serão felizes enquanto caminham juntos pelas estradas da vida. Espero que os princípios que vocês descobriram na leitura desse livro possam revolucionar seu casamento como revolucionaram o meu. Agora é hora de colocar em prática cada uma das lições aprendidas sempre lembrando que Deus deve ser o centro do relacionamento de vocês. Quanto mais próximos de Jesus vocês estiverem, mais próximos um do outro estarão e mais felizes serão! Que Deus continue os abençoando grandemente! Felippe Amorim, Ms. @prfelippeamorim 65 REFERÊNCIAS 1 Comentário Bíblico Adventista, v.3, 549 2 Comentário Bíblico Adventista, v.3, 561. 3 Ellen White. Patriarcas e Profetas, 144. 4 Ellen White. Patriarcas e Profetas, 144 5 O Maior Discurso de Cristo, págs. 63 e 64. 6 Ellen White. Patriarcas e Profetas, 46 7 Ellen White. Patriarcas e Profetas 46 8 Omartian, Stormie. O poder da Esposa que ora. São Paulo: Mundo Cristão, 1998. Pg. 119 9 Cardoso, Renato e Cristiane Cardoso. Casamento Blindado: O seu casamento à prova de divórcio. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2012. Págs. 120 e 123 10 Harley, Willard F. Ela precisa Ele deseja: o que o homem e a mulher precisam saber para suprir as necessidades emocionais um do outro no casamento. São Paulo. Ed. Candeia, 2001. 11 Chapmam, Gary. O casamento que você sempre quis. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. Pg. 122-123 12 Ellen White. Carta 8, 1888. In. O Lar Adventista, pg. 342. 13 Ellen G. White. Review and Herald, 07 de outubro de 1865 14 Philip Yancey. Oração: Ela faz alguma diferença?, São Paulo: Editora Vida, 2007. P,12 15 Philip Yancey. Oração: Ela faz alguma diferença?, São Paulo: Editora Vida, 2007. P,15 16 Rodor, Amim A. O Incomparável Jesus Cristo 1ª ed Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2011. Pg. 33 17 Mensagens aos Jovens, 250 18 Ciência do Bom Viver, 511 19 Manuscrito 24, 1904. In ME. v.1, 88 20 Caminho a Cristo, 93 21 Caminho a Cristo, 93 22 Patriarcas e profetas, 203 23 Ellen G. White. A Ciência do Bom viver, 474. 24 Ellen G. White. O Grande Conflito, 525 25 Review and Herald, 1º de abril de 1890. 26 Ellen G. White. Review and Herald, 07 de outubro de 1865. 27 Ellen White. Patriarcas e Profetas, 168. 28 Ellen White. Patriarcas e Profetas, 160 29 Ellen White. Patriarcas e Profetas,161 30 Ellen White. Patriarcas e Profetas. 161 31 Ellen White. Patriarcas e Profetas 169 32 Ellen White. Patriarcas e Profetas 157 33 Ellen White. O Lar Adventista, pg. 32 34 Ellen White. Atos dos Apóstolos, p. 242. 35 Ellen White. Parábolas de Jesus, p. 304. 36 Ellen White. Conselhos Para a Igreja, p. 41 66