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306 Química
Figura 7.26 Primeiro a substância pa-
ramagnética foi pesada em uma balança,
na ausência de um campo magnético.
Quando o eletroímã é ativado, o ponto
de equilíbrio é deslocado porque o tubo
com a amostra é puxado para o campo
magnético. Conhecendo a concentração
e a massa adicional necessária para res
tabelecer o equilíbrio, é possível calcular
o número de elétrons desemparelhados
na amostra.
Figura 7.27 Probabilidade radial (ver
Figura 7.18) para as orbitais Is, 2s e 2p.
Os elétrons Is blindam efectivamente
os elétrons 2s e 2p do efeito do núcleo.
A orbital 2s é mais penetrante do que a
orbital 2p.
Tal arranjo tomaria o hélio gasoso paramagnético. As substânciasparamagnéticas
são aquelas que contêm spins desemparelhados e são atraídas p o r um ímã. Por
outro lado, se os spins eletrônicos estão emparelhados, ou antiparalelos entre si ('H
ou os efeitos magnéticos anulam-se [Figura 7.25(b)]. As substâncias diamag-
néticas não contêm spins desemparelhados e são levemente repelidas por um ímã.
As medidas das propriedades magnéticas fornecem a evidência mais di
reta das configurações eletrônicas dos elementos. Os avanços na constmção de
instrumentos nos últimos 30 anos permitem determinar o número de elétrons de
semparelhados em um dado átomo (Figura 7.26). Observa-se, experimentalmen
te, que o átomo de héüo no estado fundamental não possui um campo magnético
efetivo. Assim, os dois elétrons no orbital Is têm de estar emparelhados de acor
do com o princípio de exclusão de Pauli e o hélio gasoso é diamagnético. Uma
regra útil é que qualquer átomo com um número ím par de elétrons tem sempre
um ou mais elétrons desemparelhados porque é necessário um número par de
elétrons para um empareUiamento completo. Por outro lado, átomos contendo
um número par de elétrons podem ou não ter spins desemparelhados. Veremos a
razão deste comportamento mais adiante.
Em outro exemplo, consideremos o átomo de Ktio (Z = 3), que tem três
elétrons. O terceiro elétron não pode ir para o orbital Is porque teria inevitavel
mente os mesmos quatro números quânticos do que um dos dois primeiros elé
trons. Por conseguinte, este elétron “entra” no orbital seguinte (energeticamente
superior), que é o orbital 2s (ver Figura 7.23). A configuração eletrônica do Ktio
é Is^s^ e o seu diagrama de orbitais é
Li
2s'
O átomo de Ktio contém um elétron desemparelhado e, portanto, é paramagnético.
Efeito de blindagem em átomos polieletrônicos
Experimentalmente, observa-se que, em um átomo polieletrônico, o orbital 2s
está em um nível de energia mais baixo do que o orbital 2p. Por quê? Compa
rando as configurações eletrônicas ls^2s^ e ls^2p^, notamos que, em ambos os
casos, o orbital Is está preenchido com dois elétrons. A Figura 7.27 mostra os
gráficos da probabilidade radial para os orbitais lí , 2^ e 2p. Visto que os orbitais
2s e 2p são maiores do que o orbital l í , um elétron em qualquer um daqueles
orbitais passará mais tempo longe do núcleo do que um elétron no orbital lí. As
sim, podemos pensar em um elétron 2í o u 2p como estando parcialmente “blin
dado” da força atrativa do núcleo pelos elétrons lí. A consequência importante
do efeito de bündagem é que este reduz a atração eletrostática entre os prótons
no núcleo e o elétron no orbital 2í o u 2p.
A forma como a densidade eletrônica varia à medida que nos afastamos do
núcleo depende do tipo de orbital. Embora um elétron 2í passe a maior parte do
tempo (em média) Kgeiramente mais afastado do núcleo do que o elétron 2p, a
densidade eletrônica perto do núcleo é na verdade maior para o elétron 2í (ver o
pequeno máximo para o elétron 2í na Figura 7.27). Por esta razão, o orbital 2í
diz-se mais “penetrante” do que o orbital 2p. Por conseguinte, um elétron 2í é
menos bfindado pelos elétrons l í e mais fortemente atraído pelo núcleo. De fato,
para o mesmo número quântico principal n, o poder penetrante diminui à medida
que aumenta o número quântico de momento angular €, ou
s > p > d > f > • • •
Como a estabilidade de um elétron é determinada pela força com que o núcleo o
atrai, então um elétron 2s terá menor energia do que um elétron 2p. Dito de outra
Capítulo? ♦ Teoria quântica e estrutura eletrônica dos átomos 307
maneira, menos energia é requerida para remover um elétron 2p do que um elétron
2s porque um elétron 2p não está tão fortemente preso ao núcleo. O átomo de hi
drogênio tem apenas um elétron e, portanto, não apresenta o efeito de blindagem.
Continuando a nossa discussão dos átomos dos primeiros 10 elementos,
vamos para o próximo, o berílio (Z = 4). A configuração eletrônica do estado
fundamental do berílio é Is^s^ ou
Be
2/
O berílio é diamagnético, conforme esperado.
A configuração eletrônica do boro (Z = 5) é ls^2s^2p^ ou
B
Is^ 2/
T|
2p '
Note que o elétron desemparelhado pode estar no orbital 2p^, 2py ou 2p .̂ A es
colha é completamente arbitrária porque os três orbitais p são equivalentes em
energia. Como o diagrama mostra, o boro é paramagnético.
Regra de Hund
A configuração eletrônica do carbono (Z = 6) é Is^ls^p^. As representações
seguintes mostram as diferentes maneiras de distribuir dois elétrons entre três
orbitais p:
t i t i t T
^Px 2Pv 2pj
(a)
2 p x 2 p y 2 p ^
(b)
2 p x 2 p y 2 p ^
(c)
Nenhum dos três arranjos viola o princípio de exclusão de Pauli, de modo que
temos de determinar qual deles dará a maior estabihdade. A resposta é dada pela
regra de Hund^^, que estabelece que o arranjo mais estável dos elétrons em
subcamadas é aquele que contém o maior número de spins paralelos. O arranjo
apresentado em (c) satisfaz esta condição. Tanto em (a) como em (b) os dois
spins anulam-se mutuamente. Assim, o diagrama de orbitais do carbono é
c t i t i t t
Is^ 2ŝ 2p^
Podemos perceber quahtativamente por que (c) é preferível a (a). Em (a),
os dois elétrons estão no mesmo orbital 2p^, e a sua proximidade resulta em uma
maior repulsão mútua do que quando eles ocupam dois orbitais diferentes, por
exemplo, 2p^ e 2py. A escolha de (c) em vez de (b) é mais sutil, mas pode ser
justificada teoricamente. O fato de os átomos de carbono terem dois elétrons
desemparelhados está de acordo com a regra de Hund.
A configuração eletrônica do nitrogênio (Z = 7) é ls^2s^2p^\
2/ 2p^
N t i t i t t t
Novamente, a regra de Hund impõe que todos os elétrons 2p tenham spins
paralelos entre si; o átomo de nitrogênio contém três elétrons desemparelhados.
"̂̂ Frederick Hund (1896-1997). Físico alemão. O seu trabalho centrou-se principalmente na mecâni
ca quântica. Ajudou também a desenvolver a teoria dos orbitais moleculares das ligações químicas.