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Sumário
 
1. Agradecimentos
2. Apresentação
3. Prefácio
4. Tabela de siglas
5. Introdução ao Evangelho segundo Lucas
6. Lucas 1:79
7. Lucas 2:5
8. Lucas 2:8-11
9. Lucas 2:14
10. Lucas 2:29 a 30
11. Lucas 2:32
12. Lucas 2:49
13. Lucas 3:13
14. Lucas 3:14
15. Lucas 3:17
16. Lucas 4:16
17. Lucas 4:21
18. Lucas 5:4
19. Lucas 5:31
20. Lucas 6:19
21. Lucas 6:21
22. Lucas 6:22
23. Lucas 6:26
24. Lucas 6:27
25. Lucas 6:30
26. Lucas 6:31
27. Lucas 6:32
28. Lucas 6:35
29. Lucas 6:36
30. Lucas 6:37
31. Lucas 6:38
32. Lucas 6:44
33. Lucas 6:45
34. Lucas 6:46
35. Lucas 7:22
36. Lucas 8:13
37. Lucas 8:17 a 18
38. Lucas 8:25
39. Lucas 8:28
40. Lucas 8:30
41. Lucas 8:45
42. Lucas 8:48
43. Lucas 9:20
44. Lucas 9:23
45. Lucas 9:25
46. Lucas 9:26
47. Lucas 9:28
48. Lucas 9:30
49. Lucas 9:35
50. Lucas 9:44
51. Lucas 9:53
52. Lucas 9:60
53. Lucas 9:62
54. Lucas 10:3
55. Lucas 10:5
56. Lucas 10:6
57. Lucas 10:9
58. Lucas 10:20
59. Lucas 10:26
60. Lucas 10:27
61. Lucas 10:28
62. Lucas 10:29
63. Lucas 10:30
64. Lucas 10:33
65. Lucas 10:37
66. Lucas 10:42
67. Lucas 11:1
68. Lucas 11:3
69. Lucas 11:9
70. Lucas 11:10
71. Lucas 11:11
72. Lucas 11:13
73. Lucas 11:23
74. Lucas 11:28
75. Lucas 11:35
76. Lucas 11:41
77. Lucas 11:49
78. Lucas 12:1
79. Lucas 12:8
80. Lucas 12:15
81. Lucas 12:20
82. Lucas 12:21
83. Lucas 12:26
84. Lucas 12:34
85. Lucas 12:48
86. Lucas 12:49
87. Lucas 13:24
88. Lucas 13:26
89. Lucas 13:33
90. Lucas 14:10
91. Lucas 14:11
92. Lucas 14:12
93. Lucas 14:13
94. Lucas 14:18
95. Lucas 14:21
96. Lucas 14:27
97. Lucas 14:28
98. Lucas 14:33
99. Lucas 14:35
100. Lucas 15:12
101. Lucas 15:17
102. Lucas 15:18
103. Lucas 15:20
104. Lucas 15:29
105. Lucas 16:2
106. Lucas 16:9
107. Lucas 16:12
108. Lucas 16:13
109. Lucas 16:19
110. Lucas 16:25
111. Lucas 16:29
112. Lucas 17:5
113. Lucas 17:10
114. Lucas 17:20
115. Lucas 17:21
116. Lucas 17:23
117. Lucas 17:31
118. Lucas 18:1
119. Lucas 18:16
120. Lucas 18:20
121. Lucas 18:41
122. Lucas 18:43
123. Lucas 19:13
124. Lucas 19:42
125. Lucas 19:48
126. Lucas 21:9
127. Lucas 21:13
128. Lucas 21:19
129. Lucas 21:34
130. Lucas 22:12
131. Lucas 22:26
132. Lucas 22:27
133. Lucas 22:32
134. Lucas 22:42
135. Lucas 22:46
136. Lucas 23:25
137. Lucas 23:26
138. Lucas 23:31
139. Lucas 23:34
140. Lucas 23:43
141. Lucas 23:49
142. Lucas 24:11
143. Lucas 24:16
144. Lucas 24:35
145. Lucas 24:38
146. Lucas 24:45
147. Lucas 24:48
148. Tabelas de correspondências de versículos
149. Relação de comentários por ordem alfabética
150. Índice geral
Agradecimentos
Ao chegarmos ao terceiro volume da coleção, é preciso
reconhecer que grandes e pequenas contribuições se somaram
neste que é o resultado de muitas mãos e corações. Por isso
queremos deixar grafados aqui nossos agradecimentos.
Em primeiro lugar queremos registrar nossa gratidão à
Federação Espírita Brasileira, particularmente à diretoria da
instituição, pelo apoio e incentivo com que nos acolheram; às
pessoas responsáveis pela biblioteca e arquivos, que literalmente
abriram todas as portas para que tivéssemos acesso aos originais
de livros, revistas e materiais de pesquisa, e à equipe de
editoração pelo carinho, zelo e competência demonstrados
durante o projeto.
Aos nossos companheiros e companheiras da Federação
Espírita do Distrito Federal, que nos ofereceram o ambiente
propício ao desenvolvimento do estudo e reflexão sobre o Novo
Testamento à luz da Doutrina Espírita. Muito do que consta nas
introduções aos livros e identificação dos comentários tiveram
origem nas reuniões de estudo ali realizadas.
Aos nossos familiares, que souberam compreender-nos as
ausências constantes, em especial ao João Vitor, 9 anos, e Ana
Clara, 11 anos, que por mais de uma vez tiveram que acompanhar
intermináveis reuniões de pesquisa, compilação e conferência de
textos. Muito do nosso esforço teve origem no desejo sincero de
que os ensinos aqui compilados representem uma oportunidade
para que nos mantenhamos cada vez mais unidos em torno do
Evangelho.
A Francisco Cândido Xavier, pela vida de abnegação e
doação que serviu de estrada luminosa através da qual foram
vertidas do alto milhares de páginas de esclarecimento e conforto
que permanecerão como luzes eternas a apontar-nos o caminho da
redenção.
A Emmanuel, cujas palavras e ensinos representam o
contributo de uma alma profundamente comprometida com a
essência do Evangelho.
A Jesus, que, na qualidade de Mestre e Irmão Maior, soube
ajustar-se a nós, trazendo-nos o Seu sublime exemplo de vida e
fazendo reverberar em nosso íntimo a sinfonia imortal do amor.
Que a semente plantada por esse excelso Semeador cresça e se
converta na árvore frondosa da fraternidade, sob cujos galhos
possa toda a humanidade se reunir um dia.
A Deus, inteligência suprema, causa primeira de todas as
coisas e Pai misericordioso e bom de todos nós.
Apresentação1
O Novo Testamento constitui uma resposta sublime de Deus
aos apelos aflitos das criaturas humanas.
Constituído por 27 livros, que são: os quatro evangelhos, um
registro dos Atos dos apóstolos, uma carta do apóstolo Paulo aos
romanos, duas aos coríntios, uma aos gálatas, uma aos efésios,
uma aos filipenses, uma aos colossenses, duas aos
tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma
aos hebreus, uma carta de Tiago, duas de Pedro, três de João, uma
de Judas e o Apocalipse, de João.
A obra, inspirada pelo Senhor Jesus, que vem atravessando
os dois primeiros milênios sob acirradas lutas históricas e
teológicas, pode ser considerada como um escrínio de gemas
preciosas que rutilam sempre quando observadas.
Negada a sua autenticidade por uns pesquisadores e
confirmada por outros, certamente que muitas apresentam-se com
lapidação muito especial defluente da época e das circunstâncias
em que foram grafadas em definitivo, consideradas algumas como
de natureza canônica e outras deuterocanônicas, são definidas
como alguns dos mais lindos e profundos livros que jamais foram
escritos. Entre esses, O evangelho de Lucas, portador de beleza
incomum, sem qualquer demérito para os demais.
Por diversas décadas, o nobre Espírito Emmanuel, através do
mediumato do abnegado discípulo de Jesus, Francisco Cândido
Xavier, analisou incontáveis e preciosos versículos que
constituem o Novo Testamento, dando-lhe a dimensão merecida e
o seu significado na atualidade para o comportamento correto de
todos aqueles que amam o Mestre ou o não conhecem,
sensibilizando os leitores que se permitiram penetrar pelas
luminosas considerações.
Sucederam-se centenas de estudos, de pesquisas preciosas e
profundas, culminando em livros que foram sendo publicados à
medida que eram concluídos.
Nos desdobramentos dos conteúdos de cada frase analisada,
são oferecidos lições psicológicas modernas e psicoterapias
extraordinárias, diretrizes de segurança para o comportamento
feliz, exames e soluções para as questões sociológicas,
econômicas, étnicas, referente aos homens e às mulheres, aos
grupos humanos e às Nações, ao desenvolvimento tecnológico e
científico, às conquistas gloriosas do conhecimento, tendo como
foco essencial e transcendente o amor conforme Jesus ensinara e
vivera.
Cada página reflete a claridade solar na escuridão do
entendimento humano, contribuindo para que o indivíduo não
mais retorne à caverna em sombras de onde veio.
Na condição de hermeneuta sábio, o nobre Mentor soube
retirar a ganga que envolve o diamante estelar da revelação
divina, apresentando-o em todo o seu esplendor e atualidade,
porque os ensinamentos de Jesus estão dirigidos a todas as épocas
da Humanidade.
Inegavelmente, é o mais precioso conjunto de estudos do
Evangelho de que se tem conhecimento através dos tempos,
atualizado pelas sublimes informações dos Guias da sociedade,
conforme a revelação espírita.
Dispondo dos originais que se encontram na Espiritualidade
superior, Emmanuel legou à posteridade este inimaginável
contributo de luz e de sabedoria.
Agora enfeixados em novos livros, para uma síntese final,
sob a denominação O evangelho por Emmanuel, podem ser
apresentados comoo melhor roteiro de segurança para os
viandantes terrestres que buscam a autoiluminação e a conquista
do reino dos céus a expandir-se do próprio coração.
Que as claridades miríficas destas páginas que se encontram
ao alcance de todos que as desejem ler, possam incendiar os
sentimentos com as chamas do amor e da caridade, iluminando o
pensamento para agir com discernimento e alegria na conquista
da plenitude!
Salvador (BA), 15 de agosto de 2013.
JOANNA DE ÂNGELIS
1 Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na Mansão do Caminho, em
Salvador, Bahia.
Prefácio
O Novo Testamento é a base de uma das maiores religiões de
nosso tempo. Ele traz a vida e os ensinos de Jesus da forma como
foram registrados por aqueles que, direta ou indiretamente,
tiveram contato com o Mestre de Nazaré e sua mensagem de
amor que reverbera pelos corredores da história.
Ao longo dos séculos, esses textos são estudados por
indivíduos e comunidades, com o propósito de melhor
compreender o seu conteúdo. Religiosos, cientistas, linguistas e
devotos, de variados credos, lançaram e lançam mão de suas
páginas, ressaltando aspectos diversos, que vão desde a história e
confiabilidade das informações nelas contidas, até padrões
desejáveis de conduta e crença.
Muitas foram as contribuições, que ao longo de quase dois
mil anos, surgiram para o entendimento do Novo Testamento.
Essa, que agora temos a alegria de entregar ao leitor amigo, é
mais uma delas, que merece especial consideração. Isso porque
representa o trabalho amoroso de dois benfeitores, que, durante
mais de 70 anos, se dedicaram ao trabalho iluminativo da senda
da criatura humana. Emmanuel e Francisco Cândido Xavier
foram responsáveis por uma monumental obra de inestimável
valor para nossos dias, particularmente no que se refere ao estudo
e interpretação da mensagem de Jesus.
Os comentários de Emmanuel sobre o Evangelho encontram-
se distribuídos em 138 livros e 441 artigos publicados ao longo de
39 anos nas revistas Reformador e Brasil Espírita. Por essa razão,
talvez poucos tenham a exata noção da amplitude desse trabalho
que totaliza 1.616 mensagens sobre mais de mil versículos. Todo
esse material foi agora compilado, reunido e organizado em uma
coleção, cujo terceiro volume é o que ora apresentamos ao
público.
Essa coletânea proporciona uma visão ampliada e nova do
que representa a contribuição de Emmanuel para o entendimento
e resgate do Novo Testamento. Em primeiro lugar, porque
possibilita uma abordagem diferente da que encontramos nos
livros e artigos, que trazem, em sua maioria, um versículo e um
comentário em cada capítulo. Neste trabalho, os comentários
foram agrupados pelos versículos a que se referem, possibilitando
o estudo e a reflexão sobre os diferentes aspectos abordados pelo
autor. Encontraremos, por exemplo, 22 comentários sobre
Mateus, 5:44; 11 comentários sobre João, 8:32 e 8 sobre Lucas,
17:21. Ao todo, 305 versículos receberam do autor mais de um
comentário. Relembrando antigo ditado judaico, “a Torá tem
setenta faces”, Emmanuel nos mostra que o Evangelho tem
muitas faces, que se aplicam às diversas situações da vida,
restando-nos a tarefa de exercitar a nossa capacidade de
apreensão e vivência das lições nele contidas. Em segundo lugar,
porque a ordem dos comentários obedece a sequência dos 27
textos que compõem o Novo Testamento. Isso possibilitará ao
leitor localizar mais facilmente os comentários sobre um
determinado versículo. O projeto gráfico foi idealizado também
com este fim.
A coleção é composta de sete volumes:
Volume 1 – Comentários ao Evangelho segundo Mateus.
Volume 2 – Comentários ao Evangelho segundo Marcos.
Volume 3 – Comentários ao Evangelho segundo Lucas.
Volume 4 – Comentários ao Evangelho segundo João.
Volume 5 – Comentários aos Atos dos Apóstolos.
Volume 6 – Comentários às Cartas de Paulo.
Volume 7 – Comentários às Cartas universais e Apocalipse.
Em cada volume foram incluídas introduções específicas, com
o objetivo de familiarizar o leitor com a natureza e características
dos escritos do Novo Testamento, acrescentando, sempre que
possível, a perspectiva espírita.
Metodologia
O conjunto das fontes pesquisadas envolveu toda a obra em
livros de Francisco Cândido Xavier, publicada durante a sua vida;
todas as revistas Reformador, de 1927 até 2002 e todas as edições
da revista Brasil Espírita. Dos 412 livros de Chico Xavier, foram
identificados 138 com comentários de Emmanuel sobre o Novo
Testamento.
A equipe organizadora optou por atualizar os versículos
comentados de acordo com as traduções mais recentes. Isso se
justifica porque, a partir da década de 60, os progressos, na área
da crítica textual, possibilitaram um avanço significativo no
estabelecimento de um texto grego do Novo Testamento, que
estivesse o mais próximo possível do original. Esses avanços
deram origem anovas traduções, como a Bíblia de Jerusalém,
bem como correções e atualizações de outras já existentes, como
a João Ferreira de Almeida. Todo esse esforço tem por objetivo
resgatar o sentido original dos textos bíblicos. Os comentários de
Emmanuel apontam na mesma direção, razão pela qual essa
atualização foi considerada adequada. Nas poucas ocorrências em
que essa opção pode suscitar questões mais complexas, as notas
auxiliarão o entendimento. A tradução utilizada para os
Evangelhos e Atos foi a de Haroldo Dutra Dias.
Foram incluídos todos os comentários que indicavam os
versículos de maneira destacada ou que faziam referencia a eles
no título ou no corpo da mensagem.
Nos casos em que o mesmo versículo aparece em mais de
uma parte do Novo Testamento e que o comentário não deixa
explícito a qual delas ele se refere, optou-se por uma, evitando a
repetição desnecessária do comentário em mais de uma parte do
trabalho. A Tabela de correspondência de versículos traz a relação
desses comentários, indicando a escolha feita pela equipe e as
outras possíveis.
Os textos transcritos tiveram como fonte primária os livros e
artigos publicados pela FEB. Nos casos em que um mesmo texto
foi publicado em outros livros, a referência desses está indicada
em nota.
A história do projeto O Evangelho por Emmanuel
Esse trabalho teve duas fases distintas. A primeira iniciou
em 2010, quando surgiu a ideia de estudarmos o Novo
Testamento nas reuniões do culto no lar. Com o propósito de
facilitar a localização dos comentários de Emmanuel, foi
elaborada uma primeira relação ainda parcial. Ao longo do tempo,
essa relação foi ampliada e compartilhada com amigos e
trabalhadores do movimento espírita.
No dia 2 de março de 2013, iniciou-se a segunda e mais
importante fase. Terezinha de Jesus, que já conhecia a relação
através de palestras e estudos que desenvolvemos no Grupo
Espírita Operários da Espiritualidade, comentou com o então e
atual vice-presidente da FEB, Geraldo Campetti Sobrinho, que
havia um trabalho sobre os comentários de Emmanuel que
merecia ser conhecido. Geraldo nos procurou e marcamos uma
reunião para o dia seguinte, na sede da FEB, às nove horas da
manhã. Nessa reunião, o que era apenas uma relação de 29
páginas tornou-se um projeto de resgate, compilação e
organização do que é um dos maiores acervos de comentários
sobre o Evangelho. A realização dessa empreitada seria
impensável para uma só pessoa, por isso uma equipe foi reunida e
um intenso cronograma de atividades foi elaborado. As reuniões
para acompanhamento, definições de padrões, escolhas de
metodologias e análise de situações ocorreram praticamente todas
as semanas desde o início do projeto até a sua conclusão.
O que surgiu inicialmente em uma reunião familiar composta
por algumas pessoas em torno do Evangelho, hoje está colocado à
disposição do grande público, com o desejo sincero de que a
imensa família humana se congregue cada vez mais em torno
desse que é e será o farol imortal a iluminar o caminho de nossas
vidas. Relembrando o Mestre inesquecível em sua confortadora
promessa: “Pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome,
aí estou no meio deles” (MT 17:20).
Brasília(DF), 15 de agosto de 2013
SAULO CESAR RIBEIRO DA SILVA
 Coordenador
Tabela de siglas
MT Mateus
LC Lucas
MC Marcos
JO João
LV Levítico
ss e versículos seguintes
Introdução ao Evangelho segundo Lucas
Lucas é o terceiro evangelho e o último dos chamados
sinóticos. É também o mais extenso texto do Novo Testamento,
com 1.151 versículos, o que se explica, dentre outros fatores, pelo
estilo e primor de suas narrativas. Se a mensagem do Cristo é um
poema imortal, a sensibilidade de Lucas registra-o em sua mais
formosa expressão. Mesmo quando toma de empréstimo
narrativas presentes em Marcos ou Mateus, não raro, as enfeixa
numa forma literária mais elaborada e detalhada. Comparemos,
por exemplo, o episódio do chamado de Simão Pedro registrado
por Mateus (MT 4:18 a 20) e Marcos (MC 1:16 a 18) com o
relato mais extenso presente em Lucas (LC 5:1 a 11). Aliado a
isso, como muitos já puderam constatar, o grego de Lucas é
cuidadoso, trabalhado e elegante.
O autor
Embora haja um “eu” (LC 1:3) que pleiteie a autoria desse
evangelho, o nome do autor não é mencionado em nenhum lugar.
A tradição conferiu, desde o início e sem qualquer contestação, a
autoria a Lucas, companheiro de viagem de Paulo de Tarso.
Assumindo isso como verdade e também a unidade dessa autoria,
estamos diante de um dos mais importantes autores do Novo
Testamento. Isto porque se tomarmos os dois escritos atribuídos a
Lucas em conjunto (o Evangelho de Lucas e Atos dos apóstolos)
temos 27% de todo o Novo Testamento. Em tamanho, a
contribuição de Lucas só perde para a de Paulo, com 29% dos
versículos do NT.2
Além de sua importância, a leitura cuidadosa do terceiro
evangelho nos permite entrever outras características desse autor.
Em primeiro lugar, é alguém de boa educação, possui
conhecimento escolar superior e está familiarizado com as regras
da exegese judaica. É, sem dúvida, um judeu que conhece as
práticas da sinagoga, embora provavelmente não um judeu da
Palestina, isso porque as suas citações do Velho Testamento se
baseiam em um conhecimento notável da Septuaginta,3 a versão
grega da Bíblia Hebraica, o que não seria de se esperar de alguém
que tivesse sido criado na Palestina. Se Lucas era um pagão
convertido ao Judaísmo e, posteriormente, ao Cristianismo, ou se
era nascido nas comunidades judaicas fora da Palestina e
convertido ao Cristianismo, permanece ainda uma questão não
consensuada.
Muitos têm afirmado que Lucas era médico, atribuindo essa
afirmação às descrições de doenças que ele faz com riquezas de
detalhes (ver LC 4:38; 5:12; 8:43; 13:11 e AT 28:9ss). O cânon de
Muratori4 também registra a profissão de Lucas como sendo a de
médico. Contudo, não é possível inferir desses versículos, e da
vaga citação no cânon de Muratori, o quão profundos eram esses
conhecimentos. Todavia, se a questão sobre o domínio da
medicina para o corpo é imprecisa, o mesmo não se aplica à
medicina para as almas doentes, cujos medicamentos estão tão
bem prescrito nas narrativas desse evangelho que fazem ecoar o
ditado lembrado por Jesus: “os sãos não precisam de médicos, e
sim os doentes” (LC 5:31).
O autor também deixa transparecer sua veia de historiador. A
narrativa é a mais encadeada do ponto de vista temporal e,
nitidamente, há a intenção de retratar a história de Jesus e dos
seus seguidores no Cristianismo nascente. Há, portanto, um
sentido de tempo no qual se processa uma história da salvação
que segue um fluxo incessante, iniciado no Gênesis com a figura
simbólica de Adão5 e encontra no Cristo o seu ponto culminante,
mas que não se encerra aí, pois continua através dos exemplos
que suscita em seus seguidores, demonstrando que essa história
prossegue aguardado que cada um a escreva no livro da vida com
as tintas da experiência e a pena do esforço próprio.
Características distintivas
Entre os evangelhos sinóticos, o de Lucas é o que possuiu a
maior quantidade de material exclusivo. Esse material é tão
extenso que é possível agrupá-lo em cinco tipos: parábolas,
ensinos e fatos da vida de Jesus, narrativas da infância, encontros
com pessoas e curas. São de particular interesse as narrativas da
infância porque Lucas é um dos dois únicos Evangelhos
canônicos que contêm informações sobre a infância de Jesus.
Entretanto, enquanto a narrativa de Mateus possui nitidamente a
intenção de relembrar a história do povo hebreu em alguns
eventos transpostos para a vida do Messias, as passagens
encontradas em Lucas possuem um cunho muito mais pessoal
desse período.
Elencamos a seguir exemplos de cada um desses tipos que
são encontrados somente em Lucas:
Parábolas exclusivas de Lucas
– Parábola do Bom Samaritano (LC 10:30 a 37).
– Parábola do Rico Agricultor (12:16 a 21).
– Parábola da Figueira Estéril (LC 13:6 a 9).
– Parábola da Grande Ceia (LC 14:15 a 24).
– Parábola da Moeda Perdida (LC 15:8 a 10).
– Parábola dos Dois Filhos ou do Filho Pródigo6 (LC 15:11 a
32).
– Parábola do Administrador Infiel (LC 16:1 a 10).
– Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva (LC 18:1 a 8).
– Parábola do Fariseu e do Publicano (LC 18:9 a 14).
– Lázaro e o Homem Rico (LC 16:19 a 31).7
Ensinos e fatos da vida de Jesus
– “A quem muito foi dado, muito será exigido” (LC 12:48).
– Os quatro ais (LC 6:24 a 26).
– Bem aventuranças de Jesus aos discípulos (LC 10:23 e 24).
– Quem pode se dizer feliz (LC 11:27 e 28).
– Três das sete palavras proferidas na cruz (LC 23:34;43 e
46).
– A ascensão de Jesus (LC 24:51 a 53).
Curas
– Ressurreição do jovem de Naim (LC 7:11 a 17).
– Cura da mulher encurvada no sábado (LC 13:10 a 17).
– Cura de um hidrópico no sábado (LC 14:1 a 6).
– Cura dos dez leprosos (LC 17:12 a 19).
– Cura da orelha do servo cortada (LC 22:49 a 51).
Encontros de Jesus com pessoas
– Jesus na pescaria com Pedro (LC 5:3 a 10).
– Jesus e os 70 da Galileia (LC 10:1 a 12).
– Jesus na casa de Zaqueu (LC 19:1 a 10).
– Jesus na presença de Herodes (LC 23:7 a 12).
– Jesus com os dois discípulos na estrada para Emaús (LC
24:13 a 35).
– Jesus com Marta e Maria (LC 10:38 a 42).
Narrativas da infância
– Nascimento de João Batista (LC 1:5 a 25; 57 a 80).
– O anúncio feito pelo anjo a Maria sobre o nascimento de
Jesus (LC 1:26 a 38).
– A visita de Maria a Isabel (LC 1:39 a 45).
– A viagem de José, Maria grávida da Galileia para Belém
por ocasião do censo (LC 2:1 a 6).
– O nascimento na estrebaria (LC 2:7).
– A visita dos pastores (LC 2:15 a 20).
– A circuncisão de Jesus e sua apresentação no templo de
Jerusalém (LC 2:21 a 40).
– Jesus aos 12 anos no templo de Jerusalém perante os
doutores (LC 2:41 a 51).
Esse extenso material permite formular duas hipóteses não
excludentes. A primeira é que o texto pressupõe um autor que
empreendeu esforço significativo na pesquisa dos fatos da vida e
dos ensinos de Jesus. A segunda é que esse autor se valeu de
informações reunidas por outros.
Emmanuel, no livro Paulo e Estêvão, indica que essas duas
possibilidades de fato se concretizaram na redação desse
Evangelho. Nesta obra, narrando o período de dois anos em que
Paulo permanece preso em Cesareia, ele registra as seguintes
informações: “A esse tempo, o ex-doutor de Jerusalém chamou a
atenção de Lucas para o velho projeto de escrever uma biografia
de Jesus, valendo-se das informações de Maria; lamentou não
poder ir a Éfeso, incumbindo-o desse trabalho, que reputava de
capital importância para os adeptos do Cristianismo. O médico
amigo satisfez-lhe integralmente o desejo, legando à posteridade
o precioso relato da vida do Mestre, rico de luzes e esperanças
divinas.”8 Talvez por, essa razão, as narrativas da infância,
presentes no Evangelho de Lucas, possuam uma característica
peculiar.
Segundo Emmanuel, o projeto de escrever um Evangelho
consoante com as recordações de Maria era inicialmente de Paulo
de Tarso e tinha tal importância para ele que o apóstolo dos
gentios chegara a externalizar essa intenção para João
Evangelista, em Éfeso. Não logrando, contudo, tempo e
condições de empreendê-lo, ele repassa essa tarefa para Lucas.
Após a conclusão desses registros, Paulo sugere queLucas
também faça um relato dos fatos a partir do Pentecostes, o que
daria origem aos Atos dos apóstolos. Trataremos desses fatos no
Volume 5 desta coleção, que trará os comentários aos Atos dos
apóstolos.
Recolhendo as flores do Evangelho, que cresceram no solo
dos corações daqueles que viveram e conviveram com o Mestre e
suas lições, Lucas soube legar à posteridade esse eterno poema de
luzes e consolações, cujas páginas trazem as sutis vibrações da
ação transformadora do Evangelho e da presença do Cristo em
nossas vidas.
2 Se considerarmos que a crítica atual questiona a autoria de muitas cartas de Paulo, o que não
ocorre em relação à autoria de Lucas, estamos diante do autor com a maior contribuição em
termos de quantidade para o Novo Testamento.
3 Tradução para o grego do texto em hebraico do Antigo Testamento. Tecnicamente a tradução
envolve um conjunto de textos que não estão Bíblia Hebraica, razão pela qual as bíblias
protestantes (que excluem esses textos adicionais) diferem das bíblias católicas, que os
aceitam.
4 O cânon de Muratori é o mais antigo registro que contém uma relação dos textos que
deveriam ser admitidos pelos cristãos. É comumente datado por volta do ano 170.
5 É digno de nota que ao contrário de Mateus, que registra a genealogia de Jesus a partir de
Abraão, Lucas volta até Adão, filho de Deus (LC 3:19ss).
6 Embora essa parábola seja comumente conhecida com esse título, é importante destacar que
não existem títulos nos manuscritos gregos mais antigos. A tradição é que conferiu a cada
passagem os títulos que hoje são encontrados nas diversas traduções da Bíblia, nem sempre
coincidentes. Isso, contudo, reflete o estado do conhecimento e consenso de certos grupos em
certo tempo. À medida que avançam os estudos, novas luzes fazem ver as limitações desses
títulos. Na atualidade esta parábola tem sido mais referenciada como “a parábola dos dois
filhos”, pois a presença do filho mais velho e de seu papel era ignorada, talvez pelo viés
estabelecido pelo título que se convencionou atribuir a essa passagem.
7 Embora não encontremos explicitamente a palavra parábola, indicando a natureza dessa
narrativa, aqui a incluímos visto que comumente ela é assim considerada.
8 Paulo e Estêvão, Segunda parte, cap. 7 – “O martírio em Jerusalém”.
COMENTÁRIOS AO EVANGELHO SEGUNDO LUCAS
Iluminando os que habitam na treva e na sombra da
morte, a fim de guiar nossos pés no caminho da paz.
Lucas 1:79
Substitutos
É razoável que o administrador distribua serviço e responda
pela mordomia que lhe foi confiada.
Detendo encargos da direção, o homem é obrigado a
movimentar grande número de pessoas.
Orientará os seus dirigidos, educará os subalternos, dar-lhes-
á incumbências que lhes apurem as qualidades no serviço.
Ainda assim, o dirigente não se exime das obrigações
fundamentais que lhe competem.
Se houve alguém que poderia mobilizar milhões de
substitutos para o testemunho na Crosta da Terra, esse alguém foi
Jesus.
Dispunha o Senhor de legiões de emissários esclarecidos,
mantinha incalculáveis reservas ao seu dispor. Poderia enviar ao
mundo iluminados filósofos para renovarem o entendimento das
criaturas, médicos sábios que curassem os cegos e os loucos,
condutores fiéis, dedicados a ensinar o caminho do bem.
Em verdade, desde os primórdios da organização humana
mobiliza o Senhor a multidão de seus cooperadores diretos, a
nosso favor, mesmo porque suas mãos divinas enfeixam o poder
administrativo da Terra, mas urge reconhecer que, no momento
julgado essencial para o lançamento do reino de Deus entre os
homens, veio, Ele mesmo, à nossa esfera de sombras e conflitos.
Não enviou substitutos ou representantes. Assumiu a
responsabilidade de seus ensinamentos e, sozinho, suportou a
incompreensão e a cruz.
Inspiremo-nos no Cristo e atendamos pessoalmente ao dever
que a vida nos confere.
Perante o supremo Senhor, todos temos serviço
intransferível.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 85)
A fim de registrar-se com Maria, sua esposa, que
estava grávida.
Lucas 2:5
Ordem e luz
Há muitas pessoas que, como os judeus antigos, se fazem
rigorosas quanto ao conceito de ocasião na prática do bem ou no
desenvolvimento do trabalho.
Os fariseus condenavam o Cristo por curar nos dias de
sábado, ao mesmo passo que, modernamente, muitos aprendizes
levam a extremismo suas concepções no capítulo do descanso
dominical ou da aplicação das suas possibilidades de serviço, nos
diversos setores das atividades quotidianas.
Naturalmente que ninguém deverá viver fora da ordem e
nada se conseguirá sem metodização, porém, no centro de toda
atividade coordenativa não deve existir condição convencional
para o exercício do bem, porque esta é a luz que resplandecerá em
todas as situações, ao lado de todos os deveres.
Nesse sentido, o Evangelho nos oferece uma lição salutar.
José e Maria dirigindo-se a Belém obedecem à ordenação
política de César, mas Jesus vindo ao seu encontro, nas palhas da
Manjedoura, fora do ambiente doméstico, mostra que a Claridade
divina pode bafejar os trabalhos da criatura em qualquer parte.
O casal de Nazaré não apresenta desculpas a fim de evitar a
obrigação devida à ordem, Jesus não apresenta condições
especializadas para se oferecer às criaturas.
Daí inferimos que não se deve viver sem ordem em parte
alguma, observando-se, porém, que esta nunca poderá excluir o
bem, porque, antes de tudo, quando respeitada, é o justo caminho,
por onde a Luz se manifesta.
(Sentinelas da luz. Ed. Cultura Espírita União. Cap. “Ordem e luz”)
Na mesma região havia pastores que pernoitavam no
campo e realizavam a vigília noturna do seu rebanho.
E se aproximou um anjo do Senhor, a glória do
Senhor iluminou ao redor deles, e encheram-se de
grande temor. Disse-lhes, porém, o anjo: não tenhais
medo! Eis que vos trago boas-novas de grande
alegria, que será de todo o povo, porque nasceu para
vós, hoje, um salvador, que é o Cristo Senhor, na
cidade de Davi.
Lucas 2:8-11
Oferta de Natal
Senhor!
Enquanto as melodias do Natal nos enternecem, recordamos
também, ante o céu iluminado, a estrela divina que te assinalou o
berço na palha singela!...
De novo, alcançam-nos os ouvidos as vozes angélicas:
— Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para
com os homens!...
E lembramo-nos do tópico inesquecível da narrativa de
Lucas:
“Havia na região da manjedoura pastores que viviam nos
campos e velavam pelos rebanhos durante a noite; e um anjo do
Senhor desceu onde eles se achavam e a glória do Senhor brilhou
ao redor deles, pelo que se fizeram tomados de assombro... O
anjo, porém, lhes disse: ‘Não temais! eis que vos trago boas novas
de grande alegria, que serão para todo o povo... É que hoje vos
nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é o Cristo, o Senhor’”.
Desde o momento em que os pastores maravilhados se
movimentaram para ver-te, na hora da alva, começaste, por
misericórdia tua, a receber os testemunhos de afeição dos filhos
da Terra.
Todavia, muito antes que te homenageassem com o ouro, o
incenso e a mirra, expressando a admiração e a reverência do
mundo, o teu cetro invisível se dignou acolher, em primeiro lugar,
as pequeninas dádivas dos últimos!
Só tu sabes, Senhor, os nomes daqueles que algo te
ofertaram, em nome do amor puro, nos instantes da estrebaria:
A primeira frase de bênção...
A luz da candeia que principiou a brilhar quando se
apagaram as irradiações do firmamento...
Os panos que te livraram do frio...
A manta humilde que te garantiu o leito improvisado...
Os primeiros braços que te enlaçaram ao colo para que José
e Maria repousassem...
A primeira tigela de leite...
O socorro aos pais cansados...
Os utensílios de empréstimo para que te não faltasse
assistência...
A bondade que manteve a ordem, ao redor a manjedoura,
preservando-a de possíveis assaltos...
O feno para o animal que devia transportar-te...
Hoje, Senhor, que quase vinte séculos transcorreram sobre o
teu nascimento, nós, os pequeninos obreiros desencarnados, com
a honra de cooperar em teu Evangelhoredivivo, pedimos vênia
para algo ofertar-te... Nada possuindo de nós, trazemos-te as
páginas simples que Tu mesmo nos inspiraste, os pensamentos de
gratidão e de amor que nos saíram do coração, em forma de
letras, em louvor de tua infinita bondade!
Recebe-os, ó divino Benfeitor!, com a benevolência com que
acolheste as primeiras palavras de respeito e os primeiros gestos
de carinho com que as criaturas rudes e anônimas te afagaram na
gloriosa descida à Terra!... E que nós — espíritos milenares
fatigados do erro, mas renovados na esperança – possamos rever-
te a figura sublime, nos recessos do coração, e repetir, como o
velho Simeão, após acariciar-te na longa vigília do Templo:
— Agora, Senhor, despede em paz os teus servos, segundo a
tua palavra, porque os nossos olhos viram a salvação!...
(Antologia mediúnica do Natal. FEB Editora. Prefácio)
O anúncio divino
A palavra do anjo aos pastores continua vibrando sobre o
mundo, embora as sombras densas que envolvem as atividades
dos homens.
Como aconteceu, há dois mil anos, a Espiritualidade anuncia
que nasceu o Salvador.
Onde se encontram os que desejam a luminosa notícia?
Nas cidades e nos campos, há multidões atormentadas,
corações inquietos, almas indecisas.
Muita gente pergunta pela Justiça do Céu.
Longas fileiras de criaturas procuram os templos da fé,
incapazes, porém, de ouvir o anúncio divino.
A família cristã, em grande parte, experimenta a incerteza
dos mais fracos.
Muitos discípulos cuidam somente de política, outros apenas
de intelectualismo ou de expressões sectárias.
Entretanto, sem que o Cristo haja nascido na “terra do
coração”, a política pode perverter, a filosofia pode arruinar, a
seita é suscetível de destruir pelo veneno da separatividade.
A paisagem humana sempre exibiu os quadros escuros do
ódio e da desolação.
No longo caminho evolutivo, como sempre, há doentes,
criminosos, ignorantes, desalentados, esperando a divina
Influência do Mestre.
Muitos já ouviram ou pregaram as mensagens do Evangelho,
mas, não desocuparam o coração para que Jesus os visite.
Não renunciam às cargas pesadas de que são portadores e,
cedo ou tarde, dão a prova de que, nos serviços da fé, não
passaram de ouvintes ou transmissores.
No íntimo, não obstante a condição de necessitados,
guardam, ciosamente, o material primitivista do “homem velho”.
Esquecem-se de que Jesus é o Amigo renovador, o Mestre
que transforma.
Os séculos transcorrem. As exigências de cada homem
sucedem-se no caminho terrestre.
E a Espiritualidade continua convidando as criaturas para as
esferas mais altas.
Bendito, assim, todo aquele que puder ouvir a voz do anjo
que ainda se dirige aos simples de coração, sentindo entre as lutas
terrestres, que o Cristo nasceu hoje no país de sua alma.
(Mentores e seareiros. Ed. IDEAL. Cap. “O anúncio divino”)
Saudando o Natal
Ninguém se mostrou, até hoje, na Terra, sob tamanhos
contrastes.
Jesus Cristo!...
Senhor e servo.
Zênite da luz espiritual a ocultar-se nas sombras da meia-
noite.
Exaltação e humildade.
Emissário de Deus, em socorro dos homens, não teme
acolher-se ao reduto dos animais para desvincular-se de todos os
preconceitos dos homens, a fim de abraçá-los e servi-los, sem
distinção, por irmãos genuínos e, tanto quanto Ele próprio, filhos
de Deus.
Desde então, astro consciente, desce das estrelas para
estancar o sofrimento de mansardas escuras, e faz-se o viajor de
rincões singelos, acendendo clarões inextinguíveis na marcha dos
povos!...
Embaixador da Misericórdia divina, sob o impacto da
miséria humana, sol da vida, dissipando as trevas da morte!...
Severidade de juiz, à frente do mal, brandura materna ante
aqueles que o mal encarcera por vítimas...
Jesus Cristo!... o Salvador que não salvou a si mesmo, a fim
de realmente salvar!... No quadro de todos os triunfadores do
mundo, é ele o supremo vencedor, porque deu a si mesmo pelo
bem de todos, amando e servindo até à morte e além da morte!
Por isso mesmo, de Natal a Natal, perante todas as lutas e
conflitos da humanidade, repleta-se o mundo de esperança,
ouvindo, de novo, o cântico inesquecível das milícias celestiais:
— Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, boa vontade para
com os homens!...
(Reformador, dez. 1968, p. 267)
Glória a Deus nas alturas, paz sobre a terra, boa
vontade para com os homens.
Lucas 2:14
Mensagem do Natal9
O cântico das legiões angélicas, na noite divina, expressa o
programa do Pai acerca do apostolado que se reservaria ao Mestre
nascente.
O louvor celeste sintetiza, em três enunciados pequeninos, a
plataforma do Cristianismo inteiro.
Glória a Deus nas Alturas, significando o imperativo de
nossa consagração ao Senhor supremo, de todo o coração e de
toda a alma.
Paz na Terra, traduzindo a fraternidade que nos compete
incentivar, no plano de cada dia, com todas as criaturas.
Boa vontade para com os homens, definindo as nossas
obrigações de serviço espontâneo, uns à frente dos outros, no
grande roteiro da humanidade.
O Natal exprime renovação da alma e do mundo, nas bases
do Amor, da Solidariedade e do Trabalho.
Dantes, os que se anunciavam, em nome de Deus, exibiam a
púrpura dos triunfadores sobre o acervo de cadáveres e despojos
dos vencidos.
Com o Enviado celeste, que surge na manjedoura, temos o
divino Vencedor arrebanhando os fracos e os sofredores, os
pobres e os humildes para a revelação do Bem universal.
Dantes, exércitos e armadilhas, flagelos e punhais, chuvas de
lodo e lama para a conquista sanguinolenta.
Agora, porém, é um coração armado de amor, aberto à
compreensão de todas as dores, ao encontro das almas.
Não amaldiçoa.
Não condena.
Não fere.
Fortalece as boas obras.
Ensina e passa.
Auxilia e segue adiante.
Consola os aflitos, sem esquecer-se de consagrar o júbilo
esponsalício de Caná.
Reconforta-se com os discípulos no jardim doméstico;
todavia, não desampara a multidão na praça pública.
Exalta as virtudes femininas no lar de Pedro; contudo, não
menospreza a Madalena transviada.
Partilha o pão singelo dos pescadores, mas não menoscaba o
banquete dos publicanos.
Cura Bartimeu, o cego esquecido; entretanto, não olvida
Zaqueu, o rico enganado.
Estima a nobreza dos amigos; contudo, não desdenha a cruz
entre os ladrões.
O Cristo na manjedoura representava o Pai na Terra.
O cristão no mundo é o Cristo dentro da vida.
Natal! Gloria a Deus! Paz na Terra! Boa vontade para com
os Homens!
Se já podes ouvir a mensagem da Noite inesquecível,
recorda que a boa vontade para com todas as criaturas é o nosso
dever de sempre.
(Antologia mediúnica do Natal. FEB Editora. Cap. 2)
Natal10
As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o
grande Renovador, não apresentaram qualquer palavra de
violência.
Glória a Deus no universo divino.
Paz na Terra.
Boa vontade para com os homens.
O Pai supremo, legando a nova era de segurança e
tranquilidade ao mundo, não declarava o Embaixador celeste
investido de poderes para ferir ou destruir.
Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro divino, pelas mãos de Jesus, para o
serviço da boa vontade.
A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente”
encontrara, enfim, o amor disposto à sublime renúncia até a cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na
estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se
renovaria.
O algoz seria digno de piedade.
O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.
O criminoso passaria à condição de doente.
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos
circos. Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados
pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais
seriam relegados ao abandono nos vales de imundície.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade
e, revelando-a, transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro
sanguinolento.
Irmão,que ouves no Natal os ecos suaves do cântico
milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que
nos amemos uns aos outros.
Natal! Boa-Nova! Boa vontade!...
Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver
realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 180)
Prece do Natal
Senhor Jesus!...
Recordando-te a vinda, quando te exaltaste na manjedoura
por luz nas trevas, vimos pedir-te a bênção.
Releva-nos se muitos de nós trazemos saudade e cansaço,
assombro e aflição, quando nos envolves em torrentes de alegria.
Sabes, Senhor, que temos escalado culminâncias...
Possuímos cultura e riqueza, tesouros e palácios, máquinas que
estudam as constelações, e engenhos que voam no Espaço!
Falamos de ti — de ti que volveste dos continentes celestes, em
socorro dos que choram na poeira do mundo, no tope dos altos
edifícios em que amontoamos reconforto, sem coragem de
estender os braços aos companheiros que recolhias no chão...
Destacamos a excelência de teus ensinos, agarrados ao
supérfluo, esquecidos de que não guardaste uma pedra em que
repousar a cabeça; e, ainda agora, quando te comemoramos o
natalício, louvamos-te o nome, em torno da mesa farta, trancando
inconscientemente as portas do coração aos que se arrastam na
rua!
Nunca tivemos, como agora, tanta abastança e tanta penúria,
tanta inteligência e tanta discórdia! Tanto contraste doloroso,
Mestre, tão só por olvidarmos que ninguém é feliz sem a
felicidade dos outros... Desprezamos a sinceridade e caímos na
ilusão, estamos ricos de ciência e pobres de amor. É por isso que,
em te lembrando a humildade, nós te rogamos para que nos
perdoes e ames ainda... Se algo te podemos suplicar além disso,
desculpa o nada que te ofertamos, em troca do tudo que nos dás, e
faze-nos mais simples!...
Enquanto o Natal se renova, restaurando-nos a esperança,
derrama o bálsamo de tua bondade sobre as nossas preces, e
deixa, Senhor, que venhamos a ouvir de novo, entre as lágrimas
de júbilo que nos vertem da alma, a sublime canção com que os
Céus te glorificam o berço de palha, ao clarão das estrelas:
— Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para
com os homens!
(Antologia mediúnica do Natal. FEB Editora. Cap. 3)
Prece do Natal
Senhor!
Enquanto o júbilo do Natal acende a flama da oração,
renova-nos por dentro para o mundo melhor.
Há quem diga que a fé se perdeu nas engrenagens da
civilização, e que a ciência na Terra apagou a luz espiritual.
Em verdade, Mestre, o homem, que já controla as energias
atômicas, prepara-se à conquista das forças cósmicas, qual se
fosse comandante da vida.
Entretanto, à frente dos olhos, não temos somente o egoísmo
e a vaidade que lhe comprometem a grandeza, semelhante a
magnificente palácio sobre chão de explosivos...
Em toda parte, marginando a carruagem dos poderosos,
arrastam-se os vencidos de todas as condições. Muitos
enlouqueceram, no excesso de conforto, e vagueiam, nas furnas
do entorpecente; outros, terrificados na visão dos crimes
perfeitos, nascidos da pompa intelectual, jazem mutilados
mentalmente, nas trincheiras do hospício... Milhões erguem os
braços por antenas de dor, no imenso mar das provações
humanas, quais náufragos, nos esgares da morte, junto de
multidões agitadas e infelizes, cansadas de incerteza e desilusão...
Por tudo isso, Senhor, nós, que tantas vezes te negamos
acesso às portas da alma, esperamos por ti, nos campos
atormentados do coração.
Dobra-nos a orgulhosa cerviz, diante da manjedoura em que
exemplificas a abnegação e a simplicidade, e, perdoando, ainda,
as nossas fraquezas e as nossas mentiras, ensina-nos, de novo, a
humildade e o serviço, a concórdia e o perdão, com a melodia
sempre nova do teu cântico de esperança:
— Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade
para com os homens!...
(Reformador, dez. 1975, p. 297)
9 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Mensagem do Natal”, com pequenas
alterações.
10 Texto publicado em Antologia mediúnica do Natal. FEB Editora. Cap. 1. Segue-me!... Ed. O
Clarim. Cap. “Natal”, com pequenas alterações.
Agora, Soberano, despedes em paz teu servo, segundo
a tua palavra, porque os meus olhos viram a tua
salvação.
Lucas 2:29 a 30
No Natal
É inútil que se apresente Jesus como filósofo do mundo.
O Mestre não era um simples reformador.
Nem a sua vida constituiu um fato que só alcançaria
significação depois de seus feitos inesquecíveis, culminantes na
cruz.
Jesus Cristo era o esperado.
Pela sua vinda, numerosas gerações choraram e sofreram.
A chegada do Mestre foi a Bênção.
Os que desejavam caminhar para Deus alcançavam a Porta.
O Velho Testamento está cheio de esperanças no Messias.
O Evangelho de Lucas refere-se a um homem chamado
 Simeão, que vivia esperando a consolação de Israel. Homem justo
e inspirado pelas forças do Céu, vendo a divina Criança, no
Templo, tomou-a nos braços, louvou ao Altíssimo e exclamou:
“Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua
palavra.”
Havia surgido a consolação.
Ninguém estaria deserdado.
Deus repartira seu coração com os filhos da Terra.
É por isso que o Natal é a festa de lágrimas da alegria.
(Fonte de paz. Ed. IDE. Cap. 21)
Meditando o Natal
Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em
Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós.
Não desceria o Senhor da comunhão com os anjos, sem
positiva confiança nos homens.
É por isso que, da manjedoura de simplicidade e alegria à
cruz da renunciação e da morte, vemo-lo preocupado na
recuperação das criaturas.
Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e
transforma-os em advogados da redenção humana.
Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do
bem, e converte-a em mensageira de luz.
Chama Zaqueu, mergulhado no conforto da posse material, e
faz dele o administrador consciente e justo.
Não conhece qualquer desânimo ante a negação de Pedro e
nele edifica o Apóstolo fiel que lhe defenderia o Evangelho até ao
martírio e à crucificação.
Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição
de missionário valoroso, que lhe sustenta a causa, até ao
sacrifício.
Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de
Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portas de Damasco,
investindo-o na posição de emissário de sua graça, coroado de
claridades eternas...
A fé e o otimismo do Cristo começaram na descida à
estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e
redimindo-nos, dia a dia...
Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a
confiança do Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz,
tomando por marco de partida a nossa própria existência.
O Senhor nos conclama à tarefa que o Evangelho nos
assinala...
Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que
lhe ouviram a celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com
sangue e sofrimento, aflição e lágrimas.
Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe
igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a
atitude dele para conosco significa...
Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual
aconteceu ao velho Simeão, da Boa-Nova, possamos exclamar
ante a Presença divina:
— Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua
palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação.
(Antologia mediúnica do Natal. FEB Editora. Cap. 13)
Luz para revelação aos gentios e glória do teu povo,
Israel.
Lucas 2:32
Página do Natal11
Há claridade nos incêndios destruidores que consomem
vidas e bens.
Resplendor sinistro transparece nos bombardeios que trazem
a morte.
Reflexos radiosos surgem do lança-chamas.
Relâmpagos estranhos assinalam a movimentação das armas
de fogo.
No Evangelho, porém, é diferente.
Comentando o Natal, assevera Lucas que o Cristo é a luz
para alumiar as nações.
Não chegou impondo normas ou pensamento religioso.
Não interpelou governantes e governados sobre processos
políticos.
Não disputou com os filósofos quanto às origens dos
homens.
Não concorreu com os cientistasna demonstração de
aspectos parciais e transitórios da vida.
Fez luz no Espírito eterno.
Embora tivesse o ministério endereçado aos povos do
mundo, não marcou a sua presença com expressões coletivas de
poder, quais exército e sacerdócio, armamentos e tribunais.
Trouxe claridade para todos, projetando-a de si mesmo.
Revelou a grandeza do serviço à coletividade, por intermédio
da consagração pessoal ao Bem infinito.
Nas reminiscências do Natal do Senhor, meu amigo, medita
no próprio roteiro.
Tens suficiente luz para a marcha?
Que espécie de claridade acendes no caminho?
Foge ao brilho fatal dos curtos-circuitos da cólera, não te
contentes com a lanterninha da vaidade que imita o pirilampo em
voo baixo, dentro da noite, apaga a labareda do ciúme e da
discórdia que atira corações aos precipícios do crime e do
sofrimento.
Se procuras o Mestre divino e a experiência cristã, lembra-te
de que na Terra há clarões que ameaçam, perturbam, confundem e
anunciam arrasamento...
Estarás realmente cooperando com o Cristo, na extinção das
trevas, acendendo em ti mesmo aquela sublime luz para alumiar?
(Antologia mediúnica do Natal. FEB Editora. Cap. 4)
11 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Página do Natal”, com pequenas
alterações.
Ele lhes respondeu: por que me procuravam? Não
sabiam que eu preciso estar nas coisas de meu Pai?
Lucas 2:49
Negócios
O homem do mundo está sempre preocupado pelos negócios
referentes aos seus interesses efêmeros.
Alguns passam a existência inteira observando a cotação das
bolsas. Absorvem-se outros no estudo dos mercados.
Os países têm negócios internos e externos. Nos serviços que
lhes dizem respeito, utilizam-se maravilhosas atividades da
inteligência. Entretanto, apesar de sua feição respeitável, quando
legítimas, todos esses movimentos são precários e transitórios. As
bolsas mais fortes sofrerão crises; o comércio do mundo é versátil
e, por vezes, ingrato.
São muito raros os homens que se consagram aos seus
interesses eternos. Frequentemente, lembram-se disso, muito
tarde, quando o corpo permanece a morrer. Só então, quebram o
esquecimento fatal.
No entanto, a criatura humana deveria entender na
iluminação de si mesma o melhor negócio da Terra, porquanto
semelhante operação representa o interesse da Providência divina,
a nosso respeito.
Deus permitiu as transações no planeta para que aprendamos
a fraternidade nas expressões da troca, deixou que se
processassem os negócios terrenos, de modo a ensinar-nos, por
meio deles, qual o maior de todos. Eis por que o Mestre nos fala
claramente, nas anotações de Lucas: “Não sabíeis que me convém
tratar dos negócios de meu Pai?”.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 27)
Disse-lhes: não deveis exigir nada além do que vos
foi prescrito.
Lucas 3:13
Executar bem
A advertência de João Batista à massa inquieta é dos avisos
mais preciosos do Evangelho.
A ansiedade é inimiga do trabalho frutuoso.
A precipitação determina desordens e recapitulações
consequentes.
Toda atividade edificante reclama entendimento.
A palavra do Precursor não visa a anular a iniciativa ou
diminuir a responsabilidade, mas recomenda espírito de precisão
e execução nos compromissos assumidos.
As realizações prematuras ocasionam grandes desperdícios
de energia e atritos inúteis.
Nos círculos evangélicos da atualidade, o conselho de João
Batista deve ser especialmente lembrado.
Quantos pedem novas mensagens espirituais, sem haver
atendido a sagradas recomendações das mensagens velhas?
Quantos aprendizes aflitos por transmitir a verdade ao povo, sem
haver cumprido ainda a menor parcela de responsabilidade para
com o lar que formaram no mundo? Exigem revelações, emoções
e novidades, esquecidos de que também existem deveres
inalienáveis desafiando o espírito eterno.
O programa individual de trabalho da alma, no
aprimoramento de si mesma, na condição de encarnada ou
desencarnada, é lei soberana.
Inútil enganar o homem a si mesmo com belas palavras, sem
lhes aderir intimamente, ou recolher-se à proteção de terceiros, na
esfera da carne ou nos círculos espirituais que lhe são próximos.
De qualquer modo, haverá na experiência de cada um de nós
a ordenação do Criador e o serviço da criatura.
Não basta multiplicar as promessas ou pedir variadas tarefas
ao mesmo tempo. Antes de tudo, é indispensável receber a
ordenação do Senhor, cada dia, e executá-la do melhor modo.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 19)
[...] contentai-vos com vosso soldo.
Lucas 3:14
Salários
A resposta de João Batista aos soldados, que lhe rogavam
esclarecimentos, é modelo de concisão e bom senso.
Muita gente se perde através de inextricáveis labirintos, em
virtude da compreensão deficiente acerca dos problemas de
remuneração na vida comum.
Operários existem que reclamam salários devidos a
ministros, sem cogitarem das graves responsabilidades que, não
raro, convertem os administradores do mundo em vítimas da
inquietação e da insônia, quando não seja em mártires de
representações e banquetes.
Há homens cultos que vendem a paz do lar em troca da
dilatação de vencimentos.
Inúmeras pessoas seguem, da mocidade à velhice do corpo,
ansiosas e descrentes, enfermas e aflitas, por não se conformarem
com os ordenados mensais que as circunstâncias do caminho
humano lhes assinalam, dentro dos imperscrutáveis Desígnios.
Não é por demasia de remuneração que a criatura se
integrará nos quadros divinos.
Se um homem permanece consciente quanto aos deveres que
lhe competem, quanto mais altamente pago, estará mais
intranquilo.
Desde muito, esclarece a filosofia popular que para a grande
nau surgirá a grande tormenta. Contentar-se cada servidor com o
próprio salário é prova de elevada compreensão, ante a justiça do
Todo-Poderoso.
Antes, pois, de analisar o pagamento da Terra, habitua-te a
valorizar as concessões do Céu.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 5)
A pá está na sua mão para limpar sua eira e recolher
o trigo no seu celeiro, todavia queimará a palha com
fogo inextinguível.
Lucas 3:17
O trabalhador divino
Apóstolos e seguidores do Cristo, desde as organizações
primitivas do movimento evangélico, designaram-no por meio de
nomes diversos.
Jesus foi chamado o Mestre, o Pastor, o Messias, o Salvador,
o Príncipe da Paz; todos esses títulos são justos e veneráveis;
entretanto, não podemos esquecer, ao lado dessas evocações
sublimes, aquela inesperada apresentação do Batista. O Precursor
designa-o por trabalhador atento que tem a pá nas mãos, que
limpará o chão duro e inculto, que recolherá o trigo na ocasião
adequada e que purificará os detritos com a chama da justiça e do
amor que nunca se apaga.
Interessante notar que João não apresenta o Senhor
empenhando leis, cheio de ordenações e pergaminhos, nem se
refere a Ele de acordo com as velhas tradições judaicas, que
aguardavam o divino Mensageiro num carro de glórias
magnificentes. Refere-se ao trabalhador abnegado e otimista. A
pá rústica não descansa ao seu lado, mas permanece vigilante em
suas mãos, e em seu espírito reina a esperança de limpar a terra
que lhe foi confiada às salvadoras diretrizes.
Todos vós que viveis empenhados nos serviços terrestres,
por uma era melhor, mantende aceso no coração o devotamento à
causa do Evangelho do Cristo. Não nos cerceiem dificuldades ou
ingratidões. Desdobremos nossas atividades sob o precioso
estímulo da fé, porque conosco vai à frente, abençoando-nos a
humilde cooperação, aquele Trabalhador divino que limpará a
eira do mundo.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 90)
Dirigiu-se a Nazaré, onde fora criado, e entrou na
sinagoga, num dia de sábado, segundo seu costume; e
levantou-se para ler.
Lucas 4:16
Livros12
(Harmonização. Ed. GEEM. Cap. “Livros”)
12 N.E.: A GEEM não autorizou a cessão de direito de uso para transcrição desta mensagem.
Para facilitar o acesso à informação, a FEB Editora manteve a indicação da fonte referente
àquela instituição.
Começou a dizer para eles: hoje se cumpriu esta
escritura em vossos ouvidos.
Lucas 4:21
Pior para elesTomando lugar junto dos habitantes de Nazaré, exclamou
Jesus, após ler algumas promessas de Isaías: “Hoje se cumpriu
esta Escritura em vossos ouvidos”.
Os agrupamentos religiosos são procurados, quase sempre,
por investigadores curiosos que, à primeira vista, parecem
vagabundos itinerantes; todavia, é forçoso reconhecer que há
sempre ascendentes espirituais compelindo-lhes o espírito ao
exame e à consulta; eles próprios não saberiam definir essa
convocação sutil e silenciosa que os obriga a ouvir, por vezes,
grandes preleções, longas palestras, exposições e elucidações que,
aparentemente, não os interessam.
Em várias circunstâncias, afirmam tolerar o assunto, em
vista do código de gentileza e do respeito mútuo; entretanto, não é
assim. Existe algo mais forte, além das boas maneiras que os
compelem a ouvir. É que soou o momento da revelação espiritual
para eles.
Muitos continuam indiferentes, irônicos, recalcitrantes, mas
a responsabilidade do conhecimento já lhes pesa nos ombros e, se
pudessem sentir a verdade com mais clareza, albergariam a
carinhosa admoestação do Mestre no íntimo da alma: “Hoje se
cumpre esta Escritura em vossos ouvidos”.
A Misericórdia foi dispensada. Deu Jesus alguma coisa de
sua Bondade infinita. Cumpriu-se a divina Palavra. Se os
interessados não se beneficiarem com ela, pior para eles.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 141)
E quando acabou de falar, disse a Simão: faze-te ao
mar alto, e desce as vossas redes para pescaria.
Lucas 5:4
Mar alto
Este versículo nos leva a meditar nos companheiros de luta
que se sentem abandonados na experiência humana.
Inquietante sensação de soledade lhes corta o coração.
Choram de saudade, de dor, renovando as amarguras
próprias.
Acreditam que o destino lhes reservou a taça da infinita
amargura.
Rememoram, compungidos, os dias da infância, da
juventude, das esperanças crestadas nos conflitos do mundo.
No íntimo, experimentam, a cada instante, o vago tropel das
reminiscências que lhes dilatam as impressões de vazio.
Entretanto, essas horas amargas pertencem a todas as
criaturas mortais.
Se alguém as não viveu em determinada região do caminho,
espere a sua oportunidade, porquanto, de modo geral, quase todo
Espírito se retira da carne, quando os frios sinais de inverno se
multiplicam em torno.
Surgindo, pois, a tua época de dificuldade, convence-te de
que chegaram para tua alma os dias de serviço em “mar alto”, o
tempo de procurar os valores justos, sem o incentivo de certas
ilusões da experiência material. Se te encontras sozinho, se te
sentes ao abandono, lembra-te de que, além do túmulo, há
companheiros que te assistem e esperam carinhosamente.
O Pai nunca deixa os filhos desamparados; assim, se te vês
presentemente sem laços domésticos, sem amigos certos na
paisagem transitória do planeta, é que Jesus te enviou a pleno mar
da experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas
lições.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 21)
[...] Os sãos não têm necessidade de médico, mas os
que estão doentes.
Lucas 5:31
Alguma coisa
Quem sabe ler, não se esqueça de amparar o que ainda não se
alfabetizou.
Quem dispõe de palavra esclarecida, ajude ao companheiro,
ensinando-lhe a ciência da frase correta e expressiva.
Quem desfruta o equilíbrio orgânico não despreze a
possibilidade de auxiliar o doente.
Quem conseguiu acender alguma luz de fé no próprio
espírito, suporte com paciência o infeliz que ainda não se abriu à
mínima noção de responsabilidade perante o Senhor, auxiliando-o
a desvencilhar-se das trevas.
Quem possua recursos para trabalhar, não olvide o irmão
menos ajustado ao serviço, conduzindo-o, sempre que possível, à
atividade digna.
Quem estime a prática da caridade, compadeça-se das almas
endurecidas, beneficiando-as com as vibrações da prece.
Quem já esteja entesourando a humildade não se afaste do
orgulhoso, conferindo-lhe, com o exemplo, os elementos
indispensáveis ao reajuste.
Quem seja detentor da bondade não recuse assistência aos
maus, uma vez que a maldade resulta invariavelmente da revolta
ou da ignorância.
Quem estiver em companhia da paz, ajude aos desesperados.
Quem guarde alegria, divida a graça do contentamento com
os tristes.
Asseverou o Senhor que os sãos não precisam de médico,
mas sim os enfermos.
Lembra-te dos que transitam no mundo entre dificuldades
maiores que as tuas.
A vida não reclama o teu sacrifício integral, em favor dos
outros, mas, em benefício de ti mesmo, não desdenhes fazer
alguma coisa na extensão da felicidade comum.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 28)
E a turba toda procurava tocar nele, porque dele saía
poder, e curava todos.
Lucas 6:19
Magnetismo pessoal
Na atualidade, observamos toda uma plêiade de
espiritualistas eminentes, espalhando conceitos relativos ao
magnetismo pessoal, com tamanha estranheza, qual se
estivéssemos perante verdadeira novidade do século XIX.
Tal serviço de investigação e divulgação dos poderes ocultos
do homem representa valioso concurso na obra educativa do
presente e do futuro; no entanto, é preciso lembrar que a
edificação não é nova.
Jesus, em sua passagem pelo planeta, foi a sublimação
individualizada do magnetismo pessoal, em sua expressão
substancialmente divina. As criaturas disputavam-lhe o encanto
da presença, as multidões seguiam-lhe os passos, tocadas de
singular admiração. Quase toda gente buscava tocar-lhe a
vestidura. Dele emanavam irradiações de amor que neutralizavam
moléstias recalcitrantes. Produzia o Mestre, espontaneamente, o
clima de paz que alcançava quantos lhe gozavam a companhia.
Se pretendes, pois, um caminho mais fácil para a eclosão
plena de tuas potencialidades psíquicas, é razoável aproveites a
experiência que os orientadores terrestres te oferecem, nesse
sentido, mas não te esqueças dos exemplos e das vivas
demonstrações de Jesus.
Se intentas atrair, é imprescindível saber amar. Se desejas
influência legítima na Terra, santifica-te pela influência do Céu.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 110)
[...] Bem-aventurados vós que chorais agora, porque
rireis.
Lucas 6:21
Em louvor da alegria
Nos dias em que a experiência terrestre se faça amargosa e
difícil, não convertas a depressão em veneno.
Quando a aflição te ronda o caminho, anuncias trazer o
espírito carregado de sombra, como quem se encontra ausente do
lar, ansiando regresso, entretanto, isso não é motivo para que te
precipites no desânimo arrasador.
Acusas- te em trevas e podes mentalizar com a própria
cabeça luminosos pensamentos de otimismo e fraternidade ou
retratar nas pupilas o fulgor do sol e a beleza das flores.
Entregas- te à mudez, proclamando não suportar os conflitos
que te rodeiam e nada te impede abrir a boca, a fim de pronunciar
a frase de reconforto e apaziguamento.
Asseveras que o mundo é imenso vale de lágrimas, cruzando
os braços para chorar os infortúnios da Terra e possuis duas mãos
por antenas de amor capazes de improvisar canções de felicidade
e esperança, no trabalho pessoal em favor dos que sofrem.
Trancas- te em aposento solitário para a cultura da irritação,
alegando que os melhores amigos te não entendem e perdes horas
inteiras de pranto inútil e senhoreias dois pés, à maneira de
alavancas preciosas, prontas a te transportarem na direção dos que
atravessam provações muito mais dolorosas que as tuas, junto dos
quais um minuto de tua conversação ou leve migalha do que te
sobra te granjeariam a compreensão e a simpatia de enorme
família espiritual.
Em verdade, existe a melancolia edificante, expressando
saudade da Vida superior, contudo aqueles que a registram no
âmago do próprio ser, consagram -se com redobrado fervor ao
serviço do bem, preparando no próprio coração a nesga de céu,
suscetível de identificá- los ao plano celestial que esperam,
ansiosos, suspirando pelo reencontro com os entes que mais
amam. Ainda assim, é imperioso arredar de nós o hábito da
tristeza destrutiva, como quem guerreia o culto do entorpecente.
Espíritos vinculados às diretrizes do Cristo, não podemos
olvidar que oEvangelho, considerado em todos os tempos, como
sendo um livro de dor, por descrever obstáculos e perseguições,
dificuldades e martírios sem conta, começa exalçando a grandeza
de Deus e a boa vontade entre os homens, através de cânticos
jubilosos e termina com a sublime visão da humanidade futura, na
Jerusalém libertada, assentando- se, gloriosa, na alegria sem fim.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 11)
Bem-aventurados sois quando os homens vos
odiarem, e quando vos excluírem, vos injuriarem e
repelirem o vosso nome como mau, por causa do filho
do homem.
Lucas 6:22
Bem-aventuranças
O problema das bem-aventuranças exige sérias reflexões,
antes de interpretado por questão líquida, nos bastidores do
conhecimento.
Confere Jesus a credencial de bem-aventurados aos
seguidores que lhe partilham as aflições e trabalhos; todavia,
cabe-nos salientar que o Mestre categoriza sacrifícios e
sofrimentos à conta de bênçãos educativas e redentoras.
Surge, então, o imperativo de saber aceitá-los.
Esse ou aquele homem serão bem-aventurados por haverem
edificado o bem, na pobreza material, por encontrarem alegria na
simplicidade e na paz, por saberem guardar no coração longa e
divina esperança.
Mas... e a adesão sincera às sagradas obrigações do título?
O Mestre, na supervisão que lhe assinala os ensinamentos,
reporta-se às bem-aventuranças eternas; entretanto, são raros os
que se aproximam delas com a perfeita compreensão de quem se
avizinha de tesouro imenso. A maioria dos menos favorecidos no
plano terrestre, se visitados pela dor, preferem a lamentação e o
desespero; se convidados ao testemunho de renúncia, resvalam
para a exigência descabida e, quase sempre, em vez de
trabalharem pacificamente, lançam-se às aventuras indignas de
quantos se perdem na desmesurada ambição.
Ofereceu Jesus muitas bem-aventuranças. Raros, porém,
desejam-nas. É por isso que existem muitos pobres e muitos
aflitos que podem ser grandes necessitados no mundo, mas que
ainda não são benditos no Céu.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 89)
Ai de vós, quando todos os homens falarem bem de
vós, pois dessa forma os pais deles faziam aos falsos
profetas.
Lucas 6:26
Opiniões13
Indubitavelmente, muitas pessoas existem de parecer
estimável, às quais podemos recorrer nos momentos oportunos,
mas que ninguém despreze a opinião da própria consciência,
porquanto a voz de Deus, comumente, nos esclarecerá nesse
santuário divino.
Rematada loucura é o propósito de contar com a aprovação
geral ao nosso esforço.
Quando Jesus pronunciou a sublime exortação desta
passagem de Lucas, agiu com absoluto conhecimento das
criaturas. Sabia o Mestre que, num plano de contrastes chocantes
como a Terra, não será possível agradar a todos simultaneamente.
O homem da verdade será compreendido apenas, em tempo
adequado, pelos espíritos que se fizerem verdadeiros. O prudente
não receberá aplauso dos imprudentes.
O Mestre, em sua época, não reuniu as simpatias comuns. Se
foi amado por criaturas sinceras e simples, sofreu impiedoso
ataque dos convencionalistas. Para Maria de Magdala era Ele o
Salvador; para Caifás, todavia, era o revolucionário perigoso.
O tempo foi a única força de esclarecimento geral.
Se te encontras em serviço edificante, se tua consciência te
aprova, que te importam as opiniões levianas ou insinceras?
Cumpre o teu dever e caminha.
Examina o material dos ignorantes e caluniadores como
proveitosa advertência e recorda-te de que não é possível
conciliar o dever com a leviandade, nem a verdade com a mentira.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 80)
13 Texto publicado em Fonte de paz. Ed. IDE. Cap. 3, com pequenas alterações.
Mas digo a vós, que estais ouvindo: amai os vossos
inimigos, fazei [o] bem aos que vos odeiam.
Lucas 6:27
Jesus e perdão14
Ensinando o amor para com os inimigos, vejamos como
procedia Jesus diante daqueles que lhe hostilizavam a causa e lhe
feriam o coração.
Em circunstância alguma o vemos a derramar-se,
louvaminheiro, encorajando os que se mantinham no erro
deliberado, mas sim renovando sempre o processo de auxiliar
com esquecimento de toda injúria.
Diante da turba que o preferia a Barrabás, o delinquente
confesso, não se entrega ao elogio da multidão, mas guarda
dignidade e silêncio, tolerando-lhe a afronta.
Perante Pilatos, o juiz inseguro, não lhe beija as mãos
lavadas, mas sim, pela conduta de vítima irreprochável, lhe
devolve ao espírito inconsequente a noção da responsabilidade
precisa.
Em plena rua, cambaleante sob o madeiro, não se volta para
sorrir aos ingratos que lhe cospem no rosto, mas ora por todos
eles, confiando-os ao tempo que é o julgador invisível da
humanidade.
Na cruz infamante, não toma a palavra para agradecer a
inconstância de Pedro ou a fraqueza de Judas, nem faz voto
festivo aos sacerdotes que lhe insultam a Doutrina de Amor, mas
a todos contempla, sem mágoa, pedindo o perdão celeste para a
ignorância de quantos lhe impunham a humilhação e a morte...
E olvidando os verdugos e adversários, ei-lo que torna ao
convívio das criaturas, em pleno terceiro dia depois do túmulo em
trevas, a fazer ressurgir para a Terra enoitada a divina mensagem
de eterna luz...
Desculpar aos que nos ofendem não será, portanto,
comungar-lhes a sombra, mas sim esquecer-lhes os golpes e
seguir para a frente, trabalhando e aprendendo, ajudando e
servindo sempre, na exaltação do bem, para que o mundo em nós
outros se liberte do mal.
(Reformador, mar. 1959, p. 68)
Amor aos inimigos15
(Monte acima. Ed. GEEM. Cap. “Amor aos inimigos”)
14 Texto publicado em Abrigo. Ed. IDE. Cap. 13, com pequenas alterações.
15 N.E.: Vide nota 12.
Dá a todo o que te pede; e ao que tira as tuas
[coisas], não exijas de volta.
Lucas 6:30
Dar
O ato de dar é dos mais sublimes nas operações da vida;
entretanto, muitos homens são displicentes e incompreensíveis na
execução dele.
Alguns distribuem esmolas levianamente, outros se
esquecem da vigilância, entregando seu trabalho a malfeitores.
Jesus é nosso Mestre nas ocorrências mínimas. E se ouvimo-
lo recomendando estejamos prontos a dar “a qualquer” que pedir,
vemo-lo atendendo a todas as criaturas do seu caminho, não de
acordo com os caprichos, mas segundo as necessidades.
Concedeu bem-aventuranças aos aflitos e advertências aos
vendilhões. Certo, os mercadores de má-fé, no íntimo, rogavam-
lhe a manutenção do status quo, mas sua resposta foi eloquente.
Deu alegrias nas bodas de Caná e repreensões em assembleias dos
discípulos. Proporcionou a cada situação e a cada personalidade o
de que necessitavam e, quando os ingratos lhe tomaram o direito
da própria vida, aos olhos da humanidade, não voltou o Cristo a
pedir-lhes que o deixassem na obra começada.
Deu tudo o que se coadunava com o bem. E deu com
abundância, salientando-se que, sob o peso da cruz, conferiu
sublime compreensão à ignorância geral, sem reclamação de
qualquer natureza, porque sabia que o ato de dar vem de Deus e
nada mais sagrado que colaborar com o Pai que está nos céus.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 106)
Como quereis que os homens vos façam, da mesma
forma fazei vós a eles.
Lucas 6:31
Beneficência e justiça
Examinando a beneficência, reflitamos na justiça que a vida
nos preceitua ao senso de relações.
Sem ela, é possível que os melhores empreendimentos
sofram a nódoa de velhas mentiras cronificadas em nome da
gentileza.
Atravessas escabrosas necessidades materiais e, claro, te
alegras, ante o auxílio conveniente, mas se a cooperação chega
marcada pelo manifesto desprezo dos que te ajudam com
displicência, como se desfizessem de um peso morto, estarias
mais contente se te deixassem a sós.
Caíste moralmente, ansiando levantar, e rejubilas te, diante
do apoio que te surge ao reerguimento, entretanto, se esse
concurso aparece tisnado de violências, qual se representasse um
fardo de vergonha para os que te supõem reabilitar, sentirias
reconhecimento maior se te desconhecessem a luta.
Choras, nas crises de provação que te fustigam a existência,e regozijas te, quando os amigos se dispõem a ouvir- te o coração
faminto de solidariedade, mas se pretendem consolar- te,
repetindo apontamentos forçados, como se fosses para eles um
problema que são constrangidos a suportar, por questões de
etiqueta, mostrarias mais ampla gratidão, se te entregassem ao
silêncio da própria dor.
A justiça faz -nos sentir que o supérfluo de nossa casa é o
necessário que falta ao vizinho; que o irmão ignorante, tombado
em erro, é alguém que nos pede os braços e que a aflição alheia
amanhã poderá ser nossa.
Beneficência, por isso, assume o caráter do dever puro e
simples.
Recomenda -nos a regra árdua: “faze aos outros o que
desejas te seja feito”.
A sentença quer dizer que todos precisamos de apoio à luz
da compreensão; de remédio que se acompanhe de enfermagem e
de conselho em bases de simpatia.
Em suma, todos necessitamos de caridade uns para com os
outros, nesse ou naquele ângulo do caminho, mas é forçoso
observar que se a beneficência nos traça a obrigação de ajudar,
ensina -nos a justiça como se deve fazer.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 30)
Se amais os que vos amam, que tipo de recompensa
há para vós? [...].
Lucas 6:32
Mais alto
Evidentemente, é sempre fácil estimar os que nos amam,
valorizar os que nos servem, apoiar os que nos aplaudem,
alegrarmo-nos com aqueles que se nos regozijam com a presença,
solidarizarmo-nos com os que nos seguem, louvar os que nos
reverenciam, ajudar companheiros agradecidos e trabalhar com os
que se afinam conosco.
Em Jesus, porém, a vida nos impele a diretrizes mais altas.
É preciso desculpar os ofensores e orar por eles,
compreender os que nos desajudem, respeitar os que nos
desaprovam, abençoar quantos nos criem problemas, prestigiar as
causas do bem de todos, ainda quando partam daqueles que não
nos comunguem os pontos de vista, admirar os opositores naquilo
que demonstrem de útil, auxiliar os irmãos indiferentes ou
incompreensivos e contribuir nas boas obras, junto daqueles que
nos desconsiderem ou hostilizem.
Como é fácil de anotar, tudo agrada quando se trate de agir,
segundo os padrões de vivência que nos lisonjeiem a
personalidade; entretanto, para servir com o Cristo, é necessário
colaborar na construção do reino do Amor, com a obrigação de
erguer-nos mais alto, para esquecer o próprio egoísmo e realizar
algo diferente.
(Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 24)
Todavia, amai os vossos inimigos [...].
Lucas 6:35
Compaixão e socorro
Não apenas os nossos adversários costumam cair.
É preciso entender que as situações constrangedoras não
aparecem unicamente diante daqueles que não nos comungam os
ideais, cujas deficiências, por isso mesmo, estamos naturalmente
inclinados a procurar e reconhecer.
As criaturas que mais amamos também erram, como temos
errado e adquirem compromissos indesejáveis, como, tantas
vezes, temos nós abraçado problemas difíceis de resolver.
E todos eles, — os irmãos que resvalam na estrada, —
decerto pedem palavras que os esclareçam e braços que os
levantem.
Tanto quanto nós, na travessia das trevas interiores, quando
as trevas interiores nos tomam de assalto, reclamam compaixão e
socorro, ao invés de espancamento e censura.
Ainda assim, compaixão e socorro não significam aplauso e
conivência para com as ilusões de que devemos desven-
 cilhar- nos.
Em verdade, exortou -nos Jesus a deixar conjugados, o trigo
e o joio, na gleba da experiência, de vez que a divina Sabedoria
separará um do outro, no dia da ceifa, mas não nos recomendou
sustentar reunidos a planta útil e a praga que a destrói. À vista
disso, a compaixão e o socorro expressam- se no cultivador,
através da bondade vigilante, com que libertará o vegetal
proveitoso da larva que o carcome.
O papel da compaixão é compreender.
A função do socorro é restaurar.
Mas se a compaixão acalenta o mal reconhecido, a título de
ternura, converte -se em anestesia da consciência e se o socorro
suprime o remédio necessário ao doente, a pretexto de resguardar
-lhe o conforto, transforma- se na irresponsabilidade fantasiada de
carinho, apressando- lhe a morte.
Reconhecendo, pois, que todos somos suscetíveis de queda,
saibamos estender incessantemente compaixão e socorro, onde
estivermos, sem escárnio para com as nossas feridas e sem louvor
para com as nossas fraquezas, agindo por irmãos afetuosos e
compassivos mas sinceros e leais uns dos outros, a fim de
continuarmos, todos juntos, na construção do Bem eterno,
trabalhando e servindo, cada qual de nós, em seu próprio lugar.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 32)
Inimigos
A afirmativa do Mestre divino merece meditação em toda
parte. Naturalmente que a recomendação quanto ao amor aos
inimigos pede análise especial.
A multidão, em geral, não traduz o verbo amar senão pelas
atividades cariciosas. Para que um homem demonstre capacidade
afetiva, ante os olhos vulgares, precisará movimentar imenso
cabedal de palavras e atitudes ternas, quando sabemos que o amor
pode resplandecer no coração das criaturas sem qualquer
exteriorização superficial. Porque o Pai nos confira experiências
laboriosas e rudes, na Terra ou noutros mundos, não lhe podemos
atribuir qualquer negação de amor.
No terreno a que se reporta o Amigo divino, é justo nos
detenhamos em legítimas ponderações.
Onde há luta há antagonismo, revelando a existência de
circunstâncias com as quais não seria lícito concordar, tratando-se
do bem comum. Quando o Senhor nos aconselhou amar os
inimigos, não exigiu aplausos ao que rouba ou destrói,
deliberadamente, nem mandou multiplicarmos as asas da
perversidade ou da má-fé. Recomendou, realmente, auxiliarmos
os mais cruéis; no entanto, não com aprovação indébita, e sim
com a disposição sincera e fraternal de ajudá-los a se reerguerem
para a senda divina, por meio da paciência, do recurso
reconstrutivo ou do trabalho restaurador. O Mestre, acima de
tudo, preocupou-se em preservar-nos contra o veneno do ódio,
evitando-nos a queda em disputas inferiores, inúteis ou
desastrosas.
Ama, pois, os que se mostram contrários ao teu coração,
amparando-os fraternalmente com todas as possibilidades de
socorro ao teu alcance, convicto de que semelhante medida te
livrará do calamitoso duelo do mal contra o mal.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 137)
Sede misericordiosos como [também] é
misericordioso vosso Pai.
Lucas 6:36
Misericórdia
A misericórdia será sempre compreensão e amor em todas as
circunstâncias da vida.
Deixa que a misericórdia te ilumine o coração e segue em
teu próprio caminho auxiliando sempre.
Compadece-te dos infelizes.
Não lhes conheces os problemas desde o princípio.
Compadece-te dos afortunados.
Desconheces que provações terão eles pela frente.
Compadece-te dos maus.
Eles ignoram as consequências dos próprios atos nos
sofrimentos que os esperam.
Em todos os problemas do caminho que a divina Providência
te deu a percorrer, usa a misericórdia e acertarás.
(Tende bom ânimo. Ed. IDEAL. Cap. 6)
Não julgueis, e de modo nenhum sereis julgados; não
condeneis, e de modo nenhum sereis condenados.
Absolvei e sereis absolvidos.
Lucas 6:37
Compaixão sempre
Perante o companheiro que te parece malfeitor, silencia e
ampara sempre.
Assim como existem pessoas, aparentemente sadias,
carregando enfermidades que apenas no futuro se farão evidentes
para a intervenção necessária, há criaturas supostamente normais,
portadoras de estranhos desequilíbrios, aos quais se lhes debitam
os gestos menos edificantes.
Compadece- te, pois, e estende os braços para a obra do
auxílio.
Muitos daqueles que tombaram na indisciplina e na
violência, acabando segregados nas casas de tratamento moral,
guardam consigo os braseiros de angústia que lhes foram
impostos, em dolorosos processos obsessivos, pelas mãos
imponderáveis dos adversários desencarnados de outras
existências... E quase todos os que esmoreceram no caminho das
próprias obrigações, rendendo- se ao assalto da crueldade e do
desespero, sustentaram, por tempo enorme, na intimidade do
próprioser, a agoniada tensão da resistência às forças do mal,
sucumbindo, muitas vezes, à míngua de compreensão e de amor...
Para todos eles, os nossos irmãos caídos em delinquência,
volvamos, assim, pensamento e ação tocados de simpatia,
recordando Jesus, que não cogita de nossas imperfeições para
sustentar- nos e certos de que também nós, pela extensão das
próprias fraquezas, não conseguimos em verdade, saber em que
obstáculos do caminho os nossos pés tropeçarão.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 33)
Dai e vos será dado; darão para o vosso regaço boa
medida, compactada, sacudida, transbordante; pois
com a medida com que medis sereis medidos de volta.
Lucas 6:38
Doação e nós
Deus te deu a ciência, a fim de que a estendas, em benefício
de nossos irmãos, com tal devotamento que a ignorância jamais
consiga entenebrecer os caminhos da humanidade.
Deus te deu o discernimento, para que o teu concurso verbal
ajude a compreensão dos que te ouvem, de tal modo que a tua
presença, seja onde for, venha a se constituir em luz que dissipe a
sombra do desequilíbrio e o nevoeiro da discórdia.
Deus te deu a autoridade, a fim de que exerças a justiça com
misericórdia, de tal maneira que a compaixão não desapareça do
mundo, sob as rajadas da violência.
Deus te deu a fortuna para que o teu dinheiro se faça coluna
do trabalho e da beneficência, com tal abnegação que a penúria
jamais aniquile os nossos companheiros ainda menos felizes, nas
trilhas da provação e do desespero.
Deus constantemente algo te dá, entretanto só conservarás e
multiplicarás os talentos recebidos através das doações que
fizeres.
Todos somos tão somente usufrutuários dos bens da vida, os
quais, no fundo, pertencem unicamente ao Senhor do universo,
que no-los conserva nas mãos, segundo o proveito e o rendimento
que lhes venhamos a imprimir.
“Dai e dar-se-vos-á” — afirmou Jesus.
Isso, na essência, quer dizer: Deus te dá para que dês.
(Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 57)
Nós e o mundo16
Muitos religiosos afirmam que o mundo é poço de tentações
e culpas, procurando o deserto para acobertar a pureza; entretanto,
mesmo aí, no silencioso retiro em que se entregam a perigoso
ócio da alma, por mais humildes se façam, comem os frutos e
vestem a estamenha que o mundo lhes oferece.
Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de
incompreensão e discórdia, viciação e delinquência, como quem
se vê diante de um serpentário; contudo, é no mundo que
recolhem o precioso material em que gravam as próprias ideias e
encontram os leitores que lhes compram os livros.
Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malícia e
perversidade, qual se as criaturas humanas vivessem mergulhadas
em piscinas de lodo; todavia, é no mundo que adquirem os
conhecimentos com que ornam o próprio verbo e acham os
ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra.
Muitas pessoas dizem que o mundo é antro de perdição em
que as trevas do mal senhoreiam a vida; no entanto, é no mundo
que receberam o regaço materno, para tomarem o arado da
experiência, e é no mundo que se nutrem confortavelmente a fim
de demandarem mais altos planos evolutivos.
O mundo, porém, obra prima da Criação, indiferente às
acusações gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e
renovando, guiando o progresso e sustentando as esperanças da
humanidade.
Fugir de trabalhar e sofrer no mundo, a título de resguardar a
virtude, é abraçar o egoísmo mascarado de santidade.
O aluno diplomado em curso superior não pode criticar a
bisonhice das mentes infantis, reunidas nas linhas primárias da
escola.
Os bons são realmente bons, se amparam os menos bons.
Os sábios fazem jus à verdadeira sabedoria, se buscam
dissipar a névoa da ignorância.
O espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e
auxiliar.
Doemos, pois, ao mundo ainda que seja o mínimo do
máximo que recebemos dele, compreendendo e servindo aos
outros, sem atribuir ao mundo os erros e desajustes que estão em
nós.
(Reformador, dez. 1962, p. 278)
Contempla mais longe
Para o esquimó, o céu é um continente de gelo, sustentado a
focas.
Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso além da
caça abundante.
Para o homem de religião sectária, a glória de Além-túmulo
pertence exclusivamente a ele e aos que se lhe afeiçoam.
Para o sábio, este mundo e os círculos celestiais que o
rodeiam são pequeninos departamentos do universo.
Transfere a observação para o teu campo de experiência
diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em
teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na
consciência.
Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te
parecerão iradas.
Se preferes a tristeza, anotarás o desalento em cada trecho do
caminho.
Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.
Se te habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente
saberás viver em paz contigo mesmo.
Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou
tranquila, em que colocas a própria mente. E, dentro da
organização na qual te comprazes, viverás com os gênios que
invocas. Se te deténs no repouso, poderás adquiri-lo em todos os
tons e matizes, e, se te fixares no trabalho, encontrarás mil
recursos diferentes de servir.
Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será
sempre em tua apreciação aquilo que pensas dela, porque com a
mesma medida que aplicares à natureza, obra viva de Deus, a
natureza igualmente te medirá.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 72)
Dai e dar-se-vos-á
A ideia geralmente recolhida no ensinamento do “dai e dar-
se-vos-á” é quase tão somente aquela que se reporta à caridade
vulgar, às portas do Céu. Materializando algum benefício, sente-
se o aprendiz na posição de credor das bênçãos divinas,
candidatando-se à auréola de santidade, simplesmente porque
haja cumprido algumas obrigações de solidariedade humana.
A afirmativa do Mestre, porém, expressa uma lei clara e
precisa, a exteriorizar-se em efeitos tangíveis, cada dia.
Dai simpatia e dar-se-vos-á amizade.
Dai gentileza e dar-se-vos-á carinho.
Dai apreço e dar-se-vos-á respeito.
Dai secura e dar-se-vos-á dureza.
Dai espinhos e dar-se-vos-á espinheiro.
Dai estímulo ao bem e dar-se-vos-á alegria.
Dai entendimento e dar-se-vos-á confiança.
Dai esforço e dar-se-vos-á realização.
Dai cooperação e dar-se-vos-á auxílio.
Dai fraternidade e dar-se-vos-á amor.
Ninguém precisa desencarnar para encontrar a lei da
retribuição.
Semelhante princípio funciona invariável em nossos passos
habituais.
As horas no tempo são como as vagas no mar.
Fluxo e refluxo.
Ação e reação.
Retornará sempre a nós o que dermos de nós.
Se encontrais algo de anormal em vossa experiência comum,
efetuai uma revisão das próprias atitudes.
Se alguma coisa vos contraria e desgosta, observai a vossa
contribuição para o mundo e para as criaturas.
Indagamos de nós mesmos: “que faço”, “como faço”, “por
que faço”?
Recordemos que a vida está subordinada a leis que não
engaremos.
Plantai e colhereis. Dai e dar-se-vos-á.
(Cartas do coração. Ed. LAKE. Cap. “Dai e dar-se-vos-á”)
Dai e ser-vos-á dado
A palavra do Cristo ressoa até hoje nas abóbadas do tempo.
Do que derdes ser-vos-á dado.
Semelhante princípio não se aplica unicamente a assistência
de ordem material.
Dai a vossa paciência em auxílio aos infelizes e a paciência
alheia se vos fará reconforto no momento de vossas tribulações.
Dai as vossas desculpas aos companheiros que, porventura,
vos ofendem e sereis desculpados no dia de vossos erros
possíveis.
Doai o bem aos outros e o bem vos honorificará todos os
dias.
(Tende bom ânimo. Ed. IDEAL. Cap. 2)
Ambientes17
Importante pensar que não apenas teremos o que damos, mas
igualmente viveremos naquilo que proporcionamos aos outros.
Daí o impositivo de doarmos tão somente o bem,
integralmente o bem.
Se em determinada faixa de tempo criamos a alegria para os
nossos semelhantes e criamos para eles o sofrimento em outra
faixa, nossa existência estará dividida entre felicidade e
desventura, porque teremos atraído uma eoutra ao nosso
convívio, arruinando valiosas oportunidades de serviço e
elevação.
Se oferecemos azedume, é óbvio que avinagraremos o
sentimento de quem nos acolhe, reavendo, em câmbio inevitável,
o mesmo clima vibratório, como quem recolhe água
inconveniente para a própria sede, após agitar o fundo do poço, de
cuja colaboração necessite.
Se atiramos crítica e ironia à face do próximo, de outro
ambiente não disporemos para viver senão aquele que se
desmanda em sarcasmo e censura.
Certifiquemo-nos de que não somente as pessoas, mas os
ambientes também respondem. Queiramos ou não, somos
constrangidos a viver no clima espiritual que nós mesmos
formamos.
Pacifiquemos e seremos pacificados.
Auxilia e colherás auxílio.
Tudo o que espiritualmente verte de nós, regressa a nós.
“Dá e dar-se-te-á” — asseverou Jesus. O ensinamento não
prevalece tão só nos domínios da dádiva material propriamente
considerada. Do que dermos aos outros, a vida fatalmente nos dá.
(Reformador, ago. 1969, p. 178)
Dar18
As maiores transformações de nossa vida surgem, quase
sempre, das doações que fizermos.
Dar, na essência, significa abrir caminhos, fundamentar
oportunidades, multiplicar relações.
Muitos acreditam ainda que o ato de auxiliar procede
exclusivamente daqueles que se garantem sobre poderes
amoedados. Em verdade, ninguém subestime o bem que o
dinheiro doado ou emprestado consegue fazer; entretanto, não se
infira daí que a doação seja privilégio dos irmãos chamados
transitoriamente à mordomia da finança terrestre.
Todos podemos oferecer consolação, entusiasmo, gentileza,
encorajamento.
Às vezes, basta um sorriso para varrer a solidão. Uma frase
de solidariedade é capaz de estabelecer vida nova no espírito em
que o sofrimento crestou a esperança.
A rigor, todas as virtudes têm a sua raiz no ato de dar.
Beneficência, doação dos recursos próprios. Paciência, doação de
tranquilidade interior. Tolerância, doação de entendimento.
Sacrifício, doação de si mesmo.
Toda dádiva colocada em circulação volta infalivelmente ao
doador, suplementada de valores sempre maiores.
Quem deseje imprimir mais rendimento e progresso em suas
tarefas e obrigações, procure ampliar os seus dispositivos de
auxílio aos outros e observará sem delonga os resultados felizes
de semelhante cometimento. Isso ocorre porque em todo o
universo as Leis divinas se baseiam em amor — no amor que, no
fundo, é a onipresença de Deus em doações eternas.
Em qualquer soma de prosperidade e paz, realização e
plenitude, o serviço ao próximo é a parcela mais importante, a
única, aliás, suscetível de sustentar as outras atividades que
compõem a estrutura do êxito.
Dá do que possas e tenhas, do que sejas e representes, na
convicção de que a tua dádiva é investimento na organização
crediária da vida, afiançando os saques de recursos e forças dos
quais necessites para o caminho.
“Dá e dar-se-te-á” — ensinou-nos o Cristo de Deus.
Unicamente pela bênção de dar é que a vida de cada um de
nós se transformará numa bênção.
(Reformador, abr. 1968, p. 85)
16 Texto publicado em Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 12, com
pequenas alterações.
17 Texto publicado em Alma e coração. Ed. Pensamento. Cap. 3, com alterações.
18 Texto publicado em Alma e coração. Ed. Pensamento. Cap. 6, com pequenas alterações.
Pois cada árvore é conhecida a partir do próprio
fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem
vindimam [cacho de] uva da sarça.
Lucas 6:44
Espinheiros
O cristão é um combatente ativo.
Despertando no campo do Senhor, aturde-se-lhe a visão com
a amplitude e complexidade do trabalho.
Dificuldades, tropeços, cipoais, ervas daninhas...
E o Evangelho, com propriedade de conceituação, elucida
que não se pode vindimar nos espinheiros.
Entretanto, teria Jesus assumido a paternidade de semelhante
afirmativa para que cruzemos os braços em falsa beatitude?
Se o terreno permanece absorvido pelos abrolhos, o
discípulo recebeu inúmeras ferramentas do Mestre dos mestres.
Indispensável, pois, enfrentar o serviço.
O Cristo encarou, face a face, o sacrifício pela humanidade
inteira.
Será a existência de alguns espinheiros a causa de nossos
obstáculos insuperáveis?
Não. Se hoje é impossível a vindima, ataquemos o chão
duro. Lavremos o solo árido. Adubemos com suor e lágrimas.
Haverá sempre chuvas fecundantes do Céu ou generosos
mananciais da Terra, abençoando-nos o esforço.
A divina Providência reside em toda parte.
Não olvidemos o imperativo do trabalho e, depois, em lugar
dos abrolhos, colheremos o fruto suave e doce da videira.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 121)
Seara espírita19
Penetrando a seara espírita, rememora o Cristianismo
redivivo, que se lhe configura nas menores atividades, e não te
circunscrevas à expectação.
Em semelhante campo de fé, sem rituais e sem símbolos,
sem convenções e sem exigências, descobrirás facilmente os
recomendados do Senhor, a surgirem naqueles companheiros
cujas dificuldades ultrapassam as nossas.
Pleiteias a mensagem dos entes queridos que te antecederam
na viagem ao túmulo; entretanto, basta procures e divisarás
amigos diversos que não somente perderam a presença de seres
inesquecíveis, mas também as possibilidades primárias da
intimidade doméstica.
Solicitas proteção para os filhos educados nos primores de
tua benção, agora em obstáculos inquietantes no estudo ou na
profissão; contudo, distinguirás, ao teu lado, pais valorosos e
incapazes de aliviar as necessidades singelas dos rebentos da
própria carne, sem a assistência do amparo público.
Diligencias a cura da enfermidade ligeira que te apoquenta;
mas contemplarás muitos daqueles que trazem moléstias
irreversíveis, para os quais não chega uma frase de esperança, a
fim de louvarem as dores da própria vida.
Pedes, mentalmente, arrimo à solução de negócios materiais
que te propiciem finança mais dilatada; no entanto, surpreenderás
os pés desnudos de irmãos que vieram de longe, à busca de um
simples pensamento confortador, vencendo, passo a passo, largas
distâncias, por lhes faltarem qualquer recurso para o custeio da
condução.
Rogas conselho em assunto determinado, não obstante o
arsenal dos conhecimentos de que dispões; todavia, reconhecerás,
frente a frente, amigos diversos que nunca tiveram, em toda a
existência física, a bendita oportunidade de um livro às mãos.
Se o plano superior já te permite pisar na seara espírita, não
te limites à prece.
Todos os tipos de rogativa que se voltem para o Bem infinito
são respeitáveis; no entanto, pensa em nosso divino Mestre, que
orou auxiliando e realiza algo de bom, em favor dos irmãos em
humanidade, que ele mesmo nos apresenta.
Espiritismo é Cristianismo, e Cristianismo quer dizer Cristo
em nós para estender o reino de Deus e servir em seu nome.
(Reformador, mar. 1963, p. 67)
19 Texto publicado em Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 73, com
pequenas alterações. Educandário de luz. Ed. IDEAL. Cap. 6, com pequenas alterações.
O homem bom apresenta boa [coisa] do bom tesouro
do coração [...].
Lucas 6:45
Máximo e mínimo
Se aceitarmos Jesus por Mestre, urge recordar que ele está
entre nós e os outros, conquanto sempre mais intimamente unido
àqueles que se aproximam famintos, cansados, desorientados,
cambaleantes.
Muitas vezes, tomas a refeição, provando acepipes diversos
e largando à toa pratos cheios que endereças, inconscientemente
ao cano de esgoto.
Há porém, milhares de criaturas que se regozijariam com
diminuta porção das sobras que te despencam da mesa.
Recolhes a veste comum, verificando ornatos ou
combinando cores que te dignifiquem a presença, relegando peças
e peças a descanso inútil no armário.
Existem, contudo, milhares de infortunados, suspirando pela
roupa batida que afastaste de uso.
Via de regra, guardas no cofre, sem qualquer serventia, o
dinheiro de que não sentes necessidade, após a compra desse ou
daquele objeto, atendendo a passageiro capricho.
Todavia, repontam da estrada milhares de irmãos em
dolorosa penúria, para quem migalhasde teus recursos seriam
clarões de felicidade.
Não raro, consultas livros e publicações às dezenas, por
simples desfastio, sem o menor pensamento de gratidão por
aqueles que consumiram fosfato e tempo, para que te não faltem
esclarecimento e cultura.
Entretanto, nas trilhas que perlustras, há milhares de irmãos,
ansiando aprender, aos olhos dos quais os textos mais elevados
não passam de garatujas e enigmas.
Razoável possuas casa própria a teu gosto, contudo, que
auxilies a extinguir no mundo a nódoa do desabrigo.
Justo detenhas o carro particular que te garanta eficiência e
conforto, no entanto, que ajudes a abolir a provação da nudez, no
trato de terra onde respires.
Compreensível acumules as mais altas reservas de
inteligência, todavia, ninguém esteja privado de buscar o alfabeto.
Mereces o máximo de segurança e alegria, mas não deixes os
outros sem o mínimo de apoio à necessária sustentação.
Se trazes o nome de Jesus na confissão da própria fé,
carregas no coração a luz do Cristianismo e Cristianismo, na
essência, quer dizer Jesus e os outros junto de nós.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 65)
Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o
que eu digo?
Lucas 6:46
A grande pergunta
Em lamentável indiferença, muitas pessoas esperam pela
morte do corpo, a fim de ouvir as sublimes palavras do Cristo.
Não se compreende, porém, o motivo de semelhante
propósito. O Mestre permanece vivo em seu Evangelho de amor e
luz.
É desnecessário aguardar ocasiões solenes para que lhe
ouçamos os ensinamentos sublimes e claros.
Muitos aprendizes aproximam-se do trabalho santo, mas
desejam revelações diretas. Teriam mais fé, asseguram
displicentes, se ouvissem o Senhor, de modo pessoal, em suas
manifestações divinas. Acreditam-se merecedores de dádivas
celestes e acabam considerando que o serviço do Evangelho é
grande em demasia para o esforço humano e põem-se à espera de
milagres imprevistos, sem perceberem que a preguiça sutilmente
se lhes mistura à vaidade, anulando-lhes as forças.
Tais companheiros não sabem ouvir o Mestre divino em seu
verbo imortal. Ignoram que o serviço deles é aquele a que foram
chamados, por mais humildes lhes pareçam as atividades a que se
ajustam.
Na qualidade de político ou de varredor, num palácio ou
numa choupana, o homem da Terra pode fazer o que lhe ensinou
Jesus.
É por isso que a oportuna pergunta do Senhor deveria
gravar-se de maneira indelével em todos os templos, para que os
discípulos, em lhe pronunciando o nome, nunca se esqueçam de
atender, sinceramente, às recomendações do seu verbo sublime.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 47)
Em resposta, disse-lhes: Ide e anunciai [...].
Lucas 7:22
Exemplificar20
Através de todas as nações, o homem levanta realizações
notáveis, nas quais se lhe exalça o egoísmo inteligente.
Em toda a parte, repontam obras suntuárias, solicitando
moderação e corrigenda, para que o abuso de poucos não agrave
as aflições e as necessidades de muitos.
Entretanto, porque o raciocínio rogue confrontações claras
para estudos corretos, reconheçamos o realce, conquanto vazio e
por vezes ruinoso, de semelhantes cometimentos.
Ninguém nega a amenidade do edifício caprichosamente
construído para festas inúteis, embora não se lhe possa louvar o
destino.
É indiscutível a preciosidade do iate de luxo, não obstante
seja tão somente dedicado ao excesso.
Inegável a feição deleitosa de um jardim suspenso, mesmo
quando não passe de apêndice arquitetônico.
Belo o espetáculo da fonte luminosa por distração na praça
pública, apesar de se manter muito longe do proveito de um
simples chafariz.
Analisando essas empresas, na lógica do Espiritismo, somos,
contudo, impelidos a reconhecer que os amigos afeiçoados ao
supérfluo estarão agindo dessa forma por falta de esclarecimento
e orientação.
A experiência terrestre na atualidade não desconhece que é
preciso ensinar aos homens a arte de alimentar e vestir, conversar
e conviver, a fim de que haja saúde, euforia, compreensão e
harmonia na humanidade.
Disse Jesus, em várias ocasiões, aos seguidores: “Ide e
pregai...”
Nada justo, assim, reprovar sem consideração os
companheiros que ainda se encontram involuntariamente
distantes das realidades do espírito. Onde o desperdício apareça
por flagelo da ignorância, iniciemos a construção da verdade pelo
exemplo da sobriedade, na certeza de que, em toda tarefa de
educação, exemplificar é explicar.
(Reformador, set. 1963, p. 195)
20 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 144.
As [que estão] sobre a rocha [são] os que, quando
ouvem, recebem a palavra com alegria; esses não têm
raiz, [são] os que por um tempo creem, mas no tempo
da prova, afastam-se.
Lucas 8:13
Firmeza de fé
A palavra “pedra”, entre nós, costuma simbolizar rigidez e
impedimento; no entanto, convém não esquecer que Jesus, de vez
em quando, a ela recorria para significar a firmeza. Pedro foi
chamado pelo Mestre, certa vez, a “rocha viva da fé”.
O evangelho de Lucas fala-nos daqueles que estão sobre
pedra, os quais receberão a palavra com alegria, mas que, por
ausência de raiz, caem, fatalmente, na época das tentações.
Não são poucos os que estranham essa promessa de
tentações, que, aliás, devem ser consideradas como experiências
imprescindíveis.
Na organização doméstica, os pais cuidarão excessivamente
dos filhos, em pequeninos, mas a demasia de ternura é imprópria
no tempo em que necessitam demonstrar o esforço de si mesmos.
O chefe de serviço ensinará os auxiliares novos com
paciência e, depois, exigirá, com justiça, expressões de trabalho
próprio.
Reconhecemos, assim, pelo apontamento de Lucas, que nas
experiências religiosas não é aconselhável repousar alguém sobre
a firmeza espiritual dos outros; enquanto o imprevidente descansa
em bases estranhas, provavelmente está tranquilo, mas, se não
possui raízes de segurança em si mesmo, desviar-se-á nas épocas
difíceis, com a finalidade de procurar alicerces alheios.
Tudo convida o homem ao trabalho de seu aperfeiçoamento
e iluminação.
Respeitemos a firmeza de fé, onde ela existir, mas não
olvidemos a edificação da nossa, para a vitória estável.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 124)
Pois não há [algo] escondido que não se torne
manifesto, nem oculto que não venha a [ser]
conhecido e manifesto. Vede, pois, como ouvis [...].
Lucas 8:17 a 18
Palavra falada21
A palavra é vigoroso fio da sugestão.
É por ela que recolhemos o ensinamento dos grandes
orientadores da humanidade, na tradição oral, mas igualmente
com ela recebemos toda espécie de informações no plano
evolutivo em que se nos apresenta a luta diária.
Por isso mesmo, se é importante saber como falas, é mais
importante saber como ouves, porquanto, segundo ouvimos,
nossa frase semeará bálsamo ou veneno, paz ou discórdia, treva
ou luz.
No templo doméstico ou fora dele, escutarás os mais
variados apontamentos.
Apreciações acerca da natureza...
Críticas em torno da autoridade constituída...
Notas alusivas à conduta dos outros...
Opiniões diferentes nesse ou naquele assunto...
Cada registro falado traz consigo o impacto da ação.
Contudo, a reação mora em ti mesmo, solucionando os problemas
ou agravando-lhes a estrutura.
Por tua resposta, converter-se-á o bem na lição ou na alegria
dos que te comungam a experiência ou transformar-se-á o mal no
açoite ou no sofrimento daqueles que te acompanham.
Saibamos, assim, lubrificar as engrenagens da audição com o
óleo do amor puro, a fim de que a nossa língua traduza o idioma
da compreensão e da paciência, do otimismo e da caridade,
porque nem sempre o nosso julgamento é o julgamento da Lei
divina e, conforme asseverou o Cristo de Deus, não há propósito
oculto ou atividade transitoriamente escondida que não hajam de
vir à luz.
(Reformador, abr. 1959, p. 74)
21 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 52.
Disse-lhes, porém: Onde [está] a vossa fé? [...]
Lucas 8:25
Tempo de confiança
A tempestadeestabelecera a perturbação no ânimo dos
discípulos mais fortes. Desorientados, ante a fúria dos elementos,
socorrem-se de Jesus, em altos brados.
Atende-os o Mestre, mas pergunta depois:
— Onde está a vossa fé?
O quadro sugere ponderações de vasto alcance. A
interrogação de Jesus indica claramente a necessidade de
manutenção da confiança, quando tudo parece obscuro e perdido.
Em tais circunstâncias, surge a ocasião da fé, no tempo que lhe é
próprio.
Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita,
revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada.
Ninguém exercitará otimismo, quando todas as situações se
conjugam para o bem-estar. É difícil demonstrar amizade nos
momentos felizes.
Aguardem os discípulos, naturalmente, oportunidades de luta
maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente
os ensinos do Senhor. Sem isso, seria impossível aferir valores.
Na atualidade dolorosa, inúmeros companheiros invocam a
cooperação direta do Cristo. E o socorro vem sempre, porque é
infinita a misericórdia celestial, mas, vencida a dificuldade,
esperem a indagação:
— Onde está a vossa fé?
E outros obstáculos sobrevirão, até que o discípulo aprenda a
dominar-se, a educar-se e a vencer, serenamente, com as lições
recebidas.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 40)
[...] O que queres de mim, Jesus, filho do Deus
Altíssimo? Rogo-te, não me atormentes!
Lucas 8:28
Falsas alegações
O caso do Espírito perturbado que sentiu a aproximação de
Jesus, recebendo-lhe a presença com furiosas indagações,
apresenta muitos aspectos dignos de estudo.
A circunstância de suplicar ao divino Mestre que não o
atormentasse requer muita atenção por parte dos discípulos
sinceros.
Quem poderá supor o Cristo capaz de infligir tormentos a
quem quer que seja? E, no caso, trata-se de uma entidade
ignorante e perversa que, nos íntimos desvarios, muito já padecia
por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe
claridade suficiente para contemplar o martírio da própria
consciência, atolada num pântano de crimes e defecções
tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e revelava-lhe
a nudez dolorosa e digna de comiseração.
O quadro é muito significativo para quantos fogem das
verdades religiosas da vida, categorizando-lhe o conteúdo à conta
de amargo elixir de angústia e sofrimento. Esses espíritos
indiferentes e gozadores costumam afirmar que os serviços da fé
alagam o caminho de lágrimas, enevoando o coração.
Tais afirmativas, no entanto, denunciam-nos. Em maior ou
menor escala, são companheiros do irmão infeliz que acusava
Jesus por ministro de tormentos.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 19)
Perguntou-lhe Jesus: qual é o teu nome? Ele disse:
Legião, porque tinham entrado nele muitos daimones.
Lucas 8:30
Um livro diferente
Atendendo ao trabalho da desobsessão nos arredores de
Gádara, vemos Jesus a conversar fraternalmente com o obsesso
que lhe era apresentado, ao mesmo tempo que se fazia ouvido
pelos desencarnados infelizes.
Importante verificar que ante a interrogativa do Mestre, a
perguntar-lhe o nome, o médium, consciente da pressão que sofria
por parte das Inteligências conturbadas e errantes, informa
chamar-se “Legião”, e o evangelista acrescenta que o obsidiado
assim procedia “porque tinham entrado nele muitos demônios”.
Sabemos hoje com Allan Kardec, conforme palavras textuais
do codificador da Doutrina Espírita, no item 6 do capítulo XII,
Amai os vossos inimigos, de O evangelho segundo o espiritismo,
que “esses demônios mais não são do que as almas dos homens
perversos, que ainda se não despojaram dos instintos materiais”.
No episódio, observamos o Cristo entendendo-se, de maneira
simultânea, com o médium e com as entidades comunicantes, na
benemérita empresa do esclarecimento coletivo, ensinando-nos
que a desobsessão não é caça a fenômeno e sim trabalho paciente
do amor conjugado ao conhecimento e do raciocínio associado à
fé.
Seja no caso de mera influenciação ou nas ocorrências da
possessão profunda, a mente medianímica permanece jugulada
por pensamentos estranhos a ela mesma, em processos de hipnose
de que apenas gradativamente se livrará. Daí ressalta o imperativo
de se vulgarizar a assistência sistemática aos desencarnados
prisioneiros da insatisfação ou da angústia, por intermédio das
equipes de companheiros consagrados aos serviços dessa ordem
que, aliás, demandam paciência e compreensão análogas às que
caracterizam os enfermeiros dedicados ao socorro dos irmãos
segregados nos meandros da psicose, portas a dentro dos
estabelecimentos de cura mental. [...]
(Desobsessão. FEB Editora. Prefácio – “Um livro diferente”)
Disse Jesus: quem tocou em mim? Negando todos,
disse Pedro: Comandante, as turbas te comprimem e
espremem.
Lucas 8:45
O toque22
(Harmonização. Ed. GEEM. Cap. “O toque”)
22 N.E.: Vide nota 12.
Disse a ela: filha, a tua fé te salvou. Vai em paz!
Lucas 8:48
Tua fé
É importante observar que o divino Mestre, após o benefício
dispensado, sempre se reporta ao prodígio da fé, patrimônio
sublime daqueles que o procuram.
Diversas vezes, ouvimo-lo na expressiva afirmação: “A tua
fé te salvou.” Doentes do corpo e da alma, depois do alívio ou da
cura, escutam a frase generosa. É que a vontade e a confiança do
homem são poderosos fatores no desenvolvimento e iluminação
da vida.
O navegante sem rumo e que em nada confia somente
poderá atingir algum porto em virtude do jogo das forças sobre as
quais se equilibra, desconhecendo, porém, de maneira absoluta, o
que lhe possa ocorrer.
O enfermo, descrente da ação de todos os remédios, é o
primeiro a trabalhar contra a própria segurança. O homem que se
mostra desalentado em todas as coisas não deverá aguardar a
cooperação útil de coisa alguma.
As almas vazias embalde reclamam o quinhão de felicidade
que o mundo lhes deve. As negações, em que perambulam,
transformam-nas, perante a vida, em zonas de amortecimento,
quais isoladores em eletricidade. Passa corrente vitalizante, mas
permanecem insensíveis.
Nos empreendimentos e necessidades de teu caminho, não te
isoles nas posições negativas. Jesus pode tudo, teus amigos
verdadeiros farão o possível por ti; contudo, nem o Mestre nem os
companheiros realizarão em sentido integral a felicidade que
ambicionas, sem o concurso de tua fé, porque também tu és filho
do mesmo Deus, com as mesmas possibilidades de elevação.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 113)
Disse-lhes: Vós, porém, quem dizeis ser eu? [...]
Lucas 9:20
Vós, que dizeis?
Nas discussões propriamente do mundo, existirão sempre
escritores e cientistas dispostos a examinar o Mestre, na pauta de
suas impressões puramente intelectuais, sob os pruridos da
presunção humana.
Esses amigos, porém, não tiveram contato com a alma do
Evangelho, não superaram os círculos acadêmicos nem arriscam
títulos convencionais, numa excursão desapaixonada por meio da
revelação divina; naturalmente, portanto, continuarão enganados
pela vaidade, pelo preconceito ou pelo temor que lhes são
peculiares ao transitório modo de ser, até que se lhes renove a
experiência nas estradas da vida imperecível.
Entretanto, na intimidade dos aprendizes sinceros e fiéis, a
pergunta de Jesus reveste-se de singular importância.
Cada um de nós deve possuir opiniões próprias,
relativamente à sabedoria e à misericórdia com que temos sido
agraciados.
Palestras vãs acerca do Cristo quadram bem apenas a
espíritos desarvorados no caminho da vida. A nós outros, porém,
compete o testemunho da intimidade com o Senhor, porque
somos usufrutuários diretos de sua infinita bondade. Meditemos e
renovemos aspirações em seu Evangelho de amor,
compreendendo a impropriedade de mútuas interpelações, com
respeito ao Mestre, porque a interrogação sublime vem Dele a
cada um de nós e todos necessitamos conhecê-lo, de modo a
assinalá-lo em nossas tarefas de cada dia.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 161)
Ele dizia a todos: se alguém quer vir após mim, negue
a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia, e siga-me.
Lucas 9:23
No roteiro da fé23O aviso do Senhor é insofismável.
“Siga-me” — diz o Mestre.
Entretanto, há muita gente a lamentar-se de fracassos e
desilusões, em matéria de fé, nas escolas do Cristianismo, por não
Lhe acatarem o conselho.
Buscam Jesus, fazendo a idolatria em derredor de seus
intermediários humanos e, como toda criatura terrestre, os
intermediários humanos do Evangelho não podem substituir o
Cristo, junto à sede das almas.
Aqui, é o padre católico, caridoso e sincero, contudo,
incapaz de oferecer a santidade perfeita.
Ali, é o pastor da Igreja reformada atento e nobre, mas
inabilitado à demonstração de todas as virtudes.
Acolá, é o médium espírita, abnegado e diligente, todavia
distante da própria sublimação.
Mais além, surgem doutrinadores e comentaristas,
companheiros e parentes, afeiçoados ao estudo e excelentes
amigos, mas ainda longe da integração com o Benfeitor eterno.
E quase sempre aqueles que os acompanham, na suposição
de buscarem o Cristo, ante os mínimos erros a que se arrojam, por
força da invigilância ou inexperiência, retiram-se, apressados, do
serviço espiritual, alegando desapontamento e amargura.
O convite do Senhor, no entanto, não deixa margem à
dúvida.
Não desconhecia Jesus que todos nós, os Espíritos
encarnados ou desencarnados que suspiramos pela comunhão
com Ele, somos portadores de cicatrizes e aflições, dívidas e
defeitos muitas vezes escabrosos. Daí o recomendar-nos: “Se
alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a
sua cruz e siga-me”.
Se te dispões, desse modo, a encontrar o Senhor para a
edificação da tua felicidade, renuncia com desassombro às
bagatelas da estrada, suporta corajosamente as consequências dos
teus atos de ontem e de hoje e procura Jesus por divino Modelo.
Não olvides que há muita diferença entre seguir ao Cristo e
seguir aos cristãos.
(Reformador, jul. 1957, p. 162)
Monte acima24
(Monte acima. Ed. GEEM. Prefácio – “Monte acima”)
Realidade e nós25
Aspiras à união com Jesus e, consequentemente, à vitória da
paz em ti mesmo.
Para conseguir semelhante realização, será preciso, porém,
penetrar mais profundamente no significado das palavras do
Cristo: “e aquele que quiser vir em meus passos, renuncie a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
A fim de que os liames inferiores da personalidade sejam
desatados, de modo a empreendermos a marcha na direção do
Senhor, é necessário, entretanto, desarraigá-los de nossa realidade
e não da realidade dos outros.
Por isso mesmo, se nos propomos renovar-nos, é imperioso
deixar que os demais livremente se renovem.
Não tiveste o pai que desejarias e nem a progenitora que
esperavas? Ama-os, tais quais se revelam, e abençoa-os pelo bem
que te fizeram, trazendo-te à escola humana.
Não achaste o esposo ou a esposa, na altura de teus ideais?
Aceita o companheiro ou a companheira que a vida te deu,
exercendo a tolerância e o amor, observando que todos somos
ainda espíritos incompletos, na oficina da evolução.
Não possuis nos filhos os seres afins com que sonhavas?
Acolhe-os como são e dá-lhes a melhor ternura da própria alma,
na certeza de que também eles estão a caminho da perfeição que,
para nós todos, ainda vem muito longe.
Não vês nos irmãos e nos amigos os gênios de bondade e
abnegação que supunhas? Abraça-os, qual se mostram, e oferece-
lhes o apoio fraterno que se te faça possível, sem algemá-los a
pontos de vista.
Cada criatura vive na realidade que lhe é característica. Em
toda parte, cada um de nós em sua luta, em sua dificuldade, em
sua prova, em seu problema.
Enquanto nos pomos a censurar, não conseguimos entender.
Enquanto exigimos, não aprendemos a auxiliar.
Deixemos cada companheiro ou companheira de caminho,
na realidade que lhes toca, e, amando e abençoando a todos,
atendamos à realidade que nos diga respeito, reconhecendo que
não nos achamos no educandário da experiência para dar lições
alheias e sim dar conta das lições outras que, pelas aulas do dia a
dia, a própria vida confere a nós.
(Reformador, ago. 1970, p. 177)
Heroísmo oculto
Terás ouvido narrativas em torno de feitos sublimes, nos
quais criaturas intrépidas ofereceram a própria existência para
salvar os outros, quais os que tombaram na defesa da
coletividade, em honra da justiça, e os que foram surpreendidos
pela desencarnação inesperada, em louvor da ciência, ao
perquirirem processos de socorro aos sofrimentos da humanidade.
Reverenciemos, sim, o nome dos que se esqueceram, a
benefício dos semelhantes; contudo, não nos será lícito esquecer
que existe um heroísmo obscuro, tão autêntico e tão belo quanto
aquele que assinala os protagonistas das grandes façanhas,
perante a morte — o heroísmo oculto dos que sabem viver, dia
por dia, no círculo estreito das próprias obrigações, a despeito dos
empecilhos e das provações que os supliciam na estrada comum.
Pondera isso, quando os embaraços da vida te amarguem o
coração!... Certifica-te de que se existem multidões na Terra que
aplaudem as demonstrações de coragem dos que sabem morrer
pelas causas nobres, existem multidões no Mundo espiritual que
aplaudem os testemunhos da compreensão e sacrifício dos que
sabem viver, no auxílio ao próximo, apagando-se, a pouco e
pouco, em penhor do levantamento de alguém ou da melhoria de
alguns na arena terrestre.
Reflete no assunto e observa a parte mais difícil da
existência que o Senhor te confiou... Será ela talvez o cativeiro a
obrigações domésticas inadiáveis, o conflito íntimo, a condução
laboriosa de um filho doente, a tutela de um companheiro menos
feliz, a tolerância permanente para com o esposo ou a esposa em
desequilíbrio ou, ainda, a responsabilidade pessoal e direta na
garantia das obras de benemerência e cultura, a elevação e
concórdia na direção da comunidade?
A matrícula na escola do heroísmo silencioso está aberta
constantemente, a nós todos.
Revisemos a anotação do divino Mestre: “Quem quiser
caminhar nos meus passos, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz
e siga-me”.
Qual será e como será a cruz que te pesa nos ombros? Seja
ela qual for, lembra-te de que o Cristo de Deus nos aguarda no
monte da vitória e da redenção, esperando tenhamos suficiente
coragem para abraçar o heroísmo oculto na fidelidade aos nossos
próprios deveres até o fim.
(Alma e coração. Ed. Pensamento. Cap.17)
23 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 15.
24 N.E.: Vide nota 12.
25 Texto publicado em Mãos unidas. Ed. IDE. Cap. 13.
Porquanto, que benefício tem o homem ao ganhar o
mundo inteiro, destruindo a si mesmo ou sofrendo
perda?
Lucas 9:25
Interrogação do Mestre26
Em verdade, com a força associada à inteligência, pode o
homem terrestre:
revolver o solo planetário;
sugar os benefícios da Terra;
incentivar interesses personalistas;
erguer arranha-céus nas cidades maravilhosas;
construir palácios para o ninho doméstico;
elevar-se ao firmamento em máquinas possantes;
consultar os abismos do mar;
atravessar oceanos em navios velozes;
estender utilidades no plano da civilização;
criar paraísos de fantasias para os sentidos corporais;
monopolizar os negócios do mundo;
abrir estradas, ligando continentes e povos;
conversar à distância de milhares de quilômetros;
dominar o dia que passa em carros de triunfo;
substituir os ídolos de barro no altar da ilusão;
formar exércitos poderosos, consagrados à morte;
forjar espadas e canhões;
ditar duras leis aos mais fracos;
gritar a palavra de ódio em tribunas de ouro;
exercer a vingança, oprimir, gozar, amaldiçoar...
Em verdade, o homem, usufrutuário da Terra, e depositário
da confiança de Deus, pode fazer tudo isso; contudo, que lhe
aproveitará tamanha exaltação se, distraído de si mesmo, se vale
das glórias da inteligência para precipitar-se nos despenhadeiros
da treva e da morte?
(Reformador, set. 1945, p. 204)
26 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Interrogação do Mestre”, com
pequenas alterações. Coletânea do além. Ed. LAKE. Cap. “Interrogação do Mestre”, com
pequenas alterações.
Pois quem se envergonhar de mim e das minhas
palavras,o filho do homem se envergonhará dele
[...].
Lucas 9:26
Não se envergonhar
Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão
somente em razão de algumas afirmativas quixotescas.
Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis,
tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa
e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na
imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam
redarguir que é imprescindível não nos envergonharmos do
Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.
Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o
Cristianismo não passa de posição meramente verbal.
Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de
tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes,
diante das tarefas de cada dia.
A vida de um homem é a sua própria confissão pública.
A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.
Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos
da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e
complacentes, com pleno esquecimento dos necessários
testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar
purificador.
Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de
Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor
regressa mais exasperado, mas sim perante as situações,
aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em
que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício
pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 51)
E sucedeu que, cerca de oito dias após estas palavras,
tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu a um
monte para orar.
Lucas 9:28
Nem todos
Digna de notar-se a atitude do Mestre, convidando apenas
Simão e os filhos de Zebedeu para presenciarem a sublime
manifestação do monte, quando Moisés e outro emissário divino
estariam em contato direto com Jesus, aos olhos dos discípulos.
Por que não convocou os demais companheiros?
Acaso Filipe ou André não teriam prazer na sublime
revelação? Não era Tomé um companheiro indagador, ansioso por
equações espirituais? No entanto, o Mestre sabia a causa de suas
decisões e somente Ele poderia dosar, convenientemente, as
dádivas do conhecimento superior.
O fato deve ser lembrado por quantos desejem forçar a porta
do plano espiritual.
Certo, o intercâmbio com esse ou aquele núcleo de entidades
do Além é possível, mas nem todos estão preparados, a um só
tempo, para a recepção de responsabilidades ou benefícios.
Não se confia, imprudentemente, um aparelho de produção
preciosa, cujo manejo dependa de competência prévia, ao
primeiro homem que surja, tomado de bons desejos. Não se
atraiçoa impunemente a ordem natural. Nem todos os aprendizes
e estudiosos receberão do Além, num pronto, as grandes
revelações. Cada núcleo de atividade espiritualizante deve ser
presidido pelo melhor senso de harmonia, esforço e afinidade.
Nesse mister, além das boas intenções é indispensável a
apresentação da ficha de bons trabalhos pessoais. E, no mundo,
toda gente permanece disposta a querer isso ou aquilo, mas
raríssimas criaturas se prontificam a servir e a educar-se.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 105)
E eis que dois varões conversavam com ele, os quais
eram Moisés e Elias.
Lucas 9:30
Os vivos do Além
Várias escolas religiosas, defendendo talvez determinados
interesses do sacerdócio, asseguram que o Evangelho não
apresenta bases ao movimento de intercâmbio entre os homens e
os espíritos desencarnados que os precederam na jornada do mais
Além...
Entretanto, nesta passagem de Lucas, vemos o Mestre dos
mestres confabulando com duas entidades egressas da esfera
invisível de que o sepulcro é a porta de acesso.
Aliás, em diversas circunstâncias encontramos o Cristo em
contato com almas perturbadas ou perversas, aliviando os
padecimentos de infortunados perseguidos. Todavia, a
mentalidade dogmática encontrou aí a manifestação de Satanás,
inimigo eterno e insaciável.
Aqui, porém, trata-se de sublime acontecimento no Tabor.
Não vemos qualquer demonstração diabólica e sim dois espíritos
gloriosos em conversação íntima com o Salvador. E não podemos
situar o fenômeno em associação de generalidades, porquanto os
“amigos do outro mundo”, que falaram com Jesus sobre o monte,
foram devidamente identificados. Não se registrou o fato,
declarando-se, por exemplo, que se tratava da visita de um anjo,
mas de Moisés e do companheiro, dando-se a entender claramente
que os “mortos” voltam de sua nova vida.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 67)
E surgiu uma voz da nuvem, dizendo: este é o meu
filho, o eleito, ouvi-o!
Lucas 9:35
Nuvens
O homem, quase sempre, tem a mente absorvida na
contemplação das nuvens que lhe surgem no horizonte. São
nuvens de contrariedades, de projetos frustrados, de esperanças
desfeitas.
Por vezes, desespera-se, envenenando as fontes da própria
vida. Desejaria, invariavelmente, um céu azul a distância, um Sol
brilhante no dia e luminosas estrelas que lhe embelezassem a
noite. No entanto, aparece a nuvem e a perplexidade o toma, de
súbito.
Conta-nos o Evangelho a formosa história de uma nuvem.
Encontravam-se os discípulos deslumbrados com a visão de
Jesus transfigurado, tendo junto de si Moisés e Elias, aureolados
de intensa luz.
Eis, porém, que uma grande sombra comparece. Não mais
distinguem o maravilhoso quadro. Todavia, do manto de névoa
espessa, clama a voz poderosa da revelação divina: “Este é o meu
amado Filho, a Ele ouvi!”
Manifestava-se a palavra do Céu, na sombra temporária.
A existência terrestre, efetivamente, impõe angústias
inquietantes e aflições amargosas. É conveniente, contudo, que as
criaturas guardem serenidade e confiança, nos momentos difíceis.
As penas e os dissabores da luta planetária contêm
esclarecimentos profundos, lições ocultas, apelos grandiosos. A
voz sábia e amorosa de Deus fala sempre por meio deles.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 32)
Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos [...].
Lucas 9:44
Guardemos o ensino
Muitos escutam a palavra do Cristo, entretanto, muito
poucos são os que colocam a lição nos ouvidos.
Não se trata de registrar meros vocábulos e sim de fixar
apontamentos que devem palpitar no livro do coração.
Não se reportava Jesus à letra morta, mas ao verbo criador.
Os círculos doutrinários do Cristianismo estão repletos de
aprendizes que não sabem atender a esse apelo. Comparecem às
atividades espirituais, sintonizando a mente com todas as
inquietações inferiores, menos com o Espírito do Cristo. Dobram
joelhos, repetem fórmulas verbalistas, concentram-se em si
mesmos, todavia, no fundo, atuam em esfera distante do serviço
justo.
A maioria não pretende ouvir o Senhor e sim falar ao
Senhor, qual se Jesus desempenhasse simples função de pajem
subordinado aos caprichos de cada um.
São alunos que procuram subverter a ordem escolar.
Pronunciam longas orações, gritam protestos, alinhavam
promessas que não podem cumprir.
Não estimam ensinamentos. Formulam imposições.
E, à maneira de loucos, buscam agir em nome do Cristo.
Os resultados não se fazem esperar. O fracasso e a desilusão,
a esterilidade e a dor vão chegando devagarinho, acordando a
alma dormente para as realidades eternas.
Não poucos se revoltam, desencantados...
Não se queixem, contudo, senão de si mesmos.
“Ponde minhas palavras em vossos ouvidos”, disse Jesus.
O próprio vento possui uma direção. Teria, pois, o divino
Mestre transmitido alguma lição, ao acaso?
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 70)
Mas não o receberam porque tinha o propósito de se
dirigir a Jerusalém.
Lucas 9:53
Mudança
Digna de nota a presente passagem de Lucas.
Reparando os samaritanos que Jesus e os discípulos se
dirigiam a Jerusalém, negaram-se a recebê-los.
Identificaram-nos pelo aspecto.
Se fossem viajores com destino a outros lugares, talvez lhes
oferecessem hospedagem, reconforto, alegria...
Não se verifica, até hoje, o mesmo fenômeno com os
verdadeiros continuadoresdo Mestre?
Jerusalém, para nós, simboliza aqui testemunho de fé.
E basta que alguém se encaminhe resolutamente a
semelhante domínio espiritual, para que os homens comuns,
desorientados e discutidores, lhe cerrem as portas do coração.
Os descuidados, que rumam na direção dos prazeres fáceis,
encontram imediato acolhimento entre os novos samaritanos do
mundo.
Mulheres inquietas, homens enganadores e doentes
espirituais bem apresentados possuem, por enquanto, na Terra,
luzida assembleia de companheiros.
Todavia, quando o aprendiz de Jesus acorda na estrada
humana, verificando que é indispensável fornecer testemunho da
sua confiança em Deus, com a negação de velhos caprichos, na
maior parte das vezes é constrangido a seguir sem ninguém.
É que, habitualmente, em tais ocasiões, o homem se revela
modificado.
Não dá a impressão comum da criatura disposta a satisfazer-
se.
É alguém resolvido a renunciar aos próprios defeitos e a
anulá-los, a golpes de imenso esforço, para esposar a cruz
redentora que o identificará com o Mestre divino...
Por essa razão, mesmo portas adentro do lar, quase sempre
não será plenamente reconhecido, porque seu aspecto sofreu
metamorfose profunda... Ele mostra o sinal de quem tomou o
rumo da definitiva renovação interior para Deus, disposto a
consagrar-se ao eterno bem e a soerguer seu coração no grande
caminho...
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 175)
Disse-lhe: deixa que os mortos enterrem seus
próprios mortos. Tu, porém, vai e anuncia o reino de
Deus.
Lucas 9:60
Mortos27
Há sempre numerosos mortos em nossa luta de cada dia,
convocando-nos à prece da diligência e da bondade.
Mortos que jazem muito mais impassíveis que os outros —
aqueles que, por vezes, julgais sentenciados à cinza e à separação.
Há usurários, inermes, em túmulos de ouro.
Há dominadores da carne, encerrados em sarcófagos
imponentes de orgulho falaz.
Há juízes inumados em covas de lama.
Há legisladores mumificados em terríveis enganos da alma.
Há sacerdotes enterrados em brilhantes mausoléus de
simonia e administradores encarcerados em urnas infernais de
inconfessáveis compromissos.
Há jovens mortos no vício e velhos amortalhados no frio do
desencanto.
Há sábios enrijecidos no gelo da indiferença e heróis
cristalizados em ataúdes de medalhas faiscantes.
Há criaturas impulsivas em sepulturas de espinhos e mentes
preguiçosas em sepulcros de miséria.
Se proclamardes a verdade para essas almas cadaverizadas
no esquecimento da Lei divina, decerto responder-vos-ão com a
inércia, com a ironia, com a imobilidade e com a negação.
Para semelhantes retardados de espírito pronunciou o Senhor
as inesquecíveis palavras — “Deixemos aos mortos o cuidado de
enterrar os seus mortos.”
Procuremos, pois, a vida, descerrando nosso coração ao
trabalho constante do Bem infinito, porque, em verdade, só
aquele que aprende e ama sempre, renovando-se sem cessar para
a Luz, consegue superar os níveis inferiores da treva, subindo,
vitorioso, ao encontro da vida imperecível, com eterna libertação.
(Brasil espírita, dez. 1956, p. 3)
27 Texto publicado em Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 8, com alterações.
Disse-lhe Jesus: ninguém que põe sua mão no arado e
olha para [as coisas de] trás é apto para o reino de
Deus.
Lucas 9:62
Acima
A fim de que nos promovamos à condição de obreiros mais
eficientes, na Seara do Cristo, é forçoso observar a vida acima de
nossas impressões superficiais.
Para isso, ser-nos-á necessário:
mais do que ver – refletir;
mais do que escutar – compreender;
mais do que estudar – aprender;
mais do que trabalhar – servir;
mais do que obedecer – cooperar espontaneamente em apoio
aos semelhantes;
mais do que administrar – harmonizar;
mais do que crer – raciocinar;
mais do que esclarecer – discernir;
mais do que escrever – elevar;
mais do que falar – construir;
mais do que comentar – melhorar;
mais do que saber – transmitir para o bem;
mais do que informar – educar;
mais do que desculpar – esquecer o mal;
mais do que desincumbir-se – auxiliar para a felicidade
geral.
Todos temos ideias e possibilidades, escolhas e relações,
crenças e luzes. E se é muito importante guardar equilíbrio para
desfrutar semelhantes bênçãos, em nosso progresso de espíritos
imortais, ante as Leis de Causa e Efeito, é muito mais importante
ainda saber o que estamos fazendo por elas e com elas.
(Aulas da vida. Ed. IDEAL. Cap. 26)
O arado
Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do reino divino um
dos mais belos símbolos.
Efetivamente, se desejasse, o Mestre criaria outras imagens.
Poderia reportar-se às leis do mundo, aos deveres sociais, aos
textos da profecia, mas prefere fixar o ensinamento em bases mais
simples.
O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda
esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor
e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o
berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que
a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados.
É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o
divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na
luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar
prejuízos graves à “terra de si mesmo”.
Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de
misericórdia que caíram sobre nós e que se foram sem qualquer
aproveitamento para nosso espírito, no sol de amor que nos vem
vivificando há muitos milênios, nos adubos preciosos que temos
recusado, por preferirmos a ociosidade e a indiferença.
Examinemos tudo isso e reflitamos no símbolo de Jesus.
Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no
entanto, não se deve esquecer de que, depois dele, chegam
semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 3)
Ide! Eis que vos envio como cordeiros em meio de
lobos.
Lucas 10:3
Em meio de lobos
Naturalmente Jesus, pronunciando semelhante
recomendação, reportava-se a cordeiros fortes que conseguissem
respirar em plano superior aos lobos vorazes.
Seria razoável enviar ovelhas frágeis a bestas violentas?
Seria o mesmo que ajudar a carnificina.
O Mestre, indubitavelmente, desejava as qualidades de
ternura e magnanimidade dos continuadores, mas não lhes
endossaria as vacilações e fraquezas.
Aliás, para serviço de tal envergadura, desdobrado em
verdadeiras batalhas espirituais, ele necessitava de cooperadores
fiéis, bondosos, prudentes, mas valorosos. Enviava os discípulos
ao centro de conflito áspero, não no gesto de quem remete
carneiros ao matadouro, e sim à gleba de serviço, onde pudessem
semear novos e sublimados dons espirituais, entre os lobos
famintos, por meio da exemplificação no bem incessante.
Entretanto, há companheiros, ainda hoje, que se acreditam
colaboradores do Cristo apenas porque levantam aos céus as
mãos-postas, em atitude suplicante. Esquecem-se de que Jesus
afirmou peremptório: “Ide; eis que vos mando!...”
Em tal determinação, vemos claramente que existem
trabalhos a efetuar, ações beneméritas a instituir.
O mundo é o campo, onde o trabalhador encontrará a sua
cota de colaboração.
É preciso realmente ir aos lobos. Seria perigoso esperá-los.
Muitos lidadores, porém, reclamam contra a cruz e o martírio,
olvidando que o Senhor e seus corajosos sucessores neles
encontraram a ressurreição e a eternidade com a resistência
construtiva contra o mal.
Se os madeiros e leões retornassem, deveriam encontrar o
trabalhador no esforço que lhe compete e nunca em atitude de
inércia, à distância do ministério que lhe foi confiado.
O apelo do Cristo ressoa, ainda agora...
É imprescindível caminhar na direção dos lobos, não na
condição de fera contra fera, mas na posição de cordeiros-
embaixadores; não por emissários da morte, mas por doadores da
vida eterna.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 144)
Em qualquer casa em que entrardes, primeiro dizei:
paz a esta casa!
Lucas 10:5
Paz em casa28
Compras na Terra o pão e a vestimenta, o calçado e o
remédio, menos a paz.
Dar-te-á o dinheiro residênciae conforto, com exceção da
tranquilidade de espírito.
Eis porque nos recomenda Jesus venhamos a dizer, antes de
tudo, ao entrarmos numa casa: “paz seja nesta casa.”
A lição exprime vigoroso apelo à tolerância e ao
entendimento.
No limiar do ninho doméstico, unge-te de compreensão e de
paciência, a fim de que não penetres o clima dos teus, à feição de
inimigo familiar.
Se alguém está fora do caminho desejável ou se te
desgostam arranjos caseiros, mobiliza a bondade e a cooperação
para que o mal se reduza.
Se problemas te preocupam ou apontamentos te humilham,
cala os próprios aborrecimentos, limitando as inquietações.
Recebe a refeição por bênção divina.
Usa portas e janelas, sem estrondos brutais.
Não movas objetos, de arranco.
Foge à gritaria inconveniente.
Atende ao culto da gentileza.
Há quem diga que o lar é o ponto do desabafo, o lugar em
que a pessoa se desoprime. Reconhecemos que sim; entretanto,
isso não é razão para que ele se torne em praça onde a criatura se
animalize.
Pacifiquemos nossa área individual para que a área dos
outros se pacifique.
Todos anelamos a paz do mundo; no entanto, é imperioso
não esquecer que a paz do mundo parte de nós.
(Reformador, fev. 1962, p. 27)
28 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 108.
E se ali houver um filho da paz, repousará sobre ele a
vossa paz; se não [houver], retornará para vós.
Lucas 10:6
Cultiva a paz
Em verdade, há muitos desesperados na vida humana. Mas
quantos se apegam, voluptuosamente, à própria desesperação?
Quantos revoltados fogem à luz da paciência? Quantos
criminosos choram de dor por lhes ser impossível a consumação
de novos delitos? Quantos tristes escapam, voluntariamente, às
bênçãos da esperança?
Para que um homem seja filho da paz, é imprescindível
trabalhe intensamente no mundo íntimo, cessando as vozes da
inadaptação à Vontade divina e evitando as manifestações de
desarmonia perante as leis eternas.
Todos rogam a paz no planeta atormentado de horríveis
discórdias, mas raros se fazem dignos dela.
Exigem que a tranquilidade resida no mesmo apartamento
onde mora o ódio gratuito aos vizinhos, reclamam que a
esperança tome assento com a inconformação e rogam à fé lhes
aprove a ociosidade, no campo da necessária preparação
espiritual.
Para esmagadora maioria dessas criaturas comodistas a paz
legítima é realização muito distante.
Em todos os setores da vida, a preparação e o mérito devem
anteceder o benefício.
Ninguém atinge o bem-estar em Cristo, sem esforço no bem,
sem disciplina elevada de sentimentos, sem iluminação do
raciocínio. Antes da sublime edificação, poderão registrar os mais
belos discursos, vislumbrar as mais altas perspectivas do plano
superior, conviver com os grandes apóstolos da Causa da
Redenção, mas poderão igualmente viver longe da harmonia
interior, que constitui a fonte divina e inesgotável da verdadeira
felicidade, porque se o homem ouve a lição da paz cristã, sem o
propósito firme de se lhe afeiçoar, é da própria recomendação do
Senhor que esse bem celestial volte ao núcleo de origem, como
intransferível conquista de cada um.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 65)
Curai os enfermos que nela [houver] e dizei-lhes:
está próximo de vós o reino de Deus.
Lucas 10:9
Curas
Realmente Jesus curou muitos enfermos e recomendou-os,
de modo especial, aos discípulos. Todavia, o Médico celestial não
se esqueceu de requisitar ao reino divino quantos se restauram nas
deficiências humanas.
Não nos interessa apenas a regeneração do veículo em que
nos expressamos, mas, acima de tudo, o corretivo espiritual.
Que o homem comum se liberte da enfermidade, mas é
imprescindível que entenda o valor da saúde. Existe, porém, tanta
dificuldade para compreendermos a lição oculta da moléstia no
corpo, quanta se verifica em assimilarmos o apelo ao trabalho
santificante que nos é endereçado pelo equilíbrio orgânico.
Permitiria o Senhor a constituição da harmonia celular
apenas para que a vontade viciada viesse golpeá-la e quebrá-la em
detrimento do espírito?
O enfermo pretenderá o reajustamento das energias vitais;
entretanto, cabe-lhe conhecer a prudência e o valor dos elementos
colocados à sua disposição na experiência edificante da Terra.
Há criaturas doentes que lastimam a retenção no leito e
choram aflitas, não porque desejem renovar concepções acerca
dos sagrados fundamentos da vida, mas por se sentirem
impossibilitadas de prolongar os próprios desatinos.
É sempre útil curar os enfermos, quando haja permissão de
ordem superior para isto; contudo, em face de semelhante
concessão do Altíssimo, é razoável que o interessado na bênção
reconsidere as questões que lhe dizem respeito, compreendendo
que raiou para seu espírito um novo dia no caminho redentor.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 44)
Todavia, não vos alegreis porque os espíritos estão
sujeitos a vós; mas porque os vossos nomes estão
escritos nos céus.
Lucas 10:20
Doutrinações
Frequentemente encontramos novos discípulos do Evangelho
exultando de contentamento, porque os Espíritos perturbados se
lhes sujeitam.
Narram, com alegria, os resultados de sessões empolgantes,
nas quais doutrinaram, com êxito, entidades muita vez ignorantes
e perversas.
Perdem-se muitos no emaranhado desses deslumbramentos e
tocam a multiplicar os chamados “trabalhos práticos”, sequiosos
por orientar, em contatos mais diretos, os amigos inconscientes ou
infelizes dos planos imediatos à esfera carnal.
Recomendou Jesus o remédio adequado a situações
semelhantes, em que os aprendizes, quase sempre interessados em
ensinar os outros, esquecem, pouco a pouco, de aprender em
proveito próprio.
Que os doutrinadores sinceros se rejubilem, não por
submeterem criaturas desencarnadas, em desespero, convictos de
que em tais circunstâncias o bem é ministrado, não propriamente
por eles, em sua feição humana, mas por emissários de Jesus,
caridosos e solícitos, que os utilizam à maneira de canais para a
Misericórdia divina; que esse regozijo nasça da oportunidade de
servir ao bem, de consciência sintonizada com o Mestre divino,
entre as certezas doces da fé, solidamente guardada no coração.
A palavra do Mestre aos companheiros é muito expressiva e
pode beneficiar amplamente os discípulos inquietos de hoje.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 145)
Ele lhe disse: que está escrito na Lei? Como lês?
Lucas 10:26
Como lês?
A interrogação do Mestre ao doutor de Jerusalém dá ideia do
interesse de Jesus pela nossa maneira de penetração da leitura.
Sem nos referirmos ao círculo vasto de pessoas ainda
indiferentes às lições do Evangelho, podemos reconhecer, mesmo
entre os aprendizes, as mais diversas tendências no que se refere
ao problema dos livros.
Os leitores distanciam-se uns dos outros pelas expressões
mais heterogêneas.
Uns pedem consolação, outros procuram recreio.
Há os que buscam motivos tristes por cultivar a dor, tanto
quanto os que se arvoram em caçadores de gargalhadas.
Surgem os que reclamam tóxicos intelectuais, os que andam
em busca de fantasias, os que insistem por incentivos à polêmica
envenenada.
Raros leitores pedem iluminação.
Sem isto, entretanto, podem ler muito, saturando o
pensamento de teorias as mais estranhas. Chega o dia em que
reconhecem a pouca substancialidade de seus esforços, porque,
sem luz, o conforto pode induzir à preguiça, ao entretenimento, à
aventura menos digna, à tristeza, ao isolamento, ao riso e ao
deboche.
Com a iluminação espiritual, todavia, cada coisa permanece
em seu lugar, orientada no sentido próprio de utilidade justa.
Lembra que quando te aproximes de um livro estás sempre
pedindo alguma coisa. Repara, com atenção, o que fazes.
Que procuras? Emoções, consolo, entretenimento? Não
olvides que o Mestre pode também interrogar-te: “Como lês?”.
(Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 6)
[...] Amarás [...] o teu próximo como a ti mesmo.
Lucas 10:27
Auxiliar e servir29
Irmãos!
Quando estiverdes à beira do desânimo, porque alfinetadas
do mundo vos hajam ferido o coração; quandoo desespero vos
ameace, à vista das provações que se vos abatem na senda,
reflitamos naqueles companheiros outros que se agoniam, junto
de nós, em meio dos espinheiros que nos marginam a estrada; nos
que foram relegados à solidão sem voz de amigo que os
reconforte; nos que tateiam, a pleno dia, ansiando por fio de luz
que lhes atenue a cegueira; nos que perderam o lume da razão e se
despencaram na vala da loucura; nos que foram arrojados à
orfandade, quando a existência na Terra se lhes esboça em
começo, naqueles que estão terminando a romagem no mundo,
atirados à ventania; nos que desistiram do refúgio na fé e se
encaminham, desorientados, para as trevas do suicídio; nos que se
largaram à delinquência, comprando arrependimentos e lágrimas
na segregação em que expiam as próprias faltas; nos que choram
escravizados à penúria, a definharem de inanição!...
Façamos isso e aprenderemos a agradecer a Bondade de
Deus que a todos nos reúne em sua bênção de amor, de vez que a
melancolia se nos transformará no ser em clarão de piedade,
ensinando-nos a observar que, por mais necessitados ou
sofredores estejamos, dispomos, ainda do privilégio de colaborar
com Jesus, na edificação do Mundo melhor, pela felicidade de
auxiliar e pelo dom de servir.
(Reformador, dez. 1969, p. 269)
29 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Auxiliar e servir”, com pequenas
alterações.
Disse-lhe: respondeste de forma justa. Faze isto e
viverás.
Lucas 10:28
Faze isso e viverás
O caso daquele doutor da Lei que interpelou o Mestre a
respeito do que lhe competia fazer para herdar a vida eterna,
reveste-se de grande interesse para quantos procuram a bênção do
Cristo.
A palavra de Lucas é altamente elucidativa.
Não se surpreende Jesus com a pergunta, e, conhecendo a
elevada condição intelectual do consulente, indaga acerca da sua
concepção da Lei e fá-lo sentir que a resposta à interrogação já se
achava nele mesmo, insculpida na tábua mental de seus
conhecimentos.
“Respondeste bem”, diz o Mestre. E acrescenta: “Faze isso,
e viverás”.
Semelhante afirmação destaca-se singularmente, porque o
Cristo se dirigia a um homem em plena força de ação vital,
declarando entretanto: “Faze isso, e viverás”.
É que o viver não se circunscreve ao movimento do corpo,
nem à exibição de certos títulos convencionais. Estende-se a vida
a esferas mais altas, a outros campos de realização superior com a
espiritualidade sublime.
A mesma cena evangélica diariamente se repete em muitos
setores. Grande número de aprendizes, plenamente integrados no
conhecimento do dever que lhes compete, tocam a pedir
orientação dos Mensageiros divinos, quanto à melhor maneira de
agir na Terra... A resposta, porém, está neles mesmos, em seus
corações que temem a responsabilidade, a decisão e o serviço
áspero...
Se já foste banhado pela claridade da fé viva, se foste
beneficiado pelos princípios da salvação, executa o que
aprendeste do nosso divino Mestre: “Faze isso, e viverás”.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 157)
Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus:
quem é meu próximo?
Lucas 10:29
Ajudemos sempre
O próximo a quem precisamos prestar imediata assistência é
sempre a pessoa que se encontra mais perto de nós.
Em suma, é, por todos os modos, a criatura que se avizinha
de nossos passos. E como a Lei divina recomenda amemos o
próximo como a nós mesmos, preparemo-nos para ajudar,
infinitamente...
Se temos pela frente um familiar, auxiliemo-lo com a nossa
cooperação ativa.
Se somos defrontados por um superior hierárquico,
exercitemos o respeito e a boa vontade.
Se um subordinado nos procura, ajudemo-lo com atenção e
carinho.
Se um malfeitor nos visita, pratiquemos a fraternidade,
tentando, sem afetação, abrir-lhe rumos novos na direção do bem.
Se o doente nos pede socorro, compadeçamo-nos de sua
posição, qualquer que ela seja.
Se o bom se socorre de nossa palavra, estimulemo-lo a que
se faça melhor.
Se o mau nos busca a influência, amparemo-lo, sem alarde,
para que se corrija.
Se há Cristianismo em nossa consciência, o cultivo
sistemático da compreensão e da bondade tem força de lei em
nossos destinos.
Um cristão sem atividade no bem é um doente de mau
aspecto, pesando na economia da coletividade.
No Evangelho, a posição neutra significa menor esforço.
Com Jesus, de perto, agindo intensivamente junto dele; ou
com Jesus, de longe, retardando o avanço da luz. E sabemos que o
divino Mestre amou e amparou, lutou em favor da luz e resistiu à
sombra, até a cruz.
Diante, pois, do próximo, que se acerca do teu coração, cada
dia, lembra-te sempre de que estás situado na Terra para aprender
e auxiliar.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 126)
O próximo e nós
Esperas ansiosamente encontrar o Senhor e um dia chegarás
à divina Presença; entretanto, antes de tudo, a vida te encaminha à
presença do próximo, porque o próximo é sempre o degrau da
bendita aproximação.
Mas quem é o meu próximo? — perguntarás decerto, qual
ocorreu ao doutor da Lei nas luzes da parábola.
Todavia, convém saber que, além do próximo mais próximo
a quem nomeias como sendo o coração materno, o pai querido, o
filho de nossa bênção, o irmão estimável e o amigo íntimo, no
clima doméstico, o próximo é igualmente o homem que nunca
viste, tanto quanto aquele que te fixa indiferente em qualquer
canto da rua. É a criança que passa, o chefe que te exige trabalho,
o subordinado que te obedece, o sócio de ideal, o mendigo que te
fala a distância...
É a pessoa que te impõe um problema, verificando-te a
capacidade de auxílio; é quem te calunia, medindo-te a tolerância;
quem te oferece alegria, anotando-te o equilíbrio; é a criatura que
te induz à tentação, testando-te a resistência... É o companheiro
que te solicita concurso fraterno, tanto quanto o inimigo que se
sente incapaz de pedir-te o mais ligeiro favor.
Às vezes tem um nome familiar que te soa docemente aos
ouvidos; de outras, é categorizado por ti à conta de adversário que
não te aprova o modo de ser. Em suma, o próximo é sempre o
inspetor da vida que nos examina a posição da alma nos assuntos
da Vida eterna. Entre ele e nós se destacam sempre a necessidade
e a oportunidade a que se referia Jesus na parábola inesquecível.
Isto porque o Bom Samaritano foi efetivamente o socorro
para o irmão caído na estrada de Jerusalém para Jericó, mas o
irmão tombado no caminho de Jerusalém para Jericó foi, para o
Bom Samaritano, o ponto de apoio para mais um degrau de
avanço, no caminho para o encontro com Deus.
(Rumo certo. FEB Editora. Cap. 9)
Misericórdia sempre
Conta-se que Jesus, após haver lançado a parábola do Bom
Samaritano, entraram os apóstolos no exame da conduta dos
personagens da narrativa.
E porque traçassem fulminativas reprovações, em torno de
alguns deles, o Cristo prosseguiu no ensinamento para lá do
contato público:
— Em verdade — acentuou o Mestre —, referindo-nos ao
próximo, ante as indagações do doutor da Lei, à frente do povo, a
lição de misericórdia tem raízes profundas.
Quem passasse irradiando amor na estrada, onde o viajante
generoso testemunhou a solidariedade, encontraria mais amplos
motivos para compreender e auxiliar.
Além do homem ferido e arrojado ao pó, claramente
necessitado de socorro, teria cuidado de apiedar-se do sacerdote e
do levita, mergulhados na obsessão do egoísmo e carecentes de
compaixão; simpatizar-se-ia com o hoteleiro, endereçando-lhe
pensamentos de bondade que o sustentassem no exercício da
profissão; compadecer-se-ia dos malfeitores, orando por eles, a
fim de que se refizessem, perante as leis da vida, e, tanto quanto
possível ampararia a vítima dos ladrões, estendendo igualmente
mãos operosas e amigas ao samaritano da caridade, para que se
lhe não esmorecessem as energias na tarefas do bem.
E, diante dos companheiros surpreendidos, o Mestre
rematou:
— Para Deus, todos somos filhos abençoados e eternos, mas
enquanto a misericórdia não se nos fixar nos domínios do
coração, em verdade, não teremos atingido o caminho da paz e o
reino do amor.
(Coragem.Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 18)
Prosseguindo, disse Jesus: certo homem descia de
Jerusalém para Jericó e caiu [nas mãos de]
assaltantes, os quais, depois de havê-lo despojado e
espancado, retiraram-se, deixando-o semimorto.
Lucas 10:30
Evangelho e caridade
Antes de Jesus, a caridade é desconhecida.
Os monumentos das civilizações antigas não se reportam à
divina virtude.
Os destroços do palácio de Nabucodonosor, no solo em que
se erguia a grandeza de Babilônia, falam simplesmente de fausto
e poder que os séculos consumiram.
Nas lembranças do Egito glorioso, as pirâmides não se
referem à compaixão.
Os famosos hipogeus de Persépolis são atestados de orgulho
racial.
As muralhas da China traduzem a preocupação de defesa.
Nos velhos santuários da Índia, o Todo-Poderoso é venerado
por milhões de fiéis, indiscutivelmente sinceros, mas
deliberadamente afastados dos semelhantes, nascidos na condição
de párias desprezíveis.
A acrópole de Atenas, com as suas colunas respeitáveis, é
louvor à inteligência.
O coliseu de Vespasiano, em Roma, é monumento levantado
ao triunfo bélico, para as expansões da alegria popular.
Por milênios numerosos, o homem admitiu a hegemonia dos
mais fortes e consagrou-a através da Arte e da Cultura que era
suscetível de criar e desenvolver.
Com Jesus, porém, a paisagem social experimenta decisivas
alterações.
O Mestre não se limita a ensinar o bem. Desce ao convívio
com a multidão e materializa-o com o próprio esforço.
Cura os doentes na via pública, sem cerimoniais, e ajuda a
milhares de ouvintes, amparando-os na solução dos mais
complicados problemas de natureza moral, sem valer-se das
etiquetas do culto externo.
Lega aos discípulos a parábola do Bom Samaritano, que
exalta a missão sublime da caridade para sempre.
A história é simples e expressiva.
Transmite Lucas a palavra do celeste Orientador, explicando
que “descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos
dos salteadores que o despojaram, espancando-o e deixando-o
semimorto. Ocasionalmente, passava pelo mesmo caminho um
sacerdote e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também
um levita, abordando o mesmo lugar e observando-o, passou a
distância. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé
dele e, reparando-o, moveu-se de íntima piedade. Abeirando-se
do infortunado, aliviou-lhe as feridas e, colocando-o sobre a sua
cavalgadura, cuidadosamente asilou-o numa estalagem”.
Vemos, dentro da narrativa, que o Senhor situa no
necessitado simplesmente “um homem”.
Não lhe identifica a raça, a cor, a posição social ou os pontos
de vista.
Nele, enxerga a humanidade sofredora, carecente de auxílio
das criaturas que acendam a luz da caridade, acima de todos os
preconceitos de classe ou de religião.
Desde aí, novo movimento de solidariedade humana surge
na Terra.
No curso do tempo, dispersam-se os apóstolos, ensinando,
em variadas regiões do mundo, que “mais vale dar que receber”.
E, inspirados na lição do Senhor, os vanguardeiros do bem
substituem os vales da imundície pelos hospitais confortáveis;
combatem vícios multimilenários, com orfanatos e creches;
instalam escolas, onde a cultura jazia confiada aos escravos;
criam institutos de socorro e previdência, onde a sociedade
mantinha a mendicância para os mais fracos. E a caridade, como
gênio cristão na Terra, continua crescendo com os séculos, através
da bondade de um Francisco de Assis, da dedicação de um
Vicente de Paulo, da benemerência de um Rockefeller ou da
fraternidade do companheiro anônimo da via pública, salientando,
valorosa e sublime, que o Espírito do Cristo prossegue agindo
conosco e por nós.
(Roteiro. FEB Editora. Cap. 16)
Semimortos
“Um homem que descia de Jerusalém para Jericó caiu em
poder de ladrões que o despojaram, cobriram de ferimentos e o
deixaram semimorto...” — começa Jesus o ensinamento
inesquecível da parábola.
Em todos os tempos, encontramos também os semimortos da
alma, nas estradas do mundo:
Os caídos a golpes de incompreensão...
Os desorientados que o ateísmo empurrou para nevoeiros de
sofrimento...
Os mutilados de espírito, que a calúnia atropelou em pleno
trabalho...
Os cansados de solidão...
Os que se emaranharam no espinheiral da revolta...
Os envenenados de desespero...
Os perseguidos pela dúvida destrutiva...
Os prisioneiros da obsessão...
As vítimas do desânimo...
Os que sucumbiram sob a hipnose de sugestões infelizes...
Os feridos de angústia...
Os que foram esquecidos na sombra da ignorância...
Companheiros do mundo, sois Espíritos eternos, em viagem
educativa na escola e na oficina do Planeta! Ao término da
jornada conhecereis o que aprendestes e colhereis o que
semeastes. A Terra é tão somente a estalagem a que chegastes
ontem e da qual partireis amanhã! Acumulai os tesouros da
felicidade futura, aperfeiçoando-vos pelo estudo e servindo aos
outros, quanto puderdes!... Sobretudo, meditai nos outros viajores
em condições mais difíceis que as vossas e aproveitai o vosso
privilégio de entender e de auxiliar!...
(Reformador, mar. 1966, p. 66)
Certo samaritano, em viagem, veio até ele e, ao vê-lo,
compadeceu-se.
Lucas 10:33
Caridade e Jesus30
A história do bom samaritano, ainda hoje, compele-nos a
reconhecer na caridade o caminho aberto por Jesus à união e à
paz, entre as criaturas, e não antes dele.
Os papiros do Egito ancião não se reportam a qualquer
sentimento, qual o da parábola, capaz de reunir corações
estranhos uns aos outros.
Os documentários de Roma imperial não evidenciam
qualquer vestígio de semelhante demonstração de calor humano.
As páginas da Grécia antiga, conquanto se definam, até
agora, por ápices da cultura filosófica de todos os tempos, não nos
revelam indícios desse amor ao próximo, desacompanhado de
indagações.
Arquivos de povos outros que passaram na Terra, antes do
Cristo, não revelam qualquer sinal desse imperativo de amparo
imediato a necessitados que se desconheça.
Jesus, porém, com a história do Samaritano generoso,
inaugura um mundo novo no campo emotivo da humanidade,
com base na assistência a qualquer irmão do caminho terrestre,
que se veja em calamidade e penúria, sem distinção de credo e
raça.
Caridade, onde esteja, é a presença de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
Sempre que te detenhas a contemplar um hospital ou um lar
consagrado aos desprotegidos, uma instituição de auxílio social
ou de socorro fraterno, eleva o pensamento à Bondade divina em
sinal de louvor e colabora, quanto puderes, em benefício dos
outros.
Através do ensinamento do Senhor, todas as criaturas válidas
são naturalmente chamadas pelas Leis de Deus, à sustentação
possível daquelas outras que estejam caídas em provação.
E sempre que te observes, à frente de quaisquer dessas obras
dedicadas à compreensão e ao amor, recorda que te achas, perante
a irradiação da Luz divina, ou mais propriamente, ante a Caridade
e Jesus.
(Marcas do caminho. Ed. IDEAL. Cap. 12)
30 Texto publicado em Educandário de luz. Ed. IDEAL. Cap. 36.
Ele disse: o que praticou a misericórdia com ele.
Disse-lhe Jesus: vai e faze tu do mesmo modo.
Lucas 10:37
O homem bom
Conta-se que Jesus, após narrar a Parábola do Bom
Samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que,
alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição,
perguntou, sutil:
— Mestre, que farei para ser considerado homem bom?
Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu:
— Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a
manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias
ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.
Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e
lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem
ao passo incerto, garantindo-te a segurança.
Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o
teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer
desrespeito para com os teus sofrimentos.
Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no
contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do
amigo que tefosse levar alguns minutos de solidariedade.
Imagina-te no cárcere, padecendo a incompreensão do
mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão
que te buscasse testemunhar entendimento.
Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e
raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo
daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar
por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência.
Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o
bálsamo com que te acalmarias, diante da indulgência dos que te
desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.
Imagina-te fatigado e intemperante e observa quão
reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração
do silêncio e a frase de simpatia.
Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o divino
Amigo:
— Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas
circunstâncias?
— Os que usassem de compreensão e misericórdia para
comigo — explicou o interlocutor.
— Então — repetiu Jesus com bondade —, segue adiante e
faze também o mesmo.
(Religião dos espíritos. FEB Editora. Cap. “O homem bom”)
Receita de vida eterna
Tantas vezes encontramos pela frente a Parábola do Bom
Samaritano e tantas outras nela encontramos inesperados
ensinamentos.
Repetir costuma cansar, convenhamos. Lições, contudo,
existem semelhantes à luz solar que se rearticula, diariamente,
criando vida renovadora.
Realmente, a história contada por Jesus expõe a caridade por
brilhante divino, com revelações prismáticas de inexprimível
beleza.
A atitude daquele cavaleiro desconhecido resume todo um
compêndio de bondade.
Enquanto o sacerdote e o levita, pessoas de reconhecido
valor intelectual, se afastam deliberadamente do ferido, o
samaritano para sensibilizado.
Até aí, o assunto patenteia feição comum, porque nós todos,
habitualmente, somos movidos à piedade, diante do sofrimento
alheio.
Situemo-nos, entretanto, em lugar do viajante generoso...
Talvez estivesse ele com os minutos contados...
Muito compreensivelmente, estaria sendo chamado com
urgência e teria pressa de atingir o término da viagem...
Provável que fosse atender a encontro marcado...
É possível que atravessasse naquela hora o fim do dia e
devesse acautelar-se contra qualquer trecho perigoso da estrada,
na sombra da noite próxima...
No entanto, à frente do companheiro anônimo abatido,
detém-se e se compadece. Olvida a si mesmo e não pergunta
quem é. Interrompe-se. Aproxima-se. Faz pensos e efetua
curativos. Para ele, contudo, isso não basta. Coloca-o na montada.
Apresenta-o na hospedaria e responsabiliza-se por ele. Além
disso, compromete-se sem indagar se está preservando um
adversário. Pagará pelos serviços que receba. Vê-lo-á, quando
regressar.
Narrando o acontecido, Jesus recordou o comportamento do
sacerdote, do levita e do samaritano e perguntou ao doutor da Lei
que se interessava pela posse da vida eterna:
— Qual dos três te parece haver amado o próximo, caído em
necessidade?
— O que usou de misericórdia para com ele — replicou o
interpelado.
— Então, vai — disse Jesus — e faze tu o mesmo.
Segundo é fácil de ver, a indicação para entesourar a luz da
vida eterna, em nós próprios, é clara e simples. Amor ao próximo
é o sublime recurso na base de semelhante realização. Mas não
basta reconhecer os méritos da receita. É preciso usá-la.
(Encontro marcado. FEB Editora. Cap. 23)
Samaritanos e nós
Quem de nós não terá caído, alguma vez, em abandono ou
penúria, aflição, amargura, engano ou perturbação?
À face disso, para nós o samaritano da bondade — a criatura
que nos reergue ou reanima — será sempre aquela pessoa:
que nos acolhe nos dias de tristeza com a mesma
generosidade com que nos abraça nos instantes de alegria;
que nos estima, assim tais quais somos, sem reclamar-nos
espetáculos de grandeza, de um dia para outro;
que nos levanta do chão das próprias quedas para o regaço
da esperança, sem cogitar de nossas fraquezas;
que nos alça do precipício da desilusão ao clima do
otimismo, sem reprovar-nos a imprevidência;
que nos ouve as queixas reiteradas, rearticulando sem
aspereza o verbo da paciência e da compreensão;
que nos estende essa ou aquela porção dos recursos de que
disponha, em favor da solução de nossos problemas, sem pedir o
relatório de nossas necessidades e compromissos;
que nos oferece esclarecimento, sem ferir-nos o brio;
que nos ilumina a fé, sem destruir-nos a confiança;
que se transforma em harmonia e concurso fraterno, seja em
nossa casa, ou no grupo de serviço em que trabalhamos;
que se nos converte no cotidiano em apoio e cooperação,
sem exigir-nos tributos de reconhecimento;
que, por fim, se transubstancia, em nosso benefício, em luz e
consolação, amparo e bênção.
Detenhamo-nos a pensar nisso e lembrando,
reconhecidamente, quantos se nos fazem samaritanos do auxílio e
da bondade, nas estradas da existência, recordemos a lição de
Jesus e, diante dos outros, sejam eles quem sejam, façamos nós o
mesmo.
(Aulas da vida. Ed. IDEAL. Cap. 15)
Receita de luz
Realmente a história do bom samaritano, contada por Jesus,
expõe a caridade por brilhante sublime oferecendo revelações
prismáticas de inigualável beleza.
A atitude daquele peregrino desconhecido resume um tratado
de pedagogia, acerca de compreensão e bondade.
Enquanto o sacerdote e o levita, pessoas de reconhecido
merecimento intelectual, se desviam deliberadamente do ferido, o
samaritano não apenas se detém, mas, também se compadece.
Situemo-nos, porém, no lugar do viajante generoso.
Talvez estivesse ele com os minutos contados...
Muito razoavelmente, estaria sendo aguardado às pressas
para a realização de um negócio...
Provavelmente, iria atender a encontro marcado com pessoa
querida...
É possível fosse aquela hora a do fim do dia e devesse
acautelar-se contra algum trecho perigoso da estrada, nas sombras
da noite próxima.
Entretanto, à frente do companheiro anônimo e desfalecido,
não somente se emociona.
Esquece-se e diligencia socorrê-lo sem perguntar quem é.
Interrompe-se. Aproxima-se dele.
Faz pensos e efetua curativos.
Para ele, no entanto, tudo isso não basta.
Coloca-o na montaria.
Condu-lo à estalagem e apresenta-o, responsabilizando-se
por ele.
Pagará pelos serviços que ele venha a receber, sem nem
mesmo indagar de si próprio se estaria recuperando um
adversário.
Vela por ele.
Vê-lo-á de novo ao regressar.
Narrando a história, assinalou Jesus o comportamento do
sacerdote, do levita e do samaritano e inquiriu ao Doutor da Lei
que se interessava pela posse da Vida eterna:
— Qual dos três te parece haver amado o próximo caído em
desvalimento?
O Doutor respondeu:
— Aquele que usou de misericórdia para com ele.
— Então, vai — disse Jesus — e faze tu o mesmo.
Segundo percebemos, a indicação do divino Mestre para
entesourarmos conosco os dons da imortalidade, é simples e clara.
Compaixão é receita de luz para a ascensão da alma aos
reinos divinos.
Entretanto, de algum modo se assemelha à prescrição médica
em relação à saúde.
Para que ela atinja os efeitos precisos, em nós mesmos, não
basta se grave com segurança e precisão no pergaminho de nossos
sentimentos.
É preciso nos disponhamos a usá-la.
(Refúgio. Ed. IDEAL. Cap. “Receita de luz”)
Em nossos caminhos
Revisando a Parábola do samaritano, lembramo-nos de que
hoje milhares de irmãos nossos sobem do passado em direção do
futuro pelos caminhos do presente, desfalecendo, muitas vezes,
sob dificuldades e provações que os deixam semimortos:
os que não contavam com as tempestades de renovação da
atualidade e se marginalizaram em desequilíbrio;
os que forjaram algemas para o amor transformando-o, logo
após, no fogo passional em que se atiraram na delinquência;
os que desertaram do trabalho e tombaram em penúria;
os que converteram a inteligência em antena das trevas e se
horizontalizaram, por dentro de si mesmos, nas depressões da
culpa;
os que abusaram da misericórdia dos medicamentos
pacificadores e, tentando fugir das próprias responsabilidades,se
precipitaram em despenhadeiros de alucinação e loucura;
os que perderam a fé em meio das experiências necessárias à
evolução e estiraram-se no desânimo, à beira do suicídio;
os que não suportaram a transformação dos seres amados e
se acomodaram, revoltados, sobre pedras da angústia;
e aqueles outros que tateiam a lousa, nos parques da
saudade, perguntando pelos entes queridos que a morte lhes
arredou da convivência, a carregarem o coração encharcado de
lágrimas.
À frente de quantos surpreendas na estrada, caídos em
sofrimento, interrompe-te para compreender e servir.
Determina a caridade nos situemos no lugar daqueles que
necessitam de amparo, doando-lhes o melhor de nós, com a
certeza de que provavelmente amanhã serão eles, os socorridos de
agora, nossos próprios benfeitores.
Entre os companheiros de humanidade que conhecem o
campo de trabalho e passam, de longe, com receio de serem
incomodados, e aqueles que foram espoliados na coragem de
caminhar e na alegria de viver, recordemos o samaritano que se
deteve na marcha dos próprios interesses e auxiliou
espontaneamente ao próximo sem nada perguntar e, conforme a
lição do Cristo, façamos nós o mesmo.
(Viajor. Ed. IDE. Cap. 1)
Sugestões da parábola
Habitualmente recorremos à Parábola do Bom Samaritano
tão só para exaltar a generosidade daquele viajante de alma nobre,
à frente do irmão menos feliz; forçoso, porém, salientar a
expectativa humana com as reflexões que o companheiro
tombado no infortúnio articulava decerto.
Com que ansiedade aguardaria o socorro preciso!...
Tendo visto o sacerdote e o levita que passaram de largo,
possivelmente perguntou a si mesmo de que lhe valeriam a
cultura e a preparação espiritual deles se o abandonavam ao
próprio desvalimento; e, observando o samaritano que se
aproximava, não indagou quem era ele, o que era, o que sabia, o
que detinha ou para onde se encaminhava... Com os olhos,
suplicou-lhe amparo e, no silêncio do coração, agradeceu-lhe a
bênção dos braços estendidos.
A narração de Jesus fala de dois homens evidentemente
qualificados para a prestação de serviço, que se deram pressa em
se afastar, no resguardo das próprias conveniências, e menciona
outro, completamente desconhecido, que se consagrou ao mister
da solidariedade; com isso, o divino Mestre nos conclama a todos
para as tarefas do auxílio mútuo.
Bastas vezes, perante os acidentados e espoliados do corpo
ou da alma, formulamos escapatórias, no só intuito de sonegar os
tributos naturais da fraternidade. Em várias ocasiões, instados ao
socorro por aqueles companheiros de experiência que sofrem
muito mais que nós, repetimos displicentemente: “quem sou eu?”,
“não presto”, “sou um fardo de imperfeições” ou “quem me dera
poder!”...
Situemo-nos, porém, no lugar e na angustiosa expectativa do
irmão caído na estrada e reconheceremos que Jesus nos espera
como somos e como estamos para servir, porquanto, servindo,
acabaremos aprendendo que todos somos filhos de Deus e que, se
hoje desfrutamos o privilégio de dar, talvez amanhã estejamos
com a necessidade de receber.
(Reformador, ago. 1969, p. 184)
Porém é necessária uma. Assim, Maria escolheu a
boa parte, que não será tirada dela.
Lucas 10:42
A boa parte
Não te esqueças da “boa parte” que reside em todas as
criaturas e em todas as coisas.
O fogo destrói, mas transporta consigo o elemento
purificador.
A pedra é contundente, mas consolida a segurança.
A ventania açoita impiedosa, todavia, ajuda a renovação.
A enxurrada é imundície, entretanto, costuma carrear o
adubo indispensável à sementeira vitoriosa.
Assim também há criaturas que, revelando-se negativas em
determinados setores da luta humana, são extremamente valiosas
em outros.
A apreciação unilateral é sempre ruinosa.
A imperfeição completa, tanto quanto a perfeição integral,
não existem no plano em que evolutimos.
O criminoso, acusado por toda a gente, amanhã pode ser o
enfermeiro que te estende o copo d’água.
O companheiro, no qual descobres agora uma faixa de
trevas, pode ser depois o irmão sublimado que te convida ao bom
exemplo.
A tempestade da hora em que vivemos é, muitas vezes, a
fonte do bem-estar das horas que vamos viver.
Busquemos o lado melhor das situações, dos acontecimentos
e das pessoas.
“Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada” —
disse-nos o Senhor.
Assimilemos a essência da divina lição.
Quem procura a “boa parte”, e nela se detém, recolhe no
campo da vida o tesouro espiritual que jamais lhe será roubado.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 32)
O necessário31
Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não
poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te
descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve...
Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás
controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a
indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio
de ação de todos os missionários da elevação.
Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos
anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.
Improvisarás pomposos discursos, contudo, desconheces as
consequências de tuas palavras.
Organizarás grande movimento, em derredor de teus passos,
no entanto, se não construíres algo dentro deles para o bem
legítimo, cansar-te-ás em vão.
Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres
vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão
inúteis.
Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso,
todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e
a ociosidade de muitos.
“Uma só coisa é necessária”, asseverou o Mestre, em sua
lição a Marta, cooperadora dedicada e ativa.
Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos
guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os
desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que
nos traçou a divina Lei. Realizado esse “necessário”, cada
acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos
olhos, no lugar que lhes é próprio. Sem essa posição espiritual de
sintonia com o celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com
proveito.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 3)
31sTexto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “O necessário”.
[...] Senhor, ensina-nos a orar [...].
Lucas 11:1
Na oração32
A prece, nos círculos do Cristianismo, caracteriza-se por
gradação infinita em suas manifestações, porque existem crentes
de todos os matizes nos vários cursos da fé.
Os seguidores inquietos reclamam a realização de propósitos
inconstantes.
Os egoístas exigem a solução de caprichos inferiores.
Os ignorantes do bem chegam a rogar o mal para o próximo.
Os tristes pedem a solidão com ociosidade.
Os desesperados suplicam a morte.
Inúmeros beneficiários do Evangelho imploram isso ou
aquilo, com alusão à boa marcha dos negócios que lhes
interessam à vida física. Em suma, buscam a fuga. Anelam
somente a distância da dificuldade, do trabalho, da luta digna.
Jesus suporta, paciente, todas as fileiras de candidatos do seu
serviço, de sua iluminação, estendendo-lhes mãos benignas,
tolerando-lhes as queixas descabidas e as lágrimas inaceitáveis.
Todavia, quando aceita alguém no discipulado definitivo,
algo acontece no íntimo da alma contemplada pelo Senhor.
Cessam as rogativas ruidosas.
Acalmam-se os desejos tumultuários.
Converte-se a oração em trabalho edificante.
O discípulo nada reclama. E o Mestre, respondendo-lhe às
orações, modifica-lhe a vontade, todos os dias, alijando-lhe do
pensamento os objetivos inferiores.
O coração unido a Jesus é um servo alegre e silencioso.
Disse-lhe o Mestre: “Levanta-te e segue-me”. E ele ergueu-
se e seguiu.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 167)
32 Texto publicado em À luz da oração. Ed. O Clarim. 2ª meditação sobre a prece – “Na
oração”, com pequenas alterações.
O pão nosso diário dá-nos a cada dia.
Lucas 11:3
Pão de cada dia
Já pensaste no pão de cada dia?
À força de possuí-lo, em abundância, o homem costuma
desvalorizá-lo, à maneira da criatura irrefletida quesomente
medita na saúde, ao sobrevir a enfermidade.
Se a maioria dos filhos da Terra estivesse à altura de atender
à gratidão nos seus aspectos reais, bastaria o pão cotidiano para
que não faltassem às coletividades terrestres perfeitas noções da
existência de Deus. Tão magnânima é a bondade celestial que,
promovendo recursos para a manutenção dos homens, escapa à
admiração das criaturas, a fim de que compreendam melhor a
vida, integrando-se nas responsabilidades que lhes dizem respeito,
nas organizações de trabalho a que foram chamadas, com a
finalidade de realizarem o aprimoramento próprio.
O Altíssimo deixa aos homens a crença de que o pão
terrestre é conquista deles, para que se aperfeiçoem
convenientemente no dom de servir. Em verdade, no entanto, o
pão de cada dia, para todas as refeições do mundo, procede da
Providência divina.
O homem cavará o solo, espalhará as sementes, defenderá o
serviço e cooperará com a natureza, mas a germinação, o
crescimento, a florescência e a frutificação pertencem ao Todo-
Misericordioso.
No alimento de cada dia, prevalece sublime ensinamento de
colaboração entre o Criador e a criatura, que raras pessoas se
dispõem a observar. Esforça-se o homem e o Senhor lhe concede
as utilidades.
O servo trabalha e o Altíssimo lhe abençoa o suor.
É nesse processo de íntima cooperação e natural
entendimento que o Pai espera colher, um dia, os doces frutos da
perfeição no espírito dos filhos.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 174)
Eu também vos digo: pedi e vos será dado; buscai e
encontrareis; batei e será aberto para vós.
Lucas 11:9
Três imperativos
Pedi, buscai, batei...
Estes três imperativos da recomendação de Jesus não foram
enunciados sem um sentido especial.
No emaranhado de lutas e débitos da experiência terrestre, é
imprescindível que o homem aprenda a pedir caminhos de
libertação da antiga cadeia de convenções sufocantes,
preconceitos estéreis, dedicações vazias e hábitos cristalizados. É
necessário desejar com força e decisão a saída do escuro cipoal
em que a maioria das criaturas perdeu a visão dos interesses
eternos.
Logo após, é imprescindível buscar.
A procura constitui-se de esforço seletivo. O campo jaz
repleto de solicitações inferiores, algumas delas recamadas de
sugestões brilhantes. É indispensável localizar a ação digna e
santificadora. Muitos perseguem miragens perigosas, à maneira
das mariposas que se apaixonam pela claridade de um incêndio.
Chegam de longe, acercam-se das chamas e consomem a bênção
do corpo.
É imperativo aprender a buscar o bem legítimo.
Estabelecido o roteiro edificante, é chegado o momento de
bater à porta da edificação; sem o martelo do esforço metódico e
sem o buril da boa vontade, é muito difícil transformar os
recursos da vida carnal em obras luminosas de arte divina, com
vistas à felicidade espiritual e ao amor eterno.
Não bastará, portanto, rogar sem rumo, procurar sem exame
e agir sem objetivo elevado.
Peçamos ao Senhor nossa libertação da animalidade
primitivista, busquemos a espiritualidade sublime e trabalhemos
por nossa localização dentro dela, a fim de converter-nos em fiéis
instrumentos da divina Vontade.
Pedi, buscai, batei!... Esta trilogia de Jesus reveste-se de
especial significação para os aprendizes do Evangelho, em todos
os tempos.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 109)
Obter e pagar
Pede a graça da saúde, mas não te esqueça da própria defesa
contra a enfermidade.
Roga o favor da luz, todavia, não permaneças na sombra.
Solicita o facho da esperança, contudo, aprende a cultivar a
serenidade, a fim de que te não arrojes aos precipícios do
desespero.
Pede a bênção da coragem, mas preserva-te contra o
desânimo.
Roga a realização dos próprios desejos, entretanto, procura
adaptar-te à Vontade divina.
Solicita a concretização dos ideais superiores que te nutrem
na Terra, mas, busca agir sem apego, para que não te enamores
das próprias obras que pertencem, no fundo, à Criação divina.
Pede a graça da iniciação na fé viva, no entanto, capacita-te
de que é necessário perseverar na confiança, para que a ventania
das perturbações humanas não te apaguem a candeia da boa
vontade.
Roga a concessão de recursos materiais para a solução dos
problemas que te afligem no mundo, mas, não te esqueças de
aprender a gastar com equilíbrio e respeito sem te precipitares em
débitos insolúveis.
Solicita a alegria do amor, através dos entes queridos que te
rodeiam na existência, no entanto, reconheça que a felicidade dos
amigos é diferente da tua, para que te não convertas em tirano do
círculo afetivo.
Tudo na vida é permuta, colaboração, experiência e o nosso
trabalho é sempre um contrato entre o Senhor e nós outros, na
execução do qual precisamos receber para dar e dar para receber.
A Providência nos concede as mais ricas possibilidades em
todos os setores da jornada evolutiva, entretanto, a Lei exige a
nossa quota de contribuição.
“Pedi e obtereis” — ensinou o divino Mestre.
Não nos esqueçamos, porém, de que todas as criaturas e de
que todas as coisas são importantes no universo e que poderemos
tudo receber, mas para tudo pagar hoje ou amanhã.
(Assim vencerás. Ed. IDEAL. Cap. 31)
Pois todo aquele que pede recebe, e aquele que busca
encontra [...].
Lucas 11:10
Acharemos sempre
Ao experimentar o crente a necessidade de alguma coisa,
recorda maquinalmente a promessa do Mestre, quando assegurou
resposta adequada a qualquer que pedir.
Importa, contudo, saber o que procuramos. Naturalmente,
receberemos sempre, mas é imprescindível conhecer o objeto de
nossa solicitação.
Asseverou Jesus: “Quem busca, acha”.
Quem procura o mal encontra-se com o mal igualmente.
Existe perfeita correspondência entre nossa alma e a alma
das coisas. Não expendemos uma hipótese, examinamos uma lei.
Para os que procuram ladrões, escutando os falsos apelos do
mundo interior que lhes é próprio, todos os homens serão
desonestos. Assim ocorre aos que possuem aspirações de crença,
acercando-se, desconfiados, dos agrupamentos religiosos. Nunca
surpreendem a fé, porque tudo analisam pela má-fé a que se
acolhem. Tanto experimentam e insistem, manejando os
propósitos inferiores de que se nutrem, que nada encontram,
efetivamente, além das desilusões que esperavam.
A fim de encontrarmos o bem, é preciso buscá-lo todos os
dias.
Inegavelmente, num campo de lutas chocantes como a esfera
terrestre, a caçada ao mal é imediatamente coroada de êxito, pela
preponderância do mal entre as criaturas. A pesca do bem não é
tão fácil; no entanto, o bem será encontrado como valor divino e
eterno.
É indispensável, pois, muita vigilância na decisão de
buscarmos alguma coisa, porquanto o Mestre afirmou: “Quem
busca, acha”; e acharemos sempre o que procuramos.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 109)
Qual dentre vós é o pai que seu filho lhe pedirá um
peixe e em vez de um peixe lhe dará uma serpente?
Lucas 11:11
Respostas do Alto
Nos círculos da fé, encontramos diversos corações
extenuados e desiludidos. Referem-se à oração, à maneira de
doentes desenganados quanto à eficácia do remédio, alegando que
não recebem respostas do Alto.
Entretanto, a meditação mais profunda lhes conferiria mais
elevada noção dos divinos Desígnios, entendendo, enfim, que o
Senhor jamais oferece pedras ao filho que pede pão.
Nem sempre é possível compreender, de pronto, a resposta
celeste em nosso caminho de luta, no entanto, nunca é demais
refletir para perceber com sabedoria.
Em muitas ocasiões, a contrariedade amarga é aviso benéfico
e a doença é recurso de salvação.
Não poucas vezes, as flores da compaixão do Cristo visitam
a criatura em forma de espinhos e, em muitas circunstâncias da
experiência terrestre, as bênçãos da medicina celestial se
transformam temporariamente em feridas santificantes.
Em muitas fases da luta, o Senhor decreta a cassação de
tempo ao círculo do servidor, para que ele não encha os dias com
a repetição de graves delitos e, não raro, dá-lhe fealdade ao corpo
físico para que sua alma se ilumine e progrida.Se a paternidade terrena, imperfeita e deficiente, vela em
favor dos filhos, que dizer da Paternidade de Deus, que sustenta o
universo ao preço de inesgotável amor?
O Todo-Compassivo nunca atira pedras às mãos súplices que
lhe rogam auxílio.
Se te demoras, pois, no seio das inibições provisórias,
permanece convicto de que todos os impedimentos e dores te
foram concedidos por respostas do Alto aos teus pedidos de
socorro, amparo e lição, com vistas à vida eterna.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 166)
Portanto, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas
aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai [que está]
no céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedem.
Lucas 11:13
O Senhor dá sempre
Um pai terrestre, não obstante o carinho cego com que
muitas vezes envolve o coração, sempre sabe cercar o filho de
dádivas proveitosas.
Por que motivo o Pai celestial, cheio de sabedoria e amor,
permaneceria surdo e imóvel perante as nossas súplicas?
O devotamento paternal do supremo Senhor nos rodeia em
toda parte. Importa, contudo, não viciarmos o entendimento.
Lembremo-nos de que a Providência divina opera
invariavelmente para o bem infinito.
Liberta a atmosfera asfixiante com os recursos da
tempestade.
Defende a flor com espinhos.
Protege a plantação útil com adubos desagradáveis.
Sustenta a verdura dos vales com a dureza das rochas.
Assim também, nos círculos de lutas planetárias,
acontecimentos que nos parecem desastrosos, à atividade
particular, representam escoras ao nosso equilíbrio e ao nosso
êxito, enquanto fenômenos interpretados como calamidades na
ordem coletiva constituem enormes benefícios públicos.
Roga, pois, ao Senhor a bênção da Luz divina para o teu
coração e para a tua inteligência, a fim de que te não percas no
labirinto dos problemas; contudo, não te esqueças de que, na
maioria das ocasiões, o socorro inicial do Céu nos vem ao
caminho comum, por meio de angústias e desenganos. Aguarda,
porém, confiante, a passagem dos dias. O tempo é o nosso
explicador silencioso e te revelará ao coração a bondade infinita
do Pai que nos restaura a saúde da alma, por intermédio do
espinho da desilusão ou do amargoso elixir do sofrimento.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 63)
Quem não está comigo é contra mim; e quem não
ajunta comigo, espalha.
Lucas 11:23
Pró ou contra
Entre o bem e o mal não existe neutralidade.
De igual modo, não há miscibilidade ou transição entre a
verdade e a mentira.
Escondemo-nos na sombra ou revelamo-nos na luz.
Quem não edifica o bem só por essa omissão já está forjando
o mal em forma de negligência.
Quem foge à realidade cairá inevitavelmente no engano de
consequências imprevisíveis.
Importa considerar, entretanto, a relatividade das posições
individuais nos quadros da vida coletiva para não encarcerarmos a
própria conduta em opiniões inamovíveis.
Desse modo, busquemos sempre, acima de tudo, a verdade
fundamental que dimana do Criador e o bem maior, relativo ao
interesse espiritual de todas as criaturas.
Partindo desse princípio basilar, sentiremos a realidade do
esclarecimento justo do Senhor:
“Quem não é comigo é contra mim”.
A necessidade mais imperiosa de nossas almas é sempre
aquela do culto incessante à caridade pura sem condições de
qualquer natureza. Quem estiver fora dessa orientação respira a
distância do apostolado com Jesus.
Para assegurar-nos a firme atitude na senda reta, trazemos
dentro de nós a consciência, à feição de porta-voz do roteiro
exato.
Nos mínimos sucessos de cada dia, define-te, pois, com
clareza, para que te não abandones à neblina dos vales de
indecisão.
Estacionamento no mal, ou ascensão para o bem.
Com Jesus ou distante dele.
Isso significa que estarás ao lado do Cristo, desprezando
agora as supostas facilidades que gerarão depois as dificuldades
reais, ou abraçando, hoje, a cruz do caminho, que, amanhã,
conferir-te-á o galardão do imarcescível triunfo.
(O espírito da verdade. FEB Editora. Cap. 84)
Unificação
Trabalhar pela Unificação dos órgãos doutrinários do
Espiritismo no Brasil é prestar relevante serviço à causa do
Evangelho redentor junto à humanidade. Reunir elementos
dispersos, concatená-los e estruturar-lhes o plano de ação, na
ordem superior que nos orienta o idealismo, é serviço de
indiscutível benemerência porque demanda sacrifício pessoal,
oração e vigilância na fé renovadora e, sobretudo, elevada
capacidade de renunciação.
À maneira do trabalhador fiel que se desvela no amanho da
terra, subtraindo-lhe os espinheiros e drenando-lhe os pantanais,
cooperar na associação de energias da fraternidade legítima —
com o Espírito do Senhor —, legislando em nosso mundo íntimo,
representa obrigação de quantos se propõem a contribuir na
reconstrução planetária, a caminho da Terra regenerada e feliz.
Trabalhemos, pois, entrelaçando pensamentos e ações,
dentro dessas diretrizes superiores de confraternização
substancial. A tarefa é complexa, bem o sabemos. O ministério
exige lealdade e decisão. Todavia, sem o suor do servo fiel, a casa
pereceria sem pão.
Lembremo-nos de que a vitória do Evangelho, ainda não
alcançada, começou com a congregação de doze aprendizes,
humildes e sinceros, em torno de um Mestre sábio, paciente,
generoso e justo, e continuemos, cada qual de nós, no posto de
trabalho que lhe compete, atentos às determinações divinas da
execução do próprio dever.
(Reformador, out. 1977, p. 301)
Ele disse: bem-aventurados, antes, os que ouvem a
palavra de Deus e a guardam.
Lucas 11:28
Elogios
Dirigira-se Jesus à multidão, com o enorme poder do seu
amor, conquistando geral atenção. Mal terminara as observações
amorosas e sábias, eis que uma senhora se levanta no seio da
turba e, magnetizada pela sua expressão de espiritualidade
sublime, reporta-se, em alta voz, às bem-aventuranças que deviam
caber a Maria, por haver contribuído na vinda do Salvador à face
da Terra. Mas, prestamente, na perfeita compreensão das
consequências infelizes que poderiam advir da atitude impensada,
responde o Mestre que, antes de tudo, serão bem-aventurados os
que ouvem a revelação de Deus e lhe praticam os ensinamentos,
observando-lhe os princípios.
A passagem constitui esclarecimento vivo para que não se
amorteça, entre os discípulos sinceros, a campanha contra o
elogio pessoal, veneno das obras mais santas a sufocar-lhes
propósitos e esperanças.
Se admiras algum companheiro que se categoriza a teus
olhos por trabalhador fiel do bem, não o perturbes com palavras,
das quais o mundo tem abusado muitas vezes, construindo frases
superficiais, no perigoso festim da lisonja. Ajuda-o, com boa
vontade e entendimento, na execução do ministério que lhe
compete, sem te esqueceres de que, acima de todas as bem-
aventuranças, brilham os divinos dons daqueles que ouvem a
palavra do Senhor, colocando-a em prática.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 70)
Portanto, examina [se] a luz [que há] em ti não é
treva.
Lucas 11:35
Vê, pois
Há ciência e há sabedoria, inteligência e conhecimento,
intelectualidade e luz espiritual.
Geralmente, todo homem de raciocínio fácil é interpretado à
conta de mais sábio, no entanto, há que distinguir.
O homem não possui ainda qualidades para registrar a
verdadeira luz. Daí, a necessidade de prudência e vigilância.
Em todos os lugares, há industriosos e entendidos,
conhecedores e psicólogos. Muitas vezes, porém, não passam de
oportunistas prontos para o golpe do interesse inferior.
Quantos escrevem livros abomináveis, espalhando veneno
nos corações? Quantos se aproveitam do rótulo da própria
caridade visando extrair vantagens à ambição?
Não bastam o engenho e a habilidade. Não satisfaz a simples
visão psicológica. É preciso luz divina.
Há homens que, num instante, apreendem toda a extensão
dum campo, conhecem-lhe a terra, identificam-lhe o valor. Há,
todavia, poucos homens que se apercebem de tudo isso e se
disponham a suar por ele, amando-o antes de explorá-lo, dando-
lhe compreensão antes da exigência.
Nem sempre a luz reside onde a opinião comum pretende
observá-la.
Sagacidade não chegaa ser elevação, e o poder expressivo
apenas é respeitável e sagrado quando se torna ação construtiva
com a luz divina.
Raciocina, pois, sobre a própria vida.
Vê, com clareza, se a pretensa claridade que há em ti não é
sombra de cegueira espiritual.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 33)
Todavia, dai as [coisas] interiores [como] dádiva
[…].
Lucas 11:41
Esmola
A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa
beleza que não podemos perder de vista.
No capítulo da esmola, a recomendação do Mestre, dentro da
narrativa de Lucas, merece apontamentos especiais.
“Dai antes esmola do que tiverdes.”
Dar o que temos é diferente de dar o que detemos.
A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se
nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a
abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho,
remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e
ensinando-a.
É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são
bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos
fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.
O dono de todo o poder e de toda a riqueza no universo é
Deus, nosso Criador e Pai, que empresta recursos aos homens,
segundo os méritos ou as necessidades de cada um.
Não olvidemos, assim, as doações de nossa esfera íntima e
perguntemos a nós mesmos:
Que temos de nós próprios para dar?
Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros?
Que reações provocamos no próximo?
Que distribuímos com os nossos companheiros de luta
diária?
Qual é o estoque de nossos sentimentos?
Que tipo de vibrações espalhamos?
Para difundir a bondade, ninguém precisa cultivar riso
estridente ou sorrisos baratos, mas, para não darmos pedras de
indiferença aos corações famintos de pão da fraternidade, é
indispensável amealhar em nosso espírito as reservas da boa
compreensão, emitindo o tesouro de amizade e entendimento que
o Mestre nos confiou em serviço ao bem de quantos nos rodeiam,
perto ou longe.
É sempre reduzida a caridade que alimenta o estômago, mas
que não esquece a ofensa, que não se dispõe a servir diretamente
ou que não acende luz para a ignorância.
O aviso do Instrutor divino nas anotações de Lucas significa:
dai esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai
alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação
com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao próximo,
porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de
felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de
todas.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 60)
Por isso também a Sabedoria de Deus disse: enviarei
a eles profetas e apóstolos, e [a alguns] deles
matarão e perseguirão.
Lucas 11:49
Profetas e apóstolos33
(Harmonização. Ed. GEEM. Cap. “Profetas e apóstolos”)
33 N.E.: Vide nota 12.
[…] Primeiramente, acautelai-vos do fermento dos
fariseus, que é a hipocrisia.
Lucas 12:1
Fariseus
Fariseu ainda é todo homem presunçoso, dogmático,
exclusivo, pretenso privilegiado das Forças divinas.
O orgulhoso descendente dos doutores de Jerusalém ainda
vive. Atravessa todas as organizações humanas. Respira em todos
os templos terrestres. Acredita-se o herdeiro único da divina
Bondade. Nada aprecia senão pelo prisma do orgulho pessoal.
Traça programas caprichosos e intenta torcer as próprias leis
universais, submetendo-as ao ponto de vista que esposou na sua
escola ou no seu argumento sectarista.
Jamais comparece, ante a bênção do Senhor, na condição de
alguém que se converteu em instrumento de seus amorosos
desígnios, mas como crente orgulhoso, cheio de propósitos
individualistas, declarando-se detentor de considerações
especiais.
Os aprendizes fiéis necessitam acautelar-se contra o levedo
de tais enfermos do espírito.
Toda ideia opera fermentações mentais.
Certamente que o Mestre não determinou a morte dos
fariseus, mas recomendou cautela em se tratando da influenciação
deles.
Exigências farisaicas constituem perigosas moléstias da
alma. Urge auxiliar o doente e extinguir a enfermidade. Todavia,
não conseguiremos a realização, provocando tumultos, e sim
usando a cautela na antiga recomendação de vigilância.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 54)
Eu vos digo: todo aquele que se declarar por mim
diante dos homens, também o filho do homem se
declarará por ele diante dos anjos de Deus.
Lucas 12:8
Confessar o Mestre34
Muitos companheiros de labor evangélico supõem que
confessar o Mestre se resume tão somente numa profissão de fé,
por intermédio das palavras. Para a demonstração de que
aderimos, sinceramente, a Jesus, bastará subir a uma tribuna ou
discutir, acaloradamente, com alguns amigos que ainda não nos
conseguem compreender? Semelhante confissão tem sido o
objetivo da maioria dos discípulos, através dos tempos; mas, essa
atitude desassombrada é uma das faces da realização, sem
constituir, entretanto, o seu precioso conjunto. Confessar o Cristo,
diante dos homens, é revelar-lhe a luz e o poder, em ações de
amor e desprendimento, que os homens vulgares ainda não
conhecem. Não será instituir convicções apressadas nos outros,
mas pautar a vida em plano diferente e superior, de sorte que os
espíritos mais frágeis ou levianos possam encontrar, junto de
nossa alma, algo de mais elevado, que não sentem noutros lugares
e situações do mundo.
Não é fácil confessar a Jesus entre as comunidades terrestres,
quando sabemos que ele próprio foi por elas conduzido à cruz do
martírio; mas, é dessa confissão que a sua palavra persuasiva nos
fala no Evangelho da Verdade e do Amor.
É preciso se precate o discípulo contra o perigo de uma
adesão verbal, sem a participação de suas energias interiores.
O Senhor deseja ser confessado pelos seus continuadores nas
estradas do mundo; mas, esse ato não se pratica apenas por
palavras e sim por todas as demonstrações vivas do coração.
(Reformador, jan. 1942, p. 1)
34 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Contra o perigo”, com pequenas
alterações. Mentores e seareiros. Ed. IDEAL. Cap. “Confessar o mestre”, com pequenas
alterações.
E disse-lhes: olhai! Guardai-vos de toda avareza,
porque a vida de alguém não está na abundância dos
seus bens.
Lucas 12:15
Bens externos
“A vida de um homem não consiste na abundância das
coisas que possui.”
A palavra do Mestre está cheia de oportunidade para
quaisquer círculos de atividade humana, em todos os tempos.
Um homem poderá reter vasta porção de dinheiro. Porém,
que fará dele?
Poderá exercer extensa autoridade. Entretanto, como se
comportará dentro dela?
Poderá dispor de muitas propriedades. Todavia, de que modo
utiliza os patrimônios provisórios?
Terá muitos projetos elevados. Quantos edificou?
Poderá guardar inúmeros ideais de perfeição. Mas estará
atendendo aos nobres princípios de que é portador?
Terá escrito milhares de páginas. Qual a substância de sua
obra?
Contará muitos anos de existência no corpo. No entanto, que
fez do tempo?
Poderá contar com numerosos amigos. Como se conduz
perante as afeições que o cercam?
Nossa vida não consiste da riqueza numérica de coisas e
graças, aquisições nominais e títulos exteriores. Nossa paz e
felicidade dependem do uso que fizermos, onde nos encontramos
hoje, aqui e agora, das oportunidades e dons, situações e favores,
recebidos do Altíssimo.
Não procures amontoar levianamente o que deténs por
empréstimo. Mobiliza, com critério, os recursos depositados em
tuas mãos.
O Senhor não te identificará pelos tesouros que ajuntaste,
pelas bênçãos que retiveste, pelos anos que viveste no corpo
físico. Reconhecer-te-á pelo emprego dos teus dons, pelo valor de
tuas realizações e pelas obras que deixaste, em torno dos próprios
pés.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 165)
Recursos35
Frequentemente, quando nos referimos à propriedade,
recordamos, de imediato, posses e haveres de expressão material
e reconstituímos na lembrança a imagem dos nossos amigos que
carregam compromissos com a fortuna terrestre, como se eles
fossem os únicos responsáveis pelo equilíbrio do mundo.
Entretanto,assim agindo, escorregamos inconscientemente para a
fuga de nossos próprios deveres, sem que isso nos isente das
obrigações assumidas.
Simbolicamente, todos retemos capitais a movimentar, uma
vez que, em cada estância regeneradora ou evolutiva em que nos
encontremos, somos acompanhados por valiosos créditos de
tempo, através dos quais a divina Providência nos considera
iguais pela necessidade e, simultaneamente, nos diferencia uns
dos outros pela aplicação individual que fazemos deles.
Somos todos, desse modo, convocados não apenas a
empregar dinheiro, mas também saúde, condição, profissão,
habilidade, entendimento, cultura, relações e possibilidades outras
de que sejamos detentores, em favor dos outros, porquanto pelas
nossas próprias ações somos valorizados ou depreciados,
enriquecidos ou podados em nossos recursos pela contabilidade
da eterna Justiça.
Permaneçamos, assim, atentos às menores oportunidades de
ajudar que se nos ofereçam, na experiência cotidiana,
aproveitando-as, quanto possível, porque, se as nossas reservas de
tempo estão sendo realmente depositadas no Fundo de Serviço ao
Próximo, no Banco da Vida, a Carteira do Suprimento
Espontâneo nos enviará, estejamos onde estivermos, os
dividendos de auxílio e felicidade a que tenhamos direito, sem
que haja, de nossa parte, nem mesmo a preocupação de sacar.
(Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 41)
Emprego de riquezas36
Foge de reprovar todos aqueles que transitam na Terra sob a
cruz do dinheiro, a definir-se, frequentemente, por fardo de
aflição.
Não somente os depósitos amoedados podem ser convertidos
em trabalho renovador e santificante.
Todas as disponibilidades da natureza são forças neutras.
O ouro e o vapor, a eletricidade e o magnetismo não são
maus e nem bons em si mesmos; o uso é o denominador comum
que lhes revela os bens ou os males decorrentes do controle e da
orientação que lhes imprimimos.
Meditemos na utilização daquelas outras riquezas que nos
felicitam a cada hora.
No teste individual, é desnecessário ir longe para a justa
demonstração.
Ouçamos a consciência sobre o aproveitamento de todas as
preciosas possibilidades do corpo que nos patenteiam a mente.
Diante de uma cena suspeitosa, observemos a conduta que
ditamos aos olhos para que nos auxiliem a fixar as imagens
edificantes, com espontâneo desinteresse por todos os
ingredientes capazes de formar o vinagre da injúria.
Escutando essa ou aquela notícia inusitada, reparemos a
diretriz que impomos aos próprios ouvidos, de modo a que
retenham o melhor das informações recolhidas, a fim de que a
nossa palavra se abstenha de tudo o que possa constituir agravo a
instituições e pessoas.
À frente do trabalho, é preciso anotar que espécie de
comportamento indicamos aos nossos implementos de
manifestação, para que não nos disponhamos a ilaquear os
deveres que nos competem, com flagrante prejuízo dos outros.
Em assuntos do sentimento, será forçoso perguntar, no
íntimo, quanto ao procedimento que sugerimos aos nossos
recursos de expressão afetiva, para que, em nome do amor, não
venhamos a precipitar corações sensíveis e generosos em abismos
de criminalidade e desilusão.
Reflitamos nos talentos divinos que nos abençoam em todas
as esferas da existência e, desejando felicidade e vitória, a todos
os nossos amigos que se movimentam, no mundo, sob o peso da
fortuna transitória, com difíceis problemas a resolver, anotemos
com imparcialidade como empregamos, dia a dia, os créditos do
tempo e os tesouros da vida, para que venhamos a saber com
segurança o que estamos fazendo realmente de nós.
(Reformador, fev. 1963, p. 32)
Avareza
Fujamos à retenção de qualquer possibilidade sem espírito
de serviço.
Avareza não consiste apenas em amealhar o dinheiro nos
cofres da mesquinhez.
As próprias águas benfeitoras da natureza, quando
encarceradas sem preocupação de benefício, costumam formar
zonas infecciosas. Quem vive à cata de compensações,
englobando-as ao redor de si, não passa igualmente de avaro
infeliz.
Toda avareza é centralização doentia, preparando metas de
sofrimento.
Não basta saber pedir, nem basta a habilidade e a eficiência
em conquistar. É preciso adquirir no clima do Cristo, espalhando
os benefícios da posse temporária, para que a própria existência
não constitua obstáculo à paz e à alegria dos outros.
Inúmeros homens, atacados pelo vírus da avareza, muito
ganharam em fortuna, autoridade e inteligência, mas apenas
conseguiram, ao termo da experiência, a perversão dos que mais
amavam e o ódio dos que lhes eram vizinhos.
Amontoaram vantagens para a própria perda. Arruinaram-se,
envenenando, igualmente, os que lhes partilharam as tarefas no
mundo.
Recordemos a palavra do Mestre divino, gravando-a no
espírito.
A vida do homem não consiste na abundância daquilo que
possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia,
atendendo aos desígnios do supremo Senhor.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 52)
35 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Fundo de serviço”, com pequenas
alterações.
36 Texto publicado em Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 43, com
pequenas alterações.
Mas disse-lhe Deus: insensato! Nesta noite,
requisitam a tua alma de ti; e o que preparastes para
quem será?
Lucas 12:20
Posses terrestres37
Do ponto de vista da posse, de que disporá, o homem, que
realmente lhe pertença?
O corpo é uma bênção que lhe foi concedida pelos pais, em
nome do amor eterno que rege a vida.
A família é uma equipe de corações afins e menos afins, em
que ele estagia.
Os laços afetivos em que se motiva para trabalhar e viver
podem ser mudados ou subtraídos, a qualquer tempo.
O nome é uma doação do registro civil que o arrola nos
acervos da estatística para definir-lhe o nascimento e a situação.
As potências mentais e os recursos físicos que se lhe erigem
por instrumentos sutis de manifestação, muita vez são suscetíveis
de sofrer temporárias cassações, dentro dos princípios de causa e
efeito.
O prestígio social é um movimento digno, mas claramente
mutável, entretecido pelas opiniões de amigos e adversários.
O conhecimento intelectual é um quadro de afirmações
provisórias, no edifício da evolução, de que ele compartilha sem
ser o responsável.
A fortuna material é um empréstimo dos Poderes superiores,
que, não raro, lhe escapa ao controle, quando menos espera.
Tudo o que a criatura humana possui é tão somente
obséquio, concessão, favor ou benefício da Providência divina ou
da Bondade humana.
Todos temos efetivamente de nós unicamente a nossa própria
alma, e, já que somos usufrutuários de todos os bens da vida,
estejamos constantemente prevenidos para dar conta de nós
próprios, ante as Leis do Destino, no tocante a uso e proveito,
rendimento e administração.
(Brasil espírita, out. 1971, p. 3)
Lucros
Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação
de ganhar. O espírito de lucro alcança os setores mais singelos.
Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se
interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. A
atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a
desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de
experimentarem a mina lucrativa. Nesse sentido, a maioria das
criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante.
Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que
saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga:
— Que trouxeste?
O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se
esforçou por assegurar a posição tranquila de si mesmo e dos
seus.
Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre,
que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da
alma, nem trazem o selo dos bens eternos.
Atingida semelhante equação, o viajor olha para trás e sente
frio. Prende-se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o
que amontoou na crosta da Terra. A consciência inquieta enche-se
de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti,
porque teus lucros foram perdas desastrosas! “E o que tens
ajuntado, para quem será?”.(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 56)
Supercultura e calamidades morais38
Não basta ajuntar valores materiais para a garantia da
felicidade.
A supercultura consegue atualmente na Terra feitos
prodigiosos, em todos os reinos da natureza física, desde o
controle das forças atômicas às realizações da astronáutica. No
entanto, entre os povos mais adiantados do Planeta, avançam duas
calamidades morais do materialismo, corrompendo-lhes as forças:
o suicídio e a loucura, ou, mais propriamente, a angústia e a
obsessão.
É que o homem não se aprovisiona de reservas espirituais à
custa de máquinas. Para suportar os atritos necessários à evolução
e aos conflitos resultantes da luta regenerativa, precisa alimentar-
se com recursos da alma e apoiar-se neles.
Nesse sentido, vale recordar o sensato comentário de Allan
Kardec, no item 14, do capítulo V, de “O evangelho segundo o
espiritismo”, sob a epígrafe “O Suicídio e a Loucura”:
“A calma e a resignação hauridas na maneira de considerar a
vida terrestre e da confiança no futuro dão ao Espírito uma
serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o
suicídio. Com efeito, é certo que a maioria dos casos de loucura
se devem à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem
não tem a coragem de suportar. Ora, se encarando as coisas deste
mundo da maneira por que o Espiritismo faz que ele as considere,
o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses
e as decepções que o houveram desesperado noutras
circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca
acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a razão, os
quais, se não fora isso, o conturbariam.”
Espíritas, amigos! atendamos à caridade que suprime a
penúria do corpo, mas não menosprezemos o socorro às
necessidades da alma! Divulguemos a luz da Doutrina Espírita!
Auxiliemos o próximo a discernir e pensar.
(Entre irmãos de outras terras. FEB Editora. Cap. 12)
Caso grave
Dentre os nossos companheiros de experiência humana,
aquele:
Que apenas enxerga as suas necessidades, sem consideração
para com as necessidades de seus vizinhos;
Que jamais se afastou da casa farta, nem mesmo por
momentos, para levar um pão à choupana que a penúria vigia;
Que nunca se lembrou de oferecer migalha dos recursos que
lhe são próprios, nas obras da solidariedade;
Que vê exclusivamente as exigências dos próprios filhos,
laureando-os de abastança e carinho sem tentar, nem mesmo ao de
leve, minorar o suplício das crianças abandonadas;
Que se iluminou com o facho da ciência e se trancafiou em
bibliotecas valiosas, sem estender a mais ligeira réstia de luz aos
ignorantes;
Que se enriqueceu de tributos afetivos no lar tranquilo, sem
acender, em tempo algum, o menor raio de esperança ou de
alegria para a viuvez em desamparo;
Que unicamente sabe desfrutar vantagens pessoais, sem
alongar braço amigo na direção dos que anseiam por singela
oportunidade das muitas oportunidades de elevação e progresso
que lhe favorecem a vida;
Que vai, existência afora, no carro da saúde física, cerrando
os ouvidos para não escutar o choro e a súplica dos doentes que
lhe rogam proteção e consolo;
É, de todos os irmãos prejudicados pelo egoísmo, um caso
dos mais graves e dos que mais carecem de piedade, com direito a
ser internado com urgência em nosso pronto-socorro da oração.
(Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 46)
Que pedes?39
Que pedes à vida, amigo?
Os ambiciosos reclamam reservas de milhões.
Os egoístas exigem todas as satisfações para si somente.
Os arbitrários solicitam atenção exclusiva aos caprichos que
lhes são próprios.
Os vaidosos reclamam louvores.
Os invejosos exigem compensações que lhes não cabem.
Os despeitados solicitam considerações indébitas.
Os ociosos pedem prosperidade sem esforço.
Os tolos reclamam divertimentos sem preocupação de
serviço.
Os revoltados reclamam direitos sem deveres.
Os extravagantes exigem saúde sem cuidados.
Os impacientes aguardam realizações sem bases.
Os insaciáveis pedem todos os bens, olvidando as
necessidades dos outros.
Essencialmente considerando, porém, tudo isto é verdadeira
loucura, tudo fantasia do coração que se atirou exclusivamente à
posse efêmera das coisas mutáveis.
Vigia, assim, cautelosamente, o plano de teus desejos.
Que pedes à vida?
Não te esqueças de que, talvez nesta noite, pedirá o Senhor a
tua alma.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 35)
37 Texto publicado em Alvorada do reino. Ed. IDEAL. Cap. “Posses terrestres”, com
alterações.
38 Texto publicado em Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 37. Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap.
“Esta noite!...”, com pequenas alterações.
39 Texto publicado em Nosso livro. Ed. LAKE. Cap. “Que pedes?”, com pequenas alterações.
Assim [é] o que entesoura para si mesmo, mas não
está enriquecendo para Deus.
Lucas 12:21
Assim será
Guardarás inúmeros títulos de posse sobre as utilidades
terrestres, mas se não és senhor de tua própria alma, todo o teu
patrimônio não passará de simples introdução à loucura.
Multiplicarás, em torno de teus pés, maravilhosos jardins da
alegria juvenil, entretanto, se não adquirires o conhecimento
superior para o roteiro de amanhã, a tua mocidade será a véspera
ruidosa da verdadeira velhice.
Cobrirás com medalhas honoríficas o teu peito, aumentando
a série dos admiradores que te aplaudem, mas, se a luz da reta
consciência não te banha o coração, assemelhar-te-ás a um cofre
de trevas, enfeitado por fora e vazio por dentro.
Amontoarás riquezas e apetrechos de conforto para a tua
casa terrena, imprimindo-lhe perfil dominante e revestindo-a de
esplendores artísticos, contudo, se não possuíres na intimidade do
lar a harmonia que sustenta a felicidade de viver, o teu domicílio
será tão somente um mausoléu adornado.
Empilharás moedas de ouro e prata, à sombra das quais
falarás com autoridade e influência aos ouvidos do próximo,
todavia, se os teus haveres não se dilatam, em forma de socorro e
trabalho, estímulo e educação, em favor dos semelhantes, és
apenas um viajor descuidado, no rumo de pavorosas desilusões.
Crescerás horizontalmente, conquistarás o poder e a fama,
reverenciar-te-ão a presença física na Terra, mas, se não trouxeres
contigo os valores do bem, ombrearás com os infelizes, em
marcha imprevidente para as ruínas do desencanto.
Assim será “todo aquele que ajunta tesouros para si, sem ser
rico para com Deus”.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 120)
Portanto, se não podeis o mínimo, por que vos
inquietais a respeito do restante?
Lucas 12:26
Coisas mínimas40
Pouca gente conhece a importância da boa execução das
coisas mínimas.
Há homens que, com falsa superioridade, zombam das
tarefas humildes, como se não fossem imprescindíveis ao êxito
dos trabalhos de maior envergadura. Um sábio não pode
esquecer-se de que, um dia, necessitou aprender com as letras
simples do alfabeto.
Além disso, nenhuma obra é perfeita se as particularidades
não foram devidamente consideradas e compreendidas.
De modo geral, o homem está sempre fascinado pelas
situações de grande evidência, pelos destinos dramáticos e
empolgantes.
Destacar-se, entretanto, exige muitos cuidados. Os espinhos
também se destacam, as pedras salientam-se na estrada comum.
Convém, desse modo, atender às coisas mínimas da senda
que Deus nos reservou, para que a nossa ação se fixe com real
proveito à vida.
A sinfonia estará perturbada se faltou uma nota, o poema é
obscuro quando se omite um verso.
Estejamos zelosos pelas coisas pequeninas, pois são parte
integrante e inalienável dos grandes feitos. Compreendendo a
importância disso, o Mestre nos interroga no Evangelho de Lucas:
“Pois se nem podeis ainda fazer as coisas mínimas, por que estais
ansiosos pelas outras?”.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 31)
40 Texto publicado em Luz no caminho. Ed. Cultura Espírita União. Cap. “Coisas mínimas”,
com pequenas alterações.
Pois onde está o vosso tesouro, ali estará também o
vosso coração.
Lucas 12:34
O tesouro maior
No mundo, os templos da fé religiosa, desde que
consagrados à Divindade doPai, são departamentos da casa
infinita de Deus, onde Jesus ministra os seus bens aos corações da
Terra, independentemente da escola de crença a que se filiam.
A essas subdivisões do eterno santuário comparecem os
tutelados do Cristo, em seus diferentes graus de compreensão.
Cada qual, instintivamente, revela ao Senhor onde coloca seu
tesouro.
Muitas vezes, por isso mesmo, nos recintos diversos de sua
casa, Jesus recebe, sem resposta, as súplicas de inúmeros crentes
de mentalidade infantil, contraditórias ou contraproducentes.
O egoísta fala de seu tesouro, exaltando as posses precárias;
o avarento refere-se a mesquinhas preocupações; o gozador
demonstra apetites insaciáveis; o fanático repete pedidos loucos.
Cada qual apresenta seu capricho ferido como a dor maior.
Cristo ouve-lhes as solicitações e espera a oportunidade de
dar-lhes a conhecer o tesouro imperecível. Ouve em silêncio,
porque a erva tenra pede tempo destinado ao processo evolutivo e
espera, confiante, porquanto não prescinde da colaboração dos
discípulos resolutos e sinceros para a extensão do divino
apostolado. No momento adequado, surgem esses, ao seu influxo
sublime, e a paisagem dos templos se modifica. Não são apenas
crentes que comparecem para a rogativa, são trabalhadores
decididos que chegam para o trabalho. Cheios de coragem,
dispostos a morrer para que outros alcancem a vida, exemplificam
a renúncia e o desinteresse, revelam a vontade do Pai em si
próprios e, com isso, ampliam no mundo a compreensão do
tesouro maior, sintetizado na conquista da luz eterna e do amor
universal, que já lhes enriquece o espírito engrandecido.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 64)
Pensamento e forma41
O sentimento inspira.
O pensamento plasma.
A palavra orienta.
O ato realiza.
Figuremos, assim, a ideia como sendo a fonte, nascida no
manancial do coração e traçando a si mesma o curso que lhe é
próprio.
O pensamento vibra, desse modo, no alicerce de todas as
formas e de todas experiências da vida.
Pensando, o arquiteto imagina o edifício a elevar-se do solo,
o técnico cria a máquina que diminui o esforço braçal do homem,
o escultor arranca ao mármore os primores da estatuária e o artista
compõe sublimadas formações da beleza, endereçando apelos à
ciência e à virtude.
E é também pensando que o usurário levanta para si mesmo
o inferno da posse insaciável, que o viciado gera as fantasias
monstruosas que o conduzem à delinquência, que o criminoso se
arroja aos abismos da perversidade, nos quais se afogará em
desilusão, e que o preguiçoso coagula para si mesmo os venenos
da inércia.
Em razão disso, depois da morte do corpo, mais
intensivamente vive a alma nas criações a que se afeiçoa.
Isso não quer dizer que haja retrocesso na marcha evolutiva
do Espírito, mas estagnação do ser nas formas infelizes em que se
compraz, pelo seu próprio pensamento desgovernado e delituoso.
Com isso, desejamos igualmente dizer que todos
influenciamos e somos influenciados.
Agimos e reagimos.
E se os missionários do bem recebem dos planos superiores
a força que lhes enriquece as ações para a vitória da luz, os
tarefeiros do mal recolhem dos planos inferiores as sugestões que
lhes infelicitam a senda, inclinando-os aos resvaladouros da treva.
Assim, pois, recordemos o magnetismo desvairado das
inteligências que se transviam nas sombras e compreenderemos a
loucura temporária que ele pode trazer às almas que o provocam.
— “Viverá o homem onde situe o coração” — diz-nos o
Evangelho e podemos acrescentar, sem trair o ensinamento do
Senhor, que onde colocarmos o pensamento – força viva de nosso
coração — aí manifestará, como é justo, a forma de nossa vida.
(Reformador, mar. 1957, p. 58)
41 Texto publicado em Semeador em tempos novos. Ed. GEEM. Cap. “Pensamento e forma”,
com pequenas alterações. Assim vencerás. Ed. IDEAL. Cap. 33, com pequenas alterações.
Aquele, porém, que não soube e fez [coisas] dignas de
açoite, será açoitado poucas [vezes]. A todo aquele
que muito foi dado, muito lhe será requerido; e ao
que muito foi confiado, ainda mais lhe será pedido.
Lucas 12:48
Para e pensa
Se a perturbação, por ventania gritante, ruge à porta, não te
entregues aos pensamentos desordenados que aflições e temores
te sugiram à alma.
Para e pensa.
Escorregaste no erro e experimentas a inquietação decorrente
da falta cometida, como se te imobilizasses na vertigem
permanente da queda...
Aceitaste o alvitre de ilusões ardilosas e tomaste caminho
inverso, reconhecendo-te na condição de alguém, cujo veículo
dispara em declive ameaçador, no rumo do abismo...
Superestimaste as próprias forças e assumiste compromissos,
acima da própria capacidade, lembrando um discípulo
injustamente aguilhoado num teste de competência, para o qual se
encontra ainda imaturo...
Viste companheiros queridos internados em labirintos de
sombra, assestando baterias contra a lógica, a te depreciarem o
culto à sinceridade e trazes, por isso, o coração arpoado por
doloroso desencanto...
Sofreste perdas consideráveis e guardas o espírito, à feição
de barco à matroca...
Distorceste o raciocínio, sob o efeito de palavras loucas,
desfechadas no ambiente em que vives e cambaleias, qual se
tivesses o ânimo ferreteado por dardos de fogo e fel...
Recorda, porém, que pacificação e reajuste são recursos de
retorno à tranquilidade e à estrada certa.
Entretanto, recuperação e paz em nós reclamam
reconhecimento de dever a cumprir.
A vista disso, se desatinos dessa ou daquela procedência te
visitam a alma, entra em ti mesmo e acende a luz da prece,
reexaminando atitudes e reconsiderando problemas, entendendo
que a renovação somente será verdadeira renovação para o bem,
não à custa de compressões exteriores, mas se projetarmos ao tear
da vida o fio do próprio pensamento, intimamente reajustado e
emendado por nós.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 57)
Responsabilidade42
Quase sempre, registrando a afirmativa do Senhor — “muito
se pedirá a quem muito recebeu” —, automaticamente nos
recordamos daquelas criaturas a quem devemos apreço pela
eminência a que foram guindadas nas telas de nosso tempo e de
nossa vida.
E lembramos os grandes mordomos da economia amoedada,
os vultos distintos da Religião, os destacados criadores do
pensamento literário, os cientistas de prol e personalidades outras
de nosso convívio que transcenderam por seu trabalho a craveira
comum.
E delas exigindo maiores somas de renunciação pessoal em
nosso proveito, esquecemo-nos da quota de recursos do espírito
que nos foi adjudicada para que também nos ergamos de nível no
campo da experiência.
É imperioso saber que a responsabilidade não pode
centralizar-se de maneira absoluta em alguém, sob pena de
sufocarmos o progresso em seu impulso divino.
À feição da escola em que a instrução crescente é patrimônio
de aprendizes e educadores e à maneira da oficina em que o
trabalho é riqueza de dirigentes e dirigidos, no terreno das
conquistas morais, é preciso não esquecer que todos somos
chamados à obra em conjunto, na qual somos todos devedores à
felicidade geral, no esforço que corresponda aos valores que
recebemos.
Assim, pois, ante a palavra do Cristo, não te fixes apenas no
“muito” que os outros entesouraram, mas lembra, acima de tudo,
os talentos que guardas por tua vez, à espera de tua própria
consagração ao bem, para que possas responder, sem corar, no
balanço das horas, quando se pedirá de ti contas justas das
bênçãos de segurança e conhecimento que acumulas contigo, com
a obrigação de fazê-las frutificar na esfera do serviço e no campo
do rendimento.
(Reformador, jul. 1960, p. 150)
42 Texto publicado em Cura. Ed. GEEM. Cap. “Responsabilidade”, com pequenas alterações.
Vim lançar fogo sobre a terra [...].
Lucas 12:49
Ante o sol eterno43
“Vim trazer fogo à Terra” — disse-nos o Senhor.
Semelhantes palavras do divino Mestre podem induzir o
discípulo invigilante aos mais estranhos pensamentos.
É preciso, porém, exumar o espírito da letra, na alimentação
de nossas almas, tantoquanto, no fruto, para o serviço da
refeição, liberamos a polpa do envoltório que a constringe.
Jesus não se propunha ombrear com o petroleiro comum,
intérprete da indisciplina e do desespero.
Cristo trazia-nos calor ao espírito enregelado na indiferença
e no vício de séculos incessantes...
Chama viva para extinguir as trevas de nosso passado
obscuro e delituoso, lume para clarear a senda que nos cabe
trilhar nos sacrifícios do presente, a caminho do grande porvir que
a vida nos reserva...
Flama de brio restaurador com que nos cabe atender aos
compromissos esposados no esforço regenerativo e braseiro rubro
de responsabilidade, que, situado no campo de nossa consciência,
impeça a germinação ou o crescimento do joio venenoso da
crueldade e do ódio...
Labareda de fé renovadora, suscetível de purificar-nos o
sentimento e soerguê-lo à prática da caridade genuína, e pira
ardente de amor que nos aprume a alma arrojada ao pó de velhas
desilusões, a fim de que possamos penetrar, como filhos de Deus,
o santuário de nossa sublimação para a divina imortalidade...
Se ouviste, pois, a palavra de Jesus, decerto conduzes
contigo não mais o frio do desânimo ou a paralisia da ociosidade
e da queixa, porque terás inflamado o próprio coração, ao sol
glorioso da compreensão e do trabalho incessantes, única força
capaz de levantar-nos, enfim, do antigo vale da negação e da
morte.
(Reformador, jan. 1958, p. 23)
43 Texto publicado em Escrínio de luz. Ed. O Clarim. Cap. “Ante o sol eterno”.
Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu
vos digo que muitos buscarão entrar e não serão
capazes.
Lucas 13:24
A senda estreita
Não te aconselhes com a facilidade humana para a solução
dos problemas que te inquietam a alma.
Realização pede trabalho.
Vitória exige luta.
Muitos jornadeiam no mundo na larga avenida dos prazeres
efêmeros e esbarram no cipoal do tédio ou da intemperança,
quando não sucumbem sob as farpas do crime.
Muitos preferem a estrada agradável dos caprichos pessoais
atendidos e caem, desavisados, nos fojos de tenebrosos enganos,
quando não se despenham nos precipícios de tardio
arrependimento.
Seja qual for a experiência em que te situas, na Terra,
lembra-te de que ninguém recebe um berço entre os homens para
acomodar-se com a inércia, no desprezo deliberado às leis que
regem a vida.
Nosso dever é a nossa escola.
Por isso mesmo, a senda estreita a que se refere Jesus é a
fidelidade que nos cabe manter limpa e constante, no culto às
obrigações assumidas diante do Bem eterno.
Para sustentá-la, é imprescindível sacrificar no santuário do
coração tudo aquilo que constitua bagagem de sombra no campo
de nossas aspirações e desejos.
Adaptarmo-nos à disciplina do próprio espírito na garantia
da felicidade geral é estabelecer em nós próprios o caminho para
o Céu que almejamos.
Não te detenhas no círculo das vantagens que se apagam em
fulguração passageira, de vez que a ociosidade compra, em
desfavor de si mesma, as chagas da penúria e as trevas da
ignorância.
Porfia na renúncia que eleva e edifica, enobrece e ilumina.
Não desdenhes a provação e o trabalho, a abnegação e o
suor.
E, em todas as circunstâncias, recorda sempre que a “porta
larga” é a paixão desregrada do “eu” e a “porta estreita” é sempre
o amor intraduzível e incomensurável de Deus.
(Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 12)
Porta estreita
Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma
estima na “porta estreita” a sua oportunidade gloriosa nos círculos
carnais.
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia
pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina.
Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede
outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do
entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o
serviço de retificação e aperfeiçoamento.
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência
terrestre, volta a procurar as “portas largas” por onde transitam as
multidões.
Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal.
Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos
outros para si.
E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de
evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os
compromissos assumidos.
Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a
enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.
“Ah! se fosse possível voltar!...” — pensam todos.
Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no
mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!...
Com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos
outros!...
Mas... é tarde. Rogaram a “porta estreita” e receberam-na,
entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se
acomodaram muito bem nas “portas largas”, volvem a integrar as
fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não
conseguem.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 20)
A porta estreita
Aceitemos a dificuldade por mestra amorável, se esperamos
que a vida nos entregue os seus tesouros.
Sem a porta estreita do obstáculo, não conseguiríamos medir
a nossa capacidade de trabalho ou ajuizar quanto à nossa fé.
As lições do próprio suor são as mais preciosas.
Os ensinamentos hauridos na própria renúncia são aqueles
que se nos estampam na alma, no campo evolutivo.
Ouvimos mil conselhos edificantes e sorrimos, ante o
fracasso iminente.
Basta, porém, por vezes, uma pequena dor para que se nos
consolide a cautela à frente do perigo.
Com discernimento louvável, improvisamos prodigiosos
facilitários de felicidade para os outros, indicando-lhes o melhor
caminho para a vitória no bem ou para a comunhão com Deus,
entretanto, à primeira alfinetada do caminho sobre nossas
esperanças mais caras, habitualmente, nos desmandamos à
distância do equilíbrio justo, espalhando golpes e lágrimas,
exigências e sombras.
Saibamos, no entanto, respeitar na “porta estreita” que o
mundo nos impõe o socorro da Vida maior, a fim de que
possamos reconsiderar a própria marcha.
Por vezes, ela é a enfermidade que nos auxilia a preservar as
vantagens da saúde; em muitas fases de nossa luta, é a
incompreensão alheia, que nos compele ao reajuste necessário;
em muitos passos da senda, é a prova que nos segrega no
isolamento, impelindo-nos a seguir, pela escada miraculosa da
prece, da Terra para os Céus...
Por vezes, é o abandono de afeições muito amadas a
impulsionar-nos para os braços de Cristo; em variadas
circunstâncias, é o desencanto ante a enganosa satisfação de
nossos desejos na experiência física, inspirando-nos ideais mais
altos e, em alguns casos, é a visitação da morte que nos obriga a
refletir na imortalidade triunfante...
Por onde fores, cada dia, agradece a dificuldade que nos
melhore e nos eleve à grande renovação.
Jesus não escolheu a larga avenida do menor esforço.
Da Manjedoura ao Calvário, movimentou-se entre os
obstáculos que se transfiguraram para Ele em degraus para a volta
ao Pai celestial e, aceitando na cruz a sua maior mensagem de
amor à humanidade de todos os séculos, legou-nos, com exemplo
vivo, a porta estreita do sacrifício como sendo o nosso mais belo
caminho de paz e libertação.
(Abrigo. Ed. IDE. Cap. 12)
Então, começareis a dizer: comemos e bebemos
diante de ti, e ensinaste em nossas ruas.
Lucas 13:26
Comer e beber
O versículo de Lucas, aqui anotado, refere-se ao pai de
família que cerrou a porta aos filhos ingratos.
O quadro reflete a situação dos religiosos de todos os
matizes que apenas falaram, em demasia, reportando-se ao nome
de Jesus. No dia da análise minuciosa, quando a morte abre, de
novo, a porta espiritual, eis que dirão haver “comido e bebido” na
presença do Mestre, cujos ensinamentos conheceram e
disseminaram nas ruas.
Comeram e beberam apenas. Aproveitaram-se dos recursos
egoisticamente. Comeram e acreditaram com a fé intelectual.
Beberam e transmitiram o que haviam aprendido de outrem.
Assimilar a lição na existênciaprópria não lhes interessava à
mente inconstante.
Conheceram o Mestre, é verdade, mas não o revelaram em
seus corações. Também Jesus conhecia Deus; no entanto, não se
limitou a afirmar a realidade dessas relações. Viveu o amor ao
Pai, junto dos homens. Ensinando a verdade, entregou-se à
redenção humana, sem cogitar de recompensa. Entendeu as
criaturas antes que essas o entendessem, concedeu-nos supremo
favor com a sua vinda, deu-se em holocausto para que
aprendêssemos a ciência do bem.
Não bastará crer intelectualmente em Jesus. É necessário
aplicá-lo a nós próprios.
O homem deve cultivar a meditação no círculo dos
problemas que o preocupam cada dia. Os irracionais também
comem e bebem. Contudo, os filhos das nações nascem na Terra
para uma vida mais alta.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 34)
Todavia, é necessário caminhar hoje, amanhã e no
[dia] seguinte [...].
Lucas 13:33
A marcha
Importa seguir sempre em busca da edificação espiritual
definitiva. Indispensável caminhar, vencendo obstáculos e
sombras, transformando todas as dores e dificuldades em degraus
de ascensão.
Traçando o seu programa, referia-se Jesus à marcha na
direção de Jerusalém, onde o esperava a derradeira glorificação
pelo martírio. Podemos aplicar, porém, o ensinamento às nossas
experiências incessantes no roteiro da Jerusalém de nossos
testemunhos redentores.
É imprescindível, todavia, esclarecer a característica dessa
jornada para a aquisição dos bens eternos.
Acreditam muitos que caminhar é invadir as situações de
evidência no mundo, conquistando posições de destaque
transitório ou trazendo as mais vastas expressões financeiras ao
círculo pessoal.
Entretanto, não é isso.
Nesse particular, os chamados “homens de rotina” talvez
detenham maiores probabilidades a seu favor.
A personalidade dominante, em situações efêmeras, tem a
marcha inçada de perigos, de responsabilidades complexas, de
ameaças atrozes. A sensação de altura aumenta a sensação de
queda.
É preciso caminhar sempre, mas a jornada compete ao
Espírito eterno, no terreno das conquistas interiores.
Muitas vezes, certas criaturas que se presumem nos mais
altos pontos da viagem, para a Sabedoria divina se encontram
apenas paralisadas na contemplação de fogos-fátuos.
Que ninguém se engane nas estações de falso repouso.
Importa trabalhar, conhecer-se, iluminar-se e atender ao
Cristo diariamente. Para fixarmos semelhante lição em nós, temos
nascido na Terra, partilhando-lhe as lutas, gastando-lhe os corpos
e nela tornaremos a renascer.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 20)
Caminhar adiante
Destacamos do texto do evangelista Lucas esta
recomendação do Senhor, para entendermos a importância da
continuidade na execução dos deveres que nos cabem na
sementeira do bem.
Muitos companheiros começam no serviço do Evangelho,
mas depois de alguns dias alegam obstáculos para se
imobilizarem através de compromissos com atividades sem
proveito; outros se acreditam diminuídos ante os pontos de vista
de amigos e param à margem da estrada a fim de se acomodarem
com a queixa descabida.
Entretanto, a palavra do divino Mestre é demasiado límpida
para que nos enganemos.
É necessário agir na extensão da luz e na sustentação das
boas obras, tanto quanto se nos faça possível.
Não percas tempo com ilusões e queixumes.
Esquece males, sombras, enganos e ofensas e, agindo para o
bem, caminha para a frente.
(Escultores de almas. Ed. Cultura Espírita União. Cap. “Caminhar adiante”)
Mas quando fores convidado, vai e reclina-te no
último lugar [...].
Lucas 14:10
Convite ao bem
Em todas as épocas, o bem constitui a fonte divina,
suscetível de fornecer-nos valores imortais.
O homem de reflexão terá observado que todo o período
infantil é conjunto de apelos ao sublime manancial.
O convite sagrado é repetido, anos a fio. Vem por intermédio
dos amorosos pais humanos, dos mentores escolares, da leitura
salutar, do sentimento religioso, dos amigos comuns.
Entretanto, raras inteligências atingem a juventude, de
atenção fixa no chamamento elevado. Quase toda gente ouve as
requisições da natureza inferior, olvidando deveres preciosos.
Os apelos, todavia, continuam...
Aqui, é um livro amigo, revelando a verdade em silêncio; ali,
é um companheiro generoso que insiste em favor das realidades
luminosas da vida...
A rebeldia, porém, ainda mesmo em plena madureza do
homem, costuma rir inconscientemente, passando, todavia, em
marcha compulsória, na direção dos desencantos naturais, que lhe
impõem mais equilibrados pensamentos.
No Evangelho de Jesus, o convite ao bem reveste-se de
claridades eternas. Atendendo-o, poderemos seguir ao encontro
de nosso Pai, sem hesitações.
Se o clarim cristão já te alcançou os ouvidos, aceita-lhe as
clarinadas sem vacilar.
Não esperes pelo aguilhão da necessidade.
Sob a tormenta, é cada vez mais difícil a visão do porto.
A maioria dos nossos irmãos na Terra caminha para Deus,
sob o ultimato das dores, mas não aguardes pelo açoite de
sombras, quando podes seguir calmamente pelas estradas claras
do amor.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 39)
Boas maneiras
O Mestre, nesta passagem, proporciona inolvidável
ensinamento de boas maneiras.
Certo, a sentença revela conteúdo altamente simbólico,
relativamente ao banquete paternal da Bondade divina; todavia,
convém deslocarmos o conceito a fim de aplicá-lo igualmente ao
mecanismo da vida comum.
A recomendação do Salvador presta-se a todas as situações
em que nos vejamos convocados a examinar algo de novo, junto
aos semelhantes. Alguém que penetre uma casa ou participe de
uma reunião pela primeira vez, timbrando demonstrar que tudo
sabe ou que é superior ao ambiente em que se encontra, torna-se
intolerável aos circunstantes.
Ainda que se trate de agrupamento enganado em suas
finalidades ou intenções, não é razoável que o homem
esclarecido, aí ingressando pela vez primeira, se faça doutrinador
austero e exigente, porquanto, para a tarefa de retificar ou
reconduzir almas, é indispensável que o trabalhador fiel ao bem
inicie o esforço, indo ao encontro dos corações pelos laços da
fraternidade legítima. Somente assim conseguirá alijar a
imperfeição eficazmente, eliminando uma parcela de sombra,
cada dia, por meio do serviço constante.
Sabemos que Jesus foi o grande reformador do mundo,
entretanto, corrigindo e amando, asseverava que viera ao caminho
dos homens para cumprir a Lei.
Não assaltes os lugares de evidência por onde passares. E,
quando te detiveres com os nossos irmãos em alguma parte, não
os ofusques com a exposição de quanto já tenhas conquistado nos
domínios do amor e da sabedoria. Se te encontras decidido a
cooperar pelo bem dos outros, apaga-te, de algum modo, a fim de
que o próximo te possa compreender. Impondo normas ou
exibindo poder, nada conseguirás senão estabelecer mais fortes
perturbações.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 43)
[...] e aquele que diminui a si mesmo será exaltado.
Lucas 14:11
Ninguém é inútil44
Não aguardes aparente grandeza para ser útil.
Missão quer dizer incumbência.
E ninguém existe aos ventos do acaso.
Buscando entender os mandatos de trabalho que nos
competem, estudemos, de leve, algumas lições de coisas da
natureza.
A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância;
contudo, para isso, não age por si só.
Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em
geral, a tensão e a intensidade da corrente.
Os transformadores requisitam fios de condução.
Os fios recorrem à tomada de força.
Isso, porém, ainda não resolve.
Para que a luz se faça, é indispensável a presença da
lâmpada, que se forma de componentes diversos.
O rio, de muito longe, fornece água limpa à atividade
caseira, mas não se projeta, desordenado, a serviço das criaturas.
Cede os próprios recursos à rede de encanamento.
A rede pede tubos de formação variada.
Os tubos exigem a torneira de controle.
Isso, porém, ainda não é tudo.
Para que o líquido se mostre purificado, requere-se o
concurso do filtro.
O avião transporta o homem, de um lado a outro da Terra,
masnão é um gigante autossuficiente.
A fim de elevar-se, precisa combustível.
O combustível solicita motores que o aproveitem.
Os motores reclamam os elementos de que se constituem.
Isso, porém, ainda não chega.
Para que a máquina voadora satisfaça aos próprios fins, é
imprescindível se lhe construa adequado campo de pouso.
No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas têm o
sinônimo de dever.
Atendamos à obrigação para que fomos chamados no clima
do bem.
Não te digas inútil, nem te asseveres incompetente.
Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um
cargo diretivo, uma tribuna brilhante, um nome preclaro ou uma
fortuna de milhões. Basta estimemos a disciplina no lugar que nos
é próprio, com o prazer de servir.
(Reformador, set. 1962, p. 208)
44 Texto publicado em Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 16, com
pequenas alterações.
[...] Quando preparares um almoço ou uma ceia, não
chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os
teus parentes, nem vizinhos ricos, para não [suceder
que] também te convidem de volta e sejas
recompensado.
Lucas 14:12
Eles, antes45
“Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para
ele os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados.”
Decerto que o divino Orientador não estabelecia a
desistência das relações fraternais, nem o abandono do culto às
afinidades do coração. Considerando, porém, a humanidade por
família única, induzia-nos a observar os irmãos menos felizes, na
categoria de credores principais de nossa atenção, à maneira de
enfermos queridos, que esperam no lar a prioridade de assistência
por parte daqueles que lhes comungam o mesmo sangue.
Nas celebrações da alegria, é inútil convocar os entes
amados, de vez que todos eles se encontram automaticamente
dentro delas. Recorda os que jornadeiam no mundo, sob as
algemas de austeras privações, e partilha com eles as vantagens
que te felicitam a vida.
Se exerces autoridade, é natural te disponhas à sustentação
dos companheiros honestos que te apoiam a luta. Antes deles, no
entanto, pensa no amparo que deves a todos os que padecem
aflição e injustiça.
Obtiveste merecimentos sociais elevados, pelos títulos de
competência que granjeaste a preço de trabalho e de estudo, e,
com semelhantes valores, é razoável te empenhes no reconforto, a
benefício dos que viajam no carro de tuas facilidades terrestres.
Antes deles, contudo, atende à cooperação em favor dos que
jazem cansados nas provações sem remédio.
Desfrutas extensa possibilidade econômica, na qual é
compreensível te devotes a obsequiar os amigos do teu nível
doméstico. Antes deles, todavia, socorre os que esmorecem de
fadiga e penúria, para quem, muitas vezes, a felicidade reside
num sorriso amistoso ou num pedaço de pão.
Amealhaste conhecimento e, nos tesouros culturais que
adquiriste, é justo te aprazas, nos torneios verbais de salão,
enriquecendo o cérebro dos ouvintes que te respiram as normas
superiores. Antes deles, porém, divide a luz que te clareia o
mundo mental com os irmãos do caminho, que se debatem, ainda,
na noite da ignorância.
Jesus não te pede a deserção dos círculos afetivos.
Ele próprio, certa feita, asseverou aos companheiros de
apostolado: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o
que faz o seu senhor; chamo-vos, amigos, porque vos revelei tudo
quanto ouvi de meu Pai”.
Com os amigos, entretanto, consagrou-se primeiramente a
aliviar a carga de todos os sofredores, como a dizer-nos que todos
podemos cultivar afeições preciosas que nos alentem as energias,
mas à frente dos que choram, nos transes de dolorosas
necessidades, é preciso adotar a legenda — “eles, antes”.
(Reformador, mar. 1963, p. 64)
45 Texto publicado em Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 35, com
pequenas alterações.
Mas, quando preparares uma recepção, convida
pobres, mutilados, coxos, cegos.
Lucas 14:13
Na hora da assistência
Nas obras de assistência aos irmãos que nos felicitam com as
oportunidades do serviço fraterno, em nome do Senhor, vale
salientar a autoridade amorosa do Cristo que no-los recomendou.
Ao recebê-los à porta, intentemos ofertar-lhes algumas frases
de conforto e bom ânimo, sem ferir-lhes o coração, ainda mesmo
quando não lhes possamos ser úteis.
Visitando-lhes o lar, diligenciemos respirar-lhes o ambiente
doméstico, afetuosamente, reconhecendo-nos, na intimidade da
própria família, que nos merece respeito natural e cooperação
espontânea, sem traços de censura.
Em lhes servindo à mesa, fujamos de reprovar-lhes os modos
ou expressões, diferentes dos nossos, calando apontamentos
desprimorosos e manifestações de azedume, o que lhes agravaria
a subalternidade e a desventura.
Socorrendo-lhes o corpo enfermo ou dolorido, reflitamos nos
seres que nos são particularmente amados e imaginemos a
gratidão de que seríamos possuídos, diante daqueles que os
amparassem nos constrangimentos orgânicos.
Se aceitamos a incumbência de provê-los nas filas
organizadas para distribuição de favores diminutos, preservemos
o regulamento estabelecido, com lhaneza e bondade, sem
fomentar impaciência ou tumulto; e, se alguns deles, depois de
atendidos, voltarem a nova solicitação, recordemos os filhos
queridos, quando nos pedem repetição do prato, e procuremos
satisfazê-los, dentro das possibilidades em mão, sem desmerecê-
los com qualquer reprimenda.
Na ocasião em que estivermos reunidos, em equipe de
trabalho, a fim de supri-los, estejamos de bom humor,
resguardando a disciplina sem intolerância e cultivando a
generosidade sem relaxamento, na convicção de que, usando a
gentileza, no veículo da ordem, é sempre possível situar os
tarefeiros do bem, no lugar próprio, sem desaproveitar-lhes o
concurso valioso.
Nós que sabemos acatar com apreço e solicitude a todos os
representantes dos poderes transitórios do mundo e que treinamos
boas maneiras para comportamento digno nos salões
aristocráticos da Terra, saibamos também ser afáveis e amigos,
junto dos nossos companheiros em dificuldades maiores.
Eles não são apenas nossos irmãos. São convidados de
Cristo, em nossa casa, pelos quais encontramos ensejo de
demonstrar carinho e consideração para com Ele, o divino Mestre,
em pequeninos gestos de amor.
(Livro da esperança. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 36)
E todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe
o primeiro: comprei um campo e tenho necessidade
de sair para vê-lo. Peço-te que me dês por escusado.
Lucas 14:18
Desculpismo46
Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que
abandonam as próprias obrigações.
Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na
delinquência costumam justificar-se com vigoroso poder de
persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate
preciso.
Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos
arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes
infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve; entretanto,
acabam suportando em si mesmos as consequências das
responsabilidades a que se afeiçoam.
E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o
Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra,
surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:
– Estou muito jovem ainda...
– Sou velho demais...
– Assumi compromissos de monta e não posso atender...
– Minhas atribulações são enormes...
– Obrigações de família estão crescendo...
– Os negócios não me permitem qualquer atividade
espiritual...
– Empenhei-me a débitos que me afligem...
– Os filhos tomam tempo...
– Problemas são muitos...
Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os
ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram
à frente de grandes sofredores ou de criaturas francamente
incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga. Os
convidados para a lavoura da luz, no entanto, engodados por si
próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados
às ruinosas consequências da própria leviandade, não encontram
outra providência restauradora senão a de esperarem por outras
reencarnações.
(Reformador,jan. 1963, p. 2)
46 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 128, com
pequenas alterações.
[...] o senhor da casa disse ao seu servo: sai depressa
pelas ruas e vielas da cidade e trazei para cá os
pobres, mutilados, cegos e coxos.
Lucas 14:21
Chamamento divino47
Muita gente alega incapacidade de colaborar nos serviços do
bem, sob a égide do Cristo, relacionando impedimentos morais.
Há quem se diga errado em excesso; há quem se afirme sob
fardos de remorsos e culpas; há quem se declare portador de
graves defeitos, e quem assevere haver sofrido lamentáveis
acidentes da alma...
Entretanto, a palavra de Jesus se dirige a todos, sem qualquer
exceção.
Pobres de virtude, aleijados do sentimento, coxos do
raciocínio e cegos do conhecimento superior são chamados à
edificação da era nova. Isso porque, em Jesus, tudo é novo para
que a vida se renove.
Espíritos viciados, inibidos, desorientados e ignorantes de
ontem, ao toque do Evangelho, fazem-se hoje cooperadores da
grande Causa, esquecendo ilusões, desfazendo cárceres mentais,
suprimindo desequilíbrios e dissipando velhas sombras.
Se a realidade espiritual te busca, ofertando-te serviço no
levantamento das boas obras, não te detenhas, apresentando
deformidades e frustrações. No clima da Boa-Nova, todos nós
encontramos recursos de cura e reabilitação, reerguimento e
consolo. Para isso, basta sejamos sinceros, diante da nossa própria
necessidade de corrigenda, com o espírito espontaneamente
consagrado ao privilégio de trabalhar e servir.
(Reformador, jan. 1963, p. 2)
47 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 127.
Quem não carrega a sua própria cruz e vem atrás de
mim, não pode ser meu discípulo.
Lucas 14:27
Discípulos
Os círculos cristãos de todos os matizes permanecem
repletos de estudantes que se classificam no discipulado de Jesus,
com inexcedível entusiasmo verbal, como se a ligação legítima
com o Mestre estivesse circunscrita a problema de palavras.
Na realidade, porém, o Evangelho não deixa dúvidas a esse
respeito.
A vida de cada criatura consciente é um conjunto de deveres
para consigo mesma, para com a família de corações que se
agrupam em seus sentimentos e para com a humanidade inteira.
E não é tão fácil desempenhar todas essas obrigações com
aprovação plena das diretrizes evangélicas.
Imprescindível se faz eliminar as arestas do próprio
temperamento, garantindo o equilíbrio que nos é particular,
contribuir com eficiência em favor de quantos nos cercam o
caminho, dando a cada um o que lhe pertence, e servir à
comunidade, de cujo quadro fazemos parte.
Sem que nos retifiquemos, não corrigiremos o roteiro em
que marchamos.
Árvores tortas não projetam imagens irrepreensíveis.
Se buscamos a sublimação com o Cristo, ouçamos os
ensinamentos divinos. Para sermos discípulos dele é necessário
nos disponhamos com firmeza a conduzir a cruz de nossos
testemunhos de assimilação do bem, acompanhando-lhe os
passos.
Aprendizes existem que levam consigo o madeiro das provas
salvadoras, mas não seguem o Senhor por se confiarem à revolta
no endurecimento e na fuga.
Outros aparecem, seguindo o Mestre nas frases benfeitas,
mas não carregam a cruz que lhes toca, abandonando-a à porta de
vizinhos e companheiros.
Dever e renovação.
Serviço e aprimoramento.
Ação e progresso.
Responsabilidade e crescimento espiritual.
Aceitação dos impositivos do bem e obediência aos padrões
do Senhor.
Somente depois de semelhantes aquisições é que atingiremos
a verdadeira comunhão com o divino Mestre.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 58)
Atitudes essenciais48
Neste passo do Novo Testamento, encontramos a verdadeira
fórmula para o ingresso ao sublime Discipulado.
“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não
pode ser meu discípulo” — afirma-nos o Mestre.
Duas atitudes fundamentais recomenda-nos o eterno
Benfeitor se nos propomos desfrutar-lhe a intimidade — tomar a
cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.
Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias
obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem
perlustrar o caminho do Cristo, mas recusam o madeiro das
obrigações que lhes cabem.
Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam
agressivos e desditosos, espalhando desânimo e azedume por
onde passam.
Os segundos creem respirar na senda do Cristo, mas
abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes,
detendo-se no escárnio e na leviandade, embora saibam
interpretar as lições do Evangelho, apregoando-as com arrazoado
enternecedor.
Uns se agarram à lamentação e ao aviltamento das horas.
Outros se cristalizam na ironia e na ociosidade,
menosprezando os dons da vida.
Não nos esqueçamos, assim, de que é preciso abraçar a cruz
das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento, com
amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o
verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se
aspiramos a alcançar a comunhão com o divino Mestre.
Não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento.
Nem basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É
imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos
orienta o caminho.
(Reformador, set. 1957, p. 210)
48 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 18.
Pois qual dentre vós, querendo edificar uma torre,
não calcula primeiro, sentado, a despensa; se tem [os
meios] para concluir?
Lucas 14:28
A torre
Constitui objeto de observação singular as circunstâncias do
Mestre se referir, à essa altura dos ensinamentos evangélicos, à
uma torre, quando deseja simbolizar o esforço de elevação
espiritual por parte da criatura.
A torre e a casa são construções muito diversas entre si.
A primeira é fortaleza, a segunda é habitação.
A casa proporciona aconchego, a torre dilata a visão.
Um homem de bem, integrado no conhecimento espiritual e
praticando-lhe os princípios sagrados está em sua casa, edificando
a torre divina da iluminação, ao mesmo tempo.
Em regra vulgar, porém, o que se observa no mundo é o
número espontâneo de pessoas que nem cuidaram ainda da
construção da casa interior e já falam calorosamente sobre a torre,
de que se acham tão distantes.
Não é fácil o serviço profundo da elevação espiritual, nem é
justo apenas pintar projetos sem intenção séria de edificação
própria.
É indispensável refletir nas contas, nos dias ásperos de
trabalho, de autodisciplina.
Para atingir o sublime desiderato, o homem precisará gastar
o patrimônio das velhas arbitrariedades e só realizará esses gastos
com um desprendimento sincero da vaidade humana e com
excelente disposição para o trabalho da elevação de si mesmo, a
fim de chegar ao término, dignamente.
Queres construir uma torre de luz divina?
É justo. Mas não comeces o esforço, antes de haver
edificado a própria casa íntima.
(Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 15)
Assim, portanto, todo aquele que dentre vós não
renuncia a todos os seus próprios bens, não pode ser
meu discípulo.
Lucas 14:33
Pergunta 66 do livro O
consolador
Pergunta: O preceito evangélico: “Assim pois, aquele que
dentre vós não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu
discípulo” deve ser interpretado no sentido absoluto?
Resposta: Ainda esse ensino do Mestre deve ser considerado
no seu divino simbolismo.
A fortuna e a autoridade humanas são também caminhos de
experiências e provas, e o homem que as atirasse fora de si,
arbitrariamente, procederia com a noção da irresponsabilidade,
desprezando o ensejo do progresso que a Providência divina lhe
colocou nas mãos.
Todos os homens são usufrutuários dos bens divinos, e os
convocados ao trabalho de administração desses bens devem
encarar a sua responsabilidade como problema dos mais sérios da
vida.
Renunciando ao egoísmo, ao orgulho, à fraqueza, às
expressões de vaidade, o homem cumprirá a ordenação
evangélica, e, sentindo a grandeza de Deus, único dispensador no
patrimônio real da vida, será discípulo do Senhor em qualquer
circunstância,por usar as suas possibilidades materiais e
espirituais, sem os característicos envenenados do mundo, como
intérprete sincero dos desígnios divinos para felicidade de todos.
(O consolador. FEB Editora. Pergunta 66)
Não é apropriado nem para a terra nem para esterco;
lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir ouça.
Lucas 14:35
Monturo
Segundo deduzimos, Jesus emprestou significação ao
monturo.
Terra e lixo, nesta passagem, revestem-se de valor essencial.
Com a primeira, realizaremos a semeadura; com a segunda, é
possível fazer a adubação, onde se faça necessária.
Grande porção de aprendizes, imitando a atitude dos fariseus
antigos, foge ao primeiro encontro com as “zonas estercorárias”
do próximo; entretanto, tal se verifica porque lhes desconhecem
as expressões proveitosas.
O Evangelho está cheio de lições nesse setor do
conhecimento iluminativo.
Se José da Galileia ou Maria de Nazaré simbolizam terras de
virtudes fartas, o mesmo não sucede aos apóstolos que, a cada
passo, necessitam recorrer à fonte das lágrimas que escorrem do
monturo de remorsos e fraquezas, propriamente humanos, a fim
de fertilizarem o terreno empobrecido de seus corações. De
quanto adubo dessa natureza precisaram Madalena e Paulo, por
exemplo, até alcançarem a gloriosa posição em que se
destacaram?
Transformemos nossas misérias em lições.
Identifiquemos o monturo que a própria ignorância
amontoou em torno de nós mesmos, converta-mo-lo em adubo de
nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema
de nossos grandes males.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 121)
[...] Ele repartiu os recursos entre eles.
Lucas 15:12
A grande fazenda
A natureza é a fazenda vasta que o Pai entregou a todas as
criaturas. Cada pormenor do valioso patrimônio apresenta
significação particular. A árvore, o caminho, a nuvem, o pó, o rio,
revelam mensagens silenciosas e especiais.
É preciso, contudo, que o homem aprenda a recolher-se para
escutar as grandes vozes que lhe falam ao coração.
A natureza é sempre o celeiro abençoado de lições
maternais. Em seus círculos de serviço, coisa alguma permanece
sem propósito, sem finalidade justa. [...]
Relembremos semelhantes ensinos e recebamos a fazenda do
Senhor, não como o filho pródigo que lhe desbaratou os bens,
mas como filhos previdentes que procuram aprender sempre,
enriquecendo-se de tesouros imortais.
(Cartilha da natureza. FEB Editora. Prefácio – “A grande fazenda”)
Mas, caindo em si, disse: quantos assalariados do
meu pai têm abundância de pães, e eu aqui pereço de
fome!
Lucas 15:17
Caindo em si
Este pequeno trecho da Parábola do Filho Pródigo desperta
valiosas considerações a respeito da vida.
Judas sonhou com o domínio político do Evangelho,
interessado na transformação compulsória das criaturas; contudo,
quando caiu em si, era demasiado tarde, porque o divino Amigo
fora entregue a juízes cruéis.
Outras personagens da Boa-Nova, porém, tornaram a si, a
tempo de realizarem salvadora retificação.
Maria de Magdala pusera a vida íntima nas mãos de gênios
perversos, todavia, caindo em si, sob a influência do Cristo,
observa o tempo perdido e conquista a mais elevada dignidade
espiritual, por intermédio da humildade e da renunciação.
Pedro, intimidado ante as ameaças de perseguição e
sofrimento, nega o Mestre divino; entretanto, caindo em si, ao se
lhe deparar o olhar compassivo de Jesus, chora amargamente e
avança, resoluto, para a sua reabilitação no apostolado.
Paulo confia-se a desvairada paixão contra o Cristianismo e
persegue, furioso, todas as manifestações do Evangelho nascente;
no entanto, caindo em si, perante o chamado sublime do Senhor,
penitencia-se dos seus erros e converte-se num dos mais
brilhantes colaboradores do triunfo cristão.
Há grande massa de crentes de todos os matizes, nas mais
diversas linhas da fé, todavia, reinam entre eles a perturbação e a
dúvida, porque vivem mergulhados nas interpretações puramente
verbalistas da revelação celeste, em gozos fantasistas, em
mentiras da hora carnal ou imantados à casca da vida a que se
prendem desavisados. Para eles, a alegria é o interesse imediatista
satisfeito e a paz é a sensação passageira de bem-estar do corpo
de carne, sem dor alguma, a fim de que possam comer e beber
sem impedimento.
Cai, contudo, em ti mesmo, sob a bênção de Jesus e,
transferindo-te, então, da inércia para o trabalho incessante pela
tua redenção, observarás, surpreendido, como a vida é diferente.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 88)
Filhos pródigos
Examinando-se a figura do filho pródigo, toda gente idealiza
um homem rico, dissipando possibilidades materiais nos festins
do mundo.
O quadro, todavia, deve ser ampliado, abrangendo as
modalidades diferentes.
Os filhos pródigos não respiram somente onde se encontra o
dinheiro em abundância. Acomodam-se em todos os campos da
atividade humana, resvalando de posições diversas.
Grandes cientistas da Terra são perdulários da inteligência,
destilando venenos intelectuais, indignos das concessões de que
foram aquinhoados. Artistas preciosos gastam, por vezes,
inutilmente, a imaginação e a sensibilidade, em aventuras
mesquinhas, caindo, afinal, nos desvãos do relaxamento e do
crime.
Em toda parte, vemos os dissipadores de bens, de saber, de
tempo, de saúde, de oportunidades...
São eles que, contemplando os corações simples e humildes,
em marcha para Deus, possuídos de verdadeira confiança,
experimentam a enorme angústia da inutilidade e, distantes da paz
íntima, exclamam desalentados: “Quantos trabalhadores
pequeninos guardam o pão da tranquilidade, enquanto a fome de
paz me tortura o espírito!”.
O mundo permanece repleto de filhos pródigos e, de hora a
hora, milhares de vozes proferem aflitivas exclamações iguais a
esta.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 24)
Após levantar-me, irei ao meu pai [...].
Lucas 15:18
Ergamo-nos
Quando o filho pródigo deliberou tornar aos braços paternos,
resolveu intimamente levantar-se.
Sair da cova escura da ociosidade para o campo da ação
regeneradora.
Erguer-se do chão frio da inércia para o calor do movimento
reconstrutivo.
Elevar-se do vale da indecisão para a montanha do serviço
edificante.
Fugir à treva e penetrar a luz.
Ausentar-se da posição negativa e absorver-se na
reestruturação dos próprios ideais.
Levantou-se e partiu no rumo do lar paterno.
Quantos de nós, porém, filhos pródigos da vida, depois de
estragarmos as mais valiosas oportunidades, clamamos pela
assistência do Senhor, de acordo com os nossos desejos menos
dignos, para que sejamos satisfeitos? Quantos de nós descemos,
voluntariamente, ao abismo, e, lá dentro, atolados na sombria
corrente de nossas paixões, exigimos que o Todo-Misericordioso
se faça presente, ao nosso lado, por intermédio de seus divinos
mensageiros, a fim de que os nossos caprichos sejam atendidos?
Se é verdade, no entanto, que nos achamos empenhados em
nosso soerguimento, coloquemo-nos de pé e retiremo-nos da
retaguarda que desejamos abandonar.
Aperfeiçoamento pede esforço.
Panorama dos cimos pede ascensão.
Se aspiramos ao clima da Vida superior, adiantemo-nos para
a frente, caminhando com os padrões de Jesus.
“Levantar-me-ei” — disse o moço da parábola.
“Levantemo-nos” — repitamos nós.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 13)
Levantando-se, dirigiu-se ao seu próprio pai. Estando
ele ainda longe, seu pai o viu, compadeceu-se, correu,
lançou-se sobre o pescoço dele e o beijou
[repetidamente].
Lucas 15:20
Pai e amigo49
É possível que essa ou aquela falta te sombreie o coração,
impelindo-te ao desânimo.
Anseias respirar a fé pura, entregar-te aos misteres do bem;
contudo, trazes remorso e tristeza.
Dissipaste as forças da vida, extraviaste votos santificantes,
erraste, caíste na negação, qual viajor que perdesse a luz...
Entretanto, recorda a Providência divina e reergue-te.
O amor de Deus nunca falta.
Para toda ferida haverá remédio adequado.
Para todo desequilíbrio aparecerá reajuste.
Fixa-te no ensinamento do Cristo, enunciando o retorno do
filho pródigo.
O reencontro nãose deu em casa, com remoques e
humilhações para o moço em desvalimento.
Assinalando-o, no caminho de volta “e, quando ainda estava
longe, o pai, ao vê-lo, moveu-se de íntima compaixão e, correndo,
lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou”.
O pai não esperou que o filho se penitenciasse a rojo, não
exigiu escusas, não solicitou justificativas e nem impôs condições
de qualquer natureza para estender-lhe os braços; apenas
aguardou que o filho se levantasse e lhe desejasse o calor do
coração.
(Reformador, jul. 1961, p. 148)
49 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 97, com
alterações.
Em resposta ao seu pai, disse: eis que te sirvo [há]
tantos anos, jamais negligenciei um mandamento teu,
e nunca me deste um cabrito para deleitar-me com
meus amigos.
Lucas 15:29
Filho e censor50
Na Parábola do Filho Pródigo, não encontramos somente o
irmão que volta experiente e arrependido ao convívio do lar.
Nela, surge também o irmão correto, mas egoísta, remoendo
censura e reclamação.
Ele observa a alegria paternal, abraçando o irmão
recuperado; entretanto, reprova e confronta. Procede como quem
lastima o dever cumprido, age à feição de um homem que
desestima a própria nobreza.
É fiel aos serviços do pai; contudo, critica-lhe os gestos.
Trabalha com ele; no entanto, anseia escravizá-lo aos próprios
caprichos.
Atende-lhe aos interesses, vigiando-lhe o pão e a prata.
Guarda lealdade, mergulhando-se na ideia de evidência e de
herança.
Se o coração paterno demonstra grandeza de sentimento,
explode em ciúme e queixa. Se perdoa e auxilia, interpõe o
merecimento de que se julga detentor, tentando limitar-lhe a
bondade.
Perde-se num misto de crueldade e carinho, sombra e luz.
É justo e injusto, terno e agressivo, companheiro e censor.
Deseja o pai somente para si, a fazenda e o direito, o
equilíbrio e a tranquilidade somente para si.
No caminho da fé, repara igualmente a tua atitude.
Se te sentes ligado à Esfera superior por teus atos e
diretrizes, palavras e pensamentos, não te encarceres na vaidade
de ser bom. Não te esqueças, em circunstância alguma, de que
Deus é Pai de todos, e, se te ajudou para estares com ele, é para
que estejas com ele, ajudando aos outros.
(Reformador, jul. 1961, p. 148)
O filho egoísta
A parábola não apresenta somente o filho pródigo. Mais
aguçada atenção e encontraremos o filho egoísta.
O ensinamento velado do Mestre demonstra dois extremos
da ingratidão filial. Um reside no esbanjamento; o outro, na
avareza. São as duas extremidades que fecham o círculo da
incompreensão humana.
De maneira geral, os crentes apenas enxergaram o filho que
abandonou o lar paterno, a fim de viver nas estroinices do
escândalo, tornando-se credor de todas as punições; e raros
aprendizes conseguiram fixar o pensamento na conduta
condenável do irmão que permanecia sob o teto familiar, não
menos passível de repreensão.
Observando a generosidade paterna, os sentimentos
inferiores que o animam sobem à tona e ei-lo na demonstração de
sovinice.
Contraria-o a vibração de amor reinante no ambiente
doméstico; alega, como autêntico preguiçoso, os anos de serviço
em família; invoca, na posição de crente vaidoso, a suposta
observância da Lei divina e desrespeita o genitor, incapaz de
partilhar-lhe o justo contentamento.
Esse tipo de homem egoísta é muito vulgar nos quadros da
vida. Ante o bem-estar e a alegria dos outros, revolta-se e sofre,
por meio da secura que o aniquila e do ciúme que o envenena.
Lendo a parábola com atenção, ignoramos qual dos filhos é o
mais infortunado, se o pródigo, se o egoísta, mas atrevemo-nos a
crer na imensa infelicidade do segundo, porque o primeiro já
possuía a bênção do remorso em seu favor.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 157)
50 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 98, com
pequenas alterações.
[...] Presta contas da tua administração [...].
Lucas 16:2
Administração
Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que
realiza na obra do supremo Pai, e, simultaneamente, é
administrador, porquanto cada criatura humana detém
possibilidades enormes no plano em que moureja.
Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os
cabelos, à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas
ou particulares, combatendo tricas mil, a fim de cumprir a missão
a que se dedica.
Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe
foram confiados.
A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que
devemos dar conta hoje e amanhã.
O corpo é um templo sagrado.
A saúde física é um tesouro.
A oportunidade de trabalhar é uma bênção.
A possibilidade de servir é um obséquio divino.
O ensejo de aprender é uma porta libertadora.
O tempo é um patrimônio inestimável.
O lar é uma dádiva do Céu.
O amigo é um benfeitor.
A experiência benéfica é uma grande conquista.
A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os
semelhantes e com a natureza é uma glória comum a todos.
A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou
entendimento é valiosa.
O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor
para ser consolada são apelos que o Céu envia sem palavras ao
mundo inteiro.
Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em
teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria
tarefa no bem, diante do eterno, porque chegará o momento em
que o Poder divino te pedirá: “Dá conta de tua administração”.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 75)
E eu vos digo: fazei amigos, para vós mesmos, da
Mâmon da injustiça, para que, quando cessar, vos
recebam nos tabernáculos eternos.
Lucas 16:9
Granjeai amigos
Se o homem conseguisse, desde a experiência humana,
devassar o pretérito profundo, chegaria mais rapidamente à
conclusão de que todas as possibilidades que o felicitam, em
conhecimento e saúde, provêm da Bondade divina e de que a
maioria dos recursos materiais, à disposição de seus caprichos,
procede da injustiça.
Não nos cabe particularizar, e sim deduzir que as concepções
do direito humano se originaram da influência divina, porque,
quanto a nós outros, somos compelidos a reconhecer nossa
vagarosa evolução individual do egoísmo feroz para o amor
universalista, da iniquidade para a justiça real.
Bastará recordar, nesse sentido, que quase todos os Estados
terrestres se levantaram, há séculos, sobre conquistas cruéis. Com
exceções, os homens têm sido servos dissipadores que, no
momento do ajuste, não se mostram à altura da mordomia.
Eis por que Jesus nos legou a Parábola do Empregado Infiel,
convidando-nos à fraternidade sincera para que, por meio dela,
encontremos o caminho da reabilitação.
O Mestre aconselhou-nos a granjear amigos, isto é, a dilatar
o círculo de simpatias em que nos sintamos cada vez mais
intensivamente amparados pelo espírito de cooperação e pelos
valores intercessores.
Se o nosso passado espiritual é sombrio e doloroso,
busquemos simplificá-lo, adquirindo dedicações verdadeiras, que
nos auxiliem por meio da subida áspera da redenção. Se não
temos hoje determinadas ligações com as riquezas da injustiça,
tivemo-las, ontem, e faz-se imprescindível aproveitar o tempo
para o nosso reajustamento individual perante a Justiça divina.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 111)
Tabernáculos eternos
Um homem despercebido das obrigações espirituais julgará
encontrar nesta passagem um ladrão inteligente comprando o
favor de advogados venais, de modo a reintegrar-se nos títulos
honrosos da convenção humana. Todavia, quando Jesus fala em
amigos, refere-se a irmãos sinceros e devotados, e, quando
menciona as riquezas da injustiça, inclui o passado total da
criatura, com todas as lições dolorosas que o caracterizam. Assim
também, quando se reporta aos tabernáculos eternos, não os
localiza em paços celestiais.
O Mestre situou o tabernáculo sagrado no coração do
homem.
Mais que ninguém, o Salvador identificava-nos as
imperfeições e, evidenciando imensa piedade, ante as deficiências
que nos assinalam o espírito, proferiu as divinas palavras que nos
servemao estudo.
Conhecendo-nos os desvios, asseverou, em síntese, que
devemos aproveitar os bens transitórios, ao alcance de nossas
mãos, mobilizando-os na fraternidade legítima para que,
esquecendo os crimes e ódios de outro tempo, nos façamos
irmãos abnegados uns dos outros.
Valorizemos, desse modo, a nossa permanência nos serviços
da Terra, na condição de encarnados ou desencarnados,
favorecendo, por todos os recursos ao nosso dispor, a própria
melhoria e a elevação dos nossos semelhantes, agindo na direção
da luz e amando sempre, porquanto, dentro dessas normas de
solidariedade sublime, poderemos contar com a dedicação de
amigos fiéis que, na qualidade de discípulos mais dedicados e
enobrecidos que nós, nos auxiliarão efetivamente, acolhendo-nos
em seus corações, convertidos em tabernáculos do Senhor,
ajudando-nos não só a obter novas oportunidades de
reajustamento e santificação, mas também endossando perante
Jesus as nossas promessas e aspirações, diante da vida superior.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 112)
E, se não vos tornardes fiéis no alheio, quem vos dará
o vosso?
Lucas 16:12
Onde estivermos
O homem, frequentemente, dispõe de recursos maiores ou
menores que pertencem à administração de outros homens.
Entretanto, são poucos os que se guardam nos limites das
obrigações próprias.
Imensa maioria, sob pretextos diversos invadem, embora
cortesmente, a área de trabalho pertencente a outros
companheiros, para usufruir vantagens que não lhes dizem
respeito.
Onde estivermos, saibamos respeitar os patrimônios
materiais ou espirituais sob a responsabilidade alheia.
Semelhante atitude é muito importante na preservação de
nossa paz.
Dia chegará em que ouviremos de novo as palavras do
divino Mestre: “e se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o
que é vosso?”
(Escultores de almas. Ed. Cultura Espírita União. Cap. “Onde estivermos”)
Nenhum servo [doméstico] pode servir a dois
senhores [...].
Lucas 16:13
Um só senhor
Se os cristãos de todos os tempos encontraram dolorosas
situações de perplexidade nas estradas do mundo, é que, depois
dos apóstolos e dos mártires, a maioria tem cooperado na
divulgação de falsos sentimentos, com respeito ao Senhor a que
devem servir.
Como o reino do Cristo ainda não é da Terra, não se pode
satisfazer a Jesus e ao mundo, a um só tempo. O vício e o dever
não se aliam na marcha diária.
Que dizer de um homem que pretenda dirigir dois centros de
atividade antagônica, em simultâneo esforço?
Cristo é a linha central de nossas cogitações.
Ele é o Senhor único, depois de Deus, para os filhos da
Terra, com direitos inalienáveis, porquanto é a nossa luz do
primeiro dia evolutivo e adquiriu-nos para a redenção com os
sacrifícios de seu amor.
Somos servos Dele. Precisamos atender-lhe aos interesses
sublimes, com humildade. E, para isso, é necessário não fugir do
mundo, nem das responsabilidades que nos cercam, mas sim
transformar a parte de serviço confiada ao nosso esforço, nos
círculos de luta, em célula de trabalho do Cristo.
A tarefa primordial do discípulo é, portanto, compreender o
caráter transitório da existência carnal, consagrar-se ao Mestre
como centro da vida e oferecer aos semelhantes os seus divinos
benefícios.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 142)
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e
linho fino, deleitando-se a cada dia esplendidamente.
Lucas 16:19
Ante a Parábola do Rico
Não suponhas que o rico da parábola seja a única espécie de
mordomo infeliz na vida espiritual.
Ainda hoje há quem se banqueteia no festim da saúde física,
menosprezando os enfermos que lhe batem à porta.
Por toda parte, verificamos a luzida assembleia dos que se
fartam à mesa da inteligência, olvidando os irmãos de caminho
que lhes pedem socorro, mergulhados nas correntes da ignorância.
Em todos os lugares, é possível observar a caravana dos que
passam, hipertrofiados de conforto, fugindo aos filhos da angústia
que lhes imploram uma réstea de alegria.
Nas variadas sendas do mundo, somos defrontados pelos que
se mostram supernutridos de fé, a menoscabar aqueles que lhes
suplicam leve migalha de esperança.
Todos somos surpreendidos pelos lázaros da necessidade e
da aflição em provas mais ríspidas que as nossas.
Todos identificamos, junto do próprio coração, bafejado de
conhecimento superior, companheiros infortunados que se
enriqueceriam com mínimos gestos nossos, no setor da bondade e
do estímulo, do entendimento e do perdão.
Não te detenhas, tão somente, na contemplação do quadro
evangélico, em que um pobre sovina encontrou, ao fim da estrada,
apenas o azinhavre a que se lhe reduziu o perecível tesouro.
Recordemos nossas oportunidades de semear o bem,
reconhecendo no próximo o degrau vivo que nos conferirá o
desejado acesso à comunhão com a Providência divina.
Abracemos os penitentes da necessidade e do desânimo, da
expiação e do sofrimento, que nos anotam os passos, em todos os
ângulos da estrada evolutiva e, oferecendo-lhes o próprio coração,
em forma de serviço fraterno, estejamos convencidos de que
marcharemos com eles na direção da vida imperecível, para a
incorporação definitiva de nossa herança espiritual.
(Tocando o barco. Ed. IDEAL. Cap. “Ante a Parábola do Rico”)
Estudando a riqueza51
Não é somente o rico da parábola o grande devedor diante da
vida.
A fortuna amoedada é, por vezes, simples cárcere.
Há outros avarentos que devemos recordar em nossa viagem
para a divina Luz.
Temos, conosco, os usurários da inteligência, que se ocultam
nas floridas trincheiras da inércia; os abastados da saúde, que
desamparam os aflitos e os doentes; os privilegiados da alegria
que cerram a porta aos tristes, isolando-se nos oásis de prazer; os
felizes da fé que procuram a solidão, a pretexto de se preservarem
contra o pecado; os filhos da mocidade que menosprezam a
velhice; os favorecidos da família terrestre, que olvidam os
peregrinos do mundo, sem carinho e sem lar.
Todos esses ricos da experiência comum contraem
escabrosos débitos para com a humanidade.
Lembremo-nos de que o Tesouro real da vida está em nosso
coração.
Quem não pode dar alguma coisa de si mesmo, na boa
vontade, no sorriso fraterno ou na palavra sincera de bondade e
encorajamento, debalde estenderá as mãos recheadas de ouro,
porque só o amor abre as portas da plenitude espiritual e semeia
na Terra a luz da verdadeira caridade, que extingue o mal e
dissipa as trevas.
A pobreza é mera ficção.
Todos temos algo.
Todos podemos auxiliar.
Todos podemos servir.
E, consoante a palavra do Mestre, “o maior na vida será
sempre aquele que se fizer o devotado servidor de todos”.
(Reformador, jul. 1952, p. 158)
51 Texto publicado em Dinheiro. Ed. IDE. Cap. “Estudando a riqueza”, com pequenas
alterações.
Disse Abraão: filho, lembra-te as tuas [coisas] boas,
durante a tua vida; e Lázaro, do mesmo modo, as
[coisas] más. Agora, ele está sendo consolado aqui e
tu estás aflito.
Lucas 16:25
Lázaro e o rico52
Recordemos a lição de Jesus na parábola, para que não lhe
percamos a bênção do conteúdo.
Não se ergueu Lázaro ao paraíso porque fosse pobre, nem
desceu o Rico aos abismos da sombra porque houvesse granjeado
a fortuna entre os homens.
O primeiro elevou-se à glória de Abrahão pela humildade
com que se portou na provação recebida.
Arrojou-se o segundo ao seio atormentado das trevas, pela
displicência com que usufruiu a posição e o dinheiro que o mundo
lhe oferecia.
Enquanto o Rico se trajava de linho e púrpura, exibia Lázaro
as chagas que lhe cobriam a carne, e, enquanto o afortunado
companheiro se banqueteava, feliz, sem lembrar-se do irmão
desditoso que lhe visitava a porta, conformava-se Lázaro,
sofredor, com o espinheiro de angústia que as circunstâncias lhe
impunham à sensibilidade, incapaz de amaldiçoar o vizinho
gozador, indiferente e surdo aos seus rogos.
O problema, pois, do Céu para Lázaro e da expiação para o
Rico é de simples atitude, induzindo-nos a meditar nas
oportunidades de progresso e sublimação que o Senhor nos
confere, para que o tempo amanhãnão nos encontre
categorizados à condição de réus em nós mesmos.
Não nos esqueçamos, ainda, de que os dois, embora
separados por desfiladeiros intransponíveis, na alegria celeste e
no sofrimento infernal podiam comunicar-se entre si, entendendo-
se um com outro.
Não olvides, assim, que na abundância ou na carência, na
mordomia ou na subalternidade, sempre somos depositários da
confiança de Deus e que somente a nossa atitude para com a vida,
cultivando o bem onde estivermos, determinará a nossa ascensão
à luz e o nosso definitivo afastamento do mal.
(Reformador, jul. 1958, p. 161)
52 Texto publicado em Escrínio de luz. Ed. O Clarim. Cap. “Lázaro e o Rico”, com pequenas
alterações.
Diz Abraão: eles têm Moisés e os Profetas; ouçam a
eles.
Lucas 16:29
Ouçam-nos
A resposta de Abraão ao rico da parábola ainda é
ensinamento de todos os dias, no caminho comum.
Inúmeras pessoas se aproximam das fontes de revelação
espiritual; entretanto, não conseguem a libertação dos laços
egoísticos de modo que vejam e ouçam, qual lhes convém aos
interesses essenciais.
Há precisamente um século, estabeleceu-se intercâmbio mais
intenso entre os dois planos, na grande movimentação do
Cristianismo redivivo; contudo, há aprendizes que contemplam o
céu, angustiados tão só porque nunca receberam a mensagem
direta de um pai ou de um filho na experiência humana. Alguns
chegam ao disparate de se desviarem da senda alegando tais
motivos. Para esses, o fenômeno e a revelação no Espiritismo
Evangélico são simples conjunto de inverdades, porque nada
obtiveram de parentes mortos, em consecutivos anos de
observação.
Isso, porém, não passa de contrassenso.
Quem poderá garantir a perpetuidade dos elos frágeis das
ligações terrestres?
O impulso animal tem limites.
Ninguém justifique a própria cegueira com a insatisfação do
capricho pessoal.
O mundo está repleto de mensagens e emissários, há
milênios. O grande problema, no entanto, não está em requisitar-
se a verdade para atender ao círculo exclusivista de cada criatura,
mas na deliberação de cada homem, quanto a caminhar com o
próprio valor, na direção das realidades eternas.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 116)
E os apóstolos disseram ao Senhor: acrescenta-nos
fé.
Lucas 17:5
Fidelidade
A solicitação dos discípulos a Jesus é de plena atualidade.
Os cristãos de todas as procedências se encontram hoje
fustigados por teorias contraditórias.
Ciências psicológicas sem Deus, pregações visando a
dominação do mundo, com esquecimento das conquistas
espirituais, o relaxamento das disciplinas religiosas, a zombaria
de muita gente contra o hábito da oração...
Muitos companheiros jazem atônitos.
De que modo conciliar o progresso da inteligência com os
ensinamentos evangélicos?
Deixa, porém, os delírios do cérebro aos que o procuram e
roga ao Senhor nos conserve os corações na tranquilidade da fé.
(Escultores de almas. Ed. Cultura Espírita União. Cap. “Fidelidade”)
Assim também vós, quando fizerdes tudo quanto vos
foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o
que devíamos ter feito.
Lucas 17:10
No júbilo de servir53
Guarda tua alma no júbilo de servir.
Não reclames honrarias, por mais alto te pareça o triunfo em
tuas mãos.
Se a terra se julgasse dona da árvore que frutifica na sua
crosta, intentando negar-lhe arrimo, não faria mais que privar-se
da proteção que o vegetal lhe dispensa, e se a árvore se
presumisse proprietária da terra que a suporta, fugindo-lhe às
bases, nada mais conseguiria que a eliminação de si mesma.
Atentas, porém, à seiva e ao equilíbrio que a Sabedoria divina
lhes assegura, entram em abençoada cooperação e produzem a
bênção da colheita.
Todos os bens da vida fluem da Bondade de nosso Pai.
Nas tuas horas de êxito, medita nas forças conjugadas que te
sustentam. Pensa nos que te beneficiam e te instruem, nos que te
amparam e te garantem.
Orgulhar-se das boas obras é ensombrar a própria visão,
invocando homenagens indébitas que de direito pertencem à
Deus.
À maneira do instrumento leal e dócil, deixa que o sumo
Bem te use a vida.
O violino, ainda mesmo o de mais rara fabricação, não vale
por si. Engrandece-se, porém, na fidelidade com que se rende às
mãos do artista que o integra na exaltação da Harmonia eterna.
(Reformador, dez. 1955, p. 266)
53 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “No júbilo de servir”, com pequenas
alterações.
Interrogado pelos fariseus sobre quando vem o reino
de Deus, em resposta, disse-lhes: o reino de Deus não
vem de modo visível.
Lucas 17:20
Vinda do reino
Os agrupamentos religiosos no mundo permanecem, quase
sempre, preocupados pelas conversões alheias. Os crentes mais
entusiastas anseiam por transformar as concepções dos amigos.
Em vista disso, em toda parte somos defrontados por irmãos
aflitos pela dilatação do proselitismo em seus círculos de estudo.
Semelhante atividade nem sempre é útil, porquanto, em
muitas ocasiões, pode perturbar elevados projetos em realização.
Afirma Jesus que o reino de Deus não vem com aparência
exterior. É sempre ruinosa a preocupação por demonstrar pompas
e números vaidosamente, nos grupos da fé. Expressões
transitórias de poder humano não atestam o reino de Deus. A
realização divina começará do íntimo das criaturas, constituindo
gloriosa luz do templo interno. Não surge à comum apreciação,
porque a maioria dos homens transitam semicegos, por
intermédio do túnel da carne, sepultando os erros do passado
culposo.
A carne é digna e venerável, pois é vaso de purificação,
recebendo-nos para o resgate preciso; entretanto, para os espíritos
redimidos significa “morte” ou “transformação permanente”. O
homem carnal, em vista das circunstâncias que lhe governam o
esforço, pode ver somente o que está “morto” ou aquilo que “vai
morrer”. O reino de Deus, porém, divino e imortal, escapa
naturalmente à visão dos humanos.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 107)
Civilização e reino de Deus54
A Terra de hoje reúne povos de vanguarda na esfera da
inteligência.
Cidades enormes são usadas, à feição de ninhos gigantescos
de cimento e aço, por agrupamentos de milhões de pessoas.
A energia elétrica assegura a circulação da força necessária à
manutenção do trabalho e do conforto doméstico.
A Ciência garante a higiene.
O automóvel ganha tempo e encurta distâncias.
A imprensa e a radiotelevisão interligam milhares de
criaturas num só instante, na mesma faixa de pensamento.
A escola abrilhanta o cérebro.
A técnica orienta a indústria.
Os institutos sociais patrocinam os assuntos de previdência e
segurança.
O comércio, sabiamente dirigido, atende ao consumo com
precisão.
Entretanto, estaremos diante de civilização impecável?
À frente desses empórios resplendentes de cultura e
progresso material, recordemos a palavra dos instrutores de Allan
Kardec, nas bases da Codificação do Espiritismo.
Perguntando a eles “por que indícios se pode reconhecer
uma civilização completa”, através da questão 793, constante de
O livro dos espíritos, deles recolheu a seguinte resposta:
“Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que
estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e
obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor
do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o
direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade
houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes,
como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis
apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da
civilização.”
Espíritas, irmãos! Rememoremos a advertência do Cristo,
quando nos afirma que o reino de Deus não vem até nós com
aparências exteriores; para edificá-lo, não nos esqueçamos de que
a Doutrina Espírita é luz em nossas mãos. Reflitamos nisso.
(Entre irmãos de outras terras. FEB Editora. Cap. 8)
Enquanto55
Dominarás a gramática, adquirindo fino lavor verbalista, na
ciência da expressão, mas, enquanto não articulares a própria
linguagem na luz da sinceridade e da compreensão, a tuapalavra,
conquanto primorosa, não renovará a ninguém.
Indicarás a trilha exata da beneficência, através de preciosos
conselhos, mas, enquanto não te dispuseres a percorrer a estrada
do desprendimento, no auxílio aos semelhantes, embora ajudes
indiretamente a quem te ouça, andarás órfão de teus próprios
avisos.
Pregarás tolerância, movimentando conceitos sublimes, mas,
enquanto não deres de ti mesmo, em abnegação e humildade, na
desculpa que ofertas, não farás claridade no coração, a fim de
acertar com o próprio caminho.
Levantarás magnificentes construções terrestres, mas,
enquanto não ergueres em ti próprio o templo da paz, alicerçado
no dever nobremente cumprido, não encontrarás em teu benefício
o pouso interior da genuína tranquilidade.
Honrarás os teus familiares e amigos por seres extremamente
queridos, mas, enquanto não compreenderes que as esperanças e
as necessidades deles são iguais às do próximo, com o mesmo
direito à bênção de Deus, não conquistarás, em favor de ti, a
cidadania do universo.
Desfrutarás admiração e apreço, com espetáculos de
prestígio e renome, mas, enquanto essas realizações não te
repercutirem na vida íntima, em forma de alegria oculta pelas
obrigações irrepreensivelmente atendidas, ainda mesmo à custa
de supostos fracassos e prejuízos, no campo das experiências
materiais, nenhuma demonstração de estima pública te adiantará
no reino do espírito, onde, em verdade, se te vincula a vida real.
Melhoremos o mundo em derredor de nós, aperfeiçoando a
nós mesmos. Capacita-te de que, depois das tarefas executadas no
plano físico, possuirás tão somente a extensão e a quantidade de
céu que houveres edificado dentro de ti.
(Reformador, jan. 1967, p. 2)
Autoentrevista56
Vez por outra, convém tomar o caderno de notas e rumar
para dentro de nós mesmos, efetuando uma autoentrevista, a fim
de sabermos em que posição se nos situa a personalidade, na
soma integral de nossas tendências mais íntimas:
quem somos verdadeiramente para lá da genética humana e
das documentações cartorárias do mundo, na condição real de
filhos de Deus, em provisório serviço no campo da evolução
terrestre;
para que objetivos nos dirigimos;
que fazemos do tempo;
se nos achamos hoje com menos débito e mais crédito do
que ontem, perante as Leis eternas;
se já recolhemos dificuldades e provações por reais
benefícios;
se procuramos renovar-nos constantemente, em espírito, para
fazer o melhor ao nosso alcance;
o que estamos produzindo, a favor do próximo, seja no
trabalho remunerado ou na atividade gratuita das boas obras;
se já sabemos esquecer as ofensas alheias, tanto quanto
desejamos que as nossas sejam esquecidas;
se o nosso entusiasmo é invariável, na prática do bem.
Nós, que nos interessamos tão vivamente pelo noticiário de
cada dia, acerca do que vai acontecendo no mundo, de quando em
quando realizemos uma entrevista com o nosso próprio espírito e
estejamos convencidos de que recolheremos as mais importantes
informações para orientar-nos com segurança e êxito, na viagem
de aperfeiçoamento, em que nos encontramos, descobrindo
gradativamente o reino do Senhor, em nós mesmos, ante a
Espiritualidade maior.
(Reformador, dez. 1967, p. 266)
54 Texto publicado em Ceifa de luz. FEB Editora. Cap. 36. Segue-me...! Ed. O Clarim. Cap.
“Luz em nossas mãos”, com pequenas alterações.
55 Texto publicado em Bênção de paz. Ed. GEEM. Cap. 37.
56 Texto publicado em Bênção de paz. Ed. GEEM. Cap. 39, com pequenas alterações.
Nem dirão: vede aqui ou vede ali, pois o reino de
Deus está dentro de vós.
Lucas 17:21
Edificação do reino
Nem na alegria excessiva que ensurdece.
Nem na tristeza demasiada que deprime.
Nem na ternura incondicional que prejudica.
Nem na severidade indiscriminada que destrói.
Nem na cegueira afetiva que jamais corrige.
Nem no rigor que resseca.
Nem no absurdo afirmativo que é dogma.
Nem no absurdo negativo que é vaidade.
Nem nas obras sem fé que se reduzem a pedra e pó.
Nem na fé sem obras que é estagnação da alma.
Nem no movimento sem ideal de elevação que é cansaço
vazio.
Nem no ideal de elevação sem movimento que é ociosidade
brilhante.
Nem cabeça excessivamente voltada para o firmamento com
inteira despreocupação do valioso trabalho na Terra.
Nem pés definitivamente chumbados ao chão do planeta
com integral esquecimento dos apelos do Céu.
Nem exigência a todo instante.
Nem desculpa sem fim.
O reino divino não será concretizado na Terra pela prática de
atitudes extremistas.
O próprio Mestre asseverou-nos que a sublime realização
está no meio de nós.
A edificação do reino divino é obra de aprimoramento, de
ordem, esforço e aplicação aos desígnios do Mestre, com bases no
trabalho metódico e na harmonia necessária.
Não te prendas excessivamente às dificuldades do dia de
ontem, nem te inquietes demasiado pelos prováveis obstáculos de
amanhã.
Vive e age bem no dia de hoje, equilibra-te e vencerás.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 177)
Alvorada do reino
Disse-nos Jesus:
“O reino de Deus está dentro de vós”.
Que interpretação devemos dar à semelhante afirmativa? Se
o reino de Deus está dentro de nós, por que as práticas religiosas
para encontrá-Lo? Perguntam-nos muitos amigos.
As práticas religiosas respeitáveis são sempre valioso
trabalho para que venhamos a desentranhá-lo das sombras que
conhecemos sob os nomes de “vaidade”, “orgulho”, “crueldade”,
“ódio”, “indiferença”, “egoísmo”, “indisciplina”, e
“inconformação” — sombras que nos envolvem o sentimento, ao
modo do cascalho que encerra o diamante.
Comparemos os prenúncios do reino de Deus em nós com a
alvorada de cada dia.
O Sol que nos sustenta não aparece de jato no firmamento.
Na escuridão das primeiras fases da madrugada começam a surgir
aberturas róseas de luz, aqui e ali, quando não estejam sob o peso
de nuvens que lhes ocultam temporariamente a beleza.
O processo de liquidação das trevas é sutil e vagaroso.
Os núcleos luminosos, somente a pouco e pouco, aumentam
em brilho e número, até que as sombras, necessariamente
extintas, abandonem os Céus, para que o Sol resplandeça e
alimente todas as vidas que evoluem na Terra.
Assim também nós, sob a carapaça das imperfeições e
defeitos, adquiridos em múltiplas estâncias de trabalho e
experiência, com o esforço de auto aperfeiçoamento que as
revelações religiosas nos oferecem, vamos criando forças de
libertação com as quais surgem os primeiros clarões de vida nova,
em meio das sombras que ainda se nos adensam no campo íntimo,
em forma de faltas e desacertos porque, atravessando dificuldades
numerosas, vamos, assim, multiplicando os valores espirituais em
nós mesmos, rejubilando-nos com os pontos de luz interna que
vamos adquirindo, até que os nossos nevoeiros se desfaçam e
possamos usufruir as irradiações do reino de Deus, em nós
próprios, identificando-nos com a Imortalidade em plena luz.
(Alvorada do reino. Ed. IDEAL. Prefácio – “Alvorada do reino”)
Céu
Aflitiva e longa tem sido a nossa viagem multimilenária, por
meio da reencarnação, a fim de que venhamos a entender o
conceito de Céu.
Entre os chineses de épocas venerandas, afiançávamos que a
imortalidade era a absoluta integração com os antepassados.
Na Índia bramânica, admitíamos que o Éden fosse a
condição privilegiada de alguns eleitos na pureza intocável dos
cimos.
No Egito remoto, imaginávamos que a glória, na esfera
espiritual, consistisse na intimidade com os deuses particulares,
mesmo quando se mostrassem positivamente cruéis.
Na Grécia antiga, supúnhamos que a felicidade suprema,
além da morte, brilhasse no trono das honrarias domésticas.
Com gauleses e romanos, incas e astecas, tínhamos
figurações especiais do paraíso e, ainda ontem, acreditávamos que
o Céu fosse região deleitosa em que Deus, teologicamente
transformado em caprichoso patriarca, vivesse condecorando os
filhos oportunistas que evidenciassem mais ampla inteligência no
campeonato da adulação.
De existência a existência, entretanto, aprendemos hoje que
a vida se espraia, triunfante, em todos os domínios universais do
sem-fim;que a matéria assume estados diversos de fluidez e
condensação; que os mundos se multiplicam infinitamente no
plano cósmico; que cada Espírito permanece em determinado
momento evolutivo e que, por isso, o Céu, em essência, é um
estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um.
É por esse motivo que Allan Kardec pergunta e responde:
— Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu? Em toda
parte. Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos superiores
são as últimas estações do seu caminho que as virtudes
franqueiam e os vícios interditam.
E foi ainda por essa mesma razão que, prevenindo-nos para
compreender as realidades da natureza no grande porvir, ensinou-
nos Jesus claramente: “O reino de Deus está dentro de vós”.
(Justiça divina. FEB Editora. Cap. 24)
Lugares de expiação
Múltiplas são as conceituações dos infernos exteriores.
Para os hindus de várias legendas religiosas da Antiguidade,
a região do sofrimento, para lá do sepulcro, dividia-se em dezenas
de seções nas quais os Espíritos culpados experimentavam os
martírios do fogo e da asfixia, dos botes de serpentes e aves
famélicas, de venenos e martelos, lâminas e prisões.
Entre os chineses, acreditava-se que os condenados, após o
decesso, atravessavam privações e torturas até caírem, exaustos,
numa espécie de segunda morte, com o suposto aniquilamento do
próprio ser.
Egípcios empregavam aparatosos regimes de corrigenda para
os mortos que fossem implacavelmente sentenciados a penas
aflitivas sob as vistas de Anúbis.
A crença popular grega admitia a existência de abismos
insondáveis, Além-túmulo, onde os maus eram atormentados por
agonias cruéis.
E, seguindo por vasta escala de concepções, a Teologia
relaciona infernos hebraicos, persas, romanos, escandinavos,
muçulmanos e ainda os que são até hoje perfilhados pelos
diversos departamentos da atividade cristã.
Não ignoras que os sistemas de castigo, mentalizados para
depois da morte, obedecem às idiossincrasias de cada povo,
apresentando, por isso, variedades multiformes. E sabemos
igualmente, em Doutrina Espírita, que existem outros infernos
exteriores a cercar-nos na Terra entre os próprios Espíritos
encarnados.
Não longe de nós, vemos o inferno da ignorância, em que se
debatem as inteligências sequiosas de luz, o inferno das
necessidades primárias absolutamente desatendidas, o inferno dos
entorpecentes, o inferno do lenocínio, o inferno do desespero e o
inferno das crianças desamparadas, todos eles gerando os
suplícios da sombra e da loucura, do pauperismo e da
enfermidade, do abandono e da delinquência.
Em razão disso, embora respeitando as crenças alheias,
observemos as próprias ações, a fim de verificar o que estamos
fazendo para extinguir os infernos que nos rodeiam.
E, sobretudo, aprendendo e servindo, vigiemos o coração
para que a prática do bem nos garanta a consciência tranquila,
uma vez que todos somos responsáveis pela nossa própria
condição espiritual.
Disse-nos o Cristo: “O reino de Deus está dentro de vós”, ao
que, de acordo com ele mesmo, ousamos acrescentar: “E o
inferno também”.
(Justiça divina. FEB Editora. Cap. 77)
Encontro de paz
Leitor Amigo.
Frequentemente, anseias por segurança e tranquilidade, no
entanto, é forçoso não esquecer que paz e estabilidade estão em ti
e se irradiam de ti.
Se o tumulto te rodeia, envia pensamentos de harmonia aos
que se emaranham nele, desejando-lhes reajuste.
Ante conflitos que surjam, silencia projetando vibrações de
entendimento a quantos se lhe fazem vítimas, aspirando a vê-los
repostos na luz da fraternidade.
À frente de companheiros entregues à desesperação,
imagina-te a envolvê-los em serenidade, rearticulando-lhes o
otimismo e a esperança.
Perante o desequilíbrio de alguém, auxilia a esse alguém
com os teus votos íntimos de recuperação e repouso.
Se te vês ao lado de um enfermo, detém-te a meditar em
melhora e restauração, augurando-lhe saúde e alegria.
Diante de irmãos abatidos e tristes, canaliza para eles as tuas
mais amplas ideias de reconforto.
Quando ouvires uma pessoa imatura ou portadora de
conversação menos feliz, busca socorrê-la sem palavras,
encaminhando-lhe mensagens inarticuladas de compreensão e
simpatia.
Se te recordas de amigos ausentes, mentaliza apoio e
bondade, relativamente a eles, a fim de protegê-los e animá-los na
execução dos compromissos que abraçam. [...]
Saibamos suprimir de sentimentos, ideias, atitudes, palavras
e ações tudo o que se relacione com ressentimento, perturbação,
ódio, azedume, amargura ou violência e, trabalhando e servindo
no bem de todos, procuremos agir e pensar em paz, doando paz
aos que nos compartilham a vida.
O reino dos Céus é luz de amor em refúgio de paz e não nos
será lícito olvidar que Jesus, a cada um de nós, afirmou,
convincente: “Não procures o reino de Deus aqui ou além, porque
o reino de Deus está dentro de ti”.
(Encontro de paz. Ed. IDE. Prefácio – “Encontro de paz”)
Reino divino
“Quando se vos disser que o reino de Deus está aqui ou ali
não acrediteis, porque o reino divino não surge com aparências
exteriores...”
Semelhante conceito do Cristo exorta-nos ao imperativo da
iluminação interior para que o nosso coração não se tresmalhe na
sombra.
Habitualmente, exigimos dos outros determinadas rotas de
ação, qual se nos assistisse o direito de fazê-los caminhar com os
nossos pés.
Cristãos de outras interpretações do Evangelho, reclamamos
de pastores humanos a salvação de nossas almas e quando
espíritas, aguardamos que médiuns e benfeitores nos exonerem da
responsabilidade de trabalhar e sofrer em nosso próprio
aperfeiçoamento.
É por isso que as falsas profecias proliferam com tanta
intensidade nas escolas cristãs, multiplicando as legiões de
espíritos sofredores a se desvairarem no desespero, depois da
morte.
É que nós mesmos, quase sempre receosos da própria
consciência, buscamos oráculos que nos engodem a mente com
sugestões imaginárias, acerca de méritos que estamos longe de
possuir, auxiliando-nos a fuga calculada da áspera região em que
se nos configuram os deveres maiores.
Reconhecemos que o reino celeste se encontra em estado
potencial no íntimo de todas as criaturas e que somente
construindo-o em nós e desdobrando-o, a dentro de nós mesmos,
é que alcançaremos a chave da grande compreensão a investir-nos
na posse da grande Luz.
Nesse sentido, é justo recordar que o divino Mestre não
apenas traçou o asserto que nos serve de apontamento ao estudo e
sim que lhe viveu a expressão mais profunda, aceitando, sem
reclamar, as lutas e as dores que lhe foram impostas, padecendo
por auxiliar e angustiando-se sem merecer, ensinando-nos, porém,
a receber com valor as cruzes que nós mesmos talhamos para
atingir, em plenitude de alegria e vitória o terreno seguro de nossa
suspirada ascensão.
(Viajor. Ed. IDE. Cap. 10)
No portal da luz
Aspiras à posse do conhecimento espírita evangélico?
Iniciemos o aprendizado pela reforma íntima.
Disse Jesus: “O reino de Deus está dentro de vós”. Descobri-
lo e estabelecer as vias de acesso para alcançá-lo depende de nós.
Será justo suplicar o socorro de Deus nas horas de aflição e
construir a existência como se Deus não existisse?
Ergamos a fé raciocinada, principiando pela base do dever
cumprido, de modo a que não nos falte a paz de consciência.
Em seguida, enxerguemos a nós mesmos.
Se vens da província obscura da negação, procura discernir a
verdade, para perceberes a divina Sabedoria que te rodeia em toda
parte e começa a jornada, no rumo da Espiritualidade maior.
Se procedes do distrito superado de outras crenças que não
mais te satisfazem as exigências da alma, busca o entendimento
de ti mesmo, de modo a prosseguires na ascensão à Vida superior.
Jamais aniquilar o tesouro das horas com discussões estéreis.
Se te reconheces com necessidade de mudança espiritual,
atingiste nova faixa de madureza para a grande compreensão.
Cada fruto aparece no tempo adequado.
Contempla a vida em torno com a visão mais ampla de que
dispões agora e ama cada ser e cada coisa no lugar em que se
encontreme, conquanto lhes ofereças auxílio incessante, age sem
a preocupação de alterá-los.
Consagra-te, acima de tudo, à edificação do reino interno.
Entretanto, se o anseio de perfeição te aquece com veemência,
recorda que Deus nos esperou até hoje o impulso de melhoria e,
cooperando com a Providência divina para o bem de todos os
nossos irmãos, é urgente reconhecer que nenhum de nós sabe ou
pode amá-los mais do que Deus.
(No portal da luz. Ed. IDE. Cap. 1)
Reino de Deus57
(Neste instante. Ed. GEEM. Cap. “Reino de Deus”)
57 N.E.: Vide nota 12.
E vos dirão: vede aqui! Vede ali! Não saiam nem
persigam.
Lucas 17:23
Na propaganda
As exortações do Mestre aos discípulos são muito precisas
para provocarem qualquer incerteza ou indecisão.
Quando tantas expressões sectárias requisitam o Cristo para
os seus desmandos intelectuais, é justo que os aprendizes novos,
na luz do Consolador, meditem a elevada significação deste
versículo de Lucas.
Na propaganda genuinamente cristã, não basta dizer onde
está o Senhor. Indispensável é mostrá-lo na própria
exemplificação.
Muitos percorrem templos e altares, procurando Jesus.
Mudar de crença religiosa pode ser modificação de caminho,
mas pode ser também continuidade de perturbação.
Torna-se necessário encontrar o Cristo no santuário interior.
Cristianizar a vida não é imprimir-lhe novas feições
exteriores. É reformá-la para o bem no âmbito particular.
Os que afirmam apenas na forma verbal que o Mestre se
encontra aqui ou ali, arcam com profundas responsabilidades. A
preocupação de proselitismo é sempre perigosa para os que se
seduzem com as belezas sonoras da palavra sem exemplos
edificantes.
O discípulo sincero sabe que dizer é fácil, mas que é difícil
revelar os propósitos do Senhor na existência própria. É
imprescindível fazer o bem, antes de ensiná-lo a outrem, porque
Jesus recomendou ninguém seguisse os pregoeiros que somente
dissessem onde se poderia encontrar o Filho de Deus.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 19)
Naquele dia, quem estiver sobre o terraço, e os seus
utensílios dentro de casa, não desça para pegá-los.
[...]
Lucas 17:31
Alfaias
A palavra do Mestre não deixa margem a hesitações.
Naturalmente, todo aprendiz vive na organização que lhe é
própria. Cada qual permanece em casa, isto é, na criação
individual ou no campo de testemunho a que o Senhor o
conduziu.
Geralmente, porém, jamais está sozinho.
Reduzido ou extenso, há sempre um séquito de afeições a
acompanhá-lo. Muita vez, contudo, a companheira, o pai e o filho
não conseguem mover-se além das zonas inferiores de
compreensão, quando o discípulo, pelos nobres esforços
despendidos, se equilibra, vitorioso, na parte mais alta do
entendimento. Chegados a semelhante situação, muitos
trabalhadores aplicados experimentam dificuldades de vulto.
Não sabem separar as alfaias de adorno dos vasos essenciais,
as frivolidades dos deveres justos e sofrem dolorosos abalos no
coração.
Indispensável se precatem contra esse perigo comum.
Cumpra-se a obrigação sagrada, atenda-se, antes de tudo, ao
programa da Vontade divina, exemplifique-se a fraternidade e a
tolerância, acendendo-se a lâmpada do esforço próprio, mas que
se não prejudique o serviço divino da ascensão, por receio aos
melindres pessoais e às convenções puramente exteriores.
Um lar não vive simplesmente em razão das alfaias que o
povoam, transitoriamente, e sim pelos fundamentos espirituais
que lhe construíram as bases. Um homem não será superior
porque satisfaça a opiniões passageiras, mas sim porque sabe
cumprir, em tudo, os desígnios de Deus.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 134)
[...] orar sempre e não desanimar.
Lucas 18:1
Nunca desfalecer58
Não permitas que os problemas externos, inclusive os do
próprio corpo, te inabilitem para o serviço da tua iluminação.
Enquanto te encontrares no plano de exercício, qual a crosta
da Terra, sempre serás defrontado pela dificuldade e pela dor.
A lição dada é caminho para novas lições.
Atrás do enigma resolvido, outros enigmas aparecem.
Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar,
exercitar e aperfeiçoar.
Enche-te, pois, de calma e bom ânimo, em todas as
situações.
Foste colocado entre obstáculos mil de natureza estranha,
para que, vencendo inibições fora de ti, aprendas a superar as tuas
limitações.
Enquanto a comunidade terrestre não se adaptar à nova luz,
respirarás cercado de lágrimas inquietantes, de gestos impensados
e de sentimentos escuros.
Dispõe-te a desculpar e auxiliar sempre, a fim de que não
percas a gloriosa oportunidade de crescimento espiritual.
Lembra-te de todas as aflições que rodearam o espírito
cristão, no mundo, desde a vinda do Senhor.
Onde está o Sinédrio que condenou o Amigo celeste à
morte?
Onde os romanos vaidosos e dominadores?
Onde os verdugos da Boa-Nova nascente?
Onde os guerreiros que fizeram correr, por causa do
Evangelho, rios escuros de sangue e suor?
Onde os príncipes astutos que combateram e negociaram, em
nome do Renovador crucificado?
Onde as trevas da Idade Média?
Onde os políticos e inquisidores de todos os matizes, que
feriram em nome do excelso Benfeitor?
Arrojados pelo tempo aos despenhadeiros de cinza,
fortaleceram e consolidaram o pedestal de luz, em que a figura do
Cristo resplandece, cada vez mais gloriosa, no governo dos
séculos.
Centraliza-te no esforço de ajudar no bem comum, seguindo
com a tua cruz, ao encontro da ressurreição divina. Nas surpresas
constrangedoras da marcha, recorda que, antes de tudo, importa
orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando, e nunca
desfalecer.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 61)
58 Texto Publicado em Alvorada do reino. Ed. IDEAL. Cap. 7, com pequenas alterações.
Jesus as chamou para si, dizendo: deixai vir a mim as
criancinhas e não as impeçais, pois delas é o reino de
Deus.
Lucas 18:16
Sejamos simples
Surge o progresso da sucessão constante de labores variados
em todas as frentes de atividade humana.
Um esforço acompanha outro, um objetivo mais
aperfeiçoado modifica os movimentos da criatura.
Vida após vida, geração à geração, a humanidade caminha
recebendo luz e burilamento.
Toda a vida futura, no entanto, depende inevitavelmente da
vida presente, como toda colheita próxima se deriva da
sementeira atual.
A infância significa, por isso, as vibrações da esperança nos
dias porvindouros, muito embora a fragilidade com que se
caracteriza.
A ingenuidade dos pensamentos e a meiguice dos modos dão
à criança os traços da virgindade sentimental necessária ao
espírito para galgar os estágios superiores da evolução.
Eis, porque, o Senhor, com muita propriedade, elegeu na
infância o símbolo da pureza indispensável à sustentação do ser
na Vida maior.
No período infantil encontramos as provas irrecusáveis de
que as almas possuem, no âmago de si mesmas, as condições
potenciais para a angelitude.
Urge, pois, saibamos viver com a simplicidade dos
pequeninos, na rota da madureza renunciando às expressões
inferiores do egoísmo e do orgulho, da astúcia e da crueldade, que
tantas vezes se nos ocultam nos gestos de fidalguia aparente.
No reino de Deus ninguém cresce para a maldade.
Sejamos simples, vivendo o bem espontâneo.
Observa, portanto, em ti, os sinais positivos que conservas
da infância, como índice de valores morais para a excursão,
monte acima.
Sê criança em relação ao mal que perturba e fere, realizando
a maturação de teus sentimentos na criação do amor puro, porque
somente no amor puro encontraremos acesso à eterna Sublimação
a que estamos destinados.
(Ideal espírita. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 30)
Em auxílio à criança59
Dentro das tarefas que o Espiritismo nos impõe, uma delas
avulta pela importância e significação com que se destaca no
presente para a garantia do futuro de nosso trabalho regenerativo
e santificante.
Referimo-nos à imprescindível assistência espiritual que a
criança exige de nós, a fim de que não estejamos descuidados no
erguimento das colunas vivas do reino do Senhor, na Terra.
Não levantaremos umedifício, sem assegurar a firmeza dos
alicerces.
Não escreveremos um livro, sem, antes, penetrar o sentido
do alfabeto.
Não chegaremos a produzir uma sinfonia, sem abordar os
segredos primários das notas simples.
Não colheremos em seara feliz sem sacrifícios na
sementeira.
Como esperar o aprimoramento da humanidade, sem a
melhoria do Homem e como aguardar o Homem renovado, sem o
amparo à criança?
O menino de agora dominará depois.
Na urna do coração infantil, reside a decifração dos
inquietantes enigmas da felicidade sobre o mundo.
Façamos de nossos templos de fé espírita-cristã não somente
santuários de socorro às aflições e aos problemas da madureza
humana, mas também lares de adestramento espiritual, com vistas
à plantação do bem, onde nossos filhos encontrem a primeira
escola de comunhão com o Senhor e com o próximo.
A recuperação da mente infantil para o equilíbrio da vida
planetária é trabalho urgente e inadiável, que devemos executar,
se nos propomos alcançar o porvir com a verdadeira regeneração.
Na criança, ergue-se o amanhã.
Talvez, por isso mesmo, à frente da multidão aflita,
proclamou o nosso divino Mestre:
— Deixai vir a Mim os pequeninos...
Dirijamo-nos para o Cristo, conduzindo conosco os tenros
corações das criancinhas, e, mais cedo que possamos esperar, a
Terra encontrará o caminho glorioso da paz imperecível.
(Brasil espírita, jan. 1953, p. 4)
59 Texto publicado em Reformador, out. 1953, p. 229.
Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não
matarás, não roubarás, não prestarás falso
testemunho, honra teu pai e tua mãe.
Lucas 18:20
Não furtar
Diz a lei: “não furtarás”.
Sim, não furtarás o dinheiro, nem a fazenda, nem a veste,
nem a posse dos semelhantes.
Contudo, existem outros bens que desaparecem, subtraídos
pelo assalto da agressividade invisível que passa, impune, diante
dos tribunais articulados na Terra.
Há muitos amigos que restituem honestamente a moeda
encontrada na rua, mas que não se pejam de roubar a esperança e
o entusiasmo dos companheiros dedicados ao bem, traçando telas
de amargura e desânimo com as quais favorecem a vitória do mal.
Muitos respeitam a terra dos outros; entretanto, não hesitam
em dilapidar-lhes o patrimônio moral, assestando contra eles a
maledicência e a calúnia.
Há criaturas que nunca arrebataram objetos devidos ao
conforto do próximo; contudo, não vacilam em surripiar-lhes a
confiança.
E há pessoas inúmeras que jamais invadiram a posse
material de quem quer que seja; no entanto, destroem, sem
piedade, a concórdia e a segurança do ambiente em que vivem,
roubando o tempo e a alegria dos que trabalham.
“Não furtarás” — estatui o preceito divino.
É preciso, porém, não furtar nem os recursos do corpo, nem
os bens da alma, pois que a consequência de todo furto é prevista
na lei.
(Justiça divina. FEB Editora. Cap. 3)
Mutilações congênitas60
(Caminhos de volta. Ed. GEEM. Cap. “Mutilações congênitas”)
Não matarás
Situado entre leis físicas inelutáveis, no campo de evolução
na Terra, à maneira do aluno, entre as paredes e regimes do
educandário, o homem dispõe do livre-arbítrio na esfera das leis
morais que lhe presidem o desenvolvimento e a ascensão para a
imortalidade.
Justo, portanto, seja defrontado por todos os débitos em que
se onerou perante a vida, porque, de outro modo, não conseguiria
crescer para a luz a que está reservado.
Não poderá, por isso, desvencilhar-se dos compromissos que
plasmou para si mesmo, razão pela qual, se desperto para a
verdade, ser-lhe-á o bem de todos a meta de cada dia, a fim de
que por testemunhos incessantes de boa vontade e amor, se
desagrave na Lei, quanto às aflições que lhe estão debitadas pela
própria conduta no pretérito, que lhe comanda o presente.
Compreendendo que o destino amargo de hoje foi por ele
mesmo criado, com o livre-arbítrio de ontem, constitui-lhe dever
atenuar quanto possível as próprias contas para que se lhe
solucionem os problemas sem maiores inquietações.
Chegados à semelhante conclusão, é natural tudo façamos
para que a preservação digna nos favoreça contra o assalto do
crime, mesmo porque a excelsa Providência concedendo à
criatura humana o benefício do lar, fê-lo de modo a resguardá-la
com a eficiência devida, inspirando-lhe meios para defender-se de
malfeitores, tanto quanto lhe sugere o agasalho contra a
intempérie.
Em razão disso, o próprio Cristo não nos exortou em vão à
própria segurança, quando nos traçou o imperativo da vigilância e
da oração.
Cumpridos por nós tais deveres, com a execução das
obrigações outras que nos quitem a consciência no plano do
respeito recíproco e da caridade infatigável para com o próximo,
estejamos seguros na fortaleza de nossa fé, prontos a receber
quaisquer golpes que nos sejam desferidos na estrada
regeneradora, porque, então, diante da paz de nossas almas, toda
sorte de infortúnio que nos acometa a existência terrena
representará imprescindível resgate das culpas que contraímos,
cabendo-nos confiar as nossas decisões e situações ao julgamento
justo de Deus, porquanto, para nós o regulamento da Lei divina é
claro e insofismável em nos preceituando:
Não matarás.
(Fonte de paz. Ed. IDE. Cap. 5)
60 N.E.: Vide nota 12.
[Jesus disse-lhe] Que queres que eu faça? Ele
respondeu: Senhor, que eu possa ver novamente.
Lucas 18:41
O cego de Jericó
O cego de Jericó é das grandes figuras dos ensinamentos
evangélicos.
Informa-nos a narrativa de Lucas que o infeliz andava pelo
caminho, mendigando... Sentindo a aproximação do Mestre, põe-
se a gritar, implorando misericórdia.
Irritam-se os populares, em face de tão insistentes rogativas.
Tentam impedi-lo, recomendando-lhe calar as solicitações. Jesus,
contudo, ouve-lhe a súplica, aproxima-se dele e interroga com
amor:
— Que queres que te faça?
À frente do magnânimo dispensador dos bens divinos,
recebendo liberdade tão ampla, o pedinte sincero responde apenas
isto:
— Senhor, que eu veja!
O propósito desse cego honesto e humilde deveria ser o
nosso em todas as circunstâncias da vida.
Mergulhados na carne ou fora dela, somos, às vezes, esse
mendigo de Jericó, esmolando às margens da estrada comum.
Chama-nos a vida, o trabalho apela para nós, abençoa-nos a luz
do conhecimento, mas permanecemos indecisos, sem coragem de
marchar para a realização elevada que nos compete atingir. E,
quando surge a oportunidade de nosso encontro espiritual com o
Cristo, além de sentirmos que o mundo se volta contra nós,
induzindo-nos à indiferença, é muito raro sabermos pedir
sensatamente.
Por isso mesmo, é muito valiosa a recordação do pobrezinho
mencionado no versículo de Lucas, porquanto não é preciso
compareçamos diante do Mestre com volumosa bagagem de
rogativas. Basta lhe peçamos o dom de ver, com a exata
compreensão das particularidades do caminho evolutivo. Que o
Senhor, portanto, nos faça enxergar todos os fenômenos e
situações, pessoas e coisas, com amor e justiça, e possuiremos o
necessário à nossa alegria imortal.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 44)
No mesmo instante, recuperou a vista, e seguia a
Jesus glorificando a Deus. [...]
Lucas 18:43
Não basta ver
A atitude do cego de Jericó representa padrão elevado a todo
discípulo sincero do Evangelho.
O enfermo de boa vontade procura primeiramente o Mestre,
diante da multidão. Em seguida à cura, acompanha Jesus,
glorificando a Deus. E todo o povo, observando o benefício, a
gratidão e a fidelidade reunidos, volta-se para a confiança no
divino Poder.
A maioria dos necessitados, porém, assume posição muito
diversa. Quase todos os doentes reclamam a atuação do Cristo,
exigindo que a dádiva desça aos caprichos perniciosos que lhes
são peculiares, sem qualquer esforço pela elevação de si mesmos
à bênção do Mestre.
Raros procuram o Cristo à luz meridiana; e, de quantos lhe
recebem os dons, raríssimos são os que lhe seguem os passos no
mundo.
Daí procede a ausência da legítima glorificação a Deus e a
cura incompleta da cegueira que os obscurecia, antes do primeiro
contato com a fé.
Em razão disso, a Terra estárepleta dos que creem e
descreem, estudam e não aprendem, esperam e desesperam,
ensinam e não sabem, confiam e duvidam.
Aquele que recebe dádivas pode ser somente beneficiário.
O que, porém, recebe o favor e agradece-o, vendo a luz e
seguindo-a, será redimido.
É óbvio que o mundo inteiro reclama visão com o Cristo,
mas não basta ver simplesmente; os que se circunscrevem ao ato
de enxergar podem ser bons narradores, excelentes estatísticos,
entretanto, para ver e glorificar o Senhor é indispensável marchar
nas pegadas do Cristo, escalando, com Ele, a montanha do
trabalho e do testemunho.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 34)
Chamando seus dez servos, deu-lhes dez minas e
disse-lhes: negociai até que eu venha.
Lucas 19:13
Vê como vives
Com a precisa madureza do raciocínio, compreenderá o
homem que toda a sua existência é um grande conjunto de
negócios espirituais e que a vida, em si, não passa de ato religioso
permanente, com vistas aos deveres divinos que nos prendem a
Deus.
Por enquanto, o mundo apenas exige testemunhos de fé das
pessoas indicadas por detentoras de mandato essencialmente
religioso.
Os católicos romanos rodeiam de exigências os sacerdotes,
desvirtuando-lhes o apostolado. Os protestantes, na maioria,
atribuem aos ministros evangélicos as obrigações mais completas
do culto. Os espiritistas reclamam de doutrinadores e médiuns as
supremas demonstrações de caridade e pureza, como se a luz e a
verdade da Nova Revelação pudessem constituir exclusivo
patrimônio de alguns cérebros falíveis.
Urge considerar, porém, que o testemunho cristão, no campo
transitório da luta humana, é dever de todos os homens,
indistintamente.
Cada criatura foi chamada pela Providência a determinado
setor de trabalhos espirituais na Terra.
O comerciante está em negócios de suprimento e de
fraternidade.
O administrador permanece em negócios de orientação,
distribuição e responsabilidade.
O servidor foi trazido a negócios de obediência e edificação.
As mães e os pais terrestres foram convocados a negócios de
renúncia, exemplificação e devotamento.
O carpinteiro está fabricando colunas para o templo vivo do
lar.
O cientista vive fornecendo equações de progresso que
melhorem o bem-estar do mundo.
O cozinheiro trabalha para alimentar o operário e o sábio.
Todos os homens vivem na obra de Deus, valendo-se dela
para alcançarem, um dia, a grandeza divina. Usufrutuários de
patrimônios que pertencem ao Pai encontram-se no campo das
oportunidades presentes, negociando com os valores do Senhor.
Em razão desta verdade, meu amigo, vê o que fazes e não te
esqueças de subordinar teus desejos a Deus, nos negócios que por
algum tempo te forem confiados no mundo.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 2)
[...] Se soubesses, também tu, neste dia, as [coisas]
que [conduzem] para paz! [...]
Lucas 19:42
Conta particular
A exclamação de Jesus, junto de Jerusalém, aplica-se muito
mais ao coração do homem — templo vivo do Senhor — que à
cidade de ordem material, destinada à ruína e à desagregação nos
setores da experiência.
Imaginemos o que seria o mundo se cada criatura conhecesse
o que lhe pertence à paz íntima.
Em virtude da quase geral desatenção a esse imperativo da
vida é que os homens se empenham em dolorosos atritos,
provocando escabrosos débitos.
Atentemos para a assertiva do Mestre — “ao menos neste
teu dia”.
Estas palavras convidam-nos a pensar na oportunidade de
serviço de que dispomos presentemente e a refletir nos séculos
que perdemos; compelem-nos a meditar quanto ao ensejo de
trabalho, sempre aberto aos espíritos diligentes.
O homem encarnado dispõe dum tempo glorioso que é
provisoriamente dele, que lhe foi proporcionado pelo Altíssimo
em favor de sua própria renovação.
Necessário é que cada um conheça o que lhe toca à
tranquilidade individual. Guarde cada homem digna atitude de
compreensão dos deveres próprios e os fantasmas da inquietude
estarão afastados. Cuide cada pessoa do que se lhe refira à conta
particular e dois terços dos problemas sociais do mundo surgirão
naturalmente resolvidos.
Repara as pequeninas exigências de teu círculo e atende-as,
em favor de ti mesmo.
Não caminharás entre as estrelas, antes de trilhares as sendas
humildes que te competem.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 38)
Mas não encontravam o que fazer, pois todo o povo
pendia para ele, ouvindo-o.
Lucas 19:48
O povo e o Evangelho
A perseguição aos postulados do Cristianismo é de todos os
tempos.
Nos próprios dias do Mestre divino, nos círculos carnais, já
se exteriorizavam hostilidades de todos os matizes contra os
movimentos da iluminação cristã.
Em todas as ocasiões, no entanto, tem sido possível observar
a gravitação do povo para Jesus. Entre Ele e a multidão, nunca se
extinguiu o poderoso magnetismo da virtude e do amor.
Debalde surgem medidas draconianas da ignorância e da
crueldade, em vão aparecem os prejuízos eclesiásticos do
sacerdócio, quando sem luz na missão sublime de orientar;
cientistas presunçosos, demagogos subornados por interesses
mesquinhos, clamam nas praças pela consagração de fantasias
brilhantes.
O povo, porém, inclina-se para o Cristo, com a mesma
fascinação do primeiro dia.
Indiscutivelmente, considerados num todo, achamo-nos
ainda longe da união com Jesus, em sentido integral.
De quando em quando, a turba experimenta pavorosos
desastres. Tormentas de sangue e lágrimas varrem-lhe os
caminhos.
A claridade do Mestre, contudo, acena-lhe a distância.
Velhos e crianças identificam-lhe o brilho santificado.
Os políticos do mundo formulam mil promessas ao espírito
das massas; raras pessoas, entretanto, se interessam por
semelhantes plataformas.
Os enunciados do Senhor, todavia, em cada século se
renovam, sempre mais altos para a mente popular, traduzindo
consolações e apelos imortais.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 47)
Quando ouvirdes de guerras e distúrbios, não vos
atemorizeis [...].
Lucas 21:9
Sede firmes61
(Harmonização. Ed. GEEM. Cap. “Sede firmes”)
61 N.E.: Vide nota 12.
[Isso] vos sucederá para testemunho.
Lucas 21:13
Para testemunhar
Naturalmente que o Mestre não folgará de ver seus
discípulos mergulhados no sofrimento. Considerando, porém, as
necessidades extensas dos homens da Terra, compreende o caráter
indispensável das provações e dos obstáculos.
A pedagogia moderna está repleta de esforços seletivos, de
concursos de capacidade, de testes da inteligência.
O Evangelho oferece situações semelhantes.
O amigo do Cristo não deve ser uma criatura sombria, à
espera de padecimentos; entretanto, conhecendo a sua posição de
trabalho, num plano como a Terra, deve contar com dificuldades
de toda sorte.
Para os gozos falsificados do mundo, o planeta está cheio de
condutores enganados.
Como invocar o Salvador para a continuidade de fantasias?
Quando chamados para o Cristo, é para que aprendamos a
executar o trabalho em favor da esfera maior, sem olvidarmos que
o serviço começa em nós mesmos.
Existem muitos homens de valor cultural que se constituíram
em mentores dos que desejam mentirosos regalos no plano físico.
No Evangelho, porém, não acontece assim. Quando o Mestre
convida alguém ao seu trabalho, não é para que chore em
desalento ou repouse em satisfação ociosa.
Se o Senhor te chamou, não te esqueças de que já te
considera digno de testemunhar.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 71)
Com a vossa perseverança adquiram as vossas almas.
Lucas 21:19
Paciência em estudo
Todos necessitamos de paciência uns para com os outros,
mas compete-nos igualmente a todos estudar a paciência em sua
função educativa.
Paciência!
É serenidade; calma, porém, não é aprovação ao
desequilíbrio.
É compreensão; entendimento, no entanto, não é passaporte
ao abuso.
É harmonização; ajuste, todavia, não é apoio à delinquência.
É tolerância; brandura, entretanto, não é coonestação com o
erro deliberado.
Paciência, sobretudo, é a capacidade de verificar a
dificuldade ou o desacerto nas engrenagens do cotidiano,
buscando a solução do problema ou a transposiçãodo obstáculo,
sem toques de alarde e sem farpas de irritação.
Em todos os aspectos da paciência, recordemos Jesus.
O Mestre foi, no mundo, o paradigma de semelhante virtude,
mas não foi conformista. Nunca se apassivou diante do mal,
conquanto lhe suportasse as manifestações, diligenciando meios
de tudo renovar para o bem; e, em lhe lembrando a sinceridade e
a franqueza, não nos será lícito esquecer que o Cristo se revelou
tão paciente que não hesitou em regressar, depois da morte, ao
convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado. Ainda
assim, é forçoso reconhecer que ele se materializou perante os
discípulos que, em maioria, podiam ser iletrados e medrosos, mas
suficientemente sinceros para continuar-lhe a obra libertadora, e
não diante dos fariseus, altamente intelectualizados e profundos
conhecedores das revelações divinas, mas habitualmente atolados
em conveniências e preconceitos e, por isso mesmo, capazes de
omitir a verdade e estabelecer a perturbação.
(Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 171)
Paciência62
Afinal de contas, ter paciência não será sorrir para as
maldades humanas, nem coonestar suas atividades indignas, sobre
a face do mundo.
Concordar alguém com todos os males da senda terrestre, a
pretexto de revelar essa virtude, seria um contrassenso absurdo.
Ter paciência, então, será resistir aos impulsos inferiores que
nos cerquem na estrada evolutiva, conduzindo todo o bem que
nos seja possível aos seres e coisas que se achem diante de nós,
como a representação desses mesmos impulsos.
Jesus foi o modelo da paciência suprema e resistiu à nossa
inferioridade, amando-nos. Não se nivelou com as nossas
fraquezas, mas valeu-se de todas as ocasiões para nos melhorar e
conduzir ao bem. Sua misericórdia tomou os nossos pecados e
transformou cada um em profunda lição para a reforma de nós
mesmos. Não aplaudiu as nossas misérias, nem sorriu para os
nossos erros, mas compreendeu-nos as deficiências e amparou-
nos. Embora tudo isso, resistiu-nos sempre, dentro de seu amor,
até à cruz do martírio.
A paciência do Cristo é um livro aberto para todos os
corações inclinados ao bem e à verdade.
Somente pela sincera resistência ao mal, com a disposição
fiel de transformá-lo no bem, conseguireis possuir as vossas
almas. Ao contrário disso, ainda que vos sintais autônomos e
fortes, vós mesmos é que sereis possuídos por tendências indignas
ou sentimentos inferiores.
Portanto, justo é que busqueis saber, hoje mesmo, se já
possuís os vossos corações, ou se estais ocupados pelas forças
estranhas ao vosso título de filhos de Deus.
(Reformador, jan. 1942, p. 1)
Em nós
Paciência incessante em todas as dores e em todas as
circunstâncias, a fim de que venhamos a transpor com segurança
as dificuldades que vigem por fora, mas também cultivar
paciência conosco, para construirmos a nobilitação que nos é
necessária.
Com isso, não queremos dizer que devamos acalentar as
nossas fraquezas ou aplaudir as próprias faltas, mas sim que não
nos cabe interromper a edificação, no mundo íntimo, quando
surjam falhas em nós, no serviço do bem que nos toca fazer.
Frequentemente, fugimos envergonhados, desertando das
tarefas de elevação, martelando confissões, qual se pregássemos
esponjas de farpas no coração, para que nos firamos a toda hora.
E repetimos, a cada instante:
– Verifiquei que não presto...
– Tentei melhorar-me e não pude...
– Não me peçam voltar ao serviço, que não sou santo...
– Larguei a oração porque tenho lama no pensamento...
– Sou um poço de vermes...
– Não quero perturbar os outros com os meus defeitos...
– Sou um monte de erros...
– Há quem recorra ao rifão popular: “pau que nasce torto
tem a sombra torta”, esquecendo-se de que existem milhares de
troncos, tortos na configuração externa, guardando seiva robusta e
sadia, na produção dos frutos com que alimentam as criaturas.
Cair é acidente dos que caminham.
Refocilar-se no chão é próprio dos que se animalizam.
Aprendamos a emendar, corrigir, restaurar, refazer...
Nos derradeiros ensinamentos, Jesus não se esqueceu de
induzir-nos à calma, recomendando aos seguidores: “na
paciência, possuireis as vossas almas”.
Isso realmente significa que precisamos de paciência, não só
para angariar a simpatia e a colaboração das almas alheias, mas
para educar também as nossas.
(Reformador, out. 1963, p. 233)
62 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “Filhos de Deus”, com pequenas
alterações.
Acautelai-vos para que vossos corações não estejam
pesados na ressaca, embriaguez e ansiedade da vida
[física], e aquele dia venha, repentino, sobre vós.
Lucas 21:34
E olhai por vós
Em geral, o homem se interessa por tudo quanto diga
respeito ao bem-estar imediato da existência física, descuidando-
se da vida espiritual, a sobrecarregar sentimentos de vícios e
inquietações de toda sorte. Enquanto lhe sobra tempo para
comprar aflições no vasto noticiário dos planos inferiores da
atividade terrena, nunca encontra oportunidade para escassos
momentos de meditação elevada. Fixa com interesse as ondas
destruidoras de ódio e treva que assolam nações, mas não vê,
comumente, as sombras que o invadem. Vasculha os males do
vizinho e distrai-se dos que lhe são próprios.
Não cuida senão de alimentar convenientemente o veículo
físico, mergulhando-se no mar de fantasias ou encarcerando-se
em laços terríveis de dor, que ele próprio cria, ao longo do
caminho.
Depois de plasmar escuros fantasmas e de nutrir os próprios
verdugos, clama, desesperado, por Jesus e seus mensageiros.
O Mestre, porém, não se descuida em tempo algum e, desde
muito, recomendou vele cada um por si, na direção da
espiritualidade superior.
Sabia o Senhor quanto é amargo o sofrimento de improviso e
não nos faltou com o roteiro, antecedendo-nos a solicitação, há
muitos séculos.
Retire-se cada um dos excessos na satisfação egoística, fuja
ao relaxamento do dever, alije as inquietações mesquinhas — e
estará preparado à sublime transformação.
Em verdade, a Terra não viverá indefinidamente, sem contas;
contudo, cada aprendiz do Evangelho deve compreender que o
instante da morte do corpo físico é dia de juízo no mundo de cada
homem.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 23)
E aquele [homem] vos mostrará uma grande sala [no
terraço], arrumada; preparai ali [a ceia].
Lucas 22:12
Fazei preparativos
Aquele cenáculo mobilado, a que se referiu Jesus, é perfeito
símbolo do aposento interno da alma.
Em face da natureza que oferece lições valiosas em todos os
planos de atividade, observemos que o homem aguarda cada dia,
renovando sempre as disposições do lar. Aqui, varrem-se detritos;
acolá, ornamentam-se paredes. Os móveis, quase sempre os
mesmos, passam por processos de limpeza diária.
O homem consciencioso reconhecerá que a maioria das
ações, na experiência física, encerra-se em preparação incessante
para a vida com que será defrontado, além da morte do corpo.
Se isso ocorre com a feição material da vida terrena, que não
dizer do esforço propriamente espiritual para o caminho eterno?
Certamente, numerosas criaturas atravessarão o dia à
maneira do irracional, em movimentos quase mecânicos. Erguem-
se do leito, alimentam o corpo perecível, absorvem a atenção com
bagatelas e dormem de novo, cada noite.
O aprendiz sincero, todavia, sabe que atingiu o cenáculo
simbólico do coração. Embora não possa mudar de ideias
diariamente, qual acontece aos móveis da residência, dá-lhes
novo brilho a cada instante, sublimando os impulsos, renovando
concepções, elevando desejos e melhorando sempre as qualidades
estimáveis que já possui.
O homem simplesmente terrestre mantém-se na expectativa
da morte orgânica; o homem espiritual espera o Mestre divino,
para consolidar a redenção própria.
Não abandoneis, portanto, o cenáculo da fé e, aí dentro, fazei
preparativos em constante ascensão.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 144)
[...] o maior entre vós seja como o mais novo, e o que
comanda como o que serve.
Lucas 22:26
Política
O Evangelho apresenta, igualmente, a maiselevada fórmula
de vida político-administrativa aos povos da Terra.
Quem afirma que semelhantes serviços não se compadecem
com os labores do Mestre não penetrou ainda toda a verdade de
suas Lições divinas.
A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à
execução do sublime princípio.
Os ideais democráticos do mundo não derivaram senão do
próprio ensinamento do Salvador.
Poderá encontrar algum sociólogo do planeta, plataforma
superior além da gloriosa síntese que reclama do governante as
legítimas qualidades do servidor fiel?
As revoluções, que custaram tanto sangue, não foram senão
uma ânsia de obtenção da fórmula sagrada na realidade política
das nações.
Nem, por isso, entretanto, deixaram de ser movimentos
criminosos e desleais, como infiéis e perversos têm sido os falsos
políticos na atuação do governo comum.
O ensinamento de Jesus, nesse particular, ainda está acima
da compreensão vulgar das criaturas.
Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de
autoridade e evidência, mas geralmente se encontram
excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no
imediatismo do mundo.
Ignoram que o Cristo aí conta com eles, não como quem
governa tirânica ou arbitrariamente, mas como quem serve com
alegria, não como quem administra a golpes de força, mas como
quem obedece ao Esquema divino, junto dos seres e coisas da
vida.
Jesus é o supremo Governador da Terra e, ao mesmo tempo,
o supremo Servidor das criaturas humanas.
(Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 12)
[...] Eu, porém, no meio de vós, sou como aquele que
serve.
Lucas 22:27
O grande servidor63
Sim, o Cristo não passou entre os homens como quem
impõe.
Nem como quem determina.
Nem como quem governa.
Nem como quem manda.
Caminhou na Terra à feição do servidor.
Legou-nos o Evangelho da vida, escrevendo-lhe a epopeia
no coração das criaturas.
Mestre, tomou o próprio coração para sua cátedra.
Enviado celestial, não se detém num trono terrestre e
aproxima-se da multidão para auxiliá-la.
Fundador da Boa-Nova, não se limita a tecer-lhe a coroa
com palavras estudadas, mas estende-a e consolida-lhe os valores
com as próprias mãos.
A prática é o seu modo de convencer.
O próprio sacrifício é o seu método de transformar.
Aprendamos, com o divino Mestre, a ciência da renovação
pelo bem. E modificar a nós mesmos para a vitória do bem,
elevando pessoas e melhorando situações, é servir sempre como
quem sabe que fazer é o melhor processo de aconselhar.
(Reformador, dez. 1955, p. 266)
Política divina
O discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o
clima da política administrativa do mundo para cumprir o
ministério que lhe é cometido.
O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos
da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de
Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e
decretos, respeitáveis embora.
Administrou servindo, elevou os demais, humilhando a si
mesmo.
Não vestiu o traje do sacerdote, nem a toga do magistrado.
Amou profundamente os semelhantes e, nessa tarefa
sublime, testemunhou a sua grandeza celestial.
Que seria das organizações cristãs se o apostolado que lhes
diz respeito estivesse subordinado a reis e ministros, câmaras e
parlamentos transitórios?
Se desejas penetrar, efetivamente, o templo da verdade e da
fé viva, da paz e do amor, com Jesus, não olvides as plataformas
do Evangelho redentor.
Ama a Deus sobre todas as coisas, com todo o teu coração e
entendimento.
Ama o próximo como a ti mesmo.
Cessa o egoísmo da animalidade primitiva.
Faze o bem aos que te fazem mal.
Abençoa os que te perseguem e caluniam.
Ora pela paz dos que te ferem.
Bendize os que te contrariam o coração inclinado ao passado
inferior.
Reparte as alegrias de teu espírito e os dons de tua vida com
os menos afortunados e mais pobres do caminho.
Dissipa as trevas, fazendo brilhar a tua luz.
Revela o amor que acalma as tempestades do ódio.
Mantém viva a chama da esperança, onde sopra o frio do
desalento.
Levanta os caídos.
Sê a muleta benfeitora dos que se arrastam sob aleijões
morais.
Combate a ignorância, acendendo lâmpadas de auxílio
fraterno, sem golpes de crítica e sem gritos de condenação.
Ama, compreende e perdoa sempre.
Dependerás, acaso, de decretos humanos para meter mãos à
obra?
Lembra-te, meu amigo, de que os administradores do mundo
são, na maioria das vezes, veneráveis prepostos da Sabedoria
imortal, amparando os potenciais econômicos, passageiros e
perecíveis do mundo; todavia, não te esqueças das recomendações
traçadas no Código da Vida eterna, na execução das quais
devemos edificar o reino divino, dentro de nós mesmos.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 59)
63 Texto publicado em Segue-me!... Ed. O Clarim. Cap. “O grande servidor”.
Eu, porém, roguei por ti para que não cesse a tua fé;
e tu, quando voltares, apoia os teus irmãos.
Lucas 22:32
Necessidade essencial
Justo destacar que Jesus, ciente de que Simão permanecia
num mundo em que imperam as vantagens de caráter material,
não intercedesse, junto ao Pai, a fim de que lhe não faltassem
recursos físicos, tais como a satisfação do corpo, a remuneração
substanciosa ou a consideração social.
Declara o Mestre haver pedido ao supremo Senhor para que
em Pedro não se enfraqueça o dom da fé.
Salientou, assim, o Cristo, a necessidade essencial da
criatura humana, no que se refere à confiança em Deus, num
círculo de lutas onde todos os benefícios visíveis estão sujeitos à
transformação e à morte.
Testemunhava que, de todas as realizações sublimes do
homem atual, a fé viva e ativa é das mais difíceis de serem
consolidadas. Reconhecia que a segurança espiritual dos
companheiros terrestres não é obra de alguns dias, porque
pequeninos acontecimentos podem interrompê-la, feri-la, adiá-la.
A ingratidão de um amigo, um gesto impensado, a incompreensão
de alguém, uma insignificante dificuldade, podem prejudicar-lhe
o desenvolvimento.
Em plena oficina humana, portanto, é imprescindível
reconheças a transitoriedade de todos os bens transferíveis que te
cercam. Mobiliza-os sempre, atendendo aos superiores desígnios
da fraternidade que nos ensinam a amar-nos uns aos outros com
fidelidade e devotamento. Convence-te, porém, de que a fé viva
na vitória final do espírito eterno é o óleo divino que nos sustenta
a luz interior para a divina ascensão.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 45)
Conversão
Não é tão fácil a conversão do homem, quanto afirmam os
portadores de convicções apressadas.
Muitos dizem “eu creio”, mas poucos podem declarar “estou
transformado”.
As palavras do Mestre a Simão Pedro são muito simbólicas.
Jesus proferiu-as, na véspera do Calvário, na hora grave da última
reunião com os discípulos. Recomendava ao pescador de
Cafarnaum confirmasse os irmãos na fé, quando se convertesse.
Acresce notar que Pedro sempre foi o seu mais ativo
companheiro de apostolado. O Mestre preferia sempre a sua casa
singela para exercer o divino ministério do amor. Durante três
anos sucessivos, Simão presenciou acontecimentos assombrosos.
Viu leprosos limpos, cegos que voltavam a ver, loucos que
recuperavam a razão; deslumbrara-se com a visão do Messias
transfigurado no Tabor, assistira a saída de Lázaro da escuridão
do sepulcro, e, no entanto, ainda não estava convertido.
Seriam necessários os trabalhos imensos de Jerusalém, os
sacrifícios pessoais, as lutas enormes consigo mesmo, para que
pudesse converter-se ao Evangelho e dar testemunho do Cristo
aos seus irmãos.
Não será por se maravilhar tua alma, ante as revelações
espirituais, que estarás convertido e transformado para Jesus.
Simão Pedro presenciou essas revelações com o próprio Messias
e custou muito a obter esses títulos. Trabalhemos, portanto, por
nos convertermos. Somente nessas condições, estaremos
habilitados para o testemunho.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 15)
[...] não se faça a minha vontade, mas a tua.
Lucas 22:42
Rogar64
É comum a alteração de votos que formulamos, de planos
que fazemos.
Vários propósitos que senos erigiam na alma, por anseios
aflitivos do sentimento, caem, após realizados, nos domínios do
trivial, dando lugar a novos anseios.
Petições que endereçamos à Vida maior, em muitas ocasiões,
quando atendidas, já nos encontram modificados por súplicas
diferentes. O que ontem era importante para nós costuma descer
para as linhas da vulgaridade e o que desprezávamos antigamente,
não poucas vezes, passa à condição de essencial.
Forçoso, desse modo, rogar com prudência as concessões da
vida.
Poderes superiores velam por nossas necessidades,
facultando-nos aquilo que nos é efetivamente proveitoso.
Em circunstâncias diversas, acontecimentos que nos parecem
males são bens que não chegamos a entender, de pronto, e basta
analisar as ocorrências da vida para percebermos que muitas
daquelas que se nos afiguram bens resultam em males que nos
dilapidam a consciência e golpeiam o coração.
Todos possuímos amigos admiráveis que se comovem à
frente de nossas rogativas, empenhando influência e recurso por
satisfazer-nos, prejudicando-se, frequentemente, em nome do
amor, por nossa causa, de vez que nem sempre estamos
habilitados a receber o que desejamos, no que se refere a conforto
e vantagem.
Aprendamos, assim, a trabalhar, esperando pelos desígnios
da Justiça divina sobre os nossos impulsos.
Importante lembrar que o próprio Cristo, na fidelidade a
Deus, foi constrangido também a dizer: “Pai, não se faça a minha
vontade, mas a tua”.
(Reformador, jan. 1964, p. 8)
64 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 151.
Disse-lhes: por que dormis? Orai para que não
entreis em tentação.
Lucas 22:46
Por que dormis?
Nos ensinos fundamentais de Jesus, é imperioso evitar as
situações acomodatícias, em detrimento das atividades do bem.
O Evangelho de Lucas, nesta passagem, conta que os
discípulos “dormiam de tristeza”, enquanto o Mestre orava
fervorosamente no Horto. Vê-se, pois, que o Senhor não
justificou nem mesmo a inatividade oriunda do choque ante as
grandes dores.
O aprendiz figurará o mundo como o campo de trabalho do
reino, onde se esforçará, operoso e vigilante, compreendendo que
o Cristo prossegue em serviço redentor para o resgate total das
criaturas.
Recordando a prece em Getsêmani, somos obrigados a
lembrar que inúmeras comunidades de alicerces cristãos
permanecem dormindo nas convivências pessoais, nos
mesquinhos interesses, nas vaidades efêmeras. Falam do Cristo,
referem-se à sua imperecível exemplificação, como se fossem
sonâmbulos, inconscientes do que dizem e do que fazem, para
despertarem tão só no instante da morte corporal, em soluços
tardios.
Ouçamos a interrogação do Salvador e busquemos a
edificação e o trabalho, a fim de que não existam lugares vagos
para o que seja inútil e ruinoso à consciência.
Quanto a ti, que ainda te encontras na carne, não durmas em
espírito, desatendendo aos interesses do Redentor. Levanta-te e
esforça-te, porque é no sono da alma que se encontram as mais
perigosas tentações, em pesadelos ou fantasias.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 87)
[...] e entregou Jesus à vontade deles.
Lucas 23:25
Pilatos
Pilatos hesitava. Seu coração era um pêndulo entre duas
forças poderosas...
De um lado, era a consciência transmitindo-lhe a vontade
superior dos Planos divinos, de outro, era a imposição da turba
ameaçadora, encaminhando-lhe a vontade inferior das esferas
mais baixas do mundo.
O infortúnio do juiz romano foi entregar o Senhor aos
desígnios da multidão mesquinha.
Na qualidade de homem, Pôncio Pilatos era portador de
defeitos naturais que nos caracterizam a quase todos na
experiência em que o nobre patrício se encontrava, mas como
juiz, naquele instante, seu imenso desejo era de acertar.
Queria ser justo e ser bom no processo do Messias Nazareno,
entretanto, fraquejou pela vontade enfermiça, cedendo à zona
contrária ao bem.
Examinando o fenômeno, todavia, não nos move outro
desejo senão de analisar nossa própria fragilidade.
Quantas vezes agimos até ontem, ao modo de Pilatos, nas
estradas da vida? Imaginemos o tribunal de Jerusalém
transportado ao nosso foro íntimo.
Jesus não se punha contra o nosso exame, mas, esperando
pela nossa decisão, aí permanece conosco a Sua ideia divina e
salvadora.
Qual aconteceu ao juiz, nosso coração transforma-se em
pêndulo, entre as exortações da consciência eterna e as
requisições dos desejos inferiores.
Quase que invariavelmente, entregamos o pensamento de
Jesus às zonas baixas, onde sofre a mesma crucificação do
Mestre.
Vemos assim que Pilatos converteu-se em profundo símbolo
para a caminhada humana.
(Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 11)
E, quando o conduziram, tomando a Simão, um
cirineu, que vinha do campo, puseram sobre ele a
cruz, para levá-la atrás de Jesus.
Lucas 23:26
Após Jesus
A multidão que rodeava o Mestre no dia supremo era
enorme.
Achavam-se ali os gozadores impenitentes do mundo, os
campeões da usura, os ridicularizadores, os ignorantes, os
espíritos fracos que reconheciam a superioridade do Cristo e
temiam anunciar as próprias convicções, os amigos vacilantes do
Evangelho, as testemunhas acovardadas, os beneficiados pelo
divino Médico, que se ocultavam, medrosos, com receio de
sacrifícios...
Mas um estrangeiro, instado pelo povo, aceitou o madeiro,
embora constrangidamente, e seguiu carregando-o após Jesus.
A lição, entretanto, seria legada aos séculos do futuro...
O mundo ainda é uma Jerusalém enorme, congregando
criaturas dos mais variados matizes, mas se te aproximas do
Evangelho, com sinceridade e fervor, colocam-te a cruz sobre o
coração.
Daí em diante, serás compelido às maiores demonstrações de
renúncia, raros te observarão o cansaço e a angústia e, não
obstante a tua condição de servidor, com os mesmos problemas
dos outros, exigir-te-ão espetáculos de humildade e resistência,
heroísmo e lealdade ao bem.
Sofre e trabalha de olhos voltados para a divina Luz.
Do Alto descerão para o teu espírito as torrentes invisíveis
das fontes celestes, e vencerás valorosamente.
Por enquanto, a cruz ainda é o sinal dos aprendizes fiéis.
Se não tens contigo as marcas do testemunho pela
responsabilidade, pelo trabalho, pelo sacrifício ou pelo
aprimoramento íntimo, é possível que ames profundamente o
Mestre, mas é quase certo que ainda não te colocaste, junto dele,
na jornada redentora.
Abençoemos, pois, a nossa cruz e sigamo-lo, destemerosos,
buscando a vitória do amor e a ressurreição eterna.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 140)
Porque se fazem essas [coisas] ao lenho viçoso, o que
acontecerá ao seco?
Lucas 23:31
Madeiros secos
Jesus é a videira eterna, cheia de seiva divina, espalhando
ramos fartos, perfumes consoladores e frutos substanciosos entre
os homens, e o mundo não lhe ofereceu senão a cruz da
flagelação e da morte infamante.
Desde milênios remotos é o Salvador, o puro por excelência.
Que não devemos esperar, por nossa vez, criaturas
endividadas que somos, representando galhos ainda secos na
árvore da vida?
Em cada experiência, necessitamos de processos novos no
serviço de reparação e corrigenda.
Somos madeiros sem vida própria, que as paixões humanas
inutilizaram, em sua fúria destruidora.
Os homens do campo metem a vara punitiva nos
pessegueiros, quando suas frondes raquíticas não produzem. O
efeito é benéfico e compensador.
O martírio do Cristo ultrapassou os limites de nossa
imaginação. Como tronco sublime da vida, sofreu por desejar
transmitir-nos sua seiva fecundante.
Como lenhos ressequidos, ao calor do mal, sofremos por
necessidade, em favor de nós mesmos.
O mundo organizou a tragédia da cruz para o Mestre, por
espírito de maldade e ingratidão; mas, nós outros, se temos cruzes
na senda redentora, não é porque Deus seja rigoroso na execução
de suas leis, mas por ser amoroso Pai de nossas almas, cheio de
sabedoria e compaixão nos processos educativos.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 82)
[Jesus, porém, dizia: Pai, perdoa-lhes, pois não
sabem o que fazem]. [...]
Lucas 23:34
Tolerância divinaOuvem-se as opiniões mais disparatadas no que concerne ao
perdão e à tolerância de Deus.
Aprendizes levianos, a todo instante, referem-se ao
problema, com mais infantilidade que espírito de observação e
obediência.
São raros os que se compenetram da magnitude do assunto.
O perdão divino jamais será entendido no quadro da
preguiça, do egoísmo pessoal ou da inconstância da criatura.
As palavras do Mestre, na cruz, oferecem um roteiro de
pensamentos profundos, nesse sentido: “Perdoa-lhes, meu Pai,
porque não sabem o que fazem”, representa uma sentença básica
da responsabilidade que o assunto envolve em si mesmo.
Num momento, qual o do Calvário, em que a dor se lhe
impunha ao Espírito divino, Jesus roga o perdão de Deus para as
criaturas, mas não esquece de assinalar o porquê de Sua
solicitação.
Seu motivo profundo era o da ignorância em que os homens
se mergulhavam.
O Mestre compreendia que não se deve invocar a tolerância
de Deus sem razão justa, como nunca se abusa de um Pai
abnegado e carinhoso.
Tornava-se preciso explicar que o drama do Gólgota era
forma de animalidade de quantos o rodeavam.
E a expressão do Cristo foi guardada no Evangelho, a fim de
que todos os aprendizes venham a compreender que tolerância e
perdão de Deus não são forças que se reclamem a esmo.
(Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 19)
Se soubéssemos
Se o homicida conhecesse, de antemão, o tributo de dor que
a vida lhe cobrará, no reajuste do seu destino, preferiria não ter
braços para desferir qualquer golpe.
Se o caluniador pudesse eliminar a crosta de sombra que lhe
enlouquece a visão, observando o sofrimento que o espera no
acerto de contas com a verdade, paralisaria as cordas vocais ou
imobilizaria a pena, a fim de não se confiar à acusação descabida.
Se o desertor do bem conseguisse enxergar as perigosas
ciladas com que as trevas lhe furtarão o contentamento de viver,
deter-se-ia feliz, sob as algemas santificantes dos mais pesados
deveres.
Se o ingrato percebesse o fel de amargura que lhe invadirá,
mais tarde, o coração, não perpetraria o delito da indiferença.
Se o egoísta contemplasse a solidão infernal que o aguarda,
nunca se apartaria da prática infatigável da fraternidade e da
cooperação.
Se o glutão enxergasse os desequilíbrios para os quais
encaminha o próprio corpo, apressando a marcha para a morte,
renderia culto invariável à frugalidade e à harmonia.
Se soubéssemos quão terrível é o resultado de nosso
desrespeito às Leis divinas, jamais nos afastaríamos do caminho
reto.
Perdoa, pois, a quem te fere e calunia...
Em verdade, quantos se rendem às sugestões perturbadoras
do mal, não sabem o que fazem.
(Fonte viva. FEB Editora. Cap. 38)
Perdão – remédio santo65
Toda vez que a moléstia te ameaça, recorres necessariamente
aos remédios que te liberem da apreensão.
Agentes calmantes para a dor...
Sedativos para a ansiedade...
Em suma, à face de qualquer embaraço físico, procuras
reabilitar as funções do órgão lesado.
Lembra-te de semelhante impositivo e recorda que há
pensamentos enfermiços de queixa e mágoa, de prevenção e
antipatia, a te solicitarem adequada medicação para que se
restaure o equilíbrio.
E se nas doenças vulgares reclamas despreocupação, em
favor da cura, é natural que nos achaques do espírito necessites de
esquecimento para que se te refaçam as forças.
O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na
luta cotidiana.
Tanto quanto não deves conservar detritos e infecções no
vaso orgânico, não mantenhas aversão e rancor na própria alma.
Perdoa a quantos te aborreçam, perdoa a quantos te firam.
Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.
Recorda que todas as criaturas trazem consigo as
imperfeições e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto,
ainda desajustados, trazemos também as nossas.
É por isso que Jesus, o Emissário divino, crucificado pela
perseguição gratuita, rogou a Deus, ante os próprios algozes:
“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem...”.
E, deixando os ofensores nas inibições próprias a cada um,
sustentou em si a luz do amor que dissolve toda sombra,
induzindo-nos à conquista da luz eterna.
(Reformador, set. 1959, p. 194)
No escândalo da cruz66
Finda a crucificação, espraiou o Mestre o olhar pela turba
inconsciente. As opiniões contraditórias do povo alcançavam-lhe
os ouvidos. Os companheiros estavam distantes. Ocultavam-se os
beneficiários de seu amor. Era constrangido, agora, a permanecer
entre o insulto dos acusadores e o escárnio da multidão.
Angustiado, identificava a maioria dos semblantes.
Ali, comprimiam-se pessoas da cidade que lhe conheciam a
missão divina; mais além, acotovelavam-se romanos aos quais
socorrera, generoso, ou romeiros de regiões diversas, que lhe
deviam favores e benefícios. Quase todos haviam comparecido à
festividade de sua entrada triunfal em Jerusalém, comentando-lhe
o feito, na ressurreição de Lázaro, ou recordando-lhe,
entusiasticamente, a virtude, a cooperação, o ânimo e o serviço.
Não haviam decorrido muitas horas e as mesmas bocas
ridicularizavam-no, sem piedade.
– Por que não reagira, em recebendo a ordem de prisão?
– Não seria razoável a fuga dos discípulos, diante de sua
tolerância em frente aos sequazes dos sacerdotes?
– Não salvara a tantos? Por que não remediara a si mesmo?
– Ensinara a resistência ao crime e às tentações... Por que se
entregava, assim, como desordeiro vulgar?
– Não seria vergonha atender a missionário como aquele,
incapaz de qualquer reação? Entretanto, um dia, indignara-se, no
templo, perante os mercadores infiéis...
– Que razões o moviam a não recorrer à justiça do mundo?
– Contrariamente a toda expectativa, aceitara a prisão sem
resistência!
– Deixou-se conduzir como criança, pela pior companhia,
submeteu-se aos açoites e bofetadas...
– Deixou-se vestir de uma túnica escandalosa, ele, que era
simples e sóbrio por excelência, nem reclamou contra os espinhos
com que lhe coroaram a fronte...
– Aceitou a cruz como se a merecesse e, por fim, ó ridículo
supremo! Não se revoltou quando o exibiram no madeiro, seminu,
sob apupos e gargalhadas...
Jesus ouvia as opiniões que se entrechocavam, guardando
silêncio.
Onde estaria o Evangelho, se reagisse? Para onde enviaria os
seguidores de sua palavra se lhes abrisse no coração a sede de
vingança? Que seria do reino de Deus, se pretendesse um reino
dominador na Terra? Onde colocaria a Justiça do Pai, se também
duelasse com a justiça dos homens? Onde situava o auxílio
divino, de que era portador, se não desculpasse a ignorância?
Como demonstraria o amor de que se fizera pregoeiro, lançando
chamas de cólera, exigindo reivindicações e castigando os
escarnecedores, já de si mesmos tão infelizes? Deveria acusar
publicamente os organizadores do escândalo, dando-lhes pasto
aos sentimentos perversos ou deveria tratá-los com o silêncio,
para que tivessem de enxergar a si próprios?
O Mestre espraiou o olhar pela multidão desvairada,
lembrou-se dos amigos distantes e fixou os adversários presentes,
meditou nas profundas perturbações da hora em curso, considerou
as necessidades espirituais de cada homem, compreendeu o
imperativo da Vontade de Deus e, já que era indispensável dizer
alguma coisa, movendo os lábios na direção do futuro de sua
doutrina, levantou os olhos da Terra para os Céus e murmurou
compassivo: “Perdoai-lhes, meu Pai, porque não sabem o que
fazem...”.
(Reformador, mar. 1945, p. 62)
65 Texto publicado em Palavras de vida eterna. Ed. Comunhão Espírita Cristã. Cap. 61.
66 Texto publicado em Coletânea do além. Ed. LAKE. Cap. “No escândalo da cruz”, com
pequenas alterações.
Disse-lhe: amém, te digo que hoje estarás comigo no
paraíso.
Lucas 23:43
No paraíso
À primeira vista, parece que Jesus se inclinou para o
chamado bom ladrão, por meio da simpatia particular.
Mas não é assim.
O Mestre, nessa lição do Calvário, renovou a definição de
paraíso.
Noutra passagem, Ele mesmo asseverou que o reino divino
não surge com aparências exteriores. Inicia-se, desenvolve-se e
consolida-se, em resplendores eternos, noimo do coração.
Naquela hora de sacrifício culminante, o bom ladrão rendeu-
se incondicionalmente a Jesus Cristo. O leitor do Evangelho não
se informa com respeito aos porfiados trabalhos e às
responsabilidades novas que lhe pesariam nos ombros, de modo a
cimentar a união com o Salvador; todavia, convence-se de que
daquele momento em diante o ex-malfeitor penetrará o Céu.
O símbolo é formoso e profundo e dá ideia da infinita
extensão da divina Misericórdia.
Podemos apresentar-nos com volumosa bagagem de débitos
do passado escuro, ante a verdade, mas desde o instante em que
nos rendemos aos desígnios do Senhor, aceitando sinceramente o
dever da própria regeneração, avançamos para região espiritual
diferente, onde todo jugo é suave e todo fardo é leve. Chegado a
essa altura, o espírito endividado não permanecerá em falsa
atitude beatífica, reconhecendo, acima de tudo, que, com Jesus, o
sofrimento é retificação e as cruzes são claridades imortais.
Eis o motivo pelo qual o bom ladrão, naquela mesma hora,
ingressou nas excelsitudes do paraíso.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 81)
Estavam de pé, ao longe, vendo estas [coisas], todos
dos conhecidos dele bem como as mulheres que o
haviam seguido desde a Galileia.
Lucas 23:49
Nos grandes momentos67
A solidão de Jesus no Calvário é uma lição viva aos
discípulos do Evangelho, em todos os tempos.
Quase sempre os aprendizes procuram impor ao próximo o
seu modo de sentir. Às vezes, quando menos avisados, raiam pela
imprudência, ansiosos da renovação imediata de amigos,
conhecidos, familiares. Suas atividades se convertem num
conjunto de inquietações indevidas. Andam esquecidos de que
cada um será compelido ao testemunho nos grandes momentos. E,
quando chegado o ensejo, devem contar, acima de tudo, com
Deus e consigo próprios.
Jesus, no apostolado da luz e do bem, junto ao espírito
popular, formara compacta legião de amigos. Todos os
beneficiários de sua obra o seguiam em admiração constante.
Volteavam-lhe em torno dos passos não só os admiradores, os
aprendizes, os curiosos, mas também os doentes da véspera,
reintegrados no tesouro da saúde, à força da sua dedicação divina.
No grande momento, porém, quando as sombras do martírio lhe
amortalhavam o coração, todos os participantes de suas
caminhadas se recolheram à distância da cruz, contemplando-o de
longe. Não se ouviu a voz de nenhum beneficiado, ao pé do
Calvário. Ninguém lhe recordou, no extremo instante, as obras
generosas, perante os algozes que o apupavam. E o ensinamento
ficou para que cada aprendiz, no decurso do tempo, não esqueça a
necessidade do próprio valor.
(Reformador, out. 1942, p. 235)
67 Texto publicado em Alma e luz. Ed. IDE. Cap. 17, com pequenas alterações. Trilha de luz.
Ed. IDE. Cap. 19, com pequenas alterações.
Mas, diante deles, essas palavras pareceram como
que tolice, e não acreditaram nelas.
Lucas 24:11
A luz segue sempre
A perplexidade surgida no dia da Ressurreição do Senhor
ainda é a mesma nos tempos que passam, sempre que a natureza
divina e invisível ao olhar comum dos homens manifesta suas
gloriosas mensagens.
As mulheres devotadas, que se foram em romaria de amor ao
túmulo do Mestre, sempre encontraram sucessores. Todavia, são
muito raros os Pedros que se dispõem a levantar para a
averiguação da verdade.
Em todos os tempos, os transmissores de notícias de Além-
túmulo peregrinaram na Terra, quanto hoje.
As escolas religiosas deturpadas, porém, somente em raras
ocasiões aceitaram o valioso concurso que se lhes oferecia.
Nas épocas passadas, todos os instrumentos da revelação
espiritual, com raras exceções, foram categorizados como bruxos,
queimados na praça pública, e, ainda hoje, são tidos por
dementes, visionários e feiticeiros. É que a maioria dos
companheiros de jornada humana vivem agarrados aos inferiores
interesses de alguns momentos e as palavras da verdade
imortalista sempre lhes pareceram consumado desvario.
Entregues ao efêmero, não creem na expansão da vida, dentro do
infinito e da eternidade, mas a luz da Ressurreição prossegue
sempre, inspirando seus missionários ainda incompreendidos.
(Vinha de luz. FEB Editora. Cap. 9)
Os seus olhos, porém, estavam impedidos de
reconhecê-lo.
Lucas 24:16
O amigo oculto
Os discípulos, a caminho de Emaús, comentavam,
amargurados, os acontecimentos terríveis do Calvário.
Permaneciam sob a tormenta da angústia. A dúvida
penetrava-lhes a alma, levando-os ao abatimento, à negação.
Um homem desconhecido, porém, alcançou-os na estrada.
Oferecia o aspecto de mísero peregrino. Sem identificar-se,
esclareceu as verdades da Escritura, exaltou a cruz e o sofrimento.
Ambos os companheiros, que se haviam emaranhado no
cipoal de contradições ingratas, experimentaram agradável bem-
estar, ouvindo a argumentação confortadora.
Somente ao termo da viagem, sentindo-se fortalecidos no
tépido ambiente da hospedaria, perceberam que o desconhecido
era o Mestre.
Ainda existem aprendizes na “estrada simbólica de Emaús”,
todos os dias. Atingem o Evangelho e espantam-se em face dos
sacrifícios necessários à eterna iluminação espiritual. Não
entendem o ambiente divino da cruz e procuram “paisagens
mentais” distantes... Entretanto, chega sempre um desconhecido
que caminha ao lado dos que vacilam e fogem. Tem a forma de
um viandante incompreendido, de um companheiro inesperado,
de um velho generoso, de uma criança tímida. Sua voz é diferente
das outras, seus esclarecimentos mais firmes, seus apelos mais
doces.
Quem partilha, por um momento, do banquete da cruz,
jamais poderá olvidá-la. Muitas vezes, partirá mundo afora,
demorando-se nos trilhos escuros; no entanto, minuto virá em que
Jesus, de maneira imprevista, busca esses viajores transviados e
não os desampara enquanto não os contempla, seguros e livres, na
hospedaria da confiança.
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 95)
Eles explicaram as [coisas ocorridas] no caminho, e
como o haviam reconhecido pelo partir do pão.
Lucas 24:35
Ao partir do pão
Muito importante o episódio em que o Mestre é reconhecido
pelos discípulos que se dirigiam para Emaús, em desesperação.
Jesus seguira-os, qual amigo oculto, fixando-lhes a verdade
no coração com as fórmulas verbais, carinhosas e doces.
Grande parte do caminho foi atravessada em companhia
daquele homem, amoroso e sábio, que ambos interpretaram por
generoso e simpático desconhecido, e, somente ao partir do pão,
reconhecem o Mestre muito amado.
Os dois aprendizes não conseguiram a identificação nem
pelas palavras, nem pelo gesto afetuoso; contudo, tão logo surgiu
o pão materializado, dissiparam todas as dúvidas e creram.
Não será o mesmo que vem ocorrendo no mundo há
milênios?
Compactas multidões de candidatos à fé se afastam do
serviço divino por não atingirem, depois de certa expectação, as
vantagens que aguardavam no imediatismo da luta humana. Sem
garantia financeira, sem caprichos satisfeitos, não comungam na
crença renovadora, respeitável e fiel.
É necessário combater semelhante miopia da alma.
Louvado seja o Senhor por todas as lições e testemunhos que
nos confere, mas continuarás muito longe da verdade se o
procuras apenas na divisão dos bens fragmentários e perecíveis.
(Pão nosso. FEB Editora. Cap. 129)
E ele lhes disse: por que estais perturbados, e por que
sobem tais pensamentos ao vosso coração?
Lucas 24:38
Fé e paz
Para a inquirição do Senhor aos discípulos a quem
demonstrava a sobrevivência, não encontraríamos realmente uma
resposta aceitável, porque o abatimento e a perturbação quase
sempre resultam da inconstância na fé.
O objetivo que atingiremos na senda evolutiva inclui, hoje
ou amanhã, o domínio de nós mesmos, guardando-nos o coração
tranquilo e imperturbável.
E, enquanto experimentamos o suor das tarefas que nos
honram o “hoje”, é preciso aceitar de frente todas as
circunstâncias, para que não desmereçamos o ideal superior que
nos alimenta os sonhos.
Fenômenos infelizes ou sucessos amargos não nos devem
toldar o clima de esperança.
Resguardados na fé que nos emolduraos passos, estejamos
desassombrados e valorosos perante todas as ocorrências que nos
envolvem as horas.
Perturbar-se é render-se à névoa da invigilância.
Apavorar-se é cair sob o domínio das sombras.
Mantenhamos o coração sereno, firme e forte, em qualquer
emergência escura, pois os minutos próximos são incógnitas
constantes para o nosso raciocínio humilde e fragmentário.
Não nos deixemos abater ante as lutas da marcha.
Se trazemos conosco a fé, a paz ser-nos-á o escudo amigo e
invulnerável.
Assim, que as aflições jamais nos amedrontem, porquanto,
muitas vezes, qual sucedeu um dia aos amigos do Mestre, a
surpresa que surge, a trazer-nos espanto, é somente a visita da
mensagem do Céu em talentos de amor e tesouros de luz.
(Reformador, fev. 1958, p. 43)
Então o entendimento deles foi aberto e
compreenderam as Escrituras.
Lucas 24:45
Entendimento espiritual68
(Harmonização. Ed. GEEM. Cap. “Entendimento espiritual”)
68 N.E.: Vide nota 12.
Vós [sois] testemunhas destas [coisas].
Lucas 24:48
Aproveitemos
Jesus sempre aproveitou o mínimo para produzir o máximo.
Com três anos de apostolado, acendeu luzes para milênios.
Congregando pequena assembleia de doze companheiros,
renovou o mundo.
Com uma pregação na montanha, inspirou milhões de almas
para a vida eterna.
Converte a esmola de uma viúva em lição imperecível de
solidariedade.
Corrigindo alguns espíritos perturbados, transforma o
sistema judiciário da Terra, erigindo o “amai-vos uns aos outros”
para a felicidade humana.
De cinco pães e dois peixes, retira o alimento para milhares
de famintos.
Da ação de um Zaqueu bem-intencionado, traça programa
edificante para os mordomos da fortuna material.
Da atitude de um fariseu orgulhoso, extrai a verdade que
confunde os crentes menos sinceros.
Curando alguns doentes, institui a medicina espiritual para
todos os centros da Terra.
Faz dum grão de mostarda maravilhoso símbolo do reino de
Deus.
De uma dracma perdida, forma ensinamento inesquecível
sobre o amor espiritual.
De uma cruz grosseira, grava a maior lição de Divindade na
História.
De tudo isso somos testemunhas em nossa condição de
beneficiários. Em razão de nosso conhecimento, convém
ouvirmos a própria consciência. Que fazemos das bagatelas de
nosso caminho? Estaremos aproveitando nossas oportunidades
para fazer algo de bom?
(Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 161)
Tabelas de correspondências de versículos
Estas tabelas contêm a relação de todos os comentários,
deste volume, cuja vinculação poderia ser feita a mais de um
versículo. Isso ocorre, principalmente, nas chamadas passagens
paralelas dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.
Essa informação é particularmente útil quando o leitor não
localizar um comentário sobre um versículo, como, por exemplo,
MC 4:21: “Dizia-lhes: Acaso vem a candeia para que seja posta
sob o módio ou sob o leito, não para que seja posta sobre o
candeeiro?”. Embora não haja comentário sobre esse versículo,
existe sobre MT 5:15: “nem se acende uma candeia colocando-a
debaixo do módio, mas sobre o candeeiro, assim ilumina todos
que estão na casa.” cujo conteúdo é o mesmo. O comentário A
candeia pode referir-se tanto a um quanto ao outro, e, para evitar
repetições de textos, foi vinculado somente a MT 5:15.
Os comentários cujas vinculações não apresentam dúvidas,
por se enquadrarem em um ou mais dos casos a seguir, não
constam dessa tabela: 1) o versículo foi destacado na fonte
primária; 2) o versículo foi destacado em fonte secundária; 3) o
texto do comentário remete a um versículo que ocorre somente
uma vez no Novo Testamento.
Para esse terceiro volume, incluímos também uma relação
dos comentários que, de acordo com a explicação acima, foram
inseridos no primeiro e segundo volumes da coleção, e referem-se
a versículos que são paralelos em Marcos.
Relação de versículos cujos comentários constam do
primeiro e segundo volume da coleção.
 
 
Para
 
Ver
LC 5:31 Mateus 9:12 – Acidentados da alma
Mateus 9:12 – Em plena marcha
Marcos 2:17 – Doença e remédio
LC 5:32 Mateus 9:12 – Nos quadros da luta
Mateus 9:12 – Perante os caídos
LC 6:21 Mateus 5:4 – Aflições
Mateus 5:4 – Aflições excedentes
Mateus 5:4 – Aflitos
Mateus 5:4 – Aflitos bem... Aventurados
Mateus 5:4 – Apressados
Mateus 5:4 – Desespero
Mateus 5:4 – Examina a própria aflição
Mateus 5:4 – Não te aflijas
Mateus 5:4 – Nem todos os aflitos
Mateus 5:4 – No estudo da aflição
Mateus 5:4 – Os que não esperaram
Mateus 5:4 – Ouvindo o sermão do monte
LC 6:27 Mateus 5:44 – Amigos e inimigos
Mateus 5:44 – Ante nossos adversários
Mateus 5:44 – Ante os adversários
Mateus 5:44 – Companheiros difíceis
Mateus 5:44 – Desafetos
Mateus 5:44 – Inimigos que não devemos
acalentar
Mateus 5:44 – Necessitados difíceis
Mateus 5:44 – Ofensas e ofensores
Mateus 5:44 – Orai pelos que vos perseguem
Mateus 5:44 – Orai pelos que vos perseguem
Mateus 5:44 – Professores gratuitos
Mateus 5:44 – Traços do inimigo
LC 6:29 Mateus 5:39 – Pergunta 345 do livro O
consolador
LC 6:35 Mateus 5:44 – Amigos e inimigos
Mateus 5:44 – Ante nossos adversários
Mateus 5:44 – Ante os adversários
Mateus 5:44 – Companheiros difíceis
Mateus 5:44 – Desafetos
Mateus 5:44 – Inimigos que não devemos
acalentar
Mateus 5:44 – Necessitados difíceis
Mateus 5:44 – Ofensas e ofensores
Mateus 5:44 – Orai pelos que vos perseguem
Mateus 5:44 – Orai pelos que vos perseguem
Mateus 5:44 – Professores gratuitos
Mateus 5:44 – Traços do inimigo
LC 6:41 Mateus 7:3 – O olhar de Jesus
LC 6:37 - por
aproximação
Mateus 7:1 – Autojulgamento
Mateus 7:1 - Na obra cristã
LC 8:5 Mateus 13:3 – Ante o campo da vida
Mateus 13:3 – O semeador saiu
Mateus 13:3 – Palavra ao semeador
Mateus 13:3 – Semeia, semeia...
LC 8:16 Mateus 5:15 – A candeia
Mateus 5:15 – A candeia simbólica
Mateus 5:15 – Exposição espírita
Mateus 5:15 – No combate à ignorância
LC 8:18 Mateus 13:12 – A quem mais tem
Marcos 4:25 – Marcos 4:25 – Menos e mais
Marcos 4:25 – Marcos 4:25 – Quanto Mais
LC 9:5 Mateus 10:14 – O pó das sandálias
Mateus 10:14 – Poeira
LC 9:23 Mateus 16:24 – Apelos e solicitações
Mateus 16:24 – Em marcha
Mateus 16:24 – Evangelização
LC 9:24 Marcos 8:34 – Sigam-me os passos (prefácio)
LC 9:28-29 Marcos 9:2 – Pergunta 310 do livro O
consolador
LC 10:10 Mateus 10:14 – O pó das sandálias
Mateus 10:14 – Poeira
LC 10:11 Marcos 1:15 – O reino de Deus está próximo
LC 10:27 Mateus 22:37 – Na execução da divina lei
Mateus 22:39 – O próximo
Mateus 22:39 – Tempo da regra áurea
Marcos 12:31 – Diante do próximo
Marcos 12:31 – Pergunta 351 do livro O
consolador
LC 11:9 Mateus 7:7 – A chave
Mateus 7:7 – Batei e abrir-se-vos-á
Mateus 7:7 – Campeonatos
Mateus 7:7 – Esmola e oração
Mateus 7:7 – Examina o teu desejo
Mateus 7:7 – Imperfeitos, mas úteis
Mateus 7:7 – Na ação de pedir
Mateus 7:7 – Orar
Mateus 7:7 – Pedi e obtereis
Mateus 7:7 – Vibrações
LC 11:2 - por
aproximação
Mateus 6:10 – Assistência espiritual
Mateus 6:10 – Felicidade real
Mateus 6:10 – Na lição de Jesus
Mateus 6:10 – Seja feita a divina vontade
Mateus 6:12 – Como perdoar
Mateus 6:12 – Justiça e amor
Mateus 6:12 – Perdão e vida
LC 12:53 Mateus 10:35 – Pergunta 305 do livro O
consolador
LC 12:58 Mateus 5:25 – De imediato
Mateus 5:25 – Pergunta 337 do livro O
consolador
Mateus 5:25 – Reconcilia-te
LC 16:13 Mateus 6:24 – Atendamos
Mateus 6:24 – Diante da posse
LC 17:1 Mateus 18:7 – No domínio das provas
Mateus 18:7 – Pergunta 307 do livro O
consolador
LC 17:3 Mateus 18:15 – No exame do perdão
LC 17:6 Mateus 17:20 – A semente de mostarda
LC 17:6 - por
aproximação
Marcos 11:23 – Alcancemos a luz
LC 18:16 Marcos 10:14 – A criança e o futuro/Por amor à
criança
LC 18:25 Mateus 19:23 – Ante o reino dos Céus
LC 19:26 Mateus 13:12 – A quem mais tem
LC 20:25 Mateus 22:21 – A César o que é de César
Mateus 22:21 – Diante de Deus e de César
Mateus 22:21 – Jesus e César
Mateus 22:21 – Oração do dinheiro
Marcos 12:17 – Os minutos de Deus
LC 21:31 Marcos 1:15 – O reino de Deus está próximo
LC 22:54ss Marcos 14:71 – Pergunta 320 do livro Oconsolador
LC 23:26 Marcos 15:21 – Pergunta 316 do livro O
consolador
Tabela de correspondência de versículos do
 volume 3 da coleção
 
 
Título do Capítulo
 
Vinculação adotada
 
Vinculação alternativa
Amor aos inimigos LC 6:27 MT 5:44
Jesus e perdão LC 6:27 MT 5:44
Mortos LC 9:60 MT 18:22
Heroísmo oculto LC 9:23 MT 16:24; MC 8:34
Realidade e nós LC 9:23 MT 16:24; MC 8:34
Obter e pagar LC 11:9 MT 7:7
A porta estreita LC 13:24 MT 7:13
Em auxílio à criança LC 18:16 MT 19:14 ;MC 10:14
Mutilações congênitas LC 18:20 MT 19:18; MC 10:19
Não furtar LC 18:20 MT 19:18; MC 10:19
Relação de comentários por ordem
alfabética
2ª meditação sobre a prece – Na oração – ver Na oração*
A boa parte – LC 10:42
A grande fazenda – LC 15:12
A Grande Pergunta – LC 6:46
A luz segue sempre – LC 24:11
A marcha – LC 13:33
A porta estreita – LC 13:24
A senda estreita – LC 13:24
A torre – LC 14:28
Acharemos sempre – LC 11:10
Acima – LC 9:62
Administração – LC 16:2
Ajudemos sempre – LC 10:29
Alfaias – LC 17:31
Alguma coisa – LC 5:31
Alvorada do reino (Prefácio) – LC 17:21
Ambientes – LC 6:38
Amor aos inimigos – LC 6:27
Ante a Parábola do Rico – LC 16:19
Ante o sol eterno – LC 12:49
Ao partir do pão – LC 24:35
Após Jesus – LC 23:26
Aproveitemos – LC 24:48
Assim Será – LC 12:21
Atitudes essenciais – LC 14:27
Auto entrevista – LC 17:20
Auxiliar e servir – LC 10:27
Avareza – LC 12:15
Bem-aventuranças – LC 6:22
Beneficência e justiça – LC 6:31
Bens externos – LC 12:15
Boas maneiras – LC 14:10
Caindo em si – LC 15:17
Caminhar adiante – LC 13:33
Caridade e Jesus – LC 10:33
Caso Grave – LC 12:20
Céu – LC 17:21
Chamamento divino – LC 14:21
Civilização e reino de Deus – LC 17:20
Coisas mínimas – LC 12:26
Comer e beber – LC 13:26
Como lês? – LC 10:26
Compaixão e socorro – LC 6:35
Compaixão sempre – LC 6:37
Confessar o Mestre – LC 12:8
Conta particular – LC 19:42
Contempla mais longe – LC 6:38
Conversão – LC 22:32
Convite ao bem – LC 14:10
Cultiva a paz – LC 10:6
Curas – LC 10:9
Dai e dar-se-vos-á – LC 6:38
Dai e ser-vos-á dado – LC 6:38
Dar – LC 6:30
Dar – LC 6:38
Desculpismo – LC 14:18
Discípulos – LC 14:27
Doação e nós – LC 6:38
Doutrinações – LC 10:20
E olhai por vós – LC 21:34
Edificação do reino – LC 17:21
Eles, antes – LC 14:12
Elogios – LC 11:28
Em auxílio à criança – LC 18:16
Em louvor da alegria – LC 6:21
Em meio de lobos – LC 10:3
Em nós – LC 21:19
Em nossos caminhos – LC 10:37
Emprego de riquezas – LC 12:15
Encontro de paz – Prefácio – LC 17:21
Enquanto – LC 17:20
Entendimento espiritual – LC 24:45
Ergamo-nos – LC 15:18
Esmola – LC 11:41
Espinheiros – LC 6:44
Esta noite!... – ver Supercultura e calamidades morais*
Estudando a riqueza – LC 16:19
Evangelho e caridade – LC 10:30
Executar bem – LC 3:13
Exemplificar – LC 7:22
Falsas alegações – LC 8:28
Fariseus – LC 12:1
Faze isso e viverás – LC 10:28
Fazei preparativos – LC 22:12
Fé e paz – LC 24:38
Fidelidade – LC 17:5
Filho e censor – LC 15:29
Filhos de Deus – ver Paciência*
Filhos pródigos – LC 15:17
Firmeza de Fé – LC 8:13
Fundo de serviço – ver Recursos*
Granjeai amigos – LC 16:9
Guardemos o ensino – LC 9:44
Heroísmo oculto – LC 9:23
Inimigos – LC 6:35
Interrogação do Mestre – LC 9:25
Jesus e perdão – LC 6:27
Lázaro e o rico – LC 16:25
Livros – LC 4:16
Lucros – LC 12:20
Lugares de expiação – LC 17:21
Luz em nossas mãos – LC 17:20
Madeiros secos – LC 23:31
Magnetismo pessoal – LC 6:19
Mais alto – LC 6:32
Mar alto – LC 5:4
Máximo e mínimo – LC 6:45
Meditando o Natal – LC 2:29
Mensagem do Natal – LC 2:14
Mensagem espírita – ver Opiniões*
Misericórdia – LC 6:36
Misericórdia sempre – LC 10:29
Monte acima – LC 9:23
Monturo – LC 14:35
Mortos – LC 9:60
Mudança – LC 9:53
Mutilações congênitas – LC 18:20
Na hora da assistência – LC 14:13
Na oração – LC 11:1
Na Propaganda – LC 17:23
Não basta ver – LC 18:43
Não desfalecer – ver Nunca desfalecer*
Não furtar – LC 18:20
Não matarás – LC 18:20
Não se envergonhar – LC 9:26
Natal – LC 2:14
Necessidade essencial – LC 22:32
Negócios – LC 2:49
Nem Todos – LC 9:28
Ninguém é inútil – LC 14:11
No escândalo da cruz – LC 23:34
No júbilo de servir – LC 17:10
No Natal – LC 2:29
No paraíso – LC 23:43
No portal da luz – LC 17:21
No roteiro da fé – LC 9:23
Nós e o mundo – LC 6:38
Nos grandes momentos – LC 23:49
Nunca desfalecer – LC 18:1
Nuvens – LC 9:35
O amigo oculto – LC 24:16
O anúncio divino – LC 2:11
O arado – LC 9:62
O cego de Jericó – LC 18:41
O filho egoísta – LC 15:29
O grande servidor – LC 22:27
O homem bom – LC 10:37
O necessário – LC 10:42
O povo e o Evangelho – LC 19:48
O próximo e nós – LC 10:29
O Senhor dá sempre – LC 11:13
O Tesouro maior – LC 12:34
O toque – LC 8:45
O trabalhador divino – LC 3:17
Obter e pagar – LC 11:9
Oferta de Natal – LC 2:8
Onde estivermos – LC 16:12
Opiniões – LC 6:26
Ordem e Luz – LC 2:5
Os Vivos do Além – LC 9:30
Ouçam-nos – LC 16:29
Paciência – LC 21:19
Paciência em estudo – LC 21:19
Página do Natal – LC 2:32
Pai e amigo – LC 15:20
Palavra falada – LC 8:17
Pão de cada dia – LC 11:3
Para e pensa – LC 12:48
Para testemunhar – LC 21:13
Paz em casa – LC 10:5
Perdão – remédio santo – LC 23:34
Pergunta 66 do livro O consolador – LC 14:33
Pilatos – LC 23:25
Pior para eles – LC 4:21
Política – LC 22:26
Política divina – LC 22:27
Por que dormis? – LC 22:46
Porta estreita – LC 13:24
Posses terrestres – LC 12:20
Prece do Natal – LC 2:14
Prece do Natal – LC 2:14
Pró ou Contra – LC 11:23
Profetas e Apóstolos – LC 11:49
Que pedes? – LC 12:20
Realidade e nós – LC 9:23
Receita de luz – LC 10:37
Receita de vida eterna – LC 10:37
Recursos – LC 12:15
Reino de Deus – LC 17:21
Reino divino – LC 17:21
Responsabilidade – LC 12:48
Respostas do alto – LC 11:11
Rogar – LC 22:42
Salários – LC 3:14
Samaritanos e nós – LC 10:37
Saudando o Natal – LC 2:9
Se soubéssemos – LC 23:34
Seara espírita – LC 6:44
Sede firmes – LC 21:9
Sejamos simples – LC 18:16
Semimortos – LC 10:30
Substitutos – LC 1:79
Sugestões da parábola – LC 10:37
Supercultura e Calamidades Morais – LC 12:20
Tabernáculos eternos – LC 16:9
Tempo de Confiança – LC 8:25
Tolerância divina – LC 23:34
Três imperativos – LC 11:9
Tua fé – LC 8:48
Um livro diferente – LC 8:30
Um só Senhor – LC 16:13
Vê como vives – LC 19:13
Vê, pois – LC 11:35
Vinda do reino – LC 17:20
Vós, que dizeis? – LC 9:20
Índice geral
A
ABORRECIMENTO
silêncio diante do próprio (LC 10:5)
ABRAÃO
resposta de * ao rico da parábola (LC 16:29)
AÇÃO
campo da * regeneradora (LC 15:18)
ACEITAÇÃO
desígnios e (LC 23:43)
sofrimento e (LC 6:22)
ADMINISTRADOR
distribuição de serviço e (LC 1:79)
inconfessáveis compromissos e (LC 9:60)
negócios de orientação e (LC 19:13)
ADMIRAÇÃO
expressão da * e da reverência do mundo (LC 2:8 a 11)
ADUBO
proteção da plantação com * desagradável (LC 11:13)
AFLIÇÃO
amparo aos que padecem (LC 14:12)
pensamentos desordenados e (LC 12:48)
socorro de Deus nas horas de (LC 17:21)
AFORTUNADO
provações e (LC 6:36)
AGRESSIVIDADE
assalto da * invisível (LC 18:20)
AGRUPAMENTO RELIGIOSO
desconfiança e (LC 11:10)
ÁGUA
requisito para purificação da (LC 14:11)
AGUILHÃO
espera pelo * da necessidade (LC 14:10)
AJUDA
atenção às oportunidades de (LC 12:15)
facilidade de * aos companheiros (LC 6:32)
AJUSTE
momento do (LC 16:9)
ALEGRIA
criação e (LC 6:38)
distribuição de * e bom ânimo (LC 11:41)
festa de lágrimas da * e natal (LC 2:29)
interesse imediatista satisfeito e (LC 15:17)
privilegiados da (LC 16:19)
ALÉM-TÚMULO
assistência de companheiros de (LC 5:4)
notícias de (LC 24:11)
possibilidade do intercâmbio com (LC 9:28)
ALFABETO
cooperação na busca do (LC 6:45)
ALFAIA
separação da * de adorno dos vasos (LC 17:31)
transitoriedade da * do lar (LC 17:31)
ALLAN KARDEC
comentário de (LC 12:20)
palavra dos instrutores de (LC 17:20)
ALMA
acesso às portas da (LC 2:14)
acomodação nas portas largas e (LC 13:24)
anseio pelo sacrifício e (LC 13:24)
condição para posse da (LC 21:19)
corpo físico e (LC 13:24)
crença e exigências da (LC 17:21)
desejo de nova vida no mundo e (LC 13:24)
despertamento da * para as realidades eternas (LC 9:44)
dificuldade que enriquecea mente e (LC 13:24)
eliminação da aversão e do rancor na (LC 23:34)
exaltação pelo obstáculo que ensina e (LC 13:24)
felicidade e (LC 13:24)
fuga à dificuldade e (LC 13:24)
lágrimas e (LC 2:14)
menosprezo pelo compromisso assumido e (LC 13:24)
miopia da (LC 24:35)
necessidade do combate a miopia da (LC 24:45)
necessidade do sofrimento purificador e (LC 13:24)
negações da * vazia (LC 8:48)
perigosas tentações no sono da (LC 22:46)
porta estreita e (LC 13:24)
potenciais para a angelitude na (LC 18:16)
programa individual da (LC 3:13)
programa individual de trabalho da (LC 3:13)
próximo e exame da posição da (LC 10:29)
queda de propósitos erigidos na (LC 22:42)
reclamos da (LC 8:48)
recuo no instante do serviço justo e (LC 13:24)
retorno às portas largas e (LC 13:24)
rogativa pela porta estreita e (LC 13:24)
semimortos da (LC 10:30)
símbolo do aposento interno da (LC 22:12)
socorro às necessidades da (LC 12:20)
sono da (LC 22:46)
tarefa de retificação ou recondução da (LC 14:10)
temor do sacrifício e (LC 13:24)
vitórias e valores da (LC 12:20)
ALUCINAÇÃO
precipitação nos despenhadeiros de (LC 10:37)
AMBICIOSO
reclamação do (LC 12:20)
AMBIENTE
disponibilidade e (LC 6:38)
resposta e (LC 6:38)
AMIGO
benfeitor e (LC 16:2)
oferta do apoio fraterno ao (LC 9:23)
significado da palavra * segundo Jesus (LC 16:9)
AMIGO DO OUTRO MUNDO
identificação do (LC 9:30)
AMOR
aprendendo no * ao próximo (LC 10:29)
busca da vitória do (LC 23:26)
caridade e (LC 11:41)
conceito de (LC 6:35)
coração armado de (LC 2:14)
dracma perdida e * espiritual (LC 24:48)
exercício de * ao cônjuge (LC 9:23)
exercício do ministério do * na casa de Pedro (LC 22:32)
irradiação de (LC 11:41)
Jesus e (LC 6:32)
pobreza e (LC 2:14)
resplandecência do * no coração (LC 6:35)
revelação do * que acalma as tempestades (LC 22:27)
solicitação e (LC 11:9)
AMOR ESPIRITUAL
dracma perdida e ensinamento sobre (LC 24:48)
ANGÚSTIA
acomodamento sobre as pedras da (LC 10:37)
processos obsessivos e (LC 6:37)
ANIMALIDADE
libertação da * primitivista (LC 11:9)
ANSIEDADE
inimiga do trabalho frutuoso e (LC 3:13)
APOIO
cooperação em * aos semelhantes (LC 9:62)
facilidade no * aos que nos aplaudem (LC 6:32)
APOSTOLADO
acendimento das luzes com três anos de (LC 24:48)
APRECIAÇÃO UNILATERAL
prejuízo da (LC 10:42)
APREÇO
respeito e (LC 6:38)
APRENDIZ
bênçãos divinas e (LC 6:38)
Evangelho e (LC 6:46)
fé e (LC 6:46)
preguiça, vaidade e (LC 6:46)
remédio recomendado ao (LC 10:20)
solidariedade humana e (LC 6:38)
APRENDIZ SINCERO
cenáculo simbólico do coração e (LC 22:12)
APRENDIZADO
esquecimento de * em proveito próprio (LC 10:20)
ARADO
aproveitamento do terreno e (LC 9:62)
características do (LC 9:62)
construção do berço das sementeiras e (LC 9:62)
discípulo sincero e * da responsabilidade (LC 9:62)
fruto do (LC 9:62)
promessa de serviço e (LC 9:62)
reino de Deus e (LC 9:62)
serviço e (LC 9:62)
ARBITRÁRIO
solicitação do (LC 12:20)
ARMA DE FOGO
relâmpagos estranhos e (LC 2:32)
ARREPENDIMENTO
caprichos e (LC 13:24)
compra de * e lágrimas (LC 10:27)
demora para o (LC 13:24)
despenhamento nos precipícios de tardio (LC 13:24)
trabalho e (LC 15:17)
ARTE
consagração da hegemonia dos mais fortes e (LC 10:30)
ARTISTA
queda nos desvãos do relaxamento e (LC 15:17)
ÁRVORE DA VIDA
galhos secos da (LC 23:31)
ASCENDENTE ESPIRITUAL
agrupamento religioso e (LC 4:21)
ASCENSÃO
panorama dos cimos e (LC 15:18)
prejuízo do serviço divino da (LC 17:31)
ASCENSÃO ESPIRITUAL
melindres, convenções e (LC 17:31)
ATENAS
inteligência e acrópole de (LC 10:30)
ATITUDE
importância da * na preservação da paz (LC 16:12)
revisão da própria (LC 6:38)
ATIVIDADE DIGNA
condução do irmão à (LC 5:31)
AUDIÇÃO
lubrificação das engrenagens da (LC 8:17-18)
óleo do amor puro e (LC 8:17)
AUTOENTREVISTA
débitos, créditos e (LC 17:20)
dificuldades, provações e (LC 17:20)
esquecimento das ofensas alheias e (LC 17:20)
personalidade, tendências íntimas e (LC 17:20)
prática do bem e (LC 17:20)
renovação constante e (LC 17:20)
utilização do tempo e (LC 17:20)
AUTORIDADE
compaixão e (LC 6:38)
crítica em torno da (LC 8:17 e 18)
Deus e doação da (LC 6:38)
experiências, provas e * humana (LC 14:33)
justiça, misericórdia e (LC 6:38)
AUXÍLIO
acendimento das lâmpadas de * fraterno (LC 22:27)
extensão dos braços na obra do (LC 6:37)
homem bom e (LC 10:37)
AVARENTO
mesquinhas preocupações e (LC 12:34)
AVAREZA
acúmulo de dinheiro e (LC 12:15)
ataque pelo vírus da (LC 12:15)
conceito de (LC 12:15)
consequência da (LC 12:15)
Jesus e (LC 12:15)
loucura e (LC 12:21)
sofrimento e (LC 12:15)
AVARO
característica do * infeliz (LC 12:15)
AZEDUME
oferta e (LC 6:38)
B
BAGAGEM
exame da * e valores da alma (LC 12:20)
BÁLSAMO
semeadura e (LC 8:17)
BARRABÁS
Jesus e (LC 6:27)
BATISTA, JOÃO
advertência de (LC 3:13)
lembrança dos conselhos de (LC 3:13)
referência de * a Jesus (LC 3:17)
resposta de * aos soldados (LC 3:14)
BEM
ação dos vanguardeiros do (LC 10:30)
ação no * no caminho para frente (LC 13:33)
aceitação dos impositivos do (LC 14:27)
aproveitamento do * transitório (LC 16:9)
busca do * legítimo (LC 11:9)
caráter firme, defensor do (LC 21:9)
centralização no esforço de ajuda no (LC 18:1)
condição convencional para o exercício do (LC 2:5)
consciência tranquila e prática do (LC 17:21)
conversão do * na lição ou na alegria (LC 8:17 e 18)
convite ao (LC 14:10)
corações inclinados ao * e à verdade (LC 21:19)
cristão sem atividade no (LC 10:39)
doação do * aos outros (LC 6:38)
doação e (LC 6:38)
encontro com o (LC 14:10)
estímulo à construção do * na Terra (LC 14:18)
fonte divina e (LC 14:10)
herança dos valores do (LC 12:21)
incapacidade de colaboração nos serviços
do (LC 14:18)
Jesus e materialização do (LC 10:30)
Magdala e adversário do (LC 2:29)
necessidade da busca diária do (LC 11:10)
necessidade do (LC 14:10)
neutralidade entre o * e o mal (LC 11:23)
origem do (LC 14:10)
paciência e (LC 21:19)
poder, fama e valorização do (LC 12:21)
prática do (LC 14:10)
presença do (LC 14:10)
provas do mal e (LC 14:10)
semeadura e (LC 16:19)
talentos e consagração ao (LC 12:48)
transformação do mal no (LC 21:19)
valor divino e eterno do (LC 11:10)
BEM-AVENTURANÇAS
aflitos e (LC 6:22)
Jesus e oferta das (LC 6:22)
pobres de espírito e (LC 6:22)
reflexões sobre o problema das (LC 6:22)
resistências às (LC 6:22)
sofrimento e (LC 6:22)
BEM DIVINO
trabalho de administração e (LC 14:33)
usufruto e (LC 14:33)
BÊNÇÃO
necessidade de * aos que criam problemas (LC 6:32)
BENEFICÊNCIA
dever puro e simples e (LC 6:31)
exame da * e justiça da vida (LC 6:31)
BENFEITOR ETERNO VER JESUS
BENS
aquisição de * terrenos (LC 13:33)
aquisição dos * eternos (LC 13:33)
BENS MATERIAIS
administração dos (LC 16:2)
altruísmo e (LC 12:21)
caridade e (LC 11:41)
lei de causa e efeito e (LC 12:21)
loucura e (LC 12:21)
procedência dos (LC 11:41)
BOA-NOVA
extensão e consolidação dos valores da (LC 22:27)
BOA VONTADE PARA COM OS HOMENS
significado da expressão (LC 2:14)
BOAS MANEIRAS
convocação ao exame de algo novo e (LC 14:10)
recomendação e (LC 14:10)
BOM LADRÃO
ingresso no céu e (LC 23:43)
rendição incondicional do * a Jesus (LC 23:43)
trabalho e responsabilidades novas do (LC 23:43)
BOM SAMARITANO
caminho para o encontro com Deus e (LC 10:29)
irmão caído e (LC 10:29)
Jesus e Parábola do (LC 10:30)
Lucas, evangelista, e Parábola do (LC 10:30)
BOMBARDEIO
resplendor sinistro no (LC 2:32)
BONDADE
condições para difusão da (LC 11:41)
Deus e * infinita (LC 11:13)
difusão da (LC 11:41)
BONDADE DE DEUS
agradecimento à (LC 10:27)
BONDADE VIGILANTE
expressão da compaixão e do socorro na (LC 6:35)
BRAÇO AMIGO
extensão do * na direção do próximo (LC 12:20)
BRUXO
instrumentos da revelação espiritual e (LC 24:11)
C
CAIFÁS
Mestre e (LC 6:26)
CALMA
indução à * e Jesus (LC 21:19)
CALUNIADOR
paralisia das cordas vocais e (LC 23:34)
CAMINHO EVOLUTIVO
compreensão do (LC 18:41)
CAPACIDADE AFETIVA
demonstração da (LC 6:35)
CAPRICHO
preferência pela estrada agradável do (LC 13:24)
CÁRCERE
dissoluçãode * mental (LC 14:18)
fortuna amoedada e (LC 16:19)
CARIDADE
abnegação e (LC 11:41)
amor e (LC 11:41)
arquivos antes de Jesus e (LC 10:33)
Céu e * vulgar (LC 6:38)
compreensão e (LC 11:41)
conceito de (LC 10:33), (LC 10:37)
culto incessante à * pura (LC 11:23)
documentários de Roma e (LC 10:33)
estima pela prática da (LC 5:31)
Francisco de Assis, São, e (LC 10:30)
gênio cristão na Terra e (LC 10:30)
história do Samaritano generoso e (LC 10:33)
irradiação da Luz divina e (LC 10:33)
Jesus e (LC 10:30), (LC 10:33), (LC 10:37)
necessidade de (LC 6:31)
necessidade de amparo e (LC 10:37)
páginas da Grécia antiga e (LC 10:33)
papiros do Egito e (LC 10:33)
prática da (LC 5:31)
redução da (LC 11:41)
Rockefeller e (LC 10:30)
rótulo da * e extração de vantagens (LC 11:35)
semeadura da luz da verdadeira (LC 16:19)
sublimidade da (LC 11:41)
tipos de (LC 11:41)
Vicente de Paulo, S., e (LC 10:30)
vida íntima e (LC 11:41)
CARNE VER CORPO FÍSICO
CARTAS DO CRISTO
Cego de Jericó, O, e (LC 18:41)
Jesus e (LC 18:41)
Lucas, apóstolo, e (LC 18:41)
CASAL DE NAZARÉ
cumprimento da ordem e (LC 2:5)
CASTIGO
sistemas de * depois da morte (LC 17:21)
CATÓLICO ROMANO
desvirtuação do apostolado e (LC 19:13)
sacerdotes e (LC 19:13)
CEGO DE JERICÓ
Jesus e a súplica do (LC 18:41)
representação da atitude do (LC 18:43)
CEGUEIRA
justificação da própria (LC 16:29)
CEGUEIRA ESPIRITUAL
pretensa claridade, sombra de (LC 11:35)
CELESTE INSTRUTOR VER JESUS
CELESTE ORIENTADOR VER JESUS
CÉU
apelos do (LC 16:2)
caridade vulgar às portas do (LC 6:38)
conceito de (LC 17:21)
entendimento do conceito de (LC 17:21)
localização do (LC 17:21)
manifestação da palavra do (LC 9:35)
socorro do (LC 11:13)
valorização das concessões do (LC 3:14)
CHINA
preocupação das muralhas da (LC 10:30)
CHINESES
segunda morte e (LC 17:21)
CHORO
ouvidos cerrados ao * e súplica dos doentes (LC 12:20)
CIÊNCIA
Deus e doação da (LC 6:38)
ensino da * da frase correta e expressiva (LC 5:31)
garantia da higiene e (LC 17:20)
humanidade e (LC 6:38)
oferta da própria existência em louvor da (LC 9:23)
CIENTISTA
lembranças do * de prol (LC 12:48)
perdulário da inteligência e (LC 15:17)
CIRCO
extinção da matança no (LC 2:14)
morte dos cristãos no (LC 21:9)
CIÚME
labareda do * e da discórdia (LC 2:32)
CIVILIZAÇÃO
fé e (LC 2:14)
indícios da * completa (LC 17:20)
moral e * completa (LC 17:20)
povos esclarecidos e (LC 17:20)
primeira fase da (LC 17:20)
reino de Deus e (LC 17:20)
CLARIDADE ESPIRITUAL
impossibilidade de retenção de (LC 4:16)
CLARIDADE IMORTAL
cruzes e (LC 23:43)
CLARINADA
aceitação da * sem vacilação (LC 14:10)
CLIMA ESPIRITUAL
vida, constrangimento e (LC 6:38)
CÓDIGO DA VIDA
recomendações traçadas no * eterna (LC 22:27)
COISA MÍNIMA
zelo pela (LC 12:26)
CÓLERA
curtos-circuitos da (LC 2:32)
perseverança na (LC 6:38)
COLHEITA
produção da bênção da (LC 17:10)
COMERCIANTE
negócios de suprimento e de fraternidade e (LC 19:13)
COMPAIXÃO
conversão da * em anestesia da consciência (LC 6:35)
extensão incessante da * e do socorro (LC 6:35)
lembranças do Egito glorioso e (LC 10:30)
papel da (LC 6:35)
receita de luz e (LC 10:37)
COMPANHEIRO
abandono dos e (LC 5:4)
Além-túmulo e (LC 5:4)
desculpas ao (LC 6:38)
insistência de * em favor das realidades da vida (LC 14:10)
meditação sobre (LC 5:4)
COMPREENSÃO
acúmulo de reservas da boa (LC 11:41)
aplausos aos testemunhos de (LC 9:23)
caminho evolutivo e (LC 18:41)
cultivo da * e da bondade (LC 10:39)
mensagens inarticuladas de * e simpatia (LC 17:21)
necessidade de * aos que nos desajudam (LC 6:32)
COMPROMISSO
assunção do * acima da capacidade (LC 12:48)
CONCÓRDIA
destruição da * e da segurança (LC 18:20)
CONDUTA
aflições debitadas pela própria (LC 18:20)
CONFIANÇA
fé e (LC 8:25)
necessidade de manutenção da (LC 8:25)
revelação da * na hora adequada (LC 8:25)
roubo da (LC 18:20)
CONFISSÃO
farpas no coração e (LC 21:19)
profissão de fé e (LC 12:8)
revelação da luz e poder de Jesus e (LC 12:8)
CONFISSÃO PÚBLICA
vida do homem e (LC 9:26)
CONFLITO
entendimento e (LC 17:21)
CONFORTO
enlouquecimento e (LC 2:14)
hipertrofia e (LC 16:19)
oferta de frases de * e bom ânimo (LC 14:13)
CONHECIMENTO
limitações no (LC 6:38)
paz íntima e (LC 19:42)
peso da responsabilidade do (LC 4:21)
CONHECIMENTO INTELECTUAL
afirmações provisórias da evolução e (LC 12:20)
CONHECIMENTO SUPERIOR
aquisição de * para o roteiro de amanhã (LC 12:21)
dosagem do (LC 9:28)
CÔNJUGE
exercício de tolerância e amor ao (LC 9:23)
CONQUISTA
caminhada no terreno da * interior (LC 13:33)
CONSCIÊNCIA
aprovação da (LC 6:26)
caridade para com o próximo e (LC 18:20)
cotidiano e (LC 6:38)
Cristianismo e (LC 10:29)
esclarecimento da voz de Deus e (LC 6:26)
exoneração da * do resgate preciso (LC 14:18)
fé raciocinada e paz de (LC 17:21)
importância das opiniões levianas e (LC 6:26)
males dilapidadores da (LC 22:42)
martírio da (LC 8:28)
nuvens na * inquieta (LC 12:20)
oráculo e receio da própria (LC 17:21)
porta-voz do roteiro exato (LC 11:23)
prática do bem e * tranquila (LC 17:21)
respeito recíproco e (LC 18:20)
santuário divino da (LC 6:26)
CONSELHO
rogativa de * em assunto determinado (LC 6:44)
CONTRARIEDADE
aviso benéfico e * amarga (LC 11:11)
COOPERAÇÃO
auxílio ao familiar com nossa (LC 10:39)
auxílio e (LC 6:38)
COOPERADOR
necessidade de * fiel (LC 10:3)
CORAÇÃO
abnegação, humildade e claridade no (LC 17:20)
alfinetadas do mundo e ferimento no (LC 10:27)
apontamentos no livro do (LC 9:44)
cátedra e * de Jesus (LC 22:27)
humilde de (LC 24:35)
luz da reta consciência e (LC 12:21)
misericórdia e iluminação do (LC 6:36)
revelação de Jesus no (LC 13:26)
talentos preciosos do (LC 16:2)
transformação do * em pêndulo (LC 23:25)
CORAGEM
aplausos às demonstrações de (LC 9:23)
benção e (LC 11:9)
CORPO
templo sagrado e (LC 16:2)
CORPO FÍSICO
alma e (LC 13:24)
bênção concedida pelos pais e (LC 12:20)
dor e (LC 21:34)
enfermidade do (LC 13:24)
fealdade e (LC 11:11)
morte do *, juízo no mundo de cada homem (LC 21:34)
morte e (LC 13:24), (LC 21:34)
serviço no (LC 13:24)
vaso de purificação e (LC 17:20)
vaso purificador e (LC 17:20)
CORRETIVO ESPIRITUAL
interesse pelo (LC 10:9)
CORRIGENDA
sinceridade diante da necessidade de (LC 14:18)
CRENÇA
abismos insondáveis além-túmulo e * grega (LC 17:21)
exigências da alma e (LC 17:21)
CRENÇA RELIGIOSA
perturbação e mudança da (LC 17:23)
CRENTE
capricho ferido do (LC 12:34)
mentalidade infantil do (LC 12:34)
pedido de exemplo de amor ao (LC 9:26)
profissão de fé do (LC 9:26)
promessa do Mestre e (LC 11:10)
renúncia e desinteresse do (LC 12:34)
CRESCIMENTO ESPIRITUAL
oportunidade de (LC 18:1)
CRIANÇA
amparo à * e homem renovado (LC 18:16)
assistência à * e Espiritismo (LC 18:16)
colunas vivas do reino de Jesus e (LC 18:16)
traços da virgindade sentimental e (LC 18:16)
CRIATURA
Sabedoria divina e (LC 13:33)
CRIATURA CONSCIENTE
conjunto de deveres da (LC 14:27)
CRIMINOSO
passagem do * à condição de doente (LC 2:14)
CRISTÃO
divulgação de falsos sentimentos e (LC 16:13)
dolorosas situações do (LC 16:13)
perplexidade nas estradas do mundo e (LC 16:13)
teorias contraditórias e (LC 17:5)
CRISTIANISMO
aprendizes do (LC 9:44)
compreensão, bondade e (LC 10:29)
consciência e (LC 10:29)
Espiritismo e * Redivivo (LC 6:44)
Jesus e (LC 2:29)
perseguição ao (LC 19:48)
perseguição aos postulados do (LC 19:48)
prece e (LC 11:1)
preocupação na preservação do (LC 9:26)
significado do termo (LC 6:45)
CRISTO
amigo do (LC 21:13)
chamados ao (LC 21:13)
direitos inalienáveis do (LC 16:13)
encontro espiritual com (LC 18:41)
martírio do (LC 23:31)
palavras do * e morte (LC 6:46)
pegadas do (LC 18:43)
sacrifício do (LC 6:44)
serviço e (LC 6:32)
CRISTO VER JESUS
CRUZ
abandono da * à porta dos vizinhos (LC 14:27)
banquete da (LC 24:16)
bênção da nossa (LC 23:26)
condução da * dos nossos testemunhos (LC 14:27)
desconhecimento do ambiente divino da (LC 24:16)
Jesus e * infamante (LC 6:27)
lição de Divindade na História e * grosseira (LC 24:48)
necessidade de abraço a * das provas

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