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1 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 Sistema Urinário Anatomia dos Sistemas RINS Os rins produzem urina que é conduzida pelos ureteres até a bexiga urinária na pelve. A face superomedial de cada rim normalmente está em contato com a glândula suprarrenal. Um septo fascial fraco separa as glândulas dos rins; assim, eles não estão realmente fixados um ao outro. As glândulas suprarrenais atuam como parte do sistema endócrino, com função completamente separada dos rins. Os órgãos urinários superiores (rins e ureteres), seus vasos e as glândulas suprarrenais são estruturas retroperitoneais primárias na parede posterior do abdome — isto é, foram originalmente formados como vísceras retroperitoneais e assim permanecem. REVESTIMENTOS DOS RINS [Prancha 315 do Netter] Os rins são cobertos mais internamente pela cápsula renal fibrosa. Mais superficialmente a ela, a cápsula adiposa perirrenal (gordura perirrenal) circunda os rins e seus vasos enquanto se estende até suas cavidades centrais, os seios renais. 2 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 Os rins, as glândulas suprarrenais e a gordura que os circunda estão encerrados (exceto inferiormente) por uma camada membranácea e condensada de fáscia renal, que continua medialmente e envolve os vasos renais, fundindo-se com as bainhas vasculares desses últimos. OBS: inferomedialmente, uma extensão delicada da fáscia renal prolonga-se ao longo do ureter como a fáscia periureteral. Externamente à fáscia renal está o corpo adiposo pararrenal (gordura pararrenal/paranefrética), a gordura extraperitoneal da região lombar, que é mais visível posteriormente ao rim. OBS: superiormente, a fáscia renal é contínua com a fáscia na face inferior do diafragma (fáscia diafragmática); assim, as glândulas suprarrenais fixam-se principalmente ao diafragma. Inferiormente, as lâminas anterior e posterior da fáscia renal não estão fixadas ou apresentam apenas união frouxa. ORDEM DOS REVESTIMENTOS DO RIM (da mais interna para a mais externa) Cápsula renal fibrosa → Cápsula adiposa perirrenal → Fáscia renal → Corpo adiposo pararrenal LOCALIZAÇÃO E POSIÇÃO DOS RINS [Pranchas 308, 309 e 320] Estão situados no retroperitônio sobre a parede posterior do abdome, um de cada lado da coluna vertebral, no nível das vértebras T XII a L III. O plano transpilórico atravessa o polo superior do rim direito, que está por volta de 2,5 cm mais baixo do que o polo esquerdo, provavelmente por causa do fígado. Posteriormente, as partes superiores dos rins situam-se profundamente às costelas XI e XII. OBS: como o acesso cirúrgico habitual aos rins é através da parede posterior do abdome, convém saber que o polo inferior do rim direito está aproximadamente um dedo superior à crista ilíaca. 3 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 Durante a vida, os rins têm coloração marrom-avermelhada e medem cerca de 10 cm de comprimento, 5 cm de largura e 2,5 cm de espessura. Superiormente, os rins estão associados ao diafragma, que os separa das cavidades pleurais e do 12º par de costelas. Inferiormente, as faces posteriores do rim têm relação com os músculos psoas maior medialmente e quadrado do lombo. OBS: o nervo e os vasos subcostais e os nervos ílio-hipogástrico e ilioinguinal descem diagonalmente através das faces posteriores dos rins. O fígado, o duodeno e o colo ascendente são anteriores ao rim direito. Esse rim é separado do fígado pelo recesso hepatorrenal. O rim esquerdo está relacionado com o estômago, baço, pâncreas, jejuno e colo descendente. ESTRUTURAS DO RIM [Pranchas 311 e 312 do Netter] Na margem medial côncava do rim há uma fenda vertical, o hilo renal. O hilo renal é a entrada de um espaço no rim, o seio renal. As estruturas que servem aos rins (vasos, nervos e estruturas que drenam urina do rim) entram e saem do seio renal através do hilo renal. OBS: o hilo renal esquerdo situa-se perto do plano transpilórico, a cerca de 5 cm do plano mediano. No hilo renal, a veia renal situa-se anteriormente à artéria renal, que é anterior à pelve renal. No rim, o seio renal é ocupado pela pelve renal, cálices, vasos e nervos e uma quantidade variável de gordura. Cada rim tem faces anterior e posterior, margens medial e lateral e polos superior e inferior. OBS: no entanto, devido à protrusão da coluna vertebral lombar para a cavidade abdominal, os rins estão posicionados obliquamente, formando um ângulo entre eles. Consequentemente, o 4 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 diâmetro transverso dos rins é reduzido em vistas anteriores e em radiografias anteroposteriores (AP). A margem lateral de cada rim é convexa, e a margem medial é côncava, onde estão localizados o seio renal e a pelve renal. A pelve renal é a expansão afunilada e achatada da extremidade superior do ureter. O ápice da pelve renal é contínuo com o ureter. A pelve renal recebe dois ou três cálices maiores, e cada um deles se divide em dois ou três cálices menores. OBS: lembrar que existem dois tipos de pelve, a ampular (inteira) e dendrítica (ramificada). Cada cálice menor é entalhado por uma papila renal, o ápice da pirâmide renal, de onde a urina é excretada. Nas pessoas vivas, a pelve renal e seus cálices geralmente estão colapsados (vazios). As pirâmides e o córtex associado formam os lobos renais. OBS: os lobos são visíveis na face externa dos rins nos fetos, e os sinais dos lobos podem persistir por algum tempo após o nascimento (“rim lobulado”) [Prancha 311 do Netter]. VASCULARIZAÇÃO DOS RINS [Pranchas 310 e 312 do Netter] Irrigação arterial As artérias renais direita e esquerda originam-se a partir da artéria aorta no nível do disco IV entre as vértebras L I e L II. A artéria renal direita, que é mais longa, passa posteriormente à VCI. 5 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 Tipicamente, cada artéria divide-se perto do hilo renal em cinco artérias segmentares, que são artérias terminais. OBS: o termo artérias terminais quer dizer que elas não fazem anastomoses significativas com outras artérias segmentares, de modo que a área suprida por cada artéria segmentar é uma unidade independente, cirurgicamente ressecável ou segmento renal. As artérias segmentares são distribuídas para os segmentos renais do seguinte modo: O segmento superior (apical) é irrigado pela artéria do segmento superior (apical); os segmentos anterossuperior e anteroinferior são supridos pelas artérias do segmento anterior superior e do segmento anterior inferior; e o segmento inferior é irrigado pela artéria do segmento inferior. Essas artérias originam-se do ramo anterior da artéria renal; A artéria segmentar posterior, que se origina de uma continuação do ramo posterior da artéria renal, irriga o segmento posterior do rim. OBS: lembrar que não é apenas “artéria do segmento tal” é preciso especificar que ela irriga o rim, portanto, é melhor falar “artéria do segmento tal do rim” ou “artéria segmentar tal do rim”. Não achei no roteiro a nomenclatura específica. É comum haver várias artérias renais, que geralmente entram no hilo renal. Artérias renais extra-hilares, ramos da artéria renal ou da aorta, podem entrar na face externa do rim, muitas vezes em seus polos (“artérias polares”). Drenagem venosa e linfática Diversas veias renais drenam cada rim e se unem de modo variável para formar as veias renais direita e esquerda; estas situam-se anteriormente às artérias renais direita e esquerda. A veia renal esquerda, mais longa, recebe a veia suprarrenal esquerda, a veia gonadal (testicular ou ovárica) esquerda e uma comunicação com a veia lombar ascendente, e depois atravessa o ângulo agudo entre a artéria mesentérica superior anteriormentee a aorta posteriormente. Todas as veias renais drenam para a VCI. Os vasos linfáticos renais acompanham as veias renais e drenam para os linfonodos lombares direito e esquerdo (cavais e aórticos). 6 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 INERVAÇÃO DOS RINS [Prancha 317 do Netter] Os nervos para os rins originam-se do plexo nervoso renal e são formados por fibras simpáticas e parassimpáticas. O plexo nervoso renal é suprido por fibras dos nervos esplâncnicos abdominopélvicos (principalmente o imo). URETERES LOCALIZAÇÃO, POSIÇÃO E ESTRUTURAS DOS URETERES Os ureteres são ductos musculares (25 a 30 cm de comprimento) com lumens estreitos que conduzem urina dos rins para a bexiga. Seguem inferiormente, dos ápices das pelves renais nos hilos renais, passando sobre a margem da pelve na bifurcação das artérias ilíacas comuns. A seguir, passam ao longo da parede lateral da pelve e entram na bexiga urinária. As partes abdominais dos ureteres aderem intimamente ao peritônio parietal e têm trajeto retroperitoneal. Nas costas, a impressão superficial do ureter é uma linha que une um ponto 5 cm lateral ao processo espinhoso de L I e a espinha ilíaca posterossuperior. OBS: Telma falou na aula que dois pontos de referência interessantes para encontrar os ureteres (já que eles são retroperitoneais) são o vértice da raiz do mesocolo sigmoide (lado esquerdo) e o terço final da raiz do mesentério (lado direito). Os ureteres ocupam um plano sagital que cruza as extremidades dos processos transversos das vértebras lombares. Nas radiografias contrastadas, os ureteres normalmente apresentam constrições relativas em três locais: Na junção dos ureteres e pelves renais; Onde os ureteres cruzam a margem da abertura superior da pelve; Durante sua passagem através da parede da bexiga urinária. OBS: essas áreas de constrição são possíveis locais de obstrução por cálculos ureterais. Ao cruzarem a bifurcação da artéria ilíaca comum (ou o início da artéria ilíaca externa), os ureteres passam sobre a margem da pelve, deixando o abdome e entrando na pelve menor – parte pélvica dos ureteres. As partes pélvicas dos ureteres seguem nas paredes laterais da pelve, paralelas à margem anterior da incisura isquiática maior, entre o peritônio parietal da pelve e as artérias ilíacas internas. Próximo à espinha isquiática, eles se curvam anteromedialmente, acima do músculo levantador do ânus, e entram na bexiga urinária – parte intramural do ureter. 7 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 As extremidades inferiores dos ureteres são circundadas pelo plexo venoso vesical. Nos homens, a única estrutura que passa entre o ureter e o peritônio é o ducto deferente, que cruza o ureter na prega interuretérica do peritônio. O ureter situa-se posterolateralmente ao ducto deferente e entra no ângulo posterossuperior da bexiga urinária, logo acima da glândula seminal [Prancha 345 do Netter]. Nas mulheres, o ureter passa medialmente à origem da artéria uterina e continua até o nível da espinha isquiática, onde é cruzado superiormente pela artéria uterina. Em seguida, passa próximo da parte lateral do fórnice da vagina e entra no ângulo posterossuperior da bexiga urinária [Prancha 341 do Netter]. OBS: na aula, Telma citou que, nas mulheres, os ureteres também são cruzados também pelo ligamento cervical transverso (cardinal). VASCULARIZAÇÃO DOS URETERES [Prancha 310 do Netter] Irrigação arterial Os ramos arteriais para a parte abdominal do ureter originam-se regularmente das artérias renais, com ramos menos constantes originando-se das artérias testiculares ou ováricas, da parte abdominal da aorta e das artérias ilíacas comuns. Os ramos aproximam-se dos ureteres medialmente e dividem-se em ramos ascendente e descendente, formando uma anastomose longitudinal na parede do ureter. Entretanto, os ramos uretéricos são pequenos e relativamente delicados, e a ruptura pode causar isquemia apesar do canal anastomótico contínuo formado. A irrigação arterial das partes pélvicas dos ureteres é variável, proporcionada por ramos uretéricos originados das artérias ilíacas comuns, ilíacas internas e ováricas. Os ramos uretéricos anastomosam-se ao longo do trajeto do ureter, formando uma vascularização contínua, embora não necessariamente vias colaterais efetivas. As artérias mais constantes que irrigam as partes terminais do ureter nas mulheres são ramos das artérias uterinas. As origens de ramos semelhantes nos homens são as artérias vesicais inferiores. Drenagem venosa e linfática As veias que drenam a parte abdominal dos ureteres drenam para as veias renais e gonadais (testiculares ou ováricas). A drenagem venosa das partes pélvicas dos ureteres geralmente é paralela à irrigação arterial, drenando para veias de nomes correspondentes. Os vasos linfáticos da parte superior do ureter podem se unir àqueles do rim ou seguir diretamente para os linfonodos lombares. Os vasos linfáticos da parte média do ureter 8 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 geralmente drenam para os linfonodos ilíacos comuns, enquanto os vasos de sua parte inferior drenam para os linfonodos ilíacos comuns, externos ou internos. INERVAÇÃO DOS URETERES [Prancha 317 do Netter] Os nervos da parte abdominal dos ureteres provêm dos plexos renal, aórtico abdominal e hipogástrico superior. As fibras aferentes viscerais que conduzem a sensação de dor (p.ex., causada por obstrução e consequente distensão) acompanham as fibras simpáticas retrógradas até os gânglios sensitivos espinais e segmentos medulares T XI–L II. A dor ureteral geralmente é referida no quadrante inferior ipsolateral da parede anterior do abdome e principalmente na região inguinal. BEXIGA URINÁRIA LOCALIZAÇÃO E POSIÇÃO DA BEXIGA URINÁRIA A bexiga urinária, uma víscera oca que tem fortes paredes musculares, é caracterizada por sua distensibilidade. A bexiga é um reservatório temporário de urina e varia em tamanho, formato, posição e relações de acordo com seu conteúdo e com o estado das vísceras adjacentes. Quando vazia, a bexiga urinária do adulto está localizada na pelve menor, situada parcialmente superior e parcialmente posterior aos ossos púbicos. É separada desses ossos pelo espaço retropúbico (de Retzius) virtual e situa-se principalmente inferior ao peritônio, apoiada sobre o púbis e a sínfise púbica anteriormente e sobre a próstata (homens) ou parede anterior da vagina (mulheres) posteriormente. A bexiga urinária está relativamente livre no tecido adiposo subcutâneo extraperitoneal, exceto por seu colo, que é fixado firmemente pelos ligamentos laterais vesicais e o arco tendíneo da fáscia da pelve, sobretudo seu componente anterior, o ligamento puboprostático em homens e o ligamento pubovesical em mulheres. Nas mulheres, como a face posterior da bexiga urinária está diretamente apoiada na parede anterior da vagina, a fixação lateral da vagina ao arco tendíneo da fáscia da pelve, o paracolpo, é um fator indireto, mas importante na sustentação da bexiga urinária. OBS: Em lactentes e crianças pequenas, a bexiga urinária está no abdome mesmo quando vazia. Em geral, a bexiga urinária entra na pelve maior aos 6 anos de idade; entretanto, só depois da puberdade está completamente localizada na pelve menor. A bexiga urinária vazia no adulto situa-se quase toda na pelve menor, estando sua face superior no mesmo nível da margem superior da sínfise púbica. À medida que se enche, a bexiga urinária entra na pelve maior enquanto ascende no tecido adiposo extraperitoneal da parede abdominal anterior. Em alguns indivíduos, a bexiga urinária cheia pode chegar até o nível do umbigo. 9 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 ESTRUTURAS DA BEXIGAURINÁRIA Ao fim da micção, a bexiga urinária de um adulto normal praticamente não contém urina. Quando vazia, a bexiga urinária tem um formato quase tetraédrico e externamente tem ápice, corpo, fundo e colo. As quatro superfícies da bexiga urinária (superior, duas inferolaterais e posterior) são mais aparentes na bexiga urinária vazia e contraída que foi removida de um cadáver, quando o órgão possui o formato semelhante ao de um barco. O ápice da bexiga aponta em direção à margem superior da sínfise púbica quando a bexiga urinária está vazia. O fundo da bexiga é oposto ao ápice, formado pela parede posterior um pouco convexa. O corpo da bexiga é a parte principal da bexiga urinária entre o ápice e o fundo. O fundo e as faces inferolaterais encontram-se inferiormente no colo da bexiga. O leito da bexiga é formado pelas estruturas que têm contato direto com ela. De cada lado, os púbis, a fáscia que reveste o músculo levantador do ânus e a parte superior do músculo obturador interno estão em contato com as faces inferolaterais da bexiga urinária. Apenas a face superior é coberta por peritônio. Consequentemente, nos homens o fundo da bexiga é separado do reto centralmente apenas pelo septo retovesical fascial e lateralmente pelas glândulas seminais e ampolas dos ductos deferentes. Nas mulheres, o fundo da bexiga tem relação direta com a parede anterossuperior da vagina. A bexiga urinária é revestida por uma fáscia visceral de tecido conjuntivo frouxo. As paredes da bexiga urinária são formadas principalmente pelo músculo detrusor. Em direção ao colo da bexiga masculina, as fibras musculares formam o músculo esfíncter interno da uretra involuntário. Esse esfíncter se contrai durante a ejaculação para evitar a ejaculação retrógrada (refluxo ejaculatório) do sêmen para a bexiga urinária. Algumas fibras seguem radialmente e ajudam na abertura do óstio interno da uretra. Nos homens, as fibras musculares no colo da bexiga são contínuas com o tecido fibromuscular da próstata, ao passo que nas mulheres essas fibras são contínuas com fibras musculares da parede da uretra. Os óstios do ureter e o óstio interno da uretra estão nos ângulos do trígono da bexiga. Os óstios do ureter são circundados por alças do músculo detrusor, que se contraem quando a bexiga urinária se contrai para ajudar a evitar o refluxo de urina para o ureter. A úvula da bexiga é uma pequena elevação do trígono; geralmente é mais proeminente em homens idosos em razão do aumento do lobo posterior da próstata. OBS: de acordo com Telma, a úvula da bexiga está presente apenas em homens. 10 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 VASCULARIZAÇÃO DA BEXIGA URINÁRIA [Pranchas 380 e 381 do Netter] Irrigação arterial da bexiga urinária As principais artérias que irrigam a bexiga urinária são ramos das artérias ilíacas internas. As artérias vesicais superiores irrigam as partes anterossuperiores da bexiga urinária. Nos homens, as artérias vesicais inferiores irrigam o fundo e o colo da bexiga. Nas mulheres, as artérias vaginais substituem as artérias vesicais inferiores e enviam pequenos ramos para as partes posteroinferiores da bexiga urinária. As artérias obturatória e glútea inferior também enviam pequenos ramos para a bexiga urinária. OBS: ao contrário do que o Moore dá a entender, segundo Telma, a mulher TEM artéria vesical inferior, mas no homem ela vem diretamente da artéria ilíaca interna, na mulher, vem da artéria vaginal ou da uterina. Drenagem venosa da bexiga urinária As veias que drenam a bexiga urinária correspondem às artérias e são tributárias das veias ilíacas internas. Nos homens, o plexo venoso vesical é contínuo com o plexo venoso prostático, e o conjunto de plexos associados envolve o fundo da bexiga e a próstata, as glândulas seminais, os ductos deferentes e as extremidades inferiores dos ureteres. Também recebe sangue da veia dorsal profunda do pênis, que drena para o plexo venoso prostático. O plexo venoso vesical é a rede venosa que tem associação mais direta à própria bexiga urinária. Drena principalmente através das veias vesicais inferiores para as veias ilíacas internas; entretanto, pode drenar através das veias sacrais para os plexos venosos vertebrais internos. Nas mulheres, o plexo venoso vesical envolve a parte pélvica da uretra e o colo da bexiga, recebe sangue da veia dorsal do clitóris e comunica-se com o plexo venoso vaginal ou uterovaginal. OBS: o Moore não cita a drenagem linfática da bexiga, mas foi dito em aula que ela é feita pelos linfonodos ilíacos externos e ilíacos internos. INERVAÇÃO DA BEXIGA URINÁRIA [Prancha 388 do Netter] As fibras simpáticas são conduzidas dos níveis torácico inferior e lombar superior da medula espinal até os plexos vesicais (pélvicos), principalmente através dos plexos e nervos hipogástricos, enquanto as fibras parassimpáticas dos níveis sacrais da medula espinal são conduzidas pelos nervos esplâncnicos pélvicos e pelo plexo hipogástrico inferior. As fibras parassimpáticas são motoras para o músculo detrusor e inibitórias para o músculo esfíncter interno da uretra na bexiga urinária masculina. Portanto, quando as fibras aferentes viscerais são estimuladas por estiramento, ocorre contração reflexa da bexiga urinária, relaxamento do músculo esfíncter interno da uretra (nos homens) e a 11 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 urina flui para a uretra. Com treinamento, nós aprendemos a suprimir esse reflexo quando não desejamos urinar. A inervação simpática que estimula a ejaculação causa simultaneamente a contração do músculo esfíncter interno da uretra para evitar refluxo de sêmen para a bexiga urinária. Uma resposta simpática em outros momentos diferentes da ejaculação (p. ex., constrangimento ao estar no mictório na frente de uma fila de espera) pode causar contração do músculo esfíncter interno, prejudicando a capacidade de urinar até que haja inibição parassimpática do esfíncter. As fibras sensitivas da maior parte da bexiga urinária são viscerais; as fibras aferentes reflexas seguem o trajeto das fibras parassimpáticas, do mesmo modo que aquelas que transmitem sensações de dor (como a resultante da hiperdistensão) da parte inferior da bexiga urinária. A face superior da bexiga urinária é coberta por peritônio e, portanto, está acima da linha de dor pélvica; assim as fibras de dor da parte superior da bexiga urinária seguem as fibras simpáticas retrogradamente até os gânglios sensitivos de nervos espinais torácicos inferiores e lombares superiores (T XII–L II ou L III). URETRA FEMININA A uretra feminina (com cerca de 4 cm de comprimento e 6 mm de diâmetro) segue anteroinferiormente do óstio interno da uretra na bexiga urinária, posterior e depois inferior à sínfise púbica, até o óstio externo da uretra. A musculatura que circunda o óstio interno da uretra da bexiga urinária feminina não está organizada em um esfíncter interno; O óstio externo da uretra feminina está localizado no vestíbulo da vagina, a fenda entre os lábios menores dos órgãos genitais externos, diretamente anterior ao óstio da vagina. 12 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 A uretra situa-se anteriormente à vagina (formando uma elevação na parede anterior da vagina); seu eixo é paralelo ao da vagina. A uretra segue com a vagina através do diafragma da pelve, músculo esfíncter externo da uretra e membrana do períneo. Há glândulas na uretra, sobretudo em sua parte superior. Um grupo de glândulas de cada lado, as glândulas uretrais, é homólogo à próstata. Essas glândulas têm um ducto parauretral comum, que se abre (um de cada lado) perto do óstio externo da uretra. VASCULARIZAÇÃO DA URETRA FEMININA Irrigação arterial da uretra feminina A uretra feminina é irrigadapelas artérias pudenda interna e vaginal. Drenagem venosa da uretra feminina As veias seguem as artérias e têm nomes semelhantes. INERVAÇÃO DA URETRA FEMININA Os nervos que suprem a uretra têm origem no plexo (nervo) vesical e no nervo pudendo. As fibras aferentes viscerais da maior parte da uretra seguem nos nervos esplâncnicos pélvicos, mas a terminação recebe fibras aferentes somáticas do nervo pudendo. As fibras aferentes viscerais e somáticas partem dos corpos celulares nos gânglios sensitivos de nervos espinais S II–S IV. URETRA MASCULINA A uretra masculina é um tubo muscular (18 a 22 cm de comprimento) que conduz urina do óstio interno da uretra na bexiga urinária até o óstio externo da uretra, localizado na extremidade da glande do pênis em homens. A uretra também é a via de saída do sêmen (espermatozoides e secreções glandulares). Para fins descritivos, a uretra é dividida em quatro partes (intramural, prostática, membranácea e esponjosa). 13 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 PARTE INTRAMURAL DA URETRA MASCULINA O diâmetro e o comprimento da parte intramural (pré-prostática) da uretra variam quando a bexiga urinária está se enchendo (há contração tônica do colo da bexiga de modo que o óstio interno da uretra apresenta-se pequeno e alto; o óstio interno da uretra de enchimento) ou esvaziando (o colo da bexiga é relaxado de modo que o óstio apresenta-se largo e baixo; o óstio interno da uretra de esvaziamento). Corresponde à primeira parte da uretra masculina. PARTE PROSTÁTICA DA URETRA MASCULINA A característica mais proeminente da parte prostática da uretra é a crista uretral, uma estria mediana entre sulcos bilaterais, os seios prostáticos. Os ductos prostáticos secretores abrem-se nos seios prostáticos. O colículo seminal é uma elevação arredondada no meio da crista uretral com um orifício semelhante a fenda que se abre em um fundo de saco pequeno, o utrículo prostático. OBS: o utrículo é o vestígio remanescente do canal uterovaginal embrionário, cujas paredes adjacentes, na mulher, constituem o primórdio do útero e uma parte da vagina. Os ductos ejaculatórios se abrem na parte prostática da uretra através de pequenas aberturas semelhantes a fendas localizadas adjacentes ao orifício do utrículo prostático e, às vezes, logo dentro dele. Assim, os tratos urinário e reprodutivo se fundem nesse ponto. PARTE MEMBRANÁCEA DA URETRA MASCULINA A parte membranácea (intermédia) da uretra começa no ápice da próstata e atravessa o espaço profundo do períneo, circundada pelo músculo esfíncter externo da uretra. Em seguida, penetra a membrana do períneo, terminando quando entra no bulbo do pênis. Posterolateralmente a essa parte da uretra estão as pequenas glândulas bulbouretrais e seus ductos finos, que se abrem na região proximal da parte esponjosa da uretra. 14 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 PARTE ESPONJOSA DA URETRA MASCULINA A parte esponjosa da uretra começa na extremidade distal da parte membranácea e termina no óstio externo da uretra masculina, que é ligeiramente mais estreito do que as outras partes da uretra. O lúmen da parte esponjosa da uretra tem cerca de 5 mm de diâmetro; entretanto, é expandido no bulbo do pênis para formar uma dilatação intrabulbar e na glande do pênis para formar a fossa navicular. De cada lado, os finos ductos das glândulas bulbouretrais se abrem na região proximal da parte esponjosa da uretra; os óstios desses ductos são extremamente pequenos. Também existem muitas aberturas diminutas dos ductos das glândulas uretrais secretoras de muco na parte esponjosa da uretra. VASCULARIZAÇÃO DA URETRA MASCULINA Irrigação arterial da uretra masculina As partes intramural e prostática da uretra são irrigadas por ramos prostáticos das artérias vesicais inferiores e retais médias. A irrigação arterial das partes membranácea e esponjosa da uretra provém de ramos da artéria dorsal do pênis. Drenagem venosa e linfática da uretra masculina As veias das duas partes proximais da uretra drenam para o plexo venoso prostático. As veias que drenam a parte distal da uretra acompanham as artérias e têm nomes semelhantes. Os vasos linfáticos da parte membranácea da uretra drenam principalmente para os linfonodos ilíacos internos, enquanto a maioria dos vasos da parte esponjosa da uretra segue até os linfonodos inguinais profundos, mas parte da linfa segue para os linfonodos ilíacos externos. INERVAÇÃO DA URETRA MASCULINA Na parte proximal, os nervos são derivados do plexo prostático (fibras simpáticas, parassimpáticas e aferentes viscerais mistas). O plexo prostático é um dos plexos pélvicos (extensão inferior do plexo vesical) que se originam como extensões órgão-específicas do plexo hipogástrico inferior. A inervação da parte membranácea da uretra é igual à da parte prostática: inervação autônoma (eferente) através do plexo nervoso prostático, originado no plexo hipogástrico inferior. A inervação simpática provém dos níveis lombares da medula espinal através dos nervos esplâncnicos lombares, e a inervação parassimpática provém dos níveis sacrais através dos nervos esplâncnicos pélvicos. As fibras aferentes viscerais seguem as fibras parassimpáticas retrogradamente até os gânglios sensitivos dos nervos espinais sacrais. O nervo dorsal do pênis, um ramo do nervo pudendo, é responsável pela inervação somática da parte esponjosa da uretra. 15 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 CORRELAÇÕES CLÍNICAS Abscesso perinéfrico: as fixações da fáscia renal determinam a extensão de um abscesso perinéfrico. Por exemplo, a fáscia no hilo renal fixa-se aos vasos renais e ao ureter, geralmente impedindo a disseminação de pus para o outro lado. Entretanto, o pus de um abscesso (ou sangue em uma lesão renal) pode penetrar na pelve entre as lâminas anterior e posterior, com fixação frouxa, da fáscia renal. Ptose renal: como as lâminas da fáscia renal não apresentam fusão firme inferiormente para oferecer resistência, rins anormalmente móveis podem descer mais do que os 3 cm normais quando o corpo está ereto. Quando os rins descem, as glândulas suprarrenais permanecem no lugar porque estão situadas em um compartimento fascial separado e firmemente fixadas ao diafragma. A ptose renal é distinguida do rim ectópico (localização incorreta congênita do rim) por um ureter de comprimento normal que tem espirais frouxas ou dobras porque houve redução da distância até a bexiga urinária. As dobras não parecem importantes. A dor intermitente na região renal, aliviada pela posição de decúbito, parece resultar da tração dos vasos renais; A ausência de sustentação inferior para os rins na região lombar é uma das razões para o posicionamento de rins transplantados na fossa ilíaca da pelve maior. Outras razões para esse posicionamento são a disponibilidade de grandes vasos sanguíneos e o acesso conveniente à bexiga urinária próxima. Transplante renal: o transplante renal é agora a opção preferida para o tratamento de casos selecionados de insuficiência renal crônica. O rim pode ser removido do doador sem lesar a glândula suprarrenal devido ao fraco septo de fáscia renal que separa o rim dessa glândula. O local para transplante de um rim é a fossa ilíaca da pelve maior. Esse local sustenta o rim transplantado, de modo que não haja tração dos vasos anastomosados cirurgicamente. A artéria e a veia renais são unidas à artéria e veia ilíacas externas, respectivamente, e o ureter é suturado à bexiga urinária. Dor na região pararrenal: a proximidade entre os rins e os músculos psoas maiores explica por que a extensão das articulações do quadril pode aumentar a dor causada pela inflamação nas áreas pararrenais. Esses músculos fletem as coxas nas articulações do quadril. Vasos renais acessórios: durante sua “ascensão” até o local final, os rins embrionários recebem sua vascularização e drenagem venosa de vasos sucessivamente superiores. Em geral, os vasos inferiores degeneram enquanto os superiores assumem a função. A ausência de degeneração desses vasos resulta em artérias e veias renais acessórias. Algumas artérias acessórias, as “artérias polares”, entram/saem dos polos renais. Uma artéria polar inferior cruza o ureter e pode obstruí-lo. Há variações no número e na posição desses vasos em aproximadamente 30% das pessoas. Síndrome de compressão da veia renal: ao cruzar a linha mediana para chegar à VCI, a veia renal esquerda, que é mais longa, atravessa um ângulo agudo entre a AMS anteriormente e a parte abdominal da aorta posteriormente. A tração da AMS para baixo pode comprimir a veia renal esquerda (e talvez a terceira parte do duodeno), resultando 16 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 em síndrome de compressão da veia renal (compressão mesoaórtica da veia renal esquerda), também conhecida como “síndrome de quebra-nozes” com base na aparência da veia no ângulo arterial agudo em vista sagital. A síndrome pode incluir hematúria ou proteinúria, dor abdominal (flanco esquerdo), náusea, vômito (indicativo de compressão do duodeno) e dor testicular esquerda em homens (relacionada à drenagem da veia testicular esquerda para a veia renal esquerda proximal à compressão). Raramente, pode haver varicocele do lado esquerdo. Anomalias congênitas dos rins e ureteres: pelve renal e ureter bífidos são comuns. Essas anomalias resultam da divisão do broto uretérico (divertículo metanéfrico), o primórdio da pelve renal e ureter. A extensão da duplicação ureteral depende da integridade da divisão embrionária do broto uretérico. Pelve renal e/ou ureter bífidos podem ser unilaterais ou bilaterais; entretanto, aberturas separadas na bexiga urinária são raras. A divisão incompleta do broto uretérico resulta em ureter bífido; a divisão completa resulta em rim supranumerário. Uma anomalia rara é um ureter retrocaval, que deixa o rim e segue posteriormente à VCI. Os rins estão próximos na pelve embrionária. Em aproximadamente 1 em 600 fetos, os polos inferiores (raramente, os polos superiores) dos rins fundem-se para formar um rim em ferradura. Esse rim em formato de U geralmente está no nível das vértebras LIII a LV, porque a raiz da artéria mesentérica inferior impediu a migração normal do rim anormal. O rim em ferradura geralmente não causa sintomas; entretanto, pode haver anormalidades associadas do rim e da pelve renal, obstruindo o ureter. Às vezes, o rim embrionário de um ou ambos os lados não entra no abdome e situa-se anteriormente ao sacro. Embora seja raro, o conhecimento da possibilidade de um rim pélvico ectópico deve evitar que seja confundido com um tumor pélvico e removido. O rim pélvico em uma mulher também pode ser lesado ou causar obstrução durante o parto. Os rins pélvicos geralmente recebem sua vascularização da bifurcação aórtica ou de uma artéria ilíaca comum. 17 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 Cálculos renais e ureterais: os cálculos são formados por sais de ácidos inorgânicos ou orgânicos ou de outros materiais. Eles podem se formar e se localizar nos cálices renais, ureteres ou bexiga urinária. Um cálculo renal pode passar do rim para a pelve renal e, depois, para o ureter. Se o cálculo for cortante ou maior do que o lúmen normal do ureter (aproximadamente 3 mm), causa distensão excessiva desse tubo muscular fino; o cálculo ureteral causará forte dor intermitente (cólica ureteral) quando for empurrado gradualmente no ureter por ondas de contração. O cálculo pode causar obstrução completa ou intermitente do fluxo urinário. A obstrução pode ocorrer em qualquer parte ao longo do ureter, porém é mais frequente nos três locais onde os ureteres normalmente apresentam constrição relativa: (1) na junção dos ureteres e pelves renais, (2) onde os ureteres cruzam a artéria ilíaca externa e a margem da pelve, e (3) durante sua passagem através da parede da bexiga urinária. Dependendo do nível de obstrução, que se modifica, a dor pode ser referida para a região lombar ou inguinal, ou para os órgãos genitais externos e/ou testículo. A dor é referida nas áreas cutâneas inervadas por segmentos e gânglios sensitivos espinais, que também recebem fibras aferentes viscerais do ureter, principalmente TXI–LII. A dor segue em sentido inferoanterior “da região lombar para a região inguinal” quando o cálculo atravessa o ureter. A dor pode se estender até a face anterior proximal da coxa por projeção através do nervo genitofemoral (LI, LII), o escroto em homens e os lábios maiores do pudendo em mulheres. A dor extrema pode ser acompanhada por desconforto digestivo intenso (náuseas, vômito, cólica e diarreia) e resposta simpática generalizada que pode mascarar em vários graus os sintomas mais específicos. Os cálculos ureterais podem ser observados e removidos com um nefroscópio, um instrumento introduzido por uma pequena incisão, ou por cirurgia a céu aberto. Outra técnica, litotripsia, concentra uma onda de choque através do corpo que quebra o cálculo em pequenos fragmentos eliminados com a urina. Comprometimento iatrogênico da vascularização ureteral: os ureteres podem ser lesados durante cirurgias abdominais, retroperitoneais, pélvicas ou ginecológicas em virtude da interrupção acidental de sua vascularização. A identificação dos ureteres em todo o seu trajeto na pelve é uma medida preventiva importante. As anastomoses longitudinais entre ramos arteriais para o ureter geralmente são adequadas para manter a vascularização ao longo da extensão dos ureteres, mas às vezes isso não acontece. A tração do ureter durante a cirurgia pode acarretar sua ruptura tardia. O segmento ureteral desnudo sofre gangrena e ocorre extravasamento ou ruptura 7 a 10 dias após a cirurgia. Quando necessária, a tração deve ser delicada e limitada por meio de afastadores rombos e acolchoados. É útil perceber que, embora a vascularização do segmento abdominal do ureter tenha origem medial, a do segmento pélvico tem origem lateral; os ureteres devem ser afastados de acordo. Cistocele: a perda da sustentação vesical em mulheres por lesão do assoalho pélvico durante o parto pode acarretar o colapso da bexiga urinária sobre a parede anterior da vagina. Quando a pressão intra-abdominal aumenta (como durante a “força expulsiva” na 18 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 defecação), pode haver protrusão da parede anterior da vagina para o vestíbulo através do óstio da vagina. Cistotomia suprapúbica: embora a face superior da bexiga urinária vazia esteja no nível da margem superior da sínfise púbica, à medida que se enche, a bexiga urinária estende- se superiormente acima da sínfise até o tecido areolar frouxo existente entre o peritônio parietal e a parede abdominal anterior. A bexiga urinária, então, se situa adjacente a essa parede, sem a intervenção do peritônio. Consequentemente, a bexiga urinária distendida pode ser puncionada (cistotomia suprapúbica) ou abordada cirurgicamente superiormente à sínfise púbica para a introdução de cateteres de demora ou instrumentos, sem atravessar o peritônio e penetrar a cavidade peritoneal. Os cálculos urinários, corpos estranhos e pequenos tumores também podem ser retirados da bexiga urinária através de uma incisão extraperitoneal suprapúbica. Ruptura da bexiga urinária: em vista da posição superior quando distendida, a bexiga urinária pode ser rompida por lesões da parte inferior da parede abdominal anterior ou por fraturas da pelve. A ruptura pode ocasionar a perda de urina extraperitoneal ou intraperitoneal. Muitas vezes a ruptura da parte superior da bexiga urináriarompe o peritônio, resultando em extravasamento de urina para a cavidade peritoneal. A ruptura posterior da bexiga urinária geralmente acarreta a passagem de urina extraperitoneal para o períneo. Diferenças clinicamente importantes entre uretra feminina e masculina: a uretra feminina é distensível porque contém muito tecido elástico, bem como músculo liso. Pode ser dilatada facilmente sem sofrer lesão; consequentemente, a passagem de cateteres ou cistoscópios é mais fácil nas mulheres do que nos homens. As infecções da uretra, e sobretudo da bexiga urinária, são mais comuns em mulheres porque a uretra feminina é curta, mais distensível, e se abre para o exterior através do vestíbulo da vagina.